CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

4 236 - Aviões no Negage, com armas para a FNLA! Mercenários abatidos no Caxito!

Grupo de Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, todos milicianos, num jardim
 de Carmona: furriéis António Cruz, José Lino e Manuel Machado, alferes
 Pedrosa de Oliveira e furriel Nelson Rocha. Há 43 anos!
O comandante Almeida e Brito, do BCAV. 8423,
e o capitão José Manuel Cruz, comandante
da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa
BCAV. 8423

A actualidade angolana de há precisamente 43 anos, a 22 de Agosto de 1975, dava conta de uma denúncia do MPLA quanto à «existência de uma ponte aérea entre Kinshasa e o Negage, para transportar armas americanas destinadas à FNLA».
«Os aviões que pousam no Negage transpor- 
Notícia do Diário de Lisboa
de 22/08/1975, sobre a situa-
ção em Angola
tam material de armamento, entre o qual canhões, prove-nientes de bases americanas na Alemanha», acusava o partido/movimento presidido por Agostinho Neto, refe-
rindo, também e entretanto, que «as posições reconquis-
tadas no Caxito mantém-se e consolidam-se» pelo MPLA.
O Diário de Lisboa desse dia notava que o MPLA tinha «abatido elementos brancos tidos como  mercenários, provavelmente ame-
ricanos». Na altura, corriam boatos por Luanda, dando como certa «a presença de americanos e chineses na orientação das forças da FNLA que actuam naquele sector». O do Caxito.
O Negage ficava relativamente perto da cidade de Carmona e, recorde-se, dis-
punha de uma importante base aérea, que tinha sido portuguesa e lá «abando-
nada» no dia 4 de Agosto, quando da capital do Uíge saiu a epopeica coluna militar liderada pelos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423.
O capitão Victor, comandante da
CCAÇ. 209/RI 21, do Liberato,
e o furriel José Oliveira

Comandante no Liberato
e em Aldeia Viçosa !

Um ano antes, a 22 de Agosto de 1974 e pelas bandas do Uíge nortenho de Angola, o tenente-coronel Carlos Almeida e Brito deslocou-se à Fazenda do Liberato e a Aldeia Viçosa, onde respectivamente, a esse tempo, se aquartelavam a CCAÇ. 209/RI 21 (de Nova Lisboa) e a 2ª. CCAV. 8423 - subunidades do BCAV. 8423.
Ambas as companhias eram comandadas por oficiais milicianos: o capitão Victor (a do Liberato, essencialmente formada por militares do recrutamento local, formados em Nova Lisboa, com a maioria dos quadros europeus) e José Manuel Cruz (a dos Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa).
O objectivo da deslocação era, de acordo com o livro «História da Unidade», de que nos socorremos, «estabelecer contactos operacionais», no âmbito do que, no tempo, eram «as normais visitas às subunidades».

... cumprindo promessa
e juras d´amor feitas
em 1974/75!
O Casal Letras vive feliz
pelas bandas do Sado...


Furriel Letras, 42
anos de juras d´amor!

O furriel miliciano António Carlos Dias Letras matrimoniou-se há 42 anos, no dia 22 de Agosto de 1976, com a sua amada Isaurinda. E continua(m) apaixo-
nado(s). Olhem que é obra!...
Cavaleiro do Norte de Operações Especiais (Rangers), o Le-
tras é transmontano de casual nascimento (na Barragem da Venda Nova, onde o pai trabalhava), mas alentejano de san-
gue - o pai de Vila Nova de Baronia, no concelho do Alvito, e a mãe de Baleizão, em Beja. A vida e o amor levou-o até às bandas do Sado e actualmente, já aposentado, vive as folgas e os prazeres de tal desocupação entre fartas pescarias e saborosos passeios turísticos (para seniores...) - a partir da sua residência de Palmela.
O casal deu ao mundo um casal e, neste dia de memórias e promessas de altar, para o Casal Letras vai o nosso forte abraço de parabéns!

terça-feira, 21 de agosto de 2018

4 235 - IN´s apresentaram-se em Vista Alegre, Tabi e Aldeia...

Os 1º.s cabos Joaquim Rama Breda, condutor  (que ama-
nhã festeja 66 anos em Leiria) e Victor Vieira, o Sacris-
tão, da Vidigueira e ambos da CCS
Raúl Corte-Real, capi-
tão e comandante da
CCAÇ. 4145


A Comissão Local de Contra-Subversão (a CLCS) do Quitexe reu-
niu-se a 21 de Agosto de 1974, tal como já  acontecera nos dias 1, 9 e 14, repetindo-se a 29 desse mês.
Os Cavaleiros do Norte continuavam a sua jornada pelo chão uíjano de Angola e, gradualmente, iam-se «estabelecendo largos contactos com grupos do IN», os quais, na área do aquartelamento de Vista Alegre (onde estava instalada a CCAÇ. 4145, também na Ponte do Dan-
ge), «prometem a sua apresentação face à actual linha política».
A CCAÇ. 4145, recordemos, era comandada pelo capitão Raúl Corte Real e ali estava desde 1 de Abril de 1973, rodando a 8 de Novembro de 1974 para o Comando do Sector de Luanda.
«Estive pouco tempo com o vosso Batalhão, até porque no último período de Vista Alegre integrámos uma grande operação no Quanza Norte - a Operação Turbilhão - e eu fiquei a comandar uma Zona de Intervenção (ZI), que era a única do Uíge», disse-nos o capitão Corte-Real, lembrando, também, que foi a 1ª. CCAV. 8423 a guarnecer Vista Alegre, comandada pelo capitão Castro Dias.
Os presidentes Holden Ro-
berto (da FNLA), Agosti- 
nho Neto (do MPLA) e
Jonas Savimbi (UNITA)
Outros guerrilheiros fizeram saber idêntica posição, afir-
mando, de acordo com o livro «História da Unidade», «o fim da sua actividade de guerrilha e a sequente apresenta-
ção às autoridades». Foi o caso de combatentes dos «quartéis» de Tabi e Aldeia - muito próximos do Quitexe.

Encontro da FNLA
com o MPLA !

Um ano depois, os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 con-
tinuavam aquartelados no Campo Militar do Grafanil e ex-
pectantes sobre a data do regresso a Portugal.
Era quinta-feira e expectava-se também, e muito, sobre a cimeira marcada para esse dia 21 de Agosto de 1975, entre o MPLA e a realizar-se «provavelmente em Luanda ou no Lobito».
A notícia do Diário de Lisboa era dada com reservas, «dada a falta de ligações telefónicas que desde há tempos se verificam em Angola». Nem sequer, adiantava o vespertino da capital portuguesa, «é possível saber pormenores da reunião com a UNITA, que ontem se realizou em Silva Porto».
O 1º. cabo condutor
Joaquim Rama Breda

Breda, 1º. cabo condutor,
66 anos na Barosa de Leiria!

O 1º. cabo condutor Joaquim Rama Breda, da CCS do BCAV. 8423, festeja 66 anos a 22 de Agosto de 2018.
Cavaleiro do Norte do Quitexe foi louvado pelo comandante Almeida e Brito, por proposta do capitão José Paulo Falcão, oficial adjunto e do comando, porque «sempre demonstrou inexcedível dedicação pelo serviço, aliada ao maior zelo e esforço no cumprimento do seu dever».
O louvor ao 1º. cabo JR Breda sublinha que «muito colabo-
rou para a operacionalidade das viaturas que teve distribuí-
das, creditando-se como militar de elevado sentido de responsabilidade».
«Militar educado e disciplinado, tornou-se um bom colaborador dos seus su-
periores e merecedor do presente louvor, que levam a manifestar-se público apreço», conclui o documento, publicado na Ordem de Serviço nº. 169.
Natural do lugar da Barosa, em Leiria, lá voltou a 8 de Setembro de 1975 e por lá fazendo vida profissional como condutor, agora já aposentado. Para lá vai o nosso abraço de parabéns! 

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

4 234 - Comandante em Antoave; a morte do furriel Évora Soares!

Cavaleiros do Norte de Zalala em viagem turística para as Quedas do Duque
de Bragança. De pé,  Lopes, o Famalicão (Agra), Carlos Coelho, furriel mi-
liciano Évora Soares (falecido a 21/08/2008, de doença), alferes Lains dos
Santos, furriel João Dias e Almiro Brasil Maciel (Açoreano)


A Fazenda Antoave fica à saída do Quitexe
para Carmona, ao lado da sanzala do Qui-
toque e depois do Coale e Quimassabi
Almeida e Brito,
comandante do
BCAV. 8423
O comandante Carlos Almeida e Brito deslocou-se à Fazenda Antoave no dia 20 de Agosto de 1974. Há 44 anos! No âmbito das actividades sociais que desenvolvia e que, nesse mesmo mês, o levou à Guerra (no dia 16) e Rio Duízio (a 24).
O dia 20 foi uma 3ª.-feira e o tenente-coronel da Cavalaria que comandava o BCAV. 8423 fazia-se acompanhar, nestes casos, pelas autoridades administrativas e religiosas do Quitexe, assim como por oficiais do Comando e da CCS - como já acontecera em Julho anterior, neste caso às Fazendas Negrão (dia 7), Rio Duízo (14), Guerra, Chandragoa, Buzinaria e Isabel Maria (25) e Minervina).
A actividade operacional de há 44 anos, no que tocava às responsabilidades dos Cavaleiros do Norte e na sequência das remodelações temporárias (ocor-
ridas entre 14 e 16 de Julho), não deu para acontecimentos relevantes no «campo dos feitos militares», mas, ainda assim e de acordo com o livro «His-
tória da Unidade»,, houve «uma acção de levantamento de uma mina anti-carro na picada do rio Calambinga», em data indeterminada desse mês de Agosto.
Évora Soares, furriel
de Zalala, faleceu
há 10 anos. RIP!
  
Furriel Évora Soares
faleceu há 10 anos !

O furriel miliciano Évora Soares foi Cavaleiro do Norte da 1ª. CCAV. 8423 e faleceu há 10 anos: a 21 de Agosto de 2008.
José Carlos Évora Soares chegou ao BCAV. 8423 em Outubro de 1974, para render o furriel Mota Viana - que motivos  disci-
plinares «mandaram» para Sanza Pombo. Chegado a Zalala, integrou-se no 1º. Grupo de Combate, comandado pelo alferes Mário Jorge de Sousa Correia de Sousa e que incluía os furriéis Victor Moreira Gomes da Costa e José  Manuel Belém Baldy Pereira, todos milicianos.
Não regressou a Portugal na mesma data dos «zalala´s» (9 de Setembro de 1975), eventualmente por ter tempo de comissão diferente. Desconhecemos onde e as razões da sua morte, que nos foi anunciada pelo furriel João Dias. Morava em Loures e hoje  recordams com  saudade. RIP!

Matos de Zalala, 66
anos em Lisboa!

O 1º. cabo escriturário Matos, da 1ª. CCAV. 8423, a da mí-

tica Fazenda Zalala e do capitão miliciano Davide Castro Dias, festeja 66 anos a 21 de Agosto de 2018.
Luis Artur Vasques Matos, de seu nome completo, serviu na secretaria dos Cavaleiros do Norte chefiada pelo 1º. sargento Fialho Panas-

co, era natural da freguesia de Arroios, nos arredores de Lisboa, e lá voltou a 9 de Setembro de 1975, à Rua José Falcão, onde morava. Depois disso, há quase 43 anos, nada mais soubemos dele. A ser vivo, como se deseja, que receba o nosso abraço de parabéns! E nos dê notícias!

domingo, 19 de agosto de 2018

4 233 - Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa vão encontrar-se em Almeirim

Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, reunidos em
Guimarães, a 24 de Setembro de 2016. Este ano, todos os caminhos de sau-
dade e memória vão dar a Almeirim, no dia 29 de Setembro de 2018
O comandante Almeida e Brito em Aldeia Viçosa, ladeado
pelo alferes João Machado (à esquerda) e pelo capitão José
Manuel Cruz (ambos milicianos da 2ª. CCAV. 8423)

Os bravos Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, vão encontrar-se em Almeirim, no seu 18º. almoço de convívio e memória. A 29 de Setembro de 2018.
A guarnição uíjana desta localidade uíjana da Estrada do Café - que liga(va) Carmona a Luanda - era comandada pelo capitão miliciano José Manuel 
O furriel Rafael Ramalho, o 1º. cabo  José Beato
e o furriel António Guedes, da 2ª. CCAV. 8423
Cruz, que nunca falta a um encontro e segu-
ramente a este não faltará, agora já com 72 anos feitos (a 5 de Junho de 2018).
A concentração está marcada para as 10 horas desse dia, no largo do restaurante Moínho do Vento - onde decorrerá o ansiado evento. Para lá chegar, bastará seguir as coordenadas GS 39º12´23.70" N//08º37´15.42"W. Qualquer dúvida sobre o local, ou qualquer outra, poderá ser esclarecida pelo (furriel miliciano atirador de Cavalaria) António Artur César Monteiro Guedes, pelo telefone 962824774.
Quanto a inscrições, poderão (e deverão...) ser feitas até ao dia 10 de Setem-
bro, directamente para o (furriel miliciano) Rafael Ramalho, que é elemento permanente da organização, através dos telefones 966095508 e/ou 266707300.  Ou para o 1º. cabo José Maria Beato, pelos telefones 224221948 e/ou 963573376. 
«Queremos reviver a família que fomos e preservá-la por muitos e bons anos, mas só o poderemos fazer com a tua presença», sublinha o Rafael Ramalho. E sublinha com toda a razão.
Domingos M. Faria,
TRMS de . Viçosa

Faria de A. Viçosa, 66
anos na Venezuela !

O soldado Domingos Maciel Faria, a 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, festeja 66 anos a 21 de Agosto de 2018.
Rádio-telegrafista e natural da freguesia de Durães, no concelho de Barcelos, este Cavaleiro do Norte lá regressou no final da sua jornada africana, por terras de Angola e do Uíge, de 4 de Junho de 1974 a 10 de Setembro de 1975. Actualmente, e por informação de uma irmã (em 2016 e veiculada pelo 1º. cabo José Maria Beato), encontra-se emigrado na Venezuela, para onde vai o nosso abraço de parabéns!

sábado, 18 de agosto de 2018

4 232 - A morte do soldado Barreiros da 3ª CCAV., a de Santa Isabel!

... faleceu em Angola, de doença, a 20
de Agosto de 1975, com febre tifóide e
em vésperas de regressar a Portugal
Manuel José
M. Barreiros,
da 3ª. CCAV...



As notícias de Angola, a 18 de Agosto de 1974, uma segunda-feira, davam conta de morte, em combate, do 1º. cabo Tadeu Jamungo, do recrutamento local e natural do Andulo. 
Os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, pelos chãos do Uíge, continuavam a sua missão, já concluídas «às remodelações temporárias do dispositivo, com vista a garantir as actuais missões primárias».
E que missões primárias eram essas, definidas no plano de «recrudescimento de actividade» e ocorridas entre 14 e 16 de Agosto de 1974?
Pois, de acordo com o livro «História da Unidade», eram «a segurança dos centros urbanos e a liberdade dos itinerários». Por centros urbanos entenda-se, na ZA do BCAV. 8423, as vilas do Quitexe, Aldeia Viçosa e Vista Alegre, mais as aldeias (sanzalas) que as circundavam, ou outras: Talambanza, Qual, Quimassabi e Quitoque (ao longo da Estrada do Café, do Quitexe para Car-
Mapa do Quitexe e povoações
vizinhas, da autoria (de memória)
de João Garcia
mona), ou Talambanza, Aldeia, Combo, Catenda Tabi e outras (para Camabatela), ou Quimbunda, Luege e Dambi Angola (para Luanda, na Estrada do Café). Outras ainda, nas áreas de Aldeia Viçosa e Vista Alegre.

Luta encarniçada
entre MPLA e UNITA

Um ano depois e com os Cavaleiros do Norte aquartelados no BIA do Grafanil, Angola continuava em estado de guerra (civil), com MPLA e UNITA a rejeitarem qualquer possibilidade de aliança, já que, segundo o Diário de Lisboa,  os dois movimentos «continuavam envolvidos em luta encarniçada em vários pontos do território».
Também dirigentes da FNLA se pronunciaram sobre possível acordo com a UNITA, mas não se passou de palavras. FNLA que retomou Lucala, por onde os Cavaleiros do Norte passaram a 4 de Agosto desse ano (1975), que estava em «posse» do MPLA. Localiza-se entre Salazar e Malanje e era (é) posição estratégica da ligação de Luanda a Henrique de Carvalho
«Travaram-se violentos combates porque a FNLA mostra intenções de avançar para Salazar, que há mais de um mês estava na «posse» do movimento rival», noticiava o Diário Lisboa.
Manuel José
Montez Barreiros

Barreiros, de Santa Isabel, 
faleceu em Angola, em 1975!

O soldado Manuel José Montez Barreiros, dos Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423, faleceu em Luanda, capital de Angola, a 20 de Agosto de 1975.
Atirador de Cavalaria dos Cavaleiros do Norte da Fazenda Santa Isabel, comandada pelo capitão miliciano José Paulo Fernandes, o Barreiros adoeceu quando o batalhão já estava no Campo Militar Grafanil, a aguardar o regresso a Portugal. 
Transportado de urgência para o Hospital Militar de Luanda, foi-lhe diagnosti-
cada febre tifóide e não resistiu à doença, acabando por falecer. O seu corpo foi trasladado para Portugal no mesmo avião em que regressou a (sua) 3ª. CCAV. 8423 e foi sepultado na sua terra natal, em Aldeia de Além, freguesia de Alcanede, no concelho de Santarém.
Hoje e 43 anos depois da sua morte, o recordamos com saudade, dele fazendo memória viva dos Cavaleiros do Norte. RIP!!!

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

4 231 - A morte do Comandante Viegas, do MPLA, em Carmona!

Cavaleiros do Norte da CCS do BCAV. 8423, todos rádio-montadores e na
parada do Quitexe: 1º. cabo Rudolfo Tomaz, furriel miliciano António Cruz
(que amanhã festeja 68 anos na Póvoa de Santo Adrião, em Loures), 1º. cabo
António Pais e soldado António Silva
O comandante Bundula, da FNLA, com a
esposa, num comício em Aldeia Viçosa
Fernando A.
Vieira (1974)

Um comentário de Fernando Antunes Vieira, sobre os comandantes Bundu-
la (da FNLA) e Viegas (do MPLA) fez a memória navegar no tempo, para um dos dias dos seis primeiros trágicos dias de Junho de 1975, na cidade de Carmona - a actual Uíge.
O PELREC estava a fazer segurança no Hospital Civil e lá chegavam feridos aos mon-
tes. No geral, eram militares e/ou militantes do MPLA, movimento que militarmente estava em desvantagem por aquelas bandas uíjanas, e lá procuravam socorro para as suas dores físicas, feridos nos sangrentos combates da cidade.
A certa altura, começou a circular o boato, um arrepiante boato: «Mataram o Viegas!..., mataram o Viegas!!!...».
Supôs toda a gente, a gente dos Cavaleiros do Norte, que tal Viegas morto seria eu e houve reacções rápidas das NT, suscitando vingança. O apelido era o mesmo, daí a confusão. 
Não era eu, afinal, e ainda bem, e houve o cuidado de, imediatamente, eu mesmo e em voz clara, sem quaisquer códigos, ir descansando, um a um e através da rádio militar, todos os grupos de Cavaleiros do Norte que, em vários pontos da cidade (e no BC12), procuravam e conseguiam garantir a segurança da população civil. O que custasse, custasse.
Carmona em 1975

Comandante Viegas
morto no Imbondeiro!

O que se sabia, o que constava nesse momento, é que o comandante (ou chefe da delegação) do MPLA, de apelido Viegas e julgo que mestiço, tinha sido efectivamente assassinado com requintes de pérfida malvadez. Teriam-lhe, inclusivé, arrancado a barbicha pela pele  esfacelando-lhe o rosto. Nunca saberemos se tal foi assim e verdadeiro.
O civil Fernando Antunes Vieira vem agora refrescar a memória, lembrando que o comandante Viegas teria sido apanhado pelo comandante Bundula no elevador do Edifício Imbondeiro, onde se refugiara.
«Foi apunhalado, eu não vi, mas constava-se lá por Carmona», sublinha Fer-
nando Antunes Vieira, reportando-se aos primeiros dias de Junho de 1975.
- Ver depoimento de FAV, AQUI
... e em 2015, em Lisboa e já civis, no jardim
da Estufa Fria, em 2015, 41 anos depois. As
mesmas caras e uma amizade se sempre!
Os furriéis milicianos Cruz
e Viegas na placa ajardi-
nada da avenida do Qui-
texe, em 1974 e...

Cruz, furriel da CCS, 67
anos em P. Santo Adrião!

O furriel miliciano Cruz foi rádio-montador da CCS do CAV. 8423 e festeja 67 anos a 18 de Agosto de 2018.
António José Dias Cruz era, a par do furriel António Lo-
pes (enfermeiro), um dos mais velhos milicia-
nos dos Cavaleiros do Norte, por ser morosa a sua especialização - o que atrasava as suas mobilizações. Natural de Cardigos, no concelho de Mação, já trabalhava em Lisboa quando cumpriu a sua jornada africana por terras do Uíge angolano - pelo Quitexe e depois por  Carmona. Lá voltou a 8 de Setembro de 1975, já promovido a 2º. sargento miliciano, tal era a antiguidade que atingira na sua vida militar.
Profissionalmente, foi quadro da Câmara Municipal de Lisboa e, já aposentado, divide-se entre as suas casas de Cardigos e Santar (no concelho de Nelas, na Beira Alta) e a da Póvoa de Santo Adrião, no concelho de Odivelas, seu pouso mais habitual e para onde vai o nosso abraço de parabéns!


Correia de Zalala, 66
anos na Nazaré !

Carlos Manuel Delgado Correia foi soldado atirador de Cava-
laria da 1ª. CCAV. 8423, a da Fazenda de Zalala, e comemora 66 anos a 18 de Agosto de 2018.
Cavaleiro do Norte da Companhia do capitão  miliciano Davide Castro Dias e, depois, também de Vista Alegre/Ponte do Dange, Songo e Carmona, regressou a Portugal no dia 9 de Setembro de 1975 e fixou-se na Vivenda Vinagre, da fre-
guesia de S. Salvador, em Santarém. Sabemos, por informação do furriel mili-
ciano João Dias (TRMS), que reside actualmente na cidade da Nazaré, para onde mandamos o nosso abraço de parabéns!

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

4 230 - Comandante na Guerra e ameaças de «caças» a Luanda!



Cavaleiros do Norte  da CCS, no Quitexe. Atrás, Costa 
(TRMS) e 1º. cabo Teixeira (estofador). No meio, o con-
dutor Gaiteiro e o 1º. cabo Malheiro. Em baixo, o 1º. 
cabo Monteiro (Gasolinas) e o Canhoto. Ao lado, o Pe-
reira, que agora faria 66 anos, a 18 de Agosto, e faleceu 
a 21 de Fevereiro de 2018. RIP!!!
Alm. e Brito,
comandante
do BCAV. 8423

O comandante do BCAV. 8423 deslocou-se à Fazenda Guerra no dia 16 de Agosto de 1974, há 44 anos, no âmbito do «programa de contactos sociais e operacionais».

O tenente-coronel Carlos Al-
meida e Brito sempre se fa-
zia acompanhar de alguns oficiais do BCAV. e a comiti-
va era escoltado ora pelo PELREC do alferes António Manuel Gar-
cia, ora pelo Grupo de Combate de uma das 3 Companhias operacionais que ro-
davam pelo Quitexe. Um em cada mês. 
A Fazenda Guerra fica(va) a
poucos quilómetros do Quitexe.

Sublinhada com traço laranja
Por vezes, também pelo Pelotão de Sapadores comandado pelo alferes miliciano Jaime Ribeiro e com os furriéis, também milicianos, Luís João Mosteias, Cândido Eduardo Pires e Joaquim Augusto Farinhas.
A Fazenda Guerra & Companhia ficava relativamente perto do Quitexe. Saía-se da vila pela estrada (picada) para Ca-
mabatela, a caminho das vizinhas sanzalas do Cazenza e Aldeia (que ficavam à esquerda) e, pouco depois do cemitério (do lado direito), cortava-se à esquerda e em frente na picada. Por lá perto, e se a memória nos não ilude, ficavam também a Fazenda Maria Luísa e mais adiante a José Guerra e a Buzinaria.
Ao tempo, já lá vão 44 anos, estava em execução, de acordo como livro «Histó-
ria da Unidade», um plano de «arranjos da rede estradal», a cargo da Junta Au-
tónoma de Estradas de Angola (JAEA), mas com «protecção de escoltas milita-
res». A 23 de Agosto, terminaram os do itinerário para a Fazenda Zalala e con-
tinuaram em curso os da Estrada do Café, entre Vista Alegre e Ponte do Dange - um troço de asfalto que ligava Carmona a Luanda.
O Diário de Lisboa de
16 de Agosto de 1975
noticiava os prepara-
tivos para o ataque
da FNLA a Luanda


FNLA ameaça Luanda
com «caças» Mirage !

Um ano depois. os Cavaleiros do Norte do BCAV. 842 continuavam aquartelados no extinto Batalhão de Intendência e Angola (BIA) e cada vez mais próximos da data do embarque para Portugal - que, todavia, desconheciam.
Luanda estava grávida de boatos e o mais relevante tinha a ver com a possibilidade de a FNLA atacar a cidade. A partir do Norte, de Carmona (de onde menos de duas semanas antes retirara o BCAV. 8423) e do Negage, onde dispunham da base aérea deixada pelos portugueses.
A presença de caças-bombardeiros «Mirage» era dada como certo, como também o descarregamento de muito material de guerra para a FNLA, que ali chegava transportado em aviões «Skymaster».
Os observadores mais alarmistas, citados pelo Diário de Lisboa de 16 de Agosto de 1975, davam como «iminente ataque a Luanda ou, pelo menos, o apoio aéreo a uma possível tentativa para fazer avançar, a partir do Caxito, as forças das FNLA que ali se encontravam numa situação de impasse há mais de um mês».
O António Clara Pereira, à esquerda e no
encontro de Junho de 2017, no RC4, 42
anos depois do regresso de Angola. Aqui,
com o condutor António, ao meio, e o me-
 cânico Simões. Faleceu, de doença, a 2 de
Fevereiro de 2018. RIP!

Pereira, mecânico, faria
66 anos. Faleceu em 2018!


O soldado mecânico Pereira, da CCS do BCAV. 8423, faria 66 anos a 18 de Agosto de 2018. Fale-
ceu a 21 de Fevereiro de 2018.
António da Clara Pereira era natural de Carreguei-
ra, no concelho de Mação, e lá regressou a 8 de Setembro de 1975, no final da sua (e nossa) jorna-
da africana do Uíge. Durante muitos anos andou «fora do radar» dos Cavalei-
ros do Norte, mas apareceu em 2017, no encontro anual que decorreu no RC4, em Santa Margarida. Felicíssimo por reachar tantos bons companheiros!
Ficámos a saber que trabalhou durante muitos anos na prospecção do petró-
leo nos mares arábicos e que, assim que reformado, se apresentou ao serviço. Isto é: no encontro. E quando alegria todos sentimos por o rever. 
Infelizmente, vítima de doença, faleceu a 21 de Fevereiro de 2018, na sua casa da Carregueira, com um tumor no fígado. Recordamos-lo com saudade. RIP!!!

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

4 229 - Cavaleiros do Norte reforçados; a morte do furriel Jesuíno e do 1º. cabo Simões!

Cavaleiros do Norte da 1ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, todos furriéis
milicianos: Jesuíno Pinto (que lá chegou em Agosto de 1974 e faleceu, de
doença, a 3 de Maio de 2017, em Parada de Gatim, Vila Verde), José Gomes,
António Carlos Letras e Amorim António Martins. 

Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda
Santa Isabel. dois não identificados e o 1º. cabo Fer-
nando Martins Simões, que faleceu a 17 de Agosto de
1998. Há 20 anos! RIP!!!

O mês de Agosto de 1974, há 44 anos e em dias indeterminados, foi tempo de reforço de 3 das 4 companhias do BCAV. 8423 - os Cavaleiros do Norte que jornadeavam por terras uíjanas de Angola. 
Uma por uma, cada uma integrou mais um militar, cada. Os seguintes:
- CCS, a do Quitexe: Júlio S. Plácido, cai-
xeiro de especialidade. Dele pouco sabe-
mos, nem do rosto nos lembramos, sendo certo, porém, que não regressou a Portugal com a CCS ou com qualquer outra Companhia do BCAV. 8423. 
Em Julho de 1975 e por razões que também desconhecemos, integrava a CCS e foi pu-
Jesuíno F. Pinto,
Cavaleiro do Norte
da 2ª. CCAV. 8423
nido com 10 dias de detenção, agravada para 15 dias de prisão disciplinar agravada, segundo a ordem de serviço nº. 173. Terá sido esta a razão por que não regressou a Portugal nos dias do BCAV. 8423.
- 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa: Jesuíno Fernandes Pinto, furriel miliciano atirador de Cavalaria. Era natural de Parada de Gatim, em Vila Verde, e lá faleceu, de doença, a 3 de Maio de 2017. Regressou a Portugal no dia 10 de Setembro de 1975. A sua actividade profissional foi diversa, tendo, por exemplo, sido animador de rádio.
A doença afastou-o da vida activa e nos últimos tempos da sua vida esteve internado numa IPSS de S. José de Areias do Vilar, em Barcelos. Faria 65 anos a 29 de Setembro de 2017.
A memória do companheiro Jesuíno Pinto aqui fica em acta pública. RIP!

- Miguel J. Garcia, do Grupo de Mesclagem do RI 20, em Luanda, e atribuído à 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda de Santa isabel. Foi promovido a 1º. cabo e dele nada mais sabemos. Muito provavelmente, passou`à situação de licença registada quando, em Dezembro de 1974, tal aconteceu com os grupos de mesclagem.
Fernando Martins Simões, 1º. cabo apontador
de morteiros (louvado) da 3ª. CCAV. 8423, a
da Fazenda Santa Isabel
Fernando Martins
Simões, 1º. cabo
de Santa Isabel

Simões, 1º. cabo de Santa
Isabel, faleceu há 20 anos !
- Louvado pelo BCAV. 8423! 

O 1º. cabo Fernando Martins Si-
mões, apontador de metralhado-
ras da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel, faleceu há 20 anos: a 17 de Agosto de 1998. Suicidou-se, por enforcamento. Sofria de esquizofrenia, segundo indicações médicas, que nos foram dadas pela sua única filha (Zaida Martins).
Cavaleiro do Norte da companhia comandada pelo capitão miliciano José Paulo Fernandes, foi louvado porque «sempre soube pôr em causa uma completa entrega ao trabalho que lhe era solicitado, numa perfeita hones-
tidade nas missões que lhe forma confiadas», como se pode ler na OS º. 165.
O louvor sublinha que o 1º. cabo Simões  «foi militar fundamental em todas as acepções da palavra», para além de ser «com frequência notado como volun-
tário para qualquer tipo de tarefa, dando assim provas repetidas da aberta confiança que nele se deposita».
«Altamente disciplinado e camarada como poucos, auxiliando sempre aqueles que precisavam do seu amparo (...), o seu exemplo e o carácter de que é dota-
do são dignos do merecido louvor», que foi proposto pelo capitão miliciano José Paulo Fernandes, comandante da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Iabel, e depois atribuído pelo comandnate do BCAV. 8423.
O 1º. cabo Simões voltou à sua casa de Lourinhal, em Penacova, no dia 11 de Setembro de 1975 e por lá fez vida como motorista profissional. O casamento com Maria Esmeralda Gomes da Cruz deu-lhe a alegria da filha Zaida. Para ela e sua mãe vai o nosso abraço solidário e de saudade do homem bom e do com-panheiro de sempre, das terras uíjanas de Angola! RIP!!!

terça-feira, 14 de agosto de 2018

4 228 - Cavaleiros do Norte em contactos operacionais e 5 em festas de anos!


Os furriéis milicianos Américo Rodrigues
e Manuel Pinto, que amanhã festeja 66 anos
em Paredes. Ambos da 1ª. CCAV. 8423,
a da Fazenda de Zalala
Furriel Eusébio
faria 66 anos. Fa-
leceu a 16/5/2014

O tenente-coronel Carlos Almeida e Brito, comandante do BCAV. 8423, esteve em Carmona e no Comando do Sector do Uíge (CSU) a 14 de Agosto de 1974, há 44 anos, para «contactos operacionais».
Os Cavaleiros do Norte, a esse tempo, já amadurecidos em operações na mata uíjana e com experiências acumuladas em mais de 2 meses de comissão, atravessavam, há 44 anos, um período de «com-
pleta modificação da sua actividade operacional, deixando de bater as áreas dos «quartéis» do IN e passando a apertar a malha dos patrulhamentos ao longo de toda a zona de acção».
Ao mesmo tempo, faziam-se «inúmeras visitas a povos e fazendas, em apoio às vidas de todos estes» e o dia 14 de Agosto de 1974 marcou, também, o início de «remodelações temporárias do dispositivo, com vista a garantir a eficiência das actuais acções primárias das NT».
E quais eram elas, as acções prioritárias? Pois, citando o livro «História da Unidade, «a segurança dos centros urbanos e a liberdade de itinerários». E isso cumpriram., exemplarmente, os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423.
Cavaleiros do Norte do PELREC: soldados
 Marcos e Madaleno e 1º. cabo João Pinto,
que amanhã festeja 66 anos na Suíça
Nogueira, condutor
da CCAÇ. 209,
a do Liberato

Furriéis Pinto e Eusébio,
1º. cabo Pinto, Couto e
Nogueira do Liberato !

O dia 15 de Agosto é tempo de festa de anos de pelo menos 5 Cavaleiros do Norte.
- Manuel Moreira Pinto, furriel miliciano de Operações Especiais (Rangers), da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala. Comemora 66, em Paredes.
Adelino Couto, 66
anos no Lousado de
VN de Famalicão
- Eusébio Manuel Martins: furriel miliciano atirador de Cavalaria da 1ª. CCAV. 8423. Faria 66, mas, de doença, faleceu a 16 de Maio de 2014, em Belmonte. RIP!!!
- João Augusto Rei Pinto: 1º. cabo atirador de Cavalaria do PELREC da CCS (e depois da 1ª. CCAV. 8423), do Quitexe (e Zalala). Festeja 66 anos na Suíça, onde está emigrado. Ou no Seixal, onde tem morada portuguesa.
- Adelino Augusto Ferreira do Couto: soldado apontador de metralhadora média, da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa. Também festeja 66 anos, na sua residência do Alto do Seixo, freguesia de Lousado, no minhoto concelho de Vila Nova de Famalicão.
- José Luís Nogueira da Costa: soldado condutor da CCAÇ. 209/RI 21, a da Fa-
zenda do Liberato. Natural de Tomar, onde nasceu em 1951, para Angola foi em criança e por lá fez vida pessoal e foi mobilizado. Vive em Almada, aposentado da Carris, e é habitual colaborador deste blogue, festejando 67 anos.
Parabéns para todos.

4 227 - Calma em Luanda e intermináveis bichas nos restaurantes!

Cavaleiros do Norte da CCS do BCAV. 8423 no encontro de 2017, que decor-
 reu no Regimento de Cavalaria 4 (RC4), em Santa Margarida, a unidade mobili-
 zadora e de onde saíram a 29/05/1974, para Lisboa e com destino a Angola
O padre Albino Capela, da Ordem dos Capuchinhos Meno-
res e que sacerdotou no Quitexe, ao tempo dos Cavaleiros
do Norte. Foi ordenado há 52 anos, hoje se passam! 

Os Cavaleiros do Norte, muito expectantes quanto ao seu regresso a Portugal e operacionais para o que desse e viesse,  iam riscando dias do calendário e a 14 de Agosto de 1975 souberam que o MPLA, que controlava Luanda, foi convidado a sair da cidade.
O objectivo era «criar uma zona de paz que permitisse a recepção de refugiados em melhores condições».
O MPLA, porém, opôs-se a sair, argu-
São Morais, contemporânea dos Cavaleiros do Norte
no Quitexe, uma das uíjanas da coluna de Carmona
para Luanda. Na imagem e aqui, frente ao mural
do Colégio Amor de Deus, em Carmona
mentando que «os dois outros movimentos rivais continuam a controlar várias cidades do país», sem que, reportava o Diário de Lisboa, «a sua retirada fosse exigida».

Calma em Luanda e
bichas nos restaurantes!

A cidade de Luanda, capital de Angola,  estava a esse tempo, «com grandes incertezas, apesar da calma que paira(va)».
Havia carência de alimentos,  o que, de acordo com o Diário de Lisboa de 14 de Agosto de 1975, provocava «intermináveis bichas às portas dos restaurantes», que, por sua vez, «apenas conseguem fornecer refeições a uma pequena parte dos seus clientes».
Os Cavaleiros do Norte graduados bem sentiram isso na pele e na carteira, pois, sem serviço de messe no BIA, tinham de calcorrear a cidade para poderem refeiçoar. E às vezes ficavam-se por uns pastéis, ou umas sandes.
São Morais, uma jovem contemporânea do Quitexe, comentava há dias, na página de facebook dos Cavaleiros do Norte que a mãe dela «ia para a bicha do pão às 4 horas da manhã, para arranjar algum» e que, vejam lá do que se lembra, «não havia alhos».
«Temperava o que havia com cascas de alhos e comíamos muitas vezes arroz de atum. E às vezes debaixo de tiroteio», recordou-se São Morais.
Alferes miliciano Fer-
nando António Ramos

Ramos, alferes sa 2ª. CCAV., 68
anos em Vila Nova de Foz Coa!

O alferes miliciano Ramos foi atirador de infantaria e serviu o BCAV. 8423 por um curto espaço de tempo, adido à 2ª. CCAV. 8423. Festeja 68 anos a 14 de Agosto de 2018.
Fernando António Morgado Ramos, de seu nome completo, chegou a Carmona em Maio de 1975, por lá esteve uns dois meses e voltou a Luanda de férias, por lá ficando e fazendo parte das Forças Militares Mistas. Não sabemos a data do seu regresso a Portugal, mas voltou à sua natal terra de Vilas Nova de Foz Coa.
Advogado de profissão, por lá tal magistério exerce, também ligado ao movi-
mento associativo das terras das gravuras rupestres. Por exemplo, aos Bom-
beiros Voluntários. Para lá e para ele o nosso abraço de parabéns!
Os drs. Albino Capela e Mar-
garida Cruz, esposa do alferes
Cruz, em 2013 e no encontro
de SantoTirso


Albino Capela ordenado
sacerdote há 52 anos !

António Albino Martins Vieira Capela, o padre Albino do Quitexe, ordenou-se a 14 de Agosto de 1966, hoje se fazem 52 anos. 
Foi ordenado no Porto, onde terminou Teologia - depois de estudos em Toulose (na França), do noviciado (em Barcelos) e de cursar Filosofia, aos 17 anos (em Salamanca). Antes, e após a escola primária na sua terra natal de Carvalheira, concelho de Terras do Bouro, fez o 5º. ano do ensino secundário em Vila Nova de Poiares. 
Missionou no Quitexe e outras terras do Uíge (Aldeia Viçosa, Cambamba e Vis-
ta Alegre), sendo contemporâneo e companheiro dos Cavaleiros do Norte. Re-
gressou a Portugal e, «com muita pena», abandonou o sacerdócio e a Ordem dos Frades Menores Capuchinhos.
Foi professor, constituiu família em Barcelos e, já com netos, tem um casal de filhos. É participante habitual dos encontros da CCS e hoje o felicitamos por esta  relevante e significativa data da sua vida.- Ver AQUI