segunda-feira, 13 de junho de 2016

3 426 - Encontros e desencontros, aerograma de uma mãe...

Alguns dos civis de Carmona que foram recolhidos pelos Cavaleiros do 
Norte e «alojados» na parada do BC12, na dramática primeira semana  
de Junho de 1975. Terão sido na ordem dos 2000!


Manuel Machado (furriel miliciano), Rodrigo
(Buraquinho Júnior) e capitão Acácio Luz no
encontro de Custóias/Maia de 4 de Junho de 2016.

Em baixo, o condutor Abílio Duarte e o 
sapador Afonso Henriques, no mesmo dia e local
Os Cavaleiros do Norte da CCS apontam a zona de Santarém, ou até no RC4, como local do encontro de 2017, que terá o condutor Vicente Alves como mestre de cerimónias. Isto, para favorecer a participação de companheiros localizados mais a sul.
A CCS, na verdade, tem reunido essencialmente a norte: Águeda (várias vezes), Mortágua, Gondomar, Paredes, Santo Tirso, Penafiel... Mais para sul, apenas em Ferreira do Zêzere (2010) e Leiria (em 1996, no último encontro a
nível de Batalhão).

A propósito deste, de novo foi sugerida a realização de um encontro deste tipo, mas nada está decidido por ora. Da parte da CCS, há
disponibilidade mas avançará com o encontro próprio no dia 3 de Junho de 2017. De houver comunhão de interesses, da parte das três outras companhias, certamente que não será difícil chegar a acordo.
Há 41 anos, a imprensa matutina de Luanda dava conta de declarações de Jonas Savimbi, presidente da UNITA, em Abidjan,  então a capital da Costa do Marfim (até 1983), referindo que «só nos incidentes de Abril, em Angola, terão morrido 4000 pessoas».
Cavaleiros do Norte de Zalala, todos milicianos,
no Pombal, a 4 de Junho de 2026: alferes Pedro Rosa,
furriel Victor Velez e capitão Castro Dias
Os movimentos preparavam-se para a Cimeira de Nairobi e, em Luanda, MPLA e UNITA afirmavam que «os ideais dos nossos movimentos são afins». As palavras eram de Manuel Pacavira, dirigente do MPLA, depois de uma reunião realizada na subdelegação deste partido no Bairro Rangel, com elementos do Departamento de Assuntos Sociais da UNITA.
Por via disso, o mesmo dirigente do MPLA comentou que «temos de conjugar os nossos esforços para evitar que  imperialismo de instale no nosso país». Acrescentou Manuel Pacavira, sobre «determinadas dissidências de massa dos dois movimentos», que «ficou decidido por uma pedra sobre o assunto».
A cimeira, porém, é que estava na ordem do dia, mas, segundo a imprensa do dia, «da agenda nada transpirou», porque tal «podia prejudicar os trabalhos».
O dia era 6ª.-feira e, de casa, recebi numa aerograma de minha mãe, já com algum atraso. datado de 9 desse Junho de 1975: «Consta por vá que isso anda muito mau por até e tu escreves dizer que está tudo bem (...). Não sei porque me andas a mentir, deixando o meu coração ainda mais negro, diz-me a verdade...».
Eu tinha-lhe enviado correio, narrando muito sumariamente os dias de Carmona, garantindo-lhe que nada era connosco, mas antes com os movimentos. Não quis acreditar, o que me levou a passar a diários, os dois ou três aerogramas que lhe escrevia por semana.

domingo, 12 de junho de 2016

3 425 - Cavaleiros de Zalala no Songo e manifestações em Luanda

Cavaleiros do Norte da 1ª. CCAV. 8423, a maior parte deles já identificados 
pelo furriel João Dias. A foto foi disponibilizada pela filha do furriel Manuel 
Dinis Dias, falecido a 20 de Outubro de 2011, de doença e em Lisboa

A Família João Custódio Dias, furriel de TRMS, à
esquerda, um dos organizadores  (com esposa,

 nora e filhos) no encontro da 1ª. CCAV. 8423, a 
deZalala, a 4 de Junho de 2016, no Pombal

A 12 de Junho de 1975, a 1ª. CCAV. 8423, completou a sua rotação para Carmona (iniciada a 6). Os homens do capitão miliciano Davide de Oliveira Castro Dias tinham chegado a Angola (e ao Grafanil) no dia 1 de Junho de 1974, dali saindo para Zalala (a 6), depois daqui para Vista Alegre e Ponte do Dange (a 21 de Novembro) e finalmente daqui para o Songo (a 24 de Abril de 1975). 
O condutor Almeida e o furriel Manuel
Pinto (Rangers), no encontro da 1ª. CCAV.
8423 do Pombal, a 4 de Junho de 2016
Os Cavaleiros do Norte de Zalala, já no Songo, aquartelaram também, temporariamente, no Destacamento de Cachalonde - onde esteve o grupo de combate do alferes miliciano Pedro Marques da Silva Rosa, com os furriéis milicianos João Matias Mota Aldeagas e Victor Manuel da Conceição Gregório Velez.
A guarnição da cidade capital do Uíge ficou assim  mais reforçada, mas ainda a aguardar a saída da 3ª. CCAV. 8423 do Quitexe - onde estava desde 10 de Dezembro, ida da Fazenda Santa Isabel, no âmbito do processo de «mutação do dispositivo», como refere o Livro da Unidade.
Noticia que chegou a Luanda. neste dia 12 de Juno de 1975 foi a de que «milhares de bailundos se manifestaram ontem frente ao Palácio do Governador, exigindo o seu regresso às suas terras do sul de Angola». O 1º. Ministro José N´Dele, pela UNITA, garantiu-lhes que ia «ser resolvido o problema de segurança» e pediu aos manifestantes que «mantivessem os seus postos de trabalho». Mas estes insistiram no regresso às suas terras.
António Filipe Louro Lucas, mecânico-auto
de Zalala, com a esposa no convívio de 4
de Junho de 2016, em Pombal
O Diário de Luanda desse mesmo dia dava conta que «a delegação do MPLA à cimeira será constituída por Agostinho Neto, Lúcio Lara, Hermínio Escórcio, Lopo do Nascimento, Van Dunen, Diógenes Boavida, Iko Carreira, Maria do Carmo Medina, Nito Alves, Afonso N´Binda e Victor Carvalho».
A cimeira, com a UNITA e a FNLA, estava marcada para o dia 15 desse Junho de há 41 anos, em Nairóbi, a capital do Quénia. Admitia-se que iria decidir, entre outras coisas, «uma profunda remodelação ministerial».
Carmona, por esses dias, acalmava a vida e era sucessivamente tomadas medidas, por parte do comando dos Cavaleiros do Norte, no sentido de garantir a segurança de pessoas e bens. Foram tempos difíceis e amargos, mas dos quais nos orgulhamos.


sábado, 11 de junho de 2016

3 424 - Cavaleiros em Santa Isabel e tensão emocional em Carmona

A chegada dos Cavaleiros do Norte da 3ª. Companhia de Cavalaria 8423
à Fazenda Santa Isabel. A 11 de Junho de 1974, hoje se fazem 42 anos!
O Alfredo Coelho (Buraquinho) e o Aurélio
Júnior (barbeiro) ladeando o furriel Machado, o
novo doutor dos Cavaleiros do Norte
O Alfredo Coelho (1º. cabo Buraquinho) fez as honras de anfitrião do encontro 2016 da CCS e, no seu nome e do Miguel Teixeira e Joaquim Celestino Silva (os organizadores), disse do «muito gosto» tido em preparar este «feliz encontro» dos Cavaleiros do Norte do Quitexe. Tinham boas razões para isso, tudo correu em bom estilo e grande partilha de emoções.
O Viegas, apontado como «o nosso general», por ser o editor deste «blogue diário da vida do Batalhão e do desenvolvimento do processo de independência de Angola», como sublinhou o capitão Acácio Luz, foi chamado a orar e foi breve, enaltecendo «os valores da partilha que todos comungamos» e deu notícia do doutoramento do (furriel) Manuel Afonso Machado - que foi imediata e espontâneamente aplaudido.
Machado, o senhor doutor (por extenso), respondeu, de olhos rasgados de emoção e a sorrir de felicidade: «Aqui e sempre, ninguém é mais que o outro. As patentes ficaram lá, os cargos que temos e os lugares que somos, não são daqui, aqui somos todos irmãos e todos iguais!».
Há 42 anos, 11 de Junho de 1974, a 3ª. CCAV. 8423 chegava à Fazenda Santa Isabel, onde se aquartelaria até 10 de Dezembro do mesmo ano, quando rodou para o Quitexe. Completava-se, assim, a rotação do Batalhão de Cavalaria 8423, desde Santa Margarida (em Portugal) e Campo Militar do Grafanil - para a jornada africana de Angola, que continuaria até Setembro de 1975.
Um ano depois, por Carmona, diligenciava-se a criação das Forças Militares Mistas, com a formação da 1ª. Companhia (a 1ª. FMM), que viria a ser «integrada por elementos da FNLA e da UNITA». O MPLA, recordemos, tinha sido expulso da região, depois da sangrenta primeira semana desse Junho de 1975.  
A instrução, nas diversas especialidades, era dada por quadros dos Cavaleiros do Norte e o mês, segundo o Livro da Unidade, «decorreu sob forte tensão emocional, quer pelos alguns atritos que voltaram a dar-se, quer também porque se estão vivendo momentos de carências logísticas». Tais momentos, ainda segundo o Livro da Unidade, eram «reflexo  do estado de patente conflito que continua e que dá azo a um desabar de esperanças que se possa ver em bom e belo panorama o dia de amanhã».


sexta-feira, 10 de junho de 2016

3 423 - Carmona reforçada e centenas de mortos em Luanda

Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa. À esquerda e
de pé, está o furriel miliciano Mário Matos. Quem ajuda a identificar o grupo?
Encontro de Custóias/Maia: Albino
Capela, Neto e Alfredo Coelho (Buraquinho),
este a tapar o capitão Acácio Luz

Albino Capela era o capelão do Quitexe e, desde 1 de Junho de 1996, do encontro de Pombal, que é conviva permanente da CCS dos Cavaleiros do Norte. «Estou aqui com muita, muita alegria!...», afirmou a 4 de Junho de 2016, 20 anos depois e no encontro de Custóias e Maia.
António Albino Vieira Martins Capela missionava na Igreja de Santa Maria de Deus do Quitexe e por lá ficou, ainda depois da saída da 3ª. CCAV. 8423 - a última guarnição da vila-mártir de 1961.
Três Amazonas do Norte no encontro da CCS
de 2016: Afonso Henriques, Neto e Viegas 
Aposentado do ensino e de família constituída, Albino Capela sublinhou na sua oração da Maia que «é importante trazer os nossos filhos, para que entendam o que os pais passaram». Ainda sobre o encontro dos Cavaleiros do Norte da CCS, a 4 de Junho de 2016, sublinhou que «se vamos contentes, daqui, se vamos felizes é porque cada um de nós trouxe e partilhou um bocadinho, uma gota de alegria».
As Amazonas do Norte Brogueira
Dias e Manuel A. Machado
Há 41 anos, o 10 de Junho de 1975 passou despercebido em Carmona, onde a guarnição dos Cavaleiros do Norte «acertava passo» à nova realidade político-militar. E reforçava-se o efectivo, com a gradual rotação da 1ª. CCAV. 8423, pois «era imperioso obter um efectivo que permitisse acorrer a situações semelhantes às vividas na primeira semana do mês» - como refere o Livro da Unidade.
Os patrulhamentos eram permanentes, noite e dia, na cidade e nos principais itinerários, e não havia descanso para os grupos operacionais - que entre si rodavam missões e objectivos. 
As notícias de Luanda é que eram pouco agradáveis, apontando para «a existência de centenas de corpos de homens, mulheres e crianças na casa mortuária, os quais não podem ser enterrados porque não houve ainda possibilidade de os identificar». Pior ainda era que «além disso, há inúmeras vítimas que ficaram abandonadas nos locais dos combates».
O MPLA e a FNLA, depois dos combates de Carmona, também se confrontaram, por estes dias de 1975, em Santo António do Zaire e Malanje. A esse dia 9 de Junho de 1975, «ainda estão(avam) por determinar as suas dimensões e consequências, aguardando-se o regresso (a Luanda) de uma comissão militar mista, que ali se deslocou expressamente» - a Malanje. De Santo António do Zaire apenas se sabia que «as origens dos incidentes ainda não estão determinadas».
A Aldeia Viçosa chegou nesse dia, mas de um ano antes (em 1974), a 2ª. CCAV. 8423, substituindo a do BCAÇ. 4211, que ali se aquartelava. O grupo de combate do alferes miliciano «Ranger» João Francisco Pereira Machado nem desfez malas e logo partiu para o Destacamento de Luísa Maria.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

3 422 - Coesão dos Cavaleiros, Carmona e Luanda mais calmas...


Cavaleiros do Norte no encontro da CCS: Raúl Caixaria (atirador), António 
Amaral (sapador), Delfim Serra (condutor), José Oliveira «César» (do 
BCAV. 1917) e o furriel vagomestre Francisco Brogueira Dias


O furriel Nelson Rocha (à esquerda), com dois membros
da organização do encontro da CCS em Custóias/Maia
 (além do Buraquinho): o 1º. cabo escriturário Miguel Soares
Teixeira e o condutor Joaquim Celestino Gomes da Silva

O capitão Acácio Carreira da Luz foi quem fez a primeira (e sapiente) oração do encontro da CCS, do alto dos 87 anos, em Março último feitos: «É uma grande alegria estar convosco. Mais uma vez!!!... O que mais me alegra e mais faz feliz por estar aqui é a união de sentimentos que cresceu em terras longínquas, em momentos que marcaram as nossas vidas e que tanto, afinal, gostamos de reviver»
Cavaleiros do Norte da CCS no encontro de
Custóias/Maia: o rádiomontador António
Jesus Pereira da Silva e o clarim José
António da Silva Caetano
Tenente, ao tempo dos Cavaleiros do Norte em terras angolanas do Uíge, e responsável pela secretaria do Comando do BCAV. 8423, Acácio Carreira da Luz recordou que então «vivemos situações ingratas, que fizeram o grupo coeso» e frisou também que «é importante quando nos voltamos para os outros». 
Agradeceu a Alfredo Coelho (o 1º. cabo Buraquinho) «e aos seus colaboradores» - o 1º. cabo escriturário Miguel Teixeira e o condutor Joaquim Celestino da Silva (na foto) - a realização do encontro e, debaixo de entusiastas palmas, prometeu «voltar para o ano» - não sem antes sublinhar que «tudo isto tem uma razão de ser, o que nos une, o que nos leva a estar aqui, foram as alegrias e as tristezas e medos, porque não dizer medos, em condições muito especiais, que nos marcaram de forma muito vincada».
«Isso traduz-se - frisou o capitão Luz - numa força coesa, num grupo de amigos, que é útil e muito importante. A força de coesão de termos vivido situações iguais».
Há 42 anos, já a CCS, comandada pelo capitão SGE António Martins de Oliveira, estava aquartelada no Quitexe (desde o dia 6) e a 1ª. CCAV. 8423, do capitão miliciano Davide de Oliveira Castro Dias, em Zalala (desde 7). No Campo Militar do Grafanil, era a vez da 2ª. CCAV. 8423, do capitão miliciano José Manuel Romeira Pinto da Cruz, preparar as malas para a partida para Aldeia Viçosa (dia 10). E da 3ª. CCAV. 8423, do capitão miliciano José Paulo Oliveira Fernandes, para a Fazenda Sana Isabel (dia 11). 
Um ano depois, um pouquinho mais serenava a situação militar em Carmona e no Uíge. A guarnição estava a ser reforçada pela 1ª. CCAV. 8423, que rodava do Songo desde o dia 6 (até 12) e o Negage também, com «a desactivação de Sanza Pombo».
As Amazonas do Norte de Delfim Serra, Raúl Caixarias
e Acácio Luz, o filho e nora de A. Luz, Aurélio Júnior
(Barbeiro) e António José Cruz no encontro da CCS
dos Cavaleiros do Norte em Custóias
Luanda também acalmava, «deixando de ser tão frequente o tiroteio e o rebentamento de granadas e morteiros, pelo menos na zona próxima da cidade». A acalmia era atribuída às «medidas de recolher obrigatório e uma maior vigilância das Forças Militares Mistas». Mas o balanço dos incidentes, «com a aproximação dos conflitos à zona do asfalto», incluía «um rebentamento junto à Messe da Fora Aérea, na Avenida dos Combatentes, e tiroteios dentro da cidade».
A UNITA também estava envolvida nos incidentes e o Diário de Lisboa referia que tal acontecia «em consequência dos ataques que lhe foram dirigidos por parte das FAPLA» - o exército do MPLA.
As Forças Armadas Portuguesas, por seu lado e ainda segundo o diário vespertino de Lisboa, «foram obrigadas a reagir directamente contra delegações do MPLA e da FNLA, havendo a assinalar, segundo determinadas fontes, a destruição de três delegações da FNLA e de uma do MPLA». E porquê? Porque se registaram «ataques, a partir destas instalações, contra soldados portugueses».
Não era assim tão calma, afinal, a situação na capital de Angola.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

3 421 - Cavaleiros da CCS em Custóias e mais calma em Carmona

Cavaleiros do Norte da CCS em Custóias: António José Cruz
(furriel), 

Luís Oliveira (1º. cabo de transmissões), José Pires (furriel), 
António 
Gonçalves (condutor) e António Albano Cruz (alferes)
Alfredo Coelho (o Buraquinho, da organização) e (o
alferes) António Albano Cruz. Atrás, o capitão
Acácio Luz (encoberto) e esposa

O encontro da CCS dos Cavaleiros do Norte foi na Igreja de Custóias, onde foi celebrada missa e se fez a evocação dos companheiros que já partiram e estão na nossa imorredoura saudade. O momento de memória foi na leitura do (furriel) Manuel Machado, tocando na sensibilidade de todos.
O convívio foi na Maia, e incluiu dança (até de ventre) muito aplaudido - não sobrando fartos sorrisos dos sexYgenários Cavaleiros, que nem os olhares mais severos das suas amazonas perturbaram. Partiu-se o bolo
João Monteiro (o 1º. cabo Gasolinas) e o (furriel)
Neto, certamente a falarem de pesca e caça.
À direita, de óculos, o clarim José Caetano. À 

esquerda, o furriel Cruz e o 1º. cabo Oliveira
e houve oratórias emotivas. O (alferes) Cruz, depois de enfatizar «estes momentos de felicidade» - os que se vivia, no coração e mediam nos olhos dos Cavaleiros do Norte -, sugeriu, apelando, que «mandem notícias para o blog, notícias da família, os casamentos dos filhos, os baptizados dos netos, os momentos bons das famílias, para que a família dos Cavaleiros do Norte seja cada vez maior e mais feliz».
Isto foi (parte) do encontro da CCS, de 2016 - em Custóias e Maia, com organização de Alfredo Coelho (o 1º. cabo Buraquinho), Miguel Teixeira (1º. cabo escriturário) e Joaquim Celestino da Silva (condutor). Amanhã, dele voltaremos a falar. Há 41 anos, a 8 de Junho de 1975, a cidade de Carmona acalmava os seus dias, mas a FNLA acusava a actuação das NT (os Cavaleiros do Norte) de «discricionária e partidária». 
O Livro da Unidade dá conta que disso «resultou um período seriamente preocupante para o BCAV.». Porém, e felizmente, ultrapassado quando o Exército de Libertação Nacional de Angola (ELNA, da FNLA), que expulsara o MPLA, reconsiderou a posição da força militar portuguesa e, por consequência disso, «acabou por se colmatar as desinteligências existentes e novamente se reiniciou a calma no distrito». O distrito do Uíge. 
Luanda, a capital, é que acordou na manhã da véspera (dia 7) com «tiroteio e rebentamento de morteiros e bazucas», depois de «uma sensível melhoria durante a noite» e após a leitura, na rádio e pouco depois da meia noite, de um comunicado dos três movimentos, a «decretar o cessar fogo».
Dança oriental sénior no encontro da CCS de
Custóias e Maia, a 4 de Junho de 2016.

Um momento bonito!
Os incidentes ocorreram principalmente nas avenidas do Brasil (onde se situava uma delegação da FNLA) e dos Combatentes (uma da UNITA) e Vila Alice (quartel-general do MPLA) e bairros Marçal, Lixeira e Cuca. O Diário de Lisboa dava conta que «de acordo com os números fornecidos pelos hospitais (...) já haveria mais de 40 mortos e 100 feridos». Não se contavam, naturalmente, as vítimas que não chegavam aos hospitais. Morreram dois soldados portugueses.
O 8 de Junho de 1975 foi domingo e Carmona e o Uíge faziam o necessário balanço dos dias de combates que tinham começado uma semana antes, um outro domingo - os dias de «o grave conflito armado entre os movimentos de libertação, através das suas forças ELNA e FAPLA, os quais atingiram todas as vilas do distrito, onde tais forças existiam», como se lê no Livro da Unidade.
Felizmente, sem feridos ou vítimas mortais entre as NT - o Batalhão de Cavalaria 8423, os Cavaleiros do Norte!

terça-feira, 7 de junho de 2016

3 420 - Cavaleiros de Santa Isabel navegaram em Castelo de Bode * MPLA expulso de Carmona

Cavaleiros do Norte de Santa Isabel já a bordo do barco S. Cristovão,
para 4 horas de passeio, almoço e  convívio, a 4 de Junho de 2016 


Cavaleiros do Norte de Santa Isabel no convívio da
albufeira do Castelo do Bode: os alferes milicianos
Honório Campos (médico), Mário Simões, Carlos
Silva (o organizador) e Pedrosa de Oliveira, com o
capitão miliciano José Paulo Fernandes,
comandante da 3ª. CCAV. 8423  
Os Cavaleiros do Norte de Santa Isabel - a 3ª. CCAV. 8423!!!... - estiveram reunidos a 4 de Junho de 2016, em Ferreira do Zêzere e com passeio na albufeira do Castelo de Bode.
A organização foi do alferes Carlos Silva e, procurando juntar o útil ao agradável, o almoço e convívio foram a bordo do barco S. Cristóvão. Foram 118 os inscritos (militares, esposas, filhos e netos), que se concentraram em frente à Câmara de Ferreira do Zêzere, onde decorreu uma sessão de boas-vindas, com a participação do dr. Hélio Antunes, vereador da Cultura e do Turismo.
Bolo de festa do encontro dos
Cavaleiros do Norte de Santa Isabel
A chamada, felizmente, não teve faltas e os «santa isabéis» partiram para o Lago Azul, onde embarcaram para mais de quatro horas de passeio e comes e bebes, num convívio que certamente ficará na memória de todos. Grande dia!!!...
O próximo operacional de serviço será o (atirador de Cavalaria) Manuel Cordeiro Pedroso, o Batalha, que organizará o encontro de 2017, na zona da... Batalha, secretariado pelo (enfermeiro) Floro Gomes Teixeira.
Há 41 anos, Carmona continuava uma cidade tensa, mas controlada. «Cabe aqui afirmar-se, em relação às NT, que a calma demonstrada, o sangue frio posto, o verdadeiro espírito de missão, o espírito de sacrifício mostrado, são garantes da sua tenacidade e forme certeza de que nelas - no BCAV. 8423 - está verdadeiramente imbuído o sentido de grandeza próprio do consciente desinteressado e leal desejo de cumprir a missão que lhe está imposta no processo de descolonização», lê-se no Livro da Unidade.
O furriel Rodrigues, da 1ª. CCAV.
8423, já no quartel da ZMN, há 41 anos
A 7 de Junho de 1975, hoje se passam 41 anos, era certo que «as forças do MPLA foram expulsas, recolhendo aos quartéis portugueses». Mas aumentavam os problemas de abastecimento, agudizados por «estarem cortadas as ligações rodoviárias com Luanda», como noticiava o Diário de Lisboa desse dia. O abastecimento (militar) foi feito, por esta altura, por aviões da Força Aérea.
A 1ª. CCAV. 8423, comandada pelo capitão miliciano Davide Castro Dias e ao tempo aquartelada no Songo (depois de Zalala e Vista Alegre/Ponte do Dange), começou a rodar para Carmona a 6 de Junho (completando a 12). Ficou instalada no espaço da extinta ZMN.


segunda-feira, 6 de junho de 2016

3 419 - Zalala´s em Pombal (2016) e menos tensão em Carmona (1975)

A parada do BC12 serviu de «pouso» para os helicópteros de evacuação
de homens do MPLA e de feridos de Carmona. Notam-se um grupo de
populares (ao fundo) e várias viaturas civis (à direita)


Os alferes Pedro Rosa (à esquerda) e José
Lains dos Santos ladeando o capitão Davide Castro
Dias, comandante da 1ª. CCAV. 8423. Três
oficiais milicianos de Zalala

Os Cavaleiros do Norte da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, chegaram a Luanda no dia 1 de Junho de 1974 e estiveram reunidos no Pombal, 42 anos depois, refrescando memórias e levedando as saudades da jornada africana que (n)os levou ao Uíge angolano. No dia 4 de Junho de 2016, o mesmo dos encontros da CCS (a companhia do Quitexe, de que aqui já falámos) e da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel (esta em Ferreira do Zêzere).
O alferes Pedro Rosa e os furriéis João
Aldeagas,Victor Velez e Manuel Pinto no
Encontro de 4 de Junho de 2016, no Pombal
O momento teve chancela organizativa dos furriéis João Dias e Américo Rodrigues, mordomos de mais um momento inesquecível para os homens da «mais dura escola de guerra», a mítica Zalala.
Há 41 anos, a tensão em Carmona ia-se desanuviando. Aos poucos e com o continuado sacrifício, de noite e dia, ininterrupto, da pequena guarnição dos Cavaleiros do Norte. O Diário de Lisboa, que citamos, dava conta que a cidade era «outro ponto quente dos combates desta semana» e referia que «as tropas do ELNA e das FALA dominam a cidade, tendo sido evacuados os efectivos do MPLA que sobreviveram aos ataques».
«A cidade, porém, continuam sem abastecimentos», acrescentava a notícia do DL, acrescentando de Luanda notícias menos simpáticas. Por exemplo, a do ataque à residência do ministro da Justiça, Diógenes Boavida, que era do MPLA. Depois de ser atingido o Hospital de S. Paulo, neste caso com três mortos.
Furriéis Mota Viana e Américo Rodrigues (à
direita, cortado), ladeando o Agra (Famalicão) e
o Alberto Pimenta
«As medidas preventivas não conseguiram impedir que, nas últimas 24 horas, estalassem, entre o MPLA e a FNLA, os mais graves embates armados desde o Acordo do Alvor», reportava o Diário de Lisboa, referindo também que «tiroteios, incidentes dispersos, movimentos de pânico e deslocações de tropas continuavam esta manhã» - a de 6 de Junho de 1975. Data em que, em entrevista ao jornal francês «Le Monde», Holden Roberto (presidente da FNLA) acusava o governo português de «estar conluiado com o MPLA para impedir as eleições antes de 11 de Novembro».
Um ano antes, a 5 de Junho de 1974, chegava a Luanda a 3ª. CCAV. 8423, a última companhia do BCAV. 8423 e que se iria aquartelar em Santa Isabel. A 2ª. CCAV, a de Aldeia Viçosa, chegara na véspera (dia 4). A 6 de Junho desse memso ano, a CCS deslocou-se do Campo Militar do Grafanil para o Quitexe. Há 42 anos!!!
* Imagens do encontro
da 1ª. CCAV. 8423:
- AQUI e AQUI

domingo, 5 de junho de 2016

3 418 - Carmona a contar os mortos e a CCS em Custóias e Maia!

Helicóptero na parada do BC12, para evacuar feridos para os hospitais de
Luanda. Há 41 precisamente anos! Ao fundo, vêem-se muitos civis. O 

1º. cabo da esquerda, sentado, parrce ser o escriturário Jorge Pinho. O 
Cavaleiro do Norte da direita, de pé, será o sapador Manuel Augusto, o Amarante?

Os capitães Manuel Leal (médico) e Acácio
Luz (então tenente) no encontro de´4 de Junho de
2016, em  Custóias. Ambos na casa dos 88 anos!

Há precisamente 41 anos, a cidade de Carmona ainda era um campo vivo de batalhas, confrontando-se a FNLA e o MPLA em lutas que «deram» centenas ou  milhares de mortos, nunca ninguém saberá. O ministro N´Gola Kabangu, do Interior e da FNLA, voou a 4 de Junho de 1975 de Luanda para a capital do Uíge para, segundo o Diário de Lisboa, «controlar as forças do seu partido» e continuava «o êxodo das populações civis da região».
O cripo (1º. cabo) João Franciso Lavadinho Estrela,
com a esposa  o (1º. cabo) Domingos Teixeira (o
estofador). Apareceu pela primeira vez nos
encontros da CCS. É natural de Campo Maior
mas trabalha e mora na Amadora
A 5 de Junho de 1975, hoje se fazer 41 anos, era uma quinta-feira, já íamos no 5º. dia de confrontações e «o ambiente continua(va) tenso», mas, noticiava o Diário de Lisboa dessa tarde, «não houve quaisquer incidentes na noite de ontem para hoje». Problema, e grave, era a falta de abastecimentos. A cidade estava «privada de mantimentos», relatava o DL. E era verdade.
Enquanto isso, ainda não tinham terminado as operações de recolha dos feridos, que estavam a ser evacuados para os hospitais de Luanda. O de Carmona estava mais que sobrelotado. E contavam-se os mortos, mas... sabe-se lá quantos!
O ministro N´Gola Kabangu, agora acompanhado elo general Ferreira Macedo (comandante militar português em Angola), continuava na cidade e terá ordenado dos combatentes da FNLA (o seu partido) para «evitarem confrontações na cidade e cooperarem com as forças militares portuguesas e da UNITA».
Três «seringas» (enfermeiros) em forma
e em momento bem disposto: Wilson
Moreira, Albertino Neves e José Gomes
A 4 de Junho de 2016, os «CCS´s» confraternizaram em Custóias, com celebração de missa na igreja local, durante a qual foram evocados os companheiros que já faleceram - numa leitura que esteve a cargo do (ex-furriel miliciano) Manuel Machado. 
Companheiro «maçarico» nestas andanças foi o (1º. cabo operador-cripto) João Francisco Lavadinho Estrela, que é «estrela» da REMAX, na Amadora. Não era «criptado» deste 1975!!! O tenente Luz (agora capitão) reapareceu em grande forma, depois de há um ano ter estado «encostado» a uma muleta. Em forma, também, apareceu o então capitão médico miliciano Manuel Soares Cipriano Leal. Ambos na casa dos 88 anos, o que é fantástico!!!

sábado, 4 de junho de 2016

3 417 - Cavaleiros do Norte da CCS reunidos em Custóias

Cavaleiros do Norte da CCS em Custóias. Em baixo as Amazonas do Norte 

O Cavaleiro do Norte Luz (então tenente
e agra capitão) cortou o bolo, acompanhado
pela esposa e pelo co-organizador Alfredo
Coelho (Buraquinho)

Os Cavaleiros do Norte da CCS, a companhia do Quitexe, estiveram hoje reunidos em Custóias, com duas presenças muito queridas: as do capitão miliciano médico Manuel Leal, do alto dos seus quase 88 anos (com a esposa e filha, em vagem da Póvoa do Varzim) e o «regresso» do querido tenente (agora capitão) Luz (já com 87!!!), esposa, filho e nora- vindos da Marinha Grande. E o «renascimento» do 1º. cabo operador cripto João Estrela, conviva pela primeira vez e com que alegria o fez, viajando da Amadora!!! 
O dia, a exemplo
Dança do Ventre no Encontro
 da CCS de Custóias, a 04/06/2016
do que se passou nas outras duas companhias hoje reunidas (a 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, e a 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel) foi grávido de 
emoções, de reencontros 
e desfiar de memórias.
A CCS, a companhia do Quitexe, teve um grupo de danças orientais a animar a tarde e, como se vê na imagem, uma dança de ventre - interpretada por uma dançarina polaca. E quantas palmas choveram! 
Nos próximos dias, aqui falaremos destes três encontros dos Cavaleiros do Norte, contando o que for possível desta jornadas de saudade e memória!

sexta-feira, 3 de junho de 2016

3 416 - Encontros de Cavaleiros do Norte e a matança em Carmona em 1975

O 1º. cabo Emanuel Miranda dos Santos, escriturário dos Cavaleiros
do Norte, com um grupo de jovens refugiados dos primeiros dias
dos combates de Carmona, na parda do BC12. Há 41 anos!!

Carmona. Há 41 anos, a Força Aérea Portuguesa
montou imediatamente um esquema de evacuação
dos militantes do MPLA e da
 e da população civil 

que lhe era afecta.  A imagem mostra um 
helicóptero a aterrar na parada do BC12

Os Cavaleiros do Norte terão amanhã, em três pontos distintos do Portugal, encontros de saudade da jornada africana do Uíge angolano: a CCS nos arredores do Porto, a 1ª. CCAV., a de Zalala, em Pombal; a 3º. CCAV,. a da Fazenda Santa Isabel em Ferreira do Zêzere (onde em 2010 confraternizou a CCS) e com um passeio pelo barragem de Castelo do Bode. A 2ª. CCAV., a de Aldeia Viçosa, reunirá em Setembro.
O Comando do Sector do Uíge (CSU)
e Zona Militar Norte (ZMN) em Carmona
Estes encontros - que semanalmente se repetem às dezenas, por todo o Portugal e com outros antigos combatentes, de outras companhias e batalhões... - são uma marca indesmentível do fantástico companheirismo que nasceu e cresceu, e se levedou e multiplicou, em terras de África e todos os anos se multiplica.
O 4 de Junho de 2016 será, pois, e assim, uma data invulgar e muito íntima para todos os Cavaleiros do Norte, tantos anos depois do nosso encontro com a história angolana - que nos honra e nos orgulha. Saberemos todos, amanhã, saborear e fazer memória desses momentos trágicos e fragilizantes, evocando neles os nossos companheiros que já partiram e deles fazendo exemplos para as nossas vidas.
Há 41 anos, a cidade de Carmona continuava enlutada e em guerra aberta, com ferozes e sangrentos combates entre FNLA e MPLA. Assim como pelo Uíge fora.
«A matança prossegue em Carmona (...), Ninguém dispõe ainda do número de mortos, presos e desaparecidos, mas as vítimas serão já muitas dezenas. As ruas estão cheias de cadáveres (...)», noticiava o Diário de Lisboa, reportando os combates iniciados a 1 de Junho de 1975.
O vespertino de Lisboa adiantava que «os comandos da FNLA invadiram e destruíram as casas de dezenas de simpatizantes do MPLA» e sublinhava que «os que escaparam refugiaram-se no Paço Episcopal e no aquartelamento Português» - o BC12.
Íamos já no terceira dia dos trágicos combates de Carmona e os Cavaleiros do Norte eram homens sem sono e sem medo, em missão permanente e sem um recuo. Muitos de nós - mesmo muitos, sabe-se lá quantos... - não tiveram descanso, sequer fome, nestes dias de guerra  aberta, rasgada e multiplicada pelos cantos da cidade. Referia o DL que «a Força Aérea Portuguesa montou imediatamente um esquema de evacuação dos militantes do MPLA e da população civil que lhe é afecta, enquanto o Exército Português procura impedir os raids dos homens de Holden Roberto, que retomaram tragicamente, os métodos da UPA, em 1961».
O capitão José Manuel Cruz,
comandante de Aldeia
Viçosa, com o alferes
miliciano João Machado
O Exército Português estava limitado ao Batalhão de Cavalaria 8423 - os Cavaleiros do Norte... - e Deus sabe quanto heroísmo se soltou da alma dos bravos homens que do BC12 saíam para a cidade, enfrentando mil perigos e salvando centenas de vidas, permanentemente arriscando as suas! Há 41 anos!!!
Há 42 anos e a 3 de Junho de 1974, uma segunda-feira e do aeroporto de Lisboa, partia a 2ª. CCAV. 8423, com destino ao aeroporto internacional de Luanda e num voo dos Transportes Aéreos Militares (TAM). Lá chegou ao princípio da manhã do dia seguinte, 4 de Junho de 1974 (terça-feira). Era comandada pelo capitão miliciano José Manuel Cruz e viria a aquartelar-se em Aldeia Viçosa - onde chegou a 10 de Junho.


quinta-feira, 2 de junho de 2016

3 415 - O 2 de Junho de 1975, segundo dia dos combates de Carmona...

Parada do BC12, nos trágicos primeiros dias de Junho de 1975, vendo-se 
alguns populares e viaturas civis. E um grupo de combate dos Cavaleiros do 
Norte, à esquerda, pronto a sair num Unimog 


O Hospital de Carmona, para onde eram transportados
os feridos dos combates de Carmona, nos trágicos
primeiros dias de Junho de 1975. Há 41 anos!
O segundo dia (2 de Junho de 1975) dos combates de Carmona envolveu toda a guarnição portuguesa, com os especialistas (os não atiradores) a ocuparem também posições de defesa de pontos nevrálgicos da cidade: comunicações, redes de água, abastecimento e electricidade, edifícios públicos, o Banco de Angola. 
Alferes António Garcia e furriel Viegas, do PELREC
da CCS. O pelotão foi dos primeiros a sair
do BC12 para a cidade de Carmona, na madrugada
de domingo, dia 1 de Junho de 1975
Aos operacionais (e não eram muitos...) couberam, naturalmente, os pontos mais sensíveis: aeroporto, hospital, Banco de Angola, aquartelamentos. E a dramática operação de recolha da população civil, indefesa e fragilizada, que pedia protecção e era recolhida nas ruas e levada para o BC12. E dos feridos, fossem civis ou elementos das forças em confronto, para o ocupadíssimo hospital da cidade.
O dia foi de combates sangrentos e nalguns casos quase corpo a corpo, entre os combatentes da FNLA (o Exército de Libertação Nacional de Angola, o ELNA) e as Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (as FAPLA, do MPLA). Nunca ninguém saberá quantas mortes aconteceram nestes dramáticos dias de Carmona. Nunca poderão ser contados quantos sacrifícios e actos de coragem protagonizaram os Cavaleiros do Norte! Quantos deles arriscaram a vida para, sem recuar, salvarem vidas da cidade!
Ementa do 2º. Encontro do BCAV.
8423, a 1 de Junho de 1996, no
Barracão (Leiria)
A 1 de Junho de 1996, 21 anos depois, realizou-se em Leiria, no Restaurante S. Francisco (no Barracão), o segundo encontro do BCAV. 8423, que envolveu mais de 400 pessoas - entre antigos combatentes e familiares. O primeiro tinha sido a 9 de Setembro de 1995, em Águeda - na Estalagem da Pateira (em Fermentelos).
O encontro foi de memórias, de fartos abraços de saudade e mil afectos, testemunhados pelos surpreendidos familiares que, em muitos casos, (re)conheceram um marido ou um pai «diferentes» do dia-a-dia doméstico. Porque se reencontravam com companheiros de uma heróica e muitas vezes mal compreendida jornada africana do Uíge Angolano.  
Por curiosidade, e apenas por isso, recordemos a ementa: 
- Entradas: Morcela assada, chouriço assado, pastéis de bacalhau, rissóis de peixe e  croquetes.
- Bebidas: Vinho maduro, tinto e branco, vinho verde, espumante bruto, refrigerantes. cerveja, águas, aguardentes, brandys e whiskys.
- Almoço: Sopa de legumes, arroz de peixe e lombo de porco assado, com fruta da época, doces e café.
- O dia 1 de Junho 
de 1975. Ver AQUI

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quarta-feira, 1 de junho de 2016

3 414 - O dia 1 de Junho de 1975 e os Cavaleiros do Norte

Os incidentes de Carmona «rebentaram» na madrugada de 1 de Junho de 
1975. Há 41 anos! A imagem é desse conflito, no qual morreu muita gente, 
muitas pessoas ficaram feridas e milhares pediram  protecção aos Cavaleiros do Norte


Rajadas de metralhadora «sobrevoaram» a Berliet que
transportavas os furriéis milicianos da messe do
Bairro Montanha Pinto. Foi quando passavam perto
do liceu, a caminho do BC12, na madrugada
de 1 de Junho de 1975, um domingo!
A 1 de Junho de 1974, a 1ª. CCAV. 8423 desembarcou no aeroporto de Luanda e, daqui, seguiu Cara o Grafanil - onde já «estagiava» a CCS. Um ano depois, precisamente..., há 41!!! - Carmona acordou ao som da metralha, do rebentamento de granadas, de obuses e morteiros, com rajadas a cortar corpos e a morte a enlutar a cidade: estavam despoletados os graves e trágicos incidentes entre FNLA e MPLA.
Notícia do Diário de Lisboa de 2 de Junho
de 1975 sobre os combates em Carmona,
na véspera, um domingo
!
O dia era de domingo e fomos acordados na messe de sargentos, com ordem de partir imediatamente para o BC12, para onde seguimos numa Berliet militar, «sobrevoada» por rajadas de metralhadora quando passávamos na zona do liceu - felizmente sem nos atingir. Seguiram-se horas e horas, por 5 ou 6 dias consecutivos, sem parar, noite e dia, a acudir feridos e gente que nos pedia protecção - furando e arriscando nas barreiras armadas criadas pelos dois movimentos armados.
«Mais uma vez as NT procuraram minimizar o conflito, procurando o seu términus rápido e diligenciando por limitar os seus efeitos», lê-se no Livro da Unidade, acrescentando que «contudo, como rescaldo, ainda mais ficou vincada a hegemonia da FNLA, pois que tudo o se possa considerar combatente ou simpatizante do MPLA foi expulsos do distrito, nos melhores casos, porquanto noutros há a citar algumas dezenas de mortos».
O dia foi imensamente dramático e trágico. Dia de terrores e medos, semeados na cidade, onde sucessivas patrulhas da tropa portuguesa acolhiam centenas e centenas civis que pediam protecção e recolhiam mortos e feridos - estes levando-os para o hospital. Civis no BC12, terão passado dos 2000! 
Forças Militares Mistas na parada do BC12,
em Carmona. Incluíam combatentes dos 3
movimentos, com participação e comando português
O Livro da Unidade dá conta de que «pediram as populações sua protecção das NT, a qual lhes foi dada, entrando no quartel um milhar de refugiados», número que foi aumentando conforme se acrescentavam dias ao conflito.
O Diário de Lisboa do dia seguinte (2 de Junho de 1975) noticiava que «graves incidentes estalaram ontem em Carmona, entre tropas do MPLA e da FNLA», mas sem muitos pormenores. Apenas um que me parece errado, referindo «a intervenção, até agora sem êxito, de uma equipa militar mista, composta por forças integradas, dos três movimentos de libertação» - uma equipa das Forças Militares Mistas (FMM) que, ao tempo, se preparavam (com formadores militares portugueses -eu fui um deles) para integrar o (então futuro) Exército Nacional Angolano.
Nenhuma memória há, entre os Cavaleiros do Norte, da intervenção dos elementos das FMM. A segurança, toda a possível e mais que a possível, foi exclusivamente feita pelas NT, nem se compreenderia como agiriam os combatentes dos movimentos actuando lado a lado (em FMM) combatendo os seus inimigos. Eles eram inimigos entre si.