domingo, 15 de setembro de 2019

4 812 - A ofensiva do MPLA, para norte e a caminho de Carmona!

Um comício da FNLA em Aldeia Viçosa, onde se aquartelou a 2ª. CCAV. 8423 dos Cavaleiros do Norte,
que ali foi a última guarnição portuguesa. Era comandada pelo capitão miliciano José Manuel Cruz e e lá
saiu, para o BC12 e Carmona, a 26 de Abril de 1975
Carmona, a estrada para o Quitexe, em Dezembro de 
2012 (foto de  Carlos Ferreira, 1º. cabo da 1ª. CCAV.
8423, a da Fazenda de Zalala)


O domingo de 14 de Setembro de 1975 foi tempo de os Cavaleiros do Norte continuarem a sua adaptação ao Portugal novo e, também, de ofensiva do MPLA em duas frentes; a sul e norte. Aqui, após duros combates com a  FNLA, próximo da cidade de Duque de Bragança. 
Um comunicado do movimento de Agostinho Neto, distribuído em Luanda, relatava que «as forças rivais bateram 

Noticia do Diário de Lisboa
em retirada».
Duque de Bragança era (é) bem perto 
to das famosas quedas de água o mesmo nome (agora, Calandula) e as forças do MPLA, a esta data de há 44 anos, aprestavam-se a conquistar a cidade, no caminho para Carmona, onde se concentrava a FNLA. Ainda havia o Negage (e a sua estratégica base aérea) pelo meio.
«Esta ofensiva do MPLA insere-se - noticiava o Diário de Lisboa de 15 de Setembro de 1975 - na progressão das suas forças rumo a Ambriz e Carmona, iniciada após a expulsão da FNLA da área da Barra do Dande».
Cavaleiros do Norte da CCS do BCAV. 8423
na parada do BC12, em Carmona!

A queda de Carmona
em Janeiro de 1976

Carmona, a actual cidade de Uíge, só viria a ser tomada a 4 de Janeiro de 1976, depois de o MPLA ocupar pontos essenciais de todo o noroeste angolano, quase sem combater, com a excepção do Negage - onde o ELNA ofereceu «uma desesperada resistência»
A primeira coluna das FAPLA´s, alías, «foi massacrada e obrigada a recua». A artilharia, já na semana de Natal de 1975, faria a diferença e ocupara o aeroporto do Negage, abrindo caminho para Carmona. 
As tropas do ELNA que resistiram no Negage, recuaram e dispersaram-se, muitos refugiaram nas matas de Capuku, Quitexe (o «nosso» Quitexe!!!...), Songo, Kimbele, Nsoso e outras localidades, onde, como agora se sabe, continuariam a resistir por vários anos. Não sei quantos, nem como.
Carlos Carvalho

Carvalho de Santa Isabel,
67 anos na Mealhada !

O soldado Carvalho, da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel, festeja 67 anos a 15 de Setembro de 2019.
Carlos Alberto Baptista de Carvalho foi atirador de Cavalaria e regressou a Portugal no dia 11 de Setembro de 1975 - depois de, para além de Santa Isabel, também ter passado pelo Quitexe e Carmona, antes do tempo final do Campo Militar do Grafanil.
Fixou-se no Barcouço, da Mealhada, de onde é e onde reside. Parabéns! 

sábado, 14 de setembro de 2019

4 811 - O louvor da Região Militar de Angola aos Cavaleiros do Norte!

PELREC da CCS, um dos Grupos de Combate do BCAV. 8423. De pé, 1º. cabo Almeida, Messejana, Neves,
1º. cabo Soares, Botelho (?), Florêncio, Marcos, 1º. cabo Pinto, Caixarias e 1º. cabo Florindo (enfermeiro).
Em baixo, 1º. cabo Vicente, furriel Viegas, Francisco, Leal, 1ºs. cabos Oliveira (TRMS) e Hipólito, Aurélio
(Barbeiro), Madaleno e furriel Neto

O louvor da Região Militar
de Angola (RMA) ao BCAV. 8423
Comandante Carlos
Almeida e Brito
do BCAV. 8423
Os Cavaleiros do Norte do Batalhão de Cavalaria 8423, todos eles e com honra, regressaram a Portugal entre 8 e 11 de Setembro de 1975 e com a certeza e o orgulho de missão cumprida, pelo todo tempo da sua jornada africana do Uíge Angolano.
Uma jornada de momentos trági-
cos, perigosos e também epopei-
cos, porque os Cavaleiros do Norte não recuaram, nunca, ante qualquer perigo e, mesmo arriscado a suas vidas, salvaram as de muita gente.
«Valeu a ena  vosso servir, em rol,do Exérci português», escreveu o comandante Almeida e Brito, no livro «História da Unidade», a encerar as memórias que narrou dos 15 meses em que «honrámos  lema da nossa unidade mobilizadora», o RC4. Todos nós, sublinhou o então tenente-coronel Almeida e Brito, «praticámos o nosso «querer e saber querer», fazendo todos nós que o BCAV. 8423 fosse um todo».
Publicamo-lo na íntegra:
Louvo o BCav 8423 porque durante o tempo em que prestou serviço no Norte de ANGOLA, nas áreas do QUITEXE e de CARMONÁ, manifestou sempre uma grande determinação, uma constante vontade de bem cumprir, um elevado espírito de disciplina e uma noção perfeita de como uma Unidade se deve adaptar às tarefas que haja que executar de perfeita harmonia com as determinações dos seus superiores hierárquicos.
Da sua acção muito beneficiaram as populações locais de todas as etnias pois pelo justo e equilibrado tratamento das missões que o BCav 8423 cumpriu ressaltaram, além das características já referidas, a aplicação de um espírito humanitário que o guindou a posição de grande admiração e respeito pela forma como conseguiu, em atitude de perfeita isenção, proteger todos os que às suas instalações se acolheram e posteriarmente manter a mesma atitude, para, finalmente, cumprir com brilhantismo uma das que certamente foi a sua mais delicada e difícil tarefa.
Da acção de todas as suas Praças, Sargentos e Oficiais se fica a dever, tanto na área do QUITEXE como na de CARMONA, o estabelecimento de um clima de segurança efectiva pelo que é com a maior justiça que em simples louvor se leva ao conhecimento de todos a forma como o BCav cumpriu a sua missão, dentro do maior espírito de disciplina, evidenciando qualidades hoje já muito raras, constituindo assim uma Unidade que mercê da acção do Comando e seus graduados nunca conheceu a chamada crise de disciplina, cumprindo exemplarmente todas as tarefas de que foi incumbido, grande parte delas em período muito sensível do processo de descolonização de ANGOLA.
Almeida, Rebelo e  Duarte
cozinheiros da CCS

Duarte, cozinheiro da CCS,
67 anos em Castelo Branco

O soldado cozinheiro Joaquim Ressurreição Duarte, da CCS dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, festeja 67 anos a 14 de Setembro de 2019.
Oriundo de Almacede, freguesia de Castelo Branco, lá voltou a 8 de Setembro de 1975, quando concluiu a sua comissão militar em Angola. O pouco que sabemos dele é que morará agora na cidade albicastrense, na Rua do Proença, e para ele vai o nosso abraço de parabéns!

Artur Gameiro
Gameiro de Aldeia Viçosa, 
65 anos em (VN de) Ourém

O soldado Artur Mendes Gameiro, da 2ª. CCAV. 8423, comemora 65 anos a 14 de Setembro de 2019.
Clarim de especialidade, este Cavaleiro do Norte da Companhia de Aldeia Viçosa regressou a Portugal no dia 10 de Setembro de 1975 e fixou-se na sua casa do Cercal, na freguesia de Espite, em Vila Nova de Ourém - o município a que pertence Fátima. Ainda lá vive, participa nos encontros anuais da 2ª. CCAV. 8423 e para lá e para ele (o «caçula» de AV) vai o nosso abraço de parabéns!

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

4 810 - Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 no Portugal novo de 1975!


PELREC. De pé, 1º. cabo Cordeiro, Messejana (que faleceu de doença e em Lisboa, a 13 de Setembro de 2009, 
hoje se passam 10 anos), Neves, 1º. cabo Soares, Florêncio, 1º. cabo Ezequiel, Marcos, 1º. cabo Pinto, Caixarias 
e 1º. cabo Florindo (enfermeiro). Em baixo, 1º. cabo Jorge Vicente (falecido a 21/01/1997, de doença e 
em Vila Moreira, Alcanede), furriel miliciano Viegas, Francisco, Leal (falecido, de doença e a 18/06/2007,
no Pombal), 1º. cabo Oliveira (transmissões) , 1º. cabo Hipólito, Madaleno e furriel miliciano Neto

Furriéis milicianos António Carlos Letras, José
Manuel Costa (que hoje festeja 64 anos; pa-ra-béns!!!),
António Artur Guedes e José Gomes, em momento
de leitura de correio, em Aldeia Viçosa
Os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, já nas suas casas, consolavam-se de afectos e, pela imprensa nacional, sabiam, há 44 anos, dia 13 de Setembro, da «continuação da ofensiva do MPLA, simultâneamente na Frente Norte, contra a FNLA, e a Sul, contra a UNITA»
O que, na verdade, nem era nada de especialmente novo. Foi tempo, também - e isso era, em boa verdade, o que mais lhes interessava - de continuarem a sua adaptação a um país novo, levedado nos ares da revolução de Abril de 1974, a 25! E «embriagado» pelas mutações políticas que se repetiam, numa altura em que Pinheiro de Azevedo continuava por completar o VI Governo.
Furriéis milicianos José Monteiro e Domingos
Peixoto (adido) nas traseiras da messe de Carmona
«Os principais combates» desses já distantes dias de há 44 anos, segundo o jornal Diário de Lisboa, «registaram-se junto ao Luso, havendo certa confusão sobre quem assegura, neste momento, o controlo da cidade»
A UNITA, que a ocupava (?), ou o MPLA, que a desejava conquistar?  Ou a mesma UNITA que a perdera e a pretendia reconquistar?
Na verdade, no «combate» da contra-informação, quer um movimento quer outro reclamavam «vitória nas confrontações» bélicas. 
Certo parecia ser que, depois de o MPLA ter recentemente (a tempo) «assumido o controlo a cidade, até aí em poder da UNITA», esta reagiu ao desaire com uma «contra-ofensiva iniciada no final da semana passada». Já lá iam, pois, 7 ou 8 dias.
Do Uíge, militarmente controlado pela FNLA, nada se sabia - para além do assumido propósito do MPLA ir conquistar a cidade e a província do norte angolano, assim como a do Zaire - os dois grandes bastiões do movimento de Holden Roberto, suportados pelas forças do seu ELNA, o Exército de Libertação Nacional de Angola.  
Os furriéis milicianos Victor Costa e José Nasci-
mento, ladeando o soldado Leão de Zalala 
O êxodo dos portugueses para a então chamada metrópole (o Portugal Continental, o Europeu - capital do cada vez mais pequeno império), registava, por estes dias de há 41 anos, «um nítido abrandamento», segundo o jornalista Pierre Cayrol, da Agência AFP, acentuando que «depois de uma emigração maciça, essencialmente provocada pelo medo da guerra, grande parte da população branca que ainda reside em Luanda ou nas grandes cidades - cerca de 150 000 pessoas - começa a hesitar em sair de Angola».
«Alguns dos que partiram, começaram a regressar. Os aviões que vêm de Lisboa, que no mês passado voltavam vazios, transportam todos os dias centenas de pessoas que voltam», sublinhava o jornalista francês da AFP, dando ainda conta de ter lido nos jornais que «há calma em Luanda».
Furriéis milicianos Querido, Guedes (falecido a 
16/04/1998, de doença) e António Fernandes.
Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423, a d

Monteiro da CCS,
67 anos de vida !


O soldado condutor Armando Monteiro dos Santos, da CCS, a do Quitexe, festeja 67 anos a 13 de Setembro de 2019.
Cavaleiro do Norte do Parque-Auto comandado pelo alferes miliciano António Albano Cruz, regressou a Portugal no dia 8 de Setembro de 1975, depois de cumprida a sua (e nossa) comissão militar e fixou-se na Quinta dos Bentos, na Guarda - de onde é natural. Nada mais sabemos dele, mas para ele vai o nosso abraço de parabéns!

Botelho de Aldeia Viçosa,
67 anos em Lisboa !

O soldado cozinheiro Belarmino Botelho, da 2ª. CCAV. 8423, festeja 67 anos a 13 de Setembro de 2019.
Belarmino da Conceição da Silva Botelho residia em Mós, lugar da freguesia de Ferreirim, em Lamego, e la voltou a 10 de Setembro de 2019. O que sabemos dele tem a ver com a residência actual, em Lisboa (Rua Brunilde Júdice), para onde vai o nosso abraço de parabéns!

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

4 809 - O Dia 1 de todos os Cavaleiros do Norte em Portugal!

Os Cavaleiros do Norte da CCS no encontro anual de 1975. Em Rans, Penafiel, a 1 de Junho de 1975. Nem ´
todos puderam estar, mas todos foram recordados. Incluindo os que a morte física já levou deste mundo,
mas foram evocados na celebração religiosa e por toda a jornada de saudade!
Cavaleiros do Norte da CCS em  momento de descontracção:
Florêncio (de barbas), Messejana (que amanhã faria 67 anos
 e faleceu a 27(11/2009), um angolano, 1º. cabo Almeida, alferes
 Ribeiro e NN (de barbas).À frente e à esquerda, o
alferes Garcia (f. a 02/11/1979)

Os Cavaleiros do Norte, há 44 anos, já estavam todos pelas suas casas, chegados em 4 levas seguidas do Boeing dos TAM, de 8 a 11 de Setembro de 1975, nos colos íntimos das famílias e felizes pelo regresso são e sereno.
O BCAV. 8423 tinha cumprido a sua missão, felizmente sem mortos em combate, e, apesar dos alguns constrangimentos que ainda se sentiam, eras imensas alegrias e as aleluias de vida que nos enchiam a alma, revendo familiares e amigos, cheiros e chãos dos nossos tempos anteriores à jornada angolana, e já lá iam 4 dias: já íamos 12 de Setembro de 1975! Hoje se fazem 44 anos!
O disco da história que contávamos a toda a gente, repetindo emoções e repetindo as memórias frescas a nossa jornada angolana do Uíge, sucedia-se a cada esquina e encontro. «Como é que aquilo está, por lá? (...). É verdade isto e aquilo? Como e que foi e não foi?!!!...»..
As perguntas sucediam-se, as das gentes, todas as gentes mais próximas, porque cada um que m´achava por lá tinha um familiar, um amigo, um vizinho, alguns alguéns dos seus antigamentes mais próximos. Pois que estava assim, era assado, lá ia eu desfiando informação que podia, me ocorria!
O furriel Viegas em Nova Lisboa, em Abril
de 1975: a madrinha Isolina (viúva do padri-
nho Arménio) e as netas Fátima e Idalina

Os «ontens» de Luanda,
de Nova Kisboa e Uíge!

A 12 de Setembro de 1975, a imprensa nacional portuguesa  dava conta do intuito do MPLA: «Ofensiva em duas frentes!». No sul, contra a UNITA, para a desalojar de Nova Lisboa. 
A mesma Nova Lisboa (a agora Huambo) de onde não sabia paradeiro de Cecília, dos irmãos Viegas (Manuel, Zé e Aníbal), do Orlando Rino, do Óscar Miranda, familiares e amigos! Tinha-lhes perdido o rasto, nos meus últimos dias de Angola. A norte, para «correr» com a FNLA, a caminho do Ambriz e Carmona! A «nossa» Carmona!
A FNLA «dominava  sobretudo as províncias a norte», o Uíge (o nosso Uíge) e o Zaire. Que o MPLA projectava controlar. Eram «dois objectivos prioritários»: expulsar o seu adversário de Ambriz (a ocidente) e de Carmona (a leste). Desde segunda-feira, o dia da nossa partida de Luanda para Lisboa (8 de Setembro de 1975), «as suas tropas avançaram, estando a cerca de 90 quilómetros do Ambriz e a 100 de Carmona».
Uff, isto foi há 4 anos e ainda se me rasga uma emoção farta, a fervilhar na alma, ao lembrar estes tempos! Pfffff!!!...
José M. Costa

Costa, furriel da 2ª. CCAV.,
67 anos em Matosinhos !

O furriel miliciano José Manuel Cerqueira da Costa, da 2ª. CCAV. 8423, festeja 67 anos a 13 de Setembro de 2019.
Atirador de Cavalaria e Cavaleiro do Norte de Aldeia Viçosa, re-
gressou a Portugal no dia 10 de Setembro de 1975, há 44 anos, e fixou-se na vila de Custóias, sua terra natal do município de Matosinhos. 
Fez carreira profissional como técnico comercial da área dos adubos e ferti-
lizantes e, agora já aposentado, mora em Santa Cruz do Bispo, no mesmo município do distrito do Porto. Parabéns!
J. Messejana

Messejana, do PELREC
da CCS faria 67 anos !

O soldado João Manuel Pires Messejana, atirador de Cavalaria da CCS do BCAV. 8423, faria 67 anos a 13 de Setembro de 2019. Fale-
ceu a 27 de Novembro de 2009!
Cavaleiro do Norte do PELREC, foi combatente discreto e sempre cumpridor, regressando a Portugal no dia 8 de Setembro de 19785 e fixando-se na Rua Augusto Machado, em Lisboa. Por lá viveu, julgamos que exerceu actividade profissional como agente policial (que terá abandonado) e faleceu de doença há quase 10 anos. Hoje o recordamos com saudade. RIP!!! 

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

4 808 - A chegada da 3ª. CCAV. 8423, os últimos Cavaleiros do Norte em Angola!

António Flora, Agostinho Belo, António Fernandes e
Alcides Ricardo, furriéis milicianos da 3ª. CCAV. 8423,
a da Fazenda de Santa Isabel
O capitão José P. Fernandes
e o 1º. sargento F. Marchã



Os Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423 regressaram a Portugal no da 11 de Setembro de 1975. Há  44 anos!
Completou-se, assim, a jornada africana que, pelo Uíge levou o BCAV. 8423 a terras de Angola, numa missão que nos orgulha e nos honra.
Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV 8423, todos mi-
licianos alferes Mário Simões e Graciano Silva
 (atrás) e furriéis José F. Carvalho e Manuel
Capitão (já falecido) 
A 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel, era comandada pelo capitão miliciano José Paulo de Oliveira Fernandes, do mesmo curso dos comandantes da 1ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Zalala, e da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa - respectivamente Davide de Oliveira Castro Dias e José Manuel Romeira Pinto da Cruz.«Não se pretendendo impor qualquer conceito, não pretendendo fazer-se doutrina sobre factos passados, mas ainda bem presentes, julga-se que bastará sentir-se que se parte com a consciência do haver cumprido o dever que nos solicitaram e que nem sempre foi fácil de cumprir», escreveu o comandante Almeida e Brito no livro «História da Unidade», perguntando se «essa certeza existe?» e respondendo que «julga-se que sim».
Nossas fazemos as palavras do então tenente-coronel de Cavalaria e comandante do batalhão de Cavalaria 8423.
A 3ª. CCAV. 8423 chegou a Angola no dia  de Junho e partiu para a Santa Isabel no 11 seguinte. A 10 de Dezembro do mesmo ano, rodou para o Quitexe, onde se manteve até 8 de Julho de 1975, quando rodou para a cidade de Carmona!
A Fazenda Santa Isabel

MPLA no Caxito e a
avançar para o norte !

O dia do regresso dos Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423 foi o da confirmação oficial da tomada do Caxito, a poucos quilómetros de Luanda,  pelas forças do MPLA, que de lá expulsaram a FNLA «após renhidos combates que se prolongaram por dois dias e em que foram utilizados, pelas FAPLA, blindados e armas pesadas».
Há mais de um mês, então, que a FNLA controlava o Caxito e o Diário de Lisboa de há 44 anos, que citamos, referia que o seu controlo era «amplamente disputado pelos dois movimentos, devido à sua importante posição estratégica, como nó rodoviário das ligações para o norte».
Ligações para, nomeadamente, a saudosa Carmona, de onde os Cavaleiros do Norte tinham saído a 4 de Agosto desse ano de 1975, 5 semanas antes.
«A perda do Caxito representa para a FNLA ainda um desaire quase catastrófico, pois aquela posição era fundamental para o tão propagandeado avanço sobre Luanda», noticiava o Diário de Lisboa, reportando a Agência France Press e acrescentando «era também um grande abalo psicológico para os homens da FNLA», pois a partir de então «abriu-se mais uma porta para a penetração das FAPLA em direcção ao norte, que era ainda o bastião das forças de Holden Roberto».
O furriel Francisco Bento
e o soldado Albino Dias no
encontro de 2019
Albino Dias

Albino Dias da CCS, 67
anos em Oliveira de Azeméis!

O soldado Albino Marques Dias, da CCS do BCAV. 8423, a Companhia do Quitexe, festeja 67 anos a 12 de Setembro de 2019.
Sapador de especialidade, este Cavaleiro do Norte regressou a Portugal a 22 de Fevereiro de 1975, devido a problemas de saúde e foi debutante do encontro dos Cavaleiros do Norte na edição de 2019, em Penafiel, no qual fartamente se emocionou.
«Nunca pensei ver esta malta toda, tantos anos depois... já são mais de 40», comentou na viagem de regresso, citando, a exemplo, o 1º. cabo Miguel Tei-
xeira, escriturário nque com ele «andou» pela messe de oficiais do Quite-xe. «Conheceu-me logo, até sabia o meu nome...».
O Albino Dias foi trabalhador da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis e, já aposentado, mora na freguesia de Loureiro, deste município do distrito de Aveiro. Está óptimo, ainda ontem falámos com ele, e para ele vai o nosso abraço de parabéns! 

terça-feira, 10 de setembro de 2019

4 807 - O regresso da 2ª. CCAV. 8423, a FNLA expulsa do Caxito!

Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, que regressaram a Portugal no doa 10 de
Setembro de 1975: os milicianos furriel José Melo e alferes Jorge Capela e João Machado, o comandante
Almeida e Brito (do BCAV. 8423) e o capitão miliciano José Manuel Cruz (comandante da 2ª. CCAV.)
Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa
e do capitão miliciano José Manuel Cruz

A 2ª. CCAV. 8423, a dos Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçsa, partiu de Luanda no dia 10 de Setembro de 1975. Para Lsboa e há 44 anos!
O dia, por Luanda, acordou com a notí-
cia, veiculada pelo MPLA, de que a FNLA tinha sido «desmantelada na barra do Rio Dande, na zona do Caxito», enquanto as suas forças (as do MPLA) avançavam para o norte, como repor-
Furriéis milicianos da 2ª. CCAV. 8423: Mário
Matos, António A. Guedes e José F. Melo
 (de pé), Carlos Letras, José Gomes
e António Cruz
tava o Diário de Lisboa.
«O MPLA controla actualmente 12 das 16 províncias de Angola», anunciava o diário vespertino de Lisboa, precisando que as restantes quatro «estão divididas entre o domínio da FNLA (o Zaire e o Uíge) e a UNITA (Bié e Huambo)».
Ao mesmo tempo e partindo do aeroporto internacional de Luanda, logo pela manhã, os Cavaleiros do Norte comandados pelo capitão miliciano José Manuel Cruz galgavam os céus de África, a bordo do Boeing 707 dos TAM, em direcção a Lisboa.
A situação militar Angola, exceptuando a ofensiva militar para o norte, era descrita como «calma, apesar de combates esporádicos entre forças dos três movimentos». O Estado Maior das Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA) anunciava que, depois da expulsão da Barra do Dande, as forças do Exército de Libertação Nacional de Angola (ELNA), o braço armado da FNLA, «estavam encurraladas a norte do Caxito, entre as Mabubas e Sassa», expectando os responsáveis do MPLA «o abandono total da área, para breve, pois se encontram privadas de quaisquer reabastecimentos».
A 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel e enquanto isto, continuavam aquartelados no Campo Militar do Grafanil de onde, no dia seguinte, sairiam para Luanda e Lisboa.
Victor Antunes

Antunes de Aldeia Viçosa
faz 67 anos em Cascais !

O soldado Antunes, da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, festeja 67 anos a 11 de Setembro de 2019, quando se passam 44 da sua chegada de Angola.
Victor Martins Antunes, de eu nome completo,  foi atirador de Cavalaria e regressou a Portugal e ao Casal do Amaro, lugar da freguesia de Cernache do Bonjardim, no município da Sertã, da Beira Baixa, onde então residia. A vida levou-o para outras bandas e, já aposentado, mora na Quinta da Bicuda, na Torre, em Cascais. Parabéns!
Altino Fião

Fião de Zalala, 67
anos em Ovar !

Altino Gomes Fião, soldado condutor da 1ª. CCAV. 8423, a da mítica Fazenda Zalala, festeja 67 anos a 11 de Setembro de 2019.
Cavaleiro do Norte do comando do capitão miliciano Castro Dias, também jornadeou por Vista Alegre/Ponte do Dange, Songo e Carmona e regressou a Portugal no dia 9 de Setembro de 1975, fixando-se no Bairro de S. José, em Ovar - onde então residia. Ainda lá mora e para lá, e para ele, vai o nosso abraço de parabéns!  

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

4 806 - Acalmia em Luanda e regresso dos Cavaleiros do Norte de Zalala!


O  tenente-coronel Carlos Almeida e Brito, comandante dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, no en-
contro de há 24 anos, em Águeda, ladeado pelos capitães José Manuel Cruz, comandante da 2ª. CCAV.
8423, à esquerda, e José Paulo Falcão, oficial de operações
Cavaleiros do Norte da 1ª. CCAV. 8423, que chegaram a Lisboa
no dia 9/091975. Imagem de 20 anos depois, em Águeda: furriel
 Queirós, capitão Dias, alferes Lains Santos e furriel Mota Viana

O dia 9 de Setembro de 1975 foi o do regresso da 1ª. CCAV. 8423 a Portugal. Exactamente 20 anos depois, em 1995, realizou-se em Águeda o primeiro encontro dos Cavaleiros do Norte, na Estalagem da Pateira.
O dia de há 44 anos foi tempo de os «ccs´s» chegarem a suas casas, de nor-
te a sul de Portugal, «embriagando» fa-
mília e amigos de felicidade: a do re-
O furriel Viegas «deu», a 9 de Setembro de
 1995, as boas-vindas aos Cavaleiros do Norte,
no primeiro encontro do BCAV. 8423 
gresso dos seus «heróis», sãos e salvos. Ao mesmo tempo que, pelo correr das horas, os Cavaleiros do Norte de Zalala, os da 1ª. CCAV. 8423, se preparavam para a ansiada viagem de regresso. E, em expectante espera, continuavam os companheiros de Aldeia Viçosa (a 2º. CCAV. 8423) e de Santa Isabel (a 3ª. CCAV. 8423). Seria nos dias seguintes.

O primeiro encontro
dos Cavaleiros do Norte

A 9 de Setembro de 1995, um sábado, celebrou-se em Águeda a comunhão do reencontro de todos os que, das 4 Companhias do BCAV. 8423, puderam partilhar-se num encontro memorável, que reuniu mais de 300 pessoas, todas emocionadas e grávidas de alegria - fazendo memória do nossa jornada africana do Uíge angolano.
A vontade, o gosto, o prazer, a alegria de todos, tem levado a que, ano atrás de ano, Companhia por Companhia, os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 se reencontram e se fazem de meninos-soldados, os meninos-soldados que quase infantilmente lembram, ao pormenor, a epopeica história de que todos fomos actores nos memoráveis anos de 1974/75 - quando, por terras d´África, nascia um novo país. A nossa saudosa e querida Angola.
Cavaleiros do  Norte de Zalala; os alferes Lains
dos Santos, João Sampaio e Pedro Rosas,
com o Pig-Bó (de turbante)

Acalmia geral por
terras de Angola !

A 1ª. CCAV. 8423 era comandada pelo capitão miliciano Davide Castro Dias e saiu do Grafanil ao fim da manhã de há 4 anos, uma altura em que na cidade de Luanda «a situação político-militar em território angolano não sofreu alterações assinaláveis relativamente ao último fim de semana».
Uma situação, reportava o Diário de Lisboa de 9 de Setembro de 1975, que era «caracterizada por uma acalmia geral, depois de o MPLA ter detido o avanço da FNLA sobre Luanda»FNLA que, recordemos, era a «dona» do Uíge por onde jornadearam os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 e onde, ainda segundo o DL, «parece estar a concentrar forças». 
A sul de Angola, o MPLA «estava quase a completar o cerco às forças da UNITA, essencialmente concentradas em Nova Lisboa e Silva Porto».

domingo, 8 de setembro de 2019

4 806 - Cavaleiros do Norte da CCS no adeus de Luanda até Lisboa...

Cavaleiros do Norte da CCS do BCAV. 8423, que jornadearam pelo Quitexe e Carmona, no Uíge angolano, e
Grafanil, entre 30 de Maio de 1974 e 8 de Setembro de 1975. Saíram neste dia de Luanda e a Lisboa che-
garam, logo seguindo para as suas terras, os seus chãos natais!
Quinteto de CCS´s em frente à Casa dos Furriéis do Quitexe:
tenente João Mora, furriéis milicianos Francisco Neto,
Viegas e José Monteiro e 1º. cabo Miguel Teixeira

Os Cavaleiros do Norte da CCS do BCAV. 8423 levantaram-se cedo, muitos nem dormiram, esperando a madrugada de 8 de Setembro de 1975 para galgarem a estrada de Catete, passarem Luanda e, do aeroporto, voarem para Lisboa e para a suas terras, famílias e amigos!
O adeus ao Grafanil foi ao nascer da manhã, ainda alvorecia o dia, e logo foram dadas ordens para carregar malas, tudo feito num alvoroço quase infantil e cumplicemente ansioso, muito expectante, olhando pela última vez as paredes sujas do BIA, onde se aquartelaram nas últimas 5 semanas, em condições degradadas. Mas tudo ia ficar para trás!
O Francisco Bento, o furriel, a afagar o papagaio das mil-e-uma-asneiras, carregando-o para a Berliet, é a imagem mais serena, diria que mais romântica..., que retemos destes último momentos do Grafanil, entre a algazarra dos «ccs´s» que faziam o seu último adeus a Angola.
A balbúrdia do aeroporto não atrapalhou ninguém, mas alguns furriéis milicianos foram chamados pela Polícia Militar, que os encarregou de trazerem alguns presos (militares), sob escolta e algemados. O não foi nada agradável.
Grupo de Transmissões da CCS: 1º cabo José
Mendes, Couto Soares, furriel José Pires, 1º.
cabo Luís Oliveira e Silva. À frente, 1º. cabo 

Jorge Silva, Humberto Zambujo e 1º. cabo
Jorge Salgueiro

O avião sobre Luanda

no adeus a Angola !


O avião dos TAM levantou asas, seriam umas 10 horas da manhã e, voando sobre a cidade, deixou-nos, pela última vez, espreitar a baía de Luanda, sempre belíssima e enorme, cheia de embarcações; a restinga de praias e sol a bater e espelhar-se nas águas, e a ilha, o Mússulo, a grande metrópole, os musseques. Nem parecia que era uma cidade onde o chão era tragicamente regado de sangue de irmãos angolanos, desentendidos!
O avião dos TAM ganhou rumo e voou África fora, rumo a Lisboa, mas como se o tempo não passasse, nunca mais chegássemos à Europa que nos esperava. Passou o tempo, mais de 8 horas, e chegados da Lisboa e sem quaisquer formalidades alfandegárias, cada «ccs» dos Cavaleiros do Norte pôs-se a caminhos dos seus chãos natais.
Há 44 anos, cumprida a épica jornada africana do Uíge angolano, cada um foi à procura dos seus colos, dos seus amores, dos seus amigos, e certos do dever cumprido!
José Nunes, condutor da 2ª. CCAV. 8423,
a de Aldeia Viçosa e em 1974/1975
José Nunes
em 2018


Nunes, de Aldeia Viçosa,
67 anos em Leiria !

O soldado José Nunes, Cavaleiro do Norte da 2ª. CCAV. 8423, festeja 67 anos a 8 de Setembro de 2019.
Condutor auto-rodas de especialidade, serviu os Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa e do capitão miliciano José Manuel Cruz, tendo regressado a Portugal no dia 10 de Setembro de 1975, dois dias depois de, ainda em Angola,  comemorar os seus jovens 23 anos e fixando-se em Maceira Lis, concelho de Leiria. Ainda lá mora, agora no Vale do Salgueiro, e para ele vai o nosso abraço de parabéns! 

sábado, 7 de setembro de 2019

4 805 - O último domingo, a horas de a CCS regressar a Portugal!...

Cavaleiros do Norte da CCS do BCAV. 8423, na parada do Quitexe, a 40 quilómetros de Carmona, a
capital do Uíge angolano. Estes e muitos outros, viveram, há 44 anos, as emoções e a ansiedade de
quem, 15 meses depois, e de muitos momentos menos bons, regressava aos seus chãos natais  
Oficiais da CCS dos Cavaleiros do Norte: alferes milicianos
 António Garcia e Jaime Ribeiro, capitão miliciano médico
Manuel Leal e tenente Acácio Luz

O domingo de 7 de Setembro de 1975, para os Cavaleiros do Norte da CCS do BCAV. 8423, foi o do adeus a Angola. O voo de Luanda para Lisboa seria na manhã seguinte.
As instruções para estes bravos homens que, pela terra angolana do Uíge, algumas vezes arriscaram a vida, sem recuar e sem medos a qualquer perigo, as instruções para este último domino eram no sentido de evitar confusões e.. estarem cedo no antigo BIA, no Grafanil, onde desde 3 de Agosto estavam aquartelados, rodados de Carmina - a actual cidade do Uíge.
Ao fim da tarde, todos tínhamos de estar no quartel, todos os que saíssem do campo Militar (até essa hora) teriam de dizer para onde (não acontecesse algo e não os pudéssemos ir «recuperar») e ainda hoje, os furriéis Viegas e Neto recordara essas última horas de Angola - que passámos a comer pastéis e mais pasteis, cm vinhi branco, que um familiar de um «pelrec» nos arranjou.
Já não havia comida para os Cavaleiros do Norte da CCS. Muito menos comida confeccionada. E nem valia já ir tentar ir a Estalagem Leão, na estrada de Catete e ali relativamente perto, onde tantas vezes enganámos os estômagos nos longos dias de Agosto de 1975.
Os antigos furriéis milicianos Neto e Viegas
a lembrar tempos de Angola, do Quitexe, de
Carmona e do Uíge 

Honra e orgulho
na jornada angolana

O almoço de hoje, na Festa do Leitão de Águeda, já tradicionalíssima nesta vida seYgenária dos furriéis Neto e Viegas, avivou memórias da nossa jornada africana do Uíge angolano.
Memórias e saudades, principalmente, de todos os momentos, dos mais eufóricos aos mais trágicos, mais difíceis, que semearam amizades para toda uma vida - como se vê e sente nos encontros anuais. Que são o caldo que alimenta esta enorme fraternidade multiplicada no tempo, ano atrás de ano, desde os idos 1974/75 e dos nossos verdes anos de esperanças e sonhos, até às realidades de hoje. 
«Se foi bom ou mau o tempo passado, se valeu ou não a pena estar separado da família; se a vinda a Angola deu ou não um panorama do que era Portugal; se contraíram ou não novos amigos, se os momentos menos fáceis foram vencidos por momentos de euforia; se encontraram, ou não, no Exército, aqui representado pelo nosso BCAV. 8423, uma nova escola de aprendizagem, tudo isso será o vosso exame de consciência», escreveu o comandante Almeida e Brito no livro «História da Unidade».
Por nós, 44 anos depois do último domingo e últimas horas de Angola, podemos dizer, sem dúvidas, que nos orgulha e honra a nossa jornada africana do Uíge angolano, que, além de salvar muitas vidas (e bens) tornou vivos e eternos os valores fortes da amizade e da camaradagem, forjados em momentos, por vezes muito duros, é certo..., mas necessários para o bom termo da nossa missão.
Eugénio Silva e família (2018)
Eugénio Silva
nos anos 70

Cavaleiros protegeram
a vida de muitos civis!

Missão que um angolano, dos muitos que em Carmona foram socorridos pelos Cavaleiros do Norte, também sublinha em mensagem para um dos nossos encontros:
«Nunca me esquecerei daquele fatídico dia 1 de Junho de 1975, em Carmona! Eu nunca tinha estado em tal situação e fiquei bastante surpreendido», escreveu o agora engenheiro aposentado Eugénio Silva, e ao tempo estudante em Carmona, acrescentando que «vocês protegeram a vida a muitos civis, que nada tinham a ver com aquilo e não só! Isso não deve ser esquecido por aqueles que beneficiaram do vosso apoio, naqueles dias amargos de Junho».
Os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 sentem-se honrados e orgulhosos da jornada africana que, por terras do Uíge angolano, cumpriram com coragem, garbo sentido de missão. A que, há 44 anos, estava a hora do seu final e do regresso a Lisboa e aos nossos chãos natais.  

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

4 804 - O sábado de há 44 anos, antevéspera do regresso da CCS!

Grupo de Cavaleiros do Norte da CCS, (quase) todos do Parque-Auto, comandado pelo alferes miliciano
 António Albano Cruz (ao centro, de camisola branca), rodeado à sua direita, pelo 1º. sargento Joaquim
Aires e, à sua esquerda, pelo furriel Norberto Morais, os três de óculos. À direita e de cócoras, está o
António Clara Pereira, mecânico que, de doença, faleceu a 21 de Fevereiro de 2018
Cavaleiros do Norte da CCS, condutores. Atrás,
NN e Alípio Canhoto Pereira. À frente, José
Gomes (?), Delfim Serra, António Picote e
 Manuel Gonçalves
Leonel Cardoso

O sábado de há 44 anos, dia 6 de Setembro de 1975, foi dia de muitos adeus à terra de Angola  onde, no caso da CCS dos Cavaleiros do Norte jornadeavam desde 30 de Maio de 1974. A partida para Lisboa estava prevista para a manhã de segunda-feira seguinte, 8 de Setembro.
O dia foi o seguinte à chegada do novo Alto Comissário, o almirante Leonel Cardoso, que, em declarações à imprensa, de confessou desgostoso por ter partido de Lisboa «sem o conforto no aeroporto da presença de qualquer responsável político ou militar, ou seus representantes, a levar-me uma palavra de despedida, de simpatia e de encorajamento», o que considerou «sem dúvida, facto talvez único na história de embarques de dezenas de pessoas a quem, alguma vez, coube a honra de orientar os destinos de Angola».
«Não será isso, porém - disse Leonel Cardoso - que fará esmorecer a sede de que venho animado e me levou a aceitar a missão que ninguém queria».
Isto aconteceu numa altura em que o MPLA continuava a denunciar «interferências estrangeiras», num comunicado em que também aludia «a possibilidade de internacionalização do conflito».
Por outras palavras, simples: MPLA, FNLA e UNITA não se entendiam. 
O capitão Domingues, do CSU, de Carmona, o
furriel Viegas e a Família Resende: Albano, Jo-
sé Bernardino e Fátima e as filhas deste casal

O adeus a Angola
há... 44 anos !

Os Cavaleiros do Norte da Companhia de Comando e Serviços (CCS) do BCAV. 8423 seria (foi) a primeira a partir para Lisboa, por isso ansiosos e assim concluindo a jornada de 15 meses que, em circunstâncias muito particulares, nos levou a terras africanas do Uíge angolano.
Hoje, sem dúvidas, todos nos orgulhamos dessa missão e, citando o livro «História da Unidade», com «a consciência do haver cumprido o dever que nos solicitaram e que nem sempre foi difícil de cumprir».
O sábado de há 44 anos, da parte do editor deste blogue, foi tempo, ainda, de despedidas de amigos civis e deles portador de mensagens para familiares e amigos que dias depois iríamos encontrar e que, no Portugal europeu, viviam a ansiedade dos seus (não) regressos. Da sua prova de vida!
A Família Resende foi uma delas, ao tempo moradora em arruamento da Praça de Touros - onde se dizia que diariamente eram abatidas dezenas de pessoas. Familiar dos Resendes era o capitão Domingues, que pouco tempo antes tinha sido contemporâneo dos Cavaleiros do Norte em Carmona, onde prestara serviço no Comando do Sector do Uíge (CSU).