CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

sábado, 12 de janeiro de 2013

1 530 - Os primeiro dias do BCAV. 8423, em Santa Margarida

Letras, Louro e Costa (atrás) e Brejo (sentado), na messe 
de 1ºs. cabos milicianos do RC4, em Santa Margarida (ano de 1974)

Os idos primeiros dias de Janeiro de 1974, há 38 anos!, foram tempo de «encontro da maioria do pessoal do futuro batalhão», no RC4, em Santa Margarida. Aos poucos, foram chegando oficiais, sargentos e praças, realizando-se a 7 de Janeiro, no Destacamento que seria a nossa futura «casa», o primeiro «cara-a cara».
A apresentação mais formal foi no dia seguinte, 8 de Janeiro, logo pelas 9 horas. A reunião de trabalho «foi precedida de uma palestra a todo o pessoal, na qual forma expressos os princípios e hábitos de vida que teriam de nortear a vida do BCAV. durante o tempo em que, com unidade constituída, vivesse no RC4 e na RMA».
Os companheiros do quadro de sargentos eram, na maioria, já meus conhecidos da Escola Prática de Cavalaria, em Santarém, onde recrutámos no segundo curso de 1973. Era o caso do Costa, que tinha sido do meu pelotão e esquadrão e jurou bandeira ao meu lado (ou eu ao lado dele) a 10 de Junho desse ano Portanto, meu velho conhecido. Conhecido era também o Letras, mas das duras «lutas» de Lamego, da especialização em Operações Especiais (Rangers).
Foi  nessa altura que conhecemos o comandante Almeida e Brito, então tenente-coronel, e ouros quadros superiores: os capitães José Paulo Falcão (oficial adjunto e de operações) e António Oliveira (comandante da CCS) e o tenente Luz (chefe da secretaria do Batalhão).
Davam-se os primeiros passos dos futuros Cavaleiros do Norte.
- ALM. BRITO. Carlos José Saraiva de Lima Almeida e Brito, comandante do BCAV. 8423. Faleceu a 20 de Junho de 2003, de doença súbita, aposentado e com a patente de general.
- FALCÃO. José Paulo Montenegro Mendonça Falcão. Coronel aposentado e residente em Coimbra.
- OLIVEIRA: António Martins de Oliveira, já falecido, Atingiu a patente de major.
- LUZ. Acácio Carreira da Luz, tenente. Aposentado como capitão e morador na Marinha Grande.
- LETRAS. António Carlos Dias Letras, furriel miliciano de Operações Especiais (Rangers), da 2ª. CCAV. 8423. Empresário comercial aposentado, residente em Palmela.  
- LOURO. José dos Santos Louro, furriel miliciano atirador de cavalaria, da 1ª. CCAV., funcionário público, na Universidade de Évora.
- COSTA: Victor Moreira Gomes da Costa, furriel miliciano atirador de cavalaria, da 1ª. CCAV., morador em Queluz.
- BREJO. João António Piteira Brejo, furriel miliciano atirador de cavalaria, da 2ª. CCAV. Aposentado e morador na Criz de Pau (Seixal).
- RC4. Regimento de Cavalaria nº. 4, em Santa Margarida.
- RMA. Região Militar de Angola


sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

1 529 - Imagens de Zalala, aos 15 dias de Dezembro de 2012

A casa colonial do administrador da fazenda de Zalala (em cima) 
Crianças no rio de Zalala (em cima) e o espaço onde foi o antigo quartel (ao fundo), 
vista do lado da casa do administrador. Fotos de Carlos Ferreira
O quartel de Zalala foi destruído (sabe-se lá quando, por quem e porquê) e, segundo Carlos Ferreira, aconteceu o mesmo aos de Aldeia Viçosa, Songo, Destacamento da Ponte do Dange e Vista Alegre - que está a meio.
«Passaram três guerras por lá e as populações tiraram as chapas de zinco, naturalmente, e só existem as paredes», conta o antigo quarteleiro de material de guerra de Zalala - onde algumas das paredes dos edifícios estão no meio da mata, como ainda se vê na foto. Mas está abandonada, a vegetação é muito forte e invadiu tudo. 
Em Angola, todas as instalações pintadas a azul são da Polícia. Em Aldeia Viçosa, Quitexe e Vista Alegre, estão em pequenos barracões, nos antigos quartéis.


quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

1 528 - A Ponte do Dange...

Ruínas do Destacamento Militar da Ponte do Dange (em cima) e ponte do rio Dange (em 
baixo). Fotos de Carlos Ferreira, a 15 de Dezembro de 2012. Última foto: aldeia a seguir à ponte. 
Clicar nas imagens, para as ampliar



O Destacamento Militar da Ponte do Dange fazia «fronteira» dos Dembos para o Uíge africano e a  ponte era local de passagem obrigatório, na movimentada estrada do café, toda ela em asfalto, entre Carmona e Luanda.
Ao tempo dos Cavaleiros do Norte, esteve inicialmente «ocupada» pela CCAÇ. 4145/72, aquartelada em Vista Alegre, um pouco mais à frente, no troço para Carmona. A 4145/72 saiu de lá em 21 de Novembro de 1974, episodicamente substituída pela CCAÇ. 4145/74 e esta, em partida rápida para Luanda, por um pelotão da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala. 
O PELREC, em data que não consigo lembrar, esteve lá alguns dias, entre Junho e Dezembro de 1974.
Ver AQUI

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

1 527 - Carlos Ferreira, o enviado especial ao Uíge angolano..

Depósito de material de guerra de Vista Alegre, com o 1º. cabo Ferreira à 
porta (em cima). O mesmo edifício, mas em 15 de Dezembro de 2012, tirada 
do lado da antiga administração, por detrás do quartel

Os Cavaleiros do Norte da 1ª. CCAV. 8423 abandonaram a mítica Zalala, a 25 de Novembro de 1974. Definitivamente. Foi esse o último dia da presença portuguesa naquela área de muitos feitos militares e muitos dramas. Partiram  para Vista Alegre, vila de agradável sabor urbano, na estrada do café, e que nada tinha a ver (para melhor) com o «buraco» que foram os 5 meses de jornada pela trágica e epopeica zona de acção, desde 1961. Em Zalala, «a mais rude escola de guerra».
A essa data de 25 de Novembro, assumiu «a responsabilidade operacional» da sua nova zona de acção e, a 15 de Dezembro de 2012, por lá se passeou, em romaria de saudade e memória, o 1º. cabo Ferreira (na foto, de 1975), que nos mandou imagens e narrativa, emocionada:
«Nesta fase do campeonato das nossas vidas, já todos com 60 anos, ou mais (quanto a mim, estes 40 anos passaram muito depressa..., é bom e faz bem olhar para trás e pensar as várias fases da nossas vidas. O momento histórico da altura também faz parte de nós e devemos recordar, sem saudosismos, as  amizades, acontecimentos, locais e pessoas que nos marcaram de alguma maneira.
Eu era cabo de armamento, mas a função principal era “fiel de armazém”. Mas  importante, devido às mudanças constantes de quartéis.  A 1ª. companhia, que tinha um cravo vermelho como símbolo ao peito, em crachá - cravo pintado na porta de armas e nas viaturas -, talvez por isso mesmo é que andou «acabar» os quartéis em Zalala, Vista Alegre e Songo, sempre com a casa às costas.
E também o quartel de Carmona, onde participei na ultima fornada de pão da padaria e trouxe a última ou das últimas bandeiras portuguesas da unidade, antes de embarcar na coluna para Luanda. A companhia foi de avião».
- NOTA: Está desfeito o «nó» de suspense que aqui «fabriquei»: o enviado especial a Zalala, Ponte do Dange, Vista Alegre, Aldeia Viçosa, Quitexe, Songo e Carmona é o (ex)1º. cabo Ferreira. Natural de Albergaria-a-Velha, foi meu companheiro na Escola Industrial e Comercial de Águeda (até ao 3º. ano - actual 7º.), altura em que passou  para a de Oliveira de Azeméis. Nunca nos encontrámos em Angola.
- FERREIRA. Carlos Alberto Pereira Tavares Ferreira. 1º. cabo mecânico de armamento ligeiro, da 1ª. CCAV. 8423. Teve actividade revolucionária em Portugal no pós-25 de Abril. É empresário do sector de sistemas electrónicos de segurança em  Moçambique, residindo em Maputo (antiga Lourenço Marques).

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

1 526 - Contactos operacionais do cmdt. Almeida e Brito

Vista Alegre, estrada para o Quitexe, vista do campo de jogos do 
quartel (1975). Em baixo, placa actual, na mesma estrada.

A 5 de Janeiro de 1975, o comandante Almeida e Brito deslocou-se a Vista Alegre, onde se aquartelava a 1ª. Companhia, a do capitão Castro Dias. O objectivo era «estabelecer contactos operacionais». Pela mesma razão se tinha deslocado a Carmona, ao Comando de Sector do Uíge, nos dias 3, 7 e 28. E, no dia 23, a Aldeia Viçosa, onde estava a 2ª. CCAV., a do capitão Cruz.
O comandante dos Cavaleiros do Norte fazia-se acompanhar do capitão José Paulo Falcão (oficial adjunto e de operações). Sendo certo que 5 de Janeiro de 1975 foi um domingo, quero acreditar que lá estive nesse dia (em escolta) e nesse dia terei visto pela primeira vez um automóvel artilhado pelo Pinto e que ele, com outros, fazia acelerar pela estrada do café - em verdadeiras «maluqueiras», próprias da idade e da euforia que por esse tempo se vivia.  

1 525 - O fortim e a picada do Quitexe para Zalala

O "poste" eléctrico que se vê em cima pode muito bem ser o do antigo parque-auto 
de Zalala. Será? Em baixo, a picada do Quitexe para Zalal, junto ao posto da OPVDCA

A Zalala de hoje inspira saudade e nostalgia. Olhem para aquele poste de madeira, com o candeeiro. Quem nos diz que não tem um pouquinho mais de 38 anos e por ali resiste, enquanto desapareceram as instalações do quartel dos homes do capitão Castro Dias.
O nosso enviado especial a Zalala e nosso companheiro de escola em Águeda, admite que seria ali a torre vigia e entrada do parque-auto e do quartel 
«A seguir, havia um espaço terraplanado, com cerca de 2 metros de altura, onde estava o refeitório e cozinha a lenha. Era assim, consecutivamente, até à parte mais alta, onde estavam as messes de oficiais e sargentos e o paiol. Se a minha memória, está correcta. Mas essa parte está tomada pelo mato e não se vêem quaisquer degraus de socalcos, parecendo que tudo foi arrasado, pela erosão, penso eu.
A foto seguinte, já é a meio da picada para Quitexe, onde havia um fortim da OPVDCA e fiquei na dúvida se era este o local, ou se a torre era a entrada de uma fazenda, de que não lembro o nome. Vive lá gente.    
Devemos lembrar que passaram por aqui algumas guerras depois de sairmos. A zona continua a ser 100% FNLA, com a respectiva população. 
Ao contrário de Moçambique, não se vêem grandes machambas. Aparecem algumas de mandioca e depois parece que a terra tem tudo o que é necessário. A população também não é muita.
Devo relatar uma coincidência: há negociantes que param as camionetas à beira da picada, entram nas antigas fazendas e cortam banana para carregar para Luanda. Um cacho, que comprei nestas condições na picada de Zalala, custa cerca de 1000 quanzas (8 euros). Em Luanda, custa esse preço mas por... cada banana. Mas a coincidência é que um das pessoas que estava nesse grupo era moçambicana. Tinha vindo para ali, via África do Sul e com um amigo angolano. O mundo é mesmo pequeno».
- OPVDCA. Organização Provincial de 
Voluntários da Defesa Civil de Angola.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

1 524 - O que resta de Zalala, 38 anos depois...

Vista do Quartel da Zalala, tirada da fazenda. Apenas se
 vê o armazém do café (que ficava abaixo do parque de viaturas)
Clicar nas imagens para as ampliar
Casa da antiga fazenda, vista do lado do quartel

O espaço do quartel, lá ao fundo, visto do pátio da
fazenda, onde está o filho do Cavaleiro do Norte (o fotógrafo)

A mítica Zalala é hoje um "resto" do que foi: um grande produtor de café, com pista de aviação e outros luxos da presença colonial. A fazenda era um imenso criador de riqueza, protegida pela tropa e aonde se chegava por uma picada de muitos medos.
E hoje: o que é feito de Zalala?
O nosso companheiro que a 15 de Dezembro de 2012 por lá passou, dá-nos uma imagem actual:
"O quartel, não existe. Há escombros. Não entrei mais no mato, porque não foi feita a desminagem. Mas ainda se vêem  algumas paredes pelo meio do mato.
O único ponto de referência é o antigo armazém do café, que ficava abaixo do parque viaturas. Depois, existiam vários socalcos onde estava os diversos pavilhões, por lá acima. Passaram-se 38 anos e a erosão do tempo tudo desfez. E cresceu o mato. Tem árvores com 30 metros.
Da fazenda, exploram a madeira. Tudo o resto está ao abandono.
Está cheio de bananas por dentro da mata, em todo o lado. Bananas boas. Mesmo as bananas-pão.
Penso que aquele candeeiro é do nosso tempo e acho que ficava no local das viaturas, onde havia uma torre de vigia, na entrada do quartel".
O nosso companheiro, que por lá foi 1º. cabo e agora faz vida por Moçambique, remata a mensagem com "um abraço para todos os que estiveram em Zalala".

domingo, 6 de janeiro de 2013

1 523 - Os dias «cavaleiros do norte» de Janeiro de 1975...


O antigo quartel de Vista Alegre, em 
Dezembro de 2012 (em cima) e em 1975 (em baixo)

Os primeiros dias de Janeiro de 1975, em termos operacionais e da parte do Batalhão de Cavalaria 8423, tiveram «actividade muito limitada, por grande falta de de meios humanos». 
«Foi quase somente conduzida ao longo do «alcatrão», em constantes patrulhamentos, apeados e auto, através dos quais se garante a nossa presença e a liberdade do itinerário», lê-se no Livro da Unidade.
Os Cavaleiros do Norte, ao tempo, recordemos, estavam centralizados na vila do Quitexe, onde se aquartelavam a CCS e a 3ª. CCAV., a de Santa Isabel. A 2ª. CCAV. continuava em Aldeia Viçosa e a 1ª. CCAV, a de Zalala, desde 25 de Novembro que jornadeava por Vista Alegre, com destacamento na Ponte do Dange. 
A foto de cima é do nosso companheiro de Zalala, agora por terras moçambicanas, que da saída de Zalala para Vista Alegre nos enviou este relato:
«O primeiro camião civil  a sair, antes da companhia, foi com toda a minha tralha, armamento, munições, ferramentas, panelas, etc., à noite e num dia de tempestade. Penso que apenas ia eu armado, o motorista civil e um soldado  africano que ia à boleia para Luanda, de ferias, e que desertou com arma e tudo.  Ainda não tínhamos chegado à saída da fazenda e o camião enterrou-se, devido à  chuva intensa. Pedimos ajuda via rádio, veio o Dias  sempre ele, com macacos e pás, apenas via o Dias no meio da lama,  no meio da escuridão, tendo, após mais ou menos 2 horas, desentolado o carro. Cheguei cerca das 3 horas da madrugada a Vista Alegre e sem saber onde descarregar o material.
Gostaria muito de estar com esta gente».
Quem sabe se este ano, ó companheiro da (antiga) Escola Industrial e Comercial de Águeda. O encontro da CCS será a 25 de Maio ou 1 de Junho. Logo se saberá.

sábado, 5 de janeiro de 2013

1 522 - Zalala, aos 15 de Dezembro de 2012 !!!

Antiga casa de enfermagem dos bailundos (em cima) e a picada 
do antigo quartel para a fazenda de Zalala, com a pequena ponte da bomba de água
Zalala, 15 de Dezembro de 2012. Imagens tiradas a partir do espaço do antigo aquartelamento da 1ª. CCAV. 8423, 38 anos e mês e meio depois da retirada - para Vista Alegre. 
A gentileza é do nosso companheiro que lá voltou agora (depois de uma anterior visita, em 1992) e que, volvido este tempo todo, reafirma «a falta de informação» que por lá era sentida e os jornais que chegavam à guarnição, depois de lidos pelos quadros militares.
Recorda ele:
«Fazíamos recortes que achávamos mais importantes, para o pessoal ler, tipo jornal de caserna. Principalmente na informação da organização e existência dos partidos da altura. Nunca soube se isso teve  alguma importância para as pessoas visadas.
É necessário recordar a miséria económica e cultural dos soldados, no geral, pois 35 a 40% eram analfabetos.
Quero enviar um grande abraço, se aceitarem, para as pessoas que lembro e outras que não lembro, terem tido espaço na minha existência da altura e importância para mim, por quem tenho amizade».
O nosso companheiro (quem é, quem é?) vive em Moçambique, naturalizado moçambicano e com família moçambicana. Mas tem família (um filho e um neto) em Angola, residentes na Vila Alice (Luanda).
Quem é?


sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

1 521 - Uma prenda para os Cavaleiros do Norte de Zalala...

Casa do fazendeiro de Zalala (em cima) e armazém de sacagem junto ao antigo 
quartel e eira de secagem do café (em baixo). Fotos do dia 15 de Dezembro de 2012


O dia de hoje é de prenda para a memória dos companheiros que «cavalgaram» por Zalala, de 7 de Junho até 25 de Novembro de 1974 - quando foram aquartelar em Vista Alegre e Ponte do Dange. Foi nesta data que os "últimos" zalalas, os da 1ª. CCAV. 8423, comandados pelo capitão miliciano Castro Dias,  disseram adeus à mítica fazenda - onde tanto sangue correu, desde 1961, e tantos dramas se sentiram no coração e na alma, esfarrapados na dor física. 
Um companheiro zalaliano, o da foto de cima (obtida a 15 de Dezembro de 2012, há, pois, menos de 3 semanas), brindou-nos com as imagens e dele reportamos este texto:
«ZALALA era um buraco e a anti-tese, longe de tudo o que se estava a passar, e estavam a passar-se coisas fantásticas e de importância histórica e transformações profundas na vida do nosso país e nas então colónias. 
Estávamos ausentes passivos, dos movimentos e decisões do MFA da altura (apesar de eu ter sido eleito para a comissão do MFA da companhia, com o dedo do capitão, sem qualquer efeito), e na produção de uma nova sociedade.
Nós, soldados (cabo ou soldado, na prática era tudo igual), não tínhamos recursos (um soldado ganhava cerca de 8 euros por mês e alguns eram casados e com filhos) e a falta de informação eram um problema muito grande. O capitão recebia alguns jornais, como o Expresso, e lembro-me de andar à volta desses jornais, depois de lidos, como cão atrás de osso. Por muitas  vezes ele dava, outras vezes era o Tininho, soldado dos oficiais, que os trazia, quando podia e queria».
Dá para «topar» quem é?
Diremos, um destes dias - pois temos mais imagens para editar. Só um pormenor, que também me surpreendeu: foi meu contemporâneo na (antiga) Escola Industrial e Comercial de Águeda, já lá vão mais de 40 anos. E desta nem eu sabia. 
Clicar nas imagens, 
para as ampliar

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

1 520 - Adeus Pelotão de Morteiros 4281, que vais para Carmona...

Valdemar e Pagaimo, dois companheiros do Pelotão de Morteiros 4281


O Pelotão de Morteiros 4281 foi um dos anfitriões dos Cavaleiros do Norte, quando chegámos à vila Quitexe, no já distante 6 de Junho de 1974. Foram nossos companheiros da jornada jornada africana até 4 de Janeiro de 1975 (amanhã se fazem 38 anos). Foram para Carmona e para o Comando de Sector do Uíge (CSU), da Zona Militar Norte (ZMN). Em Carmona nos voltámos a encontrar, por algum tempo - até que partiram para Luanda e para o Grafanil.
O comando era do alferes miliciano João Leite, oficial açoreano que agora vive nos Estados Unidos. E a ele pertencia o furriel Pires - que por lá se prendeu de amores e voltou casado, tendo seguido carreira na GNR. E também o inimitável furriel Costa - de quem não sei paradeiro. Foi companheiro de muitas graças e alvo, algumas vezes, de partidas próprias da idade e da nossa irreverência, «despejada» em cima da sua (dele) proverbial «arte« de ser bonacheirão. Ele não nos levará a mal, se nos ler, por ler este comentário - à distância de 38 anos. 
Os «morteirais» chegaram ao Quitexe a 17 de Abril de 1974 e estavam alojadas numa mini-caserna, ao lado da padaria. Eram, com os grupos de combate das companhias operacionais que se rodavam mês a mês, quem garantia as operações, escoltas, patrulhas e serviços do aquartelamento - com o PELREC (do alferes Garcia) e o Pelotão de Sapadores (do alferes Ribeiro). Tudo gente boa. Regressaram a Lisboa no dia 17 de Julho de 1975, com missão cumprida.
O Valdemar e o Pagaimo - que se vêem na imagem (de 1974) - estiveram no encontro anual da CCS, que a 2 de Junho de 2012 se realizou em Paredes.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

1 519 - As senhoras da guarnição quitexana do Natal de 1974


Tenente Luz (sentado, de costas, à esquerda, em cima), alferes Hermida (de bigode e a sorrir) e Cruz (bigode e óculos), de frente, rodeando as respectivas esposas, capitão Fernandes (sentado na mesa principal, de frente), NN, comandante Almeida e Brito, furriel Reino e capitães Falcão (encoberto) e Oliveira (óculos), tenente Mora (1º. da direita, encoberto, com a esposa. À esquerda, de cigarro na mão, o sargento ajudante Machado

As festa de Natal já lá vão, mesmo a do distante e longínquo Quitexe de 1974 - que tanto nos ficaram na memória, mas vale a pena aqui vir com este retrato de saudade e emoção, dessa tal noite de há 38 anos e alguns dias.
Por um lado, a comunhão de famílias - as dos miliatres que la as tinham. E aqui estão as senhoras.
A do lado esquerdo, ao lado do alferes Hermida (de trasmissões), era (é) a esposa. Sei que vivem pela Figueira da Foz, com uma filha, que é engenheira biólga. Encostada, e a sorrir, está a dra. Margarida Cruz, esposa, está visto, do alferes Cruz ( mecânico), que ali está copm ar de pensar e de queixo pousado nas mãos. Ambos estão reformados e a viver em Santo Tirso. À sua esquerda, será a esposa do tenente Luz. Será? É bem capaz! Quem pode ajudar?
Aqui à direita, em baixo e com a mão sobre a criança, está a filha do capitão Oliveira, que lá dava aulas. Não me recordo do nome. O miúdo é filho dela, logo é neto do capitão Oliveira. Terá agira 40 e tal anos e nada sei deles.
Não consigo identificar o militar que esá entre ela e a outra senhora, que é nem mais nem menos que a esposa do capitão Oliveira.
 A noite, para mim (e outros) foi de serviço, mas não nos dispensámos da consoada, a que não faltou farto majar (e muito diversificado), alegria, emoção e molhos de saudades a todos nós.
Estava de serviço e coube-me (com outros) distribuir consoadas pelo postos de vigilância. Lá fomos, de farnel feito e com bebidas a condizer, para gulodice dos nossos companheiros que, por razões de escala, foram "roubados" ao fraterno convívio do refeitório dos praças. 
Há momentos que não esquecem, por muitos anos que passem. E já lá vão 38!!!

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

1 518 - O Mosteias de pés para o tecto do Leão de Ouro

Viegas e Mosteias à porta do bar e messe de sargentos do Quitexe (1974/75)


O Mosteias foi sapador pelas terras angolanas do Uíge, pelo Quitexe e Carmona, e era dono de especificidades físicas inabituais: muito alto e muito ágil. Praticava pesos e halteres com latas de 5 litros de tintas cheias de cimento e barras de ferro. E era um camaradão.
Um dia, nas noites quentes da borrasca de Carmona, estávamos nós num café da Rua do Ultramar, vamos pensar que era no Leão de Ouro, quando alguns civis, mais jovens, começaram - como era habitual, ao tempo... -, a «baptizar» a tropa com nomes pouco simpáticos. Traidores, cobardes, filhos desta e daquela eram mimos que nos coravam a face e esquentavam a alma. Aguentámos, a beber as nossas Cucas, ou N´Golas, ou Nocais (vá lá agora um homem lembrar-se a marca da cerveja) quando a coisa começou mesmo a aquecer.
Nós, os tropas, tínhamos instruções para «ignorar» as ofensas, a PU funcionava exactamente nesse sentido, mas um homem não é de aço. Estávamos ali naquela de aguentar as provocações, mas já pendurados pelos cabelos, quando o Mosteias, de corpo bem ginasticado e de um só salto, se pôs com as mãos na mesa e os pés junto ao tecto, com as veias a saltarem-lhe do pescoço: 
«Um de cada vez!!!?...», desafiou ele, de olhos  fixados nos estupefactos civis, que o viam de pés para o ar. E nós, os restantes militares, já em guarda. Para  que desse e viesse.
Os momentos foram graves e intensos mas, felizmente, tudo não passou disto, e o Mosteias lá se pôs de pé, a espumar raiva e disposto a partir as costas a meia dúzia deles.
É este mesmo Mosteias que amanhã, dia 2 de Janeiro de 2012, faz uns bonitos 61 anos. Ó Luís, um grande abraço, pá!!!
- MOSTEIAS. Luís João Ramalho Mosteias, furriel miliciano sapador. Residente em Vila Nova de Santo André.
- PU. Polícia de Unidade. Versão local, ao tempo da Polícia Militar (PM).

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

1 517 - A passagem de ano de 1974 para 1975 no Quitexe

A foto que hoje vos trago tem exactamente 38 anos. 38!!!! É da passagem de ano de 1974 para 1975, na frente do bar e messe de sargentos do Quitexe. Como se vê, não falta a boa disposição. 
E o que será feito desta malta toda? Aqui vos deixo, o que sei.
O Fernandes, atrás e à esquerda, de bigode, é professor na sua Braga natal. A seguir, este vosso criado, que faz vida por Águeda. O Belo (de óculos, bigode e camisa suada) é aposentado da administração fiscal e vive no Retaxo (Castelo Branco). Depois, meio escondido, está o Lopes (atirador), que é de Barcelos mas vive por Lisboa. Segue-se outro «bigodaças», o Bento, que é do Barreiro e vive em França. E cá está o impagável Costa, dos Morteiros, de quem não sei nada, Depois, o afável e sempre jovem Flora - que foi de Alcains para Lisboa, se aposentou da Caixa Geral de Depósitos e vive em Odivelas.
O Ribeiro, o primeiro da frente e do lado esquerdo, é aposentado da EDP e mora em Vila Real. Também em Vila Real, vive o Rabiço que era enfermeiro e se aposentou como professor. Depois, o Graciano - que continua na sua Lamego Natal e ligado ao sector vitivinícola. Finalmente, o Abrantes, que também se aposentou de professor, na sua Castelo Branco.
As festas da noite, incluíram farta mesa e refrescantes bebidas, jantares aqui e ali e até uma corrida de S. Silvestre. E eu de serviço!!!

domingo, 30 de dezembro de 2012

1 516 - O furriel Reino faz anos duas vezes...

Noite de passagem de ano de 1974 para 1975, no Quitexe. Furriéis Bento, 
Rocha, Viegas, Flora, Lopes (enfermeiro), Capitão e Ribeiro (em cima). Carvalho,
Belo, Lopes (atirador) e Reino (em baixo)

O Reino é beirão da Guarda, nascido nas berças do Sabugal, onde há 61 anos não se chegava com a pressa de hoje e de onde se saía raramente, só de quando em vez, só por alguma razão muito importante. É  um homem que faz anos duas vezes por... ano. Vejam só!
O Reino, diz ele, nasceu a 28 de Dezembro de 1951, mas só foi registado como nascido a 1 de Janeiro de 1952. Por alguma razão, os pais não foram logo à Conservatória e, quando o fizeram, alteraram a data, para, quiçá, não pagarem multa. Ficou, assim, com dois dias de nascimento - o natural e o oficial. Era assim por esse tempo.
A tropa levou-o a Lamego, no terceiro e último turno de Operações Especiais (Ranger´s) de 1973, curso em que eu e o Neto já fomos (meios) instrutores. Era mais velho que ambos, em idade, mas mais novo em termos militares. Chegou aos Cavaleiros do Norte com atraso, relativamente a todos os outros mobilizados e incorporou-se na 3ª. CCAV. 8423, comandada pelo capitão José Paulo Fernandes. Foi já lá, em Santa Isabel, que o conhecemos, recordando as semanas duras da especialidade de Penude, em Lamego. Entre Dezembro de 1974 e 2 de Março de 1975 foi companheiro da jornada do Quitexe.
O Reino que ali vemos de farta bigodaça, seguiu vida profissional na GNR, de que já se aposentou. Grande abraço, ó Reino, pelos teus anos de 28 de Dezembro!!! E também pelos teus anos de 1 de Janeiro. São 61, em qualquer dos casos!
- REINO. Armindo Henriques Reino, furriel miliciano de Operações Especiais (Rangers). Aposentado da GNR, mora no Sabugal.
- CAPITÃO. Luís Ribeiro Capitão, furriel  miliciano atirador de cavalaria, da 3ª. CCAV. 8423. Foi maquinista da CP e, por doença, faleceu a 5 de Janeiro de 2010, em Ourém, de onde era natural.

sábado, 29 de dezembro de 2012

1 515 - O Natal na escola primária da sanzala do Cazenza

O Natal do Quitexe, em 1974, também foi à escola da sanzala do Cazenza, mesmo na saída do Quitexe, à esquerda, na estrada (na picada, melhor dizendo) que ia para Camabatela e antes do cemitério da vila. 
Aqui, em primeiro plano, de camisa brabca e óculos, vê-se o padre Albino Capela, que sacerdotava na missão e paróquia do Quitexe.
Atrás, a partir do quadro negro da escolas (onde ainda é possível ler a palavra Boas, certamente de... festas) está um militar que não consigo identificar (até pareço eu...) e segue-se uma linha de alferes milicianos: Hermida (de bigode e com as mãos no cinto), Pedrosa de Oliveira, Barros Simões, Cruz (de bigode e óculos), Ribeiro e Garcia. 
Assim foi, há 38 anos, um dia de festa e partilha, entre a guarnição militar e a comunidade civil. Repare-se que a mesa parece farta e os olhares das crianças parecem bem felizes. E a senhora ali do lado esquerdo e de branco? Quem será, alguém se lembra?

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

1 514 - Últimos dias de Dezembro de 1974...

Carvalho, Viegas e um furriel angolano, cujo nome 
se varreu da memória (em cima), Flora, Belo, Fernandes e Ricardo (em baixo)


Os últimos dias de 1974 foram vividos com  crescente e levedada  ansiedade pelo Quitexe. A 3ª. CCAV. 8423, do capitão José Paulo Fernandes, já abandonara definitivamente a Fazenda Santa Isabel, aquartelava-se na vila-sede dos Cavaleiros do Norte, e o Pelotão de Morteiros 4281 fazia malas para Carmona. A saída começara a 20 de Dezembro e concluir-se-ia nos primeiros dias de Janeiro de 1975.
O que mais «incomodava» a tropa, a esse tempo, era a multiplicação de serviços, o que acontecia desde que os militares angolanos tinham passado à disponibilidade. Julgo não errar, dizendo que faríamos serviços de dois em dois dias: ora sargento de dia, ora sargento da guarda, ora sargento de piquete, ou prevenção. A chegada dos companheiros de Santa Isabel, a 10 de Dezembro, aliviou a carga de «trabalho» e, valha a verdade, multiplicou a camaradagem.
Ansiedade, dizíamos, por saber a data da nossa saída da vila quitexana, onde estávamos desde 6 de Junho. As informações não apareciam, tirando uma ou outra dica dos oficiais milicianos - também eles pouco informados, como é de supor. Pouco transpirava das sucessivas reuniões dos nossos comandos com os do Comando de Sector do Uíge e Zona Militar Norte, em Carmona. Só em Dezembro de 1974, realizaram-se reuniões a 2, 4, 7, 9 e 16, pelo menos.
- CARVALHO. José Fernando da Costa Carvalho, furriel miliciano atirador de cavalaria, da 3ª. CCAV. 8423.  Reformado da PSP e morador no Entroncamento.   
- FLORA. António Pires Flora, furriel miliciano atirador de cavalaria, da 3ª. CCAV. 8423. Aposentado da Caixa Geral de Depósitos e morador em Loures.
. BELO. Agostinho Pires Belo, furriel miliciano vagomestre, da 3ª. CCAV. 8423. Aposentado das Finanças, morador no Retaxo (Castelo Branco).
- FERNANDES. António da Costa Fernandes, furriel atirador de cavalaria, da 3ª. CCAV. 8423. Professor, residente em Braga.
- RICARDO. Alcides dos Santos da da 3ª. CCAV. 8423Fonseca Ricardo, furriel miliciano atirador de cavalaria. Aposentado e morador em Loures. 


quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

1 513 - Futeboladas no Quitexe dos finais de 1974...

Futebol e cinema, no Clube do Quitexe, foram «ementa» dos últimos dias de 1974. Nem tudo eram serviços, tropa, continências e paradas. O modesto campo de futebol da vila, à saída para Carmona, à esquerda, foi palco de animados despiques - ora opondo pelotões militares, ora animados prélios com civis.
A foto mostra uma das equipas desse tempo e consigo reconhecer, em cima e da esquerda para a direita, o Lopes (furriel enfermeiro), o Gomes e o Grácio (guarda-redes), o Mosteias (o grande Mosteias, já na altura pai, desde Setembro), um 1º. cabo maqueiro do Pelotão de Morteiros (que será de Espinho) e o da direita, o da direita quem é?
Em baixo, conhecem-se, pela mesmo ordem, o Monteiro (furriel de Operações Especiais, em serviço na  secretaria da CCS), um condutor dos Morteiros (que será da Covilhã, diz o Pagaimo, mas quem é?), o Teixeira (estofador), um outro que poderá ser o Miguel (furriel pára-quedista, mas não sei ao certo) e o Botelho (atirador do PELREC). 
Bem gostava eu de ter a certeza que quem são estes futebolistas quitexanos cuja identidade escapa. Será que alguém pode ajudar? A imagem não é de grande qualidade - nem sei já quem ma enviou - mas os rostos não escapam, falhando a memória sobre os nomes. Quem ajuda? 

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

1 512 - O comandante que era para ser e não foi detido

Porta d´armas do BCAV. 8423, no Quitexe (à direita). Comandante Almeida e Brito (em baixo)

A 26 de Dezembro de 1974, o comandante Almeida e Brito foi a Carmona retribuir a mensagem de Natal do Comandante do Sector do Uíge - o CSU, instalado na ZMN. Tinha chegado dois dias antes e participado na consoada do refeitório dos praças. 
Corria pelo Quitexe, ao tempo, um boato que tinha a ver com ele. Que, ido de férias a Lisboa, não voltaria, pois seria detido pelo Conselho da Revolução. Assim não foi, mas como há gente sempre com a maldade na ponta da língua e da alma, eis que algumas pessoas foram acusadas de propalar o boato. E foram chamadas ao gabinete de Almeida e Brito. Porque é que tinham dito tal coisa, porque é que não tinham dito (e os acusados não tinham dito nada, a não ser comentar, como toda a guarnição, o boato que circulava, eis que Almeida e Brito foi «admoestado» por um seu comandado.
«Participarei judicialmente contra o meu comandante, se mantiver a acusação», disse-lhe um miliciano, de pescoço levantado, corajosamente - de forma que, ajuizadamente, seria considerada irresponsável e até perigosa. Não seria assim, sem pena disciplinar, que se falava a um comandante. E muito menos a um comandante da estirpe de Almeida e Brito, conhecido pelo rigor e severidade da sua acção. Austero, exigente, daqueles que não dão facilidades a comandados. Porém, se era expectável que o miliciano levasse «uma porrada», a verdade é que não levou e foi mandado embora.
Anos mais tarde, era Almeida e Brito 2º. comandante da Região Militar Centro, o assunto veio a conversa e ficou-se a saber de onde partiu a denúncia. O nome não é para aqui chamado, mas distinga-se a posição do comandante. Que não quis julgar sem ouvir e, ouvindo, disso tirou conclusões e não puniu o «acusado».  Também é por esta dimensão que se identificam os grandes comandantes.
- ALMEIDA E BRITO. Carlos José Saraiva de Lima Almeida e 
Brito, tenente coronel de cavalaria e comandante do Batalhão 
de Cavalaria 8423. Foi 2º.comandante da Região Militar Centro e 
da GNR e comandante da Região Militar Sul, entre outras funções. 
Faleceu a 20 de Junho de 2003, vítima de doença súbita, 
no decorrer de um passeio, em Espanha.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

1 511 - A noite de Natal do Quitexe, há 38 anos, em 1974!

Alferes Garcia e Almeida, no Quitexe /1974),. Atrás, 1º.s sargentos Barata e Aires




JOSÉ ALBERTO ALEGRIA
(ex-alferes miliciano Almeida)
TEXTO

Para ti António Garcia, a propósito
de os poetas serem fingidores…

Agora que, passados estes anos todos, o nosso amigo Celestino Viegas pôs mão à obra para nos motivar a reviver os tempos de Angola, quero que o meu primeiro contributo escrito seja dedicado a ti, para podermos todos ter-te neste convívio.
Quando cheguei ao Quitexe, já após vários meses da vossa instalação, em rendição individual e em machimbombo (num dia tão bem descrito pelo CV neste blog …), “caí” num grupo de camaradas que já se conheciam há muito tempo e no qual as relações humanas já estavam razoavelmente definidas. Dada a condição de Oficial de Reabastecimentos e também dadas as atribuições informais de “Oficial às Ordens” do Comandante, só nos momentos de lazer na Messe de Oficiais é que fomos tendo tempo para nos conhecermos.
Quis o acaso que partilhássemos a mesma mesa na sala de jantar (juntamente com a Alferes Jaime P. Ribeiro e outro) e, desde os primeiros dias, foi-me evidente a tua enorme necessidades de vangloriação heróica dos feitos do grupo de operações especiais que comandavas com dedicação e eficiência. Só que, tal como nas histórias dos caçadores e pescadores, as façanhas descritas eram de uma insólita e excessiva dimensão (do género: “ontem fizemos, ontem matámos, ontem esfolámos…”). Ora para mim, Oficial Miliciano de formação muito pouco militarista, as tuas diárias descrições das façanhas operacionais passaram a ser momentos a que eu ostensivamente não prestava a mínima atenção. Tal facto não te passava despercebido e noutras ocasiões, quando eu no bar ou na varanda da Messe me dedicava a ler os filósofos clássicos gregos (que, em boa hora, tinha levado para a guerra, dado que nunca os tinha lido na formação académica…), tu passavas a exercer a represália denominando-me sistematicamente e provocatoriamente como “o nosso intelectual”. E assim fomos gerindo a nossa “guerra fria” entre Julho e Dezembro…
Acontece que, ao aproximar-se o Natal, o nosso Comandante, em conversa de circunstância, me avisou:“Vais ver que na noite de Natal alguns dos mais “valentes” vão ser os primeiros a irem-se abaixo psicologicamente...”. Como te lembras, essa era a única noite em que partilhávamos o jantar com todo o pessoal, no Refeitório dos Soldados. Às tantas da noite, quando já havia muita emoção, acompanhadas de litros de bebida e abraços de lamechas, tive de ir à Messe dos Oficiais buscar algo e, como conhecia os cantos da casa, nem acendi a luz. Foi então que na penumbra me deparei contigo, recolhido num canto do bar, em plena crise de choro pelas saudades da tua família. Creio que uns breves segundos de hesitação foram suficientes para decidir fazer de conta que não te vi, e voltei ao Refeitório onde, por certo, a cerveja já tinha corrido mais e as lamechices natalícias também.
No dia seguinte, à hora da refeição na mesa de quatro do costume, não resististe a iniciar o relato de mais uma das gloriosas façanhas do teu grupo de operações oficiais… Só que, no final da descrição, para meu espanto e muito discretamente, piscaste-me o olho como que para dizer “desculpa lá, estas histórias já não são para ti que desde ontem me conheces um pouco, mas para os outros…”.
A partir desse dia, passou a haver entre nós um código de comunicação e de compreensão em que o“valente comandante de operações especiais” e o “discreto intelectual” foram construindo uma bonita amizade. Por duas vezes que vim de licença à Metrópole, pediste-me mesmo para ir ver a tua namorada, à residência onde estava hospedada no Porto!
Regressados da nossa missão africana, mantivemos um permanente contacto que incluiu dois momentos muito fortes:
1 - O teu casamento na Igreja de Pombal de Ansiães, onde tendo chegado já atrasado na companhia do nosso estimado Oficial António Souza Cruz, e, estando já todos a tirar a fotografia de grupo na escadaria, tiveste o desplante de abandonar o grupo e vir a correr na nossa direcção, manifestando assim a alegria pela nossa presença. Pouco tempo deste-me o prazer de vir com a tua Mulher passar uns dias da lua-de-mel na casa de meus Pais em Albufeira.
2 - Passado um ano ou dois, combinámos ir cinco dias de verão para casa dos teus Pais em Pombal de Ansiães. Já eras Inspector da Judiciária e para isso pediste uma licença que possibilitou partilharmos um tempo inolvidável nas terras quentes do Douro. A viagem de regresso ao Porto foi um tempo de premonição: sendo noite, quiseste falar abertamente de vários assuntos que te obcecavam naquela época: a exaltação da chegada breve do teu primeiro filho, a tua profundo decepção pelo trabalho na Polícia Judiciária, onde assistias a práticas que eram contra os teus princípios de honra e de ética, e a tua consequente decisão de ter de abandonar em breve essa Instituição. Foi uma conversa plena de franqueza, de emoção e de sentimentos íntimos, que só é possível entre dois amigos certos.
Poucos meses passados, o António Souza Cruz telefonou-me a perguntar se tinha lido a notícia no jornal: o Inspector António Manuel Garcia tinha morrido, em serviço, num acidente de viação. Por coincidência ou não, participava na investigação sobre o assassinato de Ferreira Torres… Esse foi um dos dias mais tristes da minha vida, por saber que ficavam tantas coisas por partilhar, tanto contigo como com a tua Família!
Mas agora ao rever a tua imagem em tantas das fotos que este blogue nos está a proporcionar quero sobretudo dizer-te:
«Meu caro António Manuel Garcia, tu és um dos mais presentes entre todos nós, pela tua honradez, pela tua coragem e pela tua verticalidade.
E mais tarde, noutro mundo, ainda quero ouvir outras das tuas inenarráveis façanhas de bravo Oficial de Operações Especiais do BCAV
8423…».
JOSÉ ALBERTO ALMEIDA
- ALMEIDA 1. José Alberto Alegria Martins de Almeida, alferes miliciano de reabastecimentos. Econonista e arquitecto, é profissionalmente conhecido por José Alberto Alegria, mora em Albufeira e é Cônsul de Marrocos no Algarve.
- ALMEIDA 2. Chegada do alferes Almeida ao Quitexe em http://cavaleirosdonorte.blogspot.com/2009/05/o-alferes-miliciano-almeida.html
- GARCIA 1. António Manuel Garcia, alferes miliciano de operações especiais, comandante do PELREC, natural de Pombal de Ansiães (Carrazeda de Ansiães). Faleceu em 1979(80), era agete da Polícia Judiciária.
* NOTA: Pela primeira vez em 1511 postes do blogue, repito um 
texto. Porque nos fala do Natal de 1974, o único dos Cavaleiros do 
Norte na Jornada de África. Porque é um notável texto! Um texto  
de memória, de história, de camaradagem e afecto. Que honra 
e faz orgulhar todos os Cavaleiros do Norte! Porque 
não podemos, nem devemos, nem queremos esquecer os nossos 
maiores e melhores.
Fzendo a memória de Garcia, nela juntamos a de todos os 
nossos companheiros que já partiram

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

1 510 - O Natal que chega do Pinto de Zalala...

Pinto, Velez e Rodrigues (furriéis), 1º. sargento Fialho Panasco e 
(furriéis) Queirós, Victor Costa (em pé), Aldeagas (de cócoras) e Nascimento (sentado) 

O Pinto, nado de Penafiel e de vida feita em Paredes (do Porto), mandou mensagem de Natal, que vale por todas e todos os Cavaleiros do Norte. Aqui a reproduzimos, assinando-a por baixo:
O 8423 criou laços de amizade que vão muito além de um acontecimento como o Natal!
Fiámos ligados pelo nascimento!!!! O nascimento de uma amizade que nos acompanhará até ao fim  dos nossos dias!!!
Desejo-vos um bom Natal!!!
E que o ano de 2013 seja tudo o que desejamos para todos nós!
MANUEL PINTO
- PINTO. Manuel Moreira Pinto, furriel miliciano 
de Operações Especiais (Rangers). Natural de Penafiel e 
residente em Paredes, onde é empresário do ramo automóvel.