CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

sexta-feira, 22 de outubro de 2021

5 590 - O desarmamento dos milícias não foi bem aceite pelos povos angolanos do Uíge!


Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 em Carmona, todos milicianos: furriel Nelson Rocha,
 alferes Luís António Pedrosa de Oliveira (que hoje faz 69 anos), Manuel Machado, José Lino
 e António José Cruz
Entrada do Quitexe, do lado de Carmona,
agora cidade do Uíge

O desarmamento dos milícias, zona do Uíge angolano, começou a 21 de Outubro de 1974, ontem, se passaram 47 anos, mas, de acordo com o livro «História da Unidade», «não teve boa aceitação por parte dos povos, nomeadamente dos postos da sede (Quitexe) e Aldeia Viçosa».
Sabia-se, ao tempo, que «os apresentados e a FNLA vivem em contacto permanente, quase geral há largos anos» e o livro «História da Unidade» recorda mesmo que «poucas vezes, e salvo honrosas excepções, as milícias não tiveram actuações de vulto em defesa dos seus aldeamentos».
Tal facto comummente conhecido entre os militares, mas, mesmo assim, «argumentam(ram) os povos que que esses núcleos armados são a sua melhor defesa às acções de depradação e exigência do IN», argumento que, ainda segundo o livro «História da Unidade», que continuamos a citar nesta memória de Angola, «é difícil de contrariar».
O dia 2 de Outubro de 1974 foi tempo, também, para mais uma reunião do Comando do Sector do Uíge (CSU), na cidade de Carmona, na qual participou o tenente-coronel Carlos Almeida e Brito, comandante do BCAV. 8423, com sede aquartelada na vila do Quitexe. Certamente, fez-se acompanhar de oficiais Cavaleiros do Norte da Unidade, como era habitual e convencional.

O 1º. cabo Victor Cunha e o furriel
Mota Viana, ambos de Zalala 

Mota Viana de Zalala

para o Luvuei !

A 22 de Outubro de 1974, há 47 anos, o furriel miliciano Mota Viana, da 1ª. CCAV. 8423 (a de Zalala), rodou para Luvuei, no leste de Angola, onde passou a integrar a 1ª. CART do BART 6321.

Fernando Manuel Mota Viana tinha sido «apanhado» sem boina, na estrada do Quitexe, e foi castigado pelo comandante Almeida e Brito. Achou este que, por ser graduado e filho de um oficial do Exército (o capitão Viana) tinha mais obrigação de dar o exemplo quanto ao atavio militar, castigando-o com 15 dias de prisão disciplinar agravada, que o CSU aumentou para 20, o que implicou a sua rotação.
A transferência «na situação de diligência» (o que suavizou o castigo) teve despacho do Comandante da Região Militar de Angola, a 22 de Outubro de 1974 (hoje se fazem 43 anos), publicado na Nota 38364/1, de 28 de Outubro do mesmo ano e do Quartel General da RMA, depois replicada  na Ordem de Serviço nº. 265, de 13 de Novembro e do RC4 - a unidade mobilizadora.
Alferes Pedrosa 
 Oliveira, à direita,
como capitão J.
 P. Fernandes
O Mota Viana, com quem acabámos de falar, esteve em Luvuei até meados de 1975, rodando com a CART. 6321 para Luanda. Regressou a Portugal 6 ou 7 dias antes da independência de Angola - que foi a 11 de Novembro de 1975. Já depois regresso da CART. 6321.


Alferes Pedrosa, 69 anos
nos Marrazes de Leiria !

O alferes miliciano Pedrosa, da 3ª. CCAV. 8423, está hoje em festa, dia 22 de Outubro de 2017: faz 69 anos.
Luís António Pedrosa de Oliveira, de seu nome completo, foi atirador de Cavalaria de especialidade militar, cursada na Escola Prática de Cavalaria, em Santarém, sendo Cavaleiro do Norte da Fazenda Santa Isabel, comandada pelo capitão miliciano José Paulo Fernandes. Por lá, pelo Quitexe e por Carmona cumpriu a sua jornada africana do Uíge angolano, regressando à sua Marrazes natal, e, Leiria, a 10 de Setembro de 1975.
Por lá continua, tendo-se dedicado a actividades empresariais ligadas ao comércio. E está de boa saúde. Para lá vai o nosso abraço de parabéns! 



quinta-feira, 21 de outubro de 2021

5 589 - As mortes do furriel Jorge Barreto e do soldado Moreira, o bruxo de Penafiel!


O furriel miliciano Barreto na picada de Zalala, em 1974, ladeado pelo soldado
Santos (à esquerda) e pelo furriel furriel miliciano José Nascimento
Jorge Barreto
em 2020

O dia 21 de Outubro de 1974, há 47 anos, foi tempo de os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 continuarem as suas acções de intervenção nas acções de pilhagem da FNLA nos itinerários do Uíge e, principalmente, na chamada Estrada do Café - que ainda hoje liga Luanda a Carmona.
Não foram tempos fáceis!
O dia, a esse tempo, foi tempo de o furriel miliciano enfermeiro Barreto, Cavaleiro do Norte da 1ª. CCAV. 8423, a da Fazenda de Zalala, festejar 23 anos. Hoje, faria 70 anos, mas faleceu a 2 de Novembro de 2020.
Jorge Manuel Mesquita Barreto é natural de Mira, na Bairrada do leitão e do bom espumante, mas, após a jornada africana do Uíge angolano, regressou a Portugal e trabalhou toda a vida civil (como enfermeiro) no Porto, radicando-se em Baguim do Monte, Gondomar. Foi sempre um infaltável dos encontros dos «zalala´s».
Faleceu subitamente, vítima de doença desconhecida, na madrugada de 2 de Novembro de 2020, na sua residência e aos 69 anos, celebrados no 21 de Outubro de 2020 imediatamente anterior. Há um ano!
Cavaleiro do Norte da mítica Fazenda Maria João, a de Zalala, e depois de Vista Alegre/Ponte do Dange, Songo e Carmona, tinha-se apresentado no BCAV: 8423, mobilizado para a 1ª . CCAV 8423, a 28 de Fevereiro de 1974, em Santa Margarida e rodando do Regimento do Serviço de Saúde (RSS), em Coimbra.
Hoje o recordamos com saudade!

A casa onde Agostinho Mendes Moreira foi
assassinado a 21 de Outubro de 2009


O assassínio de Moreira,
Cavaleiro do Norte de Zalala e
bruxo de Penafiel

Agostinho Mendes Moreira foi soldado atirador de Cavalaria de Zalala e regressou a Portugal o dia 9 de Setembro de 1975. À sua terra de Rio de Moínhos, em Penafiel.
Tornou-se conhecido nacionalmente por exercer actividades ligadas à bruxaria, ganhando o epíteto de Bruxo - o Bruxo de Rio de Moínhos.
Agostinho Moreira,
o Bruxo de Rio
Moínhos
Foi assaltado e morto à pancada na madrugada de 21 de Outubro de 2009. Foi encontrado pelo padeiro, na sua casa do Sobreiro (onde vivia com um irmão deficiente), e estava seminu, deitado de barriga para baixo e com as mãos amarradas. Foi assassinado à pancada e o roubo o móbil do crime: desapareceram 300 000 euros.
O assalto foi feito por 5 homens, todos seus conhecidos, mas dois deles viriam a ser absolvidos do crime de assassinato. Um deles foi condenado a 20 anos de cadeia, dois outros, e cada um, a 19 anos - todos os três responsáveis pelo assassinato. Dois outros, a 6 e 7 anos, condenados apenas por roubo.

Ver AQUI e AQUI






quarta-feira, 20 de outubro de 2021

5 588 - O dia 20 de Outubro e os milicianos alferes Meneses Alves e dos furriéis Dinis Dias e António Guedes!


Cavaleiros do Norte de Zalala: Rocha (?), Espinho (?), Fião, Romão, Tarciso, Aprumado,
Mora, Mamarracho e Pereira (de pé). Azevedo, Rego, Orlando Oliveira (?), Lopes, Dorindo
 e Manuel Dinis Dias, que faleceu hoje se  
fazem 6 anos, vítima de doença e em Lisboa.
Em baixo, Freire e Oliveira, todos da 2ª. CCAV.  8423

Os furriéis milicianos António Carlos Letras, Cerqueira
da Costa, António Artur César Monteiro Guedes (que
hoje faz 69 anos) e José Gomes


O dia 20 de Outubro assinala, em tempos de Cavaleiros do Norte, três datas de significados diferentes, mas as três de carga emocional profunda: a dos 69 anos natalícios do furriel Guedes, os 10 que se passam da morte do furriel Dias e o do nascimento do alferes miliciano Meneses.
Manuel Meneses Alves foi Cavaleiro do Norte da 2ª. CAV . 8423, a de Aldeia Viçosa - onde chegou em Fevereiro de 1975, transferido de uma Companhia de
Caçadores que actuava em Cabinda.
Notabilizou-se em Carmona, a 13 de Abril de 1975, «durante uma manifestação não autorizada superiormente» e na qual se verificou «confronto entre elementos de 2 movimentos emancipalistas, com uso de armas de fogo na via pública».
O alferes Meneses Alves «actuou de forma rápida, decidia e enérgica, não deixado dúvidas quanto à determinação do pequeno grupo que comandava, com o que conseguiu a detenção de dois dos elementos em confronto e ainda, de imediato, ter feito abortar a manifestação». O facto justificou louvor do comandante do BCAV. 8423.
Meneses Alves foi empresário do sector da alimentação e transformação de carnes, em Leiria, e ali faleceu (de doença grave) a 16 de Maio de 2013. Não sem que, antes (e por duas vezes), conhecendo o seu destino, organizasse encontros de despedida da família e dos amigos. Ver AQUI. RIP!!!
Furriel Manuel Dinis Dias

O furriel Manuel Dinis Dias
das «mecânicas» de Zalala

Manuel Dinis Dias foi furriel miliciano mecânico-auto da 1ª. CCAV. 8423, a da mítica Fazenda Maria João, a de Zalala. Faleceu, de doença e em Lisboa, a 20 de Outubro de 2011. Há 10 anos!
Oriundo de Oliveira do Hospital estava ao tempo a trabalhar na capital portuguesa e lá continuou, depois da jornada africana do Uíge angolano. Por lá foi louvado «pela maneira eficiente e cuidada como exerceu as suas funções, garantindo, com o seu esforço e dedicação, a operacionalidade das viaturas da sua subunidade».
O louvor proposto pelo capitão miliciano Davide Castro Dias, comandante da 1ª. CCAV. 8423, sublinha que «torneando todas as dificuldades surgidas e recuperando permanentemente o material a seu cargo, conseguiu assim recuperar os esforços que a este eram pedidos, quer devido ao seu muito uso quer às condições dos itinerários em que eram obrigados a actuar esses meios».
«O zelo demonstrado no seu trabalho, a prontidão da sua execução e o seu es-
pírito de servir constitui, por si só, motivo da consideração e apreço do Co-
mando directo que serviu, tornando-o merecedor da distinção agora confe-
rida», destaca o louvor, publicado na Ordem de Serviço nº. 160 do BCAV. 8423.
O furriel mecânico Dias regressou a Portugal no dia 9 de Setembro de 1975, à Rua Diogo Couto,. em Lisboa. Por lá fez vida, casou e foi pai da Ana Filipa Dias. Hoje o recordamos com saudade. RIP!
Furriel António
Artur Guedes

Furriel Guedes, 69 anos
em Salvaterra de Magos!

O dia 20 de Outubro de 2021, hoje mesmo..., é também tempo do 69º. aniversário do furriel miliciano Guedes, da 2ª. CCAV. 8423, a da saudosa e uíjana Aldeia Viçosa. 
António Artur César Monteiro Guedes é natural de Silvestre, lugar da freguesia de Moura Morta, em Vila Real. Foi seminarista e a vida militar levou-o à Escola Prática de Cavalaria, em Santarém, onde recrutou e se especializou como atirador de Cavalaria. 
A comissão militar em Angola começou a 4 de Junho de 1974, quando desembarcou em Luanda, e terminou a 10 de Setembro de 1975, quando regressou a Portugal.
Profissionalmente, fez carreira na GNR e nas Brigadas de Trânsito (BT), atingindo o posto de sargento-mor, agora já aposentado. Vive em Foros de Salvaterra, trabalhando, a ocupar o seu tempo, nas áreas da segurança e da agricultura. Para lá e para ele vai o nosso abraço de parabéns!

terça-feira, 19 de outubro de 2021

5 587 - A desactivação dos milícias uíjanos e a (não) cadeia do atirador João Marcos !

Cavaleiros do Norte da CCS do BCAV. 8423, todos rádio-montadores: António
 Silva
1º. cabo António Pais, furriel miliciano António Cruz e 1º. cabo Rodolfo
Tomás (que hoje faz 69 anos em Lousada),

Cavaleiros do Norte do PELREC: Alberto Ferreira,
1º. cabo João Pinto, Francisco Madaleno e João
Marcos, todos atiradores de Cavalaria


A 19 de Outubro de 1974, a ordem de serviço nº. 112 do BCAV. 8423 deu conta de uma punição disciplinar ao soldado «pelrec» João Marcos, Cavaleiro do Norte sem medos e sem indisciplinas. O que foi, ou o que não foi?
João Manuel Lopes Marcos, natural e residente no Pego, em Abrantes, foi Cavaleiro do Norte dos bons: disciplinado e sempre cortez, às vezes irreverente mas sempre cumpridor de deveres, sem quaisquer dúvidas, colaborante e activo, sempre disponível para o que necessário fosse. Pois, imagine-se, foi castigado com 20 dias de prisão disciplinar agravada, pelo Comando do BCAV. 8423, depois agravada pelo Comando da Zona Militar Norte (ZMN).
Perguntámos-lhe pela história, dela não lembrados. 
«Que crime cometeste tu, ó Marcos?», perguntámos nós.
«Eu não fiz nada, mas o alferes embirrou comigo e nem sequer cumpri prisão nenhuma. Ficou tudo em papéis...», disse-nos ele, 43 anos depois, quando o ouvimos.
A história, na sua versão, passa pela saída do Bar do Topete, saída dele, do Florêncio, do Silvestre e de outros, de «beber uns copos». Ao entrar no quartel, em grande algazarra, e tanto tempo depois não vem mal ao mundo se falarmos dos nomes, o Florêncio terá mandado o alferes Rosa, que estava de oficial dia, para um certo sítio. Em linguagem de tropa, vernácula e usual.
O acusado foi o Marcos, vá lá saber-se porquê..., e nada e ninguém convenceu o oficial miliciano da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, da não culpa dele.
«A malta ia com os copos, eu estava à porta d´armas a substituir o Silvestre e fui acusado sem mais nem menos. Mas não fui eu e nunca estive na cadeia», contou o Marcos, desempoeirado sobre o caso de há 47 anos, mas sem deixar de dizer que «ainda hoje tenho um pó do caraças ao alferes». Na verdade, acrescentou o Marcos, «ninguém gosta de ser castigado em razão».
E já lá vão 47 anos!!! Pffff..., como o tempo passa!
Regedores das aldeias (sanzalas) angolanas
(imagem da net)

Desarmamento dos
milícias do Uíge

Ao tempo desses mesmos 47 anos que se passaram, preparava-se o desarmamento dos milícias, no âmbito do processo de descolonização de Angola, e os quadros dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 iam sendo sensibilizados para a delicadeza de tal operação.
Os milícias actuavam em defesa dos povos (as sanzalas, aldeias de nativos), sob «comando» dos respectivos regedores e admitia-se que reagissem mal. Afinal, eram homens até aí subordinados e ao serviço das Forças Armadas Portuguesas - embora toda a gente soubesse que também «privavam» com o IN.
Temia-se, nesse quadro, que fossem alvo de vinganças e represálias.
Os milícias estavam em dupla situação: tinham servido o Exército Português e Portugal e estavam em vésperas de uma nova realidade: a da Angola independente. Como, sobre eles, reagiriam os novos senhores?
Rodolfo Tomás,
1º cabo da CCS,
em 1974/1975
Rodolfo Tomás
civil e em 2019

Tomás. 1º. cabo do Quitexe,
65 anos em Lousada !

O 1º. cabo Rodolfo Hernâni Tavares Tomás, da CCS do BCAV. 8423, na saudosa vila do Quitexe uíjano, festeja 69 anos a 19 de Outubro de 2021. Hoje! 
Rádio-montador, é natural da Cedofeita, na cidade do Porto, aonde voltou a 8 de Setembro de 1975, louvado pelo comandante Almeida e Brito, do BCAV. 8423 e por ser «militar disciplinado, correcto e inexcedível no zelo e eficiência postos no trabalho».
Trabalhou na Secção de Reabastecimentos e «dedicou todo o seu esforço na aprendizagem dessa missão, vindo a desempenhá-la com competência», acumulando-a com os serviços da sua especialidade técnica e «não se poupando a esforços nem a horários para solucionar avarias do material, chegando mesmo a colaborar em serviços de interesse público, de âmbito não militar, quer no Quitexe quer em Carmona». O louvor sublinha também que foi «militar excepcionalmente bem educado e bom camarada», um Cavaleiro do Norte que «granjeou a estima dos seus superiores e camaradas».
O Tomás vive em Lousada, recuperando de alguns problemas de saúde, e esteve connosco no convívio de Rans, em Penafiel, o último da CCS e em 2019. Grande e forte abraço de parabéns!
Eduardo B. Silva
Lucília e Adelaide, a
Lai-Lai de Luísa Maria


Neta de Luísa Maria 
em festa de 43 anos!

Lucília é neta de Eduardo Bento da Silva, que foi sócio-gerente da Fazenda Luísa Maria, onde se aquartelou um destacamento do BCAV. 8423 e onde passámos e parámos bastantes vezes, no tempo da nossa jornada africana do Uíge angolano.
Franco, generoso e leal anfitrião dos Cavaleiros do Norte e ao tempo na casa dos 44/45 anos, por lá nos recebeu (sempre bem), partilhando-se com os aquartelados os delicados tempos pré-independência. Regressou a Portugal e fixou-se em Condeixa-a-Nova, estabelecendo-se em Taveiro com um mini-mercado. Faleceu a 11 de Setembro e faria 81 anos a 10 de Outubro de 2011. 
A neta Lucília faz hoje 43 anos!
Lucília é filha de Adelaide, a Lai-Lai de Luísa Maria, irmã de Rosa e Eduardo - que o casamento fez Almeida e mãe de Lucília e Natacha, esta de 37 anos e todos moradores em Condeixa. Parabéns!

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

5 586 - Pilhagens aos utentes dos itinerários, especialmente entre o Quitexe e Aldeia Viçosa !

Cavaleiros do Norte, todos furriéis milicianos, do BCAV. 8423, à porta do bar
e messe de sargentos do Quitexe. Atrás, Francisco Bento (que hoje faz 69
anos), Rocha, Viegas, Flora, Lopes (enfermeiro, de bigode). Luís Capitão e
Ribeiro. À frente, Carvalho, Belo (de óculos), Lopes (atirador) e Reino
O já então ex-alferes Carlos Silva voltou a Angola para
se casar, em Luanda e com a namorada Belmira. Hoje
se fazem 46 anos. Parabéns!

Os patrulhamentos dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, há 47 anos e nos principais itinerários do Uíge angolano, justificavam-se 
pela necessidade de «garantir a segurança de trânsito», quer de viaturas quer de pessoas.
A chamada «liberdade de itinerários» e principalmente na Estrada do Café - a que ainda hoje liga Luanda a Carmona, a actual cidade do Uíge - capital da província deste nome.
O cessar-fogo dias antes anunciado pela FNLA, a 15 de Outubro de 1974, não diminuiu a intensidade deste tipo de actividade operacional do BCAV. 8423. E razão havia para isso, porquanto, de acordo com o livro «História da Unidade» e a partir de 18 de Outubro de 1974, a FNLA começou a realizar «actividade de pilhagem aos utentes dos itinerários, especialmente no troço compreendido entre o Quitexe e Aldeia Viçosa» - localidades onde se aquartelavam, respectivamente, a CCS do capitão António Martins Oliveira (do SGE) e a 2ª. CCAV. 8423, a do capitão miliciano José Manuel Cruz.
«Procurou-se contrariar esta acção de banditismo com o lançamento de patrulhamentos inopinados, aquando do aparecimento de queixas, sem que, contudo, se preveja parar com elas já que, à aproximação das NT, a FNLA se 
furta ao contacto», reporta o livro «História da Unidade», acrescentando que «consequentemente, não se evita a acção já realizada e a realizar á posteriori, pois a presença das NT não é e não pode ser contínua».
Assim ia a Angola de há 47 anos e dos tempos dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 por terras do Uíge.
Carlos Silva e Belmira casaram-se
há 46 anos em Luanda (foto recente)

Alferes Carlos Silva
foi casar a Luanda !

O alferes Carlos Almeida Silva, oficial miliciano da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel, é Cavaleiro do Norte protagonista principal de um verdadeiro romance de amor, com data apontada a 18 de Outubro de 1975
. Este dia de há 46 anos, na verdade, foi tempo feliz do seu casamento em Luanda com a sua amada Belmira - que já conhecia das suas adolescências e pelas bandas de Tomar e «reachou» em Angola, entre labaredas de paixão.
Carlos Almeida Silva regressou a Portugal no dia 11 de Setembro de 1975, no final da jornada africana do Uíge angolano, mas rapidamente voltou para os braços da sua paixão maior e para o «sim» que, 46 anos depois, ainda (e sempre) os trazem presos e grávidos d´amor eterno.
Hoje, precisamente, tempo em que festeja mais um ano dessa data mágica e de romance, por isso mesmo, aqui estamos a dar os parabéns pelo enlace que os envolve(u) e lhes enovelou as almas. Para a vida eterna!
O casal Bento em 2021

Furriel Bento, 69 anos
entre França e Portugal!

O furriel miliciano Francisco Manuel Gonçalves Bento, da CCS do BCAV. 8423, festeja 69 anos a 18 de Outubro de 2021. Hoje!
Cavaleiro do Norte especialista em Reconhecimento, Informações e Operações, trabalhou no Gabinete de Operações e regressou a Portugal (com o seu inesquecível papagaio) a 8 de Setembro de 1975. A Santo André, no Barreiro - onde residia na altura. Emigrou e, actualmente, divide-se entre França (onde fez vida profissional) e Portugal, entre os afectos da família e dos amigos, já gozando a sua reformas profissional. 
Ao fim de 44 anos de ausência, foi, de braço dado à sua amada Cecília (foto), conviva animado, muito especial e surpreendente do encontro de 2019, em Rans (Penafiel) - o seu primeiro, depois da jornada africana do norte uíjano de Angola; e o último, antes da pandemia que ataca o mundo e afasta famílias e amigos
Parabéns, carérrimo Bento, pela tua bonita idade. E que mais e mais anos possa(mo)s festejar, sempre a lembrar-nos da Angola da nossa saudade. E, já agora, do teu inimitável papagaio!
João Azevedo

Azevedo da 2ª.  CCAV., 69
anos em Águas Santas !

O 1º. cabo Azevedo foi  apontador de morteiros de especialidade militar e Cavaleiro do Norte da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, comandada pelo capitão miliciano José Manuel Cruz.
João Francisco da Silva Rocha Azevedo e a sua subunidade ainda passaram por Carmona (e pelo BC 12) e regressaram a Portugal no dia 10 de Setembro de 1975, no final da sua comissão militar em Angola, por terras do Uíge, e fixou-se em Ramalde, no Porto - onde ao tempo morava. Actualmente, reside em Águas Santas, na Maia, para onde, e para ele, vai o nosso abraço de parabéns!

O casal Carvalho
Carvalho de Santa Isabel,
69 anos no Reino Unido !                                                                                
O soldado Armando Moreira de Carvalho foi atirador de Cavalaria da 3ª. CCAV . 8423, a da Fazenda Santa Isabel, e festeja 69 anos 18 de Outubro de 2021.No Reino Unido!
Natural de Teixogueira, freguesia de Milagres, no município de Leiria, lá regressou a 11 de Setembro de 1975 e por lá fez vida - mais tarde morando na Bidoeira de Cima, mesmo ao lado.
A emigração levou-o, aos 50 anos (em 2002) para o Reino Unido, onde continuou a sua vida profissional e onde continua a morar, agora já aposentado - desde 2017. Para lá, e para ele, vai o nosso abraço de parabéns!







 


domingo, 17 de outubro de 2021

5 585 - O comandante em Santa Isabel, a retracção do dispositivo militar do Uíge!

Cavaleiros do Norte em Santa Isabel: os alferes milicianos Carlos Silva e
 Jaime Ribeiro, o capitão José Paulo Fernandes, o comandante Almeida e
Brito, um civil da fazenda e os alferes Mário Simões e Augusto Rodrigues 

Cavaleiros do Norte de Zalala: furriéis milicianos Plácido
Queirós e Américo Rodrigues (à civil) e o 1º. sargento
Fialho, que hoje faria 82 anos. Faleceu há 12, a 22 de
Junho de 2005 e de doença, em Carnaxide


O dia 17 de Outubro de 1974 foi tempo da visita do comandante Carlos Almeida e Brito à Fazenda de Santa Isabel, onde estava aquartelada a 3ª. CCAV. 8423, a do capitão miliciano José Paulo Fernandes.
O comandante fez-se acompanhar por alguns oficiais do Comando (instalado no Quitexe) e a reunião de trabalho envolveu, certamente, a preparação da rotação dos «santa isabéis» para o Quitexe, no âmbito do plano de «retracção do
A Fazenda Santa Isabel, onde se aquartelou
 a 3ª. CCAV. 8423, entre 11 de Junho e 10 de
 Dezembro de 1974. Há 47 anos!
dispositivo militar, operada face ao cessar-fogo anunciado pelos três partidos emancipalistas de Angola», como refere o livro «História da Unidade», citando a FNLA, o MPLA e a UNITA.
A FNLA, recordemos, era a principal força independentista a actuar da zona de acção dos Cavaleiros do Norte e tinha anunciado o (seu)  cessar-fogo apenas dois dias antes - a 15 de Outubro de 1974. 
A rotação dos Cavaleiros do Norte de Santa Isabel só viria a confirmar-se a 10 de Dezembro deste ano, quando de lá saíram os últimos homens, juntando-se aos que já se tinham aquartelado no Quitexe, juntos à CCS.
A companhia comandada pelo capitão miliciano José Paulo de Oliveira Fernandes tinha rendido a 3ª. CCAÇ. 4211 a 11 de Junho, assumindo a responsabilidade operacional da sua área de intervenção três dias depois (a 14). 
O 1º. sargento Fialho Panasco e esposa, no
encontro dos Cavaleiros do Norte em Águeda,
 em 1995. Faleceu 10 anos depois, de
doença cancerosa. RIP!


1º. sargento Fialho Panasco, 
de Zalala, faria hoje 86 anos!

O 1º. sargento Fialho Panasco, responsável pela secretaria da 1ª. CCAV . 8423, a da Fazenda de Zalala e do capitão Davide Castro Dias, faria hoje 86 anos. Faleceu há 16, a 22 de Junho de 2005.
Alexandre Joaquim Fialho Panasco, de seu nome completo, foi louvado pelo comandante Almeida e Brito, por ter sido «excelente auxiliar da administração da Companhia, superando todas as dificuldades», nomeadamente aquando das «diversas rotações da Unidade». De Zalala para Vista Alegre, daqui para o Songo e depois para Carmona, antes de Luanda.
«Disciplinado, de trato correcto, de elevado sentido de colaboração, vincada lealdade para o comando que serviu, deve considerar-se ser este militar digo do conceito em que do antecedente era tido e que agora novamente confirmou», sublinha o louvor,  acrescentando que «se cotou como precioso auxiliar e conselheiro do seu comandante de Companhia» - que era o capitão miliciano Davide de Oliveira Castro Dias. Motivos que, considerou o Comandante Almei-
da e Brito, «levam a garantir a sua eficiência em qualquer outra situação militar que viva e que o torna merecedor do presente louvor».
Faleceu, vítima de doença cancerosa, a 22 de Junho de 2005, aos 70 anos e em Carnaxide, onde residia. Hoje o recordamos com saudade. RIP!!! 

sábado, 16 de outubro de 2021

5 584 - A Comissão de Contra-Subversão do Quitexe e a liberdade dos principais itinerários!

A Estrada da Café liga Luanda a Carmona, agora Uíge e a capital da Província deste nome.
Aqui, na entrada do Quitexe, vendo-se o furriel Viegas, da CCS, e, de costas, o condutor
Nogueira, a CCAÇ. 209/RI 2, a do Liberato. A 24 de Setembro de 2019


A parada da CCS do BCAV. 8423, vista do lado da Igreja.
Ao cimo e muito vem conservada a Administração Civil do
Quitexe. A imagem e de 24 de Setembro de 2019

A Comissão Local de Contra-Subversão (CLCS) do Quitexe reuniu a 16 de Outubro de 1974, há 47 anos, para analisar a situação politica e militar, numa altura em que se fazia véspera do anunciado cessar-fogo por parte da FNLA.
Repetia-se a do dia 3 e, nesse mês. ainda se realizaria uma terceira - no da 30.
O tempo era de esperanças e dúvidas. Por um lado, expectava-se o cessar-fogo do movimento de Holden Roberto. O que era bom, pois iria suscitaria a retração do nosso dispositivo militar. Por outro,  isso em nada iria «mudar a vida operacional» dos Cavaleiros do Norte, já que «continuava a caracterizar-se como intensa», nomeadamente no que tinha a ver com «os continuados  patrulhamentos, orientados para a obtenção da liberdade de movimentos» nos itinerários terrestres e em particular na Estrada do Café - a que liga Luanda a Carmona e passava por localidades onde se aquartelava o BCAV. 8423: Destacamento de Ponte do Dange, Vista Alegre, Aldeia Viçosa e Quitexe.
O que nada fácil era e, valha verdade, exigia dos Cavaleiros do  Norte muito esforço físico e psicológico. Apesar da tranquilidade operacional que se sentia. Mas nunca fiando!

Contra-subversão no Quitexe e
Junta Governativa de Angola


A Comissão Local de Contra-Subversão 

(CLCS) do Quitexe reuniu-se nesse dia 16 de Outubro de 1974 e continuou «o programa traçado» pelas autoridades militares.
O livro »HistóriA da Unidade» caracteriza esse período como sendo «uma acalmia não encontrada há largos anos». E ainda bem, mas com as necessárias cautelas.
O dia de há 47 anos foi também tempo para a chegada, a Luanda, de delegações da FNLA e do Zaire, para conversações com a Junta Governativa de Angola, «incidindo especialmente sobre a descolonização e a independência».
Assunto muito particularmente relevante era o da formação do Governo de Transição, que, de acordo com o Diário de Lisboa desse dia, «englobaria representantes dos 3 movimentos de libertação e outras facções políticas».
Boa notícia do dia: confirmou-se o cessar-fogo anunciado pela FNLA.

Azevedo de Santa Isabel, 69
anos em Oliveira de Frades !

O soldado João Luís Pinto de Azevedo foi  atirador de Cavalaria da 3ª. CCAV. 8423, e festeja 69 anos a 17 de Outubro de 2021,
Cavaleiro do Norte da Fazenda Santa Isabel, regressou a Portugal no dia 11 de Setembro de 1975, no final da sua jornada africana do Uíge angolano, e fixou-se na Rua Cândido dos Reis, na cidade da Amadora. Supostamente (não estamos certos), residirá agora no Bairro da Remolha, em Oliveira de Frades, para onde vai o nosso abraço de parabéns!




sexta-feira, 15 de outubro de 2021

5 583 - Plataforma de entendimento, há 47 anos, e paragem de hostilidades entre as NT e a FNLA!

Cavaleiros do Norte da CCS, no Quitexe. De pé: 1ºs. cabos Soares, Oliveira e Pais,
 furriel Rocha, 1º. cabo 
Estrela (de bigode), Silva, alferes Hermida (de bigode), Zambujo
 (idem), furriel Pires (braços cruzados), 
Felicíssimo (Zalala), 1º. cabo Mendes, Couto, 
1º. cabo Pires (Fecho-eclair, de mão no queixo) e NN. Em 
baixo, NN, 
Costa, 1º. cabo Salgueiro, furriel Cruz e 1º. cabo Tomás
Quitexe, em 1974. Trio aparentemente musical de furriéis
 milicianos do Quitexe: João Peixoto,  FRancisco Neto e Viegas


A Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), um dos três movimentos independistas de Angola, este liderado por Holden Roberto, confirmou o seu cessar-fogo a 15 de Outubro de 1974, hoje se fazem 47 anos.
Era uma boa, uma excelente notícia...
O anúncio, já previamente proclamado - como, de resto, aqui falámos nos últimos dias... -, foi recebido com expectativa pelas muitas guarnições portuguesas operacionais em terras de Angola, mas, de acordo com o livro «História da Unidade», o do do BCAV. 8423, «a atitude em nada mudou a vida operacional que se conduzia», a dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423.
«Já havia sido obtida uma plataforma de entendimento, que levava à paragem das hostilidades entre as NT e a FNLA» , lê-se no sobredito livro «História da Unidade». 
Manter a actividade operacional foi medida acertada do tenente-coronel de Cavalaria Carlos Almeida e Brito, comandante dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, pois, logo no dia 18 desse Outubro de 1974 - apenas três dias depois... -, a mesma FNLA «começou a procurar realizar actividade de pilhagem aos utentes dos itinerários».
Notícia do Diário de Lisboa de 15 de Outubro de 1974
sobre os acordos de Chipenda com Portugal e Zaire


UNITA em Luanda, diferenças
entre o MPLA e Chipenda

A UNITA de Jonas Savimbi, há precisamente 47 anos (15 de Outubro de 1974), «começou a instalar em Luanda os seus quadros políticos».
Os seus primeiros três dirigentes foram recebido pelo almirante Rosa Coutinho, no Palácio do Governador, e o encontro, segundo um despacho da Junta Governativa de Angola, «inseriu-se no contexto da descolonização, no qual a UNITA participa, a par dos outros movimentos de libertação».
O MPLA de Agostinho Neto, por seu lado, reagia ao encontro de Daniel Chipenda com uma delegação portuguesa, no Zaire, considerando-o como «uma troca de impressões, uma vez que não está mandatado para estabelecer quaisquer negociações pelo MPLA».
Daniel Chipenda  que, ao tempo, era um dos dois vice-presidentes do MPLA (com Joaquim Pinto de Andrade), na presidência de Agostinho Neto, ariu uma delegação em Kinshasa, que o MPLA considerou ser «um escritório de Chipenda e não uma delegação do MPLA». 
Era ou não era?
Fernando Lopes,
cozinheiro de Zalala

A morte do cozinheiro Lopes
dos Cavaleiros de Zalala !

O soldado Lopes, cozinheiro da 1ª. CCAV. 8423, a da Fazenda de  Zalala, nasceu a 17 de Outubro de 1952 e faleceu a 12 de Julho de 1983, há 38 anos, ainda não tinha 30.
Fernando Manuel da Conceição Lopes, de seu nome completo, foi foi Cavaleiro do Norte do BCAV. 8423 e. no âmbito a sua jhormada africana do norte de Angola, por 15 meses, também de Vista Alegre, Songo e Carmona. Era natural da Póvoa do Forno, da freguesia do Troviscal, no concelho de Oliveira do Bairro, em pleno coração da Bairrada - onde nasceu a 17 de Outubro de 1953.
Lá voltou a 9 de Setembro de 1975 e trabalhava na Cooperativa Agrícola de Oliveira do Bairro quando faleceu, vítima de acidente, quando seguia numa motorizada e embateu com uma carrinha.
Hoje o recordamos com saudade! RIP!!!