terça-feira, 19 de janeiro de 2021

5 312 - Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 à espera da rotação para Carmona!

A Igreja de Santa Maria de Deus do Quitexe no dia em que lá passou o furriel Viegas, da
CCS do BCAV. 8423,  passou. A 24 de Setembro de 2019. Ficava mesmo ao lado do
 quartel do BCAV. 8423 
Trio musical da CCS: os furriéis milicianos
João Peixoto, Francisco Neto e Viegas, nos 
tempos de 1974/1975


O dia 19 de Janeiro de 1975 foi domingo e, para os mais crentes jovens combatentes da CCS e 3ª. CCAV. 8423 do Batalhão de Cavalaria 8423, tempo de ir à missa do padre Albino Capela, na Igreja de Santa Maria de Deus do Quitexe.
Os Cavaleiros do Norte continuavam muito expectantes quanto aos efeitos práticos da Cimeira do Alvor que dias antes decorrera no Algarve português e que, curiosamente e por esse tempo, era por nós mais conhecida por Cimeira de Penina, por ser no hotel deste nome que se realizou, embora no Alvor.
Os murmúrios sobre a rotação do BCAV. 8423 para Carmona - a cidade capital do Uíge e que fica a uns 40 quilómetros do Quitexe - continuavam e dela se falava no dia-a-dia, mas nada de concreto se sabia. Se bem que o Pelotão de Morteiros 4281 já para lá tivesse rodado, começando a 20 de Dezembro de 1974 e concluindo a mudança no dia 4 de Janeiro de 1975. Mas era apenas uma das subunidades do BCAV. 8423, mais antiga até na sua missão de soberania por terras de Angola.
O BC12, que viria a ser o quartel do BCAV. 8423 (a partir de 2 de Março seguinte), «ia ser extinto», como relata o livro «História da Unidade», mas por todo o mês de Janeiro de há 46 anos «nada de positivo se concretizou», quanto à rotação dos Cavaleiros do Norte. O movimento já «está(va) esboçado», mas, ainda segundo o «HdU», «aguarda-se ainda a sansão superior, resultante de alterações que a cimeira do Algarve possa impôr».
Ao tempo, recordamos, ja a 1ª. CCAV. 8423 tinha rodado de Zalala para Vista Alegre (a 20/21 de Novembro) e a 3ª. CCAV. 8423 de Santa Isabel para o Quitexe (a 10 de Dezembro de 1974).

Damião Viana em
formato anti-covid,
a 19/01/2021

Damião Viana
em 1974/1975

Damião Viana, 1º. cabo,
69 anos em Gondomar !

O 1º. cabo Viana, escriturário de CCS do BCAV. 8423, festeja 69 anos a 19 de Janeiro de 2021. Hoje mesmo!
Damião Augusto das Neves Viana jornadeou pelo Quitexe e depois em Carmona, sendo companheiro discreto e prestável por toda a nossa jornada africana do Uíge norte-angolano, antes do (nosso) regresso a Portugal, no dia 8 de Setembro de 1975, ele à sua Valbom natal, do município de Gondomar.
Trabalhou na área da ourivesaria e, já aposentado, mora actualmente em Fânzeres, no mesmo município de Gondomar, ara ode vai o nosso abraço de parabéns.

António Dias, 1º.
cabo de V. Alegre

Dias, 1º. cabo da 4145, 
70 anos na Amadora !

O 1º. cabo condutor auto-rodas António Fernandes Dias  festeja 70 anos a 19 de Janeiro de 2021.
Combatente da CCAÇ. 4145 aquartelada em Vista Alegre e adida do BCAV. 8423, a subunidade era comandada pelo capitão Raúl Corte Real e chegou a Vista Alegre a 1 de Abril de 1973 - onde acabou por ser participar na Operação Turbilhão, como companhia de intervenção, a única do Sector do Uíge. Saiu de Vista Alegre a 20/21 de Novembro de 1974, quando rodou para Luanda, para regressar a Portugal.
Reside na Amadora, para onde vai o nosso abraço de parabéns! 

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

5 311 - O último (mini)encontro da CCS dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423!

Cavaleiros do Norte da CCS em Custóias, a 18 de Janeiro de 2020: Joaquim Moreira e
Albertino Neves (maqueiros), 1ºs. cabos Miguel Teixeira, Domingos Teixeira e Vasco 
Vieira (Vasquinho), furriel Viegas,1º. cabo Alfredo Coelho (Buraquinho, alferes 
António Cruz, 1º cabo Porfírio Malheiro e José Gomes. À frente, António Calçada
e Américo Gaiteiro, ambos condutores

A «formatura» dos «CCS´s» na «parada»
 do restaurante S. Tiago em Custóias, com
algumas das suas Amazonas do Norte
Alferes António Cruz e, à
esquerda, António Calçada

Um grupo de Cavaleiros do Norte da CCS do BCAV. 8423 encontrou-se há um ano, em Custóias. Mal sabíamos, nem poderíamos imaginar, que seria a última vez de um destes momentos de confraternização e avivar memórias da nossa jornada africana do Uíge angolano. 
O grupo, uma dúzia, obedeceu à «ordem de operações» foi do alferes miliciano António Albano Cruz, oficial comandante do Parque-Auto, com acção operacional do 1º. cabo Alfredo Coelho, o imortal Buraquinho, que marcou a operação para o restaurante S. Tiago, em terra muito conhecida pela sua cadeia mas que é de boa gente no atendimento e apetitosa ementa para sossegar estômagos.
A primeira grande boa memória, foi a notícia do condutor Joaquim Celestino, que ao tempo continuava internado no Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, mas a reagir muito bem e a recuperar das fragilidades de saúde que para lá o «atiraram». Já teve alta, embora sujeito a tratamentos diários.
O 1º.cabo Coelho (Buraquinho) 
e o sodado maqueiro Moreira
e a amazona de José Gomes, 
condutor da CCS

Memórias da jornada
africana de Angola !

Memórias foram muitas: desde o destemor do comandante Almeida e Brito à humildade do soldado «básico» António Cabrita, o quadro de oficiais, sargentos e praças da pirâmide humana que formou a CCS do BCAV. 8423, com muitas «cenas» à mistura. 
Algumas, por exemplo, do inesquecível tenente Mora (o imortal tenente Palinhas, que faleceu a 21 de Abril de 1993, na Lapa, em Lisboa e de doença, aos 67 anos), os momentos de tragédia dos dias 1 a 6 de Junho de 1975 - os dos fratricidas combates que, em Carmona, opuseram combatentes da FNLA e do MPLA. Ou o dia da revolta da CCAÇ. 2019/RI 21, a da Fazenda do Liberato.
O anfitrião Alfredo Coelho botou faladura para explicar a «operação» ordenada pelo alferes Cruz e não esqueceu a imortalidade de alguns do momentos de bravura, em várias «ações de voluntários à força», nomeadamente na madrugada/manhã de 1 de Junho de 1975.
António Albano Cruz deu força à razão destes encontros: «Fomentar a 
amizade do grupo, ampliá-la para além do almoço anual».
Almeida e Brito e José
Paulo Falcão em 1995

Comandante Almeida
e Brito em Carmona !

O comandante Carlos Almeida e Brito esteve em Carmona no dia 18 de Janeiro de 1975, há 46 anos, para reunião no Comando de Sector do Uíge (CSU).
Oficial de Cavalaria, com a patente de tenente-coronel, foi acompanhado pelo capitão José Paulo Falcão, oficial adjunto e de operações do BCAV. 8423, esteve na capital da província em função, de acordo como livro «História da Unidade», da «necessidade de estabelecimento de contactos operacionais».
Já lá vã 46 anos!
Os furriéis milicianos António Fernandes (que
amanhã festeja 69 anos, em Braga) e Viegas,
há 46 anos e na Avenida do Quitexe
A. Fernandes
em 2020

Fernandes, furriel de
Santa Isabel, 69 anos!

O furriel miliciano António da Costa Fernandes, atirador de Cavalaria da 3ª. CCAV. 8423, festeja 69 anos a 19 de Janeiro de 2021.
Natural de Braga e Cavaleiro do Norte da Fazenda Santa Isabel, também jornadeou pela vila do Quitexe e cidade de Carmona, antes de  regressar a Portugal e à sua Lomar natal, a 11 de Setembro de 1975.
Profissionalmente, fez carreira como professor e, agora já aposentado (concluiu em Monção), reside Braga, onde goza os prazeres da vida, os sabores da boa comida minhota e sabedoria de quem, após a jornada africana do norte de Angola, se dedicou ao ensino e à juventude. Para lá e para ele, vai o nosso abraço de parabéns!



domingo, 17 de janeiro de 2021

5 310 - O incêndio na arrecadação militar do Quitexe! O pós-acordo do Alvor!

O incêndio do Quitexe de há 46 anos. Repare-se no carro dos bombeiros e no tamanho
dos tanques de água, com bomba manual accionada por um militar do BCAV 8423
 (quem será, alguém o reconhece?). E 
no olhar sorridente  do alferes miliciano António
Garcia. O perigo já tinha passado!

Os bombeiros e a fachada do edifício
militar que ardeu no Quitexe

O incêndio que a 17 de Janeiro de 1975, há 46 anos, ocorreu nas instalações do BCAV. 8423, na CCS do Quitexe, poderia ter resultado numa tragédia. Felizmente, tal não aconteceu.
«Por motivos que se julgam originários num curto-circuito, ardeu completamente uma das casas onde o BCAV. tinha a arrecadação de material de aquartelamento da CCS e os quartos dos oficiais», relata o livro «História da Unidade», frisando que houve «avultados prejuízos materiais».
O alarme foi dado ao princípio da noite, o edifício situava-as na Estrada do Café (a Rua de Cima da vila do Quitexe) e rapidamente acorreram os militares, com tudo o que tinham à mão e pudesse combater as chamas.
O mais que puderam, retiraram o que estava no edifício, nomeadamente haveres pessoais de oficiais milicianos dos Cavaleiros do Norte que ali se hospedavam, já que «chegar» às munições e retirá-las era... impossível.
«Embora tivesse havido a maior dedicação da parte do pessoal militar, não houve possibilidade de evitar a destruição total do imóvel, por falta de meios adequados a apagar o incêndio, inclusive a própria água», pode ler-se no «História da Unidade».
O material de aquartelamento da CCS foi retirado
para fora do edifício e pousado na Estrada do 
Café, À direita, está o capitão António Oliveira,
comandante da CCS do BCAV. 8423

Milhares de munições
a estourarem nas chamas

O combate inicial foi feito pelos Cava-
leiros do Norte da CCS e da 3ª. CCAV. 8423 (que no Quitexe já estavam aquarte-
lados) e só mais tarde,  e já para o rescaldo, chegou uma pequena força de bombeiros de Carmona, menos de meia-dúzia de homens que, de resto, pouco poderiam fazer - tão deficientemente equipados estavam. 
Recordamos que a bomba de água era manual e os depósitos transportavam seguramente menos de 1000 litros de água.
O principal problema tinha a ver com o armazenamento de material de guerra no edifício e na memória ainda está o som estridente de muitas munições a estourarem, às centenas, porventura milhares... - o que, grandemente, dificul-
tou a perigosa tarefa dos militares no combate às chamas.
Temeu-se o pior, mas felizmente que, para além dos elevados prejuízos mate-
riais, nada mais se registou de grave - se nos lembrarmos, embora, do enorme susto daqueles momentos do início da noite de há precisamente 44 anos.
Os presidentes Agostinho Neto (MPLA),  Costa
Gomes (Portugal), Holden Roberto (FNLA e
Jonas Savimbi (UNITA)

Presidentes no Alvor: 
cada um para seu lado!

O Algarve, há 44 anos e depois da Cimeira do Alvor, «deixou de ser o centro das atenções». O protocolo estava assinado.
Os presidentes dos movimentos de libertação tomaram rotas muito diferentes: Agostinho Neto (do MPLA), viajou para Lisboa, Jonas Savimbi (da UNITA) para Luanda (via Lusaka, capital da Zâmbia) e Holden Roberto (da FNLA) para Kinshasa, capital do Zaire.
«Vai começar a dura tarefa de tornar independente, até Novembro, um país que continua a ser alvo de cobiças imperialistas», reportava o Diário de Lisboa.
O país novo: ANGOLA! Que estava para nascer, no tempo da jornada africana, pelo Uíge, dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423!


Ferreira de Santa Isabel,
69 anos em Guimarães !

O 1º. cabo José Agostinho da Silva Ferreira, da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel, festeja 69 anos a 17 de Janeiro de 2021.
Operador-cripto de especialidade militar, também jornadeou pelo Quitexe e Carmona, tendo regressado a Portugal no dia 11 de Setembro de 1975. A Via Chá, freguesia de Santo Estevão de Briteiros, em Guimarães.
Supomos que ainda lá residirá e para lá vai o nosso abraço de parabéns!


sábado, 16 de janeiro de 2021

5 309 - O histórico Acordo do Alvor ! o novo comandante do RC4 !



O acordo do Alvor foi assinado a 15 de Janeiro de 1975
Coronel Craveiro Lopes
comandante do RC 4, em
Janeiro de 1974

Os soldados Vicente e Marcos e os furriéis
Viegas e Neto à porta do RC4, a 28 de
Março de 2017

Há 47 anos, dia 16 de Janeiro de 1974, o BCAV. 8423, ao tempo em formação no Regimento de Cavalaria nº 4 (RC4), em Santa Margarida, participou nas cerimónias oficiais de posse do novo comandante da unidade, o coronel Craveiro Lopes, que era filho do marechal do mesmo nome, antigo Presidente da República.
Oficial de Cavalaria, já desde 26 de Dezembro de 1973 que era comandante do RC4 e foi substituído a 6 de Maio de 1974, pelo coronel Luís Maria de Sousa Campeão Gouveia. Revelou-se um comandante exigente, áspero até nalgumas vezes, e muito disciplinador. e da Unidade mobilizadora - o dito Regimento de Cavalaria nº. 4.
Era o primeiro acto oficial do BCAV. 8423 e a cerimónia ocorreu num tempo de formação para a guerra subversiva que nos esperava em Angola, pelo que, até talvez por isso mesmo, pouca importância os futuros Cavaleiros do Norte deram ao assunto, muito embora, por dever, tivessem  participado na parada oficial.
O livro «História da Unidade», referindo-se ao momento, refere que terá sido «a primeira aparição como Unidade constituída». unidade constituída», o BCAV. 8423.
 Cavaleiros do Norte, todos furriéis milicianos: Joaquim 
Abrantes, Francisco Bento, Agostinho  Belo, Luís Filipe 
Costa (Morteiros) e António Flora

Acordo do Alvor assinado e
a Angola independente !

Um ano depois, Portugal e os três movimentos de libertação já tinham assinado o histórico acordo do Alvor. Acordo que abria portas para a independência de Angola.
«A partir de agora, vós e os vossos movimentos, estão colocados perante um desafio duplo. É a esperança de todos os angolanos a exigir que homens e partidos, apesar das diferenças sociais, filosóficas e políticas, saibam encontrar soluções angolanas autênticas, baseadas na capacidade de diálogo, no espírito de cooperação e na boa vontade de servir o vosso país», disse o Presidente Costa Gomes, no encerramento e dirigindo-se aos dirigentes do MPLA, da FNLA e da UNITA que participaram na Cimeira do Alvor.
O presidente do MPLA interveio em nome dos três movimentos angolanos: «Aqui, as pretensões dos colonialistas ficaram enterradas para sempre», disse Agostinho Neto, acrescentando que «afastado o obstáculo do colonialismo, nem o povo português nem o povo angolano desejarão recuar na sua transformação progressiva, para uma nova definição do homem na sociedade».
«A dinâmica da vida - acrescentou o presidente do MPLA - só nos pode condu
zir a um destino. O destino do progresso. Se recuarmos, o processo em Portugal e em Angola, este importante acordo, hoje selado, pelo estabelecimento das relações justas entre os nossos povos, romper-se-á inevitavelmente».
O dia confirmou que o almirante Rosa Coutinho deixava o Alto Comissariado e seria substituído pelo brigadeiro Silva Cardoso. Jonas Savimbi, presidente da UNITA e na véspera, voou nos Transportes Aéreos de Angola (TAAG) para Luanda e Agostinho Neto para Lisboa e depois para o Porto (num avião da Força Aérea Portuguesa). Holden Roberto, presidente da FNLA, seguiu para Kinshasa, a capital do Zaire de Mobutu.
Alfredo Coelho, 1º. cabo, com o
 seu amor  de então (1975) e
de hoje. De sempre!
1º. cabo Coe-
lho em 1975

Coelho, o 1º. cabo Buraquinho,  
69 anos em Custóias !

O 1º. cabo Alfredo Rodrigo Ferreira Coelho, especialista de análise e depuração de águas da CCS do BCAV. 8423, festeja 69 anos a 17 de Janeiro de 2021. Amanhã!
Popularizado como Buraquinho, não se pergunte alguma vez pelo 1º. cabo Coelho, que ninguém sabe. Pergunte-se pelo Buraquinho e... está tudo dito, em termos e entre os Cavaleiros do Norte.
Ainda hoje, e por bons motivos, é figura ímpar dos encontros anuais dos Cavaleiros do Norte, depois de ter regressado a Portugal no dia 11 de Setembro de 1975, quando fazia parte da 1Ç. CCAV. 8423 (a de Zalala) e regressado à sua terra natal de Custóias, em Matosinhos. Por lá foi empresário do sector da restauração e, actualmente já aposentado, por lá continua, de boa saúde e sempre boa disposição. E para lá vai o nosso abraço de parabéns!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

5 308 - Comando do Sector no Uíge e Governo de Transição de Angola!

Os 1º.s cabos João Monteiro (Gasolinas) e Manuel
Augusto Marques (Carpinteiro), que hoje faria 69
anos mas faleceu a 1 de Novembro de 2011. Há 10
anos e de doença súbita! RIP!!!
Comandante C.
Almeida e Brito

O tenente-coronel Carlos Almeida e Brito, comandante do Batalhão de Cavalaria 8423, recebeu no Quitexe, a 15 de Janeiro de 1975, o comandante Comando do Sector do Uíge (CSU) - que se fez acompanhar de oficiais do seu Estado Maior.
A reunião de há 46 anos envolveu os comandantes de todas as unidades do CSU, naturalmente para analisar e decidir questões operacionais, numa altura em que, no Alvor português do Algarve, se fechava a cimeira do Governo Português com os três movimentos de libertação. 
A assinatura do protocolo do acordo estava prevista para as 20 horas desse já distante dia 15 de Janeiro de 1975, uma terça-feira.
O Governo de Angola seria, segundo o Diário de Lisboa, «dirigido por um Conselho Presidencial, com três vice-primeiros ministros», um de cada movimento de libertação. E já se sugeriam três nomes: Jorge Valentim (pela UNITA), Johny Eduardo (da FNLA) e Lúcio Lara (MPLA).
A primeira página do Diário de
 Lisboa  de 15 de Janeiro de 1975
 titulava o acordo  do Alvor

Governo de Angola
há 46 anos !

O Presidente da República de Angola, ainda segundo o mesmo acordo, seria eleito pela Assembleia Constituinte e tomaria posse no dia da independência - 11 de Novembro. 
As novas informações davam conta que o Governo de Transição de Angola, para além dos três vice-primeiros ministros, teria 12 ministros: três de Portugal e três de cada um dos três movimentos de libertação. Portugal assumiria as pastas da Economia, Obras Públicas e Transportes e Comunicações. 
O Alto Comissário (que seria Silva Cardoso), entre outras tarefas, responsabilizar-se-ia pela Defesa e Segurança Pública. Os movimentos, entre outras, teriam as da Informação (MPLA), Administração Interna (FNLA) e Trabalho (UNITA). Cada um dos ministros dos movimentos teria dois Secretários de Estado - um da cada um dos outros dois movimentos.
Os Cavaleiros do Norte, lá pelas bandas do Uíge, continuavam expectantes e a cumprir, escrupulosamente, as tarefas que a jornada angolana lhes exigiam. E, em tempos livres, faziam do pelado do Quitexe o campo das suas futeboladas. 
Manuel Aug. Marques
1º. cabo carpinteiro

Marques, 1º. cabo carpinteiro
da CCS, faria hoje 69 anos !

O 1º. cabo Manuel Augusto da Silva Marques, da CCS do BCAV. 8423, faria 69 anos a 15 de Janeiro de 2020. Hoje mesmo. Faleceu a 1 de Novembro de 2011.
Carpinteiro de especialidade militar e por este nome popularizado pelas terras uíjanas do norte de Angola, foi companheiro de boas graças e farto humor, regressando a Portugal no dia 8 de Setembro de 1975, fixando-se em Esmoriz, concelho de Ovar. Por lá fez a sua vida familiar e profissional, falecendo de morte súbita quando, a 1 de Novembro de há 10 anos, depois das cerimónias religiosas do dia e quando regressava a casa, com a esposa, depois de uma breve passagem por um café. Caiu fulminado, no momento em que procurava abrir a porta da sua residência.
Hoje te recordamos com imortal saudade, grande Carpinteiro. RIP!!!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

5 307 - Governo de Transição e Forças Armadas de Angola

A Fazenda Chandragoa fornecia peixe aos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, especialmente 
o famoso tilápia, do qual eram produtores. O sócio-gerente era José Silva, de Valpaços,
que faleceu a 18 de Fevereiro de 2018, aos 93 anos!
 
O que resta(va), a 24 de Setembro de 2019,
do edifício do Comando do BCAV. 8423,
na vila do Quitexe

A constituição do Governo de Transição de Angola tinha avançado para uma formação diferente das até aí propostas e discutidas e a 14 de Janeiro de 1975 soube-se que «compreenderá três vice-primeiros ministros, um por cada movimento, além do Alto-Comissário, de nomeação Portuguesa».
Alto-Comissário que, segundo o Diário de Lisboa, já não seria Rosa Coutinho, o Almirante Vermelho, mas antes o Brigadeiro Silva Cardoso.
Portugal teria assim se expectava, as pastas a Economia e da Informação, enquanto cada um dos três movimentos teriam cinco ministérios. Não iria ser bem assim.
Admitia-se, há 45 anos, que os vice-1º.s ministros fossem Lúcio Lara (indicado pelo MPLA), Johny Eduardo (pela FNLA e sobrinho do presidente Holden Roberto) e António Vakulukuta (pela UNITA).
O futuro Exército de Angola teria 36 000 homens: 18 000 de Portugal e 6 000 de cada movimento. Os portugueses, porém, iriam gradualmente abandonando Angola até à data de independência: 11 de Novembro de 1975.
O Alto-Comissário Português acumularia com o Comando-Chefe das Forças Armadas, «não sendo de excluir a formação de comissões militares mistas, a exemplo do que tinha acontecido em Moçambique».

O Alto-Comissário Português acumularia com o Comando-Chefe das Forças Armadas, «não sendo de excluir a formação de comissões militares mistas, a exemplo do que tinha acontecido em Moçambique».

Capa do Diário de Lisboa
de 14 de Janeiro de 1975


Cavaleiros a riscar
dias do calendário

Os dias de Janeiro de 1975 iam sendo riscados do calendário, um a um, enquanto no Algarve português continuava a Cimeira do Alvor.
A 14, uma terça-feira, hoje se fazem 46 anos, ficou a saber-se que o Governo de Transição de Angola seria formado até ao dia 31 desse Janeiro. E que o acordo entre Portugal e os três movimentos de libertação seria assinado no dia seguinte, às 20 horas.
Que boas notícias chegaram ao Quitexe, a Aldeia Viçosa e a Vista Alegre/Ponte do Dange, terras uíjanas de Angola por onde jornadeavam os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423!!! Mesmo muito boas!
«Pode dizer-se que o acordo está praticamente concluído, tendo voltado as quatro delegações a reunir esta manhã, para ultimarem a redação dos últimos pontos do protocolo, os quais. segundo algumas fontes, se referem à atribuição das pastas ministeriais», reportava o Diário de Lisboa de 14 de Janeiro de 1975, que citamos.
Zeca Silva da Chandragoa
José Silva

Zeca da Chandragoa
comemora 65 anos !

Os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, no geral, tinham e cultivavam boa relações com a comunidade civil  - de resto muito fomentadas e alimentadas pelo comandante Almeida e Brito, que por lá já tinha sido oficial-adjunto em 1968, no BCAV. 1917.
Relações que, vale a pena recordar, eram adubadas pelo respeito mútuo, afectuosas e até relativamente íntimas, nalguns casos. E quando não eram, e casos havia, resolvidas estavam - mesmo quando algumas animosidades ofendiam a honra e dignidade militares.
Não era o caso da boa gente da Fazenda Chandragoa, que muitas vezes fornecia aos militares do Quitexe o famoso peixe tilápia, do qual eram produtores. O gerente era de Valpaços, o sr. José Silva - que faleceu a 18 de Fevereiro de 2018, aos 93 anos. Boa gente!
O filho Manuel, por terras uíjanas popularizado como Zeca, o Zeca Silva da Chandragoa, trabalhava e estudava e costumava passear-se no Quitexe, num Land Rover azul e sempre com um pastor alemão todo preto.
Regressou a Portugal por altura da independência e trabalha na Galp Energia, em Sines, e está em festa de anos no dia 15 de Janeiro: 65 anos! Para lá e para ele vão os nossos parabéns!

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

5 306 - As negociações da Independência! Cavaleiros nas Quedas do Duque de Bragança!

A Estrada do Café liga Luanda a Carmona, actual cidade do Uíge. Aqui, na entrado da
capital da província, na entrada do lado do lado do Quitexe, a 24 de Setembro de 2019, 
quando por lá passou furriel Viegas da CCS do BCAV. 8423

Cavaleiros do Norte da 1ª. CCAV, 8423 em passeio
turístico às Quedas do Duque de Bragança. De pé, 
Almiro Maciel, furriel João Dias, alferes José Lains,
furriel Évora Soares, Carlos Coelho e Famalicão
(de pé), Carlos Costa e Fernando Silva


Os meados de Janeiro de 1975, pelas terras uíjanas de Angola, foram pacíficas, embora muito expectantes quando ao que decorria na Cimeira do Alvor. E do que dependia o  nosso futuro próximo por terras de Angola.
«A cimeira iria definir os termos da negociação da independência de Angola e polarizou todas as atenções, já que previamente, na de Mombaça, parecia, pela primeira vez, ter-se conseguido uma comunhão de interesses de todos os movimentos», lê-se no livro «História da Unidade - o BCAV. 8423.
A tempo e por via disso, «começou a ser murmurada uma nova remodelação do dispositivo» e já se previa que o BCAV. 8423 se viesse, como veio,  a instalar em Carmona. O que se confirmou a 2 de Março de 1975, quando a CCS rodou para o BC12.
A actividade operacional dos Cavaleiros do Morte estava «muito limitada, por falta de meios humanos» e, na prática, «ficou somente conduzida ao longo do alcatrão» - o mesmo que dizer que ao longo da Estrada do Café e «em constantes patrulhamentos, apeado e auto, através dos quais se garante(ia) a nossa presença e a liberdade do itinerário».
Também por esse tempo de há 46 anos, se fizeram várias excursões a locais turísticos angolanos, nomeadamente às afamadas Quedas do Duque de Bragança, transportados nas duras Berliets de transporte militar (para todo os serviços e mais algum...) - que se transformaram, assim, de meio transporte para zonas de guerra, de teatro operacional, para este pacífico a apetitoso serviço de lazer.
Os furriéis milicianos Carlos Letras e António
Chitas, da 2ª. CCAV. 8423, a caminho das
Quedas do Duque de Bragança


A Cimeira do Alvor,
Portugal e Angola !

A Cimeira entre Portugal e os três movimentos de libertação de Angola continuava no Alvor e, a 13 de Janeiro de 1975, há 46 anos, soube-se que, embora sem confirmação oficial, o dia 11 de Novembro era apontado como o da independência de Angola.
O dia 13 de há precisamente 46 anos foi uma segunda-feira e sabia-se também, de acordo com o jornal «Diário de Lisboa» (que agora fomos rever), que «a constituição e chefia do futuro Governo» - o Governo de Angola... - era um dos pontos mais relevantes, e de resto dos mais discutidos, das «intensas negociações» que decorriam na Cimeira do Alvor.
Os três movimentos de libertação pretendiam 5 ministérios para cada um e dois para Portugal. Opôs-se a delegação portuguesa, liderada pelo major Melo Antunes, contrapondo «4 pastas para cada uma das partes» - 4 para Portugal, 4 para o MPLA, 4 para a FNLA e 4 para a UNITA.
Quanto à liderança do futuro Governo angolano, Portugal lançou a ideia de ser rotativa, ou colectiva. 
- Ver AQUI e AQUI.
João Estrela em 2021
quando faz 70 anos.
Parabéns!

João Estrela
em 1974/75

Estrela, 1º. cabo cripto,
70 anos na Amadora !


O 1º. cabo João Francisco Lavadinho Estrela foi operador-cripto da CCS dos Cavaleiros do Norte do Quitexe e festeja 70 anos a 15 de Janeiro de 2021.
Alentejano e natural de Campo Maior, morava em Lisboa quando foi mobilizado para Angola e a Lisboa voltou, no dia 8 de Setembro de 1975, à Rua dos Amenos, freguesia de Benfica (na lisboeta capital portuguesa), onde então residia - ido do seu saudoso Alentejo.
Trabalha na área do imobiliário e premiado quadro da REMAX, vivendo na cidade da Amadora, para onde vai o nosso abraço de parabéns!

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

5 305 - O Governo Provisório e o funcionamento do Conselho de Ministros de Angola!


Pavilhões escolares na antiga parada do BCAV. 8423, no Quitexe e mais ou menos onde fiavam
 os balneários. A sapata de cimento, em primeiro pleno, poderá ser de uma das casernas
dos Cavaleiros do Norte da CCS


Os presidentes Agostinho Neto (do MPLA), Holden
Roberto (FNLA) e Jonas Savimbi (UNITA)

A Cimeira do Alvor decorria no algarvio Hotel Penina, há 46 anos, e os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, na Angola uíjana, continuavam nas suas expectantes calmas.
O jornal «A Província de Angola» editava-se em Luanda, era matutino e, na prática, o único diário que chegava ao Quitexe. Também se publicavam o «Comércio» e o «Diário de Luanda», pelo menos.
Há 46 anos, o «A Província de Angola» foi o primeiro jornal a que tivemos acesso, no Quitexe e já a 12 de Janeiro de 1975, sobre o que se passava no Alvor, entre as Delegações de Portugal e dos três movimentos de libertação de Angola - o MPLA, a FNLA e a UNITA.
O «Jornal de Angola», que lhe sucedeu, dos acontecimentos deu conta na passagem dos 40 anos dessa histórica data e é isso que hoje, com a devida vénia e situando-os a 11 de Janeiro de 1975, disso damos conta:
«A 200 metros do Hotel Penina não se pode circular. Cães ferozes, comandos, pára-quedistas, polícias, guardas-republicanos, exercem uma vigilância estreita que tem derrotado todas as tentativas de perfuração dos elementos da imprensa».
Os pontos cruciais das negociações eram a constituição do Governo Provisório e a forma de funcionamento do Conselho de Ministros. Outro ponto básico, e que demorou mais tempo a resolver, foi a constituição e comando das Forças Armadas da nova Angola. Savimbi já tinha dito que concordava com um comando unificado, mas salvaguardava a segurança dos seus companheiros de luta. 
A opinião dos outros dirigentes era igualmente significativa: Exército Unificado no comando, mas salvaguarda dos seus militantes, da sua individualidade de guerrilheiros e membros dos movimentos».
Cavaleiros do Norte da CCS do BCAV. 8423:
Alberto Ferreira, 1º. cabo Rodolfo Tomás
e José Costa (?)

As quatro delegações
da Cimeira do Alvor

A lista oficial das Delegações participantes da Cimeira de Penina foi divulgada na tarde de 12 de Janeiro de 1975.
Há 45 as e as seguintes:
- Portugal: Ministros Melo Antunes (de Estado), Almeida Santos (Coordenação Inter-Territorial) e Mário Soares (Negócios Estrangeiros), brigadeiro Silva Cardoso, tenente-coronel Passos Ramos, majores Pezarat Correia, Gonçalves da Costa e José Pimentel, Fernando Reino, Sá Machado, António Cordeiro, Corucho de Almeida e Rui Machete. Alto Comissário Rosa Coutinho, conselheiros Brito de Figueiredo, Amílcar Martins, António Castilho, Salvação Barreto, Edmundo Gonçalves, Sindicato, Américo Silva, José Nunes Pedro, Cardoso e Cunha e Morais Sarmento.
- MPLA: Agostinho Neto, Diógenes Boavida, Afonso Van Dúnem (Mbinda), Lúcio Lara, Paulo Jorge, Lopo do Nascimento, Carlos Rocha, Joaquim Kapango, Saydi Mingas, Pascoal Costa, Albertino Almeida, Maria do Carmo Medina, Mateus Van Dúnem, Maria Mambo Café, Rui Carvalho, Rui Moreira, Miguel Whekeni, Armando Ginapo, Jacob Caetano (Monstro Imortal), César Augusto Kiluanji e Filipe Costa.
- UNITA: Jonas Savimbi, Jorge Sangumba, Rony C. Fernandes, José N´Dele, Marques Karumba, Jorge Valentim, Eliseu Chimbili, Fernando Wilson, Rubon Chitacumbili, Fernando Wilson, Rubom Chitacumbi, O. Goundiam, Jean-Paul Jouzinho, Waldemar Chindondo, Samuel Lumumba, Francisco Bole-Pole, M. Doringui, Fernando Jambiri, António Vakulukuta e Lucas Tukongelgni».
O jornal, citando um despacho da ANI, não fazia referência à Delegação da FNLA, por razões que desconhecemos.
Alferes João
C. Sampaio


Sampaio, alferes de Zalala,
69 anos na Costa da Caparica!

O alferes miliciano Carlos Jorge da Costa Sampaio, atirador de Cavalaria da 1ª. CCAV. 8423, festeja 69 anos a 15 de Janeiro de 2021.
Cavaleiro do Norte da mítica Fazenda de Zalala - e depois de Vista Alegre/Ponte do Dange, Songo e Carmona -, foi comandante do 2º. Grupo de Combate e regressou a Portugal no dia 9 de Setembro de 1975, no final da jornada angolana do Uíge, fixando-se na Avenida 5 de Outubro, em Lisboa - onde já residia.
Sabemos que, actualmente, mora(rá) na Costa da Caparica, em Almada, e para lá vai o nosso abraço de parabéns!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

5 304 - Optimismo constante nas declarações sobe a Cimeira do Alvor!

O edifício que foi o do Comando do BCAV. 8423, na Avenida do Quitexe. Os pavilhões
 da direita e ao fundo ficam na antiga parada do BCAV. 8423 e funcionam como escola.
À esquerda, a Igreja de Santa Maria de Deus do Quitexe. Foto de 24/09/2019




Notícia do Diário de Lisboa
de 11 de Janeiro de 1975

Os Cavaleiros do Norte, há 45 anos e pelo Quitexe, Aldeia Viçosa e Vista Alegre, em pleno Uíge, continuavam a sua jornada africana de Angola.
E continuava, nesse segundo sábado de 1975, a somar-se a expectativa sobre a Cimeira que, no Alvor (Hotel Penina), reunia o Governo de Portugal com os três movimentos de libertação.
«O optimismo tem sido constante nas declarações e documentos oficiais já tomados públicos, no âmbito da Cimeira sobre Angola, que está decorrer desde ontem na Penina», relatava o Diário de Lisboa de 11 de Janeiro de 1975, citando a intervenção do Presidente da República (Costa Gomes), a abrir a reunião, sabendo-se que também a iria encerrar.
«O clima que rodeou as conversações - reportava o DL desse sábado - foi de cordialidade e franca compreensão, na procura de soluções para os problemas inerentes à descolonização de Angola».
O Alto-Comissário Rosa Coutinho, q
ue não fazia parte da delegação portuguesa, comentava os trabalhos, garantindo que «a cimeira era (é) apenas a base de entendimento para acordos fulcrais concretos».
O resto, «acrescentou, «virá no futuro», pois, segundo disse, «havemos de conversar mais vezes», referindo-se, naturalmente, ao Governo de Portugal e aos três movimentos de libertação - o MPLA (de Agostinho Neto), a FNLA (de Holden Roberto) e a UNITA (de Jonas Savimbi).
Os furriéis milicianos Neto e Viegas nos
primeiros dias do Quitexe - Junho de 1974


Morais, cortador da CCS,
nasceu há 69 anos em Chaves!

O soldado Carlos Alberto Morais da Silva, da CCS do BCAV. 8423, nasceu há 69 anos e faleceu há mais de 20, em data que não conseguimos conformar. Em Chaves!
Cavaleiro do Norte do Quitexe (e depois de Carmona), com a especialidade de cortador de carnes, regressou a Portugal a 8 de Setembro de 1975 e fixou-se em Sanfins da Castanheira, a sua terra natal do concelho de Chaves. Por lá continuou e constitui família, trabalhando na área da construção civil e sendo pai de três rapazes, dois deles actualmente emigrados em França e outro, o Márcio, que colabora na Câmara Municipal de Chaves. É avô de 6 netos.
«Era gente da melhor...», disse-nos Rui Pintor, que foi presidente da Junta de Freguesia local e bem conheceu o Carlos Alberto, nosso companheiro da jornada angolana. 
Hoje o recordamos com muita saudade. RIP!!!
Alzir e Raúl Caixaria

Caixaria em festa
com os anos de Alzira !

O soldado Raúl Henriques Caixarias vai estar amanhã em festa, dia 12 de Janeiro de 2021, com o aniversário de Alzira, a sua «mais-que-tudo» de sempre.
Os amores do casal são antigos e e sempre multiplicados vida fora, com os filhos e netos que a família lhes deu. Alzira foi auxiliar de acão médica no Centro Hospitalar de Torres Vedras e ambos ja estao reformados - o Raúl já desde 2004.
Sã participantes habituais dos encontros da CCS e para eles vai o nosso abraço de parabéns! 

domingo, 10 de janeiro de 2021

5 303 - O primeiro dia da Cimeira de Portugal com os 3 movimentos angolanos!

Cavaleiros do Norte da CCS do BCAV. 8423. De pé, Cabrita, 1º. cabo Emanuel,
NN e 1º. cabo João Cardoso. Sentados, 1º. cabo Luciano Borges, António Amaral,
António Calçada e 1ºs. cabo Victor Vieira (Sacristão) e Fernando Martinho
 Grácio,  que amanhã faz 67 anos, em Amor (Leiria)
 

Cavaleiros do Norte do PELREC da CCS:  1º. cabo
Silvestre, Augusto Florêncio, Francisco Madaleno
e furriel miliciano Francisco Neto

O dia 10 de Janeiro de 1975, há 46 anos, foi o primeiro da Cimeira do Alvor, entre os três movimentos de libertação e o Governo de Portugal.
Os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 continuavam a sua jornada africano pelo Uíge angolano e, apesar das poucas a actualizadas notícias que lá chegavam, era grande a expectativa. 
A informação desse tempo não tinha a rapidez de agora e a mais rápida chegava através da onda curta da Emissora Nacional (a actual RDP), que se escutava mal por lá e, por isso mesmo, não permitia grandes conclusões sobre o andamento dos trabalhos.
O dia-a-dia uíjano continuava dividido por serviços de ordem, escoltas e patrulhamentos, mas principalmente, da parte dos grupos operacionais, era manter a segurança dos principais itinerários, nomeadamente em apoio a pessoas e bens, 24 sobre 24 horas - principalmente na Estrada do Café, que era a principal via de escoamento e abastecimento de produtos.
 
A revista NOTICIA de 11
de Janeiro de 1975
Cimeira polarizou
toas as atenções !

A cimeira, de todo o modo e como se lê no livro «História da Unidade», «polarizou todas as atenções». Soube-se, por exemplo, que Rosa Coutinho, afinal, não integrava a delegação portuguesa e que, na primeira sessão plenária da cimeira e de acordo com o Diário de Lisboa, «as delegações ter-se-ão limitado a ratificar os acordos emergentes da plataforma comum acordada na pré-cimeira» - a de Mombaça. E que há 46 anos foram apresentados à Delegação de Portugal.
Outra novidade, e até algo estranha e surpreendente, foi o «apagamento» interventivo dos ministros Mário Soares (Negócios Estrangeiros) e António Almeida Santos (Coordenação Inter-Territorial).
O comunicado final sobre os trabalhos do dia 10 de Janeiro de 1975, o primeiro da cimeira, referia que «houve reuniões entre todos os participantes nas conversações e que a vários níveis e por diversas formas foram abordados, preliminarmente, alguns aspectos relacionados com aspectos de fundo». 
O comunicado relatou também «a cordialidade e franca compreensão na procura de soluções para os problemas inerentes à descolonização de Angola».
Grácio e furriel Viegas,
em Amor e em 2015
F. Grácio
em 1975

Grácio, 1º. cabo da CCS, 68
anos em Amor de Leiria !

O 1º. cabo Fernando Martinho Grácio era um dos «caçulas» dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423. E, naturalmente, da CCS.
Sapador de infantaria de especialidade militar e voluntário, festejou 21 anos no Quitexe, a 11 de Janeiro de 1975. O que equivale por dizer que amanhã comemorará 67 anos.
Integrou o Pelotão de Sapadores, o do alferes miliciano Jaime Ribeiro, mas foi o responsável pelo depósito de géneros da CCS, no Quitexe. Notra área, mais desportiva, notabilizou-se como guarda-redes de futebol. 
Regressou a Portugal no dia 8 de Setembro de 1975 e fixou-se em Casal dos Colares, povoação da freguesia de Amor, no município e arredores de Leiria.
Trabalha na área da construção civil e horticultura e ainda lá mora, para lá indo o nosso abraço de parabéns, pelos 67 anos que festeja a 11 de Janeiro de 2019!