CAVALEIROS DO NORTE / BCAV. 8423!

CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

domingo, 7 de junho de 2026

Cavaleiros do Norte de Santa Isabel, a 3ª. CCAV. 8423, confraternizaram na Sertã

Os Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423, ontem e na Sertã,
dia 6 de Junho de 2026, 52 anos depois da partida para Angola

A Família da 3ª. CCAV. 8423 (a 6 de Junho de 2026) na Sertã
  


Os Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Samta Isabel, confraterizaram ontem na Sertã, assinalando os 52 anos da partida para Angola - que foi a 5 de Junho de 1974, quando - ver AQUI - desembarcaram noaeroporto internacional de Luanda e dali foram para o Campo Militar do Grafanil.
A organização foi do 1º. cabo Ângelo Simões Teixeira, que 
O bolo dos 52 anos da CCAV. 8423
foi especialista de transmissões e 
teve apoio de Belmira Silva (Mirita), a «amazona de todos os noertes» do alferes miliciano Carlos Silva.
A «formatura» teve 25 respostas à chamada, o «pronto» de combatentes que, em 1974 e por 1975 dentro, foram a Angola participar no processo de paz e descolonização que deu lugar a um novo país da lusofonia.
Comandados pelo capitão miliciano José Paulo de Oliveira Fernandes que, ontem, também ontem não faltou à chamada. Podia lá faltar...
Os Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423 «atraíram» familiares e amigos, sendo 64 as pessoas que ontem brindaram às suas memórias e ao seu futuro.
O futuro próximo, aliás, já tem local - o do próximo encontro: será na zona de Tomar e terá como organizador Manuel Pereira Francisco, o Reguila - que é do lugar das Algarvias nabantinas e por chãos de Angola serviu como atirador de Cavalaria.

- Há 52 anos: A chegada da 1ª. CCAV. 8423 à Fazenda de Zalala!


 

A Fazenda de Zalala



A 1ª. CCAV. 8423 chegou à Fazenda Maria João, em Zalala, a 7 de Junho de 1974 - há precisamente 52 anos.
A subunidade do BCAV. 8423 era comandada pelo capitão miliciano Davide de Oliveira Castro Dias e chegara a Angola no dia 1 imediatamente anterior - aquartelando-se no Campo Militar do Grafanil.
Os oficiais milicanos eram os alferes Mário Jorge Sousa Correia de Sousa (que faleceu a 26 de Janeiro de 2021, de doença e no Porto), Pedro Marques da Silva Rosa, Carlos João da Costa Sampaio e José Manuel Lains dos Santos.
O 1º. sargento era Alexandre Joaquim Fialho Panasco e, também da guarnição de Zalala, eram os furriéis milicianos Jorge Manuel Mesquita Barreto (enfermeiro, falecido a 2 de Novembro de 2020, de doença e em Gondomar), João Custódio Dias (TRMS), José Antómio Moreira do Nasimento (vagomestre, ausente no Brasil), Manuel Moreira Pinto (de Operações Especiais), Manuel Dinis Dias (mecânico, falecido a 21 de Outubdo de 2011, de doença e em Lisboa), e os atiradores Fernando Manuel da Mota Viana, Jorge António Eanes Barata (falecido a 11 de Outubro de 2012, de doença e em Alcains), Américo Joaquim da Silva Rodrigues (falecido a 30 de Agosto de 2018, de doença e em VN de Famalicão), Victor Moreira Gomes da Costa, Eusébio Manuel Martins (falecido a 16 de Abril de 2014, de doença e em Belmonte), João Matias Mota Aldeagas e José dos Santos Louro.
A 1ª. CCAV. 8423 foi sustituir a 1ª. CCAÇ. 4211. Foi há 52 anos e éramos todos bem mais jovens!

- Há 51 anos: Portugal acusado de favorecer o MPLA nos sangrentos combates de Carmona e Uíge!


O ELNA, exército da FNLA de Holden Roberto, quis, há 51 anos,
fazer-se «dono» da cidade de Carmona e de todo o Uíge
 

Os graves e trágicos incidentes de Carmona de há 51 anos ainda faziam levedar ódios pela terra uíjana do norte de Angola, já seis dias passados - desde a sangrenta madrugada do dia 1 de Junho de 1975, um domingo.
A 7 de Junho imediatamente seguinte - hoje se fazem 51 anos!... -, era já certo que «as forças do MPLA foram expulsas, recolhendo aos quartéis portugueses». Recolhidos não só os militares do MPLA/FAPLA da guerrilha urbana dos movimentos angolanos, como muitos civis, de todas as raças, cores e credos 
políticos. Os Cavaleiros do Norte do BCAV. 823 não faziam distinção. Qualquer que fosse.  
Parada do BC12, há 51 anos: a evacuação
de refugiados do BC12 em autocarros civis 
e com proteção do BCAV. 8423
Um «heli» na parada do BC12


Refugiados no BC12 com 
proteção do BCAV. 8423 

As forças do MPLA, em termos de combatentes, formavam as Forças Armadas Populares de Libertação de Angola - as FAPLA do presidente Agostinho Neto! Pelo Uíge, derrotadas pelo Exército de Libertação Nacional de Angola, o ELNA da FNLA de Holden Roberto.
«Tudo o que se possa considerar simpatizante ou combatente do MPLA foi expulso do distrito», reporta o livro «História da Unidade», acrescentando que «no melhor dos casos» era a expulsão, porque, precisa do documento, «noutros há a citar algumas dezenas de mortos».
Centenas, diríamos nós! Milhares, quiçá!
Isto, enquanto dirigentes da FNLA - a força armada/movimento ganhadora da região - acusavam as NT (ali, exclusivamente os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423) de comportamento discricionário e partidário, questionando, até, a proteção dada à população civil que se refugiara no BC12. Mais de um milhar, talvez 2000, nunca se saberá ao certo!
Aumentavam, entretanto, os problemas de abastecimento, agudizados por «estarem cortadas as ligações rodoviárias com Luanda», como noticiava o «Diário de Lisboa» desse dia.
O abastecimento (militar) era feito, por esta altura, por aviões da Força Aérea Portuguesa, transportando toneladas de mantimentos para militares e civis do Uíge.
!

O 1º. cabo Jacinto Diogo festeja 74 anos na Quarteira!

O 1º. cabo Jacinto em Carmona (1974/75)

O 1º. cabo Jacinto Diogo foi escriturário do Comando de Sector do Uíge (CSU) e contemporâneo dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 na cidade de Carmona.
Hoje, dia 7 de Junho de 2026, festeja 74 anos de vida.
Natural de Odeleite, em Castro Marim (no Algarve), Jacinto Sebastião Gomes Diogo, de se nome completo, lá regressou em 1975, depois de cumprir a sua comissão em Angola, onde foi louvado pelo seus bons serviços militares.
Foi nosso companheiro da comissão uíjana, desde que a CCS do BCAV. 8423 se instalou em Carmona, a 2 de Março de 1975.
A vida levou-o para mais junto do mar e tornou-se próspero empresário do sector da restauração, fundador e gestor do afamadíssimo restaurante «O Jacinto», na avenida Sá Carneiro da algarvia e turística Quarteira. É lá que sempre o achamos nas nossas passagens pelo Algarve.
E é para lá que vaio nosso abraço de parabéns!

Almeida foi TRMS de Zalala e festeja 74 anos em Sesimbra !


José AG Almeida



O soldado José António Gomes de Almeida foi especialista de Transmissões de Infantaria da 1ª. CCAV. 8423 e festeja 74 anos a 7 de Junho de 2026.
Cavaleiro do Norte da mítica e saudosa Fazenda de Zalala, operacionalmente integrou o 4º. Grupo de Combate, comandado pelo alferes miliciano José Manuel Lains dos Santos, e também passou por Vista Alegre/Ponte do Dange, Songo e Carmona, antes do Grafanil, em Luanda - durante a sua jornada africana por terras de Angola. 
Regressou a Portugal no dia 9 de Setembro de 1975, à sua casa da Travessa do Antunes, em Sesimbra, onde continua a viver e para onde - e para ele... - vai o nosso abraço de parabéns!

sábado, 6 de junho de 2026

- Há 52 anos: A chegada da CCS do BCAV. 8423 à vila do Quitexe!

 

O edifício (à esquerda) do Comando do BCAV. 8423, na Avenida do Quitexe
Os furriéis milicianos Viegas e Rocha, ambos da
CCS do BCAV. 8423 e na sua primeira fotografia do
Quitexe. Há nada mais nada menos que 52 anos !
BCAV. 8423

Os Cavaleiros do Norte da CCS do BCAV. 8423 chegaram ao Quitexe no dia 6 de Junho de 1974!
Há 52 anos!
E parece que foi ontem, como ainda no sábado, no encontro de Leiria, tão fartamente foi lembrado!
Saímos do Grafanil de madrugada e fomos galgando quilómetros em asfalto, na chamada Estrada do Café - que ligava (e liga) Luanda a Carmona, pelo Cacuaco, Piri, Úcua, pelos Dembos afora, até à mítica Ponte do Dange, já entrando no território da então província/distrito do Uíge - depois por Vista Alegre e Aldeia Viçosa, ainda o Dambi Angola e muitas outras sanzalas da beira da estrada, antes da vila do Quitexe.
A mesma estrada, quase igual e sem buracos, por onde voltei a 24 de Setembro de 2019, quando viajei pelos chãos do Uíge da nossa saudade.
O comandante Almeida e Brito, tenente-coronel, e o capitão José Paulo Falcão (oficial adjunto) lá lá tinham estado no dia 27 de Maio, para «contactos com o comandante do BCAÇ. 4211», que íamos substituir. Contactos que, segundo o livro «História da Unidade», «foram muito superficiais».
O Quitexe, de resto, já nem era «novidade» para o tenente-coronel Carlos de Almeida e Brito, que lá tinha sido oficial de operações, era major de patente e oficial-adjunto do BCAV. 1917, em 1968.

O atirador Barroso, de Zalala, festeja 74 anos em Vila do Conde!



Manuel Barroso
Barroso e Pimenta (falecido a 07/01/2020)
dois «zalalas» de Vila do Conde 


O soldado Manuel Joaquim Faria Barroso foi combatente da 1ª. CCAV. 8423 e comemora 74 anos a 6 de Junho de 2026.
Cavaleiro do Norte com a especialidade de atirador de Cavalaria, jornadeou pala mítica Fazenda de Zalala e passou depois por Vista Alegre/Ponte do Dange, Songo e Carmona, sempre integrando o grupo de combate comandado pelo alferes miliciano Mário Jorge de Sousa Correia de Sousa, especialista de Operações Especiais (os Rangers, já faecido), com os furriéis milicianos Victor Moreira Gomes da Costa e os já falecidos José Carlos Évora Soares e José Manuel Baldy Gomes Pereira.
O Barroso regressou a Portugal no dia 9 de Setembro de 1975 e fixou-se em Vila do Conde, a sua terra natal e onde, profissionalmente, foi comerciante de legumes e frutas.
É para lá (para Vila do Conde) e para ele que vai o nosso abraço de parabéns! Grandes e bons 74 anos!

A 3ª. CCAV. 8423 confraterniza na Sertã e recorda a chegada a Angola!

 

O bolo do encontro de 6 de Junho de 2026 da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel

A animação musical do Mendes da Silva


Os Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423 estão reunidos na Sertã, assinalando os 52 anos da sua chegada a Angola.
Os comandados do capitão miliciano José Manuel Fernandes desembarcaram no aeroporto internacional de Luanda na manhã de 5 de Junho de 1974, seguindo para o Campo Militar do Grafanil - onde «estagiaram» até ao dia 11, quando rodaram para a fazenda uíjana do norte angolano.
A viagem foi pela Estrada do Café, passando pelo Cacuaco e Caxito, por Úcua, Quibaxe e Ponte do Dange, Vista Alegre - até à fazenda onde aquartelaram e onde substituíram uma subunidade do BCAÇ. 4211.
O encontro de hoje está animado e com o Mendes da Silva a «dar-lhe» no acordeon para saudável e alegre pé de dança. São momentos irrepetíveis, que continuam a história de há 52 anos aos dias de hoje!!!

sexta-feira, 5 de junho de 2026

O capitão José Manuel Cruz festeja 80 anos em Esmoriz!

 

Os capitães José Manuel Cruz (que hoje faz 80 anos)
e José Paulo Fernandes, com o alferes João Machado


O capitão miliciano José Manuel Romeira Pinto da Cruz foi comandante da 2ª. CCAV. 8423 e está hoje em festa pessoal: comemora 80 anos.
Há 52 e entrando nos 28 da sua então «tenra» idade, já estava em Angola, no Campo Militar do Grafanil. Um ano depois, em 1975 e na cidade de Carmona, comandava a 2ª. CCAV. 8423,  que ainda «ressacava» dos combates entre a FNLA e o MPLA.
Os trágicos e sangrentos combates da cidade e do Uíge não foram, obviamente, o melhor «cenário» para festas de anos e o capitão José Manuel Cruz foi,  até epor essa altura, um dos oficiais portugueses que, no Bairro Popular, negociou com a FNLA o «stop» à matança generalizada que se registava.
Natural e residente na cidade de Esmoriz (em Ovar) e aposentado do ensino, é participante (permanente e activo) dos encontros dos Cavaleiros do Norte desta sub-unidade do BCAV. 8423 - a 2ª. CCAV. 8423, a da saudosa Aldeia Viçosa.
Hoje, 5 de Junho de 2026, comemora 80 anos e para ele daqui vai um grande abraço! Parabéns!

 

- Há 51 anos: A chegada da 3ª. CCAV. 8423 dos Cavaleiros do Norte a Angola!

 

O capitão José Paulo Fernandes no momento de «falar aos tropas» no encontro dos Cavaleiros do Norte
da 3ª. CCAV. 8423 - a da Fazenda Santa Isabel, Quitexe e Carmona, na Batalha e em 2017! 

Furriéis milicianos da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa
Isabel: Alcides Ricardo, António Fernandes (já falecido),
Agostinho Belo e António Flora

Os companheiros da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda de Santa Isabel e do capitão miliciano José Paulo de Oliveira Fernandes, chegaram a Luanda no dia 5 de Junho de 1974. 
Há 52 anos, que amanhã vão celebrar na Sertã.
A subunidade foi a quarta do BCAV. 8423 a chegar a terras africanas, juntando-se à CCS do capitão António Oliveira, no Quitexe (lá chegada a 30 de Maio), a 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala e do capitão miliciano Davide Castro Dias (a 1 de Junho) e a 2ª. CCAV. 8423, do capitão José Manuel Cruz (a 4 de Junho), todos aquarteladas no Campo Militar do Grafanil.
A partida para o Uíge e a Fazenda Santa Isabel viria a acontecer no dia 11 de Junho, onde substituiu a 3ª. CCAÇ. 4211 - já depois de também terem rodado as outras três companhias, respectivamente nos dias 6,  e 10 de Junho de 1974.
Oficiais milicianos, eram os alferes Augusto Rodrigues, Carlos Silva, Pedrosa de Oliveira e Mário Simões. Os quadros desta subunidade incluíam o 1º. sargento Francisco Marchã e os furriéis milicianos Ângelo Rabiço (enfermeiro), Agostinho Belo, (vagomestre), João Cardoso (TRMS), José Lino (mecânico-auto), Armindo Reino (Operações Especiais, Rangers) e os atiradores de Cavalaria Delmiro Ribeiro, António Flora, António Fernandes, Alcides Ricardo, José Fernando Carvalho, Graciano Silva, António Luís Gordo e Grenha Lopes.

Pereira foi TRMS de Santa Isabel e festeja 74 anos em Lisboa



O soldado Fernando da Conceição Pereira foi especialista de transmissões da 3ª. CCAV. 8423 e festeja 74 anos a 5 de Junho de 2026.
Hoje mesmo!
Cavaleiro do Norte da Fazenda Santa Isabel, colaborou com o furriel miliciano João Cardoso (o responsável pelas transmissões da subunidade comandada pelo capitão miliciano José Paulo Fernandes) e depois do Quitexe e de Carmona (no BC12), regressou a Portugal no dia 11 de Setembro de 1975, no final da sua comissão militar de 15 meses, no norte de Angola.
Fixou-se em Lisboa, na Rua do Olival, aos Prazeres. Onde supomos que ainda morará. É para lá e para ele que vai o nosso abraço de parabéns!

quinta-feira, 4 de junho de 2026

- Há 52 anos: A chegada da 2ª. CCAV. e a partida da 3ª. CCAV. 8423 para Angola!

 

A Força Aérea Portuguesa evacuou muitos refugiados do BC12, há 51 anos e em Carmona. A Imagem 
recorda um helicóptero na parada do quartel e um grupo de Cavaleiros do Norte. De frente, o alferes
António Garcia (de rádio empunhado) e o furriel Manuel Machado (de mãos nas ancas)

Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV.
8423, a de Aldeia Viçosa
Os capitães Fernandes e
Cruz,os comandantes da 
3ª. e da 2ª. CCAV. 8423
 


A 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa e do capitão miliciano José Manuel Cruz, aterrou no aeroporto internacional de Luanda na manhã de 4 de Junho de 1974. 
Há 52 anos! 
O mesmo dia, mas ao princípio da noite, foi o tempo de partida de Lisboa da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel e do capitão José Manuel Fernandes - que sábado se reencontra na Sertã, na sua confraternização anual.
Era terça-feira e desde a quinta-feira anterior (dia 30 de Maio) já pelo Grafanil «debutava» a CCS, comandada pelo capitão António Martins Oliveira (SGE) e destinada à vila do Quitexe. A 1ª. CCAV. 8423, do capitão miliciano Davide de Oliveira Castro Dias e de Zalala, desembarcou a 1 de Junho.
Os Cavaleiros do Norte destas duas Companhias do BCAV. 8423 já eram «veteranos» e procuravam melhor conhecer Angola, que era o seu novo mundo. E não eram boas as notícias, as de mais mortos em combate. E era para a guerra que íamos nós.
A imprensa do dia de ha 51 anos publicava o comunicado do Serviço de Informação Pública (SIP) das Forças Armadas e este dava conta que «morreram em combate» dois furriéis milicianos: Carlos da Silva Miranda, natural de Vila Chã (em Vila do Conde) e Francisco Emídio Augusto Matos, do recrutamento local e natural de Nova Lisboa, actual cidade do Huambo.
Também a do soldado António Galeano Velasco, também do recrutamento local e natural do bairro de S. Paulo (na cidade de Luanda).

- Há 51 anos: Matança em Carmona e a caça ao homem!


O hospital de Carmona recebeu e tratou muitos feridos dos sangrentos combates do Uíge de 1975

Imagem dos incidentes de Carmona, há 51 anos!!!

O dia 4 de Junho de 1975 foi o quarto dos dramáticos combates de Carmona e o quarto da acção operacional permanente dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 - já desde a madrugada de 1 de Junho.
Há 51 anos!
«A aparente estabilidade da situação em Carmona rompeu-se brutalmente nas últimas 24 horas, com uma fulminante e sangrenta caça ao homem, lançada pelos comandos de Holden Roberto, contra militares e civis do MPLA», noticiava a imprensa.
Bem nos lembramos disso, como actores vivos e operacionais desses dias de tragédia, violência e lutos! 
A memória, recuando ao tempo, não esquece os momentos trágicos vividos nas ruas e bairros envolventes da cidade de Carmona, onde se «achavam» corpos esquartejados, assassinados a tiro e armas brancas, alguns deles queimados (há quem diga que ainda vivos, ainda alguns).
«A ofensiva coincide com ataques dispersos do ELNA, em Cabinda, e representava uma grave deterioração da situação militar e um pesado fracasso para as diligências das missões quadripartidas que voaram para Carmona no princípio da semana e julgavam ter reposto a ordem», noticiava o (extinto) «Diário de Lisboa», acrescentando que «a matança prossegue em Carmona».
«Ninguém dispõe ainda do número de mortos, feridos, presos e desaparecidos, mas as vítimas serão já muitas dezenas. As ruas estão cheias de cadáveres», sublinhava o jornal lisboeta, em despacho de Luanda, frisando também que «os comandos a FNLA invadiram e destruíram as casas de dezenas de simpatizantes do MPLA, matando muitos deles, espancando e raptando outros».
Já lá vão 51 anos!

quarta-feira, 3 de junho de 2026

O encontro dos Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423 é na Sertã!

 

O encontro de 2016 foi na barragem de Castelo de Bode

A ementa da Sertã (2026)
O 1º. cabo Ângelo
Simões Teixeira


A 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel, vai ter o seu encontro anual no dia 6 de Junho de 2026.
O próximo sábado, na Sertã e no restaurante da Quinta de Santa Teresinha.
O organizador é o 1º. cabo Ângelo Simões Teixeira, que foi especialista de transmissões, no grupo do furriel João Cardoso. Tem apoio de Belmira Silva (Mirita), a «mais-que-tudo» do alferes miliciano Carlos Silva, outro Cavaleiro do Norte da 3ª. CCAV. 8423.
A concentração será na Alameda da Carvalha (junto ao rio), na Sertã e pelas 11 horas.
A ementa é vasta e saborosa, com fartas entradas, para começar: enchidos regionais, maranho e bucho recheados da Sertã, presunto de cura tradicional, queijo, chamuças, rissóis de camarão e croquetes de vitela, mais bolinhos de bacallhau.
Aos «depois», haverá sopa de peixe, bacalhau com broa crocante, batata assada com pele e migas; também bochechinhas de vitela, com vários acompanhamentos.
As bebidas serão à escolha: vinhos branco, tinto e verde, águas minerais e refrigerantes. E os digestivos: café, whishy novo, medronho da Sertã, vinho o Porto e espumante bruto para acompanhar o bolo.
Nao faltam bons motivos para um grande encontro!!!

- Há 51 anos: Paz em Carmona. Mas que paz?


Incidentes em Carmona
(em Junho de 1975)
Notícia de «Diário de
Lisboa» de há 51 anos


Os sangrentos incidentes de Carmona de há 51 anos continuavam vivos e letais, embora o «Diário de Lisboa» de 3 de Junho de 1975 noticiasse «êxito das diligências conjuntas para o estabelecimento da ordem».
Êxito, se êxito de adivinhava - e ansiosamente se desejava - , era o sequente da permanente, continuada e corajosa intervenção directa dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 no terreno, 24 sobre 24 horas e em continuados esforços e riscos - embora não citados pelo jornal, que não tinha jornalistas no terreno e se fundamentava em fontes de Luanda.
Sabe-se lá de que origem.
Modestamente, referia o DL que «o Exército Português parece ter tido êxito na sua missão».
A cidade continuava em guerra aberta entre as forças da FNLA - o Exército de Libertação Nacional de Angola (ELNA), do presidente Holden Roberto - e do MPLA - as Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA), do presidente Agostinho Neto.
Nalguns casos cara a cara, rua a rua, noutros com explosões de obuses e morteiros por todo o lado, tiroteios e rajadas indiscriminadas.
A população civil pedia, e teve, «a proteção das NT», a qual, como se lê no livro «História da Unidade» e nos lembramos muito bem, «lhes foi dada, entrando no quartel um milhar de refugiados».
Não só na cidade: «os graves conflitos armados atingiram todas as vilas do distrito» onde estivesses instalados a FNLA e o MPLA e as suas tropas do ELNA e das FAPLA.

- Há 52 anos: A partida para Angola da 2ª. CCAV. 8423!|


 

O furriel Melo, os alferes Capela e Machado, o
comandante Almeida e Brito e o capitão José M. Cruz 

A 2ª. CCAV. 8423 do BCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, partiu para Angola na noite de 3 de Junho de 1974.

Há exactamente 52 anos.
Comandada pelo capitão José Manuel Cruz, o quadro de oficiais incluía os alferes milicianos João Machado, Carvalho de Sousa, João Carlos Periquito e Jorge Capela.
O 1º. sargento era Fernando Norte (já falecido) e o quadro de furriéis, todos milicianos, era formado por Abel Mourato (vagomestre, falecido a 2 de Junho de 2020, de doença), António Rebelo (TRMS), António Chitas (armamento pesado), Amorim Martins (mecânico-auto), Carlos Letras (Operações Especiais, os Rangers) e os atiradores de Cavalaria António Cruz, José Maria Ferreira, Mário Matos, João Brejo, Rafael Ramalho, José Manuel Costa, José Gomes e António Artur Guedes.

terça-feira, 2 de junho de 2026

O capitão Luz: 97 anos de lucidez e memória dos Cavaleiros do Norte!

O grupo de CCS´s na Barosa, a 30 de Maio de 2026. Atrás, Costa (cor de rosa), Amaral, Cabrita, Carlos, Caixarias, Madaleno, Valdemar e Delmar. A seguir: Costa, Afonso, furriel N. Morais, Esgueira, 1º. cabo Gomes, furriel C. Viegas, 1º. cabo Pais, Carlos Ferreira  e Moreira. Depois, 1º. cabo Teixeira (camisola pelos ombros), furriel Cândido Pires, Vicente, furriel N. Rocha, Pagaimo, Serra e 1º. cabo Luciano. À frente, Gaiteiro, alferes Cruz, J. Celestino, Malheiro, neto do 1º. cabo Jorge Vicente, 1º. cabo Coelho (Buraquinho), Aurélio (Barbeiro), 1º. cabo Grácio, Caetano e 1º. cabo Breda (o organizador e com o estandarte)
O furriel Viegas e o capitão Acácio Luz, a 31 de
Maio de 2026, na sua casa da Marinha Grande


O capitão Acácio Carreira da Luz, de 97 anos, foi um ausente-presente do encontro dos Cavaleiros do Norte da CCS do BCAV. 8423. 
«A idade, sabe..., limita-me a locomoção. Creio que os meus amigos compreenderão», disse-nos ele, quase timidamente, na sua casa da Marinha Grande, onde o fomos visitar e dando-nos conta da «muita saudade e muita amizade, que todos os meus amigos que, em circunstâncias comuns de alegrias e tristezas, viveram comigo, no Quitexe e em Carmona».
«Apesar de já passados mais de 50 anos, sabemos bem que essa amizade, alimentada pelos convívios anuais ao longo de todo este tempo, jamais se esbaterá enquanto vivermos», sublinhou o capitão Acácio Luz, também recordando «com saudade, os nossos amigos das outras três Companhias do Batalhão, principalmente aqueles com quem mais de perto convivi».
«Desejo a todos vós e a vossas famílias a melhor saúde e as maiores felicidades, assim como um óptimo convívio e um bom regresso a vossas casas», afirmou o capitão Acácio Luz - o nosso tenente da secretaria do Comando, durante os 15 meses da nossa jornada africana pelo norte de Angola. E que, anteontem, abraçámos com alegria e emoção, partilhando a sua lucidez e memória.
Os colaboradores do encontro da CCS. A 
companheira de Breda é a terceira
a contar da direita


A mensagem

Saudades vivas e
muitas memórias !

A organização do encontro foi da responsabilidade e competência do 1º. cabo Joaquim Rama Breda, que foi condutor-auto e caprichou nesta nossa jornada de saudade, em terras da Barosa de Leiria.
«Vocês desculpem alguma falha, nunca estive metido numa coisa destas», disse ele, sem ter de se desculpar de nada. Nem de se ter esquecido das garrafas de presentes.
A organização incluiu um grupo de colaboradores, coordenado por Brasilina Assis, a companheira de Breda, e «fardados» à Cavaleiros do Norte, como se pode ver nas imagens. E com significativas mensagens.

O encontro «atraiu» 35 Cavaleiros do Norte que, de norte a sul, galgaram as estradas de Portugal para se abraçarem em mais estar jornada de saudade e memórias. E tantas foram desfiadas na concentração e no decorrer do almoço de confraternização.
Como se o ontem de há mais de 50 anos fosse o hoje se sempre!
Até para o ano, em Torres Vedras e com chancela organizativa do Raúl Caixarias. Abraços para todos!!!


O furriel Abel Mourato foi vagomestre da 2ª. CCAV. 8423. Faleceu há 6 anos!


 

Os furriéis milicianos Carlos Letras e
Abel Mourato nas piscinas de Carmona
Abel Mourato
O furriel miliciano Mourato foi C avaleiro do Norte da 2ª. CCAV. 8423 e faleceu a 2 de Junho de 2020, vítima de doença e em Vila Viçosa.
Há 6 anos!
Abel Maria Ribeiro Mourato foi vagomestre de especialidade militar, partiu para Angola a 4 de Junho de 1974 e de lá regressou a 10 de Setembro de 1975, por lá sendo sempre um bom companheiro de todos os Cavaleiros do Norte do Batalhão de Cavalaria 8423.
Nascido a 24 de Janeiro de 1952, fez carreira profissional como funcionário da administração fiscal e residia em Vila Viçosa, quando, já aposentado, sentiu dores na cervical e artroses, entrando em ciclo depressivo. A 27 de Maio de 2020, foi internado em hospital, tendo-lhe sido diagnosticados problemas de tensão alta, dificuldades de oxigenação e embolia pulmonar.
Casado em segundas núpcias com Manuela, era pai de Marta, de 19 anos. E de Nuno Miguel, de 42 e do primeiro casamento.
Até um destes dias, amigo Mourato! RIP!!!

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Os Cavaleiros do Norte da CCS lembrando os dramáticos dias de Junho de 1975!

O alferes António Cruz, o Raúl Caixarias e
o 1º. cabo Joaquim Breda - a 30/05/2026

 


O encontro dos Cavaleiros do Norte da CCS do BCAV. 8423 foi na Barosa de Leiria, a 30 de Maio de 2026, e foi momento de várias e sentidas emoções. Por exemplo, a recordação do 1º. cabo José Manuel Cordeiro, de uma noite de patrulhamentos na cidade de Carmona.
«Lembras-te, ó... Os gajos não nos queriam deixar passar, naqueles dias de porrada..., qu´eram eles que mandavam, mas nós não nos ficámos e fomos mesmo p´rá cidade. Acartámos centenas de civis para o quartel, salvámos-lhe a pele...», recordou este atirador de Cavalaria do PELREC, falando para o furriel Viegas e para o seu filho, outro debutante do encontro.
Foram, voltando 51 anos atrás, dias e noites de medos e desassossego, em patrulhas urbanas 
Cavaleiros do Norte do PELREC: os soldados Aurélio
Júnior (Barbeiro), e Raul Caixarias, o furriel Viegas, o 
 1º. cabo José Cordeiro e o soldado Francisco Madaleno
constantes e de mil perigos, connosco sempre na mira dos «fnla´s» e dos «mpla´s» e da comunidade civil, que «odiava» a tropa.
Tropa que éramos nós, os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423! Tropa que se sentia isolada mas que, como se lê no livro «História da Unidade», teve «verdadeiro sentido de missão» e particularmente nos primeiros 6 dias de Junho de 1975, mostrou «tenacidade e a firme certeza» (...), «calma e coragem (...), sangue frio, sentido de missão e grandeza, consciência desinteressada e com o leal desejo de cumprir a missão que lhe foi imposta pelo processo de descolonização».
«Voltavas a fazer o mesmo e da mesma maneira?Alinhavas?...», interrogou-lhe o Viegas.
«Claro, mas é claro...», respondeu sorridente o José Cordeiro, olhando cumplicemente para o filho, que levou ao encontro e como quem pergunta: «Tás a ver, eu não te dizia»...».
Os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, na verdade, passaram «momentos difíceis e preocupantes, em todos os aspectos», mas, citando o «LdU», «deram reais provas, unânimemente e superiormente reconhecidas, até pelas próprias populações».
Tal foi a sua bravura!
Saudação aos Cavaleiros do Norte da CCS

A camaradagem
de há 51/52 anos!

O alferes António Cruz foi o orador do encontro, enaltecendo as virtudes militares do Cavaleiros do Norte e exaltando o papel as mulheres.
«Se não fossem elas, o que seria de nós, os homens...», comentou o oficial mecânico do BCAV. 8423, do alto dos seus vetustos 80 anos e também lembrando o capitão Acácio Luz, o Cavaleiro do Norte Maior - que a 28 de 
Recordações da Barosa
Março festejou 97 anos!
Sublinhou «a camaradagem que nos fez mais maduros e conscientes», num tempo, o de há 51/52 anos, em que «o dever nos levou às terras de Angola». E anunciou o «juiz» do encontro de 2027: será o Raúl Caixarias. Por terras de Torres Vedras.
O Joaquim Breda, o 1º. cabo que foi condutor-auto por terras de Angola e em 2026 foi o organizador do encontro de Barosa, estava emocionado quando, dando conta da sua «alegria de estarmos na minha terra a lembrar a nossa passagem por Angola», se ia esquecendo a lembrança que há para todos»: as duas garrafas que se vêem na imagem.
E foi aliviado e feliz que, sorridente, passou o testemunho, o guião da CCS do BCAV. 8423, para as mãos do Raúl Caixarias.
Ficou em boas mãos!
«Irei fazer o meu melhor, para vos receber bem», disse o Caixarias, que, com Alzira, sem amor de sempre, não falha(m) um encontro dos Cavaleiros do Norte da CCS do BCAV. 8423. 
- AMANHÃ: O capitão Acácio Luz: 97 anos!