CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

quinta-feira, 23 de setembro de 2021

5 561 - A chegada ao Quitexe, 44 anos depois! Edifício do Comando destruído pela guerra!


A entrada da vila do Quitexe, do lado de Luanda e na Estrada do Café, vendo-se a placa
rodoviária, o furriel Viegas e o condutor Nogueira, do Liberato (de costas), a 24 de Setembro
de 2019. Quem não se lembra das palmeiras e dos cheiros da terra angolana do Uíge?

O edifício da secretaria e casa dos furriéis, na avenida
 do Quitexe, a 2 de Setembro de 2019, quando por lá
passou o furriel Viegas. A casa cor de laranja é a
da messe de oficiais, agora uma loja comercial


Luanda, a cosmopolita Luanda que conhecemos há 47 anos, tem a sua baía ainda mais bela, com a imensa restinga cheia de gente, jovens a bambolearem o corpo, passeando-os meios despidos nas areias e águas da praia e a viverem os prazeres de um domingo bem encalorado, olhando o mar.
Páginas 3 e 4 (de 6) da reportagem do
jornal «Sol» sobre a viagem ao Uíge

Homens de negócios, famílias inteiras, gente despida de qualquer preconceito, sem importar o estatuto social ou a cor de pele, ou a etnia, toda a gente nivelada em todos os sentidos.
Há 2 anos, hoje se fazem, foi dia de partida para o norte, ansiosos por rever s terras da nossa jornada africana do norte de Angola.
Ainda em Luanda e a 23, tinha procurado, sem achar..., a mítica Portugália, a Paris Versailles, o Amazonas, muitos menos os dois restaurantes Florestas e o Pólo Norte - locais de culto da tropa colonial. Estão ocupadas com outros serviços, ou foram demolidos (o Pólo Norte) numa cidade em bulício permanente e que se agigantou para os lados de Viana (onde prosperam muitos empresários portugueses), para o Kilamba e Talatona - cidades satélites, modernas, onde se respira confiança e segurança. E para a Corimba, a Praia do Bispo, por aí fora, até quase à Barra do Quanza ou ao Cacuaco.
Resiste o Mutamba, são coloniais os edifícios dos Correios e da Polícia, o Porto de Luanda continua aberto ao mundo, o Estádio dos Coqueiros (onde treinavam os zambianos do Green Eagles, para a «champions» africana, com o 1º. de Agosto, passando os angolanos) e fui espreitar a Fortaleza - histórico palco das bravas lutas com os invasores holandeses e mandada construir por Paulo Dias de Novais, a primeira estrutura militar defensiva construída em Angola, nos idos anos de 1575.
A Fortaleza de S. Miguel de Luanda, assim se chamou, foi transformada em Museu de Angola (em 1939), em 1961 voltou a assumir funções militares (nela se instalando o Comando das Forças Militares Portuguesas) e, após a Independência, em 1978, passou a albergar o Museu das Forças Armadas Angolanas.
Foi lá que achámos, com grande surpresa, as estátuas de D. Afonso Henriques, de Diogo Cão e de Paulo Dias de Novais. Assim os angolanos guardam a sua própria História. Dias depois, já no Huambo (a antiga Nova Lisboa) viria a encontrar a de Norton de Matos - num jardim ao lado da praça principal, a que chamam Jardim da Cultura e debaixo dos olhos do Palácio do Governador Provincial.

A enfermaria da CCS é agora, com a Casa Rei,
uma esquadra da Polícia Nacional de Angola

A caminho do chão do Uíge!
Um Quitexe muito igual !



A 24 de Setembro, há 2 anos..., partimos de Luanda para o Quitexe, galgando a mítica Estrada do Café, pelo Cacuaco, Caxito, Úcua, Piri, Ponte do Dange, Vista Alegre e Aldeia Viçosa. O Quitexe está igual, quase igual do «nosso» saudoso Quitexe de 1974/75.
Logo na entrada, o velho Posto 5 - onde se guardava a vila e detia quem menos bem se comportava, em jeito. Depois, a administração (muito bem conservada), as casas dos Morais (agora o Banco BIC) e do Carlos Gaspar, os restaurantes Topete, o Rocha e o Pacheco, a escola primária, a casa dos Correios, o Clube do Quitexe (onde em 1974 vimos «Eusébio», o filme do pantera negra), o hospital, tudo na Rua de Cima (a Estrada do Café).
O edifício do Comando do BCAV. 8423, na de Baixo (a avenida) está em ruínas, aparentemente com uma família lá dentro, num contentor. Há roupa a secar numa corda e crianças a espreitar. Outras, perguntam-nos o que por ali fazemos e brincam com carrinhos de madeira. O espaço das casernas, oficinas, refeitório, balneários e parada do BCAV. 8423 está ocupado com pavilhões, de onde saem e entram jovens estudantes, todos de bata branca e a olhar-nos com curiosidade. Ao lado, mesmo ao lado, está o adro da Igreja de Santa Maria de Deus e a missão onde pastoreou o padre Albino Capela, agora a viver em Barcelos.

O que resta do edifício do Comando do BCAV. 8423.
Ao fundo, a igreja de Santa Maria de Deus

Edifício do Comando
destruído pela guerra!

O «nosso» quartel inexiste, na sombra de um enorme embondeiro. Destruído pela guerra civil. Da porta d´armas, resta o sítio e uma avenida que foi de alcatrão está agora esburacada, aqui e ali ainda com o separador central com alguns verdes a alegrar o espaço.
Um comerciante de Malanje abriu loja na antiga messe de oficiais e diz: «Isto está muito parado». 
A messe e bar de sargentos, a secretaria e a casa dos furriéis são habitações ocupadas, de gente que nos espreita e saúda com sorriso largo: «Saúde, papá..., brigado»!!!..., dizem-nos algumas crianças. E recusam-se a vender os seus pequenos brinquedos de madeira.
A casa do comandante está destelhada, pintada de azul e abandonada.
Mesmo em frente, a moradia que foi de Rui Rei e é agora a Delegação da Polícia Nacional. Ao lado, a antiga enfermaria militar está ocupada por serviços públicos. Funcionam a escola, a administração e o hospital coloniais, edifícios coloniais bem conservados.
Deixámos o Quitexe com emoção, deixando cair uma traiçoeira lágrima de alegria e já saudade. Íamos a caminho de Carmona - cidade fundada por Montanha Pinto e batizada pelos portugueses com o nome de Presidente da República. Que os angolanos fizeram Uíge, capital da província deste nome, no norte de uma Angola que foi chão de muitas lutas e hoje é terra de esperança.

Alferes António
Albano Cruz
Alferes António Cruz76 
anos em Santo Tirso !

O alferes miliciano Cruz, da CCS do BCAV. 8423, festeja 76 anos a 24 de Setembro de 2021, na sua terra de Palmeira, em Santo Tirso.
Engenheiro de formação académica e mecânico-auto de especialidade militar, o alferes António Albano de Araújo Sousa Cruz foi um excelente companheiro da jornada africana do norte de Angola, por terras do Uíge, e oficial competente e sempre solidário com os Cavaleiros do Norte da CCS e todas as subunidades do BCAV. 8423.
 Notabilizou-se de tal modo que o pelotão que proficientemente por lá comandou foi louvado pelo Comando do Batalhão, atestando-o como «equipa de trabalho, com espírito de entreajuda e sacrifício, procurando tirar o maior rendimento do seu labor», conforme se lê, na Ordem de Serviço 181 do BCAV. 8423.
A esposa era a dra. Margarida Cruz, médica e que por lá foi professora e pais do Ricardo, o bebé «mascote» do batalhão. Agora, aposentado, pai e avô, mora em Santo Tirso, a sua terra natal, para onde vai o nosso abraço de parabéns!

quarta-feira, 22 de setembro de 2021

5 560 - A chegada a Luanda, 44 anos depois da jornada africana do uíjano norte de Angola !

Aeroporto internacional de Luanda, 22 de Setembro de 2019: Mário Ribeiro,
engenheiro Eugénio Silva, da Carmona de 1975, furriel Viegas, condutor
Nogueira do Liberato e um familiar de Eugénio

O furriel Viegas, civil a 28 de Setembro de 2019,
com o engº. Eugénio Silva, um dos refugiados dos
trágicos primeiros 6 dias de Junho de 1975, no
BC 12 e em Carmona, actual cidade de Uíge


A alvorada africana do dia 22 de Setembro de 2019, há 2 anos, aproximou-nos do aeroporto internacional de Luanda e logo espreitámos a Luanda que deixámos a 8 de Setembro de 1975, olhando a baía, a restinga, a enorme metrópole que foi nosso chão da jornada africana.
Parecia que nas vésperas por lá tínhamos passado e tinha, já..., passado 44 anos!

O caminho era para o Uíge, por onde, em 1974/75, fizermos a nossa jornada angolana de África e esperavam-me o Mário Ribeiro e o João Nogueira - que iriam ser companheiros de um tempo de 18 dias a galgar o chão angolano e a reencontrar sítios onde, com orgulho, com garbo, muitos militares portugueses arriscaram a vida para garantir o processo de descolonização.
«Furriel Viegas?!...», perguntou-me, ao lado, um angolano, o que vim a saber ser o engenheiro Eugénio Silva, que fez vida na prospecção de petróleos e que nos trágicos primeiros 6 dias de Junho de 1975 morava em Carmona, a actual cidade do Uíge, e foi um dos milhares de cidadãos uíjanos que a tropa portuguesa recolheu nas ruas da cidade e refugiou no quartel, salvando-os da matança que foram os dramáticos combates que regaram a cidade de sangue e de mortes.
«Acolheram várias famílias no quartel, incluindo a minha, famílias que não se sentiam em segurança, após os conflitos iniciados na madrugada de 1 de Junho de 1975. Todas foram servidas pelas tropas, com as três refeições diárias! No nosso caso, estivemos lá 14 dias, mas, antes de nós, muitas famílias por lá passaram e já estavam em Luanda! Todas foram muito bem tratadas!», contou e repetiu Eugénio Silva, angolano de Camabatela, ao tempo morador em Carmona.
Não poderia haver mais emotiva chegada. Que se repetiria dias depois, no sábado de 28 de Setembro, quando fomos anfitrionados por Eugénio Silva. 
A baía e baixa de Luanda, vista do da fortaleza,
agora museu militar de Angola. Há 2 anos!

A Luanda de ontem,
a Luanda de hoje!

Luanda, a cosmopolita Luanda que conheci há 45 anos, tem a sua baía ainda mais bela, com a imensa restinga cheia de gente, jovens a bombalearem o corpo, passeando-os meios despidos nas areias e águas da praia e a viverem os prazeres de um domingo bem encalorado, olhando a baía e o mar; e homens de negócios, famílias inteiras, gente despida de qualquer preconceito, sem importar o estatuto social ou a cor de pele, ou a etnia, toda a gente nivelada em todos os sentidos.
Procuro, mas já não acho a mítica Portugália, a Paris Versailles, o Amazonas, nem os Florestas e o Pólo Norte - locais de culto da tropa colonial. Estão ocupadas com outros serviços, ou foram demolidos (o Pólo Norte), numa cidade em bulício permanente e que se agigantou para os lados de Viana (onde prosperam muitos empresários portugueses), para o Kilamba e Talatona - cidades satélites, modernas, onde se respira confiança e segurança. E para a Corimba, a Praia do Bispo, por aí fora, até quase à Barra do Quanza ou ao Cacuaco.
Resiste o Mutamba, são coloniais os edifícios dos Correios e da Polícia, o Porto de Luanda continua aberto ao mundo, o Estádio dos Coqueiros (onde treinavam os zambianos do Green Eagles, para a «champions» africana, com o 1º. de Agosto, passando os angolanos) e fui espreitar a Fortaleza - histórico palco das bravas lutas com os invasores holandeses e mandada construir por Paulo Dias de Novais, a primeira estrutura militar defensiva construída em Angola, nos idos anos de 1575.
ova Lisboa) viria a encontrar a de Norton de Matos - num jardim ao lado da praça principal, a que chamam Jardim da Cultura e debaixo dos olhos do Palácio do Governador Provincial.

Mário Araújo

Araújo de A. Viçosa, 70
anos em Santo Tirso !

O 1º.  cabo Mário Novais de Carvalho Araújo, operador-cripto de especialidade e militar da 2ª. CCAV. 8423, festeja 70 anos a 23 de Setembro de 2021.
Cavaleiro do Norte do BCAV. 8423 e do comando do capitão miliciano José Manuel Cruz, em Aldeia Viçosa - e depois em Carmona, no BC 12 -, residia na avenida de S. Rosendo, em Santo Tirso, e lá voltou a 10 de Setembro de 1975, no final da sua comissão militar por terras do Uíge, no norte de Angola. Lá continua a viver, agora na Sampaio de Carvalho, e para lá e para ele vai o nosso abraço de parabéns!

terça-feira, 21 de setembro de 2021

5 559 - A redescoberta de Angola e do Uíge, há 2 anos! O nascimento do bebé Mosteias!

A redescoberta de Angola foi tema de uma reportagem de 6 páginas (aqui, as duas
 primeiras) do suplemente «B.i», do jornal «Sol», semanário nacional de Lisboa
 
O edifício que foi o Comando do BCAV, 8423, no
Quitexe. Ao fundo, a Igreja de Santa Maria de Deus


Noite de 21 de Setembro de 2019, há 2 anos, aeroporto de Lisboa. Despeço-me da família e entro na zona de embarque para a minha jornada de saudade e memória a terras de Angola, por onde, nos já distantes anos de 1974 e 1975, jornadearam os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423.
Acho-me a falar com angolanos que voltam ao país-irmão e antecipo, em previsão, o que será a Luanda que deixámos a 8 de Setembro de 1975, a imensa Angola que lá deixámos em tempo de construção de um País novo. De Língua Portuguesa. O País novo que ia nascer!
Os cheiros de Luanda, as saudades do inesquecível Uíge, os chãos do Quitexe, de Ponte do Dange e Vista Alegre, Aldeia Viçosa, Carmona, do Songo
 e do Negage, as Fazendas de Zalala, Santa Isabel e Luísa Maria, tudo me vem à memória, em  catadupa. Tudo me enche a alma e me emociona.
O que irei encontrar?
Ali, entre a algazarra das gentes da zona de embarque, lembro-me da noite chuvosa de 30 de Maio de 1974, quando, de farda vestida e para servir as Forças Armadas Portuguesas na construção de um País novo, dali parti(mos) no avião dos TAM, para Angola.
Há 2 anos e mal parti para essa inesquecível jornada de saudade, agora num avião da TAP, antecipei-me a olhar a baía luandina, a redescobrir os aromas da enorme terra angolana, a reachar os seus cheiros, a sua grandeza. Antecipei o que horas depois fui achar, na Luanda quente e nova, onde me esperavam Mário Ribeiro e o João Nogueira, que foi condutor da CCAÇ. 200/RI 21, a do Liberato - que iriam ser companheiros de um tempo de 18 dias a galgar o chão angolano e a reencontrar sítios onde, com orgulho, com garbo, muitos militares portugueses arriscaram a vida para garantir o processo de descolonização.
Foi muito bom voltar a Angola e redescobri-la, achando os sítios e os chãos por onde os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 jornadearam em tempo de fundação de um País novo.
Há  anos, hoje se fazem, foi a noite de partida!
O pai Luís Mosteias, furriel miliciano sapador da
CCS dos Cavaleiros do Norte, e o primogénito
 Luís João. Luís Mosteias faleceu, de doença, 
a 5 de Fevereiro de 2013. RIP!!!

O nascimento do
bebé Mosteias!


O sábado de 21 de Setembro de 1974 foi dia do nascimento do primogénito de Luís Mosteias, o único furriel miliciano matrimoniado da CCS dos Cavaleiros do Norte. Grande dia!
Foi o primeiro bebé do BCAV. 8423!
O blogger andava a vadiar e flautiar a vida, em férias pela imensa Angola, e só mais tarde soube do fausto acontecimento, partilhando-o quando chegou ao Quitexe e em deliciosas brincadeiras que o saudável companheirismo dos furriéis milicianos permitia. Não houve um que não larachasse sobre a paternidade do pimpolho - nascido no Portugal europeu, enquanto o pai Luís jornadeava, muito saudoso e ansioso, por terras uíjanas do norte da africana Angola.
As cavaqueiras sobre o «caso», as piadas jorradas sobre o novo estado do furriel miliciano sapador, foram naturalmente encaradas com bonomia e até prazer, diríamos, pelo (in)consolado novo pai. Ele lá por Angola e o bebé com a jovem mamã e os cuidados e desvelos da família mais próxima. Viria a ser Luís João, como o pai! É actor e director técnico do Teatro do Mar, em Sines.
Há uma no, passando por Sines, tentámos encontrar os 3 manos Mosteias. Mas o destino assim não quis: nenhum deles estava na zona, apenas pudemos «conversar» via facebook. Foi pena! Teríamos muitas memórias do Pai Mosteias para historiar. Um dia, será!
Uma equipa de futebol da CCS. De pé, NN, Afonso
Henriques, Moreira (?), 1ºs. cabos Grácio e Miguel
 e NN. Em baixo, Cabrita, NN, Calçada, NN e Coelho.
Quem identifica os NN´s?

Futebol entre subunidades
e civis do Quitexe e Aldeia Viçosa


Ao tempo desse 21 de Setembro de 1974, o comandante Almeida e Brito deslocou-se ao Comando do Sector do Uíge (CSU), em Carmona para «tratar de assuntos operacionais», no âmbito dos «contactos necessários ao bom andamento dos trabalhos militares».
O comandante dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, então tenente-coronel, deslocou-se ao mesmo CSU também nos dias 23, 25 e 27 de Setembro de há 47 anos e «sempre acompanhado por oficiais da CCS do BCAV.».
O tempo, por esse tempo de jornada angolana do BCAV. 8423, foi também tempo para a realização de «vários jogos de futebol entre as subunidades e equipas do Quitexe e Aldeia Viçosa». O torneio era, na prática, «uma extensão das actividades psicológicas junto das populações» e foi intensamente vivido pelos jovens Cavaleiros do Norte.
E que jogatanas por lá se fizeram, no pelado duro e  avermelhado do campo do Quitexe!
Notícia sobre a reconquista, pela FNLA, da
cidade de Caxito, 53 kms. a norte de Luanda

FNLA reconquistou
a cidade do Caxito


Um ano depois, a 20 de Setembro de 1975 e com os Cavaleiros do Norte já em Portugal e nas suas casas, a FNLA reconquistou o Caxito - cidade que fica a 53 quilómetros a norte de Luanda e desde há semanas estava ocupada pelo MPLA -, depois de violentos combates entre os exércitos dos dois movimentos.
O anúncio foi feita pelo major Martins da Silva, porta-voz do Exército Português e a cidade era um ponto estratégico no eixo rodoviário que liga com o porto de Ambriz e a cidade de Carmona - a «nossa» Carmona... -, que eram duas praças fortes do movimento de Holden Roberto.

segunda-feira, 20 de setembro de 2021

5 558 - Rosa Coutinho em Lisboa e Cavaleiros do Norte a assegurar liberdade de trânsito no Uige!

Grupo de Cavaleiros do Norte da CCS, no Quitexe. Atrás, 1ºs. cabos Soares, Oliveira
 e Soares, furriel 
Rocha (de boina) 1º. cabo Estrela, Silva, alferes Hermida (de bigode),
 Zambujo, furriel Pires (TRMS), Felicissímo 
(de Zalala), 1º. cabo Mendes, Soares,
1º. cabo Pires (Fecho-Eclair, de mão no queixo) e NN. À frente, NN, 
Costa, 1º. cabo
 Salgueiro, furriel Cruz e 1º. cabo Tomás

Cavaleiros do Norte de Zalala na gruta do Quijoão: furriéis
 milicianos Jorge Barata (falecido a 11/10/1997, de doença
e em Alcains), José Louro e José António Nascimento


O almirante António  Rosa Coutinho, Alto Comissário de Portugal  em Angola, deslocou-se a Lisboa a  20 de Setembro de 1974, para «tratar com o Presidente da República alguns assuntos urgentes». Chegou pelas 9,20 horas da manhã e não prestou declarações à imprensa. 
Os chamados «assuntos urgentes» tinham a ver com  a situação política e militar de Angola e, ao tempo, os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423  garantiam, no norte uíjano do futuro país de Língia Portuguesa, a «liberdade de trânsito em todos os itinerários» da sua Zona de Acção (ZA), em dias sucessivos e sem descanso.
A situação
 agravou-se quando «foi solicitada ao BCAV. a cedência de 2 Grupos de Combate para reforçar o BC 12» - aquartelado em Carmona. Se já eram poucos, menos Cavaleiros do Norte ficaram para assegurar as suas tarefas.

Furriéis milicianos Plácido Queirós e José
António na ilha de Luanda, em Agosto de 1975

O processo de
descolonização

Rosa Coutinho, ainda assim e embora parco em palavras, na chegada a Lisboa,  procurou desanuviar as causas e os efeitos de uma reunião da véspera, no palácio do Governador Geral de Angola (em Luanda), envolvendo «todos os oficiais dos três ramos das Forças Armadas, em comissão de serviço naquela colónia».
O almirante seria portador de documentação para o Presidente da República (o general Costa Gomes), mas não abriu o livro, argumentando, isso sim e relativamente à reunião da véspera, que tratava de «uma moção de apoio político à Junta Governativa» - a que ele mesmo presidia.
Os militares teriam, segundo a Agência ANI (citada pelo Diário de Lisboa, «aprovado uma moção sobre o processo de descolonização de Angola».

Notícia do Diário de Lisboa de 20 de Setembro
de 1975 sobre a situação em Angola


UNITA apreendeu
avião da Força Aérea

Um ano depois, no dia 20 de Setembro de 1975 - há precisamente 46 anos!... -, assistia-se a «uma certa estabilização nas várias frentes de combate».
O marechal Idi Amin Dada, presidente do Uganda e da Organização de Unidade Africana (OUA), «teria convidado os dirigentes dos três movimentos de libertação de Angola para uma reunião em Kampala, ainda este mês», com conhecimento do general Costa Gomes. Kampala, no Uganda.
«A resolução do conflito torna-se extremamente importante, tendo em conta os problemas que advirão com a transferência de poderes, se os três movimentos (MPLA, FNLA e UNITA) não encontrarem um compromisso para a actual crise», reportava o Diário de Lisboa.
As notícias do dia davam conta de «mais um incidente envolvendo a UNITA», que, ainda segundo o Diário de Lisboa, «desta vez e na cidade da Jamba, apreendeu um Nord Altas da Força Aérea Portuguesa».
O avião deslocara-se àquela localidade, a pedido da Mineira do Lobito, para «evacuar pessoal civil a companhia». O incidente levou a que uma delegação militar portuguesa se deslocasse a Nova Lisboa para «conversações com os dirigentes do movimento» liderado por Jonas Savimbi.

Monumento em Odivelas que evoca os combatentes
 do concelho que morreram na guerra do ultramar.
Um deles é Joaquim Manuel Duarte Henriques,
que foi Cavaleiro do Norte de Zalala. Faleceu, de

doença e no Hospital Militar de Luanda, a 21
de Setembro de 1974. Há 47 anos. RIP!!!


Morte do soldado
Henriques de Zalala

O 21 de Setembro é dia de luto para os Cavaleiros do Norte: faleceu, de doença, em Luanda e em 1974, o soldado Henriques, da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala.
Joaquim Manuel Duarte Henriques foi soldado atirador de Cavalaria e era residente em Odivelas - ao tempo pertencente ao concelho de Loures, nos arredores de Lisboa. O seu corpo para foi trasladado para o cemitério local.
Solteiro e filho de João Pedro Henriques e Delfina da Conceição Duarte, adoeceu em Zalala, repetidas vezes e, com cuidados que lá não podiam ser prestados, foi evacuado para o Quitexe e depois para Luanda, onde faleceu no Hospital Militar - a 21 de Setembro de 1974. Terá ainda passou pelo Hospital do Negage, como era usual nestas circunstâncias.
Hoje, 47 anos depois da sua morte, o recordamos com saudade. RIP!

domingo, 19 de setembro de 2021

5 557 - FAPLA´s do MPLA a 30 kms. de Carmona! Combates decisivos para os 2 movimentos!

 

Cavaleiros do Norte da CCS em frente à Casa dos Furriéis do Quitexe: Aldeagas
e Reino (ambos furriéis milicianos da 3ª. CCAV.), Miguel (1º. cabo), furriéis
milicianos Monteiro, Viegas e tenente João Mora

Cavaleiros do Norte da CCS: Cabrita, 1º. cabo
Marques (Carpinteiro, falecido a 1 de Novembro
de 2011, de doença súbita), um angolano e NN.
Quem  o identifica?

A 19 de Setembro de 1974, há 47 anos, o comandante Carlos Almeida e Brito deslocou-se a Aldeia Viçosa, onde se aquartelava a 2ª. CCAV. 8423, no âmbito dos «contactos operacionais e sempre acompanhado por oficiais da CCS».
Um ano depois, no mesmo dia de 1975 e já com os Cavaleiros do Norte em Portugal, cumprida a sua jornada angolana do norte do Uíge, o MPLA mantinha «forte pressão militar, tanto na frente norte como na frente sul», para, respectivamente, desalojar a FNLA e a UNITA.
As FAPLA de Agostinho Neto, a esse tempo de há 46 anos e com as FALA de Jonas Savimbi, «travava(m) fortes combates na Quibala, a meio caminho entre Luanda e Nova Lisboa».
O Diário de Lisboa de 19 de Setembro de 1975, há precisamente 46 anos, reportava que os combates podiam
«ser decisivos para qualquer dos dois movimentos».

A norte e de acordo com o jornal vespertino da capital portuguesa, «o MPLA está a 30 quilómetros da cidade de Carmona, uma das principais fortalezas da FNLA». E continuava a reagrupar forças para «uma poderosa ofensiva que visará também o porto de Ambriz».

Carmona, que foi a cidade do último aquartelamento dos Norte do BCAV. 8423, de de lá saíram a 4 de Agosto desse ano de 1975.
Carlos Ferreira

Ferreira, cozinheiro da CCS,
69 anos em Achede de Santarém!

O cozinheiro Ferreira, Cavaleiro do Norte da CCS do BCAV. 8423, está hoje em festa, dia 19 de Setembro de 2021: comemora 69 anos!
Carlos Manuel da Piedade Ferreira é natural de Casais da Branca, em Santarém, e lá regressou a 8 de Setembro de 1975, no final da sua e nossa comissão militar em Angola. Fez carreira profissional como condutor do Hospital Distrital de Santarém e, já aposentado, reside em Achede, neste mesmo concelho.
Foi o organizador do encontro da CCS dos Cavaleiros do Norte, em Junho de 2018. Parabéns pelo aniversário. E venham mais e bons anos!

Francisco Pisco

Pisco de Aldeia Viçosa, 69
anos em S. João da Talha!

O 1º. cabo Francisco de Jesus Pisco, combatente da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa está hoje em festa dos seus 69 anos.
Hoje, dia 19 de Setembro de 2021.
Cavaleiro do Norte com a especialidade de atirador de Cavalaria, voltou a Portugal no dia 10 de Setembro de 1975 e fixou residência no lugar de Fonte da Dáspera, na freguesia de Alvito da Beira, em Proença-a-Nova - a sua terra natal.
A vida levou-o para o Vale de Figueira, em S. João da Talha, concelho de Loures, onde actualmente reside. Para lá vai o nosso abraço de parabéns!







sábado, 18 de setembro de 2021

5 556 - Contra-Subversão do Quitexe de 1974! MPLA a pressionar do Uíge! Os 80 anos do coronel Themudo!

 José Diogo Themudo, à direita, que foi 2º. comandante dos Cavaleiros
 do Norte do BCAV. 8423, com o capitão José Paulo Falcão (oficial
 de operações) e o alferes miliciano João Machado (à esquerda)
Os furriéis milicianos José Augusto Monteiro e João
 Peixoto na rampa da messe de sargentos (antes, de
oficiais) do Bairro Montanha Pinto, em Carmona
 


Há 47 anos, no dia 18 de Setembro de 1974, reuniu a Comissão Local de Contra-Subversão (CLCS) do Quitexe, coordenada pelo tenente-coronel Carlos Almeida e Brito, comandante do BCAV. 8423.
A reunião, tal como já acontecera na do anterior dia 3 do mesmo mês, «incidiu especialmente sobre o problema dos trabalhadores» das fazendas de café - que era a principal actividade económica do Uíge, uma  das maiores riquezas da nação que estava para nascer.
Os trabalhadores, normalmente oriundos do centro de Angola (ovimbundos e bailundos
), estavam ser aliciados «pelo IN e/ou agitadores» com diversa «propaganda para fugirem ao contrato», o que, de acordo com o livro «História da Unidade», o do BCAV. 8423, «forçosamente terá reflexos no panorama económico do concelho», como, aliás, aqui já recordámos por várias vezes, ao longo desta janela de memórias dos Cavaleiros do Norte que, por 1974 e 1975, jornadearam, em missão militar, por terras do norte de Angola. 
O IN, esse e ainda seguindo o «HdU», «continuou apático todo o mês» - o mês de Setembro de 1974 - mas «apesar disso, aumentou os contactos que vinham do antecedente, a acontecer». 
Contactos com as autoridades portuguesas e com o povo. 
Cavaleiros do Norte na cantina do Quitexe. Da esquerda
para a direita, Gaiteiro, Serra, 1º. cabo Malheiro,  Aurélio
(Barbeiro), Mendes (de óculos) e Miguel (condutor). Em
primeiro plano e de bigode, 1º. cabo João Monteiro 
(Gasolinas), Cabrita e Calçada


MPLA a pressionar
a norte e a sul !

O MPLA, há 46 anos e com o dia 11 de Novembro (o da independência de Angola) cada vez mais próximo, pressionava a norte e sul, para combater as forças da FNLA (nas províncias do Uíge e Zaire) e da UNITA (em Nova Lisboa, Silva Porto e Serpa Pinto).
A 52 dias de distância, as FAPLA (exército do movimento de Agostinho Neto) controlava, 12 das 16 províncias angolanas, embora, de acordo com o Diário de Lisboa, os seus dirigentes não deixassem de «manifestar preocupações especialmente no que respeita à situação do Norte».
O norte por onde andou o BCAV. 8423.
Na verdade e para o MPLA, «seja qual for a posição das forças rivais no terreno, à data da independência, ficará sempre à FNLA a possibilidade de declarar independentes de Angola as províncias do Uíge e Zaire, dando nascimento a um novo Biafra».
O presidente Agostinho Neto, de resto, manifestou essa mesma preocupação numa entrevista ao enviado especial da France Press. «Estamos firmemente dispostos a resistir a todas as tentativas do imperialismo atacar o nosso país», disse o líder do MPLA, acrescentando que «não temos medo».

O coronel José Diogo
Themudo aos 80 anos!

Capitão/coronel Themudo,
festeja 80 anos em Lisboa!

O capitão Themudo, agora coronel aposentado, foi 2º. comandante dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 e amanhã  comemora 80 anos!
José Diogo da Mota e Silva Themudo chegou a Carmona em Março de 1975, convidado pelo comandante Almeida e Brito para exercer aquelas funções - vagas desde a partida para Angola, por «desvio» do major Ornelas Monteiro para a Guiné.
O capitão Themudo já tinha feito 2 comissões (em Angola e Moçambique) e voltou a Angola mobilizado para uma companhia entretanto desactivada. Ficou por Luanda, até ser «achado» pelo comandante do BCAV. 8423.
A carreira militar continuou em Portugal e, como coronel, aposentou-se aos 57 anos, em 1998, depois de ter sido comandante da CCS de um dos Regimentos de Cavalaria da GNR - o esquadrão motorizado, esquadrões a cavalo e brigadas de trânsito. Também comandou a PSP de Santarém (5 anos) e foi 2º. comandante da Regimento de Cavalaria de Santa Margarida, o antigo RC4 - a unidade mobilizadora do BCAV. 8423.
Mora em Lisboa, dedica-se a actividades equestres e à família, e para lá e para ele vai o nosso abraço de parabéns, embrulhado no voto de muitos mais e bons anos de vida!

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

5 555 - MPLA a preparar ataque a Carmona e Ambriz ! Propaganda aos trabalhados do café do Uíge!

Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia: alferes Carvalho de
 Sousa, capitão miliciano José Manuel Cruz (comandante desta 2ª. CCAV.),
tenente-coronel Almeida e Brito (comandante do BCAV. 8423), alferes
 Machado e Jorge Capela e furriel José Fernando Melo 
Furriéis milicianos da 3ª. CCAV. 8423 a de Santa Isabel:
 Fernandes, Victor Guedes (falecido a 16 de Abril de
 1998, de doença e em Lisboa), Querido e Belo


Os dias de Setembro de 1974, ao dia 17 de há 47 anos, o comandante Almeida e Brito reuniu a Comissão Local de Contra-Subversão (CLCS) do Quitexe, para analisar a situação política e militar da Zona de Acção (ZA)( dos Cavaleiros do Norte.

Almeida e Brito era o comandante do BCAV. 8423 e, ao tempo, «o IN e/ou agitadores», de acordo com o livro «História da Unidade», começaram a «incrementar
propaganda aliciante dos trabalhadores das fazendas para fugirem a contrato», o que, concluía  LU, «forçosamente trará reflexos no panorama económico do concelho». 
O problema nem era militar, valha a verdade, era «meramente administrativo» e, por outro lado, ainda de acordo com o livro «História da Unidade, «não tem (teve) ainda o significado, nem paralelismo, do existente nos concelhos limítrofes». No entanto, «começa a tomar volume que se pode considerar elevado e que terá, forçosamente, reflexos negativos no bom andamento do processo regressivo da presença das tropas e da descolonização».
Bem «avisado» andava o comandante Almeida e Brito.

Holden Roberto no Ambriz, notícia do Diário
de Lisboa de 17 de Setembro de 1975

MPLA a preparar ataque
a Carmona e a Ambriz!

Um ano depois, com os Cavaleiros do Norte com missão terminada e já nas suas terras e com as suas famílias, relatava o Diário de Lisboa de 17 de Setembro que «mantém-se calma a situação nas frentes de combate angolanas». Acrescentava o vespertino da capital portuguesa que «desde o fim de semana que não se assinalam confrontos relevantes entre os três movimentos». Só que, admitia o jornal, «esta calma poderá corresponder a uma reorganização militar dos diversos campos, antecedendo novas batalhas».
As agências internacionais admitiam como «provável que o MPLA esteja presentemente a reagrupar as suas forças para uma grande ofensiva na frente norte, contra Ambriz e Carmona os grandes bastiões da FNLA».
Ambriz, onde supostamente estaria o presidente da FNLA, Holden Roberto - a comandar pessoalmente as suas forças. Carmona, a capital do Uíge de onde os Cavaleiros do Norte saíram a 4 de Agosto desse ano de 1975. Há 42!
A FNLA, de acordo com a notícia do Diário de Lisboa de 17 de Setembro de 1975, «encontra(va)-se isolada e com grandes dificuldades de reabastecimento, dado que as principais vias utilizadas para o efeito estão sob o controlo do MPLA». Em Luanda, reportava o Diário de Lisboa, «a calma é total»

João Leirinhas

Leirinhas de Zalala, 69
anos em Vila Nova de Gaia!

O soldado Leirinhas, combatente dos Cavaleiros do Norte da mítica Fazenda de Zalala, festeja 69 anos a 18 de Setembro de 2017.
João Ramos Leirinhas, de seu nome completo, foi atirador de Cavalaria da 1ª. CCAV. 8423, integrando o 1º. Grupo de Combate, comandado pelo alferes miliciano Mário Jorge de Sousa. Regressou a Portugal e a Canidelo, em Vila Nova de Gaia, no dia 9 de Setembro de 1975 e lá reside, sendo habitual participante dos encontros anuais dos Cavaleiros do Norte de Zalala - actualmente e como se sabe, infelizmente interrompidos devido à pandemia COVID 19. 
Parabéns!

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

5 554 - Patrulhas permanentes e operações stop no Uíge! Férias de 1974 por toda a imensa Angola!

Cavaleiros do Norte da CCS no Quitexe, num momento de descontração
musical: os furriéis milicianos Peixoto, Neto e Viegas (de óculos). Era a
 fingir, pois nenhum deles tocava o qualquer instrumento que fosse...



Trio de condutores da CCS do BCAV. 8423,
no Quitexe: Henrique Esgueira, António
Gonçalves e José António Gomes

A 16 de Setembro de 1975, uma terça-feira e há precisamente 46 anos, a imprensa angolana noticiava que «a calma é (era) total em Luanda», cidade controlada pelo MPLA  e suas Forças Armadas Populares de Libertação de Angoa (FAPLA) e onde se confirmava que «o êxodo da população branca há várias dias que vem enfraquecendo».
A véspera tinha sido tempo de o representante da UTA ser surpreendido, segundo o relato do Diário de Lisboa, por «não encontrar qualquer passageiro para o voo diário fretado pelo Governo Francês, com destino a Lisboa». Um Boeing 707 da Força Aérea Alemã e um Liunchym da Alemanha de Leste «tinham embarcado os desalojados inscritos nos seus voos».
O dia 15 foi também tempo para se iniciarem «os voos directos para o Porto», devido ao congestionamento do aeroporto de Lisboa e evacuando desalojados de Angola. Lá chegou um avião da TAP com 160 passageiros, logo levados para a Fábrica de Conservas Serrano, em Matosinhos, «onde lhe foram prestados os primeiros serviços de assistência». A FNLA estava limitada aos seus bastiões do norte: Ambriz e Carmona. A «nossa» Carmona!
A Estrada do Café, que liga Luanda a Carmona,
naactual cidade do Uíge, na saída do Quitexe
 
para a capital provincial uíjana. Repare-se nos
 modernos candeeiros de iluminação pública.
A 
imagem (apanhada na net) é de 2012 


Patrulhas permanentes
 e operações «stop»

Um ano antes, a 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala e do capitão Davide Castro Dias, recebeu três reforços, oriundos dos Grupos de Mesclagem: Pedro Gila, Justino Nambu e Pena C. Messa. Todos do Regimento de Infantaria 20 (RI20), de Luanda.
Os Cavaleiros do Norte continuavam com «permanentes patrulhamentos na ZA, nomeadamente nos pontos críticos em redor dos centros urbanos e aquartelamentos», assim como, refere o Livro da Unidade, «às diversas fazendas».
O livro «História da Unidade», de resto, sublinha que «mereceu também a maior atenção a garantia de liberdade de trânsito em todos os itinerários, com maior incidência para o itinerário entre o Quitexe e Carmona». Para tal e «para além de aumentar o número de patrulhamentos realizados, variando-os  no tempo e no espaço, passaram a ser diariamente executadas operações «stop», com vista a efectivar o controlo de  passageiros e de mercadorias em trânsito, destas nomeadamente armamento e munições».
O furriel Viegas e o  amigo
Albano Resende na ilha de
Luanda e em férias, Setembro
de 1974. Há 47 anos!

Férias por toda
a imensa Angola!

O mês de Setembro de 1974 foi tempo para férias angolanas do blogger (furriel miliciano Viegas), que as passou por Luanda, Gabela, Novo Redondo, Nova Lisboa, Sá da Bandeira e Moçâmedes, Silva Porto, Lobito e Benguela, por aí fora..., e de novo Luanda, visitando familiares e amigos/conterrâneos.
Foram semanas magníficas, não só pelo conforto do encontro com toda essa gente mais próxima e íntima, como pela descoberta da imensa e enfeitiçante Angola, viajando de avião de automóvel, de autocarro, à boleia e de comboio. Férias repetidas em  Abril de 1975, com itinerário quae igual e desta feita com o furriel António Cruz.
Férias que repeti na jornada de saudade que fiz em 2019, em Luanda desembarcando a 22 de Setembro e de lá voltando a 10 de Outubro, com particular passagem pelo Quitexe e Carmona, como por Ponte do Dange, Vista Alegre e Aldeia Viçosa - terras uíjanas do norte de Angola por onde, entre outras, jornadearam os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423.