CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

sexta-feira, 24 de novembro de 2023

7276 - A rotação de Zalala para Vista Alegre ! A Comissão Nacional de Desolonização!

A última Bandeira de Portugal hasteada e arreada em Zalala, nas mãos do capitão Castro Dias, o
 comandante da 1ª. CCAV. 8423. Aqui, com os furriéis milicianos Ribeiro e Branco, do BCAÇ.
4211, antecessor do BCAV. 8423, à esquerda, e Viegas, da CCS 

Cavaleiros do Norte de Zalala: furriel Plácido Queirós,
 capitão Castro Dias, alferes Lains dos Santos e furriel
Mota Viana no encontro de Águeda em 1995 (o primeiro)


O domingo de 24 de Novembro de 1974, há 49 anos, foi dia de o almirante Rosa Coutinho viajar de Luanda para Lisboa, onde iria participar nos trabalhos da Comissão Nacional de Descolonização. Era o presidente da Junta Governativa e a situação de Angola estava na agenda de trabalhos.
A criação e nomeação de um Alto Comissário para Angola, a qual, de acordo com o Diário de Lisboa do dia seguinte
Rosa Coutinho ladeado pelos presidentes
Agostinho Neto (MPLA), à esquerda, e
Jonas Malheiros Savimbi (UNITA)
(25), «estaria ligado à formação do Governo de Transição, em que entrariam elementos dos diversos movimentos de libertação».
O Diário de Lisboa, ainda sobre esta matéria, reportava que «em Luanda, admite-se que o referido Governo de Transição possa entrar em actividade dentro de 3 semanas». 
Mário Soares, ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, encontrou-se nesse dia com Mobutu Sese Seko, presidente do Zaire, e depois com Holden Roberto, presidente da FNLA, para analisar a situação de Angola. 
O diplomata considerou de «útil» o encontro com o presidente do movimento de libertação e manifestou a intenção de «também reunir com Jonas Savimbi (UNITA) e Daniel Chipenda (MPLA)».
«Estamos decididos a ir até ao fim, isto é, até à  independência, mas e necessário encontrar um meio de diálogo para fazer falar o coração e manter a paz neste território», disse Mário Soares.
A Fazenda de Zalala, onde esteve a 1ª. CCAV. 8423

Rotação de Zalala
para Vista Alegre !

Os Cavaleiros do Norte, por esse tempo de há 49 anos, mantinham as suas actividades normais, com a 1ª. CCAV. 8423, a da Fazenda de Zalala, a fazer já sua rotação para Vista Vista Alegre, onde (e Ponte do Dange) iria substituir a CCAÇ. 4145/72, do capitão Raúl Corte Real. 
A 1ª. CCAV. 8423 - aquartelada na «mais dura escola de guerra», como se pode ver na imagem... -, era comandada pelo capitão miliciano Davide de Oliveira Castro Dias e a rotação, recordemos, concluir-se-ia a 25 de Novembro desse ano de há 49 anos (1974).  
A 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel e comandada pelo capitão miliciano José Paulo Fernandes, também se preparava para rodar. Para o Quitexe, no seu caso, o que aconteceria a 10 de Dezembro de 1974.

quinta-feira, 23 de novembro de 2023

7 275 - Movimento anti-MPLA com apoiodo Zaire de Mobutu! O Governo de Transição de Angola!

Cavaleiros do Norte, todos furriéis milicianos: Cândido Pires (sapador, à civil), António
José Cruz (rádio-montador), José Pires (transmissões), Reino (Rangers), Grenha Lopes
 (atirador), Norberto Morais (mecânico) e Belo (vagomestre). Em baixo, Lopes (enfermeiro)
Cavaleiros do Norte no Quitexe: 1ºs. cabos José Maria
Almeida (cozinheiro) e Celestino Pagaimo e soldado
Valdemar (2, dos morteiros). Ao meio, 1ºs. cabos
Luciano B. Gomes e Joaquim Beda. Em baixo, 1ºs.
 cabos Ezequiel Silvestre e Victor Vieira (Sacristão)


Notícia do «Diário de
Lisboa» de há 49 anos


Aos 23 dias de Novembro de 1974, um sábado de há 49 anos e por terras uíjanas do norte de Angola, soube-se, pela imprensa de Luanda e no Quitexe, que o MPLA do presidente Agostinho Neto considerava «ter chegado o momento de declarar, solenemente, que está aberto a todos as funções que possam contribuir para a resolução dos principais problemas que afectam a vida nacional».
Por outras palavras, admitia fazer parte de um Governo de Transição de Angola.
O anúncio foi feito por Lúcio Lara, o chefe da delegação em Luanda do movimento de Agostinho Neto, em conferência de imprensa.
«Isto quer dizer que o MPLA está pronto a participar num Governo deste ou daquele tipo, depois de trocar as necessárias impressões com os outros movimentos de libertação, para que seja possível encontrarem-se, em conjunto, as fórmulas que se impõem para a continuidade política, económica e social de Angola», disse Lúcio Lara.
Simão Gonçalves Toco, líder religioso
angolano da Igreja de Nosso Senhor
Jesus Cristo do Mundo (1918-1984)


Movimento anti-MPLA com
patrocínio do Zaire de Mobutu!

O dia de há 47 anos, entretanto, foi também tempo, também, para uma reunião, em Kinshasa, entre Daniel Chipenda (dissidente do MPLA), Holden Roberto (FNLA), Jonas Savimbi (UNITA) e Simão Toco, com o objectivo de, de acordo com o Diário de Lisboa, «constituir uma aliança contra o MPLA, beneficiando do patrocínio do presidente Mobutu», o líder do Zaire. 
A reunião, acrescentava do jornal lisboeta da tarde, «estaria integrada na campanha iniciada há alguns dias, para tentar isolar o MPLA».
Simão Gonçalves Toco (1918-1984) era um profeta angolano, fundador da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo do Mundo, actualmente e já então um dos maiores movimentos cristãos angolanos.


Feijão de Zalala, 71
anos em Almeirim!


O soldado Feijão, atirador de Cavalaria da 1ª. CCAV. 8423, a da saudosa Fazenda Maria João, a da mítica terra de Zalala, festeja 71 anos no próximo domingo, dia 25 de Novembro de 2023.
Francisco Feijão, é este o seu simples e curto nome completo deste bravo Cavaleiro do Norte, regressou a Portugal no dia 9 de Setembro de 1975 e à sua casa de Casais de Vera Cruz, na freguesia da Lamarosa, do concelho de Coimbra. Nada mais sabemos dele, a não ser que, actualmente e via furriel João Dias, residirá em Almeirim. 
Para lá, para onde quer que esteja, vão as nossas felicitações! Parabéns!

quarta-feira, 22 de novembro de 2023

7 274 - Unidades do Comando do Sector do Uíge (CSU) em Carmona para contactos operacionais!

O edifício da enfermaria da CCS do BCAV. 8423, no Quitexe e quando por lá passou o furriel miliciano
Viegas, a 24 de Setembro de 2019. Mais de 45 anos depois da saída dos Cavaleiros do Norte do
BCAV. 8423 da vila uíjana do africano norte de Angola

Transmissões de Zalala: Carlos Costa, 1ºs. cabos
Ângelo Lourenço e Jorge Silva, Fernando Coelho
e 1º. cabo Hélio Cunha


Os comandantes das várias unidades operacionais do Comando do Sector do Uíge (CSU) voltaram a reunir-se em Carmona, no Batalhão de Caçadores 12 (BC12) e a 22 de Novembro de 1974.
A esse tempo de há 49 anos estavam em andamento várias rotações no dispositivo militar das Forças Armadas Portuguesas (FAP) aquartelados no Sector militar uíjano de Angola e isso, muito naturalmente, justificava (exigia, diríamos...) frequentes «contactos operacionais», como se lê no livro «História da Unidade», dando conta de, só nesse mês de há 49 anos, reuniões que se realizaram nos dias 8, 13 e 18, estando ainda planeada uma última, para 29 de Novembro desse mesmo ano de 1974. Que se realizou.
O BCAV. 8423 esteve representado pelo capitão José Paulo de Montenegro Mendonça Falcão, que interinamente comandava a unidade de Cavaleiros do Norte com CCS aquartelada no Quitexe e companhias operacionais nas Fazendas de Zalala (1ª.) e Santa Isabel (3ª.) e em Aldeia Viçosa (a 2ª.), respectivamente comandadas pelos capitães milicianos Davide Castro Dias, José Paulo Fernandes e José Manuel Cruz.
O capitão José Paulo Montenegro Mendonça Falcão, é este o seu nome completo, atingiu a patente de tenente-coronel de Cavalaria e faleceu a 9 de Dezembro de 2019, de doença prolongada e na cidade de Coimbra, onde residia.
José  L.  Esteves

Esteves, 1º. cabo, 71
anos em Viseu !


O 1º. cabo José Lopes Esteves, da secretaria do Comando do BCAV. 8423, na uíjana vila do Quitexe, está hoje em festa: nasceu há 71 anos!
Escriturário de especialidade militar e Cavaleiro do Norte da CCS, regressou a Portugal e a Viseu (a sua terra natal) no dia 8 de Setembro de 1975 - no final da sua (e nossa) jornada africana do nortenho Uíge angolano.
Ja em Portugal e pelas terras beiraltinas do interior-centro, fez carreira profissional na área comercial do sector automóvel e, naturalmente, já está aposentado. 
O seu aniversário natalício tem uma curiosidade muito particular e curiosa: nasceu a 22 de Novembro, é verdade, mas apenas foi registado seis dias depois: a 28 de Novembro de 1952. É, assim e por isso, um absoluto privilegiado: faz anos duas vezes por ano.
Parabéns para ele e um grande abraço!
O 1º. cabo Vitor
M. N. Florindo

Victor Florindo, 1º. cabo 
enfermeiro da CCS,  faz
71 anos no Cartaxo !


O 1º. cabo enfermeiro Florindo, da CCS do BCAV. 8423, a Companhia do Quitexe, festeja 71 anos a 24 de Novembro de 2023.
Victor Manuel Nogueira Florindo era (é) natural e regressou ao Cartaxo no dia 8 de Setembro de 1975, depois de cumprir a sua comissão de serviço militar como Cavaleiro do Norte da Companhia de Comando e Serviços (CCS) do BCAV. 8423, na enfermaria militar do Quitexe, de 6 de Junho de 1974 até 2 de Março de 1975, e, depois, no BC12 de Carmona - até rodar para Luanda, Grafanil e Lisboa.
É empresário do sector da restauração, estabelecido no Cartaxo com a Adega da Carraxada e onde, há 6 anos, resistiu a um ataque cardíaco que fragilizou a sua saúde. 
Ainda lá vive, desde sempre..., e para lá vai o nosso abraço de parabéns!

terça-feira, 21 de novembro de 2023

7 273 - A «ocupação» da Vista Alegre e Ponte do Dange! Um camião atascado na saída de Zalala!

Cavaleiros do Norte da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, a recuperar um Unimog. Reconhecem-se, todos
milicianos, os furriéis Manuel Dinis Dias (mecânico) e Plácido Queirós (atirador de Cavalaria) e o
alferes Carlos Joao Sampaio (atirador de Cavalaria). Quem serão os outros dois militares
militares, o de cigarro na boca e o da direita?

O 1º. cabo Carlos Ferreira com civis de Vista Alegre, à porta do depósito
de material de guerra da 1ª. CCAV. 8423. Reside em Moçambique


Os Cavaleiros do Norte da 1ª. CCAV. 8423, a da Fazenda de Zalala, estavam, há 49 anos, a preparar a sua rotação para Vista Alegre e Ponte do Dange - onde iriam ocupar as instalações onde desde 1 de Abril de 1973 se aquartelava a CCAÇ: 4145/72. 
A 20 de Novembro de 1974, de lá saiu a CCAÇ. 4145/74, que lá chegara na véspera, razão pela qual, «tornando-se necessária a ocupação da Vista Alegre e Ponte do Dange, previamente teve início a rotação da 1ª. CCAV. para estes locais», como relata o livro «História da Unidade».
A CCAÇ. 4145/72, como já contámos, já tinha «guia de marcha» para Luanda e a rotação do dispositivo militar português implicava a «ocupação» daqueles dois pontos nevrálgicos da Estrada do Café, entre Luanda e Carmona. Nesse dia 21 de Novembro de 1974, a 4145/72 foi visitada pelo capitão Jo
sé Paulo Falcão, que interinamente comandava o BCAV. 8423 - nas férias do comandante Almeida e Brito.
O 1º. cabo Jorge Silva, da 1ª CCAV.
 8423, em Vista Alegre e com
um elemento da FNLA


Camião atascado
na saída de Zalala!


A 21 do mesmo mês de Novembro de 1974, uma quinta-feira e ainda segundo o HdU, «começou a processar-se» a rotação da 1ª. CCAV. 8423, que era comandada pelo capitão miliciano Castro Dias. 
O dia é recordado pelo 1º. cabo Carlos Alberto Ferreira (agora em Moçambique), que lá foi mecânico de armamento ligeiro e guarda do depósito de armamento: 
«O primeiro camião civil a sair, antes da Companhia, foi com toda a minha tralha, armamento, munições, ferramentas, panelas, etc., numa noite de tem-pestade. Penso que apenas eu ia armado, o motorista era civil e um soldado africano ia à boleia para Luanda, de férias, e que desertou com arma e tudo».
«Ainda não tínhamos saído da fazenda e o camião enterrou-se, devido à chuva intensa. Pedimos ajuda via rádio, veio o furriel Dias, sempre ele, com macacos e pás, apenas o via a ele, no meio da lama e da escuridão, tendo após mais ou menos 2 horas desatolado o carro», recorda-se o Carlos Ferreira, acrescentan-
do que «cheguei cerca das 3 horas da madrugada a Vista Alegra, sem saber onde descarregar o material».
Mais acidente menos incidente, estava em marcha o adeus definitivo das Forças Armadas Portuguesas à mítica Fazenda Zalala! «Ocupada» desde 1961!

Notícia do «Diário de Lisboa» de 21/11/1974

MPLA recusa fuzilamentos
e FNLA protege 19 populares!


O dia 21 de Novembro de 1974, pelas bandas de Luanda, foi tempo de o MPLA apresentar 6 homens, de mãos atadas atrás das costas - um deles acusado de assassínio. Outro teria extorquido dinheiro em nome do MPLA e os restantes de roubos - todos detidos pelas (suas)
Comissões de Vigilância dos musseques, onde se apresentavam como militantes do movimento de Agostinho Neto.
As ditas Comissões de Vigilância pediram o fuzilamento dos seis, mas Hermínio Escórcio, dirigente do MPLA, disse que iriam ser entregues às autoridades portuguesas. O que não aconteceu, porque com tal não concordaram os mais de 2000 africanos que se concentraram junto à sede do MPLA - onde continuaram detidos os 6 homens.
A FNLA, por seu lado, denunciou que 19 populares do Bairro Residencial do Catambor, em Luanda, tinham sido obrigados a abandonar as suas casas, por elementos armados de um movimento rival, cujo nome não quis revelar.
Um comunicado militar português do tempo, entretanto, anunciou a morte de um africano e ferimentos em dois africanos e dois brancos, no decorrer de incidentes com armas de fogo nos dias anteriores.
Henrique Ramos
(2023)
Os condutores Delfim Serra e Henrique
Ramos, conterrâneos de S. Pedro Cova
em 1974/1974


Ramos, condutor de Santa 
Isabel, faz 71 anos em
S. Pedro da Cova !

O soldado Henrique Ferreira Ramos foi combatente da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel, e festeja 71 anos a 22 de Novembro de 2022. 
Amanhã e em S. Pedro da Cova.
Condutor-auto de especialidade militar, também passou pela vila do Quitexe e pela cidade de Carmona (actual Uíge) e regressou a Portugal no dia 11 de Setembro de 1975, à sua casa dos Silveirinhos, em S. Pedro da Cova, concelho de Gondomar.
Por lá, principalmente por lá, fez a sua vida familiar e profissional - boa parte dela também dedicando-se à arbitragem do futebol, enquanto filiado na Associação de Futebol do Porto. Também esteve algum tempo emigrado na Bélgica e descansa agora de uma vida inteira de trabalho.
Para S. Pedro da Cova, e para ele, vai o nosso abraço de parabéns! 

segunda-feira, 20 de novembro de 2023

7 272 - Os «caçadores» chegaram a Vista Alegre e logo foram... embora !

Caçadores da 4145/72, a subunidade de Vista Alegre: António Dias, furriéis Freitas e Cerqueira,
capitão Raúl Corte Real (comandante), 1º. sargento Sobreiro e furriel Ramos

A entrada de Vista Alegre, do lado de Luanda, a 24 de
Setembro de 2019, quando lá passou o furriel Viegas

A CCAÇ: 4145/72, a do capitão Raúl Corte Real - e de ainda ontem falámos... - , tinha chegado a Vista Alegre no dia 1 de Abril de 1973 (não, não foi engano, mentira muito menos...), depois de uns dias de «estágio» no Campo Militar do Grafanil, assim que foi a sua chegada a Luanda - nos últimos dias de Março de 1973.
A 20 de Novembro de 1974, há 49 anos...., lá chegaram os «caçadores» da 4145/74, que, afinal, nem o lugar aqueceram em Vista Alegre (e muito menos no Destacamento da Ponte do Dange), tendo logo voltado a Luanda - onde, provavelmente, terão integrado as Forças Militares Mistas. Nada sobre isso sabemos.
A 4145/74 era, recordemos, comandada pelo capitão Gabriel Gomes, oficial que tinha estado «implicado» no Golpe das Caldas (da Raínha), em 16 de Março de 1974.
A CCAÇ. 4145/72, a única da intervenção da zona, já agora e recordando, era comandada pelo capitão Raul Alberto Sousa Corte Real e tinha sido formada no Regimento de Infantaria nº. 1 (RI1), na cidade da Amadora. 
Regressou a Portugal em Dezembro de 1974.
Requisição à CP de um bilhete de Águeda para
Lamego Central, em 2ª. classe e, como se pode
 ler, «devendo a importância do transporte
 ser paga pelo Ministério do Exército»

O Exército pagava o
transporte dos militares!


Há algum tempo, encontrámos na net uma singular discussão sobre os custos das viagens da tropa colonial, nomeadamente no período de recruta e especialização, depois no de mobilização e embarque para os teatros operacionais - fosse para Angola, Moçambique e Guiné, ou Cabo Verde, Madeira, Açores, S. Tomé Príncipe, Macau e Timor.
As viagens de avião e/ou barco, eram naturalmente custeadas pelo Estado Português. Não havia dúvidas. Dúvidas havia (e em nós ficaram multiplicadas...) sobre quem pagava as deslocações internas, dentro do Portugal Metropolitano e de nossas casas para (e das) as unidades militares.
A argumentação era tão farta, de um lado e de outro - os que diziam que pagava o Estado (total ou parcialmente), ou pagava o militar. Tão farta e expressiva, que medraram as dúvidas e nenhuma certeza ganhámos quando, pelo telefone, perguntámos a meia dúzia de companheiros: pagávamos, ou não pagávamos os bilhetes da tropa? Ninguém se lembra bem!
Quis o destino que achasse, aqui por casa, um exemplar de uma requisição de transporte, em 2ª. classe, no caso à CP e da Estação de Águeda para a de Lamego Central, quando, já concluído o curso de Operações Especiais, lá fiquei colocado. Se repararam bem, verificarão que a requisição era do Ministério do Exército, via DL 2023, de 4 de Fevereiro de 1922, expressamente referindo, e citamos, «devendo a importância do mesmo transporte ser paga pelo Ministério do Exército».
Está todo esclarecido: pagava o Estado. 
Furriel C. Viegas

Viegas, furriel do Quitexe,
71 anos em Águeda !


O furriel miliciano Viegas, do PELREC da CCS do BCAV. 8423, festeja 71 anos a 21 de Novembro de 2023. Amanhã.
Cavaleiro do Norte do Quitexe, e especialista de Operações Especiais (Rangers), concluiu o curso no Centro de Instrução de Operacionais (CIOE), em Lamego, e lá ficou como instrutor - tal qual o Monteiro e o Neto.
Mobilizado para Angola, o trio apresentou-se no RC4, em Santa Margarida e a 24 de Dezembro de 1973, véspera da Natal, de lá «arrancando» ao fim da tarde para os seus natais de família.
Jornadeou o trio pelo Quitexe e por Carmona e regressaram a Portugal a 8 de Setembro de 1975, no final da sua jornada africana por terras do Uíge angolano. O Viegas fixou-se em Óis da Ribeira, a sua terra natal do concelho de Águeda, e trabalhou nas áreas administrativa, jornalística e bancária. Já aposentado, mora na mesma localidade e amanhã ficará ele com os parabéns em casa. É (sou) o editor deste blogue!

domingo, 19 de novembro de 2023

7 271 - A chegada da BCAÇ. 4145/74 e o adeus da CCAÇ. 4145/72 ao Destacamento de Vista Alegre!

Grupo de militares da CCAÇ. 4145/72, a de Vista Alegre, num momento de boa disposição, lá pelas
 terras africanas do Uíge angolano de há 48/49 anos. Era comandada pelo capitão Raúl Corte Real.
Alguém pode ajudar a identificá-los?

Caçadores da 4145, a Companhia de Vista Alegre, em
1974:  1º. sargento Sobreiro, furriéis Freitas e Cerqueira
 e António Dias. Momento de lazer uíjano!


A CCAÇ. 4145/74 chegou a Vista Alegre no dia 19 de Novembro de 1974, há 49 anos e foi substituir a CCAÇ. 4145/72, comandada pelo capitão miliciano Raúl Corte-Real e adida aos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423. 
«A 20 de Novembro saiu do Subsector e permitiu o início da saída definitiva da CCAÇ. 4145/72 para Luanda», refere o livro «História da Unidade» - a do BCAV. 8423.
A saída da CCAÇ. 4145/72, a do capitão Corte-Real, «começou a processar-se a 21 de Novembro», uma quinta-feira, já a 1ª. CCAV. 8423, a da
 O estandarte da CCAÇ.
4145/72, de Vista Alegre
Fazenda de Zalala, tinha iniciado a sua movimentação para Vista Alegre e Destacamento da Ponte do Dange - que seria concluída no dia 25, a terça-feira seguinte.
Estas rotações estavam devidamente planificadas e em nada alteraram a vivência quotidiana das outras Companhias do BCAV. 8423 - a CCS (aquartelada no Quitexe), a 2ª. CCAV. 8423 (em Aldeia Viçosa) e a 3ª. CCAV. 8423 (em Santa Isabel), se bem que esta já estivesse, por esse tempo, em ordem de marcha para a vila sede do Batalhão.
O dia 19 de Novembro de 1974 foi uma terça-feira e a estas movimentações não seria alheia da reunião do Comando do Sector do Uíge (CSU), na véspera e que decorreu no BC12, em Carmona, e na qual participou o capitão José Paulo Falcão - oficial de operações do BCAV. 8423 e que, por esse tempo, exercia as funções de comandante interino do Batalhão, substituindo o comandante, tenente-coronel Carlos de Almeida e Brito, de férias em Lisboa.
O alferes miliciano Adão Moreira, em 1974,
 na messe de oficiais de Vista Alegre

Os quadros da 
CCAÇ. 4145/72!


O alferes miliciano Adão Moreira era o oficial «mais velho» e, por isso mesmo, comandou a CCAÇ. 4145/72 durante os períodos de doença e férias do capitão Corte Real. Mas, nesse dia de saída, há 49 anos, já estava em Luanda.
«Fui mais cedo para o Grafanil, com cerca de 50 homens da incorporação angolana, para processar a desmobilização deles», disse o antigo oficial miliciano de Vista Alegre.
Outros oficiais que por lá jornadearam, quadros da CCÇA, 4145/72, foram os alferes Rosa (que comandou o 1º. pelotão), Fonseca (o 3º.) e Aguiar (o 4º.).
Adão Moreira e Rosa são de Setúbal e este substituiu o alferes Dias (despromovido a furriel) e é aposentado das Finanças. Fonseca, é advogado em Lisboa. Aguiar, outro alferes e provavelmente também residente na capital, substituiu o alferes Damas - que foi desmobilizado, ainda em Portugal.

sábado, 18 de novembro de 2023

7 270 - Contactos operacionais em Carmona! Confrontações, incidentes e insegurança em Luanda!

O edifício do Comando do BCAV. 8423 (o que resta), na Avenida do Quitexe, na esquina para a Igreja de
Santa Maria de Deus (ao fundo). A imagem é do dia 24 de Setembro de 2019, quando por lá passou o
 furriel Viegas, da CCS. O imbondeiro e os pavilhões estão onde eram a parada, as casernas, 
as oficinas, a cozinha e o refeitório dos praças

A Rua do Comércio, em Carmona, actual cidade do
Uíge, em  imagem de 19 de Setembro de 2019
 

Ha 49 anos, o capitão José Paulo Falcão, oficial de operações e comandante em exercício do BCAV. 8423, deslocou-se a Carmona para reunião de «contactos operacionais» com o Comando de Sector do Uíge (CSU).
José Paulo de Montenegro Mendonça Falcão, assim era seu nome completo e que hoje recordamos com saudade, faleceu a 4 de Dezembro de 2019, de doença prolongada e em Coimbra.
Ha 49 anos, o tenente-coronel Carlos Almeida e Brito, oficial de Cavalaria e comandante dos Cavaleiros do Norte doBCAV. 8423, estava de férias em Portugal, tendo regressado ao Quitexe nas vésperas do Natal de 1974.
Mal nós imaginaríamos, na altura, que a cidade de Carmona (e o BC12) iria ser a nossa futura «casa», a partir de 2 de Março de 1975.
Os tempos angolanos desse tempo de há 48 anos, não eram os mais pacíficos e a imprensa local dava conta de que «os novos incidentes agravam a impressão de insegurança que reina entre a população branca da capital» - a cidade de Luanda.
Isso era um facto e testemunhavam, real e sentidamente, alguns amigos (civis) que lá moravam. Uma família amiga (os Resendes), por exemplo, mudou-se de um bairro da estrada de Catete para a esperada segurança de um prédio localizado perto da praça de touros, na baixa de Luanda.
A tropa sentia-se presa entre dois fogos: acusada pela, população branca de «não assegurar proteção adequada» - o que não era verdade e muitos perigos nos criou - e pela negra, que se insurgia contra o que consideravam «uma repressão excessiva sobre as desordens».
O jornal «A Província de Angola» de
1974, o actual «Jornal de Angola»

Confrontações raciais se
os movimentos não agirem!


A comunidade civil quitexana, na calma com que o mês passava, também não deixava de apontar alguns dedos à tropa, aos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8323, de algum modo camuflados mas que se sentiam. 
Era em Luanda, a capital angolana, porém, que se temiam «novas confrontações raciais, se o MPLA, a FNLA e a UNITA não conseguirem dominar os elementos criminosos» - como referia a imprensa da capital angolana.
Rosa Coutinho, o então presidente da Junta Governativa, em Luanda, já dias antes lançara um apelo à calma, através da rádio e lembrou que «as buzinas dos automóveis não são uma voz política». 
Referia-se o representante do Governo de Portugal em Luanda à forma como a população se manifestava nas ruas da cidade. 
O jornal «A Província de Angola», em editorial, sublinhava, por sua vez, o apelo dos três movimentos para «a calma e a ordem».
«Quem está, então, a causar estas provocações?», perguntava o editorialista do diário matutino de Luanda - o actual «Jornal de Angola».
Eugénio Carmo
1º. cabo (A. Viçosa)



Carmo de Aldeia Viçosa
faz 71 anos na Covilhã !


O 1º. cabo Eugénio Gonçalves do Carmo, Cavaleiro do Norte da 2ª. CCAV. 8423, festeja 71 anos a 19 de Novembro de 2022. Amanhã e no município da Covilhã.
Atirador de Cavalaria de especialidade militar e combatente da sub-unidade comandada pelo capitão miliciano José Manuel Cruz, a dauíjana Aldeia Viçosa, regressou a Portugal no dia 10 de Setembro de 1975, depois da sua jornada africana por terras uíjanas do norte de Angola.
Jornada que, para além de Aldeia Viçosa, ainda o levou por Carmona - a actual cidade do Uíge. Antes de, a 4 de Agosto de 1975, rodar para o Campo Militar do Grafanil e, daqi, para Lisboa e a Covilhã.
Actualmente e já aposentado, mora no lugar de Peneiro, da freguesia de Sobral de S. Miguel, na Covilhã, e para lá, e para ele, vai o nosso abraço de parabéns!

sexta-feira, 17 de novembro de 2023

7269 - A formação do BCAV. 8423 e o adeus do capitão médico Leal, do alferes capelão Almeida e do cozinheiro Baião!

Alferes milicianos António Garcia e Jaime Ribeiro, capitão miliciano médico Manuel Leal, falecido a 10 de Abril de
2020  e que há 49 anos disse adeus ao Quitexe e aos Cavaleiro do Norte, regressando a Portugal, e o então
tenente Acácio Luz. Oficiais da CCS/BCAV. 8423
 

Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423, todos milicianos. Em cima, os furriéis
Graciano e Carvalho, com o alferes Barros Simões ao centro. Em baixo, o furriel
Luis Capitão, infelizmente falecido a 5 de Janeiro de 2010, em (Vila Nova de)
Ourém e de doença. RIP!!!

O Batalhão de Cavalaria 8423 «começou a existir cerca de Outubro/Novembro de 1973, com a mobilização da maioria dos seus quadros e tendo como unidade mobilizadora o RC4, sendo mobilizado com destino a Angola».
Foi isto há 49 anos, como se lê o livro «História da Unidade»!
O 4º. turno de instrução especial deveria ter-se realizado em Dezembro mas, de novo citando «História da Unidade, «por diversos condicionalismos, esse período de instrução não se realizou».
Assim, e por isso mesmo e continuando a citar o «HdU», «o encontro da maioria do pessoal do futuro Batalhão - oficiais, sargentos e praças - só se deu em Janeiro de 1974, no aquartelamento do Destacamento do RC4, em Santa Margarida».
A maioria dos quadros milicianos, todavia, apresentou-se ao longo o mês de Dezembro de 1974. Alguns deles, em véspera da Natal - como foi o caso dos futuros furriéis milicianos Monteiro, Viegas e Neto, nesse dia lá chegados, pouco antes do meio dia e transferidos, os três, do Centro de Instrução de Operações Especiais (CIOE), em Lamego. Apresentados, logo entraram em gozo de breve licença - que se prolongou até 2 de Janeiro de 1974, quando voltaram a Santa Margarida para a, então, já definitiva formação do BCAV. 8423. Envolvendo os futuros praças das 4 Companhias a do Comando (CCS)
 e as três operacionais.
O capitão miliciano médico Manuel leal, com
 a esposa e o alferes miliciano António Cruz,
há 7 anos e na Póvoa do Varzim

Adeus do capitão miliciano
médico Manuel Leal !


Um ano depois e por terras do Uíge angolano, os Cavaleiros do Norte iam já no 7º. mês de comissão mas, felizmente, já num período de acalmia. 
E num tempo em que foi também tempo de adeus(es): do capitão médico Leal, do alferes capelão Almeida e do cozinheiro Baião.
O capitão médico miliciano Manuel Soares Cipriano Leal já estava por Angola quando o BCAV. 8423 lá chegou, a 6 de Junho de 1974. Era médico do BCAÇ. 4211, unidade que os Cavaleiros do Norte substituíram. Regressou a Portugal e a Fafe, onde exerceu medicina até ao final da sua vida. Faleceu a 10 de Abril de 2020, aos quase 92 anos.
Foi condecorado com a Medalha de Mérito Militar Comemorativa das Campanhas do Exército Português, com a legenda «ANGOLA 2972-73-74, porque «sempre demonstrou a maior competência profissional, na resolução de todos os casos clínicos que lhe surgiram, com elevado espírito de servir», no que, sublinha o louvor, «evidenciou perfeita identidade com a missão que lhe foi solicitada, não se poupando a sacrifícios, nem olhando a horas de descanso».
Hoje o recordamos com saudade. RIP!!!


Alferes capelão  José
Ferreira de Almeida
O alferes miliciano
capelão José Almeida!


O padre capelão José Ferreira de Almeida, alferes miliciano de patente militar, foi outro Cavaleiro do Norte a deixar o Quitexe há 49 anos.
Faria 79 anos a 13 de Julho de 2023, mas faleceu, de doença cancerosa, a 2 de Março de 1995, aos 50 anos e quando era professor em Viseu.
Natural de Vila, da freguesia de Silvã de Cima, no município de Sátão, nasceu a 13 de Julho de 1944, filho do segundo casamento de Firmino Seixas de Almeida, viúvo, e de Maria do Carmo Ferreira. Foi ordenado sacerdote católico a 23 de Julho de 1967, aos 22 anos e por D. José Pedro da Silva, ao tempo Bispo da Diocese de Viseu.
Regressado a Portugal, viria a abandonar o sacerdócio em 1978/1979 e casar em 1992 com Conceição Isabel Rodrigues da Silva, depois Conceição Isabel Rodrigues da Silva Ferreira de Almeida, que era técnica administrativa do Centro de Saúde de Viseu. Depois de um longo processo canónico.
Os caminhos da vida levaram a que enveredasse pelo ensino, tendo sido professor de Português em várias escolas do distrito de Viseu, cidade onde sempre viveu e onde está sepultado. Faleceu quando se preparava para iniciar o doutoramento e foi sempre muito apaixonado pelo estudo da literatura, especialmente Aquilino Ribeiro e Miguel Torga, que, ironicamente, conheceu no IPO de Coimbra, quando ambos estavam às portas da morte.
Hoje o recordamos com saudade. RIP!!!

O Baião da cozinha
da CCS do Quitexe!


O soldado Antero Lourenço Baião foi outro Cavaleiro do Norte que, há 49 anos, abandonou o Quitexe, por desmobilização citada na Ordem de Serviço nº. 123, do BCAV. 8423.
Infelizmente, por razões que tiveram a ver com doença. Doença certamente (mais ou menos) grave, ou então não teria sido desmobilizado.
O que dele sabemos é que nasceu a 16 de Março de 1952, tem 71 anos, portanto, e foi cozinheiro de especialidade militar, trabalhando na cozinha da CCS, na vila do Quitexe.
Também sabemos que, por informação do soldado sapador Albino Dias, que com ele por vezes com ele se encontra, que mora em Nova Ermida, no concelho de Mira, a sua terra natal, já aposentado. Falámos muito brevemente com ele, em Maio deste ano, e estava de boa saúde.