CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

4 304 - O primeiro dia do adeus à mítica Fazenda de Zalala!

Cavaleiros do Norte da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, a recuperar um Unimog. Reconhecem-se, milicianos,
os furriéis Manuel Dias (mecânico) e Plácido Queirós (atirador de Cavalaria) e o alferes  Carlos Sampaio
(atirador de Cavalaria). Quem serão os outros dois militares, o de cigarro na boca e o da direita?

O 1º. cabo Carlos Ferreira com civis de Vista Alegre, à
porta do depósito de material de guerra da 1ª. CCAV. 8423

Os Cavaleiros do Norte da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, estavam, há 44 anos, a preparar a sua rotação para Vista Ale-
gre e Ponte do Dange - onde iriam ocupar as instalações onde desde 1 de Abril de 1973 se aquartelava a CCAÇ: 4145/72. 
A 20 de Novembro de 1974, de lá saiu a CCAÇ. 4145/74, que lá chegara na véspe-
ra, e «tornando-se necessária a ocupa-
ção da Vista Alegre e Ponte do Dange, 
O 1º. cabo Jorge Silva, da 1ª CCAV.
 8423, em Vista Alegre e com
um elemento da FNLA
previamente teve início a rotação da 1ª. CCAV. para estes locais», como relata o livro «História da Unidade».
A CCAÇ. 4145/72 já tinha «guia de marcha» para Luanda e a rotação do dispositivo militar português implicava a «ocupação» daqueles dois pontos nevrálgicos da Estrada do Café, entre Luanda e Carmona. Nesse dia 21 de No-
vembro de 1974, a 4145/72 foi visitada pelo capitão Jo-
sé Paulo Falcão, que interinamente comandava o BCAV. 8423 - nas férias do comandante Almeida e Brito.

Camião atascado
na saída de Zalala!

A 21 do mesmo mês de Novembro, uma quinta-feira e ainda segundo o HdU, «começou a processar-se» a rota-
ção da 1ª. CCAV. 8423, que era comandada pelo capitão miliciano Castro Dias. 
O dia é recordado pelo 1º. cabo Carlos Alberto Ferreira (agora em Moçambique), que lá foi mecânico de armamento ligeiro e guarda do depósito de armamento: «O primeiro camião civil a sair, antes da Companhia, foi com toda a minha tralha, armamento, munições, ferramentas, panelas, etc., numa noite de tem-pestade. Penso que apenas eu ia armado, o motorista era civil e um soldado africano ia à boleia para Luanda, de férias, e que desertou com arma e tudo».
«Ainda não tínhamos saído da fazenda e o camião enterrou-se, devido à chuva intensa. Pedimos ajuda via rádio, veio o furriel Dias, sempre ele, com macacos e pás, apenas o via a ele, no meio da lama e da escuridão, tendo após mais ou menos 2 horas desatolado o carro», recorda-se o Carlos Ferreira, acrescentan-
do que «cheguei cerca das 3 horas da madrugada a Vista Alegra, sem saber onde descarregar o material».
Mais acidente menos incidente, estava em marcha o adeus definitivo das Forças Armadas Portuguesas à mítica Fazenda Zalala! «Ocupada» desde 1961!
Notícia do Diário de Lisboa de 21 de Novembro de 1974

MPLA recusa fuzilamentos
e FNLA protege 19 populares!


H. Escórcio
O dia 21 de Novembro de 1974, pelas bandas de Luanda, foi tempo de o MPLA apresentar 6 homens, de mãos atadas atrás das costas - um deles acusado de assassínio.Outro teria extorquido dinheiro em nome do MPLA e os restantes de roubos - todos detidos pelas (suas)
Comissões de Vigilância dos musseques, onde se apresentavam co-
mo militantes do movimento de Agostinho Neto.
As ditas Comissões de Vigilância pediram o fuzilamento dos seis, mas Hermínio Escórcio, dirigente do MPLA, disse que iriam ser entregues às autoridades portuguesas. O que não aconteceu, porque com tal não concorda-
ram os mais de 2000 africanos que se concentraram junto à sede do MPLA - onde continuaram detidos os 6 homens.
A FNLA, por seu lado, denunciou que 19 populares do Bairro Residencial do Catambor, em Luanda, tinham sido obrigados a abandonar as suas casas, por elementos armados de um movimento rival, cujo nome não quis revelar.
Um comunicado militar português do tempo, entretanto, anunciou a morte de um africano e ferimentos em dois africanos e dois brancos, no decorrer de incidentes com armas de fogo nos dias anteriores.

terça-feira, 20 de novembro de 2018

4 303 - As CCAÇ. 4145 de Vista Alegre; o transporte dos militares em 74/75!

Combatentes da CCAÇ. 4145/72, que jornadeou por Vista Alegre e Ponte do Dange,  africanas terras
 do Uíge angolano do norte e que, há 44 anos, estavam no «sai-não-sai» de Vista Alegre para Luanda  

e Portugal, logo depois. Alguém reconhece alguém?
O 1º. cabo Jorge Silva, da 1ª. CCAV. 8423,
a de Zalala, no posto de rádio de Vista Alegre

A CCAÇ. 4145/74 assim chegou e assim foi em-
bora de Vista Alegre, onde supostamente iria substituir da CCAÇ. 4145 mas de 1972, a Angola chegada em 1973 e, há 44 anos, em vésperas de voltar a Luanda para regressar a Portugal. Para lá acabaria por ir a 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala.
A CCAÇ: 4145/72 tinha chegado a Vista Alegre no dia 1 de Abril de 1973 (..., não, não foi enga-
no, mentira muito menos), depois de uns dias de «estágio» no Campo Militar do Grafanil, assim que foi a sua chegada a Luanda - nos últimos dias de Março de 1973. 
Os «caçadores» da 4145/74 é que nem o lugar aqueceram em Vista Alegre (e muito menos no
CCAÇ. 4145/72
(Destacamento da Ponte do Dange) e, a 20 de Novembro de 1974, há precisamente 44 anos, voltaram a Luanda - onde, provavelmente, terão integrado as Forças Militares Mistas. Nada sobre isso sabemos.
A 4145/74 era, recordemos, comandada pelo capitão Ga-
briel Gomes, oficial que tinha estado «implicado» no Golpe das Caldas (da Rainha), em 16 de Março de 1974.
A CCAÇ. 4145/72,  a única da intervenção da zona, já agora e recordando, era comandada pelo capitão Raul Alberto Sousa Corte Real e tinha sido formada no Regimento de Infantaria nº. 1 (RI1), na cidade da Amadora. Regressou a Portugal em Dezembro de 1974.
Requisição à CP de um bilhete de Águeda para
Lamego Central, em 2ª. classe e, como se pode
ler, ««devendo a importância do mesmo trans-
 porte ser paga pelo Ministério do Exército».

Exército pagava o
transporte dos militares

Há algum tempo, encontrámos na net uma sin-
gular discussão sobre os custos das viagens da tropa colonial, nomeadamente no período de recruta e especialização, depois no de mobili-
zação e embarque para os teatros operacionais - fosse para Angola, Moçambique e Guiné, ou Cabo Verde, Madeira, Açores, S. Tomé Príncipe, Macau e Timor.
As viagens de avião e/ou barco, eram naturalmente custeadas pelo Estado Português. Não havia dúvidas. Dúvidas havia (e em nós ficaram multiplica-
das...) sobre quem pagava as deslocações internas, dentro do Portugal Me-
tropolitano e de nossas casas para (e das) as unidades militares.
A argumentação era tão farta, de um lado e de outro - os que diziam que pa-
gava o Estado (total ou parcialmente), ou pagava o militar. Tão farta e expres-
siva, que medraram as dúvidas e nenhuma certeza ganhámos quando, pelo telefone, perguntámos a meia dúzia de companheiros: pagávamos, ou não pagávamos os bilhetes da tropa? Ninguém se lembra bem!
Quis o destino que achasse, aqui por casa, um exemplar de uma requisição de transporte, em 2ª. classe, no caso à CP e da Estação de Águeda para a de La-
mego Central, quando, já concluído o curso de Operações Especiais, lá fiquei colocado. Se repararam bem, verificarão que a requisição era do Ministério do Exército, via DL 2023, de 4 de Fevereiro de 1922, expressamente referindo, e citamos, «devendo a importância do mesmo transporte ser paga pelo Minis-
tério do Exército». Está todo esclarecido: pagava o Estado.  

Furriel C. Viegas

Viegas,  furriel do Quitexe,
66 anos em Águeda !

O furriel miliciano Viegas, do PELREC da CCS do BCAV. 8423, festeja 66 anos a 21 de Novembro de 2018.
Cavaleiro do Norte do Quitexe, e especialista de Operações Es-
peciais (Rangers), jornadeou pelo Quitexe e Carmona e regres-
sou a Portugal a 8 de Setembro de 2018, no final da sua jornada africana por terras do Uíge angolano. Fixou-se em Ois da Ribeira, a sua terra natal do concelho de Águeda, e trabalhou nas áreas administrativa, jornalística e bancária. Já aposentado, mora na mesma localidade e hoje fica ele com os parabéns em casa. É (sou) o editor deste blogue!

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

4 302 - O dispostivo de Vista Alegre, entre CCAÇ.´s e CCAV.s!

Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, todos milicianos. De pé, furriéis Melo e Matos,
NN, alferes Carvalho e NN (de mangueira na boca). Em baixo, furriéis Mourato e Ramalho, alferes Macha-
do e, parece-nos, mais à direita, o furriel Rebelo
Cavaleiros do Norte de Zalala no encontro de Águeda, em
1995,  todos milicianos: furriel Plácido Queirós, capitão
Castro Dias, alferes Lains dos Santos e furriel Mota Viana 


A Companhia de Caçadores 4145/74 chegou a Vista Alegre no dia 19 de No-vembro de  1974, há 44 anos, no âmbito de processo de remodelação do disposi-
tivo militar da ZA dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423. 
A Companhia era comandada pelo capi-
tão Gabriel Gomes, um oficial ligado ao
Capitão Raúl Corte Real
Golpe das Caldas (16 de Março de 1974) e algo de anormal, entretanto, se passou, do que se deduz da leitura do livro «História da Unidade». «Começou a rotação com a chegada, a 19 de Novembro, da CCAÇ. 4145/74, a qual, em 20 de Novem-
bro, saiu do Subsector e permitiu o início da saída definitiva da CCAÇ. 4145/72 para Luanda, que se começou a processar a 21 de Novembro», lê-se no HdU.
A 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, apenas no dia 25 iniciou a rota-
ção, «por ser necessário a ocupação de Vista Alegre e Ponte do Dange». o que parece deixar concluir que a CCAÇ. 4145/74 apenas por algumas horas esteve em Vista Alegre, lá continuando a  CCAÇ. 4145/72, a do capitão Raúl Corte Real, até ser substituída pelos Cavaleiros do Norte do capitão Castro Dias.   
É certo, pela leitura do HdU, que a CCAÇ. 4145/72 ainda se encontrava em Vis-
ta Alegre no dia 21 de Novembro de 1974, quando foi visitada «em contactos operacionais» pelo capitão José Paulo Falcão, que ao tempo exercia as fun-
ções de comandante Interino do BCAV. 8423. E estava no dia 25, seguramente, quando começou a rotação da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala. 
O alferes João Machado, o comandante Almeida
 e Brito e o capitão José Manuel Cruz, comandante
 da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa

Vista Alegre, Luísa Maria
e GE 209 na «Turbilhão»

O capitão Raul Corte Real, em tempos corres-
pondendo-se com o blogue «Cavaleiros do Norte», dava como certo que, e citamo-lo, «quem quem ficou em Vista Alegre, depois de nós, foi a de Zalala, do capitão Castro Dias».
Acrescentou que «estive pouco tempo com o vosso Batalhão, até porque, nesse último período, Vista Alegre ficou a integrar uma grande operação no Quanza Norte - a Operação Turbilhão - e eu fiquei a comandar a única ZI».
A Operação Turbilhão foi em Junho, como se lê mo HdU, referindo precisa-
mente a CCAÇ. 4145 que, com a guarnição do Destacamento de Luísa Maria (o grupo de combate do alferes João Machado, da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa) e o GE 208 «estavam cedidos temporariamente ao Sector Centro Norte, para a realização da Operação Turbilhão».
Operação que, na ZA do BCAV. 8423 e a ainda segundo o HdU, «incidia espe-
cialmente sobre as «Centrais» de Camabatela e Quiculungo».
Notícias do Diário de Lisboa de 19 de Novem-
bro de 1974 sobre a situação de Angola

MPLA não aceita
UNITA e a FUA

O ministro Melo Antunes, há 44 anos e afinal, reuniu-se com Agostinho Neto, presidente do MPLA e para tratar do processo de indepen-
dência de Angola. Reuniu-se em Argel, capital da Argélia, e não em Paris, co-
mo tinha sido anunciado na véspera - dia 18 de Novembro de 1974.
Portugal, a esse tempo de há 44 anos, promovia a constituição de um Governo de Transição, com elementos dos três movimentos de libertação, mas o MPLA opunha-se à participação da UNITA de Jonas Savimbi, acusando-a de «cumpli-
cidade com o Exército colonialista» e com a Frente de Unidade Angolana (FUA), que Neto considerava «ser um movimento representativo dos sectores  mais reaccionários da população branca de Angola».

domingo, 18 de novembro de 2018

4 301 - Reunião do Comando do Sector do Uíge no BC12 de Carmona!

O furriel miliciano Armindo Reino, o tenente-coronel Carlos Almeida e Brito (comandante do BCAV. 8423),
o clarim Armando Silva e o capitão José Paulo Falcão (comandante interino, há 44 anos). De costas,
 o capitão António Martins de Oliveira, comandante da CCS
Parada do BC12, em Carmona, na dramática primeira
semana de Junho de 1975, quando os Cavaleiros
do Norte «recolheram» milhares de civis uíjanos


O dia 18 de Novembro de 1974, pelas bandas do Uíge angolano, foi tempo para mais uma reunião de comandantes das unidades que operavam na zona de acção do Comando do Sector do Uíge (CSU), instalado em Carmona.
O BCAV. 8423 uma vez mais se fez re-
presentar pelo capitão José Paulo Fal-
cão, que ao tempo desempenhava as funções de comandante interino do Ba-
talhão, substituindo o tenente-coronel 
Major José Luís
Ornelas Monteiro
Carlos Almeida e Brito, que estava de férias em Portugal. 
Os Cavaleiros do Norte, ao tempo, recordemos, não tinham 2º. comandante, desde que, em vésperas do embarque para Angola - o que, quando à CCS, aconteceu a 29 de Maio de 1974 -, o ma-
jor José Luís Jordão Ornelas Monteiro (que ocupava essa fun-
ção, em Santa Margarida e no RC4, no período de formação do Batalhão e instrução militar dos futuros Cavaleiros do Norte) foi «desviado» pelo MFA e foi para a Guiné.
O encontro de há 44 anos decorreu nas instalações do Batalhão de Caçadores nº. 12 (o BC12), que se localiza(va) na estrada de Carmona para o Songo e quartel que viria a ser destino do BCV. 8423 entre 2 de Março de 1975 (dia da chegada da CCS) e 4 de Agosto do mesmo ano quando, da cidade uíjana, saiu a epopeica coluna militar para Luanda.
Notícias sobre Angola
no DL de 18/11/1974

Conversações em Paris
sobre... Angola !

O dia 18 de Novembro de 1974, uma segunda-feira, foi tempo, também, para uma viagem de Melo Antunes, ministro sem pasta do Governo Português, a Paris - onde se iria reunir com representantes do MPLA, para analisar situações relacionadas com a independência de Angola. 
Dias antes, já Mário Soares, enquanto Ministro dos Negócios Estrangeiros, se reunira com dirigentes da FNLA, no decorrer da sua visita à Tunísia.
Melo Antunes fazia-se acompanhar, segundo a imprensa desse dia, por um representante (não indicado) do Movimento das Forças Armadas em Angola e, no aeroporto, afirmou que «posso apenas dizer algumas coisas de carácter muito geral: esta viagem insere-se na série de negociações com vista a independência de Angola».

sábado, 17 de novembro de 2018

4 300 - Mobilização de 4 Cavaleiros do Norte: Monteiro, Viegas, Neto e Rebelo!

Cavaleiros do Norte da CCS do BCAV. 8423, os três furriéis milicianos de Operações Especiais (Rangers)
 e mobilizados para Angola  há rigorosamente 45 anos: Neto, Viegas e Monteiro. Aqui, na Avenida
 do Quitexe, a Rua de Baixo, e em frente à secretaria da CCS

Furriéis milicianos da Aldeia Viçosa: António Rebelo
 (mobilizado há precisamente 45 anos). Amorim Martins,
Abel Mourato e Mário Matos

Há precisamente 45 anos, dia 17 de No-
vembro de 1973, pela Nota nº. 47 000 da Repartição de Pessoal (RSP) da Direcção de Serviço de Pessoal (DSP) do Ministé-
rio do Exército (ME), que citamos, «fo-
ram  nomeados para servir o ultramar» - em Angola - os então futuros furriéis milicianos Monteiro, Viegas e Neto, da CCS do BCAV. 8423.
A mobilização dos futuros furriéis milicianos Mon-
 teiro, Viegas e Neto, da CCS e na Ordem de Serviço
286, do CIOE, a 17/11/973. Há 45 anos!
Os três estavam colocados no Centro de Instrução de Operações Especiais (o CIOE), em Lamego, onde, a 29 de Se-
tembro anterior, tinham concluído o curso, lá ficando colocados. O Monteiro, em Penude, na Companhia de Instrução 
A mobilização do furriel António Rebelo
- no curso «Ranger» que era frequen-
tado pelo Reino, que viria a ser furriel miliciano da 3ª. CCAV., a de Santa Isa-
bel; o Viegas e o Neto no quartel-sede, a serviços de escala e em prontidão para as provas de treinamento de Penude.
A mobilização só chegou ao nosso conhecimento a 7 de Dezembro desse ano, pela leitura da Ordem de Serviço nº. 286, do CIOE, que dava conhecimento de outros «Rangers» colocados em Lamego e futuros furriéis milicianos: João Matos, Joaquim Grilo, Manuel Ferreira, Joaquim Gonçalves, Rui Lucas e Joaquim Nogueira, na 1ª. CCAÇ., e, na Companhia de Instrução, em Penude, Rui Praxedes, Américo Ferreira, Fernando Ribeiro, João C. Pedro, Fernando Rodrigues, Fernando Caldeira, Cristovão Cunha, Zacarias Ramos, Fernando Salgueiro e Abílio Gama.
O António Augusto Faria Novais Rebelo, de transmissões de infantaria e que, 
Mapa da zona de acção operacional
dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423
como furriel miliciano, viria a integrar a 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa,
também foi mobilizado por esta Nota 47000, publicada há 45 anos.

Zalala e Santa Isabel
a prepararem rotação!

Um ano depois e já com meio ano de jornada africana de Angola cumprida, o trio de «rangers» e toda a guarnição expecta-
vam sobre o futuro próximo, quando já iam semanas depois do cessar-fogo anunciado por FNLA e MPLA. Da UNITA, pouco se falava por lá.
A 1ª. CCAV. 8423, do comando do capitão miliciano Davide Castro Dias, ultimava a rotação para Vista Alegre e Ponte do Dange e o definitivo abandono da mítica Fazenda Zalala. E a 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel, também começava a pre-
parar-se para «viajar» para o Quitexe.
Cabinda era notícia: a Força Aérea Portuguesa violou o espaço aéreo do Congo e bombardeou algumas posições. O objectivo era pôr cobro a um motim no norte do Enclave de Cabinda. A operação, de acordo com a France Press, decorreu a 15 e 16 de Novembro de 1974, e o objectivo do ataque era «libertar 22 mili-
tares portugueses presos como reféns de elementos da FLEC». Estes, recuaram ara território congolês e as autoridades locais (congolesas) tomaram conta dos reféns e de um mercenário francês.
Eugénio G. Carmo

Carmo de Aldeia Viçosa, 
66 anos na Covilhã !

O 1º. cabo Carmo, da 2ª. CCAV. 8423, festeja 66 anos a 19 de Novembro de 2018, lá pelos altos da Serra da Estrela.
Eugénio Gonçalves do Carmo de seu nome completo, foi atirador de Cavalaria dos Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa e regres-
sou a Portugal a 10 de Setembro de 1975, quando terminou a sua comissão de serviço em Angola, fixando-se na Malhada Chã, da freguesia de Piodão, no con-
celho de Arganil. A vida levou-o para outras paragens e mora agora no Penei-
reiro, povoação da freguesia de Sobral de S. Miguel, concelho da Covilhã. Para lá vai o nosso abraço de parabéns!

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

4 299 - FNLA´s apresentaram-se aos Cavaleiros do Norte do Quitexe!

Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, todos furriéis milicianos e na messe e bar de sargentos do Quitexe:
António Flora, Luís Filipe Costa (Morteiros), Agostinho Belo, Francisco Bento e Joaquim Abrantes
Trio de condutores da CCS do BCAV. 8423: António
Picote, Manuel Alves e Alípio Canhoto Pereira


A 16 de Novembro de 1974 registou-se, no Quitexe, um encontro de dirigentes da FNLA com o comando do BCAV. 8423, agora «já na categorias elevadas da sua chefatura», como já acontecera em Vista Alegre.
Os contactos do movimento de Holden Roberto com as autoridades portugue-
sas começaram por ser feitas «por parte de elementos dispersos» e vinham a acontecer já desde o princípio do mês - o primeiro fora no dia 4 de Novembro de 1974, «o primeiro contacto desde 1961», de acordo com o livro «História da Unidade».
O jornal «O Comércio», de Luanda, noticiava a chegada de «mais um contingente armado da FNLA» à capital angolana, admitindo que fosse para «a constituição de uma unidade militar» com a tarefa de intervir nas «tarefas de repressão a onda de crimes e violência» que se registava.
O MPLA, por seu lado, anunciou-se «favorável à constituição de uma força armada dos diferentes movimentos de libertação para colaborar com as Forças Armadas Portuguesas».
A Estrada do Café nas imediações da vila do
 Quitexe, em imagem dos anos 2000

As FAPLA do MPLA
na Rota do Café !

Um ano depois, as forças das FAPLA conti-
nuavam a controlar a Rota do Café, na Estrada do Café, que liga Luanda a Carmona.
«Toda a frente norte, toda a Rota do Café, está na posse do MPLA, que ameaça agora o Ambriz e Carmona», noticiava o Diário de Lis-
boa, reportando também que, mais a sul, «as FAPLA continuam a reforçar os seus efectivos, com vista a fazerem frente à ofensiva desencadeada por mercenários sul-africanos, belgas e franceses, apoiados por forças do ELP».
A esse tempo, combatia-se nas linhas defensivas dos morros do Pundo, próximo de Novo Redondo - entre forças do MPLA (as FAPLA) e as da UNITA (as FALA) e da FNLA (o ELNA).
Maria dos Anjos e João Rito
no encontro de 2014 no Fundão

Maria Jerónimo, 66
anos em Castelo Branco!

Maria dos Anjos Jerónimo, viúva de João Rito, festeja 66 anos a 16 de Novembro de 2018.
João Jerónimo Rito foi soldado atirador de Cavalaria dos Cavaleiro do Norte da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, e faleceu, vítima de doença, a 1 de Março de 2016, na cidade de  Castelo Branco - onde o casal morava, na rua da Estrela, mo Bairro da Boa Esperança. A esposa acompanhava-o nos encontros anuais, tornou-se Amazona do Norte por «direito» e aos encontros continuou a ir, por exemplo a Guimarães e Oleiros, em memória do marido e nosso antigo companheiro de armas. Abraço de parabéns para Maria dos Anjos! 

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

4 298 - FAPLAS´s às portas de Carmona! O primeiro governo de Angola!

Coluna de Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa que, em data inde-
terminada (de 1974 ou 1975), foi em socorro da madeireiros emboscados nas matas  do Uíge.
Alguém pode precisar o acontecimento?
A viatura incendiada e vários mortos na emboscada
aos madeireiros das matas do Uíge em 1974/75.
Alguém reconhece o militar da esquerda?

O dia 15 de Novembro de 1975, um sá-
bado foi tempo para se conhecer a com-
posição do 1º. Governo de Angola, em-
possado na véspera, liderado pelo 1º. Ministro Lopo do Nascimento e formado, segundo o presidente Agostinho Neto, «por camaradas que deram provas de patriotismo durante a luta contra o co-
lonialismo português».
O Governo era formado pelos ministros José Eduardo dos Santos (Relações Exteriores), Iko Carreira (Defesa), David Aires Machado (Trabalho), Mário Afonso de Almeida (Saúde), António Jacinto (Educação), Diógenes Boavida (Justiça), Nito Alves (Administração Interna), Carlos Rocha Dilolwa (Planeamento e Coordenação Económica), Maria da Conceição Vahekeni (Assuntos Sociais) e José Filipe Martins (Informação).
Secretários de Estado, foram empossados Alberto Bento Ribeiro (Comunica-
ções), Augusto Lopes Ribeiro (Indústria e Energia), Saidy Mingas (Finanças),  José Victor Carvalho (Pescas) e Carlos Fernandes (Agricultura).
O que restou do edifício do Comando do BCAV.
8423, depois da sua retirada e após combates
entre MPLA e UNITA,provavelmente em 1975

Forças das FAPLA 
à porta de Carmona

A nível militar e segundo o Diário de Lisboa de 15 de Novembro de 1975, as FAPLA, exército do MPLA, «mantinham-se em Úcua, ponto es-
tratégico entre Luanda e Carmona» e a sua «ofensiva vitoriosa» sobre a área controlada pela FNLA chegava já «até 340 quilómetros de Luanda» - o que deixa entender que estaria na área do Quitexe.
O mesmo jornal adianta(va) que «foi libertada toda a chamada rota do café», que «está sob o controlo do braço armado do povo angolano» - as FAPLA, que tinham progredido os tais 340 quilómetros de Luanda e preparavam «um anel que isolará Ambriz e preparará a queda de Carmona».
As FAPLA, mais a sul, «dominam Chela, onde destroçaram, as forças da UNITA» e, por outro lado, reforçaram o cerco a Nova do Lisboa.
Amaral, o Bolinhas,
foto de 2016

Bolinhas de Zalala, 66
anos em Penacova!

O soldado Manuel Jacinto Pereira Neves do Amaral, da 1ª. CCAV. 8423, a da mítica Fazenda de Zalala, festeja 66 anos a 15 de Novembro de 2018.
Atirador de Cavalaria, de especialidade militar,  e Cavaleiro do Norte por lá popularizado como Bolinhas, regressou a Portugal e fixou-se na Quinta dos Penedos, no concelho de Penacova - onde agora goza a sua merecida reforma. É participante habitual dos encontros anuais e de natal dos «zalalas» e para ele vai o nosso abraço de parabéns.
Martins Oliveira

Martins da 2ª. CCAV.,
66 anos em Leiria !

Martins Pereira de Oliveira foi soldado atirador de Cavalaria da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, e festeja 66 anos a 15 de Novembro de 2018.
Martins, no seu caso, é mesmo nome próprio (não apelido) e re-
gressou a Portugal no dia 10 de Setembro de 1975. Foi louvado «pelas qualidades demonstradas no decorrer da sua comissão de serviço na RMA, sendo de destacar o espírito de dedicação sempre oferecido e a dedi-
cação sempre manifestada». «Disciplinado e cumpridor, camarada excelente, levam as suas qualidades a recordá-lo pelo contributo prestado à sua subuni-
dade, onde serviu de molde a merecer justo prémio», lê-se no louvor  do ca-
pitão miliciano José Manuel Cruz, publicado na ordem de serviço nº. 172.
O Martins mora em Aparícios, freguesia de Santa Eufêmia, no concelho de Leiria, para onde segue o nosso abraço de parabéns!

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

4 297 - Cavaleiros de Zalala no almoço de Natal de 2018!

O grupo de Cavaleiros do Norte da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, reunido no Porto e
 no restaurante Assador Típico, no almoço de Natal de 2016. O encontro deste ano
será o primeiro sem o recém-falecido furriel Américo Rodrigues
O encontro de Natal de 2016 foi bem participado,
muito bem falado e bem melhor... regado!

Os Cavaleiros do Norte da 1ª. CCAV. 8423 tem almoço de Natal marcado para o dia 15 de Dezembro e, como habitual-
mente, vai ter farta e participada mesa no Assador Típico, no Porto.
O número de participantes tem vindo a aumentar, mas este ano será o primeiro de ausência do (furriel) Américo Rodri-
gues, que era um dos grandes entusias-
siastas deste encontro de antigos com-
Cavaleiros do Norte do PELREC: 1º. cabo Eze-
quiel Silvestre, soldados Dionísio Baptista e
Francisco Madaleno e furriel Francisco Neto
batentes do Uíge angolano e que a morte levou a 30 de Agosto deste ano de 2018, vítima de doen-
ça. Ali está ele, na foto, em baixo e à esquerda, na confraternização de 17 de Dezembro de 2016.
Os interessados podem inscrever-se junto de Plácido Queirós (telemóvel 968020160), Mota Viana (933201296) e Manuel Pinto (910536104) .


Lopo do Nasci-
mento, o primei-
ro 1º. Ministro
de Angola
Governo de Angola, o
primeiro da Nação nova!

O MPLA anunciou, a 14 de Novembro de 1974, a constituição do primeiro Governo da Angola independente, liderado por Lopo do Nascimento, o 1º. Ministro.
Ministros, eram já conhecidos alguns: Iko Carreira (da Defesa), Jo-
sé Eduardo dos Santos, que viria a ser Presidente da República (Relações Exteriores), José Filipe Martins (Informação), Nito Alves (Administração Interna), Diógenes Boavida (Justiça), David Aires Machado (Trabalho), Carlos Rocha (Planeamento e Coordenação Económica).
Em termos militares, circulavam notícias em Luanda, entre os meios diplomá-
ticos, sobre o avanço de «uma coluna de mercenários e de tropas da FNLA e da UNITA», que já atingira o cruzamento da estrada para a barragem de Cam-
bambe, a barragem que abastecia a capital, admitindo-se que, segundo o Diário de Lisboa desse dia, «a coluna tente avançar para o Dondo».
Dionísio Baptista
Outubro de 2018

Dionísio do PELREC,
66 anos na Amora! 

O soldado Dionísio, do PELREC da CCS do BCAV. 8423, festeja 66 anos a 14 de Novembro de 2018.
Dionísio Cândido Marques Baptista foi atirador de Cavalaria, de especialidade, e regressou a Portugal, à Amora, no dia 8 de Se-
tembro de 1975, depois de concluída a sua (e nossa) jornada africana de Angola, por terras do Uíge - pelo Quitexe e por Carmona. Emigrou para a Suíça, onde trabalhou muitos anos na área da carpintaria e construção civil, e de onde já voltou definitivamente, já aposentado.
Mora em Amora, da outra banda do Tejo, onde há semanas foi localizado pelo Nogueira da Costa (do Liberato) e para ele vai o nosso abraço de parabéns!

terça-feira, 13 de novembro de 2018

4 296 - Capitão Falcão em reuniões no CSU e CLCS! Angola, dia 3 !

Cavaleiros do Norte do Pelotão de Sapadores e também futebolistas. De pé, NN (será o clarim Irineu?),
Afonso Henriques
, NN (impedido do comandante?), Jerónimo de Sousa e Américo Oliveira. Em baixo,
Amaral, Calçada, 1º. cabo Grácio, NN e Coelho (falecido, de doença, a 13/05/2007, em Penafiel)


 Os furriéis milicianos José A. Nascimento, à esquerda, e
Jorge Barreto, ladeando o soldado clarim Fernando Santos.
Todos de Zalala, da 1ª. CCAV. 8423!
Capitão José
Paulo Falcão
O dia 13 de Novembro de 1974, há 44 anos, foi tem-
po para duas reuniões ofi-
ciais do comandante inte-
rino do BCAV. 8423, o ca-
pitão José Paulo Falcão.
cão. Uma em Carmona, outra no Quitexe.
A da capital do Uíge de-
correu no BC12, na parte da manhã, e envolveu os comandantes de todas as unidades que operavam na área do Comando do Sector do Uíge (CSU), para «estabelecimento de contactos operacionais».
O mesmo já acontecera nos dias 4 e 8 e repetir-se-ia a 18, 22 e 27 de Novembro desse mesmo ano de 1974. Normalmente, o capitão José Paulo Falcão fazia-se acompanhar por oficiais da CCS do BCAV. 8423.
A reunião do Quitexe foi no âmbito da Comissão Local de Contra-Subversão e, de acordo com o livro «História da Unidade, decorreu «de acordo com o pro-
grama traçado». Repetir-se-ia no dia 29 de Novembro.
O Diário de Lisboa de
13/11/1975, com no-
tícias de Amgola

Independentes certos 
no Governo de Angola

Um ano depois, uma terça-feira, era dada como certa a partici-
pação de independentes no Governo de Angola que o MPLA preparava em Luanda - o primeiro da Angola independente.
A imprensa do dia noticiava que «reina acalma em todas as áreas libertadas elo MPLA» e 26 países já tinham oficialmente reconhecido a República Popular de Angola. «Espera-se que com a constituição do primeiro Governo, novas declarações de reconheci-
mento surjam, podendo vir a contar-se entre estas a de Portugal», noticiava o Diário de Lisboa de 13 de Novembro de 1975.
Luanda, por esse tempo, era uma cidade calma, mas as FAPLA (forças arma-
das do MPLA) e o ELNA (exército da FNLA) estavam frente a frente, a escassos 30 quilómetros a nordeste da cidade. Das outras frentes, nada se sabia nesse dia. Fáceis não eram, as comunicações!
O clarim Santos, com
o furriel João Dias

Santos, clarim de Zalala, 66
anos em (VN de) Ourém!

O soldado clarim Santos, da 1ª. CCAV. 8423, está hoje em fes-
ta, dia 13 de Outubro de 2018: comemora 66 anos!
Fernando Manuel Dias dos Santos, é este o seu nome comple-
to, foi Cavaleiro do Norte da mítica Fazenda de Zalala e voltou a Portugal no dia 9 de Setembro de 1975, no final da sua co-
missão militar em Angola. Fixou-se no Resouro, povoação da freguesia de Urqueira, em (Vila Nova de) Ourém, a terra da sua naturalidade e residência. É para lá que vai, direitinho, o nosso abraço de parabéns!

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

4 295 - O segundo dia da independência; o arranjo estradal do Uíge!

Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV 8423, a de Aldeia Viçosa. De pé, os furriéis milicianos  António Guedes,
 José da Silva Gomes (que 13 de Novembro fez 66 anos), Carlos Letras e Jesuíno Pinto (falecido a 3 de
 Maio de 2017, em Vila Verde). Em baixo, o 1º. cabo Leonel Sebastião (mecânico-auto) e Manuel Oli-
 veira (cozinheiro), ambos de cigarro na boca, na festa de S. Martinho de Aldeia Viçosa, em 1974

A Estrada do Café na vila do Quitexe. Há 44 anos, foi
requalificada até à Ponte do Dange, passando por
Aldeia Viçosa e Vista Alegre

Os dias dos meados de Novembro de 1974 iam correndo,  «saboreava-se» o cessar-fogo oficial, mas os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 não paravam e, para além dos serviços de rotina (à ordem), por exemplo apoiavam a Junta Autónoma de Estradas de Angola (JAEA) nas obras de requalificação da rede estradal do Uíge.
Capitão miliciano Davide
de Oliveira Castro Dias
«A JAEA manteve os trabalhos na estrada entre Aldeia Viçosa e Ponte do Dange, os quais concluiu, e continuou o arranjo da do Quitexe para Camabatela», relata o livro «História da Unidade», de que nos socorremos.
O troço entre Aldeia Viçosa e Ponte do Dange, no limite com a província dos Dembois, era asfaltado e correspondia a parte da chamada Estrada do Café, que liga Luanda a Carmona - a actual cidade do Uíge, capital da província do mesmo nome. A escolta a esta área era assegurada por Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa, onde se aquartelava a 2ª. CCAV. 8423, comandada pelo capitão milicia-
no José Manuel Cruz, e, até 19 de Novembro, também, por homens da CCAÇ. 4145, a Companhia de Vista Alegre, comandada pelo capitão Raul Corte Real - lá substituída, a 21 do mesmo mês de há 44 anos, pela 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala e do capitão miliciano Davide Castro Dias.
A via para Camabatela era em terra batida e boa parte em condições a que por lá vulgarmente se chamavam picadas.
O Diário de Lisboa de 12 de No-
vembro de 1975 com notícias da
Angola independente

A independência, dia 2,
combates em 3 frentes !

Um ano depois e com Angola no seu segundo dia de independência, «o povo, depois de ter  vivido grandes momentos de entusiasmo e  exaltação patriótica», reto-
mou o trabalho «sob o lema produzir é resistir».
Continuavam os combates, com as Forças Armadas Po-
pulares de Libertação de Angola (FAPLA), o braço ar-
mado do MPLA, a enfrentar a FLEC (em Cabinda) e a UNITA e as suas Forças Armadas de Libertação de An-
gola (FALA) em Balabaia, perto de Novo Redondo. Combatia-se em Balabaia mas as FAPLA «tinham reforçado toda a frente», para, reportava o Diário de Lisboa de 12 de Novembro de 1975, que citamos, «se oporem ao avanço das forças mercenárias».
Os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 já estavam em Portugal, desde 8 de Setembro. e naturalmente curiosos sobre o que se passava na zona do Uíge,  que foi o chão da sua jornada africana de Angola. 
A FNLA e o seu Exército de Libertação Nacional de Angola (ELNA) faziam frente às FAPLA, procurando evitar a sua progressão para norte. Mas, repor-
tava o Diário de Lisboa  de há 43 anos (uma segunda-feira de 1975), as tropas do MPLA já tinham «tomado Piri, Úcua e Quibaxe».
No plano político, o mesmo MPLA admitia como possível anunciar, no dia seguinte e a partir da capital Luanda, a constituição do Governo de Angola.
José S. Gomes,
em foto de 2018

Gomes, furriel de A. Viçosa,
66 anos na Vila do Prado !

O furriel miliciano José da Silva Gomes, da 2ª. CCAV. 8423, festeja 66 anos a 13 de Novembro de 2018.
Cavaleiro do Norte de Aldeia Viçosa, este atirador de Cavalaria de especialização regressou a Portugal  no dia 10 de Setembro de 1975, no final da sua e nossa jornada africana por terras do Uíge angolano. Regressou ao lugar de Assento, da freguesia de Panóias, no concelho de Braga. A vida levou-o para o Faial, lugar da freguesia de Vila Nova do Prado, do  município de Vila Verde - onde agora tem família e residência.
Assinalamos a sua data natalícia e já bem sexYgenária - já lá vão 66 anos!... -, para lá e para enviando um abraço de parabéns!