CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

5 198 - Os dias de Angola de 45 anos, revividos em Setembro e Outubro de 2019!

 

Cavaleiros do Norte do PELREC. Francisco e Madaleno (à esquerda). De bigode, à frente, o 
Silvestre, depois o Aurélio Barbeiro (abaixado), o Florêncio (de bigode), Messejana, Soares e Vicente (ambos
 de bigode). Atrás destes, de cerveja na mão, o Alberto Ferreira. Aqui à frente, o alferes Garcia e o Armindo 
Gomes (a rir). O António (com boina no ombro), o Dionísio, dois desconhecidos e o Leal (boina no ombro). 
Atrás dele, o Almeida. E os três da direita, lá atrás? Em baixo, Viegas na ilha de Luanda, há 40 anos e alguns dias
Cavaleiros do Norte do PELREC: Augusto Florêncio, 
Francisco António (que hoje festeja 6o anos em Abrantes), 
furriéis Neto e Viegas e 1º. cabo Albino Ferreira

A 30 de Setembro de 1974, há poucos dias regressado ao Quitexe e já depois do incidente da CCA. 209/RI 21, a companhia do Liberato que se revoltou, os Cavaleiros, ainda que sempre atentos, jornadeavam tranquilos pelas terras do Uíge. 
Os dias do «bem-bom» que tivera nas férias que me levaram a galgar quilómetros pela imensa Angola e por eles ter andado a laurear o queijo, tinham acabado! Por eles me «passeei»,  sentindo-lhe os cheiros e os sentidos e almofadando abraços ao mar de amigos e familiares que por lá, de Luanda ao Huambo, Silva Porto e Gabela, Lobito e Benguela, faziam pela vida. Foi há 46 anos! Como o tempo passa!!
A essas terras voltei em 2019, há precisamente um ano. E quantas memórias se avivaram quando, com emoção, pisei o chão da imensa e saudosa Angola.
Notícias, havia. E frescas. E menos boas: «O IN realizou uma acção ofensiva na área o Liberato, ao atacar madeireiros», leio agora, no Livro da Unidade. Não era a melhor recepção, até porque também tinha havido uma flagelação a uma viatura da JAEA, na Quinta das Arcas.

Cavaleiros do Norte de 3ª. CCAV.
8423, a de Santa Isabel: Castelo
e Cabecinha (de pé), Romão,
Raúl e Tobias 
O (não) avanço do


MPLA para o Uíge


Há 45 anos e já por esta aldeia das minhas primeiras fraldas e chegado da jornada angolana há menos de um mês, fazia vésperas para retomar o meu trabalho profissional, na Grésil (onde por 16 anos fui quadro administrativo, antes e depois do serviço militar) e procurava notícias de Angola. Não era as melhores: a FNLA mantinha-se no Caxito, não se conhecia avanço do MPLA para o Uíge mas era seguro que não desfazia armas para manter a sua supremacia territorial.
Campala, neste dia de 1975, foi cada para a cimeira dos três partidos, a que falou o MPLA. A própria FNLA, a horas da abertura, não tinha confirmada presença; só a UNITA de Savimbi já estava na cidade ugandesa. Para além da delegação portuguesa: tenente-coronel Costa Braz, capitão Rui Castro Guimarães e João Teixeira da Mota. País participantes, foram Argélia, Burundi, Gana, Alto Volta, Quénia e Lesotho, Marrocos, Nigéria, Somália e Uganda.  Formavam a Comissão Conciliadora para Angola.
Ao Algarve, chegavam dez das 18 traineiras que, a 4 de Setembro, tinham saído de Luanda, rumo à Europa e a fugir dos dramas da guerra. Fundearam em Vilamoura e Olhão e as restantes navegavam entre Dakar (Senegal) e o Algarve. Em apoio, foram a fragata Pereira da Silva e a corveta Honório Barreto.

Domingos Teixeira

Teixeira, 1º. cabo da 
CCS,  68 anos no Porto !

O 1º. cabo Domingos Augusto Teixeira, da CCS do BCAV. 8423, festeja 68 anos a 30 de Setembro de 2020.
Estofador de especialidade militar e Cavaleiro do Norte do Parque-Auto do Quitexe, regressou a Portugal no dia 8 de Setembro de 1975 e ao seu Bairro do Cerco, na cidade do Porto. Fez vida profissional como funcionário público (na área do ensino) e, já aposentado, lá continua a morar e para ele vai o nosso abraço de parabéns!

Francisco António

António, condutor da CCS,
68 anos em Abrantes !

O atirador de Cavalaria Francisco Fernando Maria António, combatente da CCS do BCAV. 8423, comemora 68 anos a 30 de Setembro de 2020.
Cavaleiro do Norte do PELREC e no Quitexe, integrando o grupo de combate comandado pelo alferes miliciano António Garcia, regressou a Portugal no dia 8 de Setembro de 1975, à sua terra de Abrançalhas, em Abrantes. 
A vida profissional fê-la sempre como motorista de pesados de longo curso (internacional) e, já aposentado, lá continua a viver. Para ele, um grande abraço de parabéns!

terça-feira, 29 de setembro de 2020

5 197 - O orgulho, há 47 anos, de mostrar o «crachat» dos Rangers !


Alferes Garcia
Os furriéis milicianos Neto, Viegas e Monteiro, da CCS
do BCAV. 8423, que há 47 anos concluíram o curso de
Operações Especiais (Rangers) no CIOE de Lamego e 
integraram o PELREC da CCS do BCAV. 8423
Alferes Garcia


O 2º. curso de Operações Especiais de 1973, os Rangers, terminou a 29 de Setembro, hoje se completam 47 anos. Com vários futuros Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423.

Concluía-se, assim, uma fase de instrução que viria a ser decisiva no nosso futuro militar, em termos físicos e técnicos, também psicológicos. Por mim, 

Alferes Sousa
Alf. Machado
A. Rodrigues

fui 16º. classificado, com 15,33 de média final  - numa classificação (publicada na Ordem de Serviço nº. 234, do CIOE, de 4 de Outubro desse ano) que punha o Cristovão como primeiro (média de 16,58). Da futura CCS dos Cavaleiros do Norte foram quinto o Monteiro (16,05) e 26º. classificado o Neto 

Furriel C. Letras
Furriel M. Pinto

(14,68%) - todos futuros furriéis milicianos.
O Garcia ganhava os (futuros) galões de alferes com 14,70 (26º.). Outros Cavaleiros do Norte foram os alferes Sousa (da 1ª. CCAV., a de Zalala, 25º. lugar de cadetes, com 14,73), Machado (da 2ª. CCAV., a de Aldeia Viçosa, 24º,. com 14,75) e Rodrigues (da 3ª. CCAV., a de Santa Isabel , com 14,78). E os futuros furriéis Pinto (da 1ª. CCAV., 40º. classificado, com 14,23) e Letras (da 2ª. CCAV., que foi 60º., com 13,25). O Reino, da 3ª. CCAV.,  foi instruendo do curso seguinte.

O dia era sábado e da memória puxo a exibição militar do Quartel de Penude e a parada e cerimónia na parada do quartel-sede, na cidade de Lamego, e o almoço, para a qual foram convidadas as famílias de cadetes e instruendos. E muitas lá estavam. Não a minha, que para tal não tinha meios.

O futuro furriel Viegas
 no CIOE de Lamego

O orgulho de mostrar
o «crachat» dos Rangers !

A memória, recuada estes 47 anos que se passaram, faz-me lembrar a minha chegada a Águeda, na boleia do SIMCA 1100 do Neto, já a meio da tarde.
Cansados mas felizes!
O tempo deu para, de sorrisos rasgados, pararmos na esplanada do Zip-Zip (junto ao rio) para bebermos uns finos e ter subido, eu, a então EN1 até à estação dos caminhos de ferro, onde apanhei o comboio para a casa. De camuflado vestido (o que na altura era pouquíssimo vulgar fora dos quartéis) e muito ufano, exibindo a chapa e o crachat dos Rangers - a brilhar nos olhos de quem nos via. E parecia que toda a gente olhava para o brilho da chapa e do crachá dos Rangers!
Naqueles 1000 metros de rua, Águeda acima, e depois no comboio do Vale do Vouga e até chegar a casa - onde neste momento dedilho as recordações desse dia. 
Jesuíno Pinto

Jesuíno, furriel de Aldeia
Viçosa, faria 68 anos !

O furriel miliciano Pinto, da 2ª. CCAV. 8423, a companhia da uíjana Aldeia Viçosa, faria 68 anos a 29 de Setembro de 2020. Faleceu a 3 de Maio de 2017.
Jesuíno Fernandes Pinto foi atirador de especialidade, chegou ao norte de Angola em Agosto de 1974, em rendição individual, e regressou a Portugal no dia 10 de Setembro de 1975, a Parada de Gatim, em Vila Verde. Por lá viveu sempre, ligado ao movimento associativo, desportivo e à rádio, falecendo de doença.
Hoje o recordamos com saudade! RIP!!!
Rui Cardoso


Cardoso de Zalala
faleceu há dois anos!

O soldado Rui Manuel Miranda Cardoso, da 1ª. CCAV. 8423, a da Fazenda de Zalala, faleceu há precisamente dois anos, no dia 29 de Setembro de 2018.
Atirador de Cavalaria, regressou a Portugal nodia 9 de Setembro de 1975, fixando-se no Bairro do Cerco do Porto, em Campanhã, no Porto. Lá faleceu, vítima de doença e aos 66 anos - que tinha completado a 27 de Maio de 2018.  
Aqui dele fazemos memória e hoje o recordamos com saudade! RI

 



segunda-feira, 28 de setembro de 2020

5 188 - Os Cavaleiros do Norte, há 45 anos, a adaptarem-se ao Portugal novo!


Desalojados no aeroporto de Luanda, há 45 
anos (foto da net), à espera de avião para Lisboa.
O alferes miliciano Lains dos Santos ladeado pelos já fa-
lecidos furriéis milicianos Jorge Barata (a 11 de Outu-
bro de 1997) e Américo Rodrigues (f. a 30 de Agosto de 
2018), ambos vítimas de doença) - os três da 1ª. CCAV.
 8423, a da Fazenda Zalala

A 28 de Setembro de 1975, com os Cavaleiros do Norte já há mais e duas semanas em Portugal, cumprida a sua jornada africana do Uíge angolano, realizaram-se manifestações da Frente de Unidade Revolucionária (FUR) em Lisboa, Viana do Castelo, Vila Real, Aveiro, Évora, Beja e Faro, «contra o fascismo e a social-democracia (...), a exigir o Poder Popular e repudiar o avanço da social-democracia e da direita».
Era este o país que os Cavaleiros do Norte, então debutantes na democracia que levedava de norte a sul, por esse tempo aprendiam a conhecer!
Por Angola, o aeroporto de Luanda continuava congestionado, cheio de (próximos) desalojados. Nós mesmos, semanas antes, por lá procurando familiares e amigos, tínhamos visto as condições desfavoráveis em que aguardavam a viagem para Lisboa, ou Porto. E a Luanda começavam a chegar deslocados de Nova Lisboa, Sá da Bandeira e Moçâmedes, Lobito, Benguela Pereira d´Eça, Novo Redondo  e outras localidades - alguns até lá viajando de barco. Curiosamente, na documentação que agora consultámos, raramente aparecem referência a desalojados do norte. Do «nosso» Uíge, de Carmona, do Quitexe, de Aldeia Viçosa, de Vista Alegre, do Songo e do Negage. Por onde e como andaria aquela nossa boa gente?!
José Lino


Lino, furriel de Santa
Isabel, 68 anos no Fundão!

O furriel miliciano José Rodrigues Lino, da 3ª. CCAV. 8423, a da uíjana Fazenda Santa Isabel, festeja 68 anos no dia 29 de Setembro de 2020.
Mecânico-auto de especialidade e nessa qualidade louvado pelo Comando do BCAV. 8423, por proposta do capitão José Paulo Fernandes, regressou a Portugal no dia 11 de Setembro de 1975, fixando-se na sua natal cidade do Fundão. Por lá fez (e faz) vida profissional, trabalhando nas áreas industriais das madeiras e da camionagem, e também depois de algumas experiências em Espanha.
Sem  nunca lhe faltar dinamismo e entusiasmo, organizou vários encontros dos Cavaleiros do Norte de Santa Isabel. Por exemplo, o de 2019. Parabéns!

Graciano Queijo e festa de anos no 
Lar Padre Tobias, em Samora Correia

Graciano, clarim da CCS,
faria 66 anos !

O soldado clarim Graciano da Purificação Queijo, Cavaleiro do Norte da CCS do BCAV. 8423, faria hoje 68 anos, dia 28 de Setembro de 2020. Faleceu em 2013.
Natural de Vilarelhos, em Alfândega da Fé, regressou a Portugal no dia 8 de Setembro de 1975, após a sua missão angolana - onde também serviu como ajudante de cozinheiro - e teve uma vida algo errante, certamente nómada, até que, já bastante doente e debilitado, foi acolhido no lar da Fundação Padre Tobias, em Samora Correia. Foi lá que, rodeado de todos os cuidados e afectos, viveu os seus últimos dias e faleceu a 30 de Outubro de 2013 - aos 61 anos.
Hoje o recordamos com saudade! RIP!!!

domingo, 27 de setembro de 2020

5 187 - A revolta dos Caçadores da Companhia 209/RI 21 da Fazenda do Liberato!

 


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Uma coluna da CCAÇ. 2019/RI, a da Fazenda do Liberato e subunidade do BCAV. 8423,  numa progres-
são auto-transportada numa picada do Uíge angolano. Companhia formada, maioritariamente, por mili-
tares angolanos, revoltou-se  27 de Setembro de 1974

A esposa e capitão Victor Correia, comandante da CCAÇ. 
209/RI 21, com o furriel José Oliveira e dois militares de
 identidade desconhecido (o de cima, à direita, e 
o de baixo). Quem serão?


A CCAÇ. 209/RI 21 estava aquartelada na Fazenda Liberato e revoltou-se há 46 anos, no dia 27 de Setembro de 1974, tentando avançar para Carmona, pela Estrada do Café - onde esteve «esperada« pelo PELREC dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423.
O dia foi dramático, cheio de dúvidas e medos, e poderia ter sido trágico. A guarnição do Quitexe viveu um dos seus dias mais difíceis e dramáticos. Tais momentos já foram aqui suficientemente narrados (ver nos links abaixo), mas faltava a associar o dia exacto. Qual foi ele, qual não foi, como foi? Pois, foi 27 e foi um sábado de Setembro muito encalorado e de muitos suores e temores.
O livro «História da Unidade» faz-lhe referência: «Em 27 de Setembro, na sequência de outros incidentes internos, processaram-se na CCAÇ. 209 graves problemas disciplinares, os quais passaram ao controlo do Comando do 
Sector do Uíge!».
O furriel Viegas e o condutor
Nogueira em Angola, há um ano!

Cavaleiros de prevenção
e à espera do... pior!

A CCAÇ. 209 era a do Liberato e, sobre os incidentes, o «HdU» nada mais diz. Era comandada pelo capitão miliciano Victor Correia e ao tempo e passado o susto que nos poderia ter enlutado a alma e o corpo, eu tinha regressado de férias, de laurear o queijo pela imensa Angola.
Lembro bem - se me lembro!!!... - da gravidade do assunto, que andou em bolandas opinativas durante largos dias. E o aquartelamento em prevenção que não nos descansou o físico. 
comandante Almeida e Brito na véspera e no dia seguinte, por coincidência, esteve reunido em Carmona, no Comando do Sector do Uíge. Já estivera a 21 e 23, «sempre acompanhado por oficiais da CCS do BCAV.», precisamente para «contactos necessários aos bom andamento dos trabalhos militares».
Foi na ZMN que, «furtando-se» à «emboscada» do PELREC, os «liberatos» se entregaram um a um e de arma descarregada (a velha G3), como há um ano nos contou, no local, o condutor Nogueira.

O furriel Viegas em 2012, com dois «liberatos»:
o condutor Nogueira e o furriel Oliveira (à direita)
O Liberato em Águeda,
na «casa» dos CdN !

A 1 de Dezembro de 2012, entretanto, e inesperadamente, fui visitado em casa por dois militares da Companhia do Liberato: o (furriel vagomestre) José Oliveira (que foi meu companheiro de turma na Escola Industrial e Comercial de Águeda e, para mim, é eternamente o Zé Marques), e o José Luís Nogueira da Costa, condutor da CCAÇ.  209, do RI/21, que nasceu em Tomar, para Angola foi aos três anos e por lá cresceu e fez vida, lá cumprindo o serviço militar e, entretanto, se «converteu» em colaborador/investigador deste blogue.
Aqui aparecessem agora, e de novo, e teríamos de abrir espumante, enquanto refrescaríamos a memória sobre este dia de 1974.
Com o Nogueira andei eu, há precisamente um ano, em visita de memória e saudadas por terras uíjanas.
As famosas Portas de Zalala


Catuna Santos de Zalala
terá falecido no Brasil !

O soldado Catuna dos Santos, atirador de Cavalaria a 1ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Zalala, faria 68 anos a 27 de Setembro de 2029, mas já faleceu, no Brasil.
Joaquim José do Nascimento Catuna Santos era atirador de Cavalaria de especialida e ao tempo residente em Albufeira, no Algarve. Lá regressou a 9 de Setembro de 1975, no final da sua jornada africana do Uíge angolano. O furriel João Dias, das Trabnsmissões de Zalala, informou-nos que, em data desconhecida, emigrou para o Brasil e que lá terá falecido, por razões e data também desconhecidas. Hoje o lembramos com saudade! RIP!!!

1 - A revolta da Companhia do Liberato 1 /// Clicar AQUI
2 - A revolta da Companhia do Liberato - 2 \\\ Clicar AQUI
3 - A revolta da Companhia do Liberato - 3 /// Clicar AQUI
4 - O comandante do Liberato \\\ Clicar AQUI
5 - Dois «liberatos» em minha casa /// Ver AQUI

sábado, 26 de setembro de 2020

5 194 - Reunião com regedores do Quitexe ! Angola a ferro e fogo !

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Cavaleiros do Norte de Santa Isabel, da 3ª. CCAV. 8423, com milícias (?) armadas 
da sua ZA. Reconheço o furriel Agostinho Belo (terceiro a contar da direita, de pé) e 
o 1º. cabo Fernando Simões (o primeiro da direita, de pé


Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423: o Freire 
e o Oliveira, de Aldeia Viçosa (2ª. CCAV. 8423)
O desarmamento previsto pelos acordos de Portugal com os movimentos de libertação de Angola não não tinha sido bem aceite pelos povos e, a 26 de Outubro de 1974, realizou-se, no Quitexe, «uma reunião com todos os regedores, aos quais foi feito ver a necessidade de entregarem o armamento das milícias".
O plano de desarmamento começara no dia 21 (uma semana antes) e os povos das áreas do Quitexe e de Aldeia Voçosa, principalmente, temiam que a sua defesa ficava fragilizada, face ao que o Livro da Unidade chama «defesa às acções de depradação e exigência do IN» - que, na área, era a FNLA (mas qualquer outro poderia ser, a UNITA, o MPLA).
O desarmamento «veio a suceder, voluntariamente, a partir de 28 de Outubro», memoria o Livro da Unidade.
O coronel Santos e Castro, oficial português, 
e Holden Roberto, presidente da FNLA, 
no Ambriz (em 1975) 

Angola em vésperas
da independência !

A 26 de Outubro de 1975, um ano depois e com o dia da independência cada vez mais próximo, Angola continuava a ferro e fogo. 
A 9ª. Brigada do MPLA, nesse dia, travou o avanço do FNLA, no Morro da Cal, a 20 quilómetros de Quifangondo, para norte. Holden Roberto, por carta, queixou-se que as Forças Armadas Portuguesas «vigia(va)m sistematicamente as posições da FNLA» naquela área e informou que, a partir desse dia, «qualquer avião que sobrevoasse seria inapelavelmente abatido». 
Leonel Cardoso, o Alto Comissário de Portugal, rejeitou a acusação e, por não aceitar o ultimato da FNLA, mandou-lhe recado, para o caso de algum aeronave portuguesa ser alvejada: «Sujeita-se o ELNA às consequências».
Condutores da CCS: António Picote, Manuel 
Alves e Alípio Canhoto (irmão de José)

Canhoto, CAR de Santa 
Isabel, faria 71 anos !

O soldado José Canhoto Pereira, da 3ª. CCAV. 8423, faria 71 anos a 26 de Setembro de 2020. 
Irmão de Alípio, condutor da CCS, a Companhia do Quitexe, estava emigrado para França e, numa das visitas de férias, foi «apanhado» para o serviço militar. Cumprida a jornada africana, voltou a Colmeal da Torre, em Belmonte, a 11 de  Setembro de 1975, e logo depois voltou a França e por lá fez vida. Teve duas filhas e separou-se, casando-se de novo - em Chaves. Faleceu «há uns 7 ou 8  anos», vítima de doença cancerosa, disse-nos o Alípio, sem conseguir precisar a data.
Hoje o recordamos com saudade! RIP!!!

Castelo de Santa Isabel,
68 anos em Fanhões !

O soldado Graciano Letras Castelo, atirador de Cavalaria da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda de Santa Isabel, festeja 68 anos a 26 de Setembro de 2020.
Cavaleiro do Norte do comando do capitão miliciano José Paulo Fernandes, também jornadeou pelo Quitexe e Carmona regressou a Portugal no dia 11 de Setembro de 1975, aos Casalinhos, de Fanhões, em Loures - onde ainda reside. Para lé e para ele vai o nosso abraço de parabéns!. 

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

5 193 - Férias a acabar e notícias de Portgal na imprensa de Lisboa !

O furriel Viegas, da CCS do BCAV. 8423, e o soldado condutor Nogueira, da CCAÇ. 209, 
 do RI 21, de Nova Lisboa e aquarelada na Fazenda do Liberato. Aqui, há um ano em  Angola e
em viagem de saudade e memória da jornada africana do Uíge angolano de há 44/45 anos!

O furriel Viegas e o amigo (civil) e conterrâneo
Albano Resende. Há 46 anos, na restinga de Luanda


Mês de Setembro de 1974, há 46 anos e em Luanda! Dia 25! Estava o blogger de mala aviada para regressar ao Quitexe e às suas obrigações como Cavaleiro do Norte do BCAV. 8423, à CCS, e aproveitou as últimas horas de borga para se espraiar pelas praias da restinga luandina, na ilha!.., almoçar marisco, depois o convencional bife com ovo a cavalo, com o seu amigo e conterrâneo Albano Resende, e esperar pelo meio da tarde, quando o Alberto Ferreira sairia (e saiu) da Base Aérea e nos encontraríamos na baixa.
Estava combinada uma boa frangalhada num dos Florestas - restaurantes que ficavam perto do estádio dos Coqueiros, atrás da Sé -, uma frangalhada bem molhada, regada à fartura, com uns fartos canhângulo, para afogar o gindungo e a sede que medrava no calor luandino. Depois, depois logo se via..., pelos caminhos da baixa luandina, onde a noite escondia desejos e cios, onde a juvenil saciedade dos jovens militares não se intimidava nas aventuras em que os segredos da vida nocturna eram favorecidos, e desafiados, pela sensualidade da sua gente, jovem e atraente, que se achava na baixa, entre dois dedos de conversa e mais um copo para animar o momento e acelerar o enlace, o desejo, os prazeres da vida! 

O furriel Viegas, de férias e na praia 
da Restinga, ilha de Luanda. Há 46 anos!

Notícias de Portugal
que vinham de Lisboa !

O Alberto Ferreira era cabo especialista da Força Aérea e trabalhava na base luandina. De lá sempre arranjava notícias de Lisboa, vindas de avião e em forma de jornal: ficou a saber-se que o Presidente António Spínola convidou os diretores dos jornais «A Província de Angola» (Ruy Correia Freitas) e «Notícias» (António Joaquim Ferronha), para além do secretário geral do Partido Cristão Democrático de Angola, do presidente da Liga Nacional Africana e do escritor Domingos Vandunen, para uma reunião em Lisboa. De fora, e dando título à notícia do jornal, ficava o Movimento Democrático de Angola (MDA) e a Frente Socialista de Angola (FSA) - organizações que na noite da véspera se reuniram, manifestando estranheza por não terem sido convidados por Spínola.
Nada que nos preocupasse! Era lá coisa deles, da política, dos políticos!
A mim, que voaria para Carmona dentro de algumas horas, seguindo para o Quitexe, o mais importante era viver a noite que sonhávamos atraente, sensual e de cio, no Diamante Vermelho, que ficava um pouco acima do Largo Serpa Pinto e do Katekero onde me acomodava. Por lá, fazia noites uma amiga comum, que outras nos trouxe, sentando-se e bombaleando-se nos colos dos nossos desejos. Queríamos lá saber dos partidos, dos jornais, das notícias, dos movimentos, da democracia, das negociações! Foi isto, há 46 anos!! Como a vida passou.
O tempo voou e a saudade de Angola vejo-a, hoje e aqui, sentada na memória. Que há precisamente um ano refresquei, quando a Angola fui visitar os chãos onde fui (fomos) homens de Abril a prepara um país novo: Angola!!!

Norberto Morais

Morais, furriel da CCS,
70 anos em Elvas !

O furriel miliciano Norberto António Ribeirinho Carita de Morais, da CCS do BCAV. 8423, festeja 70 anos a 25 de Setembro de 2020.
Natural de Nisa e agora morador em Elvas, foi mecânico-auto de especialidade, integrando a equipa do Parque-Auto, comandada pelo alferes miliciano António Albano Cruz - que ontem, precisamente, fez 75 anos!
Regressou a Portugal no dia 8 de Setembro de 1975 e fixou-se na sua natal Nisa, depois, e por razões profissionais, passando para em Elvas, onde fez carreira como técnico superior do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, de que reformou em Janeiro de 2013, fazendo parte dos quadros do Instituto Nacional de Recursos Biológicos.
Acabámos de falar com ele, está em grande forma e para ele, aqui, lhe renovamos os nossos parabéns!

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

5 191 - Redescobrindo Angola (3): A Carmona colonial continua quase igual !


As páginas 5 e 6 da reportagem publicada no jornal «Sol», de 1 de Fevereiro de 2020, sobre
a viagem do furriel Viegas a terras dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423


O furriel Viegas em frente à messe de sargentos do
 Bairro Montanha Pinto, a 25/09/2019

 
Redescobrindo Angola,
43 anos depois (3)!

O regresso
a Carmona 

Carmona, a agora cidade do Uíge, está aqui na frente, já a cortar para praça central, onde reencontro os edifícios coloniais da Zona Militar Norte (agora Tribunal Militar), a Câmara, os CTT, o Tribunal, o jardim bem cuidado e a avenida Capitão Pereira, agora Agostinho Neto, e com um edifício novo - o de apoio dos deputados provinciais.
O cheiro uíjano é o mesmo de há 44 anos, sinto-o…, e a emoção reaviva a memória, recuando no tempo, a 1 de Junho de 1975, quando, enlutada em guerra aberta, com ferozes e sangrentos combates entre FNLA e MPLA, os Cavaleiros do Norte acudiam a todos, sem diferença de cor e de ideologia.
«A matança prossegue em Carmona (...). As ruas estão cheias de cadáveres (...)», noticiava o Diário de Lisboa, acrescentando que «comandos da FNLA invadiram e destruíram as casas de dezenas de simpatizantes do MPLA» e que «os que escaparam refugiaram-se no Paço Episcopal e no aquartelamento Português» - o BC12.
O BC12 a 25 de Setembro de 2019

O BC12 acolheu
milhares de civis!

Os trágicos combates de Carmona tornaram os Cavaleiros do Norte homens sem sono, em missão permanente e sem um recuo. Sem descanso, sequer fome, nesses 6 dias de guerra aberta, rasgada e multiplicada pelos cantos da cidade. Referia o DL que «o Exército Português procura impedir os raids dos homens de Holden Roberto, que retomaram tragicamente, os métodos da UPA, em 1961».
O quartel (o BC12) acolheu milhares de civis, assim evitando a matança, que chegou a ser tentada nas camas do hospital, impedida pelos militares portugueses, logo a 1 de Junho e dias seguintes de 1975, quando Carmona era um inferno de fogo e combatentes da FNLA e do MPLA lutavam quase corpo a corpo, ensaguentando e enlutando a cidade. Obuses, morteiros e granadas rebentavam noite e dia. As rajadas faziam estranhos coros nos céus e a tropa portuguesa tinha a missão de proteger os civis e equipamentos públicos, numa cidade que não a tinha em grande cuidado e respeito.
Ao passar frente ao liceu, nessa alvorada de domingo, a Berliet em que seguíamos para o BC12 foi atacada e uma rajada silvou sobre as nossas cabeças.
«Filhos da p...», ouviu-se um grito de aflição. Foram momentos sem recuo, de enfrentar tudo e todos, sem temores. Nada iguais aos vividos sempre que galgávamos os trilhos e picadas e as matas semeadas de ameaças - de arma em riste, imaginando e temendo que, no horizonte misterioso e a perder de vista, um qualquer perigo nos amortalhasse. Foram piores.
Tudo isso me renasceu na memória: o cruzamento do sinaleiro da Rua do Comércio, onde mulher europeia dias antes nos cuspira e batizara a tropa de cobardes e traidores e nessa madrugada, com 4 ou 5 crianças, nos pediu apoio e levámos para o quartel; a Rádio Clube de Uíge, de onde «vimos» a matança do capinzal, para o lado da zona industrial, e de lá recolhemos feridos, onde achámos uma bota com pé negro dentro, de corpo regado a gasolina e cortado a catanada; os combates dos bairros suburbanos, regados de sangue de angolanos que entre si lutavam, irmãos da mesma luta pela independência mas ali inimigos de morte; o choro da muita gente que não entendia aquela luta e pedia apoio à tropa portuguesa. Nunca recusado. O edifício do Banco de Portugal, de onde escoltámos pesado carregamento de valores, para o aeroporto.
A Zona Militar Norte (ZMN) e Comando do Sector
do Uíge (CSU), agora Tribunal Militar das
Forças Armadas de Angola

A Carmona colonial
continua quase igual !

O Exército Português estava limitado ao Batalhão de Cavalaria 8423 - e nem todas as Companhias... - e Deus sabe quanto heroísmo, quanta bravura, se soltou da alma dos bravos homens que do BC12 saíam para a cidade, enfrentando mil perigos e salvando centenas de vidas, permanentemente arriscando as suas! Há 44 anos!!!
Tudo isto me vem à memória, neste regresso à saudosa Carmona, que agora é Uíge, e era cidade moderna, jovem, febril e super-activa, parecendo desenhada a régua e esquadro, com bairros e jardins onde se semeavam verdes, os bairros habitacionais compartilhados por brancos e negros, angolanos de todas as cores, credos e origens! A piscina, a zona industrial, a praça dos serviços públicos: Tribunal, CTT, Paços do Concelho e Comando Militar. Tudo soltou memória de saudade da terra uíjana de Angola!
A malha urbana colonial continua praticamente igual - mas agora rodeada de bairros, que a cercam, até e depois do BC12 e na estrada para o Songo. Há alguns edifícios não concluídos e abandonados e escolas novas, na saída para o Quitexe, por lá se achando muitos estudantes.
Os locais de culto da tropa portuguesa ainda por lá se encontram: o renovado Pinguim, o bar do Eugénio, o mercado, o velho Cine Moreno, o pavilhão do Recreativo do Uíge, as piscinas, a emblemática Rua do Comércio, o bairro Montanha Pinto, o aeroporto, o bar Diamante Negro - quem o pode esquecer? Fechadas, achámos muitas lojas do tempo colonial e também o restaurante Escape, moda dos idos 1975.
Foi esta Carmona que recordei, 44 anos depois, em jornada de saudade pela terra africana do Uíge angolano.
CELESTINO VIEGAS
(Reportagem publicada no jornal "Sol" de 01/02/2020 - fim)
Alferes António
A. Cruz em 2020


Alferes António Cruz,
75 anos em Santo Tirso !

O alferes miliciano António Albano Araújo de Sousa Cruz, da CCS do BCAV. 8423, festeja 75 anos a 24 de Setembro de 2020, na sua terra de Santo Tirso.
Engenheiro de formação académica e mecânico-auto de especialidade militar, o alferes Cruz notabilizou-se de tal modo que o pelotão que proficientemente por lá comandou foi louvado pelo Comando do Batalhão, atestando-o como «equipa de trabalho, com espírito de entreajuda e sacrifício, procurando tirar o maior rendimento do seu labor», conforme se lê, na Ordem de Serviço 181 do BCAV. 8423.
Aposentado, pai e avô, mora em Santo Tirso, a sua terra natal, para onde vai o nosso abraço de parabéns!

quarta-feira, 23 de setembro de 2020

5 190 - Redescobrindo Angola (2): A caminho do chão do Uíge! O Quitexe está muito igual!

O que resta do edifício do Comando do BCAV. 8423.
Ao fundo, a Igreja de Santa Mãe de Deus, na vila do Quitexe

  
A chegada do furriel Viegas ao Quitexe, 44 anos
depois, na imagem com o condutor Nogueira
 do Liberato, companheiro da jornada de saudade
às terras uíjanas de Angola e da nossa jornada
africana que foi tempo da pré-independência.
Viagem de saudade e memória!


Redescobrindo Angola, 
44 anos depois... (2)
A caminho do chão 
do Uíge!

O caminho para o Uíge foi o mesmo de há 44 anos, em asfalto, passando Cacuaco e Caxito (de trágicas batalhas no ido ano de 1975, entre MPLA e FNLA), terras onde muita gente se via na rua, tranquilamente e olhando o 
Páginas 3 e 4 da reportagem publicada no jornal
«Sol» de 1 de Fevereiro de 2020

jeep grande e branco, que parava e perguntava: «Como é que vai Angola?».
Gente anónima, ao acaso achada nas largas ruas, foi-nos contando da sua esperança: «Nós vai no futuro, nós acredita no João Lourenço, os Angola vai ser muito melhor».
Os caleluias (pequenas motorizadas com atrelados cheios de gente, a caminho de um qualquer destino) e os táxis azuis levam e trazem pessoas, de e para todo o lado, os machimbombos, mais raros mas também sobrelotados, galgam os mais de 300 quilómetros da viagem, mais difícil nas duas cordilheiras com troços de 10% de inclinação - onde, lentos e cautelosos, três pesados camiões carregavam madeira para o porto de Luanda e nos demoraram a viagem.
O futuro parecia escrito nos olhos desta gente que, para trás e para a frente, brancos e negros, sem distinção de cores, galgava as estradas longas, de uma Angola imensa e por onde íamos matar as saudades da nossa jornada africana do Uíge. Depois Úcua e o Piri, o corte para o Quibaxe e, deixando a província do Bengo, a entrada na do Uíge, pela Ponte do Dange - onde os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 fizeram guarda nos últimos 15 meses da soberania portuguesa, garantindo a segurança do principal itinerário de Luanda a Carmona - num tempo, o de 1974/75, em que os movimentos de libertação, em busca de implantarem a sua ideologia política e social, a todo o custo queriam enraizar os seus ideais nas populações e não se incomodavam em provocar frequentes quezílias com a tropa portuguesa.
A velha ponte colonial foi destruída pela guerra e uma nova construção dá passagem para o norte, pela Estrada do Café fora, até Vista Alegre, depois Aldeia Viçosa, Dambi Angola e o corte para a Fazenda Santa Isabel, até ao Quitexe, a 40 quilómetros de Carmona, depois o desvio para a mítica Fazenda de Zalala «a mais dura escola de guerra».
Os bananais e a imensa mata entram na estrada, parecendo aparados por tesoura de jardim, mas vê-se, a nu olho, que é cortada pelos pesados camiões que de lá acarretam madeira. Disse-nos voz do povo que «para a China, para pagar dívidas, mais o petróleo».
A messe de sargentos da CCS do BCAV.
8423, a 24/09/2019, no Quitexe


O Quitexe
está muito igual

  

O Quitexe está igual, quase igual do «nosso» saudoso Quitexe de 1974/75. Logo na entrada, o velho Posto 5 - onde se guardava a vila e detia quem menos bem se comportava, em jeito. Depois, a administração (muito bem conservada), as casas dos Morais (agora o Banco BIC) e do Carlos Gaspar, os restaurantes Topete, o Rocha e o Pacheco, a escola primária, a casa dos Correios, o Clube do Quitexe (onde em 1974 vimos «Eusébio», o filme do pantera negra), o hospital, tudo na Rua de Cima (a Estrada do Café).
O edifício do Comando do BCAV. 8423, na de Baixo (a avenida) está em ruínas, aparentemente com uma família lá dentro, num contentor. Há roupa a secar numa corda e crianças a espreitar. Outras, perguntam-nos o que por ali fazemos e brincam com carrinhos de madeira. 
O espaço das casernas, oficinas, refeitório, balneários e parada do BCAV. 8423 está ocupado com pavilhões, de onde saem e entram jovens estudantes, todos de bata branca e a olhar-nos com curiosidade. Ao lado, mesmo a lado, está o adro da Igreja de Santa Maria de Deus e a missão onde pastoreou o padre Albino Capela, agora a viver em Barcelos.
O «nosso» quartel inexiste, na sombra de um enorme imbondeiro. Da porta d´armas, resta o sítio e uma avenida que foi de alcatrão está agora esburacada, aqui e ali ainda com o separador central com alguns verdes a alegrar o espaço.
Um comerciante de Malanje abriu loja na antiga messe de oficiais e diz que «isto está muito parado». A messe e bar de sargentos, a secretaria e a casa dos furriéis são habitações ocupadas, de gente que nos espreita e saúda com sorriso largo: «Saúde, papá..., brigado», dizem-nos algumas crianças. E recusam-se a vender os seus pequenos brinquedos de madeira.
A casa do comandante está destelhada, pintada de azul e abandonada. Mesmo em frente, a moradia que foi de Rui Rei e é agora a Delegação da Polícia Nacional. Ao lado, a antiga enfermaria militar está ocupada por serviços públicos. Funcionam a escola, a administração e o hospital coloniais, edifícios coloniais bem conservados.
Deixámos o Quitexe com emoção, deixando cair uma traiçoeira lágrima de alegria e já saudade. Íamos a caminho de Carmona - cidade fundada por Montanha Pinto e batizada pelos portugueses com o nome de Presidente da República. Que os angolanos fizeram Uíge, capital da província deste nome, no norte de uma Angola que foi chão de muitas lutas e hoje é terra de esperança.
- AMANHÃ (3): O regresso a Carmona, cidade-mártir 
de 1975 ! A Carmona colonial continua quase igual !
Texto publicado no jornal «Sol» de 01/02/2020
Américo Rodrigues
furriel miliciano


Rodrigues, furriel de 
Zalala, faria 68 anos !

O furriel miliciano Rodrigues, da 1ª CCAV. 8423, faria 68 anos a 24 de Setembro de 2020. Faleceu a 30 de Agosto de 2018.
Américo Joaquim da Silva Rodrigues, atirador de Cavalaria de especialidade militar nos Cavaleiros do Norte, também foi vagomestre por terras de Zalala, Vista Alegre, Songo e Carmona, por isso sendo louvado em ordem de serviço.
Regressou a Portugal, e à sua natal Vila Nova de Famalicão, no dia 9 de Setembro de 1975 e fez vida profissional na área têxtil. 
A morte «roubou-o» do nosso convívio físico a 30 de Agosto de 2018, há pouco mais de dois anos, e hoje aqui o recordamos, fazendo memória de um grande e bom companheiro da jornada africana do Uíge angolano. RIP!!! 

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

5 189 - Redescobrindo Angola: A Luanda de hoje, as estátuas dos portugueses!



A Administração Municipal do Quitexe, em imagem de 24 de Setembro de 2019.
Trata-se de um edifício colonial, muito bem conservado e do tempo dos Cavaleiros
do Norte do BCAV. 8423

A baía de Luanda vista da fortaleza em
 imagem de há um ano (2019)

Redescobrindo Angola, 44 anos depois... (1)

- Militar português dos tempos da descolonização foi rever os sítios onde, há 44 para 45 anos, nascia um País novo (Angola), num tempo de guerra fratricida, entre irmãos que combatiam pela independência

O cheiro de Luanda já me enche a alma quando, fora do aeroporto, faço memória do 30 de Maio de há 45 anos e ali pousei, então de farda vestida para servir as Forças Armadas Portuguesas na construção do País novo que ia nascer. Estava em Angola, em jornada de saudade e, ainda no avião da TAP, olhando a baía luandina, já redescobrira os aromas desta terra enorme, já reachara os seus cheiros, a sua grandeza.
O meu caminho era para o Uíge, por onde, em 1974/75, fiz a minha jornada Angolana de África e esperam-me o Mário Ribeiro e o João Nogueira - que iriam ser companheiros de um tempo de 18 dias a galgar o chão angolano e a reencontrar sítios onde, com orgulho, com garbo, muitos militares portugueses arriscaram a vida para garantir o processo de descolonização.
«Furriel Viegas?!», perguntou-me, ao lado, um angolano, o engenheiro Eugénio Silva, que fez vida na prospecção de petróleos e que nos trágicos primeiros 6 dias de Junho de 1975 morava em Carmona, a actual cidade do Uíge, e foi um dos milhares de cidadãos uíjanos que a tropa portuguesa recolheu nas ruas da cidade e refugiou no quartel, salvando-os da matança que foram os dramáticos combates que regaram a cidade de sangue e de mortes.
«Acolheram várias famílias no quartel, incluindo a minha, famílias que não se sentiam em segurança, após os conflitos iniciados na madrugada de 1 de Junho de 1975. Todas foram servidas pelas tropas, com as três refeições diárias! No nosso caso, estivemos lá 14 dias, mas,  antes de nós, muitas famílias por lá passaram e já estavam em Luanda! Todas foram muito bem tratadas!», escreveu e repetia Eugénio Silva, angolano de Camabatela, ao tempo morador  em Carmona.
Deixei-me abraçar por aquele então jovem estudante, que não se cansou de repetir, no aeroporto e depois na sua casa de família: «Este homem salvou-nos a vida».
Este homem, o surpreendido e emocionado antigo furriel, entendam-o como o colectivo dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, os últimos militares portugueses do Uíge angolano, para onde ia eu, agora - recordando terras de várias guarnições: Ponte do Dange, Vista Alegre, Aldeia Viçosa e o saudoso Quitexe, depois Carmona, mas também Santa Isabel, Zalala, Luísa Maria, o Songo.
Mário Ribeiro, engº. Eugénio Silva e os Cavaleiros do
Norte Viegas (furriel da CCS) e Nogueira (condutor do
Liberato),  a21 de Setembro de 2019, no
aeroporto de Luanda


A Luanda de ontem,
a Luanda de hoje! 

Luanda, a cosmopolita Luanda que conheci há 45 anos, tem a sua baía ainda mais bela, com a imensa restinga cheia de gente, jovens a bombalearem o corpo, passeando-os meios despidos nas areias e águas da praia e a viverem os prazeres de um domingo bem encalorado, olhando a baía e o mar; e homens de negócios, famílias inteiras, gente despida de qualquer preconceito, sem importar o estatuto social ou a cor de pele, ou a etnia, toda a gente nivelada em todos os sentidos.
Procuro, mas já não acho a mítica Portugália, a Paris Versailles, o Amazonas, nem os Florestas e o Polo Norte - locais de culto da tropa colonial. Estão ocupadas com outros serviços, ou foram demolidos (o Polo Norte) numa cidade em bulício permanente e que se agigantou para os lados de Viana (onde prosperam muitos empresários portugueses), para o Kilamba e Talatona - cidades satélites, modernas, onde se respira confiança e segurança. E para a Corimba, a Praia do Bispo, por aí fora, até quase à Barra do Quanza ou ao Cacuaco.
Resiste o Mutamba, são coloniais os edifícios dos Correios e da Polícia, o Porto de Luanda continua aberto ao mundo, o Estádio dos Coqueiros (onde treinavam os zambianos do Green Eagles, para a «champions» africana, com o 1º. de Agosto, passando os angolanos) e fui espreitar a Fortaleza - histórico palco das bravas lutas com os invasores holandeses e mandada construir por Paulo Dias de Novais, a primeira estrutura militar defensiva construída em Angola, nos idos anos de 1575. 
Estátuas de Paulo Dias de Novais, Diogo Cão e
D. Afonso Henriques na Fortaleza de Luanda



As estátuas de
heróis portugueses

A Fortaleza de S. Miguel de Luanda, assim se chamou, foi transformada em Museu de Angola (em 1939), em 1961 voltou a assumir funções militares (nela se instalando o Comando das Forças Militares Portuguesas) e, após a Independência, em 1978, passou a albergar o Museu das Forças Armadas Angolanas.
Foi lá que achámos, com grande surpresa, as estátuas de D. Afonso Henriques, de Diogo Cão e de Paulo Dias de Novais. Assim os angolanos guardam a sua própria História. Dias depois, já no Huambo (a antiga Nova Lisboa) viria a encontrar a de Norton de Matos - num jardim ao lado da praça principal, a que chamam Jardim da Cultura e debaixo dos olhos do Palácio do Governador Provincial
.
 
- Reportagem publicada no jornal «Sol», de 01/02/2020. Continua)

Mário Araújo

AAraújo de A. Viçosa, 69

anos em Santo Tirso !

O operador-cripto Mário Novais de Carvalho Araújo, 1º. cabo da 2ª. CCAV. 8423, festeja 69 anos a 23 de Setembro de 2020.
Cavaleiro do Norte do BCAV. 8423 e do comando do capitão miliciano José Manuel Cruz, em Aldeia Viçosa, residia em Santo Tirso e lá voltou a 10 de Setembro de 1975, no final da sua comissão militar em Angola. Lá continua a viver, agora na Sampaio de Carvalho, e para lá e para ele vai o nosso abraço de parabéns!