CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

quinta-feira, 21 de abril de 2022

5 779 - As mortes do tenente Mora e do 1º. cabo Mendes! Troca de prisioneiros no Úcua sem êxito!

Os alferes milicianos Jaime Ribeiro e António Garcia e os tenentes SGE Acácio Luz e João Elóy Borges
  da Cunha Mora, que faleceu a 21 de Abril de 1993, há 29 anos, de doença, em Lisboa e com 67 de idade.

O 1º. cabo Carlos Alberto Jesus  Mendes, 
mecânico electricista da CCS do BCAV. 8423.
aqui no BC12, em Carmona e em 1975

O dia 21 de Abril está ligado à morte de dois Cavaleiros do Norte da CCS do BCAV. 8423, ainda que em anos diferentes: o tenente João Elóy Mora e o 1º. cabo Carlos Mendes. 
João Eloy Borges da Cunha Mora, tenente SGE, era natural de Pombal, onde nasceu a 30 de Junho de 1926. Foi 2º. comandante da CCS do BCAV. 8423 e personagem inesquecível da missão que nos levou a Angola.  Regressou a Portugal no dia 8 de Setembro de 1975 e prosseguiu a sua carreira militar. 
Casado com uma senhora de origem indiana, que o acompanhou em Angola, sem filhos, faleceu a 21 de Abril de 1993, de doença e aos 67 anos de idade. Morava na Lapa, em Lisboa. 
O 1º. cabo Carlos Alberto de Jesus Mendes, de seu nome completo, era mecânico-electricista de especialidade militar - no parque-auto comandado pelo alferes miliciano António Albeno Cruz - e era natural da freguesia de Santa Isabel e morador na Rua Maria Pia, em Lisboa. Lá regressou a 8 de Setembro de 1975,  no final da sua (e nossa) jornada africana por chãos do nortenho Uíge angolano.
Faleceu a 21 de Abril de 2010, também de doença e quando residia na Rua Presidente Arriaga, aos Prazeres, também em Lisboa. Tinha 58 anos, nascido a 3 de Fevereiro de 1952. 
Ambos recordamos, com saudade. RIP!!! RIP!!!
O furriel Viegas e o condutor Nogueira
a caminho de Úcua, a 24/09/2019

Troca de prisioneiros
tentada sem êxito


A 21 de Abril de 1975, em vésperas das primeiras eleições portuguesas pós-25 de Abril, os Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423 foram a Úcua, vila na Estrada do Café e no caminho de Luanda, com uma missão muito especial: a troca de prisioneiros. 
«Tentada sem êxito», reporta o livro «História da Unidade».
O patrulhamento, porém, também recolheu informações, muito úteis para «a reunião a nível mais elevado com elementos do Gabinete Militar Misto». 
O Batalhão de Cavalaria 8423, com a CCS e parte da 2ª. CCAV. 8423 ao tempo aquarteladas no BC12, «foi honrado com a presença do brigadeiro comandante do Comando Territorial de Carmona, acompanhado do seu Estado Maior e recebido no aquartelamento com formatura geral».

Alexandre Pereira


Pereira de Aldeia Viçosa,
faz anos 70 em Murça !

O soldado clarim Alexandre José Morais Pereira, Cavaleiro do Norte da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa festeja 70 anos a 22 de Abril de 2021.
Clarim de especialidade militar, é natural de Murça, vila de Trás-os-Montes, onde morava na Rua 5 de Outubro. Lá regressou a 10 de Setembro de 1975, no final da sua comissão militar por terras do Uíge angolano - que tambem o levou à cidade de Carmona (actual Uíge).
Sabemos que ainda reside em Murça, agora na Rua Soldado Herói Milhões, e é para lá, e para ele, que vai o nosso abraço de parabéns!

quarta-feira, 20 de abril de 2022

5 778 - Os aerogramas, as cartas e as cassetes de amor que voavam de lá para cá...

Os furriéis milicianos Viegas e Neto, do PELREC da CCS do BCAV. 8423 e especialistas
de Operações Especiais (Rangers) no jardim do Quitexe e e em 1974

Os furriéis Neto e Viegas, há 48 anos e no Quitexe, 
gravando mensagens de cassete para Portugal


O Quitexe era uma vila muito acolhedora e agradável, com vários cafés e restaurantes, hospital, cinema..., muitas lojas comerciais. E fica(va) a 40 quilómetros de Carmona (Uíge), uma cidade ainda com (muitas) mais respostas para quem, aos 21 para 22 anos, tinha sonhos e desejos que aqui não se contam.
O facto de eu e o Neto sermos de um pelotão operacional, dava-nos algum descanso intervalado - que aproveitámos para lazer. O Neto, ao tempo, vivia acesa paixão com a Eunice (Ni), namorada de então e mulher de hoje, e algum do nosso tempo era passado em leituras declamadas e cheias de mímica do correio que nos chegava de Portugal.
Eu por mim, sem namorada, era talvez quem mais correio recebia! Brincava, por isso, com aquela malta toda - que se enlutava de cada tarde em que, chegado de Carmona, o SPM não trazia endereço para algum de nós. Era o SPM que nos matava saudades, em aerogramas escritos e reescritos, por tudo o que era canto e lado - com corações desenhados, de setas atravessadas!
Em cada tarde que algum de nós não recebia correio, era desgosto que se chocava na alma!
O Neto, o José Francisco Rodrigues Neto - o Xico, para mim... - assolapava-se de amores, media as palavras a paquímetro, torneava-as, burilava-as, recitava-as, ensaiando os seus recados de paixão para a Ni! 
A segunda fotografia deste post foi tirada expressamente para enviar a Ni! Fiquei eu com esta cópia! A tropa não matava as paixões! Nem falecia o desejo de escrever aerogramas. Milhares, de lá para cá, levando e trazendo as boas e as más notícias. Selando os e muitos amores!!!
- AEROGRAMA: Um aerograma era uma espécie de carta que se enviava por correio aéreo, sem necessidade de sobrescrito ou selo. O custo era o de compra. E barato, para aí dois tostes (um quito do escudo). Foi criado pelo Movimento Nacional Feminino e era o meio de correspondência usualmente utilizado por e para os militares.
- SPM: Serviço Postal Militar. O SPM da CCS do BCAV. 8423 tinha o nº. 8240.

Abílio Gonçalves
Gonçalves, 1º. cabo de Santa Isabel,
71 anos em Oliveira de Azeméis!

O 1º. cabo Abílio Pimenta Gonçalves, da 3ª. CCAV. 8423 e operador-cripto de espacialidade militar, festeja 71 anos a 20 de Abril de 2022. Hoje!
Cavaleiro do Norte da Fazenda de Santa Isabel, comandada pelo capitão miliciano José Paulo Fernandes, é natural do lugar de Costa, da freguesia e vila de Cucujães, em Oliveira de Azeméis. Lá voltou a 11 de Setembro de 1975, quando terminou a sua comissão pelo norte angolano - que ainda o levou à vila do Quitexe (juntando-se à CCS) e a Carmona, a actual cidade do Uíge.
Por Cucujães continua a viver e não se «poupa» aos encontros anuais dos Cavaleiros de Santa Isabel, sempre que se realizam. Para ele vai o nosso abraço de parabéns!
João J. Rito

Rito de Aldeia Viçosa
faria hoje 70 anos!

O soldado Rito foi atirador de Cavalaria da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, e hoje faria 70 anos. Dia 20 de Abril de 2022.
João Jerónimo Rito, de seu nome completo, foi Cavaleiro do Norte no aquartelamento daquela vila uíjana e também na cidade de Carmona (actual Uíge), durante a sua (e nossa) jornada africana de Angola.
Regressou a Portugal no dia 10 de Setembro de 1975 e foi sempre  participante dos muitos encontros anuais dos Cavaleiros do Norte comandados pelo capitão miliciano José Manuel Romeira Pinto da Cruz.
Faria hoje 70 anos, mas, vítima de doença, infelizmente faleceu a 1 de Março de 2016, aos 64 e já lá vão 6 anos!!!... - depois de internamento no Hospital Distrital de Castelo Branco, a sua cidade natal e onde morava, no Bairro da Boa Esperança. Hoje e aqui o recordamos, com saudade e emoção! RIP!!!

terça-feira, 19 de abril de 2022

5 777 - Férias no Huambo angolano e os primeiros incidentes militares em Nova Lisboa...

O furriel Viegas em Nova Lisboa, na antiga Avenida da República e em frente ao
Hotel Bimbe, agora uma pastelaria e padaria huambana, centro da cidade que
agora é Huambo, capital da província do mesmo nome. Setembro de 2019


A Escola de Aplicação Militar (EAM), na cidade
de Nova Lisboa (Huambo) e em 1975


A 19 de Abril de 1975, há 47 anos, andávamos (os furriéis milicianos Cruz e Viegas) por Nova Lisboa em angolanas férias, desfrutando do cosmopolitismo de uma lindérrima cidade, fundada pelo Goverador Norton de Matos - que a quis fazer capital de Portugal.
Ao tempo e pelos uíges da nossa jornada africana do norte de Angola, repetiam-se incidentes entre militantes armados do MPLA e da FNLA. 
O planalto huambino, ao contrário e porém, parecia um paraíso. Estranhamente, na verdade e para mim, toda a gente tinha uma enorme confiança no futuro e nada de cultivar preocupações quanto ao futuro. O sul de Angola, na verdade, estava livre de problemas, não havia guerra, que era «coisa lá dos gajos do norte» - os da zona do café, do Uíge, nos Dembos, no Leste, embora, por esse tempo de há 47 anos, o sangue já há muito regasse as ruas de Luanda e outras cidades. 
Eu mesmo vivi esse clima de paz centro/sulista, nas viagens de milhares de quilómetros que se faziam sem necessidade de qualquer segurança - de Luanda à Gabela, a Nova Lisboa, ao Lobito, a Benguela, a Novo Redondo, Sá da Bandeira e Moçâmedes. Ou a Carmona, a Salazar. 
Todavia, num destes meus dias de Nova Lisboa registaram-se os primeiros incidentes e uma turba de angolanos armou escaramuça na avenida da República, pertíssimo do Ruacaná - onde eu fui ao cinema, com minha madrinha Isolina. E no bairro de Santo António, perto do RI 21 e da Escola Prática Militar de Nova Lisboa. 
Foram um «aviso» para o que se seguiria nos meses seguintes, pelos julhos e agostos fora, setembros e outubros de muitas dores de 1975, na guerra civil que arrasou a cidade e muitas outras. 
O furriel Viegas e a estátua
de Norton de Matos, há 47
ano e em Nova Lisboa
O furriel Viegas e a
estátua de Norton de
Matos, em Setembro
de 2019

A Páscoa europeia

em Nova Lisboa!

Ainda desses dias de Nova Lisboa, recordo a «hospedagem» no Bimbe da Família Neves Polido e com programa diário cheio da atractivos e... atracções. O Rafael Polido, o Manuel Viegas, o Sérgio, foram cicerones e anfitriões magníficos foram todos.
Recordo a muito especial noite na zona dos quartéis, 
em petiscadela que meteu moelas e moambas, no bar-restaurante que o Orlando Rino - um conterrâneo estabelecido no Bairro de Santo António, nas imediações do da Escola de Aplicação Militar de Angola e do RI21, ao Bairro de Santo António. 
Falámos intensamente do movimento revolucionário que incendiava Portugal, das consequências da próxima independência de Angola e de como, nesse quadro, seria a vida dos portugueses - os brancos! 
E também recordámos tradições pascais da nossa aldeia (somos conterrâneos), «encenadas» com marisco trazido do Lobito, fresquíssimo..., e regado a vinho verde branco.
Orlando Rino radicou-se, entretanto, no sul do Brasil, em Rio Grande, onde já nos encontrámos uma meia-dúzia de vezes e sempre recordámos aquela mágica noite huambana. Infelizmente, cegou há mais de uma dezena de anos, vítima de diabetes e doenças afins. E há pouco tempo soubemos, já com atraso, que faleceu em 2020! RIP!!!
1º. cabo Jorge Pinho

A morte, há 26 anos, do
1º. cabo Jorge Pinho !

O 1º. cabo Jorge Manuel de Sousa Pinho faleceu há 26 anos, no dia 19 de Abril de 1996 e na sua cidade natal - o Porto.
Cavaleiro do Norte da CCS do BCAV. 8423, com a especialidade de escriturário, jornadeou pela vila do Quitexe e cidade de Carmona, em toda a sua comissão em Angola e trabalhando na secretaria do Comando do Batalhão, entre 30 de Maio de 1974 (dia da chegada a Luanda) e 8 de Setembro de 1975.
Regressou neste dia ao lugar de Choupos, freguesia de Ramalde, na cidade do Porto, e ali morou no Bairro dos CTT. Faleceu, a 19 de Abril de 1996, há 26 anos e em vésperas de chegar aos 44 anos, que faria no dia 25 de Abril imediatamente seguinte. Partiu muito cedo, vítima de doença!
Hoje, aqui fazemos memória dele, militar discreto e competente, bom companheiro, recordando-o com saudade. RIP!!!


Carvalho de Santa Isabel
70 anos em Amares

O soldado Joaquim Fernandes de Carvalho foi Cavaleiro do Norte e soldado da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel e do capitão José Paulo Fernandes.
Condutor auto-rodas de especialidade militar, também passou pelo Quitexe e por Carmona, tendo regressado a Portugal no dia 11 de Setembro de 1975, no final da sua jornada africana do norte uíjano de Angola.
Fixou-se na sua terra natal, no lugar de Sobre a Igreja, freguesia de Fiscal, no município de Amares. É lá que, hoje mesmo, dia 19 de Abril de 2022, fará 70 anos e por isso o felicitamos. 
Parabéns!

segunda-feira, 18 de abril de 2022

5 776 - O 2º. comandante José Diogo Themudo em Vista Alegre e Daniel Chipenda na FNLA!


Cavaleiros do Norte da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, que há 47 anos e em Vista Alegre, foi visitada
pelo 2º. comandante José Diogo Themudo. Atrás, Rocha (?), Espinho (?), Fião, Romão, Tarciso,
Aprumado, Mira, Mamarracho e Pereira. Sentados, estão Azevedo, Rego, Oliveira (?), Lopes,
Dorindo e o furriel miliciano mecânico Manuel Dias
O alferes miliciano João Machado e os capitães
José Paulo Falcão (oficial adjunto) e José Diogo
Themudo (2º. comandante do BCAV. 8423)

Há 47 anos, o capitão José Diogo Themudo, 2º. comandante do Batalhão de Cavalaria 8423, esteve em Vista Alegre e na 1ª. CCAV. 8423, no âmbito das «visitas de trabalho às subunidades» e acompanhado pelo alferes miliciano António Albano Cruz, o oficial miliciano de manutenção-auto.
Vista Alegre, com um Destacamento na Ponte do Dange, aquartelava, a esse tempo, os Cavaleiros do Note de Zalala já desde o dia 10 de Dezembro de 1974. A companhia era comandada pelo capitão miliciano Davide de Oliveira Castro Dias e tinha rodado da mítica Zalala - «a mais rude escola de guerra»!
Seguramente, tal visita de trabalho serviu para preparar a rotação dos Cavaleiros do Norte de Zalala para o Songo, que se concretizaria a 26 de Abril seguinte. A presença do oficial mecânico-auto, o alferes miliciano António Albano Araújo de Sousa Cruz, certamente foi para analisar o estado de manutenção das viaturas - que na 1ª. CCAV. 8433 era permanentemente assegurada (e bem) pelo furriel miliciano Manuel Dinis Dias.
Daniel Chipenda

Chipenda na FNLA

O dia 18 de Abril de há 47 anos foi data para se saber que Daniel Chipenda, histórico dirigente do MPLA de Agostinho Neto, chegara a acordo com a FNLA e a sua facção - também conhecida por Revolta do Leste - fora dissolvida e integrada no ELNA -o Exército de Libertação Nacional de Angola, braço armdo da FNLA de Holden Roberto.
Daniel Chipenda passou a fazer parte do Conselho Nacional de Revolução e do Gabinete Político da FNLA e também a exercer as funções de secretário geral adjunto do movimento de Holden Roberto. 
Os principais elementos da facção dissolvida «passaram a ocupar postos de responsabilidade nas diferentes instâncias da FNLA». Os tropas, foram integrados em unidades do ELNA.
O furriel Viegas com a madrinha Isolina e as
netas dela - a Fátima e a Idalina. Há 47 anos!


Férias por Angola,
adeus ao Huambo

Os furriéis milicianos Cruz e Viegas, por estes dias de Abril de 1975, faziam malas para a partida e o adeus a Nova Lisboa, actujal cidade de Huambo - a caminho de Benguela e Lobito.
A viagem foi feita em comboio do Caminho de Ferro de Benguela, em longas horas e muitas paragens - que boa parte dos passageiros aproveitavam para vender mercadorias de todo o tipo e feitio. Até animais vivos.
Nova Lisboa e o planalto huambano ficavam para trás, mas permanentemente arquivadas nas nossas memórias. Pelo que era a sua belíssima paisagem, a sua qualidade de vida e modernidade, os excelentes  equipamentos urbanos, sociais e culturais, a sua riqueza natural, o desenvolvimento, é verdade, mas principalmente pela cortesia e bem-receber das suas gentes! 
O seu fino trato e generosidade! Inesquecíveis!
José Martins
1º. cabo

Martins, 1º. cabo de Zalala, 
faz 70 anos em Alverca !

O 1º. cabo Martins, Cavaleiro do Norte da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, festeja 70 anos a 18 de Abril de 2022, em Alverca.
Atirador de Cavalaria, José Miguel Martins, integrou o 4º. Grupo de Combate, comandado pelo alferes miliciano José Manuel Lains dos Santos e com os furriéis milicianos Jorge Barata e Américo Rodrigues, infelizmnte já falecidos, e José Louro, todos atiradores formados na Escola Prática de Cavalaria, em Santarém.
Regressou a Portugal a 9 de Setembro de 1975 e fixou-se em  Aldeia de Santa Margarida, no concelho de Idanha-a-Nova, de onde era (é) natural e residia, A vida «transportou-o» para a zona da Grande Lisboa e vive agora em Alverca, para onde vai o nosso abraço de parabéns!

domingo, 17 de abril de 2022

5 775 - Cavaleiros do Norte reforçados por terras do Uíge ! Agressão á consulesa da Holanda em Luanda !

Praça dos serviços públicos da cidade do Uíge, antiga Carmona. À esquerda, o edifício do
Tribunal militar das FAA e que foi o Comando do Sector do Uíge (Zona Militar Norte) no tempo
da administração portuguesa. Em frente, o emblemático edifício dos CTT
Oficiais milicianos dos Cavaleiros do Norte em Carmona,
 1975, num momento «civil»: alferes João Machado, da 2ª.
CCAV., de Aldeia Viçosa, e capitão Davide Castro Dias,
comandante da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala
Os furriéis Monteiro e Peixoto
na messe de Carmona (1975)



Há 47 anos e aquartelados no BC12, em Carmona, os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 foram refrescados e reforçados com dois grupos de combate e continuavam a sua missão por terras do nortenho Uíge angolano. 
E não só, embora principalmente, na cidade de Carmona, com o também em outros centros urbanos - Quitexe, Aldeia Viçosa e Vista Alegre, Songo e Negage, por exemplo - e igualmente nos grandes itinerários do território.
As grandes dificuldades, pelas bandas de Carmona, tinham a ver com as crescentes diferenças e escaramuças entre as forças de combatentes do MPLA de Agostnho Neto e da FNLA de Holden Roberto, que chegavam a pontos de as suas forças trocarem fogo entre si, em repetidos incidentes, assim desestabilizando a segurança pública da cidade e dos cidadãos.
«Está-se conseguindo uma situação de calma, fictícia, é certo, mas que permite manter um dia-a-dia mais ou menos estável, quebrado por um ou outro incidente», ralata(va) o livro «História da Unidade» - o BCAV. 8423.
Daphne Groot, Consulesa
 da Holanda em Luanda 
Rudolf Groot

Agressão á consulesa
da Holanda em Luanda !


O dia 17 de Abril de 1975, em Luanda, foi marcado por inusitado acontecimento, relatado pelo «Diário de Lisboa»: «A senhora Daphne De Groot, esposa do Cônsul da Holanda em Luanda, foi brutalmente espancada por três militantes da FNLA».
A agressão ocorreu durante uma visita ao jornal «A Província de Angola», afecto a este movimento, e quando se encontrava no gabinete do director, Rui Correia de Freitas, que «mandou chamar militares do ELNA (Exército da FNLA), que agrediram a visitante».
O acontecimento, ainda segundo o Diário de Lisboa, «deve-se provavelmente ao apoio recentemente anunciado pela Holanda, ao MPLA» no decorrer da visita de Agostinho Neto a este país.
Rui Correia Freitas era, de acordo com o Diário de Lisboa, «um elemento ligado ao ex-regime fascista-colonialista e teve papel de relevo no golpe falhado de 28 de Setembro». Foi-lhe emitido um mandato de captura e refugiou-se na África do Sul, «tendo regressado em princípios de Março, sob protecção da FNLA».
Daphne de Groot era esposa de Rudolfo de Groot, Cônsul holandês em Luanda, onde tinha chegado em 1970 e de lá saindo em Julho de 1976.
O filho Peter de Groot, que então os acompanhava, relatou-nos que os pais foram depois para a cidade de S. Paulo, no Brasil, e voltaram a Angola em 1978. «Meu pai saiu do movimento diplomático, finalmente, em 1990 e foi viver para Portugal. Residia em Almoçageme, onde faleceu no mês de Agosto de 2014, aos 81 anos», disse-nos Peter de Groot.

Joaquim G. Mendes
da 2ª. CCAV. 8423
Mendes de Aldeia Viçosa,
70 anos em Vila de Rei!


O Mendes foi soldado atirador de Cavalaria da 2ª. CCAV. 8423 e festeja 70 anos a 17 de Abril de 2022. Hoje mesmo, dia Páscoa!
Joaquim Gaspar Mendes foi Cavaleiro do Norte da Companhia de Aldeia Viçosa (e depois de Carmona), comandada pelo capitão miliciano José Manuel Cruz, e é natural de Souto, freguesia de Fundada, no concelho de Vila de Rei. Lá regressou a 10 de Setembro de 1975, no final da sua comissão militar em Angola.
Mora agora em Estevais (na Rua da Sobreira), no mesmo concelho do distrito de Castelo Branco, por lá fazendo a sua vida familiar e profissional. Para lá vai o nosso abraço de parabéns!

sábado, 16 de abril de 2022

5 774 - Furriel Eusébio Martins morreu há 8 anos! A chegada do Pelotão de Morteiros 4281 !

Os furriéis milicianos Américo Rodrigues, Jorge Barata, José Louro, José Nascimento,
Eusébio Martins, Manuel D. Dias, Victor Velez e Victor Costa, todos de Zalala. Já faleceram,
 Rodrigues (a 20/08/ 2018), Barata (11/10)1997), Dias (a 20/10(2011) e Eusébio - hoje se fazem
8 anos. RIP!!! Assim como Victor Guedes, que ontem já evocámos! RIP!!!
Furriéis de Zalala em Belmonte, Junho de 2012: De
pé Manuel Pinto, Eusébio Martins (f. a 16/04/2014),
Mota Viana e Américo Rodrigues (f. a 30/08/2018).
Sentaos, Joao Dias, Plácido Queirós e Jorge
Barreto (f. a 02/11/2020). RIP!!!



O furriel miliciano Eusébio Manuel Martins, combatente da 1ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel e do BCAV. 8423, faleceu há 8 anos, de doença e a 16 de Abril de 2014.
Cavaleiro do Norte de Zalala e atirador de Cavalaria de especialidade militar, era natural de Caria, em Belmonte, e morava nesta vila, onde foi funcionário da Escola Profissional Agrícola.
A saúde começou a fragilizá-lo já em 2008, ano em que a má circulação sanguínea e os diabetes o levaram por 5 vezes às mesas de operações, acabando por perder a perna esquerda.
Nada, todavia, que lhe retirasse o entusiasmo e gosto de viver.
«Fiquei mais leve...», disse-nos ele, por várias vezes e a esse tempo, ao telefone, sempre bem disposto e sem sombra de amargura que se lhe percebesse, sublinhando até, com ironia, que «a partir dos 50, vamos perdendo a validade».
«É como os iogurtes!!!...», acrescentava Eusébio, com uma boa gargalhada.
Hoje, 8 anos depois da sua morte, aqui o recordamos com saudade, em memória de um bom companheiro da nossa jornada africana por terras do norte angolano. RIP!!
Os furriéis milicianos Fernando
Pires e Luís Costa, do Pelotão
de Sapadores 4281
Os alferes milicianos João Leite,
comandante do Pelotão de Sapadores
4281, Jaime Ribeiro e António Garcia


Os Morteiros do 4281
chegaram a Angola !



O Pelotão de Morteiros 4281 (PELMOR 4281), comandado pelo alferes miliciano João Leite, partiu para Angola a 16 de Abril de 1974, há 48 anos.
Ums dias de «estágio» no Campo Militar do Grafanil, em Luanda, anteciparam a partida para o Quitexe - onde, a partir de 6 de Junho, foi contemporâneo dos Cavaleiros do Norte da CCS do BCAV. 8423.
O alferes João Leite era (é) açoriano e dese há muitos anos que está radicado nos Estados Unidos, em San Lorenzoonde é empresário em San Lorenzo, na Califórnia, onde é empresário de tecnologias de informação. 
O PELMOR 4281 tiha mos seus quadros o 2º. sargento Fernando Gomes (que lá vivia com a esposa), Comando de formação militar mas em Angola o responsável pela secretaria, e os furriéis milicianos Luís Filipe dos Santo Costa e Fernando de Freitas Reimão Fernando Pires, os operacionais.
O PELMOR 4281 aquartelou-se no Quitexe até 4 de Janeiro de 1975, onde foi companheiro dos Cavaleiros do Norte da CCS do BCAV. 8423, começando a sua rotação para Carmona a 20 de Dezembro anterior e para o BC12
António Honório Campos
alferes miliciano médico
O capitão Fernandes e os alferes
Pedrosa, Silva, Simões e Campos

Alferes-médico Campos,
78 anos em Coimbra !

O alferes miliciano médico António Honório de Campos festeja hoje 78 anos, em Coimbra.
Substituiu o capitão Manuel Leal na CCS e serviu também as 2ª. CCAV., de Aldeia Viçosa, e a 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel, e com «elevada competência profissional», que justificou «merecido louvor», proposto pelo capitão José Paulo Fernandes, da 3ª. CCAV. 8423.
Acumulou funções militares com as de Delegado de Saúde do Quitexe, apoiando «toda a população civil, sem olhar a horas de trabalho», como se lê no louvor do comandante Almeida e Brito, acrescentando-lhe «dedicação integral a todos os casos vividos».
O grave conflito armado entre a FNLA e o MPLA, no Quitexe e em Junho de 1975, levou-o a ter de «actuar quase sozinho, perante elevado número de feridos muito graves, patenteando elevada isenção» e manifestando  «a sua capacidade técnica e humana, em actividade digna de realce».
Regressado a Portugal, seguiu carreira de dermatologista, foi assistente graduado do Hospital Infante D. Pedro, em Aveiro, e exerceu medicina privada. Está aposentado desde Outubro de 2006 e vive em Coimbra, dividindo o seu dia-a-dia com a Figueira da Foz. 
Parabéns!




sexta-feira, 15 de abril de 2022

5 773 - A morte do furriel Victor Guedes de Santa Isabel! Intensa actividade de patrulhamentos mistos !


Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel: furriéis
milicianos Agostinho Belo, Ângelo Rabiço, José Querido, Victor
 (falecido a 16 de Abril de 1998) e António Fernandes

O furriel miliciano Guedes faleceu, vítima de doença, a 16 de Abril de 1998, em Lisboa.  Amanhã se passam 24 aos!
Victor Mateus Ribeiro Guedes foi Cavaleiro do Norte da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel, ali e por toda a jornada africana de Angola - depois pela vida do Quitexe e pela cidade de Carmona -, servindo, sempre eficiente, como furriel miliciano de armamento pesado.
Militar discreto e bom companheiro, regressou a Portugal no dia 11 de Setembro de 1975 e radicou-se na Travessa dos Remédios, freguesia de S. Sebastião da Pedreira, em Lisboa. Tinha 46 anos na altura da sua morte, nascido que foi a 27 de Maio de 1952. Hoje, o recordamos com saudade! RIP!!!

Antes, 24 anos antes, um grupo de combate da sua 3ª. CCAV. 8423, ao tempo já aquartelada no Quitexe, reforçou a guarnição de Carmona e do BC12 no dia 15 (para 16) de Abril de 1975, ainda eu e o António Cruz andávamos a laurear o queijo pela zona de Nova Lisboa, no planalto huambano e gozando o segundo mês de férias da nossa jornada africana de Angola.

O furriel Viegas num momento de lazer,
nas férias de há precisamente 47 anos,
em Nova Lisboa (Angola)

Intensa actividade de
patrulhamentos mistos !

O objectivo da rotação tinha a ver, segundo se lê no livro «História da Unidade», com o reforço das NT na cidade e porque «pretendendo-se ao mesmo tempo realizar patrulhamentos de longo curso, chamemos-lhe assim, não se podia deixar a cidade de Carmona inactiva».
Ao tempo, recordemos, os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, no âmbito do seu intenso plano operacional, realizavam «intensa actividade de patrulhamentos mistos» e, por isso mesmo, «houve que reforçar temporariamente o BCAV. 8423», que, na véspera, já tinha recebido um grupo de combate do BCAÇ. 5015. 
Ia assim o processo descolonizador, com estas dúvidas e este anátemas!
Luanda era cenário de negociações entre os três movimentos e expectava-se a recolha de armas e desarme de civis (os considerados agitadores), tarefa que se afigurava muito difícil. Por exemplo, como recolher armas em posse desconhecida (ou nem tanto...) em bairros (os suburbanos) com 30 000, ou 40 000, ou 60 000 pessoas, nem se sabia?! Em posse de pessoas que, invocando a auto-defesa - ou qualquer outro motivo... -, dificilmente entenderiam que só a tropa portuguesa e as dos movimentos, ou as Forças Militares Mistas (FMM) poderiam andar armadas. Iriam entregá-las, ficando sem defesa própria?!
O furriel José Monteiro e
Fernanda Queirós, a esposa

Monteiro, furriel da CCS,
festeja anos da «mais-que-tudo»!

O furriel miliciano José Augusto Guedes Monteiro está hoje, dia 15 de Abril de 2022, em festa de anos da «mais-que-tudo»: a professora Fernanda Queirós.
A Nani de quem tanto e por apaixonadas razões ouvimos falar, pelos tempos da nossa jornada africana do norte de Angola - pelos idos anos de 1074 e 1975.
Anos saudosos e que, para o enamorado e separado casal (falamos de distância física, bem entendido...) mais cultivou a paixão comum, que os enamorou para a vida inteira, ao tempo temperada com ardentes cartas e cassetes d´amor.
A uma senhora não se pergunta, nem dela se diz a idade, mas nem por isso deixamos de aqui deixar o nosso abraço de parabéns. Pelos anos de vida e pela apaixonada e continuada «teimosia» de se manterem enamorados.
Aniano Tomás e Fernanda

Aniano de Aldeia Viçosa
«preso» à amada Fernanda!

O soldado Aniano Mesquita Tomás, da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, está metido em despesas d´amor: a sua amada Fernanda está hoje em festa de anos.
Bairradino da Ventosa do Bairro e condutor-auto por terras do Uíge angolano, passou primeiramente por Aldeia Viçosa e depois por Carmona.
Regressou a Portugal no dia dia 10 de Setembro e fez carreira profissional como serralheiro mecânico, agora já aposentado.
Parabéns para ambos. E que muitos mais e venturosos anos se somem à sua juventude sexYgenária! E, caro Aniano, sem diaia dia perder de leitura o blog dos Cavaleiros do Norte. Parabéns!

quinta-feira, 14 de abril de 2022

5 772 - A 1ª. CCAÇ. 5015 integrada no BCAV. 8423! A «OUA» de fora do conflito MPLA/FNLA!


O BC 12, agora unidade das Forças Armadas de Angola, no dia 25 de Setembro de 2019,  
quando por lá passou o  furriel Viegas, da CCS dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423

O capitão Tojal de Meneses, comandante da 1ª. CCAÇ. 5015,
e o furriel Américo Rodrigues, da 3ª. CCAV. 8423, falecido a
30 de Agosto de 2018, de doença e em VN de Famalicão

A guarnição militar de Carmona, actual cidade do Uíge, foi reforçada há precisamente 47 anos, no dia 14 de Abril de 1975, com um Grupo de Combate da 1ª. CCAÇ. do Batalhão de Caçadores 5015.
Esta subunidade tinha sido formado em Chaves e rodava do Songo onde há meses estaca aquartelada. Era comandada pelo capitão miliciano Tojal de Meneses e, por coincidência muito próxima, a 1ª. CCAV. 8423 foi substituí-la no dia 24 desse mês. Era o efeito prático das rotações miliares portuguesas do tempo de há 47 anos - os de pré-independência de Angola. 
As exigências de segurança e manutenção da ordem na cidade, por esse tempo de há 47 anos, não se compaginavam com o reduzidos número de militares operacionais estacionadas na capital do Uíge e recorria-se, por isso mesmo e muitas vezes, à colaboração (mais ou menos voluntária...) de outras especialidades - que não apenas as de atiradores de Cavalaria.
A razão da presença, depois (salvo erro) até de toda a 1ª. CCAC. 5015, quando foi rendida no Songo pela 1ª. CCAV. 8423 (a do capitão Davide Castro Dias), tinha a ver com as escaramuças entre a FNLA e o MPLA, que se repetiam (uma delas, na véspera, como já aqui historiámos), pelo que «houve que reforçar temporariamente o BCAV.», como refere o livro «História da Unidade».
Os furriéis milicianos Cruz e Viegas,
na placa central da Avenida do Quitexe

A «OUA» de fora do
conflito MPLA/FNLA!

O dia 14 de Abril de 1975 foi uma segunda-feira e já instalados no conforto do «Katekero», os furriéis Cruz e Viegas desceram a baixa de Luanda, nessa manhã e sem sinais de quaisquer problemas que nos fizessem lembrar os recentes e graves conflitos entre a FNLA e o MPLA.
A situação política e militar, porém, era muito preocupante e para mais sabendo-se que a delegação da Organização de Unidade Africana (OUA) estava em Luanda «a fim de se inteirar da situação angolana» e nomeadamente «as lutas entre o MPLA e a FNLA», que,  do seu ponto de vista, «ameaça(va)m a passagem pacífica para a independência».
Contudo e «após um protesto do MPLA», os representantes da OUA, segundo nesse dia noticiava o Diário de Lisboa, «asseguraram, com insistência, que a situação política está excluída dos objectivos da missão» e, por outro lado, que qualquer inquérito sobre os incidentes de Luanda «será efectuado separadamente pelos representantes da OUA, integrados na missão».
O MPLA de Agostinho Neto era contra. Um seu dirigente, no sábado anterior, afirmara mesmo que «o movimento se opunha formalmente ao envio para Angola de uma missão da UUA e da ONU afim de investigar in locco as recentes confrontações armadas de Luanda».
José B, Santos,
da mítica Zalala

Santos, atirador de Zalala, 
70 anos no Monte da Caparica !

O soldado José Baptista dos Santos, Cavaleiro do Norte da 1ª. CCAV. 8423, festeja amanhã 70 anos, dia 15 de Abril de 2022.
Atirador de Cavalaria de especialidade militar e combatente  da mítica Fazenda de Zalala e depois de Vista Alegre/Ponte do Dange, Songo e cidade de Carmona, era (é) natural da Penasqueira, lugar da freguesia e concelho de Oleiros. Foi lá  que voltou no dia 9 de Setembro de 1975, no final da sua (e nossa) comissão militar em Angola.
A vida levou-o para outras bandas de Portugal, mais a sul, e, agora já reformado, mora no Monte da Caparica, no concelho de Almada. Éara lá e para ele vai o nosso abraço de parabéns!