CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

3 925 - Comandante no Sector do Uíge e os regedores das milícias

Grupo de antigos combatentes da CCAÇ. 4145, adida ao BCAV. 8423
e que há 43 anos saiu de Vista Alegre e rodou para o Comando de Sector
 de Luanda. a imagem é do encontro de 2017


O condutor Nogueira, à esquerda,  e o furriel Oliveira,
ambos antigos combatentes do Liberato, em 2012 e
a rodear o furriel Viegas, da CCS do BVAV. 8423

O dia 26 de Outubro de 1974, lá pelo solo uíjano das terras quentes do norte de Angola, foi tempo para o comandante Almeida e Brito (do BCAV. 8423) reunir uma vez mais no Comando do Sector do Uíge (CSU), em Carmona.
A já aqui falada «anunciada remodelação do dispositivo militar» foi um dos temas do encontro e ficou a saber-se que a CCAÇ. 209 e a CCAÇ. 4145 abandonariam 
Os regedores, na administração portuguesa,
eram a autoridade local das aldeias (sanzalas) e
dispunham de milícias armadas (foto da net)


a Fazenda do Liberato e Vista Alegre,

respectivamente - indo para esta localidade a 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala.
Ao fim da tarde, encontrou-se com os regedores da ZA, aos quais, segundo o Livro da Unidade, «foi feito ver a necessidade de entregarem o armamento das milícias».
O desarmamento, recordemos, começara a processar-se no dia 21 mas «não teve boa aceitação por parte dos povos», nomeadamente nos postos-sede (Quitexe) e Aldeia Viçosa. Sabia-se muito bem que «os apresentados e a FNLA vivem em contacto permanente, quase geral, há largos anos» e também que «salvo honrosas excepções, as milícias não tiveram actuações de vulto em defesa dos seus aldeamentos, mas mesmo assim, argumentam os povos que esses núcleos armados são a sua melhor defesa às acções de depradação e exigência do IN»

O argumento, ainda segundo o Livro da Unidade, «é difícil de contrariar, já que é impossível garantir a sua vivência pacífica, pois as NT não chegarão para todas as situações que se lhes apresentem».  Os receios dos regedores (e dos povos), porém, não teriam justificação, alegava o comandante Almeida e Brito, «se se puser em foco o anunciado cessar-fogo», muito embora «também nesse ponto, só o futuro o garantirá».
Aos regedores, nessa reunião de há 42 anos e provavelmente mo Clube do Quitexe, «foi feito ver a necessidade de entregarem o armamento das milícias», o que, ainda segundo o Livro da Unidade, «veio a acontecer, voluntariamente, a partir de 28 de Outubro» desse ano de 1974.
Os milícias dos regedorados eram formadas por «homens válidos», alguns dos quais tinham servido o exército português e estavam armados com espingardas de repetição. A sua tarefa tinha a ver com a auto-defesa das sanzalas (aldeias) e não custa adivinhar as suas reticências em entregar as armas: tinham combatido sob a bandeira de Portugal e, compreensivelmente, temiam ser alvo de retaliações dos novos senhores do poder.

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