CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

sexta-feira, 21 de julho de 2017

3 829 - Apresentação e arma de IN na BCAÇ. 4145 de Vista Alegre

Vista Alegre em Dezembro de 2013. numa foto do 1º. cabo Carlos Ferrei-
 ra, da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, que para lá rodou  a 21 de Novembro de 
1974. Em primeiro plano, as bombas de gasolina

A CCAÇ. 4145 na cerimónia de entrega do guião, em1973. Aquartelou em Vista
 Alegre e foi subunidade dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423


O período de prevenção simples do BCAV. 8423 terminou a 18 de Julho de 1975 (desde o dia 12) mas as rotinas de segurança continuaram em absoluto vigor e muito atentas relativamente à FNLA - a «dona» do Uíge! - que se mantinha reivindicativa quanto a «desequilíbrios de outros locais» e no distrito exigia armas, cercava quartéis e impedia a circulação de MVL´s.
A 21 de Julho de há 42 anos repetiu o impedimento de saída de um MVL (já o fizera no dia 13) e ainda estavam bem frescas na memória as 
O capitão miliciano Raúl Corte Real, coman-
dante da CCAÇ. 4145, a de Vista Alegre
declarações (e ameaças não tão veladas, assim...) de dirigentes da FNLA e de
militares do ELNA do comício do dia 13 anterior.
A tropa, de outro lado, era «permanente alvo de críticas da populações brancas, a quais se sentem marginalizadas e sem recebem quaisquer apoios ou seguranças daqueles que ainda são, com afirmam, os lídimos representantes da Autoridade Portuguesa»
Foram tempos muito difíceis (e amargos, até perigosos...) para os Cavaleiros do Norte - na altura já com as 4 Companhias aquarteladas na cidade de Carmona, desde que no dia 8 anterior se completara a rotação da 3ª. CCAV. 8423, então do Quitexe, iniciada no dia 1 - quando rodou o primeiro grupo de combate.
A 3ª. CCAV. era comandada pelo capitão miliciano José Paulo Fernandes e rodara para o Quitexe, da Fazenda Santa Isabel, a 10 de Dezembro de 1974. A Santa Isabel tinha chegado a 11 de Junho do mesmo ano. 
O capitão Raúl Corte Real no encontro da CCAÇ. 4145
de 2015 (assinalado com a seta vermelha)

Fugitivo do IN entregou  
arma em Vista Alegre

Um ano antes, comemorou-se o Dia da Cavalaria no Quitexe e «em cerimónias simples». O comandante Almeida e Brito enviou uma mensagem às subunidades - as de Zalala, Aldeia Viçosa e Santa Isabel.
O dia foi particularmente assinalado, em Vista Alegre, pela «apresentação de um elemento fugido do IN, antigo GE raptado na área de Bolongongo». O Livro da Unidade refere que «fez entrega de uma espingarda semi-automáticas Simonov», que era «a primeira arma do BCAV.» e também que «conseguiu furtar-se a um grupo inimigo em trânsito».
Vista Alegre era onde se aquartelava a CCAÇ. 4145, uma da sub-unidades agregadas ao BCAV. 8423 e que era comandada pelo capitão miliciano Raúl Corte Real.
Em tempos nada fáceis para este oficial que, para além do comando de CCÇ. 4145 - cerca de 200 jovens... - ainda tinha de permanentemente lidar o administrador (e os seus milícias), fazendeiros, sobas e populações. «E mais os que não gostavam de nós, como alguns camionistas, fazendeiros e IN´s. Havia muitos para quem não dava mesmo sorrir muito», comentou Raúl Corte Real, na sua página de facebook.
Estevão F. Neto

Neto de Aldeia Viçosa
65 anos em Abrantes

O soldado Neto, Cavaleiro do Norte da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, comemora 65 anos a 21 de Julho de 2017.
Estevão Fernandes Neto era (é) o seu nome completo, foi atirador de Cavalaria da Companhia comandada pelo capitão miliciano José Manuel Cruz e era (é) natural do lugar de Chaminés, na freguesia de Bemposta, em Abrantes. E lá voltou a 10 de Setembro de 1975.
Actualmente, mora  na Rua do Secador, na mesma freguesia e concelho abrantino, para onde «atiramos» o nosso abraço de parabéns! Com o desejo de muitos e mais bons anos de boa saúde e alegria de viver.
F. Vieira nos tempos de Car-
mona. Há  mais de 40 anos!

Fernando Vieira em
«natal» na Amadora

Fernando Antunes Vieira foi civil contemporâneo dos Cavaleiros do Norte, em 1975 - há 42 anos!... - e quando era um jovem funcionário de Câmara Municipal de Carmona. Está na casa dos «sessentas e tais» e hoje mesmo está em festa de anos. 
Fernando Vieira
em 2016/2017
O livre trânsito camarário permitiu-lhe alguns contactos no BC12, para levar e trazer «coisas» dos civis seus amigos que lá se refugiaram nos dramáticos dias da primeira semana de Junho de 1975. Recolhidos na cidada, a fugir dos combates entre MPLA e FNLA e apoiados pelos Cavaleiros do Norte.
Aposentado da Maternidade Alfredo da Costa, onde fez carreira profissional, é colaborador regular deste blogue e vive, feliz, na cidade da Amadora. Para lá vai o nosso abraço de parabéns!

quinta-feira, 20 de julho de 2017

3 828 - Cavaleiros de Aldeia Viçosa vão conviver em Oleiros|

Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, na «foto de família»
do encontro de 2014, em Valongo, organizado pelo (1º. cabo) José Beato. Segui-
ram-se os de furriéis: Salvaterra de Magos (Guedes) e Guimarães (Ferreira)


Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa, da 2ª. CCAV.
8423: Soares, Abrantes, Martins, Mendes e Teodósio


Os Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, vão organizar o 17º. encontro de convívio, marcado para 30 de Setembro, em Oleiros.
A concentração nesta linda e histórica vila do distrito de Castelo Branco - recentemente devastada pelo drama dos incêndios florestais - está marcada para as 10 horas, no jardim municipal. O almoço será no restaurante Callum, do Hotel de Santa Margarida.
Qualquer dúvida poderá ser desfeita
Mário Mendes 
de Almeida
junto do organizador local: o (soldado atirador) Mário Mendes de Almeida, através do telefone 965194696. As inscrições podem ser feitas através do mordomo-mor, o (1º. cabo) José Maria Beato, até ao dia 11 de Setembro e através dos números 224221948 e 963573376. 

Comandante em
Sanza Pombo

A 20 de Julho de 1974, o comandante Carlos Almeida e Brito, do BCAV. 84233, deslocou-se a Sanza Pombo, onde estava aquartelada o BCAV. 8324. Em tarefas de natureza operacional.
A escolta foi assegurada por um grupo do PELREC e, pessoalmente, lá tive o prazer de encontrar um conterrâneo - Higino Pires dos Reis, civil e agora já falecido, que era funcionário do Ministério da Agricultura.
Os dias uíjanos iam tranquilos. O comandante Almeida e Brito dinamizava «con-
tactos com elementos IN, com vista a uma tentativa da sua apresentação no contexto da actual política». E com as populações locais (nos povos/sanzalas), autoridades tradicionais, comerciantes e fazendeiros - estes, os principais dinamizadores da economia local.
Mário Almeida,
condutor de Zalala


Almeida da 1ª. CCAV.,
65 anos em Espinho!


Almeida foi Cavaleiro do Norte da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, e faz hoje 65 anos. Dia 20 de Julho de 2017.
Mário Pereira de Almeida foi soldado condutor e era natural de Espinho, onde regressou. Por alguma razão não voltou a Portugal com o BCAV. 8423 (não consta das listas de embarque de nenhuma das 4 Companhias) mas sabemos que mora(rá) em Espinho. Parabéns para ele!

quarta-feira, 19 de julho de 2017

3 827 - Evacuações de angolanos do norte de Luanda para Carmona!

Cavaleiros do Norte da CCS. À direita, de pé, o condutor Vicente Alves. Em
baixo, o sapador José Coelho (?), o 1º. cabo João Monteiro (Gasolinas) e o
condutor Delfim Serra. E os outros, quem os identifica?

Daniel Chipenda, à esquerda, esteve em Carmona, na
apanha do café, há precisamente 42 anos

Os dias de Carmona, por este tempo de Julho 1975 - há 45 anos!... -, foram tempo de visita de Daniel Chipenda ao Uíge, para, com os seus colaboradores, visitar «os trabalhadores dos cafezais na colheita». Era tempo da colheita e o Uíge era «a capital do café».
Os acontecimentos das semanas anteriores (desde a primeira de Junho e dos, então, trágicos incidentes ocorridos) precipitaram a fuga de muitos trabalhadores para as suas terras (principalmente bailundos) e faltava mão de obra para as colheitas. 
Receava-se que estas não passassem dos 45% das 220 000 toneladas de 1974.
O Diário de Lisboa apontava «o mau tempo, a agitação local no domínio do trabalho e a falta de mão de obra nas plantações» como causas dessa diminuição da produção.
Daniel Chipenda era, nessa altura, secretário geral adjunto da FNLA e avistou-se «com naturais de Angola fugi-
Notícia do Diario de Lisboa de 18/07/1975 sobre
a visita de Daniel Chipenda a Carmona
dos às lutas de Luanda e prometeu-lhes auxílio do movimento para o seu realojamento». Calculava-se que a Força Aérea Portuguesa
tenha «evacuado centenas de angolanos do Norte, de Luanda para Carmona» - onde, não esqueçamos, «dominava» a FNLA, depois dos combates de 1 a 6 de Junho.

Holden Roberto no Zaire,
não em Angola

A FNLA, a 18 de Julho de 1975, divulgou um comunicado a negar a presença do presidente Holden Roberto no interior de Angola».
«Todos os que quiserem reencontrar o dirigente da FNLA podem fazê-lo na sede do partido, em Kinshasa», frisava o comunicada, sublinhando também que «a FNLA rejeitará qualquer tentativa de apaziguamento da tensão em Luanda, pela intervenção de forças internacionais de manutenção da paz» e opor-se-á a «qualquer tentativa de intervenção de Portugal».
Curiosamente, mas em data que a memória já não consegue precisar, correu por Carmona o boato de que Holden Roberto estava na cidade. Nesta altura, ou noutra? Alguns Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 garantiam tê-lo visto.


A Fazenda Santa Isabel, no dia da chegada da 3ª. CCAV.
8423 - a 11 de Junho de 1974
Botelho de Santa Isabel 
morreu há 24 anos

O Botelho foi Cavaleiro do Norte da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel, e faria 65 anos a 19 de Julho de 2017.
Ricardo da Conceição Botelho foi soldado de transmissões da Companhia comandada pelo capitão miliciano José Paulo Fernandes e regressou a Portugal no dia 11 de Setembro de 1975. Ao lugar de Afonseiro, na freguesia de Azinheira do Barros, no concelho do Montijo, onde já residia e onde se fixou. Faleceu há 24 anos - a 19 de Julho de 1993.
Hoje, quando atingiria os 65 anos, o recordamos com saudade. RIP!!!
Alxandre Oliveira

Oliveira, clarim de Aldeia
Viçosa, faleceu há um ano !

O soldado clarim Alexandre dos Santos Oliveira, Cavaleiro do Norte da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, faleceu a 15 de Julho de 2019, em Vila Nova de Gaia. Aos 67 anos e de doença.
Alexandre dos Santos Oliveira nasceu a 8 de Março de 1952 e, desde Junho de 2015, sofria de uma doença degenerativa, depois de leucemia e anemia, «combatendo-a» corajosamente, entre o hospital e a sua residência do Seixo Alvo, no Olival, em Vila Nova de Gaia. 
Hoje o recordamos com saudade! RIP!!!

terça-feira, 18 de julho de 2017

3 826 - Forças Integradas com galões e divisas; CART. 6322 no BCAV. 8423!

Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423, todos furriéis milicianos: José Ade-
lino Lopes Querido (que hoje festeja 65 anos), Victor Guedes (falecido a 16
de Abril de 1998, de doença e em Lisboa) António Fernandes, Agostinho
Belo (de óculos) e Ângelo Rabiço


Forças Militares Mistas / Forças Integradas, instruídas
pelo BCAV. 8423, aqui na parada do BC12, em Carmona

O dia 18 de Julho de 1975 - há precisa-
mente 42 anos! -assinalou o fim do pe-
ríodo de prevenção simples da guarni-
ção militar portuguesa em Carmona. Sinal de que as «coisas» melhoravam na capital do Uíge. Começara no dia 12 imediatamente anterior.
Outro importante registo do dia foi o da
Vicente Alves, condutor da
 CCS, que a 14 de Julho de
2017 fez 65 anos
«entrega de galões e divisas» aos graduados da Companhia das Forças Integradas - que desde há várias semanas vinham a ter instrução dos quadros do BCAV. 8423 - no BC12.
O Livro da Unidade refere que se procurou «valorizar aqueles que irão ser os pilares do Exército Angolano» e que se aproveitou a oportunidade de comemorar o Dia da Cavalaria e, relativamente aos quadros das Forças Integradas «explorar os deveres militares e as responsabilidades dos chefes, em acção orientadora destes elementos». Elementos que, e continuamos a citar o Livro da Unidade, «embora desejando fazer algo por Angola, se sentem submergir e a deixar de ver a aceitação e autoridade que se pretendeu imprimir-lhe».
O Dia da Cavalaria comemorou-se «com a maior singeleza», sendo celebrada missa na capela da unidade, com presença do brigadeiro e Chefe do Estado Maior do Comando Territorial de Carmona, e uma mensagem publicada na Ordem de Serviço do Dia.
Fazenda Luísa Maria no tempo da CART. 6322/COTI 2,
em período imediatamente antes do BCAV. 8423 

A CART. 6322
no BCAV. 8423 

Outro acontecimento do dia, mas de um ano antes (em 1974) foi a passagem  da 1ª. CART. do BART 6322/COTI 2 à «de-
pendência operacional do BCAV. 8423».
O Batalhão de Artilharia 6322 foi formado em Évora, no RAL 3 e com a divisa «Honra e Glória». Desembarcou em Luanda, nos dias 20 (CCS), 21 (1ª. CART.), 24 (2ª. CART.) e 27 de Novembro de 1973 (2ª. CART.) e cumpriu missões em Camabatela, Quiculungo e Fazenda Luísa Maria (ZA do BCAV. 8423), M´Pupa, Balalongo e Chitembo, entre outros destinos de intervenção. Integrava o Comando Operacional de Tropas de Intervenção (COTI) e regressou a Portugal no dia 28 de Março de 1975.
A CART. 6322, segundo o Livro da Unidade (do BCAV. 8423), «continuou a trabalhar a área dos «quartéis» de Camabatela e Quiculungo», o que, sublinha o mesmo LU, «completa o esforço operacional do Subsector em procurar actuar sobre todos os refúgios da ZA».
A 28 de Julho de 1974, «foi retirada do Subsector». Desconhecemos o destino.
Picada de Zalala. Os furriéis milicianos Dias (mecânico) e
Queirós, à frente, e o alferes Sampaio (atrás e à esquerda)

Picadas de Zalala,
a Estrada do Café

Uma das actividades dos Cavaleiros do Norte, entre outras, foi a de, sempre que solicitados, proteger as brigadas de trabalho da Junta Autónoma de Estradas de Angola (JAEA).
Tal aconteceu com muita frequência nos primeiros meses da jornada angolana do Uíge, particularmente em obras de requalificação da Estrada do Café - que liga(va) Luanda a Carmona.
Há precisamente 43 anos, «prosseguiam os trabalhos» no troço entre Vista Alegre e Ponte do Dange». A 18 de Julho de 1974, «iniciaram-se trabalhos de reparação do itinerário para Zalala» - a partir do Quitexe.
José Querido

Querido faz 65 
anos em Odivelas

O furriel miliciano José Querido, da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel, festeja 65 anos a 18 de Julho de 2017.
José Adelino Borges Querido foi atirador de Cavalaria e regressou a Portugal, no final da comissão angolana, no dia 11 de Setembro de 1975. A Benfica, em Lisboa, onde residia - na rua Actriz Maria Matos. Fez vida como funcionário público e comerciante, radicando-se em Odivelas. 
Para lá vai o nosso abraço de parabéns! 

segunda-feira, 17 de julho de 2017

3 825 - O 17 de Julho de 1974; mais tropa de Lisboa para Luanda!

O alferes miliciano D. Carvalho de Sousa com os furriéis João Brejo, António
Guedes e Mário Matos, Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8423, de A. Viçosa.
Há 43 anos, com o seu grupo de combate, foi em diligência para Carmona

O José Novo e o 1º. cabo «cripto» Deus, que amanhã faz
65 anos, em Lisboa. Aqui, na pista do Quitexe, em 1975



A 17 de Julho de 1974, o grupo de com-
bate comandado pelo alferes miliciano Domingos Carvalho de Sousa rodou de Aldeia Viçosa para Carmona.
O objectivo deste grupo da 2ª. CCAV. 8423, em diligência no Comando do Sector do Uíge, foi fazer «patrulha-
mentos na área suburbana» da cidade capital do Uíge.
O 1º. sargento Norte e os alferes Carvalho de Sousa e João
Machado, que há 43 anos comandava o grupo de combate
aquartelado na Fazenda Luísa Maria
O dia 17 de Julho de 1974, em termos de BCAV. 8423, teve outras incidências:
1 - O comandante Almeida e Brito esteve  no Comando do Sector do Uíge, onde foram «estabelecidos contactos opera-
cionais» - tal qual a 14 e depois a 31 de Julho.
2 - Terminou a Operação Turbilhão (ini-
ciada em data desconhecida), com ac-ções «viradas para as «centrais» de Mungage e Negage e os «quartéis» Al-
deia e Tabi, sendo, por ora, abandona-
CCAÇ 4145, de Vista Alegre: Furriéis Freitas e Cerqueira,
capitão Raúl Corte Real e 1º. sargento Sobreiro 
da a «central» de Nova Caipemba, co-
brindo-se, assim, locais de toda a ZA».
3 - As Zonas de Acção (ZA) de Luísa Maria (onde estava o Grupo de Combate do alferes João Machado, da 2ª. CCAV.) e Vista Alegre (a CCAÇ. 4145, do capitão Raúl Corte-Real) retornaram à «respon-
sabilidade operacional do BCAV. 8423»

16 mortos em Luanda,
entre MPLA e FNLA

A imprensa angolana do dia não fez chegar boas notícias ao Quitexe. Na verdade,  na noite de 15 para 16 de Julho (a véspera), «voltaram  registar-se sangrentos incidentes nos bairros periféricos de Luanda, os quais provocaram vais 10 mortos e vários feridos».
Um comunicado do Comunicado-Chefe das Forças Armadas actualizou os da-
dos: 16 mortos, 63 feridos e 11 prisões pelo Exército. O mesmo comunicado sublinhava que «as mortes provém de desordens entre africanos, muitos deles militantes do MPLA e da FNLA, segundo afirmam muitos moradores dos musseques».
Várias patrulhas militares foram flageladas com tiros e detido o condutor de uma viatura proveniente do Comando da Zona Militar Leste «contendo material de guerra, num bairro suburbano».
Notícia da última página do Diário de Lisboa de 17
 de Julho de 1975: «Foram enviadas mais tropas de
 Lisboa para Luanda» 


MPLA «expulsou»
FNLA de Luanda

Um ano depois, e segundo o Diário de Lisboa, «o MPLA continua a controlar esta capital, após os combates que se registaram ente as FAPLA e o ELNA» - o exército da FNLA.
A capital era Luanda, onde «continuam a chegar inúmeros refugiados», depois de na véspera se ter iniciado uma ponte aérea para Lisboa.
De Lisboa, foram uma companhia de comandos, outra de caçadores e outra de fuzileiros, para «reforçar as que aqui estavam estacionadas».
A «grande incógnita» do dia era, para o Diário de Lisboa, «saber o que vai fazer a FNLA, depois de ter sido praticamente expulsa» de Luanda.
Manuel Deus, 1º.
cabo «cripto»

Deus faz 65 anos
em Lisboa

Deus, Cavaleiro do Norte da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel, faz amanhã 65 anos, em Lisboa.
Manuel Ramos Deus, de seu nome completo, foi 1º. cabo operador-cripto e regressou a Portugal no dia 11 de Setembro de 1975. Ao Cardal da Graça, em Lisboa, onde então residia.
Aposentado, dedica-se ao lazer cicloturístico e é participante habitual dos en-
contros dos Cavaleiros do Norte da Fazenda Santa Isabel - a 3ª. CCAV. 8423. Parabéns pelo dia de amanhã!

domingo, 16 de julho de 2017

3 824 - Cavaleiros do Norte nas Operações Especiais (Rangers) de Lamego!

Cavaleiros do Norte no Qitexe: furriel miliciano Armindo Reino, comandante
Almeida e Brito, clarim Armando Silva e capitão José Paulo Falcão, que hoje
 faz 75 anos, em Coimbra. De costas, o capitão António Oliveira, da CCS 

Alferes António Garcia, do PELREC da 
CCS, à porta do BC12 (em 1975)
Alferes Augus-
to Rodrigues,
de Zalala
O dia 16 de Julho de 1973 foi a data de início da especialização em Opera-
ções Especiais (Rangers) de vários futuros Cavaleiros do Norte, em La-
mego, no quartel de Penude. Não sabiam, ao tempo, mas quatro dos cadetes dali saíram aspirantes a ofi-
ciais milicianos e cumpriram a sua (e nossa) jornada africana de Angola como alferes mili-
cianos: António Manuel Garcia (da CCS, a Companhia do Quitexe), Mário Jorge Sousa (1ª. CCAV. 8423, a de Zalala), João Francisco 
Alferes João Machado
Alferes M. Sousa
Machado (da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa) e Augusto Rodrigues (da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel).
Também 5 instruendos e futuros furriéis milicianos, José Augusto Monteiro, Celestino José Viegas e José Francisco Neto (da CCS), 
Os furriéis milicianos Neto, Viegas e Monteiro, 
«Rangers» do PELREC do BCAV. 8423
Manuel Pinto (da 1ª. CCAV.) e António Carlos Letras (da 2ª. CCAV.). Armindo Henriques Reino, da 3ª. CCAV. foi do curso seguinte, em Lamego - do qual foram instrutores Monteiro, Viegas e Neto. Por isso, se apresentou já em 1974, no período de formação do BCAV. 8423.
O curso terminou no dia 29 de Setembro e, colocados em Lamego, como instrutores do 3º. curso de 1973, ficaram os (então futuros) fur-
riéis milicianos Monteiro, Viegas e Neto.
Furriel António
Furriel M. Pinto


Major João Ornelas
Monteiro faleceu há 6 anos!

O tenente-coronel de Cavalaria Ornelas Monteiro faleceu há precisamente 6 anos - no dia 16 de Julho de 2011. Foi 2º. comandante do BCAV. 8423, nos primeiros meses de 1974.
José Luís Jordão Ornelas Monteiro, então major de Cavalaria,  foi «desviado» pelo MFA nas vésperas da partida dos Cavaleiros do Norte para Angola, sendo destacado para a Guiné - onde foi participar no processo de independência da então colónia portuguesa - a agora República da Guiné-Bissau. 
Tinha 43 anos, nascido a 7 de Outubro de 1931, quando integrou o período de formação do BCAV. 8423, no Destacamento do Regimento de Cavalaria 4, em Santa Margarida. Faleceu aos 80. Hoje o recordamos com saudade.
RIP!!!
Capitão José Paulo Falcão

Capitão José Paulo Falcão,
75 anos em Coimbra

O capitão Falcão faz 75 anos a 17 de Julho de 2017, em Coimbra, onde reside.
José Paulo Montenegro Mendonça Falcão foi oficial-adjunto do Comando do BCAV. 8423 e, regressou a Portugal no dia 8 de Setembro de 1975. Prosseguiu a sua carreira militar, comandou a Polícia Militar (no Porto e em Coimbra), esteve novamente no RC4 e foi 2º. comandante do Regimento de Cavalaria de Braga.
José P. Falcão nos anos
90 do século XX
Atingiu a patente de tenente-coronel, esteve em Lisboa e Es-
tremoz, antes de voltar a Coimbra - passando à reserva em 1996. O seu estado de saúde não é o melhor, na sequência de vários AVC´s. Maria do Carmo Gaivão, sua esposa e mãe do seu casal de filhos -, confidenciou-nos, há 4 anos, que se «encon-
tra muito doente». Assim infelizmente continua.
Para ele, vai o desejo de que lhe tudo corra pelo melhor, embrulhado no nosso abraço de parabéns!


sábado, 15 de julho de 2017

3 823 - FNLA quis armas do BCAV. 8423; a morte de Bernardo Oliveira!

Alferes milicianos Cavaleiros do Norte: Jaime Ribeiro (que hoje faz 67
 anos), António Garcia (falecido a 2 de Novembro de 1979) e José Alberto
Almeida. Imagem tirada do lado da capela do Quitexe. À esquerda, vê-
em-se as casernas, parada e Comando do BCAV. 8423

Os alferes milicianos António Garcia e Jaime Ribeiro, o
capitão miliciano médico Manuel Leal e o tenente SGE
Acácio Luz, no Quitexe e em 1974

O dia 15 de Julho de 1974 foi de luto para os Cavaleiros do Norte: faleceu Bernardo Oliveira, soldado do Grupo de Mesclagem da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel.
A morte resultou de um acidente de viação e Bernardo Oliveira era nativo angolano. Vivia no Caiango, concelho de de Alto Cauale, no Uíge.
A parada do Batalha de Caçadores 12 (BC 12)
Tinha 25 anos e foi mobilizado pelo RI 20. Está sepultado na campa 11-1 do Cemitério de Cangola - vila do Uíge e relativamente perto do Quitexe.
O dia por coincidência, foi de visita do comandante Almeida e Brito à 3ª. CCAV. 8423, para «estabelecimento de contactos operacionais».


Notícia do Diário de Lisboa de 15 de Julho de 
1975, sobre a situação em Luanda
Pedido de armas
ao BCAV. 8423

O dia 15 de Julho, mas de 1975 (um ano depois), foi tempo para a FNLA fazer «pedidos de armas retidas no quartel».
A situação militar uíjana continuava tensa: «Assiste-se a uma ocupação de parte do distrito por forças da FNLA», reportava o Diário de Lisboa dessa data, frisando que «a fuga das populações mais flagrante torna a divisão do país em zonas de influência que poderão conduzir a uma guerra de secessão».
Por alguma razão, queria a FNLA as armas à guarda dos Cavaleiros do Norte. Por alguma razão estavam a chegar refugiados da FNLA à cidade de Carmona.
Bem perto, na cidade de Salazar (actual N´Dalatando), «a situação parece não ter sofrido agravamento», mas sabia-se que dois aviões (não militares) que tentaram aterrar foram alvejados pelo MPLA, morrendo um piloto civil e ficando feridas várias pessoas.
Em Luanda, a situação estava «mais calma» (...), os rebentamentos «parecem(iam) ter terminado e são mais escassas as rajadas». Registou-se, porém, «o primeiro incidente desde há cerca de um ano, bem dentro da cidade do asfalto e junto ao Quartel General». 
Um alferes português foi sequestrado pela FNLA e depois libertado. Viaturas civis, e até um ambulância, transportavam armas que foram apreendidas pelas NT. De uma das vezes em que foram detectadas, forças da FNLA reagiram com fogo, «originando uma situação de certa gravidade». Um sargento português foi ferido.

O alferes Jaime Ribeiro
no encontro de 3/6/2017.
Em baixo, em 1974/75
Alferes Ribeiro, 67
anos no Tramagal


O alferes miliciano Ribeiro, comandante do Pelotão de Sapadores da CCS dos Cavaleiros do Norte, está em festa de anos: os 67!!! A 15 de Julho de 2017.
Jaime Rodrigues Picão Ribeiro é licenciado em engenharia e, nos trágicos primeiros dias de Junho de 1975, teve papel de-
terminante - «foi notório», segundo o louvor do Comandante do BCAV. 8423 - no acolhimento ao pessoal civil que acorreu ao BC12.
Também foi louvado por «ser bom condutor de homens, o que o cre-
dita merecedor de consideração dos seus superiores, da admiração do seus iguais e estima dos inferiores». E, na sua especialidade,
 «juntando à sua competência, a melhor boa vontade, conseguiu obter sempre os melhores resultados na construções que se fize-
ram, a maioria delas para melhoria do bem estar dos soldados».
O engº. Jaime Rodrigues Picão Ribeiro foi professor e formador profissional na FERNAVE (do Grupo CP). Aposentado, vive na vila do Tramagal e está de boa saúde e melhor disposição, como bem se viu no Encontro de 3 de Junho de 2017, da CCS e no RC4, em Santa Margarida.
Grande abraço! Parabéns!

sexta-feira, 14 de julho de 2017

3 823 - Dias difíceis em Carmona, a chegada de refugiados da FNLA!

Os furrieis milicianos Joaquim Farinhas (falecido a 14 de Julho de 2005),
Francisco Neto e Viegas na sanzala do Talambanza, com o «engraxador»
Papelino. O inesquecível «Papelino»...

O padre Albino Capela no baptizado de uma criança do
Família Rei, frente à Igreja do Quitexe 


A 14 de Julho de 1974, o comandante Carlos Almeida e Brito, do BCAV. 8434, voltou a reunir no Comando do Sector do Uíge (CSU), em Carmona e onde «foram estabelecidos contactos operacionais» - no seguimento, aliás, de encontros anteriores.
O dia foi intenso para o comandante dos Cavaleiros do Norte, que também se deslocou à Fazenda do Rio Duízo, acompanhado por autoridades administrativas e eclesiásticas do Quitexe. Certamente, o administrador Pimentel Teixeira (ou o interino Galina) e o padre Albino Capela - que ali terá celebrado missa.  
Era domingo e, em Luanda, a população dos musseques preparava uma greve, em luto pelas vítimas do Bairro Cazenga. Preparava-se para, no dia seguinte, segunda-feira, não comparecer ao trabalho e «vivia-se um clima de instabi-
lidade, registando-se alguns pequenos incidentes, sem consequências graves».
Diário de Lisboa. A 1ª. página da edição  de 14 de Julho de
 1975, há 40 anos!!!, sobre os incidentes de Luanda e
expulsão da FNLA, pelo MPLA

Dias difíceis 
em Carmona 

Um ano depois, Carmona e a região do Uíge continuavam sob as ameaças e actos da FNLA e do seu Exército Nacional de Libertação de Angola - o ELNA. 
Bem sentimos, na pele e na alma, as dores desses difíceis e arriscados tempos!
Em Luanda, o MPLA «correra» com a FNLA e dominava a situação - o que, conjugado com muitos outros factores (muitos deles desconhecidos, ao tempo), nomeadamente a conquista e domínio militar de outras regiões, fazia admitir, como relatava o Diário de Lisboa desse dia, «colocar em risco algumas unidades portuguesas estacionadas, nomeadamente no Uíge, com efectivos relativa-
mente pequenos, no caso de virem a ser acusados de darem apoio ao MPLA - como de resto, já tem sido feito». Era o caso do BCAV. 8423.
O dia de há precisamente 42 anos assinalou, também, o início de «constante afluxo de refugiados da FNLA a Carmona». Vindos de posições tomadas pelas FAPLA do MPLA e onde estava fragilizada a sua segurança.
O furriel miliciano sapador Joaquim
Farinhas, em 1975, em Carmona

A morte do furriel
Joaquim Farinhas


O furriel  miliciano Farinhas, do Pelotão de Sapa-
dores, faleceu a 14 de Julho de 2005. Já há 12 anos e em Amarante, de doença.
Joaquim Augusto Lopo Farinhas foi Cavaleiro do Norte, da CCS e no Quitexe, até Março de 1975 - quando, e já em Carmona, foi transferido por razões de natureza disciplinar. 
O Farinhas, de volta a Portugal (em data que desco-
nhecemos, esteve algum tempo emigrado nos Estados Unidos e, mais tarde, regressado a Portugal, fez carreira na Guarda Florestal. Infelizmente e vítima de doença, faleceu a 14 de Julho de 2005, na sua Amarante natal. Pelo Qui-
texe, foi companheiro de fartas, muitoi vivas e discordantes conversas, que algumas vezes politicamente se estremaram. Tinha as suas ideias, pouco coin-
cidentes com as da maioria (politicamente impreparada) dos frequentadores da nesse e bar dos sargentos, mas isso não afastou sensibilidades ou camaradagem. Era um bom companheiro! Que recordamos com muita saudade, fazendo memória de um Cavaieiro do Norte de sempre! RIP!!!

Vicente José Alves organizou o encontro da CCS
 de 2017, no RC4. O Carlos Ferreira. à direita,
vai organizar o do 2018, em Santaré
Mota e Vicente, 65 anos
em Lousada e Vila de Rei 

O Mota e o Vicente fazem hoje 65 anos, ambos com boa saúde e de bem com a vida.
Augusto António dos Santos Mota foi 1º. cabo auxiliar de enfermagem da 3ª. CCAV. 8423 - a da Fazenda Santa Isabel. Natural de Cristelo, em Lousada, lá regressou a 11 de Setembro de 1975
Augusto Mota, 1º.
 cabo 
enfermei-
ro da 3ª. CCA
e lá é empresário do sector da panificação, em sociedade com o irmão António Augusto - a Sociedade Panificadora Central.
Vicente José Alves foi condutor da CCS do BCAV. 84233, Cavaleiro do Norte do parque-auto (o da «ferrugem»), e o organizador do encontro de 2017, no RC4, em Santa Margarida. 
Natural de Cucados, freguesia do concelho de Vila de Rei (centro geodésico de Portugal), lá continua a residir - agora já aposentado da construção civil, de que foi (é) médio empresário.
Ambos está a festejar a bonita idade de 65 anos (também o 1º. cabo cozinheiro José Manuel Temporão Campos, da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala mas a residir em Monção) e para eles vão os nossos fortes abraços de parabéns!