CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

4 789 - Cavaleiros a contar os dias, MPLA a denunciar mercenários no Caxito!

Apoio dos Cavaleiros do Norte ao povo de Carmona, nos primeiros dias de Junho de 1975. em frente à
messe de sargentos (ex de oficiais) do Bairro Montanha Pinto. De frente, de boina e bigode, reconhece-se
o furriel miliciano António J. Cruz. Ao lado, mais à esquerda e de barba, o soldado sapador António Cal-
çada. De camisola branca, parece ser o furriel miliciano José Fernando Carvalho, a 3ª. CCAV. 8423. Será?
A Base Aérea do Negage em 1973

Os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, há 44 anos, continuavam aquartelados no espaço que fora do Batalhão de Intendência de Angola (BIA) e, cada vez mais expectantes sobre o dia do regresso a Portugal, que se ia prevendo para Setembro seguinte - o mês 15 da nossa jornada africana do Uíge.
A guarnição, colocada como «unidade 
Notícia do Diário de Lisboa de 22/08/1975
de reserva da RMA», continuava as suas ta-
refas  normais, tanto quando possível. Mas, naturalmente, expectante, cada vez mais, sobre o dia do regresso. A riscar dias do calendário desse Agosto de 1975!
O MPLA de Agostinho Neto, a 22 e em comu-
nicado, anunciou que «nos recentes combates na zona do Caxito», com a FNLA de Holden Ro-
berto, «teriam sido abatidos elementos tidos como mercenários brancos, provavelmente americanos».
O mesmo comunicado do MPLA denunciou «a existência de uma ponte aérea entre Kinshasa (Zaire) e Negage, no norte de Angola, para transportar armas americanas para a FNLA».
O Negage ficada a uns 40 kms. de Carmona e era onde se situava a base aérea portuguesa, deixada a 4 de Agosto de 1975 - aquando da histórica coluna de Carmona para Luanda. A unidade do exército lá aquartelada tinha operacio-
nalmente dependido do BCAV. 8423 - era a CCAÇ. 4741.
«Os aviões que pousam em Negage transportam material de armamento, entre os quais canhões, provenientes de bases americanas na Alemanha», acusava o MPLA, no comunicado reportado pelo Diário de Lisboa de 22 de Agosto de 1975. Há 44 anos!
Joaquim Breda
1º. cabo condu-
tor, em 1974/75
O Joaquim Breda à frente da
sua casa, em Agosto de 2013 e
com o furriel Viegas

Breda, 1º. cabo condutor,
67 anos na Barosa de Leiria!

O 1º. cabo Joaquim Rama Breda, da CCS dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, festeja 67 anos a 22 de Agosto de 2019.
Condutor auto-rodas de especialidade, foi louvado pela «inexcedível dedicação pelo ser-viço, aliada ao maior zelo e esforço no cumprimento do seu dever». O louvor do comandante do BCAV. 8423 foi publicado na OS 169 e frisa que «muito co-
laborou para a operacionalidade das viaturas que teve distribuídas, creditando-se como  militar de elevado sentido de responsabilidade».
O Breda regressou a Portugal no dia 8 de Setembro de 1975 e fixou-se na Ba-
rosa, freguesia de Leiria - onde ainda reside, já reformado de uma vida profis-
sional em que sempre foi... condutor. Poderia o inimitável Breda ser lá outra coisa!... Para lá e para ele, vai o nosso abraço de parabéns!
O casal Isaurinda/António Carlos
Letras em dia de juras no altar!
O casal Letras em tempo
de muitas juras e ainda
mais promessas

Furriel Carlos Letras há 43
anos no Clube dos Casados B!

O furriel miliciano Carlos Letras, foi especialista de Operações Especiais, os Rangers!, da 2ª. CCAV. 8423, mas a sua mais de-
licada «operação» foi a de jurar, em altar e perante Deus e os homens, que seria fiel até ao fim da vida e amaria e respeitaria, nos bons e maus momentos, a sua doce namorada de então e dedicada e apaixonada mulher de hoje. E de sempre.
O António Carlos e a Isaurinda, muito in love e em roupa de «Ver-a-Deus», mui-
to nervosos e chiques, e emocionados, se calhar até ansiosos..., casaram-se, vejam lá, a 22 de Agosto de 1976. Há 43 anos!!! 
Ela, de alvo vestido e flores de noiva apaixonada. Ele, enfraqueado e todo vistoso, de laçarote a enfeitar-lhe o colarinho e flor na lapela, não o enfeiando o bigode que trouxera d´Angola. O tempo andou, andou..., não parou... e eles também não mudaram d´amores, que lhes deram dois filhos, um casalinho de Letras que hoje abençoam!
Parabéns, pá!!! Vou passar por aí, para uma caldeirada... daquelas!!! 

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

4 788 - Acordo de cessar-fogo com o MPLA; a morte do furriel Évora Soares!


Cavaleiros do Norte da 1ª. CCAV. 8423 numa jornada turística às Quedas do Duque de Bragança. De
 pé, Maciel Brasil, furriel João Dias. alferes Lains dos Santos, furriel Évora Soares, Carlos Coelho e Lopes,
o Agra (Famalicão). Em baixo, Carlos Costa e Fernando Silva
O Clube do Quitexe, onde se reunia a Comissão
Local de Contra-Subversão (em 1974)

A Comissão Local de Contra-Subversão (CLCS) do Quitexe reuniu a 21 de Agos-
to de 1974, repetindo os encontros dos anteriores dias 1, 9 e 14 do mesmo mês de há 45 anos.
A CLCS era liderada pelo comandante Carlos de Almeida e Brito, tenente-coro-
nel de Cavalaria, e envolvia autoridades locais, para além de, supomos, os co-
Notícia do Diário de Lisboa
de 21 de Agosto de 1974
mandantes as subunidades da Zona de Acção (ZA) do BCAV. 8423 e as reuniões, de acordo com o livro «História da Unidade», decorreram no Clube do Quitexe.
O da foi também tempo de se saber do cessar-fogo do MPLA, do presidente Agostinho Neto e relativamente às Forças Portuguesas e «de acordo com as negociações entabuladas nas últimas semanas». O que em nada «be-
neficiou» a situação do Norte de Angola, por onde jornadeavam os Cavaleiros do Norte do  BCAV. 8423 e que era zona de influência da FNLA de Holden Ro-
berto - e cujos efectivos eram calculados em 6000 homens, no interior de An-
gola. Mais 9500 no Zaire, 4500 dos quais «estacionados perto da fronteira» e já não contando com «os 5000 que estariam a ser treinados por 112 instrutores  da China Popular».
O Diário de Lisboa desse dia notava que «há todavia indicações que oficiais portugueses estabeleceram também contactos oficiosos com a FNLA, no sentido de limitar as operações». O livro «HdU», de resto, sublinha que «de acordo com as directivas superiores, que impõem a não realização de acções ofensivas, foi completamente modificada a actividade operacional» do BCAV. 8423, «deixando de se «bater» as áreas dos «quartéis» do IN».
Quanto à UNITA de Jonas Savimbi, com quase nenhuma actividade na Uíge, já tinha assinado o acordo de cessar fogo no dia 14 de Junho desse ano de 1974.
Évora Soares,
furriel de Zalala

Furriel Évora Soares
faleceu há 11 anos !

O furriel miliciano Évora Soares, atirador de infantaria da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, faleceu a 21 de Agosto de 2008.
José Carlos Évora Soares chegou aos Cavaleiros do Norte co-
mandados pelo capitão miliciano Davide Castro Dias em Outubro de 1974, substituindo o furriel miliciano Fernando Mota Viana, ati-
rador de Cavalaria que rodara para Samba Pombo, devido a problemas disci-
plinares. Regressou a Portugal em data desconhecida. A última informação que dele temos é do furriel miliciano João Custódio Dias, especialista de Transmissões, que nos deu conta do seu falecimento a 21 de Agosto de há 11 anos - quando morava em Loures, nos arredores de Lisboa.
Hoje, e sempre, o recordamos com saudade. RIP!!!


Matos, 1º. cabo de Zalala. 
67 anos em Lisboa !

O 1º. cabo Luís Artur Vasques Matos, da 1ª. CCAV. 8423, a da Fazenda de Zalala, festeja 67 anos a 21 de Agosto de 2019.
Escriturário dos Cavaleiros do Norte, trabalhou na secretaria com o 1º. sargento Joaquim António Fialho Panasco (que fale-
ceu a 28 de Junho de 2005, há 14 anos e de doença oncológica, em Carnaxi-
de, arredores de Lisboa, onde residia) e regressou a Portugal no dia 9 de Se-
tembro de 1975. Pouco mais sabemos dele. Apenas que, segundo o furriel João Dias, morará em Lisboa, onde residia na Rua José Falcão, freguesia de Arroios. Parabéns!  

terça-feira, 20 de agosto de 2019

4 787 - A morte, por doença e há 44 anos, do Barreiros de Santa Isabel!

O atirador Manuel José Montez Barreiros faleceu
em Luanda, de doença e há 44 anos, em vésperas
de regressar a Portugal 
3ª. CCAV. 8423

O dia 20 de Agosto de 1975 assinala, tragicamente, a morte de um dos bravos Cavaleiros do Norte que, por Angola jornadearam pelo Uíge: o soldado Barreiros, da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel.
Manuel José Montez Barreiros era atirador de Cavalaria e foi vítima de doença, de febre tifóide, quando o BCAV. 8423 já se aquartelava no Batalhão de Intendência de Angola (BIA), no Campo Militar do Grafanil, em vésperas de regressar a Portugal.
Manuel Barreiros em duas
imagens de Angola
O (ex-furriel miliciano) Agostinho Belo, que foi vagomestre da 3ª. CCAV. 8423, lembra-se de, já em Luanda, ter sido chamado ao Hospital Militar para identificar um corpo - que seria o de Manuel Barreiros. 
O Alfredo Coelho (Buraquinho), em tempos, deu-nos nota que o Manuel Barreiros teria falecido em Carmona, podendo, quae seguramente, estar a confundir com o Jorge Custódio Grácio (o Spínola), também da 3ª. CCAV. 8423 e que, na verdade, e vítima de acidente, faleceu a 2 de Julho de 1975, na capital do Uíge.
Um posterior comentário do 1º. cabo  enfermeiro Floro Teixeira, igualmente da 3ª. CCAV. 8423 e em Agosto de 2016, acrescenta outra explicação para a trágica notícia daquela quarta-feira de há 44 anos: «O Barreiros adoeceu já no Grafanil e faleceu no Hospital de Luanda, para onde foi transferido e vitima de febre tifóide». 
«Na enfermaria do Grafanil não havia condições para o tratar», escreveu o Floro Teixeira no nosso post de Agosto de 2016. - AQUI
O casal Soledade e Luís, nora
 e filho de Manuel Barreiros

A saudade do filho
que não o conheceu!

O corpo de Manuel José Montez Barreiros foi trasladado para Portugal, no mesmo avião do regresso da 3ª. CCAV. 8423, a 11 de Setembro de 1975, e está sepultado no cemitério de Aldeia de Além, em Alcanede, a sua terra natal.
O filho Luís não o chegou a conhecer mas hoje, na sua página pessoal de face-
book, faz uma emotiva memória dos 44 anos da morte do pai. Escreveu ele:
«44 anos! Não sei explicar o sentimento, porque verdadeiramente nunca te conheci. Mas sei as vezes que já chorei, as muitas vezes que chorei a tua não presença!... Eu não mereço a tua não presença!».
Hoje o recordamos com saudade! RIP!!!
Domingos Faria

Faria de Aldeia Viçosa
festeja 67 anos !

O soldado rádio-telegrafista Domingos Maciel de Faria, da 2ª. CCAV. 8423, festeja 67 anos a 21 de Agosto de 2019.
Cavaleiro do Norte de Aldeia Viçosa, e depois de Carmona, re-
gressou a Portugal no dia 10 de Setembro de 1975, no final da sua jornada angolana, e fixou-se em Durães, freguesia do município de Barcelos.
Emigrou para a Venezuela, onde supomos que anda est(ar)á, para ele «voando» o nosso abraço de parabéns!

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

4 786 - Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa vão reunir na Povoa de Varzim!

Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8423, a da uíjana Aldeia Viçosa, no natal de 1974: furriel José Fer-
nando Melo, alferes Jorge Capela e João Machado, comandante Carlos Almeida e Brito (comandante
 do BCAV. 8423) e capitão José Manuel Cruz (comandante da 2ª. CCAV.)
Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8423: alferes milicianos
João Machado e Domingos Carvalho de Sousa, 1º. sar-
 gento Fernando Norte e furriel Jesuíno Pinto

Os Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, vão reunir-se a 28 de Setembro no seu encontro anual, o décimo nono (19º. !!!...), o de 2019 e na Póvoa de Varzim. 
A Companhia era comandada pelo capi-
tão miliciano José Manuel Romeira Pinto da Cruz e chegou a Angola no dia 4 de Junho de 1974, aquartelando-se e adap-
tando-se a Angola no Campo Militar do Grafanil, nos arredores de Luanda, de onde viajou para Aldeia Viçosa no seguinte dia 10 - uma segunda-feira e feria-
do nacional. E lá chegou, pela Estrada do Café fora, viajando com a ansiedade e expectativa de quem sabia a difícil missão que tinha pela frente.
O quadro de oficiais incluía os alferes  milicianos João Machado, especialista de Operações Especiais (os Rangers e 2º. comandante da Unidade), e, atirado-
res de Cavalaria, João Carlos Pereira Periquito (o que é feito dele?), Domingos Carvalho de Sousa e Jorge Manuel Capela de Jesus Capela.
João Carlos Periquito não completou a comissão e, em Fevereiro de 1975, a substituí-lo, chegou a Aldeia Viçosa o alferes Manuel Meneses Alves, atirador de Infantaria que rodava de Cabinda.
O furriel Rafael Ramalho e o 1º. cabo José Maria
Beato, organizadores de sempre, aqui com o
furriel António Artur Guedes (à direita)

Corpo de sargentos
de Aldeia Viçosa

O 1º. sargento e responsável pela secretaria da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, era o já fa-lecido Fernando Mendes Pereira Norte.
O quadro de sargentos incluía os milicianos furriéis António Carlos Dias Letras, de Opera-
ções Especiais (Rangers), Abel Maria Ribeiro Mourato (vagomestre), António Augusto Faria Novais Rebelo (transmissões), António Milheiros Courinha Chi-
tas (armamento pesado), Amorim António Barrelas Martins (mecânico-auto) e, todos atiradores de cavalaria, António Oliveira Cruz, José Maria Freitas Ferrei-
ra, Mário Augusto da Silva Matos, João António Piteira Brejo, José Fernando Noro Dias de Melo, Rafael António Pimenta Ramalho, José Manuel Cerqueira da Costa, José da Silva Gomes e António Artur César Monteiro Guedes. 
O corpo de furriéis milicianos foi enriquecido com Jesuíno Fernandes Pinto (em Agosto de 1974) e Mário J. R. Soares (em Novembro de 1974). Em Abril de 1975, e já em Carmona e no BC12, apresentou-se o 2º. sargento enfermeiro Manuel Alcides da Costa Eira.
O condutor João Oliveira, organizador do en-
contro de 2019, com o Mário Almeida, 1º. cabo
João Teodósio (mecânico) e Joaquim Grave

Romaria de Cavaleiros
para a Póvoa de Varzim!

A organização local da Póvoa de Varzim compete ao condutor auto-rodas João da Silva Oliveira, que por lá mora, em Beiriz, aonde voltou a 10 de Setembro de 1975, no final da jornada africana do Uíge angolano.
A concentração de 28 de Setembro será junto à Praça de Touros da cidade, às 10 horas, e a almoçarada de convívio, por volta das 13, decorrerá no Restau-
rante Casa das Maçães, na Rua Guedes de Amorim de A-Ver-O-Mar.
Os interessados deverão inscrever-se até ao próximo dia 10 de Setembro de 2019, directamente junto do (ex-furriel miliciano) António Ramalho (pelos te-
lefones 266707300 e 966095508) e de José Maria Beato, 1º. cabo rádio-telegra-
fista (telefones 224221948 e 963573376).

domingo, 18 de agosto de 2019

4 785 - Os lutos dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423!

Abílio Cruz, pai do furriel miliciano António Cruz, rádio-montador dos Cavaleiros do Norte da CCS do
BCAV. 8423, na foto da direita, festejou 100 anos a 10 de Outubro de 2018. Faleceu a 16 de Agosto de
2019 e foi ontem a enterrar no cemitério paroquial de Cardigos
Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, todos milicianos e
na jardim da piscina de Carmona: furriel Nelson Rocha,
 alferes Pedrosa de Oliveira e furriéis Manuel Machado, José
Lino e António José Cruz

O furriel miliciano António José Cruz, Cavaleiro do Norte da CCS do BCAV. 8423 e que hoje assinala 68 anos de vida, está de luto pelo falecimento do Senhor Seu Pai, Abílio Cruz, já com mais de 100 anos. Hoje, dia 18 de Agosto, seria também o do 67º. aniversário de António Clara Pereira, mecânico da CCS. Faleceu a 21 de Fevereiro de 2018.
Abílio Cruz, o Ti Abílio Moita, o Ti Abilío da Maria Luísa (do Tozé Lourinho), era pai do furriel miliciano António José Dias Cruz, que foi rádio-montador dos Cava-
leiros do Norte. Completaria 101 anos a 10 de Outubro de 2019. Já viúvo, vivia no lar da Santa Casa da Misericórdia de Cardigos, a sua terra natal e onde fez uma vida de farto trabalho e muitos sacrifícios - ora nas fábricas de cera da localidade (e também por lá mercando a dita das abelhas), onde foi competente profissional, ora como reputado e popular barbeiro de muitos cabelos e barbas cardiguenses e de maçonenses dos arredores, em salão decorado a preceito e de muitos calendários de raparigas vistosas a fazerem de papel de parede.
Faleceu a 16 de Agosto de 2019 e as cerimónias fúnebres realizaram-se na ma-
nhã de ontem, 17 de Agosto de 2019, às 9,30 horas e em Cardigos. Um abraço solidário para o furriel Cruz, esposa, filha, irmão e restantes familiares. RIP!
António Clara Pereira, Francisco António
e António Simões no RC4 e em 2017

Pereira, mecânico
e homem dos petróleos!

António Clara Pereira foi mecânico da CCS e, a 8 de Setembro de 1975, regressou à sua natal terra da Carregueira, também em Mação. 
A profissão levou-os a correr os mundos dos po-
ços de petróleo dos mares arábicos e, por isso mesmo, apenas em 2017 apareceu no encontro dos Cavaleiros do Norte. O do RC4. Nele, entusiasma-
díssimo, «matou» as saudades e fez memória de muitos dos bons momentos da nossa jornada africana do Uíge norte-angolano, partilhando-os com os seus companheiros de 1974/1975.
A morte surpreendeu-o a 21 de Fevereiro de 2018, menos de um ano depois, e vítima de um tumor no fígado. Hoje o recordamos com saudade! RIP!!!

Delgado de Zalala, 67
anos na Nazaré !

O atirador Delgado, Cavaleiro do Norte da 1ª. CCAV. 8423,  a  da Fazenda de Zalala, festeja 67 anos a 18 de Agosto de 2019.
Carlos Manuel Delgado Correia, é este o seu  nome completo, regressou a Portugal no dia 9 de Setembro de 1975, depois de também passar pelas uíjanas vila do Quitexe e cidades do Songo e de Carmo-
na. Fixou-se na Vivenda Vinagre, em S. Salvador, na ribatejana cidade e muni-
cípio de Santarém, onde já antes residia.
Os caminhos da vida apontaram-se-lhe para a terra e praia da Nazaré, mais a norte, onde vive, segundo o furriel miliciano João Dias, e para onde vai, amigo, o nosso abraço de parabéns!

sábado, 17 de agosto de 2019

4 784 - FNLA às portas de Luanda e combates por toda a Angola

Cavaleiros do Norte da CCS do BCAV. 8423, todos rádio-montadores e na parada do Quitexe: 1º. cabo
 Rodolfo Tomaz, furriel António José Cruz (que amanhã festeja 68 anos na Póvoa de Santo Adrião, em
Odivelas), 1º. cabo António Pais e soldado António Silva
Cavaleiros do Norte da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala:
o atirador José Borges e  o condutor Tarciso Rebelo,
em momento de descontracção
Os combates entre os movimentos de libertação de Angola, há 44 anos, generalizaram-se por todos o futuro novo país, nomeadamente no Caxito e na Barra do Dande, de onde a FNLA se preparava para entrar em Luanda.
O Exército de Libertação Nacional de Angola (ELNA), o braço armado da FNLA e ao tempo envolvendo qualquer coisa como 10 000 homens nos diversos teatros de guerra, nessa data já tinha retomado a sua posição anterior na Barra do Dande e o Lucala, que o Diário de Lisboa dessa data reportava como «povoação estratégica no eixo Luanda-Henrique de Carvalho, entre Salazar e Malanje».
«Aí, travaram-se violentos combates, que ainda não terminaram, por a FNLA mostrar intenções de avançar sobre Salazar, que há mais de um mês ficou na posse do seu rival», noticiava o Diário de Lisboa, neste caso referindo-se ao MPLA e às suas Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA).
Ao tempo e dia também se registavam incidentes no Lobito, Luso, Silva Porto, Quando-Cubango, Cela, Ambrizete e Nova Lisboa, talvez também noutras localidades da imensa Angola. Não se falava, vá lá saber-se porquê, era do Uíge, a terra dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423.
Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423, a
de Santa Isabel: Eusébio, furriel Carvalho,
Simões e Caroço
 

Remodelações temporárias
do dispositivo !

Um ano antes e sem necessidade de realizar acções ofensivas, «de acordo com directivas superiores», os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 mudaram completamente a sua actividade operacional, «deixando de bater as áreas dos quartéis IN e passando-se a apertar a malha de patrulhamentos ao longo da toda a zona de acção».
Foram feitas, refere o livro «História da Unidade», «inúmeras visitas a povos e fazendas, em apoio às vidas de todos estes» e, por outro lado, «fizeram-se remodelações temporárias de dispositivo, com vista a garantir a eficiência das actuais missões primárias das NT, ou seja segurança dos centros urbanos e e liberdade dos itinerários».  
Há precisamente 45 anos!
Os furriéis milicianos António
Cruz e Viegas, da CCS e no
Quitexe, em 1974

Cruz, furriel da CCS, 68 anos

em Póvoa de Santo Adrião !

O furriel miliciano Cruz, rádio-montador de CCS do BCAV. 8423, festeja 68 anos a 18 de Agosto de 2019. 
António José Dias Cruz, de seu nome completo, e natural de Cardigos, do concelho de Mação, mas ao tempo já residia em Lisboa, nas Escadinhas do Mar, aonde voltou no dia 8 de Setembro de 1975, no final da sua jornada africana do Uíge angolano.
Quadro superior da Câmara Municipal de Lisboa e já aposentado, mora na Póvoa de Santo Adrião, município de Odivelas, para onde vai o nosso abraço de parabéns!

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

4 783 - FNLA preparou ataque da Luanda, Cavaleiros do Norte em acção!

A Fazenda Santa Isabel, no Uíge angolano e onde se aquartelou a 3º. CCAV. 8423, os Cavaleiros do
Norte do BCAV. 8423. Era comandada pelo capitão miliciano José Paulo Fernandes e lá esteve entre 11
 de Junho e 10 de Dezembro de 1974, data em que rodou para o Quitexe 
Os presidentes Holden
Roberto, Agostinho
Neto e Jonas Savimbi
Notícia do Diário de Lisboa de 16 de Agosto
de 1975 sobre o ataque da FNLA a Luanda

As notícias de 16 de Agosto de 1975, há 44 amos, não podiam ser mais alarmantes: a FNLA preparava o ataque a Luanda, numa operação que envolveria meios aéreos.
A informação associava o (nosso) Uíge, finalmente. Seria de lá que partiria o ataque à capita angolana, onde estavam aquartelados ao Cavaleiros Norte. No Batalhão de Intendência de Angola, o BIA, no Campo Militar do Grafanil. 
«Diversas fontes assinalam, desde há já vários dias, a presença de aeronaves estrangeiras, fazendo escala no Negage, cidade do Uíge onde existia a base aérea portuguesa», noticiava o Diário de Lisboa, citando alguns «Skymasters» que «estariam a proceder ao transporte de material de guerra para a FNLA».
O jornal dava como certa, também, «a presença de caça-bombardeiros «Mirage» naquele aeroporto», o que, do ponto de vista de «observadores mais alarmistas», citados pelo Diário de Lisboa, «fazia prever um eminente ataque da Luanda». Ou, pelo menos, «apoio aéreo a uma tentativa de fazer avançar as forças da FNLA a partir do Caxito», que ali se encontrava «numa situação de impasse há mais de um  mês».
O Palácio do Governador


Cavaleiros do Norte
no Bairro do Saneamento

Os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 continuavam aquartelados no BIA do Campo Militar do Grafanil e constituídos como «unidade de reserva da Região Militar de Angola». Para o que desse e viesse.
A memória faz lembrar uma intervenção no Bairro do Saneamento, onde ferozmente combatiam as forças do MPLA e da FNLA - em data que não conseguimos precisar, mas pouco depois de o BCAV. ter chegado a Luanda. Os Cavaleiros do Norte reuniram-se apressadamente, formando um grupo de combate que viria a ser comandado pelo alferes miliciano António Garcia. E «acudiram» ao confronto, dele retirando os feridos e evacuando-os para os hospitais da cidade.
Os violentos tiroteios de armas ligeiras e pesadas «levara à expulsão da FNLA do luxuoso bairro do Saneamento», que fica(va) nas costas do Palácio do Governa-
dor e voltado para as praias luandinas, onde o MPLA tinha uma delegação.
Fernando Martins Simões
1º. cabo de Santa Isabel
Fernando M. Simões

Simões de Santa Isabel
faleceu há 21 anos !

O 1º. cabo Fernando Martinho Simões, da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel, faleceu há 21 anos.
Apontador de metralhadoras, regressou a Portugal a 11 de Setembro de 1975, louvado pela
«entrega ao trabalho que lhe era solicitado, numa perfeita honestidade nas missões que lhe foram con-
fiadas», como se pode ler na OS 165. O louvor sublinha que «foi militar fundamental em todas as acepções da palavra», para além de ser «voluntário para qualquer tipo de tarefa, dando assim provas repetidas da aberta confiança que nele se deposita».
«Altamente disciplinado e camarada como poucos, auxiliando sempre quem  precisava do seu amparo (...), o seu exemplo e carácter são dignos do mereci-
cido louvor», proposto pelo capitão Paulo Fernandes, comandante da 3ª. CCAV. 
Natural de Lourinhal, em Penacova, lá nasceu a 2 de Setembro de 1952 e lá casou com Maria Esmeralda Gomes da Cruz, do casal nascendo a filha Zaida. Graves problemas de saúde (sofria de esquizofrenia) levaram a que, a 17 de Agosto de 1998, pusesse termo à vida, por enforcamento.
Hoje o recordamos com saudade. RIP!!!

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

4 782 - Dia 15 de Agosto: os anos do(s) Pinto(s), do Eusébio, do Couto e do Nogueira da Costa

l
Cavaleiros do Norte da 1ª. CCAV. 8423, todos furriéis milicianos e em Junho de 2012, em Belmonte. De pé,
Américo Rodrigues (falecido a 30/08/2018, em VN de Famalicão, de doença), Mota Viana, Eusébio Martins
(falecido a 16/04/2004, de doença e em Belmonte) e Manuel Pinto (que hoje festeja 67 anos, em Paredes).
Sentados: Jorge Barreto, Plácido Queirós e João Dias
Cavaleiros do Norte do PELREC, no Quitexe: soldado
Francisco Madaleno e 1º. cabo João Pinto (que hoje
 festeja 67 anos, em Corroios (Seixal)

O dia 15 de Agosto foi dia de natal, em 1952, de vários Cavaleiros do Norte. Pe-
lo menos, os dos furriéis milicianos Ma-
nuel Pinto e Eusébio Martins (entretanto falecido), 1º. cabo João Pinto e Adelino Couto. Também do condutor Nogueira da Costa, do Liberato, mas nascido em 1951.
1 - PINTO. Manuel Moreira Pinto foi fur-
riel da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, e es-
pecialista de Operações Especiais, os Rangers, do mesmo curso, no CIOE/La-
mego, de outros Cavaleiros do Norte, todos milicianos: os alferes António Garcia (CCS), Mário Sousa (1ª. CCAV.), João Machado (2ª. CCAV.) e Augusto Rodrigues (3ª. CCAV.). E dos furriéis Mon-
teiro, Viegas e Neto (da CCS) e Carlos Letras (2ª. CCAV.).Integrou o Grupo de Combate comandado pelo alferes Pedro Rosa, com os furriéis João Aldeagas e Victor Velez,  e regressou a Portugal no dia 9 de Setembro de 1975, a Penafiel, onde residia, e é agora empresário do ramo automóvel em Paredes.
2 - EUSÉBIO. Eusébio Manuel Martins foi atirador de Cavalaria da 1ª. CCAV. 8423, especializado na Escola Prática de Cavalaria, em Santarém, integrou o Grupo de Combate do pelo alferes João Carlos Sampaio e com os furriéis Mota Viana (substituído por João Rito) e Plácido Queirós. Regressou a Portugal no dia 9 de Setembro, à sua natal terra de Caria, freguesia do concelho de Bel-
monte. Fez carreira profissional como funcionário público e, já aposentado, foi vítima de grave doença, que começou por obrigar a amputação de uma perna e se desenvolveu até que faleceu a 16 de Abril de 2004. RIP!!!
3 - MPINTO. João Augusto Rei Pinto, 1º. cabo atirador de Cavalaria do PELREC da CCS, comandado pelo alferes miliciano António Garcia, no Quitexe. Em
Adelino Couto
Setembro de 1974 e por motivos disciplinares e despromovido a soldado, foi transferido para a 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala.  Re-
gressou a Portugal no dia 9 de Setembro de 1975 e fixou-se no Alto do Moinho, freguesia de Amora, no concelho do Seixal. Mora agora no Alto do Moinho, em Corroios.
4 - COUTO. Adelino Augusto Ferreira do Couto, soldado apon-
tador de morteiros médios da 2ª. CCAV. 8423, a dos Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa, comandada pelo capitão miliciano José Manuel Cruz. Regressou a Portugal, no final da sua comissão militar em Angola (que também passou pela cidade de Carmona) no dia 10 de Setembro e à sua residência de Lousada, freguesia do concelho de Vila Nova de Famali-
cão. Ainda lá mora, agora no Alto dos Seixos.
O condutor Nogueira da Costa,
e o atirador Dionísio Baptista,
do PELREC, em Almada (2018)

Nogueira da Costa, do Liberato,
68 anos em Almada e Tomar

5 - NOGUEIRA. José Luís Nogueira da Costa, soldado condutor da CCAÇ. 209/RI 21, a da Fazenda do Liberato. A festejar 68 aos, nascido em 1951.
Natural de Tomar, foi criança para Angola e residia no Lobito aquando do seu serviço militar, mobilizado pelo Regimento de Infantaria 21, de Nova Lisboa actual Huambo), e que cumpriu no Uíge, naquela subunidade do BCAV. 8423. 
Regressou a Portugal, já na condição de civil, pro altura da descolonização e fez vida profissional como condutor da Carris. Já aposentado, divide-se entre Tomar e a zona da Almada, onde tem residência.
Parabéns para todos

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

4 781 - Angola sem alimentação, sem combustíveis e sem notícias do Uíge...

Cavaleiros do Norte do Parque-Auto da CCS, no Quitexe:
1ºs. cabos Serra Mendes e Rafael Farinhas (mecânicos),
furriel miliciano Norberto Morais (mecânico) e 1º.s  ca-
bos Domingos Teixeira (estofador) e Orlando
Teixeira (pintor) 
BCAV. 8423

A cidade de Luanda acordou, 14 de Agosto de 1975, relativamente calma, embora «conti-
nuem a pairar grandes incertezas, devido à carência de alimen-
tos», o que, noticiava o Diário de Lisboa desse dia, «provoca intermináveis bichas à porta dos restaurantes».
A Estalagem Leão (net)
Os Cavaleiros do Norte saíam do Grafanil e muitas vezes se «socorreram» dos restaurantes da Shell (que tinha bombas e funcionava 24 horas por dia) e da Estalagem Leão - que nos nossos últimos dias de Angola tinha coelho como prato de todos os dias e de todas refeições. Ambos na Estrada de Catete, em direcção a Luanda.
Ao mesmo tempo, «colunas e automóveis forma(va)m-se à entrada das estações de abastecimento, aguardando os condutores a oportunidade de obterem os 10 litros de gasolina a que tem direito». Frente aos bancos, registavam-se também «grandes aglomerações de pessoas», tentando levantar dinheiro, o que, registava o Diário de Lisboa desse dia, era «operação cada vez mais difícil», devido aos condicionamentos criados pelo Ministro das Finanças, o angolano Sady Mingas, do MPLA, que assim queria «evitar a fuga constante de capital». 
O 1º. cabo José Almeida, José Rebelo
e, à frente, Joaquim Duarte cozinhei-
ros da CCS por terras do Uíge

Sem notícias das
terras do Uíge !

Os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 continuavam sem saber notícias de Carmona e das terras do Uíge por onde tinham jornadeado: Quitexe, Aldeia Viçosa, Ponte do Dange e Fazendas Zalala, Santa Isabel, Luísa Maria e Liberato.
O Uíge era a «terra da FNLA» e de lá não vinham quaisquer comunicações!
Notícias de combates, de dimensões diferentes, sa-
biam-se do Lobito, de Nova Lisboa e de Cabinda, pelo menos. Notícia do dia foi também a de o MPLA ter sido convidado a abandonar Luanda, cidade que «controlava», para «ali criar uma zona de paz, para melhor receber os refugiados em melhores condições». 
O movimento de Agostinho Neto opôs-se à saída, alegando que os movimen-
tos rivais, a FNLA e a UNITA, «continuam a dominar várias cidades do país, sem que tenha sido exigida a sua retirada». Era o caso da FNLA, no Uíge!
Adelaide Almeida,
 a Lai-Lai de Luí-
sa Maria

Lai-Lai de Luísa Maria
festeja anos em Condeixa!

Adelaide Fernandes Almeida, da Fazenda Luísa Maria, nos arre-
dores do Quitexe, está em festa de anos, a 14 de Agosto de 2019.
A Lai-Lai, como era conhecida, era ao tempo uma linda adoles-
cente, filha de Eduardo Silva, que foi gerente da fazenda e contem-
porâneo dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 - que lá chegaram a 11 de Junho de 1975. Nesse dia, lá se aquartelou o grupo de combate do alferes miliciano João Machado, bravo «Ranger» chegadinho de Aldeia Viçosa (sede da 2ª. CCAV. 8423) e do Campo Militar do Grafanil - onde os CdN «desembarcaram» a 4 de Junho do mesmo ano de há 45 anos.
Lai-Lai, a adolescente de Luísa Maria, é agora a senhora dona Adelaide Almei-
da, mora em Condeixa e para lá, e para ela, vai o nosso abraço de parabéns! São 62 anos, ou 63!!!..., mas a uma senhora não se pergunta a idade!

terça-feira, 13 de agosto de 2019

4 780 - MPLA a controlar Luanda, Cavaleiros do Norte expectantes!

O padre Albino Capela, da Ordem dos Capuchinhos e
 responsável pela Missão do Quitexe, onde jornadearam
os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423. Foi ordenado há
53 anos e aqui esteva num baptizado da Família Rei
Igreja de Santa Maria
de Deus do Quitexe


O dia 13 de Agosto de 1975, uma quar-
ta-feira, foi tempo de se saber, por terras de Angola, que «o MPLA mantém o controlo total da cidade» de Luanda e que estava «agora numa posição que lhe permite tomar o poder total no Governo Central e decla-
rar unilateralmente a independência».
A informação era da imprensa local e ci-
Alferes Fernando Ramos
tando fontes militares portuguesas estacionadas na capi-
tal angolana, adiantando também que «a retirada das tro-
pas a UNITA marcou o colapso do Governo de Angola», um Governo tripartido e que deveria «conduzir o país até à independência, marcada para o dia 11 de Novembro».
Angola estava em guerra e os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, aquartelados no Campo Militar do Grafanil e ali colocados como «unidade militar de reserva», conti-
nuavam expectantes, sabendo que a FNLA tinha as suas forças dispostas em volta da capital e objectivavam obrigar o MPLA a fazer concessões políticas.
Círculos militares portugueses, todavia e a esse tempo, adiantavam que «não é ainda previsível um ataque deste movimento».
Enquanto isso, cidades como Nova Lisboa, Sá da Bandeira, Lobito, Benguela e Cabinda continuavam a viver conflitos, alternados com períodos de calma. Eram terras onde tudo poderia acontecer, de um momento para o outro. As populações, o mais que se podia, refugiavam-se nos aquartelamentos portu-
gueses e muitos deles procuravam a saída para... Portugal. Aos milhares, dezenas de milhares! Do Uíge, de Carmona, do Quitexe..., é que não se falava!
O alferes Fernando Ramos foi
Cavaleiro do Norte e elemento
das Forças Militares Mistas

Alferes Ramos, 67 anos
em Vila Nova de Foz Coa !

O alferes miliciano Ramos, atirador de Infantaria da 2ª. CCAV.. 8423, festeja 69 anos da 14 de Agosto de 2019.
Fernando António Morgado Ramos apenas em Maio de 1975 se juntou aos Cavaleiros do Norte, já em Carmona, e aqui fez o espólio da guarnição. Na primeira oportuni-
dade, meteu férias e ficou-se por Luanda, onde tinha fa-
mília e onde viria a integrar as Forças Militares Mistas. Regressou a Portugal no dia 22 de Outubro de 1975 e concluiu a sua vida militar como oficial de justiça em Sete Rios (Lisboa) - função que, de resto, também já tinha assumido em Angola.
Concluiu depois a licenciatura em Direito e exerce a advogacia em Vila Nova de Foz Coa, de onde é natural, de Horta do Douro, onde reside e onde amanhã comemora a bonita idade dos 679 aos. Parabéns!
Albino Capela,
padre e professor

Ordenação do Padre Capela
foi há 53 anos e no Porto !

O padre Capela foi ordenado a 14 de Agosto de 1966. Há 53 anos! Era o responsável pela Missão Católica do Quitexe no tempo dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423. 
António Albino Videira Martins é natural de Carvalheira, concelho de Terras de Bouro. Aos 10 anos, foi para o Seminário dos Padres Capuchinhos, em Vila Nova de Poiares, onde fez o antigo 5º. ano. Ingressou no Noviciado em Barcelos e aos 17 anos foi cursar Filosofia em Salamanca, onde, em 3 anos, completou o curso e foi frequentar Teologia no Instituto Católico de Toulouse, em França. 
Terminou Teologia na cidade do Porto e ali foi ordenado sacerdote a 14 de Agos-
to de 1966. Leccionou dois anos no Seminário dos Padres Capuchinhos, a sua Ordem, em Barcelos, e chegou a Angola no dia 28 de Setembro de 1968. Ao Quitexe, já em 1969 e de Angola veio na altura da descolonização.
Abandonou o sacerdócio e frequentou o Curso de Humanidades da Universidade Católica, foi professor no Colégio Didalvi, constituiu família e, pai e avô, vive em Arcozelo, freguesia do concelho de Barcelos. Parabéns!