CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

3 605 - Capitão Falcão no CSU de Carmona e Natal da 1ª. CCAV. 8423!

Cavaleiros do Norte à porta da Casa dos Furriéis do Quitexe: Cândido Pi-
 res, António Cruz, José Pires, Armindo Reino, Grenha Lopes, Norberto Morais
 e Agostinho Belo. Em baixo, António Maria Verdelho da Silva Lopes, furriel
 enfermeiro, que se apresentou em Santa Margarida há precisamente 43 anos 


A equipa de futebol do Parque-Auto. De pé e da esquerda
  para a direita, Domingos Teixeira (estofador), Porfírio Ma-
lheiro, Frangãos (Cuba), Marques  (Carpinteiro), Canhoto
 e Gaiteiro (condutores) e Teixeira (pintor). Em baixo, Mon-
teiro (Gasolinas), Pereíra (mecânico), Celestino e Gomes,
(condutores), Mendes (bate-chapas) e Miguel (condutor)
A 9 de Dezembro de 1974, o capitão José Paulo Falcão voltou ao Comando do Sector do Uíge (CSU), para mais uma reunião de comandantes - que ao tempo se realizavam muito regularmente. Nesse mês, era já a quarta, depois dos dias 2, 4 e 7. Continuavam os jogos de futebol, sempre muito disputados e envolvendo entusiasmos comungados por pelotões e companhias do BCAV. 8423. Era a acção psicológica na sua melhor dimensão.
Os «zalala´s» vão ter almoço de Natal a 17 de Dezembro
 de 2016, no Assador Típico, no Porto. A imagem é de 2016
Angola, ao tempo, antevia a independência política. O café, de que era um dos maiores produtores mundiais, estava a baixar de preço - de 62 para 49 cêntimos por libra/peso  e espectava-se que «não se mantenham nada firmes, já que os exportadores de Luanda e Lobito precisam precisam de fazer vendas urgentes».  
A notícia era do Diário de Lisboa, acrescentando que «face ao problema das cargas do café, há muito vendidas para a metrópole, que se aglomeram nos portos de Angola, os carregadores tiveram de pedir autorização para fretar um navio estrangeiro, pois os portugueses não resolviam o problema».

Natal dos Cavaleiros
do Norte de Zalala

Um grupo de Cavaleiros do Norte da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, vai festejar o Natal de 2016 em almoço marcado para o Porto.
A iniciativa já não é virgem no espírito de partilha dos comandados do capitão miliciano Davide Castro Dias - que em ocasiões diferentes do encontro anual juntam vontades e apetites para revigorar as suas memórias da jornada africana do Uíge angolano.
O próprio capitão e agora major na reserva comanda o evento, na «parada» gastronómica do restaurante «Assador Típico», no tripeiro Porto. Um excelente «campo de batalha» da excelente gastronomia nortenha.
«Temos pelo menos 20 camaradas a participar...», disse o Américo Rodrigues, que foi furriel miliciano atirador de Cavalaria e, por chãos de Zalala, também foi gestor dos «comes e bebes» dos «zalalas».
Quem o quiser contactar, para se inscrever no almoço ou outra qualquer coisa pode fazê-lo pelo telemóvel 933962492.
Os furriéis milicianos Norberto Morais e António
 Lopes, enfermeiro, que (ver abaixo) se apresentou no
 BCAV. 8423 a 9 de Dezembro de 1973. Há 43 anos!

O «nosso» furriel
enfermeiro Lopes

António Maria Verdelho da Silva Lopes foi furriel enfermeiro da CCS do BCAV. 8423, no Quitexe. Era, com o António Cruz e o Norberto Morais, um dos dois mais «velhos» furriéis, os três da incorporação militar de 1972.
O Lopes era natural e ainda hoje residente em Vendas Novas - terra da artilharia militar... - e foi um grande companheirão da nossa missão em Angola. Inesquecível por todas as razões e por mais uma, além da sua competência na área de enfermagem: era
O 1º. cabo José Maria Pedrosa
 de Pinho Beato, da 2ª. CCAV. 8423, que
 hoje festeja 64 anos! Parabéns!
 um excelente jogador de bola, titular a equipa da Companhia. Pois o «nosso» furriel enfermeiro apresentou-se no Regimento de Cavalaria 4 (o RC4), em Santa Margarida, há precisamente 43 anos: às 13 horas de 9 de Dezembro de 1973, ido do Regimento de Infantaria nº.16. em Évora.
Há momentos, falando-nos ao telefone e sem se lembrar da data, foi porém preciso na hora: «Pois foi..., foi mesmo à uma da tarde!!!..., não me lembro é do dia».
O António Lopes foi funcionário público e fez carreira na Repartição de Finanças de Vendas Novas, onde a acabou a actividade profissional como tesoureiro. Está num bom momento, cidadão maior e feliz da vida!

Beato de 22 anos 
em Aldeia Viçosa

Há 42 anos e por Aldeia Viçosa, fazia 22 viçosos e expectantes anos o 1º. cabo José Maria Pedrosa de Pinho Beato, que foi radiotelegrafista da 2ª. CCAV. 8423, a companhia do capitão José Manuel Cruz. 
Portuense da Travessa de S. Victor, na Cedofeita do Porto, mora agora em Valongo e está aposentado - neste momento, todavia, à espera que a medicina lhe resolva um problema de insuficiência venosa crónica que lhe tem limitado os membros inferiores.
Nada que assuste este Cavaleiro do Norte da 2ª. CAV. 8423 que é, com o (ex)furriel Rafael Ramalho um dos organizadores permanentes dos encontros anuais da Companhia. Parabéns!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

3 604 - Futebol e cinema, acção psicológica para os Cavaleiros!

Futebol no Quitexe, uma equipa da CCS: 1º.s cabos Grácio,  José Gomes e
Miguel Teixeira, Botelho (Cubilhas), furriel Miguel Peres (pára), Gaiteiro

 e 1º. cabo Soares (de pé). Em baixo, NN, furriéis Mosteias (sapador) e Lopes
 (enfermeiro), NN,  furriel Monteiro e 1º. cabo Domingos Teixeira (estofador).
  Alguém se lembra dos nomes dos NN?


Futebolistas de Zalala. De pé, Fião, furriel Jorge Barreto,
Alegre (?), 1º. cabo Ferreira e NN. Em baixo, Almeida.
Tarciso, NN (atirador?), Famalicão, Alfama e furriel
José Nascimento. Quem são os NN?



O ciclo de actividades de acção psicológica do BCAV. 8423 esteve particularmente activo no período pré-natalício de 1974, nomeadamente com exibição de filmes e a realização de jogos de futebol - o sempre eterno «ópio» do povo. Jogos, ora entre pelotões da cada unidade, ora entre unidades dos Cavaleiros do Norte. E até, se me lembro bem, com equipas civis.
O alferes Hermida, oficial de acção psicológica.
De pé. furriel Rocha, 1º. cabo Estrela, Silva, alfe-
res Hermida, Zambujo, furriel José Pires, 1ºs.

 cabos Felicíssimo (da 1ª. CCAV .) e Mendes. Em
baixo,  Costa, Salgueiro (?) e furriel Cruz
O oficial de acção psicológica era o alferes  José Leonel Hermida, de Transmissões, e a projecção de filmes começou pelo Quitexe, no Clube local e aberta à população civil. Continuou por todas as subunidades e concluiu-se a 18 de Dezembro, de novo na vila que era sede do BCAV. 8423. Exibições muito participadas, de resto. Não era aliás vulgar que o cinema chegasse por aquelas bandas.

Rijas futeboladas
no campo do Quitexe

O futebol atraía muito público e as muitas e frescas grades de cerveja - a famosa CUCA, a Eka, a Nocal, depois a N´Gola... -, ou até um bom garrafão de vinho (o ao tempo popular Teobar..., se fosse possível «desenfiá-lo»), ajudavam a animar as ruidosas «claques», que nos jogos desempoeiravam emoções e esqueciam as saudades que lhes amortalhavam a alma. Nesse tempo de jogo, vertiam as suas emoções mais vivas.
O nível técnico não era o melhor do mundo, mas as rivalidades faziam levedar o entusiasmo dos atletas, que se entregavam ao jogo de coração e alma - de resto, afoitados pelo público que assistia e vibrava. 
O 8 de Dezembro de 1974 foi domingo e dia, no Portugal metropolitano, de mais uma jornada do campeonato nacional da 1ª. divisão, com o FC do Porto (20 pontos) a vencer (2-0) o Farense e a aproveitar-se do empate (0-0) do Benfica (19) para se isolar no comando da prova.
O Sporting recebeu e empatou (1-1) com a CUF e o V. Guimarães com União de Tomar. O V. Setúbal recebeu e goleou (8-0) o Atlético e vencedores em casa foram também o Belenenses sobre o Espinho (2-1) e o Olhanense (3-1) sobre o Boavista. O Leixões foi vencer (1-0) a Coimbra.
Capa do livro «História da
 Unidade | BCAV. 8423»

Clima de paz,
depois da... guerra

As questões relacionadas com o processo de descolonização de Angola continuavam entregues aos políticos, obviamente, e pela zona de acção do BCAV. 8423 vivia-se «um clima de paz»
Um «clima de paz que se procura», como narra o livro «História da Unidade», frisando que tal acontecia num momento de «aceleração do processo de descolonização» - como vem citado na página 14, exactamente a que faz história do mês de Dezembro de 1974, sublinhando também que tal aceleração impôs «uma mudança radical dos hábitos de longos anos de guerra». 
Os Cavaleiros do Norte, a este tempo natalício de há 42 anos, mal sabiam mas ainda tinha pela frente uma longa e sofrida jornada. A que, por terras do Uíge angolano, mais nos fez crescer pelas terras da África enfeitiçada.  Até Setembro desse ano de 1975!

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

3 603 - Mobillização de «Rangers» da CCS para Angola foi há 43 anos!

Neto, Viegas e Monteiro, os três furriéis milicianos da CCS dos Cavaleiros
 do Norte que foram mobilizados para Angola, a 7 de Dezembro de 1973. 
Há precisamente 43 anos!!! Aqui, na imagem, já no Quitexe!

Monteiro, Neto e Viegas, furriéis milicianos «Rangers»
 da CCS, já no RC4, no Campo Militar de Santa Mar-
garida, pouco depois de mobilização para Angola

A mobilização, para Angola, dos futuros furriéis milicianos Monteiro, Viegas e Neto, da Companhia de Comando e Serviços (CCS) do Batalhão de Cavalaria 8423, foi publicada a 7 de Dezembro de 1973 na Ordem de Serviço nº. 286, do Centro de Instrução de Operações Especiais (CIOE), em Lamego. Há exactamente 43 anos!
A Ordem de Serviço nº. 286 do CIOE, de 7 de Dezembro
 de 1973, há 43 anos!, publicou a mobilização dos furriéis
 milicianos Monteiro, Viegas e Neto, três Rangers da
CCS do BCAV. 8423, os  Cavaleiros do Norte
A mobilização propriamente dita vinha de data anterior, embora dela não soubéssemos. Na verdade, já desde a Nota  nº. 47000, Processo 33007, de 17 de Novembro de 1973, da Repartição de Serviço de Pessoal/DSP do Ministério do Exército, se ficou a saber (lá pela Lisboa capital do império) que «foram nomeados para servir no Ultramar, nos termos da alínea c) do artigo 20º. do Decreto-Lei nº. 49107, de 7 de Julho de 1969» um grupo de militares que, ao tempo, prestavam serviço no CIOE. Era o caso dos 1ºs. cabos milicianos e futuros furriéis milicianos da CCS do BCAV. 8423, que estavam adidos à 1ª. Companhia de Instrução, em Penude - o José Augusto Guedes Monteiro, com o nº. 493/73/A - e à Companhia de Caçadores do dito CIOE, em Santa Cruz - o Viegas (eu mesmo, com o nº. 487/73A) e o Francisco Neto (486/73A).
Sabiam eles, na Lisboa imperial, souberam depois os serviços do Centro de Instrução de Operações Especiais (CIOE), em Lamego. Soubemos nós depois, hoje se fazem 43 anos! Os últimos a saber!
«Éramos tão jovens, tão tenrinhos, tão inocentes...», «brincalhou» o Francisco Neto esta manhã, quando lhe lembrei a efeméride e ironizando sobre a nossa actual «sexygenaridade». A brincar, a brincar, quase meio século se passou!

Joaquim Grilo, um dos «Rangers» que
  43 anos soube estar mobilizado para
 Angola. no BCAÇ. 4617, que esteve em
 Dala. É funcionário público na sua
 Nazaré natal e leitor do blogue
 Cavaleiros do Norte

A «sorte» de
ir para Angola

Mobilização para Angola era, pelas realidades e emoções desse tempo, o melhor que (nos) poderia acontecer, em vez dos mais bem mais perigosos cenários de guerra de Moçambique e principalmente da Guiné - a actual Guiné-Bissau. Daí, a razão de prontamente, nesse fim de tarde de uma segunda-feira fria e chuvosa, ter telefonado para a vizinha Celeste, para que desse recado a minha mãe. Para a tranquilizar sobre o meu futuro próximo. Também ela «sonhava» que fosse parar a Angola. Era o mal menor... para uma mãe recentemente viúva.
Angola era também território onde estavam vários familiares e muitos conterrâneos, alguns deles amigos íntimos e com quem acabaria por me encontrar. 
João Matos, um
 dos «Rangers»
mobilizados há 43
 anos. Para o
 BCAÇ. 4519,
em Cabinda
O Neto, o Monteiro e eu (Viegas) não fomos os únicos três mobilizados para Angola, segundo a Ordem de Serviço nº. 286/73 do CIOE e do pessoal que lá prestava serviço. Também os 1ºs. cabos milicianos (e futuros furriéis milicianos Rangers) João  Manuel da Costa Matos, da Póvoa de Santa Iria (para o BCAÇ. 4519, formado no RI 16, em Évora, e que foi para Cabinda) e Joaquim José Sales Grilo, agora funcionário público na Nazaré, de onde é natural (integrado no BCAÇ 4617, também do RI 16, para Dala). 
Outros destinos foram Moçambique, para onde foram o Rui Dinis G. Praxedes, agora empresário de restauração em Setúbal, o Manuel Ferreira e o Américo Lacerda Ferreira (os três no BCAÇ. 4216, do RI2, em Abrantes) e o Fernando M. S. Ribeiro e o João Carlos A. M. Pedro (no BCAÇ. 5016, do BC 10, em Aveiro). Para a Guiné, o Joaquim Ferreira Gonçalves, de Chaves (BCAÇ. 4510, do RI 15, de Tomar) e Fernando M. C. Rodrigues (BCAÇ. 4610, do RI 16, de Évora).

Importante passo
da descolonização

Um ano depois, já com mais de seis meses de comissão no Uíge angolano, os três Cavaleiros do Norte estavam no Quitexe, integrando a CCS e com o Neto a regressar de Portugal - onde veio gozar férias.
O capitão José Paulo Falcão, enquanto comandante interino do BCAV. 8423, participou em mais uma «reunião de comandos» das várias unidades do Comando do Sector do Uíge (CSU), em Carmona. Realizavam-se para, e citamos o Livro da Unidade, «estreitamento de contactos, necessários mais que nunca, dada a evolução dos acontecimentos».
Em Carmona e no mesmo dia 7 de Dezembro de 1974, um sábado, realizou-se também uma reunião do MFA, com participação de delegados eleitos pelo BCAV. 8423. 
Melo Antunes partia no dia seguinte para os Açores onde, aparentemente, iria tratar da organização da cimeira dos três movimentos de libertação - o MPLA, a FNLA e a UNITA - para preparar «tão importante passo da descolonização», como referia o Diário de Lisboa.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

3 602 - Santa Isabel e Luísa Maria, 3 Cavaleiros abraçados à chuva!

Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel, todos milicianos:
 furriel Graciano Silva (de Lamego) e alferes Luís Pedrosa de Oliveira (de
 Leiria) e, à frente, furriéis Luís Ribeiro Capitão (falecido a 5 de Janeiro, de
doença e em Ourém) e José Fernando Carvalho (do Entroncamento)

A Fazenda Santa Isabel, onde jornadeou a 3ª.
 CCAV. 8423 dos Cavaleiros do Norte, entre
11 de Junho e 10 de Dezembro de 1974
Aos seis dias de Dezembro de 1974, o Quitexe preparava-se para receber a 3ª. CCAV. 8423, que desde 11 de Junho jornadeava na Fazenda de Santa Isabel. De lá sairia, definitivamente, no dia 10Os Cavaleiros do Norte de lá riscavam os dias do calendário até saírem e se aquartelarem no Quitexe - vila com óbvias muito melhores condições que as de Santa Isabel. Que, valha a verdade, não eram nada más.
O Destacamento da Fazenda Luísa Maria, onde
se aquartelaram muitos Cavaleiros do Norte
Outro grupo que geria o tempo e já afivelava as malas era o do Destacamento de Luísa Maria, fazenda por onde rodaram vários pelotões dos Cavaleiros do Norte - desde que lá chegou, logo a 10 de Junho de 1974, o grupo de combate da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, comandado pelo alferes miliciano João Francisco Pereira Machado, de Operações Especiais (Rangers) - agora morador na Amadora mas, ao tempo, um lisboeta de S. Sebastião da Pedreira -, com os furriéis milicianos António Carlos Dias Letras (também dos Rangers e de S. Sebastião, em Setúbal, agora residente em Palmela) e Mário Augusto da Silva Matos (atirador de Cavalaria, natural de Avelãs de Caminho e agora residente em Anadia).

Movimento Democrático
para dividir Angola

Angola por esse tempo de há 42 anos estava optimista quanto ao processo de descolonização. Da parte do MPLA, era Lúcio Lara quem disso dava conta, em conferência de imprensa na sede do movimento presidido por Agostinho Neto, em Luanda, referindo «esta fase da descolonização, até à formação de um Governo de Transição» e precisando que «esse estado de espírito se deve ao facto de a calma estar a regressar ao país». Um senão, porém: «o aparecimento de elementos divisionistas, pretensamente pertencentes ao MPLA, apresentando um indivíduo, de nome Ikuma Imuene, que pretendia trabalhar na mobilização de massas na Lunda».
O Vicente e o Ezequiel, dois Cavaleiros do
 Norte «achados» na Cova da Piedade, a
 3 de Dezembro de 2016
Afinal, disse Lúcio Lara, «tem ligação ao Movimento Democrático para a Divisão de Angola», movimento que o MPLA não reconhecia, nem a FNLA e a UNITA, mesmo o Governo Português. Era, nas palavras do chefe da Delegação em Luanda, um movimento dito democrático mas que era constituído por «elementos divisionistas».
Até no nome se «via». Adiante.
O optimismo dos angolanos assentava, também, ainda segundo o chefe da Delegação do MPLA em Luanda, na «grande compreensão de diversos sectores sociais e económicos, discutindo com o maior interesse não só a situação actual como os métodos possíveis para a solução dos problemas constantes».
O Ezequiel e o Nogueira da Costa,
a 3 de Dezembro de 2016

Trio de Cavaleiros
num abraço à chuva


O último fim de semana foi tempo para inesperado e saboroso encontro de três Cavaleiros do Norte, por terras de além-Tejo, em Almada e Coba da Piedade. Registado em imagens.
O Ezequiel Maria Silvestre foi 1º. cabo do PELREC, era de Reconhecimento e Informação, e por lá faz vida, desde que regressou de Angola. No Laranjeiro, já aposentado mas a «fazer uns ganchos para equilibrar a vida». O Vicente José Alves foi condutor e, de regresso à sua terra dos Cucados, em Vila de Rei, teve de correr mundo para ganhar a vida, por muitos anos se fixando por aquelas bandas, a trabalhar na construção civil. Aposentado, voltou a Vila de Rei mas não deixa de regularmente se achar pela Cova da Piedade e Almada, Amora e Seixal.
Voltou lá no sábado e, zás..., toca de ligar ao Nogueira da Costa, que também foi condutor mas da CCÇ. 209/RI 21, a do Liberato. Nabantino de nascença, foi ainda criança para Angola e foi parar ao Liberato, à companhia adida do BCAV. 8423.
O trio juntou-se ao fim da tarde sábado (dia 3 de Dezembro), de resto bem chuvosa, e confraternizou sobre as memórias da jornada africana do Uíge Angolano. Continências para eles.  

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

3 601 - Capitão Falcão na BCAV. 8423 e 3 Cavaleiros a fazer aos!

Cavaleiros do Norte de Santa Isabel: De pé, Eusébio, Ângelo Teixeira (?),
Jesus, furriel Cardoso (TRMS., de bigode), Caroço, Macário e NN (?). Ao
meio, os furriéis Belo (de óculos) e Capitão (de mãos no pescoço, falecido
a 05/01/2010, de doença e em Ourém). Em baixo, os furriéis Graciano,
Grenha Lopes e António Flora (ambos a olhar para trás)

O capitão miliciano José Paulo Fernandes, comandante
 da 3ª. CCAV. 8423, com o 1º. sargento Francisco Marchã.
Quem são os dois militares mais atrás? Alguém conhece?

O comandante interino do BCAV . 8423, capitão SGE José Paulo Montenegro Mendonça Falcão, esteve em visita operacional à Fazenda Santa Isabel no dia 5 de Dezembro de 1974, para ultimar a rotação da 3ª. CCAV. para o Quitexe.
Reunira na véspera no Comando do Sector do Uíge (CSU), em Carmona, e de lá levara, seguramente, instruções rigorosas para o plano de retracção de todo o dispositivo do Sector, em particular das unidades operacionais dos Cavaleiros do Norte.
Os furriéis Fernandes (da 3ª. CCAV. 8423) e Viegas
 (CCS) na Estrada do Café (ou Rua de Cima), no Quitexe
A escolta foi do PELREC, ainda sem o furriel Neto (a chegar de férias), e da meia dúzia de horas lá passadas, recordo a expectativa dos companheiros que de lá iam para o Quitexe. Havia, ao tempo, uma certa indisposição dos militares relativamente ao comandante Almeida e Brito - que era considerado muito austero e rigoroso. 
«Como é o comandante, é assim tão mau como se diz? Vocês estão lá com ele, como é?...», perguntou-me o António Fernandes, um dos furriéis atiradores de Cavalaria de Santa Isabel. Que não, que «não era tão mau assim, era disciplinador e não dava baldas», foi a mensagem que quis passar a ele e, por ele e pelo Alcides Ricardo (que estava junto) aos furriéis milicianos com quem mais confraternizei no tempo que lá estive.


O alferes Mário Simões faz hoje
 64 anos nas Caldas da Rainha
Dia de anos de três 
Cavaleiros do Norte

O mesmo dia 5 de Dezembro de 1974 foi tempo, na fazenda Santa Isabel, de festa de aniversário de dois Cavaleiros do Norte lá aquartelados e ambos atiradores de Cavalaria e milicianos: o alferes Mário José Barros Simões e o furriel José Fernando da Costa Carvalho.
Ambos festejaram 22 anos!
O alferes Barros Simões foi o autor do crachá do Batalhão de Cavalaria 8423, que criou ainda em Santa Margarida e a pedido do comandante Almeida e Brito. 
O furriel José Carvalho faz hoje
 64 anos no Entroncamento
Após a comissão em Angola, entre Santa Isabel, Quitexe e Carmona, regressou a S. João Baptista, em Tomar, e fez carreira na função pública. Actualmente, vive nas Caldas da Rainha. 
O furriel José Carvalho, depois da jornada angolana e regressado a Portugal (ao número um da rua D. João II, no Entroncamento), alistou-se na PSP e está aposentado desta força de segurança. Mora no seu Entroncamento natal. 

Louvor ao 1º. cabo
Joaquim Almeida

O 1º. cabo Joaquim Almeida
faria hoje 66 anos mas faleceu,
 de doença, a 28/02/2009, em
 Pedrogão de Penamacor 
Quitexe, por sua vez e no mesmo dia, foi cenário dos 24 anos do 1º. cabo Joaquim Figueiredo de Almeida, atirador de Cavalaria do PELREC. Imortalizou-se por lá como encarregado do refeitório dos praças e principalmente como padeiro.
Nesta qualidade «foi especialmente notório o seu esforço durante os dias em que foi prestado aos refugiados dos incidentes de Carmona, trabalhando dia e noite, para apoiar tão elevado número de pessoas».
«Militar cumpridor, consciente das suas responsabilidades, não descurando o cumprimento das suas funções operacionais, onde se aplicou com o mesmo interesse, creditou-se com tais factos como credor deste louvor», refere o Livro de Unidade, citando a Ordem de Serviço nº. 160.
O 1º. cabo Almeida, como era vulgarmente conhecido - ou pelo cognome de Savimbi, porque a certa altura, tendo deixado crescer as barbas, se afigurava com o presidente da UNITA -, regressou à sua terra de Pedrogão, em Penamacor - onde, vítima de doença, faleceu a 28 de Fevereiro de 2009. Aqui o recordamos com saudade. RIP!

domingo, 4 de dezembro de 2016

3 600 - Falcão no CSU de Carmona e Angola na Assembleia da ONU

Oficiais da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel, todos milicianos: alferes Honó-
rio Campos (médico), Mário José Barros Simões (que amanhã faz 64 anos; pa-

ra-béns), Carlos Silva e Pedrosa de Oliveira e capitão José Paulo Fernandes 

Os furriéis milicianos Viegas e Carvalho, na messe de
 sargentos do Quitexe, a festejarem os 22 anos deste
 Cavaleiro do Norte da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel.
A 5 de Dezembro de há precisamente 42 anos!!"!

A 4 de Dezembro de 1974, há exactamente 42 anos e no «estreitamento de contactos entre comandos, necessário mais do que nunca, dada a constante evolução dos acontecimentos», o capitão José Paulo Falcão, comandante interino do BCAV. 8423, esteve mais uma vez no CSU, certamente para preparar a próxima rotação da 3ª. CCAV. 8423 - que viria a realizar-se pouco mais de uma semana depois, a 14 de Dezembro.
Cavaleiros do Norte do PELREC: 1º. cabo Hipólito, furriel
 Monteiro, 1ºs. cabos Joaquim Figueiredo Almeida (que ama-

nhã faria 66 anos e faleceu, de doença, a 28/02/2009, em Pe-
namacor) e Jorge Luís Domingues Vicente (f. a 21/01/1997,
 de doença e em Vila Moreira, Alcanede). Em baixo, alferes
António Manuel Garcia (f. de acidente a 02/11/1979), Ma-
nuel Leal Silva (f. a 18/06/2007, de doença e em Pom-
bal), furriel Neto e Aurélio Júnior (barbeiro) 
Estava em marcha «a retracção do dispositivo militar» dos Cavaleiros do Norte - agora já reduzido a militares metropolitanos, depois da extinção dos GE, da desactivação da CCÇ. 209/RI 21, a do Liberato, e da entrada dos grupos de mesclagem à situação de licença registada.

Angola na ONU
e com Cabinda

Angola, nesse mesmo dia, foi razão para o ministro português da Coordenação Inter-Territorial afirmar na Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque, que Portugal esperava «conceder a independência total até finais de 1975».
Almeida Santos citou a cimeira que «estava a ser preparada com os três movimentos de libertação» e da qual esperava «resultar na criação de um Governo de Transição com um gabinete político constituído por Secretários de Estado nomeados pelos movimentos e um gabinete de técnicos encarregado dos assuntos departamentais».
«Espera-se que se consiga a independência em 1975, depois de uma forma de consulta democrática popular. A alternativa para uma solução deste género é o risco de uma guerra civil», disse António Almeida Santos.
Foi premonitório!
O dia foi também de confirmação, da parte do MPLA, do seu não reconhecimento de direitos à FLEC, através da voz do comandante N´Dozi em declarações ao Diário de Lisboa, sublinhando que «o MPLA tem feito declarações em que afirma que Cabinda faz parte de Angola».
O Enclave de Cabinda (em ponto grande, à esquerda) e a
 sua localização, a norte, relativamente ao território de Angola
«A questão pode ser discutida em Assembleia do Povo e, se assim for decidido, cabinda poderá ser independente. Mas não reconhecemos partidos fantoches», admitiu e sublinhou o comandante N´Dozi - que fora militar do Exército Português, desertara e era agora comandante da 1ª. e da 2ª. Regiões Militares do MPLA.
N´Dozi significava «sonho» e era o nome de guerra de David Simões, natural de Santo António do Zaire. Depois de desertar em Cabinda, ingressou nas fileiras do MPLA, estudou guerrilha em Cuba e na China e , já no Congo, foi chefe de secção, comandante de pelotão e de esquadrão e comissário político. «Ninguém gosta da guerra. Nós fizemo-la para defender o nosso país», disse o comandante, ao DL.


O condutor Gonçalves, à esquerda, com o alferes
Cruz, no encontro da CCS de 2016, em Custóias
Dia de 22 anos de dois
Cavaleiros do Norte

O mesmo dia 4 de Dezembro de 1974 foi tempo, das festas de aniversário - os 22 anos!!! - de dois Cavaleiros do Norte: os condutores António dos Santos Gonçalves (da CCS, no Quitexe) e Manuel Augusto Marques Mendes (da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel).
O Gonçalves regressou à sua terra natal de Penude, em Lamego, e fez vida profissional como motorista da Tecnovia. Está aposentado e é um resistente: já foi operado ao estômago e duas vezes à coluna - em 1998 e 2008. «Arrumou» com um enfarte de miocárdio em 2012 e, sempre bem disposto, é habitual frequentador dos encontros da CCS. 
O Mendes é natural de Chão de Couce, em Avelar, aonde voltou após a jornada africana de Angola. Dele mais nada sabemos.

sábado, 3 de dezembro de 2016

3 599 - As primeiras mobilizações e o dinheiro americano

Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel José Rodri-
gues Lino, do Fundão (mecânico-auto), Agostinho Pires Belo (alimen-
tação) e António Luís Barradas Mendes Gordo, atirador de Cavalaria,
que é de Alter do Chão, onde amanhã festeja 64 anos!


O 1º. sargento Joaquim António do Aires foi mo-
bilizado há 43 anos. Aqui e já no Quitexe, com
 os furriéis Rocha e Cruz. De pé, o José Rebelo

O Governo americano anunciou, a 3 de Dezembro de 1974 - há exactamente 42 anos!!!... -, que iria propor ao Congresso um empréstimo de 50 milhões de dólares (1,25 milhões de contos) a Portugal e às suas antigas colónias.
A proposta era do senador Edward Kennedy que, falando na Universidade de Connecticut, salientou que esse auxílio «confirmaria o interesse dos Estados Unidos na sobrevivência da democracia em Portugal  e nos seus antigos territórios africanos».
Os furriéis António Flora e António Fernandes
 depois da caça a uma pacaça, em Santa Isabel.
Quem será o condutor do UNIMOG?
A verba proposta não era nada dispicienda, bem pelo contrário: a valores de hoje, seriam nada mais nada menos que 202 470 000 euros, pelo sistema de reconversão da PORDATA, da Fundação Francisco Manuel dos Santos - que agora mesmo consultámos. Mais propunha, aliás, o senador Edward Kennedy: donativos americanos na ordem dos 5 milhões de dólares (ou 20 247 milhões de euros, a valores de hoje) e «alargado crédito de apoio à importação e exportação entre os Estados Unidos e Portugal».
O político americano (irmão do já então falecido Presidente John Kennedy, nada amigo dos portugueses nas questões coloniais) não deixou de lembrar os apoios dados ao anterior «regime ditatorial português» (caído a 25 de Abril de 1974), nas sublinhou que «hoje, quando se abrem perspectivas esperançosas para a democracia portuguesa e para o fim do colonialismo em África, os Estados Unidos tem o dever moral de ajudar».

Tempos calmos
lá pelo Uíge

O tempo uíjano, por esse dia de Dezembro de 1974, uma terça-feira, decorria sem especiais sobressaltos. 

As guarnições do Quitexe (a CCS), de Aldeia Viçosa (a 2ª. CCAV. 8423) e Santa Isabel (a 3ª. CCAV.), Vista Alegre e Ponte do Dange (1ª. CCAV., a de Zalala), sem esquecer o Destacamento de Luísa Maria, cumpriam os seus deveres de ordem, embora com os militares metropolitanos sobrecarregados de tarefas, depois da desactivação dos GE e, principalmente, dos grupos de mesclagem. 
A 3ª. CCAV. 8423, a dos Cavaleiros do Norte de Santa Isabel, preparava a sua rotação para o Quitexe (que seria a 10 de Dezembro desse ano de 1974) e o mesmo acontecia com o Destacamento de Luísa Maria (a 14 do mesmo mês).


Cavaleiros do Norte de Santa Isabel no Rio Dange.
Momentos de descontração e lazer...
Cavaleiros do Norte
em... mobilização

para Angola  

Um ano antes (1973), há precisamente 43!, já estava a decorrer o processo de mobilização de alguns dos futuros Cavaleiros do Norte.
O Batalhão de Cavalaria 8423, era dele que se tratava, estava destinado à Região Militar de Angola (RMA) e ir-se-ia formar no Regimento de Cavalaria 4, em Santa Margarida, a sua unidade mobilizadora.
A mobilização do 1º. sargento Joaquim António de
 Aires, mecânico da CCS do BCAV. 8423, foi publi-
cada na Ordem de Serviço nº. 291 do RC4


A Ordem de Serviço nº. 291, do Regimento de Cavalaria 4 (o RC4), instalado no Campo Militar de Santa Margarida, publicava uma nota referindo que «nos termos da alínea c) do Artº. 20 do Decreto-Lei 49107, de 07Jul69, foi nomeado por imposição (...) e para efeitos de abonos se destina a reforço da GN para o BCAV. 8423/73/RC4/RMA, o 1º. sargento 52268711 Joaquim António de Aires, do RI 16» - o Regimento de Infantaria 16, então aquartelado na cidade de Évora.
O quadro militar era totalmente desconhecido para todos nós, mas viria a a ser o sempre apreciado e muito respeitado 1º. sargento Aires, Cavaleiro do Norte do Parque-Auto da CCS, no Quitexe e Carmona, depois.

Grupo de Mesclagem

de Santa Isabel

O Grupo de Mesclagem da 3ª. CCAV. 8423 também foi extinto, com a passagem dos seus elementos à situação de licença registada a 30 de Novembro, com efeito práticos a partir de 1 de Dezembro de 1974.

O grupo de Santa Isabel era formado por Paulo Sebetela, Manuel Franco e Felisberto Barata (promovidos a 1º. cabo, OS nº. 150), Abel Silva (idem, OS nº. 110) José Capesse, Salomão Bila, Sebastião Pedro, Domingos Cassul, António José, Mateus Domingos,  Cabral Pedro e Conceição Mateus, João Dala e Francisco Sebastião, Inácio Neto e Francisco Correia, Eduardo Micaela, Dias Quinguegue, Gonçalves Muecária, Francisco Pedro e Neves Tomás, Daniel Simão, João Canda, Francisco Caiango e Bernardo Oliveira, João Buende, Júlio Sola, Manuel Gomes e Garcia Gonga, Bernardo Boma, Paulo Sebastião, António Silva, José Vunge e Adriano Correia.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

3 598 - Reunião no Comando de Sector e Mesclagens de Aldeia Viçosa!

Cavaleiros do Norte de Zalala, a 1ª. CCAV. 8423: furriéis milicianos José Louro, Américo Joaquim
Rodrigues, José António Nascimento, Jorge António Eanes Barata (falecido a 10 de Outubro de 1997,
de doença e em Alcains) e Jorge Manuel Barreto, alferes milicianos Mário Jorge de Sousa Correia de
 Sousa e José Manuel Lains dos Santos - que hoje comemora 65 anos em Alenquer 

Militares metropolitanos da 2ª. CCAV. 8423, a de
 Aldeia Viçosa, com alguns elementos do Grupo de

Mesclagem oriundo do RI 20, em Luanda.
Será que alguém conhece alguém?


O capitão José Paulo Falcão, comandante interino do Batalhão de Cavalaria 8423 (o BCAV. 8423), esteve no Comando do Sector do Uíge (CSU), em Carmona e a 2 de Dezembro de 1974, para mais uma reunião de «estreitamento de contactos entre comandos», que, na altura e segundo o Livro de Unidade, era «mais necessária do que nunca, dada a constante evolução dos acontecimentos».
Os furriéis Mário Matos, à esquerda, e João Brejo,
 ladeando o 1º. cabo José António Pampim. Todos eles
 da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa
O capitão SGE José Paulo Montenegro Mendonça Falcão era o oficial adjunto e de operações dos Cavaleiros do Norte e, recordemos, estava a substituir o comandante Carlos José Saraiva de Lima Almeida e Brito, que ao tempo estava em Portugal, de férias. 
O BCAV. 8423 partira de Lisboa a 29 de Maio sem 2º. comandante, pois o indigitado - o major de Cavalaria José Luís Jordão Ornelas Monteiro - tinha sido «desviado» nas vésperas do embarque para o Comando-Chefe das Forças Armadas da Guiné e ainda não fora substituído. Só seria em Março de 1975, pelo capitão José Diogo da Mota e Silva Themudo, também da Arma de Cavalaria.
A reunião de comandos de Carmona foi a primeira desse mês de Dezembro de há 42 anos. Seria repetida nos dias 4, 7 e 9, sempre envolvendo as várias unidades do CSU.

Ameaças de bombas em aviões 
para Angola e Moçambique

Era de Lisboa que chegava a notícia da «falsa ameaça de bombas em aviões da TAP», um em voo para Luanda, outro para Lourenço Marques (Moçambique). 
A aeronave para a capital angolana tinha sido fretada aos Transportes Aéreos Angolanos (TAAG), um Jumbo, e, dado o alerta para os dois voos do meio da tarde da véspera (domingo), foram desviados para Las Palmas. Porém, nem um nem o outro aparelho tinham quaisquer explosivos a bordo.
O de Luanda saiu do aeroporto espanhol às 12,30 (hora de Lisboa) de 2 de Dezembro de 1974, com 150 passageiros. O de Lourenço Marques, às 16 horas locais (17 em Lisboa). As ameaças de explosão a bordo tinham chegado ao aeroporto de Lisboa, através de telefonemas anónimos e quando os aviões «levavam já mais de hora e meia de voo».
O que se dirigia para Luanda foi o primeiro a aterrar em Las Palmas e «os passageiros abandonaram serenamente o aparelho e aguardaram novas notícias na aerogare», onde logo depois se juntaram os do voo para Lourenço Marques. Os aviões foram rebocados para o extremo da pista, onde «brigadas de especialistas da Força Aérea Espanhola revistaram completamente a fuselagem, os motores, a cabine e a bagagem». Seguiram viagem, depois e sem quaisquer problemas.
Aldeia Viçosa em 2012

Grupo de Mesclagem
de Aldeia Viçosa

A 2ª. CCAV. 8423 tinha 36 militares da incorporação local (angolana), todos oriundos do Regimento de Infantaria 20 (RI 20), em Luanda. Os dos chamados Grupos de Mesclagem.
Há 42 anos, como ontem aqui dissemos, estavam em processo de licença registada, a forma técnica de se dizer que eram dispensados e passavam à vida civil. Ou outra.
Os licenciados foram Filipe Costa, Caetano Silva, Mendes Quiala, José Vieira, Domingos Sobrinho e Leonel Duarte (todos com aptidão para 1ºs. cabos), João Mendes, Francisco Tomé, Domingos Manuel, Justino Romão, Rafael António e José Oliveira, João Mussoqui, Jorge Sobrinho e António Rodrigues, Artur Vieira, José Neto, Domingos Vaz e Cipriano Costa, Adelino Domingos, Mateus Manhanga, Domingos Cacongo e Adelino Neto, Paulo Santos, Fernando Águas, António Amaro e José Bravo, Leonel Duarte, Cardoso Carlos, Ventura Manuel, Francisco Bartolomeu, Manuel Panzo, António Mesquita, José Bernardo e Isaac Viegas, Manuel António e Manuel Gabriel.
Filipe Costa e Leonel Duarte foram promovidos a 1º. cabo, conforme a Ordem de Serviço nº. 150.
José Manuel Lains dos Santos, al-
feres de Zalala, faz hoje 65 anos!

Alferes Lains Santos
festeja 65 anos

José Manuel Lains dos Santos foi alferes miliciano da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, onde a 2 de Dezembro de 1974, festejou os seus juvenis 23 anos. 
Atirador de Cavalaria, formado na respectiva Escola Prática, em Santarém, comandava um dos grupos de combate da companhia e, regressado a Portugal e a Almeirim (onde então residia), tornou-se empresário agrícola e foi presidente da Junta de Freguesia de Cadafais, agora União de Freguesias de Carregado e Cadafais. 
Actualmente, mora em Refugidos, município de Alenquer, para onde vai o nosso abraço de parabéns! 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

3 597 - Grupos de Mesclagem desactivados em 3 Companhias do BCAV. 8423

Cavaleiros do Norte de Zalala com alguns angolanos do Grupo de Mesclagem. O 1º. cabo Marcolino
 Gigante é o quinto, de pé e da esquerda para a direita. Seguem-se os furriéis Queirós, Barreto e Eusé-
bio (falecido a 16/04/2014, de doença e em Belmonte), Coelho (atirador). dois GM e Costa (o Plateias).
Em baixo, Adélio Jacinto (o PM), José Aires (TRMS) e José Santos (atirador e impedido da messe
 de oficiais). um GM, Moura (clarim), dois GM e José Borges (atirador)

Cavaleiros do Norte de Zalala com alguns militares
 do Grupo de Mesclagem da 1ª. CCAV. 8423. Al-
guém se lembra dos seus nomes?

O mês de Dezembro de 1974 começou com a desactivação das tropas da mobilização local - os Grupos de Mesclagem. «Tornando-se necessário remover as dificuldades que estavam a criar aos comandos que serviam e na continuação da desactivação dos destacamento, mercê da retracção do dispositivo, foi possível pensar em dispensar a prestação do serviço militar aos Grupos de Mesclagem», refere o Livro de Unidade.
Os furriéis milicianos Carvalho (da 3ª. CCAV. 8423),
Viegas (da CCS) e um angolano cujo nome se varreu
 da memória, à porta da Messe de Sargentos do Quitexe.
Alguém se lembra do nome?
O LU precisa também que tal aconteceria «com algum esforço para as tropas metropolitanas, mas por outro lado com vantagens no campo da sua vivência»Assim sendo, e continuamos a citar o Livro da Unidade, «foi determinado superiormente que os Grupos de Mesclagem entrassem e licença registada a partir de 1 de Dezembro, o que rapidamente se realizou ao longo do mês». Mês de Dezembro de há 42 anos, bem entendido.
A CCS não tinha militares da incorporação local, embora pelo Quitexe tivesse passado, por um tempo indeterminado, um furriel miliciano angolano (branco, na foto de cima), cujo nome esqueci e para lá foi deslocado por razões disciplinares. Era um bom companheiro, culturalmente evoluído e com ideias políticas desenvolvidas, embora com hábitos bem diferentes dos nossos.

Marcolino Gigante,
do GM de Zalala, era
 um bom electricista

Os «mesclagens»
de Zalala

A três companhias operacionais tinham, cada qual, um grupo de mesclagem, com militares distribuídos pelos seus vários pelotões operacionais. Era o caso da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala.
O Livro da Unidade permite-nos recordar os nomes pelos quais provavelmente eram conhecidos: Etelvino Nunes, Domingos António, Marcolino Gigante, Daniel Helena e Albano Matias (todos com aptidão para 1º. cabo), Jorge André, António João, José Ferreira, Eduardo Alberto, Neto Ramos, Adão Francisco, Eduardo Júnior, Mirada Cimba, Eliseu Neves, Augusto Dala, Paulo Mussoque, Gomes Mequiana, Eduardo Leite, Pedro Cabindo, Tito Tandala, Francisco António, Augusto Neto, Diniz José, Daniel Macumbo, Roque Martins, Adão Zangala, Augusto Cunola, Tiago Marques, João Manuel, Gaspar Manuel, João Campos, Ernesto Filipe, Joaquim Ferrão, José Pedro, José Luís, Manuel Garcia e Duarte João.
O que será feito desta gente?

Futebol há 42 anos!

Há 42 anos, 1 de Dezembro de 1974, foi domingo e dia de futebol. Tempo, por isso, para, pelo Uíge angolano e religiosamente, se ouvirem os relatos da Emissora Nacional (actual RDP), através da onda curta.
O FC Porto e o Benfica estavam no comando da prova, com 18 pontos. Seguiam-se V. Guimarães (17), Sporting (15), Farense (14) e Boavista (13), V. Setúbal (11), CUF, Leixões, Atlético, Belenenses e Espinho (9), União de Tomar e Olhanense (8), Oriental (5) e Académico(a) de Coimbra (4).
A 11ª. jornada disputou-se nesse dia, com os seguintes resultados: Boavista-Belenenses, 2-1; CUF-Oriental, 3-0; Sp. Espinho-Sporting, 0-1; Leixões-Olhanense, 1-0; Farense-Académico(a), 3-0; U. Tomar-FC Porto, 1-5; Atlético-V. Guimarães, 1-4; Benfica-V. Setúbal, 2-0.
Ao tempo, a vitória valia dois pontos e um o empate. O Sporting de Espinho (Aveiro) e União de Tomar (Santarém) andam actualmente pelos campeonatos distritais da 1ª. divisão das respectivas associações.