CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

domingo, 14 de junho de 2015

3 150 - Cavaleiros do Norte começaram actividade operacional


Cavaleiros do Norte no Quitexe. Furriéis milicianos Monteiro, Machado (a fumar) e 
Costa, com o Carlos Lages (do bar de sargentos), na fila da frente. Atrás, Rocha (de 
bigode), Fonseca (de bigode e a fumar), Bento (de bigode), Viegas (a rir), Belo (de 
bigode e óculos) e Ribeiro. Ceia de Natal de 1974



Furriel Américo Rodrigues, da 1ª. CCAV. 8423,
com alguns elementos da FNLA, em Vista
 Alegre, no ano de 1975

O 14 de Junho de 1974 foi o dia em que «começou a verdadeira vida operacional (dos Cavaleiros do Norte) na Região Militar de Angola»
O Batalhão de Cavalaria 8423, recordemos, começara a chegar a Angola no dia 30 de Maio de 1974 (a CCS) e sucederam-se as companhias operacionais - a 1ª. CCAV. 8423, de Zalala (1 de Junho), a 2ª, de Aldeia Viçosa (dia 4) e a 3ª. de Santa Isabel (a 5), todas aquarteladas no Campo Militar do Grafanil, Daqui, rodaram para as suas sedes respectivamente a 6, a 7, a 10 e a 11 de Junho de 1974.
Furriel miliciano
Victor Velez, da
1ª. CCAV. 8423

Ainda em Junho desse ano aconteceram alguns complementos. À 1ª. CCAV. 8423, por exemplo, chegou o furriel miliciano Victor Velez, atirador de Cavalaria. As três companhias operacionais receberam, cada qual, o seu Grupo de Mesclagem - grupos formados por militares do recrutamento local.
Um ano depois, a programada Cimeira de Nairobi causava algumas preocupações e o Diário de Lisboa titulava «causa ambiente tenso em Luanda». A situação decorria de «uma manifestação de europeus frente ao Palácio do Governo, em consequência da morte de um comerciante no Bairro da Cuca». O comerciante teria sido abatido por elementos da FNLA, quando telefonicamente tentava contactar o COPLAD, por causa de um assalto à sua residência. O jornal O Comércio,
Notícia do Diário de Lisboa, de 14 de Junho
de 1975, sobre os acontecimentos de Angola
de Luanda, publicou nesse dia 14 de Junho de 1975 um manifesto, referindo, nomeadamente, que o documento era de «grande importância política» e na base da palavra de ordem «Recurso à Nação». Era assinado por Joaquim Pinto de Andrade, Gentil Viana, Joaquim Baptista, Maria do Céu Reis, Adolfo Maria, Amélia Mingas, Luís Carmelino e Manuel Videira. Todos eles, referia O Comércio, «nomes conhecidos, alguns dos quais se distinguiram no seio das Revolta Activa, facção do MPLA, sobre a qual muito se tem especulado». Abordavam especialmente a próxima Cimeira de Nairobi.

sábado, 13 de junho de 2015

3 149 - Carmona a normalizar e MPLA/UNITA a dar mãos


Comandante Bundula (FNLA), capitães milicianos José Manuel Cruz (2ª. CCAV. 8423) 
e José Paulo Fernandes (3ª. CCAv. 8423) e alferes miliciano João Machado (2ª. CCAV. 8423)


Carmona, actual cidade do Uíge. A
estrada da cidade para o BC12, o quartel dos
Cavaleiros do Norte
Carmona, por estes dias de Junho de 1975, retomava a calma, embora com sucessivos patrulhamentos dos Cavaleiros do Norte (para controlo de segurança urbana e nos itinerários) e acção mais acentuada da Polícia de Unidade - a versão local da Polícia Militar (PM). 
A guarnição do Negage, agora sob dependência operacional do Batalhão de Cavalaria 8423 (os Cavaleiros do Norte), «foi reforçada, com a desactivação de Sanza Pombo», segundo o Livro da Unidade e, ainda segundo este, preparava-se a recolha da 3ª. CCAV. 8423, com  a sua saída do Quitexe, facto que, contudo, «só se poderá materializar em Julho». E assim foi. 
A 1 de Julho «começou a materializar-se, com a saída de um grupo de combate», concluindo-se no dia 8 e, assim, «completando-se totalmente a retracção do dispositivo no Uíge». Pouco mais de um ano antes, recordemos, os Cavaleiros do Norte estavam aquartelados no Quitexe (a CCS), Zalala (a 1ª. CCAV.), Aldeia Viçosa (a 2ª. CCAV.) e Santa Isabel (a 3ª. CCAV.) - para além de Companhias associadas: a CCAÇ. 209/RI 21 (na Fazenda Liberato), a CCAÇ. 4145 (em Vista Alegre) e o Pelotão de Morteiros 4281 (no Quitexe).
O que não aconteceu, naturalmente, foram as visitas às subunidades. «Os incidentes ocorridos, as mudanças de dispositivo, a necessidade de adaptação aos novos problemas a viver, fizeram com que não se verificassem quaisquer visitas às Subunidades, embora não deixasse de haver um perfeito e permanente apoio aos seus anseios, através de contactos diversos. Isto é, com a vinda a Carmona dos comandos subordinados», anota o Livro da Unidade.
Notícia do Diário de Lisboa de 13 de Junho de 1975,
sobre a aproximação do MPLA e UNITA
Em Luanda, MPLA e UNITA davam mãos: «Os ideais dos nossos movimentos são afins», disse Manuel Pacavira, dirigente do MPLA, depois de uma reunião na Subdelegação do Bairro Rangel, entre representantes do Comité de Acção daquele movimento nos bairros de Luanda e elementos do Departamento de Assuntos Sociais da UNITA. Portanto, disse Pacavira, que cito do Diário de Lisboa desse dia 13 de Junho de 1975, «temos de conjugar os nossos esforços, para evitar que o imperialismo se instale no nosso país».
A reunião, dias depois dos incidentes de Luanda (entre os dois movimentos) pretendeu «pôr uma pedra sobre o assunto».

sexta-feira, 12 de junho de 2015

3 148 - Zalalas em Carmona e NT isoladas e preocupadas

Grupo de Cavaleiros do Norte em Mortágua, a 30 de Maio de 2015. Em baixo, 
António Albano Cruz (ex-alferes miliciano) e dois Celestino´s:
Viegas (ex-furriel) e o Silva (condutor)


A 12 de Junho de 1975, a 1ª. CCAV. 8423 concluiu a sua rotação para Carmona e ficou instalada na ZMN. Vinda do Songo, cidade a 40 kms. da capital do Uíge, que ficou sem guarnição militar portuguesa, «entregando os quartéis da área às autoridades angolanas, de corado com o determinado». 
A rotação vinha a ser feita desde o dia 6, para a capital do Uíge poder ter «um efectivo que permitisse acorrer a situações semelhantes às da primeira semana do mês». A dos trágicos dias de Carmona. 
A FNLA era «a senhora do Uíge» e continuava a não entender bem, a não aceitar o papel da Forças Armadas Portuguesas - o dos Cavaleiros do Norte, no caso. Daí, refere o Livro da Unidade, «resultou calma ainda mas fictícia e preocupante e, no rescaldo, a conclusão é que mais do que nunca, as NT estão a viver no reino da FNLA, isoladas, preocupadas. e quase sem encontrar justificações justificativas da sua estada, salvo que entendem de dever e necessária a sua permanência». 
Parada BC12, nos primeiros dias de Junho
de 1975. Ao fundo, alguns dos refugiados no quartel e
um helicóptero para evacuação de feridos

O Livro da Unidade sublinha também que «cabe aqui afirmar-se, em relação às NT, que a calma demonstrada, o sangue frio posto, o verdadeiro espírito de sacrifício mostrado são garantes da sua tenacidade e firme certeza de que nelas - no Batalhão de Cavalaria 8423 - está verdadeiramente imbuído o sentido de grandeza próprio do consciente, desinteressado e leal desejo de cumprir a missão que lhe está sendo imposta, no processo de descolonização».
Quando, às vezes (muitas vezes...), ouvimos nas televisões, nas rádios e nos jornais, uns lapardanas a falar da descolonização - do que não sabem, nem viveram!!!... - bem apetece enfiar-lhe estes momentos pela boca  dentro. Não sabem do que falam. Falam de cor. São irresponsáveis e levianos. São uns papagaios! Não imaginam a heroicidades destes Cavaleiros do Norte e dos militares portugueses que, nesses difíceis tempos de há 40 anos, foram actores do conturbado processo de descolonização. 

quinta-feira, 11 de junho de 2015

3 147 - Cavaleiros do Norte em Santa Isabel, há 41 anos!!!

Chegada da 3ª. CCAV. 8423 a Santa Isabel, hoje se fazem 41 anos!!!


Comandante Almeida e Brito (assinalado
a vermelho) e capitães José Paulo Falcão
 e António Oliveira (CCS)

A 3ª. CCAV. 8423 chegou a Santa Isabel no dia 11 de Junho de 2015, hoje se completam 41 anos. A 6, a 7 e a 10 tinham chegado, respectivamente, a CCS, comandada pelo capitão SGE António Martins de Oliveira (ao Quitexe), a 1ª. CCAV. 8423, do capitão miliciano Davide Castro Dias (a de Zalala) e a 2ª. CCAV. 8423, do capitão miliciano José Manuel Cruz (a de Aldeia Viçosa).
A CCS incluía o Comando do BCAV. 8423, com o tenente-coronel Carlos José Saraiva de Lima Almeida e Brito (comandante), o capitão de cavalaria José Paulo Montenegro Mendonça Falcão (oficial adjunto e de operações), o tenente Acácio Carreira da Luz (chefe de secretaria) e o alferes miliciano José Alberto Alegria Martins de Almeida, oficial de reabastecimentos (que chegou em Julho). E os oficiais médicos milicianos Manuel Soares Cipriano Leal (capitão) e António Honório de Campos (alferes), que transitaram do BCAÇ. 4211 - que os Cavaleiros do Norte foram render.
O comandante
Capitão miliciano José Paulo Fernandes e
1º. sargento Francisco Marchã, da 3^. CCAV.
8423, com dois militares de de Santa
Isabel, de identidade desconhecida
Almeida e Brito e o capitão José Paulo Falcão tinham embarcado dias antes e, a 27 de Maio de 1974, já tinham estado no Quitexe, voando em avião da Força Aérea de Luanda para o Negage e daqui para a vila-mártir de 1961, «para os primeiros contactos, os quais forma muito superficiais para o comandante do BCAV.», como refere o Livro da Unidade, uma vez que «a ZA era sua muito conhecida, uma vez que aqui fora oficial adjunto do BCAV. 1917, em 1968».
De passagem por Carmona, estiveram na Zona Militar Norte e Comando do Sector do Uíge. Depois do Quitexe «visitou-se as fazendas Zalala e santa Isabel, bem assim Aldeia Viçosa, locais onde se instalariam as subunidades».
Há 41 anos!!!

quarta-feira, 10 de junho de 2015

3 146 - Segurança em Carmona e malas do Banco de Portugal

Cavaleiros do Norte, quatro PELREC´s: Alberto Ferreira, 1º. cabo Dionísio Baptista, 
Francisco Madaleno e João Marcos. Em baixo, o BC12, último quartel do BCAV. 8423



Aos dez dias de Junho de 1974, a 2ª. CCAV. 8423 chegou a Aldeia Viçosa, ida do Grafanil e comandada pelo capitão miliciano José Manuel Cruz. O dia era feriado nacional mas, tal qual no ano seguinte, passou despercebido entre os Cavaleiros do Norte! Em 1975, porém e face aos incidentes que se repetiam, o Alto Comissário Silva Cardoso, em comunicado, deu conta que «tanto em Luanda como nos outros pontos do território, onde nos últimos dias se registaram conflitos entre os movimentos de libertação, ou mais concretamente entre o MPLA e a FNLA, a situação encontra-se praticamente estabilizada no aspecto militar, salvo um  ou outro incidente de pequena monta».
Os Cavaleiros do Norte, em Carmona e no Uíge, continuavam a sua missão: segurança na cidade (apesar dos continuados, embora não muito graves, incidentes com os homens da FNLA - os «vencedores» do conflito com o MPLA), procurando soluções para os conflitos que diariamente surgiam e fazendo gestão dos reabastecimentos - pois cidade e região deles estavam muito carentes. Ou assistindo e/ou evacuando feridos. Não se registou, a propósito, qualquer baixa entre os Cavaleiros do Norte. Felizmente!!!
Foi por estes dias que o PELREC foi encarregado de uma complexa missão: escoltar o transporte de pesadas malas da Delegação do Banco de Portugal, para o aeroporto de Carmona e proteger o descolamento do avião que as transportou para Luanda. O que levavam as malas? Não sabemos!!!
Delegação do Banco de Portugal em Carmona
O carregamento das malas foi «observado» pela mira atenta dos Cavaleiros do Norte do PELREC, fortemente armados - com as metralhadoras G3, obuses, morteiros e lança-granadas, bazucas e as clássicas granadas de mão e as que poderiam ser accionadas por dilagramas. Em nenhuma outra vez estivemos tão fortemente armados! Suspeitava-se que a pequena coluna fosse assaltada, no troço asfaltado que do Banco de Portugal ia até ao aeroporto.
Felizmente, não foi, apesar de um ligeiro sobressalto na passagem de um pequeno capinzal, já muito perto do aeroporto. A descarga e carga (no avião) das malas decorreu sem quaisquer problemas.

terça-feira, 9 de junho de 2015

3 145 - Calma no Uíge, segurança e acusações da FNLA

O ex-alferes miliciano Carlos Silva (o primeiro, à esquerda) e o capitão miliciano José 
Paulo Fernandes (o segundo, das direita, de verde) em animada conversa, em Vila 
Real. De costas, está Alfredo Coelho, o Buraquinho


Placa (actual) do Quitexe, indicar Carmona (Uíge)
e Negage. Ao fundo da recta, à direita, ficava o
quartel da OPVDCA
Aos nove dias de Junho de 1975,  a imprensa de Lisboa dava conta que «a situação em Angola parece ter acalmado», nomeadamente «deixando de ser frequente o tiroteio e o rebentamento de granadas e morteiros, pelo menos na zona próxima da cidade» de Luanda.
Não fala de Carmona onde, segundo o Livro da Unidade, a 1ª. CCAV. 8423 - a do capitão miliciano Davide Castro Dias -, continuava a sua rotação do Songo (realizou-se entre os dias 6 e 12) e, quanto às actividades militares desenvolvidas pelos quadros locais, «foram iguais às do (mês) antecedente, às quais houve que acrescentar a realização de diversas escoltas, porquanto, perdida que foi a liberdade de itinerários, só se garante a certeza de movimentos com o apoio militar quando não até, e também, o aéreo».
Alguns refugiados na parada do BC12, na
primeira semana de Junho de 1975. Já lá vão

40 anos!!!
A cidade e a guarnição (dos Cavaleiros do Norte) fazia contas aos amargos primeiros dias de Junho e, quanto aos militares, procuravam (e conseguiam) apaziguar ou resolver os incidentes que prosseguiam, evitando assaltos a civis (a pessoas e bens), neutralizando acções que pudessem pôr em causa a segurança da cidade e os seus pontos mais nucleares - abastecimento de água e rede eléctrica, hospital, Banco de Portugal, aeroporto, os serviços públicos.
A FNLA é que não entendia a neutralidade real dos Cavaleiros do Norte, por exemplo acusados de terem «atitude discricionária e partidária». por acolherem os mais de mil refugiados no BC12. Disso resultou, como leio no Livro da Unidade, «um período seriamente preocupante para o BCAV.»,. se bem que, como «após a tempestade vem a bonança», o ELNA (exército da FNLA) acabou por reconsiderar a posição das NT» e, assim, «acabou por se colmatar as desinteligências existentes e novamente se reiniciou a calma no distrito».
A primeira imagem de hoje refere-se ao encontro da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel e do comando do capitão miliciano José Paulo Fernandes, que no passado sábado, dia 6 de Junho de 2015, se realizou em Vila Real (Trás-os-Montes). Uma gentileza (com as de ontem) do ex-alferes miliciano Carlos Almeida e Silva.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

3 144 - Santa Isabel em Vila Real e Carmona há 40 anos

O capitão miliciano) José Paulo Fernandes (terceiro a contar da direita) fez o discurso de 
festa do encontro dos Cavaleiros do Norte de Santa Isabel - rodeado de Delmiro Ribeiro, 
o organizador, à sua direita (furriel miliciano) e de Alfredo Coelho (Buraquinho), à sua esquerda


Parada do BC12. Partida e chegada de militares,
com civis que se refugiaram nas instalações militares
dos Cavaleiros do Norte, em Carmona


Os Cavaleiros do Norte de Santa Isabel reuniram em Vila Real, com chancela organizativa de Delmiro Ribeiro, ex-furriel miliciano atirador de cavalaria e agora engenheiro aposentado da EDP.
O discurso de festa foi do ex-capitão miliciano José Paulo Fernandes, que comandou a 3ª. CCAV. 8423. Não  foram esquecidos os momentos vividos há 40/41 anos, na jornada africana que os levou ao chão uíjano de Angola. E a camaradagem que levedou em todos estes anos, desde que, desmobilizados, regressaram à vida civil e se multiplicaram em famílias e dádivas às suas sociedades próximas.
Carlos Silva, ex-alferes miliciano da 3ª. CCAV. 8423,
nas Quedas do Duque de Bragança, há 40 anos. Vai
ser o organizador do encontro de 2016, em
Ferreira do Zêzere
 
O encontro de 2016 será em Ferreira do Zêzere, com organização do ex-alferes miliciano Carlos Almeida e Silva.
O encontro foi a 6 de Junho de 2015 e na véspera de 1974 (dia 5 de Junho) tinham desembarcado em Luanda, idos de Lisboa, em trânsito pelo Campo Militar do Grafanil e para a fazenda Santa Isabel - onde chegaram a 11 do mesmo mês, assumindo no dia 14 a responsabilidade operacional.
Um ano depois, a 8 de Junho de 1975 (hoje se fazem 40 anos) estavam aquartelados no Quitexe - onde chegaram a 10 de Dezembro de 1974 e de onde saíram, para Carmona, a 8 de Julho de 1975.
Carmona que, por esta mesma altura, recebia a 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala (ida da Vista Alegre e Ponde do Dange), operação que terminou a 12 (instalando-se na ZMN). Carmona que se refazia emocionalmente dos trágicos primeiros dias. 
«O mês decorreu, no seu restante, sob forte tensão emocional, quer pelos alguns atritos que voltaram a dar-se, quer também porque se estão vivendo momentos de carências logísticas, os quais são reflexo do estado de latente conflito que continua e que dá azo a um desabar de esperanças que se possa ver em bom e belo panorama o dia de amanhã», nota(va) o Livro da Unidade.

domingo, 7 de junho de 2015

3 143 - Cavaleiros de Santa Isabel em Vila Real e imagens de Carmona

Cavaleiros do Norte de Santa Isabel em Vila Real - a 6 de Junho de 2015. Em baixo, 
imagem dos incidentes de Carmona, há 40 anos



Os Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423, os de Santa Isabel, estiveram ontem reunidos em Vila Real. A 11 de Junho de 1974, chegaram à mítica fazenda uíjana - onde jornadearam até 10 de Dezembro desse ano - quando rodaram para o Quitexe. 
A organização foi do (ex-furriel miliciano) Delmiro Ribeiro e tudo correu em ritmo de felicidade e emoção. Nem podia deixar de ser.
Há 41 anos, a 7 de Junho, o 1º. Ministro Palma Carlos recebeu uma delegação da União Nacionalista de Angola e Almeida Santos, ministro da Coordenação Inter-Territorial, reuniu em Lisboa com os Governadores Gerais de Angola (Silvino Silvério Marques) e de Moçambique (Soares de Melo).
Um ano depois, o Presidente Costa Gomes reuniu com políticos franceses e Angola era o tema dominante. Melo Antunes, ministro dos Negócios Estrangeiros já por lá estava, havia dias. Luanda era cenário de tiroteios repetidos, rebentamentos de morteiros e de bazucas - principalmente nas avenidas do Brasil,(onde se localizava a delegação da FNLA) e dos Combatentes (a da UNITA) e no bairro Vila Alice (onde o MPLA tinha o seu quartel-general). Os bairros Marçal, Lixeira e Cuca também eram espaços de tiroteios, que, segundo o vespertino Diário de Lisboa desse dia, «já tinham causado mais de 40 mortos e 100 feridos».
Descida de um helicóptero na parada do BC12, há
40 anos. Ao fundo, vêem-se viaturas civis e  populares,
talvez os primeiros refugiados do quartel dos
Cavaleiros do Norte
Carmona, a capital do Uíge e cidade dos Cavaleiros do Norte, tinha falta de abastecimentos - que vem se sentiram no BC12, onde estavam refugiados muitos e muitos civis. As comunicações rodoviárias com Luanda estavam cortadas, o que agudizou a situação. A memória recorda o transporte, em aviões militares, de abastecimentos urgentes. 
«Os problemas estão a aumentar», relata(va) o Diário de Lisboa de 7 de Junho de 1975. E nós por lá bem os sentíamos.
O mesmo dia, mas em Nairobi, foi tempo para o ministro dos Negócios Estrangeiros do Quénia anunciar 15 de Junho com data para a cimeira entre  MPLA, FNLA e UNITA. Os presidentes Agostinho Neto, Holden Roberto e Jonas Savimbi  já tinham reunido em Janeiro, em Mombaça (Quénia), com o presidente Jomo Kennyata, imediatamente antes de partirem para Portugal - onde assinaram o acordo do Alvor.

sábado, 6 de junho de 2015

3 142 - A chegada ao Quitexe, os combates de Carmona!

Parada do Quitexe, onde a CCS chegou faz hoje 41 anos! Em baixo, Amazonas do 
Norte em Mortágua: Ni Neto, Hermínia Viegas e Manuela Cruz


A CCS do BCAV. 8423 chegou ao Quitexe a 6 de Junho de 1974! Há 41 anos! Saímos do Grafanil de madrugada e fomos galgando quilómetros em asfalto, na chamada Estrada do Café - que liga(va) Luanda a Carmona.
O mesmo dia foi tempo de um comunicado do Comando-Chefe das Forças Armadas em Angola, dando nota de, entre outros, ataques na zona envolvente da vila-mártir de 1961: emboscada na Serra do Pingano, com 7 mortos das NT; emboscada na fazenda Luch, na área de Quipedro, com dois mortos e um feridos, todos civis; ataques e saques às sanzalas de Camonge, a sul de Camabatela (sem baixas) e Banza, a  sudeste do Songo (com dois feridos civis); e à povoação fronteiriça do Bimbo (também sem baixa e prejuízos materiais).
Nada animador, para quem viajava para o desconhecido Quitexe.
Um ano depois, Carmona começava a serenar, depois dos agitados e trágicos primeiros dias do mês. 
«Em Carmona,
Cavaleiros do Norte de Zalala: furriéis José Louro,
Américo Rodrigues, José Nascimento, Jorge Barata e
Jorge Barreto e alferes Mário Sousa e José Lains dos Santos
outro ponto quente dos combates desta semana, as tropas do ELNA e das FALA/UNITA dominam a cidade, tendo sido evacuados os membros do MPLA que sobreviveram aos ataques. A cidade, porém, continua sem abastecimentos», noticiava o Diário de Lisboa.
O dia 6 de Junho de 1975 foi o início de rodagem da 1ª. CCAV. 8423 para Carmona, «indo ocupar o aquartelamento da extinta ZMN». Os Cavaleiros do Norte de Zalala estavam no Songo e concluíram a rodagem a 12 de Junho, nesta data «entregando os quartéis da área do Songo às AA, de acordo como determinado».
Os piores dias de Carmona estavam a acabar, sem baixas entre as NT. Ufff!!!...

sexta-feira, 5 de junho de 2015

3 141 - Cavaleiros do Norte sem baixas em Carmona

Henrique Esgueira (condutor), António Silva (rádio-montador) e Fernando 
Grácio (sapador) em Mortágua. Atrás, as esposas de Grácio, Esgueira e 
Pais. Em baixo, Delfim Serra (condutor), Domingos Teixeira
 (estofador) e neta


Há 40 anos, continuavam as «macas» de Carmona, entre MPLA e FNLA. Os populares eram socorridos pelos Cavaleiros do Norte e protegidos no BC12. Foi contínua a acção das NT nestes dias trágicos da capital do Uíge.
Ao final da tarde de 4 de Junho de 1975, o Conselho Coordenador do Movimento das Forças Armadas, em  Luanda, emitiu um comunicado em que
Humberto Zambujo (radiotelegrafista)
 e Raul Caixarias (atirador)
afirmava «não ter havido baixas entre os soldados portugueses empenhados na contenção dos últimos incidentes». Relativamente ao que intitulou «crise desencadeada pela FNLA», o comunicado sublinhava que «na área de Carmona, como aliás tem acontecido em anteriores e nos actuais incidentes, a actividade das Forças Armadas Portuguesas tem sido absolutamente exemplar, tendo envidado os maiores esforços para, sem intervir directamente nos combates entre os movimentos de libertação, estabilizar de forma muita activa a situação, evitando derramamento inútil de sangue do povo angolano e garantindo, na medida do possível, a continuação da vida económicas das áreas afectadas».

O agora engº. Eugénio Silva, quadro da Sonangol e ao tempo estudante em Carmona, foi um dos refugiados do BC12. Em mensagem enviada aos Cavaleiros do Norte, para o encontro de Mortágua, diz que «gostaria de aproveitar para saudá-los neste dia 30 de maio e já lá vão 41 anos, desde que partiram para a «longínqua» e desconhecida Angola».
Chegada de refugiados à parada
do BC12, há 40 anos
«Acredito que tenham sido 
momentos da ansiedade, emoção e também de muita tristeza porque, em terras lusas, alguns de vós deixaram esposas, mães, filhos, irmãos e noivas», mensajou Eugénio Silva, acrescentando que «nunca esquecerei aquele fatídico dia 1 de Junho de 1975, em Carmona».
«Eu nunca tinha estado em tal situação e fiquei bastante surpreendido. Vocês protegeram a vida a muitos civis, que nada tinha a ver com aquilo. E não só! Isso não deve ser esquecido por aqueles que beneficiaram do vosso apoio naqueles dias amargos de Junho (...). Foram momentos difíceis para nós, naquele dia 1 de Junho de 1975 e nos dias que se seguiram», lembra Eugénio Silva, acrescentando que «em princípios ou meados de Junho, nós seguíamos numa coluna terrestre, com escolta da tropa portuguesa e a partir do BC12, quando fomos impedidos de avançar até Camabatela, com destino a Luanda».
Eugénio Silva, um 
dos refugiados de 
Carmona
«Houve ameaças de que não chegaríamos vivos a Camabatela e o meu pai decidiu que parte da família teria de regressar a Carmona, devido às ameaças. Fomos levados numa Berliet para Carmona e lá ficámos em lugar seguro, até que pudemos viajar de avião para Luanda, já em fins de Junho de 1975», concluiu Eugénio Silva.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

3 140 - Mortes em Carmona, mensagens de Tomás e Nogueira

António Pais (rádio montador), Raúl Caixarias e Francisco Madaleno (atiradores) e 
José A. Gomes (condutor). Em baixo, António Albano Cruz (alferes miliciano) e 
Manuel Eira (2º. sargento) e esposa no Encontro de Mortágua 2015



«A matança prossegue em Carmona, à hora em que escrevemos. Ninguém dispõe de números de mortos, de feridos, presos e desaparecidos, mas as vítimas serão já muitas dezenas. 
As ruas estão cheias de cadáveres, segundo os telefonemas recebidos em Luanda, onde um alto responsável do MPLA considerava a  situação como extremamente grave», relatava o Diário de Lisboa de 4 de Junho de 1975. Há precisamente 40 anos!!! Os Cavaleiros do Norte eram «actores» desses momentos trágicos, assegurando apoio à comunidade civil - que acolheu no BC12. 
A fraticida guerra entre os dois movimentos estava no seu momento mais trágico, em terras do Uíge.
Parada do BC 12 nos primeiros dias de
Junho de 1975. Um helicóptero e refugiados à
espera de evacuação para Luanda
«Os comandos da FNLA - prosseguia a reportagem do DL - invadiram e destruíram as casas de dezenas de militantes do MPLA, matando muitos deles e espancando e raptando outros. Os que escaparam aos primeiros movimentos da operação refugiaram-se no hospital, no paço Episcopal e no aquartelamento português. A Força Aérea Portuguesa montou logo um dispositivo de evacuação dos adeptos do MPLA e da população civil que lhe é afecta, enquanto o Exército Português procura impedir novos «raids» dos homens de Holden Roberto, que retomaram, tragicamente, os métodos de 1961».
O jornal dava ainda conta que «a aparente estabilidade da situação em Carmona rompeu-se brutalmente nas últimas 24 horas, com uma fulminante operação lançada pelos comandos de Holden Roberto (FNLA) contra militares e civis do MPLA». 
O Exército Português, aqui, era o Batalhão de Cavalaria 8423, os Cavaleiros do Norte, e Deus sabe quanto  dramáticos foram esses dias trágicos de Carmona. Há 40 anos!!!
A 30 de Maio de 2015, como aqui temos vindo a reportar, os Cavaleiros do Norte da CCS reuniram-se em Mortágua, com organização do Afonso Henriques, e ao encontro chegaram mensagens - que reproduzimos nos últimos dias. Hoje, publicamos mais duas. Uma, do 1º. cabo Rodolfo Hernâni Tavares Tomás, 
rádio montador e morador em Lousada. 
Rodolfo Tomás

Está com problemas de 
saúde, com Parkinson, de que diz «não ter cura» mas, e cito-o, tem «tratamento para travar o avanço» e que é isso que está a fazer. Diz que está, e cito-o de novo, «a ajustar as medicações para ter um fim mais digno».
A mensagem: «Abraço a todos os ex-militares (principalmente) da CCS do BCav 8423. Oficiais Sargentos (Furriéis) e praças. Para todos, grande abraço de muitas saudades e muita saúde».
Condutor Nogueira,
do Liberato
Outra mensagem é de João Luís Nogueira da Costa, soldado condutor da Companhia do Liberato e morador em Tomar: «Queiram desculpar só agora comunicar a minha indisponibilidade para o encontro deste ano, mas nesse dia estou em Olhão na ilha de Carmona. Fica para o ano. Um grande abraço para todos. Obrigado».
Assim se vai fazendo a história (viva) dos Cavaleiros do Norte, 40 anos depois!!!

quarta-feira, 3 de junho de 2015

3 139 - Combates e paz em Carmona e encontro de Mortágua

Mortágua 2015: o (furriel) Norberto Morais, os 1ºs. cabos Miguel Teixeira (secretaria)
e Luís Oliveira (transmissões) e o sapador António Amaral. Em baixo, Alfredo
Coelho (Buraquinho, 1º. cabo), Caetano (clarim), 1º. cabo Malheiros e Joaquim
Celestino (condutor).  Era evidente a boa disposição!





A 3 de Junho de 1975, o Diário de Lisboa falava dos combates de Carmona, iniciados na madrugada de dois dias antes, e dava conta de «certa melhoria geral da situação política e militar em Angola, devido ao êxito das diligências conjuntas para o restabelecimento a ordem em Carmona, teatro de acontecimentos sangrentos nos últimos dias».
Sangrentos foram, na verdade!
O jornal referia também que «as duas equipas militares integradas enviadas anteontem para Carmona e que não puderam por termo às confrontações entre tropas do MPLA e da FNLA, recorreram ao apoio político de altos representantes dos três movimentos e do Exército Português, que parece ter tido êxito na sua missão».
Notícia do Diário de Lisboa de 3 de
Junho de 1975. Há 40 anos!
A reportagem parece-me ferida de falta de rigor. O Livro da Unidade não faz qualquer referência à presença de equipas militares integradas, nem delas a memória se faz 40 anos depois. Ninguém se lembra de lá terem estado nos dois primeiros dias - os mais dramáticos. Só depois e, se a memória não nos falha, com intervenções que não colheram simpatia do comandante Almeida e Brito e muito menos da guarnição. Julgavam-se os «senhores da guerra» mas não faziam ideia mínima do que se passava em Carmona. Sabiam os Cavaleiros do Norte. por experiência própria, capitalizada nos sofreres do corpo e nas dores da alma.
«Mais uma vez as NT procuraram minimizar o conflito, procurando seu términus rápido e diligenciando por limitar os seus efeitos», sublinha o memorial escrito da jornada angolana dos Cavaleiro do Norte. Só dias depois, em data imprecisa, se deslocou a Carmona um grupo de oficiais do MFA.
Monteiro,(á direita), Neto à esquerda) e Viegas,
três furriéis milicianos Rangers no Quitexe
O tempo passou e 40 anos depois, os Cavaleiros do Norte da CCS reuniram-se em Mortágua, como temos vindo a reportar. Com menos gente que o habitual. O (ex-furriel miliciano) Monteiro -que organizou os encontros de 1997 (Penafiel) e 2012 (Paredes), foi um dos que não pôde estar presente, mas enviou mensagem: «Neste dia, em que gostaria de estar presente assim poder dar um abraço a cada um de vós, na impossibilidade de o fazer gostaria de o transmitir a toda a rapaziada.
Um abraço para todos!
Furriéis milicianos Luís Costa (Morteiros)
e Joaquim Farinha (Sapadores e falecido a 14

de Julho de 2005, por doença, em Amarante
Outro ex-furriel, mas do Pelotão de Morteiros 4281, nosso contemporâneo do Quitexe, o Luís Filipe dos Santos COSTA, também enviou mensagem: «Estou de viagem nos Estados Unidos, mais concretamente em Salt Lake City, a visitar o meu filho mais novo (Rodrigo) que está a fazer o doutoramento em Biologia Ramo Cientifico, na Universidade do UTAH
Vou aproveitar e vou ao Grand Canyon e a Las Vegas e entretanto enviei um email ao (alferes) Leite a informar da minha deslocação, para ver se dá para nos podermos encontrar a 1/2 da "picada". Desejo que o convívio corra pelo melhor».
O alferes João Leite era o comandante do Pelotão de Morteiros 4281.

terça-feira, 2 de junho de 2015

3 138 - Saudar as memórias do nosso BCAV.8423

Afonso Henriques de Sousa, o sapador que organizou o Encontro de Mortágua;
o Francisco Carlos, também sapador e vizinho de Tondela,
 com a esposa, a 30 de Maio de 2015
José Gomes e Vicente Alves (condutores) e
Aurélio, o Barbeiro (atirador do PELREC)
A imprensa de Lisboa, a 2 de Junho de 1975, hoje se fazem 40 anos, dava conta dos combates em Carmona - iniciados na véspera, domingo. O Diário de Lisboa chamava à primeira página o título «Combates em Carmona» e noticiava que «graves incidentes estalaram ontem em Carmona, entre as tropas do MPLA e da FNLA, obrigando à intervenção, até agora sem êxito, de uma equipa militar mista, composta por forças integradas dos três movimentos de libertação».
O Diário de Lisboa de 2 de Junho de 1975
noticiou os combates de Carmona
Não foi bem assim. Quem interveio foram as NT e de forma corajosa, sem recuar a perigos, sem hesitar e avançando ao som da mortífera metralha que «alagou» a cidade, salvando milhares de vidas - evacuando civis, principalmente idosos, mulheres, jovens e crianças para o BC12. 
As forças mistas, segundo leio no Livro da Unidade, só depois tiveram a sua 1ª. Companhia, instruída pelos Cavaleiros do Norte e integrando «elementos da FNLA e da UNITA», já que o MPLA foi expulso do Uíge, na sequência destes trágicos dias. 
Alguns dos refugiados no BC12, com
 o 1º. cabo Emanuel Santos
Uma das tarefas das NT foi proteger a população civil e, por isso, «foi dada entrada no quartel um milhar de refugiados» - lê-se no livro. Terão sido bem mais. 
Um civil protegido, foi um então jovem estudante, agora quadro superior da Sonangol, o engº. Eugénio Silva. «Nunca esquecerei aquele fatídico dia 1 de Junho de 1975, em Carmona! Eu nunca tinha estado em tal situação e fiquei bastante surpreendido. Vocês protegeram a vida a muitos civis, que nada tinham a ver com aquilo, e não só», recordou ele, em mensagem agora enviada para o Encontro dos Cavaleiros do Norte da CCS, a 30 de Maio de 2015, em
 Mortágua.
Os alferes António Garcia e José Alberto
Almeida (à direita) e os 1ºs. sargentos João 

Barata e Joaquim Aires
O ex-alferes miliciano Almeida, oficial de reabastecimentos, também enviou mensagem para o encontro, que titulou «Saudar as nossas memórias do nosso BCAV. 8423».
Esta:
   Embora no dia 30 de Maio de 1974 eu ainda não pertencesse ao nosso Batalhão (no qual só me fui integrar em Julho, já no Quitexe);
   Embora esteja hoje em serviço no continente africano, mas na cidade de Marrakech;
não quero deixar de vos enviar um forte abraço de camaradagem, que se justifica pelo facto de, mais uma vez, estarmos a celebrar em conjunto os momentos e os valores que nos uniram durante aqueles longos meses, tão fortemente marcantes das nossas vidas, das nossas personalidades e até da nossa maneira de perceber o mundo e o ser humano.
Apraz-me constatar que, em grande parte devido à dedicação constante e inabalável do nosso eterno Furriel Celestino Viegas, os encontros de cada ano vão servindo para celebrar os valores fortes da amizade e da camaradagem, forjados em momentos, por vezes duros, mas necessários para o bom termo da nossa missão.
Permitam-me que dedique um abraço especial ao decano de todos nós (só pela idade, que não pela juventude e lucidez do espírito…) o Capitão Acácio Luz, que também simboliza o melhor dos valores humanos do nosso sempre presente BCAV 8423.
Bem hajam!
José Alberto Almeida

segunda-feira, 1 de junho de 2015

3 137 - Incidentes de Carmona, capitão Falcão e tenente Luz

Cavaleiros do Norte da CCS em Mortágua: José Gomes (condutor), Alfredo 
Coelho (Buraquinho), Francisco Neto (furriel), José Caetano (clarim) e Delfim 
Serra (condutor). Em baixo, à direita, António Amaral (sapador)


António Gonçalves, condutor (de Lamego), António Pais, 
rádio-montador e esposa (Viseu), António J. Silva,  
rádio-montador (VN de Gaia) e Fernando Grácio, 
sapador, e esposa (de Leiria)


Os graves incidentes de Carmona «rebentaram» na madrugada de 1 de Junho de 1975, um domingo! Há 40 anos!!! Já foram memoriados neste blogue, nesta data de anos anteriores, e hoje apenas, citando o Livro da Unidade, recordamos que o «grave conflito armado entre os movimentos de libertação, através das suas forças ELNA e FAPLA, atingiu todas as vilas do distrito, onde tais forças existiam». Distrito do Uíge.
«Tudo o que se possa considerar combatente ou simpatizante do MPLA foi expulso do distrito, nos melhores casos, porquanto noutros há a citar algumas dezenas de mortos», cito do livro.
Hoje, porém - e sem nunca esquecer os trágicos momentos vividos nesses primeiros dias de Junho de 1975 -, continuamos a recordar o encontro das CCS, o de sábado - 30 de Maio de 2015, quando se fizeram 41 anos da chegada dos Cavaleiros do Norte a Luanda. E nele não puderam participar, por problemas de saúde, dois dos nossos «cavaleiros maiores»: o capitão Falcão e o tenente Luz.
Mandaram mensagens, lidas pelo (ex-furriel miliciano) Viegas, ante olhares e ouvidos atentos e muitos aplausos. 
O capitão  Falcão (à direita),
com o comandante Almeida e
Brito, no Encontro de Águeda,

em 1995
O então capitão e agora tenente-coronel José Paulo Montenegro Mendonça Falcão era o oficial adjunto e de operações. Reside em Coimbra, limitado por problemas de saúde, e a mensagem foi enviada por sua esposa, D. Maria do Carmo Gaivão. Esta:
O meu marido, dentro do possível, vai andando. A sua doença vai-o privando das suas capacidades.
Desejo, em nome dele, a todos os participantes do encontro muita saúde e paz. Grata por não se esquecerem do vosso capitão.
Cumprimentos a todos.
Maria do Carmo
O capitão Luz e esposa, no
encontro de Águeda, em 2009
O então tenente e agora capitão Acácio Carreira da Luz era chefe da secretaria do BCAV. 8423 e 
reside na Marinha Grande. 
Foi esta a mensagem:
Meus caro amigos e camaradas:
É com grande mágoa não poder estar com vocês no sábado, em Mortágua.
O meu estado de saúde não o permite
Quero reafirmar-vos a grande consideração que tenho por vocês e sei bem que ela é recíproca.
E como é de minha convicção que a esperança deve ser sempre a última coisa a morrer, lá espero eu de, para o ano, nos encontrarmos, apesar das distâncias começarem já a pesar-me um pouco.
Vai um grande abraço para todos, extensivo às vossas famílias, com os votos da muita saúde e de um bom convívio.
Acácio Luz

- NOTA: O tenente/capitão Luz fez questão 
de sublinhar que seu filho Marco «ficou com 
muita pena de não ir». Porque «gostou muito 
de ir» (ano passado) e, acrescentou, «manda 
um abraço para todos».