CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

segunda-feira, 13 de novembro de 2023

7 265 - O terceiro dia da Angola independente! 50 mortos e mais de 100 feridos!


A baía e a avenida da lindíssima marginal de Luanda, a capital de Angola, vista da Fortaleza de
 S. Paulo e a 8 de Outubro de 2019
O furriel Viegas, da CCS do BCAV. 8423, e o condutor Nogueira,
da CCAÇ.  209/RI 21, a da Fazenda do Liberato, companheiros
de uma inesquecível viagem de saudade por terras de Angola. A
 8 de Outubro de 2019 e, aqui, na restinga (ilha) de Luanda


A 13 de Novembro de 1975, há 48 anos e já com Angola independente e os Cavaleiros do Norte há mais de 2 meses em casa, o MPLA dava como «praticamente certa a participação de um vasto leque de independentes no futuro Governo».
Os tempos noticiosos angolanos falavam mesmo de «alguns nomes ligados à Junta Governativa, ao tempo do almirante Rosa Coutinho, e, posteriormente, a várias Secretarias de Estado Governo de Transição».
Agostinho Neto, presidente de Angola e estando num jantar comemorativo da independência, recusou-se a cortar o bolo, que tinha desenhadas (a chantilly) todas as 12 províncias da jovem nação:
«Nunca devemos repartir Angola», disse o já então Presidente da República.
A imprensa do dia noticiava que «reina acalma em todas as áreas libertadas pelo MPLA» e que 26 países já tinham oficialmente reconhecido a República Popular de Angola. «Espera-se que com a constituição do primeiro Governo, novas declarações de reconhecimento surjam, podendo vir a contar-se entre estas a de Portugal», noticiava o Diário de Lisboa de 13 de Novembro de 1975.
Luanda, por esse tempo, era uma cidade calma, mas as FAPLA (forças armadas do MPLA) e o ELNA (exército da FNLA) estavam frente a frente, a escassos 30 quilómetros a nordeste da cidade. Das outras frentes, nada se sabia nesse dia.
Fáceis não eram, as comunicações!
Cavaleiros do Norte da 2ª. CAV. 8423 na capela de Aldeia
 Viçosa: o Abrantes e o Aniano Tomaz, ambos condutores. 
A fé nunca não abandonou os crentes do Batalhão

50 mortos e
mais de 100 feridos!

Um ano antes, a 13 de Novembro de 1974, o capitão José Paulo Falcão, comandante interino do Batalhão de Cavalaria 8423, esteve reunido no Comando do Sector do Uíge, em Carmona, no BC12. Foi mais um encontro de trabalho dos comandantes das várias unidades do CSU.
O mesmo dia, mas no Quitexe, foi igualmente tempo para mais uma reunião da Comissão Local de Contra-Subversão. O mês de Novembro de 1974, lê-se no livro «História da Unidade», «pode dizer-se que se caracterizou por uma acalmia não encontrada há longos anos».
Não era assim, no entanto, em todo o território angolano. Um despacho da Reuters, publicado no «Diário de Lisboa» desse dia 13, dava conta que «a capital angolana está a regressar à normalidade, depois de dois dias de tiros e fogos postos, em que encontraram a morte mais de 50 pessoas e ficaram feridas mais de 100». 
A madrugada dessa 4ª.-feira registou «tiroteios esporádicos e os motoristas em greve de protesto contra os assaltos e tiros na estrada de Luanda para o Dondo», regressaram ao trabalho, «depois de o Governo ter anunciado que intensificará as patrulhas militares naquela estrada».
Notícia do Diário de Lisboa de 13 de
Novembro de 1974, sobre os 39 reféns dos
rebeldes cercados pela tropa portuguesa

Rebeldes cercados
no Enclave de Cabinda !


Cabinda era outro ponto de conflito e onde «soldados negros que anteriormente pertenceram às forças especiais  portuguesas, continuaram a ter em seu poder 39 reféns, numa posição fortificada sobranceira a fronteira com o Congo-Brazaville» - cercados pela tropa portuguesa, porém com dificuldades desta em intervir, por causa dos reféns. 
Os soldados negros, segundo o «Diário de Lisboa», eram «aparentados da FLEC», um movimento que procurava «obter autonomia total» do Enclave, que era (é) uma «região rica em petróleo». Apresentaram uma lista de exigências para libertar os 39 prisioneiros.
A UNITA, no Lobito, dava conta que «300 indivíduos são incorporados diariamente» no seu exército. Jorge Valentim, considerado o nº. 2 do presidente Jonas Savimbi, disse, sobre o futuro, que «posso assegurar a toda a população branca de origem portuguesa que deve estar absolutamente calma, pois a UNITA assegurar-lhes-á a protecção».
O clarim Santos, com
o furriel João Dias

Santos, clarim de 
Zalala, 71 anos em
(VN de) Ourém!


O soldado Fernando Manuel Dias dos Santos, da 1ª. CCAV. 8423, está hoje em festa, dia 13 de Novembro de 2023: comemora 71 anos!
Cavaleiro do Norte da mítica Fazenda de Zalala - a mais rude escola de guerra.. - foi clarim de especialidade militar e voltou a Portugal no dia 9 de Setembro de 1975, no final da sua comissão militar em Angola. Fixou-se no Resouro, povoação da freguesia de Urqueira, em (Vila Nova de) Ourém, a terra da sua naturalidade e residência. 
Trabalhou na área da construção civil e esteve vários anos emigrado em França e é para lá, para a Urqueira, que vai, direitinho e amigo, o nosso abraço de parabéns

domingo, 12 de novembro de 2023

7 264: O segundo dia da nova Angola, já independente! O Governo do MPLA!

sábado, 11 de novembro de 2023

7 263 - As três proclamações de independência de Angola! As do MPLA, da FNLA e da UNITA!


A declaração do MPLA, em Luanda, a capital, a 11 de Novembro de 1975, há 48 anos: «Diante 
de África e do mundo, proclamo a independência de Angola», disse o presidente Agostinho Neto
Holden Roberto e Jonas Malheiro Savimbi, respectivamente
presidentes da FNLA e da UNITA, movimentos de libertação de
Angola, que também proclamaram a independência


A independência de Angola foi proclamada em dose tripla mas unilateral, a 11 de Novembro de 1975, hoje se passam 48 anos: uma em Luanda, pelo MPLA (a que viria a «vingar» e a ser reconhecida), outra no Ambriz, não muito longe (a da FNLA), e uma outra em Nova Lisboa (a da UNITA).
Os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 há mais de dois meses que tinham regressado a Portugal, mas, de ouvidos e olhos bem, abertos, continuavam 
A proclamação de Agostinho Neto
atentos à actualidade angolana. E, naturalmente, ao dia da independência - o histórico 11 de Novembro de 1975!
A declaração do MPLA ocorreu uma hora antes (às 23,10) da protocolada (zero horas do dia 11) e no estádio 1º. de Maio, em Luanda. Chegou a Portugal em directo e ouvia-a através da RDP. 
«Diante de África e do mundo, proclamo a independência de Angola», disse o presidente Agostinho Neto, num discurso que pode ser ouvido através do link abaixo indicado. 
O Diário de Lisboa, na reportagem sobre o histórico acontecimento, noticiou que «um combatente do «4 de Fevereiro» e um pioneiro do MPLA fizeram subir à meia note, no mastro de honra, a nova bandeira de Angola».
«A euforia que se apossou de Luanda repercutiu-se por todas as zonas já completamente libertadas pelo MPLA, onde o povo, portanto, pode dar, sem medo, vazão à sua alegria», reportava o Diário de Lisboa - jornal que desde sempre deu particular atenção aos acontecimentos de Angola e era muito próximo da linha política do MPLA.
A revista brasileira «Veja» publicou cartazes da FNLA,
MPLA e UNITA e legendou-os: «Cada movimento com
o seu próprio território e a sua própria independência»

Independências no 
Ambriz e em Nova Lisboa !

O Ambriz, não muito longe de Luanda, foi cenário da declaração de independência da República Popular e Democrática de Angola, a da FNLA do presidente Holden Roberto. 
A antiga Nova Lisboa (actual cidade
Diário de Lisboa de 11 
de Novembro de 1975
 (1ª. página) 
de Huambo) foi o cenário da proclamação de independência da UNITA, o movimento liderado por Jonas Malheiros Savimbi - que não estava lá. Estavam Miguel N’Zau Puna, José N’Dele e Jerónimo Wang. Mas ambas as proclamações não foram consideradas oficiais. Não foram reconhecidas pela comunidade internacional.
Horas antes da proclamação da independência, «as forças do MPLA rechaçaram uma nova ofensiva», lançada na manhã da véspera, no Enclave de Cabinda, segundo a ANOP, precisando que «os invasores sofreram pesadas baixas, em homens e material (...), muitos prisioneiros e capturada grande quantidade de espingardas automáticas G3» e, além disso, também «destruídos blindados estrangeiros». Os atacantes fugiram para o Zaire.
Próximo de Luanda, no Quinfandongo, «a luta não cessou durante todo o dia e noite de ontem». Na mesma hora em que, em Luanda, se festejava a independência, «forças das FAPLA combatiam os mercenários da FNLA, em luta que chegou a travar-se corpo a corpo».
- O discurso de AgostinhoNeto, ver AQUI, no youtube
- A notícia do Diário de Lisboa, AQUI e AQUI
Carlos Leitão
de Santa Isabel

Leitão de Santa Isabel
em festa de 71 anos!


O soldado Leitão, Cavaleiro do Norte da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel, está hoje em festa, dia 11 de Novembro de 2023: comemora 71 anos!
Carlos Manuel Leitão Feliciano, de seu nome completo, foi mecânico auto-rodas de especialidade militar (com o furriel José Lino) e jornadeou por aquela fazenda até 10 de Dezembro de 1974, quando rodou para a vila do Quitexe. Por aqui esteve até 8 de Julho de 1975, desta feita mudando para a cidade de Carmona - de onde, a 4 de Agosto deste mesmo ano, saiu para o Campo Militar do Grafanil, até 11 de Setembro, quando regressou a Portugal. 
Integrando a épica coluna militar que fez 570 quilómetros em 58,45 horas. integrando entre 700 e 800 viaturas - militares e civis. 
Agora já reformado, mora em Massamá, no município de Sintra, para onde, e para ele, vai o nosso abraço de parabens!

sexta-feira, 10 de novembro de 2023

7 262 - A véspera da independência de Angola; o último dia da soberania portuguesa!

Fortaleza de Luanda, a 9 de Outubro de 2019: as estátuas de Luís de Camões, Diogo Cão (o descobridor
de Angola) e D. Afonso Henriques (o primeiro Rei de Portugal. Memória histórica salvaguardada
pelos angolanos, honrando o seu passado!
O Almirante Leonel Cardoso no discurso na cerimónia de pro-
clamação da independência de Angola, às 12,20 horas de 10 de
Novembro 
de 1975, no Palácio do  Governador, em Luanda. 
Foto de Leonel Cardoso, filho).  Ver AQUI


O último discurso da soberania de Portugal em Angola foi proferido às 12,20 horas de 10 de Novembro de 1975, pelo Alto Comissário Leonel Cardoso, no Palácio do Governador.
«Portugal nunca pôs, nem poderia pôr em causa a data histórica de 11 de Novembro, fixada para a independência de Angola, que não lhe compete outorgar, mas simplesmente declarar», afirmou o último representante da soberania portuguesa em Angola.
Hoje se fazem 48 anos!
«Nestes termos, em nome do
Última continência à Bandeira de Portugal!
Presidente da República Portuguesa, proclamo solenemente - com efeito a partir das 00,00 horas do dia 11 de Novembro de 1975 - a independência de Angola e a sua plena soberania, radicada no Povo Angolano, a quem pertence decidir as formas do seu exercício», disse o Alto Comissário, acrescentando que «e assim, Portugal entrega Angola aos angolanos depois de quase 500 anos de presença, durante os quais se foram cimentando amizades e caldeando culturas, com ingredientes que nada poderá destruir».
«Os homens desapareceram mas a sua obra fica. Portugal parte sem sentimentos de culpa e sem ter que se envergonhar. Deixa um país que está na vanguarda dos estados africanos; deixa um país de que se orgulha e de que os angolanos podem orgulhar-se», disse Leonel Cardoso.
O discurso pode ser lido AQUI.

A última Bandeira de Portugal a ser arreada em
Angola. Há precisamente 48 anos!

A Bandeira de Portugal
arreada na Fortaleza !


O dia 10 de Novembro de 1975, em Luanda, foi de «tranquilidade total», segundo relatou o «Diário de Lisboa». 
«O presidente Agostinho Neto proclamará esta noite, às 00,0 horas, a independência de Angola, sendo horas depois investido no cargo de Presidente da República, devendo Lúcio Lara desempenhar as funções de 1º. Ministro», noticiava o DL, acrescentando que «uma ampla mobilização popular assegura a limpeza da cidade e a sua decoração, enquanto as FAPLA, substituindo-se aos militares portugueses, garantem a ordem pública e a protecção de todos os cidadãos».
A Bandeira Portuguesa, noticiava o jornal, «será arreada esta tarde, ao por do sol, na fortaleza de S. Miguel, começando de seguida o embarque dos navios Uíge, Niassa e Gil Eanes dos fuzileiros e paraquedistas, últimas forças portuguesas a abandonarem o território angolano».
Assim foi anunciado o grande dia da nação angolana. Faltava saber as posições da FNLA (a norte) e da UNITA (a sul).
Os soldados condutores António Picote, Manuel
Alves e Alípio Canhoto Pereira, todos da CCS

Picote, condutor da CCS, faria
71 anos. Faleceu em 2018 !


O soldado António do Rosário Picote foi condutor-auto da CCS dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 e hoje, dia 10 de Novembro de 2023, faria 71 anos. Faleceu em 2018!
O Picote foi o primeiro condutor a ter um acidente em Angola, logo nos primeiros dias da comissão e na picada à saída da vila do Quitexe para Camabatela, logo depois do cemitério. Nunca se soube «livrar» desse estigma por toda a jornada africana, dele se culpando, por disso ser acusado, nas brincadeiras de caserna - que ele levava a sério, desnecessariamente se auto-penalizando.
O furriel miliciano sapador Joaquim Farinhas era um dos militares da CCS que seguia na viatura «saiu» com um braço partido deste acidente.
O Picote vivia no lugar de Casal do Chão, nem por acaso na Rua do Picote, na freguesia de Á-dos-Negros, concelho de Óbidos, e lá voltou a 8 de Setembro de 1974. Foi lá que o «achámos» em Agosto de 2012, há 10 anos, cheio de saudades dos amigos de tropa», que, ele o disse, nunca esqueceu.
Trabalhou na construção civil e, depois, 28 anos (os últimos da sua vida activa) na Câmara Municipal de Óbidos, de que aposentou em 2009. Solteiro e com pouca família directa, fez «uns biscates para entreter» nos seus últimos anos de vida - quando, solteirão, a partilhou com uma senhora negra da Guiné-Bissau.
Faleceu, de doença, a 16 de Agosto de 2018 e hoje o recordamos com saudade. RIP!!

quinta-feira, 9 de novembro de 2023

7 261 - A antevéspera da independência de Angola! Os dias do Uíge, um ano antes!

O edifício onde funcionava a enfermaria dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, nos anos de 1974 e 1975,
primeiro a CCS, depois a 3ª. CCAV. 8423. A imagem, como furriel miliciano Viegas, é de 24 de Setembro
 de 2019. Ao fundo, onde se vê o carro branco, é a Estrada do Café, de Carmona a Luanda
Quitexe, a avenida, ou Rua de Baixo, na saída para o cemi-
tério e vila de Camabatela. A 24 de Setembro de 2019


O dia 9 de Novembro de 1975, um domingo de há 48 anos, foi tempo de antevéspera da independência de Angola (às 00,00 horas do dia 11 de Novembro) e sabiam-se notícias do «avanço das FAPLA pela Estrada do Café» - a estrada entre Luanda e o (nosso» saudoso Quitexe, de Carmona, de Aldeia Viçosa e de Vista Alegre, as terras dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423.
A imprensa noticiava, também, o «aumento da pressão da frente do Caxito, por parte dos mercenários portugueses e zairenses e da FNLA», como relatava o «Diário de Lisboa» do dia 10 (2ª.-feira).
A sul, ainda seguindo o mesmo DL (citando a France Press e a Reuters) registava-se «a entrada dos mercenários no Lobito, comandados por um oficial sul-africano e pelo coronel Alves Cardoso, elemento conhecido pelas suas ligações com Jorge Jardim e Spínola». Esta entrada, e continuamos a citar o DL, «representa uma tentativa para estabelecer contacto com a Frente Norte, chefiada pelo tenente-coronel Santos e Castro».
Tentativa estratégica que, frisava o jornal vespertino de Lisboa, «tem falhado, face à resistência oferecida pelas FAPLA». 
O jornal espertino de Lisboa» (entretanto extinto) dava conta, ainda, de que «este avanço, a sul, é acompanhado de sucessivas proclamações da Rádio Lubango (ex-Sá da Bandeira), que lança vivas à «Angola Portuguesa» e «morras» à UNITA, FNLA e MPLA», o que, sublinhava o Diário de Lisboa, «marca a verdadeira face racista desta invasão a partir da África do Sul».
Notícia do «Diário de Lisboa» de 9/11/1974

O MPLA em Luanda 
coma Junta Governativa
de Angola!

O dia 9 de Novembro de 1974, um ano antes, foi um sábado e dia da Lúcio Lara, chefe da Delegação do MPLA em Luanda (aberta na véspera), participar num comício
Lúcio Lara
e, depois, em reunião com a Junta Governativa de Angola, presidida pelo almirante Rosa Coutinho 
(aberta na véspera), participar num comício e, depois, em reunião com a Junta Governativa de Angola, presidida pelo almirante Rosa Coutinho.
«Uma multidão de 50 000 pessoas aclamou ontem a Delegação do MPLA, chefiada por Lúcio Lara, que vem estabelecer-se no território como movimento político, depois de combater durante 143 anos contra as forças portuguesas», noticiava o «Diário de Lisboa», acrescentando que «é constituída por elementos vindos de Lusaka e Brazaville».
Os Cavaleiros do Norte, por essa altura, continuavam as suas tarefas de ordem e, operacionalmente, escoltavam os trabalhadores da Junta Autónoma de Estradas de Angola (JAEA), que mantinham «os trabalhos na estrada Aldeia Viçosa-Ponte do Dange» e também a continuação do «arranjo da estrada Quitexe-Camabatela».

O Cabrita no bar de sargentos do Bairro
Montanha Pinto, em Carmona (197
5)

Cabrita da CCS faz
71 anos em Cascais !


O soldado António Santana Cabrita foi Cavaleiro do Norte da CCS do BCAV. 8423 e festeja 71 anos a 10 de Novembro de 2023.
Impedido do bar e messe de sargentos, em Carmona, depois da sua jornada pelos chãos da vila do Quitexe (entre 6 de Junho de 1974 e 2 de Fevereiro de 1975),  regressou a Portugal no dia 8 de Setembro de 1975 e fixou-se em Portimão, de onde é natural. Trabalhava na pesca e na pesca continuou depois da jornada africana de Angola, com passagem pelo transporte marítimo, antes de, de novo pescador, se tornar empresário do sector e, a partir do porto de Cascais, galgar mar fora, madrugadas e anos atrás de madrugadas e anos.
Mora em Cascais, agora já aposentado, para onde vai o nosso abraço de parabéns!

quarta-feira, 8 de novembro de 2023

7 260 - O último dia de militares na Fazenda Liberato! A chegada do MPLA a Luanda!

O condutor Nogueira, da CCAÇ. 209/RI 21, e o furriel Viegas, da CCS do BCAV. 8433, em Aldeia Viçosa, junto
a uma das cantinas e do local por onde, à dreita e picada fora, se seguia para a Fazenda do Liberato, de
onde há 49 anos saiu a última guarnição portuguesa. Foto de 24 de Setembro de 2019


O furriel José Oliveira e o capitão Vitor Corrêa de
Almeida, comandante da CCAÇ. 209/RI 21, e esposa
O dia 8 de Novembro de há 49 anos foi o último da presença militar portuguesa na ZA da Fazenda do Liberato, onde se aquartelou a CCAÇ. 209, do RI 21, de Nova Lisboa. Companhia independente, de formação essencialmente angolana e com alguns quadros europeus.
A CCAÇ. 209 ficou associada à CCS do BCAV. 8423, a partir de 6 de Junho de 1974, quando os Cavaleiros do Norte
O condutor Nogueira, à esquerda, e o furriel
José Oliveira, da CCAÇ. 2019/RI 21, ladeando
o furriel Viegas, em Dezembro em 2012 
lá chegaram e, substituindo o BCAÇ. 4211, passaram a ser responsáveis, em termos de comando operacional, pelo Sub-Sector do Quitexe. Outras, foram a CCAÇ. 4145 (a de Vista Alegre) e o Pelotão de Morteiros 4281 (no Quitexe), para além de vários Grupos Especiais (GE). A CCAÇ. 209/RI 21 era comandada pelo capitão Victor Corrêa de Almeida e por graça de Olímpio Carvalho, que por lá foi 1º. cabo de transmissões, podemos acrescentar mais dados.
- VICTOR. Victor Corrêa de Almeida, capitão miliciano, comandante da  Companhia. Substituiu o capitão Parracho, que era do Quadro Permanente (QP) e estava colocado no RI 21, de Nova Lisboa.
- SERENO: José Adalberto Sereno de Castro e Melo, alferes miliciano. De família de Águeda, licenciou-se em engenharia química e morava em Nova Lisboa. Agora, na zona de Viseu.
- PEIXINHO. José Carlos Peixinho, alferes miliciano e engenheiro mecânico, era do Lobito.
- PEREIRA. Nelson Pereira, alferes miliciano, era de Sá da Bandeira.
- SPOSSEL. Carlos Manuel Morbey de Oliveira Spossel. Morava em Luanda. A mãe era americana e o pai quadro superior dos Caminhos de Ferro de Benguela.
O dia 8 de Novembro de 1974 foi também o do regresso de um grupo de combate da 3ª. CCAV 8423 a Santa Isabel, depois de uma missão especial em Além Lucunga e Quipedro, reforçando o BC12, de Carmona.
A chegada do MPLA a Luanda, há 49 anos,
no dia 8 de Novembro de 1974

MPLA em Luanda
e reunião no BC12!


O dia 8 de Novembro desse distante 1974 foi assinalado, no processo de descolonização de Angola, pela abertura da primeira delegação oficial do MPLA em Luanda, liderada por Lúcio Lara. 
Já por lá estava a da FNLA, na avenida do Brasil.
O dia foi também o do envio de uma carta de Holden Roberto, presidente da FNLA, ao general Fontes Pereira de Melo, chefe da Casa Militar do Presidente da República - o general Francisco Costa Gomes. Sobre quê? O processo de descolonização, obviamente.
Assim se ensaiavam os primeiros passos do novo país!
Por Carmona e no BC12, voltaram a reunir os comandantes das Companhias que operavam no Sector do Uíge, naturalmente para analisar a situação do tempo e os novos desafios que se poriam ás Unidades das Forças Armadas Portuguesas a operar mo Uíge. Caso dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423! 

terça-feira, 7 de novembro de 2023

7 259 - Vitória das FAPLA´s do MPLA na frente do Caxito, a caminho do Uíge!

O jardim público da vila do Quitexe, terra dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, a 24 de Setembro
de 2019, visto do lado do edifício da Administração Concelhia. Ao fundo, vê-se a Igreja de Santa Maria
de Deus, onde em 1974/75 missionava o padre Albino Capela

Holden  Roberto, da FNLA e na bifurcação de Quifandongo,
a escassos 32 kms. de Luanda (em data desconhecida)



A três dias da independência de Angola, o jornalista Eugénio Alves, em serviço de reportagem para o «Diário de Lisboa», noticiou que «as FAPLA registaram uma nova vitória na frente do Caxito, considerada como uma das maiores já infligidas ao inimigo, desde o início desta segunda guerra da libertação nacional».
FAPLA´s, entenda-se, eram as Forças Armadas Populares de Libertação de Angola - o braço armado do MPLA do presidente Agostinho Neto.
 
«O inimigo sofreu pesadas baixas, em homens e material, tendo tido que recuar, o que levou as FAPLA a reocuparem as vias do Piri e Quibaxe, que haviam caído há 20 dias», noticiava o jornal vespertino da capital portuguesa.
Piri e Quibaxe: terras por (até) onde os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 fizeram muitos e muitos patrulhamentos, galgando a Estrada do Café, a partir do Quitexe, de Aldeia Viosa e Carmona, também de Vista Alegre.
A vitória militar aconteceu «depois de desbaratarem as forças mercenárias na zona de Benguela», que tentaram reocupar a cidade, a partir dos morros das Bimbas, reportava o Diário de Lisboa.
Notícia do Diário de Lisboa de 7 de
Novembro de 1975. Há 44 anos!

Benguela e Moçâmedes,
Luanda e Carmona!


A três dias da independência, na verdade, combatia-se território angolano fora e nomeadamente em Benguela e Moçâmedes. E Cabinda.
«Angola vive os três dias cruciais que a separam da independência proclamada pela vanguarda revolucionária, o MPLA», reportava o «Diário de Lisboa», também dando conta que «todos os observadores consideram que os próximos dias serão desesperadamente explorados pelas forças racistas e reaccionárias, no sentido de imprimirem uma viragem de última hora na situação, impedindo o MPLA de proclamar a independência».
Em Luanda, de onde os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 tinhan saído 2 meses antes, reportava Eugénio Alves, «a vida corre normalmente, apenas alterada pelos intensos preparativos para a festa da independência e pela movimentação, provocada nos hotéis da cidade».
A cidade capital de Angola registava «a chegada de inúmeras delegações - 44 africanas, 17 socialistas e cerca de 15 de outras nações».
Era o que se lia, ao tempo e além do mais, na imprensa lisboeta de há 48 anos. De Carmona e do Uíge é que notícias não chegavam.

O 1º. cabo Vicente e Eduardo Tomé, da 2ª.
CCAV. 8423, e os 1ºs. cabos Victor Florindo
 e  Alfredo Coelho (Buraquinho), da CCS
O 1º. cabo Jorge Vicente,
em 2021 e com Teresa, 
a (sua) viúva


Vicente, 1º. cabo de Aldeia
Viçosa, faria 71 anos em Lisboa !
Faleceu em 2021!

O 1º. cabo Vicente, dos Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, festejaria 71 anos a 7 de Novembro de 2019. Faleceu a 4 de Fevereiro de 2021, vítima de doença e em Lisboa, aos 68 anos.
Victor Manuel Nunes Vicente, de seu nome completo, foi apontador de morteiros de especialidade militar e era natural de Xabregas, na capital portuguesa, morando na Rua Gil Vicente. Sofria de Parkinson, doença que foi agravada com uma paralisia Locrion progressiva, com paralização gradual e fragilizante do seu sistema muscular.
Acabou por ser foi vítima de COVID 19 e no dia 4 deste mês de Fevereiro de 2021, aos 68 anos.
Nascido a 7 de Novembro de 1952, jornadeou pelos uíjanos chãos de Aldeia Viçosa e Carmona, tendo regressado a Portugal no dia 10 de Setembro de 1975, fixando-se em Lisboa, onde geriu e trabalhou numa oficina do ramo automóvel.
Hoje o recordamos com saudade. RIP!!!
Tarciso Rebelo

Tarciso Rebelo, de Zalala,
faria 71 anos! Faleceu a 7 de 
Novembro de 2021!

O soldado Tarciso Manuel da Costa Rebelo foi condutor-auto da 1ª. CCAV. 8423 e faleceu a 7 de Novembro de 2021. Há precisamente 2 anos!
Cavaleiro do Norte da mítica Fazenda de Zalala, apresentara-se no RC4 a 26 de Fevereiro de 1974, rodando do RI 18 (de Viseu). Era natural de Arcos de Valdevez e, por terras uíjanas do  norte de Angola, também jornadeou por Vista Alegre/Ponte do Dange, Songo e Carmona - antes de chegar ao Campo Militar do Grafanil e a 9 de Setembro de 1975 definitivamente regressar a Portugal.
Pelo Alto Minho natal, fez a sua vida pessoal e profissional e faleceu a 7 de Novembro de 2021, aos 69 anos, estando sepultado no Cemitério Municipal de S. Bento, em Arcos de Valdezes.
Hoje o recordamos com saudade! RIP!!!