domingo, 7 de julho de 2013

1 723 - A estrada do café...

Ponte do Dange, em Dezembro de 2012 (foto de Carlos Ferreira) e a ponte de 1975, vista do Destacamento da 1ª. CCAV. 8423.  Em baixo, a estrada do café, em Dezembro de 2012 (foto do Carlos Ferreira) 

A 6 de Julho de 1974, o comandante Almeida e Brito reuniu com  os povos de Aldeia e Luege. O objectivo era «continuar a mentalização das populações». O mesmo aconteceu com os camionistas que operavam na zona - ora no transporte do café, ora das madeiras, as maiores riquezas económicas da região. Queriam eles (os camionistas) «maior liberdade de de movimentos na chamada estrada do café» - que ia (e vai) de Luanda a Carmona (agora Uíge).
Os camionistas tinham peso significativo na economia regional, pois escoavam os produtos e  faziam os reabastecimentos a uma zona onde eram os principais (os únicos) agentes de transporte. 
A 5 de Julho, na véspera e em Sanza Pombo, realizou-se a reunião mensal de comandos do Comando do Sector do Uíge.

sábado, 6 de julho de 2013

1 722 - O Carlos Ferreira de Zalala...

Viegas e Ferreira, a 6 de Julho de 2013. Cavaleiros do Norte 
"achados" 38 anos depois, com leitão e espumante da Bairrada (à direita) na mesa


O Carlos Ferreira foi mecânico de armamento ligeiro da 1ª. CCAV. 8423, lá por Zalala. Aquartelou, depois, em Vista Alegre e passou pelo Songo, antes de Carmona e Luanda - onde "pousou" no descanso de umas «férias» provocadas pelo desvio de um automóvel. Sem que dele se descobrisse outro «negócio» maior: o de armas, que quis passar para o MPLA.  
Portugal recebeu-o em 1975 e, pouco depois, embrenhou-se e lutas revolucionárias, que o levaram a tribunais e penitenciárias. Lutou por um Portugal diferente do Portugal que ele mesmo sentia. E fê-lo, com as suas convicções, sem trair os seus ideais, mesmo quando  traído por quem foi menos forte e desassamiu a revolução que queriam fazer.
Não é dessa revolução, porém, que venho falar.
É do nosso encontro de hoje.
Fomos contemporâneos da Escola Industrial e Comercial de Águeda e dos Cavaleiros do Norte. Sem, porém, nunca nos acharmos pelo chão do Uíge angolano. Ou em Luanda. Em Novembro de 1990, cruzámo-nos na solenidade austera de um tribunal, onde, sem eu o identificar, dele fiz notícia que correu jornais deste país - respondendo ele por acções em nome das Brigadas Revolucionárias.
O Uíge que nunca nos achou nos anos de 1974 e 1975, aproximou-nos em princípios de 2013 - depois de ele por lá ter passado e fotografado sítios por onde fizemos a nossa jornada africana: o Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Vista Alegre, Ponte do Dange, Carmona, o Songo.
O abraço ficou prometido para hoje e hoje se consumou. Foi emotivo, recapitulou tempos de escola e de tropa, do Portugal que fomos e (não) somos!
Os Cavaleiros do Norte tem destas coisas: aproximam, fazem comunhão, identificam e fazem história. E memória.

- FERREIRA. Carlos Alberto Pereira Tavares Ferreira, 1º. cabo 
mecânico de armamento ligeiro, da 1ª. CCAV. 8423. Natural de 
Albergaria-a-Velha e residente no Maputo (Moçambique), onde 
é empresário da área de segurança.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

1 721 - O Eusébio de Zalala...

Rodrigues, Eusébio, Barata e Queirós, em Zalala (1974). Em baixo, Pinto, Eusébio, Mota Viana e Rodrigues (de pé), Dias, Queirós e Barreto (sentados), em Junho de 2012 (Belmonte)

O Eusébio de Zalala não foi "rei» do futebol mas é um senhor da fidalguia. Vive em Belmonte e de lá nos ligou, para falar da vida, da nossa epopeia africana, dos tempos em que a força da juventude não nos deixava abater, nem tínhamos crise, nem troikas, nem políticos menores e as aqueloutras coisas que nos vão desanimando e afrouxando a confiança no amanhã. Que não se adivinha fácil!!!  
O Eusébio fez vida na Escola Profissional Agrícola de Belmonte, de onde é e onde mora - com a mulher (funcionária pública) e dois filhos, de 34 e 27 anos. A saúde atormentou-o por volta de 2008 e a má circulação sanguínea e os diabetes já o levaram cinco vezes às mesas de operações. Neste vai-e-volta, perdeu a perna esquerda. Nada, todavia, que lhe retire o entusiasmo e gosto de viver. 
«Fiquei mais leve...», disse-me ele, sem uma sombra de constrangimento ou amargura que se lhe percebesse. 
Olha para trás e não tem outra conclusão, que não esta: «A partir dos 50, vamos perdendo a validade. É como os iogurtes!!!...». E soltou outra gargalhada, que lhe senti fresca e viva, sem estar a esconder quaisquer desgosto ou tristeza.
A esposa «também sobre de umas coisas». Trabalha na EB 2,3 de Belmonte e a coluna e o ombro direito tem vezes que lhe infernizam os dias. Mas Eusébio, que nos falava do Centro de Saúde, onde esperava consulta, dá «estas coisas da vida» como «sendo mesmo assim...».
Aposentado, enche os seus dias com «um hobyyzito...»: faz bricolages, esculturas, artesanato e pirogravuras. E pensa abrir uma loja para os filhos. Vai estar, sem dúvida, na feira medieval de 15 a 18 de Agosto, lá em Belmonte.
Ó Eusébio, foi um gosto falar contigo. Um gosto enorme, pá!!! Ficámos feitos uns «putos» naquela meia hora de telefone que matou saudades e refrescou memórias.
- EUSÉBIO. Eusébio Manuel Martins, furriel miliciano 
atirador de cavalaria, da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala. 
Funcionário público aposentado, (é de e) mora em Belmonte.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

1 720 - As polícias e a nova escola do Quitexe...

A 3 de Julho de 1974, o comandante Almeida e Brito visitou a OPVDCA e a 3ª. Companhia da PSPA/GR, que dependiam operacionalmente do BCAV. 8423. A 4 do mesmo mês, hoje se fazem 39 anos, «completou-se o quadro orgânico da Polícia de Informação Militar (PIM), com a apresentação do chefe de posto do Quitexe». Quem era? Não sei!
O mês, de resto, começara com «a atribuição da responsabilidade operacional da OPVDCA do Dange e das 3ª. e 4ª. Companhias da PSPA/GR». respectivamente sediadas em Quitexe e Vista Alegre, forças que, segundo o Livro da Unidade, «mercê de determinação superior passaram ao comando operacional das forças militares em subsector»
Agora, 39 anos depois, chega-nos boa notícia do Quitexe: Passou a contar, desde ontem, com "uma nova escola do 2º. ciclo, construída de raíz e devidamente apetrechada, com equipamentos técnicos e meios  informáticos».
A escola «tem 12 salas de aula, secretaria, gabinetes dos directores, sala de reunião e de professores, área administrativa, balneários e outros compartimentos» que, segundo a ANGOP, «vão facilitar o funcionamento da instituição.
Felicitamos o Quitexe e as suas gentes!
Ver AQUI
- OPVDCA. Organização Provincial de Voluntários de Defesa Civil de Angola.
- PSPA. Polícia de Segurança Pública de Angola.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

1 719 - O alferes Rodrigues de Santa Isabel...

Augusto Rodrigues, em foto recente, 38 anos 
depois (1974/75) da jornada africana dos Cavaleiros do Norte

O Rodrigues foi nosso companheiro de Penude, na difícil jornada do curso de Operações Especiais - os Rangers!!! - o segundo de 1973. Cadete por lá, foi aspirante a oficial miliciano e mais tarde alferes miliciano da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel. 
O Rodrigues, por onde anda o Rodrigues, por onde não anda, o que é feito dele, o que faz ou não faz? Sabia-se que trabalhava na metereologia do aeroporto de Lisboa, mas, por uma razão ou outra, escapava à rede do blogue, nesta «pesca» de Cavaleiros do Norte que vai em mais de 4 anos. Mas lá o achámos, numa conversa que puxou a saudades de Lamego e a nostalgias e curiosidades que nos aproximaram por amigo comum - o Nelson Tavares, empresário na área das máquinas e ferramentas industriais, em Águeda. Mas que nada tem ver com a tropa.
O que tem  a ver - e muito, muitíssimo!!!... - é o sobredito tempo de Lamego (em Penude) e, mais tarde, o da epopeica jornada africana do Uíge. Por lá,  foi o alferes miliciano Rodrigues comandante interino da 3ª. CCAV. 8423, tal função desempenhando «de forma impecável, não se furtando nunca a diligências e a total trabalho, de modo a bem cumprir». É o que atesta o louvor proposto pelo comandante Almeida e Brito e assinado pelo brigadeiro comandante do Comando Territorial de Carmona.
O documento, publicado na Ordem de Serviço nº. 174, enfatiza «o melhor do seu saber, do seu esforço, da sua vontade e do seu bem querer", citando-o como «voluntarioso e prestável, altamente considerado por todos os que com ele trabalharam», para além de ser «possuidor de raro dom de trato humano e espírito de missão, denotando forte formação». Por isso mesmo, frisa o louvor, «sempre se constituindo em exemplo para camaradas», pelo que «bem merece ser premiada a sua carreira militar»
Era assim, o nosso alferes Rodrigues!
- RODRIGUES. Augusto Rodrigues, alferes miliciano de Operações Especiais (Rangers). Natural de Vouzela e residente em Lisboa, onde trabalhou nos serviços de meteorologia do aeroporto. Está aposentado.   

terça-feira, 2 de julho de 2013

1 718 - O S. João com fogueira de pneus...

Alferes Hermida e esposa, destacados na caixa a vermelho. O furriel Cruz, no rectângulo a amarelo, e os 1ºs. cabos Tomás, à esquerda (no circulo) e Pais, atrás (círculo em branco) 

O Tomás veio ao blogue falar do tenente Mora, evocando a noite de S. João de 1974, no Quitexe - a primeira (de duas) de todos nós em terras de Angola:

Estávamos há pouco mais de 15 dias no Quitexe e a equipa de rádio-montadores passeava na avenida, junto à secretaria da CCS. Equipa formada pelo alferes Hermida, pelo furriel Cruz, pelos 1ºs. cabos Pais e Tomás e pelo soldado Silva. Cada um, à sua maneira, com as suas recordações, lembrando a sua terra e tradições de S. João. 
A dada altura, o tenente Mora acercou-se da rapaziada e saudou-nos: "Boa noite, está tudo bem? Gostaram da ideia de queimar pneus velhos, lembrando as fogueiras de S. João?".
A resposta foi do alferes Hermida, irónico: "Foi boa ideia, charlie-hotel-india-charlie-óscar!!!... Boa noite, meu Tenente!!!», disse o jovem oficial miliciano.
O tenente Mora voltou-se, já ia de costas, e começa a soletrar: «Charlie-hotel-india-charlie-óscar!!!  CHICO!!!», descobriu ele, assim se achando chamado.
Pouco conformado, como nos pareceu evidnete, porém aceitou a provocação com um sorriso! Fora do normal, mas um sorriso! Acabou por se ir embora e, entre nós, a gargalhada foi geral. Jamais vou esquecer esta passagem.
RODOLFO TOMÁS

segunda-feira, 1 de julho de 2013

1 717 - O encontro dos artilheiros da CCS da BART. 786

A foto de "família" da CCS do BART. 786 aqui está hoje, atrasada, mas com afecto. É de 8 de Junho, mas o José Lapa teve avaria no PC e não a pôde enviar. «Avariado» como o dia, molhado e sem sol, pelo segundo ano consecutivo.  
«Será que o S. Pedro esta zangado com a malta?», interroga-se o José Lapa, sublinhando «uma palavra para todos quantos queriam estar presentes e que por motivos vários - esta maldita crise, que não nos larga -, não puderam»
«O tempo passa e cada vez vai ficando mais curto e depois, um dia, já não andamos por cá», acrescentou este artilheiro do Quitexe, realçando «a presença simpática  de algumas esposas que estiveram no convívio». «Elas - frisou - que também sofreram, como nós, aqueles dois anos de ausência em terras de Angola».
A CCS dos BART. 786 esteve no Quitexe entre 1965 (11 de Junho) a 1967 e os convivas de 8 de Junho são estes, atrás e da esquerda para a direita: Victor Filipe, capelão graduado em alferes (de Peniche), Raúl, 1º. cabo correeiro (de Vila Franca de Xira), João Lopes, soldado condutor (de Matosinhos, o organizador), Jacinto, 1º. cabo de  transmissões (do Porto), Silva, soldado maqueiro (de Braga), Santos, soldado condutor (do Porto), Artur, soldado condutor (de Santa Maria da Feira), J. Almeida,  soldado IOR (de Sesimbra), NN, soldado IOR (de???),  Domingos Costa, furriel miliciano vagomestre (do Porto), Alcino Teixeira,1º. cabo mecânico (do Porto), Ferreira da Cunha, alferes miliciano (Lisboa) e José Lapa, furriel miliciano (de Vila Nova de Gaia).
À frente, sentados, Quim Careca, soldado condutor (da Areosa, Porto), NN (???), Jacinto, furriel miliciano sapador (do Entroncamento), Mendes Moreira, alferes miliciano de transmissões (de Paredes),  Meireles, 1º. cabo, mecânico de armamento (de Braga),  Jorge, soldado sacristão (de Vila do Conde), António, soldado condutor (do Porto) e M. Silva, soldado IOR (de Braga).
O encontro decorreu na Nova Casa dos Leitões, no Peneireiro (Anadia).

domingo, 30 de junho de 2013

1 716 - O tenente Mora faria hoje 87 anos!!!

Alferes Ribeiro e Garcia e tenentes Luz e Mora, na avenida do Quitexe. Atrás, à esquerda, o edifício do comando do BCAV. 9723. Em baixo, o tenente Mora e  os furriéis Neto e Viegas, frente à casa dos furriéis

O tenente Mora faleceu há 20 anos, a 21 de Abril de 1993. Fosse vivo e hoje, dia 30 de Junho de 2013, faria 87 anos. Foi adjunto do comandante da CCS do BCAV. 8423, que era o capitão Oliveira, e figura imortal e inesquecível da guarnição. Não há, entre os Cavaleiros do Norte, quem não se lembre do «nosso tenente Mora».
Era personagem invulgar, pelo trato, pelo comportamento, pelo rigor que gostava de impor nas suas coisas, invocando o RDM por tudo e por nada, as continências e os cumprimentos militares. Era o «nosso tenente Palinhas». Porque, sem exigir,«exigia» que, a troco de tudo, o saudássemos com a continência. E, não o fizéssemos nós, por qualquer razão, e batia-a ele antes de nós, a tal nos obrigando.
O tenente Mora dava para um monte de postagens. E já deu. Dele, já aqui falei na minha ida ao cinema do Quitexe, disfarçado de mulher. Onde quando se pôs a ouvir o que eu ouvia, deleitado e deitado no meu quarto do Quitexe: sinais e repeniques da minha igreja, gravados numa cassette. Há mais histórias do «nosso tenente Mora», já contadas neste blogue, como a de quando, supondo haver sabotagem na luz da vila, se pôs a rastejar na avenida. Outras há, por aqui publicadas.
Hoje, passando-se 87 anos sobre o seu nascimento em Pombal, evoco-o com saudade, com respeito e lembrando que como um companheiro, mais velho, que não quis ser diferente, antes igual. Até um destes dias, tenente Mora!
- MORA. João Eloy Borges da Cunha Mora, tenente 
do SGE, natural do Pombal e adjunto do comandante da CCS do 
BCAV. 8423. Faleceu em Lisboa, vítima de doença, 
a 21 de Abril de 1993.

sábado, 29 de junho de 2013

1 715 - A posição das NT nos trágicos dias de Carmona

Parada do BC12, em Carmona, Junho de 1975, com a chegada de refugiados acolhidos pelos Cavaleiros do Norte (em cima). O cadáver de um combatente do MPLA, nos incidentes destes dias de há 38 anos (em baixo)

Os dramáticos primeiros dias de Junho de 1975, em Carmona, já aqui foram reportados, mas, pela mãos, do Alfredo Coelho (Buraquinho), chegou-nos uma imagem que retrata o tempo de morte que então se viveu: o cadáver de um guerrilheiro do MPLA, esquartejado e amputado. Vimos  muitos, naqueles trágicos dias carmonianos.
A FNLA, por outro lado, releio na História da Unidade, não entendeu muito bem a protecção dada pelas NT aos refugiados, que considerou «discricionária e partidária», posição que «resultou num período seriamente preocupante para o BCAV. 8423» - ultrapassado (no que foi possível) quando «o ELNA reconsiderou a posição das NT».
O rescaldo da conflito ELNA/FAPLA redundou, na nossa área de intervenção (o Uíge), numa «mais vincada hegemonia da FNLA, pois que tudo o que se possa considerar combatente ou simpatizante do MPLA foi expulso do distrito», Isto, no melhor dos casos. Noutros, releio no livro «História da Unidade», «há a citar algumas dezenas e mortos».
- FNLA. Frente Nacional de Libertação de Angola, liderada por Holden Roberto.
- MPLA. Movimento Popular de Libertação de Angola, liderado por Agostinho Neto.
- ELNA. Exército Nacional de Libertação de Angola, força armada da FNLA.
- FAPLA. Forças Armadas Populares de Libertação de Angola, do MPLA.
- NT. Nossas Tropas.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

1 714 - O 1º. sargento Falho Panasco...

Queirós, Rodrigues e Fialho Panasco, em Vista 
Alegre, norte de Angola (1975). Na foto de baixo, na confraternização de Águeda (1995)


O 1º. sargento Fialho Panasco faleceu a 28 de Junho de 2005! Há 8 anos! Vítima de doença do foro oncológico, em Carnaxide, arredores de Lisboa. Foi responsável administrativo da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, e mereceu louvor do Comando Territorial de Carmona, por proposta comandante Almeida e Brito.
O louvor foi publicado na ordem de serviço nº. 174  e sublinha que «na espinhosa missão de responder por uma subunidade, sempre demonstrou o maior zelo e inexcedível sentido de responsabilidade», de que resultou «creditar-se como excelente auxiliar na administração da sua companhia».
As vários rotações da 1ª. CCAV. 8423 - de Zalala para Vista Alegre e Ponte do Dange, primeiro, depois para Carmona e finalmente para Luanda -, «em muito dificultaram o controlo de toda a vida administrativa», mas isso «não lhe mereceu reparo, antes pelo contrário, em todas essas situações mostrou a melhor prontidão, dedicação e espírito de sacrifício, superando desse modo as dificuldades vividas».
O 1º. Fialho Panasco era «disciplinado, de trato correcto, de elevado sentido de colaboração, vincada lealdade para o comando que serviu», razão por que, regista o louvor, «tem de considerar-se ser digno do conceito em que era tido e agora novamente confirmou», cotando-se como «precioso auxiliar e conselheiro do seu comandante, motivos esses que levam a garantir a sua eficiência em qualquer outra situação militar que viva». O comandante de Zalala era o capitão miliciano Davide Castro Dias.
O 1º. Fialho Panasco foi pai de um casal e avô de três netos - uma rapariga de 23 e dois gémeos de 18 anos.
«Foi um bom pai e um bom marido», disse-nos a viúva, Ivone Susete Maurício Vigares Panasco.
Aqui fica a nossa memória por ele!
- PANASCO. Alexandre Joaquim Fialho Panasco, 1º. sargento, chefe 
da secretaria da 1ª. CVCAV. 8423. Nasceu a 17 de Outubro de 1935, 
em Santo Aleixo (Monforte). Faleceu, já aposentado, como  sargento-mor.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

1 713 - Os Cavaleiros do Norte de Santa Isabel em Arganil

A 3ª. CCAV. 8423 esteve reunida a 8 de Junho, em Arganil, e do dia já aqui falámos abundantemente . relatando algumas das muitas emoções que «varreram» as almas dos Cavaleiros do Norte santaisabelianos. A gentileza do (ex-furriel) Ribeiro permite-nos, hoje, publicar a foto com as respectivas identidades.
Aqui à frente, sentados, o Armando, o Cardoso e o Eusébio (de braços cruzados). De pé, da esquerda para a direita, Deus (1), Carlos Feliciano, (alferes) Honório Campos (médico), Floro Teixeira, José Manuel Fernandes (capitão), Abílio Pimenta (cripto), Baptista, Arlindo Novo (fato e gravata), (furriel) Reino, Abílio Pimenta, (furriel) Fernandes, Vitor Novo e Friezas (11).
Fila de quatro, à esquerda: Caroço e (ex-furriéis) Carvalho, Ribeiro (de vermelho) e Querido. Os dois, do lado direito (alferes), Carlos Silva (de braços cruzados) e Francisco Pereira (Reguila). Atrás, Ramos, Teixeira, (furriel) Belo (com a mão sobre o neto), Carrilho (de azul) e José Oliveira Novo.


quarta-feira, 26 de junho de 2013

1 712 - A extinção do Destacamento de Luísa Maria...

Destacamento de Luísa Maria, em 1974: Hipólito e Viegas (atrás), Caixarias, Ezequiel e Francisco (foto de cima).  Um grupo de militares em casa de José Craveiro (foto do meio, em 1971) e oficiais a falar com Craveiro, em Outubro de 1969 (foto de baixo).



A 26 de Junho de 1974, os comandantes da Zona Militar Norte (brigadeiro Altino de Magalhães) e do Comando do Sector do Uíge (coronel tirocinado Bastos Carreiras) visitaram a 2ª. CCAV. (a de Aldeia Viçosa) e a 3ª. CCAV. 8423 (em Santa Isabel), a CCAC. 4145 (em Vista Alegre) e o Destacamento de Luísa Maria. Nem de propósito, chegaram-nos às mãos várias fotos de datas anteriores à nossa passagem por lá, mas desta guarnição - enviadas por Carlos Laranjeira Craveiro, filho de José Dias Craveiro, que lá era empregado.
José Dias Craveiro é o civil da foto de baixo, em conversa com oficiais (cujos nomes desconhecemos), sabendo-se a data: Outubro de 1969. O filho admite que a conversa teria a ver com «eventuais movimentações estranhas»
A foto do meio, mostra o sr. Herculano, recentemente falecido e que era vizinho do gerente de Luísa Maria - Eduardo Bento da Silva.
As visitas de Altino de Magalhães, sempre acompanhado pelo tenente-coronel Almeida de Brito (comandante do BCAV. 8423), destinavam-se a «estreitar relações entre a autoridade militar e administrativa», razão, de resto, que os levou a estar presentes em "todas as reuniões de mentalização" realizadas nesse mês de Junho - o mês da nossa chegada ao chão do Uíge angolano.
A 26 desse Junho, hoje se passam 39 anos, as autoridades militares foram acompanhadas pelo administrador do concelho do Dange (com sede no Quitexe), pois Altino de Magalhães (acumulando  funções) também era Governador do Distrito do Uíge.
O Destacamento de Luísa Maria foi extinto a 14 de Dezembro de 1974, quando a última guarnição recolheu à sede da 2ª. CCAV. 8423, em Aldeia Viçosa.
- EDUARDO. EDUARDO BENTO DA SILVA, gerente da Fazenda Luísa Maria, faleceu a 11 de Setembro de 2011. Faria 81 anos a 10 de Outubro desse ano, tinha um mini-mercado em Taveiro e morava em Condeixa-a-Nova. 

terça-feira, 25 de junho de 2013

1 711 - Em dia de S. João não há...guerra!!!

Aquartelamento de Zalala, nos finais da presença portuguesa (1974). José Alberto Almeida (alferes), Davide Castro Dias (capitão) e Acácio Luz (tenente, agora capitão), a 1 de Junho de 2013, em Santo Tirso


A senhora dona Maria Dulce, do alto e sabedoria dos seus 92 anos e meio, pregou um susto à família e achei-me hoje, ao princípio da tarde, no Hospital Infante D. Pedro, em Aveiro, querendo dar-lhe o conforto e o afecto que bem merece. Irregateável! Foi quem, já lá vão mais de 60 anos, me trouxe ao mundo.
Foi lá onde fui «apanhado» pelo (capitão) dr. Castro Dias que, solicitado por mim (durante a manhã), veio dar pormenores sobre a história da camisa que levou ao Quitexe, em dia de S. João de 1974, a 24 de Junho desse ano - que foi uma segunda-feira e não um domingo. Para começar, a camisola não era vermelha. Era de seda e castanha, às bolinhas!!! Castanha, às bolinhas!!! Imaginemos!!! Bem mais espalhafatosa que o que a minha memória recordava. E, nem de propósito, Castro Dias apresentou-se no Quitexe de calças bege!!! Podemos imaginar a cara de Almeida e Brito. Uiiiii!!!!...
Outros pormenores da história: 
- A fazenda de Zalala chamava-se Maria João e era propriedade de Ricardo Magalhães Gaspar - empresário popularizado pelo acrónimo RIMAGA, gente grande do Uíge, com interesses localizados em vários sectores económicos e com busto a entrada de Carmona, na rotunda que chegava do Quitexe.
- O gerente, ou gestor de negócios (dir-se-ia agora), da  fazenda (ou roça) Maria João era um genro, de nome Magalhães. Foi com ele, «rapaz da mesma idade», que Castro Dias acertou o relacionamento institucional - de tropa para civis. Disso fora incumbido por Almeida e Brito, com a promessa que viria embora quando tal conseguisse. Conseguiu, é verdade - e disso foi dar novidade na avioneta de Magalhães - em camisa de seda, castanha e às bolinhas... - mas a verdade é que por lá continuou, até à retirada final da guarnição portuguesa, a 25 de Novembro de 1974. 
- No Quitexe, foi é questionado pelo comandante: «Então, à civil?!!!...»
A que respondeu Castro Dias: «Hoje é dia de S. João, não há guerra!!!...».
Podem imaginar as gargalhadas que se soltaram pelo Quitexe sanjoanino de 1974!!!
- PS. Estas notas complementam e
corrigem os dados de ontem, por
mim citados de cor. - CV



segunda-feira, 24 de junho de 2013

1 710 - O capitão miliciano da vistosa camisa vermelha...

 Aquartelamento de Zalala «a mais rude escola de guerra». Castro Dias, a 1 de Junho de 2013, à esquerda, com outros «zalala´s»: o Famalicão, o Mota Viana, o Queirós e o Rodrigues. De barba, à direita, o Afonso Henriques, sapador da CCS


A 23 e 24 de Junho de 1974, o comandante Almeida e Brito visitou a 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala! Ao tempo, e o testemunho é do (então) capitão Castro Dias, e bem recente (de 13 de Abril deste ano), as relações com os civis europeus (gerentes) da fazenda não eram as melhores, por razões que vinham de trás.
Os contactos de Almeida e Brito (denominados de «operacionais», na História da Unidade) visariam, pois, estreitar afinidades.  
«O anterior comandante de Zalala, não ia à bola com o gerente da fazenda, que era genro do dono, nem se falavam...», contou-nos Castro Dias. Que ficou encarregado, por Almeida e Brito, de quebrar tal gelo. E assim fez.
Uns domingos depois, com as relações normalizadas, entendeu Castro Dias deslocar-se ao Quitexe, para "prestar contas"
«Fui com o genro do gerente, na avioneta dele, e aterrámos na pista, onde nos foram buscar. Apresentei-me ao comandante, com o gerente, fazendo prova da normalização institucional, bebemos e conversámos, mas, depois, chamado ao lado, não me livrei de uma chamada da atenção do comandante», narrou-nos o líder militar de Zalala.
E porquê? «Ó Castro Dias, você é militar, é sempre militar...», recordou-lhe Almeida e Brito.
Castro Dias, em domingo social e feliz por ter resolvido o «diferendo», aparecera no Quitexe vestido à civil, com uma vistosa camisa vermelha, bem domingueira, berrante e bem distante do sóbrio colorido do camuflado. E calças a condizer!
«Você nunca deixa de ser militar...», "admoestou" o comandante - que era pouco dado, muito pouco dado, a desvios das obrigações do RDM.
A insólita situação, 39 anos depois, foi (é) recordada com largos sorrisos. De ironia, prazerosos e até de saudade. Eram outros, os tempos!
Ver AQUI, dados actualizados.

domingo, 23 de junho de 2013

1 709 - O Teixeira das transmissões de Santa Isabel

O soldado Teixeira das transmissões de Santa Isabel (1974)


O Teixeira foi soldado de transmissões em Santa Isabel, na 3ª. CCVAV. 8423, a do capitão miliciano José Paulo Fernandes. Também passou pelo Quitexe - onde os santa-isabelianos foram contemporâneos da CCS de 10 de Dezembro de 1974 a 2 de Março de 1975.
«O que mais guardo do tempo da tropa é o prazer termos criado grandes amizades, grandes e bons amigos», disse ao blogue, directamente de Alverca do Ribatejo, onde reside e é empresário, com várias lojas de calçado.  
O maior susto da comissão apanhou-o a 6 de Agosto de 1975, em Viana, às portas do campo Militar do Grafanil.
«Fomos mandados parar pelas forças angolanas, que nos apontavam as armas, mas felizmente tudo se resolveu», recorda Ângelo Teixeira, embora frisando que «não foi fácil».
A viatura em que seguia era uma das últimas das mais de 700 que, desde Carmona, formavam a grande e epopeica coluna de evacuação militar e civil, que foi engrossando a cada terra que passava - o Negage, Camabatela, Samba Cajú, Vila For, Lucala, Salazar, Dondo, por aí fora.
Coluna que chegou ao Grafanil às 12,45 horas de 6 de Agosto de 1975, com milhares de civis «atrelados», mais de 570 quilómetros percorridos, numa odisseia de 58 horas e três quartos após a saída de Carmona. 
«Foi uma viagem inesquecível, por todas as razões», disse o Ângelo Teixeira.

sábado, 22 de junho de 2013

1 708 - Explicar o MFA no Clube do Quitexe

O Clube do Quitexe, na estrada do café - que liga(va) Carmona a Luanda

A 22 de Junho de 1974, o comandante do BCAV. 8423 reuniu, no Clube do Quitexe, com os comerciantes da vila, para lhes dar nota do que era e quais eram os objectivos do MFA. O objectivo era «preparar e mentalizar as populações» para o programa do Movimento. O mesmo aconteceu no dia 29. 
As mesmas razões levaram às (normais) reuniões com a Comissão Local de Luta de Contra-Subversão (CLCS), a 19 e 26. A 17, foi com os comerciantes e autoridades da vila.
Era, na prática, o desenvolvimento da actividade psicológica que preparasse as populações para os efeitos práticos (locais) do MFA - no plano militar, no político e no social. 
Simultâneamente, recordemos, desenvolvia-se a operação Castiço DIH, iniciada às 4 horas da madrugada de 20 de Junho e que se prolongaria até Julho - rotativamente envolvendo todas as sub-unidades orgânicas  do batalhão.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

1 707 - Os óculos de 48 anos do sargento Eira...

O sargento Eira exibe os óculos que usa há 48... anos! (em cima). Na cara e 
na foto. Pormenor dos mesmos óculos em 1965 (em baixo)

O 2º. sargento Eira chegou à 2ª. CCAV. 8423 em Abril de 1975. Usava uns óculos, ao tempo, já com 10 anos!!! Óculos de bons aros, em osso escolhido e modelo bem de moda. O espantoso é que ainda os usa, em 2013!!! Nada mais nada menos que 48 anos depois de os comprar. «Os mesmíssimos...», disse-nos ele, de sorriso rasgado, e feliz!, no encontro de Santo Tirso e sob o olhar cúmplice da esposa - que confirmou a «façanha» oculística.
O então furriel miliciano Eira cumpriu a sua primeira comissão militar em Moçambique, entre 1965 e 1968! Foram tempos bravos, nada fáceis, até amargos, apenas adocicados pela lembrança de amores e amigos deixados por Vila Real. Regressou e continuou a tropa, como 2º. sargento. Voltou a África, mas a Angola, em 1971, cumprindo a sua segunda comissão! Já com os óculos. E a Angola voltou, quando, em 1975, se achou "adido" na 2ª. CCAV. 8423. Por brevíssimos dias em Aldeia Viçosa, até que, a 26 de Abril de 1975, a companhia do capitão José Manuel Cruz rodou para Carmona. Aqui, no BC12, inventariou a farmácia do aquartelamento e com a 2ª. CCAV. viajou para Luanda, a 4 de Agosto, integrando a épica coluna militar desses dificílimos dias.
Já em Portugal, entrou para  Escola Prática de Polícia, em Torres Novas, e por lá fez carreira profissional, durante mais de 20  anos, até à reforma e sempre como enfermeiro.
Os óculos, que já (re)vimos em imagens de anteriores encontros dos Cavaleiros do Norte, continuaram a afeiçoar-lhe os olhos até Santo Tirso, este ano. E aqui deixamos nós esta história: a dos óculos do sargento Eira, que já vão nos 48 anos de vida. É obra!!! Assim todos fossem e faliriam as indústrias e comércios do sector.
- EIRA. Manuel Alcides de Costa Eira, 2º. sargento 
miliciano enfermeiro da 2ª. CCAV. 8423. 
Aposentado, mora em Vila Real.


quinta-feira, 20 de junho de 2013

1 706 - A primeira operação dos Cavaleiros do Norte! Há 39 anos!

Parada do aquartelamento do Quitexe, de onde, há precisamente 
39 anos, saíram os Cavaleiros do Norte, para a sua primeira operação militar em Angola

A 20 de Junho de 1974, hoje se fazem 39 anos, iniciou-se a Operação Castiço DIH, a primeira dos Cavaleiros do Norte em terras do Uíge angolano. 
Passados estes anos todos, não é difícil lembrar a expectativa e os constrangimentos emocionais das horas que antecederam a nossa saída do quartel do Quitexe, eram quatro da madrugada! Nem os suores frios das primeiras (cerca de) duas do tempo de transporte em unimogs, pelas picadas vermelhas do chão norte-angolano. Ou os primeiros passos, a galgar os trilhos que se abriam e nos escondiam na mata densa -enquanto já se rasgava o dia. Estão na memórias os ruídos da floresta, inabituais aos nossos ouvidos e que nos assustavam e arrepiavam. 
A operação prolongou-se «até Julho», envolvendo, à vez, todas as subunidades orgânicas do BCAV. 8423, mas, segundo relata, o livro «História da Unidade», «não se viu grande compensação do esforço desenvolvido pelas NT». Na verdade, ainda segundo esse relato, «salvo uma emboscada sem consequências, no Tabi, só teve por reacção IN a materialização de tiros de aviso».
O mesmo não aconteceu à 41ª. Companhia de Comandos, pois, na Central do Negage, «foi accionada uma mina e um soldado sofreu a amputação de um pé». A 41ª. CC haveria de abandonar a operação apenas 18 horas depois de nela ter entrado.
«Não teve esta operação resultados que não fossem - para o BCAV. 8423 - o conhecimento da ZA, um primeiro contacto com a mata, um conhecimentos das reacções humanas e acabou até por ser defraudada», devido ao abandono da Companhia de Comandos. Há 39 anos!!!

quarta-feira, 19 de junho de 2013

1 705 - O Ezequiel do PELREC dos Cavaleiros do Norte


Militares do PELREC, em 1974. O Ezequiel é o da direita, de bigode, 
lá atrás. Em baixo, o mesmo Ezequiel e o Fernando Soares, a 10 de Junho de 2013  


O Ezequiel?? Por onde anda o Ezequiel? O Ezequiel foi um bravo 1º. cabo do PELREC, especializado em reconhecimento de infantaria, homem de palavras simples e actos certos. Num dos primeiros serviços de ronda na vila do Quitexe, fizemos equipa e apanhámos um valente susto, ao aproximar-nos do posto de vigia que ficava para trás da administração civil.
Os companheiros que lá deviam estar de sentinela puseram-se a «dormitar» e... nada de ouvir e reagir à senha. Galgámos aqueles metros todos do caminho até ao torreão, a descer e a subir, a cheirar o pó e a morder os lábios de medo, pé ante pé e de arma em riste, até que nos achámos à porta, escondendo-nos nas sombras que se faziam do luar quitexano. E nada de os sentinelas reagirem.
O nosso medo levedou! O que se passaria? Teriam sido atacados? Estariam vivos? Mortos? Bom, encurtando a história, estavam (só) a dormir e apenas acordaram quando lhes «mordemos» as canelas e desensarilhámos as armas que tinham amarradas as pernas!!! Dormiam!!!
O Ezequiel lembrar-se-á disto? Íamos com o  Francisco e o Marcos.
Bom, o Ezequiel foi achado pelo Nogueira e mora na Sobreda (Carcereira), em além-Tejo. Juntou-o ao Soares e estiveram a falar do Quitexe e da nossa jornada africana. 
«Ficaram doidos a ver as fotografias do blogue», contou-nos o Nogueira, a puxar o lustro ao momento de saudade e emoção que ele mesmo provocou. Principalmente das que plasmam a nossa juventude quitexana, mas também as do encontro de Santo Tirso - o de 1 de Junho de 2013. Há dias.
O Ezequiel está reformado, fez vida na construção civil e tem uma filha. Mandou-nos fotos e aqui deixamos a primeira, com muitos rapazes do PELREC: o Francisco, o Madaleno e o Alberto, com a cerveja na mão (à esquerda). O Botelho, à frente (de bigode), o Aurélio (Barbeiro, a espreitar), o Florêncio (de bigode), o Messejana e o Soares e Vicente (1º. cabos, ambos de bigode). Atrás e ao meio, Leal (com boina no ombro) e o Neves (?). Aqui à frente, do lado direito, alferes Garcia, NN, Cordeiro (1º. cabo), (?, 1º. cabo) e dois encobertos. Atrás, à direita, NN (de bigode), o encoberto (parece-se ser o Hipólito) e o Ezequiel. Quem nos ajuda a lembrar os nomes dos outros? 
Destes todos, já faleceram o Leal (18 de Junho de 2007), o Almeida (a 28 de Fevereiro de 2009) e o Vicente (29 de Janeiro de 1997), ambos por doença. E o Garcia, a 1 de Novembro de 1979, vítima de acidente de viação. Saudades de todos!
- EZEQUIEL. Ezequiel Maria Silvestre, 1º. cabo de reconhecimento de infantaria. Aposentado, mora na Sobreda (Além-Tejo).
- NOGUEIRA. João Luís Nogueira da Costa, condutor da Companhia do Liberato. Aposentado da Carris, mora em Tomar. A ele fico a dever o achamento do Ezequiel. Obrigado!

terça-feira, 18 de junho de 2013

1 704 - Os dias de Junho, de 1974 e 1975, em terras do Uíge...

A porta d´armas do BCAV. 8423, no Quitexe. 
À direita, vê-se a bandeira portuguesa, no edifício do comando

O blogue tem andado a distribuir entusiasmos e festividades sobre os encontros confraternizadores  da CCS e da 3ª. CCAV. e, involuntariamente, deixou para trás a recordação de momentos relevantes da nossa jornada africana, vividos por estes dias de 1974 e 1975, nas terras uíjanas.
- A 6 de Junho, a CCS, comandada pelo capitão António Martins de Oliveira, chegou ao Quitexe. A guarnição incluía o comando do batalhão, com o tenente coronel Almeida e Brito. 
- A 7 de Junho foi a vez de a 1ª. CCAV. chegar à «mais dura escola de guerra», a Zalala. O comandante era o miliciano capitão Davide de Oliveira Castro Dias.
-  A 10 de Junho, foi a vez da 2ª. CCAV. chegar a Aldeia Viçosa, com o capitão miliciano José Manuel Romeira Pinto da Cruz. 
- A 11 de Junho, os comandados de José Paulo de Oliveira Fernandes, a 3ª. CCAV. 8423,  chegaram a Santa Isabel.
Em 1975: 
- A 6 de Junho, a 1ª. CCAV. 8423 rodou para  Carmona, indo instalar-se na ZMN. Completou a rotação no dia 12 de Junho, «entregando os quartéis da área do Songo às AA, conforme o determinado».
Foi isto há 39 e 38 anos.
E nós, Cavaleiros do Norte, a recordar estas datas, feitos sexiiiiiiigenários!!!
O tempo passou!!! 

segunda-feira, 17 de junho de 2013

1 703 - A ideia para um encontro do Batalhão

Manuel Machado (autor do texto) e Norberto Morais, frente ao Convento de S. Bento, em Santo Tirso, a 1 de Junho de 2013 - em cima. Serra, Caetano (encoberto), A. Sousa Cruz (a ler), Miguel, Viegas, Monteiro (gasolinas) e Alfredo Coelho (Buraquinho) - em baixo. Clicar nas imagens, para as reduzir ou ampliar


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Acácio Luz e esposa e amazona Castro Dias (em cima). Albino Capela e amazona Margarida Cruz (em baixo)

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MANUEL A. MACHADO
Texto

O encontro de ex-militares do BCAV. 8423, ao dia 1 de Junho de 2013, em Santo Tirso, teve como organizador principal o (ex-alferes) António Sousa Cruz e, pode dizer-se, foi um sucesso. Alguns apareceram pela primeira vez e juntaram-se 72 Cavaleiros do Norte e familiares - que mataram saudades riram e choraram. 
Foi bonito de se ver!!!
O evento iniciou-se com a concentração junto da Escola Superior Agrícola de Santo Tirso e continuou na missa em honra dos companheiros já falecidos. Foram recordados e evocados os seus nomes, posto e data de falecimento. 
Foi um momento emotivo para todos. Realmente, esta lembrança foi, e é, muito importante, porque honramos a memória dos nossos camaradas - que estiveram sempre dispostos a dar a sua vida na defesa dos superiores interesse do país e de nós próprios. A nossa própria segurança dependia de todos nós. Já perdemos alguns valentes da vida terrena, que estão do outro lado à nossa espera.
O repasto iniciou-se com as tradicionais entradas, seguindo-se um prato de rojões à minhota. Houve qualidade e fartura na ementa servida, bem regada com o vinho verde de produção local. 
O sítio do convívio era lindíssimo e tinha uma paisagem maravilhosa. Parabéns, pela escolha, ao engº. António Cruz. Para embelezar o local, estava lá estacionado um jeep Wills, com mais de 70 anos, bem conservado e equipado com um sistema de transmissões da época.
Depois houve os tradicionais “discursos”, curtos e concisos, do ex-alferes António Albano Cruz e dos ex-furriéis Celestino Viegas e Manuel Machado. Concluiu o capitão Luz! 
Foram entregues por presentes a colegas que se distinguiram, pela distância que percorreram para estar presentes, como foi o caso do (alferes) Almeida, ou ainda pelo serviço que tem prestado à causa de manter a chama acesa, como é o caso do nosso primeiro cavaleiro, o Celestino Viegas
Quero deixar uma sugestão para futuro. Deveríamos pensar em fazer um único encontro com todas as companhias do batalhão, como de certa forma já fazemos, porque cada vez somos menos e a força faz-se agrupando-nos todos em volta da bandeira do batalhão, sem distinção de companhia. 
Outra sugestão: o engº. Cruz teve a ideia do estandarte do Batalhão e devemos aproveitar para fazer um estandarte a sério e, no próximo convívio, pagá-lo não custa nada, por todos não custa nada. Passaria todos os anos para o organizador do convívio do ano seguinte ou outra modalidade que acharem melhor.
Um grande abraço a todos e os meus sinceros parabéns pela organização ao (ex-alferes) Cruz e ao (1º. cabo) Porfírio.
MANUEL MACHADO 

domingo, 16 de junho de 2013

1 702 - O encontro de Santo Tirso 2013!!!

Rocha, Monteiro e esposa (em cima), Pires de Bragança, esposa e Neto (em baixo). Clicar as imagens para as ampliar ou reduzir

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As amazonas Margarida Cruz e Violtina Luz (em cima). O Monteiro a 
espreitar entre as amazonas Hermínia Viegas e Dulcínia Pires (Bragança), em baixo


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JOSÉ AUGUSTO MONTEIRO
Texto
Ao fazer um balanço do encontro de Santo Tirso, só posso começar por dar parabéns à equipa que o organizou. Estiveram excelentes e incansáveis, para que tudo estivesse pelo melhor, para que tudo tivesse corrido bem, como correu. Parabéns ao Cruz, parabéns ao Machado, parabéns ao Malheiro.
É sempre um dia diferente para mim. Recordo momentos bons, momentos difíceis e emoções que jamais esquecerei para o resto da vida.
È bom saber que continuamos a contar com um bom número de camaradas, que, com familiares, fazem questão de dizer presente, ano após ano. Também compreendo aqueles que gostariam de marcar presença, mas por motivos óbvios não puderam rumar até Santo Tirso.
Gostei do nosso encontro/convívio. Ao dar uma olhadela bem atenta, pude constatar a alegria e a felicidade que invadiam os corações daqueles bravos cavaleiros. É sempre a satisfação do reencontro de amigos que somos. As nossas mulheres também já não dispensam este dia e fazem questão de estar presentes, para também elas poderem matar algumas saudades do ano que passou.
Foi maravilhoso e espero, já com alguma ansiedade, o encontro do próximo ano.
Para terminar, dizer que este encontro começou maravilhosamente bem. Gostei que tivéssemos começado a festa com missa solene, com a homilia que o sacerdote fez e que, lembrando os momentos difíceis que passámos,  não deixou de recordar que os combates que estamos a travar na sociedade a que pertencemos também não são menos importantes. Para a frente cavaleiros, que o futuro pertence-nos.
Foi também com grande emoção e alguma nostalgia que o Machado nos fez lembrar os amigos que já partiram. Que Deus os tenho em paz e que nós os possamos sempre recordar como grandes homens, grandes militares, grandes camaradas. Um dia lá nos encontraremos.
Um grande abraço com emoção e amizade a todos os militares do B.Cav 8423.
O amigo,
Monteiro

sábado, 15 de junho de 2013

1 701 - O Carvalho da Mealhada que veio de França....

Belo, Novo (de azu) e Carrilho (atrás), Carlos Silva, Carvalho e 
Fernando Pereira, o Reguila (foto de cima). O Abílio Cunha (em baixo)


Atirador de cavalaria, o Carvalho «atirou-se» à estrada e viajou desde França para estar no convívio dos Cavaleiros do Norte de Santa Isabel. Não podia faltar! Há casos de verdadeira epopeia, de gente que se faz cedo à estrada (outra até que viaja de véspera) para encontrar os amigos que foram irmãos da jornada africana do Uíge angolano.
O Abílio Pinto Cunha, por exemplo, galgou quilómetros atrás de quilómetros, desde Chaves. Podia lá faltar, este homem que por Santa Isabel era mestre no clarim?!!!
Não pôde estar o (1º. sargento Marchã, que a idade vai-lhe avançada (nos oitentas!!!!) e a viagem desde Campo Maior não lhe seria fácil. E o (alferes) Mário Simões, por razões de saúde. Outros, por razões diversas. A vida não vai fácil para ninguém e estes gostos de abraçar e conviver com amigos da tropa, não sendo custosos por aí além, afectam sempre a algibeira de alguns.
Pessoal dos quadros, não faltaram o capitão Fernandes, o alferes Carlos Silva e os furriéis milicianos Cardoso (o organizador), Flora e Belo (que organizarão em 2014), Fernandes, Querido, Carvalho e Reino.
Para o ano, o 2014 que se deseja melhor para todos, mais haverá - lá para os lados de Tinalhas. em Castelo Branco.
- SIMÕES. Mário Jorge Barros Simões, alferes miliciano atirador de cavalaria, da 3ª. CCAV. 8423. Professor e residente nas Caldas da Raínha.
- MARCHÃ. Francisco António Gouveia Marchã, 1º. sargento, aposentado. Reside em Campo Maior.
- CARVALHO. Carlos Alberto Baptista de Carvalho, soldado atirador de cavalaria da 3ª. CCAV. Natural do Barcouço (Mealhada) e emigrante em França.
ABÍLIO. Abílio Pinto da Cunha, soldado clarim. Aposentado da GNR e morador em Chaves.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

1 700 - Ao que aqui veio o Novo?

O Novo, de azul vestido, com o casal Cardoso (em cima). Em baixo, o Carlos 
Feliciano, Floro Teixeira, Manuel Deus, Abílio Cunha, Ribeiro e (capitão) Fernandes
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O Deus e o (capitão) Fernandes a verem a exibição acordeonística do 
«benjamim» Mendes (em cima). O Abílio Gonçalves, em baixo, ao lado do Faustino

O Cardoso, sabiamente apoiado pelo clã feminino lá de casa, aprimorou tudo, nos conformes e também nos gostos! Como «o enorme gosto»  de reunir alguns dos seus «irmãos» das transmissões: o Deus, o Abílio Gonçalves e o Novo. «Foi um grande gosto, pá!!!!...», exultou ele, na conversa com o blogue. O Abílio, que se pode ver ao lado do Faustino, na foto aqui mais abaixo, fez-se à estrada desde Cucujães, onde empresaria na área do calçado. E aquilo é que foi dar à sola, até chegar a Arganil. O Deus, faz vida por Lisboa e «distrai-se» em longos passeios de bicicleta. Dominicais e bem saudáveis! 
O Novo foi de S. João da Madeira e está bem nutrido, como se vê. Dele falamos em particular, por mercê do louvor que lhe enfatizou «a perfeita compenetração da missão que lhe foi confiada», como rádio-telegrafista, «quer elos seus actos quer pelas palavras»
O documento proposto pelo (então) capitão Fernandes sublinha-lhe, também, o «espírito franco e leal, disciplinado, correcto de trato e incansável trabalhador, dedicado à sua missão com elevado espírito de sacrifício e meticuloso cuidado e zelo, que fez com que se distinguisse dos demais, sendo por esse motivo apontado como exemplo a todos  os seus camaradas».
Bravo, ó Novo!