CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

3 849 - Cavaleiros sem acções ofensivas nos «quartéis» do IN!

Cavaleiros do Norte na aldeia do Cazenza, à saída do Quitexe, para Cama-
 batela: capitão António Oliveira, alferes António Cruz, Jaime Ribeiro e António
Garcia, furriel Viegas e alferes Simões. Ao fundo, vê-se a Igreja do Quitexe
Almiro Maciel, furriel João Dias, alferes José Lains, fur-
riel Évora Soares, Carlos Coelho e Famalicão (que ama-
nhã faz 65 anos, de pé), Costa e Fernando Silva





A 9 de Agosto de 1974, a Comissão Local de Contra-Subversão (CLCS) reuniu no Quitexe para analisar a situação, continuando «o programa traçado» pelas autoridades militares.
O mesmo acontecera no já dia 1 e repetiu-se a 9, 14, 21 e 29 desse mês,  durante o qual e «de acordo com as directivas superiores, que impõem a não realização de acções ofensivas, foi completamente modificada a actividade operacional».
Por isso mesmo, como se pode ler no Livro da Unidades, «deixou de se bater as áreas dos «quartéis» IN e passando-se a apertar a malha dos patrulhamentos ao longo de toda a ZA, com inúmeras visitas a povos e fazendas, em apoio às vidas de todos estes».
Ao tempo, e por Agosto fora, «passou-se o mês sem incidentes, garantindo-se desse modo, além da missão que nos fôra imposta,  a restante responsabilidade da manutenção da ordem, com vista às actividades económicas do concelho» do Quitexe. Assim descreve o Livro da Unidade.
Mapa de Angola. A lo-
calização do Quitexe

Declaração unilateral da
independência pelo MPLA

Um ano depois e já com os Cavaleiros do Norte no Grafanil, a situação política e militar agravava-sem e Agostinho Neto admitia declarar unilateralmente a independência de Angola.
«Nunca se sabe, é uma hipótese», declarou o presidente do MPLA, acrescentando que «tudo depende do comportamento das forças em presença» e, por outro lado, «ser muito cedo para se falar em paz em Angola», embora se declarasse «optimista quanto à solução militar».
«Sempre fomos optimistas, mesmo quando nos julgavam desfeitos», sublinhou Agostinho Neto, acrescentando ainda que «há alguns recontros em Angola, mas, para o MPLA, tudo está a correr bem».
Famalicão, CAR de Zalala,
em 2015. Póvoa do Lanhoso

Agra, o Famalicão, 65
anos em Vila do Conde

O Agra, ou o Famalicão, condutor da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalçala, faz 65 anos a 10 de Agosto de 2917,
António Martins Lopes era (e é) o seu nome e voltou a Portugal no dia 9 de Setembro de 1975. Direitinho a Vila Nova de Famalicão, onde residia. A vida levou-o para Vila do Conde,. onde é técnico de elevadores e é presença infaltável nos encontros dos Cavaleiros do Norte de Zalala.
É para lá que vai o nosso abraço de parabéns!

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

3 848 - Cavaleiros nos combates do Bairro do Saneamento


Notícia do Diário de Luanda sobre os confrontos do Bairro do Saneamento.
Os dois militares portugueses parecem ser o 1º. cabo Ezequiel Silvestre  e
o alferes miliciano António Garcia, Cavaleiros dos Norte do PELREC
do BCAV. 8423.
Recorte cedido pelo (1º. cabo) Rodolfo Tomás


O alferes António Garcia e o furriel Viegas no Quitexe,
momentos antes da saída para uma operação
militar pelas picadas e matas do Uíge


A cidade de Luanda acordou  a noite de 8 para 9 de Agosto de 1975 com o som estridente dos violentos combates do bairro do Saneamento - de onde o MPLA queria expulsar a FNLA. 
Um grupo de Cavaleiros do Norte, ao tempo aquartelados no Campo Militar do Grafanil,  foi chamado ao local, logo ao abrir da manhã.
«Violento tiroteio de armas ligeiras e pesadas fazia-se ouvir hoje de manhã, 
1º. cabo Ezequiel Silvestre
em Luanda, à medida que se generalizava uma ofensiva desencadeada pelo MPLA, esta madrugada, com a intenção de expulsar os últimos militares e políticos da FNLA que se encontrava instalados no luxuoso Bairro do Saneamento, por detrás do Palácio do Governador», relatava o Diário de Lisboa dessa tarde.
O MPLA exigia a saída da FNLA do Governo de Transição, alegando que «perdeu o direito de participar, por via do Acordo do Alvor». Governo de Transição que, de resto, mal funcionava: já não participavam os ministros e secretários de Estado da FNLA e os da UNITA preparavam-se para abandonar Luanda.
A situação era dramática, muito perigosa (perigosíssima...), a maioria das representações diplomáticas fechou os seus escritórios de Luanda e o Consulado Americano aconselhava os seus compatriotas (uns 120) a «abandonarem Angola o mais rapidamente possível». E já se tinham retirado 50 franceses e 30 ingleses. No dia seguinte e via porto do Lobito, a República Federal da Alemanha ia evacuar uma centena dos seus cerca de 800 cidadãos instalados em Angola.
Cavaleiros do Norte do PELREC:
1º. cabo Ezequiel. Silvestre e al-
feres Garcia. Serão mesmo eles?

Cavaleiros do Norte no
Bairro do Saneamento

O BCAV. 8423 foi chamado a intervir  e, nesse sábado,  foi muito apressadamente formado um grupo de combate, comandado pelo alferes Garcia, à base de militares que estava no extinto Batalhão de Intendência - desde a rotação de Carmona, ali chegados (os da coluna terrestre) às 12,45 horas de 6 de Agosto de 1975.
O Diário de Luanda, jornal da tarde desse mesmo dia - que o Rodolfo Tomás me fez chegar às mãos (ver o recorte, na imagem) - publicou uma fotografia onde se parecem reconhecer o alferes miliciano António Garcia e o 1º. cabo Ezequiel Silvestre, ambos do PELREC. Poderão ser.
A legenda da foto é esta: «Tropas do Exército Português controlam a operação de retirada dos elementos do FNLA do Bairro do Saneamento, onde, sexta à noite e sábado de manhã, se registaram confrontos armados. os elementos do ELNA foram transferidos para fora da capital».
Infelizmente, o alferes António Garcia não pode dar-nos o seu testemunho. Faleceu a 2 de Novembro de 1979. O 1º. cabo Ezequiel Silvestre lembra-se de ter ido, mas não fixou pormenores.
Ainda relativamente a Luanda e nesta data, confirmou-se a retirada das forças da UNITA - para Nova Lisboa e Lobito. Em Luanda, apenas ficaram os seus dirigentes políticos. A cidade ficou «por conta» do MPLA. Apenas lhe faltava expulsar os FNLA´s que se acantonavam no Forte de S. Pedro da Barra.
Jonas Savimbi, presidente
da UNITA

Ataque à UNITA na
Av. dos Combatentes

O dia foi também de confrontos na Avenida dos Comba-
tentes, onde foi atacada a sede da UNITA, por homens armados e desconhecidos. «Não identificados», relatava  a imprensa do dia, referindo que o tiroteio provocou pelo menos 3 feridos, entre os defensores do espaço do movimento de Jonas Savimbi. 
O local foi de grande concentração e movimento de carros pesados, como que confirmando a saída da UNITA para o sul - onde procuraria «concentrar forças»O objectivo seria «assumir uma posição de força», a pretexto de um pretenso atentado ao avião pessoal de Jonas Savimbi - que estaria a ser preparado em Silva Porto, cidade que era controlada pela UNITA, depois de um acordo com o MPLA, que aceitou retirar, lá deixando apenas uma delegação política.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

3 847 - Cavaleiros no Grafanil e FNLA «corrida» de Luanda!

A vila do Quitexe em 1967, antes da chegada (1974) dos Cavaleiros do Norte.
As setas indicam os sentidos da Estrada do Café, entre Luanda e Carmona


Cavaleiros do Norte no Quitexe: Migue (condutor?), furriel  Mo-
rais, alferes Cruz e 1º. sargento Aires, 1ºs. cabos Malhei
ro (en-
 
(tre Miguel e Morais), Teixeira, estofador (entre Morais e Cruz)
  e Cuba (atrás do Teixeira, de óculos). Atrás e do lado direito
os atiradores Ferreira e 1º. cabo Almeida

Os Cavaleiros do Norte, a 8 de Agosto de 1975, continuavam aquartelados no extinto Batalhão de Intendência, no Grafanil, muito mal instalados e expec-
tantes sobre o seu futuro próximo.
A epopeica rotação de Carmona já lá ia, dois dias depois da chegada ao Grafanil, e após «um  curto período de repouso e o arranjo de viaturas (...), logo o BCAV. foi chamado a actuar, dado quer ficará em Luanda a cumprir missões de unidade de reserva da RMA».
José Borges Martins, de Zalala,
aqui no Quitexe com um grupo

de crianças locais
Notícias da «nossa» já saudosa Carmona eram poucas. E há tão pouco tempo de lá tínhamos saído!!! Iko Carreira, do MPLA, declarou que o Uíge e o Zaire, províncias do norte Angolano, tinham sido «militarmente ocupadas por forças da FNLA» - o não era propriamente uma novidade. Desmentiu que a FNLA tivesse entrado em Luanda, sequer que para lá avançasse.
«A tomada eventual da capital por forças da FNLA, por soldados da FNLA, como anunciado por certa imprensa, não se registará porque vamos opôr ao invasor a resistência popular generalizada», disse Iko Carrreira, sublinhando o inverso: «Cerca de 3000 militantes da FNLA foram neutralizados e evacuados de Luanda, por forças do MPLA». Tinham sido, 
A picada de Zalala, com 3 «zalala´s»: o Santos
e os furriéis milicianos Barreto e Nascimento
segundo afirmou, «introduzidos a capital com o objectivo de ocuparem o poder pela força».

Comandante Almeida
e Brito em Zalala

Um ano antes, o comandante Almeida e Brito deslocou-se a Zalala, onde estava aquartelada a 1ª. CCAV. 8423, comandada pelo capitão miliciano Davide Castro Dias.
O mês de Agosto de 1974 decorria «com inúmeras visitas a povos e fazendas, em apoio às vidas de todos estes», no seguimento de «directivas superiores, que impõem a não realização de acções ofensivas».
A esse tempo, os Cavaleiros do Norte continuam a proteger os trabalhos de requalificação do itinerário (picada) do Quitexe para Zalala, que estavam a ser realizados pela Junta de Autónoma de Estradas de Angola (JAEA).
Os trabalhadores da JAEA, na prática, trabalhavam «sob a protecção de escol-
tas militares». Como, por exemplo, acontecia na estrada do Café. entre Vista Alegre e Ponte do Dange. Ou na picada para o Liberato.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

3 846 - Cavaleiros a descansar no Grafanil, a guerra por Angola...

Cavaleiros dos Norte da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa. Reconhece-se,
à direita e de pé, o furriel Mário Matos. O terceiro e o quarto serão o Abel Mou-
Mourato (Gomes) e António Guedes? Quem ajuda a identificar a malta?


Augusto Mota foi 1º. cabo enfermeiro dos
 Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423,
 a de Santa Isabel. Vive em Lousada

A 7 de Agosto de 1975, os Cavaleiros do Norte refaziam forças no Batalhão de Intendência de Angola (BIA), depois da epopeica coluna terrestre que os levou de Carmona ao Grafanil.
Falava-se, por esse tempo, dos graves combates pela ocupação de Lucala, que era ponto rodo-
viário estratégico das ligações de Luanda com Malanje e Carmona. A ligação mais próxima de Carmona a Luanda era a Estrada do Café que, recorde-se, não estava «livre», devido aos combates do Caxito.
O ELNA, exército da FNLA, teria sido «expulso de
Leal, atrás (falecido a 18 de Junho
 de 2007, no Pombal) e Mada-
leno, dois Cavaleiros do Norte
 do PELREC da CCS
Lucala e debandava em direçção a Samba Caju». Lo- calidades por onde, pouquíssimo tempo antes, no dia 4, tinha passado a coluna dos Cavaleiros do Norte.

Recolher obrigatório e
ataque a avião com Savimbi

A «situação de acalmia» que se verificava em Luanda levou as autoridades a alterar o horário do recolher obrigatório. Era entre as 22 e as 6 horas da manhã, passou a ser entre a meia noite e as mesmas 6 horas, segundo anunciou a Chefia do Estado Maior General das Forças Armadas Portuguesas.
 Houve, na véspera e antevéspera, confrontações em Silva Porto, entre a MPLA e FNLA/UNITA e suspeitou-se um ataque ao avião em que seguia Jonas Savimbi. Ele mesmo, em declarações à Emissora Oficial de Angola, admitiu que tal tivesse acontecido, quando «o avião se preparava para voar para o exterior».
Tal justificou a «aliança» UNITA/FNLA contra o MPLA. «Descoberta esta tentativa, as forças das FALA, mais tarde aliadas às do ELNA, conseguiram derrubar aqueles que estavam a arranjar confusão», disse Savimbi, sublinhando que «as duas forças ocupam 80% da cidade».
Forte de S. Pedro da Barra

Fogo no Forte de
S. Pedro da Barra

A cidade de Luanda apresentava-se calma, mas no Forte de S. Pedro da Barra, à entrada do porto, onde estavam entrincheirados 600 homens da FNLA, «fogo intenso rebentou».
Os homens da FNLA (o ELNA) estavam lá desde os «sangrentos combates de Luanda» e na manhã de 7 de Agosto de 1975, «marinheiros do Porto de Luan-
da declararam ter ouvido prolongadas rajadas de metralhadoras, intercaladas por explosões de granadas que pareciam ser de morteiros disparadas do Forte». A FNLA teria ameaçado bombardear a refinaria de petróleo de Luanda, se os seus homens «sitiados no Forte fossem atacados pelo MPLA».
A noite da véspera, dia 6 de Agosto de 1975, foi tempo de se «ouvirem tiros noutros pontos da capital», nomeadamente nas «áreas residenciais do centro», mas não havia confirmação oficial de tais incidentes. Os Cavaleiros do Norte continuavam aquartelados no Grafanil.
Adão Morais

Adão de Lousada
morreu há 8 anos

O 1º. cabo Adão, da 1ª. CCAV. 8423, a companhia de Zalala, faleceu a 7 de Agosto de 2009. Há 8 anos, hoje se passam!
Adão Luís Correia de Morais foi atirador de Cavalaria e era de Bouças de Cima, na freguesia de Ordem, em Lousada - a que regressou no dia 9 de Setembro de 1975, concluída a sua comissão militar em Angola. Por lá continuou a vida e lá faleceu, aos 57 anos. Tinha nascido a 10 de Abril de 1952.
Hoje o recordamos com saudade! RIP!!!

Leiria de de Santa Isabel,
65 anos no Seixal

O 1º. cabo Leiria, atirador de Cavalaria da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel, festeja 65 anos a 7 de Agosto de 2017.
Fernando José Trigoso Leiria era da Brandoa, no concelho de Oeiras, e foi castigado com 20 dias de prisão disciplinar agravada em Setembro de 1974, depois agravada pelo Comando do Sector do Uíge (para 30 dias) e pela Região Militar de Angola (para 40 dias). Foi despromovido a soldado e transferido para a 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa.
Regressou a Portugal no dia 10 de Setembro de 1975 e, actualmente, reside no Fogueteiro, concelho do Seixal, para onde vai o nosso abraço de parabéns!

domingo, 6 de agosto de 2017

3 845 - A chegada a Luanda, odisseia de milhares de civis, 570 Kms. em 58,45 horas!

Cavaleiros do Norte do Parque-Auto da CCS foram decisivos no apoio
à coluna de Carmona Luanda. Muitas viaturas avariaram e algumas foram
 mesmo abandonadas, por não ser possível recuperá-las. Reconhecem-se o
1º. sargento Aires (a vermelho), alferes Cruz (amarelo), 1º. cabo Cuba (ao
lado do alferes) e furriel Morais (a branco)

Paragem da coluna de Carmona para Luanda. Uma, entre
muitas, de 4 a 6 de Agosto de 1975. Em baixo, recorte de
 um jornal de Luanda, com noticia da chegada da coluna
Dondo, 6 de Agosto de 1975.
A coluna dos Cavaleiros do Norte está pronta, às 7 horas da manhã, para a última etapa da épica rotação, desde Carmona. Faltam 174 quilómetros até ao Grafanil - onde se irão juntar à CCS e 1ª. CCAV. 8423, no BIA.
A BBC, de Londres, viajou para Angola e, integrada na cobertura aérea da parte final da comuna, fez seguir uma equipa de reportagem. Às 10,20 horas, a coluna seguia em estrada de asfalto e foi sobrevoada por um helicóptero (com a BBC) e dois Fiat´s - caças bombardeiros da Força Aérea Portuguesa. 

Odisseia de milhares de civis,
570 kms. e 58,45 horas de viagem

Passou-se Catete, a terra de Agostinho Neto, por volta das 11 horas e ao meio dia «começaram a chegar ao Grafanil», onde, ansiosos, os esperava os companheiros que, três dias antes, tinha viajado de avião. O tempo de escoamento foi de 45 minutos.
«Terminou assim, às 12,45 horas, o movimento do BCAV. 8423 de Carmona para Luanda, nos 570 quilómetros de itinerário e no tempo de 58,45 horas, trazendo cerca de 700 a 800 viaturas», relata o Livro da Unidade.
O mesmo livro sublinha que «terminou, assim, a odisseia de milhares de civis que, à chegada a Luanda» e acrescenta que esta «teria sido a missão mais difícil do BCAV., mas também aquela em que bem demonstrou o seu «querer e saber querer», conduzindo uma operação que forçosamente terá de ser um pilar bem marcante da sua história».
Almeida e Brito comandou
 a coluna de Carmona para
o Grafanil, em Luanda

Dezenas de mortos ao
longo das estradas

A imprensa luandina do dia seguinte refere que «chegou do Uíge uma coluna de civis e militares» de Carmona e do Negage: «A coluna compreendia cerca de 1500 veículos, muitos dos quais de carga, com  mobílias, electrodomésticos e outros bens, pertencentes aos  a europeus residentes naquelas zonas e que, pelos vistos, tencionam abandonar o país, em virtude do que ali acontecer e da retirada tropa portuguesa».
«Muitas destas pessoas», ainda segundo o jornal (supomos que o A Província de Angola, na altura já Jornal de Angola - ver recorte), «nasceram naquelas terras ou lá viviam há muito tempo»«Disseram que devem ser raros os europeus que lá ficaram, apesar de Daniel Chipenda ter estado o Negage a tentar demovê-los de partirem», referia o jornal.
O Diário de Lisboa, por seu lado e citando alguns civis da coluna, dava conta de «grandes recontros ao longo da estrada que de Luanda e Malanje se dirige a Negage a Carmona, principais centros militares da FNLA».
O jornal, de resto, anotava «dezenas de mortos caídos ao longo das estradas» e adiantava que «existem fortes suspeitas de que a FNLA teria introduzido aviões e helicópteros no Negage, antiga base aérea portuguesa».

sábado, 5 de agosto de 2017

3 844 - O segundo dia da última coluna de Carmona!

A coluna dos Cavaleiros do Norte, de Carmona para Luanda, via Nega-
ge, Salazar e Dondo, há precisamente 42 anos, um hélicóptero de apoio
foi alvejado. A 5 de Agosto de 1975, nos céus de Salazar (N´Dalatando)


Umm helicóptero da Força Aérea foi alvejado
durante a coluna de Carmona para Luanda

A coluna dos Cavaleiros do Norte, «agora com cerca de 700 viaturas», retomou a marcha pelas 19 horas de 4 de Agosto de 1975 e, uma hora depois, atravessou o controlo de Camabatela, onde se incorporaram «mais uns quantos civis». Às 20,30 horas, chegou a Samba Caju, onde pernoitou.
O livro «História da Unidade refere que «a guerra psicológica travada no Negage fora esgotante para os nervos», mas, também sublinha(va), «estavam vencidas as primeiras grandes dificuldades».
A marcha foi retomada às 5  horas da
Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa: Oliveira,
Ferreira e Rocha. Atrás, o furriel Ferreira
e... quem é este Cavaleiro do Norte?
manhã, depois de uma noite mal dormida, e 2,30 horas depois «atingiu-se o controlo de Samba Caju, onde surgiram novas dificuldades, novamente torneadas». Mas que, de qualquer modo, pararam a coluna por uma longa hora.  

Héli alvejado e
viaturas abandonadas

Vila Flor atingiu-se às 11,30 horas e «mais viaturas se juntaram à coluna».
Daí para a frente, e em vários quilómetros
(quantos?), era terra de ninguém. Nem da FNLA, de cujo feudo ia a coluna dos Cavaleiros do Norte, nem do MPLA - em cujo território ia entrar. Por volta das 13 horas fez-se «nova paragem para juntar todas as viaturas e refazer a coluna».
«Ia-se entrar na terra do MPLA e havia que reconhecer itinerário. Para tal, recorreu-se aos helicópteros estacionados em Salazar e que estavam à nossa espera», reporta o Livro da Unidade.
Um deles foi alvejado durante o reconhecimento aéreo e, por volta das 13,30 horas, «contactou-se o MPLA, via terrestre», logo se retomando a marcha e meia hora depois chegado a Lucala - onde se abandonou mais uma viatura. 
Salazar, actual N´dalatado, era logo a seguir, lá se chegou às 16 horas, e demorou-se 4 horas a atravessar a cidade. Nomeadamente, porque tiveram de ser reparadas várias viaturas, uma delas lá ficando abandonada.
A marcha foi retomada, agora «incorporando uma Companhia de Paraquedistas que se encontrava de reserva no Comando Terrirorial de Salazar». Passou-se ao Dondo (às 23 horas) e por volta da uma gora da madrugada de 6 de Agosto de 1975, fez-se «nova interrupção de marcha» - retomada às 7 horas e a 174 quilómetros de Luanda.

O Rocha faria hoje
66 anos. Faleceu
em Maio de 2015

Rocha de Aldeia Viçosa
faria 66 anos. Faleceu há 2!

Rocha, 1º. cabo enfermeiro da 2ª- CCAV. 8423, faria 66 anos 5 de Agosto de 20917. Faleceu a 9 de Maio de 2015, de doença.
António Gomes da Rocha era do lugar do Ribeiro, em Melhundos, Penafiel - aonde voltou a 10 de Setembro de 1975. Por lá fez vida e era habitual participante dos encontros dos Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa. Resida na António Ferreira Gomes, em Penafiel, e hoje o recordamos com saudade. RIP!!!

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

3 843 - Cavaleiros do Norte, há 42 anos, no último adeus a Carmona!


Militares portugueses com civis, na coluna de Carmona para Luanda, há
42 anos, dia 4 de Agosto de 1975:  NN, 1º. cabo Manuel Mendes (atirador),
1º. cabo Deus (operador cripto), soldado António Santos (atirador) e
furriel miliciano António Artur Guedes (atirador de Cavalaria)

O condutor Vicente Alves (volante ao lado direito) e
o furriel miliciano José Querido (de óculos)

O dia 4 de Junho de 1975 foi o último da presença militar portuguesa em terras do Uíge: de lá rodaram a 2ª. CCAV. 8423 e a 3ª. CCAV. 8423. Para Luanda.
A epopeica coluna saiu com reforço de uma Companhia de Comandos (desde o BC12) e outra de Paraquedistas (a partir do Negage) e que, das vésperas, se co-
nhecia o êxodo de civis. «Começou a sentir-se que iriam acompanhar a nossa coluna centenas de viaturas, com alguns milhares de desalojados, que procuravam o refúgio protector das NT», sublinha o Livro de Unidade, salientando que 
O BC 12, fachada principal vista do lado de
Carmona e de onde o BCAV. 8423 saiu há
precisamente 42 anos - dia 04/08/1975
«aumentaram as dificuldades e aumen-
taram as responsabilidades».

Salvar bens e
salvar vidas!

A posição dos Cavaleiros do Norte era, desde a primeira hora, a de defender as populações, a que preço fosse. Já o mesmo acontecera na dramática e sangrenta primeira semana de Junho e assim continuou. Até ao último instante!
«Há que entregar toda esta molde de gente são e salva em Luanda, há que contrariar os intentos da FNLA em reter essas populações, os seus bens e se calhar as suas vidas, há que salvaguardá-la do saque do poder popular», escreveu, na altura, o comandante Almeida e Brito.
A coluna partir de Carmona às 5 horas da manhã de 4 de Agosto de 1975, mas «pode dizer-se», refere o Livro de Unidade, que «a partir das 2 horas tudo se pôs a postos para que o horário fosse cumprido»
Efectivamente, às 5 horas da manhã, «toda a máquina se moveu»A coluna abriu com a Companhia de Comandos, seguindo-se as duas dos Cavaleiros do Norte. «Juntaram-se cerca de 700 viaturas, com alguns milhares de desalojados», anota o Livro da Unidade.
A FNLA em Carmona

FNLA quis bloquear
os civis da coluna

As primeiras dificuldades surgiram ainda na cidade, quando «a incompreensão dos civis gerou o primeiro problema com a FNLA que, bloqueando-os, não os quis deixar sair».
Resolveu-se às 5,15 horas, mas foi o primeiro de vários pois «esta resolução iria dar azo ao segundo e mais grave incidente, pois todos os que fugiram para o Negage, foram impedidos de partir». O problema «iria atrasar em cerca de 8 horas a marcha da coluna».
Posta a coluna em marcha, «passou o controlo da FNLA no Candombe» e por volta das 7,30 horas, o nevoeiro serrado provocou um acidente e o abandono de duas viaturas médias. Depois, e já no Negage, também uma viatura pesada.
No Negage, incorporaram-se as viaturas do Aeródromo Base 3  e as Companhias de Caçadores ali estacionadas. A coluna fechava com a Companhia de Paraquedistas.
Daniel Chipenda

Chipenda no Negage
para passarem civis

O Negage «estava pejado de viaturas em toda a cidade», mas «a FNLA em peso» quis impedir a sua saída, excep-
tuando as privadas da coluna militar». E não era o caso das dos civis. Que as NT de modo algum iriam abandonar.
As negociações «foram improfícuas, tentadas plataformas várias, batendo-se sempre em falso». Refere o Livro da Unidade que «começou a odisseia dos civis, sentindo-se abandonados e entregues à sorte do querer da FNLA, convencidos que as NT os abandonariam», mas «assim não aconteceu»
«Após uma reunião com Daniel Chipenda, obteve-se a permissão para o trânsito da quase totalidade dos civis», sublinha o Livro de Unidade, sem especificar razões para os que ficaram.

José Monteiro,
furriel da CCS

Furriel Monteiro, 65
anos em Paredes

O furriel miliciano Monteiro festejou 23 anos a 4 de Agosto de 1975, já em Luanda, no Grafanil. Ou, melhor dizendo, na Casa de Viana - que partilhou com o Neto e o Viegas.
José Augusto Guedes Monteiro foi furriel miliciano de Opera-
ções Especiais (Rangers) da CCS do BCAV. 8423. Natural de Vila Boa de Quires, em Marco de Canaveses, lá regressou a 8 de Setembro de 1975. Trabalhou nos Transportes Colectivos do Porto e, já aposentado, vive em Paredes. Para ele (com quem falámos há momentos) vai o nosso abraço de parabéns!
José Cordeiro,
1º. cabo do PELREC

Cordeiro, 1º. cabo PELREC,
65 anos em Porto de Mós

José Manuel de Jesus Cordeiro foi 1º. cabo atirador de Cavalaria do PELREC da CCS dos Cavaleiros do Norte.
Natural de Portela do Vale de Espinho, da freguesia de Arrimala, em Porto de Mós, este Cavaleiro do Norte vive lá perto - na aldeia de Bezerra, onde casou e fez família. Trabalhou na área da serração de maneira e agora exploração de inertes, em vésperas da aposentação. Hoje mesmo, dia 4 de Agosto de 2017, faz 65 anos e para lá e para ele (com quem falamos há momentos) vai o nosso abraço de parabéns!

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

3 842 - O dia da Chegada a Luanda, sem nada para matar a fome!

j
A CCS e a 1ª. CCAV. 8423 deixaram Carmona a 3 de Agosto de 1975. Para
Luanda. O PELREC (foto) e a CCS lá tinham chegado a 2 de Março, ro-
dados do Quitexe. Aqui, tinham chegado a 6 de Junho de 1974
Cavaleiros de Zalala, todos milicianos: alferes Santos e Sousa e
furriéis Barreto, Barata, Nascimento, Queirós e Louro


O dia 3 de Agosto de 1975 foi um domingo e dia do adeus da CCS e da 1ª. CCAV. 8423 a Carmona. 
Muitos dos Cavaleiros do Norte destas duas companhias não «pregaram olho» e cedo se avolumaram malas e sacos com haveres pessoais, carreados para as Berliets que os levaram ao aeroporto da cidade. De lá, um DC6 e 2 Noratlas
«em duas levas» os transportaram para Luanda. Aqui, em outras Berliets, segui-
ram para o Grafanil, onde literalmente
foram «despejados» no quartel do já 
Mortágua, Jorge Pinho, Pagaimo (do Pelotão de
Morteiros 4281) e Rocha (TRMS de Comando
 de Sector do Uíge) em momento de lazer 
extinto Batalhão de Intendência de Angola. Que estava em estado miserável estado. Comer, não havia e nos quartéis vizinhos do BIA nada havia também. 

Recolher obrigatório 
e tiros em Luanda

A «ordem» foi o desenrasca e, para alguns furriéis, a sugestão foi ir à messe de Luanda, na Avenida dos Combatentes. Lá fomos, à sorte! Mas com sorte, pois, embora «vistos» como «extra-terrestres», lá comemos, já perto das 3 da tarde. «Vocês é que são do Batalhão de Carmona?», éramos inquiridos, de forma desconfiada e estranha, como se fossemos de outro mundo. Lá tinha chegado a «fama» da acção dos Cavaleiros do Norte no Uíge.
A cidade pareceu-nos estranhamento tranquila, sem grande movimento. Era o princípio da tarde, muito quente, muito sossegada.
Um comunicado da 5ª. Divisão do Estado Maior General das Forças Armadas Portuguesa, às 19 horas, referia que «a situação não evoluiu nas últimas 24 horas» e sublinhava que «em Luanda e arredores, nomeadamente no Caxito, a situação mantém-se absolutamente estacionária».
A imprensa do dia, no entanto, aludia que «estado psicológico das populações, branca e negra, é francamente mau». Falava-se em 250 000 portugueses que iriam abandonar Angola e, já durante a noite, «foi escutado imenso tiroteio em pleno centro de Luanda». Por volta das 22 horas.
O recolher obrigatório estava fixado nas 21 horas e «a polícia e o Exército portugueses cercaram imediatamente o bairro de onde provinham os tiros», mas não houve qualquer prisão. Era a primeira vez que se ouviam tiros depois do recolher obrigatório.
Gabriel Duarte
Silvestre

Silvestre de Aldeia
Viçosa, 65 anos!

O soldado Silvestre, Cavaleiro do Norte de Aldeia Viçosa, faz hoje 65 anos. Dia 3 de Agosto de 2017.
Gabriel Duarte Silvestre foi atirador de Cavalaria da 2ª. CCAV. 8423 e era (é) natural e residente no lugar de Lagarinho, freguesia e concelho de Abrantes. Lá regressou a 10 de Setembro de 1975 e por lá fez (e faz) vida, morando agora em Vale da Horta, freguesia da Bempos-
ta, também do município de Abrantes. Para lá vai o nosso abraço de parabéns, com o afirmado desejo de que a data se repita de boa saúde e feliz!

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

3 841 - A véspera da saída da CCS e 1ª. CCAV. 8423 de Carmona!

Cavaleiros do Norte no Quitexe, todos furriéis milicianos: Bento, Rocha,
Viegas, Flora, A. Lopes (enfermeiro), Capitão (falecido a 05/01(2010, de
de doença e em Ourém) e Ribeiro. Em baixo, Carvalho, Belo (de óculos),
Grenha Lopes (atirador de Cavalaria) e Reino
Cavaleiros do Norte do PELREC. Atrás, Ferreira e 1º. cabo Almei-
da. A contar da esquerda, e no sentido contrario do relógio, Bote-
lho (?, de bigode), Aurélio, Florêncio (bigode), Messejana, 1ºs. ca-
bos Soares e Vicente (ambos de bigode), Leal, NN (tapado), NN,
1º. cabo Ezequiel e alferes Garcia


Sábado, dia 2 de Agosto de 1975. A cidade de Carmona acorda serena, pelo menos na aparência, mas sabe-se da cada vez mais próxima rotação dos Cavaleiros do Norte para Luanda. A população civil «conhecedora do movimento das NT (...) decide-se pelo êxodo».
O comando do BCAV. 8423 «para além dos muitos cuidados com o que se pode chamar a coluna militar», na preparação do movimento de rotação, deparou-se com mais esse: a saída de população «descrente do seu futuro e receosa de quaisquer represálias».
Muitos deles tentaram «negociar» com militares o transporte de bens pessoais, a troco de dinheiro ou de outros bens: automóveis, motas(o-
rizadas), aparelhos de música, má-
quinas de filmar e fotográficas, o que mais pudesse interessar.
O dia seguinte seria - domingo, 3 de Agosto de 1975 - seria o da
partida da CCS e da 1ª. CCAV., por via aérea. Na madru-
gada de 4, seria a da 2ª. CCAV. e da 3ª. CCAV.. Por terra. As duas últimas Companhias Portuguesas em terras do Uíge.


Tiros na Base Aérea 9
e 2 helicópteros no ar

Angola, segundo a imprensa do dia, tinha «a situação estacionária em todo o território, nas últimas 24 horas». Em Luanda e Caxito, os pontos mais sensíveis, não havia «modificações visíveis». Na capital, para onde íamos no dia seguinte, no entanto, registaram-se «disparos de arma autotica contra a central de emissores da Base Aérea 9», o que levou a que «descolassem dois helicópteros armados». Sem actuarem, por não se repetirem os tiros.
Acções de fogo registaram-se, todavia, em Quibala e Gabela, onde «a situação se agravou esta manhã» - a de 2 de Agosto de 1975. As populações «face ao conflito verificado», referia o Diário de Lisboa de 2 de Agosto de 1975, «querem abandonar estes locais a todo o custo».
Manuel Gonçalves dos
Santos, 1º. cabo da 1ª.
CCAV., a de Zalala

Santos de Zalala
faleceu há 5 anos

O 1º. cabo Santos foi apontador de metralhadora da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, e faria 65 anos a 2 de Agosto de 2017. Faleceu a 29 de Fevereiro de 2012, há 5 anos!
Manuel Gonçalves dos Santos integrou o 2º. Grupo de Combate, comandado pelo alferes Carlos Sampaio, e não consta da lista dos militares de Zalala que, a 9 de Setembro de 1975, desembarcaram, em Lisboa. Regressou em data desconhecida, devido ao acidente de caça que teve em Ponte do Dange - de onde foi evacuado para o Hospital do Negage, não tendo voltado à 1ª. CCAV. 8423.
A única notícia, posterior, que dele temos tem a ver com a data da sua morte, em Ega, no concelho de Condeixa-a-Nova. E sabemos também que era o sócio 6967 da Associação dos Deficientes da Forças Armadas. RIP!!!

J. Oliveira (César)
do BCAV. 1917

César do BCAV. 1917, 
72 anos em Matosinhos

O 1º. cabo rádio-telegrafista José Oliveira (César) comemora 72 anos a 2 de Agosto de 2017, em Matosinhos.
Integrou a CCS do BCAV. 1917, antecessor dos Cavaleiros do Norte no Quitexe - onde jornadeou de 12 de Maio de 1967 a 8 de Maio de 1969. É colaborador deste blogue e, em 2016, deu-nos a honra e o prazer de participar no encontro da CCS dos Cavaleiros do Norte que ser realizou em Custóias (Matosinhos). Parabéns pela bonita idade que hoje festeja. Que repita a data por muitos e bons anos!









terça-feira, 1 de agosto de 2017

3 840 - A 2 dias da rotação de Carmona para Luanda...


Parada do BC 12, há 42 anos. Há vários civis e um autocarro que
iria transportar refugiados para fora da cidade de Carmona

O BC 12, onde se aquartelou o BCAV. 8423, ficava
à saída de Carmona, na estrada para o Songo

Os noticiários de 1 de Agosto de 1975, há 42 anos, não falavam de Carmona, o que era bom sinal: de tranquilidade. Ainda que aparente.
Os Cavaleiros do Norte, nessa sexta-feira, expectavam sobre a já muito próxima rotação para Luanda - o que, na prática, significava um passo enorme no

caminho para o regresso ao chão das suas terras e ao conforto das suas famílias. 
Problemas em Luanda? Pois, sim! Sabíamos deles e eram muitos, nomeadamente os combates entre o MPLA e a FNLA! Mas tudo seria melhor, comparado com o Uíge, província angolana de 58 698 quilóme-
tros quadrados - bem mais de metade dos 89 015 de Portugal Continental -, onde os homens do BCAV. 8423 teimavam, sós e com risco permanente de vida, em garantir a segurança de pessoas e bens! Pessoas, às centenas (aos milhares?!!!...), de todas as raças e credos, que pediam protecção às NT.
A 1 de Agosto de 1975, mais viaturas chegaram ao BC 12, viaturas que, relata o Livro da Unidade, «nos ajudariam a transportar o BCAV.» Houve que, refere o mesmo Livro da Unidade, «preparar o movimento, com os cuidados que tal requeria, dado saber-se a oposição que a FNLA dizia ir fazer» - e faria. E de que maneira... Assim como se sabia «ir atravessar-se uma zona de conflito armado entre MPLA e FNLA, para depois prosseguir numa área de interesses do MPLA, dominada por este e pelo seu poder popular».

Artur Rosa


Artur Rosa, 65 anos
em Ferreira do Zêzere

O 1º. cabo Artur da Maia Ferreira Rosa foi Cavaleiro do Norte da 2ª. CCAV. 8423 e faz 65 anos a 1 de Agosto de 2017.
Atirador de Cavalaria, era natural e residente no lugar de Chão da Serra, concelho de Ferreira do Zêzere, e lá regressou - depois da jornada angolana que o levou a Aldeia Viçosa e, depois, a Carmona. Lá fez vida e lá vive e para lá vai o nosso abraço de parabéns pela bonita idade que hoje mesmo comemora! Que se repita por muitos e bons anos!


Botelho de Santa Isabel
faleceu há 24 anos !!!

Ricardo da Conceição Botelho foi soldado de transmissões e Cavaleiro do Norte da 3ª. CCAV. 8423 - a da Fazenda Santa Isabel. Faleceu há 24 anos, no dia 1 de Agosto de 1993.
O Botelho era residente no lugar de Afonseiro, da freguesia de Azinheira de Barros, no Montijo. E lá regressou a 11 de Setembro de 1975, depois da missão angolana - em Santa Isabel, Songo e Carmona. Dele nada mais sabemos, mas registamos esta data em sua memória. RIP!!!