sábado, 9 de novembro de 2019

4 868 - A antevéspera da independência! Os dias do Uíge, um ano antes!

O edifício onde funcionava a enfermaria dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, nos anos de 1974 e 1975,
primeiro a CCS, depois a 3ª. CCAV. 8423. A imagem, como furriel miliciano Viegas, é de 24 de Setembro
 de 2019. Ao fundo, onde se vê o carro branco, é a Estrada do Café, de Carmona a Luanda
Quitexe, a avenida, ou Rua de Baixo, na saída para o cemi-
tério e vila de Camabatela. A 24 de Setembro de 2019

A 9 de Novembro de 1975, um domingo, estava-se na antevéspera da independência de Angola (às 00,00 horas do dia 11 de Novembro) e sabiam-se notícias do «avanço das FAPLA pela Estrada do Café» - a estrada entre Luanda e o nosso Quitexe, Carmona, Aldeia Viçosa e Vista Alegre, as terras dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423.
A imprensa noticiava, também, o «aumento da pressão da frente do Caxito, por parte dos mercenários portugueses e zairenses e da FNLA», como relatava o Diário de Lisboa do dia 10 (2ª.-feira).
A sul, ainda seguindo o DL (citando a France Press e a Reuters) registava-se «a entrada dos mercenários no Lobito, comandados por um oficial sul-africano e pelo coronel Alves Cardoso, elemento conhecido pelas suas ligações com Jorge Jardim e Spínola». Esta entrada, e continuamos a citar o DL, «representa uma tentativa para estabelecer contacto com a Frente Norte, chefiada pelo tenente-coronel Santos e Castro».
Tentativa estratégica que, frisava o jornal vespertino de Lisboa, «tem falhado, face à resistência oferecida pelas FAPLA». O jornal dava conta, ainda, de que «este avanço, a sul, é acompanhado de sucessivas proclamações da Rádio Lubango (ex-Sá da Bandeira), que lança vivas à «Angola Portuguesa» e «morras» à UNITA, FNLA e MPLA», o que, sublinhava o Diário de Lisboa, «marca a verdadeira face racista desta invasão a partir da África do Sul».
Notícia do Diário de Lisboa
de 9 de Dezembro de 1974

O MPLA em Luanda com 
a Junta Governativa !

O dia 9 de Novembro de 1974, um ano antes, foi um sábado e dia da Lúcio Lara, chefe da Delegação do MPLA em Luanda 
Lúcio Lara
(aberta na véspera), participar num comício e, depois, em reunião com a Junta Governativa de Angola, presidida pelo almirante Rosa Coutinho.«Uma multidão de 50 000 pessoas aclamou ontem a Delegação do MPLA, chefiada por Lúcio Lara, que vem estabelecer-se no território como movimento político, depois de combater durante 143 anos contra as forças portuguesas», noticiava o Diário de Lisboa, acrescentando que «é constituída por elementos vindos de Lusaka e Brazaville».
Os Cavaleiros do Norte, por essa altura, continuavam as suas tarefas de ordem e, operacionalmente, escoltavam os trabalhadores da Junta Autónoma de Estradas de Angola (JAEA), que mantinham «os trabalhos na estrada Aldeia Viçosa-Ponte do Dange» e também a continuação do «arranjo da estrada Quitexe-Camabatela».  
O Cabrita no bar de sargentos do Bairro
Montanha Pinto, em Carmona (197
5)

Cabrita da CCS, 67
anos em Cascais !

António Santana Cabrita foi Cavaleiro do Norte da CCS do BCAV. 8423 e festeja 67 anos a 10 de Novembro de 2019.
Impedido do bar e messe de sargentos, em Carmona, regressou a Portugal no dia 8 de Setembro de 1975 e fixou-se em Portimão, de onde é natural. Trabalhava na pesca e na pesca continuou, com passagem pelo transporte marítimo, antes de, de novo pescador, se tornar empresário do sector e, a partir do porto de Cascais, galgar mar fora, madrugadas e anos atrás de madrugadas e anos. 
Mora em Cascais, agora já aposentado, para onde vai o nosso abraço de parabéns!

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

4 867 - O último dia da Fazenda Liberato, a chegada do MPLA a Luanda!

O condutor Nogueira, da CCAÇ. 209/RI 21, e o furriel Viegas, da CCS do BCAV. 8433, em Aldeia Viçosa,
junto a uma das cantinas e do local por onde, picada fora, se seguia para a Fazenda do Liberato, de
onde há 45 anos saiu a última guarnição portuguesa. Foto de 24 de Setembro de 2019
O furriel José Oliveira e o capitão Vitor Corrêa de
Almeida, comandante da CCAÇ. 209/RI 21, e esposa

O dia 8 de Novembro de há 45 anos foi o último da presença militar portuguesa na ZA da Fazenda do Liberato, onde se aquartelou a CCAÇ. 209, do RI 21, de Nova Lisboa. Companhia independente, de formação essencialmente angolana e com quadros europeus.
A CCAÇ. 209 ficou associada à CCS do BCAV. 8423, a partir de 6 de Junho de 1974, quando os Cavaleiros do Norte
O condutor Nogueira, à esquerda, e o furriel
José Oliveira, da CCAÇ. 2019/RI 21, ladeando
o furriel Viegas, em Dezembro em 2012 
lá chegaram e, substituindo o BCAÇ. 4211, passaram a ser responsáveis, em termos de comando operacional, pelo Sub-Sector do Quitexe. Outras, foram a CCAÇ. 4145 (a de Vista Alegre) e o Pelotão de Morteiros 4281 (no Quitexe), para além de vários Grupos Especiais (GE). A CCAÇ. 209/RI 21 era comandada pelo capitão Victor Corrêa de Almeida e por graça de Olímpio Carvalho, que por lá foi 1º. cabo de transmissões, podemos acrescentar mais dados.
- VICTOR. Victor Corrêa de Almeida, capitão miliciano, comandante da  Companhia. Substituiu o capitão Parracho, que era do Quadro Permanente (QP) e estava colocado no RI 21, de Nova Lisboa.
- SERENO: José Adalberto Sereno de Castro e Melo, alferes miliciano. De família de Águeda, licenciou-se em engenharia química e morava em Nova Lisboa. Agora, na zona de Viseu.
- PEIXINHO. José Carlos Peixinho, alferes miliciano e engenheiro mecânico, era do Lobito.
- PEREIRA. Nelson Pereira, alferes miliciano, era de Sá da Bandeira.
- SPOSSEL. Carlos Manuel Morbey de Oliveira Spossel. Morava em Luanda. A mãe era americana e o pai quadro superior dos Caminhos de Ferro de Benguela.
O dia 8 de Novembro de 1974 foi também o do regresso de um grupo de combate da 3ª. CCAV 8423 a Santa Isabel, depois de uma missão especial em Além Lucunga e Quipedro, reforçando o BC12, de Carmona.
A chegada do MPLA a Luanda, há 45 anos, dia 08/11/1974

MPLA em Luanda
e reunião no BC12!

O dia 8 de Novembro desse distante 1974 foi assinalado, no processo de descolonização de Angola, pela abertura da primeira delegação oficial do MPLA em Luanda, liderada por Lúcio Lara. 
Já por lá estava a da FNLA, na avenida do Brasil.
O dia foi também o do envio de uma carta de Holden Roberto, presidente da FNLA, ao general Fontes Pereira de Melo, chefe da Casa Militar do Presidente da República - o general Francisco Costa Gomes. Sobre quê? O processo de descolonização, obviamente.
Assim se ensaiavam os primeiros passos do novo país!
Por Carmona e no BC12, voltaram a reunir os comandantes das Companhias que operavam no Sector do Uíge, naturalmente para analisar a situação do tempo e os novos desafios que se poriam ás Unidades das Forças Armadas Portuguesas a operar mo Uíge. Caso dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423! 
Fazenda Santa Isabel

Catarino de Santa Isabel,
faleceu há 36 anos !

O 1º. cabo Joel Carlos Gonçalves Catarino, da 3ª. CCAV. 8423, faria 67 anos a 8 de Novembro de 2019. Faleceu em 1983.
Cavaleiro do Norte e atirador de Cavalaria, regressou a Portugal no dia 11 de Setembro de 1975 e fixou-se em Paivas de Amora, no município do Seixal. Desconhecemos a causa da sua morte, a 1 de Dezembro de 1983, já lá vão quase 36 anos, mas hoje, e sempre, o recordamos com saudade. RIP!

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

4 866 - A histórica Batalha de Quifandongo! Cavaleiros do Norte na Bairrada!

O jardim público da vila do Quitexe, terra dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, a 24 de Setembro
de 2019, visto do lado do edifício da Administração Concelhia. Ao fundo, vê-se a Igreja de Santa Maria
de Deus, onde missionava o padre Albino Capela
Encontro de Cavaleiros do Norte, a 7 de Novembro de 2019,
na Mealhada: os furriéis Neto, à esquerda, e Viegas, com o
1º. cabo Pagaimo, do Pelotão de Morteiros 4281

A três dias da independência de Angola, o jornalista Eugénio Alves, em serviço de reportagem para o Diário de Lisboa, noticiou que «as FAPLA registaram uma nova vitória na frente do Caxito, considerada como uma das maiores já infligidas ao inimigo, desde o início desta segunda guerra da libertação nacional».
A batalha ficaria histórica: a de Quifandongo. Relata o Diário de Lisboa que o combate opôs «as forças populares aos mercenários zairenses e portugueses e às forças da FNLA».
«O inimigo sofreu pesadas baixas, em homens e material, tendo tido que recuar, o que levou as FAPLA a reocuparem as vias do Piri e Quibaxe, que haviam caído há 20 dias», noticiava o jornal. Piri e Quibaxe: terras por onde os Cavaleiros do Norte do  BCAV. 8423 fizeram muitos patrulhamentos.
A vitória militar aconteceu «depois de desbaratarem as forças mercenárias na zona de Benguela», que tentaram reocupar a cidade, a partir dos morros das Bimbas.
Notícia do Diário de Lisboa de 7 de
Novembro de 1975. Há 44 anos!

Benguela e Moçâmedes,
Luanda e Carmona!

A três dias da independência combatia-se território angolano fora e nomeadamente em Benguela e Moçâmedes. E Cabinda.
«Angola vive os três dias cruciais que a separam da independência proclamada pela vanguarda revolucionária, o MPLA», reportava o Diário de Lisboa, também dando conta que «todos os observadores consideram que os próximos dias serão desesperadamente explorados pelas forças racistas e reaccionárias, no sentido de imprimirem uma viragem de última hora na situação, impedindo o MPLA de proclamar a independência».
Em Luanda, reportava Eugénio Alves, «a vida corre normalmente, apenas alterada pelos intensos preparativos para a festa da independência e pela movimentação, provocada nos hotéis da cidade».
A cidade capital de Angola registava «a chegada de inúmeras delegações - 44 africanas, 17 socialistas e cerca de 15 de outras nações».
Era o que se lia, ao tempo e além do mais, na imprensa lisboeta de há 44 anos. De Carmona e do Uíge é que notícias não chegavam.
Viegas, Pagaimo (dois Celestino´s) e Francisco
Neto já nos «finais» do leitão à Bairrada 

Encontro de Cavaleiros
com leitão da Bairrada !

O dia de hoje, por terras da Mealhada, foi tempo de encontro e de memórias de Cavaleiros do Norte do PELREC e do Pelotão de Morteiros 4281: os furriéis milicianos Neto e Viegas e o 1º. cabo Pagaimo.
Aposentado da GNR, Celestino de Jesus Pagaimo viajou de Montemor-o-Velho, dividindo caminho com os dois «águeda´s» das Operações Especiais (os Rangers) e o degustar do leitão à Bairrada não foi cerimónia para o desfiar de memórias da nossa jornada africana do Uíge angolano- do Quitexe a Carmona, das operações e patrulhas, escolas, serviços d´ordem. 
Foi um bom almoço, regado de saudades e de histórias que nos rejuvenesceram a alma.
E, para eterna memória futura, que fique em acta o seguinte: o segundo classificado da prova de S. Silvestre do Quitexe, em 1974, foi, foi..., foi quem? Foi o Pagaimo, 1º. cabo de transmissões do Pelotão de Morteiros 4281 e depois de Jorge Custódio Grácio, o vencedor, que a morte levou ainda em Angola, vítima de acidente de viação, em Julho de 1975.  
Acta assinada, para memória futura!

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

4 865 - Vésperas da independência, com situação «extremamente grave»!

A avenida do Quitexe, ou Rua de Baixo, vendo-se o que resta do edifício do Comando do BCAV. 8423 (à
direita), a antiga parada dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, aqui com o imbondeiro e pavilhões
escolares (brancos), e, ao fundo e à esquerda, a Igreja de Santa Maria de Deus
O antigo quartel da 2ª. CCAV. 8423 do BCAV. 8423.
na uíjana terra de Aldeia Viçosa e a 25/09/2019

A 6 de Novembro de 1975, há 44 anos e a escassos dias da independência de Angola, confirmava-se a disposição do MPLA para declarar unilateralmente a independência e recusar qualquer conciliação com a FNLA e a UNITA. 
Os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 já desde (8 a 11) de Setembro que estavam em Portugal, mas não deixavam de procurar saber o que se passava por Angola, onde, pela leitura do «Diário de Lisboa», se sabia que a situação militar era «extremamente grave» no sul, com combates no Lobito e Benguela.
As duas cidades, por onde o blogue Cavaleiros do Norte passou há semanas, neste 2019 que passa e começa a chegar ao fim. O DL noticiava que aconteciam «violentos nos arredores e dentro da própria cidade, que chegou ontem a ser ocupada pelos agressores» - a cidade de Benguela. Por agressores, entenda-se, na linguagem do MPLA de Agostinho, «os mercenários do ELP e as forças sul-africanas». 
No Lobito, lá por bem perto, noticiava o DL que o MPLA «continua a dominar» e mantendo «as linhas estabelecidas para impedir o avanço sobre a cidade» das chamadas «forças invasoras» - as da FNLA e da UNITA, com apoio de tropa da África do Sul. Do norte e do (nosso) Uíge, é que nada se sabia.
O dia, em Portugal, foi o do célebre debate televisivo entre Mário Soares (secretário-geral do PS) e Álvaro Cunhal (idem, do PCP), com moderação de Joaquim Letria e José Carlos Megre, com uma audiência recorde.
O do famoso «olhe que não, olhe que não...? de Cunhal para Soares.
Notícia do Diário de Lisboa de 6 de Novembro de 1975

Comandos do Sub-Sector
reunidos no Quitexe !

Um ano antes, a 6 de Novembro de 1974, o Quitexe foi palco de uma reunião dos comandos do Sub-Sector do Quitexe - de que não tenho memória, nem achei rasto. 
O mês, com as emoções próprias dos encontros com combatentes da FNLA, ora dos que se apresentavam, ora dos que nos apareciam em sanzalas e caminhos do chão uíjano, seguia calmo. 
A tal «acalmia não encontrada há longos anos» de que fala(va) o Livro da Unidade, que aqui temos recordado do tempo de há 45 anos.
A CCS recebeu mais um cozinheiro, o soldado Carlos JF Gomes, de quem não lembro cara ou jeito. Recebi correio do furriel Neto, que viera de férias a Portugal, para assistir ao casamento do irmão: «Isto nem está bom, nem está mau..., tá uma m...», escreveu ele, que por cá aproveitava para noivar, com a sua Ni de todos os dias.
João Coreia M. Rito,
furriel de Zalala

Furriel João Rito
faria 67 anos!

O furriel miliciano João Correia Marques Rito, da 1ª. CCAV. 8423, faria 67 anos a 7 de Novembro de 201. Faleceu em 2008.
Cavaleiro do Norte de Zalala, rendeu o Mota Viana, que, por castigo, rodou para Sanza Pombo - ver AQUI.  Chegava da 1ª. CCAÇ. 4617, regressou a Portugal no da 9 de Setembro de 1975 e fixou-se no Salgueiral, freguesia da Freixianda, de (Vila Nova de) Ourém.
A 17 de Maio de 2008, o seu cadáver foi encontrado na estrada, provavelmente atropelado e em circunstâncias nunca suficientemente esclarecidas. Outra versão, aponta para a eventualidade de ter falecido noutro local e sido levado para aquele local. Em qualquer dos casos, uma morte trágica e que, sem testemunhos oculares, nunca será explicada.
Solteiro, trabalhava na área das resinas e  agora, quando se passam 11 ano da sua morte, aqui o recordamos com saudade! RIP!!!
O 1º. cabo Vicente e Eduardo Tomé,
da 2ª. CCAV. 8423, e os 1ºs. cabos
Victor Florindo e  Alfredo
Coelho (Buraquinho), da CCS


Vicente, 1º. cabo CAR de Aldeia 
Viçosa, 67 anos em Lisboa !

O 1º. cabo condutor auto-rodas Vicente, dos Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, festeja 67 anos a 7 de Novembro de 2019. 
Victor Manuel Nunes Vicente, de seu nome completo, vivia em Xabregas, freguesia da cidade de Lisboa, e lá regressou a 10 de Setembro de 1975, no final da sua jornada africana do Uíge angolano. Mora agora na Rua Cesário Verde, também na capital portuguesa,  e para lá, e para ele, vai o nosso abraço de parabéns!

terça-feira, 5 de novembro de 2019

4 864 - Declaração unilateral de independência! Movimentações no BCAV. 8423!

A vila do Quitexe, na entrada do lado de Carmona - a actual cidade do Uíge, capital da Província do
 mesmo nome. As batas brancas que se vêem ao fundo são de estudantes dos vários estabelecimentos
de ensino da anta sede dos Cavaleiro do Norte do BCAV. 8534
Avenida do Quitexe, a 24 de Setembro de 2019. O que sobra
do antigo restaurante do Pacheco, mesmo em frente à messe
de oficiais e casa do Furriéis

Angola, a 5 de Novembro de 1975 e a menos de uma semana do dia da independência, continuava com combates em vários pontos do território.
A Frente Norte - a que mais interessava aos Cavaleiros do Norte, ao tempo já há quase dois meses em Portugal... -, continuava com «a situação continua
Notícia do Diário de Lisboa de 5 de Novembro
 de 1975 sobre a situação política em Angola
inalterável, havendo, no entanto, a registar algumas acções de flagelação, por parte do exército invasor, na região de Santa Eulália» - onde havia uma pista de aviação, que serviu a Força Aérea Portuguesa, que de lá tinha saído fazia pouco tempo.
A sul, eram maiores as movimentações e os combates sucediam-se, nomeadamente entre Sá da Bandeira e Moçâmedes. Em Luanda, vários portugueses foram presos e o MPLA do presidente Agostinho Neto anunciou que declararia a independência, unilateralmente, a 11 de Novembro, às zero horas - «se até lá, Portugal não alterar a sua posição face à UNITA e à FNLA», reconhecendo o movimento de Agostinho Neto como «o único e legítimo representante do povo angolano e transferindo para ele todos os poderes».
O MPLA, de relações tensas com o Governo Português, apenas convidou Álvaro Cunhal (secretário geral do PCP) e Rosa Coutinho (do Conselho da Revolução e ex-Alto Comissário) para «as festas da independência».
Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423, todos milicianos:
furriel Graciano Silva e alferes Mário Simões (atrás) e
furriéis Luís Capitão e José Fernando Carvalho

Cavaleiros do Norte
há... 45 anos !

Os primeiros dias de Novembro de 1974 registaram alguns acontecimentos, no BCAV. 8423, que vale(rá) a pena recordar:
- Dia 1: O furriel José Maria Freitas Ferreira marchou para Luanda, para a CCS do QG, com destino à 1ª. REP/QG/RMA, reclassificado em amanuense, depois de ter sido atirador de Cavalaria da 2ª. CCAV. 8423 e vítima de um acidente em serviço.
Os 1ºs. cabos Victor Manuel Florindo (enfermeiro) e Victor Manuel Vieira (Sacristão) marcharam para Luanda, para férias em Portugal e respectivamente em Santarém e Vidigueira.
- Dia 2: Apresentou-se no Quitexe e na CCS, para «desempenhar uma missão de serviço», o grupo de combate comandado pelo alferes Carlos Silva, com os furriéis Alcides Ricardo e António Luís Gordo e 19 praças da 3ª. CCAV. 8423, a 
Os 1ºs. cabos Joaquim Breda
e Victor Vieira (Sacristão)
Fazenda de Santa Isabel.
Regressaram a Santa Isabel, por terem «terminado a missão de serviço» no Quitexe o alferes Mário Simões, com os furriéis Graciano Silva e José Fernando Carvalho, com os respectivos 18 praças.
- Dia 3: Entraram de licença na metrópole os 1ºs. cabos Luciano Borges Gomes (mecânico de armamento ligeiro) e Joaquim Rama Breda (condutor), ambos de Leiria.
-Dia 4: Solto das prisões do quartel, foi o 1º. cabo Alfredo Rodrigo Ferreira Coelho, por «ter terminado o cumprimento da pena que lhe foi imposta» - 10 dias de prisão disciplinar agravada, agravada pelo Comando do Sector do Uíge (20 dias) e pelo Comando da Zona Militar Norte (30 dias).

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

4 863 - O histórico encontro do PELREC, no Dambi Angola, com guerrilheiros da FNLA!

O furriel Viegas na aldeia do Dambi Angola, a 24 de Setembro de 2019 e 45 anos depois do histórico
encontro dos Cavaleiros do Norte do PELREC  da CCS do BCAV. 8423 com guerrilheiros da FNLA. 

Aldeia «deslocalizada» em relação ao tempo de 1974!
Cavaleiros do Norte do PELREC do BCAV. 8423 com guer-
rilheiros da FNLA no histórico encontro de 4 de Novembro
de 1974. De pé, o 1º. cabo Jorge Salgueiro (TRMS), José
Rebelo (aux. de cozinha) e furriel José Pires (TRMS). Em
baixo, o soldado Aurélio Júnior (Barbeiro) e furriel Viegas
 (de Operações Especiais, os Rangers)

O dia 4 de Novembro de 1974 está historicamente ligado à jornada africana dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423. Foi o dia do primeiro encontro com guerrilheiros da FNLA. Na sanzala do Dambi Angola, entre o Quitexe e Aldeia Viçosa.
A 3 de Novembro de 1974, na véspera, o PELREC recebeu uma ordem de operação muito especial: sair às 4 da madrugada do outro dia para um possível contacto com guerrilheiros do FNLA. 
Quem sabia dessas coisas era, naturalmente, o Gabinete de Operações, do capitão José Paulo Falcão - que tinha os seus contactos, que eu não sei contar. Disse eu ao furriel José Pires, o de Transmissões e de Bragança e que andava «mortinho» para participar numa operação.
«Queres ir amanhã?!», perguntei-lhe eu, provocador e entre duas Cuca´s, calmamente bebericadas no bar da messe de sargentos do Quitexe.
«P´ra onde?...», interrogou ele, ansioso e curioso. 
«Depois sabes...! Depois sabes!... Quewres ir,m ou não?!», disse eu, fechando-me em copas e a «brincalhar» com o ansioso Pires de Bragança. 
Eu não podia dizer. E acrescentei-lhe: «Tens de ter autorização do capitão Falcão». Acabei por ser eu a pedir e lá foi o furriel Pires, o das transmissões. Havia outro Pires, o sapador, do Montijo.
Os furriéis milicianos Viegas e Pires
(de TRMS) no encontro do Dambi
Angola, há rigorosamente 45 anos

Chegámos à sanzala,

 num adro imenso !

O objectivo era a aldeia (sanzala) do Dambi Angola, na Mata do Quipemba, entre Quitexe e Aldeia Viçosa. Lá chegámos, de dia. Pelo caminho, poupando palavras, passámos incólumes numa vigia dos «turras» (um deles apontando-nos uma arma, de cima de uma árvore). Caíria, a tiro nosso, caso esboçasse qualquer gesto. 

O Breda, condutor-auto da primeira viatura, suava frio de ansiedades, e tremia, ao passar debaixo da árvore, conduzindo o «unimog» em que eu próprio seguia. Chegámos à sanzala, num adro imenso, e os «unimogs» pararam em posições de segurança. Em prevenção da vida de cada um de nós!
Olhámos, era eu o comandante da força, e não tive medo. Se eles lá estavam, com eles falaríamos. Era ao que íamos. Levávamos grades de cerveja e tabaco, aconselhados pela Acção Psicológica. Faltava «descobrir» o inimigo, misturado entre as gentes da sanzala - crianças, adultos e idosos, todos misturados. Saltei do unimog, sem tirar as divisas do camuflado. Provocador, digamos: 
«Sou o furriel Ranger!...»
Manias!! Nem falar!!! E avancei, passo a passo, de mãos tensas, caídas nas ancas, a direita segurando a G3. 
«Posso levar um tiro..., morro aqui!..., aqui mesmo!...», sentia eu, expectante e regado de suores frios. Do cinturão, penduravam-se granadas defensivas, prontas a estourar. A G3, de resto, estava armada com o dilagrama, para o que desse e viesse e seria letal, mortalíssimo; dilagrama que eu dispararia, em qualquer caso. Um passo meu, em frente, era um passo atrás dos populares do Dambi Angola, misturados de guerrilheiros da FNLA, como viemos a confirmar. 
«Boa tarde, somos amigos, vamos falar...», gritei eu, embora de bons modos e tenso, convidando-os a conversa. Eram essas as instruções. E voltei a falar bem alto, mais um passo e outro, em frente! Confesso que meio a medo. 
O Viegas no Dambi Angola
a 25 de Setembro de 2019

Os «turras» e o

jantar de camarão!

Poupando palavras, confraternizámos nessa tarde. Tarde em que o grupo da FNLA soube que tinha havido uma revolução em Lisboa - sete meses antes. 

Beberam os «fnla´s» cerveja da que levávamos, depois de nós bebermos. Fumaram os «CT» depois de alguns de nós. E tirámos fotografias. 
Dizia o Pires, no regresso: 
«Estes é que são os turras?!». 
Eram. Eu (Viegas), era tratado por Veigas. Senti-me amedrontado! Eh, pá... afinal eles sabiam quem eu era. 
Guardo do Pires, o seu desabafo no jantar de camarão e cerveja à farta, que ele pagou nessa noite, no restaurante do Rocha, no Quitexe. Mais ou menos isto: 
«Como é que saltaste do Unimog, com aquela calma?!!!... Já sabias que eles eram turras?!»
É evidente que, ao momento, ele não sabia disso. E nas várias vezes que falámos sobre este momento, nestes 45 anos, sempre nos divertimos com a história. Que poderia ter sido uma tragédia!!! Não foi, se calhar, porque fomos todos, começando por mim, leviamente e generosamente irresponsáveis, embora cumpridores da missão de que estávamos incumbidos. Algum tempo depois, no Quitexe, disse-me um dos angolanos desse princípio de tarde de 4 de Novembro de 1974: 
«Nós espensou c´os furrié ias matá a gente...»
Eu sei que nunca matei ninguém! 
Os homens do FNLA que nesse dia «achámos» estavam armados de armas de fabrico checo e chinês, com uma bala na câmara e mais meia dúzia delas num saco de plástico pendurado na cinta, feita de um cordão improvisado de arbustos secos. Há 45 anos!
Aurélio Parracho

Parracho de Zalala, 67 anos
em Figueiró dos Vinhos!

Aurélio Patrício Parracho, soldado atirador de Cavalaria da 1ª. CCAV. 8423, a da mítica Fazenda de Zalala, festeja 67 anos a 4 de Novembro de 2019.
Cavaleiro do Norte do 4º. Grupo de Combate, o do alferes miliciano José Manuel Lains dos Santos e dos furriéis milicianos Américo Joaquim da Silva Rodrigues, Jorge António Eanes Barata (ambos já falecidos) e José dos santos Louro, o Parracho regressou a Portugal no dia 9 de Setembro de 1975 e fixou-se na Praia de Pedrogão, freguesia de Coimbrão, concelho de Leiria, onde residia e de onde é natural. Mora agora em Figueiró dos Vinhos, para onde vai o nosso abraço de parabéns!



Soares de Aldeia Viçosa,
António Soares
67 anos em Gondomar !

O soldado Soares, atirador de Cavalaria da 2ª. CCAV. 8423, festeja 67 anos a 4 de Novembro de 2019.

António Joaquim da Rocha Soares, é este o seu nome completo, foi  Cavaleiro do Norte de Aldeia Viçosa, voltou a Portugal no dia 10 de Setembro de 1975, no final da sua comissão de serviço em terras do norte de Angola, pelo Uíge profundo, e fixou-se em Valbom, no concelho de Gondomar, de onde é originário. Lá continua a viver (agora na Rua Miguel Bombarda) e para lá vai o nosso abraço de parabéns!

domingo, 3 de novembro de 2019

4 862 - O (não) cessar-fogo de Angola, a poucos dias da independência!

O BC 12, último quartel do BCAV. 8423 e das Forças Armadas Portuguesas, na saída da cidade de
Carmona, actual Uíge, para o Songo. É agora uma unidade das Forças Armadas de Angola e ampliado
para o lado do Songo - do qual se tirou esta imagem, a 25 de Setembro de 2019
A Missão do Quitexe, mesmo ao lado da Igreja de Santa
 Maria de Deus e na qual sacerdotou o padre Albino 

Capela. Foi construída no seu magistério, nos anos 
de 1972/73, com ajuda do povo, empresários e 
fazendeiros da região
O padre Albino Capela num
 baptizado da Família Rei, na   
entrada da Igreja do Quitexe 


A segunda-feira de 3 de Novembro de 1975 não foi dia de boas notícias de Angola: «Não há cessar fogo», titulava o «Diário de Lisboa», dando corpo a um despacho do «Diário de Luanda». 
Os combates prosseguiam, de norte a sul do futuro novo país, apesar de a 
Notícia do Diário de Lisboa de 3 de Novembro
 de 1975 sobre a situação política de Angola
Cimeira de Campala ter apontado as 6 horas de 1 de Novembro para o cessar-fogo. Já lá iam dois dias e nada de cessar-fogo.
«A partir de agora, não mais se pode falar em quatro forças em presença», disse, em Luanda, o comandante Júlio Almeida. Referia-se ao MPLA (o seu partido/movimento de libertação de Angola), à FNLA, à UNITA e às Forças Armadas Portuguesas. 
«Há apenas duas partes em confronto», acrescentou este responsável militar do movimento de Agostinho Neto. E apontou-as: «As forças populares e os seus inimigos, a soldo do imperialismo, apresentem-se sob que forma for».
Por forças populares, entendam-se, na linguagem do MPLA, as Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (as FAPLA). «Inimigos a soldo do imperialismo» seriam o Exército de Libertação Nacional de Angola (o ELNA, braço armado da FNLA) e as Forças Armadas de Libertação de Angola (as FALA, da UNITA).
Estava-se a poucos dias da independência (11 de Novembro) e terminava a ponte aérea, de Luanda para Lisboa, estimando o Alto Comissário que ficassem em Angola «cerca de 30 000 a 40 000 portugueses». Todos eles, e todos os estrangeiros, tinham de, a partir de 11 de Novembro, «ser portadores de um documento do Governo angolano».
O capitão José Paulo Falcão, à esquerda, e o
 comandante Almeida e Brito, à direita. Ao meio,
o soldado clarim Armando Mendes da Silva

FNLA´s no Quitexe
e comandante de férias

Um ano antes, no Quitexe, o tenente-coronel Carlos Almeida e Brito «endossou» o comando do BCAV. 8423 ao capitão José Paulo Falcão, por vir a Portugal, de férias.
A guarnição vivia dias calmos, em serviços de rotina por todas as subunidades - a CCS do Quitexe, a 1ª. CCAV . 8423 de Zalala, a 2ª. CCAV. 8423 de Aldeia Viçosa e, na Fazenda Santa Isabel, a 3ª. CCAV. 8423. Assim como no Destacamento de Luísa Maria e nas companhias independentes de Vista Alegre (a CCAÇ. 4145) e da Fazenda do Liberato (CCAÇ. 209/RI 21).   
«Pode dizer-se que Novembro de caracterizou por uma acalmia não encontrada há longos anos», nota o livro «História da Unidade», sobre este período de há 45 anos e pelas terras uíjanas do norte de Angola.

sábado, 2 de novembro de 2019

4 861 - A morte, há 40 anos, do alferes miliciano António Garcia!

A messe de oficia do BCAV. 8423, o Quitexe (o edifício da direita, com a carrinha branca em frente),
na avenida da Vila (ou Rua de Baixo). Lá funciona agora um estabelecimento comercial de um angolano
de Malange, o sr. Zeca
O alferes miliciano António Manuel Garcia, de Operações
Especiais (Rangers) na porta d´armas do BC 12,
em Carmona, ano de 1975. Há 44 anos!


O dia 2 de Novembro de 1979 está tragicamente associado à morte do então ex-alferes miliciano Garcia, que comandante do PELREC da CCS do BCAV. 8423. 
O acidente, como se vê no recorte do JN de 3 de Novembro de 1979, ocorreu em Vila Garcia (dramática coincidência de nomes), localidade entre Mangualde e Fagilde (Viseu), quando o então inspector da Polícia Judiciária conduzia uma viatura da PJ contra a qual embateu, de frente, um automóvel de matrícula alemã, conduzido por um emigrante de 21 anos - que tentava ultrapassar outros veículos, numa recta. 
O então ex-alferes António Manuel Garcia, tinha 27 anos e teve morte imediata, embora ainda transportado ao Hospital de Mangualde. Integrava a equipa da PJ que investigava o caso da morte de Ferreira Torres, político de então. Carlos Eurico Duarte, o PJ que o acompanhava, sofreu fractura da bacia e foi internado naquele hospital, assim como os 4 ocupantes do carro do emigrante.
Deixou viúva, Olga Garcia e orfã a filha Marta.
A notícia da morte do alferes miliciano António Manuel
Garcia, então inspector da Polícia Judiciária (PJ)
no Jornal de Noticias de 3 de Novembro de 1979...

Louvor a Garcia
na jornada d´África!

António Manuel Garcia era especialista de Operações Especiais (Rangers) e 
foi louvado porque «sempre manifestou
... e do Diário de Lisboa do mesmo dia
o maior desembaraço e competência no seu comando, possuindo alto espírito de sacrifício em todos os momentos difíceis em que foi  neces-
sária a sua acção», nomeadamente na cidade de Carmona «aquando dos graves incidentes» da primeira semana de Junho de 1975.
O louvor destaca as suas «boas qualidades morais, humanas e militares» e o facto de ter «constituído um todo coeso» com o pelotão que comandava - o PELREC da CCS do BCAV. 8423 -, o que, ainda segundo o dito louvor, «muito contribuiu para que na Companhia se mantivesse a perfeita disciplina e respeito pela hierarquia, muito facilitando a missão do comando que directamente servia, sem que deixasse de merecer o respeito dos seus subordinados».
Hoje, dia 2 de Novembro de 2019, na data de passagem dos 40 anos do seu trágico passamento, aqui, com muita saudade e viva  emoção, fazemos honra à sua memória!! RIP!!!

Brigadeiro Altino
de Magalhães
Comandante da ZMN 
e Bispo no Quitexe

O brigadeiro Altino de Magalhães, comandante da Zona Militar Norte (ZMN) esteve no Quitexe «em trânsito pelo Subsector» do Uíge no dia 2 de Novembro de 1974.
Também no mesmo dia de há 45 anos, uma sexta-feira mas em visita particular, estiveram na vila quitexana do Uíge angolano o comandante do BCAV. 8324 e «diversos oficiais da guarnição de Carmona».
O Bispo da Diocese de Carmona e S. Salvador, com Sé na capital do Uíge, D. Francisco da Mata Mourisca (dela o primeiro titular e de 1967 a 2008), também neste dia esteve no Quitexe, numa visita que «teve colaboração das autoridades civis e das populações» locais.


sexta-feira, 1 de novembro de 2019

4 860 - O cessar-fogo e as rotinas dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423

Carmona, actual cidade do Uíge, e a messe de sargentos da CCS do BCAV. 8423 (anteriormente de
oficiais) do Bairro Montanha Pinto - em imagem de 25 de Setembro de 2019. Em primeiro plano, o
jardim - que pouco tem a ver com o dos tempos de 1975. A seta indica o edifício da messe
O uíjano jardim do Bairro Montanha Pinto
nos tempos coloniais dos anos 70 do Século XX

O mês de Novembro de 1974,  há 45 anos, começou tranquilo, pelas bandas do Quitexe e toda a ZA dos Cavaleiros do Norte. 
Vivia-se «o clima de cessar fogo estabelecido no mês anterior e pode dizer-se que Novembro  se caracterizou por uma acalmia não encontrada há longos anos», lê-se no livro «História da Unidade». Tenho ideia de ter ido ao
Cerimónias militares no Cemitério do Quitexe.
Foto de José Lapa (de 1966)
cemitério do Quitexe, na saída da estrada para Camabatela, onde assisti às cerimónias presididas pelo padre Albino Capela.
cemitério do Quitexe tinha o chamado Talhão Militar e lá fui algumas vezes, olhando as placas com os seus nomes, procurando (sem encontrar) algum que fosse da região de Águeda. 
A imagem que aqui reproduzimos (de José Lapa) é dos funerais de dois militares mortos em acidente de viação, na estrada Quitexe-Aldeia Viçosa e em Abril de 1966: o furriel miliciano Luís Joaquim Pereira Pinto, de Torre de Moncorvo, e o soldado Alfredo Rebelo Amorim Malheiro, de Vila Nova de Cerveira, ambos da CART. 785 e falecidos a 24 de Abril de 1966. 
A guarnição doa Cavaleiros do Norte, há 45 anos, fazia serviços de rotina - incluindo os sempre «pesados» patrulhamentos dos itinerários principais - e a rapaziada tinha cinema no Clube do Quitexe, umas baldas a Carmona (e alguns, mais ousados, até Luanda...). Até às Quedas do Duque de Bragança. E jogava-se a bola, com renhidas partidas no campo de futebol do Quitexe.


Os furriéis milicianos Neto, Pires (TRMS) e Rocha,
trio da CCS do BCAV. 8423

Neto e Rocha,
furriéis de férias

A 1 de Novembro de 1974, vieram de férias o Neto e o Rocha, dois furriéis milicianos do Quitexe. Nesse dia, de malas aviadas, viajaram para Luanda e  depois para Lisboa e os seus chãos natais. - Águeda e Vila Nova de Gaia. Eram ambos da CCS e o Neto vinha com uma «missão» muito especial: assistir ao casamento do irmão, o Manuel Albuquerque, que jornadeara pela Guiné-Bissau. E mais: reencontrar e apaparicar a sua Ni! Foi há 45 anos! O tempo voa, já todos somos sexYgenários!!!
Jorge Botelho

Botelho, atirador do PELREC,
67 anos em VN de Gaia !

O soldado Botelho, da CCS do BCAV. 8423, festeja 67 anos a 1 de Novembro de 2019.
Jorge António Pinto Botelho foi atirador de Cavalaria do PELREC - e guarda-redes e avançado da equipa de futebol da Companhia... - e regressou a Portugal e a Vila Nova de Gaia no dia 8 de Setembro de 1975.  A vida tem sido ingrata para com ele, teve alguns problemas com a justiça e a frágil saúde que o atormenta «roubou-lhe» até as cordas vocais - o que lhe limita, e muito condiciona, a sua capacidade de comunicação.
Para ele, neste dia, o nosso abraço de parabéns!
Manuel Marques, o
1º. cabo Carpinteiro,
nos anos 2000!
O 1º. cabo Marques, o Car-
pinteiro, no BC12, em 1975

1º. cabo Carpinteiro
faleceu há 8 anos !

O 1º. cabo Marques, da CCS do BCAV. 8423, faleceu há 8 anos, 1 de Novembro de 2011, na sua natal terra de Esmoriz.
Manuel Augusto da Silva Marques foi o inesquecível 1º. cabo Carpinteiro, assim por lá foi popularizado (por ser a sua especialidade) e homem de piada permanente e folgada boa disposição . Saiu de casa com a esposa, foram à missa e ao cemitério, às cerimónias do dia, passaram pelo café e dirigiram-se a casa. Ao colocar a chave, para abrir a porta, o Marques, o nosso Carpinteiro, caiu! Fulminado! Morte súbita! Muitas saudades, grande Carpinteiro! Até um destes dias!!! RIP!!!
Joel Catarino e
António Tomás.
RIP!!
Fazenda Santa Isabel

Tomás e Catarino, de Santa
Isabel, faleceram há 36 anos !

O dia 1 de Novembro de 1983, há 36 anos, regista o falecimento de dois Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel: o 1º. cabo Joel e o soldado Tomás, ambos atiradores de Cavalaria.
Joel Carlos Gonçalves Catarino, o 1º. cabo, regressou a Portugal no dia 11 de Setembro de 1975 e faleceu em Paivas de Amora, no município do Seixal. Não sabemos a razão da morte.
O soldado António Francisco Tomás regressou a Portugal no mesmo dia e não resistiu a uma embolia cerebral, deixando viúva e dois filhos - um dos quais nasceu duas semanas depois da sua morte. O mais velho, agora com 41 anos, tinha então apenas cinco.
Ambos hoje o recordamos com saudade! RIP!!! RIP!!!