CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

domingo, 23 de abril de 2017

3 740 - Cavaleiros prepararam eleições e Vitor Velez chegou ao RC4!

Cavaleiros do Norte da Zalala, todos furriéis milicianos: Joaquim Rodri-
gues, Jorge Barata, José Louro, José Nascimento, Eusébio Martins,
Manuel Dinis Dias, Victor Velez e Victor Costa 

Os furriéis milicianos Cruz e Viegas nas férias angolanas
de há 42 anos, Aqui, entre a Caála e Nova Lisboa, antes
de chegarem ao Lobito e a Benguela

O Batalhão de Cavalaria 8423, ao tempo dividido entre os aquartelamentos de Carmona (a actual cidade do Uíge), do Quitexe e de Vista Alegre/Destacamento da Ponte do Dange e «dando colaboração ao processo revolucionário de Portugal», ficou encarregado da «montagem das assembleias de voto em Carmona». Para as primeiras eleições do pós-25 de Abril português.
Furriel Viegas em Benguela,
há precisamente 42 anos e
de calças à «boca de sino»
A 16 e 23 de Abril de 1975 e nesta cidade uíjana, «reali-
zaram-se palestras orientadoras» e de preparação do acto eleitoral. «Em tentativa de o preparar», precisa o Livro da Unidade, reportando esse tempo.
A campanha eleitoral terminava oficialmente às 24 horas desse dia 23 de Abril e «depois de 22 dias de maciça pro-
paganda dos 12 partidos concorrentes e com um reforço notório de concentrações populares». Isto em Portugal.
Por Angola, os furriéis milicianos Cruz e Viegas, de malas feitas nas suas férias africanas, voaram nesse dia do Lobito para Luanda, curiosos pelas movimentações eleitorais da capital do país que ia nascer: mas nada de especialmente interessante souberam, além da leitura dos jornais angolanos e de um ou outro que chegavam de Lisboa.
Anunciavam-se «grandes comícios de encerramento», segundo o Diário de Lisboa: do CDS na Guarda (com Galvão de Melo); da FEC-ML e LCI no Porto; do MDP/CDE em Aveiro, Beja, Évora e Faro; do MES em Lisboa (com Rossana Rossanda); do PCP em Lisboa, estádio 1º. de Maio (com Álvaro Cunhal); do PPD, actual PSD, em Algés (com Pinto Balsemão); e do PS em Braga (com Sottomayor Cardia). Entre outros.

Encontro de MPLA,
FNLA e UNITA

Angola expectava sobre as eleições em Portugal mas os três movimentos de libertação continuavam de projectos separados, face à próxima independência do país.
Os incidentes que nas semanas anteriores confrontaram MPLA e FNLA motivaram uma posição de Agostinho Neto, que se ofereceu para «participar numa reunião dos presidentes dos três movimentos».
«Em vez de nos alvejarmos uns aos outros, em vez de usarmos a violência, deveríamos discutir os nossos problemas», disse o presidente do MPLA.
Victor Velez e José Nascimento,
furriéis milicianos de Zalala mas
aqui já no quartel do Songo


Victor Velez em 
Santa Margarida

O então futuro furriel  milicianos Velez apresentou-se no RC4 e no BCAV. 8423 a 24 de Abril de 1974.
Victor Manuel da Conceição Gregório Velez morava em S. Sebastião da Pedreira, freguesia de Lisboa, aonde regressou, à Rua Gonçalves Crespo, no dia 9 de Se-
tembro de 1975. Atirador de Cavalaria, rodou da Escola Prática de Santarém e substituiu, na 1ª. CCAV. 8423, o 1º. cabo miliciano Francisco J. C. Silva, do RC4 e por, segundo a ordem de serviço nº. 109/74, do RC4, este «ter sido julgado capaz para os SAE e reclassificado em amanuense».
Victor Velez viria a ser Cavaleiro do Norte da 1ª. CAV. 8423, a de Zalala, mas, segundo o Livro de Unidade, só aqui se apresentou em Junho de 1974. Um companheiro dos bons!

sábado, 22 de abril de 2017

3 739 - Troca de prisioneiros em Úcua, instrução operacional no RC4!

Cavaleiros do Norte de Zalala, todos furriéis milicianos: Eusébio (falecido
a 16/04/2014, de doença e em Belmonte), Queirós e Costa. Em baixo. Ro-
drigues, Louro, Barata (falecido a 11/10)1997, de doença e em Alcains) e
Manuel Dias (falecido a 20/10/2011, de doença e em Lisboa)

O furriel Viegas e o 1º. escriturário Jacinto, da ZMN,
42 anos depois da jornada uíjana de Carmona, «acha-
dos»  no Algarve, na Páscoa de 2017!

O comando do BCAV. 8423 teve, a 22 de Abril de 1975, «uma reunião a nível mais elevado, com elementos do Grupo Militar Misto, a qual originou um patrulhamento a Úcua, com vista a fazer-se uma troca de prisioneiros» - que na véspera, recordemos, «tinha sido tentada sem êxito», como reporta o Livro da Unidade.
Os incidentes do Negage, no dia 20, recordemos, já tinham «obrigado» a uma «reunião conjunta com a FNLA».
Cavaleiros do Norte de Zalala, em 2016: alferes Pedro
Rosa e furriéis João Aldeagas, Vitor Velez e Manuel
Pinto - todos milicianos e em dia de encontro 
Ao tempo, e ainda segundo o Livro da Unidade, procurava-se «obter para o Uíge a tal calma aparente e o entendimento entre todos os movimentos», encontran-
do «soluções para todos os problemas, através de reuniões semanais», que foram, sublinhe-se, «primórdio do Estado Maior Unificado».


Eleições em Portugal
e adiadas em Angola

As primeiras eleições em Portugal estavam em tempo final da campanha, multiplicando-se os comícios pelo país fora. Seriam (e foram) a 25 de Abril, precisamente um ano depois da revolução.
Nada que preocupasse os dois Cavaleiros do Norte da CCS que «laureavam o queijo» por terras de Benguela e Lobito, em férias angolanas: o Cruz e o Viegas.  Eleições? Pois bem, que se realizassem, que tudo corresse bem, que ganhasse o melhor! Ambos,  não votaram sequer, pois só o poderiam fazer em Carmona e no BC12, onde o BCAV. 8423 instalou urnas de voto (tal como na cidade). E estávamos em Benguela e Lobito, a mais de 850 quilómetros.
As eleições para a Angola independente, previstas para Outubro, é que pareciam comprometidas neste tempo de há 42 anos. Falando em Dar-es-Salan, o presidente do MPLA admitia que «podem vir a ser canceladas».
«Ainda não foi aprovado um projecto de lei eleitoral apresentado pelo MPLA», disse Agostinho Neto, frisando que o seu partido «continuará a sua campanha para as eleições».

Instrução operacional
em Santa Margarida

Um ano antes, precisamente no dia 22 de Abril de 1974, uma segunda-feira, os então futuros Cavaleiros do Norte regressaram ao Destacamento do Regimento de Cavalaria 4 (RC4), em Santa Margarida - depois de um período de férias que vinha desde 28 de Março, quando terminou a Licença de Normas - os 10 dias antes do embarque.
«Só a 22 de Abril se voltou a reencontrar todo o pessoal do Batalhão, para dar efectivação à instrução operacional», reporta o Livro de Unidade.
O destino, já se sabia, era Angola. E era para Angola que se preparavam os militares mobilizados pelo RC4 e para o Batalhão de Cavalaria 8423. Sem saber ainda para que zona. Só em Luanda e já em Junho, soubemos que seria para o Quitexe, para a Fazenda Zalala, Aldeia Viçosa e Fazenda Santa Isabel.  
O louvor ao 1º. cabo Jacinto Sebastião
Gomes Diogo, escriturário da ZMN


Cavaleiros do Norte
em abraço algarvio

A semana de Páscoa de 2017 foi ocasião de reencontro de dois antigos combatentes das Forças Armadas de Portugal em Angola. Reencontro em terras algarvias de dois contem-
porâneos de Carmona, 42 anos depois da jornada uíjana: o 1º. cabo Jacinto Diogo e o furriel miliciano Viegas.
Jacinto Sebastião Gomes Diogo, algarvio de Cas-
tro Marim, foi escriturário na Zona Militar Norte (ZMN), justamente quando os Cavaleiros do Norte se aquartelaram em Carmona. Em 1975!
Jacinto Diogo, 1º.
cabo escriturário
da ZMN
A ZMN era comandada pelo brigadeiro Leão Correia, que o louvou pelas «qualidades profissionais» como escriturário de uma das Secções, a que aliava «qualidades de educação de realçar e uma noção dos deveres militares que o impuseram à consideração do comando e superiores, sendo sempre exemplo de atavio e de compostura, dentro e fora do serviço».
O louvor foi publicado na Ordem de Serviço nº. 54, de 8 de Julho de 1975, do Quartel General da Região Militar de Angola. O Chefe de Estado Maior da ZMN era, então, o major Ramiro Casimiro Mourato, recentemente falecido, quando estava internado num lar de Cascais.
Natural de Odeleite, em Castro Marim, lá regressou em 1975 e, actualmente, é empresário do ramo da restauração na Quarteira. Proprietário, gestor e trabalhador do conhecido restaurante Jacinto na avenida Sá Carneiro.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

3 738 - Patrulhamento do BCAV. a Úcua, caldeirada «ranger» em Setúbal!

Os alferes milicianos Jaime Ribeiro e António Garcia e os tenentes SGE
Acácio Luz e João Eloy Borges da Cunha Mora, que faleceu a 21 de Abril de
1993, com 67 anos. Também neste dia, mas em 2010, aos 58, faleceu o
1º. cabo Carlos Alberto Mendes, ambos de doença e em Lisboa

Os furriéis Letras e Viegas, «almoçados» em Setúbal, em
terça-feira de Pascoela, com as suas amadas Amazonas
e depois de uma caldeirada de memórias de Angola,

bem regadas com branco da região. Fresquinho!

A 21 de Abril de 1975, em vésperas das primeiras eleições portuguesas pós-25 de Abril, os Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423 foram a Úcua, com uma missão muito especial: a troca de prisioneiros. «Tentada sem êxito», reporta o Livro da Unidade. 
O patrulhamento, porém, recolheu informações, muito úteis para «a reunião a nível mais elevado com elementos do Gabinete Militar Misto».
Francisco Madaleno, atirador do PELREC, em pose
fotográfica com uma criança do Quitexe
O Batalhão de Cavalaria 8423, com a CCS e parte da 2ª. CCAV. 8423 ao tempo aquar-
teladas no BC12, «foi honrado com a pre-
sença do brigadeiro comandante do Co-
mando Territorial de Carmona, acompa-
nhado do seu Estado Maior e recebido no aquartelamento com formatura geral». 
O dia foi intenso, em termos de Cavaleiros do Norte. A rotação da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala mas ao tempo em Vista Alegre e Ponte do Dange, estava em preparação e, por isso mesmo, deslocou-se ao Songo o 2º. comandante do BCAV., o capitão José Diogo Themudo. «Para tratar da instalação», precisa o Livro da Unidade.
A véspera, dia 20 de há 42 anos, foi tempo de se registarem incidentes no Negage, onde estava a CCAÇ. 4741/74, que obrigaram à «realização de uma reunião conjunta com a FNLA, de modo a obter a mentalização do que deverá ser a missão das NT e dos Exércitos de Libertação, neste período que decorre até à independência».
Letras e Viegas, dois (ex)furriéis milicianos «Rangers»,
companheiros do curso de 1973 e amigos de toda a vida.
Em Setúbal, 44 anos depois de Lamego!.
 

Cavaleiros do Norte em

caldeirada de... Setúbal

O tempo passou, já lá vão 42 anos!..., e agora foi tempo de reencontro de dois Cavaleiros do Norte, pelas bandas de Setúbal: os furriéis milicianos Letras e Viegas.
Companheiros de grupo de combate no Centro de Instrução de Operações Especiais (CIOE), em Lamego e no ido ano de 1973, a mobilização juntou-os na formação do BCAV. 8423, em Santa Margarida, cada qual na sua companhia e por lá fermentando relação que se ampliou no tempo. Até hoje. 
A jornada africana de Angola «levou-os» ao Uíge e a Quitexe (o Viegas) e Aldeia Viçosa (o Letras). Sempre «umbilicalmente» ligados e, já em Portugal, várias vezes se achando nos atalhos e auto-estradas da vida.
«Com´é qu´é qu´é, pá?!... Uma caldeirada, amanhã?!...», perguntou o Viegas, a um Letras que não buliu de surpresa e logo acertou local e hora.
Dito e feito, a mesa enriqueceu-se com o preparo do mar e encheu de prazer a gulodice dos confrades «rangers» e respectivas amazonas, sob o olhar atento e crítico de Ana, a Viegas da doença do sono. 
A caldeirada estava uma delícia, a sobremesa também, mas o encontro valeu, principalmente, pelo desfiar de memórias da nossa jornada africana do Uíge. Uma maravilha foi o que foi, pousada e ampliada em regaço das nossas saudades das gentes e dos chãos das terras angolanas.
Tenente João Eloy
Borges Cunha Mora

Luto do BCAV. 8423
A morte do tenente Mora
e do 1º. cabo Jesus Mendes
- 2º. comandante e electricista da CCS

O dia 21 de Abril é de duplo luto do BCAV. 8423. Está ligado à morte de dois Cavaleiros do Norte, em anos diferentes: o tenente Mora e o 1º. cabo Mendes.
1º. cabo Carlos
A. Jesus Mendes
João Eloy Borges da Cunha Mora, tenente SGE, era natural de Pombal, onde nasceu a 30 de Junho de 1926. Foi 2º. coman-
dante da CCS do BCAV. 8423 e personagem inesquecível da missão que nos levou a Angola. Regressou a Portugal no dia 8 de Setembro de 1975 e prosseguiu a sua carreira militar.
Casado com uma senhora de origem indiana, que o acompa-
nhou em Angola, faleceu a 21 de Abril de 1993, de doença e aos 67 anos de idade. Morava na Lapa, em Lisboa.
Carlos Alberto de Jesus Mendes, 1º. cabo mecânico electri-
cista, era natural da freguesia de Santa Isabel, na Rua Maria Pia, em Lisboa, e lá regressou a 8 de Setembro de 1975. Faleceu a 21 de Abril de 2010, de doen-
ça e quando residia na Presidente Arriaga, aos Prazeres, também em Lisboa. Tinha 58 anos, nascido a 3 de Fevereiro de 1952.
Ambos recordamos, com saudade. RIP!! 

quinta-feira, 20 de abril de 2017

3 737 - A Páscoa de 2017 e as lembranças do tempo de 1975!

Os furriéis milicianos Joaquim Abrantes, Cândido Pires e Viegas com um
grupo de 6 crianças da aldeia (sanzala) do Talambanza, à saída do
Quitexe para Carmona. Em Outubro/Novembro de 1974

O alferes Almeida e o furriel Viegas em dia de Páscoa de
2017,  42 anos depois da jornada africana de Angola
O dia de Páscoa de 1975 foi a 30 de Março e, por esse dia, já os furriéis milicianos Cruz e Viegas estavam por Luanda, a debutar as suas férias angolanas. 
O dia foi de «intenso tiroteio na Avenida do Brasil, onde está instalada a sede da FNLA» e nas últimas 48 horas - Sábado de Aleluia, portanto, e Domingo de Pás-
coa - tinha havido «violação do proto-
colo assinado entre os três movimentos de libertação e o Governo Português».
Os furriéis milicianos Viegas e Miguel (paraquedista)
A imprensa do dia, porém, dava conta que «estas ocorrências não prejudicam o regresso à normalidade, embora se pressinta um estado de latente tensão».

Páscoa de 2017, em 
terras algarvias!

O que acima se fala foi há 42 anos, pela Páscoa que este ano foi a 16 de Abril e teve tempero marroquino no borrego cozinhado para o almoço que juntou dois Cavaleiros do Norte em terras berberes, na algarvia Albufeira: os ex-alferes José Alberto Almeida e o furriel Viegas. E foi um consolo, pela deliciosa ementa, amarroquinada pelas mãos do (cozinheiro) Miqui e auxiliares Almeida e Zé Luís, pela sobremesa de engravidar os prazeres da boca e pela farta jornada de memórias das «coisas» de Angola.
«Não era militarista, mas fiquei a perceber e a aceitar bem as regras da tropa», disse o (ex-alferes) Almeida, a certo tempo, depois de um enorme e emotivo desfiar de memórias das terras e das gentes que são nosso património histórico: o comandante Almeida e Brito, os capitães Oliveira e Falcão, o sempre surpreendente tenente Mora, o nosso querido tenente Luz (agora capitão, no alto e amadurecido tempo dos seus 88 anos, feitos a 29 de Março), dos sargentos Luzia, Barata e Aires, do sargento-ajudante Luís Machado (que tanto se fez ouvir à irrequietude da miliciana «furrielada», ele que pouco ouvia e... ouvia de aparelho) e da malta nova: o Neto, o Monteiro e o Machado, os dois Pires, o Rocha das TRMS e  o Cruz (o nosso «mais velho), o Dias das ementas, o Morais da oficina e o Lopes da enfermaria (o Seringas), o inesquecível Mosteias (que a morte levou a 5 de Fevereiro de 2013).
Os furriéis milicianos José Monteiro e João Peixoto na
rampa de acesso da messe do Bairro Montanha Pinto
Todos eles e também o Farinhas (que também já partiu, a 14 de Julho de 2005) e o Fonseca, que veio de férias em Janeiro de 1975 e não voltou. 
Outros furriéis por lá jornadearam, sen-
do grandes companheiros da guarni-
ção quitexana: o Joaquim Abrantes (de Castelo Branco), o Miguel Peres (de Se-
túbal) e o João Peixoto (de Braga), que por lá passaram, de umas e em trânsito para outras jornadas. E aquele furriel angolano, um branco amorenado da Angola, muito amigo de ervas e fumos? Alguém se lembra do nome dele?


João Jerónimo Rito
Rito de Aldeia Viçosa
faria 65 anos!

João Jerónimo Rito foi soldado atirador de Cavalaria da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa. 
Companheiro da jornada africana do Uíge Angolano, compa-
nheiro continuou por muitos encontros dos Cavaleiros do Norte comandados pelo capitão miliciano José Manuel Cruz. Faria 65 anos a 20 de Abril de 2017, mas uma doença levou-o do nosso conví-
vio físico, falecendo a 1 de Março de 2016 - depois de internamento no Hospital Distrital de Castelo Branco, a sua cidade natal e onde morava, no Bairro da Boa Esperança. Hoje o recordamos e evocamos com saudade! RIP!!!

quarta-feira, 19 de abril de 2017

3 736 - Patrulhar e turistar, os movimentos a acordar!

Cavaleiros do Norte da CCS, trio de 1ºs. cabos escriturários: Miguel Teixeira,
Jorge Pires e Jorge Manuel de Sousa Pinho, que faleceu há 21 anos, a 19 de
Abril de 1996, vítima de doença e na cidade do Porto


Cavaleiros do Norte do Grupo de Combate que há 42 anos
 reforçou a guarnição militar de Carmona: José Eusébio,
furriel José Carvalho, alferes Mário Simões e A. Caroço
O dia 19 de Abril de 1975 foi um sábado e tempo de algumas cautelas pelas bandas do Uíge angolano, onde jornadeavam os Cavaleiros do Norte.
Os patrulhamentos continuavam, sem ninguém reclamar do sacrifício imenso que era exigido à reduzida guarnição do BCAV. 8423, limitada à CCS e a um grupo de combate da 2ª. CCAV., a de Aldeia Viçosa, reforçados uma semana antes por outros dois - um do BCAÇ. 5015 e outro da 3ª. CCAV. 8423 - o do alferes Mário Simões e dos furriéis José Carvalho, Graciano Silva e Luís Capitão.
O furriel Viegas no porto do Lobito, durante as férias pas-
sadas em terras da imensa Angola, já lá vão 42 anos. Ape-
tece lá voltar e redescobrir a magia e feitiço africanos! 
Melhores dias passavam, a centenas de quilómetros e divertindo-se na imensa e enfeitiçada terra de Angola, dois furriéis milicianos da CCS que por lá «vagabun-
deavam» em férias: o Cruz e o Viegas.
Idos de Nova Lisboa, assentaram arrais em Benguela e dela e do Lobito fizeram seara de passeios e boa vida, descobrin-
do os prazeres das praias e a magia da noite e do dia, da boa mesa e dos abra-
ços amigos que por lá achámos. 
Os furriéis Viegas e Zé Ferreira, este formando daquele,
no 3º. curso de Rangers de 1973, aqui no RC4 e em 1974 
Belas férias! Belas praias!  Excelentes restaurantes! E bons encontros, como aquele que deu para «achar» um amigo de escola, conterrâneo de Águeda e também furriel miliciano de Operações Especiais - os Rangers, o Zé Ferreira de Macinhata do Vouga. Ali estava ele em comissão, em quartel de cidade que apenas o arame farpado separava da praia e do mar. Um luxo!

Conflitos previstos 
para 15 a 30 de Abril

Luanda foi palco, na véspera (dia 18 de Abril) de mais uma reunião dos Estados Maiores das Forças Armadas do MPLA, FNLA e UNITA, para «uma análise exaustiva da situação polí-
tica e militar do país» e, por outro lado, apreciar «a aplicação prática» das decisões anteriormente tomadas  quanto à «or-
ganização das forças de prevenção e das forças integradas», concordando que «os inimigos da independência do povo angolano, não tendo compreen-
dido o momento histórico, persistem em manobrar na sombra, preparando-se mesmo para desencadear conflitos entre 15 e 30 de Abril».
Os Estados Maiores das Forças Armadas dos três movimentos angolanos de libertação, no final da reunião e por isso mesmo, lançaram «uma advertência solene à reacção» para que «cesse imediatamente tais manobras». E apelaram à população para que se «mantenha calma e vigilante».
1º. cabo Jorge Pinho

Morte do 1º. cabo
Jorge de Pinho

O 1º. cabo Jorge Pinho faleceu há 21 anos, no dia 19 de Abril de 1996 e na sua cidade natal - o Porto.
Jorge Manuel de Sousa Pinho foi Cavaleiro do Norte com a especialidade de escriturário e serviu na CCS em toda a sua comissão em Angola, entre 30 de Maio de 1974 e 8 de Se-
tembro de 1975. Regressou aos Choupos, freguesia de Ra-
malde, na cidade do Porto, e ali morou no Bairro dos CTT. Faleceu, vítima de doença, a 19 de Abril de 1996, em vés-
peras de chegar aos 44 anos, que faria no dia 25 de Abril imediatamente se-
guinte. Hoje, aqui fazemos memória dele, recordando-o com saudade. RIP!!!


terça-feira, 18 de abril de 2017

3 735 - Comandante Themudo em Vista Alegre e Daniel Chipenda na FNLA

Cavaleiros do Norte da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, que há 42 anos e em
Vista Alegre, foi visitada pelo 2º. comandante José Diogo Themudo. Atrás, 
Rocha (?), Espinho (?), Fião, Romão, Tarciso, Aprumado, Mira, Mamarra-
cho e Pereira. Sentados, Azevedo, Rego, Oliveira (?), Lopes, Dorindo e o
furriel miliciano mecânico Manuel Dias

O alferes miliciano João Machado e os capitães
José Paulo Falcão (oficial adjunto) e José Diogo
Themudo (2º. comandante doBCAV. 8423)

O capitão José Diogo Themudo, 2º. comandante do Batalhão de Cavalaria 8423, esteve em Vista Alegre a 18 de Abril de 1975, no âmbito das «visitas de trabalho às subunidades». Fez-se acompanhar do alferes miliciano António Albano Cruz, o oficial miliciano de manutenção auto.
Vista Alegre, com um Destacamento na Ponte do Dange, a esse tempo, aquartelava a 1ª. CCAV. 8423 já desde o dia 10 de Dezembro de 1974, companhia comandada pelo capitão miliciano Davide de Oliveira Castro Dias e ida da mítica Zalala - «a mais rude escola de guerra»!
Os alferes milicianos Garcia (Rangers)  e
Cruz (mecânico-auto) na Fazenda Vamba
Seguramente, tal visita de trabalho serviu para preparar a rotação dos Cavaleiros do Norte de Zalala para o Songo, que se concretizaria a 26 de Abril seguinte. A presença do oficial mecânico-auto, o alferes miliciano António Albano Araújo de Sousa Cruz, certamente foi para analisar o estado de manutenção das viaturas - que na 1ª. CCAV. 8433 era permanentemente assegurada (e bem) pelo furriel miliciano Manuel Dinis Dias.
Daniel Chipenda

Chipenda na FNLA

O dia 18 de Abril de há 42 anos foi data para se saber que Daniel Chipenda chegara a acordo com a FNLA e a sua facção - também conhecida por Revolta do Leste - fora dissolvida e integrada no ELNA.
Daniel Chipenda passou a fazer parte do Conselho Nacional de Revolução e do Gabinete Político da FNLA e também a exercer as funções de secretário geral adjunto do movimento de Holden Roberto. Os principais elementos da facção dissolvida «passaram a ocupar postos de responsabilidade nas diferentes instâncias da FNLA». Os tropas, foram integrados em unidades do ELNA.
O furriel Viegas com a madrinha Isolina e as
netas dela - a Fátima e a Idalina. Há 42 anos!


Férias por Angola,
adeus ao Huambo

Os furriéis milicianos Cruz e Viegas, por estes dias de Abril de 1975, faziam malas para a partida e o adeus a Nova Lisboa - a caminho de Benguela e Lobito.
A viagem foi feita em comboio do Caminho de Ferro de Benguela, em longas horas e muitas paragens - que boa parte dos passageiros aproveitavam para vender mercadorias de todo o tipo e feitio. Até animais vivos.
Nova Lisboa e o planalto huambano ficavam para trás, mas permanentemente arquivadas nas nossas memórias. Pelo que era a sua belíssima paisagem, a sua qualidade de vida e modernidade, os equipamentos urbanos, sociais e culturais, a sua riqueza natural, o desenvolvimento, é verdade, mas principalmente pela cortesia e bem-receber das suas gentes! O seu fino trato e generosidade! Inesquecíveis!

segunda-feira, 17 de abril de 2017

3 734 - Férias pelo Huambo Angola, frieza luandana à OUA/ONU

O furriel Viegas de férias em Nova Lisboa, em Abril de 1975 e num jardim
da cidade e com a Família Neves Polido: Saudade, Fátima. Idalina, Viegas
e Valter. À frente, Rafael Polido (já falecido)

O furriel Viegas em Nova Lisboa, há 42 anos. com
a madrinha Isolina e netas Fátima e Idalina

A 17 de Abril de 1975, iam os dias de férias no seu melhor bem-bom, por Nova Lisboa e arredores huambanos, embrulhados (o Cruz e o Viegas) no afecto da família Neves Polido, que lá geria o Hotel Bimbe, e dos familiares Manuel, José e Aníbal Viegas, Sérgio e Ivone Viegas, dos conterrâneos Orlando Rino, Arnaldo Figueiredo e Alberto Miranda.
A cidade era excelente e magnífico o ambiente social que se vivia ainda muito longe de os locais suporem os dramáticos dias que se aproximavam, na tribalesca luta armada que opôs angolanos irmãos de sangue, mas inimigos ideológicos.
Patrulhamento das Forças Militares Mistas pronto para
sair em serviço, do BC12, em Carmona (actual Uíge)
Ao tempo de há 42 anos, Nova Lisboa era um paraíso. Muito mais se compa-
rada com Luanda. Ou mesmo com Car-
mona, onde continuavam os patrulha-
mentos mistos, mas em crescente azedume entre militares da FN LA e do MPLA, o que levou o comando militar português a «procurar soluções para todos os problemas» em repetidas reuniões com os responsáveis políticos e militares dos dois movimentos. 
O reporte da situação em Carmona era dado ao telefone pelo furriel Francisco Neto e era essa imagem que tentávamos passar em Nova Lisboa. Em alerta!
«Preparem-se para ir embora, aquilo lá para cima está muito mau...», por várias vezes «avisei» familiares e amigos ao Huambo angolano, sem ser tão convincente que os convencesse a mudar de ideias e de confiança.
«Isto aqui não chega nada!!!...», repetia-se Cecília Neves, que meses antes deixara a sua fazenda da Gabela e se aventurara, com o marido Rafael e família, a gerir o Bimbe, negociado com outro conterrâneo - Armando Reis, que regressara a Portugal. O seu futuro, acreditaca ela, era em Nova Lisboa.
Referia-se à violência que, a norte, matava centenas de pessoas e o destino, depois, levou-os a mandar filhos e mãe para Portugal, para fugirem da guerra que regou de sangue o chão do Huambo angolano. Depois, chegou a vez do casal e de milhares e milhares de pessoas.

Frieza em Luanda a
receber OUA e ONU

Luanda, a 15 de Abril de 1975, a terça-feira anterior, recebera com «bastante frieza» a delegação conjunta da Organização de Unidade Africana (OUA), a actual União Africana (UA), e da Organização das Nações Unidas (ONU). 
Chefiada por Abdul Farah, adjunto do secretário geral da ONU (Kurt Wald-
heim), a delegação foi recebida apenas por um oficial português e pelo embaixador do Gabão no Zaire e, sublinhava o Diário de Lisboa, entre «uma verdadeira tempestade de protestos públicos e oficiais».
MPLA e FNLA continuavam sem se entenderem e, referia o mesmo jornal lisboeta de 17 de Abril de 1975, «a UNITA tem-se mantido alheia aos embates» entre aqueles movimentos. Diligenciava, aliás, «apoio para o seu movimento, como possível solução para a rivalidade entre MPLA e FNLA».

Carvalho de Santa Isabel
65 anos em Amares

Joaquim Fernandes de Carvalho foi Cavaleiro do Norte e soldado condutor auto-rodas da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel e do capitão José Paulo Fernandes.
Regressou a Portugal a 11 de Setembro de 1975 e fixou-se na sua terra natal, em Sobre a Igreja, freguesia de Fiscal, em Amares. É lá que no dia 19 de Abril fará 65 anos e por isso o felicitamos. Parabéns!

domingo, 16 de abril de 2017

3 733 - As eleições de 1975, em Carmona e entre os Cavaleiros do Norte

Grupo do Pelotão de Morteiros 4281. O alferes Leite é o terceiro, a con-
 tar da direita. O terceiro da esquerda é o enfermeiro Esmoriz. E os outros,
 quem identifica? Partiu de Lisboa a 16 de Abril de 1974. Há 43 anos!

Os alferes milicianos António Garcia. Jaime
Ribeiro e João Leite - este o comandante
do Pelotão de Morteiros 4281

As eleições para a Assembleia Constituinte motivaram, a 16 de Abril de 1975, a realização de uma «palestra orientadora», de preparação dos Cavaleiros do Norte aquartelados em Car-
mona (no BC 12) para o acto eleitoral marcado para o dia 25 - quando se fazia um ano depois da Revolução dos Cravos.
O objectivo era esclarecer o pessoal da guarni-
ção para a importância deste acto cívico, assim como da forma como iria decorrer. Por isso mesmo, se repetiu a 23 e 24 do mesmo mês.
Fernando Pires e Luís Costa, os dois furriéis
milicianos do Pelotão de Morteiros 4281
Tais palestras foram, todas elas, «orientadas por oficiais do Comando Territorial de Carmona e do BCAV. 8423, ambos delegados do MFA», como relata o Livro de Unidade.
As eleições para a Assembleia Constituinte foram as primeiras depois do 25 de Abril. As primeiras em liberdade política.

Pelotão de Morteiros
em partida de Lisboa

O dia, mas em 1974 e em Lisboa, foi o da partida do Pelotão de Morteiros 4281 para a sua jornada africana de Angola, comandado pelo alferes João Leite - açoreano e agora empresário nos Estados Unidos. 
O PELMOR 4281 foi parar ao Campo Militar do Grafanil e por lá esteve «acampado» uns dias, até que, pela Estrada do Café adiante..., rodou para o Quitexe - onde, a 6 de Junho seguinte e com a CCS do BCAÇ. 4211, anfitrionou a CCS do CCAV. 8423. 
Lá esteve até 20 de Dezembro, concluindo a rotação para Carmona nos primeiros dias de Janeiro de 1975 foi sua (nossa) contemporânea. Rotação que ocorreu no âmbito da «mutação dos dispositivo militar» da então zona de acção operacional do BCAV. 8423. Não muito mais tarde, a 2 de Março desse mesmo ano, voltámos a  estar juntos em Carmona,
O dr. António Honório Campos e esposa,
no encontro da  3ª. CCAV. 8423 de 2013
no BC 12.


Alferes médico Campos
faz 73 anos em Coimbra

O alferes miliciano médico António Honório de Campos está hoje em festa de anos: comemo-
ra 73! Dia 16 de Abril de 2017, em Coimbra!
O seu sacerdócio médico foi dividido pela CCS (substituiu o capitão médico dr. Leal) e na 2ª. CCAV. (a de Aldeia Viçosa) e 3ª. CCAV. (a de Santa Isabel), sempre com «elevada competência profissional», que justificou «merecido louvor».
O alferes médico
A. Honório de
Campos em 1975
O louvor foi proposto pelo capitão José Paulo Fernandes, da 3ª. CCAV. 8423, e o povo angolano do Uíge beneficiou do seu invulgar acerdócio médico, ali acumulando funções militares com as de Delegado de Saúde do Quitexe e apoiando «toda a população civil, sem olhar a horas de trabalho», como se lê no louvor do comandante Almeida e Brito, acrescentando-lhe «dedicação integral a todos os casos vividos». 
O grave confito armado entre a FNLA e o MPLA que se despoletou no Quitexe (em Junho de 1975) levou-o a ter de «actuar quase sozinho, perante elevado número de feridos muito graves, patenteando elevada isenção» e manifestando, igualmente, «a sua capacidade técnica e humana, em actividade digna de realce». 
Regressado a Portugal, fez carreira de dermatologista, chegando a assistente graduado do Hospital Infante D. Pedro, em Aveiro - cidade onde ainda tem consultório privado. Está aposentado desde Outubtro de 2006.

sábado, 15 de abril de 2017

3 732 - Grupo de combate da 3ª. CCAV. reforçou Cavaleiros de Carmona

Grupo de furriéi milicianos da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala: Rodrigues, Eusébio Manuel Martins (que
 faleceu em Belmonte, de doença, a 16 de Abril de 2014), Jorge Manuel Eanes Barata (falecido a
10 de Outubro de 1997, de doença e em Alcains) e Queirós
Furriéis de Zalala foram visitar o Eusébio, a Belmonte,
 em Junho de  2012. De pé, Pinto. Eusébio, Mota Viana e
Rodrigues. Sentados, Dias, Queirós e Barreto

Os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 aquartelados em Carmona - a quitexana CCS e parte da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa -, tiveram, a 15 para 16 de Abril de 1975, um novo reforço operacional: o de um grupo de combate da 3ª. CCAV. 8423, a do capitão miliciano José Paulo Fernandes e da Fazenda Santa Isabel, mas ao tempo já instalada na (nossa) saudosa vila do Quitexe - desde o dia 10 de Dezembro de 1974.
Os capitães milicianos José Manuel Cruz e José
Paulo Fernandes, comandantes da 2ª. CCAV.
 e da 3ª. CCAV., com o alferes João Machado
«Houve que reforçar temporariamente o BCAV. (...), porquanto, pretendendo-se ao mesmo tempo realizar patrulhamentos de longo curso, chamemos-lhe assim, não de podia deixar a cidade de Carmona inactiva», historia o Livro de Unidade, sublinhando, a este tempo de há 42 anos, que «muito embora se verifique que a nossa actividade está muito circunscrita aos centros urbanos, pois que à FNLA outra coisa não interessa, está-se conseguindo uma situa-
ção de calma, fictícia é certo, mas que permite um dia a dia mais ou menos estável, quebrado por um ou outro incidente».
Bem dizia (e escreveu) o comandante Almeida e Brito, e lá saberia porquê: «Uma calma fictícia, é certo (...). O tempo de então, e de forma muito real e dramática - trágica, diríamos..., como se «viu» na primeira semana de Junho de 1975 -, se encarregaria de confirmar tão «profética» e antecipada verdade.

OUA e ONU
em Luanda

Luanda, a esse tempo, continuava com as mesmas dúvidas e diferenças. O MPLA opunha-se formalmente ao envio da missão da OUA, que Lúcio Lara conside-
rava «uma interferência contrária aos interesses nacionais». Em causa, recordemos, estavam «as sangrentas confrontações recentemente ocorridas entre partidários do MPLA e da FNLA, em Luanda».
Ao tempo já estava em Luanda um delegação de 4 elementos da OUA, chefiada por Adbuirahib Farah, secretário geral das Nações Unidas para as Questões Políticas Especiais, que, porém, apontava como objectivo «estudar as necessidades do país no campo social e económico».
O furriel Eusébio
Martins em 1975

Furriel Eusébio
morreu há 3 anos

O furriel miliciano Eusébio, da 1ª. CCAV. 8423, a da Fazenda de Zalala, faleceu há 3 anos, a 16 de Abril de 2014.
Eusébio Manuel Martins era natural de Caria, em Belmonte, e morava nesta vila, onde foi funcionário público e numa altura em que, já aposentado, acautelava o futuro próximo dos dois filhos, agora com 38 e 31 anos.
Trabalhou na Escola Profissional Agrícola de Belmonte, mas a saúde começou a atormentá-lo em 2008. A má circulação sanguínea e os dia-
betes levaram-o cinco vezes às mesas de operações e neste vai-e-volta perdeu a perna esquerda. Nada, todavia, que lhe retirasse o entusiasmo e gosto de viver. 
«Fiquei mais leve...», disse-me ele, ao telefone e sem uma sombra de constran-
gimento ou amargura que se lhe percebesse, sublinhando até, com ironia, que «a partir dos 50, vamos perdendo a validade. É como os iogurtes!!!...».
Eusébio era assim, emocionalmente descontraído, e até soltou outra farta gar-
galhada, que lhe senti fresca e viva, sem estar a esconder quaisquer desgosto ou tristeza. Hoje, três anos depois da sua morte, o recordamos com saudade! A saudade, em memória, de um bom companheiro da jornada angolana.