CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

7 092 - A rotação da CCS e da 2ª. CCAV. 8423 para o BC12 na cidade de Carmona!

Cavaleiros do Norte do PELREC da CCS do BCAV. 8423. De pé, os 1ºs. Jorge cabos Vicente (já falecido) e
Almeida (que faleceu há precisamente 14 anos, hoje se  passam), furriel Monteiro e 1º. cabo Vicente. Em
 baixo, Aurélio (Barbeiro), furriel Neto (que hoje festeja 71 anos) e os também já falecidos Leal e alferes Garcia
O lago (partido) do jardim do Quitexe, em frente à
administração e a 24 de Setembro de 2019


Aos 28 dias de Fevereiro de 1975, já lá vão 48 anos, a uíjana vila do Quitexe acordou sem grandes alterações ao habitual das últimas semanas. 
Por lá, pelo chão do norte de Angola, jornadeavam a CCS (em vésperas de rodar para a Carmona) e a 3ª. CCAV. 8423, que a 10 de Dezembro de 1974 tinha chegado de Santa Isabel.
O dia foi quente, tal como em Aldeia Viçosa e Vista Alegre/Ponte do Dange, por onde, ao tempo, respectivamente se aquartelavam os Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. e da 1ª. CCAV. 8423.
O comandante Carlos Almeida e Brito, no mesmo dia e uma vez mais, foi a reunião de trabalho na Zona Militar do Norte (ZMN), em Carmona, ultimando a rotação da CCS e da 2ª. CCAV. 8423 para o BC12.
Os serviços de ordem continuavam tranquilamente e levedava o entusiasmo da partida para a capital da província uíjana, para o BC12 - onde iríamos ocupar as instalações localizadas na estrada para o Songo. 
Confirmava-se, assim, a remodelação do dispositivo militar que se murmurava desde o princípio do ano - que indicava que o BCAV. 8423 «iria sediar-se em Carmona», dado que, conforme se lê no livro «História da Unidade», «o BC12, que desde 1961 guarnecera a capital do Uíge, iria ser extinto».

Francisco e Ni Neto (2018)

Os viçosos 23 anos 
do furriel Neto !

O dia 28 de Fevereiro de 1975 foi também o do 23º. aniversário do furriel miliciano Francisco Neto, especialista de Operações Especiais (Rangers) e Cavaleiro do Norte do PELREC da CCS.
 Aniversário comemorado a preceito, ainda que «regado» de saudades, mas com farta ementa saída da mão de Maria do Lázaro - a cozinheira e mulher de vida de Pacheco, dono do restaurante do mesmo nome, mesmo em frente à Casa dos Furriéis e Messe de Oficiais.
Era sexta-feira, partiríamos no domingo seguinte para Carmona (e partimos) e a «comezaina» dos 23 de anos do Francisco Neto foi assim como que, também, a da nossa despedida da saudosa vila do Quitexe. Bem regada e melhor comida, já que D. Maria do Lázaro (que suponho ser de ascendência cabo-verdiana) tinha mãos de fada para a cozinha. Ai não que não tinha!
Mal sabia ele, ninguém sabia, que, um ano depois, precisamente, iria levar ao altar a sua Ni, namorada do tempo e mulher de toda a sua vida! Parabéns!

J. Almeida
em 1974/75
O furriel Viegas e a viúva
de Joaquim Almeida (2018)

A morte do 1º. cabo
Joaquim Almeida !


O 1º. cabo Joaquim Figueiredo de Almeida, atirador de Cavalaria e Cavaleiro do Norte do PELREC da CCS, faleceu, de doença, a 28 de Fevereiro de 2009. Há 14 anos.
Natural de Pedrogão de S. Pedro, freguesia do município de Penamacor, lá voltou no dia 8 de Setembro de 1975, quando terminou a sua (e nossa) comissão militar por terras do norte de Angola. Esteve muitos anos emigrado em França, antes e depois do serviço militar, e, já regressado à casa natal, foi vítima de doença cancerosa, aos 58 anos, feitos dois meses antes - nascido a 5 de Dezembro de 1950.
Hoje o recordamos com saudade! RIP!!!

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

7 091 - Os últimos aspectos a rendição do BC12 de Carmona! O tenente Mora e o furriel Nascimento!

Quitexe, a 24 de Setembro de 2019. A secretaria da CCS e casa dos furriéis (telhado avermelhado
escuro, frente ao segundo e terceiro candeeiros, do lado direito), messe de oficiais (telhado
cinzento e em bico) e, mais ao fundo, sempre do lado direito, a messe e bar de sargentos

O tenente João Mora, à esquerda, e os furriéis milicianos
Neto e Viegas, na avenida do Quitexe e em 1974)


A 27 de Fevereiro de 1975, uma quarta-feira de há 48 anos, o tenente-coronel Carlos Almeida e Brito, oficial de Cavalaria e comandante do BCAV. 8423, voltou a Carmona e à Zona Militar Norte (ZMN) no dia 27 de Fevereiro de 1975, uma vez mais para «ultimar os aspectos da rendição do BC12». Tal qual, de resto, acontecera a 19, a 20, a 25 e a 26 (quando, de vez, foi definida a rotação) e depois, a 28.
Os Cavaleiros do Norte da CCS, no Quitexe aquartelada desde o dia 6 de Junho de 1974, seriam os primeiros a rodar, seria a 2 de Março (o domingo seguinte) e em Aldeia Viçosa, os companheiros da 2ª. CCAV. 8423 também preparavam malas para a rotação.
O Uíge, por esse tempo, estava minimamente sereno mas era tensa a situação em outros pontos de Angola. Já nem falando de Luanda, onde incidentes eram o  «pão-nosso-de-cada-dia», no Lobito registaram-se confrontações, por causa da greve dos trabalhadores do porto, aparentemente fomentada pela UNITA - segundo a acusação do MPLA, que atribuiu ao movimento de Jonas Savimbi «a manobra divisionista destinada a criar o caos».
«Quem está interessado em fomentar as greves»?, questionava, por sua vez, o movimento de Agostinho Neto, apelando para «a vigilância dos trabalhadores contra as manipulações dos inimigos do povo».
Tenente SGE João
Elóy Mora (1974)

Tenente João Eloy Mora
apresentou-se no RC4 !


O então alferes e futuro tenente Mora, do SGE, apresentou-se no RC4, em Santa Margarida, às 22,30 horas de 27 de Fevereiro de 1974, «por ter sido nomeado para servir no Ultramar, fazendo parte do BCAV. 8423 como adjunto da CCS».
Há 49 anos!
João Eloy Borges da Cunha Mora, era este o seu nome completo, rodava dos Serviços Centrais do Exército, em Lisboa, e imortalizou-se na guarnição do Quitexe como o tenente Palinhas, assim carinhosamente tratado por sempre «exigir» que se lhe batesse a pala, em continência. Não o fizessem os subalternos e fá-lo-ia ele, dando o exemplo e exigindo a palada. Era natural do Pombal, onde nasceu a 30 de Junho de 1926. 
Casado com uma senhora indiana que o acompanhou em Angola, faleceu a 21 de Abril de 1993, aos 67 anos, em Lisboa e de doença. Hoje o recordamos com saudade. RIP!!!
Os furriéis milicianos José
A. Nascimento, José Lino e
Plácido Jorge Queirós

Furriel José Nascimento, o

vagomestre da 1ª. CCAV. 8423!


O furriel miliciano José António Moreira do Nascimento, Cavaleiro do Norte da 1ª. CCAV. 8423, também se apresentou no RC4 a 27 de Fevereiro de 1974, já lá vão 48 anos.
Vagomestre de especialidade militar, rodava do Regimento de Infantaria nº. 15 (RI 15), em Tomar, e apresentou-se às 11 horas de noite no campo Militar de Santa Margarida e a caminho do seu destino angolano: a mítica Fazenda de Zalala. 
Regressou a Portugal no dia 9 de Setembro de 1975, à sua cidade do Porto natal, freguesia de Campanhã, e, actualmente e desde há já muitos anos, está emigrado nos Estados Unidos.

domingo, 26 de fevereiro de 2023

7 090 - A pressa de uma rápida mudança da vila do Quitexe para a cidade de Carmona!


Quitexe, a 24 de Setembro de 2019. O furriel Viegas, do PELREC da CCS do BCAV. 8423, em frente
ao que resta da casa do comandante Almeida e Brito, mais de 48 anos depois da saída dos Cavaleiros
do Norte da vila quitexana. Reparem nas rodas do automóvel!

Aldeia Viçosa, a 24 de Setembro de 2019.  Ao fundo, a
 capela; à direita, parte das instalações da 2ª. CCAV. 8423


Aos dias 26 de Fevereiro de 1975, uma terça-feira de há exactamente 48 anos e finalmente, a reunião da Zona Militar Norte (ZMN) definiu que os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 iam rodar para Carmona e para o (em extinção) BC12. 
 Agora, e então, como sublinha o livro «História da Unidade», «com a pressa de uma rápida e imediata mudança» - o que se viria a concretizar no dia 2 de Março seguinte.
A mudança, ainda segundo o livro «HdU», foi do «agrado geral para a maioria dos militares», mas, contudo, frisava também, «traz ao BCAV. a responsabilidade de uma zona de intensa politização dos movimentos emancipalistas, o que, forçosamente, virá a trazer-nos responsabilidades, honrosas por um lado, mas extremamente difíceis e complexas, por outro».
Mal nós imaginávamos, ao tempo, o que nos esperava na capital do Uíge - nomeadamente nos trágicos primeiros seis dias de Junho desse mesmo ano de 1975.

A Rua do Comércio, em Carmona, a actual cidade
 do Uíge. Imagem de 25 de Setembro de 2019,
quando por lá passou o furriel Viegas 

A cidade de Carmona
no dias do BCAV. 8423!

A cidade de Carmona já nós conhecíamos muito bem - das muitas vezes que para lá tínhamos viajado, a troco das mais vulgares razões e atraídos pelos prazeres da vida, do desejo e da idade.
Carmona era, para a maioria generalizada de todos nós, a primeira cidade que melhor conhecíamos. Quase todos nós, Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, , éramos gente da província do Portugal de 1973 e 1974.
A notícia da rodagem para a capital do Uíge, já mais ou menos esperada, foi recebida com tranquilidade - embora também com expectativa -, e os poucos dias que nos separavam da partida (2 de Março) foram vividos a preparar a saída, embrulhando malas e fazendo despedidas.
A 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel, comandada pelo capitão miliciano José Paulo Fernandes, iria continuar na vila do Quitexe. Lá chegara, a 10 de Dezembro de 1974, deixando de vez a mítica fazenda uíjana, militarmente ocupada desde 1961 - ano do começo da guerra colonial.

O furriel Bento e o sapador
Albino Dias: dois regressos
em 2019, 44 anos depois!
A. Dias em
1974/1975


O adeus a Angola
do sapador Albino !


O soldado Albino Marques Dias, sapador da CCS do BCAV. 8423, regressou a Portugal no dia 26 de Fevereiro de 1975, por razões de doença.
Agora já aposentado da Câmara Municipal, é natural da freguesia de Loureiro, no município de Oliveira de Azeméis, e sofria (e sofre) de epilepsia, doença que implicou o seu internamento (ainda) em Angola e posterior evacuação para o Hospital Militar de Lisboa.
Voltou ao convívio dos Cavaleiros do Norte da CCS apenas 44 anos depois, quando foi«descoberto na sua terra natal e participando no encontro de 2019 e em Penafiel, durante o qual se emocionou e do qual regressou felicíssimo à sua terra natal da oliveirense freguesia de Loureiro.
Voltou a participar no de 2022, em Braga e depois do COVID 19. Certamente que não faltará ao da Covilhã, marcado paraa 10 de Junho deste 2023 que está a correr. Até lá!

sábado, 25 de fevereiro de 2023

7 089 - Os inúmeros contactos entre a CCS e a 2ª. CCAV. 8423, com o BC12 de Carmona!

 

Futebol da CCS, no Quitexe. De pé, 1ºs. cabos Grácio, José Gomes e Miguel Teixeira, Botelho, Miguel
(furriel páraquedista), Gaiteiro e 1º. cabo Soares. Em baixo, 1º. cabo Teixeira (pintor), furriéis Mosteias
(falecido a 5 de Fevereiro de 2013) e Lopes, Mendes (1º. cabo dos Morteiros), furriel José 
Monteiro e 1º. cabo Domingos Teixeira (estofador)

O 1º. sargento José Luzia (falecido a 2 de Abril de 2017),
no bar de sargentos do Quitexe e ladeado pelo furriéis
milicianos Monteiro (à esq.) e Viegas, todos da CCS


O dia 25 de Fevereiro de 1975, há  precisamente 48 anos, foi tempo de o tenente-coronel Carlos Almeida e Brito, comandante do BCAV. 8423, voltar a reunir na Zona Militar Norte (ZMN, para «ultimar os aspectos de rendição do BC12», a unidade e aquartelamento que os Cavaleiros do Norte, definitivamente, iam substituir e ocupar na cidade de Carmona - a capital do Uíge.
Acompanhado do capitão José Paulo Falcão (oficial adjunto e de operações) acompanhou Almeida e Brito e este encontro de trabalho seguia-se a dois (de 19 e 20) e ainda se sucederiam mais três (a 26, 27 e 28 desse mês de Fevereiro de há 48 anos). Ao mesmo tempo, «foram estabelecidos inúmeros contactos entre a CCS e a 2ª. CCAV. 8423, com o BC12», já que, como se lê no livro «História da Unidade», «serão estas duas unidades que rodarão para Carmona». A CCS comandada pelo capitão SGE António Martins de Oliveira, a 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa pelo capitão miliciano José Manuel Cruz. Estes contactos, porém, terão tido aprofundada colaboração dos dois 1º. sargentos das respectivas Companhias - José Claudino Luzia e Fernando Norte.
Tudo se aprontava, pois, para a rotação para a capital do Uíge! Tão esperada e desejada! No Quitexe, continuaria a 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel, comandada pelo capitão miliciano José Paulo Fernandes. Em Vista Alegre e Ponte do Dange, a 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, comandada pelo capitão miliciano Davide Castro Dias. Porém, e segundo o Livro da Unidade, «a aguardar a possibilidade de rodar para o Songo».
Alberto Pimenta em Zalala (1974)
Alberto Pimenta,
o Barbas (2019)


Pimenta, o Barbas de 
Zalala, faria hoje 71 anos!

O atirador de Cavalaria Alberto Pimenta faria 28 anos no dia 25 de Fevereiro de 2023. Infelizmente, faleceu a 7 de Janeiro deste mesmo 2020! 
Alberto Abel Alves Pimenta era natural do Mindelo, em Vila do Conde, e lá voltou a 9 de Setembro de 1975 - no final da sua jornada por terras uíjanas do norte de Angola.
Por Angola, e ainda em Zalala, começou a deixar crescer a barba, que nunca mais cortou e ficou a sua imagem de marca. Trabalhou como mecânico profissional (e empresário deste sector) e foi participante sempre activo dos encontros de confraternização dos Cavaleiros do Norte de Zalala! 
Vivia na Estrada Nova, na Póvoa do Varzim e hoje o recordamos com saudade! RIP!!!

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

7 088 - A rotação dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 para a cidade de Carmona!


O furriel miliciano Viegas, Cavaleiro do Norte do PELREC da CCS do BCAV. 8423, e o condutor
Nogueira da Costa, da BCAÇ. 209/RI 21, da Fazenda do Liberato a caminho do Quitexe e de
Carmona, a 24 de Setembro de 2019, no Cacuaco, Estrada do Café

Cavaleiros do Norte no Quitexe, em Dezembro de 1974 - todos furriéis
milicianos. Atrás, João Cardoso, José Fernando Carvalho, Francisco
 Bento, Luís Costa (?) e António Fernandes. À frente, Nelson Rocha, 
Viegas, Norberto Morais, José Pires, José Carlos Fonseca e António
Flora.  Mais à frente e de boina na mão, Delmiro Ribeiro


Aos dias 24 de Fevereiro de 1975, há exactamente 48 anos, levedava pelo uíjano e angolano Quitexe a expectativa dos Cavaleiros do Norte da CCS sobre a eventual rotação para  Carmona (actual cidade do Uíge).
Valha a verdade, era cada vez maior, nas não nos chegavam notícias definitivas - sabendo-se, porém, que já era seguro que não iríamos para Luanda (onde nos desejava a Região Militar de Angola), mas para o BC12, em Carmona.
A esse tempo, a FNLA comprometeu-se a libertar um dirigente do MPLA, detido no decorrer dos incidentes na cidade de Dalatando, assim como, segundo o Diário de Lisboa, «a levantar os controlos do acesso a Dalatando». 
Dalatando (ou a Salazar do tempo colonial) era uma cidade relativamente perto do Quitexe e um dos destinos dos passeios militares que ao tempo de realizavam, nomeadamente ao fim de semana. Assim como a Malange, Cacuso e às Quedas do Duque de Bragança. Ficava a uns 200 quilómetros, distância que, em termos de Angola e em estradas de asfalto, como era o caso, era como ir ali e vir.
O casal Cruz: o alferes miliciano e a médica
Margarida, com o filho Ricardo, no Natal de
1974 e no Quitexe angolano



Alferes António Cruz
em Santa Margarida !


Um ano antes, precisamente, e no Campo Militar de Santa Margarida, apresentou-se o futuro alferes miliciano António Albano Cruz, num tempo em que Cavaleiros do Norte atiradores de Cavalaria gozavam férias, depois da instrução especial da Escola de Recrutas, no Destacamento do RC4, em Santa Margarida.
António Albano de Araújo Sousa Cruz rodava da Companhia Divisionária de Manutenção de Material (CDMM), aquartelada no Entroncamento, e viria a ser o comando do Parque-Auto do BCAV. 8423, que tantos e tão bons serviços viria a desempenhar na nossa jornada africana do Uíge Angolano.
Por curiosidade, registe-se que se apresentou às 19 horas e, em Angola, se fez acompanhar da esposa, a dra. Margarida Cruz (médica), e do filho Ricardo.
Balha Ferreira

Balha de Aldeia Viçosa,
71 anos em Coruche !


O 1º. cabo Fernando Balha Ferreira, Cavaleiro do Norte da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, festeja 71 anos a 24 de Fevereiro de 2023. Hoje mesmo!
Atirador de Cavalaria de especialidade militar, também jornadeou pela cidade de Carmona e regressou a Portugal no dia 10 de Setembro de 1975, no final da sua comissão militar angolana. Fixou-se no lugar de Cabecinhas, freguesia de Lamarosa, em Coruche. Sabemos que ainda por lá vive, agora na Salgueira, e para ele vai o nosso abraço de parabéns!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023

7 087 - Atiradores de Cavalaria de férias e apontadores de morteiros no RC4 de Santa Margarida!

A Administração Concelhia (Câmara Municipal) do Quitexe, um edifício do tempo colonial que se
encontra muito bem conservado. No jardim da vila e em imagem de 24 de Setembro de 2019 
Alferes milicianos Jaime Ribeiro, Augusto Rodrigues
 e José Alberto Almeida na messe de oficiais do Quitexe.
Há 48 anos, em Fevereiro de 1975!



O sábado para domingo de há 49 anos, dia 23 para 24 de Fevereiro de 1974, foi tempo de apresentação, no Regimento de Cavalaria nº. 4 (RC4) e no Campo Militar de Santa Margarida, de vários militares para as três companhias operacionais dos futuros Cavaleiros do Norte do Batalhão de Cavalaria 8423 (BCAV. 8423). 
Os atiradores de Cavalaria tinham acabado a Escola de Recruta, na véspera e a partir do Destacamento do Regimento de Cavalaria nº. 4 (RC4). Completaram, assim e segundo anota o livro «Historia da Unidade», a «primeira parte da sus instrução, a chamada instrução especial», que os levou, também, pela Mata do Soares fora e entre 18 e 22 de Fevereiro de 1974. 
Os atiradores foram de férias, mas ainda lhas faltava a Instrução Altamente Operacional (IAO) - que só viria a começar no dia 22 de Abril e já depois do gozo da chamada Licença de Normas. Os 10 dias de mobilização.
Os capitães José Paulo Fernandes e
José  Manuel Cruz com o comandante
 Bundula, da FNLA

Apontadores de morteiros 
para as 3 Companhias 
operacionais!

Os que há 49 anos se apresentaram, todos já depois das 11 horas da noite (ver abaixo), rodavam do Regimento de Infantaria 11 (RI 11), de Setúbal, por «terem sido nomeados para servir o ultramar, com destino ao BCAV. 8423».
Todos eles apontadores de morteiros de especialidade militaram já vinham destinados às seguintes companhias operacionais:
- 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, comandada pelo capitão miliciano Davide Castro Dias: Manuel de Almeida Novo (1º. cabo, que era natural de Calde, em Viseu), José António Tavares de Sousa (de Pedras Novas, em Leça da Palmeira, Matosinhos) e Manuel Joaquim Vilaça da Silva (da Barroca, em Ouriz, Vila Nova de Famalicão).
- 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, comandada pelo capitão miliciano José Manuel Cruz: Adelino Augusto Ferreira do Couto (de Lousada, em Vila Nova de Famalicão) e António Manuel Magalhães Macedo (de Cimo de Vila, em Penafiel).
- 3ª. CCAV. 8423, a  de Santa Isabel, comandada pelo capitão miliciano José Paulo Fernandes: José Agostinho da Silva Ferreira (1º. cabo, de Vila Chã, freguesia de Santo Estevão de Briteiros,  em Guimarães), Fernando da Silva Oliveira (de Sub-Estrada, em Nespereira, também Guimarães) e António Moreira de Carvalho (de Teixogueira, freguesia de Milagres, em Leiria).
Mário P. Almeida
(o Espinho)
Mário Almeida
em 1974/75

A morte de Almeida,
o Espinho de Zalala!

O soldado Mário Pereira de Almeida, o Espinho de Zalala, faleceu a 20 de Fevereiro de 2023, aos 70 anos e vítima de doença.
Condutor de especialidade militar, foi combatente da 1ª. CCAV. 8423 - a do capitão miliciano Davide Castro Dias - e, pela sua jornada africana do norte de Angola, também passou por Vista Alegre/Ponte do Dange, Songo e Carmona. Por razões que desconhecemos, não regressou a Portugal no dia 9 de Setembro de 1975 (o dia da viagem dos «zalala´s»).
Nascido a 20 de Julho de 1952, residia actualmente em Grijó e o funeral realizou-se ontem, dia 22 de Fevereiro de 2023, da Igreja Paroquial para o cemitério de S. Félix da Martinha, em Vila Nova de Gaia. A Missa de 7º. Dia está marcada para as 11 horas do próximo domingo, dia 26 de Fevereiro de 2003 e na Igreja Paroquial de S. Félix da Marinha.
Hoje e aqui o evocamos e recordamos com saudade. RIP!!!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

7 086 - O dia último da Escola de Recrutas dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423!

Carlos Letras (da 2ª. CCAV.), José Louro e Victor Costa (1ª.) e João Brejo (2ª.) no bar de
 sargentos do RC4, há 49 anos, em tempo de recruta dos futuros Cavaleiros do Norte 
do BCAV. 8423. Eram 1ºs. cabos e futuros furriéis milicianos


Manuel Pinto, da 1ª. CCAV., e Grenha Lopes, da
 2ª. CCAV., dois futuros furriéis milicianos do
  BCAV. 8423, há 49 anos, no Campo Militar
de Santa Margarida

O Campo Militar de Santa Margarida

Os exercícios finais da Escola de Recrutas (ER) do Batalhão de Cavalaria 8423 terminaram a 22 de Fevereiro de 1974, há precisamente 49 anos e com destino já marcado para Angola.
O tempo, quase não parecendo, voou rápido e a juventude e sonhos dos nossos 21 para 22 anos de então voaram sem parar: somos agora septuagenários, já caminho dos cada vez mais próximos 80 anos (já só... faltam 10), com as dores e impertinências da idade e com alguns de nós já idos para o além! 
A Escola de Recrutas dividiu-se entre o Destacamento do RC4, onde se aquartelavam os praças, e a Mata do Soares, galgando-se pelas fronteiras de Malpique, Portela  e Vale do Mestre, S. Miguel de Rio Torto (já de Abrantes). Por lá andámos e por lá ajudámos a formar os jovens mancebos que, como nós, já estavam mobilizados para Angola.
O Batalhão de Cavalaria 8423, já com os seus quadros quase completo, «completou, deste modo, a primeira parte da sua instrução, a chamada instrução operacional», lê-se no livro «História da Unidade».

Abílio Delgado

Delgado de Aldeia Viçosa,
faleceu há 13 anos !


O 1º. cabo Delgado, atirador de Cavalaria da 2ª. CCAV. 8423, faleceu há 13 anos, vítima de doença.
Abílio da Fonseca Delgado, de seu nome completo, foi bravo Cavaleiro do Norte de Aldeia Viçosa e depois da cidade de Carmona, regressando a Portugal no dia 10 de Setembro de 1975, no final da sua missão por terras, picadas e chãos uíjanos e à sua casa natal do Casal da Charneca, lugar da freguesia de Évora, no concelho de Alcobaça.
Profissionalmente, foi empresário do sector da cunicultura e, pai de três filhas, ali faleceu, vítima de uma fatal embolia cerebral e a 22 de Fevereiro de 2010. Hoje, 13 anos depois, o recordamos com saudade! RIP!!!
Aurélio em 2019
Aurélio em
1974/1975

Aurélio, o Barbeiro, faz 71 
anos em Ferreira do Zêzere !


Aurélio da Conceição Godinho Júnior foi Cavaleiro do Norte da CCS do BCAV. 8423 mas por lá foi imortalizado como o... Barbeiro. Ainda hoje! Festeja 71 anos a 23 de Fevereiro de 2023! Amanhã!
Atirador de Cavalaria de especialidade militar e combatente do PELREC, fazia barbas e cabelos aos companheiros da CCS, sem alguma vez se furtar a qualquer operação, escolta ou patrulhamento que lhe coubessem (e couberam muitos), enquanto elemento do PELREC.
Regressou a Portugal no dia 8 de Setembro de 1975, à sua aldeia do Telheiro, da freguesia de Pias, em Ferreira do Zêzere, onde é empresário do sector dos electrodomésticos e instalações comerciais e industriais.
É participante infaltável dos e encontros da CCS e para lá e para ele, daqui vai o nosso grande abraço de parabéns!

terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

7085 - A quase obsessiva expectativa de ir Carmona A morte do 1º. cabo Viana da CCS!


O Bar do Rocha, na entrada do Quitexe, em plena Estrada do Café, que liga Luanda a Carmona, actual
 cidade do Uíge. A casa da direita, a verde, é a do antigo e emblemático Bar do Rocha, de tantas e
tão boas recordações dos Cavaleiros do Norte. É agora uma das três farmácias da vila uíjana



Cavaleiros do Norte da CCS do BCAV. 8423, todos 1ºs. cabos: 
João Estrela, António Medeiros (falecido a 10/04/2003), Miguel
Teixeira, Damião Viana (falecido há exactamente 2 anos) e 
e Vasco Vieira (Vasquinho)


Os dias deste tempo de Fevereiro de 1975, há 48 anos, iam passando com alguma tranquilidade e com os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 a riscá-los do calendário, expectando o que seria a sua próxima vida na cidade. 
A de Carmona, capital do Uíge - que fica(a) a i«uns 40 quilómetros do saudoso Quitexe.
Muitos de nós, seguramente a esmagadora maioria, não fazia a menor ideia de como seria viver em área urbana, mas para lá acabaríamos por ir a 2 de Março seguinte. Embora, por esta data desse ano de há 48, ainda tal não se soubesse.
Não era despiciendo, mesmo nada desdenhável,  tal ponderar por parte dos expectantes Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423. A maioria de nós era gente rural, sem hábitos urbanos, como seria viver numa cidade? E naqueles circunstâncias tão particulares? Não seria nada de especial, como se veio a ver.
Era assim, nesta quase obsessiva expectativa que, por estes dias de há 45 anos, já muitos de nós acomodávamos as malas e, nas fugidas à cidade,  procurávamos conhecer o BC12. Por lá já passarinháramos antes, em desenfianços mais ou menos «legais», procurando os prazeres do corpo e da alma. Ir para a cidade, seria bom! E era mais um passo na viagem do regresso a Portugal e às nossas casas.
Pelo Quitexe, como se vê na imagem, passavam-se bons dias, abancando ora no Pacheco, ora no Topete, ora no Rocha. Vida boa, sem preocupações operacionais e riscando dias do calendário.

Damião Viana a 19 de Janeiro
de 2021, quando festejou
69 anos!
O 1º. cabo Viana em 1974

A morte de Damião 
Viana, 1º. cabo da CCS!

O 1º. cabo Damião Augusto das Neves Viana faleceu na madrugada de 21 de Fevereiro de 2021. Há 2 anos e vítima de doença prolongada.
Escriturário de especialidade militar, serviu os Cavaleiros do Norte da CCS do BCAV. 8423 por toda a jornada africana do norte de Angola - que passou pela vila do Quitexe e pela cidade de Carmona.
Regressou a Portugal e a Valbom, do município de Gondomar, a 8 de Setembro de 1975. Onde tinha nascido a 19 de Janeiro de 1952. Já em Portugal, constituiu família e fez carreira profissional na área da ourivesaria. 
Residia em Fânzeres, também de Gondomar.
- DOENÇA ONCOLÓGICA: 19 de Janeiro de 2021, AQUI lembrámos os 69 anos que o 1º. cabo Viana fizera nesse dia, não suspeitando da doença que lhe minava o corpo, doença oncológica e já prolongada, que o foi fragilizando - até à madrugada de 2 de Fevereiro de 2021, há 2 anos e quando estava internado no Hospital de Santo António, no Porto.
O Damião Viana deixou viúva Fernanda Grilo (Nina) e dois filhos: a Ana Sofia e o Luís Miguel Viana. Grande abraço para eles, de todos os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, solidários e saudosos de um bom companheiro da nossa jornada africana do Uíge nortenho de Angola.

RIP!!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

7 084 - Comandante em Carmona! A família dos futuros Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423!


O edifício do Quitexe, a azul, onde funcionou a enfermaria dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, agora
ocupado pela Polícia Nacional (PN) de Angola, assim como o edifício ao lado - a casa que era da Família
Rei. Imagem de 24 de Setembro de 2019, com o furriel Viegas, que lá foi em visita de saudade!
O comandante Carlos Almeida e Brito e o capitão José
Paulo Falcão no encontro de Águeda, em 1995.
Ambos já falecidos. RIP! RIP!


O tenente-coronel Carlos Almeida e Brito, comandante do BCAV 8423, voltou a Carmona a 20 de Fevereiro de 1975, há 48 anos, no âmbito das «reuniões de trabalho na ZMN»
Oficial de Cavalaria, foi acompanhado do capitão José Paulo Falcão (oficial adjunto da unidade), já lá estivera na véspera e lá voltou a 25, a 26, a 27 e a 28 do mesmo mês de Fevereiro.
O murmúrio sobre a nossa rotação para a capital do Uíge era cada vez maior,  muito disso se falava por esse tempo, mas só a 26 se tornou oficial. 
O comandante Almeida e Brito, em Carmona, analisava, com as chefias da Zona Militar Norte (ZMN), a provável rodagem para o BC12, que estava em processo de extinção e viria a ser, meio ano depois (Agosto), a última guarnição portuguesa  no norte angolano - de onde os Cavaleiros do Norte saíram a 4 de Agosto para a épica coluna para Luanda.
Os futuros furriéis milicianos Queirós e
Costa em Santa Margarida. Há 48 anos!

A Escola de Recrutas
em Santa Margarida!


Um ano antes, na Mata do Soares, arredores do Campo Militar de Santa Margarida, os futuros Cavaleiros do Norte continuavam os exercícios finais da Escola de Recrutas, com os futuros atiradores de cavalaria. Tinha começado a 18 (uma segunda-feira) e terminariam a 22 de Fevereiro (sexta). 
«Completou deste modo, o Batalhão de Cavalaria, a primeira parte da sua instrução, a chamada instrução especial», relata o livro «História da Unidade». 
Os especialistas só começaram a chegar a 4 de Março, completando os efectivos do Batalhão». Por especialistas, entendam-se escriturários, enfermeiros, sapadores, mecânicos (de viaturas e de armas), rádio-telegrafistas, condutores, cozinheiros e outros.
Formava-se, como já por aqui várias vezes lembrámos, lembrámos, a família dos futuros Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423!
António Clara Pereira, Francisco António e
 António Simões no encontro de 2017, no RC4

Pereira da CCS
faleceu há 5 anos!


O soldado-mecânico António Clara Pereira, do parque-auto da CCS do BCAV. 8423, faleceu há 5 anos, a 21 de Fevereiro de 2018 e vítima de doença.
Cavaleiro do Norte do Quitexe, regressou a Portugal no dia 8 de Setembro de 1975, à sua casa da Carregueira, freguesia do município de Mação. Trabalhou muitos anos na exploração de petróleos e participou no encontro de 2017, no RC4, em Santa Margarida.
Um tumor no fígado «roubou-lhe» a vida, após doloroso sofrimento e a 21 de Fevereiro de 2018, aos (quase) 66 anos. Nascera foi a 18 de Agosto de 1952. Hoje o recordamos com saudade. RIP!