CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

sábado, 18 de janeiro de 2020

4 942 - Cavaleiros do Norte do Quitexe em encontro de Custóias!

Cavaleiros do Norte da CCS em Custóias, a 18 de Janeiro de 2020: Joaquim Moreira e Albertino Neves
(maqueiros), 1ºs. cabos Miguel Teixeira, Domingos Teixeira e Vasco Vieira (Vasquinho), furriel Viegas,
1º. cabo Alfredo Coelho (Buraquinho, alferes António Cruz, 1º cabo Porfírio Malheiro e José Gomes. À
frente, António Calçada e Américo Gaiteiro
A «formatura» dos «CCS´s» na «parada»
 do restaurante S. Tiago em Custóias, com
algumas das suas Amazonas do Norte
Alferes António Cruz e, à
esquerda, António Calçada

Uma dúzia de Cavaleiros do Norte da CCS do BCAV. 8423 achou-se hoje nu almoço em Custóias, para confraternizar e fazer memórias da nossa jornada africana do Uíge angolano. 
A «ordem de operações» foi do alferes miliciano António Albano Cruz, oficial comandante do Parque-Auto, com acção no terreno do 1º. cabo Alfredo Coelho, o imortal Buraquinho, que fez «emboscar» a malta no restaurante S. Tiago, de boa gente no atendimento e apetitosa ementa para sossegar estômagos.
A primeira grande boa memória, foi a notícia do condutor Joaquim Celestino, que continua internado no Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, mas a reagir muito bem e a recuperar das fragilidades de saúde que para lá o «atiraram». 
Memórias foram muitas; desde o destemor do comandante Almeida e Brito à humildade do soldado «básico» António Cabrita, o quadro de oficiais, sargentos e praças da pirâmide humana que formou a CCS do BCAV. 8423, com muitas «cenas» à mistura. Algumas, por exemplo, do inesquecível tenente Mora (o Palinhas), os momentos de tragédia dos dias 1 a 6 de Junho de 1975 - os dos fratricidas combates que, em Carmona, opuseram combatentes da FNLA e do MPLA. Ou o dia da revolta da CCAÇ. 2019/RI 21, a da Fazenda do Liberato.
Alfredo Coelho (Buraquinho),
 Joaquim Moreira e a Amazona
 do condutor Gomes 
O anfitrião Alfredo Coelho botou faladura para explicar a «operação» ordenada pelo alferes Cruz e não esqueceu a imortalidade de alguns do momentos de bravura, em várias «acções de voluntários à força», nomeadamente na madrugada/manhã de 1 de Junho de 1975.
António Albano Cruz deu força à razão destes encontros: «Fomentar a amizade do grupo, ampliá-la para além do almoço anual».

Comandante Almeida
e Brito em Carmona !

O tenente-coronel Almeida e Brito esteve em Carmona no dia 18 de Janeiro de 1975, para reunião no Comando de Sector do Uíge.
O comandante do BCAV. 8423, acompanhado pelo capitão José Paulo Falcão, oficial adjunto, esteve na capital da província em função, de acordo como livro «História da Unidade», da «necessidade de estabelecimento de contactos operacionais».
Furriéis milicianos de Santa Isa-
bel: Flora, Belo, Fernandes (em
festa de 68 anos) e Ricardo

Fernandes, furriel de
Santa Isabel, 68 anos!

O furriel miliciano António da Costa Fernandes, da 3ª. CCAV. 8423, festeja 68 anos a 19 de Janeiro de 2020.
Cavaleiro do Norte da Fazenda Santa Isabel e atirador de Cavalaria de especialidade militar, também jornadeou pelo Quitexe e Carmona e regressou a Portugal a 11 de Setembro de 1975, à sua Lomar natal, em Braga.
Profissionalmente, fez carreira como professor e, já aposentado, reside Braga, para onde vai o nosso abraço de parabéns!

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

4 941 - Incêndio na arrecadação da CCS do BCAV. 8423 na vila do Quitexe


O incêndio na arrecadação de material do  BCAV. 8423, na vila do Quitexe, foi há preci-
samente 45 anos. A  imagem mostra as labaredas por cima do telhado do edifício - que
 ficava na Estrada do Café, entre Carmona e Luanda

Os bens dos militares foram retirados do edifício e coloca-
dos na berma da Estrada do café. À direita, vê-se o capitão
 António Oliveira, comandante da CCS do,BCAV. 8423

Os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, há precisamente 45 anos, continuavam expectantes quanto a tudo o que se soubesse da Cimeira do Alvor
O dia 17 de Janeiro de 1975, uma sexta-feira, foi marcado no Quitexe pelo incêndio na arrecadação de material de guerra da CCS - no mesmo edifício onde se hospedavam alguns oficiais milicianos. Foi um deles, o alferes Garcia, a dar o alarme e rapidamente se combateram as chamas - o que não evitou elevados prejuízos.
O incêndio terá tido origem num curto-circuito e pregou um enorme susto à guarnição, até porque nos primeiros momentos boa gente admitiu que fosse um acto de sabotagem. Não era e a pronta intervenção da tropa evitou males bem piores, assim como a salvação dos pertences dos militares ali hospedados.
Os três bombeiros que acudiram o incêndio
do Quitexe, há 45 anos e com uma bomba
manual de muito pouca água
 

Ardeu a casa de oficiais
e arrecadação de material

O estouro de algumas munições, devido ao calor das chamas, e o medo de que granadas e outros materiais de guerra (mais poderosos) rebentassem provocou algum pânico e as aflições foram muitas. Chegou a supor-se o pior. 
«Ardeu completamente uma das casas onde o BCAV. tinha a arrecadação de material de aquartelamento da CCS e os quartos dos oficiais», relata o livro «História da Unidade», citando «avultados prejuízos materiais».
A guarnição dos cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, ali aquartelada, sublinha o mesmo HdU, «teve a maior dedicação (...) mas não houve possibilidade de evitar a destruição total do imóvel, por falta de meios adequados para apagar o incêndio, inclusive a própria água».
Foram  chamados os bombeiros, que compareceram (eram três!!!...) com uma bomba manual e de pouca água, o que suscitou até alguma chacota da comunidade militar, que se sorriu da «aparatosa» intervenção. 
Os bombeiros apresentaram-se, imagine-se, até de gravata, como se vê na imagem. - Ver AQUI
Furriel Nelson
Rocha e Luciana

O amor de sempre 
do furriel Rocha !

O furriel miliciano Rocha, da CCS do BCAV. 8423, marca hoje os 41 anos de casamento com Luciana, seu amor de sempre!
O discreto e eficiente Nelson dos Remédios da Silva Rocha, Cavaleiro do Norte especializado em transmissões, regressou a Portugal a 8 de Setembro de 1975 e, por afinidade de familiares próximos, deixou (e quis) cair-se de amores que, há precisamente 41 anos o levaram ao altar, dando o braço  a Luciana e fazendo juras de eterno amor - que sabemos sempre viçoso, multiplicado e são.
Parabéns, ó Rocha! Cuide dele, D. Luciana!  Cuide bem e com amorÉ boa gente!!
O 1º. cabo Coelho, o
Buraquinho, com a
então namorada

Coelho, o 1º. cabo Buraquinho,
festeja 68 anos em Custóias !

O 1º. cabo Coelho, depurador de águas da CCS do BCAV. 8423, festeja 68 anos a 17 de Janeiro de 2020.
Alfredo Rodrigo Ferreira Coelho, é este o seu nome completo, imortalizou-se na sua (e nossa) jornada africana do Uíge angolano com o epíteto de Buraquinho - poucos conhecerão o seu nome de baptismo - e regressou a Portugal de braço dado com a sua então «mais-que-tudo» e futura, e actual, esposa e mãe do seu casal de filhos.
Trabalhou em várias áreas profissionais, também na restauração, e, agora já aposentado, mora na sua Custóias natal, para onde, e para ele, o nosso abraço de parabéns! 

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

4 940 - Assinatura do Acordo do Alvor! O comandante Craveiro Lopes!

O discurso final do Presidente da República, Costa Gomes na Cimeira do Alvor, há
 precisamente 45 anos: «A partir de agora, vós e os vossos movimentos estão colocados
perante um desafio duplo (...)», disse o general
Francisco Craveiro Lopes, Presidente da Repú-
blica, e o filho, João Carlos Craveiro Lopes, que,
 a 16 de Janeiro de 1974, era coronel e tomou
posse como comandante do RC4

O BCAV 8423 teve «a primeira aparição pública, como unidade constituída», a 16 de Janeiro de 1974, há 46 anos, quando participou na cerimónia de posse do novo comandante do RC4, o coronel Craveiro Lopes, que era filho do marechal do mesmo nome, antigo Presidente da República.
Oficial de Cavalaria, já desde 26 de Dezembro de 1973 que era comandante do RC4 e foi substituído a 6 de Maio de 1974, pelo coronel Luís Maria de Sousa Campeão Gouveia. Revelou-se um comandante exigente, áspero até algumas vezes, e muito disciplinador. Uma vez, um grupo de 1ºs. cabos milicianos do BCAV. 8423 deslocava-se do Destacamento para o RC4 quando, vendo-o na porta d´armas, desviaram-se para o lado da capela, passando frente ao cinema, para não terem de lhe fazer continência - «coisa» muito habitual nesse tempo. A falta «baldava-se» para não se ter de bater paladas aos quadros superiores. 
Coronel Craveiro Lopes, coman-
dante do RC4, há 46 anos
O coronel e comandante reparou nisso e mandou-os chamar por um dos homens do reforço e passou-lhes «sermão e missa cantada», lembrando-lhes, muito austero e severo, os deveres militares a cumprir.
O BCAV. 8423, na cerimónia de posse do novo comandante, apresentou-se garboso na formatura e com garbo desfilou ante o novo comandante e oficiais do Regimento. A força dos futuros Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, julgamos saber, era comandada pelo (futuro) alferes miliciano António Manuel Garcia, de Operações Especiais (os Rangers). 
Os oficiais mais destacados e já então colocados no BCAV. 8423 não eram muitos (o comandante e pouco mais) e estavam numa tribuna, perto do coronel Craveiro Lopes e de outros oficiais do Regimento de Cavalaria nº. 4 (o RC4, a nossa unidade mobilizadora) e da Região Militar de Tomar.
Primeira página do Diário de 
Lisboa de 16 de Janeiro de 1975, 
com a notícia da Cimeira
 do Alvor

O Acordo do Alvor e
a esperança d´Angola!

Um ano depois, a 15 de Janeiro de 1975, Portugal e os três movimentos de libertação assinaram o histórico acordo do Alvor, que abria portas para a independência de Angola.
«A partir de agora, vós e os vossos movimentos, estão colocados perante um desafio duplo. É a esperança de todos os angolanos a exigir que homens e partidos, apesar das diferenças sociais, filosóficas e políticas, saibam encontrar soluções angolanas autênticas, baseadas na capacidade de diálogo, no espírito de cooperação e na boa vontade de servir o vosso país», disse o Presidente Costa Gomes, no encerramento e dirigindo-se aos dirigentes do MPLA, da FNLA e da UNITA que participaram na Cimeira do Alvor.
O presidente do MPLA interveio em nome dos três movimentos de libertação: «Aqui, as pretensões dos colonialistas ficaram enterradas para sempre», disse Agostinho Neto, acrescentando que «afastado o obstáculo do colonialismo, nem o povo português nem o povo angolano desejarão recuar na sua transformação progressiva, para uma nova definição do homem na sociedade».
«A dinâmica da vida - acrescentou o presidente do MPLA - só nos pode conduzir a um destino. O destino do progresso. Se recuarmos, o processo em Portugal e em Angola, este importante acordo, hoje selado, pelo estabelecimento das relações justas entre os nossos povos, romper-se-á inevitavelmente».
O dia confirmou que o almirante Rosa Coutinho deixava o Alto Comissariado e seria substituído pelo brigadeiro Silva Cardoso. Jonas Savimbi, presidente da UNITA e na véspera, voou nos Transportes Aéreos de Angola (TAAG) para Luanda e Agostinho Neto para Lisboa e depois para o Porto (num avião da Força Aérea Portuguesa). Holden Robert, presidente da FNLA, seguiu para Kinshasa, a capital do Zaire de Mobutu.


Ferreira, apontador 
de morteiros médios,
em festa dos 68 anos!

O 1º. cabo Ferreira, apontador de morteiros médios da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel, festeja 68 anos a 17 de Janeiro de 2020.
José Agostinho da Silva Ferreira, de seu nome completo, é natural de Vila Chã, da minhota freguesia de Santo Estevão de Briteiros, município de Guimarães, e lá voltou a 11 de Setembro de 1975, quando os Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423 regressaram a Portugal.
Lá reside e para lá vai o nosso abraço de parabéns, pelos 68 anos que amanhã celebrará em família. Parabéns!

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

4 939 - Comandante no Sector do Uíge e a Cimeira do Alvor 1 975!

A vila do Quitexe,a avenida ou Rua de Baixo. À esquerda, a casa de Madame Van der Schaff (a rôxo)
 e o restaurante Pacheco, que ficavam em frente à Secretaria e Casa dos Furriéis da CCS dos

Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423. Imagem de 24 de Setembro de 2019
Delegação Portuguesa na Cimeira do Alvor. À frente,
NN, NN, Almeida Santos (de óculos), Rosa Coutinho, 

Presidente Costa Gomes, Melo Antunes e outros

O tenente-coronel Carlos Almeida e Brito, comandante do Batalhão de Cavalaria 8423, recebeu no Quitexe o comandante Comando do Sector do Uíge (CSU) - que se fez acompanhar de oficiais do seu Estado Maior.
A reunião foi a 15 de Janeiro de 1975, há 45 anos, e envolveu os comandantes de todas as unidades do CSU, naturalmente para analisar e decidir questões operacionais, numa altura em que, no Alvor português do Algarve, se fechava a cimeira do Governo Português com os três movimentos de libertação. A assinatura do protocolo do acordo estava prevista para as 20 horas desse já distante dia 15 de Janeiro de 1975, uma terça-feira.
O Governo de Angola seria, segundo o Diário de Lisboa, «dirigido por um Conselho Presidencial, com três vice-primeiros ministros», um de cada movimento. E já se sugeriam três nomes: Jorge Valentim (pela UNITA), Johny Eduardo (da FNLA) e Lúcio Lara (MPLA).
A primeira página do Diário de
 Lisboa  de 15 de Janeiro de 1975
 titulava o acordo  do Alvor

Governo de Angola
há 45 anos !

O Presidente da República de Angola, ainda segundo o mesmo acordo, seria eleito pela Assembleia Constituinte e tomaria posse no dia da independência - 11 de Novembro. 
As novas informações davam conta que o Governo de Transição de Angola, para além dos três vice-primeiros ministros, teria 12 ministros: três de Portugal e três de cada um dos três movimentos de libertação. Portugal assumiria as pastas da Economia, Obras Públicas e Transportes e Comunicações. 
O Alto Comissário (que seria Silva Cardoso), entre outras tarefas, responsabilizar-se-ia pela Defesa e Segurança Pública. Os movimentos, entre outras, teriam as da Informação (MPLA), Administração Interna (FNLA) e Trabalho (UNITA). Cada um dos ministros dos movimentos teria dois Secretários de Estado - um da cada um dos outros dois movimentos.
Os Cavaleiros do Norte, lá pelas bandas do Uíge, continuavam expectantes e a cumprir, escrupulosamente, as tarefas que a jornada angolana lhes exigiam. E, em tempos livres, faziam do pelado do Quitexe o campo das suas futeboladas. 

Marques, 1º. cabo carpinteiro
da CCS, faria hoje 68 anos !

O 1º. cabo Marques, da CCS do BCAV. 8423, faria 68 anos a 15 de Janeiro de 2020. Faleceu a 1 de Novembro de 2011.
Carpinteiro de especialidade militar e por este nome popularizado por Angola, Manuel Augusto da Silva Marques regressou a Portugal e a Esmoriz, em Ovar, no dia 8 de Setembro de 1975. 
Por lá fez a sua vida familiar e profissional, falecendo de morte súbita quando, a 1 de Novembro de há 9 anos e depois das cerimónias religiosas do dia, regressava a casa, com a esposa, e caiu fulminado, no momento em que procurava abrir a porta.
Hoje o recordamos com saudade. RIP!!!

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

4 938 - O Governo de Transição e as Forças Armadas de Angola!

Quitexe, a vila uíjana do norte de Angola que foi sede dos Cavaleiros do Norte da CCS do BCAV. 8423. E
 mais tarde, também da 3ª. CCAV. Imagem da estrada do Café, no centro da localidade, vendo-se a
bomba de gasolina. Imagem do dia 24 de Setembro de 2019
Parada do Quitexe. De pé, 1º.s cabos Soares, Oliveira e Pais,
furriel Rocha, 1º. cabo Estrela (de braço no ombro e que ama-
nhã faz 69 anos), Silva, alferes Hermida (de bigode), Zambujo
(idem), furriel Pires (braços cruzados),  Felicíssimo (1ª. CCAV.)
1º. cabo Mendes, Soares, 1º. cabo Pires (Fecho-Eclair, de mão 
no queixo) e Wilson. Em baixo, Jorge Silva (3ª. CCAV.), 
Costa, 1º. cabo Salgueiro (?), furriel 
Cruz e 1º. cabo Tomás


Os dias de Janeiro de 1975 iam sendo riscados do calendário, um a um, e pelo Algarve português continuava a Cimeira do Alvor. 
A 14, uma terça-feira, hoje se fazem 45 anos, ficou a saber-se que o Governo de Transição de Angola seria formado até ao dia 31 desse Janeiro. E que o acordo entre Portugal e os três movimentos de libertação seria assinado no dia seguinte, às 20 horas.
Que boas notícias chegaram ao Quitexe, a Aldeia Viçosa e a Vista Alegre/Ponte do Dange, terras uíjanas de Angola por onde  jornadeavam os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423!!! Mesmo muito boas!
«Pode dizer-se que o acordo está praticamente concluído, tendo voltado as quatro delegações a reunir esta manhã, para ultimarem a redacção dos últimos pontos do protocolo, os quais. segundo algumas fontes, se referem à atribuição das pastas ministeriais», reportava o Diário de Lisboa de 14 de Janeiro de 1975, que citamos.
Capa do Diário de Lisboa
de 14 de Janeiro de 1975

Governo de Transição
e Forças Armadas

A constituição do Governo de Transição de Angola tinha avançado para uma formação diferente das até aí propostas e discutidas. 
«Compreenderá três vice-primeiros ministros, um por cada movimento, além do Alto-Comissário, de nomeação Portuguesa», reportava o Diário de Lisboa. E este já não seria Rosa Coutinho, o Almirante Vermelho, mas antes o brigadeiro Silva Cardoso. 
Admitia-se, há 45 anos, que os vice-1º.s ministros fossem Lúcio Lara (indicado pelo MPLA), Johny Eduardo (pela FNLA e sobrinho do presidente Holden Roberto) e António Vakulukuta (pela UNITA). 
Portugal teria (expectava-se) as pastas ministeriais da Economia e da Informação, enquanto cada um dos três movimentos teriam cinco ministérios. Não iria ser bem assim.
O futuro Exército de Angola teria 36 000 homens: 18 000 de Portugal e 6 000 de cada movimento. Os portugueses, porém, iriam gradualmente abandonando Angola até à data de independência: 11 de Novembro de 1975. 
O Alto-Comissário Português acumularia com o Comando-Chefe das Forças Armadas, «não sendo de excluir a formação de comissões militares mistas, a exemplo do que tinha acontecido em Moçambique».
Os 1º.s cabos Felicíssino
e João Estrela, que amanhã
festeja 69 anos


Estrela, 1º. cabo da CCS,
67 anos na Amadora !

O 1º. cabo Estrela, da CCS do BCAV. 8423, festeja 69 anos a 15 de Janeiro de 1975.
João Francisco Lavadinho Estrela, alentejano de Campo Maior e Cavaleiro do Norte operador-cripto de especialidade militar, regressou a Portugal no doa 8 de Setembro de 1975. A Lisboa e à Rua dos Amenos, em Benfica. Vive actualmente na Mina de Água, em S. Braz da Amadora, onde, profissionalmente, é consultor imobiliário da Remax-Prime. 
É para lá, e para ele, que vai o nosso de parabéns! E que mais e bons anos se sigam!

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

4 937 - O dia da independência de Angola na Cimeira do Alvor!

O furriel Viegas, da CCS dos Cavaleiros do Norte do  BCAV. 8423, e o condutor Nogueira, da CCAÇ. 209/RI 21,
da Fazenda do Liberato, a caminho do Quitexe e de Carmona, a 24 de Setembro de 2019 e

 45 anos depois do regresso de Angola
O Clube do Quitexe, na Estrada do Café e dentro da vila
que foi sede do BCAV. 8423, a 24 de Setembro de 2019



O dia 13 de Janeiro de 1975, uma segunda-feira como hoje, foi tempo de se saber, confirmando anterior informação, que o dia 11 de Novembro seria o da independência de Angola, acordado na Cimeira do Alvor. 
O comunicado oficial fora do final da noite anterior e sublinhava «os avanços substanciais» e admitia mesmo «uma solução mais rápida do que aquelas previstas ainda esta manhã», como noticiava o Diário de Lisboa.
Os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, lá pelo Uíge angolano, continuavam muito expectantes mas de alguma maneira também distantes. 
Os mais esclarecidos, politicamente falando, digamos que seriam o Manuel Machado e o Luís Mosteias (falecido a 5 de Fevereiro de 2013,de doença) - que coincidiam na área, mas não totalmente nas razões. Eram populares os bitaites do Cândido Pires e quer o Francisco Neto, quer eu (Viegas), gostávamos de apimentar os inquietos debates com «bocas» e sátiras, tornando quase  intermináveis as diárias discussões do bar e messe de sargentos.
Notícia do Diário de
 Lisboa sobre a inde-
pendência de Angola

Movimentos de Angola
a uma só voz !

A Cimeira do Alvor continuava e era dada como certa a saída do almirante Rosa Coutinho (após a formação do Governo Provisório) e indicavam-se três nomes como possíveis futuros Alto-Comissários: o então brigadeiro Silva Cardoso, o tenente-coronel Gonçalves Ribeiro e o major Pezarat Correia.
Mário Soares, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, fez declarações sobre os três movimentos, referindo que falavam agora (então) «a uma só voz». mas foi desmentido por Paulo Jorge, do MPLA: «Isso é o que diz o Ministro do Negócios Estrangeiros de Portugal e não o que diz o MPLA. Essa é a opinião do dr. Soares».
Saidy Mingas, também do MPLA e sobre o processo de descolonização, comentou no Alvor que «uma descolonização reaccionária levaria ao neocolonialismo». Acrescentou que «o neocolonialismo em Angola significará a guerra». Assim ia o processo de independência de Angola, há 45 anos.
Alferes Carlos
João Sampaio

Sampaio, alferes de Zalala,
68 anos na Costa da Caparica!

O alferes miliciano Sampaio, atirador de Cavalaria da 1ª. CCAV. 8423, festeja 68 anos a 15 de Janeiro de 2019.
Cavaleiro do Norte da mítica Fazenda de Zalala - e depois de Vista Alegre/Ponte do Dange, Songo e Carmona -, foi comandante do 2º. Grupo de Combate e regressou a Portugal no dia 9 de Setembro de 1975, no final da jornada angolana do Uíge, fixando-se na Avenida 5 de Outubro, em Lisboa - onde já residia.
Sabemos que mora, actualmente, na Costa da Caparica, em Almada, e para lá vai o nosso abraço de parabéns!

domingo, 12 de janeiro de 2020

4 936 - A Cimeira de Angola no Alvor, o SPM do BCAV. 8423

A placa de entrada da vila do Quitexe, no Uíge angolano, do lado de Luanda e na Estrada do Café, a 24
de Setembro de 2019. O piso, no geral, está em bom estado e mantem a largura do tempo colonial
Pavilhões escolares na antiga parada do BCAV. 8423,
no Quitexe. A sapata de cimento poderá ser de uma das
casernas dos Cavaleiros do Norte da CCS

Notícia do Diário de Lisboa
O jornal «A Província de Angola» editava-se em Luanda, era matutino e, na prática, o único diário que chegava ao Quitexe. Também se publicavam o «Comércio» e o «Diário de Luanda», pelo menos.
Há 45 anos, o «A Província de Angola» foi o primeiro jornal a que tivemos acesso, no Quitexe e já a 12 de Janeiro de 1975, sobre o que se passava no Alvor, entre as Delegações de Portugal e dos três movimentos de libertação de Angola - o MPLA, a FNLA e a UNITA.
O Jornal de Angola, que lhe sucedeu, dos acontecimentos deu conta na passagem dos 40 anos dessa histórica data e é isso que hoje, com a devida vénia e situando-os a 11 de Janeiro de 1975, disso damos conta: 
«A 200 metros do Hotel Penina não se pode circular. Cães ferozes, comandos, pára-quedistas, polícias, guardas-republicanos, exercem uma vigilância estreita que tem derrotado todas as tentativas de perfuração dos elementos da imprensa.
Cavaleiros do Norte do Quitexe: 1º. cabo Al- 
meida (cozinheiro), Lajes (do bar) e furriel
 Flora. Na segunda linha, furriéis Costa, 
Reino e Carvalho. Na terceira, Bento e José
 Carlos Fonseca - o responsável pelo SPM

A Cimeira recordada
pelo «Jornal de Angola»

Há 45 anos, o «A Província de Angola» foi o primeiro jornal a que tivemos acesso, no Quitexe e já a 12 de Janeiro de 1975, sobre o que se passava no Alvor, entre as Delegações de Portugal e dos três movimentos de libertação de Angola - MPLA, FNLA e UNITA.
O «Jornal de Angola», que lhe sucedeu, dos acontecimentos deu conta na passagem dos 40 anos (há 5) dessa histórica data e é isso que hoje, com a devida vénia e situando-os a 11 de Janeiro de 1975, disso damos conta: 
«A 200 metros do Hotel Penina não se pode circular. Cães ferozes, comandos, pára-quedistas, polícias, guardas-republicanos, exercem vigilância estreita, que tem derrotado todas as tentativas de perfuração dos elementos da imprensa. O almirante Rosa Coutinho esteve esta tarde no Hotel D. João II, onde funciona a sala de imprensa. A personalidade mais em evidência nas negociações, do lado português, é o major Melo Antunes, cuja forte personalidade parece dominar, realmente, (...), isto sem quebra de prestígio para Mário Soares e Almeida Santos. 
Os pontos cruciais neste momento das negociações são a constituição do Governo Provisório e a forma de funcionamento do Conselho de Ministros. O funcionamento do dia a dia dos serviços é da competência do respectivo ministro, mas a decisão política das decisões é do Gabinete, funcionando como órgão colegial. Assim se evitam os atritos entre os Movimentos de Libertação, responsabilizando-se colectivamente todos e cada um.
O outro ponto básico que demora mais tempo a resolver é, sem dúvida, o da constituição e comando das Forças Armadas da nova Angola. Savimbi já disse que concorda com um comando unificado, mas salvaguarda a segurança dos seus companheiros de luta. A opinião dos outros dirigentes é igualmente significativa: Exército Unificado no comando, mas salvaguarda dos seus militantes, da sua individualidade de guerrilheiros e membros dos movimentos».
Os presidentes Jonas Savimbi (da UNITA), Agos-
tinho Neto (MPLA) e Holden Roberto (FNLA)
 num momento certamente muito optimista em
 relação ao processo de independência de Angola

As delegações
da Cimeira do Alvor 

A lista oficial das Delegações participantes da Cimeira de Penina foi divulgada na tarde de 12 de Janeiro de 1975.
Há 45 as e as seguintes:
- Portugal: Ministros Melo Antunes (de Estado), Almeida Santos (Coordenação Inter-Territorial) e Mário Soares (Negócios Estrangeiros), brigadeiro Silva Cardoso, tenente-coronel Passos Ramos, majores Pezarat Correia, Gonçalves da Costa e José Pimentel, Fernando Reino, Sá Machado, António Cordeiro, Corucho de Almeida e Rui Machete.
-  Alto Comissário: Rosa Coutinho, conselheiros Brito de Figueiredo, Amílcar Martins, António Castilho, Salvação Barreto, Edmundo Gonçalves, Sindicato, Américo Silva, José Nunes Pedro, Cardoso e Cunha e Morais Sarmento.
- MPLA: Agostinho Neto, Diógenes Boavida, Afonso Van Dúnem (Mbinda), Lúcio Lara, Paulo Jorge, Lopo do Nascimento, Carlos Rocha, Joaquim Kapango, Saydi Mingas, Pascoal Costa, Albertino Almeida, Maria do Carmo Medina, Mateus Van Dúnem, Maria Mambo Café, Rui Carvalho, Rui Moreira, Miguel Whekeni, Armando Ginapo, Jacob Caetano (Monstro Imortal), César Augusto Kiluanji e Filipe Costa.
- UNITA: Jonas Savimbi, Jorge Sangumba, Rony C. Fernandes, José N´Dele, Marques Karumba, Jorge Valentim, Eliseu Chimbili, Fernando Wilson, Rubon Chitacumbili, Fernando Wilson, Rubom Chitacumbi, O. Goundiam, Jean-Paul Jouzinho, Waldemar Chindondo, Samuel Lumumba, Francisco Bole-Pole, M. Doringui, Fernando Jambiri, António Vakulukuta e Lucas Tukongelgni».
O jornal, citando um despacho da ANI, não fazia referência à Delegação da FNLA, por razões que desconhecemos.
Alberto Ferreira e Rodolfo Tomás, o homem do
 SPM, fotografados no bar dos praças Quitexe

Cavaleiros do Norte
com todas as calmas

A Cimeira do Alvor decorria no algarvio Hotel Penina e os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, na Angola uíjana, continuavam nas suas expectantes calmas.
Os furriéis milicianos Francisco Bento, José Augusto Monteiro e o José Carlos Fonseca vieram de férias a Portugal e delas não voltou este - que por lá era amanuense, prestando serviço no Comando do Batalhão. Em particular, era responsável pelo Serviço Postal Militar (SPM), com o 1º. cabo Rodolfo Tomaz a viajar quase diariamente (menos à segunda-feira) para Carmona, para levar e trazer correio do Portugal Europeu.
Quantos sonhos transportaram aquelas malas, que se enchiam de aerogramas (os bate-estradas), com apaixonados recados de amor, ou íntimos conselhos de familiares, ou o «diz-que-diz-que» dos amigos. Assim era, naquele tempo.
- Cimeira do Alvor no Jornal 
de Angola Ver AQUI

sábado, 11 de janeiro de 2020

4 935 - O segundo dia da Cimeira do Alvor, os Cavaleiros do Norte no Uíge!

Quitexe, a 24 de Setembro de 2019. A casa onde se «aquartelou» a maior parte dos furriéis  milicianos
da CCS dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423. Do lado esquerdo, vê-se a esquina da casa que foi
depósito de géneros e Messe de Oficiais
Grupo de Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423, a de
 Santa Isabel, em momento de ócio. O 1º. cabo  Fernando 
Martins Simões (falecido a 17/08/1998,  por enforcamento, 
em Penacova) é o segundo, de pé. Quem ajuda 
a identificar os restantes?
Almeida Santos, Rosa Cou-
tinho e Costa Gomes na Ci-
 meira do Alvor, há 45 anos

Aos 12 de Janeiro de 1975, há 45 anos, um sábado como hoje e segundo dia da Cimeira do Alvor, um comunicado oficial dava conta de «progressos substanciais».
A nota divulgada pelos jornais e por estes chegada ao Uíge angolano, por onde jornadeavam os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, dava conta que, na Cimeira, se tinha «atingido acordo em relação a vários pontos fundamentais, nomeadamente no que se refere ao estabelecimento das estruturas governamentais de Angola».
O então general Francisco Costa Gomes, o Presidente da República Portuguesa, confirmou, em declarações à imprensa, que «a independência ocorrerá este ano» e indicou mesmo uma data possível, ainda que sem quaisquer certezaa: 11 de Novembro de 1975. Data que se viria a confirmar.
O ministro António Almeida Santos, da Coordenação Inter-Territorial, por sua vez e a meio da tarde, falara em «três ou quatro pontos quentes» da Cimeira, nomeadamente os problemas da Constituição Angolana, chefia do Governo Provisório e organização das Forças Armadas, com combatentes dos três movimentos de libertação - que, do ponto de vista português, teriam colaboração e comando... português. 
Furriéis Rodrigues (falecido a 30/08/2018)
 e Pinto, dois Cavaleiros do Norte de
Zalala, em pose artística

Portugal e movimentos
com posições diferentes

Um dos pontos que vinha a diferenciar as posições portuguesa e do MPLA, da FNLA e da UNITA era precisamente as permanência das forças armadas portuguesas em território angolano. Defendiam os movimentos angolanos que deveriam sair 4 meses antes da independência, contra a posição portuguesa: a de permanecerem até ao dia da independência.
Outro ponto que afastava as posições era «o da formação do governo»: pretendiam os movimentos 5 pastas ministeriais para cada um e duas para Portugal. Queria a delegação portuguesa que os movimentos se ficassem por quatro, cada um. 
As guarnições portuguesas dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, ao tempo, embora muito expectantes quanto ao desenrolar da Cimeira, continuavam o se dia-a-dia: serviços de ordem escoltas e patrulhamentos nas estradas de alcatrão. E muita expectativa sobre o desenvolvimento da cimeira. 
«O que é que irá dar?...», era a interrogação corrente. 
Alberto Pimenta, o
Barbas de Zalala

Pimenta, o Barbas de
Zalala, Missa do 7º. Dia !

A missa sufrágio, a de 7º. dia, pela morte de Alberto Abel Alves Pimenta, o Barbas de Zalala, está marcada para as 19 horas de segunda-feira, dia 13 de Janeiro de 2020.
Atirador de Cavalaria, da 1ª. CCAV. 8423, a da Fazenda de Zalala, faleceu aos 67 anos e a 7 de Janeiro de 2020, vítima de doença e depois de internamentos nos Hospitais da Póvoa de Varzim e Vila do Conde. Deixou viuva Adelaide Veloso Coutos e os fillhos Alberto Carlos, Jacinto Filipe e Hélder Bruno do Couto Pimenta. 
A cerimónia religiosa vai realizar-se na Igreja Matriz de Amorim. RIP!!!


Morais, cortador da CCS,
faria 68 anos em Chaves|

O soldado cortador Morais, da CCS do BCAV. 8423, a do Quitexe, faria 68 anos a 12 de Fevereiro de 2019. Faleceu, em data desconhecida, mas há mais de 20 anos!
Carlos Alberto Morais da Silva, é este o nome completo, nasceu em Sanfins da Castanheira, freguesia do município de Chaves, e lá regressou a 8 de Setembro de 1975,  no final da sua comissão militar em Angola. 
O pouco que sabemos dele, via Junta de Freguesia de Sanfins da Castanheira, é que trabalhou na construção civil, teve 3 filhos (ausentes em França) e que faleceu na sequência de uma reacção alérgica a um medicamento injectável.
Hoje o recordamos com saudade! RIP!!!

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

4 934 - O primeiro dia da Cimeira do Alvor, entre movimentos e Portugal!

A Cimeira do Alvor, iniciada a 10 de Janeiro de 1975, há 45 anos. Da esquerda para a direita, os ministros
Almeida Santos e Mário Soares, os presidentes Jonas Savimbi (da UNITA) e Holden Roberto (FNLA),
Costa Gomes (Presidente da República de Portugal), Agostinho Neto (presidente do MPLA) e Rosa
 Coutinho (Alto Comissão de Portugal em Angola)
A primeira página do jornal «A Província de Angola»,
actual «Jornal de Angola», de 11 de Janeiro de 1975 e
sobre a Cimeira do Alvor

A Cimeira do Alvor, no algarvio Hotel Penina, começou há precisamente 45 anos, rodeada de expectativas. por cá e por lá, pelas uíjanas terras de Angola, por onde jornadeavam os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423.
«A Cimeira de Penina, que iria definir os termos da negociação de independência de Angola, polarizou todas as atenções, já que previamente, na de Mombaça, parecia, pela primeira vez, ter-se conseguido uma comunhão de interesses de todos os movimentos». É assim que o Livro da Unidade se refere à Cimeira do Alvor.
Luanda, a metropolitana capital de Angola, recebia mensagens do MPLA e da UNITA, ambas distribuídas sobre a cidade por um avião da Força Aérea Portuguesa (FAP).
O jardim do Quitexe, com a Administração
 ao fundo. Imagem de 24 de Setembro de 2019

Mensagens de MPLA,
FNLA e UNITA 

O Movimento de Agostinho Neto referia que «após dezenas de anos de luta heróica, todo o povo angolano, vive com  fervor o momento em que se desenha cada vez mais nítido o destino que é nosso, com alegria, a caminho de Portugal, a delegação do MPLA saúda tido o povo e reafirma sua confiança inabalável da vitória certa". A mensagem era assinada por Agostinho Neto.
A da UNITA: «A delegação da UNITA, dirigida pelo seu presidente dr. Jonas Savimbi, saúda todos os compatriotas e pede o o apoio maciço à sua missão histórica para a formação do Governo de Transição e a independência total de Angola. Neste momento, recomendamos uma vigilância total para que os objectivos fundamentais da nossa luta sejam plenamente atingidos». A mensagem  terminava com o grito «Wacha Angola. Unidos venceremos».
A FNLA, na mesma data, recebia apoio da Tunísia, em cuja capital o Presidente Holden Roberto foi recebido pelo Presidente Bourguiba, na passagem a caminho de Faro. Analisaram «a situação de Angola e as próximas negociações com Portugal», a formação de quadros (...) para dirigir o país como convém».
O Quitexe desse tempo de há 45 anos, muito expectante longe destas emoções, continuava a sua jornada, com fartas futeboladas pelo meio. Ora entre pelotões, ora entre companhias, ora com a população civil. Há 45 anos!!! 
Fernando Grácio e o furriel
Viegas, em 2013 (Amor)
F.  Grácio
em 1974/75

Grácio, 1º cabo sapador.
66 anos em Amor de Leiria!

O 1º. cabo Grácio, sapador de CCS do BCAV. 8423, festeja 66 anos a 11 de Janeiro de 2020.
Fernando Martinho Grácio -é este o seu nome completo - era o «caçula» dos Cavaleiros do Norte do Quitexe, então com mimosos 20 anos, e acumulou funções de sapador do pelotão do alferes Jaime Ribeiro com as de quarteleiro do depósito de géneros. E de guarda-redes de futebol.
Regressou a Portugal no dia 8 de Setembro de 1975 e fixou-se na sua natal terra de Amor, em Leiria, onde ainda vive entre os seus trabalhos de construção civil e agricultura.
Para lá, e para ele, vai o nosso abraço de parabéns!

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

4 933 - A Comissão da MFA dos Cavaleiros do Norte! A cimeira angolana!

Avenida do Quitexe, na direcção de Camabatela e a 24 de Setembro de 2019. À esquerda, parte do que
resta do edifício do Comando, notando-se uma corda de roupa a seca. à direita, de vermelho, está
o condutor Nogueira da CCAÇ. 209/RI 29, a da Fazenda do Liberato . Quanto ao alcatrão, é como se vê...
O BC 12, que foi aquartelamento dos Cavaleiros do Norte
do BCAV. 8423 é agora Quartel General (QG) da Zona

Militar Norte (ZMN) das Forças Armadas de Angola



O comandante Almeida e Brito reuniu,  a 9 de Janeiro de 1975, com os Cavaleiros do Norte eleitos para a Comissão do MFA / Angola.
O objectivo era «obter da sua actividade o melhor rendimento» e já dois dias antes (a 7) estivera com os comissários em uma outra reunião no Comando do Sector do Uíge (CSU), em Carmona.
O dia, uma quinta-feira, era véspera da cimeira entre os três movimentos de libertação de Angola e o Governo Português. Seria no Alvor, no Hotel Penina - entretanto esvaziado de todos os clientes lá instalados, mudados para outras unidades hoteleiras.
Ao Alvor, ainda não tinham chegado qualquer dos líderes dos três movimentos, mas sabia-se que a cimeira seria inaugurada pelo Presidente da República, General Costa Gomes, e que a delegação portuguesa, anunciava o Diário de Lisboa, seria chefiada pelo major Melo Antunes, ministro sem pasta - com os ministros Mário Soares (Negócios Estrangeiros) e Almeida Santos (Coordenação Inter-Territorial), para além do almirante Rosa Coutinho (Alto Comissário) e o Secretário de Estado da Administração Interna de Angola (o coronel Gonçalves Ribeiro).
Notícia do Diário de Lisboa de 9 de Janeiro
 de 1975, sobre a cimeira angolana

Portugal a receber
a cimeira angolana

A 9 de Janeiro de 1975, ainda nenhum dos três líderes emancipalistas tinha chegado a Portugal e eram esperados em Faro. 
O Estado Português tinha destacado três diplomatas para receber os presidentes dos três movimentos: Miguel Sanches Baena seria o anfitrião da UNITA, Silveira Carvalho da FNLA e António Valente do MPLA. Assegurariam, enquanto elementos do protocolo de Estado, «os contactos com cada uma das delegações».
As entradas no Hotel Penina (onde, por coincidência, trabalhava, ao tempo, a namorada e futura mulher do Cabrita, soldado da CCS dos Cavaleiros do Norte), estavam «rigorosamente condicionadas a cartões timbrados pelo Estado Maior General das Forças Armadas»
As vias de acesso ao aeroporto de Faro tinham segurança garantida das Forças Armadas (Infantaria 4, de Faro), PSP e GNR. A PSP, comandada pelo chefe de Esquadra Viegas, guardava o aeroporto. Há 45 anos!
Os furriéis milicianos Luís
Capitão e João Cardoso

Furriel Luís Capitão
faria hoje 68 anos!

O furriel miliciano Luís Ribeiro Capitão, da 3ª. CCAV. 8423, faria hoje 68 anos. Faleceu a 5 de Janeiro de 2010, há 10 anos!
Cavaleiro do Norte com a especialidade de atirador de Cavalaria, da Fazenda Santa Isabel, regressou a Portugal no doa 11 de Setembro de 1975 e fixou-se na sua natal terra da Mata Norte, em Caxarias, freguesia de Urqueira, em (Vila Nova de) Ourém, onde nasceu a 9 de Janeiro de 1952.
Profissionalemte, foi maquinista da CP e faleceu de doença e hoje aqui o recordamos, com saudade. Foi um bom compahheiro da jornada africana do Uíge angolano. RIP!!