sexta-feira, 11 de outubro de 2019

4 839 - A morte, há 14 anos, do furriel sapador Joaquim Farinhas!

Os furriéis milicianos Joaquim Farinhas (sapador), Francisco Neto e Viegas, ambos de
 Operações Especiais (Rangers), no Quitexe, em 1974 e com o Agostinho Papelino, que
 terá falecido há 2 anos!
Os furriéis milicianos Luís Filipe Costa, do Pelotão de
Morteiros 4281, e Joaquim Farinhas, do Pelotão
de Sapadores da CCS do BCAV. 8423

O furriel miliciano Joaquim Augusto Loio Farinhas faria 67 anos a 11 de Outubro de 2019, mas faleceu há precisamente 14 anos, em Amarante, a sua terra natal, vítima de doença cancerosa.
O inesquecível Farinhas chegou a Santa Margarida, por Janeiro/Fevereiro de 1974, com o Mosteias e o Pires, do Montijo, como 1º.s cabos milicianos do Pelotão de Sapadores, comandado pelo (futuro) alferes Jaime Ribeiro. Por lá fizemos (todos) a formação do Batalhão de Cavalaria 8423 (a nossa unidade) e de lá partimos para Angola.
O Farinhas não era homem de muitas falas, era até algo circunspecto, sorumbático, mas de ideias firmes sobre os seus princípios e seguramente um excelente camarada. Um problema disciplinar afastou-o do nosso convívio em Março de 1975. 
Não recordo qual problema foi, mas tenho dele a imagem do companheiro introspecto e melancólico, que de nós escondeu segredos que não nos ajudaram a ajudá-lo, quando terá precisado.
Ao tempo dos últimos tempo do Quitexe, dele recordo uma noite algo constrangida para ambos, estava eu de sargento de dia, matando horas pela madrugada fora. O Farinhas falou da vida dele, muito nervoso e revoltado, fumando, fumando, fumando... e parecia não querer sair de si e do seu constrangimento, fechando os ouvidos ao que lhe dizia, querendo ajudar.
A última vez que falei com ele, ao telefone, foi em 1996, creio eu..., para que participasse no encontro do batalhão. Trabalhava nos Serviços Florestais e, salvo erro, tinha então recentemente voltado dos Estados Unidos. Não participou no encontro. Não quis, dizendo-me que a tropa não lhe dizia nada. 
«Desculpa lá, ó Viegas..., desculpa, pá... és um gajo porreiro!!!...».
Eu desculpei. Obviamente!
Morreu a 14 de Julho de 2005 e hoje, quando faria 67 anos, o recordamos com saudade. Até um dia, caro Farinhas!
Monumento aos mortos na fazenda Liberato

Monumento aos mortos 
na fazenda do Liberato

A meados de Outubro de 1974, ficou a saber-se que, na sequência das políticas determinadas por Lisboa (conducentes à independência de Angola), se iria iniciar a remodelação do dispositivo militar da zona de acção do Batalhão de Cavalaria 8423.
O BCAV. tinha sub-unidades em Zalala (a 1ª. CCAV. 8423), Aldeia Viçosa (2ª. CCAV. 8423) e Santa Isabel (3ª. CCAV. 8423), mais companhias independentes em Vista Alegre (a CCAÇ. 4145) e Fazenda do Liberato (CCAÇ. 209/RI 21), para além do Pelotão de Morteiros 4281 (Quitexe) e Grupos Especiais (GE) no Quitexe (o 217 e o 223), Aldeia Viçosa (222) e Vista Alegre (208).
A CCAÇ. 209, instalada no Liberato seria (e foi) uma das companhias a rodar. 
A CCAÇ. 209/RI 21 regressou a Nova Lisboa a 8 de Novembro e a fazenda por onde jornadearam tantos e tantos militares portugueses, deixou definitivamente de ter guarnição - o que acontecia desde 1961/62. E que guarnição!!!, a última, maioritariamente formada por militares angolanos, que se revoltou e embaraçou os Cavaleiros do Norte do Quitexe.
O Livro da Unidade dedica duas linhas e meia ao acontecimento: «Saliente-se ainda que, em 27SET, na sequência de outros incidentes internos, processaram-se na CCAÇ. 209 graves problemas disciplinares, os quais passaram ao controlo do Comando de Sector do Uíge».
Abílio Duarte

Condutor Abílio Duarte, 66
anos em Baguim de Monte !

O soldado condutor Duarte, Cavaleiro do Norte da CCS do BCAV. 8423, festeja 66 anos a 11 de Outubro de 2019.
Abílio Alberto de Sousa Duarte foi militar  da incorporação de 1974 (nós, os BCAV´s 8423, da de 1973) e não regressou a Portugal com os Cavaleiros do Norte, mas é conviva habitual dos encontros da CCS, sempre bem disposto e feliz pelo prazer de partilhar estes encontros de saudade e memória das terras angolanas.
Natural e residente em Baguim do Monte, freguesia do concelho de Gondomar, para lá e para ele vai o nosso abraço de parabéns.


quinta-feira, 10 de outubro de 2019

4 838 - Cinema para todos na ZA dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423

O Clube do Quitexe,  à esquerda, nos anos 74/75 do Século XX, ainda durante a administração
portuguesa. Era o sítio cultural e social da vila e fica(ba) na Estrada do Café que liga capital, 
Luanda, à cidade de Carmona -  a actual Uíge!
Borges de Zalala com crianças 
quitexanas. Atrás, vê-se o Clube 
do Quitexe

Rpdolfo Tomás, o 1º. cabo
que projectava filmes
no Quitexe

A 10 de Outubro de 1974, já lá vão 45 anos, iniciou-se um ciclo de exibições de cinema, no âmbito da «acção psicológica sobre as NT».
Não é certo que tenha sido desta vez, mas em uma altura foi exibido o filme «Eusébio, a Pantera Negra», produzido nesse ano de 1974 e projectado no Clube do Quitexe, com os cuidados técnicos do 1º. cabo Rodolfo Tomás, rádio-montador da CCS dos Cavaleiros do Norte. Historiava a vida do futebolista Eusébio da Silva Ferreira, desde a infância de Mafalala, em Moçambique, até à festa de homenagem, passando pela sua extraordinária carreira de futebolista, de classe mundial. 
O filme «rodou em toda a ZA, no período compreendido entre 10 e 23 de Outu-
bro», de acordo com o Livro da Unidade, que também refere que essa rotação (militar) do filme «foi complementada em actividade orientada para as populações, com a sua projecção no Quitexe, no dia 29 de Outubro».
O furriel Jorge Barata. alferes Lains dos
Santos e furriel Américo Rodrigues
em Zalala, no ano de 1974

A morte do furriel
Barata de Zalala

O furriel miliciano Barata faleceu há 22 anos, a 11 de Outubro de 1997, vítima de doença e em Alcains.
Jorge António Eanes Barata fez a recruta e a especialidade de atirado de Cavalaria na Escola Prática de Santarém e integrou a 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala. Regressou a Portugal e a Alacins no dia 9 de Setembro de 1975, depois da jornada africana do Uíge angolano. Por lá continuou, trabalhou na área da contabilidade, jogou futebol no Desportivo de Castelo Branco e no Alcains.
A 10 de Outubro de 1997, passou normalmente o dia, mas foi vítima de um enfarte do miocárdio. Na véspera, ainda treinara futebol e jantara tranquilamente com a família. Depois, sentiu-se mal e foi levado ao hospital mas faleceu no dia seguinte, às 7 horas da manhã.
Deixou viúva, um filho e uma filha, a quem enviamos o nosso abraço solidário.

Até um destes dias, grande Barata. Aquei te recordamos com saudade!

Ver AQUI
Os 1º.s cabos Jorge. Lourenço
e Hélio, RT´s  de Zalala

Hélio Rocha da Cunha em
2019, com a esposa




Hélio de Zalala, 67
anos em Castro Daire!

O 1º. cabo Hélio, Cavaleiro do Norte da 1ª. CCAV. 8423, a da mítica Fazenda de Zalala, festeja 67 anos a 10 de Outubro de 2019.
Hélio Rocha da Cunha, de seu nome completo, foi rádio-telegrafista de especialidade militar e também jornadeou por Vista Alegre/Ponte do Dange, Songo e Carmona - terras uíjanas do Norte do Angola. Regressou a Portugal no dia 9 de Setembro de 1975, fixando-se em Mamouros, freguesia de Castro Daire, município onde ainda mora. Para lá e para ele, vai o nosso abraço de parabéns!

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

4 837 - Emboscada com 2 mortos civis europeus na ZA dos Cavaleiros do Norte

oo
Os Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa e do capitão miliciano José Manuel Cruz,
foram, em data não identificada, acudir a um ataque a madeireiros na sua zona de acção. Nunca regatearam
apoios, cumprindo a sua nobre missão, mesmo com o risco da própria vida
Imagem do ataque aos madeireiros. Notem-se
pelos dois cadáveres na viatura



A 10 de Outubro de 1974, em Luanda, começaram as conversações para o cessar-fogo com a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) - facto que, na altura e no Quitexe, nos passou despercebido - a não ser por um aerograma do Ferreira, dias depois recebido.
«Parece que a coisa vai...», dizia ele, muito esperançado mas, todavia, dando conta, também, de alguns incidentes na capital angolana.
O cessar fogo não evitou, todavia, que a 14 do mesmo mês, na picada entre as fazendas Alegria II e Ana Maria, no limite nordeste da zona de acção do BCAV. 8423, e lemos do Livro da Unidade, «um grupo do IN realizou uma emboscada a uma viatura civil, com êxito da sua parte, pois que obteve dois mortos civis europeus».
Confiar, mas não tanto, pensou-se na altura. Mas havia, naturalmente, que garantir a segurança e a confiança da população - que vivia despreocupada da guerra que se travava nas matas, trilhos e picadas e mal imaginava os tempos de  drama e dor que estavam para vir. Ninguém imaginava. 
A 11 e 12, realizaram-se encontros em Kinshasa, primeiramente entre uma delegação portuguesa e o Presidente Mobutu (do Zaire) e, mais tarde, já envolvendo uma delegação da FNLA. Foi decidida a cessação de hostilidades, a partir de 15 de Outubro.
José P. Reis


Reis de Aldeia Viçosa
festeja 67 anos !

O soldado José Pereira dos Reis, da 2ª. CCAV. 8423, festeja 67 anos a 9 de Outubro de 2019.
Atirador de Cavalaria de especialidade, jornadeou pelas uíjanas terras de Aldeia Viçosa e Carmona, regressando a Portugal no dia 10 de Setembro de 1975, fixando-se em Fontaínhas da Serra, da freguesia de Atouguia, no município de (Vila Nova de) Ourém. Mora agora nCova da Iria, em Fátima, para onde vai o nosso abraço de parabéns!

terça-feira, 8 de outubro de 2019

4 836 - O Uíge do Cavaleiros do Norte «fora» dos circuitos noticiosos

Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, todos furriéis milicianos: António Flora, Luís Costa (Morteiros),
Agostinho Belo, Francisco Bento  Joaquim Abrantes, em momento de relaxe, no bar e messe de sargentos do Quitexe




Os dias de Outubro de 1974, pela área do Quitexe, foram de algumas escaramuças entre adeptos dos movimentos de libertação, aqui e ali, mas normalmente controladas pelos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423. 
Um ano depois e muitas águas passadas sob as pontes, muitas reviravoltas no processo de independência de Angola, acordos que nunca chegaram a ser cumpridos e combates que fizeram muito sangue, muitas mortes e muitos lutos, os Cavaleiros do Norte já tinham passado um mês desde o regresso a Portugal e procuravam notícias de Angola. E da «nossa» Carmona, que, porém, andava fora dos circuitos noticiosos. 
Há 41 anos, o DL dava notícia de
mais 5 mortos em combate
Eram raras mas chegaram! 
A 9 de Outubro de 1975, o Diário de Lisboa noticiava «violentos combates entre forças do MPLA e da FNLA (...) a 70 kms. de Carmona e a uma centena de Luanda, na zona do Úcua»
Eram dois pontos importantes na Estrada do Café, a rota de asfalto que, de Luanda, chegava a Carmona e, já na área de acção do BCAV. 8433, passava pela Ponte do Dange e Vista Alegre (onde, depois de Zalala, estava 1ª. CCAV.), Aldeia Viçosa (a 2ª. CCAV.) e Quitexe (a CCS), 40 quilómetros antes de Carmona - as terras dos Cavaleiros do Norte (mais as fazendas Zalala da 1ª. CCAV. e Santa Isabel, da 3ª. CCAV., e os destacamentos de Luísa Maria e Liberato).
Notícias de Angola de há 41 anos
No primeiro caso (a 70 quilómetros de Carmona), era a ofensiva do MPLA, contra «o importante centro cafeeiro» de Angola», que era, simultâneamente, «um dos principais redutos da FNLA» - e que, segundo o Diário de Lisboa, «com êxito». De resto,  «Aldeia Viçosa e Samba Cajú já estavam em poder do MPLA» e eram considerados «dois pontos rodoviários estratégicos». No segundo, era «a pressão militar que os homens de Holden Roberto vem mantendo desde há algumas semanas nas vias de acesso a Luanda» e que levavam a que controlassem a vila de Úcua.
Em ambos os casos, sublinhava o DL de há 41 anos, envolvendo «violentos combates que decorreram no últimos dias». Assim ia o processo de independência de Angola, a 33 dias do histórico 11 de Novembro de 1975. Com cada movimento «a tentar assegurar o controlo de novas posições». Da UNITA é que não se falava, por esta altura.












Fidelidade militar
ao MFA de Angola

Agora, deixem-me ir um bocadinho atrás na vida e na história: há 44 anos, em Luanda e no Palácio do Governo, 500 oficiais reuniram-se reafirmaram a sua «intransigente fidelidade ao movimento das Forças Armadas», não hesitando em protagonizarem «a efectivação do processo de descolonização de Angola, na sequência do compromisso internacional assumido por Portugal, ao reconhecer o direito à auto-determinação e independência dos povos colonizados».
Assumiam-se contra o que consideravam «as trágicas aventuras reaccionários ocorridas em Moçambique» e que queriam evitar em Angola.





segunda-feira, 7 de outubro de 2019

4 835 - O mês 5 do BCAV. 8423 em Angola! MPLA garantia os interesses dos brancos

Messe e bar de sargentos do Quitexe e um grupo de furriéis milicianos. Atrás, Viegas, José Fernando
Carvalho, Francisco Bento, António Flora, Manuel Capitão e Nelson Rocha. À frente, Delmiro Ribeiro,
 Armindo Reino e Grenha Lopes, com o Carlos Lajes, o «cavaleiro» do bar 
Cavaleiros do Norte e 1ºs  cabos escriturários da CCS:
Miguel Teixeira, João Pires e Jorge Pinho

Aos 7 dias do quinto mês dos Cavaleiros do Norte em terras uíjanas de Angola, por  Outubro de 1974 e pelas bandas do Quitexe, eram conhecidas, com expectativa, declarações de Agostinho Neto, em Lusaka, na véspera: «O MPLA garantirá os interesses dos brancos». 
O médico, poeta e político angolano - que viria a ser o primeiro Presidente da República - acrescentou que o seu movimento reconhecia «o direito à existência das minorias brancas de Angola», negou «fazer racismo negro» e disse que era intenção do MPLA «garantir uma política que permita a existência de brancos no nosso país».
Sobre as negociações com o Governo Português, para fazer evoluir o processo de independência do território, disse Agostinho Neto que começariam "logo que se alcance a unidade, tanto no interior do MPLA como da FNLA". 
O furriel Joaquim Farinhas
e as suas leituras de esquerda
Pelo Quitexe, cogitava-se cada vez mais a iminência do cessar-fogo, muito desejado mas expectado com algumas reservas. O inimigo de ontem não se transforma(va), instantâneamente, no melhor amigo de hoje. Ou de amanhã. 

Cavaleiros não entendiam
o que se passava em Lisboa!


De Luanda, chegava a notícia, via Alberto Ferreira (o amigo da Força Aérea, que regularmente tinha acesso à imprensa de Lisboa, chegada praticamente no dia).
 «O Costa Gomes e o Spínola estiveram a comer num hotel. Outra vez amigos, não se percebe isto...», comentava o Alberto. 
O general António de Spínola tinha renunciado à Presidência da República, a 30 de Setembro - depois da chamada Intentona de 28!, ou Inventona, também assim apelidada - e Costa Gomes foi o seu sucessor imediato, logo confirmando Vasco Gonçalves como 1º. Ministro. O mesmo 1º. Ministro que, a 28 de Setembro, Spínola tinha querido demitir. Eram os tempos seguintes ao seu apelo à maioria silenciosa.
Lá pelo Quitexe, no imenso Uíge angolano, tudo isto era surpreendente e incompreendido por nós, Cavaleiros do Norte - mesmo com as esquerdizantes e revolucionárias prelecções políticas do Farinhas. O melhor era «fazer tempo» para o fazer de malas. Que ainda demoraria tempo. Só daí a 11 meses!!! Mas nós nem imaginávamos!
Ornelas Monteiro

Ornelas Monteiro
faleceu aos 80 anos !

O coronel Ornelas Monteiro faria 88 anos a 7 de Outubro de 2019. Faleceu a 16 de Julho a 2011.
José Luís Jordão Ornelas  Monteiro era major de Cavalaria quando foi mobilizado como 2º. comandante do BCAV. 8423 e, em Santa Margarida e no RC4, acompanhou toda a formação do Batalhão.  Dias antes do embarque para Angola, porém, foi «desviado» para o Comando-Chefe das Forças Armadas da Guiné.
Hoje, quando faria 88 anos, o recordamos com saudade! RIP!!!
Fernando Coelho

Coelho de Zalala
faria 67 anos !

O soldado Fernando Coelho, da 1ª. CCAV. 8423, faria 67 anos a 7 de Outubro. Faleceu em data desconhecida de 2000.
Fernando Jesus da Costa Coelho era rádio-telegrafista dos Cavaleiros do Norte de 
Zalala e regressou a Portugal no dia 9 de Setembro de 1975, à Presa Velha, freguesia de Campanhã, no Porto - onde ao tempo residia.
Hoje e aqui o recordamos com saudade! RIP!!!

Azevedo de Santa Isabel, 67
anos em Oliveira de Frades !

foi atirador de Cavalaria da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel, e festeja 67 anos a 7 de Outubro de 2019.
Ao tempo, morava na Amadora e lá voltou a 11 de Setembro de 1975.
Sabemos que a vida o levou para o centro/norte e vive agora em Remolha, no concelho de Oliveira de Frades, onde exercerá a função de chefe de cozinha e para onde vai o nosso abraço de parabéns!
- FARINHAS: Joaquim Augusto Loio Farinhas, furriel
miliciano sapador, da CCS dos Cavaleiros do Norte. 
Natural de Amarante, faleceu a 14 de Julho de 2005
vítima de doença.
Ver AQUI

domingo, 6 de outubro de 2019

4 834 - O cessar-fogo em Angola, a política e o futebol em Portugal

Cavaleiros do Norte no Quitexe. Furriéis Luís Capitão e João Cardoso, cozinheiro José Al-
meida e Carlos Lajes (bar) e furriel   Flora (atrás). Ao meio, furriéis António Cruz (de ócu-
 los e com a mão à frente da cara), alguém tapado, Luís Costa (morteiros), Armindo Reino
(com garrafa na mão) e José Fernando Carvalho (ambos de bigode). À frente, Francisco 
Bento (de bigode e a apontar com o dedo), José Avelino Lopes, José Carlos Fonseca e 
Nelson Rocha (ambos de bigode)

Cavaleiros do Norte da 1ª. CCAV. 8423 numa viagem às
Quedas do Duque de Bragança. De pé, Almiro Brasil, furriel
João Dias, alferes Lains dos Santos, furriel Évora Soares,
 1º. cabo Carlos Carvalho e António Agra (Famalicão). Em
 baixo, Carlos Costa e Fernando Silva (Mamarracho)
Aos 6 dias de Outubro de 1974, há 45 anos, um domingo, chegaram ao Quitexe notícias de Portugal e da «grande jornada de trabalho, como manifestação de alegria pela vitória das forças democráticas sobre a reacção, no dia 28 de Setembro».
O apelo fora do 1º. Ministro, o general Vasco Gonçalves e, nesse 6 de Outubro de há 40 anos «o país inteiro levantou-se à hora normal de trabalho e dirigiu-se
O Diário de Lisboa de há 45 anos.
dia 6 de Outubro de 1974
firme e consciente do alcance da sua atitude, para os seus locais de trabalho», como releio agora, no Diário de Lisboa (ao lado), o vespertino desse dia.

O cessar-fogo em Angola

e o futebol em Portugal

A guarnição quitexana pouco ligou a tão momentoso assunto, mais preocupada estava com o que por Angola se passava e, mais em pormenor, pelo «nosso» Uíge. ´
Em segredo, ia-se falando do cessar fogo e, como já foi dito, as NT limitavam-se aos serviços de rotina e aos (sempre preocupantes) patrulhamentos nos itinerários principais, para garantir a segurança do tráfego.
De Lisboa, chegaram também os resultados da bola primodivisionária, da véspera, a 5 de Outubro: Leixões-Boavista, 0-0; Farense-Espinho, 5-0, União de Tomar-CUF, 1-0; Oriental-Atlético, 0-0; Setúbal-Sporting, 1-1; Guimarães-Belenenses, 2-0O Académico(a) de Coimbra-Benfica (0-4) e o FC Porto-Olhanense (4-1) foram na noite desse dia 6.
Um ano depois, já os Cavaleiros do Norte em Portugal e depois da Cimeira de Campala, os três movimentos não se entenderam, tinham dúvidas sobre a eficácia dos trabalhos e Agostinho Neto afirmou que «o MPLA declarará a independência»«Só pode haver em Angola uma independência sob a direcção do MPLA», disse ele, em Luanda, a 4 de Outubro de 1975, acusando Portugal de «não ter política em relação a Angola».
Assim ia o processo de descolonização.
Évora Soares

Furriel Évora Soares
faleceu há 11 anos !

O furriel miliciano José Carlos Évora Soares chegou a Zalala nos últimos dias de Setembro, primeiros de Outubro de 1974.
Atirador de especialidade, integrou o Grupo de Combate comandado pelo alferes miliciano  Mário Jorge de Sousa e regressou a Portugal em data desconhecida - mas não com os Cavaleiros  do Norte da 1ª. CCAV. 8423, que a Portugal voltou a 9 de Setembro de 1975.
Sabemos, por informação do furriel João Dias, que faleceu a 21 de Agosto de 2008, aos 57 anos, e hoje o recordamos com saudade. RIP!!!

sábado, 5 de outubro de 2019

4 833 - O 5 de Outubro no Quitexe de 1974! Pires e Flora, 67 anos!






Pires de Bragança (no círculo amarelo) e Flora (no rectângulo), aniversariantes de 5 de Outubro. A 
foto é do Quitexe, em Dezembro de 1974. Atrás, João Cardoso, José Carvalho. Manuel Bento, Luís Costa
 (morteiros) e António Fernandes. Em baixo, Nelson Rocha, CJ Viegas, Graciano Silva, José Pires, José 
Carlos Fonseca e António Flora. À frente, Delmiro Ribeiro. Em baixo, notícia DL sobre o 5 de Outubro de 1974
Os furriéis milicianos Viegas e José
 Pires, com um combatente da FNLA,
em 1974, do Dambi Angola

Dia 5 de Outubro de 1974! É sábado e feriado e ao Quitexe chegam ecos da «grande jornada nacional» que em Portugal comemorava os 64 anos da implantação da República - a primeira vez, depois do 25 de Abril. 
A data, digamos que não passou indiferente às várias guarnições do BCAV. 8423, mas não tanto o registo da primeira página do Diário de Lisboa (aqui ao lado), referindo a apoteótica aclamação ao Presidente Costa Gomes mas também, e aqui queríamos chegar, a atribuição do nome 25 de Abril à até aí Ponte Salazar.
Ao reler isto, a memória flui para a farta discussão do bar de sargentos, opondo a absoluta concordância do Farinhas, do Fonseca e do Pires, do Montijo - que a ponte sobre o Tejo deveria ser 25 de Abril, deixando de ser  Salazar -, às dúvidas do Machado, do Neto e de mim mesmo, os três não tão concordantes com o «milagre» de fazer uma ponte numa noite (ou num dia) de apoteose revolucionária. Não chegámos a acordo, se bem me lembro... - Nem era para chegar!!!
José Santos Pires
furriel em 1974/75

Furriel Pires, TRMS, 
67 anos em Bragança !

O furriel miliciano Pires, o da CCS, o inesquecível Pires de Bragança, festeja 67 anos a 5 de Outubro de 2019.
José dos Santos Pires especializou-se em transmissões e regressou a Portugal no dia 8 de Setembro de 1975, quando terminou a sua (e nossa) jornada africana do Uíge angolano. A Vale de Nogueira, freguesia de Salsas, em Bragança.
Fez carreira profissional na GNR e, já aposentado, mora em Bragança, para onde vai o nosso abraço de parabéns!
Os furriéis miliciano Cardoso,
Belo e António Flora, da 1ª.
 CCAV.  8423, em 2015
António Flora
em 1974/75


Flora, furriel de Santa Isabel,
67 anos em Odivelas !

O Flora, o sempre afável Flora da Fazenda San-
ta Isabel, furriel miliciano atirador de Cavalaria, festeja 67 anos a 5 de Outubro de 2019.
Natural da freguesia de Tinalhas, em Alcains, mas já ao tempo morador em Lisboa (onde era trabalhador-estudante), regressou a Portugal no dia 11 de Setembro de 1975 e pela capital continuou, fazendo carreira profissional como funcionário bancário, Actualmente e já aposentado, mora em Famões, no município de Odivelas, para onde vai o nosso abraço de parabéns!





sexta-feira, 4 de outubro de 2019

4 832 - Patrulhamento de itinerários, contra-subversão e acção psicológica!


Cavaleiros do Norte e jogadores de futebol: 1ºs. cabos Grácio, Gomes e Miguel. Botelho, 
furriel Miguel  Santos, Gaiteiro e 1º. cabo Soares (de pé). NN, furriéis Mosteias
e Lopes, NN, furriel Monteiro e 1º. cabo Teixeira (estofador).


O alferes José Leonel Hernidada e a
esposa, a professora Graciete Marques
A 4 de Outubro de 1974, o comandante Carlos Almeida e Brito deslocou-se a Carmona, onde  participou em mais uma reunião do Comando do Sector do Uíge, para «contactos operacionais».
A véspera fora dia de uma outra reunião, mas a da Comissão Local de Contra-Subversão (CLCS), a do Quitexe (repetida a 16 e 30 de Outubro). A guarnição mantinha os patrulhamentos de segurança de itinerários e o alferes José Leonel Hermida, oficial de acção psicológica, organizou jogos de futebol, entre pelotões e sub-unidades. 
Em Dar-es-Salan, Agostinho Neto, presidente do MPLA, acusou da África do Sul de «treinar um grupo de mercenários brancos, destinado a opôr-se, pelas armas, à independência de Angola». O Dail News e o Uhuru, jornais da capital da Tanzânia, davam conta,  citando Agostinho Neto, que «este exército secre-
to, organizado por colonos brancos, seria formado pro 10 000 homens e dispo-
ria de três campos de treino, sendo financiado pelo Governo da África do Sul».
O líder do MPLA, citado pela France Press, recordou que havia «500 000 colonos brancos em Angola» e que «segundo lhe parecia, são bastantes numeroso os que continuam opostos a uma independência total».
JP Fernandes
em 1975/75
JP Fernandes
em 2018

Fernandes, capitão de Santa
Isabel, 72 anos em T. Vedras !

O capitão miliciano José Paulo de Oliveira Fernandes, comandante da 3ª. CCAV. 8432, festeja 72 anos a 4 de Outubro de 2019.
Oficial militar e licenciado em engenharia, foi louvado pelo Comando do BCAV. 8423 «pela acção desenvolvi-
da no comando da sua subunidade (...) no cumprimento do processo de des-
colonização», algumas delas, sublinha o louvor, «particularmente delicadas».
O louvor destaca, entre outros méritos e qualidades civis e militares, a sua actuação «aquando da eclosão dos graves acontecimentos de confronto arma-
do entre os movimentos de libertação, na área do Quitexe» - dado o «desequi-
líbrio de forças» e «garantindo o cabal cumprimento das suas missões».
Aposentado, mora em Torres Vedras, para onde vai o nosso abraço de parabéns!
J. Nascimento
em 1974/75
J. Nascimento
 em 2918

Nascimento, furriel de Zalala,
67 anos nos Estados Unidos !

O furriel miliciano José António Nascimento, da 1ª. CCAV. 8423, festeja 67 anos a 4  de Outubro de 2019 e nos Estados Unidos,
José António Moreira do Nascimento foi vagomestre dos Cavaleiros do Norte a mítica Fazenda de Zalala e regressou ao seu Porto natal a 9 de Setembro de 1975, no final da comissão militar por terras uíjanas.
Há muitos anos emigrado nos Estados Unidos, em Peoria (no Arizona) é lá que festejará os seus 67 anos. Parabéns!

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

4 831 - Os 91 anos do capitão miliciano médico Manuel Leal

O capitão médico miliciano Manuel Leal, ladeado pela esposa Maria José (à 
direita) e pelo (ex)alferes miliciano António Albano Cruz, na Póvoa do Varzim 

O capitão miliciano médico Manuel Leal, de cigarro na
 boca e no Quitexe, há 45 anos, ladeado pelos alferes
milicianos Jaime Ribeiro e António Manuel Garcia (à
esquerda) e tenente Acácio Luz (à direita)

O capitão miliciano médico Leal foi Cavaleiro do Norte em 1974 e por lá se imortalizou no seu nobre ofício, com «a maior competência profissional na resolução de todos os problemas clínicos que lhe surgiram, com elevado espírito de servir, no que evidenciou uma perfeita identidade com a missão que lhe foi solicitada, nunca se poupando a sacrifícios, nem olhando a horas de descanso». Hoje, aposentado e a viver na Póvoa do Varzim, festeja 91 
O louvor ao capitão miliciano médico 
Manuel Leal  foi publicado na Ordem
de Serviço nº. 78 do BCAV. 8423
anos!!! Em invejável forma para a notável idade que tem!!!

Louvor e medalha
para o Capitão Leal !

O louvor do comandante Almeida e Brito ao militar e médico sublinha que «acumulando as suas funções com as de Delegado de Saúde, apoiou permanentemente todas as populações civis, europeias e africanas, deixando em todas a melhor amizade, pela dedicação e interesse posto nos serviços por si concedidos, quer nesta vila quer nas fazendas por si visitadas». 
Somos disso testemunhas, pois muitas vezes o acompanhámos, em missão de escolta, com o PELREC, quando visitava fazendas e aldeias e, nelas, qual João Semana, distribuía saúde (em medicamentos) e carinho (no afecto da palavra ou do gesto).
O louvor sublinha também «o elevado sentido de camaradagem, a perfeita correcção de trato» do capitão médico Leal», pelo que, e citamos o louvor, «deixa em todos os superiores, camaradas e subordinados, e na população que servia, no geral, um amigo que se recorda e que merecidamente tem direito a público louvor». Foi condecorado com a Medalha Militar Comemorativa das Campanhas do Exército Português, com a legenda ANGOLA 1972-73-74. 
O capitão miliciano médico Manuel Leal vive agora no Solar dos Morais, em Vila do Conde, sempre bem disposto e onde, a 14 de Setembro deste ano de 2019, festejou os 60 anos do seu casamento com a sua «mais-que-tudo», Dona Maria José Andrade Leal. Parabéns!
Albertino Neves e esposa
no encontro de 2019

Neves da CCS, 67
anos em Gondomar!

O soldado Albertino Ferreira das Neves, da CCS do BCAV. 8423, festeja 67 anos a 3 de Outubro de 2019.
Cavaleiro do Norte como maqueiro e auxiliar de enferma-
gem no Quitexe e em Carmona, regressou a Portugal a 8 de Setembro de 1975 , trabalhou na nobre arte de ourivesaria e, já aposentado, reside no lugar do Casal, em S. Cosme, município de Gondomar, para onde vão os nossos parabéns!

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

4 830 - Patrulhamentos para liberdade de itinerários; o campo de treinos de colonos brancos

Os alferes milicianos Carlos Sampaio (da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala e de oficial  de dia no Quitexe) e
António Manuel  Garcia e o furriel Viegas, ambos da CCS e momentos antes da saída do PELREC para 
mais um patrulhamento por estradas e picadas do Uíge

Cavaleiros do Norte do PELREC: 1º. cabo Almeida (fale-
cido a 8/02/2009, de doença e em Penamacor), Messejana
(f. a 27/112009, em Lisboa e de doença), Neves, 1º. cabo
Soares, Florêncio e Ezequiel, Em baixo, 1º. cabo Vicente
(f. a 21/01/1997, de doença e em Vila Moreira, Alcanede),
furriel Viegas, Francisco e Leal (f. a 18/06/2007, de
doença e em Caixaria, Pombal)

A nova situação política angolana levou a alterações na vida operacional dos Cavaleiros do Norte, nomeadamente a partir do mês de Outubro de 1974, acentuando-se, então, a «intensa actividade de patrulhamentos, nomeadamente orientados para a obtenção de liberdade de itinerários». Que já se vinha a realizar, mas agora com mais assiduidade e, por consequência, com maior sacrifício dos militares.
O dia 2 de Outubro de 1974 foi a da abertura da delegação do MPLA em Kinshasa (Zaire), depois de negociações conduzidas pelo presidente Agostinho Neto e por Daniel Chipenda, vice-presidente da direcção provisória. Tal acontecia no «âmbito da ajuda concreta e da solidariedade do Zaire para com os movimentos de libertação, em geral, e para com a luta do povo angolano pela independência, em particular». O Zaire de Mobutu Sese Seko, que se sabia ser grande apoiante da FNLA.
Paralelamente, o PCDA, A FUA e a FRA - partido criados após o 25 de Abril, por colonos portugueses - organizaram «um campo de treinos, com a finalidade de formarem um exército particular», segundo noticiava o Diário de Lisboa. Era disso que o MPLA os acusava, sublinhando estarem os três partidos «a organizar um exército, para impedirem que sejam satisfeitas as legítimas aspirações do povo angolano»
Cavaleiros do Norte da secretaria da CCS: os furriéis mi-
licianos José Monteiro e Francisco Dias e 1ºs. cabos Mi-
guel Teixeira, Vasco Vieira e, em baixo, Fernando  Pires

Um exército de brancos...,
as ligações à UNITA 

O presidente Agostinho Neto afirmava mesmo que os três partidos «têm ligações à UNITA», que era, ao tempo, o único movimento de libertação não reconhecido pela OUA - a Organização de Unidade Africana.
O suposto exército incluiria angolanos brancos e estaria a ser treinado por militares sul-africanos «em três campos recentemente criados no território», - o que, na opinião de Neto, se encandeava no «jogo muito perigoso» que o então já retirado António Spínola vinha a fazer, nomeadamente «cultivando e escutando fantoches e dirigentes de partidos políticos que não representam o povo» - referindo-se, naturalmente, ao PCDA, à FUA e à FRA. Spínola, na sua versão (a de Neto), estaria a «apoiar activamente os grupos de colonos portugueses em Angola» e, mais, de «estar disposto a a aceitar ali um Governo minoritário».
Fazenda Santa Isabel, aquartelamento da 3ª. CCAV. 8423
e onde, há 42 anos, o soldado de transmissões Duarte
Francisco Ferreira Ramalho Gomes comemorou o 22º.
aniversário. Hoje, festeja 64 e mora na Portela do
Ramalho, Dois Portos,em Torres Vedras
O dia foi igualmente para se saber que o Presidente Costa Gomes (que substituira Spínola) assumia pessoalmente o processo de descolonização de Angola. A notícia foi divulgada por Rosa Coutinho, presidente da Junta Governativa e através da rádio.
Soube-se também que a revista «Notícia» foi igualmente multada, por causa da notícia sobre a reunião de oficiais portugueses - que já motivara multas aos jornais «A Província de Angola» e «O Comércio», ambos de Luanda. Foi divulgado que os oficiais consideravam que «só os movimentos de libertação devam ser reconhecidos como representantes do povo angolano», o que Rosa Coutinho desmentiu, referindo ser «falsa e uma interpretação errada da reunião realizada a 20 de Setembro em Luanda, com a participação de 500 oficiais».

Gomes de Santa Isabel
67 anos em Torres Vedras !

O soldado Gomes, Cavaleiro do Norte da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel, festeja 67 anos a 2 de Outubro de 2019.
Duarte Francisco Ferreira Ramalho Gomes, de seu nome completo, foi especialista de transmissões e também passou pelo Quitexe e Carmona, regressando a Portugal no dia 11 de Setembro de 1975, à sua casa de Casal de Portela (dos Ramalhos), freguesia de Dois Portos, em Torres Vedras - onde julgamos que ainda vive. Parabéns! 
- PCDA. Partido Cristão Democrata de Angola.
- FUA. Frente de Unidade Angolana.
- FRA. Frente de Resistência Angolana.

terça-feira, 1 de outubro de 2019

4 829 - A Angola de há 45 anos! Os anos de Barreto, Borges e Coelho!




O PELREC, Grupo de Combate da CCS do BCAV. 8423, em dias do Quitexe de 1974,
 preparado  para sair para mais uma operação, ou escolta, ou patrulhamento
pelas picas do norte uíjano de Angola
Cavaleiros do Norte do PELREC. Atrás 1º. cabo Hipólito,
 furriel Monteiro e, já falecidos, os 1ºs. cabos Almeida
 e Vicente. À frente, alferes Garcia e Manuel (já falecidos),
furriel Neto e Aurélio (Barbeiro)


A 2 de Outubro de 1974, iam os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 no seu quinto mês de jornada angolana do Uíge, chegaram ao Quitexe e embrulhadas em jornal, notícias frescas de Luanda.
Rosa Coutinho, presidente da Junta Governativa de Angola, falara na véspera (hoje se fazem 45 anos) à população angolana, através da rádio, e dera conta que o general Costa Gomes, Presidente da República, iria dirigir pessoalmente as negociações que levassem à independência de Angola. Já António Spínola dissera o mesmo, mas abdicara da presidência, semanas antes.
O MPLA, entretanto e a partir de Dar-Es-Salaam, anunciou que cancelara os seus planos para a reabertura das actividades, militares, após uma trégua de 4 meses. Isto porque, segundo o presidente Agostinho Neto, «Portugal continua a ser uma democracia, na linha do Movimento das Forças Armadas». O que, na sua versão, não acontecia com Spínola na presidência, já que «estava a fazer um jogo muito perigoso, cultivando e escutando fantoches e dirigentes de partidos políticos que não representam o povo».
Mais longe foi o dedo acusatório de Agostinho Neto: o general «apoia(va) activamente grupos de colonos portugueses em Angola» e também estaria disposto «a aceitar ali um governo minoritário».
Notícia dos Diário de Lisboa sobe
a descolonização de Angola 

Partidos de colonos
a «formar» exércitos...

Ao avivar a memória nestas leituras, ocorre-me a preocupação com que no Quitexe - o Machado, o Neto, eu, o Garcia, o Cruz e outros... -  observámos esta situação, embora a analisássemos de forma «imberbe» (eu diria...) e desprendida, digo eu agora.
Preocupante era também outra acusação de Agostinho Neto: soldados sul-africanos estariam a treinar angolanos brancos em três campos recentemente criados no territórios, com o objectivo de formarem um exército particular. Seriam campos organizados pelo Partido Democrático Cristão (PDC), pela Frente de Unidade de Angola (FUA) e pela Frente de Resis-
tência de Angola (FRA), fundados por colonos portugueses, depois do 25 de Abril.
O presidente do MPLA acusou os três partidos de terem ligações com a UNITA - o único movimento de libertação que não tinha sido reconhecido pela Organi-
zação da Unidade Africana (OUA) - e de estarem «a organizar um exército para impedir que sejam satisfeitas as legítimas aspirações do povo angolano».
No Quitexe, lá continuávamos a nossa vida, a riscar os dias do calendário, sem futurar outra coisa que não fosse o nosso regresso a Portugal. Que, não sabíamos, mas estavam bem distante!
Jorge Barreto
civil e em 2016
Jorge Barreto
em 1974/75 


Barreto, furriel de Zalala,
68 anos em Baguim do Monte!

O furriel miliciano Barreto, enfermeiro da 1ª. CCAV. 8433, comemora 68 anos s 1 de Outubro de 2019.
Jorge Manuel Mesquita Barreto nasceu e voltou a Mira no final da sua comissão em Angola - onde jornadeou pelas uíjanas Zalala, Vista Alegre/Ponte do Dange, Songo e Carmona. Ainda no Campo Militar do grafanil e regressou a Portugal no dia 9 de Setembro de 1975.
A carreira profissional foi dedicada à enfermagem e, já aposentado, reside em Baguim do Monte, município de Tomas mas mesmo encostadinho ao Porto.
Para lá e para ela vai  nosso abraço de parabéns!
António Coelho e Borges Martins, Cavaleiros
do Norte de Zalala: 67 anos a 01/10/2019

Coelho e Borges, 67
anos em Coruche
e Vila Franca de Xira !

Os atiradores de Cavalaria Borges e Coelho, ambos a 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, festejam 67 anos a 1 de Outubro de 2019. Ambos regressaram a Portugal no dia 9 de Setembro de 1975.
José Borges Martins é natural de Braçais, fregue-
sia do município de Figueiró dos Vinhos, mas radicou-se em Vila Franca de Xira, onde trabalha na área comercial do calçado.
António Pedro Coelho é natural de Erra, freguesia do município de Coruche, lá voltou e lá fez viveu e lá fez vida como motorista da Câmara Municipal.
Para ambos, os nossos abraços de parabéns!