sábado, 24 de agosto de 2013

1 772 - Holden Roberto voltou a Carmona...

Aeroporto de Carmona, de onde, a 3 de Agosto de 1975, saíram os Cavaleiros 
do Norte. E onde, a 23 do mesmo mês, chegou Holden Roberto (FNLA)

Luanda, 23 de Agosto de 1975. Passam-se 2 anos da morte de meu pai e um sobre um das noites mais dramáticas da nossa jornada africana, na pista de aviação do Quitexe - onde o PELREC «sonambulou» medos e resistiu à tentação do ataque a uma coluna de infiltrados. Das vésperas, tinha aerograma de minha mãe - que me vinha lembrar o nosso luto e desejar-me a sorte que uma mãe viúva deseja a um filho que está na guerra, onde ele imagina todos os males e tragédias do mundo. Senti, na altura, um inexplicável conforto emocional.
Tenho encontro com o Albano Resende (com conterrâneo, civil), na Portugália, a meio da manhã, e para lá me dirijo, ido de Viana. Lá costumava «matar-o-bicho», com Rebelo Carvalheira, jornalista de A Província de Angola. É nele (jornal) que leio sobre a possibilidade de uma aliança da FNLA com a UNITA, para combater o MPLA. Os movimentos liderados por Agostinho Neto e Holden Roberto contariam, segundo o jornal, com «apoio tribal de mais de 40% da população total de Angola», pelo que cada um estava interessado na aliança com a UNITA, mas esta, e cito o PA, «limitar-se-á a uma aliança militar táctica».  
Carmona, de onde saíramos menos de 3 semanas antes, raramente era notícia, mas, em Portugal, o Diário de Lisboa desse dia, titulava que «Holden Roberto chegou a Carmona num avião da Air Zaire» - acompanhado de John Eduardo, que fôra 1º. ministro do Colégio Presidencial no Governo de Transição.
Dias antes, tinha sido fotografado na Barra do Dande e não foi dada explicação sobre a sua reentrada no território angolano - coincidente com o empurramento da FNLA, pelo MPLA, «para norte do rio Dande e do Lucala, quase até Samba Caju» - como se lê na notícia do DL.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

1 771 - A fuga de funcionários públicos angolanos

Furriéis Aldeagas e Queirós (1ª. CCAV.), Cândido Pires e Luís Mosteias, 
sapadores da CCS, na baixa de Luanda, nos últimos dias de Angola


Os Cavaleiros do Norte, fazendo contas aos dias de calendário que os separavam de 8 de Setembro, dia previsto para a viagem marítima para Lisboa, iam espreitando os prazeres urbanos, desconhecidos para a maioria deles, mas que desafiavam os seus apetites mais carnais.
Os restaurantes e bares da baixa luandina era seu pouso habitual - pela Portugália, a Mutamba, o Paris Versailles, o Pólo Norte, o Amazonas, a Floresta, a ilha, a restinga, o Mussúlo e quantos outros sítios onde se matavam prazeres. O 8, o 23 e o 24, por exemplo!!! Ou o BO e o Marçal!!!
Os Estados Unidos desmentiam o envio de material de guerra para Carmona e Negage, a partir das duas bases europeias da Alemanha Federal. Em Kinshasa (Zaire), o secretário dos Negócios Estrangeiros da UNITA desmentia qualquer acordo com a FNLA, mas o Jornal de Angola desse dia 23 de Agosto de 1975 admitia que «a reunião magna da UNITA poderá decidir oficialmente uma aliança com a FNLA».
Lopo do Nascimento (foto), do MPLA, em Luanda, dava conta das suas preocupações sobre «o elevado número de funcionários nascidos e residentes em Angola que se inscreveram no quadro de adidos de Portugal». Considerava o facto como «inconveniente»  e frisava que os angolanos nessas condições «perderão automaticamente a cidadania angolana, passando a ser estrangeiros no país que tiverem escolhido».
«Pedimos a todos esses compatriotas que assumam as suas responsabilidades de angolanos, que aceitem os sacrifícios que as actuais circunstâncias impõem e que contribuem com o seu trabalho na luta contra a sabotagem económica pelo aumento da produção», disse Lopo do Nascimento, há 38 anos - no Verão de 1975.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

1 770 - Os Resende´s, o MPLA/UNITA e a FNLA...

A família Resende, em Luanda, com Viegas (segundo da direita) e capitão Domingues (à 
direita). José Bernardino (de barba), com a esposa Fátima, as filhas e o irmão Albano 



A vida de Luanda, apesar de todos os incidentes inter-movimentos, era estranhamente calma por Agosto de 1975, embora os militares portugueses, pelo menos os Cavaleiros do Norte, circulassem na cidade com extremos cuidados e sempre em grupos. Assim estvam instruídos.
Já por aqui falei, várias vezes, da família Resende (meu principal ponto de encontro em Luanda), e foi Fátima (foto) quem, em Julho de 1975, me transportou para Lisboa uma aparelhagem de som (que ainda jaz ali na minha sala) e caixas de wiskye, de que sobram ainda algumas garrafas.
O Albano, pouco mais velho que eu e (anterior) vizinho de 50 metros, aqui na aldeia, fazia-me de cicerone pela cidade de Luanda e por isso a conheci tão bem. Falávamos, obviamente, da situação, mas não se lhe notava grande preocupação sobre o amanhã. Angola seria o seu futuro. Mas não foi.
Em Luanda, a 21 de Agosto de 1975, falava-se de uma cimeira MPLA/UNITA. A FNLA, na área do Caxito, tinha avançado até perto de Quifangondo, mas recuou uns 15 quilómetros, por força do MPLA. MPLA que, a 22, dava conta de que, nesses combates, tinham sido abatidos mercenários brancos, ao serviço da FNLA. «A ser verdade - relatava o Diário de Lisboa de 22 de Agosto - tal facto vem apenas confirmar diversos boatos que falam da presença de americanos e chineses na orientação das forças da FNLA que actual naquele sector».

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

1 769 - O alferes miliciano oficial de justiça e poeta...

Alferes Ramos, oficial miliciano (em cima) e poeta (em baixo)



O alferes Ramos apresentou-se no BC12 e na 2ª. CCAV. 8423 (a de Aldeia Viçosa) em Maio de 1975. Por lá fez inventário do espólio militar da guarnição, fez 63 anos a 14 de Agosto e o facto foi evocado no blogue.
«Obrigado pela atenção! Dei uma vista de olhos pelo blogue e gostei da lembrança e de ver as fotos e o respectivo ambiente!», escreveu o agora advogado Fernando Ramos, dando conta que «na altura não presenciei a saída do Batalhão de Carmona, pois, como estava ali por castigo e não estava familiarizado com o pessoal, aproveitei a primeira oportunidade para voltar de férias para Luanda, onde aliás tinha família!».
Por Carmona e nos Cavaleiros do Norte deixou rasto... poético, na edição que assinalou o primeiro ano do BCAV. 8423 em Angola, em Junho de 1975 - como se vê na imagem.
Achado de férias em Luanda, por lá ficou, com processos disciplinares e outros!
«Era eu e um furriel, cujo nome não lembro! Nem sei se ele e os processos também eram desse nosso Batalhão ou outro», conta Fernando Ramos.
Oficial de justiça, nessa altura e para esse efeito, foi-lhe distribuído um jeep Land Rover, mas como já faltavam pneus, lembra-se «os de trás, um era maior que o outro».
Os Cavaleiros do Norte começaram a regressar a Lisboa a 8 de Setembro, mas por lá continuou o oficial de justiça e poeta. «Regressei de avião, a 22 de Outubro de 1975, e permaneci no serviço de Justiça até ao Verão de 1976, num quartel perto de Sete Rios... por aí!», contou ele ao blogue.
Gostava de reencontrar o furriel que com ele lidou na justiça. «Ao ler-se o blogue, talvez alguém se lembre de quem era esse furriel!», disse Fernando Ramos.
Quem sabe?!
- RAMOS. Fernando António Morgado Ramos, alferes miliciano atirador de cavalaria. Advogado em Vila Nova de Foz Coa, onde reside.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

1 768 - O encontro com o sô Cabrita...

Cabrita e Viegas, em 2013, em Cascais (em cima), e 1974, no Quitexe (em baixo)

É possível passar um verão sem ver o sô Cabrita? Claro que é, mas nos últimos nos tem sido inevitável achá-lo, perto da «sua» baía de Cascais - de onde sai todas as noites, mar adentro, para a faina da pesca que tem sido a sua vida. Assim aconteceu este ano!
É preciso recuar a 1974 e ao Quitexe, onde o sô Cabrita, e outros companheiros da jornada africana, por todos os santinhos queria(m) fazer a 4ª. classe, na escola de adultos, as aulas regimentais. Assim queria (o nosso companheiro Cabrita) e assim concretizou o sonho de ter diploma - que lhe era indispensável para a carta de barco.  
Já em Portugal e na sua Alvor natal fez-se ao mar e aportou a Cascais, onde tem feito vida, mai-la sua Palmira, namorada de 74 e 75, a quem eram mandadas cartas d´amor que fariam corar as mais belas e púdicas cortesãs.
Pois, neste Agosto de 2013 que corre, lá foi inevitável o encontro com o sô Cabrita, que começou regado a cerveja, pelo meio da tarde, e acabou em refastelado jantar apeixeirado e amariscado, já a noite ia adiantada. Com um telefonema, pelo meio, ao (furriel) Monteiro, apanhado em  calções na praia do Furadouro. 
O sô Cabrita está de boa saúde e mantém o jovial espírito de 1974 e 1975, sem lhe escaparem os pormenores mais ínfimos da nossa jornada angolana do Uíge. 
«Então, ó so Viegas..., e daquela vez que???!!!...», avivou ele memórias sobre os nossos dias da há 39 e 38 anos.
É este o espírito dos Cavaleiros do Norte!!!

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

1 767 - Retornados e caixotes...


Retornados de Angola à volta dos seus caixotes (fotos da net)

Angola era, por Agosto fora de 1975, uma terra regada de sangue, de Luanda para Norte, para Cabinda, para o sul, Nova Lisboa, Lobito, Benguela, para leste, para o Cunene, sabe-se lá por onde. Era um braseiro de fósforos mal apagados, uma terra de ódios ceifados a rajadas e rebentamento de granadas, morteiros e armamento pesado.   
Milhares de pessoas acamparam no aeroporto e onde calhava, à espera de uma boleia para Lisboa. Já por aqui falei das vezes que, eu mesmo, por lá procurei familiares e conterrâneos - que nunca encontrei. Era gente anónima que nada tinha a ver com a guerra que medrava e matava, mas por ela sofria. Florescia na cidade a indústria dos caixotes, nos quais os refugiados (em Portugal baptizados da retornados) acomodavam teres e haveres, em despacho para Lisboa.
Aqui, em Lisboa, a 18 de Agosto de 1975, reuniram-se os retornados na FIL; em Lisboa, em comício, com uma primeira palavra de honra: «Rosa Coutinho traidor!». Pediam «justiça para os danos que nos foram feitos» e reclamavam o regresso de Silva Cardoso a Angola - o general que era Alto Comissário.
O Instituto de Apoio aos Retornados Nacionais (IARN) abria uma delegação em Luanda, para coordenar as actividades programadas e previa que, até 31 de Outubro, as acções de retorno fariam chegar a Lisboa 300 000 mil portugueses residentes em Angola. Ou até 350 000!
Os caixotes, esses viram num programa de transporte por via marítima que previa 170 000 metros cúbicos de carga pertencente aos retornados.
De Angola, em vermelho de sangue e de ódios e raivas, chegava ao Tejo gente mártir, útil, trabalhadora, criadora, branca, negra, mestiça, de todas as cores , com uma mão adianta e outra atrás, ambas com nada.
Os Cavaleiros do Norte preparavam malas para o Niassa. Que zarparia a 8 de Setembro de 1975

domingo, 18 de agosto de 2013

1 766 - FNLA tentou reentrar em Luanda...

Holden Roberto, presidente da FNLA, em 1975, a 32 quilómetros 
de Luanda, na Barra do Dande (data desconhecida, foto da net)

A 18 de Agosto de 1975, os Cavaleiros do Norte continua aquartelados no Batalhão de Intendência de Angola, no Campo Militar do Grafanil, e sabe-se que será de lá que partirão para Lisboa, no navio «Niassa». A 8 de Setembro. Mas viria a ser de avião.
Luanda digere a manifestação da véspera, da União Nacional dos Trabalhadores de Angola )»UNTA), em frente ao Palácio do Governo, apoiando as medidas de nacionalização da banca, anunciadas por Rui  Monteiro - o ministro do Planeamento e Finanças. Ostentam cartazes: «Nada contra o povo, tudo pelo povo?, ou «Produção é uma forma de luta», ou «Produzir é resistir». 
O ministro garante-lhes que «havemos de libertar todas as zonas ocupadas pelo inimigo do povo» e manda um recado às Forças Armadas Portuguesas: «É bom que nós digamos aqui, aos soldados portugueses, que a nossa luta é igual à deles, em Portugal. Se eles são filhos do povo, têm de estar ao lado de todas as revoluções e de todas as lutas dos povos progressistas».
O território angolano continuava a ser terra de sangue.
A FNLA, citamos do DL, «retomou a sua posição anterior, limitada pelo rio Dande», depois de «mais uma tentativa gorada de entrada das suas forças, através do Caxito e da Barra do Dande», em Luanda. O seu exército, o ELNA, reconquistara Lucala, localidade por onde os Cavaleiros do Norte tinham passado dias antes e era estratégica na ligação de Luanda a Henrique de Carvalho, entre Salazar e Malange. «Aí, travaram-se violentos combates, que ainda não terminaram, porque a FNLA mostra intenções de avançar  em direcção a Salazar, que há mais de um mês ficou na posse do seu rival», relata o DL.  E tenta retomar o Lobito.
Há problemas com colunas de deslocados, no Luso (de onde as forças portuguesas começaram a retirar), Quando-Cubango, Nova Lisboa e Cela. Eu, em Luanda, procurava familiares de Nova Lisboa e Gabela, que suponha estarem no aeroporto. Nunca os encontrei, seguiram outros caminhos.

sábado, 17 de agosto de 2013

1 765 - O reencontro com o 1º. cabo Soares

Viegas e Soares no Laranjeiro (Almada), em Agosto de 2013, em cima. 
Soares (sublinhado a amarelo) e Viegas em 1974, no Quitexe, integrando o PELREC

Vinha eu a entrar em Lisboa, numa fila imensa de chegada à Ponte 25 de Abril, quando dei por uma placa que me sugeriu o Laranjeiro. No Laranjeiro mora o Soares, pelo que... nada melhor que procurá-lo. Não foi difícil chegar à rua e muito menos achá-lo. Estava a bebericar com uns amigos, a petiscar, a matar o tempo. Foi um ex-PSP de Carmona que me fez chegar a ele e, pondo-me na frente dele, não é que o Soares me reconheceu logo?
«O meu furriel Viegas!!!!...».
Exultem e exclamem a expressão com todos os decibéis e imaginem o Soares a saltar da cadeira, como que empurrado por uma mola, a pendurar-se num abraço enorme e a esfregar as mãos de felicidade. Foi assim que nos reencontrámos, abrindo conversa para um mar de recordações. E de emoções!!
Isto foi a 12 de Agosto de 2013! 
Há 35 anos e por estes dias, os Cavaleiros do Norte matavam dias do calendário, em Luanda, aquartelados no Campo Militar do Grafanil, à espera de 8 de Setembro - o dia do regresso a Portugal. 
A 16, ouvia-se por Luanda que o MPLA tinha afastado a UNITA e a FNLA do Lobito. Em Lisboa, o Presidente da República reuniu com os Chefes de Estado Maior do Exército e da Marinha, para «analisar a situação em Angola». Na véspera, o problema já tinha sido analisada com membros do Gabinete de Angola da Comissão Nacional de Descolonização, o vice-primeiro ministro (tenente coronel Arnão Metelo), o ministro dos Negócios Estrangeiros (Mário Ruivo) e o ministro da Economia do Governo de Transição de Angola, o português Vasco Vieira de Almeida - que se deslocou a Lisboa para «dar conta da gravíssima situação económica daquele território».
- SOARES. Fernando Manuel Soares, 1º. cabo de reconhecimento e informação, do PELREC da CCS o BCAV. 8423. Aposentado, mora no Laranjeiro (Almada), no 1º. andar do prédio que se vê na foto de cima.


sexta-feira, 16 de agosto de 2013

1 764 - FNLA prepara(va) ataque aéreo a Luanda?

Base aérea do Negage, no tempo da presença
 portuguesa (em cima). Capa do Diário de Lisboa (em baixo)



Agosto de 1975, dia 16. Luanda ferve de boatos e, sabe-se lá com que fundamento, vai correndo a notícia de que a FNLA prepara um ataque à cidade, a partir do norte, de Carmona (de onde dias antes tinham saído os Cavaleiros do 8423) e da base aérea do Negage.
O Diário de Lisboa chama a operação ao alto da sua primeira página e dá conta que «diversas fontes assinalam já há alguns dias, a presença de aeronaves estrangeiras fazendo escala» onde existia a base aérea portuguesa, «a qual foi recentemente abandonadas, após a retirada das FAP daquela região». E contava, ainda segundo o DL, que entre os aviões que escala(va)m o Negage, encontrar-se-iam alguns Skymaster, que «estariam a proceder ao transporte de material de guerra para a FNLA», dando-se igualmente como «certa a presença, também, de caças-bombardeiros, naquele aeroporto».
Os observadores «mais alarmistas» previam mesmo «um iminente ataque a Luanda ou, pelo menos, o apoio aéreo a uma possível tentativa para fazer avançar, a partir do Caxito, as forças da FNLA que ali se encontram numa situação de impasse,  há mais de um mês».   
Agostinho Neto, em Luanda, confirmava a possibilidade de o MPLA declarar unilateralmente a independência e o seu bureau político reagiu à decisão de o alto comissário interino continuar no governo - abandonado pelos ministros da FNLA e da UNITA. De Lisboa chegava o Comandante Contreiras, do Conselho da Revolução, aparentemente, para conversações com os órgãos responsáveis». Outros rumores chegavam de Lisboa, como o do Alto comissário Silva Cardoso não voltar a Luanda e, cito do DL, «até de certos postos de comando militar virem a ser substituídos».

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

1 763 - Pinto´s, Eusébio e Nogueira em dia de anos...

Pinto e Eusébio (1ª. CCAV. 8423, em cima), Nogueira da Costa, do Liberato, em baixo, à esquerda (com Viegas e Oliveira) e Pinto, da CCS (foto isolada). Aniversariantes de 15 de Agosto



Há pelo menos 4 Cavaleiros do Norte a festejar anos, neste 15 de Agosto de 2013: o Manuel Pinto e o Eusébio, que furrielaram por Zalala (na 1ª. CCAV. 8423), o Nogueira da Costa (que foi condutor da Companhia do Liberato) e o Pinto, atirador da CCS, no PELREC.
O Pinto zalaliano é frequentador deste espaço e sabemos que vive nas suas 7 quintas de Paredes, onde se dedica ao «vício» dos automóveis. É, de todos, quem mais tempo de tropa partilhou comigo, pois fomos contemporâneos do 2º. curso de Operações Especiais (os Rangers) de 1973, em Lamego. Ei, ó Pinto, já lá vão 40 anos, pá!!!
O Eusébio vive na sua Belmonte, aposentado do funcionalismo público e em maré de se transformar em pequeno empresário de restauração e artesanato. Foi furriel miliciano atirador de Cavalaria, formado na Escola Prática, em Santarém.
O Nogueira da Costa nasceu em Tomar, em 1951, foi bebé para Angola e lá integrou a Companhia de Caçadores - a última guarnição do Liberato. A companhia angolana (com quadros europeus) que se revoltou e quis invadir Carmona. Aposentado da Carris, divide o seu tempo entre Tomar e Lisboa - onde moram os filhos.
O Pinto, foi atirador do PELREC e dele sei que vive em Corroios.
Todos eles hoje de parabéns! Que para eles vão, com grandes abraços. 

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

1 762 - Luanda, meados de Agosto de 1975

Viana, em Angola . A estação dos Correios (foto pós-75)
Luanda, 14 Agosto de 1975. Vamos em meados o mês e cada dia é riscado no calendário dos Cavaleiros do Norte. Sabe-se que a partida (o regresso a nossas casas) será no princípio de Setembro. 
Os três furriéis «rangers» da CCS - o Monteiro, o Neto e eu (Viegas) - estão «aquartelados» na casa de Manuel Cruz, um empresário de Águeda, com fábrica na zona industrial de Viana.
Dali partem, para o Grafanil, para os serviços de ordem. Ou para Luanda, beijar a cidade e os sítios de lazer e dos prazeres que se chamam ao desejo de jovens dos 22 para 23 anos.
Por essa altura, foi conhecida uma beldade de Viana, na Estação dos Correios - ver AQUI - que muitos sonhos e desejos suscitou ao trio. Outras histórias.
Luanda vivia de incertezas, numa calma regularmente perturbada. Faltava a gasolina e era vulgar encontrar intermináveis bichas nas bombas, para se comprarem 10 litros. Bichas, viam-se também às portas dos bancos, para levantar dinheiro - o que se tornou mais difícil a partir do momento em que o ministro das Finanças, Syr Mingas, decretou condicionamentos.
A 14 de Agosto, a UNITA não tinha um único elemento em Luanda e a FNLA apenas tinha dois representantes: Samuel Abrigada e Graça Tavares.
O MPLA teria sido convidado a abandonar a capital, para ali criar uma zona de paz e melhor se poderem receber os refugiados de todo o território angolano, mas o movimento de Agostinho Neto opôs-se a tal, alegando que FNLA e UNITA dominavam outras cidades e tal não lhes era exigido.
Lobito, Benguela e Nova Lisboa eram cenário de duros combates. A FNLA e a UNITA, juntas, obrigaram as FAPLA´s a refigiarem-se nos quartéis portugueses, no Lobito. Em Nova Lisboa, é o contrário: domina o MPLA. O mesmo MPLA que, em Benguela, expulsa a UNITA. Assim ia Angola!

terça-feira, 13 de agosto de 2013

1 761 - A FNLA à volta da capital...

A messe de sargentos ficava na avenida dos Combatentes, em Luanda, num destes prédios (que já não conseguimos identificar), e lá fomos nós, a 3 de Agosto de 1975. Menos bem recebidos, pela classe que por lá se entediava e folgava vícios, sem cuidar saber das agruras e problemas que outras guarnições tinham pelo resto do território. E com isso nada se preocupar.
Éramos, para esses «residentes», uns verdadeiros ET´s, uns contra-revolucionários, fascistas e colonialistas - léxicos muitos estranhos ao nosso conhecimento de então. Mas que, bem percebíamos, eram para nos ofender.
Os Cavaleiros do Norte eram o último batalhão, em Angola, com formação militar anterior ao 25 de Abril e apontados, a dedo, como sendo colonialistas e todos os «istas» revolucionários da época. Todos estranhos à nossa disciplina. 
A retirada das tropas da FNLA e da UNITA, com o MPLA a controlar a capital, digamos que (olhando agora) marcou o colapso do Governo da Transição - Governo tripartido, envolvendo os três movimentos, para além dos representantes de Portugal. Governo que deveria conduzir Angola até à declaração de independência, marcada para 11 de Novembro.
Um despacho noticioso de Luanda, datado de 13 de Agosto e publicado no Diário de Lisboa, refere que «fontes militares portuguesas estacionadas em Luanda afirmaram que o MPLA mantém o controlo total da cidade e que o seu presidente, dr. Agostinho Neto, está agora em posição que lhe permite assumir o poder total do Governo central e declarar unilateralmente a independência»
Mas, havia alguns... mas. O mesmo despacho noticioso também sublinhava que «as forças da FNLA dispuseram-se em torno da capital, a fim de pressionar o movimento rival a fazer concessões políticas». Só que os mesmos círculos militares também indicavam que «não é ainda previsível um contra-ataque deste movimento».
Angola fervia!

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

1 760 - Dias de Luanda em Agosto de 1975...

Carlos Sucena e Gilberto Marques (dois amigos 
e Águeda), Viegas e Neto na casa da Viana, em Agosto de 1975

Os Cavaleiros do Norte chegaram a Luanda e mandou a regra que cada quadro se desenrascasse. Falamos das classes de sargentos e oficiais, sem sítio, no Batalhão de Intendência, onde pudéssemos acomodar os ossos. Cada qual teve de se desenrascar. 
Eu, o Neto e o Monteiro fomos «parar» a casa de Manuel Cruz, um empresário aguedense (amigo do Neto e que tinha deixado chave a Gilberto Marques), em Viana. Por lá ficámos até 7 de Setembro.
Os praças (soldados e cabos) arrancharam no Grafanil e cada qual, como podia, tinha as suas retiradas estratégicas para a Luanda - para a noite e a folia.
Os três movimentos de libertação - MPLA, FNLA e UNITA - continuavam a travar combates, um pouco por toda a Angola, procurando, cada qual, estabelecer controlos territoriais. 
O Diário de Lisboa de 12 de Agosto de 1975 dá conta que «mantêm-se, entretanto, as posições dos três exércitos: a FNLA, assistida pelo Zaire, está bem instalada no norte; o MPLA maioritário no centro e na costa ocidental; a UNITA, que parece aliar-se cada vez mais à FNLA, predomina no sul».
Luanda por este dia, era terra de calma. Os últimos efectivos da FNLA tinham sido retirados e o MPLA, citamos o DL, «mantém firmemente as suas posições na capita angolana». A UNITA já retirara da cidade e a 11 de Agosto, «apenas um funcionário se mantinha», mas «prestes a retirar para Nova Lisboa».
A FNLA pediu apoio das Forças Armadas Portuguesas para concluir a retirada de Luanda - o que foi  feito por via marítima. 
A notícia do DL dá conta que «começa a faltar o café, a gasolina e o tabaco, mas a vida continua a decorrer normalmente, ao passo que, no sul, a água se torna rara, a carne é difícil de encontrar e o pão inexistente».
«Ainda não se atingiu, em Luanda, o nível de alarme no capítulo do abastecimento alimentar, ao contrário do que se verifica nalgumas localidades do interior», escrevia o DL. Nós testemunhamos coisa contrária: havia falta de alimentação na cidade. Corríamos restaurantes para comer e nem sempre conseguíamos.
Estávamos por nossa conta. Deixámos de ter direito a elementar comida diária, no quartel.

domingo, 11 de agosto de 2013

1 759 - O Governo de Angola não funcionava...

Presidentes Holden Roberto (FNLA), Agostinho Neto (MPLA) e Jonas 
Savimbi (UNITA). Vasco Vieira de Almeida, ministro do Governo de Transição (em baixo)


O Governo de Transição de Angola não funcionava e era Vasco Vieira de Almeida (ao lado, no DL), ministro da Economia indicado pelo Governo de Portugal, quem isso reconhecia a 11 de Agosto de 1975, ao declarar «não saber» se a acção envolvendo os ministros da FNLA evacuados de Luanda, por tropas portuguesas, significaria  a sua queda.
As violentas confrontações de sábado anterior (dia 9), por detrás do Palácio do Governo - perto do seu gabinete, mas sem o atingir -, levaram à evacuação dos soldados da FNLA e especulava-se, ao tempo, sobre a possibilidade de as autoridades portuguesas tentarem retirar da capital as tropas dos três movimentos e declararem Luanda como zona desmilitarizada - numa altura em que o MPLA quase por completo dominava a cidade e, citando a France Press, o presidente Agostinho Neto, admitia a declaração unilateral da independência antes de 11 de Novembro - a data prevista pelo acordo do Alvor.
«Nunca se sabe, é uma hipótese. Tudo depende do comportamento das forças em presença», disse Agostinho Neto. Isto, enquanto o presidente Holden Roberto (FNLA) procura encontrar-se com Valery Giscard D´Estaing (presidente francês, no Zaire mas sem tal conseguir) e Jonas Savimbi viajava para a Tanzânia, para conversações com o presidente Julius Nyeirere.
Os Cavaleiros do Norte, no CampoMiliatr do Grafanil, faziam serviços de rotina e, cada qual como podia, «espraiava-se» por Luanda, buscando os prazeres da idade pela baixa, pelos restaurantes e bares e casas de diversão, praia e outros lugares de prazer da capital. 
Luanda, aonde chegavam milhares e milhares de pessoas em trânsito para Lisboa, na célebre ponte aérea, estava, entretanto ameaçada por outra guerra: a da fome. «Paira sobre Luanda o espectro da fome. Começam a rarear os combustíveis e a comida e não tem chegado reabastecimentos», noticiava o Diário de Lisboa, em despacho da capital de Angola.

sábado, 10 de agosto de 2013

1 758 - O comando da coluna de Carmona para Luanda

Almeida e Brito, segundo a contar da esquerda, com 
o furriel Reino, o soldado clarim Mendes e o capitão Falcão 

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ANTÓNIO A. GUEDES
Texto

A companhia de paraquedistas  fechava a coluna que, de Carmona, a capital do Uíge, arrancou para Luanda a 4 de Agosto de 1975. Logo, não poderia deixar ninguém para trás. Era essa a sua missão.
A missão dos grupos militares, aliás, estava perfeitamente definida: Companhia de Comandos a abrir e Companhia de Paraquedistas a fechar. A 2ª. e a 3ª. Companhias do BCAV. 8423 foram estrategicamente distribuídas pela coluna. 
O comando pertencia ao comandante do BCAV. 8423, tenente coronel Almeida e Brito, e, certamente, dada a envergadura e sensibilidade da operação em curso, a coordenação foi eficaz, pois chegámos todos a bom porto. 
Julgo que não devemos misturar o que se passou na cidade, em Carmona - eu também retenho algumas imagens menos próprias... -, com o decurso da operação Carmona/Luanda.
Operação cheia de riscos, muitas contrariedades, mas resolvida com êxito. 
E quero aqui frisar que qualquer negociação, se é que assim podemos designar os diálogos que aconteceram ao longo do percurso e com as várias forças dos movimentos, tiveram sempre a intervenção do Comandante do BCAV. 8423, comandante e responsável pela coluna. A última decisão seria sempre sua.
Todos sabemos em que mares navegavam as forças militares, na altura. Mas este Batalhão de Cavalaria - o 8423, os Cavaleiros do Norte! - graças a um brilhante exercício de Comando, manteve-se sempre coeso e disciplinado e, consequentemente, firme e hirto. 
Deu provas disso no terreno. 
Mesmo nos momentos em que se esqueceram que aquela força militar se encontrava no norte de Angola.
ANTÓNIO A. GUEDES
Furriel miliciano da 2ª. CCAV. 8423

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

1 757 - UNITA e FNLA para fora de Luanda


Capa do Diário de Lisboa de 9 de Agosto de 1975

Luanda, a 9 de Agosto de 1975, acordou com «violento tiroteio de armas ligeiras e pesadas, à medida que se generalizava uma ofensiva desencadeada pelo MPLA, com intenção de desalojar os últimos militares e políticos da FNLA, que se encontravam instalados no luxuoso Bairro do Saneamento, por detrás do Palácio do Governo».
O bairro era, recordo da leitura do Diário de Lisboa desse dia, que cito, «o último reduto da FNLA na cidade», com o Forte de S. Pedro da Barra. Na véspera, para Lisboa, partira Paulo Jorge, do MPLA, para «manifestar desagrado pela presença da FNLA no Governo de Transição» - aliás, «um Governo inoperante», como era reconhecido pelo Alto-Comissário Interino, general Ferreira de Macedo - a substituir Silva Cardoso, chamado a Lisboa.
O mesmo dia 9 de Agosto, há precisamente 38 anos, era tempo para «a retirada total das forças da UNITA, que se dirigiram para o Lobito e Nova Lisboa». Em Luanda, ficaram apenas os seus dirigentes políticos. 
Ao tempo, e leio agora no Livro da Unidade, os Cavaleiros do Norte, estacionados no Grafanil, estavam como «unidade de reserva da RMA», depois de «um curto período de repouso, o arranjo de viaturas e ocupar de novas instalações».
Um das suas raras intervenções terá sido no Bairro do Saneamento, onde «acudiu» a uma companhia portuguesa, recém-chegada de Lisboa e entalada entre fogos do MPLA e da FNLA. Uma estreia marcante para estes homens. De tal forma, que completo o batalhão, quiseram de imediato regressar a Portugal. Mas por lá ficaram, julgo que até à independência.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

1 756 - Os dias de Agosto dos Cavaleiros do Norte...

Luanda à noite, em foto de Jorge Oliveira (1974). Notícia do Diário de Lisboa, sobre a Luanda de 8 de Agosto de 1975



A 7 de Agosto de 1975, forças do MPLA expulsaram 300 militantes da FNLA de Luanda. «Foram neutralizados e evacuados», noticiava a Reuter, citando Iko Carreira, membro da Junta Política do movimento liderado por Agostinho Neto.
Os «fnla´s», segundo Iko Careira, que falava em Brazaville, «tinham sido introduzidos na capital angolana com o objectivo de ocuparem o poder, pela força, iniciando essa operação com o domínio de pontos estratégicos». Mas, sublinhava o dirigente do MPLA, «a tomada eventual da capital, por soldados da FNLA, como anuncia determinada imprensa, não se registará, porque nós vamos opor ao invasor a resistência popular generalizada».
Era nesta Luanda que os Cavaleiros do Norte faziam o seu dia-a-dia, restringidos ao espaço que fora do Batalhão de Intendência, no Grafanil, vindos do ferro e fogo de Carmona e do Uíge. Uíge e Zaire, províncias do norte de Angola, que, disse Iko Carreira na mesma conferência de imprensa em Brazaville, «foram invadidas por forças da FNLA».  
Por mim, nos tempos livres das obrigações militares, folgava e procurava familiares e amigos na imensa capital angolana. Ora nas suas residências, ora no aeroporto - quando nelas não os encontrava. Desses (não) achamentos ia dando conta, por aerograma, a minha mãe - que fazia de intermediária dos familiares que, em Portugal, deles queriam notícias. Não eram fáceis as comunicações daquele tempo. Nada que tenha a ver com o que hoje é instantâneo, desde que tenhamos um telemóvel na mão.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

1 755 - A horta biológica dos Cavaleiros do Norte

Emblema do Batalhão de Intendência, no Grafanil (em cima), e monumento ao Soldado Português, no mesmo campo militar dos arredores de Luanda (em baixo). Fotos de Jorge Oliveira



Luanda, 7 de Agosto de 1975. É uma 5ª.-feira e, chegados na véspera, os Cavaleiros do Norte tinham já dormido sobre o cansaço e «assentado» no Batalhão de Intendência que, como melhor se pôde, foi higienizado por quem lá chegou a 3, domingo anterior.
«O sítio onde era o refeitório, com restos da última refeição de quem de lá tinha partido. Cozinharam, comeram e depois f..., nós vamos para o puto, quem vier que lave a loiça. Tinha de ser limpo e foi o que fizemos, pois iria continuar a ser o refeitório», relata o Rodrigues, lembrando a nossa chegada ao Grafanil - no dia 3 de Agosto. Para dar ideia de como estavam as instalações, limpas entre os dias 4 e 5.
«Atrelados de unimogs foram carregados à pá, com o lixo todo que lá ficou, até cogumelos já tinham nascido nos restos da comida», evoca o Rodrigues, considerando que tal «hoje, seria considerada uma horta biológica», mas que «limpar aquilo tudo, lavar tachos e panelas, pratos e companhia limitada, foi trabalho que não podíamos deixar de fazer»
Os Cavaleiros do Norte da coluna de Carmona chegaram a 6 de Agosto e «aquilo já estava em condições de o pessoal comer, embora a comida fosse pouca, limitada ao que tínhamos», como lembra o Rodrigues e eu confirmo. 
Ninguém comeu ração de combate - a pior coisa que lhes poderia acontecer, depois dos quase três dias de coluna. «Penso que, mesmo no centro de Luanda, a comida era restrita», relata o Rodrigues. Era mesmo.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

1 754 - A chegada dos Cavaleiros do Norte ao Grafanil


Militares do BCAV. 8423 na coluna de Carmona para Luanda

Os Cavaleiros do Norte chegaram ao Grafanil pelas 12 horas de 6 de Agosto de 1975, após 570 quilómetros de problemas e 58,45 horas depois da saída de Carmona, «trazendo entre 700 e 800 viaturas», que demoraram 45 minutos a escoar. A coluna fora sobrevoada por dois aviões FIAT e um heli (com uma reportagem da BBC), antes de passar em Catete - a poucos quilómetros do Grafanil.
«Terminou, assim, a odisseia de milhares de civis que, à chegada a Luanda, choraram por se sentirem salvos», relata o Livro da Unidade.
O Diário Lisboa, na edição de 7 de Agosto e referindo-se à véspera, noticia, em despacho de Luanda e citando a 5ª. Divisão do EMGFA, que «chegou a esta cidade a coluna vinda de Carmona e Negage (...), constituída por 650 viaturas civis, que transportavam cerca de 3000 pessoas». Viaturas militares eram150, refere a nota, que «transportavam a escolta ida de Luanda, para proteger a coluna no regresso a esta cidade, e também as as forças do batalhão que não tinham sido evacuadas por via aérea».
Luanda, a 6 de Agosto de 1975, acordou com «alguns rebentamentos esporádicos na zona da Petrangol»
A FNLA, no mesmo dia e em Benguela, acordou em retirar da cidade - após o cessar-fogo com o MPLA. Já tinham sido acordados dois, ambos quebrados. O mesmo (cessar-fogo) acontecera  em Malanje e Lobito, na véspera. Menos pacíficas estavam as coisas no Caxito, a apenas 60 quilómetros de Luanda, onde se registaram recontros entre os dois movimentos - que «utilizaram blindados e morteiros, numa guerra tradicional de posição».

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

1 753 - A 5ª. Divisão fala dos Cavaleiros do Norte

Militares portugueses com civis, na coluna de Carmona para Luanda: NN, 
1º. cabo Mendes, M. Deus (3ª.), soldado Santos e furriel Guedes, todos da 2ª. CCAV. 8423


A 5 de Agosto de 1975, a coluna militar saída de Carmona, «agora com  cerca de 700 viaturas», dirigiu-se de Samba Caju (onde pernoitou e de onde saiu às 6,30 horas) para Vila Flor, onde chegou por volta das 11 e onde se juntaram mais viaturas de civis. Estava-se a entrar em «terra de ninguém» - passagem da zona de influência da FNLA (as províncias do Uíge, de onde vinham os Cavaleiros do Norte, e do Zaire) para a do MPLA.
Em Luanda, a 5ª. Divisão do Estado Maior General das Forças Armadas, em comunicado das 19 horas, dá conta que na capital e na zona do Caxito «a situação não se alterou». E finalmente fala do BCAV. 8423, referindo que «em cumprimento do plano de retracção do dispositivo das Forças Armadas Portuguesas, foram retiradas as nossas tropas» de Carmona e do Negage.
O comunicado frisa que «como é habitual, grande parte da população civil acompanha a tropa portuguesa».
«A coluna, constituída por centenas de viaturas e que se estende por vários quilómetros, saiu ontem de Carmona e do Negage. Aguarda-se a sua chegada amanhã, a Luanda. Serão fornecidos, oportunamente, os elementos concretos sobre esta coluna», referia o comunicado.
Um despacho da Reuter dá conta de combates em Cabinda, entre o MPLA e a FNLA, com morteiros e armas automáticas.

domingo, 4 de agosto de 2013

1 752 - Adeus a Carmona, manifestações e tiros em Luanda

Fila para comprar bilhetes na TAP em Luanda (Foto 
de  «A Vertigem da Descolonização», do general Gonçalves Ribeiro

A 4 de Agosto, pelas duas horas da madrugada, toda a máquina do BCAV. 8423 se pôs em movimento, para o arranque, às cinco da manhã - de Carmona para Luanda. Mas «a incomprensão dos civis gerou o primeiro problema com a FNLA», que não os quis deixar sair da cidade, bloqueando-os na saída para o Negage. 
Foi o primeiro dos muitos problemas que a coluna militar dos Cavaleiros do Norte viria a ter, até às 12,45 horas de 6 de Agosto, quando chegou ao Grafanil - felizmente sem baixas. Já por aqui, em postagens destas datas de anos anteriores, reportámos essa epopeia. 
A CCS e a 1ª. CCAV., no Grafanil, faziam a limpeza dos espaço reservado ao BCAV. 8423 - o do Batalhão de Intendência. Passando na cidade, eram notóriaS as bichas, de centenas de metros e à porta das agências de viagem, à procura de bilhetes para Lisboa. 
«Milhares de colonos portugueses manifestaram-se hoje na capital angolana, pedindo o aceleramento da ponte aérea, que deve a evacuar para Lisboa até 300 000 brancos, antes da independência», noticiava o Diário de Lisboa de 5 de Agosto, reportando-se à véspera. 
Nesta, ainda segundo o DL, «3000 a 4000 colonos concentraram-se num bairro residencial, empunhando cartazes em que se lia «povo americano, povo inglês, queremos ir embora». Depois, acrescenta o jornal, «a maior parte deles desfilou até ao consulado dos Estados Unidos, onde uma delegação solicitou auxílio para o seu repatriamento»
A France Press, por seu lado, dá conta (no mesmo dia) que «segundo números oficiais, será preciso evacuar mais de 500 000 pessoas» e assinala contactos dos populares também com os consulados de França, Itália, Bélgica e Brasil.
O recolher obrigatório mantinha-se na cidade, a partir das 21 horas e, segundo a Comissão Coordenadora do MFA, em Luanda, as patrulhas portuguesas dispararam sobre viaturas que não pararam nas barreiras de controle. Uma patrulha portuguesa foi alvejada.
Silva Cardoso, chamado Lisboa, afirmou que «já não acredito nos homens, principalmente nos políticos».
"Estou cansado da mentira, das falsas promessas, das atitudes de fachada. Venho cansado da miséria, de ver a miséria, de ver o ódio. Cansado de ver o desespero. Venho cansado do egoísmo, da crueldade e da ambição desmedida», disse o alto-comissário.
Otelo Saraiva de Carvalho, também de regresso a Lisboa, apontava o capitalismo como o grande inimigo de Angola e da revolução portuguesa. «Portugal ainda pode vir a sofrer o ataque cerrado à revolução e ao MFA, que o capitalismo internacional está a desencadear em Angola, que está já a sofrer e a sofrer com amargura», disse Otelo Saraiva de Carvalho, há precisamente 38 anos. Ele, a a falar em Lisboa e os Cavaleiros do Norte na epopeica marcha para Luanda.
Ver AQUI e postagens seguintes

sábado, 3 de agosto de 2013

1 751 - A chegada ao Grafanil, 3 de Agosto de 1975...


Monumento ao Soldado Português, no Grafanil (em cima) e entrada do Campo Militar


Agosto de 1975, dia 3. Um domingo! Duas levas de um DC6 e dois Nordatlas, transportaram a CCS e a 1ª. CCAV. 8423, de Carmona para Luanda, de aeroporto para aeroporto. Depois, em berliets, para o Campo Militar do Grafanil, onde ocupam o Batalhão de Intendência. Abandonado e sujo! Sem comida para os (mais ou menos) 300 homens que chegam. É a primeira etapa da saída definitiva das NT de Carmona e do Uíge.
Manda a tropa desenrascar e cada qual desenrascou-se como pôde. Parte dos furriéis foi parar à messe de sargentos de Luanda, na avenida dos Combatentes -onde fomos recebidos como extra-terrestres, entre exclamações e perguntas: «São vocês o batalhão de Carmona?». O do «cavaleiro branco», assim era conhecido o comandante Almeida e Brito. Éramos já o último batalhão, em Angola, com formação militar pré-25 de Abril. Disciplinado, sem baldas!!! Não entendíamos a forma como se «vestiam» os militares que achámos por Luanda, mal uniformizados, desabotoados, misturando roupa civil, de chinelos, mal aparentados!
O comunicado da 5ª. Divisão  do Estado Maior General das Forças Armadas, em Lisboa, dava conta que «a situação em Luanda está absolutamente estacionária».Mas falava do conflito estendido a Benguela e Lobito, onde «é a primeira vez que alastra àquela zona». Do BCAV. 8423, nem uma linha. E estava em plena operação de retirada de Carmona.
Fala, isso sim, do «estado psicológico das populações branca e negra», nomeadamente em Luanda, que considera «francamente mau», e regista que «neste momento é tremendamente difícil, senão impossível, conseguir que as pessoas tenham estabilidade para se manterem em Angola».
A onda de violência que se espalhava por Angola, levou a 5ª. Divisão a, no seu comunicado de 3 de Agosto de 1975, falar em «saques, roubo, violações, toda uma onda de violência que temos tentado controlar o mais possível, tendo-o efectivamente conseguido em determinados locais, nomeadamente em Luanda».  Mas, acrescenta o comunicado das 19 horas de 3 de Agosto, «há outros locais onde a nossa tropa já não está e,  portanto, quando lá chega, já essas acções de verificaram, condicionando, assim, uma instablidade muito grande».
«As populações estão tremendamente traumatizadas, pelo que se afigura extremamente difícil que continuem aqui», frisava a 5ª. Divisão, admitindo que «neste momento, poderemos encarar a hipótese de haver pelos menos 250 000 pessoas que regressam a Portugal» - através de uma ponte aérea.
A noite de Luanda, soubemos depois, foi tempo para «intenso tiroteio, em pleno centro, pouco depois das 22 horas» - uma situação imediatamente controlada pela Polícia e Exército portugueses. Foi neste quadro e neste dia que, há precisamente 38 anos, chegámos a Luanda.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

1 750 - Dia de véspera do adeus a Carmona...

O PELREC, no Quitexe, 1974. Foi e regressou sem baixas. Felizmente!

A 2 de Agosto de 1975, hoje se passam 38 anos, véspera do nosso adeus definitivo a Carmona, cirandei pela cidade, com o Neto e outros, no tempo que sobrou das nossas obrigações militares. A guarnição, principalmente concentrada no BC12, estava tranquila, serena, ansiosa. 
Fiz a minha revisão dos 14 meses que, até aí, me tinham transportado ao chão uíjano, por terras de Quitexe e Carmona, com saltos a outras localidades - aonde nos mandou a jornada angolana. Senti uma enorme tranquilidade, uma imensa paz - emoções que foram partilhadas com os companheiros mais próximos, os furriéis milicianos e os bravos e sempre solidários companheiros do PELREC (foto).
Ao outro dia, 3 de Agosto de 1975, vamos para uma Luanda onde, nessa mesma tarde (soube-se depois), tinham sido feitos disparos contra os emissores da Base Aérea nº. 9. Descolaram dois helicópteros, para o que desse e viesse, mas não chegaram a actuar. 
A comissão coordenadora do MFA esteve reunida todo o dia. Carlos Fabião e Otelo Saraiva de Carvalho estavam na capital angolana desde finais de Julho e lá chegou o brigadeiro Sacramento Marques, com mandato do Conselho da Revolução. E falava-se na saída do alto-comissário, o general Silva Cardoso.
A 5ª. Divisão, em Lisboa, dá conta, na véspera (dia 1 de Agosto), que «as acções de fogo parece não terem atingido as proporções dos dois últimos dias», com Luanda e Caxito sem «modificações visíveis». Mas assinala «acções de fogo na Quibala e Gabela, onde a situação se agravou esta manhã». Na Gabela, estavam os meus familiares Cecília e Mário (irmãos) e os conterrâneos Clemente e Anacleto, com as respectivas famílias.
Malanje continua a ser palco de acções de fogo, «embora sem o volume dos últimos dias», mas «a situação da cidade é muito crítica, face à falta de água e as riscos de epidemia», devido à existência de muitos cadáveres não sepultados. Também há notícias de cadáveres abandonados nas ruas de Luanda.
Carlos Fabião, na capital, a 31 de Agosto, diz que «não seria permitida à FNLA a ocupação de Luanda», o que, em Carmona, irrita os dirigentes deste movimento, que despejam ódios sobre as NT. O estranho da consulta agora feita às notícias então publicadas pelo Diário de Lisboa (de que nos socorremos) é que raríssimamente há referências a Carmona - confirmando o que então se pensava e o comandante Almeida e Brito nos confirmou anos depois, em Coimbra: o BCAV. 8423 estava esquecido no norte de Angola. Esquecido pela RMA, pelo COPLAD, por todos, e «perigosamente alvo das queixas e ataques da FNLA, nomeadamente reivindicando os desequilíbrios de outros locais».
- RMA. Região Militar de Angola.
- COPLAD. Comando Operacional de Luanda.
- NT. Nossas Tropas.
Ver TEXTO sobre 2 de Agosto de 1975


quinta-feira, 1 de agosto de 2013

1 749 - Carmona, Angola, 1 de Agosto de 1975


Fachada principal do BC12, vista do lado de Carmona (em cima) 

1 de Agosto de 1975, sexta-feira: a parada do BC12 está cheia de viaturas e tropas «comandos», vindos de Luanda, na véspera e no dia. Descubro, entre eles,  alferes Infante, meu conhecido de Lamego - onde ele um ano antes era instrutor do curso de Comandos. É gago, o Infante, e gagueja quando o reconheço: «Ééééés... tuuuuuu?».
Era eu, claro, e rapidamente trocámos impressões sobre o que se passava em Luanda, para onde partiríamos daí a dois dias! «Es-es-es-estááááá´... uma mer...mer...mer...», disse ele, já caminho do bar.
Não sabíamos então, mas sabemos agora: na véspera, tinham eclodido violentas confrontações entre o MPLA e a FNLA, em Porto Amboim, no Quanza Sul, porto de pesca a 400 quilómetros de Luanda, com armamento pesado e população em pânico - parte dela evacuada para o Lobito, no navio «Sofala». A 30, fôra em Novo Redondo - por onde eu passara em Setembro de 1974. Em Malanje, as 6 mil pessoas que se tinham refugiado nos quartéis portugueses, eram evacuadas para o sul de Angola, em comboios de 50 viaturas, escoltados pelas NT, durante 10 quilómetros. Por Luanda e Caxito, de que ontem falámos, «a situação era estacionária».
Na capital, continuava, porém, o exôdo dos civis: 4 aviões da TAP e um americano levaram mais de 2000 pessoas para Lisboa. A Luanda, chegavam milhares de cidadãos, idos das cidades e vilas do interior. Os consulados francês, italiano, belga e alemão aconselhavam os seus compatriotas a irem embora e reduziram o seu pessoal, embora continuando abertos. Saurimo, na Lunda, foi palco de graves confrontações entre o MPLA e a UNITA.
As NT, em Carmona, resistiam às provocações e exigências da FNLA e ouviam lancinantes e dramáticos apelos da população civil. Que se sentia «insegura, descrente e receosa de quaisquer represálias», como se lê no Livro da Unidade. E queriam integrar a coluna que se preparava.
A dois dias, isto, do início da retirada dos Cavaleiros do Norte, a última unidade militar portuguesa no chão angolano do Uíge. O dia 1 de Agosto era também o de aniversário de minha irmã mais velha, a Ana Maria - que daí a dias seria mãe do seu segundo filho (a Marta), meu terceiro sobrinho.
Dados recolhidos do Diário de Lisboa

quarta-feira, 31 de julho de 2013

1 748 - Julho, aos 31 dias de 1975, em Carmona...


Parada do BC12, vista do edifício do comando, em meados de 1975


A 31 de Julho de 1975, a operação Luanda começou a materializar-se em Carmona com «a chegada de viaturas de de tropas de reforço» - uma Companhia de Comandos, que se aquartelou no BC12, e uma de Paraquedistas, que ficou na base aérea do Negage.
O percurso, já se sabia, seria pelo Negage e Salazar, pelo Dondo, a mais longa - em detrimento da conhecida estrada do café. O Caxito,a  53 kms. de Luanda, estava ocupado pela FNLA, também acantonado no Ambriz, onde o presidente Holden Roberto, segundo o Diário de Lisboa da época, declarava que «o assalto contra a capital angolana deveria verificar-se nos próximos dias».
A mesma fonte referia que as forças da FNLA, calculadas em aproximadamente 8000 homens, «faziam uma pausa e reagrupamento das suas bases (em rectaguarda), para o ataque à capital», embora enfrentasse «problemas de abastecimento das suas tropas, em munições e carburante (para os blindados) e alimentos».
Iria tentar entrar «numa região quase totalmente fiel ao MPLA», onde enfrentaria não só as FAPLA «mas igualmente uma população armada que, segundo certos meios, deverá opor uma grande resistência e onde Quifangongo e Cacuaco seriam os pontos fortes».
O Diário de Lisboa de 30 de Julho de 1975 dá também conta que «as foras da FNLA parecem utilizar o método chinês, nos combates ofensivos, com provas dadas na Coreia e no Vietname e que consiste em procederem, antes, a um «amolecimento» da região, pelo emprego maciço de morteiros pesados», prevendo por isso, que «as destruições seriam importantes ao longo da estrada que vai do Caxito a Luanda» - a do café.
As FAPLA, essas e ainda segundo o Diário de Lisboa, «beneficiarão de um conhecimento perfeito do terreno, graças ao «poder popular» - populações armadas em grupos de auto-defesa, que as apoiará, e à guerra convencional poderiam opor igualmente um género de guerrilha urbana que, em geral, diz-se, sai caro em homens contra quem é aplicado».
Os observadores «estão reduzidos a simples suposições e apenas o futuro dirá se a batalha de Luanda terá efectivamente lugar e em que condições», reportava o DL. 
Luanda que, citamos o jornal, continuava com «atmosfera pesada» e que «os portugueses estão agora a abandonar ao ritmo de 3 000 pessoas por dia».
Era para essa capital que os Cavaleiros do Norte iriam fazer a sua rotação final, desde Carmona.

terça-feira, 30 de julho de 2013

1 747 - Os nossos louvados homens do parque-auto!...

Militares do Pelotão-Auto da CCS do BCAV. 8423, Atrás, NN, Canhoto, Miguel, NN (mecânico), Gaiteiro e NN. A seguir, Picote (mãos nas ancas, a rir), Teixeira (pintor),  NN (atrás), Serra (mãos no cinto), Pereira (mecânico), 1º. sargento Aires (de óculos), alferes miliciano Cruz (de branco), Frangãos (Cuba), furriel miliciano Morais (de óculos), Joaquim Celestino (condutor), NN (condutor), NN (condutor) e Vicente. Em baixo, Domingos Teixeira (estofador), Marques (Carpinteiro), Madaleno (atirador) e Esgueira.
Quem ajuda a identificar os NN?


A 30 de Julho de 1975, o comando militar o português informou a FNLA da nossa saída de Carmona, que começaria a processar-se a 3 de Agosto seguinte - um domingo. A comunicação foi feita em reunião do Estado Maior Unificado - seguramente a última.
Numa fona, por esse tempo, andava o pelotão-auto, que tinha em mãos a operacionalidade de toda a frota militar, que iria partir para Luanda, como, depois, integrando a caravana, a missão de dar assistência aos quilómetros de viaturas que, desde Carmona, foram engrossando a coluna.
Os briosos e competentes homens do parque-auto estiveram ao nível - comandados pelo alferes miliciano Cruz, por sua vez assessorado pelo 1º. sargento Aires e pelo furriel miliciano Morais. A tal competência e disponibilidade estiveram que receberam louvor colectivo, publicado na ordem de Serviço 181, por proposta do capitão Oliveira, o comandante da CCS, citando «a equipa de mecânicos auto-rodas do pelotão de manutenção auto deste batalhão».
O seguinte:
«O decurso da comissão deu ocasião a verificar que, de um modo geral, o conjunto de mecânicos auto-rodas da CCS/C»BCAV constituiu equipa de trabalho com espírito de entreajuda e sacrifício, procurando tirar o máximo de rendimento do seu labor, ao mesmo tempo que, torneando dificuldades inerentes ao muito uso das viaturas e às faltas constantes de sobressalentes, conseguiu que das mesmas se obtivessem condições de utilização em tempo oportuno e muito aceitáveis. 
Não se pretendendo distinguir uns, esquecendo outros, aqui fica o público agradecimento do seu trabalho».
Individualmente e na mesma Ordem de Servço 181, foram louvados o 1º. cabo pintor Teixeira e os soldados condutores auto-rodas Miguel Ferreira, Joaquim Celestino da Silva e José António Gomes.