CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

quinta-feira, 5 de junho de 2025

O encontro de Ferreira do Zêzere no facebook da Câmara! Aurélio perdeu anel de ouro!

Os Cavaleiros do Norte da CCS na página de
facebook da Câmara de Ferreira do Zêzere
O vereador Sérgio Morgado,
Aurélo Godinho e Armando
Cotrim (PJFF)


O encontro da CCS do BCAV. 842 em Ferreira do Zêzere foi motivo de uma publicação na página oficial da Câmara Municipal.
Recordemos que esteve representada, ma cerimónia do Monumento aos Emigrantes, pelo  vereador Sérgio Morgado.
Editamos o texto que a edilidade ferreirense publicou a 31 e Maio e que se pode ver na imagem a lado:
«Ferreira do Zêzere recebe, este sábado, dia 31 de maio, o encontro dos ex-militares da Companhia de Comando e Serviços (CCS) do Batalhão de Cavalaria 8423, que reuniu cerca de 100 antigos combatentes, num dia marcado pela memória, confraternização e reconhecimento.
O programa teve início com a celebração de uma missa na Igreja de Pias, seguindo-se uma cerimónia de homenagem junto ao Monumento dos Combatentes. Prossegue o almoço-convívio em Dornes, num ambiente de grande camaradagem e partilha.
O Município de Ferreira do Zêzere fez-se representar pelo Vereador Sérgio Morgado, estando também presente o Presidente da Junta de Freguesia de Ferreira do Zêzere, Armando Cotrim. Ambos dirigiram palavras de boas-vindas e reconhecimento a todos os presentes, destacando a importância de preservar a memória histórica e valorizar o serviço prestado à pátria.
A organização deste encontro no concelho foi do Sr. Aurélio Godinho, que felicitamos».
Monteiro, Aurélio e Breda no palco
da CCS (a 31 de Maio de 2025)



O Barbeiro perdeu
um anel de ouro!

O Aurélio Godinho, o nosso Barbeiro, foi o impecável e super-dedicado organizador do encontro de Ferreira do Zêzere e, por isso mesmo, várias vez foi justamente elogiado.
Merecidamente, muito merecidamente!
O dia de festa, da alegria, de memórias, de saudade e de intensa camaradagem, foi, porém, afectado por um «incidente» de percurso: a perda de um anel de ouro.
Anel de família e que o Aurélio, num qualquer momento, «deixou» cair do dedo - sem disso dar conta.
«Ainda o tinha no Monumento dos Combatentes, com se vê nas fotos», contou-nos ele desgostoso com a perda que, para além do valor material, tem para ele elevado e impagável valor  sentimental. É herança de família!
A perde poderá ter acontecido no decorrer do almoço e festa do salão da Associação de Melhoramentos, Cultura e Recreio de Dornes. Poderá!
Se alguém tiver notícias do anel, faça o favor de contactar o Aurélio!

O capitão José Manuel Cruz festeja 79 anos em Esmoriz!

Os capitães José Manuel Cruz (que hoje
faz 79 anos em Esmoriz) e José Paulo
Fernandes, com o alferes João Machado


O capitão miliciano José Manuel Romeira Pinto da Cruz está hoje em festa pessoal: festeja 79 anos.
Há 51 e entrando nos 28 da sua então «tenra» idade, já estava em Angola, no Campo Militar do Grafanil. Um ano depois, em 1975 e na cidade de Carmona, comandava a 2ª. CCAV. 8423,  que ainda «ressacava» dos combates entre a FNLA e o MPLA.
Os trágicos e sangrentos combates da cidade e do Uíge não foram, obviamente, o melhor «cenário» para festas de anos e o capitão José Manuel Cruz foi,  até epor essa altura, um dos oficiais portugueses que, no Bairro Popular, negociou com a FNLA o «stop» à matança generalizada que se registava.
Natural e residente na cidade de Esmoriz (em Ovar) e aposentado do ensino, é participante (permanente e activo) dos encontros dos Cavaleiros do Norte desta sub-unidade do BCAV. 8423 - a 2ª. CCAV. 8423, a da saudosa Aldeia Viçosa.
Que a 14 de Junho, dentro de uma semana, se vão reunir no Luso, na Bairrada.
Hoje, 5 de Junho de 2025, comemora 79 anose para ele daqui vai um grande abraço! Parabéns!

Pereira foi TRMS de Santa Isabel e festeja 73 anos em Lisboa !



O soldado Fernando da Conceição Pereira foi especialista de transmissões da 3ª. CCAV. 8423 e festeja 73 anos a 5 de Junho de 2025.
Hoje mesmo!
Cavaleiro do Norte da Fazenda Santa Isabel, colaborou com o furriel miliciano João Cardoso (o responsável pelas transmissões da subunidade comandada pelo capitão miliciano José Paulo Fernandes) e depois do Quitexe e de Carmona (no BC12), regressou a Portugal no dia 11 de Setembro de 1975, no final da sua comissão militar de 15 meses, no norte de Angola.
Fixou-se em Lisboa, na Rua do Olival, aos Prazeres. Onde supomos que ainda morará. É para lá e para ele que vai o nosso abraço de parabéns!

- Há 51 anos: A chegada da 3ª. CCAV. 8423 dos Cavaleiros do Norte a Angola!

 

O capitão José Paulo Fernandes no momento de «falar aos tropas» no encontro dos Cavaleiros do Norte
da 3ª. CCAV. 8423 - a da Fazenda Santa Isabel, Quitexe e Carmona, na Batalha e em 2017! 

Furriéis milicianos da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa
Isabel: Alcides Ricardo, António Fernandes, Agostinho
Belo e António Flora

Os companheiros da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda de Santa Isabel e do capitão miliciano José Paulo de Oliveira Fernandes, chegaram a Luanda no da 5 de Junho de 1974. 
Há 51 anos.
A subunidade foi a quarta do BCAV. 8423 a chegar a terras africanas, juntando-se à CCS do capitão António Oliveira, no Quitexe (lá chegada a 30 de Maio), a 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala e do capitão miliciano Davide Castro Dias (a 1 de Junho) e a 2ª. CCAV. 8423, do capitão José Manuel Cruz (a 4 de Junho), todos aquarteladas no Campo Militar do Grafanil.
A partida para o Uíge e a Fazenda Santa Isabel viria a acontecer no dia 11 de Junho, onde substituiu a 3ª. CCAÇ. 4211 - já depois de também terem rodado as outras três companhias, respectivamente nos dias 6,  e 10 de Junho de 1974.
Oficiais milicianos, eram os alferes Augusto Rodrigues, Carlos Silva, Pedrosa de Oliveira e Mário Simões. Os quadros desta subunidade incluíam o 1º. sargento Francisco Marchã e os furriéis milicianos Ângelo Rabiço (enfermeiro), Agostinho Belo, (vagomestre), João Cardoso (TRMS), José Lino (mecânico-auto), Armindo Reino (Operações Especiais, Rangers) e os atiradores de Cavalaria Delmiro Ribeiro, António Flora, António Fernandes, Alcides Ricardo, José Fernando Carvalho, Graciano Silva, António Luís Gordo e Grenha Lopes.

quarta-feira, 4 de junho de 2025

Cavaleiros do Norte de CCS vão em 2026 confraternizar em Leiria!

O furriel Monteiro, o Aurélio (Barbeiro) e o condutor Joaquim Breda

O condutor Joaquim Rama Breda

O Aurélio a aplaudir o
sucessor Breda. Afonso
 Henriques em 1º. plano


As memórias da jornada africana dos Cavaleiros do Norte da CCS do BCAV. 8423 pelos chãos do Uíge angolano foram amplamente avivadas no encontro de 2025 - desde logo na concentração no adro da Igreja de S. Luís de Pias, depois no Monumento aos Combatentes de Ferreira do Zêzere, finalmente no salão da Associação de Melhoramentos, Cultura e Recreio de Dornes.
Desde logo e por justiça, sublinhe-se o exemplar serviço de restauração prestado pelos dirigentes da associação dornense, que o «mordomo» Aurélio Godinho (o Barbeiro) «mobilizou» para a operação e com «carta» que a todos satisfez. 
E de que maneira!...
O evento foi efusivamente partilhado pelos Cavaleiros do Norte da CCS e  com a alegria de mancebos (que todos fomos em 1973, em 1974 e em 1975).
Já la vai tanto tempo!
Meio século e mais um pouco!
As mensagens do capitão Acácio Luz, do alferes miliciano António Albano Cruz e do 2º. sargento Manuel Eira já foram  entafizadas nos últimos dias desta memória para o futuro dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, mas importa aqui dar conta de quem se «auto-mobilizou» para organizar o encontro de 2026: o condutor auto-rodas Joaquim Rama Breda!
O grande Breda da nossa jornada africana pelos chãos do Uíge angolano!!
«Então para o ano pode ser em Leiria?», perguntou o grande Breda, muito discretamente, quase envergonhado e durante a celebração da eucaristia piense.
O condutor Joaquim Breda e o 1º. cabo
Victor Vieira (Sacristão) em 1974

Cavaleiros do Norte da 
CCS de Ferreira do Zêzere
para... Leiria!

A oficialização do mandato foi ao final da «almoçarada», no chão da associação de Dornes e quando ao palco foi chamado para receber o estandarte da CCS, do Aurélio Godinho (Barbeiro).
A oficial passagem de testemunho!
A «ordem de serviço» foi proclamada pelo furriel José Monteiro e, depois de Aurélio Godinho (o Barbeiro) ter dado conta da sua alegria por receber os seus (e nossos) companheiros da jornada africana do norte de Angola, o Breda assumiu o compromisso de organizar o encontro de 2026.
«Farei o melhor que eu sei e serei capaz», disse o Breda, emocionadíssimo e muito aplaudido pelos Cavaleiros do Norte da CCS do BCAV. 8423.
«Até para daqui a um ano», sentenciou o antigo condutor de viaturas miitares, pelos chãos do Quitexe e depois de Carmona.
Lá estaremos, companheiro Breda!!! 
Até e mesmo que, citando o capitão Acácio Luz, «sejamos só dois, mas sempre festejando» a nossa passagem militar por terras do nore da Angola!

- Há 50 anos: Matança em Carmona e a caça ao homem!

O hospital da cidade de Carmona recebeu e tratou muitos
feridos dos sangrentos combates do Uíge de 1975

Imagem dos incidentes de Carmona, há 50 anos!!!

O dia 4 de Junho de 1975 foi o quarto dos dramáticos combates de Carmona e o quarto da acção operacional permanente dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 - já desde a madrugada de 1 de Junho.
Há 50 anos!
«A aparente estabilidade da situação em Carmona rompeu-se brutalmente nas últimas 24 horas, com uma fulminante e sangrenta caça ao homem, lançada pelos comandos de Holden Roberto, contra militares e civis do MPLA», noticiava a imprensa.
Bem nos lembramos disso, como actores vivos e operacionais desses dias de tragédia, violência e lutos! 
A memória, recuando ao tempo, não esquece os momentos trágicos vividos nas ruas e bairros envolventes da cidade de Carmona, onde se «achavam» corpos esquartejados, assassinados a tiro e armas brancas, alguns deles queimados (há quem diga que ainda vivos, ainda alguns).
«A ofensiva coincide com ataques dispersos do ELNA, em Cabinda, e representava uma grave deterioração da situação militar e um pesado fracasso para as diligências das missões quadripartidas que voaram para Carmona no princípio da semana e julgavam ter reposto a ordem», noticiava o (extinto) «Diário de Lisboa», acrescentando que «a matança prossegue em Carmona».
«Ninguém dispõe ainda do número de mortos, feridos, presos e desaparecidos, mas as vítimas serão já muitas dezenas. As ruas estão cheias de cadáveres», sublinhava o jornal lisboate, em despacho de Luanda, frisando também que «os comandos a FNLA invadiram e destruíram as casas de dezenas de simpatizantes do MPLA, matando muitos deles, espancando e raptando outros».
Já lá vão 50 anos!

- Há 51 anos: A chegada da 2ª. CCAV. e a partida da 3ª. CCAV. 823 para Angola!

 

A Força Aérea Portuguesa evacuou muitos refugiados do BC12, há 50 anos e em Carmona. A Imagem 
recorda um helicóptero na parada do quartel e um grupo de Cavaleiros do Norte. De frente, o alferes
António Garcia (de rádio empunhado) e o furriel Manuel Machado (de mãos nas ancas)

Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV.
8423, a de Aldeia Viçosa
O cartão de embarque
do alferes J. Machado

A 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa e do capitão miliciano José Manuel Cruz, aterrou no aeroporto internacional de Luanda na manhã de 4 de Junho de 1974. 
Há 51 anos! 
O mesmo dia, mas ao princípio da noite, foi o tempo de partida de Lisboa da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel.
Era terça-feira e desde a quinta-feira anterior (dia 30 de Maio) já pelo Grafanil «debutava» a CCS, comandada pelo capitão António Martins Oliveira (SGE) e destinada à vila do Quitexe. A 1ª. CCAV. 8423, do capitão miliciano Davide de Oliveira Castro Dias e de Zalala, desembarcou a 1 de Junho.
Os Cavaleiros do Norte destas duas Companhias do BCAV. 8423 já eram «veteranos» e procuravam melhor conhecer Angola, que era o seu novo mundo. E não eram boas as notícias, as de mais mortos em combate. E era para a guerra que íamos nós.
A imprensa do dia publicava o comunicado do Serviço de Informação Pública (SIP) das Forças Armadas e este dava conta que «morreram em combate» dois furriéis milicianos: Carlos da Silva Miranda, natural de Vila Chã (em Vila do Conde) e Francisco Emídio Augusto Matos, do recrutamento local e natural de Nova Lisboa, actual cidade do Huambo.
Também a do soldado António Galeano Velasco, também do recrutamento local e natural do bairro de S. Paulo (na cidade de Luanda).

terça-feira, 3 de junho de 2025

O encontro da CCS do BCAV. 8423: A memória de todos os que recordamos!

O organizador do encontro foi Aurélio Godinho (Barbeiro), aqui no Monumento aos Combatentes de
Ferreira do Zêzere e rodeado pelo vereador Sérgio Morgado, à esquerda, e pelo presidente Armando
Cotrim (Junta de Freguesia)

A celebração evocativa da CCS do BCAV. 8423 na Igreja
de S. Luís de Pias (em Ferreira do Zêzere)


Os Cavaleiros do Norte da CCS do BCAV. 8423 concentraram-se no Adro da Igreja de S. Luís de Pias e dali partiram para Ferreira do Zêzere, onde foram «formaram» junto ao Monumento aos Combatentes e foram anfitrionados pelo vereador municipal Sérgio Morgado e por Armando Cotrim, o presidente da Junta de Freguesia.
A «ordem de operações», logo depois, apontou azimutes para Dornes, a aldeia turística da península da albufeira do Rio Zêzere e onde se localiza a famosa Torre Templária de formação pentagonal - que será única em Portugal.

O salão da Associação de Melhoramentos, Cultura e Recreio de Dornes foi o espaço para o repasto festivo deste encontros dos Cavaleiros do Norte da CCS, impecávelmente organizado por Aurélio Godinho Júnior - o nosso impagável e inesquecível Barbeiro e a quem o furriel José Monteiro, o apresentador oficial do evento - agradeceu «a sua disponibilidade e trabalho, para organizar este dia de convívio/confraternização dos militares da CCS/BAV 8423».
«É importante mantermos estes encontros e, assim, alimentarmos os laços de amizade que sentimos uns pelos outros», afirmou o furriel Monteiro, depois precisando que «o conceito de combatente por Portugal é profundo, abrangente e informador da própria história do nosso país».

A memória de todos
os que recordamos!


O furriel José Monteiro foi o organizador do encontro de 1997, o último (nas duas fotos ao lado) em que participou o comandante Carlos Almeida e Brito e, em Dornes de Ferreira do Zêzere, a 31 de Maio de 2025, continuou a sua intervenção:
«A dia 9 de Abril de cada ano comemora-se o dia nacional do combatente e assim podermos visitar a memória de todos aqueles que recordamos e homenageamos todos quantos serviram o pais de armas na mão.
Um conflito em que as forças armadas portuguesas estiveram envolvidas durante 14 anos. Foi um esforço muito grande da nação. Foram anos de incorporações sucessivas, tendo envolvido cerca de 1 milhão de jovens de todos os cantos do nosso país e que de uma forma ou outra exemplarmente cumpriram a sua missão por terras Africanas e muito em particular por terras do UÍGE.
Um conflito que nos ficou muito caro e no qual muitos jovens tiveram que tomar parte, merecendo de todos nós um profundo respeito e admiração.
Hoje não é apenas o momento de homenagem. É também o de celebração pelos 50 anos de paz .
Nunca poderemos esquecer o que a guerra significou para os ex-combatentes e suas famílias.
É, portanto, importante que se reconheça o sacrifício de muitos, mortos e vivos, dificientes ou saudáveis desta guerra que, a dada altura, deixou de ter horizonte e que aos poucos se tornou uma utopia
Quero terminar com um forte abraço a todos os presentes e dizer-vos que fizemos história com o nosso esforço determinação e com o sentido do dever cumprido»
.
«Até para o ano, em Leiria e com a responsabilidade de organização do amigo Breda. Continuai a perguntar ao inimigo quem somos», sublinhou José Monteiro, terminando com «um abraço fraterno».

(continua)



- Há 50 anos: Paz em Carmona. Mas que paz?

Notícia de «Diário de
Lisboa» de há 50 anos



Os sangrentos incidentes de Carmona de há 50 anos continuavam vivos e letais, embora o «Diário de Lisboa» de 3 de Junho de 1975 noticiasse «êxito das diligências conjuntas para o estabelecimento da ordem».
Êxito, se êxito de adivinhava - e ansiosamente se desejava - , era o sequente da permanente, continuada e corajosa intervenção directa dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 no terreno, 24 sobre 24 horas e em continuados esforços e riscos  - embora não citados pelo jornal, que não tinha jornalistas no terreno e se fundamentava em fontes de Luanda. 
Sabe-se lá de que origem.
A cidade continuava em guerra aberta entre as forças da FNLA - o Exército de Libertação Nacional de Angola (ELNA), do presidente Holden Roberto - e do MPLA - as Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA), do presidente Agostinho Neto.
Nalguns casos cara a cara, rua a rua, noutros com explosões de obuses e morteiros por todo o lado, tiroteios e rajadas indiscriminadas.
A população civil pedia, e teve, «a proteção das NT», a qual, como se lê no livro «História da Unidade» e nos lembramos muito bem, «lhes foi dada, entrando no quartel um milhar de refugiados».
Não só na cidade: «os graves conflitos armados atingiram todas as vilas do distrito» onde estivesses instalados a FNLA e o MPLA e as suas tropas do ELNA e das FAPLA.

- Há 51 anos: A partida para Angola da 2ª. CCAV. 8423!|

 

O furriel Melo, os alferes Capela e Machado, o
comandante Almeida e Brito e o capitão José M. Cruz 


A 2ª. CCAV. 8423 do BCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, partiu para Angola na noite de 3 de Junho de 1974.
Há exactamente 51 anos.
Comandada pelo capitão José Manuel Cruz, o quadro de oficiais incluía os alferes João Machado, Carvalho de Sousa, João Carlos Periquito e Jorge Capela, todos milicianos.
O 1º. sargento era Fernando Norte (já falecido) e o quadro de furriéis, todos milicianos, era formado por Abel Mourato (vagomestre, falecido a 2 de Junho de 2020, de doença), António Rebelo (TRMS), António Chitas (armamento pesado), Amorim Martins (mecânico-auto), Carlos Letras (Operações Especiais, os Rangers) e os atiradores de Cavalaria António Cruz, José Maria Ferreira, Mário Matos, João Brejo, Rafael Ramalho, José Manuel Costa, José Gomes e António Artur Guedes.
O encontro dos Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8423 vao realizar-se no próximo dia 21 de Junho de 2025, no Luso (Mealhada).

segunda-feira, 2 de junho de 2025

Os Cavaleiros do Norte da CCS do BCAV. 8423 e os que foram de longe...

A celebração na Igreja de S. Luís, em Pias (Ferreira do Zêzere), que evocou
Os Cavaleiros do Norte da CCSdo BCAV. 8423 que já partiram...
 



O encontro dos Cavaleiros do Norte da CCS do BCAV. 8423 levou a Ferreira do Zêzere um pouco mais de uma centena de pessoas.
O de mais longe, viajou de Bragança, o furriel José dos Santos Pires, de transmissões. Reapareceram, os também furriéis António José Cruz (rádio-montador e que por Angola ainda chegou a 2º. sargento) e o enfermeiro António Verdelho Lopes, que planeou a sua viagam da Madeira aé à casa de Vendas Novas - os mais veteranos presentes em Ferreira do 
O neto, a viúva e a filha do 1º. cabo Jorge
Vicente em Tomar (em 2024)
Zêzere. Já vão no ano dos 74.
Não esquecendo, o 1º. cabo Gabriel Mendes (foto mais abaixo), sapador por terras do Uíge e adido ao Bar dos Praças, que de muito mais longe viajou: desde França, onde muitos esteve emigrado e onde foi de férias, antecipando o regresso para participar no encontro.
A viúva do 1º. cabo Jorge Luís Domingos Vicente voltou a participar, desta vez  
com a filha Vânia, o genro e os netos. O ano passado e em Tomar, tinha estado com a filha Vânia e o neto mais velho.
De outras companhias do BCAV. 8423, demos nota da participação do clarim Armando Mendes da Silva, da 3ª. CCAV. 8423 (o mais novo de todo o Batalhão, como fez questão de afirmar e que ao palco foi animar o almoço de sábado) e do atirador Manuel Pereira Francisco (o Reguila), ambos soldados da Fazenda Santa Isabel e que se associaram aos «ccs´s» do Quitexe.
A subunidade de Santa Isabel foi comandada pelo capitão miliciano José Paulo Fernandes e, entre 10 de Dezembro de 1974 e 2 de Março de 1975, partilhou o aquartelamento do Quitexe com a CCS do cappitão António Martins de Oliveira.
Almeida e Brito e José Paulo Falcão
no encontro do BCAV. 8423 de 1995.
 Há 30 anos e em Águeda

Os que deste mundo
já partiram !

A vida vai galgando pela história fora, anos atrás de anos - e já lá 51, desde que chegámos a Angola - e, na verdade, cerca de meia centena de Cavaleiros do Norte da CCS já partiram. 
Foram recordados na celebração de Igreja de S. Luís de Pias e, deles fazeno memória, aqui os lembramos:

CLASSE DE OFICIAIS

- Carlos José Saraiva de Lima Almeida e Brito. Tenente-coronel e comandante do Batalhão. Faleceu 20 de Junho de 2003, aos 76 anos e como general.
- José Luís Jordão Ornelas Monteiro. Major e que seria o 2º. comandante, mas não seguiu para Angola e foi para a Guiné. Morreu a 16 de Julho de 2011, em Lisboa, aos 80 anos. Era coronel.
- António Martins de Oliveira: Capitão e comandante da CCS. Data desconhecida.
- José Paulo Montenegro Mendonça Falcão. Capitão e oficial de operações. A 9 de Dezembro de 2019, aos 77 anos e em Coimbra. Era tenente-coronel.
- Manuel Soares Cipriano Leal: Capitão miliciano médico. A 10 de Abril de 2020, aos 92 anos, na Póvoa do Varzim.
- João Eloy Borges da Cunha Mora: Tenente e Adjunto do Comandante da CCS. A 21 de Abril de 1993, com 67 anos e em Lisboa.
- António Manuel Garcia: Alferes miliciano de Operações Especiais. De acidente, a 2 de Novembro de 1979, aos 27 anos. Era de Carrazeda de Ansiães, agente da PJ e morava em Vila Nova de Gaia.
O Esgueira, o Serra, o Pais, o Monteiro (Gasolinas)
e o Aurélio (Barbeiro), organizador do encontro e
com o estandarte da CCS do BCAV. 8423
- José Leonel Pinto de Aragão Hermida: Alferes miliciano de Transmissões. A 16 de Janeiro de 2023, aos 76 anos, de doença e na Figueira da Foz.
- José Ferreira de Almeida: Alferes miliciano capelão. A 2 de Março de 1995, os 51 anos e em Viseu. Era professor, depois de abandonar o sacerdócio.

CLASSE DE 
SARGENTOS

- Luís Ferreira Leite Machado: Sargento Ajudante. A 12 de Julho de 2000, em Évora e aos 80 anos.
- José Claudino Fernandes Luzia: 1º. Sargento, a 2 de Abril de 2017 aos 84 anos, na Amadora. Era sargento-mor.
- João da Conceição Unas Barata: 1º. Sargento de Operações, a 28 de Dezembro de 2024. Aos 90 anos e em Vila Fernando (Elvas).
- Joaquim Augusto Loio Farinhas: Furriel miliciano sapador, a 14 de Julho de 2005, de doença, em Amarante e aos 53 anos.
- Luís João Ramalho Mosteias: Furriel miliciano sapador. A 5 de Fevereiro de 2013, aos 61 anos e em Vila Nova de Santo André.
O vereador Sérgio Morgado (CMFF) e Aurélio
(com o estandarte da CCS), junto ao Monumento
aos Combatentes, em Ferreira do Zêzere. À
esquerda, Joaquim Breda (atrás) e Buraquinho

PRAÇAS

- Joaquim Figueiredo de Almeida: 1º. cabo atirador de Cavalaria, A28 de Fevereiro de 2009, aos 59 anos e em Pedrogão de S. Pedro, Penamacor.
- António Carlos Fernandes de Medeiros: 1º. cabo operador cripto. A 10 de Abril de 2003, no Porto e aos 51 anos.
- Jorge Luís Domingos Vicente: 1º. cabo atirador de Cavalaria. A 25 de Janeiro de 1997, aos 45 anos e em Vila Moreira (Alcanena).
- Carlos Alberto de Jesus Mendes: 1º. cabo electricista. A 21 de Abril de 2010, aos 58 anos, em Lisboa.
- Jorge Manuel de Sousa Pinho: 1º. cabo escriturário. A 19 de Abril de 2003, no Porto e aos 51 anos.
- José Adriano Nunes Louro: 1º. cabo sapador. A 23 de Julho de 2008, aos 56 anos e em Tomar.
- Manuel Augusto da Silva Marques: o 1º. cabo carpinteiro. A 1 de Novembro de 2012, em Esmoriz (Ovar), aos 60 anos.
- Damião Augusto das Neves Viana: 1º. cabo escriturário. A 21 de Fevereiro de 2021 e em Vila Nova 
Aurélio, Armando Cotrim (presidente
da Junta) e Gabriel Mendes, junto ao 
Monumento aos Combatentes
de Gaia, aos 70 anos.
- Fernando Manuel Soares: 1º. cabo atirador. Em Abril de 2018, aos 66 anos e no Laranjeiro (em Almada).
- Manuel da Costa Vieira: 1º. cabo clarim. A 6 de Dezembro de 2023, aos 71 anos, em Penafiel.
- José Gomes Coelho: Soldado sapador. A 13 de Maio de 2007, com 55 anos, em Oldrões da Calçada, em Penafiel.
- Armindo Domingos Gomes: Soldado atirador. A 3 de Setembro de 1989, aos 47 anos, em Á-dos-Cunhados, Torres Vedras.
- António do Rosário Picote: Soldado condutor. A 12 de Agosto de 2018, aos 66 anos e em Óbidos.
- Manuel Leal da Silva: Soldado atirador de Cavalaria. Faleceu a 18 de Junho de 2007, em Caixarias (Pombal), aos 54 anos.
- Carlos Alberto Morais da Silva: Soldado cortador de carnes: A 12 de Janeiro de 1990, com 48 anos e em Chaves.
- Alcino Fernandes Pereira: Soldado cozinheiro. A 25 de Junho de 1994, aos 52 anos, em Idanha (Sintra). Era de Mortágua.
- Manuel Augusto Nunes, o Amarante: Soldado sapador. A 24 de Maio de 2000, em Telões, Amarante, e aos 53 anos.
- João Manuel Pires Messejana: Soldado atirador. A 27 de Novembro de 2009, em Lisboa e aos 57 anos.
- Graciano do Purificação Queijo: Soldado clarim e ajudante e cozinha. Era de Vinhais e faleceu a 30 de Outubro de 2013. Aos 61 anos e num lar de Samora Correia.
- Albino dos Anjos Ferreira: Atirador de Cavalaria. Era de Ferreira do Zêzere, a 23 de Janeiro de 2017, aos 64 anos, em Almargem do Bispo, na Amadora.
- António Clara Pereira: Soldado mecânico. A 21 de Fevereiro de 2018, aos 67 anos e em Mação.
- António dos Santos Gonçalves: Soldado condutor. A 24 de Fevereiro de 2024, aos 71 anos e em Quintais de Baixo, Penude, em Lamego.
RIP!!! RIP!!! RIP!!!
Manuel Eira da Costa
2º. sargento enfermeiro

Mensagem do 2º. sargento 
enfermeiro Eira da Costa!

O 2º. sargento Manuel Alcides Eira da Costa foi enfermeiro da 2ª. CCAV. 8423 e compartilhou com a CCS no BC12, na nossa jornada africana do norte de Angola.
Regressou a Portugal a 10 de Setembro de 1975 e, com os furriéis miicianos José Gomes e António Artur Guedes (mais um outro Cavaleiro do Norte cujo nome já escapa à memória do Guedes), alugaram um táxi, de Lisboa até ao Porto (a Campanhã), onde depois cada um seguiu o seu destino.
O 2º. sargento Eira continuou a sua carreira militar e, há vários anos já aposentado, mora em Campeã, perto de Vila Real - tendo sido participante dos encontros da CCS.
Não esteve em Ferreira do Zêzere, em Dornes, mas mandou mensagem. Curta e significativa.
Esta:
«Que o nobre sentido de camaradagem se perpectue no espírito de todos os Cavaleiros do Nobre do BCAV. 8423».
Foi lida pelo furriel miliciano José Monteiro, no decorrer do encontro e aplaudida pelos Cavaleiros do Norte que estiveram no salão da Associação de Melhoramentos, Cultura e Recreio de Dornes - onde decorreu o repasto festivo.
(continua)

O furriel Abel Mourato foi vagomestre da 2ª. CCAV. 8423. Faleceu há 5 anos!

 

Os furriéis milicianos Carlos Letras e
Abel Mourato nas piscinas de Carmona
Abel Mourato
O furriel miliciano Abel Maria Ribeiro Mourato foi combatente da 2ª. CCAV. 8423 e faleceu a 2 de Junho de 2020, vítima de doença e em Vila Viçosa.
Há 5 anos!
Vagomestre de especialidade, partiu para Angola a 4 de Junho de 1974 e de lá regressou a 10 de Setembro de 1975, por lá sendo sempre um bom companheiro de todos os Cavaleiros do Norte do Batalhão de Cavalaria 8423.
Nascido a 24 de Janeiro de 1952, fez carreira profissional como funcionário da administração fiscal e residia em Vila Viçosa, quando, já aposentado, sentiu dores na cervical e artroses, entrando em ciclo depressivo. A 27 de Maio de 2020, foi internado em hospital, tendo-lhe sido diagnosticados problemas de tensão alta, dificuldades de oxigenação e embolia pulmonar.
Casado em segundas núpcias com Manuela, era pai de Marta, de 19 anos. E de Nuno Miguel, de 42 e do primeiro casamento.
Até um destes dias, amigo Mourato! RIP!!!

domingo, 1 de junho de 2025

- ANO 1975, há 50 anos: O primeiro dia dos sangrentos combates de Carmona e do Uíge!

A chegada de civis à parada do BC12, em Carmona, há 50 anos e recolhidos na cidade e
protegidos pelos Cavaleiros de Norte do BCAV. 8423. Chegaram a estar,
simultâneamente, mais de 1000 populares de todas raças e cores

O 1º. cabo Emanuel Miranda Santos com um grupo de crianças
uíjanas, há 50 anos refugiadas na parada do BC12 e depois
de recolhidas pelos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423


A madrugada de 1 de Junho de 1975, um domingo e em Carmona e no Uíge de há 50 anos, acordou ao som da metralha, ao cheiro do sangue e da morte: foi o primeiro dia dos dramáticos seis dias que enlutaram a cidade e á prova puseram a capacidade e coragem, a bravura e soldariedade dos Cavaleiros do Note do BCAV. 8423.
Os combates da capital do Uíge rapidamente chegaram à imprensa portuguesa e o «Diário de» Lisboa de 2 de Junho de 1975 reportou que «graves incidentes estalaram ontem em Carmona, entre tropas do MPLA e da FNLA, obrigando à intervenção, até agora sem êxito, de uma equipa militar mista composta por forças integradas dos três movimentos de 

O «Diário de Lisboa» de 2 de Junho de 1975, há
50 anos, reportou os combates de Carmona
entre as forças da FNLA e do MPLA
libertação».
«A insuficiência desta equipa e o recrudescimento das confrontações armadas determinou uma ordem de marcha , emitida esta manhã, para que segunda força militar integrada siga para Carmona e domine a situação», relatava o jornal vespertino de Lisboa.

Há aqui um qualquer equívoco: não me lembro (nem algum Cavaleiro do Norte se lembra) que qualquer força integrada agisse nesses dias de confrontos, nem noutros, entre o MPLA e a FNLA. 
A 1 de Junho as Forças Integradas - as Forças Militares Mistas - «desintegraram-se», cada membro de cada movimento pôs-se em armas contra o outro. É esta a memória que tenho e a de todos os companheiros que consultei, sobre o assunto.
O livro «História da Unidade», sobre este dramático período, sublinha que as NT «procuraram minimizar o conflito, procurando o seu términus rápido e diligenciando por limitar os seus efeitos». Não faz nenhuma referência a qualquer reforço das NT e muito menos da chegada de qualquer Força Integrada.

Cavaleiros do Norte da CCS são «amigos a celebrar amigos»!

Cavaleiros do Norte da CCS do BCAV. 8423 (não todos) junto ao Monumento aos Combatentes
em Ferreira do Zêzere. Durante o encontro de 31 de Maio de 2025

Amazonas e Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 em Pias
(Ferreira do Zêzere), ontem, dia 31 de Maio de 2025!


O padre Wojiech Kubrak (Adalberto) é polaco e, como já ontem contámos, foi o celebrante da missa de memória dos Cavaleiros do Norte da CCS do BCAV. 8423, na Igreja de S. Luís de Pias, em Ferreira do Zêzere.
O sacerdote várias vezes se emcionou e, na sua homília e visivelmente emocionado, exaltou «as virtudes desta amizade que traz sempre mais amigos», que começou a ser construída em 1974 e 1975, sendo agora ainda maior porque «vem de há 51 anos e é tão forte que está mais viva e não esquece os amigos 
O padre Adalberto e Jorge Martins, do Núcleo
de Combatentes de Tomar/Ferreira do Zêzere
que já partiram, aqui hoje lembrados».
«Lembraram os falecidos mas a felicitar os vivos. Vocês são amigos a celebrar amigos», disse o sacerdote polaco, encerrando a celebração com «uma benção para vós, que lembaram os vossos amigos dos tempos de tropa, de há 51 anos».
A celebração presidida pelo padre Adalberto (que é o padre Wojiech Kubrak) encheu o templo de S. Luís de Pias e teve presença do Núcleo de Tomar da Liga de Combatentes (com Jorge Martins a hastear a bandeira, como se pode ver nas imagens). 
A celebração foi acompanhada pelo Coro da Paróquia de S. Luís de Pias.
Logo depois e no Monumento aos Combatentes, em Ferreira do Zêzere, usou da palavra o vereador Sérgio Morgado - o primeiro à esquerda, na primeira foto - , que exaltou «as virtudes de quem com bravura, e já depois do 25 de Abril, defendeu a Bandeira Portuguesa».
«Agradecemos ao Aurélio por vos trazer à nossa terra. É uma honra!», disse o autarca ferreirense.
Armando Cotrim, presidente da Junta de Freguesia (o segundo, na mesma foto), por sua vez, destacou Aurélio Godinho (o «nosso» Barbeiro), por «trazer a Ferreira do Zêzere os seus camaradas» dos tempos de Angola e ao Monumento dos Combatentes, que «honra os que serviram a nossa pátria com coragem».
Os Cavaleiros do Norte da CCS no
templo de São Luís de Pias (FF)

Lealdade, simpatia, 
disposição e amizade!
Parabéns ao Aurélio!

O alferes António Albano Cruz não pôde estar em Ferreira do Zêzere, por «motivos familiares inadiáveis», mas, em mensagem enviada, considerou que «nele recordaríamos as coisas boas e menos boas por que passámos em Angola e, sobretudo, os companheiros que há 50 anos nos marcaram pela sua lealdade, simpatia, boa disposição ou amizade».
Acrescentou:
«Estou certo que ireis ter mais um grande convívio, na linha dos anteriores, pelo que desde já fico a aguardar que no próximo nos possamos encontrar de novo, com muita saúde e a boa disposição de sempre.
Guardo boas recordações de todos, digo-o com muita sinceridade, pelo que espero que, com a vossa compreensão e bondade, esqueçam e perdoem o mais e melhor que podia ter feito por cada um e não fiz.
Parabéns ao Aurélio e a todos os que se empenharam neste encontro e em todos os que se seguirão.
De Santo Tirso, vai um grande abraço, amigo e solidário, para todos e respetivas famílias e, se não for mais cedo, espero que nos possamos encontrar pelo menos daqui a um ano.
Grande abraço.
António Sousa Cruz concluiu a sua mensagem (lida pelo furriel José Monteiro) com um «grande abraço»!
(continua)


- ANO 1974, hÁ 51 anos: A chegada dos Cavaleiros do Norte da 1ª. CCAV. 8423 a Angola!


Grupo de Cavaleiros do Norte da 1ª. CCAV. 8423, que há precisamente 51 anos
 embarcaram em Lisboa, com destino da Luanda, para a sua comissão militar
em Angola. O grupo da foto inclui alguns militares do recrutamento local

Cavaleiros do Norte da 1ª. CCAV. 8423. À frente
e de pé, os furriéis Nascimento, Rodrigues e Ma-
nuel Dias. Sentados, 1º. cabo Ferreira (de óculos)
e os furriéis Barata e Louro. E, mais atrás, quem
serão estes dois «zalala´s»
?
Davide Castro Dias,
comandante da 1ª.
CCAV. 8423

A 1ª. CCAV. 8423, a da mítica Fazenda Maria João, a de Zalala e do capitão miliciano Davide de Oliveira Castro Dias, partiu de Lisboa para Luanda ao final da noite de 31 de Maio de 1974.
Chegou a Luanda e a Angola no dia 1 de Junho. Hoje se passam 47 anos! 
A CCS já por lá estava, há 2 dias e o BCAV. 8423 tinha ainda a 2ª. CCAV. e a 3ª. CCAV. em lista de espera para o voo e, de acordo com o livro «História da Unidade», a 1. CCAV. 8423, «embarcou para a RMA quase completo». Na verdade, vale a pena recordar, «faziam-se sentir duas faltas importantes» - casos do 2º. comandante e do oficial de reabastecimentos. O primeiro, por ter sido «desviado para o Comando Chefe das Forças Armadas da Guiné, este por se encontrar com baixa ao Hospital Militar Principal».
O 2º. comandante era o major de Cavalaria José Luís Jordão Ornelas Monteiro, mais tarde promovido a tenente-coronel e que, com esta patente, foi aposentado. Faleceu a 16 de Julho de 2011, com 80 anos. Só seria substituído, no BCAV. 8423 e pelo capitão José Diogo da Silva Themudo, em Março de 1975.
O oficial de reabastecimentos era o alferes miliciano Gaspar José F. Carmo Reis, que nunca chegámos a conhecer e que, porém, foi «julgado incapaz para o serviço militar». Foi substituído, já em terras de Angola, pelo também alferes miliciano José Alberto Alegria Martins de Almeida, que, em rendição individual, chegou ao Quitexe em Julho de 1974.

- ANO 1996, há 29 anos: O 2º. Encontro dos Cavaleiros do Nore do BCAV. 8423!

 


Ementa do 2º. Encontro do
BCAV.8423, a 1 de Junho de
1996, no Barracão (Leiria)


A 1 de Junho de 1996, há 29 anos, realizou-se em Leiria, o segundo encontro do BCAV. 8423, que envolveu mais de 400 pessoas - entre antigos combatentes e familiares. 
O primeiro tinha sido a 9 de Setembro de 1995, em Águeda - na Estalagem da Pateira (em Fermentelos, concelho de Águeda). Este segundo, no Restaurante S. Francisco (no Barracão), 
O encontro foi de memórias, de fartos abraços de saudade e mil afectos, testemunhados pelos surpreendidos familiares que, em muitos casos, (re)conheceram um marido ou um pai «diferentes» do dia-a-dia doméstico. Porque se reencontravam com companheiros de uma heróica e muitas vezes mal compreendida jornada africana do Uíge Angolano.
Por curiosidade, e apenas por isso, recordemos a ementa:
- Entradas: Morcela assada, chouriço assado, pastéis de bacalhau, rissóis de peixe e croquetes.
- Bebidas: Vinho maduro, tinto e branco, vinho verde, espumante bruto, refrigerantes. cerveja, águas, aguardentes, brandys e whiskys.
- Almoço: Sopa de legumes, arroz de peixe e lombo de porco assado, com fruta da época, doces e café.
- O dia 1 de Junho de 1975. Ver AQUI