sábado, 23 de novembro de 2019

4 882 - O inesquecivel Agostinho Papélino terá falecido há 2/3 anos!





O Agostinho Papélino, «suposto» engraxador do Quitexe, aqui com os furriéis milicianos Joaquim 
Farinhas (falecido a 14 de Julho de 2005, em  Amarante e de doença), Francisco Neto e Viegas.
Papélino terá falecido há 2 para 3 anos, disseram-nos no Quitexe, a 24 de Setembro de 2019
O inesquecível Agostinho Papélino 
e a sua caixa de... engraxador
BCAV. 8423

A relação dos Cavaleiros do Norte com a comunidade civil uíjana, era próxima, no geral e diria até (nalguns casos) que era íntima e seguramente cúmplice. Desde a que mais próximo lidava connosco, no dia a dia das povoações onde nos aquartelávamos, quer com o pessoal e famílias dos trabalhadores das fazendas - ora ainda nas que eram «sede» de companhias operacionais, ora pelas que eram espaço das nossas operações e patrulhas militares, ou simplesmente de escoltas às visitas do capitão médico Manuel Leal (que protegíamos). 
O mesmo não diria das relações com alguns gerentes e encarregados de fazendas, normalmente brancos europeus de narizes muito empinados e que pouca (nenhuma) afeição tinham pela tropa que os protegia. E alguns problemas tivemos com essas «excepções».
Se quisesse personalizar em alguém a magia do relacionamento da tropa com civis angolanos, com o povo africano que era a gente do nosso tempo da jornada uíjana, logo me lembraria do incontornável e inesquecível Agostinho Papélino, que se fazia passar por engraxador, sem nada... engraxar. Fazia de conta!!! Mas era «unha com carne» com a guarnição, passando de uns batalhões para os outros.
O furriel miliciano António Carlos Le-
tras, da CCAV. 8433, com várias crian- 
ças de Aldeia Viçosa. Era próxima a 
relação da tropa com os civis

Agostinho Papélino
terá falecido há 2/3 anos!

Papélino chamar-se-ia Agostinho e aparentemente não tinha família próxima. Era uma criança na pré-adolescência, esperto como um alho, mais sagaz que o que dava a entender..., o corneteiro-mor do Quitexe. Com uma mangueira de jardim, tocava todos os toques militares e até o Hino Nacional Português e o raspa.
A 2 de Março de 1975, quando saímos do Quitexe, pediu-nos (a mim e ao Neto) para o trazermos para Portugal: «Leva-me nos puto, esfurrié!»
Não lhe respondemos e por mim,  passando-lhe a mão pela carapinha, dei-lhe uma nota de 20 angolares. Embrulhou-a na mão e fugiu, escondendo-se atrás das plantas da messe de oficiais e vendo-nos sair para Carmona. Soube que me procurou no BC12, algum tempo depois, mas nunca mais o vi.
Há dias, a 24 de Setembro de 2019, perguntei por ele, no Quitexe. Mal lembrado, disse-me um «mais velho» que, a ser quem ele supunha, teria falecido há dois ou três anos. Até já, Papélino!!!
Almeida Santos, Mário Soares, Jonas
Savimbi, Holden Roberto, Costa
Gomes e Agostinho Neto


Soares no Zaire,
Angola e Cabinda

O dia 23 de Novembro de 1974, há 45 anos!, foi o da chegada de Mário Soares a Kinshasa, onde foi participar nas comemorações da independência do Zaire. 
«Venho para restabelecer relações normais e amigáveis, mas também para discutir a independência de Angola, que desejamos se faça na paz, na calma e liberdade», disse o ministro português dos Negócios Estrangeiros, acrescentando que «o actual Governo de Portugal está sempre disposto a dialogar com os representantes de todos os movimentos de libertação».
Mário Soares, sobre a questão de Cabinda, afirmou que era «um problema de fundo», que, por via disso, não poderia ser tratado numa conferência de imprensa. E mais não disse.
Notícia do Diário de Lisboa com declarações
 do presidente Agostinho Neto

Países africanos
ignoram a invasão

Um ano depois e com o país independente e em guerra civil, o Presidente da República, Agostinho Neto, acusou «a maioria dos países africanos de ignorarem a invasão de Angola pela África do Sul e Zaire».
O líder do MPLA falava à APS, agência oficial argelina, e substantivou a acusação: «A maioria dos países africanos está a trair-nos, permanecendo silenciosa sobre tal situação e evitando a condenação da África do Sul». Também não poupou a OUA, porque «ainda não disse uma palavra sobre os invasores zairenses e sul-africanos», mas acrescentou que «nós seremos serenos e firmes na nossa atitude com os racistas».
Angola ia assim, há 44 anos!
Cavaleiros do Norte: Victor Vicente e Eduar-
do Tomé, da 2ª. CCAV., e os 1ºs. cabos Victor
 Florindo e Alfredo Coelho (Buraquinho) 

Florindo, enfermeiro do
Quitexe, 67 anos no Cartaxo!

O 1º. cabo enfermeiro Florindo, da CCS do BCAV. 8423, festeja 67 anos a 24 de Novembro de 2019.
Victor Manuel Nogueira Florindo, de seu nome completo, foi Cavaleiro do Norte da CCS, no Quitexe e em Carmona, e regressou a Portugal no dia 8 de Setembro de 1975  -no final da sua e nossa jornada africana apor terras do Uíge angolano. Vive no Cartaxo, a sua terra natal, onde é empresário do sector da restauração (na Rua dos Moinhos, onde é proprietário da Taberna das Cocharradas) e onde há dois anos resistiu a uma paragem cardíaca. Para lá e para ele vai o nosso abraço de parabéns!

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

4 881 - A Angola independente! Tranquilidade no Uíge dos Cavaleiros do Norte!

Carmona, actual cidade do Uíge, a 25 de Setembro de 2019: a avenida Capitão Pereira, actual avenida Agos-
tinho Neto, e, do lado direito a «famosa» Pensão Moreno (do tempo colonial) e o moderno edifício de
apoio aos deputados provinciais. Ao fundo,  praça da ZMN, dos CTT,  do Tribunal e da Câmara 
Quitexe, Estrada do Café: as casas de José Morais (agora
 Banco BIC) e do fazendeiro Carlos Gaspar. Imagem
de 24 de Setembro de 2019 

A 22 de Novembro de 1975, um sábado e já na terceira semana da tri proclamada independência de Angola, nada se sabia das Repúblicas anunciadas pela FNLA de Holden Robertoe pela UNITA de Jonas Savimbi. Mas Portugal «protestou junto do Governo sul-africano, pelo envolvimento das suas tropas, a partir da Namíbia».
O Diário de Lisboa noticiava 
«Portugal contra a intervenção sul-africana
em Angola
», titulava o Diário de Lisboa
de 22 de Novembro de 1975
que «embora muito
tardiamente e depois da invasão estrangeira
estar consumada» e adiantava que «o protesto foi apresentado ontem à noite, perante a Assembleia Geral das Nações Unidas», pelo embaixador José Manuel Galvão Teles.
A África do Sul, porém e a partir de Pretória, fez lembrar que enviou tropas para Angola com «conhecimento prévio e aprovação do Governo Português, a fim de proteger o projecto hidro-eléctrico do Cunene, logo ao  norte da fronteira».
O ministro da Defesa, Pieter Botha, acrescentou que «o envio de tropas fora feito no interesse do povo angolano e das pessoas que trabalham perto do projecto, uma empresa conjunta sul africana-portuguesa para abastecimento de energia eléctrica e água a Angola e ao Sudoeste Africano» - a Namíbia.
Ia assim a Angola recém-independente, há 44 anos!
Almeida e Brito e
José Paulo Falcão

Tranquilidade no Uíge,
um Governo para Angola !

Um ano antes e a 22 de Novembro de 1974, o capitão José Paulo Falcão voltou a participar na reunião do Comando do Sector do Uíge (CSU), no BC12, em Carmona. Exercia interinamente as funções de comandante do Batalhão de Cavalaria 8423 e, ao tempo, definiam-se estratégias operacionais da Zona de Acção (ZA).
Almeida e Brito, o tenente coronel que comandava o BCAV., estava de férias em Lisboa e, pela nossa Zona de Acção (ZA), ia tudo muito tranquilo, enquanto se ultimavam mais rotações. 
O MPLA, entretanto e em Luanda, considerou «chegado o momento de declarar solenemente que está aberto a todas as funções que possam contribuir para a resolução dos principais problemas que afectam a vida nacional». 
Lúcio Lara, o chefe da delegação local, disse mais: «Isto quer dizer que o MPLA está pronto a participar num Governo (...) que, com os movimentos de libertação, encontrem as fórmulas que se impõem para a continuidade política, económica e social de Angola». 
Notícia do Diário de Lisboa 
de 22 de Novembro de 1974

Aliança contra
o MPLA !

Outra notícia do dia, no jornal Diário de Lisboa, que citamos, dava conta do que circulava em Luanda: «Segundo círculos geralmente bem informados (...), o encontro que amanhã se realiza em Kinshasa terá como  objectivo a constituição de uma aliança contra o MPLA».
O encontro teria o patrocínio de Mobutu Sese Seko (presidente do Zaire) e envolveria dirigentes como Holden Roberto (presidente da FNLA), Jonas Savimbi (idem, da UNITA), Daniel Chipenda (da facção do seu nome) e Simão Toco (um líder religioso). 
Isto enquanto, lá pelo norte uíjano, continuava o programa de restauração da redes estradal, a cargo da Junta Autónoma de Estradas de Angola (JAEA) - com protecção de escoltas dos Cavaleiros do Norte.

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

4 880 - Do dia dos 22 anos! Já lá vão 45 de uma vida!

O furriel Viegas, que hoje festeja 67 anos, voltou ao Quitexe e lá esteve a 24 de Setembro de 2019, mais
de 44 anos depois de os Cavaleiros do Norte terem rodado desta vila uíjana para a cidade de Carmona,
 actual Uíge. A imagem mostra o que resta do edifício do comando do BCAV. 8423, a parada e, ao fundo, a
Igreja de Santa Maria de Deus, onde sacerdotou o padre Albino Capela
O trio da recente viagem a Angola e a terras do nosso
saudoso Uíge: o João Nogueira (condutor da CCAÇ.
209/RI 21, a  do Liberato), Viegas (furriel da CCS
 do BCAV. 8423) e Mário Ribeiro


A 21 de Novembro de 1974, estava eu no uíjano Quitexe, na nossa angolana jornada africana, e fiz a viçosa idade dos 22 anos e, creio bem, foi a primeira vez que dei alguma importância a tal dia. 
Cá por casa, pouca importância se dava a efemérides deste tipo, os meios não eram fartos, era modesta a família, e crescíamos com o desejo e gosto de, 
O furriel Viegas, há 45 anos,
altura dos 22, no Quitexe
ao menos, receber um par de meias como prenda, quanto muito! E já era muito bom! 
Lá pelo Quitexe de há 45 anos, foi bem diferente!! Talvez porque o moinho da saudade nos fazia mais nostálgicos e sentimentais, porque mais e melhor levedava o sentido de paixão e afecto pelas nossas gentes mais próximas, mas que estavam a milhares e milhares de quilómetros e nós em teatro de guerra, mais se quis «fazer» anos!
O dia correu bem, pois a sementeira de cumplicidades do grupo era grande - e a colheita maior!!! - e todos nos sentíamos irmãos, família e «amantes», diria! 
Hoje, a horas de partir para Lisboa onde me vou juntar à parte da família que por lá  governa a vida, voltei a reler algum correio da data, recebido pelos dias mais próximos desse tempo de 1974, e dou conta que alguns amigos, por esta ou outras razões, «desapareceram» do nosso palco diário. 
É a vida! Não que falecesse a amizade e o carinho, mas as fronteiras do mundo separaram os nossos dias. E alguns já partiram para o além!
Há 45 anos, fiz a festa com amigos Cavaleiros do Norte, no Pacheco, com os apaparicos gastronómicos de D. Maria Lázaro, a cozinheira cabo-verdiana que fabricava sabores novos com as especiarias de lá.
Hoje, encontrei-me com dois companheiros de recente viagem ao Uíge da nossa saudade: o Mário Ribeiro, luso-angolano do Lobito, e o Nogueira, que foi condutor da Fazenda do Liberato, onde jornadeou a CCAÇ. 209/RI 21. Darei notícias.
O que resta do Restaurante Pacheco, na Avenida do
Quitexe. Imagem de 24 de Setembro de 2019 

Prisões em Luanda, por
assassínios e extorsão

O dia 21 de Novembro de 1974, há 45 anos e por Luanda, foi tempo de mais 6 presos, «com as mãos atadas atrás das costas, alguns deles feridos e apresentados à imprensa estrangeira» pelo MPLA. 
Tinham sido capturados pelas Comissões de Vigilância do partido de Agostinho Neto, nos musseques. Um deles, acusado de assassínio; outro, de extorquir dinheiro em nome do MPLA; os restantes, de roubos - «todos acusados de se intitularem, falsamente, militantes do MPLA».
A FNLA, do seu lado da barricada, denunciava que «19 pessoas foram forçadas, recentemente, a abandonar os seus lares, no (bairro do) Catambor». Estavam «protegidas pelas Comissões da FNLA» e os seus dirigentes deixavam entender, segundo o Diário de Lisboa, que «teriam sido forçadas a abandonar as residências, na semana passada, por aderentes armados de um movimento rival - cujo nome não quis revelar». A Forças Armadas Portuguesas, por sua vez, anunciaram «um africano morto a tiro» e também «dois negros e dois brancos feridos com armas de fogo, na segunda e terça-feira» - dias 17 e 18.
As negociações em Argel, entre Melo Antunes e Agostinho Neto, decorriam em «clima de autêntica fraternidade», como disse o ministro sem pasta de Portugal.
Foi assim o meu dia de 22 anos. Há 45!
Henrique Ramos

Ramos de Santa Isabel,
67 anos na Bélgica !

O soldado Henrique Ferreira Ramos, da 3ª. CCAV. 8423, festeja 67 anos a 22 de Novembro de 2019.
Condutor-auto dos Cavaleiros do Norte da Fazenda Santa Isabel, a subunidade do capitão miliciano José Paulo Fernandes, regressou a Portugal no dia 11 de Setembro de 1975 e fixou-se na Rua dos Silveirinhos, em S. Pedro da Cova, onde já residia. Foi árbitro de futebol e actualmente reside na Bélgica, para onde vai o nosso abraço de parabéns!

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

4 879 - Um Governo de Unidade! Incidentes por Angola fora!

O edifício do Batalhão de Caçadores 12, último quartel dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, na
 cidade de Carmona, actual Uíge e capital desta província, e na saída para o Songo. Foi ampliado
para este lado. A imagem é de 25 de Setembro de 2019

Quitexe, a avenida ou Rua de Baixo. Reconhecem-se os edi-
fícios da secretaria da CCS e Casa dos Furriéis (a segunda,
do lado direito), seguindo-se o da messe de oficiais (cor
de rosa) e, mais ao fundo, a messe e bar de sargentos.
Foto de 24 de Setembro de 2019

A 20 de Novembro de 1975, hoje se fazem 44 anos, o 
presidente do Uganda e da Organização de Unidade Africana (OUA), considerou que «para se evitar o derramamento de sangue em Angola, não deverá ser reconhecido nenhum  movimento, até se formar um Governo de Unidade»
Idi Amin Dada, dele falamos, temia que os estados-membros da OUA que «apoiaram e ainda apoiam» o Governo do MPLA, reconhecendo a Angola independente, «poderiam mudar de opinião em breve e juntar-se à maioria que deseja uma Angola unida». Ele próprio e o seu país, ainda não tinha reconhecido a Angola do MPLA mas admitia ter «relações de boa amizade» com o movimento de Agostinho Neto.
Posição contrária tinha Marien Ngouabi, presidente da República Popular do Congo, em contencioso com Idi Amin Dada e exigindo a sua demissão do presidente ugandês da liderança da OUA, no que era corroborado por Sekou Touré, presidente da Guiné-Conakri.
Noticias dos combates é que não se conheceram por estes dias de há 44 anos. Mas Angola continuava a ferro e fogo, com confrontos entre as forças do MPLA (que eram Governo de Angola) e as da FNLA e da UNITA.
A entrada de Vista Alegre, na Estrada do Café e do lado
de Luanda, a 24 de Setembro de 2019

Mudanças em Vista Alegre,
incidentes por Angola fora!


Um ano antes, a 20 de Novembro de 1974, a CCAÇ. 4145/74 abandonou Vista Alegre onde tinha chegado dois dias antes - para substituir a CCAÇ. 4145/72, que acabou, na prática, por ser 
Notícia do Diário de Lisboa de 20 de
Novembro de 1974, sobra a actualidade
política e militar angolana
substituída pela 1ª. CCAV. 8423 - os Cavaleiros do Norte de Zalala.
«A rotação do dispositivo militar começou a ser efectivada à custa de verdadeiros sacrifícios, dadas as carências de meios auto que permitissem a materialização desses movimentos, os quais envolviam não um simples mutação, mas, sim, a extinção de aquartelamentos», lê-se no livro «História da Unidade».
Em Luanda, por esse tempo, «as Forças Armadas Portuguesas e milícias populares constituídas do MPLA, continuam(avam) a patrulhar os bairros subúrbios, assegurando o rápido restabelecimento da ordem». Em Nova Lisboa, «fizeram-se sentir actividades da reacção» e uma força da PSP «entrou no bairro Cacilhas, tendo procedido a detenção de 7 brancos» e de uma viatura Land Rover. Os detidos foram para a Casa da Reclusão de Luanda, para serem ouvidos.
Sobre o problema de Cabinda, o MPLA divulgou um comunicado, no qual acusou a FLEC de «ser um bando de fantoches, a soldo do imperialismo, com apoio de um país vizinho» - o Zaire de Mobutu Sese Seko.
Ia assim o processo de descolonização de Angola, há precisamente 41 anos.
Furriel Viegas
em 1974/75

Viegas, furriel da CCS,
67 anos em Águeda !

O furriel miliciano Viegas, da CCS dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, festeja 67 anos a 21 de Novembro de 2019.
Especialista de Operações Especiais (os Rangers), regressou a Portugal no dia 8 de Setembro de 1975, à sua natal terra de Ois da Ribeira, freguesia do município de Águeda, lá continuando a sua actividade profissional, acumulando tarefas nas áreas da administração/contabilidade e jornalismo,  depois também na banca.
Lá continua a viver, agora já aposentado e, no seu dia-a-dia, editando este blogue. Hoje, os parabéns ficam em casa! 

terça-feira, 19 de novembro de 2019

4 878 - Situação militar muito complicada! Cavaleiros de Zalala para Vista Alegre


 O edifício (verde) do bar e messe de sargentos da CCS dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8433, reachada
a 24 de Setembro de 2019, pelo furriel miliciano Viegas, de Operações E
speciais (Rangers). À esquerda, de
azul, a casa (destelhada) que foi residência do comandante Almeida e Brito
O monumento do jardim
do Quitexe construído
pelo BCAV. 1917
Notícia do Diário de Lisboa de 19/11/1975



A Angola independente de há 44 anos estava em guerra civil, de norte a sul, e, titulava o Diário de Lisboa de 19 de Dezembro de 1975, «com violentos combates nas três frentes»
A cidade do Lobito era um dos pontos mais sensíveis e, segundo relatava o Diário de Lisboa desse dia, «a situação militar e considerada muito complicada». 
«Um dia antes da proclamação da independência, vi mais de 50 soldados com o uniforme sul-africano a empilhar caixotes com armas, no hangar do aeródromo», disse Tiny Hodges, jornalista do «Observer»,  jornal inglês, acrescentando «a existência de uma ponte aérea entre Silva Porto e o Zaire »., de onde, diariamente, saía «um avião «Viscount» aprosionamento da UNITA», para além de, em Benguela, «aparelhos sem identificação transportam constantemente toneladas de aras para as foras intervencionistas».
Na Quibala, «foi detectada a presença de sul-africanos nas forças da UNITA». Na Frente Centro, «toda a região do Rio Queve é cenário de confrontações militares, com especial incidência sobre a ponte lançada sobre Nova Lisboa»
A Frente Norte, a que historicamente mais interessava aos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 (já em Portugal desde Setembro desse ano de 1975), foi palco o onde «mercenários portugueses, apoiados por unidades regulares da República do Zaire, lançaram uma ofensiva na área de Lucala, tentando abrir caminho para Luanda, a partir do Leste».
Entendia-se o objectivo: seria, relatava o DL, «alternativa à derrota da FNLA, no Caxito, no passado dia 10» - a véspera da independência!
Carlos Ferreira (1º. cabo), José Aires, Rogério Raposo
e Fernando Coelho, Cavaleiros do Norte da 1ª. CCAV. 8423 

Cavaleiros de Zalala
para Vista Alegre !


Um ano antes, a 19 de Novembro de 1974, chegou a Vista Alegre a CCAÇ. 4145/74, que ia substituir a CCAÇ. 4145/72. Curiosamente, a 4145/74, saiu no dia seguinte e, segundo o Livro da Unidade, «permitiu o início da saída definitiva da CCAÇ. 4145/72, para Luanda, que se começou a processar a 21 de Novembro».
Há aqui qualquer coisa menos rigorosa (e que não conseguimos esclarecer), sendo possível que logo nessa data se tenha começado a processar a rotação da 1ª. CCAV. 8423. Na verdade, o livro «História da Unidade» refere que «tornando-se necessária a ocupação de Vista Alegre e Ponte do Dange, teve início a rotação da 1ª. CCAV. 8423, que completou os seus movimentos no dia 25 de Novembro, data em que assumiu a responsabilidade da sua nova ZA, ficando deste modo abandonada a Fazenda Zalala». 
O 1º. cabo Carlos Alberto Ferreira, quarteleiro de armas em Zalala e que agora está em Moçambique, contou-nos que uma equipa que ele integrava foi para Vista Alegre «uns dias dantes». Por exclusão de partes, conclui-se que se a 25 já os Cavaleiros do Norte tinham concluído a sua rotação, é porque a iniciaram, dias antes. Porventura em fase coincidente com a chegada e saída da 4145/74 e, imediatamente antes, a saída da 4145/72.

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

4 877 - FAPLA´s na Frente Sul! Manobras neo-colonialistas e sabotagens em Luanda !

Avenida do Quitexe, ou Rua de Baixo: o edifício da messe e bar de sargentos (casa verde) e casa do
comandante (azul), à direita. Em frente, de telhado em triângulo, a casa que foi da Família Rei e agora
é esquadra da Polícia Nacional de Angola
A Estrada do Café, que vai de Luanda a Carmona, actual
cidade e capital do Uíge, na entrada desta e
do lado do Quitexe 
Capitão José
Paulo Falcão

A 18 de Novembro de 1975 e na Angola já independente, as notícias adiantavam que «as FAPLA progridem(iam) na Frente Sul», como titulava o Diário de Lisboa, na sua primeira página. O que «acontecia pela primeira vez, nas duas últimas semanas»
O que não se confirmava era a tomada
Notícia sobre a actualidade angolana,
a 18 de Novembro de 1975: «A FAPLA
 progridem na Frente Sul»
de Novo Redondo (pelas chamadas «forças invasoras»), confirmando-se antes que «as linhas defensivas das FAPLA avançaram, encontrando-se agora a escassos quilómetros do Lobito».
«O inimigo não domina totalmente o Lobito e Benguela, dado que as suas posições estão a ser permanentemente contestadas pelas FAPLA, travando-se duros combates próximos das duas cidades», relatava o DL, acrescentando que «a coluna invasora que operava na zona Caxito/Barra do Dande/Libongos (...) está agora refugiada no Ambriz, tudo levando a crer que se junte às defesas do Uíge».
Na frente de Samba Caju, as FAPLA «conquistaram posições muito próximas de Camabatela» - que fica(va) muito perto do Quitexe e a uns 50 quilómetros da base aérea do Negage, por sua vez muito próxima de Carmona. A Carmona e o Uíge que os Cavaleiros do Norte tinham deixado a 4 de Agosto desse ano de 1975.
Vista Alegre: parte do que foi o quartgl
da CCA;Ç. 4145 e da 1ª. CCAV. 8423 

Manobras neo-colonialistas e sabotagens em Luanda !


A 18 de Novembro de 1974, uma segunda-feira de um ano antes, foi tempo de o capitão José Paulo Falcão participar em Carmona (e no BC12) em mais uma reunião de comandantes do Comando do Sector do Uíge (CSU). Agora tenente-coronel aposentado e residente em Coimbra era, ao tempo, o comandante interino do Batalhão de Cavalaria 8423.
O dia, em Luanda, foi assinalado pela prisão do gerente da Sorel (de apelido Corte Real) e de Fernandes Vieira (capitalista e membro de associações empresariais), acusados de «manobras neo-colonialistas». Foi o próprio Rosa Coutinho a tal anunciar, em conferência de imprensa, citando «actos de sabotagem económica, visando instalar o caos em Angola».
O Diário de Lisboa desse dia acrescentava que «os acontecimentos de Luanda tem analogias surpreendentes com o 28 de Setembro de Lisboa». O que significaria serem «golpe de força ou um simples tactear da situação, qualquer destas hipóteses faz recordar esta tentativa fascista de Portugal».
As tentativas de sabotagem económica, escrevia o jornalista Eugénio Alves, no DL, «ligadas à campanha insidiosa lançada contra a Junta Governativa e mais veladamente contra o MPLA, ligadas também aos comunicados e posições assumidas por organizações como a FNLA, FUA e PCDA, teriam como objectivo preparar emocionalmente a opinião pública para um golpe de força» 
O presidente da Junta Governativa falou também, e cito de novo o Diário de Lisboa, da «reocupação do quartel de Chimbueti, em Cabinda, ocupado durante vários dias por membros da FLEC e mercenários, comandados por um indivíduo louro, de forte compleição física e que se supõe ser belga».
Eugénio G. Carmo

Carmo de Aldeia Viçosa,
67 anos na Covihã !

O 1º. cabo Eugénio Gonçalves do Carmo, da 2ª. CCAV. 8423, festeja 67 anos a 19 de Novembro de 2019.
Atirador de Cavalaria dos Cavaleiros do Norte da guarnição de Aldeia Viçosa - e depois de Carmona - regressou a Portugal no dia 10 de Setembro de 1975, ao lugar de Malhada da Chã, da freguesia de Piodão, no município de Arganil. Vive agora no lugar de Peneireiro, freguesia de Sobral de S. Miguel, na Covilhã, para onde vai o nosso abraço de parabéns!

domingo, 17 de novembro de 2019

4 876 - Angola, ao dia 6 da independência! O Ambriz e Carmona!

Avenida do Quitexe (ou Rua de Baixo): a cantina dos praças, o edificio branco, do lado direito, e, do
 lado esquerdo, a messe de oficiais (onde está a carrinha branca), a casa dos furriéis e a secretaria
da CCS do BCAV. 8423. Imagem do dia 24 de Setembro de 2019
Aldeia Viçosa e parte dos edifícios que foram quartel
da 2ª. CCAV. 8423. O de azul, à esquerda, é agora
a esquadra da Polícia Nacional de Angola

A17 de Novembro de 1975, há 44 anos e já Angola era independente (desde o dia 11), o Diário de Lisboa dava conta que «as FAPLA continuam a reforçar o seu efectivo da Frente Sul», nomeadamente na «linha defensiva montada nos morros do Pundo, próximo de Novo Redondo» - cidade que as forças do MPLA continuavam a controlar, «assim como a Lunda» - a leste. Mais a sul, todavia, «Lobito, Benguela e Sá da Bandeira continuam ocupadas pelos invasores».
Invasores que, ainda segundo o Diário de Lisboa desse mesmo dia, «auxiliados por mercenários portugueses, tiveram de retirar ao longo de toda a linha Caxito/Barra do Dande/Libongos, situando-se agora o seu reduto no Ambriz, onde estabeleceram fortes defesas».Após as tentativas de 7 e 10 de Novembro, para tomar Luanda, adiantava o jornal que «as forças ocupantes foram completamente rechaçadas pelas FAPLA, sofrendo 600 mortos e perdendo 8 blindados, além de muito outro material de guerra»
O dia 10 de Novembro de 1975 foi o da morte do tenente Pais, ex-oficial da Forças Armadas Portuguesas e que, ao tempo, era comandante do destacamento de blindados da FNLA.
«Situação grave na Frente Sul de Angola, 
titulava o  Diário de Lisboa de 17 de 
Novembro de 1975. Há 44 anos!

A Frente Norte, o
Ambriz e Carmona!

O mesmo dia 17 de Novembro de 1975 foi tempo de, através do Diário de Lisboa, termos notícias do «nosso» Uíge angolano. Finalmente!
«Também na Frente Norte, toda a «rota do café» está na posse do MPLA, que ameaça agora o Ambriz e Carmona», reportava o o jornal vespertino da capital portuguesa, por cá lido com avidez e muita expectativa.
Ambriz e Carmona (capital do Uíge e cidade actualmente com esse nome) eram os redutos da FNLA e do seu Exército de Libertação Nacional de Angola - o ELNA. Que, na Frente Sul, continuava aliado às Forças Armadas de Libertação de Angola (FALA), braço armado da UNITA. Reportava o DL que «os mercenários e as forças do ELP avançam isoladas dos destacamentos fantoches da UNITA e da FNLA». 
«Quando conquistavam qualquer cidade, abandonam-a poucas horas depois, logo que a UNITA e a FNLA cheguem», sublinhava o jornal vespertino de Lisboa, em serviço especial enviado pelo Diário de Luanda.
Neto, Viegas e Monteiro, os três furriéis milicianos 
«Rangers» da CCS dos Cavaleiros do Norte do BCAV.
8423. Aqui, no Quitexe, em 1974

A mobilização de 3 furriéis «Rangers»!
Ataque aéreo em Cabinda!

A ordem de serviço do CIOE com a mobi-
lização dos futuros furriéis milicianos 
Monteiro, Viegas e Neto, 
A mobilização dos três (futuros) 
furriéis milicianos Rangers da CCS dos Cavaleiros do Norte foi há precisamente 46 anos: dia 17 de Novembro de 1973.
O Monteiro, o Viegas e o Neto, deles falamos, estavam ao tempo colocados no quartel-sede do Centro de Instrução de Operações Especiais (CIOE) de Lamego. Eram monitores de instrução, depois do curso concluído a 29 de Setembro e iniciado no Destacamento de Penude a 16 de Julho anterior.
A nota mobilizadora tinha o número 47 000 - Processo 33 007, da RSP/DSP/ME e foi, depois, publicada na Ordem de Serviço nº. 286, do CIOE, a 7 de Dezembro de 1973. Foi quando dela soubemos.
Um ano depois e já na jornada africana do Uíge, estávamos no Quitexe - onde foi tirada a foto de cima. Por esse tempo, soube-se que a 15 e 16 desse Novembro de há 45 anos, a aviação portuguesa interveio no Enclave de Cabinda, para «reprimir um motim no norte, perto da fronteira com o Congo» - chegando a violar o espaço aéreo deste país. Tratava-se da tentativa de libertação dos 22 militares detidos no forte, por antigos Tropas Especiais (TE) afectos à FLEC. Os TE «retiraram para território congolês», onde as autoridades locais «tomaram conta dos reféns portugueses e prenderam um mercenário francês».

sábado, 16 de novembro de 2019

4 875 - Os combates pós-independência! Apresentação da FNLA no Quitexe!

A entrada  no Quitexe, do lado de Aldeia Viçosa, Vista Alegre e Ponte do Dange, para Luanda e na Es-
trada do Café. Estas pequenas viaturas (azuis, os caleluias) chegam, a transportar 10 a 12 ou 13 pessoas.
 São verdadeiros «táxis» populares. Imagem de 24 de Setembro de 2019
Imagem do Quitexe, a 24 de Setembro de 2019: o campo
de futebol, à direita, e, à esquerda, a casa cor de rosa,
que era o restaurante Topete (clicar para ampliar)
BCAV. 8423

A 16 de Novembro de 1975, já com Angola independente, a situação continuava grave, nas várias frentes de combate. 
As FAPLA´s, exército do MPLA - o movimento de libertação agora no poder -, continuavam «a reforçar os seus efectivos na Frente Sul, com vista a fazerem frente à ofensiva desencadeada por mercenários, sul-africanos, belgas e franceses, apoiados por forças do ELP», como relatava o Diário de Lisboa, em serviço combinado com o Diário de Luanda.
A Frente Sul, ainda segundo estes dois jornais, «continua(va) a apresentar-se como a mais grave para o MPLA, dado o potencial bélico utilizado pelos agressores, que dispõem de numerosos helicópteros, aviões de transporte e blindados de origem sul-africana».
A norte, pelo «nosso» já então saudoso Uíge amgolano, o que se passaria por esses tempos de 44 anos? A Portugal não chegavam notícias, para além das que ontem aqui trouxemos. Por elas teríamos de esperar!
Avenida do Quitexe: duas crianças e o que resta do edi-
fício do Comando do BCAV. 8423. O imbondeiro e os
 três pavilhões em branco estão onde era a parada
e ao funde vê-se a Igreja de Santa Maria de Deus


Encontro com a FNLA
na vila do Quitexe ! 



A 16 de Novembro de 1974, já lá vão 45 anos, registou-se um encontro de comandos de guerrilheiros da FNLA com o comando do BCAV. 8423, na altura interinamente assegurado pelo capitão José Paulo Falcão. 
Infelizmente, e por razões de saúde dele, não nos é possível ter informação pormenorizada sobre o conteúdo desse histórico encontro - que, porém, se enquadra(va) nos vários que, ao tempo, «eram estabelecidos com as autoridades, por parte de elementos dispersos da FNLA, agora já nas categorias elevadas da sua chefatura», como relata o livro «História da Unidade» - o BCAV. 8423.
Livro que nada mais adianta sobe esse encontro, numa altura em que era evidente a aproximação dos combatentes angolanos. Mai da FNLA, o movimento mais influente na zona de acção do BCAV. 8423. Menos, do MPLA. Quase inexistente a UNITA, pelas bandas do Uíge.  
Maria dos Anjo Jerónimo
e João Rito de C. Branco

João Rito, viúva
festeja 67 anos !

Maria dos Anjos Jerónimo, viúva de João Rito, cavaleiro do Norte da 2ª. CCAV. 8423, festeja 67 anos a 16 de Novembro de 2019.
João Jerónimo Rito foi soldado atirador de Cavalaria da subunidade de Aldeia Viçosa (e depois de Carmona), comandada pelo capitão miliciano José Manuel Cruz, e faleceu, vítima de doença, a 1 de Março de 2016, em Castelo Branco. 
Hoje o recordamos com saudade, com fraterno abraço à mulher da sua vida e que hoje, de luto na alma, não deixará de fazer memória deste nosso saudoso companheiro da jornada africana do Uíge angolano!
Eduardo Silva

Eduardo de Luísa Maria

em festa de 67 anos !

Eduardo, filho de Eduardo Bento da Silva, que foi gerente da Fazenda Luísa Maria, está hoje em festa de 67 anos!
Eduardo (pai), para além de bom gestor agrícola das terras uíjanas de Luísa Maria, onde os Cavaleiros do Norte tiveram um Destacamento, foi um excelente anfitrião dos Cavaleiros do Norte e por lá teve mulher e 3 filhos: também a Rosa e a Adelaide. 
Eduardo Cocenas da Silva, o filho, para lá foi em 1953 e regressou a Portugal em 1970, para Coimbra (a família é de Condeixa), licenciando-se no Instituto Superior de Engenharia - depois de estudar no Uíge e em Luanda.
Trabalhou na área da iluminação e, já aposentado, mora em S. João da Talha, na  região da Grande Lisboa. Parabéns!




sexta-feira, 15 de novembro de 2019

4 874 - Os combates depois da independência! Os calmos dias do Quitexe de há 45 anos!

A Estrada do Café, na entrada do Quitexe do lado de Luanda,em imagem de 24 de Setembro de 2019. Há
 45 anos e por estas bandas, os Cavaleiros do Norte apoiavam a JAEA na recuperação do troço de es-
 trada entre o Quitexe e Camabatela, depois do de Aldeia Viçosa a Ponte do Dange - a Estrada do Café
O condutor Nogueira, CCAÇ. 209/RI 21 (do Liberato) e
o furriel Viegas, da CCS do BCAV. 8423 (de pé) na avenida
 e com crianças do Quitexe

Os combates entre as forças do MPLA (as FAPLA) e as da FNLA (o ELNA) e a UNITA (as FALA) continuavam há 44 anos, dias depois da proclamação da independência, e, a 15 de Novembro, soube-se das primeiras notícias do «nosso» Uíge. 
«A ofensiva vitoriosa das FAPLA mantém-se e Úcua, ponto estratégico situado a meio do caminho entre Luanda e Carmona, foi libertado e toda a chamada «rota do café» está sob controlo do braço armado do povo angolano», reportava o Diário de Lisboa.
As FAPLA, ainda segundo o DL de 15 de Novembro de 1975, «progrediram, assim, até 340 quilómetros de Luanda ameaçando os principais redutos da FNLA e preparando um «anel» que isolará Ambriz e preparará a queda de Carmona».
A Frente de Nova Lisboa registava o reforço do cerco à cidade. «As FAPLA dominam Cela, onde destroçaram as forças da UNITA», noticiava o Diário de Lisboa, acrescentando que «esta manhã, em Luanda, foram apresentados, à imprensa nacional e estrangeira, mercenários e elementos do ELP».
A Estrada do Café, que liga(va) Luanda a Carmona,
aqui na entrada de Vista Alegre, por onde jornadeou
a 1ª. CCAV. 8423. imagem de 24 de Setembro de 2019

A Estrada do Café, o 
troço para Camabatela! 


Um ano antes, precisamente, os tranquilos dias quitexanos do Uíge eram a antítese das situações de conflito que se viviam e multiplicavam em Luanda, onde já tinham chegado MPLA, FNLA e UNITA. Cada qual com a(s) sua(s) força(s) e ambições.
A Estrada do Café no mesmo dia, com duas
raparigas e um bebé às costas
Os Cavaleiros do Norte prosseguiam as tarefas de preparação da sua própria rotação e apoiavam a JAEA na recuperação do troço de estrada entre o Quitexe e Camabatela, depois do de Aldeia Viçosa a Ponte do Dange - a Estrada do Café.
O Diário de Luanda de 15 de Novembro de 1974, há 45 anos, dava conta de um comunicado da FNLA, que apelava à «assumpção de posições actuantes e racionais, para podermos contribuir, sem ambiguidades, para uma total e definitiva separação das forças construtivas das descontrutivas» e sublinhava que «a neutralidade, neste momento, não serve a ninguém, nem à própria Angola». O documento era «um velado ataque à Junta Governativa e ao MPLA, explorando alegadas divisões neste movimento». De que era exemplo a Facção Chipenda. 
O matutino «O Comércio», também de Luanda e da terça-feira anterior, «atacava» um eventual governo de coligação e sugeria que «somente sob a autoridade de um governo de partido único - a FNLA - se poderá resolver o probema angolano».
O MPLA, por sua vez, afirmava acreditar nas intenções de Rosa Coutinho, o Alto Comissário, e do Governo Português, prontificando-se «a colaborar na segurança dos musseques» - zonas onde se repetiam problemas e sucediam problemas e mortes.
A UNITA, de Jonas Savimbi, essa, e ainda citando o Diário de Lisboa, «tem-se remetido a um prudente silêncio, evitando ataques e críticas ao MPLA e à Junta Governativa».
Lúcio Lara, do MPLA, denunciava «provocações de pessoas que, em Luanda, vivem na zona no asfalto» - a população branca. E criticou «um ataque contra pessoas instaladas na tribuna do estádio do Futebol Clube de Luanda, durante um comício do MPLA». Pediu a dissolução de forças para-militares, dando o exemplo da OPVDCA.
- JAEA. Junta Autónoma de Estradas de Angola.
- OPVDCA. Organização Provincial de Voluntários da Defesa Civil de Angola.
Martins Oliveira


Martins de Aldeia Viçosa
festeja 67 anos em Leiria!

O soldado atirador de Cavalaria Martins, da 2ª. CCAV. 8423, festeja 67 anos a 16 de Novembro de 2019.
Cavaleiro do Norte de Aldeia Viçosa (e depois de Carmona, a actual cidade do Uíge), Martins Pereira de Oliveira, é este o seu nome completo, regressou a Portugal no dia 10 de Setembro de 1975 e fixou-se em Aparícios, lugar da freguesia de Santa Eufêmia, do município de Leiria. 
Ainda lá reside e para lá vai o nosso abraço de parabéns!  

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

4 873 - O primeiro Governo de Angola, os Cavaleiros do Norte em 1974!

Aqui era a Portugália, onde se vê o Kibabo, um dos locais de culto da tropa portuguesa na baixa de
Luanda, em 1975/1975. Assim como o Mutamba, o Paris Versailles, o Pólo Norte, o Amazonas e o Baleizão,
 a Barracuda da restinga, entre outros...
A Portugália dos anos de 1974/1975 (e antes), na
baixa da angolana Luanda
Lopo do
Nascimento

A 14 de Novembro de 1975 (ontem se fizeram 44 anos), já Angola ia no quarto dia da sua independência, tomou posse o primeiro governo, liderado por Lopo do Nascimento e empossado por Agostinho Neto, o Presidente da República.
Incluía os ministros José Eduardo dos Santos (Negócios Estrangeiros e depois Presidente da República, após a morte de Agostinho Neto), Henrique (Iko) Teles Carreira (Defesa), David Aires Machado (Trabalho), Mário Afonso de Almeida (Saúde), António Jacinto (Educação), Diógenes Boavida (Justiça), Nito Alves (Administração Interna), Carlos Rocha Dilolwa (Planeamento e Coordenação Económica), Maria da Conceição Vahekeny (Assuntos Sociais) e José Filipe Martins (Informação). 
Os Secretários de Estado foram Alberto Bento Ribeiro (Comunicações), Augusto Lopes Teixeira (Energia e Indústria), Saydi Mingas (Finanças), José Victor de Carvalho (Pescas) e Carlos Fernandes (Agricultura). 
As Obras Públicas, Habitação e Transportes ficaram na dependência directa do 1º. Ministro Lopo do Nascimento. 
O Diário de Lisboa de
15 de Novembro de 1975

Combates das FAPLA
e notícias do Uíge !

A nível militar e na região de Novo Redondo, «as FAPLA combatem com as forças invasoras sul-africanas». 
O relato era do Diário de Lisboa e a batalha era considerada «muito importante, podendo ser decisiva para a evolução da frente sul». Perto de Nova Lisboa, por sua vez, «as FAPLA dominam Chela, onde destroçaram a as forças da UNITA».
Finalmente souberam-se notícias do Uíge. Citamos o Diário de Lisboa de há 44 anos: «Na frente Norte, as forças vitoriosas das FAPLA mantém-se. Úcua, ponto estratégico situado a meio do caminho entre Luanda e Carmona, foi libertado e toda a chamada «rota do café» está sob controlo do braço armado do povo angolano».
As FAPLA, noticiava o mesmo DL, «progrediram assim até 340 quilómetros de Luanda, ameaçando os principais redutos da FNLA e preparando um «anel» que isolara Ambriz e preparará a queda de Carmona».
Isto era há 44 anos, quatro dias depois da declaração de independência de Angola.
Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8423: clarim Oliveira
(impedido da messe), alferes Carvalho de Sousa e fur-
riéis Mário Soares, Mário Matos e José Me
lo. Em
 baixo, alferes João Machado e furriéis Rafael
 Ramalho e Abel Mourato



O capitão médico Leal, os furriéis 
Mário Soares e Freitas Ferreira,
o cozinheiro Baião!

O mês de Novembro de 1974, há 45 anos, foi tempo de chegada, a Aldeia Viçosa, do furriel miliciano  Mário Soares, atirador de quem não guardo imagem nem ideia. 
A quem perguntei, da 2ª. CCAV. 8423, ninguém se lembra mas a verdade é que o Livro da Unidade da conta da sua chegada. Em aditamento 7, ao BCAV. 8423. E ali se vê na fotografia.
Já falámos aqui, mas vale a pena recordar que foi o mês de saída do Freitas Ferreira, aqui lembrado há uma semana, por causa do acidente de Úcua, que o levou de furriel miliciano atirador, em Aldeia Viçosa, a amanuense, em Luanda. Mesmo contra a sua vontade.
Foi também o de final de comissão do capitão miliciano médico Manuel Leal e, por razões ue terão a ver com a sua saúde, foi desmobilizado Antero Lourenço Baião, soldado cozinheiro da CCS. Sabemos que mora em Mira.
E Angola, a esse tempo? O que nos chegava de Luanda?
Lúcio Lara, do MPLA, apontava o dedo a Daniel Chipenda, líder da Revolta do Leste, de «ser responsável pelas perturbações na região de Salazar-Malange», um pouco lá para os nossos uíjanos lados. Era por lá, dizia Lara, que «homens com braçadeiras do MPLA tem vindo a criar complicações à ordem pública, apesar do cessar-fogo assinado por Agostinho Neto». Eram, não eram do MPLA, não sei, mas Lara dizia que «Chipenda deve ser considerado responsável pelo caminho que escolheu».
O Manuel Neves (Bolinhas) e o
furriel João Dias em 1974/1975
O Manuel Neves (Bolinhas) e o
furriel João Dias em 2017

Bolinhas de Zalala, 67
anos em Penacova !

O Manuel Jacinto Pereira das Neves Amaral foi soldado atirador de Cavalaria da 1ª. CCAV. 8423 e festeja 67 anos a 14 de Novembro de 2019.
Popularizado como Bolinhas pelas bandas da Fazenda de Zalala - e depois por Vista Alegre, o Songo e Carmona, por onde jornadearam os Cavaleiros do Norte do capitão miliciano Davide Castro Dias - ganhou o apelido Amaral pelo casamento e faz vida profissional e pessoal por terras de Penacova, na Quinta dos Penedos, de onde é natural e onde regressou a 9 de Setembro de 1975.
Para ele vai o nosso abraço de parabéns!