CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

4 223 - A fome ameaçou gentes de Luanda por Agosto de 1975!

Grupo de Cavaleiros do Norte da 1ª. CCAV. 8423, todos furriéis milicianos
e em 2016: Mota Viana, Américo Rodrigues, Victor Velez, João Aldeagas (que
 amanhã faz 66 anos, em Estremoz), Manuel Pinto, João Dias e Plácido Queirós
Cozinheiros do Quitexe armados para irem à
lenha: 1º. cabo José Maria Almeida (da messe
 de oficiais) e José Rebelo e Joaquim Duarte
 (os dois da messe de sargentos)

Vasco Vieira
de Almeida

A escassez de alimentos era um dos principais problemas que, há preci-
samente 43 anos, preocupava as autoridades portuguesas, que ainda detinham a soberania angolana. «Será talvez necessário o auxílio interna-
cional para aprovisionar a martiriza-
da cidade e evitar a forme», declarou Vasco Vieira de Almeida, o ministro da Economia do Governo de Transição, nomeado por Portugal.
Angola, ainda assim e segundo o Diário de Lis-boa, «dispunha de alimentos suficientes», mas, precisou o ministro português, «não havia pos-sibilidade de os transportar para Luanda».
As reservas de combustíveis e de alimentos, a esse tempo e na mesma cidade capital angolana, «poderiam esgotar-se em poucos dias», o que seria verdadeiramente dramático. E absolutamente de evitar. Seria o caos social.
Ao mesmo tempo, prosseguiam os combates entre MPLA e FNLA, com solda-
dos deste movimento (os do Exército de Libertação Nacional de Angola, o ELNA) «sitiados, sem mantimentos e desejosos de de renderam», de acordo com o livro «Segredos da Descolonização de Angola», de Alexandra Marques. Mas o presidente Holden Roberto ordenou-lhes que «não saíssem da fortaleza» - a de S. Pedro da Barra - porque «seria um erro gravíssimo evacuar», quando se preparava «o assalto final» a Luanda.
Tropa portuguesa a proteger a saída da FNLA
do Bairro do Saneamento. À direita, parece
ser o alferes António Manuel Garcia
(recorte do Diário de Luanda mandado pelo R. Tomás)

Cavaleiros do expectantes
no Grafanil e por Luanda!

Aquartelados no BIA do Campo Militar do Grafanil, os Cavaleiros do Norte mantinham-se expectantes, muitos deles em prevenção simples e outros a turistar pela cidade e ilha.
Luanda era, por esse tempo de há 43 anos, uma cidade de profundos contrastes: a guerra, a ferocidade dos combates, o sangue e a morte, por um lado; a vida a continuar como se nada fosse, o comércio, a restauração e os serviços, tudo a funcionar como se nada se passasse.
Os ferozes combates do Bairro do Saneamento, de onde a FNLA foi evacuada sob protecção da tropa portuguesa, estavam, todavia, bem presentes na memória emotiva dos Cavaleiros do Norte que neles intervieram
João Aldeagas em
Luanda (1975)

Aldeagas, furriel de Zalala,
66 anos em Estremoz!

O furriel miliciano Aldeagas, atirador de Cavalaria e alentejano de Estremoz, festeja 66 anos a 11 de Agosto de 2018.
João Matias Mota Aldeagas especializou-se na Escola Prática de Cavalaria, em Santarém, e serviu os Cavaleiros do Norte do Norte da 1ª. CCAV. 842. Natural do Monte da Raspadinha, na freguesia de Santa Vitória do Ameixial, lá voltou a 9 de Setembro de 1975, quando concluiu a sua jornada africana do Uíge angolano. Por lá é empresário do sector agro-pecuário e para lá vai o nosso abraço de parabéns!

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

4 222 - Cavaleiros do Norte nos combates do Bairro do Saneamento

Cavaleiros do Norte da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, em passeio para as Quedas
 do Duque de Bragança. De pé,Almiro Maciel, furriel João Dias, alferes Lains
 dos Santos, furriel Évora Soares, Carlos Coelho e Famalicão (de pé e que ama-
 nhã faz 66 anos, em Vila do Conde). Em baixo, Carlos Costa e Fernando Silva
O alferes António Manuel Garcia, aqui à porta
dá armas do BC12, na cidade de Carmona.
Comandou o grupo de combate dos Cavaleiros
do Norte que foi a Bairro do Saneamento
Capa do livro «His-
tória da Unidade»


O dia 9 de Agosto de 1975, um sábado e por terras da Luanda angolana, acordou com «vio-
lento tiroteio com armas ligei-
ras e pesadas, à medida que se generalizava uma ofensiva de-
sencadeada pelo MPLA, com o objectivo de desalojar os últi-
mos militares e políticos da FNLA que se en-
contram alojados no luxuoso Bairro do Sanea-mento, por detrás do Palácio do Governo».
O bairro e o forte de S. Pedro da Barra eram já «o último reduto da FNLA na cidade de Luanda», de onde, de acordo com a reportagem do jornal Diário de Lisboa, «foi quase totalmente expulsa, depois dos últimos grandes confrontos com o MPLA».
Os Cavaleiros do Norte, então aquartelados no extinto Batalhão de Intendência de Angola (BIA), no Campo Militar do Grafanil e constituídos como «unidade de reserva da RMA», foram chamados a intervir no Bairro do Saneamento e deslocaram-se ao local, em missão de dissuasão e com um grupo de combate ah-doc, formado à pressa e por militares de várias Companhias, que foi lidera-do pelo alferes miliciano António Manuel Garcia - comandante do PELREC.
A memória resume os efeitos letais dos graves e trágicos combates: muitos mortos entre os combatentes de ambos os movimentos, socorro imediato dos Cavaleiros do Norte e estes, felizmente, sem quaisquer feridos, sequer.
Os alferes António Garcia e Jaime Ribeiro,
o capitão médico Manuel Leal, os três milicianos,
 e o tenente Acácio Luz no Quitexe de 1974

Contra-subversão
reuniu no Quitexe

A Comissão Local de Contra-Subversão (CLCS) do Quitexe reuniu a 9 de Agosto de 1974, repe-
tindo o encontro do dia 1, ocorrendo no Clube da vila. Voltaria a realizar-se nos dias 14, 21 e 29 desse mês de há 44 anos.
Ao tempo e «de acordo com as directivas supe-
riores que impõem a não realização de acções ofensivas, foi completamente modificada a actividade operacional, deixando-se de bater as áreas dos quartéis IN e passando-se a apertar a malha dos pa-
trulhamentos ao longo de toda a zona de acção». O Uíge quitexano.
O livro «História da Unidade», de mque nos socorremos, dá conta que «fizeram-se inúmeras visitas a povos e fazendas, em apoio às vidas de todos estes». Estes povos, bem entendido
Era o tempo, por exemplo, de muitas e repetidas escoltas ao capitão médico miliciano Manuel Soares Cipriano Leal, que visitava as aldeias da ZA dos Ca-
valeiros do Norte e consultava os habitantes, receitando-lhes e dando-lhes medicamentos para as suas doenças. 
O Agra em 2016
Agra em
1974

Lopes, 1º. cabo Agra, 66
anos em Vila do Conde!

António Monteiro Lopes, o Agra, ou o Famalicão, foi condutor da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, e feste-
ja 66 anos a 10 de Agosto de 2018.
O seu nome não consta da relação de embarque dos Ca-
valeiros do Norte desta subunidade, mas sabemos que é frequentador, em regime de permanência, dos encontros desta companhia e que é encarregado e técnico de elevadores. Mora em Vila do Code, para onde vai o nosso abraço de parabéns! 

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

4 221 - Cavaleiros do Norte em Luanda a ver «combates» a passar...

O PELREC, pelotão operacional da CCS do BCAV. 8423. De pé, alferes Garcia,
 Caixarias, 1º. cabo Pinto, Marcos, furriel Viegas, 1º. cabo Silvestre (?), Flo-
rêncio, Messejana, Neves e 1º. cabo Almeida. Em baixo, furriel Neto, Madaleno,
 Aurélio (Barbeiro), 1ºs. cabos Hipólito e Oliveira (TRMS), Leal, Francisco
e 1ºs. cabos Soares e Vicente 

Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8423
 em posição de alerta: o furriel Matos
e o TRMS Setúbal
Cap. Castro Dias.
cmdt .da 1ª. CCAV.

Os Cavaleiros do Norte, ainda a «re-pousar» da esgotante coluna militar de Carmona a Luanda, embora já colo-cados como «unidade de reserva da RMA», passaram a ser testemunhas (ainda que indirectamente) de ferozes combates entre forças do MPLA e da FNLA, disputando o controle da cida-
de de Luanda - a capital. 
A 8 de Agosto de 1975, soube-se que as Forças Ar-
madas Populares de Libertação de Angola (FAPLA), o exército do MPLA, tinham «neutralizado cerca de
Notícia do Diário de Lisboa de 8 de Agosto
 de 1975 sobre a situação em Angola

 3000 combatentes da FNLA», que se tinha in-
filtrado em Luanda para, e citamos o Diário de Lisboa de 8 de Agosto de 1975, «ocuparem o poder pela força, iniciando essa operação com  o domínio de pontos estratégicos».
A notícia foi divulgada em Brazzaville, por Iko Carreira, da Junta Política do MPLA e numa conferência de imprensa durante a qual denun-ciou que «as províncias do Zaire e do Uíge tinham sido invadidas por forças da FNLA», assim como, acrescentou, «a atitude de malvadez de alguns países africanos em relação do problema de Angola».
O Uíge era de onde dias antes tinham vindo os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, depois de 14 meses de jornada por terras de Quitexe, de Aldeia Viçosa e Vista Alegre, do Songo e de  Carmona, ou fazendas como Zalala, Santa Isabel, Luísa Maria e outras.
Iko Carreira desmentiu que «forças da FNLA estivessem a avançar sobre Luan-
da», precisando que  «o MPLA se oporá ao invasor oferecendo a resistência popular generalizada». Haveria algum avanço da FNLA, haveria..., por certo, pois o mesmo Iko Carreira, na mesma conferência de imprensa, disse que «traziam na vanguarda tanques de origem estrangeira».
«Tanques que nunca se viram na guerra colonial mas que esperaram pela independência», disse o dirigente do MPLA, depois observando, sobre a UNITA de Jonas Savimbi, que «tem-se mantido neutral, mas é tempo de tomar uma decisão e quanto mais cedo melhor». 

Cavaleiros do Norte de Zalala: o furriel Nas-
cimento, o alferes Sousa e o soldado João Gon-
çalves - o Bigodes, o Cigano!
.


Almeida e Brito
em Zalala !

Um ano antes, precisamente, o comandante Almeida e Brito deslocou-se à Fazenda Zalala, onde se aquartelava a 1ª. CCAV. 8423 e no âm-
bito das «normais visitas às subunidades».
Os Cavaleiros do Norte ali instalados eram co-
mandados pelo capitão miliciano Davide de Oliveira Castro Dias e ali tinham chegado a 7 de Junho de 1974. De lá saíram a 2 de Novembro do mesmo ano, rodando para Vista Alegre e Destacamento da Ponte do Dange.
Estes dois aquartelamentos foram desactivados a 24 de Abril, quando os «za-
lala´s» se mudaram para o Songo e com um destacamento temporário em Ca-
chalonde. Finalmente, a última rotação aconteceu a 6 de Junho de 1975, quan-
do foram para Carmona. Daqui, a 3 de Agosto «voaram» para o Grafanil, com a CCS, e ali estiveram até 9 de Setembro, quando regressaram a Portugal.


terça-feira, 7 de agosto de 2018

4 220 - O repouso dos guerreiros do BCAV. 8423 no Grafanil e Luanda!

Cavaleiros do Norte da CCS no enconto de 2017, no RC4, em Santa Margarida,
 a unidade mobilizadora do BCAV. 8423. Há 43 anos chegavam a Luanda,
depois de jornadearem pelo Quitexe e Carmona, no nortenho Uíge angolano

Os alferes António Albano Cruz, mecânico (da CCS), e Má-
rio Jorge Sousa, de Operações Especiais, Rangers (da 1ª.
CCAV. 8423). Os únicos milicianos que lá tinham as esposas.
Aqui, na saída de Fazenda de Zalala!

Os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 acomodaram-se nas instalações do já então extinto Batalhão de Intendência de Angola (BIA), no Campo Militar do Gra-
fanil e apressadamente limpas e desinfectadas pelos combatentes da CCS e da 1ª. CCAV., que as encontraram num estado miserável.
A chegada da épica coluna de Carmona era motivo de noticiários da imprensa local e, como aqui já lembrámos, tam-
Noticias de Angola no Diário de Lisboa
de 7 de Agosto de 1975. Há 43 anos !
bém motivo de uma reportagem especial da BBC, de Londres, Inglaterra.
O Diário de Lisboa, por exemplo e na sua edição de 7 de Agosto de 1975, noticiava que «elementos que retiraram de Carmona e ontem chegaram a Luanda integrados numa coluna militar portuguesa, de que faziam parte os últimos militares que se encontravam estacionados no distrito do Uíge, deram conta de longos recontros ao longo da estrada que, de Luanda a Malanje, se dirige ao Negage e a Carmona, principais centros militares da FNLA». De onde, 4 dias antes, tinham retirado os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423.
O jornal vespertino de Lisboa citava «combates pelo domínio de Lucala, ponto estratégico ao longo daquele eixo rodoviário». Por onde a coluna de Carmona tinha passado nos dias imediatamente anteriores.
As mesmas fontes, citadas pelo Diário de Lisboa, referiam também «dezenas de mortos caídos ao longo das estradas» e que o ELNA, o exército da FNLA, tinha sido «expulso de Lucala e debandava em direcção a Samba Caju».
Os Cavaleiros do Norte, aquartelados no BIA do Campo Militar do Grafanil e «após um curto período de repouso e arranjo de viaturas», foram logo «chamados a actuar» em Luanda, ficando todo o Batalhão «a cumprir missões de unidade de reserva da RMA».

Leiria de Santa Isabel e
Aldeia Viçosa, 66 anos 
no Fogueteiro !

Fernando José Trigoso Leiria foi 1º. cabo atirador de Cavalaria da 3ª. CCAV. 8423 e festeja 66 anos a 7 de Agosto de 2018. No Fogueteiro, em Almada, onde reside.
Razões de natureza disciplinar levaram a que, em Setembro de 1974, sofresse 20 dias de prisão disciplinar agravada (Ordem de Serviço 84, do BCAV. 8423), agravada para 30 dias pelo Comando do Sector do Uíge (OS 97) e, depois, para 40 dias, pela Região Militar de Angola (OS 122). Tal levou à sua despromoção a soldado e transferência para a 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa.
Regressou a Portugal no doa 10 de Setembro e fixou.se na Brandoa, concelho de Oeiras. Actualmente, mora na General Humberto Delgado, no Fogueteiro, concelho do Seixal, para onde vai o nosso abraço de parabéns!

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

4 219 - Milhares de civis choraram por se sentirem em liberdade!

A épica coluna de Carmona para Luanda teve várias paragens nas suas 58,45
horas e 570 quilómetros, entre 4 e 6 de Agosto de 1975. A imagem mostra
uma delas, em Salazar (N´Dalatando), com militares do BCAV. 8423 a
 ajudarem civis. Repare-se no Unimog carregado na Berliet
O itinerário da coluna militar de Carmona para Luanda:
570 quilómetros de estrada no tempo de 58,45 horas

Almeida e Brito, o
comandante da
épica coluna
A coluna militar de Car-mona para Luanda che-
gou ao Grafanil ao meio dia de 6 de Agosto de 1975, 58 horas e 45 mi-
nutos depois de ter saí-
do da capital do Uíge.
«Terminou, assim, a odisseia de milhares de civis que, à chegada a Luanda, choraram por se sentirem livres», lê-se no livro «História da Unidade».
O dia começara cedo, depois da passagem no Dondo (às 23 horas de véspera) e interrupção da marcha, recomeçada às 7 horas da manhã desse 6 de Agosto de 1975, uma 4ª.-feira, e a 174 quilómetros de Luanda.
A coluna, às 10,20 horas, foi sobrevoada por 2 aviões FIAT e um heli com uma equipa de reportagem da BBC. Passou por Catete quando se contavam as 11 horas e, à porta do Campo Militar do Grafanil já estavam muitos Cavaleiros do Norte (da CCS e da 1ª. CCAV. 8423, os que viajaram de avião, no dia 3 anterior, um domingo) em expectante ansiedade. 
«Começaram a chegar ao Grafanil às 12 horas, com um tempo de escoamento de 45 minutos», reporta o HdU, acrescentando que «terminou o movimento de Carmona para Luanda, nos 570 quilómetros de itinerário e no tempo de 58,45 horas, trazendo consigo cerca de 700 a 800 viaturas».
Ainda segundo o HdU, esta «teria sido a missão mais difícil do BCAV. 8423, mas também aquela em que bem demonstrou o seu «querer e saber querer», conduzindo uma operação que forçosamente terá de ser um pilar bem mar-
cante da sua História».

Notícia do jornal «A Província de Angola», de 7 de
Agosto de 1975, sobre a chegada da coluna militar,
com civis, do Uíge para Luanda. Há 43 anos!
Coluna do Uíge
no Grafanil !

A imprensa luandina do dia seguinte no-
ticiou que «chegou do Uíge uma coluna de civis e militares». 
O jornal matutino «A Província de An-
gola» (ver o recorte ao lado) informava que «a coluna compreendia cerca de 1500 veículos, muitos dos quais de carga, com mobílias, electrodomésticos e outros bens, pertencentes a europeus residentes naquelas zonas e que, pelos vistos, pretendem abandonar o país».
As zonas referidas eram as cidades de Carmona e Negage (e vilas do Uíge) e o jornal citava o que «ali aconteceu e da retirada da tropa portuguesa».
O «A Província de Angola» acrescentava que «muitas das pessoas que chegaram nasceram naquelas terras ou lá viviam há muito tempo».
«Disseram que devem ser raros os europeus que lá ficaram, apesar de Daniel Chipenda ter estado no Negage a tentar demovê-los de partirem», concluiu o jornal matutino de Luanda.
Adão Morais, 1º. cabo
atirador de Cavalaria

Adão, 1º. cabo,
faleceu há 9 anos!

O 1º. cabo Adão Luís Correia de Morais, atirador de Cavalaria da 1ª. CCAV. 8423, faleceu há 9 anos: a 7 de Agosto de 2009. 
Cavaleiro do Norte da mítica Fazenda de Zalala, e depois Vista Alegre, Songo e Carmona, era natural do lugar de Bouças de Cima, da freguesia de Ordem, no concelho de Lousada - aonde regressou no dia 9 de Setembro de 1975, quando terminou a sua jornada africana do Uíge angolano.
Lá nascera a 10 de Abril de 1952 e lá faleceu, aos 57 anos e de doença - tanto quanto sabemos. Hoje o recordamos com saudade. RIP!!!

domingo, 5 de agosto de 2018

4 218 - BCAV. 8423: «Entregar esta mole de gente sã e salva em Luanda!»?

Cavaleiros do Norte na coluna de Carmona para Luanda. À esquerda e sentados,
soldado Santos e furriel Guedes (da 2ª. CCAV.), 1º. cabo Deus, de pé (de boina e
 da 3ª. CCAV.), NN (à frente de Deus) e, à direita, o 1º. cabo Mendes (2ª. CCAV.)
 e um militar da 3ª. CCAV. 8423. Quem será?

Uma das muitas paragens da coluna militar da evacuação
de Carmona para Luanda, em 58,45 horas dos dias
4 a 6 e Agosto de 1975. Há 43 anos! 

O segundo dia da coluna militar de Car-mona para Luanda começou cedo, às 7,30 horas da manhã, em Camabatela e «com 700 viaturas, com alguns milhares de desalojados», como sublinha o livro «História da Unidade».
«Há que entregar toda esta mole de gen-
te sã e salva em Luanda, há que contra-
riar os intentos da FNLA em reter essas populações, os seus bens e a sua  
Morais do Quitexe.
A esposa e filhas
foram no carro do
Comandante 
vida, há que salvaguardá-las do saque do poder popular», anota o HdU, referindo-se às horas da partida de Carmona.
A coluna foi organizada com «a Companhia de Comandos a abrir o itinerário, seguida da 2ª. CCAV. 8423 e da 3ª. CCAV. 8423, fechado com a Companhia de Páras que estava no Negage, incorporando as viaturas do Aeródromo Base nº. 3 e das Companhias de Caçadores ali estacionadas».
Aqui, no Negage e como ontem já aqui referimos, «inúmeros civis se associaram à coluna». De Carmona e no carro do comandante, iam a esposa e as duas filhas do comerciante Morais, do Quitexe, conterrâneas do autor deste blogue.
«A viagem decorreu mais ou menos bem, do que me lembro. Viajámos no carro pessoal do comandante Almeida e Brito», disse-nos, agora, a São Morais, dando também notícias da família.
O pai faleceu a 18 de Agosto de 1985, no pós-operatório de uma intervenção ao coração, de que ficou em coma; a mãe, viúva, passa menos bem de saúde e está acamada; a irmã Lurdes é enfermeira o Hospital Garcia da Horta, em Almada; ela, é empresária do sector da restauração, em Águeda.
Um helicóptero da Força Aérea Portuguesa (FAP), o
 da imagem, foi alvejado por forças do MPLA entre
 Vila Flor e Lucala, a 5 de Agosto de 1975


Hélicóptero alvejado e
viaturas abandonadas


A alvorada de Samba Caju aconteceu ce-do e a partida foi às 5 horas da manhã. «A guerra psicológica travada no Negage fora esgotante para os nervos», mas, su-
blinha(va) o livro HdU, «estavam venci-
das as primeiras grandes dificuldades».
A marcha foi retomada depois de uma noite mal dormida e às 7,30 horas «atingiu-se o controlo de Samba Caju, onde surgiram novas dificuldades, novamente torneadas». De qualquer modo, pararam a marcha por uma longa hora.  
A coluna atingiu Vila Flor por volta das 11,30 horas e «mais viaturas se juntaram à coluna», com civis a socorrerem-se da protecção militar. Seguiram-se vários quilómetros de terra de ninguém. Nem da FNLA, de cujo feudo ia a coluna dos Cavaleiros do Norte, nem do MPLA - em cujo território ia entrar. Por volta das 13 horas, fez-se «nova paragem para juntar todas as viaturas e refazer a coluna».
«Ia-se entrar na terra do MPLA e havia que reconhecer itinerário. Para tal, recorreu-se aos helicópteros estacionados em Salazar e que estavam à nossa espera», reporta o Livro da Unidade.
Um deles foi alvejado durante o reconhecimento aéreo e, por volta das 13,30 horas, «contactou-se o MPLA, via terrestre», logo se retomando a marcha e meia hora depois passsado Lucala - onde se abandonou mais uma viatura. 
Chegou-se a Salazar, actual cidade de N´dalatando, às 16 horas e passaram-se 4 a atravessá-la, porque tiveram de ser reparadas várias viaturas da coluna, uma delas lá ficando abandonada.
A marcha foi retomada, já «incorporando uma Companhia de Paraquedistas que se encontrava de reserva no Comando Territorial de Salazar» e passou-se no Dondo às 23 horas. Por volta da uma hora da madrugada de 6 de Agosto de 1975, fez-se «nova interrupção de marcha» - que viria a retomada às 7 horas e a 174 quilómetros de Luanda.

O Rocha faria hoje
66 anos. Faleceu
em Maio de 2015

Rocha de Aldeia Viçosa faria
67 anos. Faleceu há 3!

António Gomes da Rocha foi 1º. cabo enfermeiro da 2ª- CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, e faria 67 anos 5 de Agosto de 2018. Faleceu a 9 de Maio de 2015, de doença.
Natural do lugar do Ribeiro, freguesia de Melhundos, concelho de Penafiel, lá voltou a 10 de Setembro de 1975, no final da sua comissão militar em Angola. Fez lá a sua vida familiar e profissional, sendo habitual participante dos encontros dos Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa. 

Residia na Rua António Ferreira Gomes, em Penafiel, e hoje o recordamos com saudade. RIP!!!

sábado, 4 de agosto de 2018

4 217 - O último dia, há 43 anos, dos Cavaleiros do Norte em Carmona!

Grupo de civis que se integraram na coluna de Carmona para Luanda, a 4
 de Agosto de 1975. Com militares do BCAV. 8423: Novo (condutor),
Mendes e 1º. cabo Manuel Deus (da 3ª. CCAV), soldado Santos e furriel
miliciano António Guedes (da 2ª. CCAV.)
O tenente-coronel Almeida e Brito comandou a coluna
 militar que, há 43 anos, saiu de Carmona para Luanda.
Na imagem, com os alferes milicianos João Machado e
Jorge Capela, ambos da 2ª. CCAV. 8423


O dia 4 de Agosto de 1975 foi o último da presença militar portuguesa em terras do Uíge angolano, quando os Cavaleiros do Norte do BCAV, 8423 deixara, o BC12 e Carmona.
«Prevista a partida para as 5 horas da manhã, pode dizer-se que, a partir das 2 duas horas, tudo se pôs a postos para que o horário fosse cumprido. E foi», 
Os capitães milicianos José Manuel Cruz
e José aulo Fernandes, comandantes, res-
pectivamente da 2ª. CCAV. e da 3ª.
CCAV. do BCAV. 8423
relata o livro «História da Unidade», acrescentando que «a essa hora toda a máquina se  moveu», porém logo «emperrada».
«A incompreensão dos civis gerou o primeiro problema com a FNLA que, bloqueando-os na cidade, não os quis deixar sair», historia o HdU, especificando que «às 5,15 horas, resolveu-se o primeiro incidente e esta resolução iria dar azo a segundo e mais grave incidente».
Na verdade, «todos fugiram para o Negage, onde finalmente foram impedidos de partir, situação que iria atrasar, em cerca de de 8 horas, a marcha da coluna». Antes ainda e já em marcha, saída de Carmona,  «passou o controlo da FNLA do Candombe, com 210 viaturas e em cerca de meia hora de escoamento».
Um acidente, por volta das 7,30 horas e provocado pelo cerrado nevoeiro dessa hora, «fez com que fossem abandonadas duas viaturas média, na estrada, e fosse rebocada, e abandonada no Negage, uma viatura pesada».
A coluna de há 43 anos teve apoio
de helicópers e FIAT´s (aqui,
na parada do BC12)

A odisseia dos civis, que
se sentiram abandonados!

A cidade do Negage «estava pejada de viaturas», muitas dos civis idos de Carmona, e «a FNLA em peso, proibiu a sua saída, à excepção das viaturas privadas de uso militar», tendo sido improfíquas as negociações para ultrapassar este impasse.
«Tentadas plataformas várias, bateu-se sempre em falso. Começou a odisseia dos civis, sentindo-se abandonados e entregues à sorte do querer da FNLA, convencidos que as NT os abandonariam», relata o HdU, acrescentando, todavia, que «assim não sucedeu».
Procurou-se  uma última solução e, efectivamente, após uma reunião com Daniel Chipenda, às 16 hora», foi feito o trânsito da quase totalidade dos civis. «Foi o renascer da esperança para esta gente, foi o acreditar da missão das NT. Efectivamemnte, não fora tal determinação, e todos os camionistas ficariam», relata o Hdu.
A coluna foi retomada às 18 horas, já «com cerca de 700 viaturas» - eram 210 em Carmona... -, e «uma hora depois atravessou o controlo de Camabatela, onde se incorporaram mais civis». Às 20,30 horas, entrou em Samba Caju e ali pernoitou a coluna.
Assim foi, sumariamente, o dia 4 de Agosto de 1975 na vida dos Cavaleiros do Norte e dos civis que rodaram de Carmona para Luanda. Mais dias e horas se seguiriam. A coluna era comandada pelo tenente-coronel Carlos Almeida e Brito e envolvia a 2ª. CCAV. e a 3ª. CCAV. do BCAV. 8423, uma Companhia de Comandos e outra de Pára-quedistas, com apoio aéreo  de helicópteros e de uma esquadrilha de Fiat´s (aviões de combate).
Furriel José Augusto
Guedes Monteiro

Monteiro, furriel da CCS,
66 anos em Paredes!

O furriel miliciano Monteiro, de Operações Especiais, os Rangers, festeja 66 anos a 4 de Agosto de 2018.
José Augusto Guedes Monteiro é natural de Vila Estrela, freguesia de Fornos, em Marco de Canaveses, e formou com o Neto e o Viegas, o trio de furriéis milicianos OE/Rangers da CCS e do PELREC, por Angola, trabalhou na secretaria da Companhia.
Regressou a Portugal no dia 8 de Setembro de 1975 e retomou a sua profissão na Sociedade dos Transportes Colectivos do Porto (STCP), de que se refor-
mou. Aposentado, pois, mora na cidade de Paredes e está de boa saúde e disposição (acabámos de com ele falar). Parabéns!


O 1º. cabo José Ma-
nuel de Jesus
Cordeiro em 2013
Cordeiro, 1º. cabo, 66anos em Porto de Mós !|

O 1º. cabo José Manuel de Jesus Cordeiro foi atirador de Cavalaria e elemento do PELREC da CCS. Faz 66 anos 4 de Agosto de 2018.
Natural da Portela do Vale de Espinho, no concelho de Porto de Mós, lá regressou a 8 de Setembro de 1975. Fixou-se, pelo casamento, no lugar de Bezerra, no mesmo concelho, tendo trabalhado na  área dos mármores e das madeiras.
Está aposentado desde o princípio do ano e respira saúde, como acabou de nos dizer, ao telefone! Sempre saudoso dos tempos de Angola. Parabéns!

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

4 206 - O adeus a Carmona da CCS e da 1ª. CCAV. dos Cavaleiros do Norte!

CARMONA, a actual cidade do Uíge. Praça dos CTT, Câmara Municipal, Tri-
bunal e ZMN. Ao fundo, a Avenida Capitão Pereira. Os Cavaleiros do Norte
 da CCS e da 1ª. CCAV. 8423 daqui saíram a 3 de Agosto de 1975, há 43 anos!


A parada do BC12, em Carmona, de onde, para Lynda e
há 43 anos saíram os Cavaleiros do Norte da CCS

A manhã de 3 de Agosto de 1975 acor-
dou quente, por terras do Uíge ango-
lano. Era domingo e alguns dos Cava-
leiros do Norte da CCS tinham passado a noite em animada borga nas casernas e bares do BC12, fazendo tempo para a hora de partida para Luanda. Iam de um inferno, que controlavam, para um chão de dúvidas e combates que esfacelavam a capital angolana. 
Jardim do bairro Montanha Pinto, em Carmona,
entre as duas nesses de sargentos do BCAV. 8423
Mas iam!!! Iam para mais uma etapa da sua jornada africana, já no caminho dos chãos da suas terras, se lá chegar, chegassem!
A formatura na alvorada dessa manhã foi feita no modo convencional, sem pressas, disciplinadamente, já com malas e bagagens nas pesadas Berliets que os levariam ao aeroporto de Carmona.
«A evacuação aérea das unidades que não se deslocavam via terrestre foi prevista previamente e, deste modo, em duas levas de um DC6 e dois Nordatlas foi transportada a CCS e a 1ª. CCAV. 8423», reporta o livro «História da Unidade».
Lá fomos, do ar espreitando a cidade pela última vez, cidade onde desde 2 de Março desse ano de 1975 passaram os Cavaleiros do Norte o tempo mais delicado e trágico da sua jornada africana do Uíge angolano. A primeira semana de Junho, a dos sangrentos combates entre FNLA e MPLA testemunham esses tempos de tragédia, regada com o sangue de centenas de angolanos das várias barricadas que assumiam a independência.
O último olhar sobre a capital do Uíge ainda hoje, 43 anos depois, está fresca na memória: uma cidade moderna, jovem, febril e super-activa, parecendo desenhada a régua esquadro, os seus bairros e jardins onde se semeavam verdes, a malha urbana, os bairros habitacionais compartilhados por brancos e negros, angolanos de todas as cores, credos e origens!
Um dos últimos render da parada do BCAV. 8423, no
BC12. O oficial de dia é o alferes miliciano Cruz e,
atrás, vê-se o 1º. sargento Luzia.  Em formatura, três
clarins, o clarim Silva, furriel António Cruz, vários
soldados e, à direita, o furriel João Peixoto
Os bairros populares e a piscina, a zona industrial, a praça dos serviços públicos: Tribunal, CTT, Paços do Concelho e Comando Militar. Tudo está em memória de saudade da terra uíjana.

Intendência, mas
... muito pouco!

O voo da primeira leva saiu às 10 horas, a galgar os céus azuis do Uíge e che-
gando a Luanda uma hora depois, ao aeroporto internacional. 
Rápido e sem burocracias foi o desembarque, o salto para outras berliets e o atravessar a alta de Luanda, a rápida velocidade e pela Estrada de Catete e até ao Campo Militar do Grafanil, já por volta do meio-dia desse domingo de há 43 anos e... sem almoço.  
O Batalhão de Intendência de Angola foi o espaço, muito mal tratado, de aquartelamento da CCS. Sujo, abandonado, sem condições mínimas de acolhimento. A tarde seria para as primeiras limpezas, as suficientemente necessárias,  cada Cavaleiro do Norte da CCS procurou o que comer. Em ouyrs aquartelamentos do CMG, ou fora - na restauração civil.
Em Carmona e a esse mesmo tempo, a 2ª. CCAV. 8423 e a 3ª. CCAV.- 8423, com a Companhia de Comandos, faziam guarda da coluna que na madrugada seguinte arrancaria para Luanda. No adeus definitivo a terras do Uíge!
Gabriel Silvestre
da 2ª. CCAV. 8423

Silvestre de A.Viçosa, 
66 anos em Abrantes !

Gabriel Duarte Silvestre foi soldado atirador de Cavalaria da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, e festeja 66 anos a 3 de Agosto de 2018.
Natural do lugar de Lagarinho, da freguesia e concelho de Abrantes, lá regressou a 10 de Setembro de 1975, depois da sua jornada africana de Angola, terras do Uíge. Pouco mais sabemos dele, a não ser que actualmente vive no Vale da Hora, da freguesia de Bemposta, também em Abrantes. Para lá vai o nosso abraço de parabéns! 

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

4 205 - A véspera do adeus da CCS e da 1ª. CCAV. 8423 a Carmona!

ç
Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8423: clarim Oliveira (impedido da messe),
alferes Carvalho de Sousa e furriéis Mário Soares, Mário Matos e José Me-

lo. Em baixo, alferes João Machado e furriéis Rafael Ramalho e Abel Mourato

Cavaleiros do Norte da CCS no jardim do Qui-
texe: 1º. cabo Almeida, José Rebelo, da messe
de sargentos e... NN? Quem o pode identificar?

A 2 de Agosto de 1975, um sábado, o planeamento da rotação do BCAV. 8423 de Carmona para Luanda já era internamente conhecido: «Previamente, foi prevista a evacuação aérea das subunidades que não se deslocavam via terrestre», que seriam (e foram) a CCS e a 1ª. CCAV. 8423.
A tempo e para além dos «muitos cuidados com o que se pode chamar a coluna militar», um outro problema, bem delicado, estava iminente e era comummente assumido: «A população civil, conhecedora do movimento das NT, insegura no seu dia-a-dia, descrente do seu futuro e receosa de quaisquer repre-
sálias, resolveu-se pelo êxodo e começou a sentir-se que iriam acompanhar a nossa coluna centenas de viaturas, com o consequente muito elevado número de pessoas». Viaturas de civis.
E tal viria a acontecer.
O final do dia foi tempo para uma última visita, a visita do adeus aos locais mais sugestivos da cidade - cinemas, cafés e bares, restaurantes, locais de «vícios» jovens... -, enquanto as duas Companhias operacionais (a 2ª. CCAV. e a 3ª. CCAV. 8423, que no dia seguinte integrariam a coluna para Luanda) mantinham as posições de segurança da cidade. Até ao último momento!


Manuel G. Santos
Santos de Zalala
faria 66 anos!

O 1º. cabo Manuel Gonçalves dos Santos, apontador de morteiros da 1º. CCAV. 8423, a de Zalala, faria 66 anos a 2 de Agosto de 2018. Faleceu a 29 de Fevereiro de 2012.
Natural de Ega, em Condeixa-a-Nova, lá regressou antes de 9 de Setembro de 1975 (data do regresso dos Cavaleiros do Norte da 1ª. CCAV.), em data desconhecida e por razão de um acidente na Ponte do Dange, na sequência do capotamento de uma viatura militar, durante uma caçada. Foi evacuado para o Negage e depois para o Hospital Militar de Luanda - dele se perdendo o rasto, desde essa altura.
Apenas sabemos da sua morte pelo notícia divulgada pela Liga de Combaten-
tes, de que era associado (por consequência da sua invalidez). Hoje o recordamos com saudade!
Abílio Silva,
o Tira-Tira

Abílio «Tira-Tira»
do Liberato !

O  Abílio Silva, o Tira-Tira, foi condutor da CCAÇ. 1321, a da Fazenda Liberato, ali aquartelada entre 1971 e 1973. Faz 68 anos a 2 de Agosto de 2018.
A CCAÇ. 1321 era uma formação militar  europeia, que saiu do Liberato a 2 de Agosto de 1973 e foi rodada por uma Companhia de angolanos (e quadros europeus, oficiais e de sargentos milicianos, na maioria) - a CCAÇ. 209/RI 21, que viria a ser uma subunidade do BCAV. 8423. 
Aposentado, mora em Leiria, para onde vai o nosso abraço de parabéns!

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

4 204 - Viaturas e preparação do movimento Carmona para Luanda!

O dia 1 de Junho de 1975, no Bairro Montanha Pinto, em frente à messe de
sargentos da CCS dos Cavaleiros do Norte: apoio à população civil. Dos mi-
litares, à direita e de bigode e óculos, reconhece-se o furriel miliciano António
 Cruz. O segundo da sua direita, parece ser o Calçada. Alguém os identifica?
Foto de José Rebelo
A parada do BC12, em Carmona, nos dramáticos primeiros
dias do mês de Junho de 1975. Os Cavaleiros do Norte sem-
pre atentos e disponíveis para ajudar quem precisava


O dia 1 de Agosto de 1975, há 43 anos, foi tempo, em Carmona, de continuarem a chegar «as viaturas que ajudariam a transportar o BCAV.». Já tinha chegado a Companhia de Comandos e, no Nega-
ge, aquartelava-se a de Pára-quedistas.
«Houve que preparar o movimento com os cuidados que tal requeria, dado sa-
ber-se a oposição da FNLA dizia ir fa-
zer», relata o livro «História da Uni-
dade», acrescentando que «saber-se
Os furriéis milicianos Luís Mosteias
 (falecido a 5 de Fevereiro de 2013, em
Sines e de doença), Viegas (de
barba), Bento,  Pires e NN
 ir-se atravessar uma zona de conflito armado entre o MPLA e a FNLA, para depois prosseguir numa área de interesse do MPLA, dominado pelo seu poder popular».
Todos os cuidados seriam poucos!
A esse tempo já furriéis e sargentos da CCS tinham deixado a messe do Bairro Montanha Pinto e «hospe-
daram-se» no bloco habitacional imediatamente antes do BC12, para quem ia de Carmona.
Estava em marcha a rotação final!

Botelho da 3ª. CCAV. 
faleceu há 25 anos!

Ricardo da Conceição Botelho foi soldado de trans-
missões da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel, e faleceu há preci-
samente 25 anos: a 1 de Agosto de 1993.
O Botelho era residente no Pátio 25 (Rua de Angola), do lugar de Afonseiro, freguesia de Azinheira dos Barros, no concelho do Montijo. Lá voltou a 11 de Setembro de 1975, no final da sua comissão militar em Angola, por lá fez vida familiar e profissional e lá faleceu, não sabemos se por doença, ou outro mo-
tivo. Aqui e hoje o recordamos com saudade! RIP!!!


Artur da Maia
 Ferreira da Rosa
Artur Rosa, de A. Viçosa, 66
anos em Ferreira do Zêzere!

Artur Maia, 1º. cabo atirador de Cavalaria da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, festeja 66 anos a 1 de Agosto de 2018.
Artur da Maia Ferreira da Rosa, de seu nome completo, é na-
ral do lugar de Chão da Serra, da freguesia e concelho de Fer-
reira do Zêzere, e lá voltou a 10 de Setembro de 1975, depois da sua jornada africana da Angola - pelo saudoso chão do Uíge da nossa eterna saudade.
A sua acção foi louvada, por proposta do capitão miliciano José Manuel Cruz, comandante da 2ª. CCAV. 8423, «pela dedicação sempre manifestada no cum-
primento das missões de serviço que lhe foram solicitadas».
«Pelo seu aprumo e disciplina, pelo interesse e espírito de missão que o orna-
vam, sempre se salientou como muito bom auxiliar do seu comandante de pe-
lotão, o que justamente o distingue», sublinha o louvor, publicado na Ordem de Serviço nº. 172 do BCAV. 8423. Parabéns para ele!