CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

3 034 - Cavaleiros do Quitexe reúnem a 30 de Maio

Viegas, Afonso, Ni Neto, Edite Sousa e Hermínia Viegas, com Mortágua ao fundo (em, 
cima). Afonso, Neto e Viegas fizeram as provas da ementa de 30 de Maio de 2015



Os Cavaleiros do Norte do Quitexe (os da CCS) vão encontrar-se a 30 de Maio de 2015, dia em que se farão 41 anos do desembarque em Luanda. Em Mortágua e com o sapador Afonso Henriques como mordomo. Hoje mesmo, idos de Águeda, o Neto e o Viegas foram fazer as provas da ementa. Aprovadíssima!!!
Dia de entrudo não foi impedimento algum para, a meio da manhã, com tudo bem combinadinho, o Neto e o Viegas - mai-las suas amazonas!!!... - se porem a galgar a verdejante serra caramulana, até Mortágua, com encontro marcado para a praça da Câmara Municipal.
De Águeda até lá, foram uns 30 quilómetros, serra acima, em viagem com conversa de saudade dos tempos do Quitexe, de Carmona e de Luanda, da jornada africana de Angola. Lá estavam o Cavaleiro Afonso Henriques de Sousa, com a sua amada Edite, «atraindo-nos» para o restaurante, onde provámos uma soberba chanfana - bem assada, bem temperada e bem regada. Por nós, Neto e Viegas, está aprovada e com distinção! Assim como a doçaria das sobremesas!!!
Chegar a Mortágua é facílimo, com boas estradas, seguras e rápidas.
Quem quiser ir adiantando marcação, pode fazê-lo para os dois números telefónicos do Afonso Henriques: 231921796 (fixo) e 935170314.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

3 033 - A Companhia que era para acompanhar os Cavaleiros do Norte

O alferes Mourato, em Luanda (foto de cima) e 
como cadete do CIOE, os Rangers, em Lamego (1974) 


O (ex)alferes António Mourato, alentejano de Évora, foi combatente da 1ª. Companhia do BCAÇ. 5010/74 e dá-se o caso de, em 1973, ter sido instruendo do curso do CIOE (Rangers) de que fui instrutor, com o Neto (e outros). 

Nada disso seria relevante para este blogue, que narra a jornada angolana dos Cavaleiros do Norte, não fosse o caso de ele nos contar que o seu batalhão dele esteve para, em 1975, ser um dos que apoiaria a saída dos Cavaleiros do Norte, na epopeica evacuação para Luanda.
António Mourato 
conta-nos a sua história:
«Fui de Mafra para Lamego em Outubro de 1973. Não sei se lá nos juntámos - na altura estavam os capitães Gomes Pereira e Valente (já falecido) e recordo-me bem do maluco do alferes Baltasar. Chumbei o primeiro curso pois, ao subir uma árvore, espetei um pinheiro num braço e fui parar à enfermaria, onde estive até final do ano. 

Em Janeiro de 1974, voltei novamente e acabei o curso em Março. Estive em Elvas, a dar uma recruta, e depois fui para Chaves, dar uma especialidade. Lá foi constituído batalhão e segui a comandar a 1ª. Companhia, para Viana do Castelo. Depois, embarquei para Angola e fui para a zona de Maquela do Zombo.
Em Fevereiro, o batalhão abandonou a zona de Béu, Maquela e Damba e foi para Luanda, para a intervenção. Inicialmente, com combatentes dos 3 movimentos.
Quando se soube em Luanda que a FNLA não queria deixar partir os civis na vossa coluna, e só arranjavam problemas, tivemos conhecimento que o Comando Militar em Luanda ia fazer deslocar o nosso Batalhão para vos acompanhar.
Sucede que na mesma altura dão-se o problemas em Timor e apareceu no nosso aquartelamento uma Companhia de Comandos (que teria tido inicialmente a missão de ir para Timor). Acabou por ser essa Companhia a ir a Carmona ter convosco. Mais pormenores não sei».

domingo, 15 de fevereiro de 2015

3 032 - Escola de Recrutas no RC4, os futuros Cavaleiros do Norte

Soldado de transmissões, aspirantes Lains dos Santos e 1º.s cabos milicianos Queirós 
e Rodrigues. em Santa Margarida, há 40 anos. Ao tempo da Escola de Recrutas dos Cavaleiros 
do Norte. Daniel Chipenda e Agostinho Neto (MPLA), com o jornalista argelino Boubakar Adjali Kapiaça (em baixo)



A 15 de Fevereiro de 1975, Agostinho Neto voou de Luanda para Cabinda, onde foi presidir a um comício do MPLA. Na capital, Luanda, «a calma regressa(va) progressivamente, após os recontros registados entre a Facção Chipenda e o MPLA».
«Forças Militares Mistas, compostas pelo Exército Português e forças do MPLA, da FNLA e da UNITA, continuam a ocupar as instalações do Grupo Chipenda», relatavam a ANI, a France Press e a Reuters.
Os recontros tinham registado 20 mortos e muitos feridos e estes estavam internados no Hospital de S. Paulo, guardado por forças da FNLA e da UNITA. Entre esses feridos, estavam 7 da Facção Chipenda - de quem (Daniel Chipenda) não se sabia o paradeiro. Um mês antes, tinha entrado pela Frente Leste, com 3000 homens armados - alguns dos que estavam em Luanda.
Não se confirmava, entretanto, que um grupo desses homens tivessem atacado um hospital do MPLA, no Luso.
Os Cavaleiros do Norte - lá pelo Quitexe. por Aldeia Viçosa e Vista Alegre/Ponte do Dange, continuavam, expectantes sobre o seu futuro - do qual não havia novidades, embora cada vez mais se murmurasse uma rotação para Carmona e para o BC12.
Um ano antes, uma sexta-feira, deixámos o RC4 e Santa Margarida, para mais um fim de semana e para as vésperas (dia 18) dos exercícios finais da Escola de Recrutas. A formação dos futuros atiradores (soldados e 1ºs. cabos) dos Cavaleiros do Norte! O Batalhão de Cavalaria 8423!!!

sábado, 14 de fevereiro de 2015

3 031 - Incidentes em Luanda, com 20 mortos!!!

Jardim do Quitexe, em imagem de 2014 (da net). A casa da esquerda 
era a dos Correios. Em baixo,  notícia de há 40 anos: 20 mortos em Luanda


O dia 14 de Fevereiro de 1975, há 40 anos, foi sexta-feira e, ao Quitexe e da véspera, chegaram más notícias: 20 mortos em Luanda, na sequência de combates entre elementos do MPLA e da Facção Chipenda. 
Os incidentes, segundo do Diário de Lisboa, «tiveram início (...) quando forças do MPLA cercaram a delegação do grupo de Chipenda». Ao MPLA chegaram notícias de que a Facção Chipenda estaria a «receber reforços de pessoal e de material, originário de um país vizinho». O MPLA fez saber que não era sua intenção atacar, mas apenas forçar o Governo de Transição a «tomar medidas adequadas para neutralizar ou dissolver a Facção Chipenda». Os homens desta, ainda segundo o DL, «abriram fogo contra os militares da FALA, estabelecendo tiroteio que se arrastou até ao princípio da madrugada de ontem».
Além dos 20 mortos, muitas mais (pessoas) ficaram feridas e as NT, após isso, «tomaram conta das instalações semi-destruídas do Grupo de Daniel Chipenda». O incidente começou por volta das 3 horas da manhã do dia 13 (6ª.-feira) e o Governo de Transição anunciou a abertura de um inquérito.
O Grupo de Daniel Chipenda, no mesmo dia e ainda citando o DL, teria atacado um  hospital do MPLA, no Luso, e «matou 5 enfermeiros».

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

3 030 - Extinção do CSU e Cavaleiros do Norte na Zona Militar Norte

Edifício da Zona Militar Norte e Comando do Sector do Uíge, em Carmona. 
Rui Correia de Freitas, director do jornal A Província de Angola (foto em baixo)




A 13 de Fevereiro de 1975, foi extinto o Comando do Sector do Uíge (CSU), o que, segundo o Livro da Unidade, levou a que o BCAV. 8423 (os Cavaleiros do Norte) passassem à «dependência directa da Zona Militar Norte» - a ZMN. Estou certo (não me enganarei, seguramente) que o CSU e a ZMN funcionavam no mesmo edifício da principal praça de Carmona, o da imagem.
Ao mesmo tempo, em Luanda, Agostinho Neto  declarava «estar a trabalhar na reintegração do elementos da Revolta Activa», mas, segundo o Diário de Lisboa, «atacou frontalmente a existência no país da Facção Chipenda que, dispondo de uma força armada, poderia ser, na sua opinião, «uma fonte de conflitos armados». E disse esperar que «o Governo de Transição encontre rapidamente um solução» para, e cito Agostinho Neto, «o problema que está a inquietar todos os angolanos amantes da paz e da concórdia».
A mesmo tempo (dia) regressou a Angola o jornalista Rui Correia de Freitas, director do jornal A Província de Angola, que em Outubro de 1973, fugira para a África do Sul, «ao ser avisado que estava iminente a sua prisão, por ordem do  anterior presidente da Junta Governativa, o almirante Rosa Coutinho».
 Assim iam, há 40 anos, os dias da Angola.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

3 029 - Futebol no Quitexe e dissidentes do MPLA

FUTEBOL mo Quitexe, equipa do Parque-Auto. De pé, Teixeira (o estofador), Malheiro, Cuba, Marques (Carpinteiro), Pereira (condutor), Gaiteiro e Teixeira (o pintor). À frente, Monteiro (Gasolinas), Pereira (mecânico), Celestino Silva, Gomes (condutor), Carlos Mendes (bate-chapas) e Miguel (condutor). Notícia de há 40 anos! (em baixo)


Os meados de Fevereiro de 1975 lá continuavam, pelo Quitexe, por Aldeia Viçosa e Vista Alegre (e Ponte do Dange), com os Cavaleiros do Norte a fazerem contas dos dias que faltavam para a partida para Carmona e para o BC12. Já se sabia que seriam a CCS e a 2ª. CCAV. 8423 a rodar, só não se sabia o dia da partida!
Os serviços de ordem lá continuavam, assim como os jogos de futebol.
O campo ficava à saída do Quitexe (para Carmona) e foi palco de memoráveis partidas, entre pelotões (como o da foto, do Parque-Auto), unidades e até com civis.
O dia 12 de Março foi o primeiro da Quaresma de 1975 e, em Luanda,  murmurava-se sobre a eventual integração de dissidentes nos quadros do MPLA - nomeadamnte a de Daniel Chipenda, que liderava a Revolta do Leste. Chipenda estava acontonada em Ninda (no sudoeste angolano) e contestava a liderança de Agostinho Neto (do MPLA) e, por isso, foi expulso do partido. Também dissidentes do MPLA, mas da Revolta Activa, já estavam em Luanda Mário Andrade, Joaquim Pinto de Andrade e Gentil Viana.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

3 028 - O emblema braçal dos futuros Cavaleiros do Norte

Emblema do BCAV. 8423 (em cima), desenhado
 pelo (então futuro) alferes miliciano Barros Simões



A 11 de Fevereiro de 1974, há 41 anos, foi apresentado o emblema do Batalhão de Cavalaria 8423, «servindo o lema PERGUNTAI AO INIMIGO QUEM SOMOS, pertença das tradições do Regimento de Cavalaria 4», como leio no Livro da Unidade.
O objectivo era «desde o início instituir espírito de corpo ao BCAV., de modo a que o mesmo se constituísse num todo coeso, disciplinado e disciplinador». 
O Livro da Unidade refere que «começou a idealizar-se o futuro emblema braçal da Unidade, ao mesmo tempo que se  se desejou a sua plena identificação com a sua unidade mobilizadora» - o RC4.
O desenho foi do então aspirante a oficial miliciano José Mário Barros Simões (foto), da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel - que, ao tempo, estava ligado às artes gráficas. Foram-lhe dadas sugestões (naturalmente a partir do comandante Almeida e Brito) e Barros Simões desenhou aquele que, ainda hoje e para a eternidade, é o símbolo dos Cavaleiros do Norte.
O emblema, em fundo preto, como o que se vê na imagem, representava o BCAV. 8423. As companhias operacionais adoptaram as cores vermelha (a 1ª. CCAV., a de Zalala, do comando do capitão Castro Dias), azul (a 2ª. CCAV., a de Aldeia Viçosa, de José Manuel Cruz) e castanho (a 3ª. CCAV., a de Santa Isabel, de José Paulo Fernandes).
Foi isso há 41 anos. O tempo passa!!! Voa!!!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

3 027 - Alferes JA Almeida, Cavaleiro do Norte condecorado por Marrocos

José Alberto Almeida, alferes miliciano dos Cavaleiros 
do Norte, foi condecorado pelo Reino de Marrocos


José Alberto Almeida, alferes miliciano dos Cavaleiros do Norte e oficial de reabastecimentos no Quitexe, actual Cônsul de Marrocos no Algarve, foi condecorado pelo Rei do país africano, a 30 de Janeiro de 2015.
«É um grande prazer e um privilégio condecorar o arquitecto José Alberto Alegria (Almeida). Ele trabalha há anos para a aproximação entre Marrocos e o Algarve. Teve um papel muito importante no desenvolvimento das relações entre o Algarve e muitas regiões marroquinas», disse a embaixadora Karima Benyaïch, no momento da entrega do galardão, acrescentando que «era necessário render a justa homenagem a uma personalidade como ele, que trabalhou muito durante anos e de cujo trabalho podemos, agora, usufruir dos frutos».
José Alberto Almeida admitiu que esta distinção «é um estímulo». 
«Aceito-a com humildade, mas com orgulho, no sentido de que é o reconhecimento de um trabalho que faço há 14 anos. Mas não é um trabalho solitário. É de uma rede de pessoas, de ambos os países. A minha função, muitas vezes, consiste em colocar em contacto pessoas de alta qualidade, humana e científica, em determinadas áreas», disse o cônsul honorário de Marrocos no Algarve.
Ao longo dos tempos, sublinhou, José Alberto Almeida ligou «universidades, câmaras municipais e instituições de vária natureza», portuguesas e marroquinas, no sentido de «as colocar a trabalhar em conjunto».
«No fundo, é um território de continuidades, entre o Algarve e Marrocos: históricas, culturais e humanas. E tudo se torna fácil quando se trabalha nesta base», afirmou, feliz e emocionado, o (nosso querido) Cavaleiro do Norte.
Muitos parabéns!!!
Ver AQUI
E AQUI
- ALMEIDA. José Alberto Alegria Martins de Almeida, 
alferes miliciano de reabastecimentos da CCS 
do Comando do Batalhão de Cavalaria 8423. Economista, arquitecto 
e empresário, natural de Oliveira de Azeméis e residente em Albufeira.
Era o «nosso» alferes Almeida, também oficial de justiça.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

3 026 - Carnaval no Quitexe e a Batalha de Ambuíla

Vista geral do Quitexe, vendo-se, do lado direito, assinaladas, a igreja e a casa 
paroquial. Em baixo, placa do Quitexe para Ambuíla (foto de Carlos Ferreira, em 12/2012)



O dia 9 de Fevereiro de 1975 foi de Carnaval, tempo para conhecermos as tradições locais, muito diferentes dos entrudos que se viviam nas nossas aldeias - ... as aldeias, vilas ou cidades de origem dos Cavaleiros do Norte. Era domingo, dia de menos serviços, o que deu tempo para, no Talabanza, o Cazenza ou até Ambuíla (as sanzalas mais próximas do Quitexe, se me não falha a memória), ir espreitar as danças e cantos dos nativos.
Ao tempo, fiz um registo em cassete, que ainda tenho, mas, infelizmente, inaudível. De memória, e quero crer que no regresso de uma escolta à Fazenda do Pumbassai, já na 3ª. feira de Carnaval (dia 10), tenho a ideia do som de batuques e cantares em língua ininteligível (para nós), com os mais velhos sentados e a esfumaçar, espreitando os mais novos, que dançavam e cantavam, mascarados de forma simples, outros de rostos pintados, com (elas) de saias da palha e a saracotearem-se de forma sensual, que enchia os nossos olhos e a a alma de desejos.
Atravessámos o Cazenza a velocidade baixa, para olhar bem e de perto, este carnavalar étnico, que era novidade para nós. Isto, há 40 anos!|

Mais recentemente e a 16 de Janeiro de 2015 - e nada tendo a ver com o carnaval - as autoridades tradicionais regozijaram-se com reconhecimento da batalha de Ambuíla - localidade na saída do Quitexe para Zalala -, a que foi atribuída o estatuto de "cidade histórica", por ter sido palco da Batalha de Ambuíla, a 29 de Outubro de 1665. Batalha que marcou o início do fim do Reino do Congo como estado independente.O soba da aldeia Zonda, Manuel Tempo, segundo a ANGOP, agradeceu o reconhecimento deste facto na história de Angola e disse que a localidade representa o contributo na luta contra o colonialismo. Solicitou ao Governo da Província a criação de condições para a construção de uma infra-estrura social com o nome de Batalha de Ambuíla, para que seja lembrada permanentemente. Outras independências!

domingo, 8 de fevereiro de 2015

3 025 - Eleições da Constituinte e futebol no Quitexe

Futebol no Quitexe. De pé, Lopes (furriel enfermeiro), José Gomes, Fernando Grácio, Luís Mosteias (furriel), NN e NN. Em baixo, José Monteiro (furriel), NN,  Domingos Teixeira,  Miguel Santos (??) e Jorge Botelho. Em baixo, notícia do DL sobre as eleições para a Constituinte


A 8 de Fevereiro de 1975, leio no Livro da Unidade, «tomou o pessoal do BCAV. parte da assistência a um espectáculo de soldados e para soldados, organizado na ZMN». O acontecimento, ainda segundo o LI, «causou impacto no estado psicológico das tropas».
A actividade incluía-se no «panorama dos trabalhos inerentes da acção psicológica», depois da saída do alferes José Leonel Hermida, Refere o Livro da Unidade que foram «impulsionadas a prática de jogos desportivos e, o que é muito importante, fazendo-se um jornal de parede». 
A 8 de Fevereiro de 1975, soube-se no Quitexe (pela leitura da imprensa de Lisboa) que a realização das eleições para a Assembleia Constituinte seria até ao dia 25 de Abril. A lei emanou da Presidência da República, com publicação no Diário de Governo da véspera (dia 7).
O Diário de Lisboa (imagem) fazia contas: «O dia 25 de Abril é sexta-feira, pelo que é no dia 20, o domingo imediatamente anterior. No último domingo de Março, a 30, celebra-se a Páscoa e no primeiro de Abril, a 6, parece ser cedo».

sábado, 7 de fevereiro de 2015

3 024 - O fim, há 40 anos, das escoltas na Estrada do Café

A estrada do café nos arredores do Quitexe (foto da net). em baixo, o mapa 
da mesma estrada, que ia de Luanda a Carmona, com algumas povoações sublinhadas.
Povoações, entre outras, pelas quais jornadearam os Cavaleiros do Norte

A 7 de Fevereiro de 1975, terminaram as escoltas da estrada do café, «serviço assaz desgastante para o pessoal e viaturas», como relata o Livro da Unidade. E que, ainda segundo o mesmo documento, «não conduziam a qualquer finalidade prática».
Não era, na verdade, serviço por quem os Cavaleiros do Norte estivesse muito «apaixonados». Passavam-se horas a galgar quilómetros, no «pára-aqui-pára-ali», sempre com alguma tensão, nomeadamente, por estranho que pareça, com os motoristas de longo curso. Brancos!!! E as escoltas iam de Carmona a Quibaxe, Piri e Úcua, julgo mesmo que, nalguns (poucos) casos até ao Caxito.
Numa delas, entre Quitexe e Carmona, um deles chegou  a apontar arma aos Cavaleiros do Norte do PELREC, que nada mais faziam que nãso fosse fazer a segurança do itinerário. Assim não entendia o homem, que nos tinha como «inimigos» e não nos poupou mimos, acusando-nos de cobardes e traidores. Ainda hoje estamos para saber porquê, já que a nossa jornada, por esta altura, era principalmente para garantir a segurança e as vidas dos civis - e nomeadamente dos portugueses europeus.
7 de Fevereiro de 1975Manifestação contra os despedimentos

Realiza-se em Lisboa uma grande manifestação contra os despedimentos, promovida pela extrema-esquerda.
7 de Fevereiro de 1975Manifestação contra os despedimentos

Realiza-se em Lisboa uma grande manifestação contra os despedimentos, promovida pela extrema-esquerda.
Realiza-se em Lisboa uma grande manifestação contra os despedimentos, promovida pela extrema-esquerda.
De Lisboa, chegavam notícias de um plenário do MFA e de uma manifestação contra os despedimentos, promovida pela extrema esquerda.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

3 023 - Cavaleiros no Songo e oficiais portugueses mortos

 A vila do Songo, em 1975 (foto da net). O busto de Acílio Gala, inaugurado a 15 de Julho 
de 1973 (foto de baixo. Os oficiais mortos a 3 de Fevereiro de 1975 (imagens mais abaixo)



A 5 de Fevereiro de 1975, no Songo, realizou-se a última reunião de Comandos do Comando de Sector do Uíge. Os Cavaleiros do Norte fizeram-se representar pelo comandante Almeida e Brito e pelo furriel miliciano Viegas, que participou na reunião do MFA, como delegado dos sargentos do BCAV. 8423.
Não sabia na altura, mas era administrador do Songo o futuro presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Bairro e deputado do CDS/PP, o dr. Acílio Gala. Que eu não conhecia, ao tempo - só mais tarde, no exercício de outras funções.  Mas há a curiosidade de eu, com um grupo do PELREC que nos acompanhava (de escolta), termos estado algum tempo parados junto ao busto com que a cidade o homenageara - a 15 de Julho de 1973, por méritos que teve como adminstrador e presidente da Câmara do Songo, nos 5 então anos anteriores.
Algumas vezes, nos anos 90 para 2000, nos divertimos com o pormenor, em longas e saborosas conversas nos Paços do Concelho de Oliveira do Bairro.
O dia 6 de Fevereiro de 1975 (há precisamente 40 anos) foi assinalado, em Luanda, por um comunicado do Alto Comissário, responsabilizando o MPLA pelos incidentes ocorridos no mercado de S. Paulo, no dia 3, nos quais morreram um capitão e um alferes milicianos portugueses, um sargento do ELNA (exército da FNLA) e 5 civis - para além de ferimentos em um capitão português, dois militares do ELNA e 9 civis.
Os incidentes começaram, numa tentativa de assalto a um comerciante, acusado de, na véspera, ter matado dois civis negros. Intervieram o ELNA e as FALA (exército do MPLA) e quando uma viatura militar portuguesa levava um civil, este foi tido com o comerciante (não era), começando o tiroteio - depois do apedrejamento da viatura.
O capitão miliciano era Ramiro José Amaro de Azevedo Pinheiro (foto ao lado, mais acima), ao tempo jogador de andebol do Sporting (creio mesmo que internacional) e assistente do Instituto Superior Técnico. José Domingos dos Santos era o alferes miliciano abatido. Ambos, oficiais da 1ª. CART. 6323.
A memória refrescou-se-me neste momento: a 3 de Fevereiro de 1975 eu estava em Luanda e fiz a viagem da Avenida D. João II para o Bairro da Cuca, passando em S. Paulo, pouco depois destes trágicos incidentes. Ia procurar os conterrâneos Benedita e Mário Coelho, casal que lá morava (com a filha Fernanda) e de quem a família conterrânea queria saber notícias.
Estava «desenfiado» na capital e, se a memória me não atraiçoa, viajaria para Carmona no avião civil das 17 horas.
-MORTE DOS OFICIAIS 
PORTUGUESES
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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

3 022 - O Mosteias faleceu há 2 anos!!!

Mosteias e Viegas, frente à secretaria da CCS, no Quitexe, em 1974 (em cima). 
Viegas, Mosteias e Neto, na messe do Bairro Montanha Pinto, em Carmona  (1975)


O Luís Mosteias faleceu há dois anos, a 5 de Fevereiro de 2013. Não resistiu à violência de uma doença que, em finais de Dezembro anterior, o atirou para uma cama do Hospital do Litoral Alentejano. Foi um dos grandes e maiores Cavaleiros do Norte, um companheiro de sempre, um amigo imortal!
Soube da sua doença a 2 de Janeiro desse ano de 2013, quando lhe liguei para o abraço dos 61 anos - que (ele) fazia nesse dia! Já estava internado no Hospital do Litoral Alentejano e falou-me da doença, diminuindo-lhe a gravidade e gracejando, até, com a forma como com ele lidavam os médicos.
Companheiros da jornada africana do Uíge Angolano testemunharam-lhe, nesse intervalo de tempo, toda a solidariedade que tanto merecia, encorajando-o para o combate que travava.
Faleceu há dois anos e, como nesse dia, deixamos aqui a palavra que define a imortalidade do Mosteias, entre os Cavaleiros do Norte: SAUDADE!!!
- MOSTEIAS. Luís João Ramalho Mosteias, furriel 
miliciano sapador, da CCS do Batalhão de Cavalaria 8423. 
Oriundo de Cabeção (Mora), com vida feita por Lisboa, 
Montijo (terra de afeição) e Vila Nova de Santo André. 
Faleceu a 5 de Fevereiro de 2013, no Hospital do Litoral Alentejano.
RIP!!!
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E AQUI
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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

3 021 - A. Neto em Luanda e Ornelas Monteiro no BCAV. 8423

Agostinho Neto na chegada a Luanda, há 40 anos. 
Foto do jornal A Província de Angola, de 6 de Fevereiro de 1975




Agostinho Neto, presidente do MPLA, chegou a Luanda há 40 anos, a 4 de Fevereiro de 1975. O Governo de Transição decretou feriado nacional, «tendo em consideração o significado histórico na luta de libertação nacional».
A mesma razão para decretar feriados nacionais a dias relacionados com os três movimentos:
- MPLA, 4 de Fevereiro de 1961: ataque às prisões de Luanda.
- FNLA, 15 de Março de 1961: ataque generalizado no norte de Angola, dirigido pela UPA (FNLA), de Holden Roberto.
- UNITA, 25 de Dezembro de 1966: ataque a Teixeira de Sousa, dirigido pelo movimento de Jonas Savimbi.
Os três dias, segundo a promulgação do Governo de Transição, passaram a ser «considerados feriados nacionais em todo o território nacional, tendo os trabalhadores direito ao seu salário».
Um ano antes, precisamente, e em Santa Margarida apresentou-se  formalmente o major de cavalaria Ornelas Monteiro, 2º. comandante do Batalhão de Cavalaria 8423. Não seguiria connosco para Angola já que, «por motivos imprevistos e de serviço, e a solicitação do Movimento das Forças Armadas», foi deslocado «em vésperas do embarque» para a Guiné-Bissau. Faleceu a 16 de Julho de 2011, em Lisboa, aos 80 anos.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

3 020 - Passeios ao Duque de Bragança, a Salazar e a Cacuso

Almiro Maciel,  (furriel) João Dias, (alferes) José Lains, (furriel) Évora Soares, Carlos Coelho e 
Famalicão (de pé), Carlos  Costa e Fernando Silva, Cavaleiros do Norte de Zalala.
Em baixo, (furriel) José Pires, da CCS, nas Quedas do Duque de Bragança



Os dias de Fevereiro de 1975, pela chão uíjano onde jornadeavam os Cavaleiros do Norte, foram ttanquilos, no essencial. Tirando um e outra «escaramuças» entre combatentes e dirigentes da FNLA com os do MPLA (ou vice-versa), os tempoos foram-se passando em paz, com serviços de rotina e patrulhamentos. Mas, por exemplo, as escoltas na estrada do café terminaram no dia 7.
Leio no Livro da Unidade que, ao tempo, «foi possível pensar em realizar passeios de fins de semana para alguns militares, nomeadanente a Nalanje, aproveitando ainda para mostrar Duque de Brabgança, Cacuso e, em alguns casos, Salazar».
Duque de Bragança eram (e são) espectaculares quedas de água, situadas no rio Lucala, o maior afluente do rio Kwanza, com 410 metros de extensão e 105 de altura, as  segundas maiores de África. Actualmente, e depois da independência, são denominadas Quedas da Kalandula, por ficarem neste município da província de Malanje.
A iniciativa, refere o Livro da Unidade, «foi do maior agrado e teve extensão a todas as nossas subunidades, servindo de molde a outras unidades da ZMN».


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

3 019 - Comício da FNLA em Aldeia Viçosa, incidentes com o MPLA

Comício a FNLA em Aldeia Viçosa (em cima). Pavilhão dos futuros furriéis 
milicianos do Batalhão de Cavalaria 8423, em Santa Margarida (em baixo)



A Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) realizou um comício em Aldeia Viçosa, para mostrar as suas ideias políticas ao povos da zona. O movimento de Holden Roberto tinha aberto a delegação dias antes (a 26 de Janeiro), quando também quis fazer um comício com o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), para o qual «não houve entendimento», obrigando à intervenção das Forças Armadas Portuguesas, «em situação apaziguadora, que se conseguiu» - como reporta o Livro da Unidade.
A imagem (do furriel António Carlos Letras, da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa) é desse dia 26 de Janeiro e, a 2 de Fevereiro de 1975 - hoje se fazem 40 anos  - no comício do movimento de Holdem Roberto registaram-se «incidentes entre MPLA e FNLA, rapidamente sanados pelas NT».  
Um ano antes, em Santa Margarida e no RC4, os futuros Cavaleiros do Norte faziam a sua preparação para a jornada africana de Angola - que decorria desde 7 de Janeiro, altura do «encontro da maioria do pessoal do futuro Batalhão», no Destacamento do RC4.
A apresentação «foi informal», tendo os contactos mais formais começado no dia seguinte, às 9 horas da manhã, numa «reunião de trabalho em que estiveram presentes os quadros do BCAV.». 
A palestra que a precedeu serviou para o comandante Almeida e Brito expressasr «os princípios e hábitos de vida que teriam nortear a vida do BAV, durante o tempo em que, como unidade constituída, vivesse no RC4 e na RMA».
Foi isto há um pouco mais de 41 anos!



domingo, 1 de fevereiro de 2015

3 018 - Cavaleiros do Norte sem conhecerem o futuro imediato

O PELREC: Almeida, Neves, Messejana, Florêncio, Armindo (?), Viegas (furriel),
Marcos, Dionísio, Caixarias e Garcia (alferes), de pé. Em baixo, Vicente, Soares, 
Freacisco, Leal, Oliveira (transmissões), Hipólito, Madaleno e Neto (furriel).
O Alto Comissário Silva Cardoso, à esquerda, na posse do Governo de Transição




O mês de Fevereiro de 1975, para os Cavaleiros do Norte, «caracterizou-se pela incerteza do seu futuro destino», como se lê no Livro da Unidade, já que «iria ser considerado a fazer parte das tropas de integração determinadas pelo Acordo do Alvor». Não se sabia era para onde iria?
O BCAV. 8423 era «pretendido pela RMA e solicitado pela ZMN», pelo que, há 40 anos, a nossa expectativa era saber se rodaríamos para Carmona, ou para Luanda. Só a 26 desse mês de Fevereiro tal se definiria e, releio no Livro da Unidade, «agora com a pressa de uma rápida e imediata mudança, para o aquartelamento do BC12, em extinção, o que só se viria a realizar a 2 de Março».
A posse do Governo de Transição tinha sido na véspera e foi nesse dia 1 de Fevereiro que nos chegaram ecos da cerimónia do Palácio do Governador. «Cerca de 5000 pessoas, agitando bandeiras dos três movimentos de libertação, saudaram com um brado uníssono de «glória, glória», os membros do Governo de Transição e o Alto-Comissário português que assomaram a uma da varandas do Palácio do Governador Geral, depois de ter sido anunciada a tomada de posse», refere a imprensa desse dia 1 de Fevereiro de 1975. Há 40 anos!
Imediatamente antes, tinham guardado um minuto de silêncio, «em memória dos angolanos que tombaram de armas na mão, durante os 13 anos de luta pela independência».
O Alto-Comissário era o general Silva Cardoso, que se vê na foto, à esquerda e à civil, na cerimónia de posse.

sábado, 31 de janeiro de 2015

3 017 - Governo de Transição tomou posse há 40 anos


Governo de Transição de Angola tomou posse há 40 anos, hoje se completam! Foto do jornal
"A Província de Angola", de 1 de Fevereiro de 1975. Em baixo, governantes, um a um, foto da 
revista "Notícia", de 8 de Fevereiro de 1975. Clicar na imagem, para a ampliar


O Governo de Transição de Angola tomou posse há precisamente 40 anos, a 31 de Janeiro de 1975, no Palácio do Governador, em Luanda e numa cerimónia presidida por Almeida Santos, ministro da Coordenação Inter-Territorial.
Os 12 ministérios foram distribuídos, igualmente, pelo Governo Português e pelos três movimentos de Libertação.
- MPLA: Manuel Rui (Informação),  Saidy Mingas (Planeamento e Finanças) e Diógenes Boavida (Justiça). Secretários de Estado: Augusto Lopes Teixeira (Indústria e Energia), Conélio Kaley (Trabalho) e Henrique Santos (Interior). Colégio Presidencial: Lopo do Nascimento.
- FNLA: Ministros Kabaneu Sauhde (Interior), Samuel Abrigada (Assuntos Sociais) e Mateus Neto (Agricultura). Secretários de Estado: Graça Tavares (Comércio), Hendrick Vaal-Neto (Informação) e Baptista Nguvulu (Trabalho). Colégio Presidencial: Johnny Eduardo.
- UNITA: Ministros EduardoWanga (Educação), Augusto Dembo (Trabalho) e Jeremias Chitunda (Recursos Naturais). Secretários de Estado: Jaka Jamba (Informação) e João Waiken (Interior). Colégio Presidencial: José N´Dele.
Portugal estava representado pelo Alto Comissário Silva Cardoso e pelos ministros Vasco Vieira de Almeida (Economia), Alfredo Resende Oliveira (Obras Públicas) e Antunes Cunha (Comunicações e Transportes).

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

3 016 - Vésperas de Governo e 2 novos Cavaleiros


Grupo de Transmissões, e outros Cavaleiros do Norte, do Quitexe. 
Algum deles será o Pexim? A avenida do Quitexe (em baixo)


O mês de Janeiro de 1975 aproximava-se do fim, sem grandes alterações quitexanas, expectando-se, embora e continuadamente, a (nova) rotação dos Cavaleiros do Norte, a  que seria para Carmona. E, naturalmente, a posse do Governo de Transição de Angola - ,arcada para o dia 31, em Luanda.
Ao Quitexe, e à CCS, chegou um 1º. cabo de transmissões, de quem, infelizmente, não  guardo memória: Joaquim F. N. Pexim. Todas as diligências já efectuadas, em nada resultaram. Quem dele saberá?
Chegou ao Quitexe em Janeiro de 1975, há precisamente 40 anos!
Outro Cavaleiro do Norte que este mês chegou, mas a Aldeia Viçosa (2ª. CCAV. 8423), foi o soldado atirador Fernando M. D. Sousa. Dele igualmente não temos notícias.
Luanda, expectava a tomada de posse do Governo de Transição, teve uma noite de algum sobressalto, já que, num cadeia civil, houve um motim que implicou a intervenção das Forças Armadas Portuguesas, com tiros para o ar. Patrulhas da FNLA e do MPLA acorreram ao local e dois reclusos ficaram feridos e alguns outros conseguiram evadir-se, durante a insurrecção. O motim reclamava uma amnistia, pela tomada de posse do Governo de Transição. A cidade, todavia e fora neste incidente, «estava calma», segundo relatava o Diário de Lisboa.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

3 015 - Agitação e distúrbios, antes do Governo de Transição

 Grafanil nos dias de Dezembro de 2014. Foto de Carlos Ferreira (Zalala). 
O símbolo dos Cavaleiros do Norte, o BCAV. 8423


A posse do Governo de Transição de Angola estava marcada para 31 de Janeiro de 1975 e, dois dias antes, a imprensa de Luanda dava conta que «agitadores, a saldo não se sabe de quem, andam pelos subúrbios a incitar a população a fazer distúrbios».
O MPLA. a esse propósito, emitiu um comunicado a apelar aos seus militantes e simpatizantes no sentido de «denunciaram os agitadores que conseguirem identificar» e, ao mesmo tempo, aconselhando-os a «não se deixarem arrastar por manobras que só poderã desprestigiar o movimento». A UNITA, em Nova Lisboa e pela voz do presidente Jonas Savimbi, denunciava «o perigo de um contra-golpe em Portugal» e prometia «trabalhar na unidade dos movimentos de libertação para que , se alguém tentar retroceder a roda da historia de Angola, nós todos unidos não consentirmos».
A FNLA, neste mesmo dia, fazia chegar a Luanda os seus representantes no Governo de Transição, cujos  nomes não foram anunciados. Sabia-se, da parte da UNITA, que a sua delegação seria chefiada por José N´Dele, um cabindês, ex-seminarista, que fôra dos quadros da FNLA e, como dirigente da UNITA, tinha participado na Cimeira do Alvor.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

3 014 - Cavaleiros para mudar e Savimbi em Nova Lisboa


O BC12, visto do lado do Songo, à saída de Carmona. Foto da chegada de Jonas 
Savimbi a Nova Lisboa, do jornal A Província de Angola (em baixo)


Aos 28 dia de Janeiro de 1975, há precisamente 40 anos, o comandante Almeida e Brito voltou ao Comando de Sector do Uíge (CSU), em Carmona, por «necessidade de estabelecimento de contactos operacionais». Já lá tinha estado nos dias 3 e 7, assim como no BC12, a nossa futura casa (a 23), na 1ª. CCAV. 8423, em Vista Alegre (a 5) e na 2ª. CCAV. 8423, em Aldeia Viçosa (a 23).
Os murmúrios quitexanos (e os destas duas subunidades) continuavam a  apontar para «uma nova remodelação de dispositivo», com a indicação que os Cavaleiros do Norte iriam para Carmona, «dado que o BC12, que desde 1961 guarnecia a capital do distrito do Uíge, iria ser extinto». Tal movimento, refere o Livro da Unidade, «está esboçado, mas aguarda ainda a sanção superior, resultante de alterações que a cimeira do Algarve possa impôr».
Neste mesmo dia 28 de Janeiro de há 40 anos, soube-se que, na véspera e em Luanda, tinha sido feita a libertação de António Cardoso, sub-chefe de redacção da Emissora Oficial de Angola e que fora raptado pela FNLA, Entregue pela mesma FNLA no Comando da Região Militar de Angola.
Também a 27 de Janeiro,  Jonas Savimbi, presidente da UNITA, foi recebido em Nova Lisboa e «ovacionado por uma enorme multidão». 
O jornal A Província de Angola - que se publicava em Luanda - dava conta, na sua primeira página da edição de 28 de Janeiro de 1975, que «o dr. Jonas Malheiro Savimbi "leader" da UNITA, chegou esta manhã à capital de Huambo» e que «mais de meio milhão de pessoas, no maior espectáculo que jamais nos foi dado ver, acolheu o "muata" Savimbi».
«Recepção entusiástica e colorida, caridosa, extremamente significativa, não apenas pelo número de pessoas que envolveu, como até pelos cartazes e pelas frases escritas por toda a parte onde houvesse um centímetro de parede branca», relatava o A Província de Angola.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

3 013 - Incidentes em Aldeia Viçosa e assalto à Emissora Oficial

Homens da FNLA em Aldeia Viçosa, a  26 de Janeiro de 1975. Foto de António 
Carlos Letras (furriel). Em baixo, notícia do assalto à Emissora Oficial de Angola



Domingo, 26 de Janeiro de 1975, Já lá vão 40 anos. Aldeia Viçosa, onde se aquartela a 2ª.- CCAV. 8423, a do capitão miliciano José Manuel Cruz, acorda tranquila e, para o dia, está prevista a abertura da Delegação da FNLA.
O movimento de Holden Roberto era «maioritário» no Quitexe, mas em Aldeia Viçosa e Vista Alegre, dividia popularidade com o MPLA. «Os movimentos emancipalistas continuam as suas actividades de politização, verificando-se que a área do Quitexe é quási na íntegra da FNLA, enquanto que nas áreas de Aldeia Viçosa e Vista Alegre se verifica uma mesclagem deste movimento com o MPLA, o que tem dado azo a situações de algum atrito entre eles», relata o Livro da Unidade.
«O mais grave - acrescenta o mesmo LU - terá sido em 26 de Janeiro (...), quando os movimentos pretenderam fazer um comício conjunto, mas no qual não conseguiram entendimento, o que deu origem à intervenção das NT, em situação apaziguadora, que se conseguiu».
Menos pacíficas iam as coisas por Luanda, onde a FNLA, a 25 de Janeiro, tomou de assalto a Emissora Oficial de Angola, (EOA), a  pretexto de não ter sido lido um comunicado, com «graves acusações ao Governo Provisório e à Junta Governativa de Angola». A ordem de não leitura fôra do comandante Correia Jesuíno, o Secretário de Estado da Comunicação Social.
A força armada da FNLA era pessoalmente comandada por Hendrik Vaal Neto, destruiu parte das instalações e agrediu o locutor de serviço. António Cardoso, sub-chefe de redacção da EOA e militante do MPLA, foi raptado na sua residência, de madrugada, e era acusado de «não ser mais que um nó de uma vasta rede anti-FNLA, à qual pertence, como ele próprio declara» - justificava o movimento de Holden Roberto.
A situação provocou fortes reacções (nomeadamente do MPLA) e o ambiente na capital era «tenso, mas a libertação provável» - a de Cardoso. Rosa Coutinho, acabado de chegar de Lisboa, deu conta de contactos nesse sentido, «entre o Governo Provisório e a FNLA e os outros movimentos».

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

3 012 - Novo Alto-Comissário e a Facção de Daniel Chipenda

Grafanil. interior do campo militar em Dezembro de 2014, foto de Carlos Ferreira (Zalala). 
Rosa Coutinho e Silva Cardoso (em baixo), os dois primeiros Alto-Comissários de Angola




A 26 de Janeiro de 1975,. o almirante Rosa Coutinho voou de Lisboa para Luanda, Ia deixar o cargo de Alto-Comissário e seria substituído (a 28) pelo brigadeiro Silva Cardoso, que fazia parte do Governo de Transição e participara na Cimeira do Alvor. A posse foi em Lisboa e no mesmo dia partiu para Angola.
Aqui, na véspera, forças da Revolta do Leste - a Facção de Daniel Chipenda, dissidente do MPLA - tentou entrar na cidade do Luso, mas foi impedida por forças portugueses e do  MOLA. o major Soares (um dos comandantes portugueses, conferenciou com os comandantes Kilimanjaro e Rosa, da Revolta do Leste, propondo-lhe que entrassem desarmados na cidade. Não aceitaram. Só se os elementos do MPLA também fossem desarmados, Kilimanjaro para «evitar qualquer incidente», mandou retirar seis (cerca de) 100 homens para uma posição a 3 quilómetros da capital do Moxico.
O jornal A Província de Angola dava conta que Daniel Chipenda pretendia dar uma conferência de imprensa no Luso, para a anunciar os resultados do congresso da Revolta do Leste, em Ninda.
O jornal O Comércio (de Luanda) dava voz a Chipenda e da sua preocupação em não criar qualquer conflito armado. A preocupação era outra: queria integrar as suas forças no futuro exército de Angola.
Daniel Cipenda, nessa altura, teria tropas aquarteladas em Ninda, Bon e Ivungo.

domingo, 25 de janeiro de 2015

3 011 - Os primeiros dias dos futuros Cavaleiros do Norte

Neto, Viegas, Matos (2ª. CCAV. 8423) e Monteiro no RC4. em Santa Margarida, Janeiro 
de 1974, há 41 anos! Em baixo, o interior do RC4, logo após a porta d´armas




A Janeiro de 1974, há 41 anos, o BCAV. 8423 dava os primeiros «galopes» em Santa Margarida, no Regimento de Cavalaria nº. 4 - a nossa unidade mobilizadora. Pode dizer-se, segundo o Livro da Unidade, que «a apresentação informal» foi a 7 de Janeiro, com «o encontro da maioria do pessoal do futuro batalhão - oficiais, sargentos e praças», no Destacamento do RC4.
O Neto, o Monteiro e eu mesmo (Viegas) já «debutáramos» na véspera de Natal, quando, por praxe, o oficial de dia nos fez «nomear» à ordem, para entrar de serviço e nós - muito por insistência decisória do Neto, demos o fora do quartel, no seu SIMCA 1100 branco, e «voámos», literalmente para Águeda, ainda bem a tempo da noite de natal - enquanto o Monteiro foi de autocarro, de Águeda para o Porto, onde, depois de telefonema nosso, para a casa dos pais, em Vila Boa de Quires (Marco de Canaveses), o iria buscar um irmão.
Lá tínhamos chegado, nesse 24 de Dezembro, com guia de marcha do Centro de Instrução de Operações Especiais (CIOE), de Lamego, já mobilizados para Angola.
Os três, muito provavelmente, fomos os primeiros futuros Cavaleiros do Norte a chegar ao Regimento de Cavalaria nº. 4. Há mais de 41 anos!!!
«Pior castigo que a mobilização, já não nos podem dar! Por isso, vamos embora!...», justificou o Neto. Viemos embora e, na verdade, nada nos aconteceu.