CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

segunda-feira, 6 de novembro de 2023

7 258 - As vésperas da independência de Angola, com situação «extremamente grave»!

A avenida do Quitexe, ou Rua de Baixo, vendo-se o que resta do edifício do Comando do BCAV. 8423 (à
direita), a antiga parada dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, aqui com o imbondeiro e pavilhões
escolares (brancos), e, ao fundo e à esquerda, a Igreja de Santa Maria de Deus
O antigo quartel da 2ª. CCAV. 8423 do BCAV. 8423.
na uíjana terra de Aldeia Viçosa e a 25/09/2019


A 6 de Novembro de 1975, há 48 anos e a escassos dias da independência de Angola, confirmava-se a disposição do MPLA para declarar unilateralmente a independência e recusar qualquer conciliação com a FNLA e a UNITA. 
Os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 já desde (8 a 11) de Setembro que estavam em Portugal, mas não deixavam de procurar saber o que se passava por Angola, onde, pela leitura do «Diário de Lisboa», se sabia que a situação militar era «extremamente grave» no sul, com combates no Lobito e Benguela.
As duas cidades, por onde o blogue Cavaleiros do Norte passou há semanas, neste 2019 que passa e começa a chegar ao fim. O DL noticiava que aconteciam «violentos nos arredores e dentro da própria cidade, que chegou ontem a ser ocupada pelos agressores» - a cidade de Benguela. Por agressores, entenda-se, na linguagem do MPLA de Agostinho, «os mercenários do ELP e as forças sul-africanas». 
No Lobito, lá por bem perto, noticiava o DL que o MPLA «continua a dominar» e mantendo «as linhas estabelecidas para impedir o avanço sobre a cidade» das chamadas «forças invasoras» - as da FNLA e da UNITA, com apoio de tropa da África do Sul. Do norte e do (nosso) Uíge, é que nada se sabia.
O dia, em Portugal, foi o do célebre debate televisivo entre Mário Soares (secretário-geral do PS) e Álvaro Cunhal (idem, do PCP), com moderação de Joaquim Letria e José Carlos Megre, com uma audiência record.
O do famoso «olhe que não, olhe que não...? de Cunhal para Soares.

Notícia do «Diário de Lisboa» de 6/11/1975

Comandos do Sub-Sector
reunidos no Quitexe !


Um ano antes, a 6 de Novembro de 1974, o Quitexe foi palco de uma reunião dos comandantes do Sub-Sector do Quitexe - de que não tenho memória, nem achei rasto. 
O mês, com as emoções próprias dos encontros com combatentes da FNLA, ora dos que se apresentavam, ora dos que nos apareciam em sanzalas e caminhos do chão uíjano, seguia calmo. 
A tal «acalmia não encontrada há longos anos» de que fala(va) o livro «História da Unidade», que aqui temos recordado do tempo de há 49 anos.
A CCS recebeu mais um cozinheiro, o soldado Carlos JF Gomes, de quem não lembro cara ou jeito. Recebi correio do furriel Neto, que viera de férias a Portugal, para assistir ao casamento do irmão.
«Isto nem está bom, nem está mau..., tá uma m...», escreveu ele, que por cá aproveitava para noivar, com a sua Ni de todos os dias. Até hoje!
João Coreia M. Rito,
furriel de Zalala

Furriel João Rito
faria 71 anos!


O furriel miliciano João Correia Marques Rito, da 1ª. CCAV. 8423, faria 71 anos a 7 de Novembro de 2023. Faleceu em 2008.
Cavaleiro do Norte de Zalala, rendeu o Mota Viana, que, por castigo, rodou para Sanza Pombo - ver AQUI. Chegava da 1ª. CCAÇ. 4617, regressou a Portugal no da 9 de Setembro de 1975 e fixou-se no Salgueiral, freguesia da Freixianda, de (Vila Nova de) Ourém.
A 17 de Maio de 2008, o seu cadáver foi encontrado na estrada, provavelmente atropelado e em circunstâncias nunca suficientemente esclarecidas. Outra versão, aponta para a eventualidade de ter falecido noutro local e sido levado para aquele. Em qualquer dos casos, uma morte trágica e que, sem testemunhos oculares, nunca será explicada.
Solteiro, trabalhava na área das resinas e agora, quando se passam 15 anos da sua morte, aqui o recordamos com saudade! RIP!!

domingo, 5 de novembro de 2023

7 257 - A declaração unilateral de independência! Movimentações no BCAV. 8423!

A vila do Quitexe, na entrada do lado de Carmona - a actual cidade do Uíge, capital da Província do
 mesmo nome. As batas brancas que se vêem ao fundo são de estudantes dos vários estabelecimentos
de ensino da antiga sede dos Cavaleiro do Norte do BCAV. 8534
Avenida do Quitexe, a 24 de Setembro de 2019. O que sobrava do antigo
restaurante do Pacheco, em frente à messe de oficiais do BCAv. 8423


Os dias de Angola, a 5 de Novembro de 1975, uma quarta-feira de há 48 anos e a menos de uma semana do dia da independência, continuavam com combates em vários pontos do território.
A Frente Norte - a que mais interessava aos Cavaleiros do 
Notícia do Diário de Lisboa de 5 de Novembro
 de 1975 sobre a situação política em Angola
Norte, ao tempo já há quase dois meses em Portugal... -, continuava com «a situação continua
inalterável, havendo, no entanto, a registar algumas acções de flagelação, por parte do exército invasor, na região de Santa Eulália» - onde havia uma pista de aviação, que serviu a Força Aérea Portuguesa, que de lá tinha saído fazia pouco tempo.
A sul, eram maiores as movimentações e os combates sucediam-se, nomeadamente entre Sá da Bandeira e Moçâmedes. Em Luanda, vários portugueses foram presos e o MPLA do presidente Agostinho Neto anunciou que declararia a independência, unilateralmente, a 11 de Novembro, às zero horas - «se até lá, Portugal não alterar a sua posição face à UNITA e à FNLA», reconhecendo o movimento de Agostinho Neto como «o único e legítimo representante do povo angolano e transferindo para ele todos os poderes».
O MPLA, de relações tensas com o Governo Português, apenas convidou Álvaro Cunhal (secretário geral do PCP) e Rosa Coutinho (do Conselho da Revolução e ex-Alto Comissário) para «as festas da independência».
Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423, todos milicianos:
furriel Graciano Silva e alferes Mário Simões (atrás) e
furriéis Luís Capitão e José Fernando Carvalho

Cavaleiros do Norte
há... 49 anos !


Os primeiros dias de Novembro de 1974 registaram alguns acontecimentos, no BCAV. 8423, que vale(rá) a pena recordar:
- Dia 1: O furriel José Maria Freitas Ferreira marchou para Luanda, para a CCS do QG, com destino à 1ª. REP/QG/RMA, reclassificado em amanuense, depois de ter sido atirador de Cavalaria da 2ª. CCAV. 8423 e vítima de um acidente em serviço.
Os 1ºs. cabos Victor Manuel Florindo (enfermeiro) e Victor Manuel Vieira (Sacristão) marcharam para Luanda, para férias em Portugal e respectivamente em Santarém e Vidigueira.
- Dia 2: Apresentou-se no Quitexe e na CCS, para «desempenhar uma missão de serviço», o grupo de combate comandado pelo alferes Carlos Silva, com os furriéis Alcides Ricardo e António Luís Gordo e 19 praças da 3ª. CCAV. 8423, a 
Os 1ºs. cabos Joaquim Breda
e Victor Vieira (Sacristão)
Fazenda de Santa Isabel.
Regressaram a Santa Isabel, por terem «terminado a missão de serviço» no Quitexe o alferes Mário Simões, com os furriéis Graciano Silva e José Fernando Carvalho, com os respectivos 18 praças.
- Dia 3: Entraram de licença na metrópole os 1ºs. cabos Luciano Borges Gomes (mecânico de armamento ligeiro) e Joaquim Rama Breda (condutor), ambos de Leiria.
- Dia 4: Solto das prisões do quartel, foi o 1º. cabo Alfredo Rodrigo Ferreira Coelho, por «ter terminado o cumprimento da pena que lhe foi imposta» - 10 dias de prisão disciplinar agravada, agravada pelo Comando do Sector do Uíge (20 dias) e pelo Comando da Zona Militar Norte (30 dias).

sábado, 4 de novembro de 2023

7 256 - O histórico encontro do PELREC, no Dambi Angola, com guerrilheiros da FNLA!

O furriel Viegas na aldeia do Dambi Angola, a 24 de Setembro de 2019 e 45 anos depois do histórico
encontro dos Cavaleiros do Norte do PELREC  da CCS do BCAV. 8423 com guerrilheiros da FNLA. 

Aldeia «deslocalizada» em relação ao tempo de 1974!
Cavaleiros do Norte do PELREC do BCAV. 8423 com guerrilheiros da FNLA
no histórico encontro de 4 de Novembro de 1974. De pé, o 1º. cabo Jorge
Salgueiro (TRMS), José Rebelo e o furriel José Pires (TRMS). Em baixo, ao
 centro, Aurélio e furriel Viegas (de Operações Especiais, os Rangers)

O dia 4 de Novembro de 1974 está historicamente ligado à jornada africana dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423. Foi o dia do primeiro encontro com guerrilheiros da FNLA. Na sanzala do Dambi Angola, entre o Quitexe e Aldeia Viçosa.
A 3 de Novembro de 1974, na véspera e ao final da tarde, o PELREC recebeu uma ordem de operação muito especial: sair às 4 da madrugada do outro dia para um possível contacto com guerrilheiros do FNLA. 
Quem sabia dessas coisas era, naturalmente, o Gabinete de Operações, do capitão José Paulo Falcão - que tinha os seus contactos, que eu não sei contar. Disse eu ao furriel José Pires, o de Transmissões e de Bragança e que andava «mortinho» para participar numa operação.
«Queres ir amanhã?!...», perguntei-lhe, provocador e entre duas Cuca´s, calmamente bebericadas no bar da messe de sargentos do Quitexe.
«P´ra onde?...», interrogou ele, ansioso e curioso. 
«Depois sabes...! Depois sabes!... Queres ir, ou não?!..», disse eu, fechando-me em copas e a «brincalhar» com o ansioso Pires de Bragança. 
Eu não podia dizer. E acrescentei-lhe: «Tens de ter autorização do capitão Falcão». Acabei por ser eu a pedir e lá foi o furriel Pires, o das transmissões, para a sua «estreia» fora do arame farpado, pelos chãos do Uíge fora,. Havia outro Pires, o furriel sapador, do Montijo.

Os furriéis milicianos Viegas e Pires
(de TRMS) no encontro do Dambi
Angola, há rigorosamente 49 anos

Chegámos à sanzala,
num «adro» imenso !


O objectivo era a aldeia (sanzala) do Dambi Angola, na Mata do Quipemba, entre Quitexe e Aldeia Viçosa. Lá chegámos, já de dia. 
Pelo caminho, poupando palavras, passámos incólumes numa vigia dos «turras» (um deles apontando-nos uma arma, de cima de uma árvore). Cairia, a tiro nosso, caso esboçasse qualquer gesto. 
O Breda, condutor-auto da primeira viatura, suava frio de ansiedades e tremia, ao passar debaixo da árvore, conduzindo o «unimog» em que eu próprio seguia. Chegámos à sanzala, num «adro» imenso, e os «unimogs» pararam em posições de segurança. 
Em prevenção da vida de cada um de nós!
Olhámos, era eu o comandante da força, e não tive medo. Se eles lá estavam, com eles falaríamos. Era ao que íamos. Levávamos grades de cerveja e tabaco, aconselhados pela Acção Psicológica. Faltava «descobrir» o «inimigo», misturado entre as gentes da sanzala - crianças, adultos e idosos, todos misturados. Saltei do unimog, sem tirar as divisas do camuflado. E «gritei»: 
«Sou o furriel Ranger!...». 
Manias!! Nem falar!!! E avancei, passo a passo, de mãos tensas, caídas nas ancas, a direita segurando a G3. 
«Posso levar um tiro..., morro aqui!..., aqui mesmo!...», sentia eu, expectante e regado de suores frios. Do cinturão, penduravam-se granadas defensivas, prontas a estourar. A G3, de resto, estava armada com o dilagrama, para o que desse e viesse e seria letal, mortalíssimo; dilagrama que eu dispararia, em qualquer caso. 
Um passo meu, em frente, era um passo atrás dos populares do Dambi Angola, misturados de guerrilheiros da FNLA, como viemos a confirmar. 
«Boa tarde, somos amigos, vamos falar...», gritei eu de novo, embora de bons modos e tenso, convidando-os a conversa. Eram essas as instruções. E voltei a falar bem alto, mais um passo e outro, em frente! Confesso que meio a medo. 
O furriel Viegas no Dambi Angola,
a 25 de Setembro de 2019

Os «turras» e o...
jantar de camarão!


Poupando palavras, confraternizámos nesse final de manhã e já pela tarde dentro. Tarde em que o grupo da FNLA soube que tinha havido uma revolução em Lisboa - sete meses antes.
Beberam os «fnla´s» cervejas das que levávamos, depois de nós bebermos. Fumaram os «CT» depois de alguns de nós. E tirámos fotografias.
Dizia o Pires, no regresso:
«Estes é que são os turras?!».
Eram. Eu (Viegas), era tratado por Veigas. Senti-me amedrontado! Eh, pá... afinal eles sabiam quem eu era.
Guardo do Pires, o seu desabafo no jantar de camarão e cerveja à farta, que ele pagou nessa noite, no restaurante do Rocha, no Quitexe. Mais ou menos isto:
«Como é que saltaste do Unimog, com aquela calma?!!!... Já sabias que eles eram turras?!».
É evidente que, ao momento, ele não sabia disso. E nas várias vezes que falámos sobre este momento, nestes 45 anos, sempre nos divertimos com a história. Que poderia ter sido uma tragédia!!! Não foi, se calhar, porque fomos todos, começando por mim, leviamente e generosamente irresponsáveis, embora cumpridores da missão de que estávamos incumbidos. 
Algum tempo depois, no Quitexe, disse-me um dos angolanos desse princípio de tarde de 4 de Novembro de 1974:
«Nós espensou c´os furrié ias matá a gente...».
Eu sei que nunca matei ninguém!
Os homens do FNLA que nesse dia «achámos» estavam armados de armas de fabrico checo e chinês, com uma bala na câmara e mais meia dúzia delas num saco de plástico pendurado na cinta, feita de um cordão improvisado de arbustos secos. Há 45 anos!

Aurélio Parracho

Parracho de Zalala, 71 anos
em Figueiró dos Vinhos!


Aurélio Patrício Parracho foi soldado atirador de Cavalaria da 1ª. CCAV. 8423, a da mítica Fazenda Maria João, a de Zalala, festeja 71 anos a 4 de Novembro de 2023. Hoje mesmo!
Cavaleiro do Norte do 4º. Grupo de Combate, o do alferes miliciano José Manuel Lains dos Santos e dos furriéis milicianos Américo Joaquim da Silva Rodrigues, Jorge António Eanes Barata (ambos já falecidos) e José dos Santos Louro, o Parracho regressou a Portugal no dia 9 de Setembro de 1975, depois de tambem jornadear por Vista Alegre/Ponte do Dange, Songo e Carmoma - a actal cidade do Uíge. 
Fixou-se na Praia de Pedrogão, freguesia de Coimbrão, do município de Leiria, onde residia e de onde é natural. Mora agora em Figueiró dos Vinhos, para onde vai o nosso abraço de parabéns!


Soares de Aldeia Viçosa,
António Soares
71 anos em Gondomar !

O soldado Soares, atirador de Cavalaria de especialidade militar e combatente da 2ª. CCAV. 8423, festeja 71 anos a 4 de Novembro de 2023. O sábado de hoje mesmo!
António Joaquim da Rocha Soares, é este o seu nome completo, foi Cavaleiro do Norte da sub-unidade de Aldeia Viçosa, também passou pela cidade de Carmona e voltou a Portugal no dia 10 de Setembro de 1975, no final da sua comissão de serviço em terras do norte de Angola, pelo Uíge profundo.
Fixou-se em Valbom, no concelho de Gondomar, de onde é originário. Lá continua a viver (agora na Rua Miguel Bombarda) e para lá, e para ele, vai o nosso abraço de parabéns!

sexta-feira, 3 de novembro de 2023

7 255 - O (não) cessar-fogo de Angola, a poucos dias da independência!

O BC 12, último quartel do BCAV. 8423 e das Forças Armadas Portuguesas, na saída da cidade de
Carmona, actual Uíge, para o Songo. É agora uma unidade das Forças Armadas de Angola e ampliado
para o lado do Songo - do qual se tirou esta imagem, a 25 de Setembro de 2019
A Missão do Quitexe, mesmo ao lado da Igreja de Santa Maria de Deus, a do 
 padre Albino Capela. Foi construída nos anos de 1972/73, com ajuda do

povo, de empresários e de fazendeiros da região
O padre Albino Capela num
 baptizado da Família Rei,
na  Igreja do Quitexe 



Há 48 anos, a segunda-feira de 3 de Novembro de 1975 não foi dia de boas notícias de Angola: «Não há cessar fogo», titulava o «Diário de Lisboa», dando corpo a um despacho do «Diário de Luanda». 
Os combates prosseguiam, de norte a sul do futuro novo país, apesar de a Cimeira de Campala ter apontado 
Notícia do Diário de Lisboa de 3 de Novembro
 de 1975 sobre a situação política de Angola
as 6 horas de 1 de Novembro para o cessar-fogo. 
Já lá iam dois dias e nada de cessar-fogo.
«A partir de agora, não mais se pode falar em quatro forças em presença», disse, em Luanda, o comandante Júlio Almeida. Referia-se ao MPLA (o seu partido/movimento de libertação de Angola), à FNLA, à UNITA e às Forças Armadas Portuguesas. «Há apenas duas partes em confronto», acrescentou este responsável militar do movimento de Agostinho Neto. E apontou-as: «As forças populares e os seus inimigos, a soldo do imperialismo, apresentem-se sob que forma for».
Por forças populares, entendam-se, na linguagem do MPLA, as Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (as FAPLA). «Inimigos a soldo do imperialismo» seriam o Exército de Libertação Nacional de Angola (o ELNA, braço armado da FNLA) e as Forças Armadas de Libertação de Angola (as FALA, da UNITA).
Estava-se a poucos dias da independência (11 de Novembro) e terminava a ponte aérea, de Luanda para Lisboa, estimando o Alto Comissário que ficassem em Angola «cerca de 30 000 a 40 000 portugueses». Todos eles, e todos os estrangeiros, tinham de, a partir de 11 de Novembro, «ser portadores de um documento do Governo angolano».

O capitão José P. Falcão, à esquerda, e o comandante
Almeida e Brito. Ao meio, o clarim Armando M. Silva

FNLA´s no Quitexe e
comandante de férias!


Um ano antes, no Quitexe, o tenente-coronel Carlos Almeida e Brito «endossou» o comando do BCAV. 8423 ao capitão José Paulo Falcão, por vir a Portugal, de férias.
A guarnição vivia dias calmos, em serviços de rotina por todas as subunidades - a CCS do Quitexe, a 1ª. CCAV. 8423 da Fazenda de Zalala, a 2ª. CCAV. 8423 da vila de Aldeia Viçosa e, na Fazenda Santa Isabel, a 3ª. CCAV. 8423. Assim como no Destacamento de Luísa Maria e nas companhias independentes de Vista Alegre (a CCAÇ. 4145) e da Fazenda do Liberato (CCAÇ. 209/RI 21).   
«Pode dizer-se que Novembro de caracterizou por uma acalmia não encontrada há longos anos», nota o livro «História da Unidade», sobre este período de há 45 anos e pelas terras uíjanas do norte de Angola.

quinta-feira, 2 de novembro de 2023

7 254 - As mortes do general Magalhães, do capitão Oliveira, do alferes Garcia e do furriel Barreto!

O capitão Afonso Oliveira na secretaria do BC12, em Carmona (1975)

O capitão Afonso Oliveira na secretaria do 
1º. piso do BC12 de Carmona

O capitão Afonso Duarte de Oliveira, do SGE, foi o oficial responsável pela secretaria do Comando do Batalhão de Caçadores nº. 12 - o BC12, de Carmona. O quartel uíjano onde se instalou o BCAV. 8423, a 2 de Março e até 4 Agosto de 1975. 
Quadro permanente da Forças Armadas Portuguesas e oriundo da Arma de Artilharia, é homónimo (de apelido) do também capitão António Martins de Oliveira, que comandava a CCS.
Afonso Duarte de Oliveira teve comissões em Macau, na Índia, em Moçambique e em Angola, neste caso entre 1970 e 1972, integrado no BART. 2900 e jornadeando por Nabuambongo e Ambrizete. Nos finais de 1972 e até 1975, esteve em Carmona, no BC12, onde o encontrámos a 2 de Março deste ano.
Natural de Sobreiro, de Valongo do Vouga, em Águeda, lá nasceu a 31 de Janeiro de 1920 e iniciou a sua carreira militar como furriel miliciano. Consorciou-se em 1945 (aos 24 anos), em Alquerubim, de Albergaria-a-Velha. Teve carreira militar em sucessivo crescendo, atingindo a patente de capitão.
Vivia na cidade de Carmona, com a esposa (os filhos estudavam em Lisboa) e era companheiro habitual dos furriéis milicianos, nas suas viagens entre o quartel e as messes da cidade.
Ainda passou pelo Batalhão de Intendência de Angola (BIA), onde o BCAV. 8423 aquartelou a 3 de Agosto de 1975, depois da épica evacuação da coluna militar de Carmona.
O capitão Afonso Duarte de Oliveira seguiu a carreira militar em Portugal e, já aposentado, faleceu a 15 de Agosto de 1980, vítima de enfarte e no Hospital de Aveiro. Está sepultado em Alquerbim (Albergaria-a-Velha), a terra de sua esposa (também já falecida)
. RIP!!!

Alferes António
M. Garcia!
                                                
Notícia no «Diário de
Lisboa» de 03/11/1979

A morte do alferes 
António M. Garcia!


O dia 2 de Novembro de 1979 está tragicamente associado à morte do ex-alferes miliciano Garcia, que foi comandante do PELREC da CCS do BCAV. 8423.
O acidente, como se vê no recorte do JN de 3 de Novembro de 1979, ocorreu em Vila Garcia (dramática coincidência de nomes), localidade entre Mangualde e Fagilde (Viseu), quando o então inspector da Polícia Judiciária conduzia uma viatura da PJ contra a qual embateu, de frente, um automóvel de matrícula alemã, conduzido por um emigrante de 21 anos - que tentava ultrapassar outros veículos, numa recta.

O então ex-alferes António Manuel Garcia, tinha 27 anos e teve morte imediata, embora ainda transportado ao Hospital de Mangualde. Integrava a equipa da PJ que investigava o caso da morte de Ferreira Torres, político de então. Carlos Eurico Duarte, o PJ que o acompanhava, sofreu fractura da bacia e foi internado naquele hospital, assim como os 4 ocupantes do carro do emigrante.
Deixou viúva, Olga Garcia e orfã a filha Marta.
Notícia da morte do alferes miliciano António Manuel
Garcia, então inspector da Polícia Judiciária (PJ), no
«Jornal de Noticias» de 3 de Novembro de 1979
Louvor a Garcia
na jornada d´África!


António Manuel Garcia era especialista de Operações Especiais (Rangers) e foi louvado porque «sempre manifestou o maior desembaraço e competência no seu comando, possuindo alto espírito de sacrifício em todos os momentos difíceis em que foi necessária a sua acção», nomeadamente na cidade de Carmona «aquando dos graves incidentes» da primeira semana de Junho de 1975.
O louvor destaca as suas «boas qualidades morais, humanas e militares» e o facto de ter «constituído um todo coeso» com o pelotão que comandava - o PELREC da CCS do BCAV. 8423 -, o que, ainda segundo o dito louvor, «muito contribuiu para que na Companhia se mantivesse a perfeita disciplina e respeito pela hierarquia, muito facilitando a missão do comando que directamente servia, sem que deixasse de merecer o respeito dos seus subordinados».
Hoje, dia 2 de Novembro de 2023, na data de passagem dos 44 anos do seu trágico passamento, aqui, com muita saudade e viva emoção, fazemos honra à sua memória!! RIP!!!

O furriel miliciano Barreto na picada de Zalala, em 1974, há 49 e ladeado pelo soldado
Santos (à esquerda) e pelo furriel furriel miliciano José Nascimento

 
A morte do furriel Jorge 
Barreto, enfermeiro de Zalala!

O furriel miliciano Barreto, na foto ao lado, foi enfermeiro de especialidade militar e Cavaleiro do Norte da 1ª. CCAV. 8423, a da Fazenda de Zalala. Faleceu a 2 de Novembro de 2021, em Baguim do Monte. Tinha 69 aos, celebrados a 21 de Outubro de 2020
.
Jorge Manuel Mesquita Barreto, de seu nome completo, era natural de Mira e lá regressou a 9 de Setembro de 1975, no fnal da sua jornada africaba do iíjano norte de Angola, seguindo carreira profissional na área da enfermagem civil, no Porto e como técnico e professor. 
Fixou residência naquela localidade do município de Gondomar, mesmo junto ao Porto. Cavaleiro do Norte da mítica Fazenda Maria João, a de Zalala, e depois de Vista Alegre/Ponte do Dange, Songo e Carmona, tinha-se apresentado no BCAV: 8423. mobilizado para a 1ª . CCAV. 8423, a 28 de Fevereiro de 1974, em Santa Margarida e rodando do Regimento do Serviço de Saúde (RSS), em Coimbra.
Hoje o recordamos, com saudade de um com companheiro da nossa jornada africana do Uíge angolano. RIP!!!

Brigadeiro Altino
de Magalhães
Comandante da ZMN
e Bispo no Quitexe !


O brigadeiro Altino de Magalhães, comandante da Zona Militar Norte (ZMN) esteve no Quitexe, «em trânsito pelo Subsector», do Uíge no dia 2 de Novembro de 1974.
Também no mesmo dia de há 49 anos, uma sexta-feira mas em visita particular, estiveram na vila quitexana do Uíge angolano o comandante do BCAV. 8324 - não confundir com o BCAV. 8423 - e «diversos oficiais da guarnição de Carmona».
O Bispo da Diocese de Carmona e S. Salvador, com Sé na capital do Uíge, era D. Francisco da Mata Mourisca (dela o primeiro titular e de 1967 a 2008), e também neste dia esteve no Quitexe, numa visita que «teve colaboração das autoridades civis e das populações» locais.
O (já) general Altino de Magalhães era natura de Ribalonga, em Carrazeda de Ansiães, onde nasceu a 8 de Maio de 1922. Faleceu a 24 de Janeiro de 2019, aos 97 anos e em Oeiras. RIP!!  

quarta-feira, 1 de novembro de 2023

7 253 - O cessar-fogo no Uíge e as rotinas dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423!


Carmona, actual cidade do Uíge, e a messe de sargentos da CCS do BCAV. 8423 (anteriormente de
oficiais) do Bairro Montanha Pinto - em imagem de 25 de Setembro de 2019. Em primeiro plano, o
jardim - que pouco tem a ver com o dos tempos de 1975. A seta indica o edifício da messe
O uíjano jardim do Bairro Montanha Pinto, em Carmona
e nos tempos coloniais dos anos 70 do Século XX


O 1 de Novembro de 1974, há 49 anos, começou tranquilo pelas bandas do Quitexe e toda a ZA dos Cavaleiros do Norte. No Uíge angolano.
Vivia-se «o clima de cessar fogo estabelecido no mês anterior e pode dizer-se que Novembro se caracterizou por uma acalmia não encontrada há longos anos», como se lê no livro «História da Unidade». 
Tenho ideia de, nesse dia, ter ido ao cemitério do Quitexe, na saída da estrada para Camabatela, onde assisti às cerimónias celebradas pelo padre Albino Capela - que sacerdotava na Missão da vila uíjana onde se aquartelava a CCS e o comando do BCAV. 8423.
Cerimónias militares no Cemitério do Quitexe.
Foto de José Lapa (de 1966)
O cemitério do Quitexe tinha o chamado Talhão Militar e lá fui algumas vezes, olhando as placas com os seus nomes, procurando (sem encontrar) algum que fosse da região de Águeda.
A imagem que aqui reproduzimos (de José Lapa) é dos funerais de dois militares mortos em acidente de viação, na estrada Quitexe-Aldeia Viçosa e em Abril de 1966: o furriel miliciano Luís Joaquim Pereira Pinto, de Torre de Moncorvo, e o soldado Alfredo Rebelo Amorim Malheiro, de Vila Nova de Cerveira, ambos da CART. 785 e falecidos a 24 de Abril de 1966.
A guarnição dos Cavaleiros do Norte, há 49 anos, fazia serviços de rotina - incluindo os sempre «pesados» patrulhamentos dos itinerários principais - e a rapaziada tinha cinema no Clube do Quitexe, umas baldas a Carmona (e alguns, mais ousados, até Luanda...). Até às Quedas do Duque de Bragança. E jogava-se a bola, com renhidas partidas no campo de futebol do Quitexe.
Os furriéis milicianos Neto, Pires (TRMS) e Rocha,
trio da CCS do BCAV. 8423

Neto e Rocha, 2
furriéis de férias!


A 1 de Novembro de 1974, entraram de férias os furriéis milicianos Francisco
 Neto e Nelson Rocha, ambos da CCS do BCAV. 8423, a da vila do Quitexe. 
Nesse dia, na verdade e de malas aviadas, viajaram para Luanda e depois para Lisboa, para os seus chãos natais: Águeda (o Neto) e Vila Nova de Gaia (o Rocha), respectivamente. Eram ambos da CCS e o Neto vinha com uma «missão» muito especial: assistir ao casamento do irmão, o Manuel Albuquerque, que jornadeara pela Guiné-Bissau. E mais: reencontrar e apaparicar a sua Ni, sua namorada de sempre! Foi há 49 anos! 
O tempo voa, parece que foi ontem ou anteontem e... já todos somos septuagenários!!!
Jorge Botelho


Botelho, atirador do PELREC,
71 anos em VN de Gaia !


O soldado 
Jorge António Pinto Botelho, Cavaleiro do Norte da CCS do BCAV. 8423, festeja 71 anos a 1 de Novembro de 2019. Hoje mesmo!
Atirador de Cavalaria do PELREC - e guarda-redes e avançado da equipa de futebol da Companhia quitexana... - foi um militar irreverente e reivindicativo, mas sempre disciplinado, um bom companheiro da nossa jornada africana do norte de Angola.
Regressou a Portugal e a Vila Nova de Gaia, o seu chão natal, no dia 8 de Setembro de 1975. A vida não tem sido fácil para ele, que alguns problemas teve com a justiça (levando-o à prisão), para além de uma frágil saúde que há anos o atormenta, «roubando-lhe» até as cordas vocais - o que lhe limita, e muito condiciona, a sua capacidade de comunicação.
Para ele, neste dia, o nosso abraço de parabéns!
Manuel Marques, o
1º. cabo Carpinteiro,
nos anos 2000!
O 1º. cabo Manuel Marques,
o Carpinteiro, no BC12 (1975)

O 1º. cabo Marques, o 
Carpinteiro da CCS,
faleceu há 12 anos !

O 1º. cabo 
Manuel Augusto da Silva Marques, Cavaleiro do Norte da CCS do BCAV. 8423, faleceu há 12 anos, a 1 de Novembro de 2011, na sua natal terra de Esmoriz, em Ovar.
O Marques foi o inesquecível 1º. cabo Carpinteiro, assim por lá foi popularizado (por ser esta a sua especialidade militar) e homem de piada permanente e folgada e continuada boa disposição. Saiu de casa com a esposa, foram à missa e ao cemitério, participando nas cerimónias religiosas do dia, passaram pelo café e dirigiram-se a casa. Ao colocar a chave, para abrir a porta, o Marques, o nosso Carpinteiro, caiu! 
Fulminado! Morte súbita! 
Muitas saudades, grande Carpinteiro! Até um destes dias!!! RIP!!!
Joel Catarino e
António Tomás.
RIP!!
Fazenda Santa Isabel

Tomás e Catarino, de Santa
Isabel, faleceram há 40 anos!


O dia 1 de Novembro de 1983, há precisamente 40 anos, regista o falecimento de dois Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel: o 1º. cabo Joel e o soldado Tomás.
Ambos atiradores de Cavalaria de especialidade militar.
Joel Carlos Gonçalves Catarino, o 1º. cabo, regressou a Portugal no dia 11 de Setembro de 1975 e faleceu em Paivas de Amora, no município do Seixal. Não sabemos a razão da morte, supomos que por doença.
O soldado António Francisco Tomás regressou a Portugal no mesmo dia, a 
Termas do Vimeiro, na freguesia de Á-dos-Cunhados, do concelho de Torres Vedras, de onde era natural.  Em 1983, não resistiu a uma embolia cerebral, deixando viúva e dois filhos - um dos quais nasceu duas semanas depois da sua morte. O mais velho, agora com 45 anos, tinha então apenas cinco.
Ambos hoje o recordamos com saudade! RIP!!! RIP!!!