CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

segunda-feira, 2 de março de 2026

- Há 51 anos: O adeus ao Quitexe dos Cavaleiros do Norte da CCS do BCAV. 8423!


O Quitexe de 2019, a 24 de Setembro. O que resta do edifício do Comando do BCAV. 8423. O imbondeiro
 fica numa das entradas da parada, Ao fundo, vê-se um dos pavilhões de uma escola que funciona onde
eram os balneários da CCS. E também a Igreja de Santa Maria de Deus 
Os furriéis milicianos Joaquim Abrantes, Cândido Pires e
Viegas com um grupo de criançasaAldeia do Talambanza
 nos últimos dias do Quitexe 


A Companhia de Comando e Serviços (CCS) dos Cavaleiros do Norte do Batalhao de Cavalaria 8423 (BCAV. 8423) deixou o Quitexe a 2 de Março de 1975. 
Há precisamente 51 anos e rodando para o BC12, em Carmona - a actual cidade do Uíge!
Foi o dia do adeus!
O momento desse dia foi quase nostálgico, seguramente muito emotivo, na altura deixando para trás uma terra que nos recebera em Junho anterior e da qual levávamos um coração já cheio de saudades! E pouco importa, agora, fazer memória dos momentos de desventura, de medos e de riscos que foram aos 9 meses em que, galgando os trilhos e as matas uíjanas, nas escoltas e nos patrulhamentos que são memória desse tempo, sempre arriscando a vida, nos entregámos à missão que a Angola nos levou. Nisso temos honra!
A azáfama começara nas vésperas deste dia de adeus: a preparação da coluna militar, o carregamento de haveres, a mobilização de tarefas para que a rotação fosse feita tranquilamente. Tudo como devia ser. Por lá ainda iria ficar a 3ª. CCAV. 8423, a dos Cavaleiros do Norte da Fazenda Santa Isabel, comandada pelo capitão miliciano José Paulo de Oliveira Fernandes - que de lá rodou, também para Carmona, a 8 de Julho de 1975.

A entrada na vila do Quitexe, na Estrada do
Café, do lado de Luanda, com o famoso Posto
5. magem do dia 24 de Setembro de 2019

O último olhar
sobre o Quitexe!


Recordo-me de, em cima de uma Berliet e na avenida principal do Quitexe, olhar a vila, da igreja ao parque-auto, ao posto 5 que se via à entrada, as messes, a administração civil e às casas «militarizadas», os bares e restaurantes, e do olhar do Papélino - o adolescente/criança engraxador que fazia as nossas delícias e tanto queria vir para Portugal. Escondeu-se de nós, atrás de uma enorme bananeira da xitaca, espreitando de olhos grandes por entre as folhas gigantes que tapavam os cachos.
Alguns civis, olhavam-nos com alguma ironia, até com desdém, e rodavam outros avenida acima, avenida abaixo, buzinando e como que escarnecendo de nós. 
Ainda hoje penso que nem sonhavam o que seria o seu futuro próximo. A hora de marcha chegou e nesse momento senti que um dia voltaria ao Quitexe. E voltei! A 24 e 25 de Setembro de 2019!

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