quinta-feira, 14 de julho de 2016

3 457 - Carmona em prevenção simples e combates em Luanda

Os furriéis milicianos Farinhas (que faleceu, de doença, há 15 anos, a 
14 de Julho de 2001, em Amarante), Neto e Viegas, no Quitexe, em 1974. 
O pequeno engraxador é o inesquecível Papelino. O que será feito dele? 


Os furriéis Luís Costa (morteiros) e Joaquim
Farinhas (sapadores), já na messe de oficiais do
Bairro Montanha Pinto, em Carmona
14 de Julho de 1975, segunda-feira! Ao fim da tarde chegaram notícias alarmantes de Luanda, onde MPLA e FNLA voltaram a terçar armas. A cidade,  reporto do Diário de Lisboa, «despertou às 5 da manhã com fortes rebentamentos de armas pesadas, que se mantiveram ininterruptamente durante duas horas e meia, num  ritmo de violência que ainda aquinão se tinha visto».
Os condutores Gomes e Vicente (que hoje
comemora 64 anos) e o atirador Aurélio
Júnior, o Barbeiro, em imagem do encontro
de 2015, em Mortágua
«Várias delegações da FNLA foram destruídas e ocupadas pelo MPLA (...) e perante esta situação receia-se que a FNLA exerça represálias nas zonas onde detém supremacia militar», acrescentava o DL, frisando que entre as várias delegações tomadas, estava a da Estrada de Catete, a maior do movimento de Holden Roberto e onde estavam 3000 soldados.
Represálias da FNLA nas zonas onde detém supremacia militar? Ora aí estavam Carmona e o Uíge, onde jornadeavam os Cavaleiros do Norte, ia já para dois meses consecutivamente em alerta (desde os trágicos primeiros 6 dias de Junho) e desde o dia 12 em prevenção simples, para o que desse e viesse.
O Livro da Unidade, relativamente a essa segunda-feira de Julho de 1975 (dia 14), dá conta do «constante afluxo de refugiados da FNLA a Carmona», começado nesse dia. Eram homens e mulheres, e crianças, de outros movimentos (que não a FNLA), que procuravam segurança na capital do Uíge - o que, obviamente, mais sobrecarregava os Cavaleiros do Norte.
O BC 12, em Carmona, na saída da estrada
para o Songo, onde há precisamente 41 anos
se  aquartelavam os Cavaleiros do Norte
Recordar esses dias, é trazer à memória dias e dias de serviço permanente, algumas vezes sem meia hora de descanso, sempre de arma aperrada e de olhos bem abertos, promovendo, com o risco de vida, a segurança de uma cidade que generalizadamente nos hostilizava e criticava. 
«Ficar em Carmona, com o total descrédito das NT e perigosamente alvo das queixas e ataque da FNLA, nomeadamente reivindicando os desequilíbrios de outros locais», como refere o Livro da Unidade, era a alternativa a «sair, antecipando um regresso a Luanda, num salvar de face e evitar males futuros».
As rondas e patrulhamentos, muitos só com as NT, outras vezes integrados nas Forças Militares Mistas, eram uma tarefa exigente e arriscada. Não posso esquecer uma tarde, de dia esquecido no tempo, em que o grupo de combate que integrava foi alvejado por disparos  de um terceiro ou quarto andar de uma transversal da Rua do Comércio, creio que a do Restaurante Escape. A balas silvaram-nos aos ouvidos e os ricohetes só por sorte não nos atingiram. Alguns de nós ali poderiam ter morrido, falecidos pelas balas de um «inimigo» que diariamente defendíamos!
Um ano antes, a 14 de Julho de 1974 - há 42 anos!... -, os Cavaleiros do Norte jornadeavam no Quitexe e o comandante Almeida e Brito reuniu no Comando do Sector do Uíge, para «estabelecimento de contactos operacionais», e visitou a Fazenda Rio Duízo, «acompanhado de autoridades administrativas e/ou eclesiásticas».

quarta-feira, 13 de julho de 2016

3 456 - Cerco ao quartel do Negage e comício da FNLA em Carmona

Combatentes da FNLA em Carmona. Alguns deles terão participado
no comício de 13 de Julho de 1975, hoje se fazem 41 anos. Integravam
o Exército Nacional de Libertação de Angola (ELNA)

Os 1ºs. cabos Joaquim Rama Breda, condutor (a
fazer de conta que tocava viola) e Victor Manuel da
Cunha Vieira, o Sacristão, que hoje faz 64 anos, na
sua alentejana Vidigueira
O dia 13 de Julho de 1975, um domingo, foi marcado pelo «impedimento», pela FNLA, da saída de um MVL para Luanda. O que, aliás, se repetiria no dia 21 e motivou enorme desconforto entre a guarnição e «imposições feitas em reunião da FNLA com os comandos militares de Carmona». Sabia-se já o futuro próximo dos Cavaleiros do Norte: a rodagem para  Luanda, a partir de 3 de Agosto. Rodagem que implicaria (como implicou) que todo o Uíge ficasse sem militares portugueses. Assim estipulavam os acordos para a independência.
Os 1ºs. cabos Luciano Borges Gomes,
Ezequiel Maria Silvestre e Victor Vieira (Sacristão)
O dia foi também tempo de, em Carmona, se realizar um comício da FNLA, com o seu ELNA, no qual de proferiram afirmações que ainda mais fragilizaram a confiança, já de si bem ténue, dos comandos e das NT, generalizadamente, nos propósitos da FNLA - que desabridamente acusava a tropa portuguesa de apoiar o MPLA. 
Bem perto de nós, no Negage, a FNLA cercou o quartel das NT e pediu as armas da CCAÇ. 4741, sem que tal se concretizasse. FNLA que temeria e tentava evitar a, ao tempo, crescente ascensão territorial do MPLA. A imprensa do dia relatava que, e citamos o Diário de Lisboa, «essa possibilidade poderia colocar em risco algumas unidades portuguesas estacionadas no distrito do Uíge com efectivos bastante pequenos». Bem entendido: colocar em risco os Cavaleiros do Norte e as unidades que lhe estava adidas!
Clube do Quitexe, onde há 42 anos se realizaram
reuniões com autoridades tradicionais,
comerciantes e fazendeiros da zona
Em Salazar, não muito longe, o MPLA já bombardeara as posições da FNLA e os seus elementos tiveram de se «refugiar no quartel das forças portuguesas». A cidade registou «bombardeamentos durante largo período de várias zonas da cidade, a partir de bases do MPLA». O próprio quartel das NT, foi alvo de «três granadas de morteiro», sem que, porém e felizmente, «tivessem provocado vítimas». 
Um ano antes e no Quitexe, o comandante Almeida e Brito e oficiais do BCAV. 8423 reuniram com as autoridades tradicionais, no Clube do Quitexe, em mais uma acção de esclarecimento e mentalização para o Programa do MFA. Também, no mesmo dia e local, de seguida, com «os comerciantes e elevado número de fazendeiros». Era o tempo (ainda) de adaptação do Cavaleiros do Norte ao seu espaço e responsabilidade operacional, aproximando-se da comunidade civil e dos seus representantes, esclarecendo-os da nova realidade portuguesa e angolana. 

terça-feira, 12 de julho de 2016

3 455 - Prevenção simples, criticas do povo e ataques da FNLA

Parada do BC12, em Carmona, nos dias seguintes aos
 combates da primeira semana de Junho de 1975

Os furriéis milicianos Joaquim Abrantes, Cândido
Pires (que hoje festeja 64 anos em Niza) e Viegas, com seis
crianças angolanas, na sanzala do Talambanza, à
saída do Quitexe, na estrada para Carmona

Os Cavaleiros do Norte entraram de prevenção simples a 12 de Julho de 1975, hoje se fazem 41 anos. E até ao dia 18. As populações brancas não paravam as suas críticas ao papel dos militares (todos os dias eram ofendidos nas ruas, nos restaurantes, nos bares, nos cinemas e esplanadas da cidade) e éramos também, recordo do Livro da Unidade, «perigosamente alvo das queixas e ataques da FNLA, nomeadamente reivindicando os desequilíbrios de outros locais».
A Casa dos Furriéis do Quitexe (assinalada a verde),
 no mesmo edifício onde estava a Secretaris da CCS
(seta cor de laranja). Ao longe à esquerda (seta
vermelha) vê-se a torre da Igreja da vila
«Houve que aguentar a provável ressaca da FNLA, face aos desaires de Luanda, Salazar e Malange», sublinha o Livro da Unidade.
Era sábado e em Luanda tinham-se sucedido, nos dias anteriores, combates entre o MPLA e a FNLA, nomeadamente nos bairros limítrofes da cidade, e alguns observadores falavam já em «mais de 200 mortos», muito embora, como referia o Diário de Lisboa desse 12 de Julho de há 41 anos, «desconhecendo-se por agora o número de mortos e feridos».
O único hospital a  funcionar era o Maria Pia e «em condições precárias», noticiava o jornal, e na noite da véspera (dia 11), «foram feitos apelos a médicos e estudantes de medicina para se apresentarem no único hospital que está a funcionar» - o Maria Pia.
«O MPLA domina completamente a situação, esperando-se que agora a calma volte rapidamente  Luanda», referia o Diário de Lisboa, sublinhando também que o movimento de Agostinho Neto teria tomado «importantes delegações da FNLA» no Bairro Marçal.
MPLA e FNLA não se entendiam - combatiam-se de armas na mão... - e ficou em causa o acordo de Nakuru. 
«Luanda está de novo a ferro e fogo e mais uma vez por iniciativa da FNLA», acusava o MPLA. MA a FNLA apontava o do ao MPLA, dizendo, em comunicado, que «foram as suas forças quem provocou a luta, ao atacarem, com fogo de morteiros» uma sua delegação. 
O MPLA dizia igualmente que «a FNLA aproveitou a Cimeira de Nakuru para desenvolver novas acções ofensivas, tendo atacado as povoações de Forte República, Brito Godins, Caombo, Duque de Bragança, Cuale e Acangola (...), Samba Caju, Samba Lucala, Balongongo e Barra do Dande». E citava várias datas, as desses ataques.
Notícia do Diário de Lisboa de 12 de
Julho de 1974, sobre os incidentes de Luanda,
na ressaca do assassinato do taxista
António Salgado (de Bragança)
Um ano antes e também em Luanda, na ressaca da morte do taxista António Salgado (de que ontem aqui falámos), «extremistas brancos enfurecidos provocaram ontem à noite a morte de 3 pessoas, todas africanas, e 27 feridos, 12 dos quais em estado grave».
«Terror branco em Luanda: 13 mortos e 27 feridos», noticiava o Diário de Lisboa, reportando igualmente que «taxistas e camionistas dirigiram-se depois à Emissora Católica de Angola (...) com o propósito confesado de se manifestarem contra a conduta de dois conhecidos produtores» - Sebastião Coelho e Norberto de Castro -, acusando-os de «incitarem a população negra contra a população branca», o que, referia o jornal, «não tem qualquer fundamento». 
U

segunda-feira, 11 de julho de 2016

3 454 - Aulas Regimentais do Quitexe e mortes em Luanda

Os furriéis Cruz e Viegas na placa ajardinada da avenida do Quitexe, 
em 1974. Atrás, o Bar dos Soldados e a cobertura onde funcionavam 
as Aulas Regimentais dos Cavaleiros do Norte

António Cabrita, há um ano em Cascais, ladeado
por dois antigos «professores»  do Quitexe: os
furriéis Viegas (à esquerda) e Cruz
O dia 11 de Julho de 1974 foi marcado pelos (primeiros?) incidentes de Luanda, provocados pelo aparecimento do cadáver de um taxista, no musseque Rangel. Um taxista branco e degolado! O corpo apresentava sinais de estrangulamento, dentro do táxi, junto da cápsula de uma bala, a carteira e documentos.
A situação provocou uma onda de revolta e grande tensão e raivas, tiros e roubos e a expulsão dos comerciantes brancos.
O livro de leitura da 4ª. classe das Aulas
Regimentais do Quitexe, há
42 anos: «Caminhos Portugueses»
Os tumultos continuaram ao princípio da manhã e à entrada da avenida do Brasil, onde afluíam os negros do bairros e que trabalhavam na  cidade e eram confrontados por grupos de brancos. Estes,  mais tarde e com negros e mestiços, dirigiram-se ao Governo Geral, onde se manifestaram - sendo a manifestação dispersada pela polícia de choque, à vista do Governador Geral, o general Silvino Silvério Marques, que estava na varanda do palácio.
O taxista assassinado era de Bragança e chamava-se António Salgado. 
Os incidentes provocaram três mortos (de africanos) e 27 feridos, 12 deles em estado grave. Ao Governo Geral, pediram protecção. Mas o dia foi sublinhado de outros incidentes, manifestações junto de estações de rádio, comunicados do Governador Geral e do comando das Forças Armadas Portuguesas. Ver AQUI.
Os Cavaleiros do Norte - no Quitexe, e Zalala, e Aldeia Viçosa, e Santa Isabel, onde se aquartelavam as 4 companhias, mais os Destacamentos de Luísa Maria e Liberato, pelo menos estes (podendo algum escapar à memória)... - continuavam a sua missão, cada vez mais conhecedores dos chãos, dos trilhos e das picadas por onde se multiplicavam medos mas também se semeavam confianças e coragem, ganhas e assimiladas nas patrulhas, nas escoltas e nas operações que já tinham desenvolvido nesse pouco mais de um mês de responsabilidade operacional em terras do Uíge.
António Santana Cabrita e Manuel Augusto
da Silva Marques, o Carpinteiro (falecido, de
doença súbita, a 1 de Novembro de 2011,
em Esmoriz, Ovar)
Esquecendo o dia, começaram as aulas regimentais em todas as subunidades. Na CCS, e no Quitexe, com 3 «senhores professores»: os furriéis milicianos Cruz (o nosso «mais velho...»), Viegas e Neto. Nelas, tiveram aproveitamento vários companheiros que precisavam da 4ª. classe (não a tinham) para se orientarem na vida civil, em procura de empregos - a maioria generalizada para motoristas. Precisavam do diploma do ensino primário precisamente para o necessário exame de condução.
Um dos alunos foi o inesquecível António Santana Cabrita, algarvio do Alvor que, por ambição maior (que viria a conseguir), tinha a obtenção da carta de pescador e patrão de pesca. Ainda hoje, já aposentado, se dedica à pesca profissional de mar -mesmo depois de, por opção, ter vendido o seu barco próprio (o Dulce Marina), no qual passou anos de mar.
Valeu-lhe - ao Cabrita e a todos os formandos das aulas regimentais - o «canudo» tirado, que tanto os ajudou pela vida fora.
Valeu a pena!

domingo, 10 de julho de 2016

3 453 - Mentalização das populações do Quimassabi e do Quitoque

Cavaleiros do Norte, rádio-montadores do Quitexe, em pose na parada: o 
1º. cabo Rodolfo  Hernâni Tavares Tomás, o furriel António José 
Dias Cruz, o 1º. cabo António Correia Lourenço Pais (que hoje faz 64 
anos) e António de Jesus Pereira da Silva

O Pais, em foto recente, no encontro da CCS
de 2014, na Lomba de Gondomar e com a sua
«mais-que-tudo». Faz hoje 64 anos (10 de Julho
de 2016) e vive em Peniche

O comandante Almeida e Brito esteve, a 10 de Julho de 1974, mas aldeias do Quitoque e Quimassabi, na «continuação da mentalização das populações» para a nova realidade, política, militar e social, a decorrente do 25 de Abril português. Era a correntemente chamada acção psicológica, nomeadamente «com vista a preparar e mentalizar as populações para o Programa do MFA» e que envolveu, segundo o Livro da Unidade, «variadíssimas reuniões de trabalho»
O capitão médico miliciano Manuel Leal
(à direita), com o comandante Almeida e
Brito, aqui no encontro de Penafiel, em 1997
Recordemos algumas, até esta data de há 42 anos: uma, com a Comissão Local de Contra-Subversão (CLCS) do Quitexe (a 19 e 26 de Junho), outra, no Clube do Quitexe e com os comerciantes e autoridades locais (17) e ainda outra com as autoridades tradicionais (22 e 29). 
As aldeias (ou sanzalas, ou tabancas...) do Quitoque e do Quimassabi fica(va)m muito próximas do Quitexe, na Estrada do Café, para Carmona e logo à saída da vila, do lado direito. Entre elas, se a memória não fala, ficava o quartel da OPVDCA (ou seria entre Talambamza e Quimassabi?). À sua volta, localizavam-se pequenas fazendas. Pequenas, tendo em conta as proporções de muitas outras, mesmo na região - por exemplo, a Pumbaloge, a Guerra & Companhia, ou a Buzinaria, a de Zalala e Santa Isabel, só para falar em algumas, citando-as de memória. E inúmeras xitacas dos povos naturais, onde tinham as suas plantações e tiravam proveitos para a sua economia doméstica.
Mapa do Quitexe (em esboço, de memória,
de João Nogueira Garcia), destacando-se a
vila quitexana e as sanzalas de Quitoque

e Quimassabi, na saída para Carmona
Os Cavaleiros do Norte, na ressaca das Operações Castiço DIG e Turbilhão, continuavam as suas actividades operacionais, particularmente em patrulhamentos (alguns deles apeados) e escoltas transportadas. Neste caso, assegurando as consultas do dr. Manuel Soares Cipriano Leal, capitão médico miliciano do BCAV. 8423, em visita a fazendas e aldeias dos arredores do Quitexe.
O dr. Manuel Leal (que a 3 de Outubro deste ano de 2016 fará 88 anos, agora residindo na Póvoa do Varzim, depois de uma vida de médico em Fafe), missionava com sacerdotal eficiência, consultava toda a gente que aparecia e dava-lhes remédios para as suas maleitas. Remédios da «farmácia» militar. A sua mala de «João Semana» ia cheia e voltava sem nada, depois de dezenas de populares acorrerem à sua paciente devoção profissional. 
Hoje, 42 anos depois deste solidário gesto médico que o dr. Manuel Leal assumia de corpo inteiro e para além das suas obrigações militares, continuo a achar  que esta missão da ajuda sanitária foi das coisas mais bonitas, das melhores missões que fizemos na nossa jornada africana do Uíge Angolano.    

sábado, 9 de julho de 2016

3 452 - Acções e operações na ZA, o fim da «Castiço DIG»

O PELREC, antes de partir para mais uma operação, em 1974 e no Quitexe: 1º. cabo Almeida (falecido a
28/02/2009, de doença a em Penamacor), Messejana (falecido a 27/11(2009, de doença e em Lisboa), Neves,
1º. cabo Fernando Soares, que amanha faz 64 anos, no Laranjeiro, em Almada), Florêncio, António, Marcos,
1º. cabo Pinto. Caixarias e 1º. cabo Florido (enfermeiro). Em baixo, 1º. cabo Vicente (falecido a 21/01/1997,
de doença e em Vila Moreira, Alcanede). furriel miliciano Viegas, Francisco. Leal (falecido em Pombal, a
08/06/2007, de doença súbita). 1ºs. cabos Oliveira (transmissões) e Hipólito, Aurélio (barbeiro),
Madaleno e furriel miliciano Francisco Neto

Cavaleiros do Norte no Quitexe, há (quase) 42 anos,
todos furriéis milicianos: António Fernandes e
Graciano Silva, combatente da FNLA e Francisco Neto.
Em baixo, Nelson Rocha, José Querido e João Cardoso

A operação «Castiço DIG» terminou em Julho de 1974 (começada à 4 horas de 20 de Junho), algures por estes dias de há 42 anos. Poucas anotações há sobre o seu desenvolvimento, mas o Livro da Unidade, dando conta do seu final (sem o datar), diz que «completou-se (...), a qual teve novo contacto com o IN na Central do Negage, novamente sem  consequências». Acrescenta, para terminar, que «desenvolveu-se elevado número de acções e operações em toda a ZA, mas nomeadamente sobre Mungage, Negage, Aldeia e Tabi»
Saudades: a avenida do Quitexe! À
esquerda, o edifício do Comando
Um ano depois, Julho de 1975 e pela Carmona onde jornadeavam os Cavaleiros do Norte (agora já ali todos aquartelados), acautelava-se «a liberdade de acção na ZA» - um espaço territorial que era «um mar da FNLA», nomeadamente depois da expulsão do MPLA, nos primeiros dias de Junho anterior - e também se fizeram diligências no sentido de «encontrar uma opção para os dias futuros» do Batalhão de Cavalaria 8423. Diligências obviamente assumidas pelo comandante Almeida e Brito.
A 9 de Julho de 1975, Jonas Savimbi, presidente da UNITA e falando em Luanda, acusou Vasco Vieira de Almeida (o ministro português da Economia no Governo de Transição de Angola), «intimando-o a regressar a Portugal para resolver os problemas do sue próprio país». O ministro teria considerado incompetentes três membros angolanos do gabinete governamental.
A considerada «violenta crítica» contra Vasco Vieira de Almeida, seguira-se a notícias segundo as quais o ministro teria, e citamos o Diário de Lisboa de 9 de Julho de 1975, uma quarta-feira de há 41 anos, enviado «uma carta a três ministros, acusando-os de actos bárbaros e culpando-os do que classificou  como o colapso das estruturas sociais e económica do país» - de Angola.
Jonas Savimbi refutou as acusações de incompetência dos ministros (os tais três, cujo nome não é referido) e, mais que isso, muito menos que a referida incompetência  tivesse «paralisado o Governo». Concluiu a acusação, sublinhando que Vasco Vieira de Almeida «cometera um abuso».


sexta-feira, 8 de julho de 2016

3 451 - Comandos dos Cavaleiros do Norte e o Enclave de Cabinda!

Cavaleiros do Norte de Zalala: o furriel miliciano José António Nascimento, 
o alferes miliciano Mário Jorge de Sousa (que hoje festeja 65 anos) e 
o soldado João Inácio Gonçalves, da «mais dura escola de guerra»


Cavaleiros do Norte de Zalala. Atrás, o clarim
Mário Costa e o transmissões Rogério Raposo. De pé,
o furriel João Aldeagas, o casal Sousa (alferes Mário
Jorge de Sousa Correia de Sousa e esposa), Jorge Silva
(rádio-telegrafista), Jaime Rego  (condutor) e Hélio
Cunha (rádio-telegrafista). Em baixo, o furriéis Jorge
Barreto (com a criança ao colo) e José Louro e
António Lopes, o Famalicão (condutor)

Hoje é 8 de Julho de 2016 e há 42 anos, no Quitexe, terra de missão da CCS dos Cavaleiros do Norte, decorreu a reunião mensal (a segunda) dos comandantes das Companhias do BCAV. 8423. Novamente no Quitexe por «ainda não existirem estruturas nas restantes subunidades, que permitissem a realização da reunião nas suas sedes».
O mapa de Cabinda, a relação
territorial com Angola
O dia de há 42 anos, uma segunda-feira, foi tempo para se saber que o dr. Pinheiro da Silva, secretário provincial adjunto de Cabinda, inaugurou nesta cidade do enclave, a sede da União Democrática dos Povos de Cabinda, que preconizava «a união de Cabinda com Angola».
O movimento anti-separatista defendia «estatutos próprios para o Enclave (..), a multirracialidade autêntica e uma maior dignificação dos povos»
A inauguração teve presença de «dirigentes de todo o distrito e diversas individualidades» e defendeu-se, segundo o Diário de Lisboa, que citamos, «a necessidade de sessões de esclarecimento para que a ideia separatista relativamente a Angola não surja como única solução viável e útil para Cabinda»
O encontro foi tempo de acusar de «oportunistas» os dirigentes da Frente de Libertação do Enclave de Cabinda (FLEC) e de afirmar que «a melhor solução (...) é a transformação de cabinda num distrito autónomo, com estatuto próprio, sem ficar desligado de Angola».
Sabe-se hoje, 42 anos depois e muitas etapas do processo político e social passadas, que Cabinda é território de Angola.
O mesmo dia, mas um ano depois, foi o da conclusão da rotação da 3ª. CCAV. 8423, do Quitexe para Carmona. «Fez-se em 8 de Julho a rotação da 3ª. CCAV. para o aquartelamento de Carmona, com a saída prévia, em 1 de Julho, de um seu grupo de combate, abandonando-se assim mas uma povoação», refere o Livro da Unidade. Acrescenta que se completava-se, assim «totalmente a retracção do dispositivo do Uíge», embora, e continuamos a citar o Livro da Unidade, fosse «situação de que não se esperava, contudo, solução para os problemas existentes, como efectivamente se veio a verificar, dando ocasião às restantes passagens e momentos vividos e com os quais se abriu a história desse período da nossa vivência na Região Militar de Angola».
Equivale isso a dizer, e de novo citamos o Livro da Unidade, que «foi pois um paz fictícia a que se desenvolveu no decurso do mês». Como, aliás, aqui temos vindo a anotar.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

3 450 - Aldeia Viçosa, Fazenda Negrão e 8 apontadores de morteiros!

Cavaleiros do Norte no Quitexe, à porta da messe de sargentos: os
furríéis milicianos António Flora, Luís Filipe Costa (dos Morteiros e que
hoje faz 64 anos, no Estoril), Agostinho Belo, Francisco Bento e Joaquim Abrantes
Os 1º.s cabos Pais (à esquerda) e Emanuel
(ausente nos Estados Unidos) a mariscar no
Rocha, com o furriel Viegas (ao centro) em 1974

O tenente-coronel Carlos José Saraiva de Lima Almeida e Brito, comandante do Batalhão de Cavalaria 8423 (BCAV. 8423), esteve a 7 de Julho de 1974 - há precisamente 42 anos!!!... - em Aldeia Viçosa, no nortenho Uíge Angolano, aqui visitando a 2ª. CCAV. 8423, comandada pelo capitão miliciano José Manuel Romeira Pinto da Cruz, e no Destacamento da Fazenda Negrão. 
O (então) restaurante Pacheco, mesmo
em frente à messe de oficiais e casa dos furriéis,
na avenida do Quitexe (rua de baixo)
Era domingo e as visitas de carácter operacional, num período em que, passado um mês da nossa chegada ao Quitexe e já com uma operação de longa duração  realizada (a Castiço DIG) e preparando-se outra (a Colibri 310), para além de várias escoltas e patrulhamentos (apeados e transportados), os Cavaleiros do Norte ainda, de alguma maneira, faziam a sua adaptação às suas responsabilidades operacionais! Dependendo de si mesmos!!!
A visita foi acompanhada pelo padre António Albino Capela, da Missão do Quitexe e que na coluna seguiu na sua missão pastoral. Missão pastoral que nada tinha a ver com o BCAV. 8423, já que o (nosso) capelão militar era o padre José Ferreira de Almeida, cuja comissão terminou em Dezembro de 1974. 
Ao tempo, e já lá vão 42 anos, o Cavaleiros do Norte, em cada aquartelamento, estavam cada vez mais adaptados às suas missões e, cumpridas estas e na flor dos seus 21, ou 22, ou 23 anos (poucos tinham mais idade), procuravam «conhecer» a realidade civil que os rodeava. No caso dos operacionais, não eram, algumas vezes, muito bem «olhados» pelas povoações e fazendas por onde passavam. Mas, no caso da CCS, «desforravam-se» nos restaurantes e bares da vila do Quitexe. Na memória de todos está, seguramente, e saudosamente, a afabilidade do Topete (e dos seus churrascos), do Pacheco (ah apetitoso camarão!...), os canhângulos e pregos do Camabatela ou os petiscos bem apetitosos do Pacheco (e de Maria Lázara).
Alargava-se e multiplicava-se o companheirismo que ainda hoje, 42 anos depois, nos leva aos abraços e recordações que se «matam» nos encontros anuais das 4 companhias. E a solidariedade que nos manteve unidos.
Hoje, para refrescar memórias, recordamos a
apresentação, às 23,10 horas de 23 de Fevereiro de 1974, de mais 8 então futuros Cavaleiros do Norte, listados na Ordem de Serviço nº. 52, de 4 de Março de 1974 e do RC4 (ao lado), «por terem sido nomeados ara  ultramar, com destino ao BCAV. 8423». Todos eles eram apontadores de morteiros e chegavam do Regimento de Infantaria 1 (RI 11), de Setúbal e para as seguintes companhias:
- 1ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Zalala: Manuel de Almeida Novo, 1º. cabo, natural de Paradaço, freguesia de Calde, em Viseu; José António Tavares de Sousa, de ; e Manuel Joaquim Vilaça da Silva, de Barroca, freguesia de Ouriz, em Vila Nova de Famalicão.
- 2ª. CCAV. 84233, a de Aldeia Viçosa: Adelino Augusto Ferreira do Couto, natural de Lousada, em Vila Nova de Famalicão; e António Manuel Magalhães Macedo, de Cimo da Vila, em Constance, Marco de Canaveses.
- 3ª. CCAV. 84233, a da Fazenda Santa Isabel: José Agostinho da Silva Ferreira, 1º. cabo, natural de Vila Chã, em Santo Estevão de Briteiros, em Guimarães; Fernando da Silva Oliveira, do lugar de Sub-Estrada, em Nespereira, Guimarães; e António Monteiro de Carvalho.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

3 449 - Reuniões em Aldeia e Luege e apresentação do tenente João Mora!

Oficiais dos Cavaleiros do Norte na avenida do Quitexe e em frente ao 
edifício do Comando, com a bandeira hasteada: alferes milicianos 
Jaime Ribeiro e António Garcia e tenentes SGE Acácio  Luz e João Elóy Mora

Amazonas do Norte do Quitexe: Margarida Cruz
(esposa do alferes Cruz), Graciete Hermida, com o
 filho de Cruz ao colo (esposa do alferes Hermida),
a esposa e filha do capitão António Oliveira e
a esposa do tenente João Elóy Mora

O comandante Almeida e Brito esteve há 42 anos, no dia 6 de Julho de 1974, nos povos de Aldeia e Luege, no âmbito da campanha de «mentalização das populações» para o novo quadro militar, político e social. E também, também segundo o Livro da Unidade, com «os camionistas que servem o poderio económico da área, os quais pretendem obter uma maior liberdade de movimentos na camada «estrada do café», entre Carmona e a capital Luanda.
Cavaleiros do Norte da secretaria da CCS: furriéis
milicianos José Monteiro e Brogueira Dias (que
hoje faz 64 anos) e 1ºs. cabos Miguel Teixeira,
Vasco Vieira e, em baixo, João Pires
O tempo continuava de adaptação dos Cavaleiros do Norte às suas responsabilidades operacionais, o que foi sendo feito de forma tranquila e ordenada, com «o melhor aproveitamento das forças», nomeadamente fazendo-se a «a cobertura de todos os destacamentos da ZA com rotação pelas subunidades» - conforme fora proposto em Junho e merecera, de resto, «aprovação generalizada».
«Estando o BCAV. numa ZA onde se encontram sediados vários «quartéis» IN, como seria óbvio, a actividade estaria sempre orientada sobre esses refúgios, dando-se paralelamente apoio a todos os fazendeiros e à cobertura económica das actividades do Subsector», recorda o Livro da Unidade. Isto, numa altura em que decorria a apanha do café - a grande riqueza da região uíjana. Uma das grandes riquezas do fértil solo angolano.
Hoje, recordamos a apresentação do (futuro) tenente SGE João Eloy Borges da Cunha Mora, ainda como alferes e oriundo dos SCE «por ter sido nomeado para servir no ultramar, fazendo parte do BCAV. 8423/RC 4, como adjunto da CCS».  
A apresentação ocorreu às 22,30 horas do dia 27 de Fevereiro de 1974, segundo a Ordem de Serviço nº. 49, do RC4 e de 28 desse mesmo mês e ano, como se pode ver no fac-simile acima.
O tenente João Mora viria a «imortalizar-se», na guarnição, como tenente Palinhas na CCS, por, repetidamente, exigir a continência aos subordinados, fosse uma, fossem duas ou meia dúzia de vezes por dia - de manhã, à tarde ou à noite. E se se esquecessem eles (os subordinados), batia ele a pala antes - obrigando-os» à retribuição do cumprimento.. Era natural do Pombal e casou-se com uma senhora de origem indiana, que o acompanhava. Faleceu a 21 de Abril de 1993, aos 67 anos, de doença e em Lisboa. Recordamo-lo com saudade!

terça-feira, 5 de julho de 2016

3 448 - Comandos em Sanza Pombo e novos Cavaleiros do Norte!

Cavaleiros do Norte de Santa Isabel: Eusébio. Ângelo Teixeira, 
Joaquim Jesus, furriel Cardoso, Caroço, Macário e NN. Depois, 
furriéis Belo (de óculos) e Capitão (a pegar num objecto à volta do 
pescoço). Em baixo, furriéis Graciano, Grenha Lopes e Flora


O alferes Carlos Silva com uma mulher e uma
criança angolanas. Amanhã, dia 6 de Julho de
2016) festeja 64 anos em Ferreira do Zêzere

A 5 de Julho de 1974, a reunião mensal de comandos do Comando do Sector do Uíge (CSU) decorreu em Sanza Pombo, onde se aquartelava o BCAV. 8324 (os Cavaleiros do Norte eram o BCAV. 8423). Encontro de rotina, ou talvez nem tanto, dada actualidade militar e política do tempo. De todo o modo, seguramente analisando a situação operacional e antecipando soluções para os problemas que se adivinham, na sequência do 25 de Abril e do processo de independência.
Batalhão de Cavalaria 8324,
o de Sanza Pombo
O dia foi tempo, também, para se saber que o serviço militar passava a ser encurtado para 15 meses e que era reformulada a formação de oficiais milicianos, passando a ser feita em função das suas aptidões militares e das necessidades de cada unidade. À partida, todos os mancebos eram iguais, com ou sem curso superior completo. Com curso, teriam na vida militar a especialidade correspondente à sua vida civil. Os sem curso completo, teriam uma recruta de 3 meses e seriam promovidos a 1ºs. cabos. Teriam depois dois períodos diferentes de formação - um de 5 e outro de 3 meses de especialização. No final, depois de feitas as clivagens correspondentes às classes de praças, sargentos e oficiais, regressavam às unidades de origem. 
Hoje, fazemos memória da formação do Batalhão de Cavalaria 8423 - os futuros Cavaleiros do Norte da jornada africana do Uíge angolano - e damos conta da apresentação de mais uma dezena de jovens combatentes, ainda que não operacionais.
Apresentaram-se em Santa Margarida e no RC4, às 10 horas de 4 de Março desse ano de 1974 (há 42 anos) e todos eles oriundos da Escola Prática de Cavalaria (a EPC, em Santarém), «por terem sido nomeados para servir no Ultramar, com destino ao BCAV. 8423 e às Companhias que a seguir se indicam, os soldados a seguir mencionados», na Ordem de Serviço nº. 54, de 6 de Março de 1974:
- CCS, a do Quitexe: Victor Manuel Nogueira Florindo, 1º. cabo auxiliar de enfermagem, natural do Cartaxo, onde é empresário de restauração (a Tasca da Carrachana).
Ordem de Serviço nº. 54, do RC4 e de 6
de Março de 1974, com a apresentação
de um grupo de Cavaleiros do
Norte, no RC4, em Santa Margarida
- 1ª. CVA. 8423, a de Zalala: Adérito dos Santos Reis Barros, soldado cozinheiro, natural da Sobreira, freguesia de Canidelo, em Murça (Trás-os-Montes).
- 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, ambos soldados condutores auto-rodas: José dos Santos Barbosa (natural de ?); e Eduardo Pedro Tomé, de Alvarinhos, freguesia de S. João das Lamas, em Sintra.
- 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel e também todos eles soldados condutores auto-rodas: Domingos Meira Rodrigues Ferreira, natural do lugar da Cova, freguesia da Meadela, em Viana do Castelo; Manuel Reis Rocha, de Arneiros de Fora, em Maiorca, na Figueira da Foz; Henrique Ferreira Ramos, de S. Pedro da Cova, em Gondomar; Victor Manuel Gouveia Jacinto, de Fazendas de Almeirim, em Almeirim; e Manuel Augusto Marques Mendes, de Comarca de Cima, em Avelar.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

3 447 - Polícia de Informação Militar, os Flechas, Angola e Cabinda!

Cavaleiros do Norte no bar de Sargentos do Quitexe: furriéis milicianos António
 Lopes (de óculos e boina, a fumar), Viegas, Ribeiro (com garrafa no ar). Bento (de
bigode), 1º. sargento Luzia (de costas), furriel Flora, Guedes (civil) e 1º. sargento
Aires. Quarteto sentado: furriéis Rocha (de bigode), Carvalho (de bigode e
boina), Grenha Lopes e Luís Capitão. À frente, o Reino

A vila do Quitexe, fotografada por José
Manuel Gonçalves, da torre da Igreja da Mãe de Deus
A 4 de Julho de 1974, há 42 anos, «completou-se o quadro orgânico da Polícia de Informação Militar (PIM), com  a apresentação do Chefe de Posto daquela polícia, no Quitexe» ao comandante Almeida e Brito. Dela (da PIM) não guardo memória, a não ser a participação dos Flechas (seu braço armado) numa operação conjunta, logo dos nossos primeiros tempos de Angola.
Crahá dos Flechas
O Chefe de Posto, não sei quem seria e poucos saberiam, muito poucos conheceriam a sua identidade, devido ao carácter secreto da organização - que era uma espécie de sucedâneo da PIDE/DGS, mas por lá com «trabalho» na área militar. 
Terá sido por estes dias que se completou a «Operação Castiço DIG», durante a qual se registou «novo contacto como o IN na «central» do Negage, novamente sem consequências», como retrata o Livro da Unidade, mas, acrescenta, «desenvolveu-se elevado úmero de acções e operações em toda a ZA, mas nomeadamente sobre Mungage, Aldeia e Tabi». Mungage, recordemos, onde o PELREC recolheu um soldado «Comando» da 41ª. Companhia de Comandos, vítima de uma mina anti-pessoal e que, lamentavelmente, «sofreu a amputação de um pé»
Um ano depois, era anunciado que os presidentes de Moçambique (Samora Machel, empossado na semana anterior, Tanzânia (Julius Nyerere), Botswana (Serets Khama) e Zâmbia (Kenneth Kaunda) se iam reunir em Dar Es-Salam, para, entre outros pontos, discutir «a transição de Angola para a independência».
Notícia do Diário de Lisboa de 5 de Julho
de 1975, sobre a ligação de Cabinda a Angola
Agostinho Neto, presidente do MPLA e em Brazaville, no mesmo dia, garantia, por seu lado, que «para nós, não há Angola e Cabinda, há simplesmente Angola, pois Cabinda faz parte do território angolano». Era em Cabinda que, segundo notícia do Diário de Lisboa do mesmo dia 4 de Julho de 1975, citando um despacho da Reuters, que «a primeira Companhia Integrada do Exército Angolano, constituída por soldados dos três movimentos de libertação, presta juramento amanhã, sábado, numa cerimónia que se realiza no Enclave de Cabinda».
Em Carmona, como se sabe, existia a 1ª. Companhia das Forças Militares Mistas. desde o mês de Junho dessa ano de 1975, mas apenas «integrada por elementos da FNLA e da UNITA», com Estado Maior Unificado - quer no Comando Territorial de Carmona, (CTC), quer do BCAV., como relata o Livro da Unidade.

domingo, 3 de julho de 2016

3 446 - Comandante em Vista Alegre e críticas da FNLA e da população de Carmona

O antigo quartel de Vista Alegre, em foto  recente (da net). Aqui 
esteve a 1ª. CCAV. 8423, entre 21 de Novembro de 1974 (substituindo 
a CCAÇ. 4145) e 24 de Abril de 1975, quando rodou para o Songo

Cavaleiros do Norte de Zalala. mas já
em Vista Alegre: furriel miliciano Plácido
Queirós e 1º. cabo Carlos Alberto Ferreira
A 3 de Julho de 1974, uma quarta-feira de há precisamente 42 anos, o comandante Carlos Almeida e Brito esteve em Vista Alegre, no âmbito das suas competências operacionais e porque a 3ª. Companhia da PSPA/GR ali estava aquartelada e operacionalmente dependente do BCAV. 8423. Assim como a CCAÇ. 4145 - que de lá saiu a 21 de Novembro de 1974, substituída pela 1ª. CCAV. 8423, os Cavaleiros do Norte de Zalala, que ali estiveram até 24 de Abril de 1975, data em que rodaram para o Songo.
O furriel miliciano José Nascimento, à civil e
de arma na mão, com o comandante
Domingos Pascoal, da FNLA e em Vistas Alegre
A visita de trabalho foi acompanhada por oficiais do Comando do Batalhão de Cavalaria 8423, aquartelado no Quitexe, no mesmo dia em que se soube que a Ngwizako (uma associação de congoleses de expressão portuguesa) reivindicou a sua «participação nas conversações com o Governo Português para a independência de Angola».
O documento era assinado por Miguel Kialenguela, morador num dos bairros da cidade de Luanda, que se afirmava bisneto de D. Afonso Mvemba Zimba, que tinha sido rei do Congo. Lembrava que o território de Angola era formado por antigos reinos africanos do Congo (Matamba e N´Gola) e que as terras do antigo Reino do Congo tinham sido dividias pela Conferência de Berlim, em 1885 e a favor da França, da Bélgica e de Portugal.
«A tese da Ngwizako implicaria  radicais alterações na geografia política na República do Zaira e no Congo Brazaville, cujos territórios pertencem igualmente ao antigo Reino do Congo, desmembrado pelo Acordo de Berlim», reportava o Diário de Lisboa desse dia 3 de Julho de 1974. Como hoje se sabe, tal tese não teve grande desenvolvimento.
Um ano depois e um mês após os trágicos combates de Carmona, a cidade continuava em situação minimamente tranquila mas com «as preocupações vividas do antecedente», como sublinha o Livro da UnidadeOs Cavaleiros do Norte patrulhavam a cidade e as vias de acesso, nalguns casos com as Forças Militares Mistas, mas alvo permanente da «crítica das populações brancas», que, e continuamos a citar o Livro da Unidade, «se sentem marginalizadas e sem receberem quaisquer apoios ou segurança daqueles que ainda são, como afirmam, os lídimos representantes da autoridade portuguesa». 
Os Cavaleiros do Norte operacionais, os que noite e dia, 24 horas sobre 24 horas, davam o corpo ao manifesto em favor da segurança da cidade, das populações e dos seus patrimónios, bem sentiram na pele - e na alma!!!! - o efeito dessas críticas e acusações e ofensas gratuitas..., de que foram alvo nesses tempos de incertezas que dominavam a vida uíjana. Tempos em que a pressão da FNLA era intensa e imoderada.
O Livro da Unidade, escrito pelo comandante Almeida e Brito, refere mesmo que as NT foram «perigosamente alvo das queixas e ataques da FNLA, nomeadamente reivindicando os desequilíbrios de outros locais». Tempos nada fáceis para para a guarnição.

sábado, 2 de julho de 2016

3 445 - A morte de Spínola, na estrada entre Quitexe e Carmona

Cavaleiros do Norte da CCS no Quitexe: Rocha, Fonseca, Viegas, 
Belo (de óculos, meio encoberto), Ribeiro e José Pires  (meio encoberto), 
todos de frente. De costas, Monteiro, Cândido Pires (de perfil 
bigode), Machado e Lopes (enfermeiro)


Jorge Custódio Grácio, o Spínola,
atirador de Cavalaria da 3ª. CCAV. 8423,
faleceu, de acidente, há exactamente 41
anos, entre Quitexe e Carmona 
O dia 2 de Julho está tristemente assinalado, nos Cavaleiros do Norte, pela morte, em 1975, de Jorge Custódio Grácio, o Spínola, soldado atirador de Cavalaria da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel - na sequência de um acidente de viação na estraga entre Quitexe e Carmona.
 O malogrado Spínola tinha-se popularizado na guarnição por ter ganho a corrida de S. Silvestre do Quitexe, na noite da passagem de ano de 1974 para 1975. Neste dia 2 de Julho de há 42 anos, foi de boleia para Carmona na 4L do civil Sidónio, que embateu frontalmente contra uma ambulância roubada à Delegacia do Quitexe e que circulava contra a mão, na zona da Fazenda de Pumbaloge. O Spínola teve morte imediata.
O trágico acidente está relatado por Alfredo Coelho (o 1º. cabo Buraquinho, na foto aqui mesmo ao lado), que seguia numa outra viatura e no mesmo sentido e ainda falou com o Spínola. Faleceu também um guerrilheiro da FNLA, que seguia na mesa viatura, e o condutor Sidónio (civil do Quitexe) ficou vivo e estendido no alcatrão.
A véspera (dia 1) tinha sido tempo para a rotação de um grupo de combate da 3ª. CCAV. 8423, a do capitão miliciano José Paulo Fernandes, do Quitexe (onde estava desde 10 de Dezembro de 1974, ida de Santa Isabel) para Carmona, ali se aquartelando no BC12. A 3ª. CCAV. completaria a rotação no dia 12 desse mês de Junho de há 41 anos.
Um ano antes, pelo Quitexe, «o mês começou com a atribuição da responsabilidade operacional da 3ª. e 4ª. Companhias da PSPA/GR e das 3ª. e 4ª. Companhias da PSPA/GR, respectivamente sediadas no Quitexe e Vista Alegre», como se lê no Livro da Unidade. Por determinação superior, «passaram ao comando operacional das forças militares em Subsector». Isto é: do comando do Batalhão de Cavalaria 8423. 
A Polícia de Segurança Pública de Angola/Guarda Rural passou-me despercebida no Quitexe, embora há uns dois anos e por ser amigo do 1º. cabo Fernando Soares (PELREC) dela tenha falado com um agente lá contemporâneo e que mora no Laranjeiro, em Almada. 
Grupo da OPVDCA com uma mulher e
filha capturadas na Aldeia, numa operação
da CCART 3564, em Novembro de 1973 
A Organização Provincial de Voluntários e Defesa Civil de Angola (OPVDCA) tinha aquartelamento logo na saída do Quitexe para Carmona, ao lado direito. Era um corpo de voluntários (de ambos os sexos) que auxiliava as Forças Armadas, mas estava directamente subordinada ao Governador Geral de Angola e, por esta via, aos Governos Provinciais.
Também pouca actividade operacional recordo desta força, do tempo dos Cavaleiros do Norte, embora a memória tenha presente o incidente de uma noite em que, cumprindo ordens, fomos ao quartel e fomos recebidos muito pouco simpaticamente e chegou a haver armas empunhadas. 
O blogue «CART 3564 - Os Furões», que citamos, faz alusão à OPVDCA do Dambi/Quitexe e publica uma foto de Novembro de 1973, com uma mulher e filha capturadas numa operação da CART, de assalto ao quartel Aldeia, da FNLA. Curiosamente, e com alguma surpresa nossa, refere o autor do blogue (o alferes Óscar Santos) que algumas das suas unidades eram «compostas só por mulheres».
A imagem, aliás, mostra um grupo OPVDCA com várias mulheres!
- SPÍNOLA. Jorge Custódio Grácio, soldado 
atirador de Cavalaria da 3ª. CCAV. 8423. 
Era natural do Casal das Raposas, em Vieira de Leiria 
- «A morte do soldado Spínola»,
relato de Alfredo Coelho,
o Buraquinho. AQUI

sexta-feira, 1 de julho de 2016

3 444 - O acidente do furriel Ferreira e condutor de Aldeia Viçosa


Furriéis milicianos da 2ª. CCAV. 8423: Jesuíno Pinto, Freitas Ferreira (que faz
hoje 42 anos sofreu um acidente de viação). José Gomes e António Artur
Guedes. Todos Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa
Furriel Freitas Ferreira, há
42 anos e em Aldeia Viçosa

A 1 de Julho de 1974, há precisamente 42 anos, o furriel Freitas Ferreira e um condutor da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, foram vítimas de um acidente, no decorrer de um patrulhamento em que se despistou um Unimog, numa curva do Quibaxe. O Freitas Ferreira seguia numa coluna dos Cavaleiros do Norte comandados pelo capitão miliciano José Manuel Cruz e a viatura saiu da estrada e caiu numa ravina, bem alta - nua curva onde se cortava para a fazenda e aquartelamento de Maria Fernanda.
«Atravessou a estrada e caiu na ravina, eu rebolei até ao fundo, assim como o condutor», recorda-se o Freitas Ferreira, referindo que «não me lembro do nome dele», do condutor.
Os alferes Carlos Silva (canto
esquerdo), Garcia, Ribeiro e Leite -
açoriano que hoje, nos Estados
Unidos, festeja 64 anos!
 Ele e o dito condutor ficaram ambos feridos - o furriel com uma perna e clavículas partidas, de tal modo que viria a ser reclassificado como amanuense e colocado em Luanda - embora contra a sua vontade. «Gostava mais de ter continuado em Aldeia Viçosa, com os nossos companheiros da Companhia», disse ele, há dois anos, em conversa com o blogue. Vive em Costa (Guimarães), onde é profissional da área da auditoria, consultadoria fiscal e contabilidade.
O dia 1 de Julho de 1975, um ano depois, foi o da saída da primeira edição do Jornal de Angola, que substituiu o «A Província de Angola», o maior diário que então se publicava no futuro país africano de língua oficial portuguesa, encerrado na véspera. Com o mesmo director: Ruy Correia de Freitas.
Ordem de Serviço nº. 93/74, do
RC4, com a apresentação dos
«transmissões» Costa e Almeida
A memória de hoje vai para a para a apresentação de dois Cavaleiros do Norte de Transmissões, citados na Ordem de Serviço nº. 93 do RC4, de 20 de Abril de 1974, sobre a sua apresentação, a 12 desse mês, «vindos do RI 1, por terem sido nomeados para servir no ultramar», no caso integrando o Batalhão de Cavalaria 8423. Os seguintes:
- 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala: Carlos Alberto dos Santos Costa, natural de Pisões, freguesia de Pataias, em Alcobaça.
- 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa: Joaquim António Almeida Rodrigues, de Camarate, em Loures (Lisboa). A OS 93/74 do RC4, erradamente, atribui-lhe o apelido Rodrigues quando na verdade e segundo o Livro da Unidade e a OS nº. 69, de 23 de Março de 1976, com a relação do pessoal d 2ª. CCAV. 8423 que a 10 de Setembro de 1975 regressou de Angola, referem o apelido Martins.