domingo, 19 de maio de 2013

1 674 - Os meados do mês de Maio de 1975

O major Melo Antunes, ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, afirmou em Lisboa, a 16 de Maio de 1975, que «o destino de Portugal está ligado a Angola», como se lê em título principal da primeira página do jornal «Diário de Lisboa», dessa data.
A mesma capa, dava conta de realização de uma manifestação a favor do MPLA, marcada para as 18,30 horas, e de que «30 000 portugueses pretendem sair de Angola». Viriam a ser muitos mais, como se sabe. Falou-se, ao tempo, de 500 000, na célebre ponte aérea. 
A 14 de Maio, dois dias antes, tinha chegado a Lisboa uma vaga de refugiados, por causa da agudização dos conflitos armados, entre os movimentos de libertação
A 17 de Maio de 1975, em Luanda, o alto comissário Silva Cardoso (general) acusou os partidos - MPLA, FNLA e UNITA - de «sobreporem os interesses partidários ao interesse maior de Angola», também denunciava «a imaturidade de certos responsáveis políticos e militares» e , com a  boca no trombone, alertava para «a corrida às armas» e para «a interferência de forças estranhas» ao processo de descolonização, como razões para a situação que por lá se vivia.
Por Carmona, os Cavaleiros do Norte «amargavam» as consequências de o Uíge «a bem ou a mal, ser terra da FNLA» e, por isso, «não ser bem aceite no seu solo qualquer outra opção política».
Aproximavam-se dos dramáticos primeiros dia de Junho.


sábado, 18 de maio de 2013

1 673 - O 1º. cabo Soares do PELREC


O 1º. cabo Soares, assinalado a amarelo, em 1974. Messejana, Dionísio, Soares, Florêncio e Silvestre (em cima), Vicente, Viegas, Francisco e Leal. Soares, a 17 de Maio de 1975 (em baixo)  


O 1º. cabo Soares era de reconhecimento e informação e «alinhou» como atirador, no PELREC da CCS do BCAV. 8423, no Quitexe e Carmona. É um dos Cavaleiros do Norte que procurávamos, desde que, em 1996, nos achámos de saudades, no encontro de Leiria. Ajudou-nos o Nogueira da Costa, que foi condutor do Liberato e se deu à missão de o procurar. E encontrou.
O Soares vive no Laranjeiro, na banda de lá do Tejo, e fez vida como serralheiro da SOREFAME. Antecipou a reforma há 3 anos, por razões de saúde. «Problemas do coração», disse-nos ontem, quando o Nogueira da Costa nos pôs de ouvidos ao telemóvel. Não podia trabalhar e fez «o que tinha de ser feito», embora o que mais desejasse fosse «continuar no serviço».
A vida foi-lhe madrasta, nesse ano de 2010. A mulher de toda a sua vida faleceu em vésperas de Natal, no da 23, vítima de doença. «Uma hepatite e perdia-a...», contou o Soares, que senti emocionado, pelo luto que sente na alma e pela mistura de sentimentos feita no momento, com a surpresa de «falar com o furriel»: «Ó Viegas, pá..., ó Viegas, bons tempos do Quitexe..., o Quitexe!!!».
O Nogueira da Costa pô-lo a ver o blogue e «perderam-se» na tarde, a «matar» saudades da jornada africana. «Eh pá, aquela malta toda, conheço-os todos. É porreiro estar a ver estas coisas...», disse o Soares, ao fim da tarde. 
Tem um filho (único), de 37 anos, que trabalha na área da restauração e, de momento, está  em França. «A crise também a ele obrigou a emigrar», disse o Soares, com visível desalento, a despedir-se ontem, com a pressa de «ir fazer a sopa», pois, como fez questão de sublinhar, «um homem tem de se desenrascar». Então, desenrasca-te, ó Soares. E força, Cavaleiro do Norte!!!
- SOARES. Fernando Manuel Soares, 1º. cabo de Reconhecimento e Informação, atirador do PELREC. Aposentado, vive no Laranjeiro (Almada). Ver AQUI
- NOGUEIRA DA COSTA. João Luís Nogueira da Costa, soldado condutor da CCAÇ. 209/RI 21, da incorporação local, aquartelada na Fazenda do Liberato. Natural de Leiria e residente em Tomar. Obrigado pela colaboração, Nogueira da Costa.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

1 672 - O encontro dos Caçadores da 3879 do Quitexe


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ANTÓNIO CASAL DA FONSECA

O tempo parece correr depressa e aproxima-se o dia do almoço/convívio da CCS do Bat. Caç. 3879, os Rápidos e Audaze, que, por terras quitexanas e ambrizetanas, cumpriram escrupulosamente a sua missão, sempre com grande espírito patriótico. Espírito que, aliado a uma amizade que rapidamente se alicerçou, muito contribuiu para que se conseguisse ultrapassar com sucesso a dura luta com que fomos confrontados. Sem a preparação adequada, devo dizer, face ao cenário exigente, mas que o espírito de entreajuda e respeito entre patentes, tudo superou. São valores que hoje realçamos nos nossos encontros, que nos uniu até aos dias de hoje e, ocorre-me dizer, até nos envaidece! Bom, ter vaidade nos amigos não é defeito!
Sendo este blogue visto por camaradas d’armas que se têm “distraído” e não comparecido aos convívios, e sabendo eu que têm o meu contacto, podem ligar-me a qualquer hora (do dia), apesar de não pertencer à organização. Esta, está a cargo do Leonardo, que foi 1º. cabo rádio-montador, e do Torres, também 1º. cabo, o homem que tomava conta do armamento e fez a comissão quase sem dar por ela!
Ambos eram dados à culinária, principalmente o Leonardo. Das suas mãos saíam autênticos pitéus, com base na carne de frango que, vá lá saber-se como e porquê, em vida entravam em fila indiana no pátio dos valorosos militares! Que dividiam com as visitas femininas, no quarto e em estreita intimidade, num esforço heróico de aproximação à população negra, que merecia ter sido louvado. Não ficou o reconhecimento, ficaram os actos!
O esperado almoço/convívio será realizado na Malaposta, no dia 25 de Maio de 2013, no restaurante Casa de Sargento, antigo Restaurante O Zé, junto às bombas da BP, na Estrada Nacional Nº.1.
O ponto de encontro será junto à Rotunda da Vinha, na Mealhada, de onde se partirá para uma visita guiada às Caves Messias.
Os contactos são 231503009, 967059905 e 966163944.
Todos sabemos que os tempos são troikanos, como fez questão de frisar o Oliveira, que me despertou do sono dos justos, mas não o são os nossos convívios, embora os possa limitar. Bem no centro do país, na Mealhada, estão o Leonardo e o Torres de braços abertos e o sorriso que todos lhes conhecemos, prontos para receber os amigos e familiares. Será um grande dia, disso estou certo!!
ANTÓNIO CASAL DA FONSECA
1º. cabo de transmissões da CCS do BCAÇ. 3879

quinta-feira, 16 de maio de 2013

1 671 - O adeus ao alferes miliciano Meneses

Meneses, foi o alferes miliciano Cavaleiro do Norte que, a 13 de Abril de 1975, corajosamente, «actuou de forma rápida, decidida e enérgica», pondo termo a uma manifestação não autorizada em Carmona, «onde se verificou confronto entre elementos de dois movimentos emancipalistas, com uso de armas de fogo, na via público».
O determinação do pequeno núcleo de tropas que comandava «não deixou dúvidas», conseguiu «a detenção de dois dos elementos em confronto» e abortou a manifestação. Por tal, foi louvado, em  ordem de serviço (nº. 90).
Voltou a Portugal e às Cortes, em Leiria - onde laborou e fez vida na área das carnes, com dois talhos e uma empresa de embalagens (a Nova Funcar). A saúde abalou-o, ultimamente - assim nos disse da ultima vez que falámos. Com problemas pancreáticos, os médicos optaram por não efectuar qualquer cirurgia. Sabendo-se doente, por duas vezes «convocou» os amigos para a despedida. 
Ultimamente, dirigia os negócios a partir do interior da viatura, junto às áreas comercias de que era proprietário. «Foram tempos muito penosos, dizem os amigos», relatou-nos António Casal da Fonseca, por lá vizinho (de Marrazes).
Faleceu ontem, aos 60 anos, deixando viúva Cidalina Maria Pedrosa dos Reis Alves e 4 filhos: Cláudia Sofia, Ana Patrícia, Catarina Alexandra e António Manuel. O funeral foi hoje, às 17.30 horas, para o cemitério de Cortes, em Leiria.
Até um destes dias, Meneses.
- MENESES. Manuel Meneses Alves, alferes 
miliciano atirador de cavalaria, da 2ª. CCAV. 8423. Empresário do sector das carnes, em Cortes (Leiria).

quarta-feira, 15 de maio de 2013

1 670 - A morte do (ex-alferes miliciano) Meneses...


O (ex-alferes) Meneses faleceu hoje, às 11,30 horas, no Hospital de Leiria. 
O Manelzito, como era carinhosamente tratado pelos amigos, sentiu-se mal e foi encaminhado para o hospital, onde veio a falecer horas depois.“Deve ter feito das boas, lá por Angola…faço ideia!”, dizia um amigo, visivelmente emocionado e "brincando" com o espírito sempre rebelde do Meneses, mas sempre realçando a sua capacidade  empreendedora e a de um homem que fazia muitos amigos, nunca os dispensando da sua vida. 
A notícia chega-nos via António Casal da Fonseca, dando conta que o Meneses, ao saber que a sua doença não seria fácil, organizou um jantar de despedida, com um grupo de amigos. Jantar que, muitos meses depois, viria a repetir - quando as coisas se tornaram a complicar.
O Meneses, alferes miliciano da 2ª. CCAV. 8423, foi louvado, devido à sua corajosa  intervenção durante incidentes em Carmona - ver AQUI e também AQUI. Em Leiria, na cidade, ficou célebre quando descarregou uma vaca na avenida principal e tentou entrar com ela no café mais “in” e badalado. 
“Não me podem impedir… A minha vaca de quatro patas tem tanto direito a entrar no café como as de duas que lá estão a encher o salão!”, argumentou ele. 
«Era assim o Meneses, de quem muito se falava e fala. Partiu, é a vida!...», recorda António Fonseca.
O funeral, amanhã (dia 16 de Maio), às 17 horas, terá  missa de corpo presente, na igreja das Cortes, de onde sairá para o cemitério local. 
Até um destes dias, amigo!

terça-feira, 14 de maio de 2013

1 669 - Turismo militar, às Quedas de Duque de Bragança...

Alferes João Machado na entrada das Quedas do Duque de Bragança. 
As majestáticas quedas, em cima, foto dele próprio

Os dias de Maio de 1975 iam levedando as nossas esperanças de voltar a Lisboa. Lá por Carmona, a capital do Uíge!! «Pareceria que o fim tácito de vários anos de guerra traria como consequência situações de acalmia em todo o território», admitia o Livro da Unidade.
Operações militares, tinham acabado. A rotina dos operacionais passava pelos serviços de ordem, nos aquartelamentos; pela garantia de segurança no tráfego rodoviário (desimpedindo troços onde, algumas vezes, se assaltava e roubava, agredia e ameaçavam pessoas, se destruíam bens e se despejavam ódios mal  curados), pelos patrulhamentos na cidade e, no meu caso, também de serviços de PU.
O tempo era também de turismo... militar.
As unidades do BCAV. 8423 organizavam excursões em berliets e o destino mais desejado e procurado eram as majestáticas Quedas do Duque de Bragança. Também por la cirandei passeios, ainda jornadeava pelo Quitexe. 
O (ex-alferes) Machado e a sua gente dos Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa, também por lá vadiaram passeios turísticos, neles afogando as saudades da família, das namoradas, das mulheres e dos amigos, dos seus chãos natais. Aqui o vemos, em data indeterminada e em pose hollyoodesca, aperaltado e mostrando-se junto à placa da entrada de Duque de Bragança. A foto de cima (a das Quedas) é de sua autoria.
Assim iam os dias da jornada uíjana dos Cavaleiros do Norte, pelos tempos de Maio de 1975.
- MACHADO. João Francisco Pereira Machado, alferes miliciano de Operações Especiais (Rangers). Aposentado da administração fiscal, mora na Amadora.
- PU. Polícia da Unidade (a tradicional PM, Polícia  Militar).

segunda-feira, 13 de maio de 2013

1 668 - Os refugiados de Carmona para Luanda...

O capitão Falcão, com um oficial do BCAV. 8423, de costas, na varanda do BC12 para a parada. Vê-se um autocarro que iria transportar refugiados para Luanda. Em baixo, o alferes Ramos, em Luanda (1975)



 Voltamos hoje ao alferes Fernando Ramos, que se fez Cavaleiro do Norte em Maio de 1975 - quando se apresentou na 2ª. CCAV. 8423, a que era de Aldeia Viçosa e ao tempo já se aquartelava em Carmona.
«Dei uma vista de olhos pelo blogue e vejo, recordo, que foi a 1 de Junho de 1975, que acordei na messe de oficiais de Carmona com a guerra fratricida dos beligerantes locais», diz o agora advogado em Vila Nova de Foz Côa.
A imagem de cima (que ele nos enviou) mostra um momento de saída de civis (dos que se refugiaram no BC12) e iam para Luanda, depois desses amargos e épicos dias carmonianos.
«Lembro-me de, como oficial-dia, passar o dia todo no refeitório, porque quando acabava o pequeno almoço da última vaga de refugiados, já estava na hora de servir o almoço das tropas e, assim, sucessivamente até à noite», recorda Fernando Ramos.
Assim era e a memória não falha se recordar que, ao tempo, a padaria esteve uma semana consecutiva a fabricar pão, tanta eram as bocas para matar a fome. Milhares!!!
O Almeida, 1º. cabo atirador do meu pelotão, «notabilizou-se» então, como encarregado da padaria, sendo por isso louvado. «Foi especialmente notório o seu esforço durante os dias em que foi prestado serviço aos refugiados dos incidentes de Carmona, trabalhando dia e noite, para apoiarão elevado número de pessoas», lê-se no louvor.
- FALCÃO. José Paulo Montenegro Mendonça Falcão, capitão e oficial de operações do BCAV. 8423. (Tenente)Coronel na reserva, residente em Coimbra. 
- RAMOS. Fernando António Morgados Ramos, alferes miliciano atirador de infantaria. É advogado e residente em Vila Nova de Foz Côa.
- ALMEIDA. Joaquim Figueiredo de Almeida, 1º. cabo atirador de cavalaria, do PELREC (CCS). Faleceu, de doença, a 28 de Fevereiro de 2009, em Penamacor, de onde era natural e residente.

domingo, 12 de maio de 2013

1 667 - O pulso falso do furriel Costa, que era do Dias...



O Dias teve um acidente e fracturou um pulso (foto de cima). Mas foi o Costa (em baixo) a mandar a foto para Portugal, com o pulso do Dias. O caso só foi esclarecido 38 anos depois. Há poucos dias...


Aí por 12 ou 13 de Maio de 1975, no Songo - far-se-ão 38 anos, hoje ou amanhã... -, o Dias das transmissões, quis sair pela parte lateral à cancela da entrada do aquartelamento mas, desconhecendo que o capim escondia arame, deu um bruto de um trambolhão, que lhe provocou uma fractura de um dos ossos do pulso esquerdo. 
O enfermeiro Barreto, atento e pressuroso, logo o assistiu no quartel, mas no dia seguinte teve de ir ao hospital de  Carmona, onde lhe imobilizaram o braço.  
A fotografia de cima mostra o Dias, no local do «crime» - do acidente, melhor dizendo.... -, uma semana depois.
A história é esta, igual a muitas outras. Estava para vir a outra - a que envolve o Costa.
O Costa, numa daquelas brincadeiras da idade e da época, resolveu tirar uma fotografia com o braço do... Dias. É a que se vê aqui ao lado. 
«Tratou-se de um arranjo, na tomada de vistas, porque na altura desconhecíamos  as técnicas laboratoriais de manipulação  fotográfica e de fotografia digital nem sequer se falava», recorda o Dias.
O certo é que o Costa, por brincadeira que se viria a tornar complicada, enviou a fotografia aos pais « e teve, depois, dificuldade em convencê-los de que o braço não era o dele.  E não convenceu!!!
A dúvida só foi esclarecida na semana passada, 38 anos depois!!!, quando o Dias se encontrou com o Costa, em Odivelas, e o «caso» foi lembrado. «Conheci a mãe do Costa, a sra. D. Blandina, foi recordada a história e confirmado o episódio e, de uma vez por todas, confirmada a realidade», disse o Dias.
- DIAS. João Custódio Dias, furriel miliciano de transmissões, da 1ª. CAV. 8423, a de Zalala. Aposentado da Polícia Judiciária, vive em Tomar.
- COSTA. Vitor Moreira Gomes da Costa, furriel miliciano atirador de cavalaria, da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala. Pré-refomado, vive em Queluz. Ver AQUI











sábado, 11 de maio de 2013

1 666 - A 4741 que não foi «caçadora" dos Cavaleiros do Norte

Companhia de Caçadores 4741 na despedida dos Açores

A Companhia de Caçadores 4741/72 esteve em Angola, mas não esteve «adida» ao BCAV. 8423, contrariamente ao que referimos no post de 13 de Março. O ex-furriel Carlos Marques (assinalado na foto, a amarelo), fez questão de nos esclarecer o que confirmámos: os «caçadores» açorianos estiveram em Angola de 1972 a 1974, logo não poderiam passar à dependência operacional do BCAV. 8423 a 17 de Março de 1975. 
Outra companhia açoriana foi, seguramente, mas falta saber exactamente qual - o que não conseguimos descobrir. Chegou a conviver connosco, no BC12 (Carmona, agora Uíge) e regressou a Portugal antes de nós.
O Livro da Unidade (dos Cavaleiros do Norte) refere-se à CCAÇ. 47/41, aquartelada no Negage, exactamente nas páginas 20 e 22. Na primeira, citando a passagem à dependência operacional. Na segunda, anotando duas visitas do comandante Almeida e Brito, nos dias 11 e 20 de Abril de 1975, à mesma 4741.
A página 26 dá conta do «pedido das armas da CCAÇ. 4741», pela FNLA, a 13 de Julho - dia do «cerco do quartel das NT no Negage».
Que Companhia de Caçadores seria esta? Pois, não conseguimos desfazer o mistério.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

1 665 - Levar vinho para beber no restaurante...

Os últimos Dias de Carmona forma vividos grávidos de críticas da comunidade branca, que não entendia - ou não queria entender... -, o papel de neutralidade que, ao tempo, era atribuído às forças armadas portuguesas. Eram frequentes as quezílias e os dedos apontados, os insultos, o descrédito lançado sobre a tropa.
Os patrulhamentos (mistos) na cidade eram muitas vezes verbalmente agredidos, ora nos de dia, ora nos nocturnos - principalmente nestes. A guarnição, cumprindo as suas tarefas diárias nas unidades, garantindo a  segurança do tráfego rodoviário, protegendo a população dos incidentes que repetiam entre a FNLA (a «dona da guerra» do Uíge) e o MPLA, era, porém, invectivada por muita boa gente.
Mas seguia os seus dias para além dos deveres militares, povoando a cidade, os bares e os restaurantes, fazendo despedidas. A imagem, tirada e cedida pelo ex-alferes miliciano Machado, mostra-nos um momento de lazer gastronómico, no conhecido restaurante Escape - muito em moda, por lá! 
Aqui , do lado direito, conhecem-se o alferes Garcia, o capitão Fernandes e os alferes Ramos, Capela e Carvalho (ao fundo). Do lado esquerdo, apenas se vê uma cara, supostamente a do alferes Meneses, da 2ª. CCAV. 8423. Será?
O Machado diz que «estava no Comando do Sector Norte» e que «era um sujeito impecável», aliás, sublinha, «como fomos todos». 
A imagem é dos nossos últimos dias de Carmona, no restaurante Escape. «Para beber vinho, tínhamos de o levar, porque lá já não havia», lembra o antigo oficial miliciano.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

1 664 - Encontros de Artilheiros e Cavaleiros do Quitexe


CCS do BART. 786  (em cima) e BCAV. 1917 (em baixo) nos seu encontros de 2012

A CCS do Batalhão de Artilharia 786, que nos antecedeu no Quitexe, vai reunir-se em Anadia, a 8 de Junho. Por lá esteve entre 1965 e 1967, por certo em tempos mais conturbados que os dos Cavaleiros do Norte.
A organização é de João Alexandre S. Lopes e pode ser contactado pelo telefone 917 512 475. «Mais uma vez,  iremos matar saudades e recordar bons e também maus momentos passados no Quitexe», disse José António Lapa, um dos artilheiros que tem lugar certo no encontro do Restaurante Nova Casa dos Leitões, no Peneireiro, de Aguim - entre Anadia e Mealhada, em plena (antiga) EN1, o actual IC2.
Dias antes, já a 25 de Maio, é a vez dos Cavaleiros do BCAV. 1917 formarem na «parada» de Elvas, no seu 21º. Encontro.
Estiveram no Quitexe entre 1967 e 1969 e os contactos poderão ser feitos directamente com (o ex-alferes miliciano) Escarduça Ventura, pelos telefones 268985642 e 966423642.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

1 663 - O alferes Ramos da 2ª. Companhia do BCAV. 8423


ALFERES RAMOS, da 2ª. CCAV. 8423, apresentou-se em Carmona, na 2ª. CCAV. 8423, em Maio de 1975, há 38 anos!
É advogado em Vila Nova de Foz Coa.


Alferes Ramos, quem é?  Quem foi? O Livro da Unidade dá-nos conta que se apresentou na 2ª.CCAV. 8423, em Maio de 1975, há 38 anos, já no BC12, em Carmona. Apresentou-se, sabemos agora e de boca própria, depois de «uma tropa muito repartida», que, em companhia independente, o fez jornadear pelo Luvo, por Mamarosa e Damba. E Luanda, onde integrou as Tropas Mistas. 
Quem é, quem não é?, pois descobrimos o (ex)alferes Ramos, na sua histórica Foz Coa, onde advoga e foi surpreendido pelo blogue: «Gostei da surpresa, de falar com alguém da minha tropa. Não me lembro de ter falado com alguém desses tempos».
A jornada angolana do (ex)alferes Ramos foi, ele nos disse, «muito repartida, numa companhia independente, em jeito de carro-vassoura, entregando as terras aos seus donos, desde lá de cima, na fronteira com o Congo».
Um castigo, em Luanda, «tão guerreiro como castrense», pô-lo de mala feita e guia de marcha, no machimbombo e direitinho para Carmona, em Maio de 1975!
Dava-se o caso de por lá ter afinidades familiares e até calhou bem. Mas por lá esteve pouco tempo: «Em Julho, vim de férias para Luanda e já não voltei, ficando com recordações fortes de Carmona e do BC12». E não sem deixar marcas escritas no jornal comemorativo do 1º. aniversário do BCAV. 8423.
- RAMOS. Fernando António Morgado Ramos, alferes miliciano atirador de infantaria, da 2ª. CCAV. 8423. Advogado em Vila Nova de Foz Coa, onde reside e é membro da assembleia geral dos Bombeiros Voluntários.
-MACHIMBOMBO. Autocarro, em Angola.

terça-feira, 7 de maio de 2013

1 662 - As bananeiras e bananas de Zalala...

Zalala, a mais rude escola de guerra. O Rodrugues, a apanhar bananas (em baixo)


A fome apertava, por vezes, e tempo houve, por Zalala, em que a ementa não era a melhor coisa e as horas não passavam. A saída para a "crise" era... comer bananas. «Quando a fome apertava, o intervalo das refeições e as sobras de ração de combate já tinham esgotado, acalmava o estômago com bananas. Era a única alternativa e lá ia eu por trás das casernas, enfermaria, padaria, entre estas e o “campo de futebol” procurar o sustento», conta o Rodrigues.
As bananeiras eram poucas, no aquartelamento de Zalada, mas «sempre foram generosas». O truque, por lá aprendido, tinha a ver com o método de produção. «Sempre que cortávamos o cacho já maduro, tínhamos de fazer o mesmo à bananeira, porque esta voltava a reproduzir-se, numa nova planta. Conheci esta técnica numa das muitas vezes que fomos abastecer-nos de bananas a uma fazenda das redondezas», recorda o Rodrigues.
«Levem as bananas que quiserem, mas nunca se esqueçam de cortar o cacho. Dá pouco trabalho e se não o fizerem, a bananeira só cresce e nunca mais dá bananas em condições», aconselhou o fazendeiro, dando conta que «o melhor é aplicarem os dois cortes porque se o não fizerem, ficam sujeitos a que, na próxima vez, só encontrem grandes bananeiras e minúsculas bananas».
Tal e qual, lembra o Rodrigues. Só que “nós queríamos era bananas e não trabalho” e, por isso, «cortávamos uns montes de cachos e uma meia dúzia de bananeiras e depois logo se via».
Assim se agia, porque a fartura era grande e, se não fosse nessa fazenda, havia bananas noutra. Lá por Zalala é que a coisa fiava mais fino: «Tínhamos que aplicar a regra, porque as bananeiras eram escassas e a fome, por vezes, era muita».
- RODRIGUES. Furriel miliciano atirador de cavalaria, 
da 1ª. CCAV. 8423. Aposentado e residente em Vila Nova de Famalicão.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

1 661 - A rotação das companhias do BCAV. 8423

O comandante Bundula, da FNLA, e o capitão Cruz, da 
2ª. CCAV. 8423, em Aldeia Viçosa (1975). De costas, o alferes Machado

  
O mês de Maio de 1975 parecia que iria correr tranquilo. «O fim tácito de vários anos de guerra em Angola traria como consequência, situações de acalmia em todo o território», admitia-se ao tempo, como se lê no Livro da Unidade. Aparentemente, assim se desejava e assim seria, os movimentos emancipalistas fariam enraizar nas populações os seus ideários políticos e sociais e caminhar-se-ia para a paz e a independência.
«Daí, com maior ou menos facilidade, conduzir-se-iam as suas acções no decurso do processo de descolonização», previa Almeida e Brito, o comandante dos Cavaleiros do Norte.
Ao tempo, fomentava-se a criação das chamadas forças mistas - que deveriam ser (e não foram) o futuro Exército Nacional de Angola - e as posições militares portuguesas eram ocupadas pelos nacionalistas. Assim aconteceu com Vista Alegre e Ponte do Dange, de onde saiu a 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, do capitão miliciano Castro Dias, a 24 de Abril de 1975. E Aldeia Viçosa, a 26, comandada pelo capitão José Manuel Cruz.
Os "zalalas» rodaram para o Songo, com um destacamento em Cachalonde. Os Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa para Carmona, instalando-se no BC12 - onde, desde 2 de Março, já estava a CCS. Foi por estes dias que, ido de Luanda, se apresentou na 2ª. CCAV. o alferes miliciano Fernando Ramos, atirador de infantaria.

domingo, 5 de maio de 2013

1 660 - Os homens das transmissões em teatro de guerra

Quantas vezes já por aqui falámos da importância das transmissões, em teatro de guerra? Nem sei quantas!!! Mas muitas!!! Eram fundamentais, por todas as razões, exigindo permanente atenção e segura qualificação os seus operadores. 
Por mim, não esqueço uma operação de três dias, em plena Baixa do Mungage, área de muitos medos e muitas mortes, quando ficámos sem ligações na manhã do primeiro e por lá, repetindo tentativas, só chegámos a bom termo comunicacional na manhã do terceiro - quando fomos escutados no Quitexe. E se fosse necessária uma evacuação, ou qualquer outra urgência? Nem é bom pensar. 
Numa outra, com o operador em declínio emocional - stressado, dir-se-ia agora... -, tivemos (eu e o Neto) de alocar os nossos conhecimentos na área, adquiridos em Lamego (no curso de Operações Especiais) para operacional o pesado Racal TR28 e seguirmos a operação.
Hoje, porém, trago aqui homens de Zalala: o Cigano e o Bolinhas (não sei em que praças assentavam estas simpáticas cognominações) e o Raposo, em acção - com o Louro sentado, em posição sorridente e feliz, como se vê!  
O Racal TR28, de origem sul-africana mas montado nas oficinas do exército português, era pesado (à volta de 10 quilos, se me lembro bem) e de nada fácil transporte, mas muito eficiente. Tinha 24 canais, o que permitia um variado grupo de redes, sem ser necessário alterar a frequência. Mas todos quantos com ele carregaram pelas picadas e trilhos do Uíge angolano, bem sabem como era leve a G3 e a mochila dos «deves & haveres, quando comparados com os sacrifícios dos homens das transmissões - verdadeiros «burros de carga», para assegurarem as comunicações militares.  


sábado, 4 de maio de 2013

1 659 - A 3ª. Companhia, a de Santa Isabel, em Arganil

Fazenda de Santa Isabel, onde jornadeou a 3ª. CCAV. 8423. 
Cardoso, o organizador do Encontro de Arganil de 8 de Junho, em baixo

A 3ª. CCAV. 8423 foi a última unidade militar portuguesa de Santa Isabel, onde chegou a 11 de Junho de 1974 e saiu a 10 de Dezembro do mesmo ano. Vai reunir a 8 de Junho, em Arganil, num encontro que está a ser preparado pelo (ex-furriel) Cardoso. Os Cavaleiros do Norte de Santa Isabel eram comandados pelo capitão miliciano José Paulo Fernandes e foram também a última guarnição portuguesa no Quitexe, de onde saiu em dia indeterminado de Julho de 1975. Não consegui apurar a data, com exactidão. O Cardoso está a preparar a logística como deve ser (ou não fosse ele um militar de Abril com deveres de rigor na transmissão e comunicação). 
A parada de concentração, em Arganil ( a 57,3 quilómetros de Coimbra), será por depois das 11 horas, junto aos Bombeiros Voluntários, e o rancho está marcado para o meio dia e meia hora, no restaurante MontAlto, na rua do mesmo nome.
O Cardoso pode ser contactado pelo telefone 939 90 88 07, ou pelo email joaocardoso56@gmail.com.
- CARDOSO. João Augusto Martins Cardoso, furriel miliciano de transmissões, da 3ª. CCAV. 8423. Aposentado da administração fiscal, natural de Arganil e residente em Coimbra.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

1 658 - As relações dos militares com a população nativa


Famalicão (à esquerda) e Vargas, com a viola na mão. À direita, 
um cozinheiro de Zalala. Era íntima a relação da tropa coma comunidade nativa



O mancebo aqui da esquerda, estão a ver quem é? Pois, é o Vargas, um dos homens de Zalala - onde se localizava, deixem lembrar, «a mais rude escola de guerra».
O Vargas foi condutor e por lá «unimogou» muita gente dos Cavaleiros do Norte, para missões, para operações, para patrulhamentos, para reabastecimentos, ou, quiçá, para algum «desenfianço». E «desenfianço» era coisa que pelas Áfricas enchia de emoção e prazer qualquer combatente que se prezasse como tal.
Isso, e o muito mais que fez nos seus 15 meses de jornada angolana, mordido de saudades do seu Açores natal, não deixaram de o aproximar das populações locais - no caso, com trabalhadores da fazenda de Zalala.
A intimidade dos militares com a comunidade civil indígena era bastante. A tropa ia com o médico à sanzala, levava medicamentos e transportava as populações para mercarem nas vilas e cidades. 
O Vargas divide a viola com o Famalicão e o outro Cavaleiro do Norte é um dos cozinheiros. Do nome, não se lembra o Vargas. Mas, como se vê, confraternizava-se de mãos dadas e confiança.
- VARGAS. Manuel Idalmiro Vargas, soldado condutor. Natural e residente na Ilha do Pico (Açores), onde é empresário.
 - FAMALICÃO. António Martins Lopes, soldado condutor. Natural de Agra, Vila Nova de Famalicão.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

1 657 - A instrução operacional em Santa Margarida

Militares da 1ª. CCAV. 8423, em Santa Margarida (1974). Um rádio-telegrafista (?), alferes 
Santos e furriéis Queirós (bigodes) e Rodrigues, com elementos do 1º. pelotão

A 1 de Maio de 1974, ontem se fizeram 39 anos, fez-se história em Portugal: O dia foi considerado feriado nacional e do trabalhador. «Tendo a  Junta de Salvação Nacional assumido os poderes legislativos que competem ao Governo, decreta, para valer como lei, o seguinte: «Art. 1º.- É instituído como feriado nacional obrigatório o dia 1 de Maio, considerado o Dia do Trabalhador». E nós, os futuros Cavaleiros do Norte, a «trabalhar» no destacamento do RC4 no Campo Militar de Santa Margarida.
A 2 de Maio, hoje se fazem 39 anos, leio no Livro da Unidade, «foi efectivamente decidida a realização dos exercícios de instrução operacional» - que viriam a decorrer entre 3 e 10 de Maio, na Mata do Soares e «já com autonomia das respectivas companhias, com vista a pô-las a viver à semelhança, embora ténue, daquilo que iria ser a sua vida no ultramar».
Por dez dias, acampámos na Mata do Soares e era «inimigo» o pelotão operacional (o PELREC), que emboscava (e atrapalhava) os grupos de combate das três companhias operacionais.



quarta-feira, 1 de maio de 2013

1 656 - O «cavaleiro» Cruz faz anos duas vezes por... ano!


Igreja de Aldeia Viçosa, mesmo atrás do quartel, em Dezembro de 2012 (foto de Carlos Ferreira). O (furriel) Cruz, em 1974/75 (foto de baixo)


O Cruz «furrielou» por Aldeia Viçosa, como atirador de cavalaria. Minhoto era e ao Minho voltou, quando, cumprida a jornada de África, regressou à Europa e a Portugal. Tem um raro privilégio: faz anos duas vezes por ano. A 1 de Maio, quando, em 1952, veio ao mundo na sua terra de Vieira. E a 4 seguinte, quando o pai o foi registar. «Era assim, naquele tempo...», disse-nos hoje, ao telefone, entre duas gargalhadas de prazer. Faz hoje, pois, os seu biológicos 61 anos!!!  O Cruz especializou-se na Escola Prática de Cavalaria, em Santarém, como atirador de cavalaria, e foi mobilizado para os Cavaleiros do Norte em finais de 1973. A 7 de Janeiro de 1974 apresentou-se no RC4 (em Santa Margarida) e era um dos quadros do BCAV. 8423, que se formalmente se começou a formar.  
Trabalhou na área empresarial das madeiras (numa serração da família) e é professor na Escola Secundária de Vieira do Minho. Casado, é pai de um casal que, cada qual, lhe deu uma das suas duas netas. Vive feliz, o António de Oliveira Cruz da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa.
- O furriel Cruz de Aldeia 
Viçosa: ver AQUI

terça-feira, 30 de abril de 2013

1 655 - Cavaleiros de Santa Isabel no Quitexe de 1974/75

Fernandes, Graciano, militar da FNLA e Neto (atrás), Rocha, Querido e Cardoso, no Quitexe

A foto, obtida nos arredores do Quitexe, em data indeterminada mas garantidamente entre meados de Dezembro de 1974 e finais de Fevereiro de 1975, mostra como, ao tempo, se relacionavam os militares portugueses e os fnla´s, inimigos até às vésperas. Bem!
A imagem é seguramente de um domingo. Basta olhar para o traje civil dos tropas, restando o Graciano de camuflado, eventualmente porque estava de serviço. Está, aliás, de Walter no coldre.  Refrescando a memória, o local era o de uma lagoa ali perto do Quitexe - lagoa do Feitiço, sítio de muita peregrinação turística regional.
O Fernandes, o Graciano, o Querido e o Cardoso eram furriéis milicianos da 3ª. CCAV. 8423, que tinha chegado ao Quitexe a 10 de Dezembro de 1974, oriunda da fazenda Santa Isabel, onde chegara a 11 de Junho do mesmo ano. Foram companheiros da CCS até 2 de Março de 1975, quando n´so fomos para Carmona,a capital da província do Uíge. 
A 26 e 28 de Abril de 1975, foi visitada pelo capitão José Diogo Themudo, o 2º. comandante dos Cavaleiros do Norte - na primeira data acompanhado pelo capitão José Paulo Falcão, o oficial adjunto e de operações.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

1 654 - Cavaleiros do Norte do Quitexe em Santo Tirso

Cavaleiros do Norte da CCS no Encontro de Paredes, a 1 de Junho de 2012
 
Não tarda nada e aí estaremos nós, garbosos sexagenários do Quitexe, a galopar para Santo Tirso - onde se vai realizar o encontro anual dos "CCS´s"  Cavaleiros do Norte. O de 2013!!! É já a 1 de Junho!!!
É o "nosso alferes" Cruz, aquele barbas ali ao lado esquerdo, quem este ano comanda as operações e é certo que não vai faltar nada para que todos nos sintamos em casa, felizes e babadinhos de alegria por nos encontrarmos uma vez mais.
O glorioso (ex-furriel) Machado está a preparar um documento fotográfico que, sabe-se lá quantas, se fartará de matar saudades dos nossos tempos de jovens, e irreverentes, e deliciosamente meios malucos, quando pisámos o chão de Angola e dele fizemos sementeira desta amizade que se multiplicou pelos anos.
Convém, por razões de natureza logística, que a malta vá fazendo a inscrição. Pode ser feita directamente junto do (ex-alferes) engº. Cruz, pelos telefones 966 828 841 e 252 866 865. Não custa nada, pelo fixo até é de borla, e fica o pessoal organizador a saber a quantas anda.
Agora, portanto, começa a ficar na hora de formalizar a inscrição. Nada de deixar passar o tempo!
Inté 1 de Junho, ó malta!!! Vão ver que o mês de Maio vai passar num instate. 

domingo, 28 de abril de 2013

1 653 - Os dois «pilha-galinhas» da enfermaria do Quitexe

Buraquinho e Moreira, nas traseiras da enfermaria do Quitexe (1974). 
Em baixo, Moreira e Buraquinho, 35 aos depois, em Setembro de 2009 (Águeda)


O tempo de tropa não é só de deveres, de saudades, de sofrimento e de impaciências. É também de boas e sadias partidas, entre as gentes das guarnições. Não há um antigo combatente que não tenha uma mão-cheia de histórias para contar.  

Os dois «enfermarias» que aqui recordamos - o inimitável Buraquinho e o discreto Moreira - foram, eles mesmos, protagonistas de algumas e da que hoje aqui é trazida à memória: o roubo de um galo e de uma galinha.
A vítima do «assalto» destes dois verdadeiros «pilha-galinhas», recorda o Buraquinho, foi o civil Reis, que era vizinho da enfermaria e se descuidou de atenções sobre a gulodice dos militares. Ficou sem o galináceo casal. «Eu e o Penafiel andávamos sempre juntos,éramos muito amigos, e ainda hoje. Eu e ele temos muitas histórias para contar. Uma ocasião, roubámos uma galinha e um galo ao sr. Reis, que morava pegado à enfermaria e era o senhorio da casa», recorda Buraquinho. 
O galo e a galinha, como é de imaginar, foram confeccionados rapidamente, não fossem as aves «voar» para outros «pilha-galinhas»... - diz o Buraquinho que foi ao formo de messe de sargentos... -  e comidos na enfermaria,  na arrecadação dos pijamas dos doentes.
Os convidados foram os enfermeiros, os furriéis Lopes (também enfermeiro) e Morais, o alferes Garcia e os cozinheiros da messe de sargentos - que saborearam, cheios de apetite, o produto do trabalho destes dois «pilha-galinhas».
- BRAQUINHO. Alfredo Rodrigo Ferreira Coelho, 1º. cabo analista de 
águas, da CCS do BCAV. 8423.  É empresário de restauração, em Custóias (Matosinhos).
- MOREIRA. Joaquim Ribeiro Moreira, o Penafiel, maqueiro da CCS 
do BCAV. 8423. Reside em Rãs (Penafiel).

sábado, 27 de abril de 2013

1 652 - Os encontros de antigos combatentes


  
Alferes Carvalho e furriéis Brejo, Guedes e Matos, em Aldeia Viçosa


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ANTÓNIO ARTUR GUEDES

A meteorologia parece, finalmente, querer contribuir para o relançamento dos encontros dos ex-combatentes, proporcionando não só o reencontro mas também belos passeios, visitando locais que, de outra forma, julgamos que não pudessem acontecer.
Sabemos que nem sempre nos é possível participar nestes eventos, por motivos de ordem vária: saúde, dificuldade no transporte e, hoje em dia, mais que nunca, a crise que a todos nos atrapalha, pois sempre se faz despesa, não esquecendo que, para além do encontro/convívio, são passeios em família.
E o factor crise implica que, a cada ano que passa, os grupos sejam cada vez mais reduzidos, pois já há alguns anos que as Companhias do nosso Batalhão se reúnem isoladamente, notando-se, progressivamente, uma menor participação.
Há 3/4 anos, quando se realizou o encontro da 2ª. CCAVª, nas Termas de S. Vicente, em Entre-os-Rios, em conversa com o capitão Romeira da Cruz, alertei-o para a necessidade de se repensar a organização dos encontros. Ou seja, voltarmos novamente ao "escalão" Batalhão, para não se correr o risco da sua extinção.
O convívio da 2ª. CCAVª., em Setembro de 2012, em Vila Viçosa, evidenciou esse pormenor de forma mais flagrante. Claro que, aqui, a geografia influenciou, mas já antes se tinham realizado dois encontros em Évora e a participação foi forte.
Sinais dos tempos? Talvez. Mas não há-de ser a crise a destruir a amizade e a estima cimentada ao longo de muitos anos e no meio de tantos sacrifícios.
Assim, julgo ser o momento oportuno para voltarmos a "FORMAR" Batalhão, auto-mobilizando-nos para uma das, ainda, muitas províncias deste país.
E fiquem descansados os "contabilistas falhados" que nos desgovernam, porque lhes não vamos cobrar o que quer que seja, por essa auto-mobilização.
Apenas pedimos que nos respeitem.
Sendo assim, até lá, companheiros.
ANTÓNIO ARTUR GUEDES
(ex-furriel miliciano da 2ª. CCAV. 8423)

sexta-feira, 26 de abril de 2013

1 651 - O adeus português a Aldeia Viçosa, há 38 anos!

Capitães Fernandes  (de mão na boca) e Cruz, com o comandante Bundula (FNLA)

A foto é de 2 de Fevereiro de 1975 mas vem hoje aqui a registo para assinalar os 38 anos da saída da tropa portuguesa de Aldeia Viçosa -a 26 de Abril do mesmo ano!!! A última guarnição foi a da 2ª. CCav. 8423, comandada pelo capitão miliciano Cruz. 
Os Cavaleiros do Norte chegaram a esta subunidade a 10 de Junho de 1974, assumindo quatro dias depois a responsabilidade operacional da sua zona de acção. Por ali estivera antes, e foi substituída, uma companhia do Batalhão de Caçadores 4211.
A 1ª. CCAV., a do capitão Castro Dias, abandonara Vista Alegre e Ponte do Dange dois dias antes (a 24). Para o Songo. A 3ª. CCAV., do capitão Fernandes, continuava no Quitexe, para onde rodara a 10 de Dezembro de 1974, ida de Santa Isabel (onde chegou a 11 de Junho). Íamos já no 11º. mês de comissão, a suspirar pela Europa e do chão e dos cheiros das nossas terras natais.
«Só a partir desta data se completou a remodelação do dispositivo, que se julga ser a última até ao terminar da comissão», lê-se no Livro da Unidade.
Não seria. A 6 de Junho começou a 1ª. CCAV. a rodar para Carmona,. ida do Songo. Operação que se concluiu a 12. A 3ª.. CCAV. abandonaria o Quitexe, definitivamente, a 8 de Julho, numa rodagem que começou a um do mesmo mês. E a 4 de Agosto foi o adeus a Carmona, para Luanda.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

1 650 - O 25 de Abril de 1974 no RC4 de Santa Margarida

Neto, Viegas, Matos e Monteiro, 
há 39 anos, em Abril de Santa Margarida

O 25 de Abril foi há 39 anos e não eram conhecidas ligações do BCAV. 8423 à revolução. Os futuros Cavaleiros do Norte formavam batalhão no RC4, em Santa Margarida, e segundo o Livro da Unidade, o batalhão não tinha sido contactado pelo Movimento das Forças Armadas (MFA), «nem tão pouco alguns, ou alguns dos seus oficiais».

O então tenente Castro Dias (o futuro capitão, comandante da 1ª. CCAV. 8423, de Zalala) confidenciou-nos há dias (no dia 13 de Abril), na almoçarada do Porto, que foram (ele e os outros dois tenentes, Cruz e Fernandes, da 2ª. CCAV. e da 3ª. CCAV.) abordados por um oficial ligado ao movimento (de apelido Pessoa, se bem se lembrava) para saber da sensibilidade do batalhão.  Contacto que passou despercebido, obviamente, à guarnição que se preparava para Angola.Coincidentemente, o dia 25 de Abril de 1974 foi também uma 5ª.-feira (como hoje) e levantei-me cedo, como me era (e é) habitual, para as tarefas de higiene pessoal - que gostava de fazer tranquilamente, sem a balbúrdia e pressa da maioria da malta, que preferia dormir mais uns dez ou quinze minutos. Liguei o transistor e estranhei a programação: só se ouviam marchas militares! Só momentos depois, ouvindo o comunicado do MFA. é que ficou a ter uma ideia do que se passava. Acordei a malta, a correr, todos estremunhados e assarapantados com o que se passava.
Pode imaginara-se a estupefacção e a diversidade de comentários sugeridos, já com alguns de nos a pensar que, embora mobilizados, já não iríamos para Angola.  Foi tranquilamente que pequeno-almoçámos e caminhámos para o Destacamento onde se «hospedava» o BCAV. Mas fomos impedidos na porta d´armas do RC4 e ficámos pelo quartel durante toda a manhã. Só e tarde fomos, tempo, então, em que o comandante Almeida e Brito, com o pessoal  reunido em parada, nos contou o que se passava da parte da tarde.
- CASTRO DIAS. Davide de Oliveira Castro Dias, tenente (futuro capitão) miliciano. 
Professor reformado, residente no Porto. Ao tempo era assistente na Universidade do Porto. 
- MFA. Movimento das Forças Armadas. Comunicado lido pelo locutor Joaquim Furtado, aos microfones do Rádio Clube Português. OuviAQUI.
- TRANSISTOR. Pequeno rádio a pilhas, do tamanho de um maço de tabaco, muito usado na altura - por ser barato e de fácil manuseamento.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

1 649 - O Açoreano, o Vargas, o condutor...

O Vargas, o Ciclista e o Mira Daire, em Vista Alegre, em 1975. O Vargas, no dia  6 de Agosto de 2009, na sua ilha do Pico (Açores) 
O Açoreano, lembram-se?!  Manuel Idalmiro Vargas!!!!, esse mesmo. Olhem aqui para ele (foto de cima), no aquartelamento de Vista Alegre, por onde passou a 1ª. CCAV. 8423. Foi condutor e agora faz vida na sua Ilha do Pico, nos Açores, onde tem um posto de gasolina e armazéns e vende de tudo e mais alguma coisa. A governar a vida!
Vida que, nestes mais de 37 anos que nos separam do regresso de Angola, em Setembro de 1975, já o levou lá de novo, por umas quatro vezes. A negócios.
«O que mais me cativa, por lá, são os irmão angolanos. Sempre defendi que Angola deveria ser uma nação livre e igualmente defendi que Portugal e Angola deveriam ser países irmãos», reconhece ele, AQUI, com «um grande abraço, com muito amor e carinho para os meus irmão angolanos».
O Vargas delicia-se aqui, na foto de cima e de perna traçada, com a boa vida de Vista Alegre. Mas não está só nesta imagem de saudade. Atrás, vêem-se mais dois condutores: o Silva (à esquerda) e o Almeida (à direita, quase de costas).
- VARGAS. Manuel Idalmiro Vargas, soldado condutor  
da 1ª. CCAV. 8423, empresário na ilha do Pico, de onde é natural.
- SILVA. Joaquim Carlos da Costa e Silva, conhecido por Ciclista, soldado 
condutor, da 1ª. CCAV. 8423. 
- ALMEIDA. Manuel da Conceição Almeida, o Mira Daire, 
soldado condutor, da 1ª. CCAV. 8423. 

terça-feira, 23 de abril de 2013

1 648 - Os homens das transmissões de Zalala

Lago e Raposo (em cima), Coelho, Hélio, Lourenço, Aires e Carlitos, os homens das transmissões de Zalala - com o furriel João Dias

As transmissões eram fundamentais. Fosse em Zalala, onde jornadearam este 7 jovens Cavaleiros do Norte; ou por todo o norte de Angola, por cujo chão galgaram tantos militares das campanhas que por lá os levaram, de 1961 a 1975. Por mim posso falar, de uma operação de três dias, na qual ficámos sem comunicações ao segundo, vedadas pela densidade da mata de perigos em que, trilho  trilho, palmilhámos quilómetros atrás de quilómetros. O que não sofremos: isolados, angustiados, sem podermos pedir apoio, que felizmente nunca precisámos.
Zalala, que era «a mais rude escola de guerra», teve por lá uma equipa eficaz, liderada pelo furriel miliciano João Dias. Gente sem um medo e sem uma falha, sempre que comunicar foi preciso. Estes homens também calçaram as botas de guerra e suaram camuflados pelas picadas e trilhos do chão uíjano fora. 
É justo recordar os seus nomes:
- LOURENÇO. Ângelo Pereira Lourenço, 1º. cabo operador-cripto.
- HÉLIO. Hélio Rocha da Cunha, 1º. cabo rádio telegrafista.
- LAGO: António Henriques Nunes Lago, soldado rádio-telegrafista.
- COELHO. Fernando Jesus da Costa Coelho, soldado rádio-telegrafista.
- CARLITOS. Carlos Alberto dos Santos Costa, soldado transmissões de infantaria.
- RAPOSO. Rogério Silvestre Raposo, soldado de transmissões de infantaria.
- AIRES. José Pereira da da Costa Aires, soldado de transmissões de infantaria.
O grupo incluía ainda, pelo menos, os 1ºs. cabos Abel José Lopes Felicíssímo (operador cripto) e Jorge Manueld a Silva(rádio-telegrafista) e o soldado José António Gomes de Almeida (transmissões).