CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

1 450 - «Eusébio - o Pantera Negra" no Clube do Quitexe





O filme "Eusébio, A Pantera Negra", de 1973, rodou no Clube do Quitexe pelo mês de Outubro de 1974 e andou a rodar pelas várias companhias operacionais dos Cavaleiros do Norte.
A realização era de Juan de Orduña e tinha o próprio Eusébio com um dos intérpretes, ao lado da mulher (Flora Ferreira) e de Isabel de Castro, Júlio Cleto, José David, Gilberto Gonçalves, Maria Liberia, José Moreno, Ibrahimo Muss, Ermelinda Rodrigues, entre outros.
O enredo andava à volta de uma rapaz  que, como futebolista, evoluiu dos tempos da bola de trapo até à bola de ouro europeia e a projecção do filme encheu o salão do Clube por mais de uma vez.
"Eusébio, a Pantera Negra" relata-nos a vida do ídolo do futebol português, desde os primeiros pontapés na bola, passando pelos grandes momentos da sua vida pessoal, até à sua consagração como jogador de futebol.
As sessões eram abertas à comunidade civil e (não sei se com este filme) atraíam as mais jovens e atraentes raparigas do Quitexe, falo das europeias -,  filhas de fazendeiros ou comerciantes da zona, em quem os militares gostavam de pôr o olho, quanto mais não fosse para... «sonhar».
O filme foi passado em toca a ZA, entre 10 e 23 de Outubro (ontem se passaram 38 anos), assumido como «acção psicológica sobre as NT» mas também, e cito do «Livro da Unidade», uma «actividade orientada para as populações».

terça-feira, 23 de outubro de 2012

1 449 - Queirós, do armamento pesado à secretaria e louvor

Rodrigues, Queirós e Eusébio, em Zalala (1974)

Os dias finais de Outubro de 1974, na ZA dos Cavaleiros do Norte, foram passando entre escoltas, patrulhas e serviços de vigilância, alternando-as com uma ou outra escaramuças com os militares dos movimentos de libertação que iam aparecendo em zonas urbanas. 
E não era nada fácil gerir este comungar de espaços e autoridade territorial.
O Neto preparava-se para vir de férias a Portugal  e o PELREC, em termos operacionais, ficava muito dependente de mim, sempre que o alferes Garcia passava a adjunto do oficial de operações. E Zalala  preparava-se para viajar até Vista Alegre e Ponte do Dange, abandonando a mítica guarnição que era «a mais dura escola de guerra».
Zalala fazia, também, tempo de vésperas dos 22 anos do Queirós, que de furriel miliciano de armamento pesado, passou, com louvor, a auxiliar do 1º. sargento Norte, na secretaria e como encarregado da cantina, funções para as quais «não possuía aptidões especiais», mas, apesar disso e por tão eficiente ser,  colhendo «admiração de camaradas e subordinados» e, e aqui se sublinha com a justiça que se deve, «creditando a consideração do comando que serviu».
O Queirós, que foi furriel por Angola, é agora aposentado do Estado Português e está em plena forma física. Um verdadeiro Cavaleiro do Norte. Atinge a «patente» de «sexiiiigenário» a 26 de Outubro de 2012! Salvé, Queirós!
- QUEIRÓS. Plácido Jorge de Oliveira Guimarães Queirós, 
furriel miliciano de armamento pesado. Trabalhou na área do 
comércio automóvel, está aposentado e mora em Braga.
- GARCIA. António Manuel Garcia, alferes miliciano de 
Operações Especiais (Rangers), comandante do PELREC. 
Natural de Pombal de Ansiães (Carrazeda de Ansiães). 
Faleceu a 2 de Novembro de 1979, vítima de acidente, 
era agente da Polícia Judiciária.
- PELREC. Pelotão de Reconhecimento, Serviços e Informação.
- RODRIGUES. Américo Joaquim da Silva Rodrigues, furriel 
miliciano atirador de cavalaria, da 1ª. CCAV. (Zalala). 
Aposentado, mora em Famalicão.
- EUSÉBIO. Eusébio Manuel Martins, furriel miliciano atirador 
de cavalaria, da 1ª. CCAV. (Zalala). Aposentado, mora em Belmonte.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

1 448 - O furriel que se veio embora e não voltou ao Quitexe

Rocha, Fonseca, Viegas, Belo, Ribeiro e Machado (à esquerda), Monteiro, Pires 
(Montijo), Costa (dos Morteiros), Machado (de cigarro na boca)  e Lajes (do bar de sargentos)


A foto é da noite de Natal de 1974, no Quitexe, mas vem aqui hoje, por antecipação de alguns dias, querendo celebrar os 61 anos do Fonseca - que os fará no próximo domingo, 29 de Outubro de 2012. Nasceu em 1951, na freguesia de Nossa Senhora da Fátima, em Lisboa.
O Fonseca era furriel amanuense e dono da típica sensibilidade alfacinha. E grande companheiro - e quando  digo grande companheiro, não me refiro à sua altura física (a pingar o metro e noventa e tal, penso eu de que!!!). Era da camaradagem e da cultura geral, que o tornava gente maior da  guarnição do Quitexe.
O Fonseca sempre nos ia dizendo, nos seus vagares das nossas latas conversas do bar de sargentos, no intervalo do seu trabalho no edifício do comando do BCAV., que quando viesse de férias não voltava. E a verdade e que não voltou.
Fez-se Janeiro de 1975 e aí veio ele até à capital do (ex)império - a revolucionária Lisboa que, ao tempo, fervia de emoções e génios políticos, grávida de acontecimentos e manifestações sociais. Veio de férias e no mesmo avião que o Monteiro - o «ranger» que secretariou o 1º. sargento Luzia.
Ele dizer, dizia!!! Que vinha e não voltava!!! E era convicto!!! Mas, realmente, nós é que não acreditámos em tal «ameaça». Mas, sem dúvidas, não voltou.
O Fonseca trabalha na área da contabilidade (é revisor oficial de contas). A última vez que falei com ele estava de boa saúde e contente com a vida, recordando os seus tempos do Quitexe com alguma nostalgia.
- FONSECA. José Carlos Pereira da Fonseca, furriel 
miliciano amanuense. Natural de Lisboa e residente no 
Laranjeiro (Almada). É técnico oficial de contas.
«

domingo, 21 de outubro de 2012

1 447 - O desarmamento das milícias da área do Quitexe

Entrada do Quitexe, do lado de Carmona (actual Uíge)

O comandante Almeida e Brito considerou o desarmamento das milícias como um dos três «acontecimentos da mais elevada importância» do mês de Outubro de 1974, na área de intervenção dos Cavaleiros do Norte. «Não teve boa aceitação dos povos, nomeadamente nos postos sede (Quitexe) e Aldeia Viçosa», refere o Livro da Unidade, afirmando mesmo «saber-se que os apresentados e o FNLA vivem em contacto permanente, quase geral, há largos anos».
«Sabe-se até -e continuamos a citar o Livro da Unidade - que poucas vezes, e salvo honrosas excepções, as milícias não tiveram actuações de vulto, em defesa dos seus aldeamentos». E era essa, recordemos, a sua missão primeira.
O desarmamento começou a 21 de Outubro, mas argumentaram os povos que «esses núcleos armados» - as milícias - eram a sua «melhor defesa às acções de depradação e exigência do IN» - sendo certo que, a isso, não poderia acudir a tropa portuguesa, pois «não chegava para superar todas as situações». E, por outro lado, vivia-se em período de cessar fogo - se bem que com intervenções pouco pacíficas e até a entrar  na área do banditismo fácil, assaltos, roubos, ameaças de morte a quem tinha servido a bandeira de Portugal.
A questão resolveu-se pacificamente - felizmente!!! - após uma reunião com os regedores, que de alguma maneira tutelavam as milícias, a 26 de Outubro. As milícias entregaram armas, voluntariamente, a partir de 28 de Outubro de 1974.

sábado, 20 de outubro de 2012

1 446 - Um Pisco que foi herói de Carmona...

1º. cabo Pisco (e Rito) no Encontro da 2ª. 
CCAV. 8423, a 29 de Setembro de 2012, em Vila Viçosa

Pisco é nome de Cavaleiro do Norte, atirador de cavalaria e 1º. cabo da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa. Foi louvado pela sua «actuação nos incidentes de Junho, na cidade de Carmona», que, assim sublinha o louvor do comandante Almeida e Brito, «foi bem marcada pelo intenso trabalho desenvolvido, não olhando a riscos e canseiras, factos que se tornaram notórios».
O 1. cabo Pisco era militar «disciplinado e dotado de forte sentido de camaradagem», pelo que, assim destaca o louvor proposta pelo capitão José Manuel Cruz (comandante da 2ª. CCAV.), «tornou-se apreciado por todos os que com ele privaram, razões que o distinguem».
A foto de Pisco é recente, do encontro de Vila Viçosa, a 29 de Setembro. E nela se mostra o seu olhar sereno e tranquilo, de gente que está de bem com todos e com a vida. Já dele referia o louvor de 1975 «a maneira como se conduziu na vida militar, onde se impôs pelo exemplo e determinação sempre demonstrados».
- PISCO. Francisco de Jesus Pisco, 1º. cabo 
atirador de cavalaria, natural de Proença-a-Nova 
e residente em S. João da Talha (Lisboa).

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

1 445 - Bem "pregou" 22 anos o 1º. cabo Tomaz

Tomaz, Cruz, Pais e Silva, rádio-montadores 
da CCS, no Quitexe, em 1974, na parada do quartel

A verdade manda dizer que não tenho a menor memória do episódio que aqui se conta. Mas também não tenho a menor dúvida do momento festivo de há precisamente 38 anos, no Quitexe, dia de anos do Tomaz! Vinte e dois!!! Os 22 anos do 1º. cabo rádio-montador Tomaz.
Aqui está história, na primeira pessoa, a dele:
"É verdade que tenho o Quitexe no coração, mas quem não tem? As memórias são mais que muitas e aqui vai mais esta recordação. Foi há 38 anos que festejei os meus 22 anos no Quitexe e desde logo ficou combinado que o aniversariante da equipa dos rádio-montadores tinha que pagar a jantarada. O primeiro foi eu e lá teve de ser. Fomos os quatro (eu, o Silva, o Pais e o furriel Cruz), todos todos jantar ao restaurante em frente da CCS - o Pacheco.
Nunca mais vou, ou vamos, esquecer o prato: coelho à caçador e isto nem é, não..., não é piada política do momento. Tudo foi bem regado com um garrafão de vinho arranjado pelo furriel Cruz, eu sei lá como!
Claro que não faltaram amigos de ocasião, a querer beber um copo mas o garrafão fixou-se no chão, trancado com os pés. 

A noite não terminou ali.
O furriel Cruz, depois de já estar um "pouquito" alegre, e não admira, disse-nos baixinho: «Venham ao meu quarto,  que tenho lá uma coisa só para nós". 

E lá foram os quatro Cavaleiros do Norte ajudar o furriel Cruz a levar, debaixo do braço, uma garrafa de whisky, agora, para o quarto dos rádio-montadores. Terminámos a noite a escondê-la, não fosse o diabo tecê-las, e fizemos o totoloto - o que nos deu motivo de grandes gargalhadas quando, no outro dia, mostrámos as cruzes que o furriel Cruz tinha feito: «Isto!!! Isto não foi eu...». Mas tinha sido.
Estes momentos são uma boa e feliz recordação de todos nós, para toda a vida. E recordo-os com emoção.
Grande abraço para todos os Cavaleiros do Norte que guardam e recordam estes momentos únicos das nossas vidas. 

RODOLFO TOMAZ

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

1 444 - Acções de banditismo e patrulhamentos inopinados

Aquartelamento da CCS do BCAV. 8423 no Quitexe, vista a partir da 
capela. O primeiro pavilhão era a caserna do PELREC, depois a dos sapadores

«A FNLA,  a partir de 18 de Outubro, começou a praticar a actividade de pilhagem aos utentes dos itinerários, especialmente no troço entre Quitexe e Aldeia Viçosa», lê-se no Livro da Unidade. O dia 18 de Outubro é hoje, mas falamos do de há 38 anos.
Ao tempo, existia o cessar fogo (no caso do movimento de Holden Roberto, que sucedeu à UPA, até unilateralmente declarado), o que pressuporia «a paragem de hostilidades entre as NT e a FNLA». Mas,  fosse por prudência, fosse por estratégia militar,a verdade é que «nada mudou a vida operacional que se conduzia» e que «continuou a caracterizar-se por intensa actividade de patrulhamentos, nomeadamente orientados para obtenção da liberdade de itinerários».
Recuando a esse tempo, e continuando a citar o Livro da Unidade, aqui deixamos este registo: «Procurou-se contrariar esta acção de banditismo com o lançamento de patrulhamentos inopinados, aquando do aparecimento das queixas, sem que contudo se preveja acabar com elas, já que, à aproximação das NT, a FNLA se furta ao contacto e, consequentemente, não se evita a acção já realizada e a realizar à posteriori, pois a presença das NT não é e não pode ser contínua»
Vale a pena recordar que, a 14 de Outubro desse ano, entre as fazendas Alegria II e Ana Maria, dois civis brancos europeus foram emboscados e mortos, quando seguiam numa viatura.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

1443 - Santa Isabel a preparar as malas para o Quitexe...

Fazenda Santa Isabel, onde jornadeou a 3ª. CCAV. 8423

A 17 de Outubro de 1974 - já lá vão 38 anos!!! - fomos de escolta a Santa Isabel, onde a 3ª. CCAV. 8423 contava dias para o adeus final, que viria a acontecer a 4 de Dezembro. Lá foi uma delegação de oficiais, julgo que comandada pelo capitão Falcão (o adjunto do comando e oficial de operações). Preparava-se a rotação destes Cavaleiros do Norte para o Quitexe.
O ciclo de visitas passara já pelo destacamento de Luísa Maria, onde estava um pelotão da 2ª. CCAV. (no dia 13) e iria a Aldeia Viçosa (a 24), não se efectuando a Zalala (que fazia malas para Vista Alegre e Ponte do Dange), Liberato (onde ainda estava a CCAÇ. 209/RI21, que se ia desmobilizar e, em Nova Lisboa, passar à disponibilidade) e Vista Alegre (onde se aquartelava a CCAÇ. 4145, que ia para Luanda) - justamente por esta razão.
A guarnição de Santa Isabel, por este tempo, estava reduzida, com um pelotão cedido ao BC12 e que passou por Quipedro e Além Lucunga. Regressou ao chão isabelianao a 8 de Novembro seguinte.
- Os últimos dias de Santa Isabel, AQUI
- Caçada de pacaça em Santa Isabel,  AQUI

terça-feira, 16 de outubro de 2012

1 442 - Os meados de Outubro de 1974 na área de Zalala...

Nascimento, Sousa e Dias (mecânico), junto a uma das cruzes de Zalala

Aos meados de Outubro de 1974, o êxodo dos trabalhadores rurais (principalmente oriundos da zona do Huambo, Nova Lisboa) teve forte impacto no Uíge e algumas fazendas fecharam portas, nomeadamente as dos arredores de Zalala, Canzundo e Vista Alegre.
A fuga - e de fuga se tratava, pois eram ameaçados de morte - era imposta pelos dirigentes e militares da FNLA, meio à socapa, outras vezes nem tanto assim. O Livro da Unidade, sem dúvidas, refere também «a fuga do pessoal dirigente das fazendas, por julgar que a sua presença não tem justificação e até que não será aceite no futuro, uma vez que se tem provas absolutas de que é a FNLA que impõe a saída dos trabalhadores rurais, sob coação de morte, se tal não fizerem».
Por Zalala, preparava-se a rotação para Vista Alegre e Ponte do Dange. O comando do batalhão fazia, por esta altura, visitas às diversas companhias, mas já nem foi a Zalala, justamente porque se estava já a operar a retracção do dispositivo militar, face ao cessar fogo - entretanto, e depois da FNLA, também anunciado pelos outros dois partidos emancipalistas: o MPLA e a UNITA. 
A Zalala chegavam, entretanto, um outro furriel miliciano atirador de cavalaria:o José Carlos Évora Soares - de quem não sei paradeiro. Assim como do Manuel Dinis Dias, que era o mecânico. De partida, estava o Mota Viana, que agora faz vida por Braga, na área das artes gráficas. O Nascimento emigrou para os Estados Unidos e vive no Arizona.  

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

1 441 O cessar fogo unilateral da FNLA, há 38 anos!

O presidente Holden Roberto e a bandeira da FNLA

A FNLA anunciou a 15 de Outubro de 1974 - hoje se completam 38 anos!!! -, o cessar fogo unilateral, pondo fim às hostilidades com as NT, o que, porém, e releio do Livro da Unidade, «em nada mudou a vida operacional» dos Cavaleiros do Norte, que «continuou a caracterizar-se por intensa actividade de patrulhamentos, nomeadamente orientados para a obtenção da liberdade de itinerários».
. Sabe-se agora que, e leio do site oficial da FNLA, que «conduzindo a luta armada até 11 de Outubro de 1974, a FNLA foi o único movimento que assinou um verdadeiro acordo de cessar-fogo com o Governo português, pondo assim fim a uma longa e heróica luta de Libertação Nacional»
Fazendo história e continuando a citar o site oficial, diz a FNLA que as sus origens «remontam a 7 de Julho de 1954, quand os angolanos formaram a União das Populações de Angola - a UPNA, que, em 1958, deu lugar à UPA (União dos Populações de Angola), «imprimindo-se a união um carácter nacional, cujo objectivo fundamental era a libertação e a independência nacional».
A UPA iniciou a luta de libertação nacional, a 15 de Março de 1961, antecedendo «esta acção patriótica» com as de  4 de Janeiro e de 4 de Fevereiro do mesmo ano na Baixa de Kassanji (Malange) e Luanda, respectivamente A 27 de Março de 1962 constituiu-se em Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), em fusão com o PDA (Partido Democrático de Angola). Era, no tempo dos Cavaleiros do Norte, o movimento mais presente em terras uíjanas de Angola.
 A FNLA afirma-se, segundo o mesmo site, como «o primeiro Movimento de Libertação de Angola a ser reconhecido internacionalmente», na Cimeira da OUA, no Cairo (Egipto), em 1963, através do GRAE (Governo Revolucionário de Angola no Exílio), seu órgão executivo, na pessoa do presidente Holden Roberto.
 O acordo de cessar-fogo foi assinado em Kinshasa, capital da República Democrática do Congo (ex-República do Zaire), pelo Presidente da FNLA (Álvaro Holden Roberto), na qualidade de Comandante-em-Chefe do ELNA», e pelo general Fontes Pereira de Melo, Chefe da Casa Militar do Presidente da República Portuguesa, em representação do Governo português.
 A FNLA, foi a autora e co-signatária dos Acordos de Alvor, em Portugal, a 15 de Janeiro de 1975 e com os outros dois movimentos de libertação reconhecidos em Angola - o MPLA e a UNITA.
Ver AQUI

domingo, 14 de outubro de 2012

1 440 - Os revoltosos do Liberato à procura do mundo


Aquartelamento da fazenda Liberato (foto de Luís
 Patriarca). Em baixo, João Nogueira, da CCAÇ. 209/RI21




A noite de Bruxelas ia a meio, em descontraída conversa de bar de hotel, quando tocou o telefone: era o Nogueira, do Liberato, da Companhia de Caçadores que se revoltou, deteve oficiais e sargentos (europeus e angolanos) e intentou avançar para Carmona, para o Comando de Sector.
A CCAÇ. 209/RI21 era de intervenção e principalmente formada por  militares angolanos de todas as cores. Nunca interveio em coisa nenhuma e tempo houve, até, que por lá se sentiu abandonada e sem armas.
Nogueira, ao telefone, recapitulou a revolta, a detenção dos graduados europeus e o avanço para Carmona. Avanço que recuou já na estrada do café, indo os «zalalas» dar a volta pela Ponte do Dange. E porque se revoltaram? Nogueira, que por lá era condutor, filho de ferroviário europeu de Tomar, nem se lembra já: «Assim de momento, nem eu sei!!!», respondeu.
Oficiais e sargentos, de todo o modo, foram «todos postos no poiol» e, 38 anos depois, o condutor Nogueira dá conta que «já tinhamos contactos com a FNLA e depois com uma brigada móvel do MPLA».
E sabiam que vos esperávamos, antes do Quitexe?
O antigo condutor soltou uma gargalhagda e ficou-se por um misterioso «por alguma razão fomos dar a volta pela Ponte do Dange».
Nogueira, de resto, não tem complexos em assumir o estatuto dos revoltosos: «Éramos todos uns grandes  malucos!!!...».
O que o antigo «liberato» queria, agora, era «encontrar malta  daquele tempo». «Não sei de ninguém!!!», lamentou-se. 
Já ficou a saber o paradeiro de um dos «detidos», o meu amigo Zé Marques, que por Liberato jornadeou como  furriel miiciano Oliveira, o vagomestre. Natural do Caramulo, estudou e trabalhou em Águeda (onde reside), foi meu companheiro de escola e aposentou-se há pouco, da Caixa Geral de Depósitos. 
- NOGUEIRA. João Luís Nogueira da Costa, 
soldado condutor, natural de Tomar - onde 
reside. Foipara Angola aos 5 meses, com a família, 
de pai ferroviário. Viveu no Lobito,onde tem família.
Ver AQUI
AQUI
e AQUI
Ver AQUIAQUI e AQUI.

sábado, 13 de outubro de 2012

1 439 - Cavaleiros em Luísa Maria e notícias de Portugal


Caixarias, Ezequiel (?) e Marcos (em baixo), Hipólito e Viegas 
(em cima)  na  fazenda Luísa Maria, a 13 de Outubro de 1974. 

A 13 de Outubro de 1974, um domingo, o PELREC escoltou oficiais do Comando do BCAV.8423 à Fazenda Luísa Maria, onde ao tempo estava uma pelotão da 2ª. CCAV. 842.3, a de Aldeia Viçosa. A visita era de rotina, mas não tanto, pois preparava-se a rotação do dispositivo militar dos Cavaleiros do Norte e Luísa Maria seria um dos destacamentos a extinguir. E  assim foi, a 14 de Dezembro seguinte
De volta o Quitexe, recebo notícias de Portugal, em forma de  jornal e com algum atraso. Um comunicado do Governo «prisões, durante a madrugada, de elementos da reacção». E de uma apreensão de armas em Lisboa e o cancelamento de uma manifestação de apoio ao general Spínola. Ainda em Lisboa, rapazes e raparigas, na zona de Benfica, revistam minuciosamente todos os carros que entravam na cidade. O mesmo acontecia em Algés, em Sacavém e na ponte sobre o Tejo, do lado sul. 
«Caça às bruxas», escrevia o meu amigo Victor Oliveira, que tinha sido agente da Policia Judiciária e, ao tempo, era quadro superior da Dinners Clube, dando nota de que «neste outono quente, algo de anormal e indefinido se esta a passar».
A carta tem data e carimbo de 11 de Outubro e chegou ao Quitexe (com o jornal da véspera) na tarde de domingo, dia 13. Era o tempo em que os Correios funcionavam. De 5 de Outubro, uma semana antes, vinham recados de Costa Gomes: «Não cultivemos o espírito mesquinho da denuncia. Sejamos puros e sinceros a informar o povo  a juventude. Que na variedade de opiniões que a verdadeira democracia consente, possamos encontrar uma unidade pluralista».


sexta-feira, 12 de outubro de 2012

1 438 - Os soldados angolanos do exército de Portugal


Plácido Queirós (a vermelho) e o Dias, mecânico (furriéis) e Carlos Sampaio(a amarelo, alferes) . Lá atrás, de bigode, o Barata (furriel). Em baixo, à direita, o Santinhos  

Grupo de combate dos Cavaleiros do Norte de Zalala, em imagem colhida na mítica e perigosa picada que ligava ao Quitexe, à civilização mais próxima. Eram para ai uns 40 quilómetros de pó e de medos, de que desconfiávamos a cada curva, ou zona de de arborização mais densa. 
Era a picada de Zalala, que nos levava à «mais dura escola de guerra», como se lia na entrada da fazenda que servia de aquartelamento aos comandados do capitão miliciano Castro Dias. 
O que aqui quero sublinhar, à distância serena dos 37/38 anos que se passaram, é a convivência fraternal entre militares europeus (os brancos) e os nativos, angolanos de nascimento e residência. Sempre pacífica e amiga, quantas vezes ultrapassando o mero relacionamento convencional, para se estender às suas famílias. Quantas vezes eram dados medicamentos e alimentação aos irmãos angolanos que, nesse tempo, vestiam a farda de Portugal!!! E roupas, artigos de higiene!!! Livros e artigos escolares!
Uma coisa que sempre me impressionou foi (era) o respeito pela bandeira de Portugal. Estivessem onde estivesse, dentro ou fora do aquartelamento, paravam sempre que se ouviam os toques de içar ou arrear bandeiras e, virando-se para onde sabiam decorrer a cerimónia, paravam e faziam continência - mesmo até civis. 
- SAMPAIO. Carlos João da Costa Sampaio, alferes 
miliciano atirador de Cavalaria, da 1ª. CCAV. 8423.
- QUEIRÓS. Plácido Jorge de Oliveira Guimarães Queirós, 
furriel miliciano atirador de cavalaria. Aposentado, 
natural e residente em Braga.
- OUTROS MILITARES: Alguém pode ajudar a identificá-los?

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

1 437 - A saída dos Caçadores da 209 do Liberato

A Fazendo do Liberato. Monumento  aos mortos

A meados de Outubro de 1974, ficou a saber-se que, na sequência das políticas determinadas por Lisboa (conducentes à independência de Angola), se iria iniciar a remodelação do dispositivo militar da zona de acção do Batalhão de Cavalaria 8423.
O BCAV. tinha sub-unidades em Zalala (1ª. CCAV.), Aldeia Viçosa (2ª. CCAV.) e Santa Isabel (3ª. CCAV.), mais companhias independentes em Vista Alegre (a CCAÇ. 4145) e Liberato (CCAÇ. 209/RI21), para além do Pelotão de Morteiros 4281 (Quitexe) e Grupos Especiais (GE) no Quitexe (o 217 e o 223), Aldeia Viçosa (222) eViosta Alegre (208).
A CCAÇ. 209, instalada no Liberato seria (e foi) uma das companhias a rodar. Regressaria a Nova Lisboa e ao RI21, a 8 de Novembro. A fazenda por onde jornadearam tantos e tantos militares portugueses, deixaria definitivamente de ter guarnição - o que acontecia desde 1961/62. E que guarnição!!!, a última, maioritariamente formada por militares angolanos, que se revoltou e embaraçou os Cavaleiros do Norte do Quitexe.
O Livro da Unidade dedica duas linhas e meia ao acontecimento: «Saliente-se ainda que, em 27SET, na sequência de outros incidentes internos, processaram-se na CCAÇ. 209 graves problemas disciplinares, os quais passaram ao controlo do Comando de Sector do Uíge».


quarta-feira, 10 de outubro de 2012

1 436 - O Jorge Barata faleceu há 15 anos...

Barata, Lains dos Santos e Rodrigues em Zalala (1974) 


Hoje, quando já se faz noite e faço horas para o jantar, dedilho o computador de um 11º. andar de Bruxelas, onde a vida me trouxe por uns dias, ao Parlamento Europeu.
Aqui «achei» alguns portugueses, muito engravatados e algo solenes, com ar de muito atarefados e fazendo não sei bem o quê. Quero dizer, fazem política (ouvi dizer), uns; e assessoram, outros. E nada do que vejo é muito diferente desde a vez que a primeira vez que cá estive (já em 1997), nem das três que se seguiram - antes deste outono de 2012.
Os «milagres» tecnológicos permitem-me, deste quarto de onde pouco se vê pela cidade, de noite enevoada e fria, permitem-me chegar ao escritório de casa e à minha agenda dos Cavaleiro do Norte. E o que leio? Que amanhã, dia 11 de Outubro de 2012, 15 anos se passam da morte, inesperada e por isso mais cruel e injusta, de um companheiro de Zalala: o (furriel) Barata.
 Era o Barata de Alcains e de lá saiu para Santarém, onde fez recruta e especialidade na Escola Prática de Cavalaria. Saí eu de lá, depois da recruta,  para Lamego e só nos voltámos a encontrar em Santa Margarida, onde se formou o BCAV. 8423.
A Alcains voltou o Barata, depois da jornada angolana. Por lá continuou a vida, a trabalhar, constituindo família e a jogar futebol, pelo Desportivo de Castelo Branco e pelo clube da terra. 
A 10 de Outubro de 1997, hoje se passam 15 anos, passou normal o seu dia, era contabilista em Penamacor, e  faleceu vítima de um enfarte do miocárdio. Na véspera, ainda treinou futebol, jantou, sentiu-se mal, foi levado de ambulância ao hospital mas faleceu no dia seguinte, às 7 horas da manhã.
Deixou viúva, um filho e uma filha.

Até um destes dias, Barata!
BARATA. Jorge António Eanes Barata, furriel miliciano atirador de cavalaria, da 1ª. CCAV. 8423. Natural de Alcains.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

1 435 - O capitão médico Leal fez 84 anos!!!



O capitão miliciano médico Leal fez 84 anos a 3 de Outubro. Oitenta e quatro, disse bem! Oito, quatro!!! Acabei de falar com ele e está magnífico, dando-me o prazer de contar que de mim se lembra muito bem. Fantástico! 
Aqui trago esta facto, o de se lembrar de mim, não para puxar  galões à minha vaidade (não é nada disso...), mas para sublinhar a notável jovialidade do dr. Leal. E a formidável frescura da sua memória!
 O então capitão miliciano médico deixou o Quitexe em  Outubro de 1974. E ali o vemos, em foto do tempo, à esquerda, com o tenente Luz - que também vende saúde e vida, do alto dos seus 82 anos, pela Marinha Grande.
O dr. Leal - assim o conhecíamos, sem olhar à patente militar -, era homem  de farta jovialidade e enormíssima e permanente boa disposição. Acumulou as suas funções militares com as de Delegado de Saúde do Quitexe e «apoiou permanentemente todas as populações civis, europeias e africanas».
Já aqui falámos dele, mas voltamos para lembrar que, aos 84 anos, ainda exerce clínica geral em Fafe (onde reside) - e hoje mesmo todo o dia deu atendeu doentes, no consultório de sua casa. Com uma memória fresca como alface a sair da hora.
«Então e o encontro, quando é o encontro? Quero lá estar...». E quando lhe disse que, para o ano, vai ser à porta de casa, em Santo Tirso, rejubilou por saber quem organiza - o engº. (ex-alferes) Cruz! 
Há 38 anos, deixou o Quitexe e os Cavaleiros do Norte e foi então que, além de louvado, foi condecorado com a Medalha Militar Comemorativa das Campanhas do Exército Português, com a legenda ANGOLA 1972-73-74. O dr. Leal é natural de Santarém e médico de clínica geral. Fazendo nossas as suas palavras, em Angola fez «todas as especialidades». Voltou há 38 anos e durante mais de 30 trabalhou no Hospital de Fafe, na Misericórdia, em lares e creches, onde quer que fosse reclamada a sua sacerdotal competência profissional.
Aos 84 anos, ainda está para as curvas. 
«Ó pá, vai ser uma festa quando fizer 104!!...», disse ele, na conversa telefónica desta noite.
Eu nem quero imaginar!!! Vai ser um festão!!! E nós, os Cavaleiros do Norte, já com 80!!! Vai serde arromba!!! 
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- LOUVOR. Clicar na imagem, 
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segunda-feira, 8 de outubro de 2012

1 434 - Deserções e punições em Outubro de 1974

Alguns elementos dos grupos de mesclagem, 
com militares da 1ª. Companhia, a de Zalala. Nenhum destes foi desertor

O mês de Outubro de 1974 foi tempo de deserções e punições, entre os Cavaleiros do Norte. Deserções de soldados do grupo de mesclagem, aquartelado na 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa. Punições, a 12 militares europeus, das quatro companhias. 
Não é que rapaziada fosse indisciplinada, não era, mas há sempre... coisas!
Os desertores foram quatro e todos oriundos do RI20. Aqui ficam os apelidos, sem os identificar totalmente, por boas razões: Gabriel (agora com 60 anos), Amaro e Sobrinho (com 61), Bartolomeu e Júnior (62). O que será feito deles, o que não será? Provavelmente, ao tempo, engrossaram as  fileiras de um dos movimentos de libertação. Agora, não fazemos ideia.
Quanto aos punidos foram «à dúzia». 
- CCS (5): Santos e Gaiteiro, 10 dias de detenção (o primeiro agravado para 15 dias de prisão disciplinar). Coelho,10 dias de prisão disciplinar, agravada para 20, pelo Comando de Sector do Uíge (CSU), e para 30, pelo comando da Zona Militar Norte. Pinho, 9 dias de prisão disciplinar. Marques, 20 dias de prisão disciplinar agravada, agravada para 30 dias de prisão disciplinar agravada pelo CSU. 
- 1ª. CCAV. (2): Viana (15 dias de prisão disciplinar agravada, agravado para 20, pelo Comando de Sector do Uige; e para 30, pelo comando da Zona Militar Norte. João, do grupo de mesclagem, 20 dias de prisão  disciplinar agravada, agravada para 30, pelo Comando de Sector do Uíge (CSU).
- 2ª. CCAV. (2): Marques, 10 dias de prisão disciplinar, agravada no BCAV. para 15 dias de prisão disciplinar. Guerreiro, 10 dias de prisão disciplinar, agravada no BCAV. para 20 dias de prisão disciplinar agravada.
- 3ª. CCAV. (3): Barata, Carvalho e Silva, os três com, cada, 10 dias de prisão disciplinar, agravada no BCAV. para 15 dias de prisão disciplinar.
- NOTA: Os nomes próprios foram propositadamente 
omitidos, podendo os apelidos corresponder, ou não, 
aos que então melhor identificavam os militares punidos.

domingo, 7 de outubro de 2012

1 433 - Dois mortos numa emboscada a civis europeus


Uma picada para as fazendas de café da zona do Quitexe 
Foto de Luís Fernando, de 2007 (net)


A 10 de Outubro de 1974, em Luanda, começaram as conversações com a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) - facto que, na altura e no Quitexe, nos passou despercebido - a não ser por um aerograma do Ferreira, dias depois recebido. «Parece que a coisa vai...», dizia ele, muito esperançado mas, todavia, dando conta, também, de alguns incidentes na capital angolana.
A 11 e 12, realizaram-se encontros em Kinshasa, primeiramente entre uma delegação portuguesa e o Presidente Mobutu (do Zaire) e, mais tarde, já envolvendo uma delegação da FNLA. Foi decidida a cessação de hostilidades, a partir de 15 de Outubro.
O cessar fogo não evitou, todavia, que a 14 do mesmo mês, na picada entre as fazendas Alegria II e Ana Maria, no limite nordeste da zona de acção do BCAV. 8423, e lemos do Livro da Unidade, «um grupo do IN realizou uma emboscada a uma viatura civil, com êxito da sua parte, pois que obteve dois mortos civis europeus».
Confiar, mas não tanto, pensou-se na altura. Mas havia, naturalmente, que garantir a segurança e a confiança da população - que vivia despreocupada da guerra que se travava nas matas, trilhos e picadas e mal imaginava os tempos de  drama e dor que estavam para vir. Ninguém imaginava. 


Negociações em Lusaka entre a delegação portuguesa chefiada por Mário Soares e constituída por Almeida Santos e Melo Antunes com a FRELIMO, sendo acordado o cessar-fogo e a data da independência de Moçambique
037313

(e 06) Mário Soares encontra-se de novo em Lusaka, chefiando uma delegação portuguesa constituída por Almeida Santos e Melo Antunes negoceia e assina o acordo de cessar-fogo com a FRELIMO e fixa em 25 de Junho de 1975 a data da proclamação da independência da República Popular de Moçambique. A transição será assegurada por um governo provisório presidido por um Alto Comissário português.

sábado, 6 de outubro de 2012

1 432 - A saída da 3ª. CCAV. 8423 de Santa isabel

Chegada dos Cavaleiros do Norte a Santa Isabel, a 11 de Junho de 1974
Foto de Agostinho Belo

Os Cavaleiros do Norte de Santa Isabel chegaram a Santa Isabel no dia 11 de Junho e de lá saíram a 10 de Dezembro de 1974. Para trás, ficaram 13 anos de presença de uma guarnição militar portuguesa, como sinal da sua soberania.

Não ficava longe do Quitexe, a uns 15 quilómetros, quase metade em estrada de asfalto (a do café, que ligava(va) Carmona a Luanda). Saía-se da vila-sede do batalhão, em direcção à capital angolana, e cortava-se na aldeia do Dambi Angola, de que Santa Isabel distava uma meia dúzia de milhares de metros, em picada ora aberta, ora com pontos fechados de mata verde e espessa, por onde saltitavam macacos e de onde se ouviam ruídos da natureza, que assustavam.
A CCAV. 8423 teve dois mortos, mas nenhum em combate. O BCAV., aliás, não teve qualquer morto em situação decorrente de qualquer operação militar. A 2 de Julho de 1975 e já em Carmona, vítima de acidente de viação, faleceu o soldado atirador Jorge Custódio Grácio, mais conhecido como Spínola e que foi vencedor da prova de S. Silvestre do Quitexe. Era natural do Casal das Raposas, em Vieira de Leiria (na Marinha Grande). Agosto de 1975, já em Luanda e em data desconhecida, faleceu o soldado Manuel Barreiros, vítima de doença.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

1 431 - O Pires e o Flora no Clube dos 60 anos!!!


Flora, em cima à direita, a 1 de Janeiro de 1975 - dia de ano novo. Atrás, o Ribeiro, com uma garrafa na mão. Depois, da esquerda, Viegas, Bento e Flora. À frente, o Rocha. Em baixo, Viegas (de arma na mão) e Pires, com um combatente da FNLA, na aldeia do Dambi Angola, a 4 de Novembro de 1974



O Pires e o Flora são dois Cavaleiros do Norte que hoje, quando se passam102 anos da implantação da República, entram no Clube dos 60!!! Fazem 60 anos, são sexiiiiiigenários e bons praças!!! Ambos de bom aspecto, actual, como se os anos não tivessem passado por eles.
O Pires era da CCS do BCAV. 8423 e mais próximo, portanto. Não muito menos o Flora, que cirandou entre Santa Isabel e Quitexe, onde a 3ª. CCAV. chegou de vez em Dezembro de 1974. 
O Pires viveu comigo, provavelmente, um dos mais emocionantes dias da vida - quando a 4 de Novembro de 1974, nos encontrámos (os homens do PELREC) com um grupo de combatentes da FNLA - memória de combatente de que ele ainda hoje fala com pormenor e recapitulando momentos que poderiam ser de tragédia. Foi, para ele, o dia da estreia operacional, saindo do «arame farpado» para uma operação de horas, que fartos amargos de boca nos poderia trazer. Não trouxe, felizmente. Transmontano, fixou-se em Bragança, depois de um périplo nas BT da GNR que o fez correr Portugal. Tem um casal de filhos: ele engenheiro informático na Gulbenkian, ela professora em Valpaços.
O Flora ultrapassou, recentemente, um momento menos bom de saúde e aposentou-se da Caixa Geral de Depósitos - onde fez carreira profissional, depois de, após a jornada angolana, fazer estúdios superiores - ido de Alcains para Lisboa. Tem três filhos, o mais velho recém-emigrado na Alemanha, como quadro superior.
Abraços, ó malta da minha idade. Um destes dias, apanho-vos e entro, também, para o Clube dos 60!!! 
- PIRES. José dos Santos Pires, furriel miliciano de 
transmissões, da CCS do BCAV. 8423. Aposentado 
da GNR, mora em Bragança.
- FLORA. António Pires Flora, furriel 
miliciano atirador de cavalaria, da 3ª. CCAV. 8423. 
Bancário aposentado, mora em Odivelas.
PIRES, ver AQUI
FLORA, ver AQUI

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

1 430 - Cavaleiros de Aldeia Viçosa vão parar ao Fundão

O  Pisco e o Rito (à esquerda. De pé, à direita Carmo 
(de óculos) e Ramalho. O Ramalho a passar o testemunho ao Carmo

A «função» cavaleira da Vila Viçosa, embalada nas saudades sempre renovadas e nos bons-grandes momentos de partilha de afectos que sempre se avivam e sentem nestes momentos, já tem mordomo para o ano: o Carmo, que faz vida pelo Fundão.  
O ritmo (e o ritual) não se pode perder e só se tem a ganhar com esta envolvente emocional que cataliza tantos entusiasmos, durante tantos e tantos anos - desde há 37!!!
O almoço de Vila Viçosa, depois da visita ao monumental paço ducal, provou também (se fosse preciso) como um encontro de ex-combatentes do ex-ultramar pode dinamizar (e assim faz) o turismo social, cultural e histórico português. E tantas maravilhas monumentais e paisagísticas há, por esse Portugal desconhecido que espera por nós - como sugeria um velho slogan da praça publicitária de há uns 2 e alguns anos.
O Guedes, que fez o favor de mandar ao blog as imagens que temos publicado, deu conta disso mesmo e da emoção com que muitos dos Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa se surpreenderam com a riqueza monumental da outra Viçosa - a que é Vila no chão alentejano de Portugal.
A tarde teve ainda uma merenda, a bucha para o regresso, e lá se fizeram os «adeus até pró ano!»
O Carmo, entretanto, assumiu o novo pouso - no roteiro de emoções da 2ª. CCAV. 8423. Será no Fundão, lá para os fins de Setembro de 2013, que os Cavaleiros do Norte do capitão Cruz se encontrarão. Certamente com mais gente, pois não é tão longe para muitos e a vida está difícil e as algibeiras muito leves para alguns. 
- RAMALHO. Rafael António Pimenta Ramalho, furriel miliciano atirador de cavalaria, comercial na área de distribuição de bebidas, natural e residente em Évora.
- PISCO. Francisco de Jesus Pisco, 1º. cabo atirador de cavalaria, natural de Proença-a-Nova e residente em S. João da Talha.
- RITO. João Jerónimo Rito, atirador de cavalaria.
- CARMO. Eugénio Gonçalves do Carmo, 1º. cabo atirador de cavalaria. Natural e residente no Fundão.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

1 429 - O Ramalho de boina na «formatura» de Vila Viçosa

    Quaresma, o organizador Ramalho (de boina), Palongo, Martins e Teodósio

Os aldeia-viçosenses foram até Vila Viçosa veranear ideias e saborear, com farto prazer, a apetitosa gastronomia alentejana. Outra coisa não podia deixar de ser. Todos muito bem dispostos e com o co-organizador Ramalho a não dispensar a boina militar, que lhe deu sombra em terras angolanas do Uíge. E garbo, desde a Escola Prática de Cavalaria, em Santarém.
Reparem bem como está igualzinho, igualzinho ao que era há... 37 anos. Sem uma pontinha de barriga, de corpo esgalgado, atlético e bem saudável. A vida, e a idade, parece quer não passaram por ele. Ele que, pelo Alentejo, faz vida a distribuir bebidas,
O mesmo não se aplica tão bem aos outros cavaleiros. O Quaresma, que por Aldeia Viçosa foi atirador, tem mesmo jeito de quem se atira bem ao... prato. O Palongo radiotelagrafou-se e escondeu-se na foto. Mas reparem bem no «bem estar na vida» do Martins, que foi mecânico por terras d´África e se apresentou na «formatura» de Vila Viçosa razoavelmente anafado e com corpo de quem diz bem da mulher e da cozinha lá de casa. Melhor ainda, outro mecânico, o Teodósio. Tudo gente bem tratada.
Esta malta nem parece que é sexagenária. Sexigenária, inventou-se há pouco, para disfarçar estados de alma.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

1 428 - Os Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. em Vila Viçosa

Palongo, Martins, Teodósio, um amigo deste, Quaresma,
Neto e Guedes, Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa em Vila... Viçosa

O que é prometido é devido e aqui está uma primeira imagem dos Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa que, a Vila Vilosa, foram matar saudades e cultivar afectos, 37 anos depois de terem regressado aos seus lares europeus, cumprida a jornada de África, por terras de Angola.
O abraço «cavaleiro» aldeia-viçosense juntou 62 pessoas, a 29 de Setembro de 2012, com o selo organizador do Mourato e do Ramalho. Outros não puderam ir, por isto ou por aquilo, mas não faltou a irradiante alegria de quem, pelo chão uíjano, foi companheiro, camarada e irmão, ao longo de 15 meses. 
Não pôde estar, por exemplo, o comandante da companhia (a 2ª. CCAV. 8423), capitão miliciano José Manuel Cruz - retido na sua Esmoriz natal, com problemas físicos de ocasião. Nada de preocupante. Mas lá estiveram o Machado, o Capela e o Carvalho - ao tempo angolano, garbosos alferes milicianos. E os furriéis Martins, Ramalho, Mourato e Guedes, para além de muitos praças. E famílias.
O cozido à portuguesa da terra alentejana de Vila Viçosa caiu que nem canja, bem saboreada e melhor regada com o precioso néctar que aconhega os estomâgos, bem tinto e de grau quanto baste. Tudo foi preparado a preceito, num sítio magnífico e retemperador das almas dos sexIgenários de Aldeia Viçosa, todas eles saudosos dos tempos africanos e da juventude que por lá (n)os fez mais fortes e mais homens. 
Falou o (ex-alferes) Machado e disso tudo sobre «a alegria de estarmos em convívio», 37 anos depois do momento em que disseram adeus no aeroporto e foram, todos, pela estrada fora da vida. Até hoje e para o futuro!

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

1 427 - Os 65 anos do (ex-capitão) engº. JP Fernandes


Capitão miliciano José Paulo Fernandes, comandante
da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel. Aqui, com o 1º. sargento Marchã


O capitão miliciano José Paulo Fernandes comandou a 3ª. CCAV. 8423 e completa 65 anos a 4 de Outubro de 2012. Dentro de uns diazinhos, poucos!!!
A 3ª. CCAV. 8423 chegou a Santa Isabel no dia 11 de Junho de 1974 e por lá esteve até que rodou para o Quitexe (a 10 de Dezembro do mesmo) e, mais tarde, para Carmona - a 8 de Julho de 1975.
Ao tempo, fazendo caminho pelos seus 27 para 28 anos e licenciado em engenharia, foi louvado pelo comando do Batalhão e a Ordem de Serviço nº. 174, destaca-lhe a-lhe «a acção desenvolvida no comando da subunidade», no Quitexe, funções em que «soube tirar partido das possibilidades logísticas» e, assim, «garantindo o verdadeiro cumprimento da missão que lhe foi determinada».
O louvor destaca, também, o período da «eclosão dos graves acontecimentos de confronto armado entre os movimentos de libertação, na área do Quitexe» - onde «o desequilíbrio» de forças era notório, mas os bravos Cavaleiros do Norte de Santa Isabel, sob o seu comando, «garantiram o cabal cumprimento da missão» que lhe estava atribuída. 
Estes anos todos depois, e já gozando as delícias da reforma, o (ex-capitão miliciano) engenheiro F Torres Vedras. É para lá que vai um grande abraço de parabéns, embrulhado no desejo de que o possamos fazer por muitos e bons anos