quinta-feira, 23 de outubro de 2014

2 914 - Cavaleiros em Setúbal e sul-africanos em Angola

António Cruz (furriel milician, de amarelo), José Manuel Cruz (capitão miliciano),  José Maria 
Beato (1º. cabo de transmissões) e Leonel Sebastião (1º. cabo mecânico auto), em cima.
 Em baixo, António Venâncio (soldado atirador) e José Freire (1º. cabo clarim). Fotos de AA Guedes


A rapaziada da 2ª. CCAV. 8423 que vemos nas imagens, descontraída e feliz, no Encontro de Valongo, vai voltar a reunir em 2015 (com todos os outros) mas a data, afinal, não será passada adiante do tradicional último fim de semana de Setembro, como se pensou e decidiu. E aqui se disse. Seria no primeiro sábado de Outubro,  por causa das vindimas (singular, singela e bem vínica razão....), mas voltou-se à primeira forma, por causa da... caça.
Isto porque, explica o Guedes, depois de um pé de orelha do Beato, «esqueceram-se que essa data normalmente coincide com a abertura da época venatória» e, por tal razão e assim «julgo eu - acrescenta o Guedes -, a pedido de "várias famílias", irá manter-se a mesma data» - o último sábado de Setembro.
A rapaziada, pelos vistos, é mais de caçadores que de vindimadores (!!!). O local, esse mantém-se o anunciado (Setúbal), ficando a logística a cargo do Letras e continuando a área do pessoal (contactos) nas mãos do Beato e do Ramalho.
A 23 de Outubro de 1975, o Diário de Luanda, em serviço especial para o Diário de Lisboa, titula que «força africana invade Angola, para socorrer a UNITA, em Nova Lisboa». Força que, a fazer fé no DL, era formada por
 «mercenários contratados pelo traidor Daniel Chipenda», com portugueses (ex-pides e ex-comandos), angolanos e tropas regulares sul-africanas. Entre 800 a 1000 homens, com material bélico também da África do Sul. A norte, continuavam os confrontos na Barra do Dande, no caminho do Caxito e Libongos, nas com o MPLA «a consolidar as suas posições». Do Uíge, não se falava, nesse 23 de Outubro de 1975.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

2 913 - A guerra de Angola em fase decisiva...

Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8423, no encontro de Valongo: Jorge Capela (alferes), João Azevedo (1º. cabo), Carlos Quaresma (soldado atirador) e Rafael Ramalho (furriel miliciano atirador de cavalaria). Em baixo, Joaquim Verde (soldado atirador), José Freire (1º. cabo clarim) e Oliveira (soldado condutor) 


A 22 de Outubro de 1975, o Diário de Luanda dava conta de «descompressão na frente norte, onde se travam os combates mais intensos» da guerra que opunha MPLA e FNLA, na sequência da contra-ofensiva das FAPLA, que «fizeram recuar os importantes efectivos de mercenários, para posições a norte do rio Dange, em direcção ao Caxito»
Mais para norte, ficavam Ponte do Dange, Vista Alegre, Aldeia Viçosa, Quitexe, Santa Isabel, Zalala, Songo e Carmona, terras por onde jornadearam os Cavaleiros do Norte.
Agostinho Neto, presidente do MPLA, numa e entrevista nesse dia publicada no Diário de Lisboa, garantia (ver recorte ao lado) «a guerra de Angola na fase decisiva».
Um ano antes, 21 de Outubro de 1974, «começou a processar-se,o desarmamento das milícias», o que «não teve boa aceitação por parte dos povos, nomeadamente do Quitexe e Aldeia Viçosa». A nota que aqui recapitulo é do Livro da Unidade, que também dá conta do que, por aquele tempo, nós bem sabíamos: «as milícias, salvo honrosas excepções, não tiveram actuações de vulto em defesa dos seus aldeamentos». Mas, leio no LU, «mesmo assim argumentam os povos que esses núcleos armados são a sua melhor defesa às acções de depradação e exigências do IN, argumento difícil de contrariar, já que é impossível garantir a sua vivência pacífica, pois as NT não chegarão para superar todas as situações que se lhes apresentam». Pudera.
Voemos no tempo, até 2014 e a 27 de Setembro: as imagens de hoje reportam o encontro da 2ª. CCAV. 8423, em Valongo. São uma gentileza do António Artur César Monteiro Guedes - que por lá foi furriel miliciano e, por cá, fez carreira nas Brigadas de Trânsito, atingindo a patente de sargento-chefe, já aposentado. Obrigado, sô Guedes!!! O teu parente de Moura Morta, que está o Destacamento de Águeda, manda-te um abraço.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

2 912 - Memórias avulsas de um dia de ser tio, há 41 anos!


Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa, no encontro 2014 de Valongo: Oliveira, 
Azevedo, Ferreira, Rocha e Santos (em cima), Oliveira, Guedes e Soares (em baixo). 
Mais abaixo, Viegas no tempo de Lamego e de ser tio pela primeira vez!




Há 41 anos, hoje se fazem!!!..., vejam lá!!!..., levantei-me cedo, aos meus ainda hoje costumes, comi migas de broa com café (de cevada, assim se dizia...) e açúcar amarelo, disse adeus a quem me pôs neste mundo e "zarpei", a passo largo, para o apeadeiro, onde apanhei o comboio que me levou para Águeda. Ainda não eram 8 horas da manhã, tinha alguma liberdade de entrar no Hospital Conde Sucena e lá fui eu, curioso e expectante, tic, tic, tic..., a espreitar portas e corredores, até saber notícias de minha irmã mais nova - que lá entrara na véspera, em dores de parto. Em véspera do seu primeiro natal materno!!!
Lá fui e lá cheguei, à extinta maternidade, onde ela, ainda meio a dormir, me mostrou a primogénita pimpolha, que se deixou ver de pele lavadinha e fresca, embrulhada em fraldas e apaparicos, xailinhos e pós de talco, de olhitos fechados, caladinha e dorminhoca, e sem um ai, um choro, ou uma lágrima!!... Era a minha primeira sobrinha, a Susana! A Susana, que veio a ser minha afilhada e, anos mais tarde, também comadre, ora essa!!!..., por amadrinhar o meu filho João.
Assim a conheci e assim a deixei, que o caminho era para Lamego - para o CIOE. Desci ao Zip-Zip, junto ao rio Águeda, onde me iria achar com o Neto, e de lá telefonei para a vizinha Celeste, seis, dois, cinco, nove, um!!!: 
"Olhe, diga a minha mãe que a Dulce teve uma menina!...". 
Disse e lá fui eu, eu e o Neto, e o Melro (companheiro de Anadia), a galopar quilómetros, de SIMCA 1100, branco e veloz, seguro a subir a serra, até à terra de Nossa  Senhora dos Remédios.
Estas coisas, estas recordações, fazem-nos sentir mais velhos, é verdade, mais nostálgicos e até mais crianças! Mas sabe bem saboreá-las, mastigar-lhes a saudade, amar-lhes o gosto multiplicado de se ser tio pela primeira vez e de se estar, de garbo e peito cheio, a fardar um serviço ao país.
Hoje, deu-me para isto e também, como se vê pelas imagens que aqui se publicam, continuar a fazer memória das festa dos Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa que, a 27 de Setembro deste ano, se encontraram em Valongo. Tudo boa gente!!! Deles, a esse tempo, só conhecia o então aspirante João Machado e o 1º. cabo miliciano António Carlos Letras - os futuros alferes miliciano Machado (de Lisboa) e furriel miliciano Letras (de Setúbal). Meus companheiros de especialidade, em Operações Especiais, os Rangers!!! Yááááá!!!...
Foi isto, há 41 anos, tantos quantos faz hoje a minha sobrinha, afilhada e comadre!!!
- CIOE. Centro de Instrução de Operações Especiais, 
unidade de formação dos Rangers, em Lamego.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

2 911 - Morte de M. Dinis Dias e combates em Luanda


Cavaleiros do Norte de Zalala: Rocha (?), Espinho (?), Fião, Romão, Tarciso, Aprumado, Mora, mamarracho e Pereira (de pé). Azevedo, Rego, Orlando Oliveira (?), Lopes, Dorindo e Manuel Dinis Dias, que faleceu hoje se  fazem 3 anos, vítima de doença. Em baixo, Freire e Oliveira, da 2ª. CCAV.  8423, a 27 de Setembro, no Encontro de Valongo



Hoje se passam três anos da morte de um dos cavaleiros do Norte de Zalala, o Dias. Manuel Dinis Dias, furriel miliciano mecânico! A doença levou-o, deixando-nos em luto de alma e um mar enorme de saudades. 
O Dias foi mecânico de todos os desenrascanços, manuseando competência por tudo quanto era unimogs, berliets ou tivesse 4 rodas. As suas berças vinham de Oliveira do Hospital e fixou-se em Lisboa, por onde fez vida depois da jornada angolana do Uíge - de Zalala, a Vista Alegra, ao Songo, a Luanda!  
A doença, há três anos, fê-lo passar para o mundo do além, dele ficando a saudade e a memória de quem, garboso e generoso, foi um bom Cavaleiro do Norte.
A data, esta data de memória, é também para um abraço solidário, para as mulheres de sua vida: Júlia, que amou! Júlia, que lhe deu Ana Filipa, fruto abençoado e vivo da sua paixão.
Há 39 anos, no Ambriz, onde a FNLA tinha assentado sede, o presidente Holden Roberto anunciava que estaria no dia seguinte em Luanda - o que o MPLA desmentia, garantindo a defesa da capital. Em Ambriz, estava a delegação da OUA, depois de se ter encontrado com a UNITA (em Nova Lisboa) e MPLA (em Luanda). Procurava um a solução para a guerra civil. As frentes de combate continuavam: violentos no Caxito e tomada de Kiculungo, a 70 quilómetros de Camabatela, vila bem próxima de Quitexe, na estrada que ligava ao Negage e Carmona.
Um ano antes, Outubro de 1974, iam mas calmos e esperançosos os tempos. No campo da acção psicológica, por exemplo, «rodou-se novo filme em toda a ZA». Também em Aldeia Viçosa, onde os dois Cavaleiros da imagem - o Freire e o Oliveira -, não terão perdido a oportunidade de ver a fita. Outros tempos, outros cinemas!

domingo, 19 de outubro de 2014

2 910 - Patrulhamentos para combater «banditismo da FNLA»

CAVALEIROS DO NORTE de Aldeia Viçosa, a 27 de Setembro de 2014: Beato, 
Oliveira, Ferreira, Tomás, Samuel, Almeida e Couto. Há 40 anos, estes e outros , por
 exemplo Sebastião e Santos, em baixo, "enfrentaram" na estrada os assaltos da FNLA





A 19 de Outubro de 1975, em conferência de imprensa, três militares dos SUV, encapuzados, enalteceram a «experiência-piloto de democracia directa» dentro dos muros do quartel do RASP, com comissões de soldados eleitas e revogáveis e ligação aos organismos populares de base. Um comunicado do mesmo dia e do Secretariado dos SUV-Norte, intitulado “A Luta Continua”, analisava os 13 dias de luta dos soldados do RASP e denunciava os 400 ex-comandos contratados pelo Regimento de Comandos da Amadora, enquanto se saneiam oficiais e soldados progressistas.
A UDP, em comunicado e apoio à luta dos trabalhadores da Rádio Renascença, apelava à manifestação convocada para dia 21 de Outubro. Ainda no mesmo dia, o PRP-BR declarava que não entregaria nenhum arma, apesar do ultimato do EMGFA, «até a classe operária ter chegado ao poder». O capitão Capitão Vasco Lourenço afirmou que é necessário uma confrontação rápida com a extrema-esquerda antes que «a situação se degrade». Em Fânzeres, foi assaltada e destruída a sede do PCP.
Um ano antes, a 18 de Outubro de 1974, leio no Livro de Unidade, «a FNLA começou a procurar realizar actividade de pilhagem as utentes dos itinerários, especialmente no troço compreendido entre Quitexe e Aldeia Viçosa». Precisamente aquele em que os Cavaleiros do Norte do Quitexe mais actuavam. Os de Aldeia Viçosa, alguns deles nas duas fotos de cima patrulhavam mais para sul, até Úcua e Piri.
«Procurou-se contrariar esta acção de banditismo com o lançamento de patrulhamentos inopinados, aquando do aparecimento de queixas, sem que, contudo, se preveja parar com elas já que, à aproximação das NT, a FNLA se furta ao contacto e, consequentemete, não se evita a acção já realizada e a realizar a posteriori, pois a presença das NT não é, e não pode ser, contínua», explica o Livro da Unidade.

sábado, 18 de outubro de 2014

2 909 - O amor de um cavaleiro acasamentado em Luanda

Carlos Silva, em Luanda, mai-la sua mais que tudo, de boda acasamentada, 
faz hoje 39 anos (em cima). Notícia do não avanço do MPLA sobre Luanda




O amor de um Cavaleiro do Norte levou-o ao altar, para dizer sim a um amor que ainda hoje dura, para a perdura: casou-se o alferes miliciano Carlos Silva em Luanda, aonde voltou a 26 de Setembro, duas semanas depois da chegada casa. Não perdeu tempo, depois do final da comissão. Casou a 18 de Outubro de 1975, hoje se completam 39 anos.
«O meu coração tinha ficado em Luanda e a minha partida já não tinha sido fácil, com tanta confusão que por lá havia, a nível de guerra/guerrilha, por Luanda. Não foi fácil, mas já fazia contas ao regresso, o que aconteceu logo após passagem à disponibilidade», contou Carlos Silva.
Casou e bem... casado, com um amor aprofundado, que hoje continua mergulhado em paixão.
O dia foi de sábado e se as bençãos de Deus iluminaram o jovem casal, por Luanda expectava-se sobre a eventual chegada de Holden Roberto. Mas, releio no Diário de Lisboa, citando o MPLA, «a notícia alarmista» fora divulgada em Kinshasa «por um tal senhor Bernard Woth, um perigoso reaccionário que, sendo enviado da France Press a Luanda, foi há cerca de um mês convidado a sair daqui, por motivo das notícias tendenciosas que enviava de Luanda».
O MPLA desmentia o avanço da FNLA sobre Luanda e, quanto ao Uíge, a imprensa deste dia de há 39 anos dava conta que «registaram-se nas últimas semanas, acções das forças invasoras vindas do Zaire», pela zona de Cangola. Forças que, aquarteladas em Caiongo, «mataram e saquearam a população de Quinguzu, tendo morto 30 elementos do povo e aprisionada 20 mulheres, depois de terem enforcado os maridos».
Uma outra força da FNLA´s, perto de Camabatela (uma das vilas vizinhas do Quitexe), «caiu sob fogo  intenso das FAPLA, tiveram 8 baixas e deixaram no terreno o seu equipamento militar».
A FNLA continuava a dominar no Caxito e Libongos e tinha «progredido até Úcua e Piri» - localidades por onde andaram os Cavaleiros do Norte. Mas «o MPLA controlava Cage, Mukundo, Santa Eulália, etc., a norte do Dange». Era o caminho para Vista Alegre, Aldeia Viçosa, Quitexe e Carmona.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

2 908 - A morte de Fernando Simões e mercenários para Angola

Fernando Martins Simões, 1º. cabo apontador de metralhadoras da 3ª. CCAV., 
a de Santa Isabel. Em baixo, notícia do DL de há 39 anos, sobre mercenários para Angola



Hoje, o blogue veste de luto, com a saudade e a dor de alma por mais um Cavaleiro do Norte que a morte levou: Fernando Martins Simões, 1º. cabo apontador de metralhadoras, da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel! Tinha (quase) 46 anos!!
Setembro, o mês atrás, foi tempo para aqui fazermos memória dos 62, que comemoraria no dia 2. Não comemorou. O Simões, que fez a sua jornada de África pela mítica fazenda de Santa Isabel e, depois, com toda a CCAV. 8423, acompanheirou com a CCS, no Quitexe e em Carmona, faleceu a 17 de Agosto de 1998, por suicídio.
Voltou a casa e fez vida como motorista, no seu Lourinhal, de Penacova. Foi sua (única) filha, Zaida Martins, quem nos deu notícia. Por ela, para ela e para a senhora sua mãe - Maria Esmeralda Gomes Cruz, mulher dos amores do nosso Cavaleiro do Norte!!! -, vai o nosso abraço solidário, embrulhado na saudade do homem bom e do companheiro de sempre!
A 17 de Outubro de 1975, hoje se fazem 39 anos, foi denunciada, em Lisboa, a contratação de mercenários para Angola. Noticiou o Diário de Lisboa e desmentiu o Estado Maior General das Forças Armadas. De Luanda, não havia notícias (por  nós muito expectadas) mas, por cá, ferviam os humores políticos e cresciam as labaredas do PREC.  
O Presidente da República, general Costa Gomes, em comunicado, anunciou que "serão punidos os portadores de armas de guerra" e que "estão a decorrer inquéritos sobre os desvios de armamento de unidades militares".
O Estado-Maior General das Forças Armadas lançou um ultimato de oito dias para os grupos civis entregarem as armas de guerra.
O CDS considerava que as Forças Armadas «estão intoxicadas» e, em Melgaço, aconteceu  «um atentado bombista anti-comunista».
Assim o país nascido de Abril!

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

2 907 - Saudades do Quitexe e a guerra, há 39 anos!!!

A foto aérea do Quitexe é anterior à passagem dos Cavaleiros do Norte, mas dá para identificar alguns dos principais pontos da vila: a Igreja da Santa Mãe de Deus (rectângulo amarelo, em baixo), parada, caserna, oficinas e comando (a vermelho), secretaria da CCS e casa dois furriéis (seta amarela), restaurante Pacheco (círculo cor de rosa), depósito de géneros e de armamento (sete verde), messe de oficias (rectângulo acastanhado),  messe e bar de sargentos (círculo vermelho), casa do comandante (círculo verde claro), enfermaria (quadrado branco), restaurante Rocha (círculo verde, em cima, á esquerda) estrada do café (setas vermelhas, no sentido de Carmona) e administração civil (rectângulo azul). Em baixo,  notícia do Diário de Lisboa de há 39 anos. 



A 16 de Outubro de 1975, a Comissão de Conciliação da OUA voou para Carmona, a partir de Luanda, para se encontrar com dirigentes da FNLA. Tinha chegado de Nova Lisboa, onde reuniu com a UNITA. 
A imprensa do dia dá conta de de que «afiguram-se remotas as possibilidades de conciliação entre o MPLA e os outros dois movimentos de libertação». A própria OUA considerava «bastante improvável que o MPLA aceite negociar com os seu dois rivais, antes da data marcada para a independência».
A 26 dias dessa data, leio na imprensa vespertina do dia (que eu, do trabalho, procurava em Águeda, a caminho de casa), «travavam-se intensos combates (...) nas  frentes de Luanda, do Centro e do Norte» - em Nova Lisboa e Caxito -, não se confirmando que a FNLA estivesse já a 25 kms. de Luanda, embora alguns seus soldados, armados, fossem detidos nos arredores, denunciados por populares. 
As armas «falavam» no triângulo Quitiri-Libombos e Caxito. Sobre o «nosso» Uíge, «não existem notícias pormenorizadas», relatava o Diário de Lisboa de 16 de Outubro de 1975. Apenas se sabia do «avanço do MPLA na zona dos Dembos».

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

2 906 - Cessar fogo, combates e FNLA perto de Luanda

Rocha e Fonseca (ambos de bigode), Viegas (a comer), Belo (de óculos), Ribeiro (a olhar para a esquerda dele) e Pires, de Bragança). Monteiro (de costas, Cândido Pires (de bigode e a olhar para a esquerda), Machado e Dias (de costas, este de óculos, à direita), no Quitexe. Em baixo, notícia DL de 15 de Outubro de 1975




A 15 de Outubro de 1974, a FNLA, anunciou o cessar fogo, «não oficial, é certo», como se lê no Livro da Unidade, e este foi um dos «três acontecimentos da mais elevada importância» desse mês, no que toca à ZA dos Cavaleiros do Norte. Os outros foram «o desarmamento dos milícias rurais» (coisa nada fácil) e «o êxodo maciço dos trabalhadores» do centro/sul - o que, para altura da campanha do café, poria em perigo a economia da região uíjana.
Um ano depois, o MPLA assumia-se como «o único legítimo representante do povo angolano» e, longe de se entender com UNITA e FNLA, afirmava, pela voz de Agostinho Neto, que proclamaria a independência a 11 de Novembro «aconteça o que venha a acontecer», porque era «impossível qualquer conciliação» com os dois rivais.
«São movimentos fantoches, alimentados e manipulados fora do país e totalmente estranhos aos sentimentos do nosso povo», disse Agostinho Neto.
Simultâneamente, a nordesde de Luanda, perto do nó rodoviário de Samba Caju, tropas do MPLA e da FNLA travavam «importantes combates». Na frente leste, perto do Luso, eram entre a MPLA e a UNITA. A Comissão de Reconciliação da OUA, em Luanda e depois de uma visita a Cabinda, projectava viajar para Nova Lisboa, no Huambo (a 15) e Carmona, no Uíge (a 16),  Em Cabinda, tinha sido recebida por multidão a gritar pelo MPLA. E também escutou vozes de recusa de qualquer acordo com a FNLA e a UNITA. 
«Conciliação com a FNLA e a UNITA?», perguntou um dirigente do MPLA, citado pelo Diário de Lisboa.
«Não. Esmaguem-nos, esmaguem-nos», gritou a mulltidão.
Oura notícia do DL dava conta (ver imagem) de que «forças da FNLA estão a prosseguir o seu avanço sobre a capital encontrando-se a 25 quilómetros da cidade». Na véspera, dia 14, «mantinham-se ainda na frente do Caxito e da Barra do Dande. a 50 quilómetros da capital angolana».

terça-feira, 14 de outubro de 2014

2 905 - Dois mortos entre as fazendas Alegria II e Ana Maria

Quitexe, em 2012, entrada do lado de Carmona. Em baixo, a secretaria da CCS vista da
 estrada principal (fotos da net), Mais abaixo, notícia do cessar fogo com a FNLA, há 40 anos!



Os Cavaleiros do Norte andavam avisados e aprudentados, nas patrulhas e nas escoltas das estradas e itinerários do Uíge - mesmo depois de se conhecer a intenção de cessar fogo, anunciada pela FNLA e que, oficialmente, se soube no Quitexe a 15 de Outubro de 1974. Amanhã se passam 40 anos.
A 14, o dia de hoje desse mesmo ano, leio no Livro da Unidade, «entre as fazendas Alegria II e Ana Maria mesmo no limite NE do Subsector, um grupo IN realizou uma emboscada na uma viatura civil, com êxito de sua parte, pois que obteve dois mortos civis europeus».
Cessar fogo? Olhem aí!!!
A imprensa de Luanda, na verdade, dava conta, nesse 14 de Outubro de 1974, do «cessar fogo com a FNLA a partir de amanhã», na sequência das conversações de Kinshasa, mas a verdade prática era outra, no nosso saudoso Quitexe. Como se vê.
O presidente da FNLA, através da rádio, que ouvimos por lá, através da onda média, afirmava que «a FNLA quer uma Angola livre e próspera, com todos os seus filhos, seja qual for a cor da sua pele», mas também lamentava «o fim da comunicação com o MPLA», que, na sua opinião, e cito, «debate-se com dissidências e questões meramente burocráticas e administrativas». Disso era exemplo a saída de Daniel Chipenda, que liderava a facção com o seu nome e esteve em Kinshasa, onde não esteve o MPLA.
O Comando Militar Português, entretanto, anunciou que «em Setembro, não se registaram incidentes atribuíveis à UNITA e à FNLA». O movimento de Jonas Savimbi  suspendera as hostilidades em Junho. Não operava na ZA dos Cavaleiros do Norte. O MPLA, de seu lado e leio da imprensa desse 14 de Outubro de 1974 (o Diário de Lisboa), «não tem efectuado acções ofensivas há mais de um mês, embora mão tenha declarado o cessar fogo». A sua intervenção na nossa ZA era residual, mais para sul, no caminho para Luanda.
Isto, resumido, foi o dia 14 de Outubro de 1974! Há 40 anos, era a vida dos Cavaleiros do Norte!

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

2 904 - MPLA com aviões e um Governo de União Nacional

Ferreira, capitão Cruz e alferes Carvalho à conversa, no encontro de Valongo. Em baixo, 
notícia sobe o Governo de União Nacional de Angola, anunciado pelo MPLA, há 39 anos



A 13 de Outubro de 1975, o MPLA controlava 12 das 16 províncias (distritos) de Angola. A UNITA era senhora do Huambo e do Bié. A FNLA, dominava no Zaire e no Uíge, por onde jornadearam os Cavaleiros do Norte. 
Novidade era, em Luanda, o movimento de Agostinho Neto ter proposto à Delegação da OUA a formação, depois da independência, de um governo de União Nacional, com «personalidades angolanas independentes, com um passado de patriotismo e independência».
A missão da OUA preparava-se para visitar, dentro de dias, as áreas controladas pela UNITA e pela FNLA e surgiu uma novidade: o MPLA tinha Força Aérea - com aviões de transporte e «uma esquadrilha de caças estacionada num país amigo»
«Utilizamos os nossos próprios aviões para distribuir armas às nossas tropas», disse um dirigente do MPLA, à France Press. E explicou que os pilotos eram «angolanos e não mercenários». 
Estas coisas, já vistas de Portugal, onde cada Cavaleiro do Norte retomava a sua vida normal, depois da comissão militar,  não eram de todo surpreendentes, tendo em conta a capacidade mobilizadora do MPLA e as suas influências nos areópagos políticos internacionais. 
O almirante Pinheiro de Azevedo, há precisamente 39 anos, era 1º. ministro  e falou ao país. Disse que coube ao VI Governo (o dele) «ter de enfrentar o saldo da descolonização de Angola e Timor, tão matizado de tragédias e as suas inelutáveis consequências, das quais a mais significativa, e também mais dramática, é o problema dos retornados».
Ia assim, o país-Portugal de há 39 anos, depois do regresso dos Cavaleiros do Norte!

domingo, 12 de outubro de 2014

2 903 - Acordo de cessar fogo com a FNLA, há 40 anos


Comício da FNLA em Aldeia Viçosa: civil da administração (?), capitão José Paulo Fernandes (comandante da 3ª. CCAV. 8423), dirigente da FNLA (?), capitão José Manuel Cruz (2ª. CCAV. 8423) e comandante Bundula (FNLA). Abaixo, relatório do acordo de cessar fogo de faz hoje 40 anos. Mais abaixo, o capitão Cruz, a 27 de Setembro de 2014




A 12 de Outubro de 1974, Portugal e FNLA chegaram a acordo, em Kinshasa, para o cessar-fogo. Faz hoje 40 anos!
A delegação angolana era chefiada por Holden Roberto, a portuguesa pelo General Fontes Pereira de Melo. O acordo previa, entre outros
pontos, a retirada das FAP das zonas operacionais, concentrando-se no principais centros urbanos, a extinção da OPVDCA, Flechas, GE e TE (ou outras forças da apoio às NT) e a liberdade de acção para a FNLA actuar no sentido de politizar a suas massas militantes. Só dias depois, e sem pormenores, é que soubemos do acordo. O Livro da Unidade aponta o dia 15 de Outubro como o do anúncio público do cessar fogo. E não sabíamos, lá pelo Quitexe, de como e onde tal acordo tinha sido alcançado. E muito mais tarde terá chegado às forças operacionais da FNLA, com quem as NT tinham «uma plataforma de entendimento que levava à paragem de hostilidades entre as NT e a FNLA». Só quem avisava o velho ditado, nunca fiando.
A imagem editada acima reporta-se a um comício da FNLA em Aldeia Viçosa, mas já a 26 de Novembro seguinte - de 1974. E a FNLA, como veremos em dias próximos, não se limitou a politizar as massas - por exemplo, «actividade de pilhagem» e até de emboscadas com mortes.
- OPVDCA. Organização Provincial de Voluntários de 
Defesa Civil de Angola. Havia uma unidade aquartelada à 
saída do Quitexe, à direita, para Carmona.
- FLECHAS. Forças de operações especiais dependentes da 
Direcção Geral de Segurança (DGS/PIDE).
- GE. Grupos Especiais. Havia dois no Quitexe, os 217 e 223.
- TE. Tropas Especiais.




sábado, 11 de outubro de 2014

2 902 - OUA em Luanda e Évora Soares em Zalala

Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa: Samuel, Gomes, Soares e Ferreira. Em baixo, 
notícia da chegada da Delegação da OUA a Luanda, fez ontem precisamente 39 anos. 
Mais abaixo, o furriel miliciano Évora Soares


A 2ª. CCAV. 8423 encontrou-se a 27 de Setembro de 2014, em Valongo (foto), e, a 10 de Outubro de 1975, chegou a Luanda a  delegação da OUA. Ontem se fizeram 39 anos e o objectivo era contactar MPLA, FNLA e UNITA e observar o grau de destruição provocado pela guerra civil. E, primordialmente, tentar que MPLA e UNITA se entendessem, já que com o movimento de Holden Roberto, parecia impossível. E foi! Tal como o de Agostinho Neto com o de Jonas Savimbi. E não havia dúvidas que o MPLA, que controlava quase todo o território (menos a zona de Ambrizete e o «nosso» Uíge), iria querer mostrar a sua força militar aos 30 delegados africanos.
Foi essa a razão que levou no Alto Comissário português, o almirante Leonel Cardoso, a reunir com os 30 delegados da OUA, tentando sensibilizá-los para irem também às zonas de implantação da UNITA (o Huambo) e da FNLA. Para que «a delegação veja o que deve ver».
A meados de Outubro de 1974, estão a passar-se 40 anos, chegou a Zalala o furriel miliciano José Carlos Évora Soares, em completamento da 1ª. CCAV. 8423, provavelmente para substituir o Mota Viana - que no mesmo mês foi deslocado para Sanza Pombo.
A mesma altura, exactamente entre os dias 10 e 23, foi tempo de projecção de um filme, em todas as unidades dos Cavaleiros do Norte, em «acção psicológica sobre as NT» e também com rodagem especialmente direccionada para as populações civis.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

2 901 . Cavaleiros de Aldeia Viçosa vão a Setúbal em 2015

O capitão José Manuel Cruz falou aos Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa (em 
cima). Em baixo, (furriéis) Ferreira e Ramalho a ladear o (alferes) Capela



Os Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa, a 27 de Setembro de 2014 e em Valongo, ouviram, sacramentalmente, as palavras de José Manuel Cruz, o capitão miliciano que os comandou na jornada africana de Angola. Ainda hoje é a sua voz de referência, 39 anos depois do regresso às suas terras e gentes.
Disse José Manuel Cruz, de voz pausada, serenamente, o que todos esperavam ouvir: que o encontro de 2015 - nos 40 anos do regresso! - será em Setúbal, com o (furriel) Letras a ser o juiz da festa. Com uma nuance: realizar-se-á no primeiro sábado de Outubro, porque, no último de Setembro, ainda anda muito pessoal ocupado com vindimas. 
A almoçarada começou entradas «tocadas» a broa de Avintes, com azeitonas, rissóis, croquetes, bolinhos de bacalhau, salsicha (toscana e grelhada) e polvo c/ molho verde, sopa e creme de legumes, logo a seguir o bacalhau à moda de Braga e lombo assado no forno, com águas sumos e vinhos (ora maduro branco e tinto, ora verde da casa para refrescar gargantas, que ainda saborearam sobremesas da casa, salada de frutas, bolo de bolacha,  pudim, molotov e vianetas, antes do bolo da companhia e café, bagaço e whisky. Pfffff!!!...
A coisa estava saborosa, apetitosa, de tal maneira que se prolongou o almoço pela tarde fora, como se boda fosse, de noivos enlaçados em juras de amor eterno. A tropa, contou o (furriel) António Artur Guedes, «só começou a desmobilizar por volta das 18 horas, começando a viagem de regresso já sob forte temporal». Este é que não foi nada simpático.
E há 39 anos, lá pelo Uíge? «A ofensiva do MPLA rumo a Carmona tem progredido com êxito», reporta a imprensa do dia de Outubro de 1975. Os combates, segundo o Diário de Lisboa desse dia, «verificam-se a cerca de 70 quilómetros de Carmona - seriam entre Aldeia Viçosa e Vista Alegre - a caminho daquele  importante centro cafeeiro, que é, simultâneamente, um dos principais redutos da FNLA».
A 10 de Outubro de 1975, há rigorosamente 39 anos, chegava a Luanda a Comissão Conciliação da OUA, recebida em festa. Estava-se a cada vez menos dias do 11 de Novembro, o dia anunciado para a independência.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

2 900 - Aldeia´s Viçosas a flautiar em Valongo

Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa em Valongo: da esquerda para a direita, Oliveira (clarim, de óculos e mão esquerda levantada), furriel Gomes (careca), Grave (pólo vermelho), capitão Cruz, furriel Guedes (de bigode e ligeiramente à frente), Tomás, Ferreira, furriéis Ramalho (de boina) e Ferreira (de casaco e calvo), Oliveira (de azul), alferes Carvalho (de óculos) e Samuel. Segunda fila; Quaresma (de bigode pullover amarelo), Venâncio (braços cruzados), Almeida (meio tapado), Rocha (careca e bigode), alferes Capela (de vermelho), Beato, alferes Machado (pólo rosa e braços cruzados), Soares (camisa branca e mãos nos bolsos), um amigo do Beato, Inácio, Alves, Santos (de bigode) e Couto. À frente, Barbosa (de casaco e braços cruzados), Sebastião (mãos nos bolsos), Freire (pólo de gola azul), furriel Cruz (de amarelo), Oliveira (de bengala, cozinheiro), Verde (de verde) e Azevedo (cor de rosa).
Em baixo, notícia sobre Aldeia Viçosa, de há 39 anos!
Clicar na imagem para  ampliar



Os Cavaleiros do Norte, em Valongo, acorreram ao toque de rancho sem uma falha. À hora aprazada, conta o (ex-furriel) Guedes, «estavam  todos os confirmados, tendo-se iniciado a "procissão", por volta das 13 horas, em direcção ao local do repasto», para a Churrasqueira Inglesa.
De papinho cheio, foi hora do capitão Cruz, comandante de Aldeia Viçosa, sublinhar a "importância destes momentos" e incentivar os «aldeias-viçosas» a continuar.  
Há 39 anos, precisamente (a 9 de Setembro de 1975), soube-se por cá que Aldeia Viçosa, onde jornadeou a 2ª. CCAV. 8423, caiu nas mãos do MPLA, «depois de violentos combates, que decorreram nos últimos dias».
O avanço do movimento de Agostinho Neto para Carmona (um dos dois últimos redutos da FNLA) parecia inexorável. Mas, em Úcua «a sorte da batalha foi favorável à FNLA, que teria conseguido ocupar a vila». A notícia (ver o recorte) é do Diário de Lisboa de faz hoje 39 anos, também uma 5ª.-feira.
* NOTA: Agradeço a colaboração 
do (furriel) António Artur Guedes.
 

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

2 899 - Cavaleiros de Aldeia Viçosa «achados » em Valongo

Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa, e suas amazonas, concentrados em Valongo. 
Em baixo, o João Tomás (que apareceu pela primeira vez) e o António Ferreira



A 27 de Setembro, dia  que acordou cinzento e a ameaçar chuva - quiçá temporal, segundo as previsões meteorológicas -, os Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa «galoparam» para Valongo, ao encontro de si mesmos.
O tempo aguentou-se, porém, e, de um pouco de todo o país, foram chegando os Cavaleiros de Aldeia Viçosa, sob a bênção de S. Pedro. «Pela minha parte, cheguei por volta 10,15 horas e já lá encontrei alguns convivas, com o cabo Beato, o anfitrião, o 1º. cabo Beato», contou o Guedes, ironizando sobre o papel dele, do Beato - qual "arrumador" de carros, num frenesim, para orientar os estacionamentos, grátis, já que ali à volta, todo o parqueamento era pago até à uma hora. 
Assim valeu, pressuroso e atencioso, pelo menos aos mais madrugadores, que encheram o parque privativo da Câmara Municipal de Valongo, em cuja frontaria se efectuou a concentração. 
O pessoal lá foi chegando, cumprimentando-se, diz o Guedes, «com esfusiantes abraços e palmadas nas costas». Mas havia alguém intruso, que nunca tinha comparecido a qualquer convívio. Só quem o arrastou, é que o conhecia. Todos os outros, nem sequer o reconheceram. Pudera...
«Tinham-se passado 39 anos. E dá a impressão que estão todos mais redondos...», brinca o Guedes.
E quem era, quem era? Era o condutor Adriano Mesquita Tomás, que pela primeira vez de juntou ao grupo, estes tantos anos depois. Obra do Ferreira, o 1º. cabo enfermeiro - que é de Ois do Bairro e ele, o Tomás, de Mogofores, duas freguesias da bairradina Anadia.
Quem também apareceu, e pouco tem aparecido, desta vez pela terceira, foi o ex-furriel Cruz, o Tó! Gente de bem e em festa!

terça-feira, 7 de outubro de 2014

2 898 - Quitexe na expectativa, uma Angola também para brancos

Quitexe, da direita para a esquerda, casa da secretaria da CCS (cobertura clara e beiral 
vermelho), casa dos furriéis, messe de oficiais e, ao fundo (cobertura clara) a 
messe e bar de sargentos. Em baixo, as leituras do (furriel) Farinhas



Aos 7 dias de Outubro de 1974 e pelas bandas do Quitexe, eram lidas, com expectativa, declarações de Agostinho Neto, em Lusaka, na véspera: "O MPLA garantirá os interesses dos brancos". Que o seu movimento reconhecia "o direito à existência das minorias brancas de Angola". Negou "fazer racismo negro" e disse que era intenção do MPLA "garantir uma política que permita a existência de brancos no nosso país".

Sobre as negociações com o Govermo Português, para fazer evoluir o processo de independência do território, disse Agostinho Neto que começariam "logo que se alcance a unidade, tanto no interior do MPLA como da FNLA". 
Pelo Quitexe, cogitava-se cada vez mais a iminência do cessar-fogo, muito desejado mas expectado com algumas reservas. O inimigo de ontem não se transforma, instantâneamente, no melhor amigo de hoje. Ou de amanhã. 
De Luanda, chegava a notícia, via Alberto Ferreira (o amigo da Força Aérea, que regularmente tinha acesso à imprensa de Lisboa, chegada praticamente no dia): "O Costa Gomes e o Spínola estiveram a comer num hotel. Outra vez amigos, não se percebe isto...», comentava o Alberto. 
O general António de Spínola tinha renunciado à Presidência das República, a 30 de Setembro - depois da chamada Intentona de 28!, ou Inventona, também assim apelidada - e Costa Gomes foi o seu sucessor imediato, logo confirmando Vasco Gonçalves como 1º. Ministro. O mesmo 1º. Ministro que, a 28 de Setembro, Spínola tinha querido demitir. Eram os tempos seguintes ao seu apelo à maioria silenciosa.
Lá pelo Quitexe, no imenso Uíge angolano, tudo isto era surpreendente e incomprendido por nós, Cavaleiros do Norte - mesmo com as esquerdizantes e revolucionárias prelecções políticas do Farinhas. O melhor era "fazer tempo" para o fazer de malas. Que ainda demoraria tempo. Só daí a 11 meses!!! Mas nós nem imaginávamos!
- FARINHAS: Joaquim Augusto Loio Farinhas, furriel
mliciano sapador, da CCS dos Cavaleiros do Norte. 
Natural de Amarante, faleceu a 14 de Julho de 2005
vítima de doença.
Ver AQUI

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

2 897 - Dias outonais do Quitexe, com notícias do Portugal revolucionário


Cavaleiros do Norte no Quitexe. Furriéis Luís Capitão e João Cardoso, cozinheiro José Maria e Carlos Lajes (bar) e furriel   Flora (atrás). Ao meio, furriéis António Cruz (de óculos e com a mão à frente da cara), alguém tapado, Luís Costa (morteiros), Armindo  Reino (com garrafa na mão) e José Fernando Carvalho (ambos de bigode). À frente, Francisco Bento (de bigode e a apontar com o dedo), José Avelino Lopes, José Carlos Fonseca e Nelson Rocha (ambos de bigode)


Quitexe, 6 de Outubro de 1974, há 40 anos. 
É domingo e chegam notícias de Portugal e da «grande jornada de trabalho, como manifestação de alegria pela vitória das forças democráticas sobre a reacção, no dia 28 de Setembro».
O apelo fôra do 1º. Ministro, o general Vasco Gonçalves e, nesse 6 de Outubro de há 40 anos «o país inteiro levantou-se à hora normal de trabalho e dirigiu-se firme e consciente do alcance da sua atitude, para os seus locais de trabalho», como releio agora, no Diário de Lisboa (ao lado), o vespertino desse dia.
A guarnição quitexana pouco ligou a tal tão momentoso assunto, mais preocupada estava com o que por Angola se passava e, mais em pormenor, pelo "nosso" Uíge. Em segredo, ia-se falando do cessar fogo e, como já foi dito, as NT limitavam-se aos serviços de rotina e aos (sempre preocupantes) patrulhamentos nos itinerários principais, para garantir a segurança do tráfego.
De Lisboa, chegaram também os resultados da bola primodivisionária, da véspera, a 5 de Outubro: Leixões-Boavista, 0-0; Farense-Espinho, 5-0, Tonar-CUF, 1-0; Oriental-Atlético, 0-0; Setúbal-Sporting, 1-1; Guimarães-Belenenses, 2-0. O Académico(a) de Coimbra-Benfica (0-4) e o FC Porto-Olhanense (4-1) foram na noite desse dia 6.
Um ano depois, já os Cavaleiros do Norte em Portugal e depois da Cimeira de Campala, os três movimentos não se entenderam, tinham dúvidas sobre a eficácia dos trabalhos e Agostinho Neto afirmou que «o MPLA declarará a independência». «Só pode haver em Angola uma independência soba a direcção do MPLA», disse ele, em Luanda, a 4 de Outubro de 1975, acusando Portugal de «não ter política em relação a Angola».
Assim ia o processo de descolonização.

domingo, 5 de outubro de 2014

2 896 - Pires e Flora, cavaleiros do 5 de Outubro

Pires de Bragança (no círculo amarelo) e Flora (no rectângulo), aniversariantes de 5 de Outubro. A foto é do Quitexe, em Dezembro de 1974. Atrás, João Cardoso, José Carvalho. Manuel Bento, Luís Costa (morteiros) e António Fernandes. Em baixo, Nelson Rocha, CJ Viegas, Graciano Silva, José Pires, José Carlos Fonseca e António Flora. À frente, Delmiro Ribeiro. Em baixo, notícia DL sobre o 5 de Outubro de 1974




5 de Outubro de 1974! É sábado e feriado e ao Quitexe chegam ecos da «grande jornada nacional» que comemora os 64 anos da implantação da República - a primeira vez, depois do 25 de Abril. Digamos que tal nos passou indiferente, mas não tanto o registo da primeira página do Diário de Lisboa (aqui ao lado), referindo a apoteótica aclamação ao presidente Costa Gomes mas também, e aqui queríamos chegar, a atribuição do nome 25 de Abril à até aí Ponte Salazar.
Ao reler isto, a memória flui para a farta discussão do bar de sargentos, opondo a absoluta concordância do Farinhas, do Fonseca e do Pires, do Montijo - que a ponte sobre o Tejo deveria ser 25 de Abril, deixando de ser  Salazar -, às dúvidas do Machado, do Neto e de mim mesmo, os três não tão concordantes com o «milagre» de fazer uma ponte numa noite (ou num dia) de apoteose revolucionária. Não chegámos a acordo, se bem me lembro... - Nem era para chegar!!!
O dia era também, pelo Quitexe, o dos 22 aninhos do Pires de Bragança, meu «condómino» do Solar dos Furriéis - ele no quatro com o Rocha, eu num outro, com o Neto. Não estou certo, mas quer parecer-me que teremos ido matar fomes e sedes no familiar ambiente do Bar do Topete, com o velho bife com ovo a cavalo e umas boas cervejolas. Ficava o Topete ao fundo da avenida, para o lado do cemitério e de Camabatela. Terá sido assim, Zé Pires?!
O mesmo dia, a pouco mais de 40 kms., foi igualmente tempo de fartos «parabéns a você» para o Flora, também a «baptizar» a festa dos seus 22 anos.
Estão ambos sexYgenários e de boa saúde. Parabéns, rapazes!!! 
- PIRES. José dos Santos Pires, furriel miliciano de 
transmissões. Aposentado das Brigadas de Trânsito, mora em Bragança.
- FLORA. António Pires Flora, furriel miliciano atirador de cavalaria, 
da 3ª. CCAV. 8423. Bancário aposentado, mora em Famões (Odivelas). 
É de Tinalhas (Alcains).

sábado, 4 de outubro de 2014

2 895 - Os 86 anos do capitão médico Manuel Leal

Manuel Leal, capitão miliciano médico, Cavaleiro do Norte do Quitexe, em 1974. Agora, 3 de Outubro de 2014, aos magníficos e felizes 86 anos. Foto de cima, com a sua «mais-que-tudo» e a filha, Benedita Stingl. Em baixo, com o neto. Dias felizes, dr. Leal!!!

Quitexe, aos dias três de Outubro de 1974, há 40 anos. É 5ª.-feira e, de Luanda, chegam notícias sobre a detenção de «indivíduos ligados à intentona de Lisboa». Disse-o, Jesuíno Correia, secretário da informação de Angola, em conferência de imprensa. Entre eles, António Navarrro. E era procurado António Ferronha, secretário geral, ambos do PCDA. Dongala Garcia, do mesmo PCDA, foi atacado em Luanda, onde circulava num carro com a sigla do partido. Era considerado reaccionário.
Rosa Coutinho, em Lisboa, confirmava que «tinham sido presos em Luanda meia dúzia de indivíduos suspeitos de ligação com os reaccionários que, em Lisboa, se preparavam para derrubar a democracia». E anunciou a instalação da censura prévia, em Angola: «Fui obrigado, com receio de especulações, a fazer uma coisa que até vai contra os meus princípios: a instituição da censura prévia».
Rosa Coutinho era o presidente da Junta Governativa e, sobre Angola, neste 3 de Setembro de há 40 anos, afirmava que «mantém-se a serenidade» e que «foi com muita calma que a colónia tomou conhecimento da intentona de Lisboa»
O mesmo dia foi de patrulhas no Quitexe, dos serviços da ordem e do 46º. aniversário do  nosso capitão médico Leal - o «nosso mais velho»! Boas taças por lá se beberam, na messe de oficiais, e ontem, em Fafe (via Póvoa do Varzim) outras se ergueram, para festejar os seus 86 anos!!! Como anteontem aqui se disse, está em forma e ainda sacerdota, como médico, ma Misericórdia de Fafe. Sobre a sua juventude, é olhar as fotos!!! Salvé, dr. Leal!!!
LEAL. Manuel Soares Cipriano Leal, capitão médico 
miliciano. Passou à disponibilidade em Novembro de 1974 e 
fez carreira médica em Fafe.
- PCDA. Partido Cristão Democrata de Angola.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

2 894 - Futebol no Quitexe e dúvidas em Campala

Cavaleiros do Norte e jogadores de futebol. Grácio, Gomes, Miguel. Botelho, Miguel Santos, Gaiteiro e Soares (de pé). NN, Mosteias. Lopes, NN, Monteiro e Teixeira (estofador). Em baixo, o alferes Hermida e a esposa, professora Graciete



A Cimeira de Campala sempre se realizou e com os três movimentos de libertação. Porém,  manchada por declarações de Idi Amin, presidente do Uganda e da OUA, acusando Daniel Chipenda de ser «um ex-ministro do MPLA, actualmente a operar mo leste de Angola, com apoio de  mercenários sul-africanos».
Chipenda tinha sido, realmente, do MPLA e aderira à FNLA, depois de ter liderado a Revolta com o seu nome. Mas, para a FNLA, estas declarações de Idi Amin, que era o anfitrião da Cimeira, assumiam «um carácter divisionista e demonstram um posição tendenciosa da OUA». E houve amuos.
Foi isto a 3 de Outubro de 1975 e a delegação portuguesa assegurava que 11 de Novembro continuava garantido como o dia da independência de Angola. 
Um ano antes, no Quitexe, realizou-se mais uma reunião da Comissão Local de Contra-Subversão (repetida a 16 e 30 de Outubro). A guarnição mantinha os patrulhamentos de segurança de itinerários e o alferes José Leonel Hermida, oficial de acção psicológica, organizou jogos de futebol, entre pelotões e sub-unidades. 
Em Dar-es-Salan, Agostinho Neto, presidente do MPLA, acusou da África do Sul de «treinar um grupo de mercenários brancos, destinado a opôr-se, pelas armas, à independência de Angola». O Dail News e o Uhuru, jornais da capital da Tanzânia, davam conta,  citando Agostinho Neto, que «este exército secreto, organizado por colonos brancos, seria formado pro 10 000 homens e disporia de três campos de treino, sendo financiado pelo Governo da África do Sul».
O líder do MPLA, citado pela France Press, recordou que havia «500 000 colonos brancos em Angola» e que «segundo lhe parecia, são bastantes numeroso os que continuam opostos a uma independência total».

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

2 893 - O capitão médico dr. Leal faz 86 anos

Alferes milicianos António Garcia e Jaime Ribeiro, 
capitão médico Manuel Leal e tenente Acácio Luz, no Quitexe (1974)

Hoje, aqui venho falar, com gosto e alegria, do nosso querido dr. Leal!!! Do capitão médico Leal que, pelo Quitexe, curou dores do corpo e sarou lutos de alma! Amanhã, faz 86 anos!!! Uffff, ganda dr. Leal!
O dr. Leal foi Cavaleiro do Norte até que findou a sua comissão, em Novembro de 1974, estão à beirinha os 40 anos do seu adeus ao Quitexe e a Angola, à África onde foi sacerdote da medicina, dividindo-se entre a comunidade militar e a população civil, fosse europeia ou africana. Pela tropa e pela Delegação de Saúde da vila, ou pelas sanzalas e fazendas onde ia - e muitas vezes o acompanhámos... -, qual João Semana, de maleta na mão e a levar o alívio ao povo que sofria e outro remédio não tinha, que não a bondade pessoal e o sacerdócio profissional do dr. Leal - ribatejano que o amor levou a semear-se por Fafe.
Foi condecorado com a medalha militar comemorativa das Campanhas do Exército Português, com a legenda Angola 1972-73-74, publicada na Ordem de Serviço 76. Foi louvado, em OS (a 78), por ter «demonstrado a maior competência profissional na resolução e todos os casos clínicos que lhe surgiram». Evidenciou, lê-se no louvor, «uma perfeita identidade com a missão que lhe foi solicitada, nunca se poupando a sacrifícios, nem olhando a horas de descanso».
Lembro bem, ele ao tempo com dobro da nossa idade, um dos nossos «mais velhos», do dfr. Leal a espalhar boa disposição e farta ironia entre a guarnição quitexana, sempre de cigarro puxado ao canto da boca, a medir uma febre, a auscultar ou a receitar uma botiquice que aliviasse as dores a quem sofria. 
Pois o «nosso» dr. Leal faz amanhã 86 anos!
Viva em Fafe e divide o seu tempo entre a terra da sua «mais que tudo» - que é Fafe... - e a Póvoa do Varzim, em casa de uma das filhas, por lá se banqueteando com o prazer de partilhar sabedoria e vida com um neto e o conforto da felicidade com a família.
«Estou numa bonita idade e ainda vou à Misericórdia, dar consultas. Só por três vezes na vida vi a pressão dos pneus», disse-me, há momentos, referindo-se à tensão arterial. 
Sempre com graça! 
Parabéns, dr. Leal!!! 
Grandes e felizes 86 anos!!! 
- LEAL: Manuel Soares Cipriano Leal, capitão miliciano 
médico dos Cavaleiros do Norte. Aposentado, 
Tem 86 anos (3/Out./2014) e vive em Fafe.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

2 892 - Pilhagens no Quitexe e anos de dois Zalala´s

Cavaleiros do Norte de Zalala, com o António Coelho e o Borges Martins 
assinalados. Em baixo,  ambos, aos 62 anos. 62 anos que hoje mesmo festejam,  
dia 1 de Outubro de 2014. Salvé!!! Quem identifica os restantes, na foto do grupo?


Outubro de 1974, na sua área de acção, foi tempo de os Cavaleiros do Norte lançarem «patrulhamentos inopinados» para, segundo o Livro Unidade, «contrariar as acções de pilhagem aos utentes dos itinerários, especialmente no troço compreendido entre Quitexe e Aldeia Viçosa». Depois do obrigatório sargento de dia (à ordem), após a apresentação de férias, foi esta uma das primeiras tarefas que me calharam na rifa (ao PELREC). Apareceram queixas de civis e, sem possibilidade de evitar tais acções da FNLA - que o LU identifica como «a força causadora», mas que «se furta ao combate» -, havia que agir no asfalto. Por lá andámos, por quanto tempo já não sei! 
Era a nova guerra, que a não era a... guerrilha, na mata - dura, perigosa e traiçoeira -, mas era mais urbana, mais nas barbas da população e da tropa. Sem menos perigo, quiçá até com mais!
O 1 de Outubro de 1974, há 40 anos, foi dia de anos (os 22!!!...?), de dois Cavaleiros do Norte, de Zalala: o Zé Borges e o António Coelho.
Agora, passados 40 anos, ambos se encontraram, depois de o Borges ter procurado Coelho, a 20 de Setembro. «Não foi difícil encontrei-o e ficámos muito felizes», contou o Zé Borges.
Parabéns para ambos, Cavaleiros do Norte de Zalala, de Vista Alegre, do Songo, de Carmona e de Luanda! E de sempre!!!
- BORGES. José Borges Martins, soldado atirador de cavalaria, da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala. Empresário comercial do sector do calçado, mora em Vila Franca de Xira. 
- COELHO. António Pedro Coelho, soldado atirador de cavalaria, da 1. CCAV. 8423, a de Zalala. Motorista aposentado da Câmara Municipal, mora em Erra (Coruche).