CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

domingo, 12 de abril de 2026

- Há 51 anos: Os dias de Nova Lisboa e as preocupantes notícias de Carmona...

O furriel Viegas em Nova Lisboa, junto à estátua de Norton
de Matos, a 12/04/1975. Há 51 anos!


Há 51 anos, não havia telemóveis.
Oi, telemóveis!!!..., o que é que seria tal coisa!
E telefonar dos telefones fixos que havia não era coisa de todos os dias.
No Quitexe, por exemplo, nem sei se havia telefones - para além da mini-estação dos Correios. E tinha?
Havia em Carmona e na messe de sargentos - que fôra a messe de oficiais, no bairro Montanha Pinto.
Por esta altura de 1975, há 51 anos..., estava eu por Nova Lisboa, de férias com o furriel Cruz e a ser mimado no Hotel Bimbe, que era da prima Cecília e marido Rafael - filha de meu padrinho de baptismo, Arménio (que tinha falecido na Gabela). Com eles, vivia a viúva Isolina, assim minha madrinha por afinidade. E os quatro filhos do casal.
Telefonei de lá para Carmona e falei com o Neto.
«Como é que vão as coisas ?!!!...».
Não iam muito bem, com algumas escaramuças na cidade e muita turbulência nas relações entre os militares dos movimentos. Havia nervosismo e expectativa, algumas ansiedades, alguns perigos, nervos à flor da pele. E as notícias que chegavam de outras cidades eram preocupantes. 
O furriel Viegas junto à estátua de Norton de
Matos (deslocada) em Outubro de 2019

«Lembras-te do que nos disse o Garcia?!...», perguntou-me o Neto.
Eu lembrava-me bem e, por isso mesmo, conversei com o Cruz (que me acompanhava) sobre o que deveríamos dizer aos meus familiares. Acabei por os alertar para os perigos iminentes, para as escaramuças que se viviam no norte e às quais a população do sul não dava crédito. 
Por lá, andava tudo pacífico, era tudo rosas e cravos num mar de tranquilidade. Quais guerras, quais quês?!
«Acho que devem preparar-se para ir embora...», disse eu a Cecília e a Rafael, numa viagem turística à Caala, em momento que achei oportuno. E insisti.
O tenente João Mora, os furriéis Neto, Viegas
e Monteiro e o 1º. cabo Miguel Teixeira

O adeus a 
Nova Lisboa! 

Não concordaram e até se admiraram com a sugestão! Nem quando, na noite da minha saída de Nova Lisboa, os voltei a tentar sensibilizar - dando-lhes o exemplo da greve do pessoal do hotel, de uns dias antes! Greve que foi em toda a cidade e gerou alguns conflitos - embora resolvidos pela polícia.
A saída deles para Portugal viria a ser bem difícil - numa «fuga» de avião que os trouxe pelo Gabão, já os filhos e a mãe (sogra) tinha, sido «evacuados». 
Foi em Agosto de 1975 e, sem disso saber - já não havia ligações telefónicas!!!... - andei eu alguns dias pelo aeroporto de Luanda, tentando localizá-los, entre os milhares de «retornados» que esperavam viagem para Lisboa - por não ter notícias deles. Cheguei a ir à Emissora Oficial de Angola, que para o efeito tinha um programa - no sentido de os localizar. Sem conseguir.
Voltei a Nova Lisboa, cidade do Huambo, em Outubro de 2019, e fiquei fascinado com a cidade - qeestava belíssima e quase totalmente recuperada da impiedosa guerra civil angolana.

Sem comentários:

Enviar um comentário