CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

sábado, 22 de dezembro de 2012

1 508 - Natal e famílias de militares do Quitexe

Alferes Cruz e esposa Margarida, com o filho Ricardo, no Natal do Quitexe (1974)

O Ricardo era a «mascote» dos Cavaleiros do Norte, o Menino Jesus ao vivo da nossa festa de Natal de 1974, no Quitexe, terra uíjana de Angola, por onde jornadeávamos há precisamente 38 anos!
O Ricardo, o bebé ali em pose, sentado no colo da mãe, era (é) filho do alferes Cruz, o oficial do parque-auto, que lá juntou a família. Ele mesmo, licenciado em engenharia, a sua «mais que tudo», a futura dra. Margarida (ao tempo finalista universitária de medicina) e o Ricardo.
Moravam em casa civil e não deixaram passar despercebida a época natalícia, que aqui vemos engalanada com a árvore de Natal, os doces de época e sem faltar o bolo-rei - que bem se nota, olhem ali para o lado direito da imagem, em baixo.
«Não havia o frio e a neve, a lembrar o natal de Portugal, mas houve o calor do companheirismo de toda a guarnição e não faltou emenda adequada», lembrou o alferes Cruz, citando até alguns exageros da malta militar: «Recordou-me o Ribeiro que muitos entraram de gatas nas casernas». 
Famílias militares, no Quitexe, eram também (que me recorde) as do capitão Oliveira, que por lá tinha a mulher e a filha e um neto - com uns 6 ou 7 anos, filho desta filha. Não consigo lembrar-me dos nomes. E os casais formados pelo tenente Mora, alferes Hermida e sargento-ajudante Machado e respectivas esposas.
Todos se juntaram na noite de consoada, com a rapaziada por lá sem família e os solteiros, no refeitório da parada!
- OLIVEIRA. Capitão SGE, comandante da CCS. Natural de Viseu morava em Ovar e já faleceu. 
- MORA. João Eloy Borges da Cunha Mora, tenente SGE e adjunto do comando da CCS. Natural do Pombal, faleceu a 21 de Abril de 1993, com 67 anos. 

- CRUZ. António Albano Araújo de Sousa Cruz, alferes miliciano mecânico-auto. Engenheiro aposentado, natural e residente em Santo Tirso.
- HERMIDA. José Leonel Pinto de Aragão Hermida, alferes miliciano de transmissões. Engenheiro, aposentado e residente na Figueira da Foz.
- MACHADO. Luís Ferreira Leite Machado, sargento ajudante. 

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

1 507 - O Natal de 1974 no Quitexe


Mesas da consoada de Natal no Quitexe, 24 de Dezembro de 1974. Reconhecem-se o Rocha, o Fonseca Viegas (de camuflado), o Belo, o Ribeiro e o Florindo (à esquerda), o Monteiro, Pires (Montijo) o Costa (morteiros) e Machado (de cigarro na boca). Em baixo, ao centro e sentado, o comandante Almeida e Brito, ladeado  pelo capitão Fernandes e o Reino (à esquerda, na foto), Ribeiro e capitães Falcão e Oliveira (de óculos). Atrás, de pé, o Soares, o Garcia (?) e o NN. Em primeiro plano, o alferes Hermida (de bigode) e esposa, a espoca e o alferes Cruz (de óculos)

Aproxima-se a noite de Natal de 2012, talvez valha a pena recordar a de...1974! Há 38 anos, éramos todos nós jovens militares que, a Angola, foram em missão. A consoada foi no refeitório dos praças do Quitexe e toda gente estava encalorada do clima e da emoção. Juntas, a CCS e a 3ª. CCAV., dias antes chegada de Santa Isabel. E bacalhau  e muitos pitéus natalícios, confeccionados pelas esposas dos militares.
O dia correu calmo, quanto aos serviços correntes, embora com alguma nostalgia na alma de muitos de nós. A saudade bem se entendia mais viva e sentida neste dia tão especial, dia de família e de emoções que não se contam. Por lá andava o Papélino, a nossa mascote, a quem perguntei o que era o Natal dele! Foi-me contando natais que ele não vivera, mas sonhara... - de tantas vezes ouvir contar! Fazia de conta.
A noite da consoada foi feliz! Sabia-se que podíamos estar tranquilos na comunhão da mesa natalícia, pois era certo o companheirismo que medrava entre as forças armadas e os movimentos emancipalistas - o ex-IN. E havia, instintivo, o sentimento de que seria a última velada de armas da tropa portuguesa, por terras de Angola! De que nós éramos actores! Via-se alegria e emoção, nos rosto dos soldados, soldados de qualquer patente, sabendo-se construtores de um novo país que estava para nascer.
Falou o comandante Almeida e Brito, chegado de Lisboa nas vésperas. Ouvido em silêncio e emoção. A tropa consoou feliz! Duas centenas e meia de homens, cada qual com uma ementa de saudade no peito, tiveram a sua consoada africana.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

1 506 - Ainda a coluna de Carmona para Luanda - 2 (fim)

Alfredo Coelho (Buraquinho) com a namorada (e depois
 mulher) em Carmona (1975). Comandante Almeida e Brito (em baixo)

(continua de ontem)
A coluna estava no Negage, em impasse, quando chegou Daniel Chipenda e o problema resolveu-se. O nosso comandante teve uma conversa com ele e, como homem mais compreensível e preparado, tudo se resolveu. Se assim não fosse, era um banho de sangue - sabe-se lá com que consequências.
Graças a Deus, seguimos na coluna, que arrafncou por volta das 11 horas da manhã do dia 4 de Agosto de 1975. Tivemos vários incidentes pelo caminho, mas o que mais me marcou, tirando o de Negage, foi ao atravessar a serra de Lucala, onde houve tiroteio e as nossa Força Aérea actuou, com os Fiat´s (aviões caça-bombardeiros) e heli-canhões
Ao chegarmos a Luanda,estava a televisão da BBC, que fez uns comentários e entrevistou o capitão José Paulo Fernandes, comandante da 3ª. CCAV. 8423. Eu estava ao lado dele, mas tão nervoso que não compreendi uma única palavra - falaram em Inglês.
Graças Adeus tudo correu bem, mas temos de agradecer ao nosso comandante, tenente-coronel Almeida e Brito. Além de ser um pai para todo o batalhão, foi um homem corajoso por aquilo que vi, e nem todos tiveram essa oportunidade. Além disso, foi um grande amigo meu. Quando lhe pedi para deixar a minha mulher ir de avião para Luanda, no dia 3 de Agosto, com a CCS, ele atendeu-me. Nunca poderei esquecer isso!
ALFREDO COELHO 
(BURAQUINHO)

1 505 - Ainda a coluna de Carmona para Luanda - 1

Coluna de Carmona para Luanda, com civis. Militares, conhecem-se o furriel Guedes 
(primeiro da direita) e o soldado Santos (ao lado dele) e o 1º. cabo Mendes (segundo, da esquerda)

Quando a coluna dos Cavaleiros do Norte saiu de Carmona, para Luanda, a 4 de Agosto de 1975, um dos «CCS´s» era o Buraquinho (foto à esquerda). Ele veio contar a sua versão da viagem:
«Houve muitas desavenças entre o pessoal civil que se preparava para sair e a FNLA - que não queria deixá-los sair e muito menos com as viaturas cheias de material comestível e não só. Pouco mais tarde, já no Negage, a coluna esteve parada  durante bastante tempo, porque a FNLA não a deixava passar.
O comandante da FNLA era o tenente Hieto, que tinha chegado de Kinshasa, no Zaire, treinado pelas tropas de Mobutu e se gabava de ter 8000 guerrilheiros sob seu comando.
Foi quando o nosso comandante Almeida e Brito tomou posição e lhe disse: «Por cada militar dos meus, você precisa de 20; por cada sargento, precisa de 30; por cada oficial, precisa de 40!».
O tenente Hieto espantou-se e comentou que «dessa maneira, não tenho homens suficientes» para nos enfrentar. Foi um momento muito teso e todos nos arrepiámos.
Eu estava perto e ainda parece que estou a ouvir o nosso comandante a dar-lhe resposta: «Podem morrer muitos dos meus homens, mas os seus ficam aqui todos derretidos!...».
Virou-se para nós e disse: «Rapazes, preparai-vos!...».
Eu tremia por todos os lados!».
Continua amanhã.
- BURAQUINHO. Alfredo Rodrigo Ferreira Coelho, 1º. cabo 
analista e depurador de águas, da CCS do BCAV. 8423. 
Empresário de restauração, morador em Custóias (Matosinhos).

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

1 504 - Mensagem de Natal do comandante da Zona Militar Norte

O comandante do Sector do Uíge e Zona Militar Norte, instalados em Carmona, era o general Altino de Magalhães, que pelo Natal de 1974, mandou uma mensagem à guarnição dos Cavaleiros do Norte.
O comandante Almeida e Brito, do BCAV. 8423, retribui-le a cortesias, em visita que lhe fez, a 26 de Dezembro - dia seguinte ao de Natal. Ele mesmo chegara de Lisboa, dois dias antes, de férias.
Transcrevemos a mensagem de Altino de Magalhães:

«Festa de família, época em que é mais viva a saudade dos parentes e amigos, não é ainda para nós que nestes Natal de 1974 terminará a velada de armas iniciada há 14 anos.Fique-nos a consolação de encontrar no seio do Exército uma segunda família, a mesma camaradagem diária de combatente para combatente. 
Fique-nos a certeza de estar a cumprir uma alta missão, ajudando a construir, em paz, um novo país de expressão portuguesa.
Nesta quadra, em que em todo o mundo se deseja PAZ NA TERRA AOS HOMES DE BOA VONTADE, juntemos os nossos esforços para que, em ANGOLA, se consiga essa paz e, indiferentes a ofensas e calúnias, com a consciência tranquila, prossigamos confiantes e seremos até ao fim, para que possa os dizer, com satisfação e orgulho, MISSÃO CUMPRIDA!
Na impossibilidade de o fazer pessoalmente, com esta saudação a todos os oficiais, sargentos e praças do Sector, envio os meus votos de Boas Festas e Feliz Natal». 

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

1 503 - O adeus do Pelotão de Morteiros 4281

Alferes Garcia, Ribeiro e Leite (em cima), Valdemar e Pagaimo (em baixo)


A 19 de Dezembro de 1974, amanhã se passam 38 anos, o Pelotão de Morteiros fez malas e preparou-se para o adeus ao Quitexe e apresentação em Carmona, no BC12. Foram nossos companheiros durante 5,5 meses. E bons companheiros, liderados pelo alferes Leite, oficial açoreano que agora (e desde há muitos anos) faz vida nos Estados Unidos.
O pelotão dividia com o PELREC alguns serviços operacionais, nomeadamente patrulhas, escoltas e serviços, mas a minha memória corre-me para a mata da serra do Quimbunda, a nordeste no Quitexe, nos caminhos paralelos à picada para Zalala - onde uma vez nos foi buscar, ao final de três dias de operação, ainda era verde a nossa experiência de combatente da floresta, por onde galgámos trilhos que nos enchiam de medos e sentimos, no corpo, o frio do cacimbo angolano. Por onde palmilhávamos quilómetros do chão angolano e sentimos a fome que a ração de combate não matava e a sede que nem os cantis esvaziados faziam esquecer.
O PELMORT. 4281 foi um dos anfitriões dos Cavaleiros do Norte, quando chegámos ao Quitexe - a 6 de Junho de 1974. Estava adido ao BCAÇ. 4211, que substituímos, tal qual a CCAÇ. 209/RI 21, a que se viria a revoltar.
O Valdemar e o Pagaimo, que mostramos e, foto desse tempo, estiveram no encontro dos Cavaleiros do Norte, a 2 de Junho deste ano, em Paredes.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

1 502 - Mensagem de Natal do tenente (agora capitão) Luz


Alferes Garcia e Ribeiro, capitão Leal (médico) e 
tenente Luz, em 1974. O capitão Luz e esposa, actualmente (em baixo)

Natal de 2012

Para os meus caros amigos, jovens “Cavaleiros do Norte” do Quitexe/Carmona e agora nos diferentes lugares onde cada um reside:
Os meus sinceros votos de um Santo Natal e de um Novo Ano de 2013 repleto das maiores felicidades e da melhor saúde, extensivo às vossas famílias.
 Com um grande abraço do então
 Tenente Luz

*
- PS. Não querendo misturar as coisas, parece-me justo transcrever aqui um parágrafo contido na mensagem de Natal que enviei ao nosso amigo ex-furriel Celestino Viegas: “Desejo-lhe ainda muita força para continuar no blogue Cavaleiros do Norte a história do nosso Batalhão, sobre a qual escrevendo já tanto fez e sempre ao bom estilo que, estou certo, todos quantos a acompanham tal como eu, tanto apreciam e valorizam.
Parabéns pelo trabalho e também aos colaboradores”.
- LUZ. Acácio Carreira da Luz, tenente do SGG, chefe da 
secretaria geral do Batalhão de Cavalaria 8423. 
Aposentado como capitão, tem 83 anos e reside 
na Marinha Grande
Ver «Os 83 anos do capitão Luz», AQUI

domingo, 16 de dezembro de 2012

1 501 - Salazar, 5 de Agosto de 1975...

A epopeica evacuação dos Cavaleiros do Note, de Carmona (Uíge) para Luanda, já aqui foi narrada, a várias mãos. Envolveu, recordemos, uma viagem de 570 quilómetros cheios de problemas, feita em 58,45 horas, entre 4 e 6 de Agosto de 1975, com apoio de uma Companhia de Comandos e outra de Pára-Quedistas, aviões Fiat (caças) e hélicópteros, começando com 210 viaturas e chegando a ter cerca de 700 - tantos foram os civis que se juntaram à coluna.
O documento fotográfico (via Manuel Pinto, furriel miliciano Ranger da 1ª. CCAV. 8423) regista uma paragem em Salazar (actual Ndatalando), com militares e civis a recomporem-se da «violenta» viagem e a prepararem mais um caixote - onde os civis juntavam os haveres que podiam, fugindo para chão seguro.
Quantos civis terão escapado à morte nesses dias de odisseia, nunca se saberá.
«Sentindo-se abandonados e entregues à sorte do querer da FNLA e convencidos de que as NT os abandonariam» (cito o Livro da Unidade) os civis desesperavam. Mas, e de novo cito o LU, «assim não aconteceu e procurou-se uma solução» que viria a ser encontrada depois de uma reunião com Daniel Chipenda, no Negage, às 16 horas de 4 de Agosto. Mas os incidentes repetiram-se, com gravidades diferentes, em Camabatela, Samba Cajú, Vila Flor, Lucala, Salazar (aqui com o MPLA e cidade que demorou 4 horas a ser atravessada) e Dondo, antes de Catete e depois Grafanil, às portas de Luanda. 
A imagem fica para a história: Cavaleiros do Norte a ajudarem civis, em Salazar, a 5 de Agosto de 1975. A história, sendo mais  ou menos epopeica, tem sempre os seus heróis desconhecidos, como estes dois Cavaleiros do Norte, dados de coração e mãos na ajuda ao povo que sofria na histórica evacuação de Carmona para Luanda.

sábado, 15 de dezembro de 2012

1 500 - Mil e quinhentas vezes Cavaleiros do Norte!!!

O tempo foi passando e a postagem de hoje, neste blogue de saudades da jornada africana que nos levou ao solo uíjano de Angola, tem o nº. 1500!!! 
Somam-se milhar e meio de vezes que refrescámos a memória dos tempos em que, jovens, irreverentes e generosos, saudosos mas sem medo, não regateámos servir Portugal e dele não fugimos, nem do seu futuro. Não fizemos como alguns, que da fuga se fizeram heróis!
O dia era 9 de Abril, Quinta-feira Santa de 2009!
Passou-se este tempo todo e o blogue, sem querer e crer, transformou-se numa teia de cumplicidades e afectos que, se outro mérito não teve, teve o de (re)achar muitos companheiros que a vida fez «perder» nos seus caminhos. Companheiros que nos contactam de todo o lado, de Portugal (dos mais inusitados e esquecidos sítios), de França e Suíça, da Alemanha, Inglaterra, Holanda e Suécia, do Brasil, do Canadá, dos Estados Unidos, até da longínqua Austrália e das irmãs terras de Macau e Timor-Leste. Também de Angola, de gente que por lá nos conheceu e de nós tem saudade!
O gosto de reencontrar tantos companheiros - os quitexanos, os zalalas´s, os de Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange e Liberato (por aí fora) - e tantos são!!!,  juntou-se ao desgosto de saber da partida de alguns, levados pelo luto da doença ou do acidente.
Foi (é) essa gente toda que nos tem «obrigado» a andar por cá, fazendo memória(s) da jornada africana, vivida de há 37 para 38 anos. Éramos jovens e estamos todos sexagenários. O tempo voou e mal demos por ele!
Primeiro post do
blogue, ver aqui

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

1 499 - Destacamento de Luísa Maria extinto há 38 anos

Hipólito e Viegas (atrás), Caixarias, Silvestre (?) 
e Marcos no Destacamento da Fazenda Luísa Maria (1974)

A 14 de Dezembro de 1974, foi extinto o Destacamento Militar da Fazenda Luísa Maria - por lá sendo última guarnição um pelotão da 2ª. CCAV. 8423, dos Cavaleiros do Norte, estacionada em Aldeia Viçosa. 

O PELREC esteve lá numa das primeiras semanas da nossa jornada africana, certamente porJulho desse ano, lá se retratando a imagem deste post - uma das primeiras a cores que fazem parte do meu espólio angolano.
As mais rápidas memórias que me ocorrem de Luísa Maria são as de lá ter ido num domingo, em data indeterminada e no grupo de combate que eu integrava - o PELREC, da CCS - numa escolta ao comandante Almeida e Brito, e de, numa outra vez, uma enorme pacaça correr algumas centenas de metros atrás do UNIMOG onde seguíamos, pela picada fora. O pesado animal corria que se danava e resistiu ao verdadeiro tiro ao alvo de que foi vítima, fugindo depois pela mata adentro.
Há uma outra, que se me soltou agora: a de lá termos estado numa missão que nos levou aos arredores da mítica Pedra Verde.
- HIPÓLITO. Augusto de Sousa Hipólito, 1º. cabo de Reconhecimento de Infantaria. Natural de Vinhais e residente em França.
- VIEGAS. Celestino José Pinheiro Morais Viegas, furriel miliciano de Operações Especiais (Rangers). Natural e  residente em Ois da Ribeira (Águeda). 
- CAIXARIAS. Raúl Henriques Caixarias, soldado Atirador de Cavalaria. Aposentado e residente em Sarge (Torres  Novas).
- SILVESTRE. Ezequiel Maria Silvestre, 1º. cabo de Reconhecimento de Infantaria. Residente no Feijó (Almada).
- MARCOS. João Manuel Lopes Marcos, soldado Atirador de Cavalaria, residente no Pêgo (Abrantes).

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

1 498 - Mensagem do Natal de 1966 dos Artilheiros do Quitexe

Sede do Batalhão de Artilharia 786, no Quitexe (1966)

O Natal de 2012 está à porta, embrulhado em frio e com o (des)entusiasmo de uma época de crise sem precedentes, que nos torna (portugueses) menos felizes e mais pobres. Há 46 anos, pelo Quitexe, a guarnição era de artilheiros (gente que nos antecedeu e abriu caminho) do Batalhão 786.
O comandante era o tenente-coronel Dagoberto Graça que, ao tempo, emitiu esta mensagem de Natal (que nos foi enviada pelo então furriel miliciano José Lapa):
«É este o segundo Natal que, por imperativo da nossa missão, passamos nesta ubérrima região de Portugal, espiritualmente unidos numa grande Família - a do BART 786 - a que nos orgulhamos de pertencer.
Dezoito meses são decorridos sobre a chegada a Angola, dezoito meses são passados numa actividade reconhecida de mérito por quem tem autoridade para a apreciar. Longo período, durante a qual se cimentaram entre todos os componentes desta grande família, laços de amizade, compreensão e de entre-ajuda, que perdurarão pela vida fora.
Hoje, como ontem, continuamos cientes de que o cumprimento da nossa missão nesta província exige sacrifícios, coragem, determinação, resistência física e confiança, mas conscientes da sua necessidade e moralizados pela certeza de que a nossa presença é indispensável, não regateamos novos esforços que nos sejam exigidos e continuaremos teimosamente a defender e a manter o elevado conceito em que somos tidos como um dos melhores Batalhões da ZIN.
O esforço que se nos pede é árduo e difícil e grande é também o sacrifício de estarmos afastados dos entes queridos, pais, esposas, filhos ou noivas, nesta quadra festiva, mas sentimo-nos orgulhosos por estes esforços e sacrifícios serem colocados generosamente no Altar da Pátria ameaçada.
Volto a afirmar a todos que servem comigo neste Subsector, como o fiz há um ano, que reconheço, aprecio e agradeço o zelo e a dedicação e a lealdade com que têm actuado, como agradeço também a coragem e a resignação, além da elevada compreensão, com que os nossos familiares sofrem o afastamento e suportam os perigos e dificuldades que a cada passo se nos deparam.
Daqui vos desejo um Natal Feliz e peço a Deus que continue a auxiliar-nos como até agora, a todos proporcionando um Ano Novo cheio de venturas e prosperidade.
Comando em Angola, 25 de Dez 66
O comandante

- NOTA:                                                      
O comandante Graça faleceu com o posto 
de general. Eu, que lidei diáriamente com ele, 
tenho do nosso comandante a ímagem de um 
grande militar,humanista e que impunha 
a sua autoridade sem exageros .
Um abraço
J. Lapa


quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

1 497 - Saída, entradas e castigos nos Cavaleiros do Norte

A Igreja da Mãe de Deus do Quitexe

O alferes capelão José Ferreira de Almeida era o capelão dos Cavaleiros do Norte. Dele - e ele me absolverá - pouca memória tenho, para além da imagem de um jovem padre, alto, de óculos, que certamente andaria de companhia em companhia (nelas se demorado, por Zalala, Aldeia, Viçosa e Santa Isabel, porventura por Vista Alegre, Ponte do Dange e Liberato), razão porque, desde o Junho da nossa chegada, não o terei visto  muitas vezes.

Saiu do Quitexe, e, final de comissão, pelo mês de Dezembro de 1974. Há 38 anos!
O capelão foi embora, mas chegou João Rito, furriel miliciano atirador de cavalaria, à 1ª. Companhia e pelo mesmo Dezembro de 1974 adentro, já os bravos de Zalala estavam em Vista Alegre e Ponte do Dange. Também não tenho memória dele, de onde veio e por que chegou aos Cavaleiros do Norte. Nem agora lhe achei o paradeiro. 
O mês foi também de algumas punições, nomeadamente na 1ª. CCAV. 8423, todos dos chamados grupos de mesclagem, oriundos do RI20 e todos com 10 dias de prisão disciplinar. Os seus apelidos eram Silva, António e Cauindo (estes dois últimos, com pena agravada para 20 dias). E um da 2ª. CCAV., a de Aldeia Viçosa: Isaac Viegas, com 16 dias de prisap disciplinar agravada.
Uma curiosidade: o castigo de Cauindo, depois de agravado para 20 dias (pelo comando do batalhão) e para 30 (pelo Comando de Sector), segundo a Ordem de Serviço nº. 16/75. Mas o castigo viria a ser anulado. Vá lá saber-se porquê.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

1 496 - O Quitexe nos dias de 2012...

Residência do comandante Almeida e Brito (assinalada a roxo), messe e bar 
de sargentos (a vermelho) e de Oficiais (a verde). O Quitexe de 2012 quase igual ao de 1974/75

O Quitexe de 2012 tem esta «cara», na Rua de Baixo (ou avenida), que tinha (e tem) duas faixas de rodagem, separadas por parte ajardinada, verde de relva e plantas tropicais. É quase igual ao do tempo dos Cavaleiros do Norte e na imagem (de Ivo Bije) são perfeitamente identificáveis instalações do Batalhão de Cavalaria 8423. 
Os «diários» desta página de histórias terão, todos (sem excepção), uma qualquer história vivida neste passeio, que fazia pisámos milhares e milhares de vezes, no percurso do bar e messes para a parada e oficinas. Mesmo em frente, ficava o bar dos praças e o coberto onde eram dadas aulas regimentais. Por mim, recordo, com nostalgia, com saudade, os 9 meses em que fiz este caminho e no bar e messe de sargentos onde, com os companheiros do Quitexe, cavaqueámos a vida, discutimos a guarnição, matámos a sede e a fome, afogávamos as nossas saudades nas grades de cerveja e lemos  e escrevemos aerogramas e cartas que nos chegavam de Portugal e dos amigos. Tantas, tantas, tantas... 
Já lá vão 37 para 38 anos!! O tempo voou!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

1 495 - O adeus definitivo dos Cavaleiros do Norte a Santa Isabel

Cavaleiros do Norte de Santa Isabel no Encontro de 2010, em Coruche

Os Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423 abandonar definitivamente Santa Isabel a 10 de Dezembro de 1974 - hoje se completa 38 anos. Foi a última guarnição militar portuguesa naquela fazenda, «ocupada» desde os heróicos e trágicos tempos de 1961/62.
O comando era do capitão miliciano José Paulo Fernandes, que com os seus homens lá chegou a 11 de Junho anterior, depois da chegada a Luanda e ao Campo Militar do Grafanil (a 5 do mesmo mês de Junho do já distante ano de 1974).
O corpo de oficial miliciano era formado pelos alferes milicianos Rodrigues (Operações Especiais), Mário Simões, Pedrosa de Olivaira e Carlos Silva (atiradores de cavalaria). A classe de sargentos incluía o 1º. Marchã (chefe da secretaria) e os furriéis milicianos Ribeiro, Flora, Fernandes, Ricardo, Carvalho, Graciano, Gordo, Lopes e Querido (atiradores de cavalaria), Reino (operações especiais), Lino (mecânico), Belo (alimentação), Rabiça (enfermeiro) e Cardoso (transmissões). Já faleceram, Guedes (armamento pesado) e Capitão (atirador de cavalaria).
Abandonaram Santa Isabel e instalaram-se no Quitexe, onde jornadeavam a CCS e o Pelotão de Morteiros 4281. 

domingo, 9 de dezembro de 2012

1 494 - O sargento-ajudante artilheiro Octávio Botelho

O 1º. sargento-ajudante Botelho, em 1972, no Nengo  com os furriéis 
Marques (enfermeir), Cardoso da Silva e Diogo (em cima) e na actualidade (em baixo) 


O sargento-ajudante Octávio Botelho, já aposentado, antecedeu os Cavaleiros do Norte na sua zona de acção, integrando o Batalhão de Artilharia 786, entre 1965 e 1967 - com companhias no Quitexe, Liberato, Santa Isabel e Zalala.

Veio falar deste blogue, recordando que «todos os locais, fazendas e picadas referidas, são todas do nosso
conhecimento e a sua citação fazem-nos recordar as peripécias, operações e "batidas" que por lá enfrentámos e nos dão saudade». Como acreditamos, «nosso» sargento ajudante!!!As saudades não tanto do que por lá  se passou - fossem artilheiros, fossem cavaleiros -, mas, sublinha Octávio Botelho, da «camaradagem e amizades que por lá adquirimos e mais ainda da saúde de "ferro" que tínhamos naquele tempo e que, devido às muitas contrariedades e incomodidades então sofridas, se encontra hoje um tanto ou quanto "enferrujada"
O artilheiro veio, também, corrigir o blogue, sobre a designação oficial da unidade de mobilização: «Sem pretensões de querer ensinar a seja quem for na área militar, não quero deixar de chamar a atenção para a designação que deu ao Departamento que o mobilizou para a missão que desempenhou em Angola, que tinha a  designação  de Repartição de Sargentos e Praças, da Direcção do Serviço de Pessoal do Ministério do Exército e não "Repartição do Serviço de Pessoal", como lhe chamou», anotou Octávio Botelho.
Está corrigido, caro sargento-ajudante! Fez bem em, corrigir! Obrigado.
Octávio Botelho vive na Ribeira Grande (Açores) e, aproximando-se o Natal, manda um recado, em forma de palavras, para os Cavaleiros do Norte: «Um abraço de camaradagem de um artilheiro, que palmilhou todas as serras envolventes do Quitexe, durante dois anos em cheio!...», assim acabou a mensagem, que aqui deixamos pública. 
- BOTELHO. Octávio Botelho, sargento.ajudante aposentado, natural de Faial da Terra (Açores). Cumpriu três comissões de serviço em Angola, nos períodos de 1965 a 1967, 1968 a 1970 e 1972 a 197474. Esteve na pré-reforma de 1990 a 1996, quando passou à situação de aposentado, residindo em Ribeira Grande (S. Miguel, nos Açores). 

sábado, 8 de dezembro de 2012

1 493 - Louvor ao 1º. cabo mecânico Carrilho

O Carrilho (à esquerda na foto, com o Felizardo) foi 1º. cabo da 3ª. CCAV. 8423 e, pelo que fez e não fez, foi louvado à ordem, por proposta do capitão miliciano José Paulo Fernandes, que comandava a guarnição de Santa Isabel.
«Devido ao seu elevado espírito de missão, a sua grande capacidade de trabalho, conhecimentos e excelente espírito de camaradagem, deve ser apontado como exemplo a seguir por qualquer militar», lê-se no louvor, publicado na Ordem de Serviço nº. 174, destacando que «deve ser reconhecido em público louvor, vendo deste modo reconhecida a sua passagem pela vida militar».
O Carrilho era mecânico «interessado, trabalhador, torneando todas as contrariedades (...), a ele se devendo muita da operacionalidade das viaturas da Companhia, quando não até de outras subunidades do BCAV». 
«Sempre ofereceu o melhor do seu esforço, em proveito das necessidades da sua subunidade, mesmo com prejuízo da sua própria saúde», enfatiza o  louvor proposto pelo capitão José Paulo Fernandes e mandado publicar pelo comandante Almeida e Brito.
- CARRILHO. José Maria da Costa Carrilho, 
1º. cabo mecânico auto-rodas. Suponho que 
natural e residente em Portalegre


sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

1 492 - A ordem de serviço com a mobilização para Angola...

A 7 de Dezembro de 1973 - hoje se completam 39 anos!!!!...., vejam como o tempo passa!!! -, a ordem de serviço nº. 286 do Centro de Instrução de Operações Especiais (CIOE), em Lamego, publicou a minha mobilização, a do Neto e a do Monteiro, os três para Angola e para o Batalhão de Cavalaria 8423. 
Era um sábado e, como era muito esperada, a notícia correu célere pelo aquartelamento.
Ao outro dia, domingo, estava de serviço e por isso não tinha vindo de fim de semana e o que fiz, ao final dessa tarde de chuva e frio, no caminho para a messe de Almacave, foi ligar para a minha vizinha Celeste Tavares, para que desse notícia à minha família. Ir para Angola, mobilizado, era o que melhor nos podia calhar, em teoria, pois seria a frente da guerra colonial com menos perigos. E, pessoalmente, ligava-me a Angola o desejo de por lá encontrar muita família amigos. Portanto, mal parecendo dizer (ou até ser um contra-senso...), a mobilização foi motivo de alegria. Era onde havia «menos porrada». Menos que em Moçambique e principalmente que na Guiné, território de que se diziam cobras e lagartos. Fiquei, pois, entusiasmado, e disso dei conta para a família - pelo telefone da vizinha (ainda hoje), um dos únicos seis que havia na aldeia. Ainda estávamos muito longe da mobilidade comunicacional dos dias de hoje.
A mobilização era anterior, de 17 de Novembro, publicada na Nota 47 000 - Processo 33.007, da RSP/DSP/ME - «traduzindo», falamos da Repartição do Serviço de Pessoal / Direcção de Serviço de Pessoal / Ministério do Exército. 
Por outras unidades do país, de cavalaria e por estes dias, estariam a ser publicadas idênticas ordens de serviço, com as mobilizações dos futuros alferes e furriéis milicianos. O pessoal das especialidades apareceria mais tarde, assim como os praças. Começavam a «nascer» os futuros Cavaleiros do Norte.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

1 491 - O futebol e as caras «esquecidas» do Quitexe....


Uma equipa de futebol da CCS. Grácio, Gomes, Miguel (1º. cabo escriturário), 
Botelho (Cubillhas), Miguel (furriel miliciano paraquedista), NN e Soares (em cima).
Miguel (condutor?), Mosteias, Lopes, NN, Monteiro e Teixeira (estofador).
Alguém pode ajudar a identificar os desconhecidos?


Os tempos de Dezembro de 1974, para além dos serviços habituais da guarnição, umas escoltas e até umas patrulhas - tinham, acabado as operações de mato! -, foram também de lazer e desporto. O alferes Hermida, oficial de acção psicológica, agendou exibição de filmes, a prova de S. Silvestre e, pelo mês fora, jogos de futebol.
O campo do Quitexe, mesmo à saída da vila ()à esquerda) para Carmona e perto do quartel da OPVDCA, era relativamente rudimentar e pelado, mas foi palco de renhidas partidas - ora entre pelotões da CCS, ora entre companhias do Batalhão, ora entre a tropa e civis.
A foto é de uma das equipas da CCS. O Grácio era guarda-redes e mora em Amor (Leiria), trabalhando na pintura de construção civil; o Gomes esteve muitos anos ligado à Brisa, aposentou-se e mora em Paredes; o Miguel Teixeira trabalhou durante décadas na Âmbar e está reformado, vivendo na Senhora da Hora (Matosinhos); o Miguel Peres dos Santos (furriel páraquedista) vive em Setúbal e o Soares (1º. cabo) no Laranjeiro. Em baixo, o Miguel da Cruz Ferreira era condutor e morará para os lados do Porto/Gaia. O Luís Mosteias, furriel sapador, faz vida em Sines e o António Lopes (furriel enfermeiro) é tesoureiro das Finanças em Vendas Novas. Quanto ao José Agusto Monteiro (furriel de operações especiais e destadao na secretaria da CCS), aposentou-se dos Transportes Colectivos do Porto e tem uma empresa de cobranças ligada à EDP; o Domingos Teixeira (1º. cabo estofador) é funcionário numa escola do Porto.
E os outros? O que será feito do (atirador) Botelho, lá conhecido por Cubilhas? E que são aqueles «cavaleiros» de quem se reconhece a cara, mas se esquece o nome? Alguém pode ajudar? 
- HERMIDA. José Leonel Pinto de Aragão Hermida, 
alferes miliciano de transmissões. Era o focial de 
acção psicológica e éngenheiro aposentado.
Mora na Figueira da Foz.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

1 490 - A desactivação dos grupos de mesclagem...

Militares angolanos (dos grupos de mesclagem do Liberato) a caminho do Quitexe

Os Grupos de Mesclagem começaram a ser desactivados em princípios de Dezembro de 1974. «Tornando-se necessário remover as dificuldades que (...) estavam criando aos comandos que serviam e na continuação da desactivação dos destacamento e, mercê da retracção do dispositivo, foi possível pensar em dispensar a prestação do serviço militar aos grupos de mesclagem, embora com algum esforço das tropas metropolitanas», refere o Livro da Unidade, porém, reflectindo as «vantagem no campo da sua vivência», a dos militares europeus.
As três companhias operacionais (a 1ª., de Zalala; a 2ª.. de Aldeia Viçosa; e a 3ª., de Santa Isabel) tiham todas grupos de mesclagem e havia ainda a Companhia de Caçadores 209/RI21, a do Liberato - formada por militares angolanos e com quadros metropolitanos. A foto (do Nogueira da Costa) retrata uma sua deslocação ao Quitexe, em data indeterminada.
Os grupos de mesclagem, conforme «foi determinado superiormente», entraram de licença a registada a partir de 1 de Dezembro de 1974 e a desactivação «rapidamente se realizou com o decorrer do mês»
O José Marques de Oliveira, meu, ao tempo, recente companheiro da (actual) Escola Secundária Marques de Castilho e que por lá (Liberato) foi furriel vagomestre, chegaria à sua casa do Caramulo precisamente na noite de Natal desse ano, depois de «penegar» dias de espera pela viagem de Luanda para Lisboa.
- OLIVEIRA. José Marques de Oliveira, furriel 
miliciano vago-mestre da CCAç. 209/RI21, no 
Liberato.  Aposentado da Caixa Geral de Depósitos, 
natural do Caramulo e residente em Águeda.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

1 489 - SIMÕES E CARVALHO, CAVALEIROS SEXIIII...GENÁRIOS DE SANTA ISABEL

José Fernando Costa Carvalho, à direita, em Cima, na noite de passagem de ano de 1974
para 1975 - à saída do bar de sargentos do Quitexe. Mário José Barros Simões, em baixo

O Simões e o Carvalho foram garbosos Cavaleiros do Norte de Santa Isabel, alferes o primeiro, furriel o segundo e ambos atiradores de cavalaria. Aos 5 dias de Dezembro de 2012 atingem ambos a bonita e saborosa idade de 60 anos.
Há 38 anos, pela terra do Uíge, preparavam malas para o adeus à Fazenda Santa Isabel.
Curiosamente, nesse mesmo dia 5 de Dezembro (que é dia de amanhã), por lá foi o capitão José Paulo Falcão, ao tempo comandante interino dos Cavaleiros do Norte, no de contactos entre comandos do Sector do Uíge - que a 2 e 4 (hoje se fazem 38 anos) e depois a 7 e 9 se realizaram no Comando de Carmona, para «estreitamento de contactos, necessários mais de que nunca, devido à constante evolução dos acontecimentos». 
O carvalho seguiu vida profissional na PSP e centrou a sua actividade de agente no Entroncamento, onde reside - pais de duas filhas e já  avô e aposentado. O Simões continua nas suas Caldas da Rainha, ligado ao ensino e «cliente» habitual do blogue Cavaleiros do Norte. 
Foi ele o autor do emblema dos Cavaleiros do Norte, desenhando no papel, com o traço fino da sua criatividade artística, as ideias que lhe foram sugeridas pelo comandante Almeida e Brito.
São os novos sexiiiii...genários do clã «cavaleiro», que saudamos com um abraço do tamanho de todo companheirismo que se semeou por Santa Margarida e cresceu e se desenvolveu por terras uiíjanas de Angola.  
Parabéns, ó santa-isabelianos!!!


  

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

1 488 - O DESTACAMENTO MILITAR DA FAZENDA LUÍSA MARIA

A Árvore Vaidosa era sítio mítico da zona de acção dos Cavaleiros do Norte. Dele, e da Pedra Verde, se contavam feitos da tropa portuguesa que se fizeram lendas nas nossas memórias, muito vivas pelo tempo da nossa passagem por lá. 
PELREC era o único pelotão operacional da CCS e todos os meses alternava serviços de mata com outro pelotão, destacado no Quitexe de uma das três companhias operacionais. Isto, na prática, queria dizer que duas ou três vezes por semana tínhamos patrulhamentos ou operações na zona de mata.
A 17 de Outubro, a missão era para os lados da Fazenda Luísa Maria e nela pernoitámos. Rezava a lenda que a mata ao fundo (a uns 15 quilómetros) seria local de um acampamento da FNLA - na mítica Árvore Vaidosa. Que até teria subterrâneos, o que nunca confirmámos.
O mais perto que por lá estivemos foi já em Dezembro de 1974 e só encontrámos restos do que teria sido uma aldeia/aquartelamento abandonada, ainda com restos de recente presença humana.
Agora, chega-nos uma foto, de viaturas estacionadas em Luísa Maria, preparadas para missões de reconhecimento à zona e, em particular ao espaço envolvente da Árvore Vaidosa. A fazenda (ou roça) era de um senhor chamado Patrocínio - que lá teve o irmão Abílio como gerente.
Quem por lá conhecemos e faleceu recentemente, foi o gerente do nosso tempo, Eduardo Bento da Silva (na foto) - de quem também já aqui falámos. Faleceu a 11 de Setembro de 2011 e faria 81 anos a 10 de Outubro seguinte. Tinha um mini-mercado em Taveiro e morava em Condeixa-a-Nova. Agora, chega-nos a voz (e a foto) de Carlos Craveiro, que de lá saiu em 1966 e é filho de outro colaborador da fazenda Luísa Maria.
O Destacamento era normalmente ocupado por um pelotão da 2ª. CCAV. 843, a de Aldeia Viçosa.

domingo, 2 de dezembro de 2012

1 487 - SANEAMENTO DE SARGENTOS E OS CAMINHOS DA INDEPENDÊNCIA


A 29 de Novembro de 1974, no Quitexe, realizou-se a segunda e última reunião da Comissão Local de Contra a Subversão (CLCS). Viria a ser reestruturada em Dezembro seguinte, agora com o nome de Comissão de Coordenação Civil-Militar, visando «uma outra feição de actuação», dada a considerada «necessidade de estreitamento de relações».
De Lisboa, chegavam notícias.
Mário Soares, ao tempo ministro dos Negócios Estrangeiros, defendeu «a possibilidade de Portugal acolher um encontro de representantes dos movimentos nacionalistas angolanos». Falava a 26 de Novembro, uma 3ª.-feira, e não é difícil concluir que seguia o plano que, dias antes (a 20), fizera Melo Antunes encontrar-se com Agostinho Neto (MPLA) em Argel, onde discutiram a independência de Angola - em véspera de o MPLA anunciar estar disposto a participar no governo angolano e de, a 25 (segunda-feira) e como já aqui dissemos, a UNITA e a FNLA terem, em Kinshasa, discutido o futuro da mesma Angola e terem chegada a um acordo. 
Este andamento, não era aberta e/ou pormenorizadamente conhecido pelos Cavaleiros do Norte (pouca informação corria sobre essas matérias) mas foi conhecido o saneamento de sargentos nas Forças Armadas, no então Portugal Europeu - facto que, verdadeiramente, não nos incomodava nada, ou sequer interessava. As relações com os nossos não eram muito íntimas, mas nada que levasse os milicianos a contra eles ter qualquer coisa. Comungávamos mesa, mar e messe.

sábado, 1 de dezembro de 2012

1 486 - Os 60 anos e os companheiros do Liberato

Nogueira da Costa, Viegas e Zé Oliveira

Roubaram o cabo da PT que liga aqui à minha aldeia de Ois da Ribeira, em Águeda (onde nasci e vivo), e, durante dois dias, não houve net, telefones e televisão para ninguém, nem para os Cavaleiros do Norte. Foi esta a razão por que, desde Abril de 2009 e pela primeira vez, o blogue ter sido interrompido.
Hoje, para ser franco, já com linha disponível, aprontava-me a não vir teclar nada de novo. 
Hoje, recordando 21 de Novembro (o dia dos meus 60 anos!), juntei em casa a minha família mais próxima e a festarola começou ao meio dia e foi até tarde. Tinha, po essa irrepetível razão, interiorizado a ideia de que não blogaria. E daí não viria mal nenhum ao mundo.
Eis se não quando, pelo meio da tarde, à porta tocaram a campaínha e me saíram dois companheiros do Liberato: o Zé Marques (por lá conhecido como furriel Oliveira, o vagomestre) e o Nogueira da Costa, condutor e angolano de Leiria, crescido no Lobito. Já de ambos por aqui falámos.
Já imaginam como uma reunião familiar de festa sexagenária se transmutou, de repente, para o ambiente de guerra das terras do Uíge, lá pelos anos de 1974. Para mais, o Nogueira da Costa era portador de fotografias dramáticas, as do assassinato dos madeireiros da picada do Liberato. Assassinados e queimados, às mãos de quem pela vida pouco respeito tinha. 
Deixem-me passar adiante.
O meu dia foi de alegria (por juntar a família próxima, a viver os meus 60 anos) e de surpresa, por, pela porta dentro, me entrarem dois companheiros do Liberato. É o registo de hoje, na fé de que não voltem a roubar os cabos da PT e o serviço da MEO não falhe aqui por casa, para que o blogue não seja interrompido.
- NOTA: Estes dois dias sem blog registaram cerca de duas 
dezenas de contactos telefónicos e outros tantos emails, 
de amigos do blogger, preocupados com o silêncio verificado 
e indagando de mim. Se eu tinha algum problema de saúde, ou outro. 
A todos eles, quero agradecer a preocupação. Mas, como 
já expliquei, tudo se ficou a dever ao roubo dos cabos da PT. 
Abraços para todos.
CV



quarta-feira, 28 de novembro de 2012

1 485 - Malas feitas em Santa Isabel e o furriel Guedes

Chegada da 3ª. CCAV. 8423 a Santa Isabel, a 11 de Junho de 19974. O furriel Victor Guedes (em baixo)



Os últimos dias de Novembro de 1974 foram tempo de «fazer malas», da parte dos Cavaleiros do Norte de Santa Isabel - onde se aquartelava a 3ª. CCAV. 8423, do comando do capitão miliciano José Paulo Fernandes.
A companhia ali chegara a 11 de Junho, proveniente do Campo Militar do Grafanil, nos arredores de Luanda, onde «estagiou» desde o dia 5 anterior, chegada de Lisboa e do Campo Militar de Santa Margarida. A imagem é do dia da chegada, na objectiva do Agostinho Belo - companheiro que por lá furrielou na área da alimentação.
A fazenda estava militarmente ocupada desde data indeterminada de meados de 1961 e lá se chegava por uma picada de alguns medos, a partir da estrada do café, asfaltada - que ligava Carmona a Luanda. Cortava-se à direita (para quem ia do Quitexe) e, com mais ou menos pó e matas, galgava-se aquela dezena (??) de quilómetros, sempre de olho vivo e dedo no guarda-mato do gatilho da G3. A qualquer momento, poderia surgir um perigo, uma rajada sobre o pelotão, uma mina a rebentar na picada, uma emboscada que nos atormentasse a coragem. E, apesar de estarmos em tempo de paz, não era negociável a total segurança - para mais podendo qualquer ataque surgir de gente destrambelhada, sem controlo e sem comando, mas com uma arma na mão, um rastilho para atear uma bomba, ou uma granada para lançar sobre a tropa que passava, uma raiva que cuspisse morte!
A 3ª. CCAV. 8423 viria a ser a última guarnição militar portuguesa de Santa Isabel. Muitos dos amigos que nasceram deste tempo de missão africana eram desta companhia. Alguns deles já falecidos, como é o caso do Guedes (foto). Que aqui fica citado, nele evocando todos quantos, nossos companheiros de Santa Isabel, já partiram e nos esperam! 
- GUEDES. Victor Mateus Ribeiro Guedes, furriel miliciano atirador de cavalaria, da 3ª. CCAV. 8423 (a de
Santa Isabel). Faleceu a 16 de Abril de 1998, há já 14 anos, vítima de doença.