sexta-feira, 10 de outubro de 2014

2 901 . Cavaleiros de Aldeia Viçosa vão a Setúbal em 2015

O capitão José Manuel Cruz falou aos Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa (em 
cima). Em baixo, (furriéis) Ferreira e Ramalho a ladear o (alferes) Capela



Os Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa, a 27 de Setembro de 2014 e em Valongo, ouviram, sacramentalmente, as palavras de José Manuel Cruz, o capitão miliciano que os comandou na jornada africana de Angola. Ainda hoje é a sua voz de referência, 39 anos depois do regresso às suas terras e gentes.
Disse José Manuel Cruz, de voz pausada, serenamente, o que todos esperavam ouvir: que o encontro de 2015 - nos 40 anos do regresso! - será em Setúbal, com o (furriel) Letras a ser o juiz da festa. Com uma nuance: realizar-se-á no primeiro sábado de Outubro, porque, no último de Setembro, ainda anda muito pessoal ocupado com vindimas. 
A almoçarada começou entradas «tocadas» a broa de Avintes, com azeitonas, rissóis, croquetes, bolinhos de bacalhau, salsicha (toscana e grelhada) e polvo c/ molho verde, sopa e creme de legumes, logo a seguir o bacalhau à moda de Braga e lombo assado no forno, com águas sumos e vinhos (ora maduro branco e tinto, ora verde da casa para refrescar gargantas, que ainda saborearam sobremesas da casa, salada de frutas, bolo de bolacha,  pudim, molotov e vianetas, antes do bolo da companhia e café, bagaço e whisky. Pfffff!!!...
A coisa estava saborosa, apetitosa, de tal maneira que se prolongou o almoço pela tarde fora, como se boda fosse, de noivos enlaçados em juras de amor eterno. A tropa, contou o (furriel) António Artur Guedes, «só começou a desmobilizar por volta das 18 horas, começando a viagem de regresso já sob forte temporal». Este é que não foi nada simpático.
E há 39 anos, lá pelo Uíge? «A ofensiva do MPLA rumo a Carmona tem progredido com êxito», reporta a imprensa do dia de Outubro de 1975. Os combates, segundo o Diário de Lisboa desse dia, «verificam-se a cerca de 70 quilómetros de Carmona - seriam entre Aldeia Viçosa e Vista Alegre - a caminho daquele  importante centro cafeeiro, que é, simultâneamente, um dos principais redutos da FNLA».
A 10 de Outubro de 1975, há rigorosamente 39 anos, chegava a Luanda a Comissão Conciliação da OUA, recebida em festa. Estava-se a cada vez menos dias do 11 de Novembro, o dia anunciado para a independência.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

2 900 - Aldeia´s Viçosas a flautiar em Valongo

Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa em Valongo: da esquerda para a direita, Oliveira (clarim, de óculos e mão esquerda levantada), furriel Gomes (careca), Grave (pólo vermelho), capitão Cruz, furriel Guedes (de bigode e ligeiramente à frente), Tomás, Ferreira, furriéis Ramalho (de boina) e Ferreira (de casaco e calvo), Oliveira (de azul), alferes Carvalho (de óculos) e Samuel. Segunda fila; Quaresma (de bigode pullover amarelo), Venâncio (braços cruzados), Almeida (meio tapado), Rocha (careca e bigode), alferes Capela (de vermelho), Beato, alferes Machado (pólo rosa e braços cruzados), Soares (camisa branca e mãos nos bolsos), um amigo do Beato, Inácio, Alves, Santos (de bigode) e Couto. À frente, Barbosa (de casaco e braços cruzados), Sebastião (mãos nos bolsos), Freire (pólo de gola azul), furriel Cruz (de amarelo), Oliveira (de bengala, cozinheiro), Verde (de verde) e Azevedo (cor de rosa).
Em baixo, notícia sobre Aldeia Viçosa, de há 39 anos!
Clicar na imagem para  ampliar



Os Cavaleiros do Norte, em Valongo, acorreram ao toque de rancho sem uma falha. À hora aprazada, conta o (ex-furriel) Guedes, «estavam  todos os confirmados, tendo-se iniciado a "procissão", por volta das 13 horas, em direcção ao local do repasto», para a Churrasqueira Inglesa.
De papinho cheio, foi hora do capitão Cruz, comandante de Aldeia Viçosa, sublinhar a "importância destes momentos" e incentivar os «aldeias-viçosas» a continuar.  
Há 39 anos, precisamente (a 9 de Setembro de 1975), soube-se por cá que Aldeia Viçosa, onde jornadeou a 2ª. CCAV. 8423, caiu nas mãos do MPLA, «depois de violentos combates, que decorreram nos últimos dias».
O avanço do movimento de Agostinho Neto para Carmona (um dos dois últimos redutos da FNLA) parecia inexorável. Mas, em Úcua «a sorte da batalha foi favorável à FNLA, que teria conseguido ocupar a vila». A notícia (ver o recorte) é do Diário de Lisboa de faz hoje 39 anos, também uma 5ª.-feira.
* NOTA: Agradeço a colaboração 
do (furriel) António Artur Guedes.
 

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

2 899 - Cavaleiros de Aldeia Viçosa «achados » em Valongo

Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa, e suas amazonas, concentrados em Valongo. 
Em baixo, o João Tomás (que apareceu pela primeira vez) e o António Ferreira



A 27 de Setembro, dia  que acordou cinzento e a ameaçar chuva - quiçá temporal, segundo as previsões meteorológicas -, os Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa «galoparam» para Valongo, ao encontro de si mesmos.
O tempo aguentou-se, porém, e, de um pouco de todo o país, foram chegando os Cavaleiros de Aldeia Viçosa, sob a bênção de S. Pedro. «Pela minha parte, cheguei por volta 10,15 horas e já lá encontrei alguns convivas, com o cabo Beato, o anfitrião, o 1º. cabo Beato», contou o Guedes, ironizando sobre o papel dele, do Beato - qual "arrumador" de carros, num frenesim, para orientar os estacionamentos, grátis, já que ali à volta, todo o parqueamento era pago até à uma hora. 
Assim valeu, pressuroso e atencioso, pelo menos aos mais madrugadores, que encheram o parque privativo da Câmara Municipal de Valongo, em cuja frontaria se efectuou a concentração. 
O pessoal lá foi chegando, cumprimentando-se, diz o Guedes, «com esfusiantes abraços e palmadas nas costas». Mas havia alguém intruso, que nunca tinha comparecido a qualquer convívio. Só quem o arrastou, é que o conhecia. Todos os outros, nem sequer o reconheceram. Pudera...
«Tinham-se passado 39 anos. E dá a impressão que estão todos mais redondos...», brinca o Guedes.
E quem era, quem era? Era o condutor Adriano Mesquita Tomás, que pela primeira vez de juntou ao grupo, estes tantos anos depois. Obra do Ferreira, o 1º. cabo enfermeiro - que é de Ois do Bairro e ele, o Tomás, de Mogofores, duas freguesias da bairradina Anadia.
Quem também apareceu, e pouco tem aparecido, desta vez pela terceira, foi o ex-furriel Cruz, o Tó! Gente de bem e em festa!

terça-feira, 7 de outubro de 2014

2 898 - Quitexe na expectativa, uma Angola também para brancos

Quitexe, da direita para a esquerda, casa da secretaria da CCS (cobertura clara e beiral 
vermelho), casa dos furriéis, messe de oficiais e, ao fundo (cobertura clara) a 
messe e bar de sargentos. Em baixo, as leituras do (furriel) Farinhas



Aos 7 dias de Outubro de 1974 e pelas bandas do Quitexe, eram lidas, com expectativa, declarações de Agostinho Neto, em Lusaka, na véspera: "O MPLA garantirá os interesses dos brancos". Que o seu movimento reconhecia "o direito à existência das minorias brancas de Angola". Negou "fazer racismo negro" e disse que era intenção do MPLA "garantir uma política que permita a existência de brancos no nosso país".

Sobre as negociações com o Govermo Português, para fazer evoluir o processo de independência do território, disse Agostinho Neto que começariam "logo que se alcance a unidade, tanto no interior do MPLA como da FNLA". 
Pelo Quitexe, cogitava-se cada vez mais a iminência do cessar-fogo, muito desejado mas expectado com algumas reservas. O inimigo de ontem não se transforma, instantâneamente, no melhor amigo de hoje. Ou de amanhã. 
De Luanda, chegava a notícia, via Alberto Ferreira (o amigo da Força Aérea, que regularmente tinha acesso à imprensa de Lisboa, chegada praticamente no dia): "O Costa Gomes e o Spínola estiveram a comer num hotel. Outra vez amigos, não se percebe isto...», comentava o Alberto. 
O general António de Spínola tinha renunciado à Presidência das República, a 30 de Setembro - depois da chamada Intentona de 28!, ou Inventona, também assim apelidada - e Costa Gomes foi o seu sucessor imediato, logo confirmando Vasco Gonçalves como 1º. Ministro. O mesmo 1º. Ministro que, a 28 de Setembro, Spínola tinha querido demitir. Eram os tempos seguintes ao seu apelo à maioria silenciosa.
Lá pelo Quitexe, no imenso Uíge angolano, tudo isto era surpreendente e incomprendido por nós, Cavaleiros do Norte - mesmo com as esquerdizantes e revolucionárias prelecções políticas do Farinhas. O melhor era "fazer tempo" para o fazer de malas. Que ainda demoraria tempo. Só daí a 11 meses!!! Mas nós nem imaginávamos!
- FARINHAS: Joaquim Augusto Loio Farinhas, furriel
mliciano sapador, da CCS dos Cavaleiros do Norte. 
Natural de Amarante, faleceu a 14 de Julho de 2005
vítima de doença.
Ver AQUI

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

2 897 - Dias outonais do Quitexe, com notícias do Portugal revolucionário


Cavaleiros do Norte no Quitexe. Furriéis Luís Capitão e João Cardoso, cozinheiro José Maria e Carlos Lajes (bar) e furriel   Flora (atrás). Ao meio, furriéis António Cruz (de óculos e com a mão à frente da cara), alguém tapado, Luís Costa (morteiros), Armindo  Reino (com garrafa na mão) e José Fernando Carvalho (ambos de bigode). À frente, Francisco Bento (de bigode e a apontar com o dedo), José Avelino Lopes, José Carlos Fonseca e Nelson Rocha (ambos de bigode)


Quitexe, 6 de Outubro de 1974, há 40 anos. 
É domingo e chegam notícias de Portugal e da «grande jornada de trabalho, como manifestação de alegria pela vitória das forças democráticas sobre a reacção, no dia 28 de Setembro».
O apelo fôra do 1º. Ministro, o general Vasco Gonçalves e, nesse 6 de Outubro de há 40 anos «o país inteiro levantou-se à hora normal de trabalho e dirigiu-se firme e consciente do alcance da sua atitude, para os seus locais de trabalho», como releio agora, no Diário de Lisboa (ao lado), o vespertino desse dia.
A guarnição quitexana pouco ligou a tal tão momentoso assunto, mais preocupada estava com o que por Angola se passava e, mais em pormenor, pelo "nosso" Uíge. Em segredo, ia-se falando do cessar fogo e, como já foi dito, as NT limitavam-se aos serviços de rotina e aos (sempre preocupantes) patrulhamentos nos itinerários principais, para garantir a segurança do tráfego.
De Lisboa, chegaram também os resultados da bola primodivisionária, da véspera, a 5 de Outubro: Leixões-Boavista, 0-0; Farense-Espinho, 5-0, Tonar-CUF, 1-0; Oriental-Atlético, 0-0; Setúbal-Sporting, 1-1; Guimarães-Belenenses, 2-0. O Académico(a) de Coimbra-Benfica (0-4) e o FC Porto-Olhanense (4-1) foram na noite desse dia 6.
Um ano depois, já os Cavaleiros do Norte em Portugal e depois da Cimeira de Campala, os três movimentos não se entenderam, tinham dúvidas sobre a eficácia dos trabalhos e Agostinho Neto afirmou que «o MPLA declarará a independência». «Só pode haver em Angola uma independência soba a direcção do MPLA», disse ele, em Luanda, a 4 de Outubro de 1975, acusando Portugal de «não ter política em relação a Angola».
Assim ia o processo de descolonização.

domingo, 5 de outubro de 2014

2 896 - Pires e Flora, cavaleiros do 5 de Outubro

Pires de Bragança (no círculo amarelo) e Flora (no rectângulo), aniversariantes de 5 de Outubro. A foto é do Quitexe, em Dezembro de 1974. Atrás, João Cardoso, José Carvalho. Manuel Bento, Luís Costa (morteiros) e António Fernandes. Em baixo, Nelson Rocha, CJ Viegas, Graciano Silva, José Pires, José Carlos Fonseca e António Flora. À frente, Delmiro Ribeiro. Em baixo, notícia DL sobre o 5 de Outubro de 1974




5 de Outubro de 1974! É sábado e feriado e ao Quitexe chegam ecos da «grande jornada nacional» que comemora os 64 anos da implantação da República - a primeira vez, depois do 25 de Abril. Digamos que tal nos passou indiferente, mas não tanto o registo da primeira página do Diário de Lisboa (aqui ao lado), referindo a apoteótica aclamação ao presidente Costa Gomes mas também, e aqui queríamos chegar, a atribuição do nome 25 de Abril à até aí Ponte Salazar.
Ao reler isto, a memória flui para a farta discussão do bar de sargentos, opondo a absoluta concordância do Farinhas, do Fonseca e do Pires, do Montijo - que a ponte sobre o Tejo deveria ser 25 de Abril, deixando de ser  Salazar -, às dúvidas do Machado, do Neto e de mim mesmo, os três não tão concordantes com o «milagre» de fazer uma ponte numa noite (ou num dia) de apoteose revolucionária. Não chegámos a acordo, se bem me lembro... - Nem era para chegar!!!
O dia era também, pelo Quitexe, o dos 22 aninhos do Pires de Bragança, meu «condómino» do Solar dos Furriéis - ele no quatro com o Rocha, eu num outro, com o Neto. Não estou certo, mas quer parecer-me que teremos ido matar fomes e sedes no familiar ambiente do Bar do Topete, com o velho bife com ovo a cavalo e umas boas cervejolas. Ficava o Topete ao fundo da avenida, para o lado do cemitério e de Camabatela. Terá sido assim, Zé Pires?!
O mesmo dia, a pouco mais de 40 kms., foi igualmente tempo de fartos «parabéns a você» para o Flora, também a «baptizar» a festa dos seus 22 anos.
Estão ambos sexYgenários e de boa saúde. Parabéns, rapazes!!! 
- PIRES. José dos Santos Pires, furriel miliciano de 
transmissões. Aposentado das Brigadas de Trânsito, mora em Bragança.
- FLORA. António Pires Flora, furriel miliciano atirador de cavalaria, 
da 3ª. CCAV. 8423. Bancário aposentado, mora em Famões (Odivelas). 
É de Tinalhas (Alcains).

sábado, 4 de outubro de 2014

2 895 - Os 86 anos do capitão médico Manuel Leal

Manuel Leal, capitão miliciano médico, Cavaleiro do Norte do Quitexe, em 1974. Agora, 3 de Outubro de 2014, aos magníficos e felizes 86 anos. Foto de cima, com a sua «mais-que-tudo» e a filha, Benedita Stingl. Em baixo, com o neto. Dias felizes, dr. Leal!!!

Quitexe, aos dias três de Outubro de 1974, há 40 anos. É 5ª.-feira e, de Luanda, chegam notícias sobre a detenção de «indivíduos ligados à intentona de Lisboa». Disse-o, Jesuíno Correia, secretário da informação de Angola, em conferência de imprensa. Entre eles, António Navarrro. E era procurado António Ferronha, secretário geral, ambos do PCDA. Dongala Garcia, do mesmo PCDA, foi atacado em Luanda, onde circulava num carro com a sigla do partido. Era considerado reaccionário.
Rosa Coutinho, em Lisboa, confirmava que «tinham sido presos em Luanda meia dúzia de indivíduos suspeitos de ligação com os reaccionários que, em Lisboa, se preparavam para derrubar a democracia». E anunciou a instalação da censura prévia, em Angola: «Fui obrigado, com receio de especulações, a fazer uma coisa que até vai contra os meus princípios: a instituição da censura prévia».
Rosa Coutinho era o presidente da Junta Governativa e, sobre Angola, neste 3 de Setembro de há 40 anos, afirmava que «mantém-se a serenidade» e que «foi com muita calma que a colónia tomou conhecimento da intentona de Lisboa»
O mesmo dia foi de patrulhas no Quitexe, dos serviços da ordem e do 46º. aniversário do  nosso capitão médico Leal - o «nosso mais velho»! Boas taças por lá se beberam, na messe de oficiais, e ontem, em Fafe (via Póvoa do Varzim) outras se ergueram, para festejar os seus 86 anos!!! Como anteontem aqui se disse, está em forma e ainda sacerdota, como médico, ma Misericórdia de Fafe. Sobre a sua juventude, é olhar as fotos!!! Salvé, dr. Leal!!!
LEAL. Manuel Soares Cipriano Leal, capitão médico 
miliciano. Passou à disponibilidade em Novembro de 1974 e 
fez carreira médica em Fafe.
- PCDA. Partido Cristão Democrata de Angola.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

2 894 - Futebol no Quitexe e dúvidas em Campala

Cavaleiros do Norte e jogadores de futebol. Grácio, Gomes, Miguel. Botelho, Miguel Santos, Gaiteiro e Soares (de pé). NN, Mosteias. Lopes, NN, Monteiro e Teixeira (estofador). Em baixo, o alferes Hermida e a esposa, professora Graciete



A Cimeira de Campala sempre se realizou e com os três movimentos de libertação. Porém,  manchada por declarações de Idi Amin, presidente do Uganda e da OUA, acusando Daniel Chipenda de ser «um ex-ministro do MPLA, actualmente a operar mo leste de Angola, com apoio de  mercenários sul-africanos».
Chipenda tinha sido, realmente, do MPLA e aderira à FNLA, depois de ter liderado a Revolta com o seu nome. Mas, para a FNLA, estas declarações de Idi Amin, que era o anfitrião da Cimeira, assumiam «um carácter divisionista e demonstram um posição tendenciosa da OUA». E houve amuos.
Foi isto a 3 de Outubro de 1975 e a delegação portuguesa assegurava que 11 de Novembro continuava garantido como o dia da independência de Angola. 
Um ano antes, no Quitexe, realizou-se mais uma reunião da Comissão Local de Contra-Subversão (repetida a 16 e 30 de Outubro). A guarnição mantinha os patrulhamentos de segurança de itinerários e o alferes José Leonel Hermida, oficial de acção psicológica, organizou jogos de futebol, entre pelotões e sub-unidades. 
Em Dar-es-Salan, Agostinho Neto, presidente do MPLA, acusou da África do Sul de «treinar um grupo de mercenários brancos, destinado a opôr-se, pelas armas, à independência de Angola». O Dail News e o Uhuru, jornais da capital da Tanzânia, davam conta,  citando Agostinho Neto, que «este exército secreto, organizado por colonos brancos, seria formado pro 10 000 homens e disporia de três campos de treino, sendo financiado pelo Governo da África do Sul».
O líder do MPLA, citado pela France Press, recordou que havia «500 000 colonos brancos em Angola» e que «segundo lhe parecia, são bastantes numeroso os que continuam opostos a uma independência total».

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

2 893 - O capitão médico dr. Leal faz 86 anos

Alferes milicianos António Garcia e Jaime Ribeiro, 
capitão médico Manuel Leal e tenente Acácio Luz, no Quitexe (1974)

Hoje, aqui venho falar, com gosto e alegria, do nosso querido dr. Leal!!! Do capitão médico Leal que, pelo Quitexe, curou dores do corpo e sarou lutos de alma! Amanhã, faz 86 anos!!! Uffff, ganda dr. Leal!
O dr. Leal foi Cavaleiro do Norte até que findou a sua comissão, em Novembro de 1974, estão à beirinha os 40 anos do seu adeus ao Quitexe e a Angola, à África onde foi sacerdote da medicina, dividindo-se entre a comunidade militar e a população civil, fosse europeia ou africana. Pela tropa e pela Delegação de Saúde da vila, ou pelas sanzalas e fazendas onde ia - e muitas vezes o acompanhámos... -, qual João Semana, de maleta na mão e a levar o alívio ao povo que sofria e outro remédio não tinha, que não a bondade pessoal e o sacerdócio profissional do dr. Leal - ribatejano que o amor levou a semear-se por Fafe.
Foi condecorado com a medalha militar comemorativa das Campanhas do Exército Português, com a legenda Angola 1972-73-74, publicada na Ordem de Serviço 76. Foi louvado, em OS (a 78), por ter «demonstrado a maior competência profissional na resolução e todos os casos clínicos que lhe surgiram». Evidenciou, lê-se no louvor, «uma perfeita identidade com a missão que lhe foi solicitada, nunca se poupando a sacrifícios, nem olhando a horas de descanso».
Lembro bem, ele ao tempo com dobro da nossa idade, um dos nossos «mais velhos», do dfr. Leal a espalhar boa disposição e farta ironia entre a guarnição quitexana, sempre de cigarro puxado ao canto da boca, a medir uma febre, a auscultar ou a receitar uma botiquice que aliviasse as dores a quem sofria. 
Pois o «nosso» dr. Leal faz amanhã 86 anos!
Viva em Fafe e divide o seu tempo entre a terra da sua «mais que tudo» - que é Fafe... - e a Póvoa do Varzim, em casa de uma das filhas, por lá se banqueteando com o prazer de partilhar sabedoria e vida com um neto e o conforto da felicidade com a família.
«Estou numa bonita idade e ainda vou à Misericórdia, dar consultas. Só por três vezes na vida vi a pressão dos pneus», disse-me, há momentos, referindo-se à tensão arterial. 
Sempre com graça! 
Parabéns, dr. Leal!!! 
Grandes e felizes 86 anos!!! 
- LEAL: Manuel Soares Cipriano Leal, capitão miliciano 
médico dos Cavaleiros do Norte. Aposentado, 
Tem 86 anos (3/Out./2014) e vive em Fafe.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

2 892 - Pilhagens no Quitexe e anos de dois Zalala´s

Cavaleiros do Norte de Zalala, com o António Coelho e o Borges Martins 
assinalados. Em baixo,  ambos, aos 62 anos. 62 anos que hoje mesmo festejam,  
dia 1 de Outubro de 2014. Salvé!!! Quem identifica os restantes, na foto do grupo?


Outubro de 1974, na sua área de acção, foi tempo de os Cavaleiros do Norte lançarem «patrulhamentos inopinados» para, segundo o Livro Unidade, «contrariar as acções de pilhagem aos utentes dos itinerários, especialmente no troço compreendido entre Quitexe e Aldeia Viçosa». Depois do obrigatório sargento de dia (à ordem), após a apresentação de férias, foi esta uma das primeiras tarefas que me calharam na rifa (ao PELREC). Apareceram queixas de civis e, sem possibilidade de evitar tais acções da FNLA - que o LU identifica como «a força causadora», mas que «se furta ao combate» -, havia que agir no asfalto. Por lá andámos, por quanto tempo já não sei! 
Era a nova guerra, que a não era a... guerrilha, na mata - dura, perigosa e traiçoeira -, mas era mais urbana, mais nas barbas da população e da tropa. Sem menos perigo, quiçá até com mais!
O 1 de Outubro de 1974, há 40 anos, foi dia de anos (os 22!!!...?), de dois Cavaleiros do Norte, de Zalala: o Zé Borges e o António Coelho.
Agora, passados 40 anos, ambos se encontraram, depois de o Borges ter procurado Coelho, a 20 de Setembro. «Não foi difícil encontrei-o e ficámos muito felizes», contou o Zé Borges.
Parabéns para ambos, Cavaleiros do Norte de Zalala, de Vista Alegre, do Songo, de Carmona e de Luanda! E de sempre!!!
- BORGES. José Borges Martins, soldado atirador de cavalaria, da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala. Empresário comercial do sector do calçado, mora em Vila Franca de Xira. 
- COELHO. António Pedro Coelho, soldado atirador de cavalaria, da 1. CCAV. 8423, a de Zalala. Motorista aposentado da Câmara Municipal, mora em Erra (Coruche).

terça-feira, 30 de setembro de 2014

2 891 - Chegada ao Quitexe, já lá vão 40 anos!!!

Cavaleiros do Norte do PELREC. Francisco e Madaleno (à esquerda). De bigode, à frente, o Silvestre, depois o Aurélio Barbeiro (abaixado), o Florêncio (de bigode), Messejana, Soares e Vicente (ambos de bigode). Atrás destes, de cerveja na mão, o Alberto Ferreira. Aqui à frente, o alferes Garcia e o Armindo Gomes (a rir). O António (com boina no ombro), o Dionísio, dois desconhecidos e o Leal (boina no ombro). Atrás dele, o Almeida. E os três da direita, lá atrás? Em baixo, Viegas na ilha de Luanda, há 40 anos e alguns dias



A 30 de Setembro de 1974, cheguei ao Quitexe, ido de Luanda (foto) e depois de ter andado a laurear o queijo por Angola, sentindo-lhe os cheiros e os sentidos e almofadando abraços ao mar de amigos e familiares que por lá, de Luanda ao Huambo, Silva Porto e Gabela, faziam pela vida. Foi há 40 anos, hoje se passam!!
Notícias, havia, e frescas. E menos boas: «O IN realizou uma acção ofensiva na área do Liberato, ao atacar madeireiros», leio agora, no Livro da Unidade. Não era a melhor recepção, até porque também tinha havido uma flagelação a uma viatura da JAEA, na Quinta das Arcas.
Há 39, já por esta aldeia das minhas primeiras fraldas e chegado da jornada angolana há menos de um mês, fazia vésperas para retomar o meu trabalho profissional, na Grésil (onde por 16 anos fui quadro) e procurava notícias de Angola. Não era as melhores: a FNLA mantinha-se no Caxito, não se conhecia avanço do MPLA  para o Uíge mas era seguro que não desfazia armas para manter a sua supremacia territorial.
Campala, neste dia de 195, foi cada para a cimeira dos três partidos, a que falou o MPLA. A própria FNLA, a horas da abertura, não tinha confirmada presença; só  a UNITA de Savimbi já estava na cidade ugandesa. para além da delegação portuguesa: tenente-coronel Costa Braz,, capitão Rui Castro Guimarães e João Teixeira da Mota. País participantes eram Argélia, Burundi, Gana, Alto Volta, Quénia e Lesotho, Marrocos, Nigéria, Somália e Uganda.  Formavam a Comissão Conciliadora para Angola.
Ao Algarve, chegavam dez das 18 traineiras que, a 4 de Setembro, tinham saído de Luanda, rumo à Europa e a fugir dos dramas da guerra. Fundearam em Vilamoura e Olhão e as restantes navegavam entre Dakar (Senegal) e o Algarve. Em apoio, foram a fragata Pereira da Silva e a corveta Honório Barreto.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

2 890 - Acção psicológica e 22 anos de dois Cavaleiros

Messejana, Neves, Soares, Florêncio e António (de pé), Vicente, Viegas, Francisco e Leal. Em 
baixo, Teixeira, o estofador, no Encontro da Lomba (em Gondomar), em Junho de 2014, com a mãe

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O mês de Setembro de 1974 fechava portas, depois de variada actividade operacional, sem incidentes especiais. O oficial capelão do Batalhão, o padre José Ferreira de Almeida (alferes), «visitou e estacionou em todas as unidades» e, também, na área da acção psicológica, se iniciaram «as actividades da equipa de foto-cine do Batalhão». A imagem de cima, deste post, foi trabalhada pelo grupo - que envolvia, se me lembro bem, os alferes José Leonel Hermida e António Manuel Garcia. E outros.
Dinamizou-se, também, a projecção de filmes em todas as unidades (no Quitexe, em Zalala, em Aldeia Viçosa e Santa Isabel) e destacamentos - no Liberato, Luísa Maria, Vista Alegre, Além Lucunga e outros, quiçá. Por lá (man)dava mão, o 1º. cabo Rodolfo Tomás.
A 29 de Setembro de 1974, o António e o Teixeira (estofador) fizeram 22 anos. Eram jovens e garbosos Cavaleiros do Norte - que hoje saudamos e nesse dia já distante não esqueceram uma boas cucas, bem frescas e apetitosas. E que hoje felicitamos - antecipando os 62 anos de amanhã.
- TEIXEIRA. Domingos Augusto Teixeira, 1º. cabo estofador. 
Funcionário público, mora no Bairro do Cerco, no Porto.
- ANTÓNIO. Francisco Fernando Maria António, soldado atirador 
de cavalaria, do PELREC. Motorista aposentado, mora nas Abrançalhas (Abrantes).

domingo, 28 de setembro de 2014

2 889 - O novo Portugal e os portugueses desalojados de Angola

Desalojados no aeroporto de Luanda, há 39 anos (foto da net), à espera de avião para Lisboa. 
Em baixo, furriel Barata (falecido a 11 de Outubro de 1997, vítima de doença), alferes 
Lains ds Santos e furriel Rodrigues, Cavaleiros do Norte de Zalala


A 28 de Setembro de 1975, manifestantes da Associação dos Deficientes das Forças Armadas deixam as suas próteses e cadeiras de rodas à porta do Regimento de Comandos da Amadora, em protesto contra a repressão de que diziam ter sido alvo.
Realizaram-se manifestações da Frente de Unidade Revolucionária (FUR) em Lisboa, Viana do Castelo, Vila Real, Aveiro, Évora, Beja e Faro, «contra o fascismo e a social-democracia (...), a exigir o Poder Popular e repudiar o avanço da social-democracia e da direita».

Francisco de Sá Carneiro reassumiu as funções de secretário-geral do PPD -o agora PSD -, por decisão do Conselho Nacional, sendo reeleito com 111 votos a favor e 18 contra. Carlos Macedo, Artur Santos Silva (pai), Vasco Graça Moura, Miguel Veiga, Paulo Guedes de Campos, Jorge Sá Borges e Emídio Guerreiro, em graus variados, estavam contra o regresso de Sá Carneiro.
Reunidos em Cascais, altos dirigentes militares, sob presidência do vice-almirante José Pinheiro de Azevedo, que acumulava a chefia do Governo e a Presidência da República, decidiram a ocupação militar das estações das rádios e da televisão e o controlo dos noticiários.

Assim ia o país, há precisamente 39 anos! O país que os Cavaleiros do Norte, cumprida a sua missão em Angola, aprendiam a conhecer!
Por lá, o aeroporto de Luanda continuava congestionado, cheio de (próximos) desalojados. Nós mesmos, semanas antes, por lá procurando familiares e amigos, tínhamos visto as condições desfavoráveis em que aguardavam a viagem para Lisboa, ou Porto. E a Luanda começavam a chegar deslocados de Nova Lisboa, Sá da Bandeira e Moçâmedes, Lobito, Benguela Pereira d´Eça, Novo Redondo  e outras localidades - alguns até lá viajando de barco. Curiosamente, na documentação que agora consultámos, raramente aparecem referência a desalojados do norte. Do «nosso» Uíge, de Carmona, do Quitexe, de Aldeia Viçosa, de Vista Alegre, do Songo e do Negage. Por onde e como andaria aquela nossa boa gente?!

sábado, 27 de setembro de 2014

2 888 - Encontros e desencontros, guerra angolana a norte e a sul...


Atrás, o condutor Bigodes (de cigarro na mão; e o nome?), o Malheiro (1º. cabo, também de bigode e camisa de saída) e o Domingos Teixeira (entre o Morais e Cruz). Há ali três, meio tapados, que não identifico, parecendo ser o Cuba, o de óculos, a espreitar atrás do Teixeira (estofador). Atrás, à direita, os atiradores  Alberto Ferreira (de boina no ombro) e Almeida (já falecido). À frente, o condutor Silva, o Morais (furriel, o Cruz (alferes) e Aires (1º. sargento). Na foto de baixo, (furriel) Viegas, Manuel e Sérgio Viegas, a 27 /Set./14, ou 40 anos depois de se terem encontrado em Nova Lisboa




A 27 de Setembro de 1974, hoje se passam exactamente 40 anos, estava eu por Luanda e a fazer vésperas para regressar ao nosso Quitexe, depois das bem saborosas férias que me tinham levado ao Huambo (Nova Lisboa, Alto Hama, Caala, etc.), à Gabela e Novo Redondo, a Sá da Bandeira, Moçâmedes e Silva Porto (nestas duas, muito, muito brevemente...), Lobito e Benguela e, inevitavelmente, a Luanda - onde moravam e trabalhavam muitos e bons amigos e conterrâneos.
Hoje, na curvas da vida, reencontrei dois familiares próximos, que nos meados de Setembro de 1974, há já os tais 40 anos passados, achei em Nova Lisboa: o Sérgio e o Manuel, filhos de José Pires Viegas, primo direito de meu pai. Visitávamos nossas mães. Veio Nova Lisboa à conversa, fatalmente, e concluímos que eu e Manuel apenas nos encontrámos uma vez depois disso - em Julho de 2013, no funeral de seu (dele) pai. A vida levou-o a trabalhar na CUF, fixando-se na área metropolitana de Lisboa.
Há 40 anos, hoje se fazem, Almeida e Brito, o nosso comandante, reuniu no Comando de Sector do Uíge, em Carmona, tal como a 21, 23 e 25 - «sempre acompanhado de oficiais da CCS do BCAV. 8423». Na véspera, estivera na Fazenda Guerra «em convívio de amizade».
Um ano depois, a 27 de Setembro de 1975, já os Cavaleiros do Norte em Portugal, chegavam notícias da continuação de confrontos na zona do Caxito, no caminho de Luanda para Ambriz e (a nossa) Carmona.  Prosseguiam os confrontos, mas, segundo a imprensa da época, «não havendo notícias precisas sobre os combates». A zona estava ocupada pela FNLA e, no Caxito e Barra do Dande, «o MPLA fez um recuo estratégico, permitindo a ocupação dos Libombos, pela FNLA».
A sul, registavam-se incidentes entre o MPLA e a UNITA, a FNLA e o MPLA - que denunciava o apoio da de uma facção dissidente da sul-africana SWAPO aos dois exércitos rivais, sendo as forças de Holden Roberto «chefiadas pelo traidor Daniel Chipenda».
Desta data de 1975, uma última nota: os militares do Depósito Geral de Adidos recusaram-se a embarcar para Angola. Não foram os primeiros nem, julgo, os últimos.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

2 887 - Cavaleiros do Norte levados ao altar...

Cavaleiros do Norte de Santa Isabel: Belo, Rabiço, Querido, Guedes e Fernandes. Em baixo, 
o casamento do condutor Miguel Ferreira (CCS), com o padrinho (alferes) Cruz



O dia 26 de Setembro é um dia de graça, para os cavaleiros do Norte. Neste dia, em 1952, nasceram dois «santaisabéis»: o Graciano e o Canhoto. Da CCS, mas em 1976, o  Miguel Ferreira subiu ao altar, dando o nó com a sua «mais-que-tudo» da Lomba de Gondomar. Amores que já vinham (ou foram) de antes da tropa e que se tornaram mas sólidos no tempo da jornada africana. 
E sabem quem é que teve como padrinho no altar, onde jurou amores eternos, vestido de fato de ver-a-Deus? Pois, nada mais nada menos que outro Cavaleiro do Norte:  o então ex-alferes miliciano António Albano Cruz, «avec» a então jovem médica Margarida Cruz, sua senhora de uma vida e que todos nós bem conhecemos do Quitexe, de Carmona, de Luanda.
O Miguel regressou a sua Lomba e, este ano, «casou» com Cruz para, com o nível e paixão que lhes conhecemos, co-organizarem o memorável encontro de Gondomar, com vistas para o Douro e onde se «mataram» mais um avião cheio de saudades.
O Graciano - Graciano Letra Correia, soldado atirador de cavalaria, também da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel - , regressou à sua Fanhões, perto de Odivelas, e por lá faz vida.
E do Canhoto? Atirador de cavalaria, soldado de Santa Isabel, sei que José Canhoto Pereira faz vida por Colmeal da Torre, em Belmonte. Foi ele quem, em 1974, me emprestou umas botas de futebol, para eu jogar no Quitexe. Tem um irmão, o Alípio, que foi soldado condutor da CCS e é gasolineiro em Belmonte. 
Abraços e parabéns para todos! Pelos anos de vida, assim seja!! Seja, pelos de casamento, ó Miguel! 

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

2 886 - A 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, em Valongo

Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa (2ª. CCAV. 8423) no encontro de 2013, no Fundão


Os Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa reúnem dentro de menos de 49 horas em Valongo, na zona do Porto, no seu encontro anual. É o 14º., este  em versão Beato (organizador) e para quem alguém interessado da última da hora, ainda pode telefonar: 22 4221948 e 963573376.
O Beato, aqui ao lado (na foto), não deixará de tomar nota e abrir os braços para receber os «aldeiaviçosas» mais atrasados, com o carinho e afecto de quem gosta.
Por falar em Aldeia Viçosa e na companhia do capitão José Manuel Cruz, tomem nota que, há precisamente 40 anos (a 24 de Setembro de 1974) foi visitada pelo comandante Almeida e Brito, com oficiais da CCS, para «contactos necessários ao bom andamento dos trabalhos militares». Já lá tinha estado nos dias 13 e 19, do mesmo setembrino mês.
Um ano depois, já todos por cá, pelo «puto» - o Portugal Europeu... - muitos de nós continuávamos a (re)conhecer o Portugal que deixáramos em Maio de 1974 e que vivia os primeiros dias do Governo de Pinheiro de Azevedo. Governo que, neste mesmo dia de há 40 anos, ainda procurava Secretários de Estado e na agenda do Conselho da Revolução se discutia  a 5ª. Divisão e os efeitos de um declaração de Emídio Guerreiro (do PPD, agora PSD) que, no Porto, afirmara, num comício, defender a extinção do MFA e do Conselho da Revolução. Mais: tinha capacidade para armar 50 0000 homens. Assim ia o país-Portugal d final do Verão de 1975.





quarta-feira, 24 de setembro de 2014

2 885 - Angola em Nova York e a cimeira de Kampala


Cavaleiros do Norte de Zalala, com o furriel Manuel Dinis Dias (mecânico) a direita,  sentado e de boina. Quem ajuda a identificar a malta? Em baixo, Henry Kissinger,  Secretário de Estado norte-americano


«Os acontecimentos de Angola tomaram uma feição alarmante, de extrema violência. Estamos extremamente preocupados com a ingerência de potencias estrangeiras em África, que não lhe querem bem, e cuja ingerência nos assuntos internos angolanos é incompatível com a esperança de uma verdadeira independência. Cremos que uma solução justa e pacífica deve ser negociada, garantindo a todos os agrupamentos, representando a população angolana, um papel equitativo no seu futuro». - Quem assim falava, em Nova York e a 23 de Setembro de 1975, era Henry Kissinger, secretário de estado norte-americano, referindo-se ao cada vez mais magno e trágico problema angolano.
Por lá, por Angola, a situação militar estava estacionária. Continuava a FNLA no Caxito, uns 200 quilómetros a sul de Carmona e 53 a norte de Luanda, e, aqui, o estado maior do MPLA evitava falar da situação, limitando-se a comentar, segundo o Diário de Lisboa, que «prosseguem os combates, há alguns dias».
Fonte militar portuguesa, citada pela imprensa de 24 de Setembro de 1975, dava conta que «nenhuma acção notável se tinha verificado», nomeadmante na zona centro-sul, lado para que o MPLA preparava um contra-ofensiva a Nova Lisboa, onde imperavam a a UNITA e a FNLA. E onde era tensa a relação desta com a UNITA (de Savimbi) e de ambos os exércitos partidários com o português. Este, previa-se, ia abandonar a capital do Humbo a 6 de Outubro. Para Campala, no Quénia, preparava-se uma cimeira da OUA (presidida por Idi Amin) com MPLA, FNLA e UNITA, para além de Portugal. A ideia era «analisar a situação em Angola e discutirem o futuro daquele território».

terça-feira, 23 de setembro de 2014

2 284 - Cavaleiros do Norte adaptam-se, exércitos preparam a guerra


Jesuíno Pinto, José Gomes, António Carlos Letras e Amorim Martins, furriéis e 
Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa. Em baixo, 
Santos e Castro e Holden Roberto (FNLA) no Ambriz, em 1975





Há 39 anos, terça-feira como hoje e 23 de Setembro (mas de 1975), confirmava-se a tomada do Caxito, pela FNLA e, segundo a imprensa da época, era expectável uma próxima confrontação com o MPLA, ou por aquelas bandas, ou na Barra do Dande, importante nó rodoviário no acesso a Luanda. Por alguma razão os dois movimentos ali terçavam armas e sangue. Por algum motivo por lá se continuavam a registar movimentações dos exércitos dos dois partidos. Dali fôra expulsa a FNLA, a 6 de Setembro, e ali voltara, a 20 - duas semanas depois.
A situação, vista de Portugal, era sentida com emoção, pelos Cavaleiros do Norte - quase todos em férias de adaptação física e mental, aos novos ares da república e aos novos patronos da política.  
"Mudaram as moscas...", dizia Horácio Marçal, governador Cvil de Aveiro nos dias de Abril de 1974, os que fizeram  revolução, que por esses dias de Setembro de 1975 reencontrei no antigo Café Moderno, na baixa de Águeda.
A reconquista do Caxito era crucial para o MPLA, que tinha sofrido pesado revés, aparentemente apanhado de surpresa pela ofensiva do ELNA, que se dizia ser comandado pelo coronel Santos e Castro, um oficial português fora das fileiras. O directório do movimento de Agostinho Neto, em Luanda e aparentemente, não manifestava grande preocupação - classificando a perda do Caxito como "um mero desaire". Mas a verdade é que, com a FNLA a 53 quilómetos da capital, tinha de se precaver e concentrar forças, para defender Luanda.
O MPLA, segundo a imprensa da época, estava forçado a alterar a sua estratégia militar, pois a perda de Caxito tinha "interrompido" o seu caminho para a conquista de Ambriz e Carmona. Rumores, em Luanda, davam conta que as FAPLA ´s, "poderiam ser pressionadas pelas forças comandadas por Santos e Castro", alegadamente através da via Malange, Salazar e Catete - esta localidade já bem perto de Luanda, depois do Grafanil e de Viana.
Lisboa tinha novidades: era o dia do primeiro Conselho de Ministros de Pinheiro de Azevedo e 250 000 metalúrgicos anunciavam uma greve de aviso (estranha designação, para o nosso conhecimento da época...) para entre as 10 e as 11 horas de 24 de Setembro. O Sindicato dos Professores da Grande Lisboa, afecto à CGTP, questionava o Ministério (olhem que novidade!!!...) e o da Agricultura respondia a exigências do trabalhadores alentejanos. Pois!!!... Os deficientes da Forças Armadas, em luta, ocuparam as portagens da Ponte 25 de Abril, que primeiramente se chamou Salazar Foi isto, há 39 anos!!!

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

2 283 - FNLA reconquista o Caxito, na estrada para Carmona

Cavaleiros do Norte de Zalala. Furriéis José Louro, Américo Rodrigues, 
José Nascimento, Jorge Barata e Jorge Barreto e alferes Mário Jorge Sousa e 
Lains dos Santos, todos da 1ª. CCAV. 8423 


Há 39 anos, dia 22 de Setembro de 1975, chegaram notícias do norte de Angola, por onde jornadearam os Cavaleiros do Norte. Expectavam mais sangue, mais cheiro a pólvora, a dores de alma e de corpo: a FNLA, entrincheirada no Uíge e acossada do lado do Negage pelas forças do MPLA, deu um golpe de rins e reconquistou o Caxito, a escassos 53 quilómetros de Luanda, na estrada do café.
O despacho da France Press, conhecido na segunda-feira de há 39 anos (precisamente...), não era muito abundante em pormenores, citando o major Borges da Silva, porta-voz do Exército Português: «A FNLA reconquistou, no sábado de manhã, a cidade do Caxito, que se encontrava na possa das FAPLA´s».
A cidade,a pouco mais de 200 quilómetros a sul da «nossa» Carmona, era estratégica na ligação rodoviária de Luanda, para a Ambriz - porto de mar, onde a FNLA estava concentrada - e também para a Carmona. As duas cidades eram as principais posições do movimento de Holden Roberto, que a todo o custo queria tomar Luanda e expulsar o MPLA.
E por cá, pelo nosso tempo de PREC?
O Governo de Pinheiro de Azevedo ia reunir no dia seguinte e um avião da Força Aérea, se se saber para onde, levou «14 presos políticos», que, porém, se afirmavam «detidos sem culpa formada». O fim de semana teve sete atentados a sete centros de trabalho do PCP - em Cascais, Leiria, Batalha (2), Porto (2) e Marinha Grande. Otelo partiu para a Suécia, um furriel e um cabo do RI de Mafra foram presos na Trafaria (por distribuírem panfletos dos SUV - SUV que anunciaram uma manifestação em Lisboa, para 5ª.-feira seguinte). O Exército de Libertação Português (ELP) reivindicou o atentado de Cascais.
E de bola: jogo interrompido na Tapadinha, no Atlético-Sporting, quando o árbitro não marcou penálti, por falta de Damas sobre Mário Wilson, aos 79 minutos. Resultados: V. Guimarães-Braga, 1-2; Benfica-Leixões, 9-1; FC Porto-Belenenses, 3-1; U. Tomar-Académica, 2-1; V. Setúbal, Farense, 3-1; Estoril-CUF, 1-0; Beira Mar-Boavista, 1-1.

domingo, 21 de setembro de 2014

2 282 - Petardos em Portugal e Almeida e Brito em Santa Isabel

Quitexe, em imagem recente, da net: o jardim público e  a casa que foi dos 
Correios, ao fundo, do lado esquerdo. Em baixo, Almeida e Brito  em Santa Isabel



A 21 de Setembro de 1975, em Lisboa, um furriel e um cabo foram detidos na Escola Prática de Infantaria, em Mafra, por andarem a distribuir propaganda dos SUV. Registaram-se atentados bombistas em Leiria e Porto, ambos anti-comunistas. 
O dia era de domingo e eu, como certamente muitos outros Cavaleiros do Norte, ainda andávamos a reencontrar amigos de quem o tempo de 15 meses da jornada Angolana nos fez separar.
O país-político (que aprendíamos a conhecer) continuava a ser um «caixinha de surpresas» e nem bombas faltavam, a estourar. Então vínhamos da guerra, para isto? Assim era e até na messe de oficiais da Armada, em Cascais, onde estava alojado o 1º. Ministro Pinheiro de Azevedo, até aí rebentou um petardo - sem consequências.
Um ano antes, há precisamente 40 anos e no Quitexe, o comandante Almeida e Brito reuniu-se no Comando do Sector do Uíge, em Carmona, «em contactos necessários ao bom andamento dos trabalhos militares» e, no mesmo dia, «sempre acompanhado por oficiais da CCS do BCAV» visitou a 3ª. CCAV. 8423, em Santa Isabel. Lá pernoitou, regressando no dia seguinte ao Quitexe.

sábado, 20 de setembro de 2014

2 281 - Avião «detido» e flagelamentos nos Libongos

Alferes milicianos Cavaleiro do Norte
 da CCS, frente à messe de oficiais do Quitexe, 
em 1974: Jaime Ribeiro, 
António Albano Cruz, António Manuel 
Garcia e José Leonel Hermida. 
Em baixo, o Governo de Pinheiro de Azevedo


O Governo de Pinheiro de Azevedo tomou posse a 19 de Setembro de 1975 e, no mesmo dia e no sul de Angola, a UNITA «deteve» um avião da Força Aérea Portuguesa, um Nort Atlas, que tinha ido à Jamba evacuar pessoal civil da Mineira do Lobito, a pedido da empresa.
A situação militar não teve grandes alterações, relativamente às vésperas e, no dia 20, sabia-se da «estabilização das linhas ocupadas», quer pelas forças do MPLA, quer pela UNITA (a sul) e a FNLA (a norte). A «terra de ninguém», nortenha, situava-se na área do Tabi, entre os Libongos e  Ambriz - a norte da capital, Luanda.  Sabia-se porém de «flagelamentos mútuos de artilharia, em disputa da posição nos Libongos». De Carmona e do Uíge, mais para nordeste, nada se sabia.
Outra notícia do dia era o convite de Idi Amin, presidente do Uganda (e da OUA), no sentido de reunir os três movimentos  em Kampala, para discutirem a «situação de guerra civil em Angola». A data da independência (11 de Novembro) aproximava-se e a solução do conflito tonava-se «extremamente importante, tendo em conta os problemas que adviriam com a transferência de poderes, se os movimentos não encontrarem um compromisso para a actual  crise».
Compromisso? Mas qual compromisso?! Assim iam os dias de Angola, os de há 39 anos, os da pré-independência.
- RIBEIRO. Jaime Rodrigues Picão Ribeiro, alferes miliciano sapador. Engenheiro aposentado, mora no Tramagal.
- CRUZ. António Albano Araújo de Sousa Cruz, alferes miliciano mecânico. Engenheiro aposentado, mora em Santo Tirso.
- GARCIA. António Manuel Garcia, alferes miliciano de operações especiais (Rangers). Inspector da Polícia Judiciária, faleceu, de acidente, a 2 de Novembro de 1979.
- HERMIDA. José Leonel Pinto de Aragão Hermida, alferes miliciano de transmissões. Engenheiro e professor aposentado, reside na Figueira da Foz.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

2 280 - Governo novo em Lisboa e novo «Biafra» em Angola


Cavaleiros do Norte da CCS (PELREC), ainda no Quitexe, em Setembro de 1974, há 40 anos. Hipólito, Monteiro, Almeida e Vicente (de pé), Garcia, Leal, Neto e Aurélio (Barbeiro). Almeida, Vicente, Garcia e Leal já faleceram. Em baixo, notícia do Diário de Lisboa, de 19 de Setembro de 1975, há 39 anos




A 19 de Setembro de 1975, uma sexta-feira como hoje, tomou posse o VI Governo Provisório, liderado por Pinheiro de Azevedo, o almirante que viria a ser sitiado na Assembleia da República, com ministros e deputados. Era o sexto, desde menos de ano e meio antes, e por lá se manteria até 23 de Julho de 1976. Substituiu o general «vermelho» Vasco Gonçalves - de muitas boas e muito más memórias.
A grande surpresa, para nós, que dez dias antes tínhamos chegado das africanas terras de Angola, era não se saber, poucas horas antes, de todos os nomes que iriam formar o ministério. Esta surpresa e a repetida rotação de governos - já íamos em 6!!! -, como quem muda fraldas, o que não  inspirava grande confiança. Mas que país novo é este? Que incerteza e confusões são estas? Era para isto que nos avisou o comandante Almeida e Brito, na despedida do avião dos TAM, quando voávamos na chegada à Lisboa? Sabemos hoje que era, para qualquer coisa parecida com o que desaguou no 25 de Novembro.
E por lá, por Angola?
O MPLA perseguia o objectivo de controlar todo o território nacional, escapando-lhe os últimos redutos da UNITA (Nova Lisboa) e da FNLA (Carmona e Ambriz).
A expectativa dos homens de Agostinho Neto era vertida no slogan «a vitória é certa». Mas tinham preocupações: «Embora possuídos de elevado moral,  os dirigentes do MPLA não deixam, contudo de manifestar precupações, especialmente no que se refere à situação do norte», relatava a imprensa da época, acrescentando que «com efeito, seja qual for a posição das forças militares rivais no terreno, à data da independência, ficará sempre à UNITA a possibilidade de declarar, independentes de Angola, as províncias do Uíge e Zaire, dando nascimento a um novo Biafra». Seria o pior que poderia acontecer! 

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

2 279 - Família e amigos a chegar e MPLA a 30 kms. de Carmona


O antigo BC12 foi casa dos Cavaleiros no Norte, entre 2 de Março e 4 de Agosto de 1975. É agora o Quartel-General da Região Militar Norte de Angola. Foto de Carlos Ferreira, em Dezembro de 2012. Em baixo, furriel Viegas em Nova Lisboa, em Abril de 1975, com a madrinha Isolina e duas netas (Fátima e Idalina)


Os dias de Setembro de 1975, para os Cavaleiros do Norte e depois dos abraços e dos afectos que mataram saudades, foram de adaptação ao movimento revolucionário que se vivia em Portugal - estávamos em pleno PREC| - e à nova linguagem do dia-a-dia, a uma gramática verbal que nos surpreendia. Totalmente nova, aos nossos ouvidos.
Mas Angola continuava a morar-nos na alma! Como estaria aquela gente? E os nossos amigos e familiares, que por lá tinham, ficado? Uma das graças recebidas nos primeiros dias, da minha parte, foi a de saber que minha madrinha Isolina e netas já por cá estavam, fugidas de Nova Lisboa - onde tinham ficado a filha Cecília e o genro Rafael. Todos viriam, eles e todos os conterrâneos que por lá governavam a vida! Ainda ontem, casualmente, me achei com Manuel, um filho de Zé Viegas (o Zé Mau), primo de meu pai! E lá falámos dos dias amargos que por lá passaram, eles, entre o fogo da metralha violenta que opôs os movimentos e semi-destruiu a bonita cidade nova-lisboana. Fugiram a toque de fogo, por entre o cheiro da pólvora e do sangue e o medo de não poderem... fugir.
A 17 de Setembro de 1975, mais abaixo do Huambo, começaram as evacuações de Sá da Bandeira para Luanda. Estima-se que 13 500 pessoas nessa semana, mais 12 500 na seguinte. A norte, no nosso saudoso Uíge, cerravam-se fileiras para os próximos combates.
A leitura da imprensa vespertina da época, que eu religiosamente procurava em Águeda, actualizava-nos a situação: «O exército do MPLA encontra-se a apenas 30 kms. de Carmona, uma das principais fortalezas da FNLA», reportava o Diário de Lisboa.
O movimento de Holden Roberto controlava as províncias do Zaire e do Uíge! O nosso Uíge, que deixáramos a 3 de Agosto! Um mês e 15 dias antes! O MPLA queria conquistá-lo!!!

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

2 278 - Retornados, os SUV e Cavaleiros do Norte à civil

Viegas e Cândido Pires, Cavaleiros do Norte da CCS, na sanzala 
Talambanza, a saída do Quitexe para Carmona, há 40 anos. 
Em baixo, Soldados Unidos Vencerão (SUV), em Lisboa, há 39 anos

A 16 de Setembro de 1975, chegou ao Porto o primeiro avião de retornados de Angola. Até aí,  aterravam apenas em Lisboa. Mas, em Luanda, registava-se uma desmobilização de desalojados. 
«O êxodo da população branca desde há uns dias que vem enfraquecendo. Um avião da UTA, fretado pelo governo francês, teve a surpresa der não encontra nenhum passageiro para o voo diário» - noticiou o Diário de Lisboa. Um Boeing 707 da Força Aérea Alemã e um Illyucin da Alemanha do Leste «tinham já desembarcado os «desalojados» inscritos nos seus voos».
Os Cavaleiros do Norte, por cá, readaptavam-se à sua (nova) vida civil, em período manifestamente revolucionário e que cada um de nós vivia consoante a sua formação política. Pouco evoluída,  convenhamos. 
Ao tempo, desenvolvia-se a para nós (muito) estranha experiência que eram os SUV (Soldados Unidos Vencerão), grupos de militares que, de forma aparentemente clandestina, actuavam no seio das Forças Armadas - incluindo alguns graduados. Tinham sido constituídos em Agosto de 1975,  pelo PRP. Actuavam no interior dos quartéis,  com vista a promover a auto-organização política dos militares. Aos  olhos e emoções dos Cavaleiros do Norte, tal era muito estranho. 
O que se passava era que (mal nós percebíamos...) estávamos em pleno PREC e, chegados da jornada africana de Angola, éramos perfeitamente ingénuos. Ai, ai, ai... Cavaleiros do Norte!

terça-feira, 16 de setembro de 2014

2 277 - Luanda calma e MPLA a preparar ataque à FNLA

Holden Roberto a 32 quilómetros de Luanda, em Setembro de 1975


Aos 16 dias de Setembro de 1975, já se faziam oito desde a nossa chegada de Angola - a CCS dos Cavaleiros do Norte, do capitão Oliveira. Sucessivamente, chegaram a 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, do capitão Castro Dias (a 9), a 2ª. CCAV., de Aldeia Viçosa, do capitão José Manuel Cruz (10) e a 3ª. CCAV., a de Santa Isabel, do capitão José Paulo Fernandes (a 11). 
Havia notícias de Angola: «Mantém-se calma a situação nas frentes de combate», noticiava o Diário de Lisboa. Erfam notícias que devorávamos, curiosos e ansiosos.
As agências internacionais davam conta de ser provável que o MPLA estivesse a «reagrupar as suas forças, para um grande ofensiva na frente norte, a Ambriz e Carmona, principais bastiões da FNLA».  Esta, ainda segundo as mesmas agências, «encontra(va)-se isolada e em grandes dificuldades de reabastecimento, dado que as principais vias utilizadas para o efeito se encontravam sob controlo do MPLA».
Luanda, noticiava o Diário de Lisboa, estava sem combates: «A calma é total».
Ambriz, era onde estava o estado-maior da FNLA, incluindo o presidente Holden Roberto. Preparavam o ataque a Luanda e seria nesta cidade portuária do Bengo que, a 11 de Novembro de 1975, às zero horas, também ele declarou a independência de Angola - logo depois, Agostinho Neto, do MPLA, em Luanda, a capital; e Jonas  Savimbi, da UNITA, em Nova Lisboa (Huambo).
Valeria a de Agostinho Neto. Por cá, acompanhávamos o evoluir dos acontecimentos com alguma ansiedade e intranquilidade. Aquelas terras e aquelas gentes estavam-nos na alma!

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

2 276 - Ataque do MPLA às posições da FNLA no Uíge

Carmona, a estrada para o Quitexe, em Dezembro de 2012 (foto de 
Carlos Ferreira). 
Em baixo, notícia do Diário de Lisboa, de 15 de Setembro de 1975



O domingo de 14 de Setembro de 1975 foi tempo de ofensiva do MPLA em duas frentes, a sul e norte. Aqui, após duros combates com a  FNLA, próximo da cidade de Duque de Bragança. 
Um comunicado do movimento de Agostinho Neto, distribuído em Luanda, relatava que «as forças rivais bateram em retirada».
Duque de Bragança era (é) bem perto das famosas quedas de água e as forças do MPLA, a esta data de há 39 anos, aprestavam-se a conquistar a cidade, no caminho para Carmona, onde se concentrava a FNLA. Ainda havia o Negage (e a sua estratégica base aérea) pelo meio.
«Esta ofensiva do MPLA insere-se - noticiava o Diário de Lisboa de 15 de Setembro de 1975 - na progressão das suas forças rumo a Ambriz e Carmona, iniciada após a expulsão da FNLA da área da Barra do Dande».
Carmona, todavia, só viria a ser tomada a 4 de Janeiro de 1976, depois de o MPLA ocupar pontos essenciais de todo o noroeste angolano. quase sem combater, com a excepção do Negage - onde o ELNA ofereceu «uma desesperada resistência». A primeira coluna das FAPLA´s, alías, «foi massacrada e obrigada a recua». A artilharia, já na semana de Natal de 1975, faria a diferença e ocupara o aeroporto do Negage, abrindo caminho para Carmona. 
As tropas do ELNA que resistiram no Negage, recuaram e dispersaram-se, muitos refugiaram nas matas de Capuku, Quitexe (o «nosso» Quitexe!!!...), Songo, Kimbele, Nsoso e outras localidades, onde, como agora se sabe, continuariam a resistir por vários anos. Não sei quantos, nem como.