CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

quinta-feira, 30 de abril de 2020

5 043 - A véspera do 1º. de Maio de 1974 e os incidentes de Luanda!

Os Cavaleiros do Norte da CCS voltaram ao RC4 em 2017 e aí realizaram, a 3 de Junho, o seu encontro anual.
Formaram em parada e receberam diplomas de participantes no 25 de Abril de 1974, entregues,  como se
vê na foto, pelo coronel Celso Braz, o então comandante do Regimento de Carros de Combate (o antigo RC4)

A aldeia do Cazenza, vista do adro da Igreja de Santa Maria
 de Deus do Quitexe - a 24 de Setembro de 2019. Fica ime-
diatamente a seguir à vila, para o lado de Camabatela

Os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, a 30 de Abril de 1974, continuavam no Campo Militar de Santa Margarida e no Destacamento do RC4, ultimando a sua preparação operacional para a missão que os iria levar a Angola.
As algumas indecisões resultantes do 25 de Abril faziam alimentar alguma esperança quanto à não ida, mas. obviamente isso rapidamente «morreu»: estavam militares pro Angola, com com missão cumprida, alguém tinha de os ir substituir. 
O dia 30 de Abril de 1974 foi uma terça-feira e com a febre revolucionária a ferver na alma dos portugueses, a imprensa portuguesa antecipava a festa do 1º. de Maio, que era no dia seguinte, e o Diário de Lisboa titulava a primeira página: «A caminho da Democracia |  A Junta pede serenidade no 1º. de Maio».
«A Junta de Salvação Nacional reconhece aos trabalhadores portugueses o dia 1 de Maio como o da sua festa maior feriado nacional e. para tal, decretou que seja feriado nacional», lia-se no comunicado oficial, relativo às manifestações públicas marcadas para o dia seguinte - o 1º. de Maio de 1974, o primeiro depois da revolução!
Os furriéis milicianos Cruz e Viegas, aqui no Qui-
texe, estavam em Luanda, quando, há 45 anos,
 se registaram graves incidentes entre os
movimentos angolanos

Incidentes em Luanda,
entre os 3 movimentos

Um ano depois, já por 1975 adentro, «Luanda acordou ao som de tiroteio» e durante a manhã «registaram-se ainda diversos incidentes, que ultrapassavam já os limites dos musseques».
«Pode dizer-se que Luanda não dormiu. Os disparos de morteiros, os tiros de canhão, as rajadas de  armas automáticas e metralhadoras pesadas perturbaram a serenidade e a paixão dos habitantes da capital angolana durante a noite», reportava o Diário de Lisboa de 30 de Abril de 1974, acrescentando que se «desconheciam as causas dos incidentes», mas que alguns observadores admitiam que se tratava de acções para «criar um ambiente de pânico que impeça a realização das manifestações do 1º. de Maio previstas para amanhã e convocadas pelo MPLA».
Os primeiros incidentes tinham sido entre forças do MPLA e da FNLA mas, referia o DL, «ontem à noite ocorreu um reecontro da FNLA e da UNITA».
Os furriéis milicianos Cruz e Viegas, no seu adeus às férias e a Luanda, ainda foram «parte» dos incidentes quando, viajando de avião para Carmona no fim de tarde de 29 de Abril, teve a aeronave de voltar ao aeroporto, pouco depois de levantar voo e devido aos disparos de morteiros e canhões que «incendiaram» o céu da capital angolana. 
Américo Oliveira

Oliveira, sapador da CCS, 68
anos na Póvoa do Lanhoso !

O soldado Américo da Silva Oliveira, da CCS do BCAV. 8423, a Companhia do Quitexe, festeja 68 anos a 30 de Abril de 2020.
Cavaleiro do Norte sapador de especialidade militar, voltou a Portugal no dia 8 de Setembro de 1975, fixando-se em Alto do Vilar, da freguesia de Sobrado, no município de Valongo. Supomos que, actualmente, viverá em Taíde, freguesia do concelho da Póvoa do Lanhoso, para onde, ou para onde quer que esteja, vai o nosso abraço de parabéns!  

quarta-feira, 29 de abril de 2020

5 042 - Savimbi em Luanda contra a guerra civil; a mariscada na ilha/restinga !

Quarteto de furriéis milicianos do BCAV. 8423, no varandim da Casa dos Furriéis do Quitexe: o Grenha
 Lopes (que é de Barcelos e hoje festeja 68 anos em Lisboa) e Viegas, atrás, e, à frente, António Fernandes
e Delmiro Roberto. Todos da 3ª. CCAV. 8423, menos o Viegas (que era da CCS)

Os 1ºs. cabos Agostinho Teixeira (que hoje festeja 68 anos em
Matosinhos), Domingos Teixeira (estofador), furriel Morais
e 1ºs. cabos Rafael Farinha e Serra Mendes

O presidente da UNITA, Jonas Savimbi, deu uma conferência de imprensa a 29 de Abril de 1975, em Luanda, e a reportagem do Diário de Lisboa dava conta que «levava a ombro uma carabina ligeira automática e era flanqueado por dois guarda-costas». 
O destino, sem querer, pôs os furriéis Cruz e Viegas a cruzarem-se na baixa da capital com a delegação de Savimbi e homens, vimos; não vimos a carabina, ou quaisquer outras armas. 
O presidente da UNITA confirmou na dita conferência de imprensa que era «imperativo a realização da cimeira dos três partidos, antes que seja demasiado tarde» e sublinhou «necessidade de escolher um gabinete que governe o país, após a independência de Novembro», embora observando que que «não podíamos prever que qualquer dos movimentos obteria uma maioria absoluta». 
«única solução», do seu ponto de vista, seria «o vencedor da consulta às urnas traçar linhas gerais do futuro político do pais, que estaria nas mãos de uma coligação de unidade nacional, formada pelos três partidos». Quanto a uma eventual guerra civil, considerou-a «uma impossibilidade prática», porque, sublinhou, «cada um dos movimentos que a desencadeasse, teria de lutar com os outros dois e, além disso, nenhum dos vizinhos desejaria a guerra».
O jornal «O Comércio» falou
da presença de Jonas Savimbi
em Luanda, há 45 anos
«Os três movimentos de libertação devem procurar uma força (um exército) verdadeiramente nacional o mais depressa possível», disse Jonas Savimbi, notando que «o futuro exército não necessita de ser muito grande, visto não precisarmos de um exército desse género».

Mariscada na ilha
no adeus a Luanda !

O dia foi já de véspera do regresso dos furriéis Cruz e Viegas a Carmona e por isso com mariscada do almoço na ilha, saciando todos os nossos apetites. Bem regada - acho até que com vinho verde, se a memória me não atraiçoa -, bem farta e apetitosa. 
A imensa metrópole luandina oferecia tudo o que havia de melhor. E nós não desperdiçávamos estas magníficas  oportunidades. Bons tempos, com mais incidentes menos incidente, mais ou menos graves,
Tínhamos almoço combinado com o (meu) conterrâneo Albano Resende (civil) e por ele esperámos na Mutamba, para galgarmos a marginal e, por escolha dele, irmos à ilha mariscar o almoço. Foi a caminho e ao final da manhã, já passando perto da Portugália, que nos cruzámos com a comitiva da UNITA, onde ia Jonas Savimbi.
Furriéis do BCAV. 8423: Belo, Morais,
Grenha Lopes, Armindo Reino, José
 Pires (TRMS) e, á frente e sentado,
António Verdelho Lopes

Grenha Lopes, furriel de Santa
Isabel, 68 anos em Lisboa !

O furriel miliciano José Avelino Grenha Lopes, Cavaleiro do Norte da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel, está hoje em festa de 68 anos. Dia 29 de Abril de 2020.
Natural de Barcelos, foi especialista como Atirador de Cavalaria, durante a nossa jornada africana de Angola - e é agora empresário do sector da saúde (com clínicas de fisioterapia na Grande Lisboa), embora ele mesmo se confesse «homem de muitos ofícios» - que começaram pela indústria de passamanaria, na sua natal terra de Barcelos, u indústria de família.
Mora no Lumiar, na Azinhaga das Travessas, da capital portuguesa, e para lá e para lele vai o nosso abraço de parabéns!

Agostinho Teixeira, alferes António Albano
Cruz e o condutor Américo Gaiteiro (2017)

Teixeira, 1º. cabo da CCS,
68 anos em Matosinhos !

O 1º. cabo Agostinho Pinto Teixeira, da CCS do BCAV. 8423, a do saudoso Quitexe, comemora 68 anos a 29 de Abril de 2020.
Cavaleiro do Norte com a especialidade de pintor (de viaturas automóveis), regressou a Portugal no dia 8 de Setembro de 1975 e fixou-se em Ramalde, no Bairro Arantes de Oliveira, na cidade do Porto, de onde é natural. A vida «empurrou-o» um bocadinho para o lado e vive em Perafita, no concelho de Matosinhos, onde foi pequeno empresário.
Agora já aposentado, para lá e para ele enviamos os nossos parabéns.

terça-feira, 28 de abril de 2020

5 041 - Comandante voltou ao Quitexe; coexistência pacífica dos 3 movimentos!

Futebol no Quitexe, equipa da CCS do BCAV. 8423. De pé, furriel António Lopes (enfermeiro), 1ºs. cabos
José Gomes e Fernando Grácio, furriel Luís Mosteias, 1º. cabo Delmar Alves (morteiros) e NN. Em 
baixo, furriel José Monteiro, Covilhã (condutor dos morteiros), 1º. cabo Domingos Teixeira, furriel 
Miguel Peres (pára-quedista) e Jorge Botelho
Furriéis milicianos da 3ª. CCAV. 8423 em momento de lazer:
António Fernandes, Victor Guedes (falecido a  17 de Maio
 de 1998, de doença, em Lisboa), Ângelo Rabiço, José Querido
e Agostinho Belo
O comandante Carlos Almeida e Brito deslocou-se ao Quitexe e à 3ª. CCAV. 8423 a 28 de Abril de 1975, há 45 amos, no âmbito do programa de «visitas à subunidades».
Os Cavaleiros do Norte de Santa Isabel, comandados pelo capitão miliciano José Paulo Fernandes, estavam aquartelados na Quitexe desde 10 de Dezembro de 1974, ali se juntando à CCS - que, por sua vez, de lá saiu a 2 de Março de 1975, rodando para Carmona.  
O dia desta segunda-feira de há 45 anos foi tempo de se conhecerem declarações de Jonas Malheiros Savimbi, presidente da UNITA e na antevéspera chegado a Luanda, vindo de Lusaka (onde conferenciou com Agostinho Neto, presidente do MPLA), sublinhando e acrescentando ser «imperioso que os três movimentos de libertação coexistam pacificamente» e apelando a uma cimeira entre os três - a UNITA, a FNLA e o MPLA.
«A cimeira poderia ser realizada em Angola ou no estrangeiro», disse o unitista Jonas Malheiros Savimbi, acrescentando também «ter a certeza que diminuiria a tensão entre eles» - os três movimentos.
Jaime Ribeiro

Sousa, sapador da CCS,
67 anos em Gondomar !

O soldado Sousa, do Pelotão de Sapadores da CCS do BCAV. 8423, festeja 67 anos a 28 de Abril de 2020.
Joaquim Castro Sousa, de seu nome completo, foi Cavaleiro do Norte do Quitexe e depois de Carmona, combatente do pelotão comandado pelo alferes miliciano Jaime Ribeiro (foto), e regressou a Portugal no dia 8 de Setembro de 1975, fixando-se em Netos, lugar da freguesia de Jovim, no município de Gondomar, de onde é natural. 
Supomos que ainda lá residirá, dele não temos mais notícias, e para ele, onde quer que esteja, vai o nosso abraço de parabéns!
O tenente-coronel Almeida e Brito e o capitão
miliciano José Manuel Cruz, respectivamente
comandantes do BCAV. 8423 e 2ª. CCAV. 8423

Baixa de Rui Rocha
da 2ª. CCAV. 8423 

O 1º. cabo Rui Manuel Duarte Rocha, condutor auto-rodas da 2ª. CCAV. 8423,  a de Aldeia Viçosa, teve baixa hospitalar a 28 de Abril de 1974, há precisamente 46 anos.
Foi a uma consulta externa de cardiologia nesse dia e ficou internado no Hospital Militar Regional nº. 3, em Tomar, tendo alta a 5 de Maio seguinte, ainda bem em tempo de embarcar para Angola, a 4 de Junho desse mesmo ano de 1974.
Regressou a Portugal no dia 10 de Setembro de 1975 e fixou-se na Travessa da Trindade, Freguesia de S. Sebastião da Pedreira, em Lisboa, onde supomos que residirá. Dele não temos notícias. 

segunda-feira, 27 de abril de 2020

5 040 - O BCAV. 8423 com o MFA; Angola sem saber da revolução!

A vila do Quitexe, a 24 de Setembro de 2019, vista da Estrada do Café e do lado de Luanda.  À direita,
vê-se parte do campo de futebol. Ao fundo, a Igreja de Santa Maria de Deus. A casa cor de rosa que
se vê na mesma direcção é (era) o antigo Bar Topete
Furriéis milicianos de Zalala. De pé, Barreto, Queirós e
 Costa. À frente, Rodrigues, Louro Barata e  M. Dias. 

Rodrigues, Barata e M. Dias já faleceram. RIP!

Aos 26 dias de Abril de 1974, já lá vão 46 anos, «todo o Batalhão se sentiu como parte integrante do Movimento das Forças Armadas» - como se lê no livro «História da Unidade» - o Batalhão de Cavalaria nº. 8423. 
Era sexta-feira e com a instrução operacional interrompida, a euforia revolucionária galgava o país de norte a sul, sucediam-se efusivas manifestações populares, mas, estando previsto fim de semana ao pessoal - e assim aconteceu, como ontem aqui recordámos -, o comandante Carlos Almeida e Brito, tenente-coronel de Cavalaria, reuniu oficiais, sargentos e praças para «explicar o que o MFA pretendia» - em palestras especificamente orientadas para esse fim.
Explicou e não recordo nenhuma reacção especial dos futuros Cavaleiros do Norte do Uíge angolano, que, de resto, tinham «datas de embarque marcadas para fins de Maio e princípios de Junho», tal qual veio a acontecer. 
Notícia do Diário de Lisboa de 26 de
Abril de 1974 e sobre Angola

Angola sem notícias
da revolução em Portugal !|

Íamos para Angola! Como estaria Angola, por esse tempo?
Recorro-me do Diário de Lisboa, para citar o vice-comandante chefe interino das Forças Armadas, general Francisco Rafael Alves, que à data ainda não tinha conhecimento oficial da revolução de Lisboa e fez saber que «as Forças Armadas que prestam serviço em Angola têm, como é natural, uma missão a cumprir, no teatro de operações onde actuam».
«No comando-chefe, não foi recebida no dia 25 corrente, nem no de hoje, dia 26, até às 18 horas, qualquer comunicação oficial sobre os acontecimentos das metrópole e que, por via dos órgãos de comunicação, tem vindo a ser difundidos através de noticiário apropriado às circunstâncias e ao progressivo desenvolvimento dos factos ocorridos», lia-se no comunicado assinado por Francisco Rafael Alves.
Santos e Castro

Governo Geral de Angola
para o secretário-geral !

O Governador Geral Santos e Castro, de seu lado, recebeu uma nota de demissão da Junta de Salvação Nacional, às 23,30 horas de 26 de Abril. 
«Amanhã, sábado, às 12 horas, entregarei o Governo Geral de Angola ao encarregado do Governo que me foi indicado, o excelentíssimo secretário geral», comunicou Santos e Castro - pai do futuro deputado Ribeiro e Castro (CDS/PP).
O amanhã de há 46 anos corresponde ao hoje de 2020: dia 27 de Abril. Quando, na prática, a revolução chegou a Angola.
O tenente-coronel Soares Carneiro, que viria a ser candidato a Presidente da República (em 1980) era quem, desde Novembro de 1972 exercia essas funções, exactamente com Santos e Castro. Nesse distante ano de 1972, era governador do distrito da Lunda e major de patente militar.
José A. Gomes

Gomes, condutor da CCS,
68 anos em Gueifães da Maia

O soldado condutor José António de Sousa Gomes, da CCS do BCAV. 8423, festeja 68 anos a 27 de Abril de 2020.
Cavaleiro do Norte do Parque-Auto do Quitexe,  comandado pelo alferes miliciano António Albano Cruz, regressou a Portugal no dia 8 de Setembro de 1975, à sua casa da Rua Maria Ferreira, em Gueifães, concelho da Maia. Por lá vive, agora já aposentado, e para lá vai o nosso abraço de parabéns.
António Pereira

Pereira de Zalala, 68
anos em Alcabideche !

O 1º. cabo António Cardoso Pereira, da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, festeja 68 anos a 27 de Abril de 2020.
Condutor-auto de especialidade militar, passou também por Vista Alegre/Ponte do Dange, Songo e Carmona e regressou a Portugal no dia 9 de Setembro de 1975, ao lugar de Pousada, freguesia de Espadanede, no concelho de Cinfães - de onde é natural. Vive agora em Alcabideche, freguesia do concelho de Cascais, para onde vão os nossos parabéns! 
Batanete Palma

Batanete de Aldeia Viçosa,
68 anos em Vila Viçosa !

O soldado Joaquim José Batanete Palma, da 2ª. CCAV. 8423, comemora 68 anos a 27 de Abril de 2020.
Condutor-auto dos Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa, foi louvado «pelo sentido de  responsabilidade sempre posto no cumprimento das missões da sua especialidade», conforme se lê na OS 170, acrescentando que foi militar «dedicado, eficiente e zeloso do material distribuído a seu encargo».
Regressou a Portugal no dia 10 de Setembro de 1975, à sua residência do lugar de Fonte da Moura, na freguesia de Pardais, do concelho de Vila Viçosa.
Mora agora no sítio dos Covões, também em Pardais de Vila Viçosa, e para lá vai o nosso abraço de parabéns!

domingo, 26 de abril de 2020

5 039 - O dia seguinte ao 25 de Abril de 1974 para os Cavaleiros do Norte!

Os alferes milicianos João Machado e Carvalho de Sousa com o 1º. sargento Fernando Norte, chefe
 da secretaria da 2ª. CCAV. 8423, a do capitão miliciano José Manuel Cruz, que há precisamente
45 anos deixou o quartel de Aldeia Viçosa e rodou para Carmona 
Os furriéis milicianos Neto, Viegas e Monteiro, do PELREC
 da CCS do BCAV. 8423, já nos primeiros dias do Quitexe,
 há quase, quase... 46 anos!

Há 45 anos, uma sexta-feira e depois do 25 de Abril da véspera, os (futuros) Cavaleiros do Norte foram dispensados para fim de semana, depois do almoço.
Rapidamente viajámos para Águeda, no SIMCA 1100 do Francisco Neto - que em Coimbra «apanhou» um manifestação de milhares de pessoas, entre a ponte do rio Mondego e a avenida Fernão de Magalhães, a  certo ponto o povo conseguindo mesmo levantar a viatura,
O Diário de Lisboa de há 46 anos,
 dia 26 de Abril de 1974, anunciando
 a libertação dos presos da PIDE/DGS
quando nela descobriram militares. Nós, ali e quase envergonhados, ali transformados em heróis da revolução!!! Mal imaginávamos a popularidade ganha de um dia para outro!
Aqui, na aldeia e procurando minha mãe, achei-a a trabalhar na sacha de um campo.
«Estás cá, rapaz?!...».
Estava, claro que estava. 
«O que é que se passou lá por Lisboa? Vocês sempre vão lá para fora?...», perguntou-me.
A euforia popular levara a que muita gente pensasse, crédula, que mais ninguém iria para a guerra colonial. Fora o que ela ouvira falar, nas vozes da rua - pois, ao tempo, muito pouca gente tinha televisão, poucos tinha rádio e não havia as modernidades comunicacionais de hoje. 
«Segunda-feira, volto para o quartel. Vou na mesma para Angola...», respondi eu.
Ouviu-me em silêncio e sem retirar os olhos da sacha, continuou o trabalho e mandou-me ir ao cabeceiro da terra, buscar uma qualquer alfaia agrícola.

Angola disponível para 
negociar ou aumentar a luta!

O MPLA, a partir de Brazaville, fazia saber estar disponível rara negociar com Portugal, ou «aumentar a luta armada contra a tropa portuguesa, se a nova Junta Militar em Lisboa não modificar a sua política colonial»
O alto dirigente Lúcio Lara, falando à Agência Reuter disse mesmo que se não e registasse qualquer mudança política «aproveitaremos a vantagem de situação em Portugal para resolver a questão de Angola, vibrando ainda golpes mais duros no Exército Português».
Era para esta Angola que iriam seguir (e seguiram) os garbosos soldados, sargentos e oficiais do Batalhão de Cavalaria 8423! Faltava saber o dia!!! Um ano depois, era a vez do adeus definitivo a Aldeia Viçosa - onde a 2ª. CCAV. 8423, a do capitão miliciano José Manuel Cruz, de lá saída a 11 de Março, ainda mantinha um pequeno grupo operacional, nesta data se desactivando o quartel.
Serra, Joaquim Celestino (que hoje faz 68 anos),
furriel Morais e Gomes, cavaleiros do Norte
do Parque-Auto da CCS

Celestino, condutor da CCS,
68 anos em Leça do Balio !

O condutor Celestino, condutor-auto da CCS do BCAV. 8423, a do Quitexe, comemora 68 anos a 27 de Abril de 2020.
Joaquim Celestino Gonçalves da Silva, é este o seu nome completo, foi louvado porque «além de ter desempenhado os serviços da sua especialidade com a melhor eficiência, ainda se creditou como precioso auxiliar do pessoal encarregado da escrituração da secretaria do parque-auto». O louvor foi publicado na ordem de serviço nº. 181 e acrescenta que foi «militar muito disciplinado e correcto», o que o creditou como «merecedor de ser distinguido» por também «ser merecedor da estima de quem com ele privou». 
Regressou a Portugal no dia 8 de Setembro de 1975, à sua casa de Perafita, em Matosinhos. Mora agora em Leça do Balio e atravessa um delicado período de saúde - a que desejamos evolução rápida e positiva - e enviamos-lhe um forte abraço de parabéns!

sábado, 25 de abril de 2020

5 038 - Onde estavam os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 no dia 25 de Abrl?!

Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 por altura do 25 de Abril de 1974, há 46 anos e num carro de
combate do RC4, em Santa Margarida e futuros furriéis milicianos Monteiro, matos(que hoje festeja
68 anos, em Anadia), Viegas e Neto
A imagem-símbolo
do 25 de Abril de 1974
O jornal «República»
do 25 de Abril de 1974

A pergunta é esta: onde estavam os futuros Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 no dia 25 de Abril?!
O BCAV. 8423 estava em Santa Margarida, no Regimento de Cavalaria nº. 4, onde tinha voltado no dia 22 (depois dos 10 dias de licença de normas) e no seu quarto dia de instrução operacional, preparando-se para a jornada africana de Angola.
«Logo começada, foi interrompida, face ao Movimento das Forças Armadas de 25 de Abril de 1974», reporta o livro «História da Unidade, precisando que «não estando o BCAV. contactado para (sua a efectivação, nem tão pouco algum dos seus oficiais, de imediato se sentiu parte integrante do movimento».
E de tal modo, sublinha o «HdU» que, logo no dia seguinte, uma sexta-feira (26) e antes de virmos de fim de semana, o comandante Almeida e Brito explicou «a todo o pessoal, o que o MFA pretendia», em palestras «orientadas especificamente para oficiais, sargentos e praças»
O jornal «A Capital»
de 25 de Abril de 1974
Furriéis Rodrigues e Queirós
e alferes Lains (Abril de 74)

A manhã do dia
25 de Abril de 1974


Eu, no dia 25 de Abril e como habitualmente, levantei-me cedo e fui para a área de balneários do pavilhão onde dormíamos, no RC4 - o Batalhão estava no Destacamento - para a higiene pessoal e desfazer a barba, estranhando que a rádio só passasse marchas militares. 
Era meu hábito, como ainda hoje, levantar-me cedo e tranquilamente fazer essas tarefas, antes de chegar a balbúrdia dos mais atrasados e mais apressados. Seguia depois para a messe, onde pequeno-almoçava e caminhava para o Destacamento.
As tarefas de higiene eram acompanhadas pelo pequeno transistor e a estranheza da música militar só foi  interrompida pela leitura do comunicado do MFA. Eh, pá!!!!... Fui acordar toda a gente e contar a novidade, sobressaltando quem dormia os últimos minutos dessa manhã e se estremunharam com tal.
Ao sair do RC4, para o Destacamento, fomos impedidos à porta d´armas e ficámos pelo quartel durante toda a manhã. Ao destacamento fomos, da parte da tarde, mas sem nada de especial se passar.
Furriel Mário Matos (que hoje festeja 68 anos),
o 1º. cabo Pimpim e o furriel João Brejo

Matos, furriel de Aldeia

Viçosa, 68 anos em Anadia !

O furriel miliciano Mário Augusto da Silva Matos, da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, festeja 68 anos da 25 de Abril de 2020.

Atirador de Cavalaria de especialidade militar, este Cavaleiro do Norte foi louvado porque «sempre demonstrou as melhores qualidades militares no desempenho de todas as missões que lhe foram determinadas», nomeadamente quando «chamado a ajudar o 1º. sargento da sua subunidade (...) rapidamente se adaptou a essas funções», para além de sempre se ter mostrado militar disciplinado e cumpridor».
Regressou a Portugal a 10 de Setembro de 1975, esteve emigrado nos Estados Unidos e, aposentado, mora em Anadia, para onde vai o nosso abraço de parabéns.
Jorge Pinho
1º. cabo CCS

Pinho 1º. cabo da CCS, faria

68 anos. Faleceu em 1996 !

O 1º. cabo Pinho, escriturário da CCS do BCAV. 8423, faria 68 anos a 25 de Abril de 2020. Faleceu em 1996.

Jorge Manuel de Sousa Pinho foi Cavaleiro do Norte da secretaria do Comando e regressou a Portugal no dia 8 de Setembro de 1975, fixando-se na cidade do Porto - de onde era natural e vivia na como ainda há dias AQUI lembrámos, evocando a sua morte.
Louvado pela sua missão angolana, vivi no Bairro dos CTT e morreu de doença a 19 de Abril de 1996, em vésperas de fazer 44 anos. Ainda muito jovem!
Hoje o lembramos com saudade. RIP!!!

Lopes de Zalala, faria 68
Adriano Lopes

anos. Faleceu em 1986 !

Adriano da Silva Lopes, soldado atirador de Cavalaria da 1ª. CCAV. 8423 do BCAV. 8423, faria hoje 68 anos mas faleceu em 26 de Novembro de 1986. 
Cavaleiro do Norte da Fazenda de Zalala, regressou a Portugal no dia 9 de Setembro de 1975, a S. João do Freixo, freguesia do minhoto concelho de Ponte de Lima - de onde era natural e onde residia. Por lá vez  sua vida e lá falecendo (supomos) de doença. aos 34 anos. Hoje o recordamos com saudade. RIP!!!
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sexta-feira, 24 de abril de 2020

5 037 - O adeus a Vista Alegre e Ponte do Dange! Véspera de eleições...

Cavaleiros do Norte da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, que há 45 anos rodaram da Vista Alegre e Ponte do
Dange para o Songo, todos furriéis milicianos: Rodrigues, Barata, Louro, Nascimento, Eusébio, Dias
(mecânico), Velez e Costa. Rodrigues, Barata, Eusébio e Dias já faleceram RIP!!!
A Estrada do Café, de Luanda a Carmona, aqui na
 entrada de Vista Alegre. Foto de 24 de Setembro de 2019

Os Cavaleiros do Norte da 1ª. CCAV. 8423 disseram adeus a Vista Alegre a Ponte do Dange a 24 de Abril de 1975, por onde jornadeavam desde 21 de Novembro de 1974, quando deixaram a Fazenda de Zalala.
Os comandados do capitão miliciano Davide Castro Dias) rodaram para o 
Vista Alegre: bombas e antigo quartel
Foto de 24/08/2019
Songo, «com um Destacamento temporário em Cachalonde»
O 2º. comandante do BCAV. 8423, o capitão José Diogo Themudo, fez questão de, por isso mesmo e neste dia 24 de há 45 anos, se deslocar a Vista Alegre.
As primeiras eleições realizavam-se no dia seguinte (a 25) e essa véspera foi tempo de mais uma palestra de esclarecimento, lá em Carmona e segundo o livro «História da Unidade», «orientada por oficiais do Comando Territorial de Carmona (CTC) e do BCAV. 8423, ambos delegados do MFA».
Foi também tempo de anúncio da compra de dois Boeings 730-200 para os TAAG e de um contrato de 17,3 milhões de dólares com a mesma empresa americana, para «melhoria do controlo do tráfego aéreo em 10 aeroportos do país». Eram tempos de grande confiança no futuro angolano.
A primeira página do Diário de
 Lisboa de há precisamente 45 anos:
 dia 24 de Abril de 1975, véspera das
 primeiras eleições pós-25 de Abril

Cavaleiros do Norte
montaram mesas de voto 

A imprensa de Lisboa dava conta., a 24 de Abril de 1975, da mensagem eleitoral do Presidente Costa Gomes, com «esperança no pluralismo do socialismo português», e publicava últimas indicações sobre o modo como iria (deveria) decorrer o acto eleitoral, «entre as 8 e as 19 horas» de 25 de Abril, quando se fazia um ano de revolução. 
As rádios e a televisão (a RTP,  a única desse tempo) mobilizaram grandes equipas de reportagem para o grande e histórico dia e expectavam-se 30 horas consecutivas de TV, para cobrir o grande acontecimento.
A norte de Angola e no Uíge, os Cavaleiros do Norte, «dando colaboração ao processo revolucionário de Portugal», foram encarregados da «montagem das assembleias de voto em Carmona». Por Luanda, e indiferentes a isso, e eu e o Cruz passeávamos os «últimos cartuchos» das nossas férias, na serenidade dos deuses e nos vícios dos homens!
Carlos Costa

Costa de Zalala, 
faleceu há 5 anos 

O soldado Carlos Alberto dos Santos Costa, o Alfama da 1ª.  CCAV. 8423, faleceu a 24 de Abril de 2015. Há 5 anos.
Cavaleiro do Norte de Zalala e com a especialidade de transmissões, regressou a Portugal no da 9 de Setembro e 1975, a Santos, em Lisboa, ode residia. Sabemos que morava em Azeitão, no município de Setúbal, quando faleceu, ainda não tinha 63 anos - que faria a 29 de Agosto desse ano de 2015
Hoje o recordamos com  saudade. RIP!

quinta-feira, 23 de abril de 2020

5 036 - Palestras eleitorais e reunião dos 3 movimentos angolanos!

O quartel Batalhão de Caçadores nº. 12 (BC), à saída da cidade de Carmona para o Songo e onde, há
 45 anos estavam os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8434 e decorreram palestras sobre as eleições para
a Assembleia Constituinte Portuguesa
Os alferes milicianos António Garcia e António Albano
 Cruz, da CCS do BCAV. 8423, na Fazenda Vamba

BC12 foi palco, a 23 de Abril de 1975, de uma segunda palestra sobre as eleições do  dia 25 (seguinte), as primeiras da era democrática e que elegeriam (como elegeram) os deputados que viriam a elaborar e aprovar a Constituição Portuguesa.
O objectivo era, como facilmente se imagina, esclarecer o pessoal da guarnição sobre o acto eleitoral, que era absoluta novidade para toda a gente - 
Os furriéis Cruz e Viegas nas férias de
Abril de 1975 entre a Caála e Nova
Lisboa,  actua Huambo 
não só para os militares, como também para os civis. Como seria, como não seria!...
O dia foi de viagem aérea, minha e do António Cruz, do Lobito para Luanda, a bordo de um avião dos TAAG (Transportes Aéreos de Angola) e com um grande «cagaço» na chegada à capital, ao sobrevoar Catete, quando a aeronave «caiu» num poço de ar e nos sentimos (todos os passageiros) pendurados por onde não digo. Mas lá aterrámos e, logo depois, pousámos malas no Katekero e «voámos» para a baixa, à procura de «matar» a fome.
O furriel Viegas em frente à Igreja de Santa
Maria de Deus do Quitexe, a 14 de
Setembro de 2019

Reunião dos presidentes 
dos três movimentos»


Luanda, à imagem de semanas antes - quando por lá começamos as férias abrilina desse 75 de há 45 anos!... - aparentava calma, mas ficámos a saber que, afinal, as eleições angolanas (previstas para Outubro) poderiam ser adiadas. 
«Podem ser canceladas...», admitia Agostinho Neto, presidente do MPLA, falando em Dar-Es-Salam, e citado pela agências ANI e AP.
A legislação ainda não tinha sido elaborada, muito menos aprovada e sequer regulamentada. A «falha» era do Governo de Transição e Agostinho Neto falou do projecto de lei que, para o efeito, o MPLA tinha apresentado, assegurando, por outro lado, que o seu movimento/partido «continuaria a fazer a sua campanha». E falou também dos (então) recentes incidentes em Angola, oferecendo-se para «uma reunião dos presidentes dos três movimentos» - o MPLA, a FNLA e a UNITA. 
«Em vez de nos alvejarmos uns aos outros, em vez de usarmos a violência, poderíamos discutir os nossos problemas», disse Agostinho Neto.

Ferreira de Zalala, 68 anos
na Póvoa de Santa Iria!

O 1º. cabo João Viegas Ferreira, da 1ª. CCAV. 8423, a dos Cavaleiros do Norte da Fazenda de Zalala, festeja 68 anos a 23 de Abril de 2020.
Atirador de Cavalaria de especialidade militar e membro do grupo de combate comandado pelo alferes miliciano Pedro Marques da Silva  Rosa, com os furriéis João Aldeagas, Manuel Pinto e Victor Velez, regressou a Portugal no dia 9 de Setembro de 1975 e fixou-se na freguesia dos Olivais, em Lisboa - onde então residia. 
Sabemos que agora mora na Póvoa de Santa Iria, em Vila Franca de Xira, para onde vai o nosso abraço de parabéns!

quarta-feira, 22 de abril de 2020

5 035 - Troca de prisioneiros em Úcua e reuniões do Gabinete Militar Misto

O PELREC da CCS do BCAV. 8423 antes de partir para mais uma missão. Em cima, da esquerda para a direita,
Caixarias 1º. cabo Pinto, 1º. cabo Ezequiel, Florêncio, 1º cabo Soares, Neves, Messejana e 1º. cabo Almeida.
Em baixo, Aurélio (Barbeiro), 1ºs. cabos Hipólito e Oliveira (TRMS), Leal, Francisco, furriel Viegas e 1º. cabo
 Vicente,  Soares, Messejana, Almeida, Leal e Vicente já faleceram. RIP!!!
Os furriéis milicianos Plácido Queirós e Américo Rodrigues,
 o 1º. sargento Fialho Panasco e um dirigente da administração
 civil de Vista Alegre, com o filho e em 1975



Aos 22 dias de Abril de 1975, há 45 anos, pelos chãos do norte de Angola - no nosso querido e saudoso Uíge!!!..., os Cavaleiros do Norte estavam em fase de adeus a Vista Alegre e a Ponte do Dange, terras da jornada africana dos Cavaleiros do Norte de Zalala - toda a 1ª. CCAV. 8423, do capitão miliciano Davide Castro Dias.
Iriam rodar dois dias depois, desactivando estes aquartelamentos, logo ocupados pelos movimentos de libertação (creio que de forma mista...) e rodando para o Songo, «com um Destacamento temporário em Cachalonde»
Ao tempo, preparavam-se também as primeiras eleições (marcadas para o dia 25) e, pelo norte de Angola e nesse mesmo dia, os Cavaleiros do Norte estiveram envolvidos num segundo patrulhamento a Úcua «com vista a fazer-se uma troca de prisioneiros, que, sem êxito, já tinha sido tentada em 21 de Abril», na véspera.
A esse dia 22 de Abril de 1975 e «no resultado de uma delas, veio a realizar-se uma reunião a nível mais elevado, com elementos do Gabinete Militar Misto» - da qual acabou por resultar a troca de prisioneiros em Úcua.
Vivia-se «a procura de obter para o Uíge uma calma aparente e o entendimento entre todos os movimentos», tarefa que não foi nada fácil. Os problemas que pela altura se viviam, na, recordemos, «ressaca dos incidentes de Luanda e Salazar», justificaram a «procura de encontrar soluções», nomeadamente, como refere o livro «História da Unidade», «através de reuniões semanais, primórdio de Estado Maior unificado».
A tensão crescia, lá pelas andas do norte, onde jornadeavam os Cavaleiros do BCAV. 8423! Piores dias estavam para chegar!
O furriel Viegas no porto do Lobito, de férias 
e em finais de Abril de 1975...

Cavaleiros em férias
por Lobito e Benguela

Lobito e Benguela, a 22 de Abril de 1975, continuavam a ser chão de férias angolanas dos furriéis milicianos Cruz e Viegas, da CCS, mas já a fazer malas para a viagem aérea para a capital  Luanda. 
... e em Outubro de 2019, mais de 44 anos depois!
O fim da tarde dessa 3ª.-feira abrilina de há 45 foi tempo para um lauto e bem apetitoso encontro gastronómico, a matar saudades de Águeda e com o meu particular amigo Zé Ferreira, o furriel miliciano de Operações Especiais (Rangers) que jornadeou pela Fazenda Maria Fernanda, meu antigo, nos Dembos, e tinha sido companheiro de escola de Águeda, depois contemporâneo de Lamego (eu já instrutor, ele ainda instruendo...), ainda hoje amigo e... de sempre. 
O jeito do adeus foi regado numa esplanada da Restinga benguelense, com umas boas pratadas de camarão, regados a cerveja bem fresquinha. Só podia!!!! E com bons bifes com batatas fritas e ovo a cavalo, a servir de sobremesas, com vinho tinto, ui... «coisa» muito rara por aqueles tempos! Uns verdadeiros luxos!
Furriéis do BCAV. 8423 há 46 anos e no
RC4: Carlos Letras, José Louro e Vitor
Costa, de pé, e João Brejo

Instrução operacional
em Santa Margarida !

Um ano antes, precisamente, os futuros Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 regressaram ao Regimento de Cavalaria nº. 4 (o RC4), no Campo Militar de Santa Margarida, depois de gozar os clássicos 10 dias da chamada Licença de Normas.
O dia 22 desse Abril de 1975 foi uma segunda-feira e o objectivo do regresso era «dar efectivação à instrução operacional», que antecederia a partida para Angola - ainda que se desconhecendo as datas, que entretanto, e citamos o livro «História da Unidade», «foram marcadas para fins de Maio, princípios de Junho».
A instrução logo foi interrompida, refere o «HdU», «face ao Movimento das Forças Armadas de 25 de Abril de 1974». Que foi na seguinte quinta-feira.