Neto, Viegas e Monteiro (no Quitexe, em 1974) moraram
em Viana, de Angola, de 4 de Agosto a 7 de Setembro de 1975
A 6 de Setembro de 1975, fizemos (eu, o Neto e o Monteiro) as malas para levar de Viana para o Grafanil, onde seriam (e foram) juntas às de toda a outra malta da CCS. Em mão, no avião que nos levaria (e trouxe) para Lisboa, apenas traríamos bagagem pequena.
Julgo ter sido desse dia um incidente no posto da PSPA, entre Viana e o Grafanil, onde fomos interpelados por homens do MPLA, armados, que a todo o custo nos queriam revistar o pequeno carro do Neto e levar as caixas de whisky que religiosamente guardáramos para trazer. No mesmo sítio, poucos dias antes, a interpelação fora dos chamados pioneiros - jovens armados, os do chamado poder popular!!! - e o Neto, como sempre muito mais impulsivo que eu, reagiu à intimação de forma violenta e rapou, até, de um revólver que tinha comprado em Carmona. Eu, devo ter ficado de todas as cores.
«Somos militares!...», gritou o Neto, a ameaçar que dava cabo de toda a gente, se não nos deixassem avançar.
Nós estávamos à civil (íamos ao quartel entregar a bagagem e seguir para Luanda) e pouco dispostos a deixar-nos roubar, pelo que essa de nos revistarem o carro, era coisa que não aceitávamos. Os PSP´s presentes (uns três ou quatro...) nada fizeram, para além de encolherem os ombros e olharem, quase indiferentes, os homens a ameaçarem-nos e com uma metralhadora em cada mão!!! Eu, molhava-me de suores frios, sem arma; o Neto, de revólver na mão, barafustava o mais alto que lhe dava a garganta!
A situação acabou por se resolver, mas não esqueço o medo que senti nessa manhã.
«Sabes o perigo que corremos?», perguntei eu ao Neto, já no Grafanil e ainda lívido.
« F....-os a todos», disse-me ele, convicto da eficácia do revólver que comprara em Carmona e sempre trazia no bolso, quando em trânsito à civil.
- PSPA. Polícia de Segurança
Pública de Angola.




























