CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

quinta-feira, 21 de junho de 2018

4 163 - Operação Castiço DIH, a primeira dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423!

Cavaleiros do Norte na sanzala Aldeia, arredores do Quitexe, em festa de
Natal de 1974. Da esquerda para a direita e de pé, a Irmã Maria Augusta (que
 faleceu há 12 anos, hoje se passam), alferes Rodrigues (?), Hermida (de
bigode), Pedrosa, Simões, Cruz (de óculos e bigode), Ribeiro e Garcia (de
dedo apontado). De costas, o capitão Oliveira. De pé e de frente, o
 padre Albino Capela (de óculos) e professora Graciete Hermida

Os alferes Sampaio (de oficial de dia) e António Garcia e
 o furriel Viegas, à direita, com o PELREC (já sentados
na Berliet), momentos antes da partida para uma
operação nas matas uíjanas de Angola

A operação «Castiço DIH» começou a 20 de Junho de 1974 e envolveu «nas suas 4 fases, todas as subunidades orgânicas do BCAV. 8423». Foi a grande «estreia» operacional dos Cavaleiros do Norte.

O Comando do Sector do Uíge (CSU) tinha, a esse tempo, a «possibilidade de colaboração temporária de forças de intervenção» pelo que «solicitou ao BCAV. a realização de uma operação, contando, para o efeito, com o reforço da 
Grupos Especiais (GE)
41ª. Companhia de Comandos e Flechas de Carmona».
O PELREC da CCS, comandado pelo alferes miliciano António Manuel Garcia e com os furriéis milicianos José Francisco Neto e José Celestino Viegas - os três de Ope-
rações Especiais (os Rangers) - evoluíram ao longo de três dias pelas matas da Baixa do Mungage, com um dos GE´s aquartelados no Quitexe - o que era comandado por João Quatorze.A operação, ao longo das suas 4 fases, só terminaria em Julho seguinte (em data desconhecida) e dela, lamentavelmente e de acordo com o livro «História da Unidade», «não se viu grande compensa-
ção do esforço desenvolvido pelas NT». Na verdade, e ainda segundo o HdU, «salvo uma emboscada sem consequência, no Tabi, só teve por reacção IN a materialização de tiros de aviso».
Não foi o que aconteceu à 41ª. Companhia de Comandos, que sofreu «efeitos mais graves», já que «foi accionada uma mina anti-pessoal na Central do Ne-
gage, na qual um seu soldado sofreu a amputação de um pé».
A Irmã Maria Augusta, da Congregação
 da Imaculada Conceição e Santo António,
com o Ricardo ao colo. Filho do alferes
Cruz e da dra. Margarida Cruz, junto
à capela do Quitexe e em 1974

A morte da Irmã
Maria Augusta !

A Irmã Maria Augusta , da Congregação da Obra da Imaculada Conceição e Santo António, missionou no Quitexe, no tempo dos Cavaleiros do Norte e com seu irmão, o padre Albino Capela - da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos. Faleceu a 21 de Ju-
nho de 2006, hoje se passam 12 anos.
Maria Augusta era a mais velha de 9 irmãos, da Fa-
mília Martins Capela, do lugar da Carvalheira, do concelho de Terras do Bouro, no Gerez. Iniciou a sua vocação reliosa na Congregação da Obra de Santa Zita, psteriormente passando para a da Imaculada Conceição e Santo António. 
Contemporânea dos Cavaleiros do Norte no Quitexe, continuou em Angola (e em Carmona) depois da independência, até ao anos de 2006. Veio diversas ve-
zes a Portugal e na última sentiu-se mal. Foi hospitalizada em Lisboa e faleceu passadas algumas semanas, vítima de doença cancerosa. Faria 73 anos a 11 de Agosto desse ano e hoje a recordamos com saudade! RIP!!!

quarta-feira, 20 de junho de 2018

4 162 - A primeira operação dos Cavaleiros do Norte em terras do Uíge angolano!

Cavaleiros do Norte na avenida do Quitexe, em frente à Casa dos Furriéis:
tenente João Mora, furriéis milicianos Neto, Viegas e Monteiro, 1º. cabo
Miguel Teixeira e furriéis, da 3ª. CCAV. 8434, Armindo Reino e João Aldeagas
Os 1ºs. cabos Fernando Pires, o Fecho-Eclair (indi-
cado a amarelo), com Miguel Teixeira, Vasco Vieira,
 o Vasquinho (a verde), este seguido de José Esteves
e Jorge Pinho (falecido a 10 de Abril de 2003, de
 doença e na cidade do Porto)


A 20 de Junho de 1974, há 44 anos!, ini-
ciou-se a Operação Castiço «na qual par-ticiparam todas as unidades orgânicas do BCAV.». Na prática, foi a estreia operacional dos Cavaleiros do Norte em terras do Uíge angolano.
A operação viria a terminar «já em Julho de 1974» e, de acordo com o livro «História da Unidade», «não se viu grande do esforço desenvolvido pelas NT». Realmente, e continuando a citar o HdU, «salvo uma emboscada, sem consequências, no Tabi, só teve por reacção do IN na materialização de tiros de aviso».
A operação foi, na prática, a estreia opera-
cional dos Cavaleiros do Norte por terras do Uíge angolano, num tempo em que a dita Operação Castiço, que «só viria a terminar em Julho», envolveu todas as Companhias do BCAV. 8423. E também uma Companhia de Coman-
dos, a 41ª. CC, que a abandonaram (a operação) depois de uma mina accio-
nada na Central do Negage ter levado a que «um seu soldado tenha sofrido a amputação de um pé».
Almeida e Brito,
comandante do
BCAV. 8423


Comandante do BCAV. 8423
no Comando do Sector do Uíge

O dia foi também tempo de o comandante do BCAV. 8423, o te-
nente-coronel Carlos da Almeida e Brito, se deslocar à cidade de Carmona, onde «estabeleceu contactos operacionais».
Os Cavaleiros do Norte estavam a adaptar-se às suas novas realidades operacionais, num tempo que o MPLA, que não era a força dominante dos movimentos de libertação de Angola por terras do Uíge (era a FNLA), considerava «continuar a luta armada até à independência completa».
O movimento liderado pelo presidente  Agostinho Neto desmentia, assim, notícias divulgadas pela Emissora Católica de Angola, estação privada da rádio angolana, que anunciavam a desistência do MPLA da luta armada para «prosseguir na legalidade a luta pela independência».
O Comité Director do MPLA tal negou, considerando que tal notícia era «uma provocação destinada a estabelecer a confusão entre a população de Angola».
F. Pires, 1º.
cabo escritu-
rário da CCS

Pires, 1º. cabo do Quitexe,
66 anos em Odivelas !

 O 1º. cabo Fernando Manuel Martinho Pires, escriturário da CCS do BCAV. 8434, a companhia dos Cavaleiros do Norte do Quitexe, festeja 66 anos a 20 de Junho de 2018.
Natural e ao tempo residente em Odivelas, então pertencente ao concelho de Loures (agora concelho de Odivelas), morava na Rua Afonso de Albuquerque, aonde voltou a 8 de Setembro de 1975, no final da (nossa) comissão em terras uíjanas de Angola - quando, trabalhando ba secretaria da CCS, era mais conhecido por Fecho-Eclair. Ainda lá mora e para lá vai o nosso abraço de parabéns.

terça-feira, 19 de junho de 2018

4 161 - A morte do comandante Carlos Almeida e Brito!

O comandante Almeida e Brito no encontro de Penafiel, a 27 de Setembro
de 1997, ladeado pelos furriéis milicianos Viegas (à esquerda, de perfil) e
Monteiro. Reconhecem-se, à esquerda, os furriéis Dias (de óculos) e Rocha
(de bigode). Depois, entre Viegas e A. Brito, o capitão miliciano médico
Manuel Leal. À direita, furriel Cruz (de costas), e 1º. cabo Pais 

Alm. Brito e esposa
no encontro de 1997
C. Almeida e Brito,
general de Cavalaria

O tenente-coronel Almeida e Brito, coman-
dante do BCAV. 8423, reuniu, a 19 de Junho de 1974, com a Comissão Local de Contra-Subversão (CLCS). A 20 de Junho de 2003, 29 anos depois, faleceu subitamente, quando fazia uma viagem de turismo por terras de Espanha. Aos 76 anos!
Carlos José Saraiva de Lima Almeida e Brito era natural de Lisboa, onde nasceu a 25 de Novembro de 1927, e comandou o BCAV. 8423 entre Dezembro de 1973 e Setembro de 1975. Em Santa Margarida e Angola.
Após a jornada africana do Uíge angolano, comandou o Regimento de Lan-
ceiros 2, em Lisboa, e, depois, foi 2º. comandante do Região Militar Centro, em Coimbra - onde várias vezes me encontrei com ele. Era comandante o general Pires Tavares, conterrâneo de Águeda. Seguidamente, comandou a Região  Mi-
litar Sul, em Évora, e foi 2º. comandante geral da GNR. Outros cargos terá assumido, que desconheço - ou já se varreram da memória. 
O general Américo Pires Tavares, conterrâneo de Águeda (do blogger) recente-
mente falecido, dele tinha opinião altíssimamente positiva: «Foi um grande mi-
litar. Foi eu quem o escolheu para 2º. comandante da Região Militar Centro, quando lá estive. Sempre o quis comigo».
Hoje aqui o evocamos, com saudade e respeito, fazendo memória de um gran-

de comandante dos Cavaleiros do Norte. RIP! - O Comandante Almeida e Brito! - Ver AQUI
Administração Civil do Quitexe


Contra-subversão
no Quitexe de 1974

A Comissão Local de Contra-Subversão (CLCS) do Quitexe reuniu pela primeira vez a 19 de Junho de 1974, há 44 anos.
As CLCS actuavam junto das populações, através de acção psicológica e influenciando o seu com-
portamento, no sentido de uma maior fixação
Administrador Ga-
lina do Quitexe
no território e negar o apoio a elementos infiltrados do exte-rior.O topo da estrutura era o Conselho Provincial de Con-tra‑Subversão - composto pelo Governador‑Geral, Comandan-te‑Chefe, Secretário Geral, Secretários Provinciais, Comandan-
tes dos três Ramos das Forças Armadas. Era apoiado pelo Gabi-
nete de Estudos e Coordenação da Contra‑Subversão (chefiado pelo Chefe de Estado‑Maior do Comando‑Chefe). 
A nível dos distritos, instituíram‑se os Conselhos Distritais de Contra‑Subversão (com o Governador, Comandante de Sector, Intendente e Chefe do Estado‑Maior do Sector). Era o caso de Carmona. A nível de concelhos, as circunscrições e postos administrativos orga-
nizaram Comissões Locais de Contra‑Subversão, que integravam a autoridade administrativa e comandante militar locais. Assim era no Quitexe. 
As reuniões passavam despercebidas da guarnição militar e decorriam princi-palmente na administração civil (foto). O administrador do Quitexe, a esse tempo, seria Octávio Pimentel (ou já Galina, o seu substituto).


segunda-feira, 18 de junho de 2018

4 160 - Exército Único de Angola; o banho de mangueira ao furriel Fernandes...

Grupo de Cavaleiros do Norte da CCS do BCAV. 8423, na parada do Quitexe
e em Setembro de 1974, há quase 44 anos!
Flora e Fernandes, furriéis milicianos da
3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel, com uma
pacaça, da caçada do dia

A notícia maior da Angola de há 43 anos, dia 18 de Junho de 1975, vinha de Nairobi, onde os três movimentos de libertação se preparavam para encerrar a cimeira: «O cessar-foi foi ordenado ontem, no segui-
mento de um pré-acordo preparatório a que haviam chegado ainda na véspera da conferência», noticiava o Diário de Lisboa.
O jornal vespertino da capital portuguesa  acrescentava que «a cimeira pode termi-
nar ainda hoje», dia 18 de Junho de 1975, com o anúncio do cessar-fogo e também «a declaração da integração, num só Exército, da Forças Armadas dos três 
O Diário de Lisboa de há
43 anos falava do Exército
 de Angola
movimentos de libertação de Angola».
A notícia foi o melhor que se poderia esperar e de-sejar por aquele tempo de passagem do primeiro ano de jornada dos Cavaleiros do Norte por terras de Angola e do Uíge. Lá pelo norte e muito esque-
cidos pelas autoridades militares de Luanda, conti-
nuavam «verdadeiramente imbuídos do sentido de grandeza», que, de acordo com o livro «História da Unidade», era «de consciente, desinteressado e leal desejo de cumprir a missão que lhe está sendo im-
posta no processo de descolonização».
Custasse isso o que custasse. E custou!

Os furriéis milicianos Fernandes e Viegas, na Estrada do
Café (Rua de Cima), no Quitexe e em 1974/1975

O banho de mangueira
ao furriel Fernandes !

A história é do Quitexe de 1974/75 e foi lembrada pelo ex-furriel miliciano António Fernandes, que foi Cavaleiro do Norte de Zalala: um banho de mangueira, após uns copos bem bebidos (em excesso) e vómitos na cama.
«Estivemos  beber na messe, a beber cervejas atrás de cervejas, tu estavas 
Os furriéis Viegas e Fernandes
 no Encontro da Mealhada,
a 2 de Junho de 2018
de serviço e foste fazer a ronda, era para aí meia noite, e quando dei por ela estavas a dar-me banho de mangueira, a lavar-me os vómitos no balneário das casa dos furriéis», lembrou-se o Fernandes, apontando para o Viegas, de sorriso rasgado e acrescentando que «foste o primeiro homem a dar-me banho; e o único..., tal eu estava».
Memória avivada, há mais pormenores da história: o Fer-
nandes cambaleou até ao quarto, sozinho, atirou-se para cima da cama e, aos arranques de garganta, vomitou-a toda. E a ele mesmo. De volta à Casa dos Furriéis, depois da ronda, o Viegas deu com ele naquele estado (e a cama), despiu-o e arrastou-o uns metros, para debaixo do chuveiro. Só que o Fernan-
des, mal  acordado, não se segurava de pé e foi a jacto de água de mangueira que o lavou dos vómitos, foi enxugado e vestido de roupa limpa.
«Eh pá..., até a cama me fizeste, com lençol lavado..., só dei por ela quando acordei», recordou o Fernandes, entre fartas gargalhadas, repartidas com o Flora, o Ribeiro e o Querido, na mesa do encontro da Mealhada.
O Fernandes entrava de serviço às 8 horas, de sargento de dia, e foi o Viegas quem, prolongando o seu, com a complacência do oficial de dia, creio que o alferes Jaime Ribeiro, o substituiu pela manhã fora, até que se curou da noite mal dormida - já por depois do almoço.
Noite destas, houve, ou parecidas, pelos saudosos tempos da jornada africana dos Cavaleiros do Norte por terras do Uíge angolano!

domingo, 17 de junho de 2018

4 159 - Comandante Almeida e Brito com comerciantes e autoridades do Quitexe

O comandante Bundula, da FNLA (à esquerda) com os capitães José Ma-
nuel Cruz (o segundo, na imagem) e José Paulo Fernandes (quarto), co-
mandantes, respectivamente, da 2ª. CCAV. 8423 (a de Aldeia Viçosa) e
3ª. CCAV. 8423 (a da Fazenda Santa Isabel e depois do Quitexe)
Almeida e Brito, à esquerda, na comissão
de 1968 e com o tenente-coronel António
Amaral, comandante do BCAV. 1917, ao cen-
tro, e comandante da CCAÇ. 1306


O tenente-coronel
C. Almeida e Brito
em 1974, era cmdt.
do BCAV. 8423
O comandante Almeida e Brito reuniu-se com «os comerciantes e autoridades da vila do Quitexe», para uma conversa formal e a 17 de Junho de 1974, no âmbito da «actividade psicológica, com vista a preparar e mentalizar as popu-
lações para o Programa do MFA».
O encontro decorreu no Clube do Quitexe e parte dos participantes
civis eram já conhecidos do tenente-coronel que comandava o BCAV. 8423, pois já ali estivera como major de operações do BCAV. 1917, entre 30 de Janeiro de 17 de Dezembro de 1968.
Almeida e Brito, aliás e a 27 de Maio de 1974, já

Morais, comerciante e
empresário do Quitexe,
em 1974. Era de Águeda
e já faleceu. RIP!!!

estivera no Quitexe, com o capitão José Paulo Falcão (oficial de operações do BCAV. 8423) e o alferes miliciano José Leo-
nel Hermida (de transmissões), reunindo com o comandante do BCAÇ. 4211, que os Cavaleiros do Norte iam substituir.
«Chegaram estes oficiais ao Quitexe para os primeiros con-
tactos, os quais foram muito superficiais», como relata o livro «História da Unidade», precisando que a ZA «já era sua muito conhecida - de Almeida e Brito - «uma vez que ali fôra oficial adjunto do BCV. 1917».

Calma em Angola e
assaltos em Carmona
O Diário de Lisboa
de 17/06/1975 fala da
situação em Angola 


Um ano depois, uma terça-feira, ia-se já no segundo dia da Ci-
meira de Nairobi, na qual  MPLA, FNLA e UNITA procuravam entendimentos para «a declaração cessar fogos entre as suas tropas».«As coisas estão a correr muito bem, muito melhor que o que se esperava», relatava o enviado especial da United Press, citando fontes próximas da organização da cimeira.
A situação era «calma em quase todo o território», como rela-
tava a imprensa do dia, e por Carmona e Uíge - o que directa-
mente interessava aos Cavaleiros do Norte - iam-se torneando cada vez mais pequenos incidentes e controlando os acontecimentos.
O tempo urbano de Carmona registava, todavia e lamentavelmente, vários as-
saltos (quase sempre, ou sempre armados) a residências de civis, nomeada-
mente afectos ao MPLA e feitos por gente armada da FNLA, e lá iam, a qual-
quer hora, os Cavaleiros do Norte, muitas vezes em circunstâncias muito des-
favoráveis, evitar o pior. Alguns deles foram detidos e levados para o BC12.
A Fazenda Santa Isabel, onde se aquartelou
a 3ª. CCAV.  do BCAV. 8423

Ferreira de Santa Isabel, 
66 anos em Sesimbra !

O soldado Ferreira, atirador de Cavalaria da 13ª. CCAV. 8423, festeja 66 anos a 19 de Junho de 2018, em Sesimbra
Júlio Camilo Ferreira serviu os Cavaleiros do Norte de Santa Isabel (e Quitexe, antes de Car-mona) e regressou a Portugal no dia 11 de Se-tembro de 1975. Fixou-se em Cabanas de Palmela, na freguesia de Santa Maria do Castelo, concelho de Alcácer do Sal. Pouco mais dele sabemos, mas é se-
guro que actualmente mora agora na Boa Água, freguesia de Quinta do Conde, no concelho de Sesimbra, para onde vai o nosso abraço de parabéns!

sábado, 16 de junho de 2018

4 158 - Os primeiros contactos, há 44 anos, dos Cavaleiros do Norte com a mata...

Cavaleiros do Norte do PELREC, momentos antes da saída para mais uma operação militar em terras do
 Uíge. De pé, o 1º. cabo Almeida (falecido a 28/02/2009, de doença e em Penamacor), Messejana (f. a
27/11/2009), de doença e em Lisboa),  Neves, 1º. cabo Soares, Florêncio, Botelho (?), Marcos, 1º. cabo Pinto,
Caixaria e 1º. cabo Florindo (enfermeiro). Em baixo, 1º. cabo Vicente (f. a 21/01/1997, de doença e em Vila
 Moreira, Alcanede), furriel Viegas, Francisco, Leal (falecido a 18 de Junho de 2007, de doença e em

 Pombal),  1ºs. cabos Oliveira (TRMS) e Hipólito, Aurélio (Barbeiro), Madaleno e furriel Neto
Cavaleiros do Norte do PELRECO, 4 deles já falecidos:
 1º. cabo Hipólito, furriel Monteiro (à civil), 1ºs. cabos Al-
meida (a 28/02/2009) e Vicente (a  21/01/1997). Em
baixo, alferes Garcia (a 02/11/1979), Leal (a 18/06/2007),
furriel Neto e Aurélio (Barbeiro)


Os três movimentos de libertação de Angola reuniram-se em Nairobi, a 16 de Junho de 1975, para analisar a situação política do país que estava para nascer. A grande novidade era a participação de Daniel Chipenda como elemento da FNLA - tinha sido alto dirigente e co-
mandante do MPLA.
A memória permite lembrar que Chipen-
da estava desentendido com as cúpulas do movimento presidido por Agostinho
Viatura civil destruída pelo fogo, no ataque a
madeireiros na zona de acção dos Cavaleiros
do Norte da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia
Viçosa e do capitão José Manuel Cruz
Neto, de que fôra quadro de cúpula e cuja liderança contestava e chegou a assumir - embora não reconhecida. Dirigiu, de resto, a chamada Revolta do Leste - que chegou a ter exército próprio.

Desinteressado e leal desejo
de cumprir a missão !

A esse tempo de há 43 anos, os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 jornadeavam por terras do Uíge e, de acordo com o livro «História da Unidade», estavam «verdadeira-
mente imbuídos do sentido de grandeza próprio  do consciente, desinteres-
sado e leal desejo de cumprir a missão que lhe está sendo imposta no pro-
cesso de descolonização» - que estava em fase delicada.
Foram, de resto e como refere e enfatiza o HdU, «momentos difíceis, preocu-
pantes em todos os aspectos, mas que valeu a pena viver, dadas as certezas que tais militares deram em reais provas, unânimemente reconhecidas supe-
riormente e pelas próprias populações». Era, foi, uma missão muito difícil e perigosa, mas que se cumpriu com coragem e sem hesitações, sem olhar a riscos e sacrifícios.
Viegas e Rocha, furriéis milicia-
nos da CCS, na sua primeira
foto do Quitexe

Os primeiros contactos
com a mata uíjana !

Um ano antes, os Cavaleiros do Norte - das suas 4 Com-panhias do BCAV. 8423 - tinham «os primeiros contactos com a mata» e, implicitamente, no decorrer de patrulha-
mentos, escoltas e operações, identificava-se «um co-
nhecimento das reacções humanas».
A preparação do Campo Militar de Santa Margarida, a partir do Destacamento do RC4, ia agora dar provas do que valia. E valeu bem! Nunca a bravura se apeou!
Os operacionais do BCAV. 8423, do Quitexe, de Zalala, de Aldeia Viçosa e Santa Isabel (mais as subunidades do Liberato e de Vista Alegre, já veteranas no chão uíjano...) adaptaram-se às novas exigências, em teatro real de guerra, e não hesitaram um momento, mesmo quando as mais inóspitas circunstâncias lhe poderiam sugerir alguma vacilação.
A Baixa do Mungage, e sítios outros da terra uíjana, se falar pudessem, segu-
ramente identificariam a determinação e coragem com que, galgando picadas e trilhos que lhes eram absolutamente estranhos, não hesitaram e muito me-
nos viraram a cara e a alma a eventuais perigos.
Manuel Leal da Silva
atirador do PELREC

Leal de PELREC,
faleceu há 11 anos!

O soldado Leal, atirador de Cavalaria da CCS do BCAV. 8423, faleceu há 11 anos: a 18 de Junho de 2007.
Manuel Leal da Silva, de seu nome completo, era de Caixa-
ria, freguesia de Carriços, em Pombal, e já era casado e pai quando partiu para Angola - a mulher ficando grávida da se-
gunda filha. Lá voltou a 8 de Setembro de 1975, no final da sua (e nossa) jor-
nada africana do Uíge angolano, e teve mais um filho (um rapaz).
Por lá fez vida, criou família (e netos) e, a 18 de Junho de há 11 anos, ao prin-
cípio da tarde, sentiu-se indisposto, falou com a mulher e deitou-se. Pouco de-
pois, levantou-se e acercou-se da mulher, que lhe perguntou do desejo de to-
mar um chá para combater a indisposição. Que não, não precisava e não que-
ria o chá, e, a falar com ela, caiu fulminado. Já falecido, aos 55 anos.
O Leal e a esposa, filhos e netos participaram no segundo encontro do BCAV. 8423, em 1996 - o do Barracão, em Pombal. Foi a ultima vez que o vimos, muito feliz e radiante, e nos abraçámos. Agora, quando, a 18/06/2018, se passam 11 anos da morte deste nosso companheiro, aqui o recordamos com saudade!

sexta-feira, 15 de junho de 2018

4 157 - A primeira reunião dos comandantes do BCAV. 8423 e subunidades!

O capitão miliciano José Manuel Cruz (comandante da 2ª. CCAV. 8423), o
tenente-coronel Almeida e Brito (comandante do BCAV. 8423) e os milicianos
João Machado e Jorge Capela (alferes) e José Melo (furriel) em Aldeia Viçosa

O capitão António Oliveira, comandante da
CCS, com os alferes milicianos António Cruz,
Jaime Ribeiro e António Garcia
O capitão mili-
ciano Castro
Dias, cmdt.
da 1ª. CCAV.

Os dias do Quitexe e do Uíge, há 44 anos, foram de adaptação de todos os Cavaleiros do Norte à sua Zona de Acção (ZA), já com a responsabilidade operacional,
depois de uma semana de «está-
gio» com os «caçadores» do BCAÇ. 4211, que substituía.
A CCS estava aquartelada no Qui-
O capitão  miliciano José Paulo Fernandes,
comandante, e o 1º. sargento Francisco Marchã,
da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel
texe e era comandada pelo capitão António Martins de Oliveira (SGE). As três companhias operacionais eram lideradas por capitães mili-
cianos: a 1ª. CCAV. 8423, de Davide de Oliveira Castro Dias, instalada na Fazenda de Zalala; a 2ª. CCAV. 8423, de José Manuel Romeira Pinto da Cruz, em Aldeia Viçosa; a 3ª. CCAV. 8423, de José Paulo de Oliveira Fernandes, na Fazenda Santa Isabel.

Unidades orgânicas
Raúl Corte-Real,
cap. e cmdt. da
CCAÇ. 4145
Capitão Victor
Almeida, cmdt. da
CCAÇ. 209/RI 21
do BCAV. 8423 !


O Batalhão de Cavalaria 8423 (BCAV. 8423) era co-
mandado pelo tenente-coronel Carlos José Sarai-
va de Lima Almeida e Brito, oficial de Cavalaria, e, para além das suas 4 Companhias, tinha, adidas, mais unidades orgânicas:
1 - A CCAÇ. 209, aquartelada na Fazenda do Li-
berato e comandada pelo capitão Victor Almeida. Era formada por militares do recrutamento local (principalmente quanto aos praças e um ou outro alferes e furriéis milicianos), mobilizados pelo Regimen-
to de Infantaria 21, de Nova Lisboa - actual cidade de Huambo. E alguns fur-
riéis e alferes milicianos especialistas da então chamada metrópole.
2 - A CCAÇ. 4145, instalada em Vista Alegre e comandada pelo capitão Raúl Corte-Real. Também era responsável pelo Destacamento da Ponte do Dange.
3 - O Pelotão de Morteiros 4281, colocado no Quitexe (com a CCS) e comanda-
do pelo alferes miliciano João Leite, com o sargento Fernando Gomes e os fur-
riéis milicianos Luís Filipe Santos Costa e Fernando de Freitas Reimão Pires.
Atribuídos ao Subsector do BCAV. 8423, estavam também os Grupos Especiais (GE) 217 e 223 (no Quitexe); 222 (em Aldeia Viçosa) e 208 (em Vista Alegre).
Os alferes milicianos António Garcia,
Jaime Ribeiro e João Leite, que coman-
dava o Pelotão de Morteiros 4281
Fernando Pires e Luís
Costa, furriéis milicianos
do PELMOR 4281

Os primeiros dias
no Uíge angolano!

A 15 de Junho de 1974, um sábado, o comandante Carlos Almeida e Brito convocou «a primeira reunião de Coman-
dos», envolvendo os comandantes de todas as seis companhias - ora as quatro de Cavalaria, as do BCAV. 8423; ora as duas de Infantaria, as CCAÇ. 209/RI 21 e a CCAÇ. 4145.
Tenente João Elói Mora, 2º. comandante da
CCS, aqui no Quitexe e com os furriéis
milicianos Neto e Viegas
«Além da troca da troca de impressões entre todos os comandos e o dar a conhecer as di-rectrizes da actividade futura, foi procurado encontrar uma melhor solução para o dispo-sitivo do BCAV., de modo a que permitisse um maior aproveitamento de todas as forças», lê-se no livro «História da Unidade».
O plano apresentado pelo tenente-coronel Car-los Almeida e Brito apontava para «fazer a co-bertura de todos os destacamentos em rotação pelas unidades», o que, de acordo com o HdU, «mereceu a aprovação gene-
ralizada», razão porque «por isso mesmo iria ser posto em execução» no mês de Julho seguinte - o de 1974.
A este dia de há 44 anos, o Subsector estava «desfalcado de parte da sua ZA e dos seus efectivos», já que a CCAÇ. 4145, o Destacamento de Luísa Maria e o GE 208 «estavam cedidos temporariamente ao Sector Centro Norte para a rea-
lização da Operação Turbilhão», que, na ZA do BCAV. 8423, «incidia especial-
mente sobre as «centrais» de Camabatela e Quiculungo».
Os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 faziam o seu «debute» operacional pelo chão vermelho da terra e das matas angolanas, galgando os seus trilhos e pi-
cadas, vencendo os seus medos, mas sem recuar a qualquer iminente perigo. Felizmente, sem quaisquer baixas, em toda a jornada angolana do Uíge.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

4 156 - Carmona e o Uíge em tempo de «anestesiar» os medos dos dias de luto!

Cavaleiros do Norte da CCS do BCAV. 8423, a companhia do Quitexe, todos
 alferes milicianos: Jaime Ribeiro (sapador), Augusto Rodrigues (Operações
Especiais, os Rangers) e José Alberto Almeida (reabastecimentos), que
hoje festeja 71 anos em Albufeira. Parabéns!

Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa, da 2ª. CCAV. 8423 e
e do capitão José Manuel Cruz, numa saída transportada
 para mais uma operação militar,  em data indeterminada
 da jornada angolana do Uíge

O dia 14 de Junho de 1974, há rigorosa-
mente 44 anos, foi o dia de o BCAV. 8423 «assumir a responsabilidade operacio-
nal da sua Zona de Acção» - a denominada ZA do seu Subsector. 
O livro «História da Unidade», refere que este dia é «a data a partir da qual se poderá afirmar que começou a sua verdadeira actividade operacional».
A ZA abrangia área «onde estavam ins-
instalados vários quartéis «In», pelo
Imagem captada por um Cavaleiro do Norte da 2ª. CCAV.
 8423, a de Aldeia Viçosa, a de um ataque a madeireiros,
em data desconhecida. Lá foram os Cavaleiros do Norte
que «a actividade esteve sempre orien-tada sobre esses refúgios, dando-se, paralelamente, apoio a todos os fazen-
deiros e à cobertura económica das acti-
vidades do Subsector» - a campanha da apanha do café.

A letra C no código
do BCAV. 8423 !

O Subsector do BCAV. 8423 tinha atri-
buída a letra C como primeira para a de-signação das acções operacionais das suas subunidades, substituindo a que recebeu do BCAÇ. 4211. Passaram a designar-se pelos seguintes nomes de código:
- CCS do BCAV. 8423, a do Quitexe e do capitão António Oliveira: Casco.
- 1ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Zalala e do capitão Davide Castro Dias: Crina.
- 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa e do capitão José Manuel Cruz: Carga. 
- 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel e do capitão José Paulo Fernandes: Cavalo.
- CCAÇ. 209, a da Fazenda do Liberato e do capitão Paulo Almeida: Canivete.
- CCAÇ. 4145, a de Vista Alegre e do capitão Raúl Corte-Real.
- Destacamento da 2ª. CCAV. 8423 na Fazenda Luísa Maria: Cacto.
- Destacamento da CCAÇ. 4145, a de Ponte do Dange: Coice.
- Grupo Especial (GE) 208, em Vista Alegre: Cauda.
Cavaleiro do Norte da 2ª. CCAV. 8423 a
socorrer uma das vítimas do ataque aos
madeireiros (data desconhecida)
- Grupo Especial (GE) 217, no Quitexe: Coelho.
- Grupo Especial (GE) 222, em A. Viçosa: Cabra.
- Grupo Especial (GE) 223, no Quitexe: Cabrito.

Tensão em Luanda,
calma em Carmona! 

Um ano depois, a um sábado, dia 14 de Junho de 1975, os dirigentes do MPLA, da FNLA e da UNITA viajaram para Nairobi, capital do Qué-
nia, onde, a 16, iria decorrer a cimeira dos três movimentos de libertação de Angola.
A situação em Luanda «continua(va) tensa, depois de uma manifestação de eu-
ropeus frente ao Palácio do Governador, na sequência da morte de um comer-
ciante no Bairro da Cuca», alegadamente por elementos da FNLA, que se pre-
paravam para lh´assaltar a casa. A manifestação foi considerada reaccionária e anti-MPLA, registando um incidente com um soldado, que foi agredido e inju-
riado, depois de lhe roubarem a arma.
Em Carmona, continuavam atentos os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, em situação de permanente prevenção no BC12 e, no exterior, de continuado con-
trolo das vias de comunicação, guarda de edifícios e serviços públicos - o hos-
pital e postos de saúde, abastecimento de água e electricidade, bancos, tribu-
nal, postos de rádio - e principalmente a segurança de pessoas e bens. 
O tempo desse tempo de há 43 anos era tempo de anestesiar os medos dos dias de terror, sangue e morte que enlutaram a cidade e província do Uíge na primeira semana de Junho desse ano de 1974.
O Cônsul José Alberto Almeida foi
condecorado pelo Rei de Marrocos,
a 30 de Janeiro de 2015

Alferes Almeida, 71
anos em Albufeira !

O alferes miliciano Almeida, Cavaleiro do Norte da CCS do BCAV. 8423, está hoje em festa, 14 de Junho de 2018: comemora 71 anos.
José Alberto Alegria Martins de Almeida foi ofi-
cial de reabastecimentos e justiça e chegou ao
Alf. Almeida
 pouco antes
do serviço
militar
Quitexe semanas depois da CCS (esta, a 6 de Junho de 1974), em ren-
dição individual. Substituía o também alferes miliciano Gaspar José F. do Carmo Reis, que nem sequer se apresentou no RC4, foi conside-
rado «incapaz para o serviço» e já nem seguiu para Angola.
Natural de Oliveira de Azeméis, está radicado em Albufeira, onde, li-
cenciado em economia e arquitectura, é empresário dos sectores do turismo e construção civil, professor e Cônsul de Marrocos no Algarve. O Rei Maomé VI condecorou-o a 30 de Janeiro de 2015. Ver AQUI
O alferes José Alberto Almeida - profissionalmente, o arquitecto José Alegria - participou no encontro de Santarém, da CCS (a 9 de Junho último), e para ele vai o nosso forte abraço de parabéns! Não é todos os dias que se festejam 71 anos, com tão boa saúde e melhor disposição!