sexta-feira, 19 de julho de 2013

1 736 - Acabou a prevenção simples...

O BC12, em Carmona, e o bloco residencial onde se fixaram os furriéis da CCS dos Cavaleiros do Norte, nos últimos dias de Carmona. Em baixo, Mosteias, Viegas,  Bento, Cruz e Pires (de Bragança) na varanda desse edifício


A 18 de Julho de 1975, terminou o período de prevenção simples que, desde 12 anterior, se viveu no BC12, em Carmona. 
As razões tinham a ver com «as preocupações vividas do antecedente» e que, como  sublinha o Livro da Unidade, «continuaram a ser factores dominantes em Carmona, onde diariamente se verificaram factos que contrariavam a  chamada neutralidade activa» e que «retiravam toda e qualquer espécie de neutralidade às NT». Pior, um bocadinho: «Davam ainda ocasião a que se fosse permanente alvo da crítica das populações brancas, as quais se sentem marginalizadas e sem receberam quaisquer apoios ou segurança daqueles que ainda são, como afirmam, os lídimos representantes da autoridade portuguesa». Foi nesse quadro que se pôs o «fica não fica» do batalhão e a tensão entre as comunidades civil e militar - sem esta, alguma vez, recuar no seu estatuto de garante da segurança pública. 
Não era fácil, por tudo isso, o papel das NT, bem pelo contrário, permanentemente acusadas por todos - população civil branca e movimentos (nomeadamente o implantada FNLA) - de estarem ao serviço da outra parte.
Foi por estes dias que furriéis e sargentos da CCS abandonaram a messe do Bairro Montanha Pinto e se instalaram no bloco habitacional que se vê na foto (assinalado a amarelo), que ficava imediatamente antes do BC12 (a vermelho), à saída de Carmona, na estrada para o Songo.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

1 735 - Sair ou não sair de Carmona...

Furriéis da CCS e da 3ª. CCAV. 8423: Bento (atrás), Viegas, Carvalho, Flora, Capitão 
e Rocha (de pé), Ribeiro, Reino e Grenha Lopes, com o soldado Lages, do bar. O Guedes, em baixo




A 8 de Julho de 1975, completou-se a rotação da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel, do Quitexe para Carmona, onde se instalou no BC12. Isto, «dada a necessidade de preparar uma maior presença na cidade»
O primeiro grupo de combate da guarnição comandada pelo capitão miliciano José Paulo Fernandes saíra a 1 de Julho, «abandonando-se, assim, mais uma povoação», como sublinha o Livro da Unidade. 
A 24 de Abril, desactivaram-se os aquartelamentos de Vista Alegre e Ponte do Dange - de onde saiu a 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala e do capitão Castro Dias. Que de Zalala, a mítica «mais dura escola de guerra», saíra definitivamente a 25 de Novembro de 1974 - quando de lá disseram adeus os últimos pelotões. 
As opções dos Cavaleiros do Norte, ao tempo e depois dos incidentes dos primeiros dias de Junho, não eram muitas. Ou ficar em Carmona até não se sabia quando, ou antecipar o regresso a Luanda. Questão que o Quartel General da Região Militar de Angola demorava a resolver. 
- CAPITÃO. Luís Ribeiro Capitão, furriel miliciano atirador de cavalaria, da 3ª. CCAV. 8423. É o único da foto que já faleceu, a 5 de Janeiro de 2010, vítima de doença. Era funcionário da REFER e residia em Vila Nova de Ourém.
- GUEDES. Victor Mateus Ribeiro Guedes, furriel miliciano de armamento pesado. Faleceu a 16 de Abril de 1998.
- OUTROS. Furriéis da CCS eram o Bento (que mora em França), o Viegas (em Águeda) e o Rocha (em Valadares, VN de Gaia) - os três no activo profissional. Da 3ª. CCAV. 8423: Carvalho, aposentado da PSP (no Entroncamento), Flora, aposentado da Caixa Geral de Depósitos (em Odivelas), Ribeiro, aposentado da EDP (em Vila Real), Reino, aposentado da GNR (no Sabugal) e Grenha Lopes, empresário (em Lisboa).

quarta-feira, 17 de julho de 2013

1 734 - O pelotão do alferes Carvalho em Carmona

O Matos, o Guedes (a beber) e o o Melo (em cima), o Letras, o Gomes e o Cruz, furriéis milicianos da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa. O alferes Carvalho (em baixo)


A 17 de Julho de 1974 - hoje se passam 39 anos!!! -, a 2ª. CCAV. do Batalhão de cavalaria 8423 «cedeu» um grupo de combate ao Comando de Sector de Uíge (CSU), para, «em situação de diligência», efectuar «patrulhamentos na área suburbana da cidade de Carmona» - a actual Uíge, capital da província do mesmo nome.
A tal levou a situação que decorria, e cito do Livro da Unidade, «na sequência dos acontecimentos de Luanda». E o que é que se passava em Luanda? Passavam-se graves tumultos que, a esta data, se contabilizavam já em 16 mortos e 63 feridos. 
O pelotão que rodou para Carmona era comandado pelo alferes Domingos Carvalho e por lá tiveram problemas, que ele mesmo recorda, dando um exemplo: «Estávamos em intervenção e pôs-se uma situação delicada, por causa de um soldado de comandos que, na cidade, se exibiu com armamento e que tivemos de neutralizar. Era quente, esse tempo!!!...».
O grupo de combate do alferes Carvalho incluía os furriéis António Chitas, João Brejo e José Manuel Costa e esteve instalado no BC12, à saída da cidade, na estrada do Songo.
A 17 de Julho de 1974 recorde-se ainda, e ainda segundo o Livro à Unidade, foi «importante, ainda, o retorno à responsabilidade operacional do BCAV. 8423 de Luiza Maria e Vista Alegre»
E terminou a Operação Turbilhão.
- CARVALHO. Domingos Carvalho de Sousa, alferes miliciano atirador de Cavalaria, da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa. Promotor comercial, reside em Marrazes (Leiria).
- CHITAS. António Milheiros Courinha Chitas, furriel miliciano atirador de Cavalaria, da 2ª. CCAV. 8423. Trabalha em Angola.
- COSTA. José Manuel Cerqueira da Costa, furriel miliciano atirador de Cavalaria, da 2ª. CCAV. 8423. Promotor comercial, residente em Santa Cruz do Bispo (Matosinhos).
- Brejo. João António Piteira Brejo,  furriel miliciano atirador de Cavalaria, da 2ª. CCAV. 8423. Aposentado, residente em Foros de Amora (Amora).

terça-feira, 16 de julho de 2013

1 733 - Novidades do Gaiteiro...

Monteiro, Lopes, Neto, Gaiteiro, Gomes e Capitão Luz (atrás), na foto de 
cima. Futebolistas do Quitexe, com o Gaiteiro assinalado


Aos 11 dias de Setembro de 2012, o Gaiteiro «foi à faca», para dar cabo de um problema que o andava a prostatar. A este, o problema da próstata, juntou-se uma complicação da bexiga, que os cirurgiões entenderam «limpar». E limparam, aproveitando o momento! 
Ficou o Gaiteiro limpo, mas sujeito a «revisões» médicas. Foi o que ontem fez, indo «tacar-se» ao hospital!
«Está tudo sem problemas!!!...», disse-nos há momentos, tranquilo da silva e respirando boa disposição e confiança.
O Gaiteiro era condutor e dos mais vivaços e irrequietos companheiros da CCS. É estilo que mantém e, quase 40 anos depois, é um consolo ouvi-lo, falando de si mesmo e da vida, sem a dramatizar, sem dela se queixar, e cultivando o espírito irreverente e «fala-tudo» que tanto o torna(va) original e homem de mil simpatias.
Ontem, quis o destino que o levou a fazer o TAC de prevenção, encontrou o Gomes, outro condutor da CCS - que lá pela Maia  anda em mudanças de casa - e o tema, inevitavelmente, foi os Cavaleiros do Norte. A família «militar» não se despega.
- GAITEIRO. Américo Manuel da Costa Nunes 
Gaiteiro, soldado condutor da CCS. Aposentado da 
Petrogal, residente em Rio Tinto (Porto).

segunda-feira, 15 de julho de 2013

1 732 - O nosso alferes Jaime Ribeiro...



Capitão Oliveira e alferes Cruz, Ribeiro e Garcia, na Aldeia 
do Canzenza. Atrás, vê-se a igreja do Quitexe

O (nosso) alferes Ribeiro faz hoje 63 anos!! Nascido no ano da graça de 1950, é licenciado em engenharia e agora aposentado e formador profissional, lá pelos lados do Tramagal - onde vive.
Oficial miliciano sapador, comandou o respectivo pelotão da CCS do BCAV. 8423 e, nos amargos e trágicos primeiros dias de Junho de 1975, teve papel determinante no acolhimento ao pessoal civil que acorreu ao BC12, para se proteger dos incidentes que  enlutavam a cidade. 
O facto, frisa o louvor que lhe foi atribuído, «foi notório». Louvado foi, por mais. Por, por exemplo, «demonstrando ser bom condutor de homens, o que o  credita merecedor de consideração dos seus superiores, da admiração do seus iguais  e estime dos inferiores». E, no serviço da sua especialidade, «juntando à sua competência, à melhor boa vontade, conseguiu obter sempre os melhores resultados na construções que se fizeram, a maioria delas para melhoria do bem estar dos soldados». Nem mais.
O engº. Jaime Ribeiro vive no Tramagal e está de boa saúde. Falei há momentos com ele, que confirmou a boa disposição e o momento feliz que hoje vive, por completar 63 anos.
«As coisas já não são como quando tínhamos 20 ou 30 anos, mas ganhámos em sabedoria e em muitas outras coisas», disse-nos, por entre fartas e sonoras gargalhadas de prazer. 

domingo, 14 de julho de 2013

1 731 - O pedido de armas feito pela FNLA...

O BC12, em Carmona, visto do lado do Songo


Há 38 anos, dia 15 de Julho de 1975, a tensão que levedava há vários dias, «estourou» quando se soube que a FNLA queria armas. Armas!!

Um grupo de furriéis -  o Machado, o Neto, o Mosteias, o Viegas, pelo menos...) decidiu pedir explicações a Almeida e Brito e foi recebido no gabinete do 1º. piso.
Que «não era bem assim...», foi o que nos disse o comandante, querendo descansar-nos. Que realmente tinham sido pedidas armas, «as armas arrecadadas pela DGS» e que estavam no BC12, para aí umas duas ou três centenas. Mas que se eram essas, «não havia problemas...», pois, ele assim nos disse e nos descansou, «ou estão avariadas ou não têm munições». Foi um consolo, o que ouvimos!
A véspera, dia 14 de Julho, como ontem aqui falámos, fora de tensão bem sofrida e alimentadora de muitas dúvidas: a FNLA, fazendo-se soberana do terreno uígense, impedira a saída de um MVL, de Carmona para Luanda. Ninguém gostou, entre a guarnição militar, e aquela de lhes dar armas mais incendiou os ânimos.
Dar-lhes armas, para nos atacarem?! Nããããã, nem pensar!
A data faz-me refrescar ideias sobre um incidente desse dia, na rotunda da entrada de Carmona,, de quem vinha do Quitexe e do Negage: um grupo de civis, europeus, já noite adentro, provocou a patrulha militar mista e um dos elementos africanos quis reagir, a... tiro!! Por momentos, poder-se-ia ter despoletado uma situação de muito sangue e de mortes, quem sabe?!Felizmente, o africano obedeceu à ordem do furriel europeu que comandava a patrulha e não se passou do susto! Os militares indígenas, eram combatentes dos movimentos e filhos de todas as mães. E a tropa, para os brancos europeus, uma cambada de cobardes e de traidores. O império, nos seus cabeceiros, teve destas malhas mal tecidas.

sábado, 13 de julho de 2013

1 730 - 13 de Julho de 1975, dia de vários azares...

O quartel do Negage esteve cercado pela FNLA, a 13 de Julho de 1975 - há 38 anos!!!

A 13 de Julho de 1975, recebo o jornal de Águeda - que anuncia a realização, nesse mesmo dia (um domingo) e em Aveiro, de uma manifestação contra a ocupação da Rádio Renascença. O apelo de D. Manuel de Almeida Trindade (quem me crismou, uns bons anos antes) era para «que os cristãos adormecidos, acordem finalmente».
Por Carmona, não iam fáceis as coisas. Os Cavaleiros do Norte entraram em «regime permanente de prevenção simples», entre 12 e 18 de Julho, e, cito do Livro da Unidade, «houve que aguentar a provável ressaca da FNLA, face aos ses desaires em Luanda, Salazar e Malange».
Na capital angolana, registaram-se combates diários, entre MPLA e FNLA - até que esta abandonou a cidade, estabelecendo-se no norte, a sua zona natural, onde estava o BCAV. 8423. No dia 4 de Julho, 250 recrutas da UNITA foram massacrados na capital e a direcção do movimento decidiu retirar-se para as cidades do planalto central de Angola - à volta de Nova Lisboa (Huambo). O MPLA ficou sozinho em Luanda.
A FNLA, na nossa zona uíjana, reagiu nesse domingo, 13 de Julho de 1975: realizou um comício em Carmona, com afirmações preocupantes. As suas forças impediram a saída de um MVL, o que se repetiria no dia 21. No Negage, pediram armas e cercaram o quartel da Companhia de Caçadores.
Caminhávamos para os nossos últimos dias de Carmona. Nada, nada fáceis!
- MVL. Movimento de Viaturas Ligeiras, ou Movimento de Viaturas de Logística. Eram colunas de viaturas (camiões) que asseguravam os reabastecimentos. No caso, fariam o transportes de equipamentos do BCAV. 8423 para Luanda.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

1 729 - Lutos dos Cavaleiros do Norte: o sargento ajudante Machado!

O sargento ajudante Luís Machado faleceu a 12 de Julho de 2000, aos 80 anos. Vivia em Évora e foi nosso companheiro no Quitexe, em Carmona e Luanda. O mais velho de todos nós, os da classe de sargentos, então com 54 para 55 anos, nascido a 15 de Maio de 1920.
Almeida e Brito, o nosso comandante, tinha 47 anos ao tempo - nascido em 1927. Desconhecendo idade do capitão Oliveira (comandante da CCS), arriscamos dizer que seria mesmo o mais velho de todo o BCAV. 8423. 
O tenente Mora, por exemplo, tinha 48 anos - nascido a 30 de Junho de 1926 e falecido a 21 de Abril de 1993. O vivíssimo (então) tenente Luz, agora capitão aposentado e no vigor dos seus 84 anos, «ficava-se» no nosso 1974 de embarque para Angola, pelos «juvenis» 45 anos.  
O sargento ajudante Machado trabalhava na secretaria do Comando do Batalhão, justamente sob ordens do tenente Luz, e a sua debilidade física era visível aos nossos olhos, caminhando de um jeito meio destrambelhado, sempre a fumar, a fumar, a fumar..., mas cortez no relacionamento e muito respeitado por todos nós, os irreverentes furriéis milicianos - que dele podíamos ser filhos, quase netos!
Faleceu há 13 anos, hoje se passam e hoje aqui o evocamos!
- MACHADO: Luís Leite Ferreira Machado, sargento ajudante 
do SGE, adjunto da Secretaria do Comando do BCAV. 8423. 
Faleceu a 12 de Julho de 200, em Évora - onde residia, no nº. 3 da 
Rua do Ramires, freguesia da Sé e S. Pedro. 
Ver AQUI

quinta-feira, 11 de julho de 2013

1 728 - O José Mendes das transmissões...

José Mendes, 1º. cabo de transmissões, a 11 de Julho de 2013, em Lisboa.
Foto de Nogueira da Costa

Os Cavaleiros do Norte "acharam" hoje mais um dos nossos: do Quitexe, de Carmona, de Luanda, o Zé Mendes - que faz vida por Lisboa. Foi 1º. cabo de transmissões da CCS!
O mérito é todo do Nogueira da Costa, que pelo Liberato foi condutor e, agora fazendo reforma entre Tomar e Lisboa, se tem posto a caminho para "achar" companheiros da nossa jornada africana de Angola e das terras do Uíge. Ele foi o Soares, ele foi o Ezequiel, ele foi o Dionísio, lá pelas bandas de além Tejo. Agora foi o Zé Mendes, que faz vida pela capital do (ex)império e, frente à praça da Armada, dá vida ao Restaurante A Travessa - no Bairro dos Prazeres. Com especialidade em churrascos!!!
O Zé Mendes está bem na vida e o Nogueira da Costa garante que "tem muito bom aspecto".  
«Tem nível», assegurou o nosso homem do Liberato, que com ele acabou por «confessar» saudades do Quitexe e «bebericar» uns finos bem fresquinhos - que mataram sedes e refrescaram saudades. 
A surpresa de Mendes, por ser "descoberto" agora, depois do já longínquo adeus de Setembro de 1975, foi "aliviada" pela nossa conversa telefónica - dando, cada um de nós, conta destes anos que se passaram desde que o Quitexe, Carmona e Luanda ficaram para trás nas nossas vidas e nas nossas experiências.
Grande abraço e até um destes dias, quando menos esperarmos!!!
- MENDES. José das Fonseca Mendes, 1º. cabo de transmissões, 
da CCS do BCAV. 8423. Empresário do ramo da restauração, em Lisboa.




quarta-feira, 10 de julho de 2013

1 727 - As aldeias à volta do Quitexe...

Placa da estrada do café, a indicar Ambuíla, uma sanzala ao tempo dos Cavaleiros do Norte, na picada de Zalala. Uíge é a Carmona do nosso tempo (foto de Carlos Ferreira, de Dezembro de 2012, em cima). Em baixo, Viegas e Pires (do Montijo e agora em Niza) na aldeia do Talambanza, a primeira depois do Quitexe, à direita, na saída para Carmona (1974)

A 10 de Julho de 1974, há precisamente 39 anos!!!, os comandos e a acção psicológica dos  Cavaleiros do Norte do Quitexe reuniram  com os povos do Quimassabi e do Quitoque, que ficavam depois da Talambanza e da Qual, na estrada para a cidade de Carmona - a capital da província do Uíge. 
O objectivo, já por aqui várias vezes  falado, tinha a ver com a mentalização das populações para as alterações políticas e sociais que se avizinhavam, na sequência do 25 de Abril. Já tinham passado (as reuniões) por Aldeia (sanzala a seguir ao Canzenza, na estrada para Camabatela) e do Luege (esta na estrada do café, antes da do Dambi Angola e de Aldeia Viçosa, no sentido de Luanda). 
À volta da vila do Quitexe, muitas outras sanzalas havia. Para o lado de Camabatela, por exemplo e logo depois do Canzenza e de Aldeia, ficavam Catenda, Tabi, Caunda, Quimucanda e Catulo. No sentido de Luanda, paralelas mas arredadas da estrada do café, havia Quimbinda e Taiela, antes da Dambi Angola. Para a mítica Zalala, ficavam Ambuíla, Bumbe, Cacuaco e Mungage.
Ambuíla, cuja placa se vê na foto de cima (na estrada do café), fica na picada de Zalala - salvo erro, entre as as fazendas do Quimbanze (muito próxima da estrada) e João Alves e Boa Ventura, salvo erro.

terça-feira, 9 de julho de 2013

1 726 - A Amazona do Norte que é doutora de Portugal!!!

Os meus amigos vão perdoar-me por vir aqui falar da minha família directa, mas, na verdade, hoje mesmo, na Sala dos Capelos da Universidade de Coimbra, a Amazona do Norte minha «mais que tudo» foi doutorada com distinção e louvor, por unanimidade, em Ciências da Educação e na especialidade de Análise e Organização do Ensino.
Hermínia dos Santos Paiva Loureiro Viegas, que os Cavaleiros do Norte bem conhecem dos encontros da CCS - e é uma Amazona do Norte por convicção e paixão!!! -, é doutorada pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra!!! Desde hoje!
A 1 de Junho, no encontro "cavaleiro" de Santo Tirso, foi prendada em nome de todas as Amazonas do Norte. Hoje, no exame final de um dos seus projectos de vida profissional, teve esta distinção académica que deixou a família Viegas toda babada, orgulhosa até mais não e tão feliz, tão feliz, que quer partilhar este dia muito especial com a gigante família dos Cavaleiros do Norte.
Desculpem-me lá - eu sei que desculpam!!!... -, mas não é todos os dias que temos uma doutorada na família. Hoje, sou o Cavaleiro do Norte mais feliz do mundo e de sempre!!!
A foto mostra-me neste dia irrepetível, com os meus mais íntimos: a Ana, o João e a Hermínia - a quem, por afecto, todos chamam de Minita! Agora, a senhora doutora!!! Por extenso!!! Não há gente mais orgulhosa, no dia de hoje, que justamente nós: a Ana, o João e eu. E os nossos mais próximos de sangue: mãe e irmãs, cunhados e sobrinhos, sobrinhos-netos, tios e parentes e amigos do dia-dia e de sempre!

segunda-feira, 8 de julho de 2013

1 725 - Cavaleiros de Aldeia Viçosa no Fundão

Antigo aquartelamento de Aldeia Viçosa, em 
Dezembro de 2012 (foto  de Carlos Ferreira) e em 1974 (em baixo)

Os Cavaleiros do do Norte de Aldeia Viçosa vão encontrar-se no Fundão, a 28 de Setembro. Já não falta tudo e é todos anos no último sábado do mês que se reúnem e matam saudades.
A organização deste ano está a cargo do Carmo - quant
o à logística. E, naturalmente, não vai faltar nada. Tudo vai estar a preceito.
Os Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa são, nada mais nada menos, os garbosos comandados do capitão miliciano Cruz. A Aldeia Viçosa chegaram a 10 de Junho de 1974 e de lá saíram a 11 de Março de 1975, para Carmona.
A "mobilização" está a cargo do Beato e do Ramalho, que melhor se ajeitam para a missão. Eles dirão, em tempo próprio, quantos "galoparão" até ao Fundão.
Sabe-se já que, nesse esperadíssimo 28 de Setembro, os homens de Aldeia Viçosa se concentrarão na Zona Industrial - a partir das 10 horas da manhã. Por lá começarão a matar as saudades de mais um ano e a afiar apetites para o almoço.
- CARMO. Contactos pelos telefones 93 69 13 600 e 92 70 69 292.
- RAMALHO.  Telefones 966 095 508 e 266 707 300.
- BEATO. Telefones 96 357 33 76 e 22 422 19 48.

domingo, 7 de julho de 2013

1 723 - A estrada do café...

Ponte do Dange, em Dezembro de 2012 (foto de Carlos Ferreira) e a ponte de 1975, vista do Destacamento da 1ª. CCAV. 8423.  Em baixo, a estrada do café, em Dezembro de 2012 (foto do Carlos Ferreira) 

A 6 de Julho de 1974, o comandante Almeida e Brito reuniu com  os povos de Aldeia e Luege. O objectivo era «continuar a mentalização das populações». O mesmo aconteceu com os camionistas que operavam na zona - ora no transporte do café, ora das madeiras, as maiores riquezas económicas da região. Queriam eles (os camionistas) «maior liberdade de de movimentos na chamada estrada do café» - que ia (e vai) de Luanda a Carmona (agora Uíge).
Os camionistas tinham peso significativo na economia regional, pois escoavam os produtos e  faziam os reabastecimentos a uma zona onde eram os principais (os únicos) agentes de transporte. 
A 5 de Julho, na véspera e em Sanza Pombo, realizou-se a reunião mensal de comandos do Comando do Sector do Uíge.

sábado, 6 de julho de 2013

1 722 - O Carlos Ferreira de Zalala...

Viegas e Ferreira, a 6 de Julho de 2013. Cavaleiros do Norte 
"achados" 38 anos depois, com leitão e espumante da Bairrada (à direita) na mesa


O Carlos Ferreira foi mecânico de armamento ligeiro da 1ª. CCAV. 8423, lá por Zalala. Aquartelou, depois, em Vista Alegre e passou pelo Songo, antes de Carmona e Luanda - onde "pousou" no descanso de umas «férias» provocadas pelo desvio de um automóvel. Sem que dele se descobrisse outro «negócio» maior: o de armas, que quis passar para o MPLA.  
Portugal recebeu-o em 1975 e, pouco depois, embrenhou-se e lutas revolucionárias, que o levaram a tribunais e penitenciárias. Lutou por um Portugal diferente do Portugal que ele mesmo sentia. E fê-lo, com as suas convicções, sem trair os seus ideais, mesmo quando  traído por quem foi menos forte e desassamiu a revolução que queriam fazer.
Não é dessa revolução, porém, que venho falar.
É do nosso encontro de hoje.
Fomos contemporâneos da Escola Industrial e Comercial de Águeda e dos Cavaleiros do Norte. Sem, porém, nunca nos acharmos pelo chão do Uíge angolano. Ou em Luanda. Em Novembro de 1990, cruzámo-nos na solenidade austera de um tribunal, onde, sem eu o identificar, dele fiz notícia que correu jornais deste país - respondendo ele por acções em nome das Brigadas Revolucionárias.
O Uíge que nunca nos achou nos anos de 1974 e 1975, aproximou-nos em princípios de 2013 - depois de ele por lá ter passado e fotografado sítios por onde fizemos a nossa jornada africana: o Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Vista Alegre, Ponte do Dange, Carmona, o Songo.
O abraço ficou prometido para hoje e hoje se consumou. Foi emotivo, recapitulou tempos de escola e de tropa, do Portugal que fomos e (não) somos!
Os Cavaleiros do Norte tem destas coisas: aproximam, fazem comunhão, identificam e fazem história. E memória.

- FERREIRA. Carlos Alberto Pereira Tavares Ferreira, 1º. cabo 
mecânico de armamento ligeiro, da 1ª. CCAV. 8423. Natural de 
Albergaria-a-Velha e residente no Maputo (Moçambique), onde 
é empresário da área de segurança.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

1 721 - O Eusébio de Zalala...

Rodrigues, Eusébio, Barata e Queirós, em Zalala (1974). Em baixo, Pinto, Eusébio, Mota Viana e Rodrigues (de pé), Dias, Queirós e Barreto (sentados), em Junho de 2012 (Belmonte)

O Eusébio de Zalala não foi "rei» do futebol mas é um senhor da fidalguia. Vive em Belmonte e de lá nos ligou, para falar da vida, da nossa epopeia africana, dos tempos em que a força da juventude não nos deixava abater, nem tínhamos crise, nem troikas, nem políticos menores e as aqueloutras coisas que nos vão desanimando e afrouxando a confiança no amanhã. Que não se adivinha fácil!!!  
O Eusébio fez vida na Escola Profissional Agrícola de Belmonte, de onde é e onde mora - com a mulher (funcionária pública) e dois filhos, de 34 e 27 anos. A saúde atormentou-o por volta de 2008 e a má circulação sanguínea e os diabetes já o levaram cinco vezes às mesas de operações. Neste vai-e-volta, perdeu a perna esquerda. Nada, todavia, que lhe retire o entusiasmo e gosto de viver. 
«Fiquei mais leve...», disse-me ele, sem uma sombra de constrangimento ou amargura que se lhe percebesse. 
Olha para trás e não tem outra conclusão, que não esta: «A partir dos 50, vamos perdendo a validade. É como os iogurtes!!!...». E soltou outra gargalhada, que lhe senti fresca e viva, sem estar a esconder quaisquer desgosto ou tristeza.
A esposa «também sobre de umas coisas». Trabalha na EB 2,3 de Belmonte e a coluna e o ombro direito tem vezes que lhe infernizam os dias. Mas Eusébio, que nos falava do Centro de Saúde, onde esperava consulta, dá «estas coisas da vida» como «sendo mesmo assim...».
Aposentado, enche os seus dias com «um hobyyzito...»: faz bricolages, esculturas, artesanato e pirogravuras. E pensa abrir uma loja para os filhos. Vai estar, sem dúvida, na feira medieval de 15 a 18 de Agosto, lá em Belmonte.
Ó Eusébio, foi um gosto falar contigo. Um gosto enorme, pá!!! Ficámos feitos uns «putos» naquela meia hora de telefone que matou saudades e refrescou memórias.
- EUSÉBIO. Eusébio Manuel Martins, furriel miliciano 
atirador de cavalaria, da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala. 
Funcionário público aposentado, (é de e) mora em Belmonte.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

1 720 - As polícias e a nova escola do Quitexe...

A 3 de Julho de 1974, o comandante Almeida e Brito visitou a OPVDCA e a 3ª. Companhia da PSPA/GR, que dependiam operacionalmente do BCAV. 8423. A 4 do mesmo mês, hoje se fazem 39 anos, «completou-se o quadro orgânico da Polícia de Informação Militar (PIM), com a apresentação do chefe de posto do Quitexe». Quem era? Não sei!
O mês, de resto, começara com «a atribuição da responsabilidade operacional da OPVDCA do Dange e das 3ª. e 4ª. Companhias da PSPA/GR». respectivamente sediadas em Quitexe e Vista Alegre, forças que, segundo o Livro da Unidade, «mercê de determinação superior passaram ao comando operacional das forças militares em subsector»
Agora, 39 anos depois, chega-nos boa notícia do Quitexe: Passou a contar, desde ontem, com "uma nova escola do 2º. ciclo, construída de raíz e devidamente apetrechada, com equipamentos técnicos e meios  informáticos».
A escola «tem 12 salas de aula, secretaria, gabinetes dos directores, sala de reunião e de professores, área administrativa, balneários e outros compartimentos» que, segundo a ANGOP, «vão facilitar o funcionamento da instituição.
Felicitamos o Quitexe e as suas gentes!
Ver AQUI
- OPVDCA. Organização Provincial de Voluntários de Defesa Civil de Angola.
- PSPA. Polícia de Segurança Pública de Angola.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

1 719 - O alferes Rodrigues de Santa Isabel...

Augusto Rodrigues, em foto recente, 38 anos 
depois (1974/75) da jornada africana dos Cavaleiros do Norte

O Rodrigues foi nosso companheiro de Penude, na difícil jornada do curso de Operações Especiais - os Rangers!!! - o segundo de 1973. Cadete por lá, foi aspirante a oficial miliciano e mais tarde alferes miliciano da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel. 
O Rodrigues, por onde anda o Rodrigues, por onde não anda, o que é feito dele, o que faz ou não faz? Sabia-se que trabalhava na metereologia do aeroporto de Lisboa, mas, por uma razão ou outra, escapava à rede do blogue, nesta «pesca» de Cavaleiros do Norte que vai em mais de 4 anos. Mas lá o achámos, numa conversa que puxou a saudades de Lamego e a nostalgias e curiosidades que nos aproximaram por amigo comum - o Nelson Tavares, empresário na área das máquinas e ferramentas industriais, em Águeda. Mas que nada tem ver com a tropa.
O que tem  a ver - e muito, muitíssimo!!!... - é o sobredito tempo de Lamego (em Penude) e, mais tarde, o da epopeica jornada africana do Uíge. Por lá,  foi o alferes miliciano Rodrigues comandante interino da 3ª. CCAV. 8423, tal função desempenhando «de forma impecável, não se furtando nunca a diligências e a total trabalho, de modo a bem cumprir». É o que atesta o louvor proposto pelo comandante Almeida e Brito e assinado pelo brigadeiro comandante do Comando Territorial de Carmona.
O documento, publicado na Ordem de Serviço nº. 174, enfatiza «o melhor do seu saber, do seu esforço, da sua vontade e do seu bem querer", citando-o como «voluntarioso e prestável, altamente considerado por todos os que com ele trabalharam», para além de ser «possuidor de raro dom de trato humano e espírito de missão, denotando forte formação». Por isso mesmo, frisa o louvor, «sempre se constituindo em exemplo para camaradas», pelo que «bem merece ser premiada a sua carreira militar»
Era assim, o nosso alferes Rodrigues!
- RODRIGUES. Augusto Rodrigues, alferes miliciano de Operações Especiais (Rangers). Natural de Vouzela e residente em Lisboa, onde trabalhou nos serviços de meteorologia do aeroporto. Está aposentado.   

terça-feira, 2 de julho de 2013

1 718 - O S. João com fogueira de pneus...

Alferes Hermida e esposa, destacados na caixa a vermelho. O furriel Cruz, no rectângulo a amarelo, e os 1ºs. cabos Tomás, à esquerda (no circulo) e Pais, atrás (círculo em branco) 

O Tomás veio ao blogue falar do tenente Mora, evocando a noite de S. João de 1974, no Quitexe - a primeira (de duas) de todos nós em terras de Angola:

Estávamos há pouco mais de 15 dias no Quitexe e a equipa de rádio-montadores passeava na avenida, junto à secretaria da CCS. Equipa formada pelo alferes Hermida, pelo furriel Cruz, pelos 1ºs. cabos Pais e Tomás e pelo soldado Silva. Cada um, à sua maneira, com as suas recordações, lembrando a sua terra e tradições de S. João. 
A dada altura, o tenente Mora acercou-se da rapaziada e saudou-nos: "Boa noite, está tudo bem? Gostaram da ideia de queimar pneus velhos, lembrando as fogueiras de S. João?".
A resposta foi do alferes Hermida, irónico: "Foi boa ideia, charlie-hotel-india-charlie-óscar!!!... Boa noite, meu Tenente!!!», disse o jovem oficial miliciano.
O tenente Mora voltou-se, já ia de costas, e começa a soletrar: «Charlie-hotel-india-charlie-óscar!!!  CHICO!!!», descobriu ele, assim se achando chamado.
Pouco conformado, como nos pareceu evidnete, porém aceitou a provocação com um sorriso! Fora do normal, mas um sorriso! Acabou por se ir embora e, entre nós, a gargalhada foi geral. Jamais vou esquecer esta passagem.
RODOLFO TOMÁS

segunda-feira, 1 de julho de 2013

1 717 - O encontro dos artilheiros da CCS da BART. 786

A foto de "família" da CCS do BART. 786 aqui está hoje, atrasada, mas com afecto. É de 8 de Junho, mas o José Lapa teve avaria no PC e não a pôde enviar. «Avariado» como o dia, molhado e sem sol, pelo segundo ano consecutivo.  
«Será que o S. Pedro esta zangado com a malta?», interroga-se o José Lapa, sublinhando «uma palavra para todos quantos queriam estar presentes e que por motivos vários - esta maldita crise, que não nos larga -, não puderam»
«O tempo passa e cada vez vai ficando mais curto e depois, um dia, já não andamos por cá», acrescentou este artilheiro do Quitexe, realçando «a presença simpática  de algumas esposas que estiveram no convívio». «Elas - frisou - que também sofreram, como nós, aqueles dois anos de ausência em terras de Angola».
A CCS dos BART. 786 esteve no Quitexe entre 1965 (11 de Junho) a 1967 e os convivas de 8 de Junho são estes, atrás e da esquerda para a direita: Victor Filipe, capelão graduado em alferes (de Peniche), Raúl, 1º. cabo correeiro (de Vila Franca de Xira), João Lopes, soldado condutor (de Matosinhos, o organizador), Jacinto, 1º. cabo de  transmissões (do Porto), Silva, soldado maqueiro (de Braga), Santos, soldado condutor (do Porto), Artur, soldado condutor (de Santa Maria da Feira), J. Almeida,  soldado IOR (de Sesimbra), NN, soldado IOR (de???),  Domingos Costa, furriel miliciano vagomestre (do Porto), Alcino Teixeira,1º. cabo mecânico (do Porto), Ferreira da Cunha, alferes miliciano (Lisboa) e José Lapa, furriel miliciano (de Vila Nova de Gaia).
À frente, sentados, Quim Careca, soldado condutor (da Areosa, Porto), NN (???), Jacinto, furriel miliciano sapador (do Entroncamento), Mendes Moreira, alferes miliciano de transmissões (de Paredes),  Meireles, 1º. cabo, mecânico de armamento (de Braga),  Jorge, soldado sacristão (de Vila do Conde), António, soldado condutor (do Porto) e M. Silva, soldado IOR (de Braga).
O encontro decorreu na Nova Casa dos Leitões, no Peneireiro (Anadia).

domingo, 30 de junho de 2013

1 716 - O tenente Mora faria hoje 87 anos!!!

Alferes Ribeiro e Garcia e tenentes Luz e Mora, na avenida do Quitexe. Atrás, à esquerda, o edifício do comando do BCAV. 9723. Em baixo, o tenente Mora e  os furriéis Neto e Viegas, frente à casa dos furriéis

O tenente Mora faleceu há 20 anos, a 21 de Abril de 1993. Fosse vivo e hoje, dia 30 de Junho de 2013, faria 87 anos. Foi adjunto do comandante da CCS do BCAV. 8423, que era o capitão Oliveira, e figura imortal e inesquecível da guarnição. Não há, entre os Cavaleiros do Norte, quem não se lembre do «nosso tenente Mora».
Era personagem invulgar, pelo trato, pelo comportamento, pelo rigor que gostava de impor nas suas coisas, invocando o RDM por tudo e por nada, as continências e os cumprimentos militares. Era o «nosso tenente Palinhas». Porque, sem exigir,«exigia» que, a troco de tudo, o saudássemos com a continência. E, não o fizéssemos nós, por qualquer razão, e batia-a ele antes de nós, a tal nos obrigando.
O tenente Mora dava para um monte de postagens. E já deu. Dele, já aqui falei na minha ida ao cinema do Quitexe, disfarçado de mulher. Onde quando se pôs a ouvir o que eu ouvia, deleitado e deitado no meu quarto do Quitexe: sinais e repeniques da minha igreja, gravados numa cassette. Há mais histórias do «nosso tenente Mora», já contadas neste blogue, como a de quando, supondo haver sabotagem na luz da vila, se pôs a rastejar na avenida. Outras há, por aqui publicadas.
Hoje, passando-se 87 anos sobre o seu nascimento em Pombal, evoco-o com saudade, com respeito e lembrando que como um companheiro, mais velho, que não quis ser diferente, antes igual. Até um destes dias, tenente Mora!
- MORA. João Eloy Borges da Cunha Mora, tenente 
do SGE, natural do Pombal e adjunto do comandante da CCS do 
BCAV. 8423. Faleceu em Lisboa, vítima de doença, 
a 21 de Abril de 1993.

sábado, 29 de junho de 2013

1 715 - A posição das NT nos trágicos dias de Carmona

Parada do BC12, em Carmona, Junho de 1975, com a chegada de refugiados acolhidos pelos Cavaleiros do Norte (em cima). O cadáver de um combatente do MPLA, nos incidentes destes dias de há 38 anos (em baixo)

Os dramáticos primeiros dias de Junho de 1975, em Carmona, já aqui foram reportados, mas, pela mãos, do Alfredo Coelho (Buraquinho), chegou-nos uma imagem que retrata o tempo de morte que então se viveu: o cadáver de um guerrilheiro do MPLA, esquartejado e amputado. Vimos  muitos, naqueles trágicos dias carmonianos.
A FNLA, por outro lado, releio na História da Unidade, não entendeu muito bem a protecção dada pelas NT aos refugiados, que considerou «discricionária e partidária», posição que «resultou num período seriamente preocupante para o BCAV. 8423» - ultrapassado (no que foi possível) quando «o ELNA reconsiderou a posição das NT».
O rescaldo da conflito ELNA/FAPLA redundou, na nossa área de intervenção (o Uíge), numa «mais vincada hegemonia da FNLA, pois que tudo o que se possa considerar combatente ou simpatizante do MPLA foi expulso do distrito», Isto, no melhor dos casos. Noutros, releio no livro «História da Unidade», «há a citar algumas dezenas e mortos».
- FNLA. Frente Nacional de Libertação de Angola, liderada por Holden Roberto.
- MPLA. Movimento Popular de Libertação de Angola, liderado por Agostinho Neto.
- ELNA. Exército Nacional de Libertação de Angola, força armada da FNLA.
- FAPLA. Forças Armadas Populares de Libertação de Angola, do MPLA.
- NT. Nossas Tropas.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

1 714 - O 1º. sargento Falho Panasco...

Queirós, Rodrigues e Fialho Panasco, em Vista 
Alegre, norte de Angola (1975). Na foto de baixo, na confraternização de Águeda (1995)


O 1º. sargento Fialho Panasco faleceu a 28 de Junho de 2005! Há 8 anos! Vítima de doença do foro oncológico, em Carnaxide, arredores de Lisboa. Foi responsável administrativo da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, e mereceu louvor do Comando Territorial de Carmona, por proposta comandante Almeida e Brito.
O louvor foi publicado na ordem de serviço nº. 174  e sublinha que «na espinhosa missão de responder por uma subunidade, sempre demonstrou o maior zelo e inexcedível sentido de responsabilidade», de que resultou «creditar-se como excelente auxiliar na administração da sua companhia».
As vários rotações da 1ª. CCAV. 8423 - de Zalala para Vista Alegre e Ponte do Dange, primeiro, depois para Carmona e finalmente para Luanda -, «em muito dificultaram o controlo de toda a vida administrativa», mas isso «não lhe mereceu reparo, antes pelo contrário, em todas essas situações mostrou a melhor prontidão, dedicação e espírito de sacrifício, superando desse modo as dificuldades vividas».
O 1º. Fialho Panasco era «disciplinado, de trato correcto, de elevado sentido de colaboração, vincada lealdade para o comando que serviu», razão por que, regista o louvor, «tem de considerar-se ser digno do conceito em que era tido e agora novamente confirmou», cotando-se como «precioso auxiliar e conselheiro do seu comandante, motivos esses que levam a garantir a sua eficiência em qualquer outra situação militar que viva». O comandante de Zalala era o capitão miliciano Davide Castro Dias.
O 1º. Fialho Panasco foi pai de um casal e avô de três netos - uma rapariga de 23 e dois gémeos de 18 anos.
«Foi um bom pai e um bom marido», disse-nos a viúva, Ivone Susete Maurício Vigares Panasco.
Aqui fica a nossa memória por ele!
- PANASCO. Alexandre Joaquim Fialho Panasco, 1º. sargento, chefe 
da secretaria da 1ª. CVCAV. 8423. Nasceu a 17 de Outubro de 1935, 
em Santo Aleixo (Monforte). Faleceu, já aposentado, como  sargento-mor.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

1 713 - Os Cavaleiros do Norte de Santa Isabel em Arganil

A 3ª. CCAV. 8423 esteve reunida a 8 de Junho, em Arganil, e do dia já aqui falámos abundantemente . relatando algumas das muitas emoções que «varreram» as almas dos Cavaleiros do Norte santaisabelianos. A gentileza do (ex-furriel) Ribeiro permite-nos, hoje, publicar a foto com as respectivas identidades.
Aqui à frente, sentados, o Armando, o Cardoso e o Eusébio (de braços cruzados). De pé, da esquerda para a direita, Deus (1), Carlos Feliciano, (alferes) Honório Campos (médico), Floro Teixeira, José Manuel Fernandes (capitão), Abílio Pimenta (cripto), Baptista, Arlindo Novo (fato e gravata), (furriel) Reino, Abílio Pimenta, (furriel) Fernandes, Vitor Novo e Friezas (11).
Fila de quatro, à esquerda: Caroço e (ex-furriéis) Carvalho, Ribeiro (de vermelho) e Querido. Os dois, do lado direito (alferes), Carlos Silva (de braços cruzados) e Francisco Pereira (Reguila). Atrás, Ramos, Teixeira, (furriel) Belo (com a mão sobre o neto), Carrilho (de azul) e José Oliveira Novo.


quarta-feira, 26 de junho de 2013

1 712 - A extinção do Destacamento de Luísa Maria...

Destacamento de Luísa Maria, em 1974: Hipólito e Viegas (atrás), Caixarias, Ezequiel e Francisco (foto de cima).  Um grupo de militares em casa de José Craveiro (foto do meio, em 1971) e oficiais a falar com Craveiro, em Outubro de 1969 (foto de baixo).



A 26 de Junho de 1974, os comandantes da Zona Militar Norte (brigadeiro Altino de Magalhães) e do Comando do Sector do Uíge (coronel tirocinado Bastos Carreiras) visitaram a 2ª. CCAV. (a de Aldeia Viçosa) e a 3ª. CCAV. 8423 (em Santa Isabel), a CCAC. 4145 (em Vista Alegre) e o Destacamento de Luísa Maria. Nem de propósito, chegaram-nos às mãos várias fotos de datas anteriores à nossa passagem por lá, mas desta guarnição - enviadas por Carlos Laranjeira Craveiro, filho de José Dias Craveiro, que lá era empregado.
José Dias Craveiro é o civil da foto de baixo, em conversa com oficiais (cujos nomes desconhecemos), sabendo-se a data: Outubro de 1969. O filho admite que a conversa teria a ver com «eventuais movimentações estranhas»
A foto do meio, mostra o sr. Herculano, recentemente falecido e que era vizinho do gerente de Luísa Maria - Eduardo Bento da Silva.
As visitas de Altino de Magalhães, sempre acompanhado pelo tenente-coronel Almeida de Brito (comandante do BCAV. 8423), destinavam-se a «estreitar relações entre a autoridade militar e administrativa», razão, de resto, que os levou a estar presentes em "todas as reuniões de mentalização" realizadas nesse mês de Junho - o mês da nossa chegada ao chão do Uíge angolano.
A 26 desse Junho, hoje se passam 39 anos, as autoridades militares foram acompanhadas pelo administrador do concelho do Dange (com sede no Quitexe), pois Altino de Magalhães (acumulando  funções) também era Governador do Distrito do Uíge.
O Destacamento de Luísa Maria foi extinto a 14 de Dezembro de 1974, quando a última guarnição recolheu à sede da 2ª. CCAV. 8423, em Aldeia Viçosa.
- EDUARDO. EDUARDO BENTO DA SILVA, gerente da Fazenda Luísa Maria, faleceu a 11 de Setembro de 2011. Faria 81 anos a 10 de Outubro desse ano, tinha um mini-mercado em Taveiro e morava em Condeixa-a-Nova. 

terça-feira, 25 de junho de 2013

1 711 - Em dia de S. João não há...guerra!!!

Aquartelamento de Zalala, nos finais da presença portuguesa (1974). José Alberto Almeida (alferes), Davide Castro Dias (capitão) e Acácio Luz (tenente, agora capitão), a 1 de Junho de 2013, em Santo Tirso


A senhora dona Maria Dulce, do alto e sabedoria dos seus 92 anos e meio, pregou um susto à família e achei-me hoje, ao princípio da tarde, no Hospital Infante D. Pedro, em Aveiro, querendo dar-lhe o conforto e o afecto que bem merece. Irregateável! Foi quem, já lá vão mais de 60 anos, me trouxe ao mundo.
Foi lá onde fui «apanhado» pelo (capitão) dr. Castro Dias que, solicitado por mim (durante a manhã), veio dar pormenores sobre a história da camisa que levou ao Quitexe, em dia de S. João de 1974, a 24 de Junho desse ano - que foi uma segunda-feira e não um domingo. Para começar, a camisola não era vermelha. Era de seda e castanha, às bolinhas!!! Castanha, às bolinhas!!! Imaginemos!!! Bem mais espalhafatosa que o que a minha memória recordava. E, nem de propósito, Castro Dias apresentou-se no Quitexe de calças bege!!! Podemos imaginar a cara de Almeida e Brito. Uiiiii!!!!...
Outros pormenores da história: 
- A fazenda de Zalala chamava-se Maria João e era propriedade de Ricardo Magalhães Gaspar - empresário popularizado pelo acrónimo RIMAGA, gente grande do Uíge, com interesses localizados em vários sectores económicos e com busto a entrada de Carmona, na rotunda que chegava do Quitexe.
- O gerente, ou gestor de negócios (dir-se-ia agora), da  fazenda (ou roça) Maria João era um genro, de nome Magalhães. Foi com ele, «rapaz da mesma idade», que Castro Dias acertou o relacionamento institucional - de tropa para civis. Disso fora incumbido por Almeida e Brito, com a promessa que viria embora quando tal conseguisse. Conseguiu, é verdade - e disso foi dar novidade na avioneta de Magalhães - em camisa de seda, castanha e às bolinhas... - mas a verdade é que por lá continuou, até à retirada final da guarnição portuguesa, a 25 de Novembro de 1974. 
- No Quitexe, foi é questionado pelo comandante: «Então, à civil?!!!...»
A que respondeu Castro Dias: «Hoje é dia de S. João, não há guerra!!!...».
Podem imaginar as gargalhadas que se soltaram pelo Quitexe sanjoanino de 1974!!!
- PS. Estas notas complementam e
corrigem os dados de ontem, por
mim citados de cor. - CV



segunda-feira, 24 de junho de 2013

1 710 - O capitão miliciano da vistosa camisa vermelha...

 Aquartelamento de Zalala «a mais rude escola de guerra». Castro Dias, a 1 de Junho de 2013, à esquerda, com outros «zalala´s»: o Famalicão, o Mota Viana, o Queirós e o Rodrigues. De barba, à direita, o Afonso Henriques, sapador da CCS


A 23 e 24 de Junho de 1974, o comandante Almeida e Brito visitou a 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala! Ao tempo, e o testemunho é do (então) capitão Castro Dias, e bem recente (de 13 de Abril deste ano), as relações com os civis europeus (gerentes) da fazenda não eram as melhores, por razões que vinham de trás.
Os contactos de Almeida e Brito (denominados de «operacionais», na História da Unidade) visariam, pois, estreitar afinidades.  
«O anterior comandante de Zalala, não ia à bola com o gerente da fazenda, que era genro do dono, nem se falavam...», contou-nos Castro Dias. Que ficou encarregado, por Almeida e Brito, de quebrar tal gelo. E assim fez.
Uns domingos depois, com as relações normalizadas, entendeu Castro Dias deslocar-se ao Quitexe, para "prestar contas"
«Fui com o genro do gerente, na avioneta dele, e aterrámos na pista, onde nos foram buscar. Apresentei-me ao comandante, com o gerente, fazendo prova da normalização institucional, bebemos e conversámos, mas, depois, chamado ao lado, não me livrei de uma chamada da atenção do comandante», narrou-nos o líder militar de Zalala.
E porquê? «Ó Castro Dias, você é militar, é sempre militar...», recordou-lhe Almeida e Brito.
Castro Dias, em domingo social e feliz por ter resolvido o «diferendo», aparecera no Quitexe vestido à civil, com uma vistosa camisa vermelha, bem domingueira, berrante e bem distante do sóbrio colorido do camuflado. E calças a condizer!
«Você nunca deixa de ser militar...», "admoestou" o comandante - que era pouco dado, muito pouco dado, a desvios das obrigações do RDM.
A insólita situação, 39 anos depois, foi (é) recordada com largos sorrisos. De ironia, prazerosos e até de saudade. Eram outros, os tempos!
Ver AQUI, dados actualizados.

domingo, 23 de junho de 2013

1 709 - O Teixeira das transmissões de Santa Isabel

O soldado Teixeira das transmissões de Santa Isabel (1974)


O Teixeira foi soldado de transmissões em Santa Isabel, na 3ª. CCVAV. 8423, a do capitão miliciano José Paulo Fernandes. Também passou pelo Quitexe - onde os santa-isabelianos foram contemporâneos da CCS de 10 de Dezembro de 1974 a 2 de Março de 1975.
«O que mais guardo do tempo da tropa é o prazer termos criado grandes amizades, grandes e bons amigos», disse ao blogue, directamente de Alverca do Ribatejo, onde reside e é empresário, com várias lojas de calçado.  
O maior susto da comissão apanhou-o a 6 de Agosto de 1975, em Viana, às portas do campo Militar do Grafanil.
«Fomos mandados parar pelas forças angolanas, que nos apontavam as armas, mas felizmente tudo se resolveu», recorda Ângelo Teixeira, embora frisando que «não foi fácil».
A viatura em que seguia era uma das últimas das mais de 700 que, desde Carmona, formavam a grande e epopeica coluna de evacuação militar e civil, que foi engrossando a cada terra que passava - o Negage, Camabatela, Samba Cajú, Vila For, Lucala, Salazar, Dondo, por aí fora.
Coluna que chegou ao Grafanil às 12,45 horas de 6 de Agosto de 1975, com milhares de civis «atrelados», mais de 570 quilómetros percorridos, numa odisseia de 58 horas e três quartos após a saída de Carmona. 
«Foi uma viagem inesquecível, por todas as razões», disse o Ângelo Teixeira.