CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

quinta-feira, 9 de abril de 2020

5 021- Cavaleiros do Norte, 11 anos: um blogue de memórias do BCAV. 8423!!!


O blogue «Cavaleiros do Norte» nasceu há precisamente 11 anos: dia 9 de Abril de 2009. Desde então,
 e diariamente, aqui tendo vindo a ser cotadas histórias, estórias e memórias da jornada africana dos
combatentes do BCAV. 842 por terras do Uíge angolano

O encontro da CCS em 2009 esteve na origem
fundadora do blogue Cavaleiros do Norte
do BCAV. 8423
Cavaleiros do Norte: 11 anos

diários de memórias do 
BCAV. 8423

O blogue
«Cavaleiros do Norte | Quitexe», do BCAV. 8423,  nasceu a 9 de Abril de 2009. Hoje se fazem 11 anos, entrando no 12º. ano de edição diária!! Sem intervalo(s)!!!
O blogue foi criado para promover 
O primeiro posta do blogue
Cavaleiros do Norte / Quitexe
o encontro da CCS desse ano mas principalmente para «falar de um tempo memorável das nossas vidas», com depoimentos, histórias e memórias de muitos dos que, como nós, participaram na saudosa - e épica!!!..., e mágica!!!... - jornada africana do Uíge angolano. Integrando o Batalhão de Cavalaria 8423.
Faltando muitos desses momentos, porém muitos aqui ficaram registados, reflectindo emoções e memórias de vida! Mais epopeicos, uns; outros mais trágicos e até dramáticos, mas, todos eles, levedaram as pessoas que todos os Cavaleiros do Norte hoje são, quase 45 anos depois do regresso ao chão das nossas terras e ao afecto de familiares e amigos, mas sempre com a saudade de Angola.
A primeira das 6 paginas da reportagem
 sobre a viagem a Angola 
do blogue
Cavaleiros do Norte publicada no
suplemento «BI» do jornal «Sol»

Redescobrindo Angola,
44 anos depois...

Momento alto do blogue foi a viagem a Angola, entre 22 de Setembro e 10 de Outubro de 2019, quando visitámos as terras e reachámos  gentes da nossa memorável jornada africana, que nos levou a terras do Uíge angolano, redescobrindo, 44 anos depois, os chãos que, por 15 meses, foram território da nossa missão militar, num tempo em que se construía um novo país!
O jornal «Sol», semanário nacional de Lisboa, publicou na edição de 1 de Fevereiro de 2020 e no suplemento «B.I.», uma reportagem de 6 páginas sobre a viagem do furriel Viegas a Angola e aos chãos e gentes das terras dos Cavaleiros do Norte, as da nossa jornada africana do Uíge: Qutexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Vista Alegre e Ponte do Dange Santa Isabel, Songo e Carmona - a actual cidade do Uíge.
Os 18 dias de Angola fora de farta emoção, reencontrando um tempo imemorável das nossas vidas, comuns e históricas, que é saudade e que foi, apesar das imensas e repetidas dificuldades e perigos então vividas, um tempo construtor. O de um país novo, a irmã Angola.


João Inácio
na actualidade
João Inácio em 1975

Inácio de Aldeia Viçosa, 
68 anos em Pegões !

O soldado João Francisco da Silva Inácio, da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, festeja 68 anos a 9 de Abril de 2020.
Atirador de Cavalaria de especialidade militar, integrou os Cavaleiros do Norte do capitão miliciano José Manuel Cruz e regressou a Portugal no dia 10 de Setembro de 1975, à sua terra natal de Cortes do Meio, freguesia do município da    Covilhã. Mora agora em Pegões, no município do Montijo,  para onde vai o nosso abraço de parabéns!

quarta-feira, 8 de abril de 2020

5 020 - Os incidentes de Luanda e Salazar de ressaca até Carmona!

Cavaleiros do Norte de Zalala, todos milicianos: furriéis José Louro, Américo Rodrigues (falecido a 30 de
Agosto de 2018), José Nascimento, Jorge António Eanes Barata (que hoje faria 68 anos mas faleceu em
1997, de  doença e em Alcains) e Jorge Barreto e os alferes Mário Jorge Simões e Lains dos Santos
A Estrada do Café, à saída de Carmona para Quitexe.
Há 45 anos, era «palco» de muitos patrulhamentos dos
Cavaleiros do Norte do bcav. 8423

Os patrulhamentos mistos pelas terras uíjanas do norte angolano continuaram a 8 de Abril de 1975, há 45 anos, mas cada vez mais azedados pelo mau relacionamento entre os militares da FNLA e do MPLA. Nomeadamente quando eram nocturnos, mas sempre com inquestionada autoridade das forças portuguesas.
Os Cavaleiros do Norte, chegados a Carmona no dia 2 de Março - pouco mais de um mês antes... - mas já bem melhor adaptados às novas exigências operacionais - as urbanas... -  tiveram paciência de Job e coragem (que foi precisa, precisa muitas vezes..., repetidas vezes e vezes delicadas...), para controlar a animosidade que levedava entre os homens (armados, não esqueçamos...) dos dois movimentos - que, como nós, sabiam dos graves incidentes que, em Luanda, tinham provocado mais de 200 mortos e um número incontável de feridos nos combates entre FNLA e MPLA.
E não só em Luanda.
«Os incidentes de Luanda e Salazar vieram de ressaca até Carmona», reporta o livro «História da Unidade», dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, fazendo memória desses delicados tempos da história angolana, no período de imediatamente antes da independência.
Ressaca que, directamente, os Cavaleiros do Norte sentiam na pele e na alma, tendo de diariamente lidar com homens de tendências ideológicas e preparação militar diferentes, mas que tinham o mesmo objectivo: a independência de Angola. E um outro, bem grave e delicado: anular o movimento rival, nem que fosse pela força das armas. Lia-se isso nos seus olhos e adivinhava-se-lhes a vontade de fazer sangue.
Notícia do Diário de Lisboa
de 8 de Abril de 1975

Avião sul-africano
alvejado em Luanda

A paz fictícia que ao tempo se vivia por terras de Angola desencadeou reacções por todo o mundo - e não só entre os dirigentes e países da OUA ou da ONU.
Os Estados Maiores das Forças Armadas dos três movimentos de libertação reuniram-se em Luanda, nessa manhã de 8 de Abril de há 42 anos, no palácio do Governador, com o objectivo de «analisarem questões militares, nomeadamente as que se referem à constituição das forças integradas», que seria, assim se pensava e acreditava, «o embrião do futuro Exército de Angola».
Assim se pensava e até «já se encontra(va) decidido o futuro orçamento». As Forças Militares Mistas que operavam em Carmona (e outros pontos do território) seriam, mas não foram, a base desse Exército Nacional Angolano.
Os furriéis Cruz e Viegas andavam de férias por Luanda, indiferentes e sem saber destas evoluções, e só a 8 de Abril de 1975 souberam que, na véspera e à noite, se registou mais um tiroteio no Bairro Popular, à estrada de Catete.
Alguns tiros atingiram um Boeing 747, avião da companhia aérea sul-africana que fazia a carreira Joanesburgo-Londres, com escala em Salisbúria e Luanda. O avião aterrou normalmente, com «orifícios abertos na fuselagem, que deram origem a uma despressurização na cabine», mas não tendo atingido nenhum dos 287 passageiros. Após visita técnica, regressou a Joanesburgo e foi substituído por outro Boeing 747 na viagem para Londres.
O Jorge Barata futebolista, defesa central. É o
quinto de pé e da esquerda para a direita

Furriel Barata faria 68 anos,
mas faleceu em 1997

O furriel miliciano Jorge António Eanes Barata faria hoje 68 anos. Faleceu a 11 de Outubro de 1997, vítima de doença súbita.
Atirador de Cavalaria de especialidade militar,  integrou a 1ª. CCAV. 8423, a da fazenda de Zalala, depois Vista Alegre e
Jorge Barata
Ponte do Dange, Songo e Carmona, e regressou a Portugal e a Alcains a 9 de Setembro desse ano. 
Contabilista de profissão, foi, também futebolista do Desportivo de Castelo Branco (um excelente defesa-central) e do Alcains, no clube da sua terra natal e como A10 de Outubro de 1997, já noite fora e depois do treino de futebol, jantou, sentiu-se mal, seguiu de ambulância para o hospital e faleceu no dia seguinte, às 7 horas da manhã. Deixou viúva Graciosa Dias e dois filhos, o Vitor (então com 17 anos) e a Eduarda (com 12). Hoje o recordamos com saudade, RIP!!!

António Lucas e esposa no encontro de 2016

António Lucas de Zalala, 68
anos em Castanheira do Ribatejo !

O soldado mecânico-auto António Filipe Louro Lucas foi Cavaleiro do Norte da 1ª. CCAV. 8423, a da Fazenda de Zalala, e hoje festeja 68 anos em Castanheira do Ribatejo.
Regressou a Portugal a 9 de Setembro de 1975, ao mseu natal lugar das Cardosas, freguesia do município de Arruda dos Vinhos, onde então residia. Mora agora em Castanheira do Ribatejo, freguesia do concelho de Vila Franca de Xira, para onde vai o nosso abraço de parabéns!

terça-feira, 7 de abril de 2020

5 019 - Patrulhamentos no Uíge, acessos e Estrada do Café. Incidentes em Luanda!


ll
Forças Militares Mistas de Carmona, na parada do BC12 e a prepararem-se para mais um patrulhamento
 urbano na cidade uíjana do norte de Angola nas principais vias de acesso - para o Songo, para o Negage e

para Quitexe, Aldeia Viçosa, Vista Alegre, Ponte do Dange, para a capital Luanda! 
A Polícia Nacional de Angola (PNA), em Carmona, está
 instalada no edifício que era de José Dias Craveiro, da
 Fazenda Luísa Maria. Fica na rotunda que dá
para o Negage e o Quitexe

O dia 7 de Abril de 1975, já lá vão 45 anos..., pelas bandas da uíjana cidade de Carmona, foi tempo para mais patrulhamentos das Forças Militares Mistas - as FMM. Assim se procurava manter a segurança de pessoas e bens.
Os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, sem medos ou quaisquer recuos, noite e dia e embora com «muito sacrifício» da 
O Diamante Negro, local do culto nocturno
de Carmona. O reclamo ainda é o mesmo.
Imagem de 25/09/2020
sua limitada guarnição, pretendiam, assim e como convinha e interessava à estabilidade e segurança da comunidade civil, «não limitar a sua acção aos centros urbanos»
Os militares portugueses do BCAV. 8423 eram, de resto, muito frequentemente reclamados para escoltar viagens civis, nomeadamente para transporte de bens e reabastecimentos, para escoamento de mercadorias da produção cafeícola local e deslocações a fazendas mais remotas.
A Estrada do Café, para Luanda, era um dos «pousos» habituais da patrulhas - por vezes até ao Piri, a Quibaxe, a Úcua..., passando pelo Quitexe, Aldeia Viçosa, Vista Alegre e Ponte do Dange, localidades dos Cavaleiros do Norte.  Nalguns casos, porém, eram formadas exclusivamente por militares portugueses e nelas se repetindo incidentes, nomeadamente com camionistas europeus de longo curso, alguns deles muito pouco receptivos às regras de segurança que lhes eram sugeridas.
Os furriéis milicianos Viegas e
José Pires (TRMS) com um
combatente da FNLA

Incidentes em Luanda,
mas «pouco numerosos»

O domingo de véspera desse dia 7 de Abril de há 45 anos e em Luanda «registaram-se novos incidentes, embora pouco numerosos»
Incidentes na verdade de pouco vulto, de tal modo que, por lá laureando o queijo nos seus primeiros dias de férias militares, dois Cavaleiros do Norte da CCS do BCAV. 8423 - os furriéis milicianos Cruz e Viegas - por nada deram. Isto, muito embora o ambiente fosse «ainda de tensão o ambiente na capital» angolana.
Outra notícia do dia tinha a ver com a demissão do ministro Lopo do Nascimento, representante do MPLA no Colégio Presidencial angolano e noticiada no sábado anterior pelo jornal «O Comércio», de Luanda. Não se confirma(va). Viria a ser, depois da independência, 1º. ministro de Angola, de 11 de Novembro de 1975 a 9 de Dezembro de 1978.


A Fazenda Santa Isabel
Santos de Santa Isabel, 67
anos no Laranjeiro de Almada!

O soldado Carlos Alberto de Jesus Fernandes dos Santos, da 3ª. CCAV. 8423, festeja 68 anos a 7 de Abril de 2020.
Atirador de Cavalaria de especialidade, foi Cavaleiro do Norte da Fazenda Santa Isabel, depois do Quitexe e de Carmona. Regressou a Portugal no dia 11 de Setembro de 1975 e fixou-se em Fernão Ferro, da freguesia e município do Seixal, do outro lado lisboeta do Tejo. 
Mora actualmente na Rua do Eucalipto, no Laranjeiro, município de Almada, para onde vai o nosso abraço de parabéns!


segunda-feira, 6 de abril de 2020

5 018 - Comandante em Vista Alegre! Interferências dos movimentos emancipalistas!

O aeroporto de Carmona, a actual cidade do Uíge. A estrutura físca exterior mantém-se (quase) igual à do
 tempo colonial. Mudou de nome: é agora o Aeroporto Manuel Quarta Punza, um dos heróis angolanos.
Foi remodelado em 2014, pela Tecnovia, e passou a poder receber aviões tipo Boeing 737-700 W
Capela de Nossa Senhora de Fátima, no Bairro Montanha
Pinto perto da messe de sargentos da CCS do BCAV 8423



O dia 6 de Abril de 1975, um domingo, foi tempo de o comandante Almeida e Brito se deslocar a Vista Alegre, onde jornadeava a 1ª. CCAV. 8423, a do capitão miliciano Davide Castro Dias - que para lá tinha rodado da Fazenda de Zalala.
O mês estava projectado, de acordo com o livro «História da Unidade, para ser de «adaptação às novas funções, assim como de reconhecimento da zona da acção que nos fora atribuída». E era o que o BCAV. 8423 estava a fazer, serenamente e desapaixonadamente, muito embora aqui e ali com «interferências dos movimentos emancipalistas», que a todo o custo queriam marcar os seus terrenos de influência e muitas vezes provocavam incidentes, a que os Cavaleiros do Norte tinha de acudir - felizmente, sempre os conseguindo resolver.
O tenente-coronel Carlos Almeida e Brito fez-se acompanhar dos capitães José Diogo Themudo e José Paulo Falcão, respectivamente 2º. comandante e oficial adjunto do BCAV. 8423, e foram recebidos pelo capitão miliciano Davide Castro Dias, que comandava os Cavaleiros do Norte de Zalala - e agora de Vista Alegre e Ponte Dange, mas numa altura em que se expectava uma sua nova rotação. Seria, e foi, para o Songo. E mais tarde para a ZMN, na cidade de Carmona. 
António  Rebelo

Rebelo, furriel de A. Viçosa,
68 anos em Guimarães !

O furriel miliciano António Augusto Faria Novais Rebelo, especialista de transmissões da 2ª. CCAV. 8423, a de 
Aldeia Viçosa, festeja 68 anos a 6 de Abril de 2020.
Natural de Guimarães, lá voltou no final da sua jornada angolana, a 10 de Setembro de 1975, e por lá fez vida profissional, como funcionário da Câmara Municipal vimaranense, na qual foi tesoureiro durante muitos anos.
Já aposentado, lá continua a viver e para lá «transmitimos» o nosso abraço de parabéns!
Jaime Rego

Rego, 1º. cabo de Zalala, 
faleceu há 20 anos !

O 1º. cabo Jaime de Jesus Rego, da 1ª. CCAV. 8423, faleceu há 20 anos, a 6 de Abril de 2000.
Condutor auto-rodas dos Cavaleiro do Norte da mítica Fazenda de Zalala, depois de Vista Alegre/Ponte do Dange, Songo e Carmona, regressou a Portugal no dia 9 de Setembro de 1975, fixando-se no Casal de Laranjeira, no município do Cartaxo - onde terá falecido, naquela data e aos 48 anos. Hoje o recordamos com muita saudade. RIP!!!
Virgílio Antunes


Frade de Aldeia Viçosa,
68 anos em Oleiros !

O 1º. cabo Virgílio Frades Antunes, da 2ª. CCAV. 8423, festeja 68 anos a 6 de Abril de 2020.
Atirador de Cavalaria, este Cavaleiro do Norte de Aldeia Viçosa (e depois de Carmona) regressou a Portugal a 10 de Setembro de 1975, fixando-se no Sítio das Canicas, da freguesia de Cambas, no município de Oleiros, de onde é natural e onde então residia.
Emigrou para França e por lá fez vida profissional durante muitos anos. Em 2017,  surpreendeu os seus antigos companheiros, precisamente no encontro de Oleiros. Abraço de parabéns para ele!
Fazenda Santa Isabel

Coelho de Santa Isabel, 
68 anos no Bombarral !

O soldado cozinheiro Coelho, da 3ª. CCAV. 8423, festeja 68 anos a 6 de Abril de 2019.
Manuel da Silva Coelho, de seu nome completo, serviu os Cavaleiros do Norte de Santa Isabel - e depois do Quitexe e de Carmona - e voltou a Portugal no dia 11 de Setembro de 1975, à freguesia de Vermelha, no município do Cadaval, onde morava. A vida deu as suas «voltas» e o Coelho vive agora no Bairro do Calvo, no vizinho Bombarral, para onde vai o nosso abraço de parabéns!

domingo, 5 de abril de 2020

5 017 - Presidentes africanos a conversar sobre o problema de Angola!

Carmona, a actual cidade do Uíge, no dia 25 de Setembro de 2019: a rua que, frente ao Pinguim, na Rua
 do Comércio, vai para o largo do Cinema Moreno e da Rádio Clube do Uíge

Carmona, a 25 de Setembro de 2019:
prédios por acabar de construir, no
dentro da cidade e desde o tempo
colonial. Há 45 anos!
 Pinto, Soares e Barbeiro,
Cavaleiros do Norte da 2ª.
CCAV., a de Aldeia Viçosa

Sábado, dia 5 de Abril de 1975. 
Os presidentes do Zaire (Mobutu Sese Seko), da Tanzânia (Julius Nieyrere) e Keneth Kaunda (Zâmbia) tinham reunião marcada para, entre eles, observar os apoios que cada qual dava aos três movimentos de libertação de Angola, procurando «chegar a acordo quanto ao apoio a conceder ao movimento que ganhe as eleições  de Outubro, antes da independência», fosse ele qual fosse.
O MPLA de Agostinho Neto tinha «forte apoio» da Zâmbia e da Tanzânia e a FNLA de Holden Roberto «principalmente do Zaire». A UNITA, por sua vez, tinha pouco tempo antes sido reconhecida (pela OUA) como movimento de libertação e o presidente Jonas Malheiro Savimbi «avistou-se com os presidente Nyerere e Kaunda, durante as duas últimas semanas, afim de procurar apoio para o seu movimento».
Angola, nesse sábado de há 45 anos, expectava sobre os resultados da cimeira dos três presidentes africanos, que também iam analisar «as desavenças entre os movimentos de libertação, que ameaçam transformar o processo de descolonização numa guerra civil».
O furriel Viegas, à esquerda, de férias em
Luanda e com o civil Albano Resende

As férias luandinas de dois

furriéis Cavaleiros do Norte

O mesmo dia de há 45 anos continuava a ser de férias luandinas dos furriéis Cruz e Viegas, ambos da CCS, com almoço marcado para a ilha, com um amigo civil, o Albano Resende. 
«Ao meio dia apanho-nos na Portugália», tínhamos dito ele. 
Assim foi, seguindo os três para a ilha, onde matámos a fome do meio dia com camarões de entrada e uns bons bifes, regados com vinho verde Aveleda. Ou 3 Marias, já não sei. Mas fresquinho, a borbulhar nas gargantas, secas pelo calor de Angola.
Notícia do dia, na imprensa diária de Luanda - e «coisa», de resto, que já nós bem conhecíamos de Carmona - era a da ocupação, pela FNLA, da «maioria dos antigos campos militares portugueses do norte de Angola».
O de N´Kiende, por exemplo, muito perto da fronteira com o Zaire (de Mobutu) e de S. Salvador do Congo, «converteu-se num importante centro de treino para os recrutas da FNLA» e onde, sublinhava a imprensa, «2000 soldados recebem instrução militar de base durante três meses e um treino especial de «comandos« de 60 dias».
Padre José S. Pires
O capelão José Sanches Pires,
no Quitexe. À direita, José Oli-
vira (César), do BCAV.1967

Capelão José Pires, 83
anos em Castelo Branco!

O padre José Sanches Pires foi capelão militar no Quitexe, com a patente de alferes, e festeja 83 anos a 5 de Abril de 2020.
Natural de Fóios, no Sabugal, onde nasceu a 5 de Abril de 1937, integrava o BCAV. 1917, que pelo Uíge jornadeou entre 1967 e 1969.
Frequentou o Seminário Menor Redentorista de Cristo Rei, em Vila Nova de Gaia, durante 6 anos, e, em 1955, partiu para a Espanha, onde fez o noviciado e concluiu o Seminário Maior. Foi ordenado sacerdote em Valladolid, no dia 9 de Setembro de 1962. Um ano depois, regressou a Portugal e integrou-se nas Comunidades Redentoristas de Guimarães e Porto. Fez a comissão de capelania militar em Angola e, depois, a sua vida sacerdotal foi dedicada (como Missionário Redentorista), à evangelização itinerante em diversas Dioceses de Portugal.
Reside em Castelo Branco há 51 anos e ali fundou, em 1979, o Centro Social dos Padres Redentoristas. Para lá vai o nosso abraço de parabéns.

Casal da Fonseca, Caçador
da 3879, 70 anos em Leiria
A. Casal em
versão 2020

Casal da Fonseca, Caçador 
da 3879, 70 anos em Leiria !

O 1º. cabo Casal, rádio-telegrafista da CCS do BCAÇ. 3879, um dos Batalhões que antecederam os Cavaleiros do Norte no Quitexe, festeja hoje 70 anos. Hoje, dia 5 de Abril de 2020!
António Casal da Fonseca, dele se trata, teve um irmão anteriormente em Zalala (alferes miliciano) e é tio do cantor David Fonseca. De quando em vez colabora com o blogue dos Cavaleiros do Norte, é aposentado da banca e ligado à cultura coral na sua natal terra de Marrazes, em Leiria, para onde vai o nosso abraço de parabéns!
- «Os amigos para sempre que se fizeram no Quitexe» - crónica de Casal da Fonseca. Ver AQUI
Justino Azevedo

Azevedo de Zalala, 68
anos em Vila do Conde!

O soldado Justino da Silva Azevedo, Cavaleiro do Norte da 1ª. CCAV. 8423, festeja 68 anos a 5 de Abril de 2020.
Mecânico-auto de especialidade, jornadeou pela Fazenda de Zalala, Vista Alegre/Ponte do Dange, Songo e Carmona, regressando a Portugal no dia 9 de Setembro de 1975, fixando-se em Farilhe, freguesia de Canidelo, em Vila do Conde.
É lá que é proprietário e gerente de uma oficina de reparação de automóveis e é para lá e para ele que vai o nosso abraço de parabéns!

sábado, 4 de abril de 2020

5 016 - Uíge com «um e outro incidentes». ONU preocupada com Angola!

O edifício do Comando da Zona Militar Norte (ZMN) das Forças Armadas Portuguesas,
 em Carmona, é agora a sede da Justiça Militar angolana do Uíge
O restaurante Escape, na Rua do Comércio, que foi local
de culto gastronómico de Carmona pelo anos 1974/75.
Está fechado, imagem de 25/09/2019


A cidade de Carmona e a província do Uíge viviam, há 45 anos, a «calma fictícia» de que fala Almeida e Brito no livro «História da Unidade», com «um e outro incidentes», que a tropa portuguesa ia resolvendo, com  maior ou menor dificuldades.
Os Cavaleiros do Norte, limitados à CCS e parte da 2ª. CCAV. do BCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, iam resolvendo essas situações, sempre impondo a autoridade algumas vezes, muitas vezes, questionada pelos movimentos de libertação e, também, por parte de parte da comunidade civil.
Ao tempo, procurando marcar terreno, frequentemente as forças da FNLA e do MPLA se enfrentavam em pequenos incidentes, de alguma maneira replicando os de Luanda e que cada vez mais se aproximavam da zona de acção dos Cavaleiros do Norte - a Quibaxe e Úcua, a Salazar (actual N´Dalatando). Carmona e o Uíge eram, praticamente e nestes primeiros dias de Abril de 1975, a única zona angolana onde se mantinha a total soberania militar portuguesa. 
As Forças Militares Mistas (FMM) faziam patrulhamentos na cidade e vias de acesso, noite e dia, comandadas por quadros portugueses e incluindo militares dos Cavaleiros do Norte e dos movimentos de libertação. O que não era nada fácil, devido às crescentes animosidades e desconfianças entre as forças angolanas e destas para com os militares portugueses do BCAV. 8423.

Segurança em Angola
preocupa(va) a ONU

A situação em Angola, há 45 anos, continuava delicada e motivou, a 4 de Abril de 1975, uma inesperada visita a Lisboa do embaixador Asdulrasim Farah.
Era enviado especial de Kurt Waldheim (então secretário geral da ONU) - que, nessa qualidade, iria participar, no dia 7, na Conferência da Organização da Unidade Africana (OUA), marcada para Dar-es-Salam, capital da Tanzânia.
«A segurança em Angola preocupa muito o secretariado da ONU», disse Asdulrasim Farah, frisando «esperar veementemente que os três movimentos de libertação se irmanem num espírito de cooperação para que a descolonização de Angola decorra da melhor maneira».
António Lopes,
furriel enfermeiro

Lopes, furriel da CCS, 69
anos em Vendas Novas  !

O furriel miliciano António Maria Verdelho da Silva Lopes, da CCS do BCAV. 8423, festeja 69 anos a 5 de Abril de 2020.
Enfermeiro de especialidade militar, foi um grande e bom companheiro da jornada africana do Uíge angolano, regressando a Portugal e a Vendas Novas no dia 8 de Setembro de 1975.
Aposentado da função pública, trabalhou na Autoridade Tributária (tesoureiro de Finanças), lá continua a morar e para lá vão os nossos parabéns!  

Virgílio, o clarim
de Santa Isabel

O clarim Virgílio dos Santos Mateus, da 3ª. CCAV. 8423, a dos Cavaleiros do Norte da uíjana Fazenda de Santa Isabel, festejou 23 anos a 5 de Abril de 1975.
Ao tempo aquartelado na vila do Quitexe, regressou a Portugal no dia 11 de Setembro de 1975, fixando-se em Santo da Casa, no concelho do Fundão. Vive(rá), agora no Casal da Senhora da Saúde, onde amanhã comemora(rá) 68 anos. Parabéns!

sexta-feira, 3 de abril de 2020

5 015 - O Comando do BCAV. 8423, os 200 mortos de Luanda!


O furriel Viegas em frente à messe de sargentos, anteriormente de oficiais, do Bairro Montanha Pinto,
em Carmona, actual cidade do Uíge, capital da mesma província de Angola, a 25 de Novembro de 2019
A Estrada do Café, entre o sauddo Quitexe e a cidade
de Carmona, a 24 de Setembro de 2019: «transportes
 colectivos», diríamos nós...
Almeida e Brito
comandante do
BCAV. 8423


A quarta-feira de 3 de Abril de 1975, há 45 anos, foi tempo de o tenente-coronel Carlos José Saraiva de Lima Almeida e Brito, oficial de Cavalaria, reassumir o comando do BCAV. 8423, depois de interinamente liderar a Zona Militar Norte (ZMN) e de, nos Cavaleiros do Norte, ter sido substituído pelo capitão José Diogo da Mota e Silva Themudo.
Tempo também de, pela metrópole luandina e logo pelo começo da manhã, que já ia bem quente e cheia de luz, a dupla de furriéis milicianos da CCS do BCAV. 8423 (o Cruz e o Viegas) ficar a saber de «novas confrontações violentas na capital angolana».
Notícia do Diário de Lisboa
de 3 de Abril de 1975

200 mortos, muitos feridos e
estropiados e inúmeros desaparecidos

A notícia foi dada por Rebelo Carvalheira, que ao tempo era jornalista do «A Província de Angola» e que, à saída do jornal (mesmo ao lado da Portugália) se sentava para o «mata-bicho» e se dava a longas conversas com os dois Cavaleiros do Norte.
O que soubemos foi que FNLA e MPLA se confrontaram no bairro do Cazenga, onde a sede do movimento de Agostinho Neto foi alvejada com rajadas de metralhadora, a partir de uma viatura não identificada. Outra notícia foi a das consequências dos «violentos incidentes» da semana anterior, entre os mesmos movimentos: «duas centenas de mortos e muitos feridos e estropiados e muitos desaparecidos», como também noticiava o Diário de Lisboa desse dia.
O Quibaxe, a caminho do Uíge, mais a norte, também foi cenário de troca de tiros, dias antes, e não se confirmaram combates no Piri. E do norte, do «nosso» Uíge, notícias não chegavam da zona de acção dos BCAV. 8423. Era a melhor (não) notícia. 
Os furriéis milicianos Grenha Lopes
 e Agostinho Belo (atrás) e Graciano
 Correia da Silva

Graciano, furriel de Santa
Isabel, 68 anos em Lamego!

O furriel miliciano Graciano Correia da Silva, da 3ª. CCAV. 8423, festeja 68 anos a 4 de Abril de 2020.
Cavaleiro do Norte atirador de Cavalaria da Fazenda Santa Isabel, regressou a Portugal no dia 11 de Setembro de 1975, à sua casa da Portela de Cambras, freguesia de Lamas, em Lamego. Trabalhou na área da produção do Vinho do Porto e orgulha-se dos filhos: a advogada Helena Isabel Mendonça da Silva (que trabalha no Porto e vive na Póvoa do Varzim) e o neurologista Mendonça da Silva (que se divide por hospitais de Portugal,  Alemanha e Estados Unidos - aqui em Chicago, onde investiga a doença de Alzheimer).
Aposentado, o Graciano continua a viver na sua Lamego natal e para lá e para ele vai o nosso abraço de parabéns!

quinta-feira, 2 de abril de 2020

5 014 - Patrulhamentos mistos em Carmona, alguma tensão em Luanda!

O BC12, último aquartelamento dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 e das Forças Armadas
Portuguesas em Carmona, actual cidade do Uíge. Dali saíram, definitivamente, a 4 de Agosto de 1975.
Foto do furriel Viegas, aquando da sua passagem no Uíge, a 24 e 25 de Setembro de 2019
Cavaleiros do Norte da CCS e 3ª. CCAV. 8423, todos fur-
riéis milicianos e no Quitexe, em 1975. De pé, Fernandes, 
Graciano, um  combatente da FNLA e  Neto. Em baixo, 
Rocha, Querido e Cardoso
BCAV. 8423


Os primeiros dias de Abril de 1975, lá pela terra saudosa de Angola, em Carmona, decorriam tranquilamente, escaramuça aqui, escaramuça acolá..., nada que os Cavaleiros do Norte não resolvessem.
A guarnição do BCAV. 8423, formada pela CCS e um grupo de combate da 2ª. CCAV., já estava muito mais bem adaptada às exigências urbanas - e aos perigos que eram novidade, para quem chegava dos muitos medos das matas e das picadas de morte...
Ao tempo de há 45 anos e passado um mês desde a chegada do Quitexe, já muita coisa tinha acontecido e por estes primeiros dias abrilinos, continuavam os patrulhamentos mistos na cidade, sempre embrulhados nas desconfianças que os elementos da FNLA e do MPLA não escondiam, entre eles. Antes mostravam, faziam questão de exibir.
A pequena guarnição do BCAV. 8423 estava instalada no BC12 e cada vez mais menos chegava para as encomendas: serviços internos (que não podiam deixar de ser executados) e principalmente os patrulhamentos mistos, 24 sobre 24 horas, na cidade e, pouco depois, os acessos rodoviários, para «garantir a liberdade de circulação» de pessoas e bens. Passou a ter «patrulhamentos de longo curso», assim estão baptizados no livro «História da Unidade».
O furriel Viegas de férias em Luanda, há 45 anos,
desfrutando das areais da praia da Restinga, na ilha

Luanda calma, 
mas não tanto...

A situação em Luanda, a esse tempo e apesar das aparências, continuava mui-
to periclitante na malha suburbana, muito embora se circulasse tranquilamente pela chamada «cidade do alcatrão». 
Os furriéis milicianos Viegas e Cruz, por lá a laurear o queijo, em gozo de férias, por guerra nenhuma deram e deslocavam-se sossegadamente por qualquer lado da cidade. A cidade branca, a do alcatrão..., frequentando praias e a cosmopolita baixa, bares e restaurantes, a noite e os clubes da dita!
A única nota mais visivelmente delicada, em panfleto profusamente distribuído pelo MPLA (e não divulgado em jornais e rádios), era a da convocatória de uma manifestação para exigir a substituição do Alto-Comissário (o general Silva Cardoso) e o regresso das tropas da FNLA aos quartéis.

Jornais portugueses
proibidos em Angola

A FNLA, por sua vez e na voz do ministro Jonhy Eduardo, negava qualquer responsabilidade nos graves e sangrentos incidentes dos dias anteriores, assim como a existência de prisões e fuzilamentos dos homens do seu movimento. E apontava o dedo ao MPLA, acusando-o de «ter provocado o clima de tensão que se viveu nos últimos dias».
Novidade há 45 anos, depois da censura a jornais e rádios angolanos (não havia televisão) foi a proibição de circularem em Angola os jornais Expresso e Sempre Fixe (portugueses) e Notícias (de Lourenço Marques, actual Maputo, em Moçambique). Por lá, apenas a Emissora Oficial de Angola poderia publicitar os comunicados oficiais. As restantes, emissoras só podiam ter a emissão normal (sem os boletins noticiosos).
José Luzia, 1º.
sargento da CCS


José Luzia, 1º. sargento 
da CCS, faleceu há 3 anos! 

O 1º. sargento Luzia, chefe da secretaria da CCS dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, faleceu há precisamente 3 anos, de doença e na Amadora.
José Claudino Fernandes Luzia, de seu nome completo, era natural de Santa Vitória, freguesia da cidade e município de Beja, onde nasceu a 10 de Dezembro de 1933. Era militar de carreira - que continuou depois do regresso da Angola, a 8 de Setembro de 1975.
Atingiu a patente de sargento-mor e, já aposentado, faleceu de doença, na cidade da Amadora, onde residia. Hoje aqui o recordamos. RIP!!!
A Fazenda de Zalala

José Costa de Zalala
faria hoje 68 anos !

O soldado José Maria Soares da Costa, atirador de Cavalaria da 1ª. CCAV. 8423, faria 68 anos a 2 de Abril de 2020. Faleceu em 2009.
Cavaleiro do Norte de Zalala, regressou a Portugal no dia 8 de Setembro de 1975, a  Bondes, lugar da freguesia de Duas Igrejas, em Vila Verde. Foi profissional da GNR e faleceu de doença, a 11 de Dezembro de 2009, aos 57 anos e quando prestava serviço no Posto de Freixo, em Ponte de Lima.
Hoje aqui o recordamos. RIP!!!

quarta-feira, 1 de abril de 2020

5 013 - Férias em Luanda e FNLA a acusar Forças Armadas Portuguesas!

A baía de Luanda, no dia 9 de Outubro de 2019, véspera do regresso do furriel Viegas da sua viagem
de saudade e memória da nossa jornada africana do Uíge angolano. Tirada da Fortaleza de S. Miguel,
 depois de 18 dias de fartas emoções pelos chãos de Angola!
A baía e marginal de Luanda, capital de Angola,
 antes de 1975, no tempo da colonização portuguesa 

Da 1 de Abril de 1975, 
dia das mentiras!!!
A verdade angolana desse dia, porém e por bem, era que Luanda se mostrava abertíssima aos nossos olhos e apetites, quando lá chegámos, furriéis milicianos dos Cavaleiros do Norte  da CCS do BCAV. 8423 (eu, Viegas, e o Cruz), por agora se passam 45 anos. 
Estávamos de férias militares, com Carmona e o Uíge para «trás das costas», e os nossos previsíveis constrangimentos, face à situação de (in)segurança, depressa foram (presumidamente) desanuviados pelo meu amigo Albano Resende, conterrâneo e contemporâneo que por lá fazia vida. 
«Podem andar à vontade, os problemas, as macas são fora da cidade...», disse-nos ele, galgando a Ferreira de Almeida, no seu Toyota azul claro, galgando a Mutamba, para a baixe direitinhos à Portugália - para uma «peregrinação» que nos levaria a outros míticos locais do culto militar desses tempos de há 45 anos - a Paris Versailles, o Amazonas, o Pólo Norte, o Diamante Vermelho, a ilha..., a Barracuda!!!
Foto-legenda do Diário de
Lisboa de 1 de Abril de 1975

FNLA a acusar o
Exército Português

Não era bem assim! Só! Não era só este «bem-bom» diário. 
A imprensa da cidade debitava alertas. Citando de memória, recordo um título: «A FNLA acusa das Forças Armadas Portuguesas». Mais grave ainda, o jornal «Liberdade e Terra», um diário do movimento de Holden Roberto, denunciava o Exército Português por, no Ambriz, ter impedido uma sua coluna de marchar para Luanda. E dizia que as FAP eram as mesmas que tinham sido «o suporte de 48 anos de fascismo e 14 de guerra colonial». 
O movimento de Agostinho Neto, de seu lado e conforme legenda da foto que aqui se vê, do Diário de Lisboa,  fazia mostrar «um soldado do MPLA a festejar a vitória sobre os sucessivos ataques das forças armadas da FNLA». O DL de 1 de Abril de 1975 reportava que, durante uma semana, «o ELNA tentou, em vão, ocupar as bases militares e as delegações do MPLA na região de Luanda». 
O ELNA era o Exército Nacional de Libertação de Angola, braço armado da FNLA - que veladamente, no seu jornal diário, criticava as Forças Armadas Portuguesas. Na véspera, registara-se novo tiroteio na Avenida do Brasil e a FNLA prendera Couto Cabral, director dos Serviços de Informação - libertado hora e meia depois. 
A verdade, porém - a nossa verdade ocular e emocional... - é que víamos (e vivíamos) uma cidade tranquila, com os jovens a dirigirem-se para as escolas, as lojas abertas, as esplanadas e restaurantes cheios, as salas de cinemas a rebentarem de gente, a libidinosa noite luandina a chamar-nos para os prazeres e os cios da alma e do corpo! Uma «vida airada...» que saudosamente recordamos!
Os furriéis José Oliveira e Viegas, com
 o condutor Nogueira da Costa, da
CCAÇ. 209/TI 21, a do Liberato

Oliveira, furriel do Liberato,
69 anos em Águeda !

O furriel miliciano José Marques de Oliveira, 
da CCAÇ. 209/RI 21, está em festa de anos: comemora 69 a 1 de Abril de 2020. 
Vagomestre de especialidade militar e natural do Caramulo, foi mobilizado em rendição individual e lá integrou uma companhia maioritariamente de angolanos, no Liberato e comandada pelo capitão miliciano Victor Correia de Almeida.
O furriel Oliveira regressou a Portugal nas vésperas do Natal de 1974 e fez carreira profissional na Caixa Geral de Depósitos, de que é agora aposentado, há muitos anos morando na cidade de Águeda - onde já tinha estudado. Para ele, vai o nosso abraço de parabéns!
J. O. Sousa

Jerónimo, sapador da CCS,
68 anos em Cinfães !

O soldado sapador Jerónimo de Oliveira Sousa, do BCAV. 8423, festeja 68 anos a 1 de Abril de 2020.
Cavaleiro do Norte da CCS e do pelotão comandado pelo alferes miliciano Jaime Ribeiro, regressou a Portugal no dia 8 de Setembro de 1975 e fixou-se no seu natal lugar de Chousas, da freguesia de Souselo, em Cinfães.
Sabemos que trabalha(ou) na área da construção civil e que por lá continua a viver. 
Os nossos abraço parabéns!