sexta-feira, 18 de outubro de 2013

1 829 - Pilhagens no Quitexe e FNLA em Luanda

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O Quitexe. À esquerda, as casernas do PELREC (a primeira) e dos sapadores. 
O edifício do comando é o que fica na esquina da avenida. Vê-se, à sua esquerda, a porta d´armas, jáligeiramente diferente no tempo dos 
Cavaleiros do Norte. Em baixo, a notícia da instalação da FNLA em Luanda

A 18 de Outubro de 1974, há registo de «pilhagens aos utentes dos itinerários, especialmente no troço compreendido entre o Quitexe e Aldeia Viçosa». Pilhagens da FNLA, como acentua o Livro da Unidade, que releio (através de extractos deste blog), a partir de um hotel de Viena de Áustria.
Há 39 anos, pisando a terra vermelha do Uíge angolano, com estreia de viagem de  avião a 29 para 30 de Maio anterior (quando viajámos de Lisboa para Luanda), estava obviamente longe de imaginar que aqui estaria hoje, num 11º. andar, quase colado ao céu, a reviver tempos dos Cavaleiros do Norte. E por lá, pelo Quitexe, quando se «procurava contrariar esta acção de banditismo com o lançamento de patrulhamentos inopinados», não poderia imaginar (longe disso) os voos que me levaram já a dezenas de países. Ao tempo, o que nos preocupava era o comportamento dos homens da FNLA que, e de novo cito o LU, «à aproximação das NT, se furta ao contacto» - razão por que «consequentemente não se evita a acção já realizada ou a realizar, pois a presença das NT não é, e não pode ser, contínua». 
A FNLA era a mesma que, no mesmo dia, anunciava que se ia instalar na capital de Angola. Era, como se lê no recorte do jornal de faz hoje 39 anos, «o primeiro dos três movimentos emancipalistas de Angola a abrir escritório em Luanda». Sonhava-se, então, com a formação de «uma frente unida entre a FNLA, o MPLA e a UNITA». Não viria a ser assim, como se sabe!

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

1 828 - Dias do Quitexe e a descolonização de Angola

Capa do jornal A Província de Angola, com a notícia da chegada de Rosa Coutinho a Luanda. Notícia do Diário de Lisboa de 17 de Outubro de 1974, sobre as conversações para a independência de Angola

Rosa Coutinho, presidente da Junta Governativa de Angola, chegou a Luanda no dia 24 de Julho de 1974 e, entre muitas outras coisas que por lá (des)fez, a 16 de Outubro desse mesmo ano recebeu uma embaixada da República do Zaire que, depois das negociações de Kinshasa, se fazia acompanhar de dirigentes da FNLA, para «acelerar o processo de descolonização de Angola».
Os zairotas eram liderados por Bela Matwamba, genro de Mobuto Sese Seko (o presidente), e a comitiva da FNLA por Hendik Vaal Neto - portador de uma mensagem de Holden Roberto. Mostrou-se, a FNLA, disposta a encetar negociações com o MPLA e a UNITA, no sentido de criarem «uma frente comum», objectivo que era dificultado, ao tempo, pelas dissidências internas do movimento de Agostinho Neto.
Luanda, nesse mesmo tempo, era cenário de incidentes com «quadrilhas não identificadas» que operavam nas imediações da cidade e que levaram mesmo à «suspensão de carreiras nocturnas de autocarros».
E pelo Quitexe, terra-sede dos  Cavaleiros do Norte?
O comandante Almeida e Brito visitou Santa Isabel, onde aquartelava a 3ª. CCAV. 8423, a do capitão José Paulo Fernandes, acompanhado de oficiais da CCS. A 13, estivera no Destacamento da Fazenda Luísa Maria e a 24 deslocar-se-ia a Aldeia Viçosa, onde estava a 2ª. CCAV., a do capitão miliciano José Manuel Cruz. Sempre com oficiais da CCS e, muito provavelmente, escoltado pelo PELREC.
- NOTA: Já desde ontem, e por alguns dias, vou 
estar fora do país. Procurarei não faltar a este «dever» 
diário, se as circunstância o permitirem. Como, aliás, 
já por quase uma dezena de vezes fiz nestes quatro 
anos e meio de vida do blogue. A ver vamos!  * CV

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

1 827 - Governo de Coligação e a contra-subversão no Quitexe

Avenida do Quitexe, em Janeiro de 2012. À direita, nota-se a messe de oficiais, a cobertura em branco e em bico. Imediatamente  antes, em arcos, a casa dos furriéis. Em baixo, a notícia da formação de um Governo Angolano de Coligação

Aos idos dias que passavam nos meados de Outubro de 1974, andavam os Cavaleiros do Norte preocupados com as pilhagens na estrada do café e outros itinerários do Uíge e, por Luanda, era dada conta de chegada de Endrick Val Neto, da FNLA, para conversações com a Junta Governativa de Angola. E confirmava-se, às zero horas, o seu (da FNLA) anunciado cessar fogo - o que, aliado, ao da UNITA (a 14 de Julho) e a cessação de hostilidades por parte do MPLA (dado como certo no mesmo mês), levava a imprensa a concluir que «na prática, a guerra acabou em Angola». 
Sobre o Governo de Coligação, a 16 de Outubro de 1974 confiava-se que «deverá funcionar até à realização das eleições constituintes» e o presidente da Junta Governativa  trocou largas impressões com quadros da UNITA, que tinham concluído estudos superiores de Ciência Política, na Suíça. E eram, esperados mais 150 quadros políticos, formados em universidades europeias.
O Governo de Coligação deveria ser constituído por membros dos três movimentos de libertação (MPLA, FNLA e UNITA) e «outras facções políticas».
Duas notas salientes do dia:
1 - Cerca de 2 200 angolanos fugiram para o Botswana, tornando-se cidadãos deste país.
2 - A Inspecção de Crédito e Seguros de Angola anunciou que não eram aceites mais pedidos de transferências. Eram já milhares os não despachados e não se previa que o problema fosse resolvido ao final do mês.
E pelo Quitexe? 
Há precisamente 39 anos, a 16 de Outubro de 1974, reuniu a Comissão de Luta Contra a Subversão - a CLCS.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

1 826 - O cessar fogo da FNLA, há 39 anos...

A FNLA anunciou o cessar fogo a 14 de Outubro de 1974. O presidente Holden Roberto 
falou no Zaire. Na foto de baixo, a 9 de Novembro de 1975, está com o coronel Santos Castro 

A 14 de Outubro de 1974, a FNLA anunciou em Kinshasa, no Zaire, o cessar fogo em Angola. «Queremos construir uma Angola livre e próspera, com todos os seus filhos, seja qual for a cor da sua pele», disse o presidente Holden Robert, lamentando que o MPLA se debatesse com «dissidências e questões puramente burocráticos e administrativos».
O cessar fogo era anunciado para o dia seguinte, dia 15 de Outubro de 1974 (hoje se passam 39 anos), depois das negociações da semana anterior, entre uma delegação do Governo Português e o  movimento de libertação liderado por HJolden Roberto, suscitadas pelo presidente Mobutu, do Zaire.
A notícia, obviamente, chegou ao Quitexe e o Livro da Unidade faz-lhe referência, lembrando que «já havia sido obtida uma plataforma de entendimento que levava à paragem de hostilidades entre as NT e a FNLA». O que, porém, precisa o LU, «em nada mudou a vida operacional que se conduzia», principalmente caracterizada por «intensa actividade de patrulhamentos, nomeadamente orientados para a obtenção de liberdade dos itinerários».  

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

1 825 - Ataque e dois civis europeus mortos

A 14 de Outubro de 1974, dois civis europeus forma mortos no limite nordeste da zona de acção (o subsector) do BCAV. 8423, entre as fazendas Alegria II e Ana Maria. «Um grupo IN realizou uma emboscada a uma viatura civil, com êxito de sua parte, pois que houve dois mortos», lê no Livro da Unidade. 
A foto que publicamos indica, escrito por mim, que se trata de «uma das vítimas da baixa do Mungage, perto do Quitexe, em zona operacional do Batalhão», indicando o dia 16 de Outubro. Ora a baixa do Mungage ficava no outro extremo geográfico, para os lados da picada de Zalala. Ser o caso de terem sido duas situações de emboscada? 
O Livro da Unidade dá conta que, sobre este caso, que «terá sido uma acção esporádica, poderá mesmo ser um ajuste de contas». Mas o facto, acrescentava, «é que foi mais uma acção que veio por de sobreaviso para a possibilidade de desrespeito a ordem recebida». Por outras palavras, mais valia prevenir que remediar.
Em Luanda, um comunicado do Comando Militar Português informava que «em Setembro, não se registaram incidentes atribuíveis à UNITA ou ao MPLA». E, sobre a FNLA, referia que «a partir de meados daquele mês, tem vindo  a promover uma campanha pacífica no norte, estabelecendo contactos com as populações locais, segundo informações recebidas do distrito do Uíge e de Carmona». Uíge era onde se localiza(va) o Quitexe. Carmona fica(va) a 40 quilómetros.
Assim ia a vida dos Cavaleiros do Norte, há 39 anos!

domingo, 13 de outubro de 2013

1 824 - Ida ao Destacamento de Luísa Maria, há 39 anos!!!

Hipólito e Viegas (atrás), Caixarias, Silvestre (?) e Francisco. Militares do 
PELREC na Fazenda Luísa Maria, no dia 13 de Outubro de 1074 - há 39 anos

Há precisamente 39 anos, dia 13 de Outubro de 1974, também era domingo e o PELREC foi em missão à Fazenda Luísa Maria, onde estava um destacamento militar, ao tempo guarnecido por um pelotão da 2ª. CCAV. 8423.
A visita do comandante Almeida e Brito era de natureza oficial, de cortesia, e certamente para analisar e esclarecer ao situação política (e militar) decorrente do 25 de Abril - que, a brincar a brincar, já ia em quase meio ano! Por lá almoçámos, talvez grão de bico e bacalhau (se a memória não falha) e as inevitáveis CUCA´s, a popular cerveja angolana que nos matava  a sede e afogava saudades.
Terá sido neste domingo, no regresso ao Quitexe, que assistimos à perseguição de uma pacaça a um homem, que fugia desalmado, a quanta força davam as pernas, e acabou por «safar-se» andando à volta de uma árvore, na qual marrava o animal, até que foi abatido pela tropa e o perseguido se pendurou no tronco, como que por artes mágicas. E que boa carne deu a pacaça! Bons bifes, boas peças cozidas ou assadas, nalguns casos parecidas com rojões (parecesse-se lá com o que parecesse), passadas à faca e ao lume da cozinha do Quitexe.  
E o que será feito deste quinteto de «pelrec´s»? Eu, por aqui ando a blogar, vivendo e trabalhando em Águeda. O Hipólito está em França, emigrado e a trabalhar na construção civil. Falamos de quando em vez e aguarda os dias da reforma. O Caixarias aposentou-se e vive em Sarge (Torres Vedras). O Silvestre vive além-Tejo, na zona de Almada, no Feijó. O Francisco, também já reformado, mora na Marinha Grande, onde estive com ele em Agosto.
Ver AQUI
E AQUI

sábado, 12 de outubro de 2013

1 823 - O futebol do Quitexe e a descolonização

Futebol no Quitexe, equipa da CCS. Em cima, Grácio, Gomes, Miguel Teixeira, Botelho (Cubilhas), Miguel (furriel paraquedista), Gaiteiro (?) e Soares. Em baixo, Miguel (condutor?), furriel Mosteias, furriel Lopes,  Esmoriz (enfermeiro), furriel Monteiro e Teixeira (estofador) 




Outubro de 1974, entre escoltas e segurança de itinerários, serviços de rotina e desejo de regressar sempre a medrar, foi também tempo de futebol no Quitexe - com renhidas partidas entre civis e e militares e, nestes, entre especialidades e sub-unidades.   
Há, na verdade, memória de vários encontros entre as companhias do BCAV. 8423, mas sem qualquer registo de resultados e muito menos fotográficos.
A outro nível, a 8 de Outubro, registam-se várias declarações de políticos angolanos.
Agostinho Neto, do MPLA, declara que «o futuro de Angola será decidido pelo povo angolano e não pela minoria branca». Também do MPLA, Saidy Mingas comentou que «devido as potencialidades económicas de Angola, nomeadamente aos seus recursos petrolíferos, existem pressões imperialistas que se opõem à independência».
Mangali K. Tuka, da FNLA, considerou que o programa de descolonização proposto para Angola é «muito ambíguo».
Entretanto, em Kinshasa, capital do Zaire, reuniu o Governo Português (com uma delegação chefiada pelo general Fontes Pereira de Melo) e o FNLA, sob os auspícios do presidente Mobutu. 
A notícia é do Diário de Lisboa de 12 de Outubro de 1974, que citamos, e  acrescentava continuarem «contactos com o MPLA e os movimentos africanos do interior de Angola», admitindo para breve um reunião em Lisboa, com representantes dos partidos e movimentos angolanos, em moldes diferentes dos realizados pelo general Spínola, que um mês antes se demitira da Presidência da República - substituído por Costa Gomes.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

1 822 - O Eusébio de Zalala em Belmonte

Pinto, Eusébio, Mota Viana e Rodrigues (atrás), Dias Queirós e Barreto (foto 
de cima). Rodrigues, Eusébio, Barata e Queirós em Zalala, 1974 (em baixo)

Os meus amigos estão a ver estes rapazes aqui ao lado esquerdo? E aqueles penteados, estranhos mas actualíssimos, aos modos de hoje? São quatro quatro Cavaleiros do Norte de Zalala, da épica Zalala, a mais dura escola de guerra! Em 1974!
A imagem de baixo, muito mais recente, é de Junho de 2012 e mostra três dos «zalalas» da daqui do lado, mais quatro: o Pinto, o Mota Viana, o João Dias e o Barreto. Tudo gente maior e que, por esses dias de há 16 meses se passearam por Belmonte, para acharem o Eusébio. O Barata, Jorge António Eanes Barata, infelizmente, já se partiu desta vida, foi o funeral dele faz hoje precisamente 16 anos. Em Alcains.
Saudades, Barata!!
O Eusébio telefonou-me há dias, quando esperava pelo filho que andava nas vindimas. Foi operado há três semanas e cortaram-lhe o dedo mendinho do pé direito. Por problemas de diabetes e má circulação. Os mesmos que, faz tempo, levaram a que lhe amputassem a perna esquerda.
O Eusébio falou-me deste problemas, que o afligem e lhe doem, com espantosa tranquilidade. «Calhou-me isto, não vou fazer mais nada a não ser cuidar de mim!», disse-me ele, soltando até uma gargalhada. E explicou que a mulher «lá se vai aguentando com os axes dela» e os filhos procuram emprego. A vida está assim!
O projecto que tinha (tem) para os filhos terem uma loja de petiscos e artesanato, anda emperrado na burocracia pública. Mas o Eusébio é confiante: «Quem esperou 7 meses, pode esperar mais mais tempo».
O importante é arrumar o futuro dos filhos e, nisso, o Eusébio é pai-galinha. «São nossos, temos de os ajudar», disse ele, ao telefone, recordando Zalala e o Quitexe, o Uíge das nossas saudades.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

1 821 - A fuga de trabalhadores rurais do Uíge...

Eira de café, para secar (em cima). Apanha de café, em baixo. Era uma 
tarefa essencialmente desempenhado por bailundos, contratados no sul de Angola (em 
baixo). Fotos da net.


Os dias de Outubro de 1974, pela área do Quitexe, foram de algumas preocupações, relativamente à próxima colheita do café - prevista para depois de Janeiro. A fuga dos trabalhadores rurais, principalmente bailundos, provocou o fecho de algumas fazendas, nomeadamente nas áreas de Zalala, Vista Alegre e Canzundo. E, em outras, a paragem da laboração.
O Livro da Unidade dá conta de «provas absolutas de que é a FNLA que impõe a saída dos trabalhadores, sob coação de morte se tal não fizerem». E o café era a principal riqueza do Uíge, o seu grande motor económico. Na altura em que se encontravam os trabalhos agrícolas, a esse tempo, «não trará grande afectação à futura colheita», como refere o LU, mas temia-se que «se a situação se mantiver a partir de Janeiro de 1975, então já se verificarão fortes prejuízos ao poderio económico local».  
Noutro âmbito, Agostinho Neto, presidente do MPLA, denunciava «múltiplas manobras mistificadoras» que, do seu ponto de vista, fragilizavam o processo de descolonização de Angola.
«Não tem vindo a ser encarado à luz dos mesmos princípios que deram lugar ao aparecimento de dois novos estados em África, na medida em que o problema angolano tem sido ultimamente objecto de múltiplas manobras mistificadoras, à quais não são alheias as potencialidades e a situação geográfica e estratégica», dizia o presidente do MPLA, lembrando que o movimento «ainda não depôs as armas, nem as deporá enquanto não forem estabelecidas negociações com a vanguarda revolucionária do Povo Angolano e, consequentemente, resguardadas as legítimas aspirações do Povo Angolano, particularmente das suas camadas mais exploradas».

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

1 820 - Aldeia Viçosa no Fundão e a (não) reacção em Angola

O organizador Carmo, com o (ex-alferes) Machado, em cima. 
O (ex-furriel) Ramalho e o Beato, responsáveis pelas «mobilizações» dos 
encontros dos Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa (em baixo)

Os Cavaleiros de Aldeia Viçosa nomearam o Beato como mordomo de 2014, mas é justo botar aqui um grande plano da cara do Carmo, que no Fundão foi mestre de cerimónias. Organizou e até acordeonou. Isto é: tocou acordeon. Por Angola, foi 1º. cabo atirador de cavalaria. Por cá, de praça assente na Covilhã, fez-se à vida e laureou-se com uma organização impecável. O impecável, aqui, é do Beato - que, com o Ramalho, foram os responsáveis pelas «mobilizações». E continuarão!
Ainda não falámos de ementa e convém sempre: fartas entradas, aos prazeres de bacalhaus e polvos, chamuças e doces. Tudo bem molhado, claro! Seguiu-se uma sopinha de legumes, já iam quentinhos os estômagos. E uma magnífica vitela assada no forno, com ervilhas e batata assada. Gostaram?! Juntem-lhe os doces e os digestivos e uma tarde de farta conversa - Angola, blá-blá-blá!!!, as saudades, os medos, os serviços, as operações, as patrulhas e, claro, as namoradas, os sonhos e os cios!!! E, a finalizar, um leitão assado à moda da Bairrada, com os bons Alcambar´s da Adega Cooperativa do Fundão a refrescar o corpo e a alma!!
Agora, deixem-me ir um bocadinho atrás na vida e na história: há 39 anos, em Luanda, no Palácio do Governo, 500 oficiais reuniram-se reafirmaram a sua «intransigente fidelidade ao movimento das Forças Armadas», não hesitando em protagonizarem «a efectivação do processo de descolonização de Angola, na sequência do compromisso internacional assumido por Portugal, ao reconhecer o direito à auto-determinação e independência dos povos colonizados».
Assumiam-se contra o que consideravam «as trágicas aventuras reaccionários ocorridas em Moçambique» e que queriam evitar em Angola.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

1 819 - Cavaleiros do Norte: o ontem, o hoje e o amanhã!!!

O Encontro de Cavaleiros do Norte no Fundão também «atraiu» algumas 
amazonas (em cima). Agostinho Neto admitia presença de brancos em Angola (ao meio). 
José Maria Beato (em baixo) vai organizar o encontro de 2014 


Aos 28 dias de Setembro de 2013, os Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa reuniram e desse encontro aqui temos vindo a dar imagens e ideias. Ainda não dissemos quem organizou. Foi o Carmo, o acordeonista do poste de ontem. E «correu tudo muito bem», como não podia deixar de ser, como garantiu o Letras.
Falando de futuro, quem vai organizar em 2014, quem é? Pois será o Beato, lá para os lados de Valongo, nas fronteiras do Porto. E, ainda pegando nas palavras do Letras, «não vai falhar nada». Assim será!
E falar do passado? Pois, aos idos dias de Outubro de 1974, Agostinho Neto, o presidente do MPLA, reunia em Lusaka, com o presidente da Zâmbia e alertava para «manobras neo-colonialistas» de personalidades que tinham sido convocadas para, em Lisboa, discutir o futuro de Angola. afirmando que «não têm mandato do povo angolano para tais negociações».Acrescentava que, «sem a presença do MPLA, essas conversações constituíam o mais flagrante desrespeito por todos aquele que verteram o seu sangue e deram o seu esforço ao longo de 13 anos de luta armada». Referia-se aos dirigentes do PDCA, da FUA e outras organizações de cidadãos brancos que tinha sido chamados a Lisboa, por Spínola. Isto, a 4 de Outubro.
A 8 de Outubro, faz hoje 39 anos, reconhecia o direito à existência de minorias brancas, comentando declarações de Vasco Gonçalves, o 1º. ministro português, que dissera ao francês Le Nouvel Observateur que o futuro de Angola não seria decidido sem acordo da população branca. «A nossa intenção - disse Agostinho Neto - é defender os interesses dos brancos. Nós podemos garantir-lhe que a nossa política será permitir a existência dos brancos no nosso país». Abordou as futuras negociações com o Governo Português e precisou que se começariam assim que  se alcançasse a unidade, tanto no interior do MPLA como da FNLA. Da UNITA, não se falou.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

1 818 - A procissão anual dos «aldeia-viçosas!...

O Emidío Pinto e o Rito, à conversa (em cima). O Oliveira, da messe de oficiais, 
a mulher e o Rito, na foto de baixo. E quem é o acordeonista?


Os aldeia-viçosenses chegaram a Angola no dia  4 de Junho de 1974. Ao aeroporto internacional de Luanda, dali passando pela zona militar e ali subindo para as berliets, que os levaram para o campo militar do Grafanil. E do Grafanil, para Aldeia Viçosa, a 10 de Junho.Aldeia Viçosa foi a sede do seu aquartelamento, com saídas, por exemplo, para o Destacamento de Luísa Maria, ou Vista Alegre, ou Ponte do Dange! A 2 de Março de 1975, um dos seus grupos de combate juntou-se à CCS, em Carmona, no BC12. Para lá rodou o resto da guarnição comandada pelo capitão miliciano Cruz, ate 11 desse mesmo mês.  Agora, a 28 de Setembro de 2013, 38 anos amos depois, 36 desses bravos Cavaleiros do Norte reuniram-se no Fundão e o cardápio, para além da gastronomia que consolou estômagos, ementou-lhes quantas dezenas de recordações desses 15 meses de jornada africana do Uíge angolano. O  Letras deu-nos contar do mar de entusiasmo que caracterizou o dia, entre mil palavras de conversas e emoções - porque esta gente não pode esquecer nunca, e não esquece, os imortais e epopeicos tempos dessa missão. Por alguma razão eles se juntam todos os anos. Por alguma razão a eles se juntam mulheres, filhos e netos, da braço e mãos dadas, fazendo deste dia uma procissão anual obrigatória.

domingo, 6 de outubro de 2013

1 817 - Saudades dos tempos de Aldeia Viçosa...

Neto, Ramalho, Carmo e Machado (foto de cima). Guedes, Almeida, Teodósio e Grave (foto do meio) 
e casal Domingos (alferes) Carvalho de Sousa em pé de dança (à esquerda).

Não faltou um bom é de dança no encontro dos Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa, que os fez jornadear pelo Fundão, a matar saudades de Angola. A malta já vai de idade com muitas artroses, alguns reumatismos e outros males da PDI, ou da ADN, mas quando chega a vez de apertar o par no peito e dar dedos entrelaçados para rodopiar ritmos, não falta vontade, nem há queixas ou dores. Que o diga o casal Sousa - o (ex-alferes) Carvalho -, que aqui vemos na foto, em plena forma, como se tivessem 20 anos e ainda andassem a debutar os seus amores!!!
Os «aldeias viçosas" tiveram esse «ar de dança» e desfiaram recordações que a alguns envergonhou, porque as suas caras metades ouviram verdades que desconheciam, ou, delas sabendo, faziam por não acreditar..., fingindo!
Falamos, de forma figurada e eufemística, de umas saltadas dadas às sanzalas das redondezas, em visitas rápidas e muito ciosas, para desenferruja ideias e matar vícios. E mais não digo, cala-te boca! Ah, já não falando da transmontana de Carmona, ou do Diamante Vermelho e de outros bares de luzes a piscar nas noites de luar e muito sensuais da África que por lá vivemos. Como não ter saudades desses tempos?! 
Fotos de Carlos Letras


a esqª para a dtª - Oliveira (condutor); Almeida, Teodósio (mecânico/Almeirim) e Grave.
Só agora apareci, pois fui às vindimas à Régua.
Um abraço para todos os Cavaleiros do Norte.










sábado, 5 de outubro de 2013

1 816 - Cavaleiros de Aldeia Viçosa, 38 anos depois!!!

Rosa, (ex-alferes) Carvalho e Soares, atrás o Beato, na foto de cima. Pisco e Emídio, 
esposas de Pisco e Rito e Rito (foto de baixo). Mais abaixo, (os ex-furriéis) Guedes e Gomes.


Aí estão mais algumas imagens dos Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa, na sua memória histórica dos 38 anos da sua chegada de Angola. Chegada de «sãos e salvos» que foi já no ido e distante Setembro de 1975, vejam bem como o tempo voou. Voou o tempo e as cabeleiras de alguns, crescendo-lhe os abdómens. Digo eu, as barriguinhas!!!
Juntaram-se no Fundão, a 28 de Setembro (já lá vai uma semana), e por lá foram recordando bons e menos bons  momentos dos tempos em que, sem vergonha e destemidos, serviram o Exército de Portugal. Sem vergonha, corajosos e com honra! Orgulhos e garbosos de tal forma que, 38 anos depois, continuam a vicenciar os 15 meses d´Angola como se ainda tivessem os 22 para 23 anos daqueles tempos de coragem, de alguns medos e também de algumas dores, dores de alma e de corpo! Tempos e emoções que não esquecem!
Fotos de Carlos Letras

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

1 815 - Curso dos Ranger´s que se fizeram Cavaleiros do Norte





Ordem de Serviço nº. 234, do Centro de Instrução de Operações Especiais (CIOE), em Lamego, de 4 de Outubro de 1973 - de há 40 anos. Furriel miliciano Viegas, no seu primeiro serviço no CIOE




A 4 de Dezembro de 1973, hoje se completam 40 anos, a Ordem de Serviço do Centro de Instrução de Operações Especiais (CIOE), em Lamego, publicou as classificações dos cadetes e instruendos que frequentaram o 2º. curso de Ranger´s desse ano. Terminado a 29 de Setembro, uns dias antes.
O curso incluía vários futuros Cavaleiros do Norte, integrados no Batalhão de Cavalaria 8423, entre oficiais e sargentos milicianos. Aqui os recordamos:
- CCS: Alferes António Garcia, furriéis José  Monteiro, C. José Viegas e Francisco Neto, todos do PELREC.
- 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala: Alferes  Mário Jorge de Sousa e furriel Manuel Pinto.
- 2ª. CCABV. 8423, a de Aldeia Viçosa: Alferes João Machado e furriel António Carlos Letras.
- 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel: Alferes Augusto Rodrigues. O furriel Reina foi do curso seguinte, em Lamego.
Já agora, as médias finais do curso, segundo a mesma ordem de serviço:
- Alferes milicianos: Rodrigues (14,78), Machado (14,75), Sousa (14,73) e Garcia 14,70).
- Furriéis milicianos: Monteiro (16,05), Viegas (15,31), Neto (14,78), Pinto (14,23) e Letras (13,25).

1 814 - Aldeia Viçosa angolana "levada" até ao Fundão

Os Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa numa (melhor) do grupo que 
se reuniu a 18 de Setembro de 1013, no Fundão. O Ramalho, o Beato e o (capitão) Cruz (foto do meio)

Alferes Capela e Ramos (de óculos), Quaresma, Ferreira e
 Rocha. E entre os dois alferes, lá atrás, de óculos e mão no bolso? Quem é?

A cavalaria da 2ª. CCAV. 8423 esteve lá pelo Fundão e não se dispensou de profundas e emotivas conversas sobre os seu tempos mais juvenis, os dos 20 e poucos anos. Que eram tempos de uma força danada, que não temia medos nem inimigos, nem que à pedrada os tivéssemos que abater. 
Não foi o caso, nem a tiro  matámos alguém... - graças a Deus e a quem nos preparou para o «cara-a-cara» dos problemas... - pelo que os momentos de saudade de Aldeia Viçosa não foram mais (e não foi nada pouco!!!!) que o estendal de feitos que se fizeram em lendas das nossas vidas militares.
Repare-se, mas repare-se só por mero acaso, assim como quem não quer a coisa..., nas bem nutridas figuras destes nossos companheiros da jornada angolana!! Todos com cara de quem não passa fome e não se intimida com os tempos de crise de que tanto por aí se fala, mas não é para todos! Fosse esta rapaziada governar e nem tróikas, nem crises, nem austeridades, o que é isso?,  nada disso venceria tamanha competência. Que é, já agora, o que está a fazer falta no país. Competência e coragem!
Fotos do (ex-furriel) António Carlos Letras
Clicar nas imagens, para as ampliar ou reduzir


quinta-feira, 3 de outubro de 2013

1 813- Os Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa no Fundão

Machado e Capela,  ex-alferes milicianos, à frente. Lá atrás, Sebastião (Cambuta) e 
Ferreira (enfermeiro). Em baixo, Luís Alves, Emídio, Pisco e Rosa



Os Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa não pouparam prazeres e gostos no encontro do Fundão - a 28 de Setembro deste 2013 que corre para o fim. Eram 36, alguns deles com as respectivas amazonas, e foram surpreendidos com o aparecimento do (alferes) Ramos, agora advogado em Vila Nova de Foz Coa, de onde é e de onde partiu para Angola, como atirador - colocado na 2ª. CCAV. 8423 em Maio de 1975. Ao BC12 chegou e do BC12 se despediu em Julho, quando foi de férias a Luanda e por lá ficou como oficial de justiça. Ali está ele, na foto à esquerda.
As imagens fotográficas são do (ex-furriel) Letras, que comigo - e com o Neto o Monteiro (CCS) e o Pinto (1ª. CCAV.), todos furriéis, e os ex-alferes Garcia (CCS), Sousa (1ª. CCAV.), Machado (2ª.) e Rodrigues (3ª.) - sofreu(mos) as «passas de Lamego, no 2º. turno de 1973, do curso de Operações Especiais, os Rangers. «Coisa» que se passou há precisamente 40 anos!
O agora reformado professor José Manuel Cruz, que por Aldeia Viçosa foi comandante da 2ª. CCAV. 8423, como capitão miliciano, fez a oração do dia, enaltecendo «a alegria deste reencontro de todos os anos». Não esteve no de 2012, devido a problemas de saúde, mas este ano, neste «rever os amigos» do Fundão, não faltou e enfatizou os valores da camaradagem.
   

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

1 812 - Cavaleiros de Aldeia Viçosa reunidos no Fundão

Os Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa estiveram no Fundão, a desfiar memórias e a matar saudades do seu regresso de Angola. Que foi há 38 anos!!! O tempo passa, meus amigos! Já lá vão os tempos da nossa juventude e da épica jornada africana que nos fez maiores pelas terras do Uíge.
Aqui à frente, reparem nestas carinhas larocas, já todas sexiiiiiiigenárias e da esquerda para a direita: o Carmo, o Inácio, o Barbosa, o Rocha, o Guedes, o Ramalho, o Grave e o Couto. Pela pinta, eu só tirava o Guedes e o Ramalho, ambos ex-furriéis!
Ali pelo meio, vejamos, pela pela mesma ordem: Quaresma, alferes Ramos, Beato, (capitão) Romeira da Cruz, Oliveira, Sebastião, Freire, Venâncio, Rosa e Soares. O capitão Cruz, reconheceria em qualquer lado. O alferes Ramos, reconheceria, devido a fotos recentes.
Atrás e ainda pela mesma ordem: Emídio Pinto, (furriel) Ferreira, Neto, (alferes) Capela, Rito, Samuel (condutor), Gomes, (alferes) Machado, Oliveira, (alferes) Carvalho, Silvestre e Ferreira (enfermeiro). Identificaria o Ferreira (fuuriel), o Capela, o Machado e o Carvalho.
A foto e a identificação foram enviados pelo (furriel) Guedes. 
Pode ser ampliada, para melhor ver os rostos; basta clicar sobre a imagem.

1 811 - Acção psicológica e MPLA com delegação no Zaire

Clube do Quitexe, em cima, à esquerda, e entrada da vila, do lado de Carmona


Aos idos dias dois de Outubro de 1974, o MPLA abriu a sua delegação em Kinshasa, no âmbito, como então foi explicado, da «ajuda concreta e de solidariedade do Zaire para com os movimentos de libertação, em geral, e para com a luta do povo angolano pela sua independência, em particular». Foram Agostinho Neto (presidente) e Daniel Chipenda (vice-presidente) quem negociou a abertura.
Por esse tempo, no Quitexe - mantendo-se os habituais esquemas de segurança -, continuavam as actividades psicológicas junto das populações (para explicar o desenvolvimento da revolução em Portugal e o processo de descolonização de Angola. O Clube do Quitexe, de seu lado, foi de novo espaço para exibições de um filme, entre os dias 10 e 23 - filme que, conforme se lê no Livro da Unidade, «rodou em toda a ZA»
Em Luanda, um dirigente do PDCA, António Joaquim Ferronha, era procurado pelas autoridades militares, acusado de estar ligado a uma intentona reaccionária em Lisboa, como comunicou o comandante Correia Jesuíno, Secretário da Informação em Angola. Ferronha, aparentemente, regressara apressadamente a Luanda depois de, em Lisboa, ter (em nome do PDCA) reunido com o general Spínola sobre a descolonização de Angola. Era alvo de um mandato de captura e o próprio partido o suspendera, «até completo conhecimento dos resultados do inquérito para apurar as suas responsabilidades nos últimos acontecimentos de Lisboa».  
Fervia a vida pública do país que estava para nascer.
- PDCA. Partido Democrata-Cristão de Angola.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

1 810 - Partidos políticos a formar exércitos particulares

O PELREC, em dias do Quitexe de 1974, preparado 
para sair para mais uma operação, ou escolta, ou patrulhamento

A 2 de Outubro de 1974, ao Quitexe e embrulhadas em jornal, chegaram notícias frescas de Luanda: Rosa Coutinho, presidente da Junta Governativa de Angola, falara na véspera (hoje se fazem 39 anos) à população angolana, através da rádio, e dera conta que o general Costa Gomes, Presidente da República, iria dirigir pessoalmente as negociações que levassem à independência de Angola. Já António Spínola dissera o mesmo, mas abdicara da presidência, semanas antes.
O MPLA, entretanto e a partir de Dar-Es-Salaam, anunciou que cancelara os seus planos para a reabertura das actividades, militares, após uma trégua de 4 meses. Isto porque, segundo o presidente Agostinho Neto, «Portugal continua a ser uma democracia, na linha do Movimento das Forças Armadas». O que, na sua versão, não acontecia com Spínola na presidência, já que «estava a fazer um jogo muito perigoso, cultivando e escutando fantoches e dirigentes de partidos políticos que não representam o povo».
Mais longe foi o dedo acusatório de Agostinho Neto: o general «apoia(va) activamente grupos de colonos portugueses em Angola» e também estaria disposto «a aceitar ali um governo minoritário».
Ao avivar a memória nestas leituras, ocorre-me a preocupação com que no Quitexe - o Machado, o Neto, eu, o Garcia, o Cruz e outros... -  observámos esta situação, embora a analisássemos de forma imberbe e desprendida, digo eu agora.
Preocupante era também outra acusação de Agostinho Neto: soldados sul-africanos estariam a treinar angolanos brancos em três campos recentemente criados no territórios, com o objectivo de formarem um exército particular. Seriam campos organizados pelo Partido Democrático Cristão (PDC), pela Frente de Unidade de Angola (FUA) e pela Frente de Resistência de Angola (FRA), fundados por colonos portugueses, depois do 25 de Abril.
O presidente do MPLA acusou os três partidos de terem ligações com a UNITA - o único movimento de libertação que não tinha sido reconhecido pela Organização da Unidade Africana (OUA) - e de estarem «a organizar um exército para impedir que sejam satisfeitas as legítimas aspirações do povo angolano».
No Quitexe, lá continuávamos a nossa vida, a riscar os dias do calendário, sem futurar outra coisa que não fosse o nosso regresso a Portugal.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

1 809 - Ataques a madeireiros e a fazendas de café...

Notícia sobre o ataque a uma fazenda do Songo. Furriéis Viegas 
e Miguel na estrada do café, de Carmona a Luanda, mas no Quitexe


O dia 30 de Setembro de 1974 foi marcado, na zona de acção dos Cavaleiras do Norte, por um ataque a madeireiros, na zona do Liberato, e pelo flagelamento de uma viatura da JAEA, na Quinta das Arcas. Ao tempo, como se lê no Livro da Unidade (LU), «era quase constante a presença de grupos da FNLA nos povos, sob controlo das autoridades civil e militar» na zona de Vista Alegre - e também na região de Aldeia Viçosa e Quitexe.
A ofensiva de 30 de Setembro, tendo sido perpetrada  na área do nosso Subsector, alarmou as hostes. A confiança que medrava, ente as NT e os homens dos movimentos, como que gelou. Até porque, cito o LU, «em áreas vizinhas  tem havido um incremento de actividades que facilmente - e em alguns casos - se provou ter irradiado do IN radicado no Subsector». Por alguma razão se registou o movimento de dois grupos de combate da 3ª. CCAV. 8423, a 27 de Setembro, para a Fazenda de Além Lucunga.
A foto de hoje mostra-me com o Miguel, depois de termos ido ver o cadáver de um madeiro, provavelmente o que foi vítima do ataque da zona do Liberato. Que estava numa pequena capela da vila, a servir da casa mortuária. Não consigo, suficientemente, refrescar a memória.
Outra nota de 30 de Setembro de 1974: 9 das 10 plantações de café da zona do Songo, a uns 70/75 quilómetros do Quitexe,  foram abandonadas pelos proprietários, que assim reagiram, e cito do Diário de Lisboa (que citava o Província de Angola), «às tentativas da FNLA para consolidar o seu controlo sobre a região». A FNLA, ainda segundo o jornal desse dia 30 de Setembro de 1974, «incendiou uma plantação e está a aconselhar os trabalhadores rurais africanos a deixarem a região, até Angola se tornar independente».
O MPLA, por seu lado, tinha militantes «a actuar abertamente na rica Cintura do Café». O mesmo era dizer que na área de intervenção dos Cavaleiros do Norte. E outras NT´s.  
- JAEA. Junta Autónoma de Estradas de Angola.
- NT. Nossas Tropas.
- IN. Inimigo.

domingo, 29 de setembro de 2013

1 808 - O Joaquim Henriques da Zalala em Odivelas


A 21 de Setembro de 1974, faleceu Joaquim Manuel Duarte Henriques, soldado atirador de cavalaria da mítica Zalala, vítima de doença. O seu corpo está sepultado no cemitério de Odivelas, de onde é natural.
A morte foi a segunda do BCAV. 8423, depois da de Bernardo Oliveira, da 3ª. CCAV., a de Santa Isabel, em Julho anterior, vítima de acidente de viação. Era do Grupo de Mesclagem do RI 20, atribuído à companhia comandada pelo capitão miliciano José Paulo Fernandes.
Joaquim Henriques, de que não tenho memória fotográfica, era solteiro e filho de João Pedro Henriques e de Delfina da Conceição Duarte. Natural de Odivelas, agora concelho mas ao tempo pertencente ao de Loures. Doente por Zalala, repetidas vezes e com cuidados que lá não podiam ser prestados, foi evacuado para o Quitexe e logo depois para Luanda, onde faleceu no Hospital Militar - a 21 de Setembro de 1974. Suponho que ainda passou pelo Hospital do Negage, como era usual nestas circunstâncias.
Pouco consegui saber deste nosso companheiro, o primeiro militar europeu do BCAV. 8423 a falecer em Angola, nenhum em combate. Apenas que há um movimento na cidade de Odivelas, dinamizado pelo antigo combatente José Marcelino Martins, que pretende criar um monumento de homenagem e evocação os militares daquele concelho que faleceram na guerra colonial. O nome do nosso companheiro de Zalala está lá inscrito, como se vê na imagem.

sábado, 28 de setembro de 2013

1 807 - Os «zalalas» preparam o encontro de 2014...

Rodrigues, Velez, João Dias, Vitor Costa, Castro Dias e Famalicão (de pé), 
Aldeagas, Queirós e Mota Viana, Cavaleiros do Norte de Zalala, a 14 de Setembro de 2013

Os «zalalas» aprontam o encontro de 2014 e hoje, que é dia de os «aldeias viçosas» se reunirem no Fundão, venho aqui trazer o retrato dos 9 magníficos que se saem das tamanquinhas para preparar o seu funeral de saudades.
A almoçarada, bem comida e bem bebida, e melhor confraternizada, foi no Manjar do Marquês (em Pombal) e juntou caras bem conhecidas dos «ccs´s»: o Rodrigues, o Queirós e o Mota Viana, que se juntaram aos Cavaleiros do Norte do Quitexe nos dois últimos encontros: os de Paredes (2012) e de Santo Tirso (2013). E também Castro Dias, neste último. Faltou o Pinto, com outros afazeres na agenda.
Os «zalalas» já não se encontram faz tempo, mas agora não querem perder mais tempo. O Dias e o Velez, com quem estive em pé de orelha telefónico nesse fim de almoço pombalino, foram porta-vozes do entusiasmo que os está a empolgar. «Temos de reunir, pá...», exclamou o Velez. «É a preparação do reencontro», disse o Dias.
Assim vai ser, seguramente!

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

1 806 - A revolta do Liberato, 27 de Setembro de 1974

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A esposa e o capitão Vitor, comandante do Liberato. O furriel Oliveira e dois militares da CCAÇ. 209 - o da direita (atrás) e o de baixo. Nogueira da Costa, Viegas e Oliveira a 1 de Dezembro de 2012




A 27 de Setembro de 1974, hoje se completam 39 anos, a guarnição do Quitexe viveu um dos seus dias mais difíceis e dramáticos: o da revolta da Companhia do Liberato. Tais momentos já foram aqui suficientemente narrados (ver nos links abaixo), mas faltava a associar o dia exacto. Qual foi ele, qual não foi como foi? Pois, foi 27 e foi um sábado de Setembro muito encalorado e de muitos suores e temores.
O Livro da Unidade faz-lhe breve referência: «Em 27 de Setembro, na sequência de outros incidentes internos, processaram-se na CCAÇ. 209 graves problemas disciplinares, os quais passaram ao controlo do Comando do Sector do Uíge!»A CCAÇ. 209 era a do Liberato e, sobre os incidentes, nada mais diz. 
Ao tempo e passado o susto que nos poderia ter enlutado a alma e o corpo, eu tinha regressado de férias, de laurear o queijo pela imensa Angola e, se me lembro bem, a gravidade do assunto andou em bolandas opinativas durante largos dias. E o aquartelamento em prevenção que não nos descansou o físico.
Na véspera e no dia seguinte, por coincidência, o comandante Almeida e Brito esteve reunido em Carmona, no Comando do do Sector do Uíge. Já estivera a 21 e 23, «sempre acompanhado por oficiais da CCS do BCAV.», precisamente para «contactos necessários aos bom andamento dos trabalhos militares».
A 1 de Dezembro de 2012, entretanto, e inesperadamente, fui visitado em casa por dois militares da Companhia do Liberato: o (furriel vagomestre) José Oliveira (que foi meu companheiro de turma na Escola Industrial e Comercial de Águeda e, para mim, é eternamente o Zé Marques) e o Nogueira da Costa, condutor do Liberato, que agora mora por Tomar e se «converteu» em colaborador/investigador deste blogue. 
Aqui aparecessem agora e teríamos de abrir espumante, enquanto refrescaríamos a memória sobre este dia de 1974.
1 - A revolta da Companhia do Liberato 1 /// Clicar AQUI
2 - A revolta da Companhia do Liberato - 2 \\\ Clicar AQUI
3 - A revolta da Companhia do Liberato - 3 /// Clicar AQUI
4 - O comandante do Liberato \\\ Clicar AQUI
5 - Dois «liberatos» em minha casa /// Ver AQUI