CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

4 808 - A chegada da 3ª. CCAV. 8423, os últimos Cavaleiros do Norte em Angola!

António Flora, Agostinho Belo, António Fernandes e
Alcides Ricardo, furriéis milicianos da 3ª. CCAV. 8423,
a da Fazenda de Santa Isabel
O capitão José P. Fernandes
e o 1º. sargento F. Marchã



Os Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423 regressaram a Portugal no da 11 de Setembro de 1975. Há  44 anos!
Completou-se, assim, a jornada africana que, pelo Uíge levou o BCAV. 8423 a terras de Angola, numa missão que nos orgulha e nos honra.
Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV 8423, todos mi-
licianos alferes Mário Simões e Graciano Silva
 (atrás) e furriéis José F. Carvalho e Manuel
Capitão (já falecido) 
A 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel, era comandada pelo capitão miliciano José Paulo de Oliveira Fernandes, do mesmo curso dos comandantes da 1ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Zalala, e da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa - respectivamente Davide de Oliveira Castro Dias e José Manuel Romeira Pinto da Cruz.«Não se pretendendo impor qualquer conceito, não pretendendo fazer-se doutrina sobre factos passados, mas ainda bem presentes, julga-se que bastará sentir-se que se parte com a consciência do haver cumprido o dever que nos solicitaram e que nem sempre foi fácil de cumprir», escreveu o comandante Almeida e Brito no livro «História da Unidade», perguntando se «essa certeza existe?» e respondendo que «julga-se que sim».
Nossas fazemos as palavras do então tenente-coronel de Cavalaria e comandante do batalhão de Cavalaria 8423.
A 3ª. CCAV. 8423 chegou a Angola no dia  de Junho e partiu para a Santa Isabel no 11 seguinte. A 10 de Dezembro do mesmo ano, rodou para o Quitexe, onde se manteve até 8 de Julho de 1975, quando rodou para a cidade de Carmona!
A Fazenda Santa Isabel

MPLA no Caxito e a
avançar para o norte !

O dia do regresso dos Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423 foi o da confirmação oficial da tomada do Caxito, a poucos quilómetros de Luanda,  pelas forças do MPLA, que de lá expulsaram a FNLA «após renhidos combates que se prolongaram por dois dias e em que foram utilizados, pelas FAPLA, blindados e armas pesadas».
Há mais de um mês, então, que a FNLA controlava o Caxito e o Diário de Lisboa de há 44 anos, que citamos, referia que o seu controlo era «amplamente disputado pelos dois movimentos, devido à sua importante posição estratégica, como nó rodoviário das ligações para o norte».
Ligações para, nomeadamente, a saudosa Carmona, de onde os Cavaleiros do Norte tinham saído a 4 de Agosto desse ano de 1975, 5 semanas antes.
«A perda do Caxito representa para a FNLA ainda um desaire quase catastrófico, pois aquela posição era fundamental para o tão propagandeado avanço sobre Luanda», noticiava o Diário de Lisboa, reportando a Agência France Press e acrescentando «era também um grande abalo psicológico para os homens da FNLA», pois a partir de então «abriu-se mais uma porta para a penetração das FAPLA em direcção ao norte, que era ainda o bastião das forças de Holden Roberto».
O furriel Francisco Bento
e o soldado Albino Dias no
encontro de 2019
Albino Dias

Albino Dias da CCS, 67
anos em Oliveira de Azeméis!

O soldado Albino Marques Dias, da CCS do BCAV. 8423, a Companhia do Quitexe, festeja 67 anos a 12 de Setembro de 2019.
Sapador de especialidade, este Cavaleiro do Norte regressou a Portugal a 22 de Fevereiro de 1975, devido a problemas de saúde e foi debutante do encontro dos Cavaleiros do Norte na edição de 2019, em Penafiel, no qual fartamente se emocionou.
«Nunca pensei ver esta malta toda, tantos anos depois... já são mais de 40», comentou na viagem de regresso, citando, a exemplo, o 1º. cabo Miguel Tei-
xeira, escriturário nque com ele «andou» pela messe de oficiais do Quite-xe. «Conheceu-me logo, até sabia o meu nome...».
O Albino Dias foi trabalhador da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis e, já aposentado, mora na freguesia de Loureiro, deste município do distrito de Aveiro. Está óptimo, ainda ontem falámos com ele, e para ele vai o nosso abraço de parabéns! 

terça-feira, 10 de setembro de 2019

4 807 - O regresso da 2ª. CCAV. 8423, a FNLA expulsa do Caxito!

º
Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, que regressaram a Portugal no doa 10 de
Setembro de 1975: os milicianos furriel José Melo e alferes Jorge Capela e João Machado, o comandante
Almeida e Brito (do BCAV. 8423) e o capitão miliciano José Manuel Cruz (comandante da 2ª. CCAV.)
Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa
e do capitão miliciano José Manuel Cruz

A 2ª. CCAV. 8423, a dos Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçsa, partiu de Luanda no dia 10 de Setembro de 1975. Para Lsboa e há 44 anos!
O dia, por Luanda, acordou com a notí-
cia, veiculada pelo MPLA, de que a FNLA tinha sido «desmantelada na barra do Rio Dande, na zona do Caxito», enquanto as suas forças (as do MPLA) avançavam para o norte, como repor-
Furriéis milicianos da 2ª. CCAV. 8423: Mário
Matos, António A. Guedes e José F. Melo
 (de pé), Carlos Letras, José Gomes
e António Cruz
tava o Diário de Lisboa.
«O MPLA controla actualmente 12 das 16 províncias de Angola», anunciava o diário vespertino de Lisboa, precisando que as restantes quatro «estão divididas entre o domínio da FNLA (o Zaire e o Uíge) e a UNITA (Bié e Huambo)».
Ao mesmo tempo e partindo do aeroporto internacional de Luanda, logo pela manhã, os Cavaleiros do Norte comandados pelo capitão miliciano José Manuel Cruz galgavam os céus de África, a bordo do Boeing 707 dos TAM, em direcção a Lisboa.
A situação militar Angola, exceptuando a ofensiva militar para o norte, era descrita como «calma, apesar de combates esporádicos entre forças dos três movimentos». O Estado Maior das Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA) anunciava que, depois da expulsão da Barra do Dande, as forças do Exército de Libertação Nacional de Angola (ELNA), o braço armado da FNLA, «estavam encurraladas a norte do Caxito, entre as Mabubas e Sassa», expectando os responsáveis do MPLA «o abandono total da área, para breve, pois se encontram privadas de quaisquer reabastecimentos».
A 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel e enquanto isto, continuavam aquartelados no Campo Militar do Grafanil de onde, no dia seguinte, sairiam para Luanda e Lisboa.
Victor Antunes

Antunes de Aldeia Viçosa
faz 67 anos em Cascais !

O soldado Antunes, da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, festeja 67 anos a 11 de Setembro de 2019, quando se passam 44 da sua chegada de Angola.
Victor Martins Antunes, de eu nome completo,  foi atirador de Cavalaria e regressou a Portugal e ao Casal do Amaro, lugar da freguesia de Cernache do Bonjardim, no município da Sertã, da Beira Baixa, onde então residia. A vida levou-o para outras bandas e, já aposentado, mora na Quinta da Bicuda, na Torre, em Cascais. Parabéns!
Altino Fião

Fião de Zalala, 67
anos em Ovar !

Altino Gomes Fião, soldado condutor da 1ª. CCAV. 8423, a da mítica Fazenda Zalala, festeja 67 anos a 11 de Setembro de 2019.
Cavaleiro do Norte do comando do capitão miliciano Castro Dias, também jornadeou por Vista Alegre/Ponte do Dange, Songo e Carmona e regressou a Portugal no dia 9 de Setembro de 1975, fixando-se no Bairro de S. José, em Ovar - onde então residia. Ainda lá mora e para lá, e para ele, vai o nosso abraço de parabéns!  

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

4 806 - Acalmia em Luanda e regresso dos Cavaleiros do Norte de Zalala!



O  tenente-coronel Carlos Almeida e Brito, comandante dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, no en-
contro de há 24 anos, em Águeda, ladeado pelos capitães José Manuel Cruz, comandante da 2ª. CCAV.
8423, à esquerda, e José Paulo Falcão, oficial de operações
Cavaleiros do Norte da 1ª. CCAV. 8423, que chegaram a Lisboa
no dia 9/091975. Imagem de 20 anos depois, em Águeda: furriel
 Queirós, capitão Dias, alferes Lains Santos e furriel Mota Viana

O dia 9 de Setembro de 1975, já lá vão 45 anos, foi o do regresso da 1ª. CCAV. 8423 a Portugal. Exactamente 20 anos depois, em 1995, realizou-se em Águeda o primeiro encontro dos Cavaleiros do Norte.
O dia de há 45 anos foi tempo de os Cavaleiros do Norte de Zalala voarem de Luanda para Lisboa e chegarem a suas casas, de norte a sul de Portugal, «embriagando» de felicidade a família e amigos: a do regresso dos seus «heróis», sãos e salvos. 
Ao mesmo tempo que, pelo correr das horas e em expectante espera, continuavam os companheiros de Aldeia Viçosa (a 2º. CCAV. 8423) e de Santa Isabel (a 3ª. CCAV. 8423). Voariam mpara Portugal, e para os abraços de saudade dos seus familiares, nos dias imediatamente seguintes.
O furriel Viegas «deu», a 9 de Setembro de
 1995, as boas-vindas aos Cavaleiros do Norte,
no primeiro encontro do BCAV. 8423, que

reuniu mais de 300 pessoas

O primeiro encontro
dos Cavaleiros do Norte

A 9 de Setembro de 1995, um sábado, celebrou-se em Águeda a comunhão do reencontro de todos os que, das 4 Companhias do BCAV. 8423, puderam partilhar-se num encontro memorável, que reuniu mais de 300 pessoas, todas emocionadas e grávidas de alegria - fazendo memória do nossa jornada africana do Uíge angolano.
A vontade, o gosto, o prazer, a alegria de todos, tem levado a que, ano atrás de ano, Companhia por Companhia, os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 se reencontram e se fazem de meninos-soldados, os meninos-soldados que quase infantilmente lembram, ao pormenor, a epopeica história de que todos fomos actores nos memoráveis anos de 1974/75 - quando, por terras d´África, nascia um novo país. A nossa saudosa e querida Angola.

domingo, 8 de setembro de 2019

4 806 - Cavaleiros do Norte da CCS no adeus de Luanda até Lisboa...

Cavaleiros do Norte da CCS do BCAV. 8423, que jornadearam pelo Quitexe e Carmona, no Uíge angolano, e
Grafanil, entre 30 de Maio de 1974 e 8 de Setembro de 1975. Saíram neste dia de Luanda e a Lisboa che-
garam, logo seguindo para as suas terras, os seus chãos natais!
Quinteto de CCS´s em frente à Casa dos Furriéis do Quitexe:
tenente João Mora, furriéis milicianos Francisco Neto,
Viegas e José Monteiro e 1º. cabo Miguel Teixeira

Os Cavaleiros do Norte da CCS do BCAV. 8423 levantaram-se cedo, muitos nem dormiram, esperando a madrugada de 8 de Setembro de 1975 para galgarem a estrada de Catete, passarem Luanda e, do aeroporto, voarem para Lisboa e para a suas terras, famílias e amigos!
O adeus ao Grafanil foi ao nascer da manhã, ainda alvorecia o dia, e logo foram dadas ordens para carregar malas, tudo feito num alvoroço quase infantil e cumplicemente ansioso, muito expectante, olhando pela última vez as paredes sujas do BIA, onde se aquartelaram nas últimas 5 semanas, em condições degradadas. Mas tudo ia ficar para trás!
O Francisco Bento, o furriel, a afagar o papagaio das mil-e-uma-asneiras, carregando-o para a Berliet, é a imagem mais serena, diria que mais romântica..., que retemos destes último momentos do Grafanil, entre a algazarra dos «ccs´s» que faziam o seu último adeus a Angola.
A balbúrdia do aeroporto não atrapalhou ninguém, mas alguns furriéis milicianos foram chamados pela Polícia Militar, que os encarregou de trazerem alguns presos (militares), sob escolta e algemados. O não foi nada agradável.
Grupo de Transmissões da CCS: 1º cabo José
Mendes, Couto Soares, furriel José Pires, 1º.
cabo Luís Oliveira e Silva. À frente, 1º. cabo 

Jorge Silva, Humberto Zambujo e 1º. cabo
Jorge Salgueiro

O avião sobre Luanda

no adeus a Angola !


O avião dos TAM levantou asas, seriam umas 10 horas da manhã e, voando sobre a cidade, deixou-nos, pela última vez, espreitar a baía de Luanda, sempre belíssima e enorme, cheia de embarcações; a restinga de praias e sol a bater e espelhar-se nas águas, e a ilha, o Mússulo, a grande metrópole, os musseques. Nem parecia que era uma cidade onde o chão era tragicamente regado de sangue de irmãos angolanos, desentendidos!
O avião dos TAM ganhou rumo e voou África fora, rumo a Lisboa, mas como se o tempo não passasse, nunca mais chegássemos à Europa que nos esperava. Passou o tempo, mais de 8 horas, e chegados da Lisboa e sem quaisquer formalidades alfandegárias, cada «ccs» dos Cavaleiros do Norte pôs-se a caminhos dos seus chãos natais.
Há 44 anos, cumprida a épica jornada africana do Uíge angolano, cada um foi à procura dos seus colos, dos seus amores, dos seus amigos, e certos do dever cumprido!
José Nunes, condutor da 2ª. CCAV. 8423,
a de Aldeia Viçosa e em 1974/1975
José Nunes
em 2018


Nunes, de Aldeia Viçosa,
67 anos em Leiria !

O soldado José Nunes, Cavaleiro do Norte da 2ª. CCAV. 8423, festeja 67 anos a 8 de Setembro de 2019.
Condutor auto-rodas de especialidade, serviu os Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa e do capitão miliciano José Manuel Cruz, tendo regressado a Portugal no dia 10 de Setembro de 1975, dois dias depois de, ainda em Angola,  comemorar os seus jovens 23 anos e fixando-se em Maceira Lis, concelho de Leiria. Ainda lá mora, agora no Vale do Salgueiro, e para ele vai o nosso abraço de parabéns! 

sábado, 7 de setembro de 2019

4 805 - O último domingo, a horas de a CCS regressar a Portugal!...

Cavaleiros do Norte da CCS do BCAV. 8423, na parada do Quitexe, a 40 quilómetros de Carmona, a
capital do Uíge angolano. Estes e muitos outros, viveram, há 44 anos, as emoções e a ansiedade de
quem, 15 meses depois, e de muitos momentos menos bons, regressava aos seus chãos natais  
Oficiais da CCS dos Cavaleiros do Norte: alferes milicianos
 António Garcia e Jaime Ribeiro, capitão miliciano médico
Manuel Leal e tenente Acácio Luz

O domingo de 7 de Setembro de 1975, para os Cavaleiros do Norte da CCS do BCAV. 8423, foi o do adeus a Angola. O voo de Luanda para Lisboa seria na manhã seguinte.
As instruções para estes bravos homens que, pela terra angolana do Uíge, algumas vezes arriscaram a vida, sem recuar e sem medos a qualquer perigo, as instruções para este último domino eram no sentido de evitar confusões e.. estarem cedo no antigo BIA, no Grafanil, onde desde 3 de Agosto estavam aquartelados, rodados de Carmina - a actual cidade do Uíge.
Ao fim da tarde, todos tínhamos de estar no quartel, todos os que saíssem do campo Militar (até essa hora) teriam de dizer para onde (não acontecesse algo e não os pudéssemos ir «recuperar») e ainda hoje, os furriéis Viegas e Neto recordara essas última horas de Angola - que passámos a comer pastéis e mais pasteis, cm vinhi branco, que um familiar de um «pelrec» nos arranjou.
Já não havia comida para os Cavaleiros do Norte da CCS. Muito menos comida confeccionada. E nem valia já ir tentar ir a Estalagem Leão, na estrada de Catete e ali relativamente perto, onde tantas vezes enganámos os estômagos nos longos dias de Agosto de 1975.
Os antigos furriéis milicianos Neto e Viegas
a lembrar tempos de Angola, do Quitexe, de
Carmona e do Uíge 

Honra e orgulho
na jornada angolana

O almoço de hoje, na Festa do Leitão de Águeda, já tradicionalíssima nesta vida seYgenária dos furriéis Neto e Viegas, avivou memórias da nossa jornada africana do Uíge angolano.
Memórias e saudades, principalmente, de todos os momentos, dos mais eufóricos aos mais trágicos, mais difíceis, que semearam amizades para toda uma vida - como se vê e sente nos encontros anuais. Que são o caldo que alimenta esta enorme fraternidade multiplicada no tempo, ano atrás de ano, desde os idos 1974/75 e dos nossos verdes anos de esperanças e sonhos, até às realidades de hoje. 
«Se foi bom ou mau o tempo passado, se valeu ou não a pena estar separado da família; se a vinda a Angola deu ou não um panorama do que era Portugal; se contraíram ou não novos amigos, se os momentos menos fáceis foram vencidos por momentos de euforia; se encontraram, ou não, no Exército, aqui representado pelo nosso BCAV. 8423, uma nova escola de aprendizagem, tudo isso será o vosso exame de consciência», escreveu o comandante Almeida e Brito no livro «História da Unidade».
Por nós, 44 anos depois do último domingo e últimas horas de Angola, podemos dizer, sem dúvidas, que nos orgulha e honra a nossa jornada africana do Uíge angolano, que, além de salvar muitas vidas (e bens) tornou vivos e eternos os valores fortes da amizade e da camaradagem, forjados em momentos, por vezes muito duros, é certo..., mas necessários para o bom termo da nossa missão.
Eugénio Silva e família (2018)
Eugénio Silva
nos anos 70

Cavaleiros protegeram
a vida de muitos civis!

Missão que um angolano, dos muitos que em Carmona foram socorridos pelos Cavaleiros do Norte, também sublinha em mensagem para um dos nossos encontros:
«Nunca me esquecerei daquele fatídico dia 1 de Junho de 1975, em Carmona! Eu nunca tinha estado em tal situação e fiquei bastante surpreendido», escreveu o agora engenheiro aposentado Eugénio Silva, e ao tempo estudante em Carmona, acrescentando que «vocês protegeram a vida a muitos civis, que nada tinham a ver com aquilo e não só! Isso não deve ser esquecido por aqueles que beneficiaram do vosso apoio, naqueles dias amargos de Junho».
Os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 sentem-se honrados e orgulhosos da jornada africana que, por terras do Uíge angolano, cumpriram com coragem, garbo sentido de missão. A que, há 44 anos, estava a hora do seu final e do regresso a Lisboa e aos nossos chãos natais.  

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

4 804 - O sábado de há 44 anos, antevéspera do regresso da CCS!

Grupo de Cavaleiros do Norte da CCS, (quase) todos do Parque-Auto, comandado pelo alferes miliciano
 António Albano Cruz (ao centro, de camisola branca), rodeado à sua direita, pelo 1º. sargento Joaquim
Aires e, à sua esquerda, pelo furriel Norberto Morais, os três de óculos. À direita e de cócoras, está o
António Clara Pereira, mecânico que, de doença, faleceu a 21 de Fevereiro de 2018
Cavaleiros do Norte da CCS, condutores. Atrás,
NN e Alípio Canhoto Pereira. À frente, José
Gomes (?), Delfim Serra, António Picote e
 Manuel Gonçalves
Leonel Cardoso

O sábado de há 44 anos, dia 6 de Setembro de 1975, foi dia de muitos adeus à terra de Angola  onde, no caso da CCS dos Cavaleiros do Norte jornadeavam desde 30 de Maio de 1974. A partida para Lisboa estava prevista para a manhã de segunda-feira seguinte, 8 de Setembro.
O dia foi o seguinte à chegada do novo Alto Comissário, o almirante Leonel Cardoso, que, em declarações à imprensa, de confessou desgostoso por ter partido de Lisboa «sem o conforto no aeroporto da presença de qualquer responsável político ou militar, ou seus representantes, a levar-me uma palavra de despedida, de simpatia e de encorajamento», o que considerou «sem dúvida, facto talvez único na história de embarques de dezenas de pessoas a quem, alguma vez, coube a honra de orientar os destinos de Angola».
«Não será isso, porém - disse Leonel Cardoso - que fará esmorecer a sede de que venho animado e me levou a aceitar a missão que ninguém queria».
Isto aconteceu numa altura em que o MPLA continuava a denunciar «interferências estrangeiras», num comunicado em que também aludia «a possibilidade de internacionalização do conflito».
Por outras palavras, simples: MPLA, FNLA e UNITA não se entendiam. 
O capitão Domingues, do CSU, de Carmona, o
furriel Viegas e a Família Resende: Albano, Jo-
sé Bernardino e Fátima e as filhas deste casal

O adeus a Angola
há... 44 anos !

Os Cavaleiros do Norte da Companhia de Comando e Serviços (CCS) do BCAV. 8423 seria (foi) a primeira a partir para Lisboa, por isso ansiosos e assim concluindo a jornada de 15 meses que, em circunstâncias muito particulares, nos levou a terras africanas do Uíge angolano.
Hoje, sem dúvidas, todos nos orgulhamos dessa missão e, citando o livro «História da Unidade», com «a consciência do haver cumprido o dever que nos solicitaram e que nem sempre foi difícil de cumprir».
O sábado de há 44 anos, da parte do editor deste blogue, foi tempo, ainda, de despedidas de amigos civis e deles portador de mensagens para familiares e amigos que dias depois iríamos encontrar e que, no Portugal europeu, viviam a ansiedade dos seus (não) regressos. Da sua prova de vida!
A Família Resende foi uma delas, ao tempo moradora em arruamento da Praça de Touros - onde se dizia que diariamente eram abatidas dezenas de pessoas. Familiar dos Resendes era o capitão Domingues, que pouco tempo antes tinha sido contemporâneo dos Cavaleiros do Norte em Carmona, onde prestara serviço no Comando do Sector do Uíge (CSU).

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

4 803 - Alto Comissário em Luanda e BCAV. 8423 em vésperas do regresso!

Cavaleiros do Norte do Parque-Auto a CCS, no Quitexe: 1ºs. cabos Orlando Teixeira (pintor) e Domingos
Teixeira (estofador), furriel Norberto Morais) e 1ºs cabos Rafael Serra Farinha (mecânico-auto, que amanhã 

festeja 67 anos em Odivelas) e Serra Mendes (bate-chapas)
Os furriéis milicianos Viegas e Neto, à esquerda e na casa
de Viana, há 44 anos e em despedidas de dois amigos de
Águeda que estavam em Luanda: Gilberto Marques
 e Carlos Sucena Miranda


O almirante Leonel Cardoso chegou a Luanda no dia 5 de Setembro de 1975, a poucos dias do regresso dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 e para exercer as funções do Alto-Comissário de Portugal em Angola.
O jornal «O Comércio», de Luanda, deu conta, nesse dia de há 44 anos, do seu objectivo de, e citamos, «tudo fazer para reestabelecer a paz no território», para o que, e caso fosse necessário, «as tropas portuguesas estariam na disposição de intervir».
As declarações de Leonel Cardoso surgiam  uma altura em que, segundo a imprensa de Luanda desse dia de há 44 anos, «parece ter sido quebrada quaisquer possibilidade de acordo entre a MPLA e UNITA», que tinham reunido em Lisboa. Ao contrário, na véspera e como reportava o Diário de Lisboa, «foram noticiadas escaramuças entre a UNITA e o MPLA», anunciando este, 
José Almeida (1º. cabo), Rebelo e 
Joaquim Duarte, «atiradores» de
 cozinha da CCS do BCAV. 8423
em comunicado, que as suas forças tinham «rechaçado o avanço das tropas da UNITA no Alto da Chibaca», no leste de Angola, e também «abortado a tentativa de ocupação de Cubal e Ganda, no sul».

Cavaleiros da CCS na 3 dias
do regresso a Portugal

Os Cavaleiros do Norte, a esse tempo, uma sexta-feira e aquartelados no extinto Batalhão de Intendência de Angola (BIA), no Campo Militar do Grafanil, contavam os dias para o dia do regresso: o da CCS, marcada para a segunda-feira seguinte, dia 8 de Setembro de 1975.
O almejado dia estava a um fim de semana e por mim, intensificava as despedidas possíveis dos amigos civis que por lá trabalhavam e viviam e, por essa altura, se achavam muito divididos entre o ficar ou voltar a Portugal. Foi o caso (ver imagem) do Gilberto Marques e do Carlos Sucena, também dos irmãos Resende, das famílias Mário/Benedita, Martinho, Neca,  Cândida, entre outros que a memória já não lembra.
Rafael Farinha

Farinha, 1º. cabo do Quitexe,
67 anos em Odivelas !

O 1º. cabo Rafael Serra Farinha, mecânico-auto da CCS do BCAV. 8423, festeja 67 anos a 6 de Setembro de 2019.
Cavaleiro do Norte do aquartelamento do Quitexe, e depois do BC 12, em Carmona,  regressou a Portugal no dia 8 de Setembro de 1975 e fixou-se na sua terra da Serra da Luz, em Odivelas, que ao tempo pertencia ao município de Loures (é agora de Odivelas).
Trabalhou sempre na área automóvel e. já aposentado, mantém serviços oficinais e comércio automóvel na Pontinha,  em Odivelas, Para lá e para ele, vai o nosso abraço de parabéns!  


quarta-feira, 4 de setembro de 2019

4 802 - O Governo Provisório de Angola, os Cavaleiros do Norte no Uíge!

-
O capitão José Manuel Cruz, comandante da 2ª. CCAV. 8423, e o alferes António Albano Cruz, comandante
 do parque-auto,  ambos milicianos, na praia da ilha de Luanda e em Agosto de 1975. Acompanhados,
no caso, por familiares. O bebé é o Ricardo, filho do alferes Cruz

A actualidade angolana no jornal «A Província de An-
gola» de 4 de Setembro de 1974, há 45 anos!

O jornal «A Província de Angola», diário que se publicava em Luanda, dava conta, a 4 de Setembro de 1974, da constituição do Governo Provisório de Angola, que era presidido pelo Alto Comissário Rosa Coutinho.
Os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, por essa altura, eram força activa no Sub-Sector do Uíge, com a CCS do capitão António Martins Oliveira (do SGE) aquartelada no Quitexe e companhias operacionais na Fazenda Zalala (1ª. CCAV. 8423, a do capitão miliciano Castro Dias), em Aldeia Viçosa (a 2ª. CCAV. 8423 do capitão miliciano José Manuel Cruz) e na fazenda Santa Isabel (a 3ª. CCAV. 8423, a do capitão miliciano José Paulo Fernandes).
Vale a pena lembrar que, associadas ao BCAV. 8423 e dele operacionalmente dependentes, estavam a CCAÇ. 4145, do capitão Raúl Corte-Real (em Vista Alegre) e a CCAÇ. 209/RI 21, do capitão miliciano Victor Corrêa (na Fazenda do Liberato).
Um ano depois e em vésperas de os Cavaleiros do Norte regressarem a Portugal , eram anunciadas vitórias militares do MPLA no Cubal e Ganda, sobre a UNITA, e no Caxito (sobre a FNLA). A confirmar-se esta posição do movimento de Agostinho Neto, reportava o Diário de Lisboa que «estava 
temporariamente afastado o perigo de a estação de abastecimento de água a Luanda, situada no Quifangongo, ser tomadas pelas forças do MPLA».

Facções do MPLA
d´acordo com Neto

Os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 continuavam no Uíge - pelo Quitexe (CCS), Aldeia Viçosa (2ª. CCAV.) e Fazendas Zalala (1º. CCAV.) e Santa Isabel (3ª. CCAV.) - e outra questão do 4 dia de Setembro de há 45 anos eram as dissidências internas do MPLA, entre a direcção do presidente Agostinho Neto e as facções lideradas por Mário Pinto de Andrade (a Revolta Activa) e Daniel Chipenda (a Revolta do Leste).
«Reguladas as divergências», noticiava o jornal «A Província de Angola», subtitulando que o médico Agostinho Neto continuava como presidente e que Daniel Chipenda e Mário Pinto de Andrade assumiam vice-presidências do Movimento Popular de Libertação de Angola - o MPLA.
Victor Velez em 2018
furriel  em 1974/75

Velez, furriel de Zalala,
67 anos em Lisboa !

O furriel miliciano Victor Velez, da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, festeja 67 anos a 5 de Setembro de 2019.
Victor Manuel da Conceição Gregório Velez, de seu nome completo, era sobrinho-neto da então famosa actriz Elvira Velez  e viajou para Angola com a 1ª.CCAV. 8423 mas ainda não sabia que a ia integrar, o que só aconteceu no Grafanil. Fez parte da guarnição do 3º. Grupo de Combate dos Cavaleiros do Norte do capitão Davide Castro Dias, comandado pelo alferes miliciano Pedro Rosa, e regressou a Portugal no dia 9 de Setembro de 1975. À Rua Gonçalves Crespo, da freguesia de S. Sebastião da Pedreira, em Lisboa. É em Lisboa que continua a viver e para ele vai o nosso abraço de parabéns!


terça-feira, 3 de setembro de 2019

4 801 - A chegada ao Liberato dos Caçadores da 209 do RI 21

Grupo de militares da CCAÇ. 2019/RI 21, de Nova Lisboa, que se aquartelou na Fazenda do Liberato a
 2 de Setembro de 1973. Os da esquerda são furriéis milicianos: o Gaspar (de camisa branca) e o Flora.
Alguém pode ajudar a identificar os restantes?

O capitão Victor Correia, comandante, e o furriel
miliciano vagomestre José Oliveira, da CCAÇ.
209/RI 21, a da Fazenda do Liberato. Quem se-
rão os dois outros «caçadores»?
Monumento dos Mortos
na Fazenda do Liberato

A Companhia de Caça-
dores 209 chegou e aquartelou-se na  Fazenda do Liberato, no Uíge angolano, a 2 de Setembro de 1973. Ontem, exactamente, se passaram 46 anos!
Formada no RI 21, em Nova Lisboa (actual Huambo), era comandada pelo capitão mili-ciano Victor Correia e de lá  saiu a 9 de No-
vembro de 1975, regressando a Nova Lisboa.
A CCAÇ. 209/RI 21 ficou associada ao BCAV. 8423, como sua subunidade orgânica, a par-
tir de 6 de Junho de 1974, quando os Cava-
leiros do Norte chegaram ao Quitexe e
O condutor Nogueira da Costa e o furriel José
Oliveira, ambos da CCAÇ. 209/RI 21, em casa
e com o furriel Viegas, em Dezembro de 2012
passaram a ser responsáveis pelo Sub-Sector.


Os quadros e a revolta
dos Caçadores do Liberato

A CCAÇ. 209/RI 21 era essencialmente formada por militares da incorporação local (angolana) e imortalizou-se pela «revolta» de finais de Setem-
bro de 1974, quando tentaram «invadir» Carmona, dando «asas» à sua insatisfação quanto à situação do tempo (ver AQUI).
Um dos seus quadros europeus, o furriel miliciano José Marques de Oliveira, vagomestre de especialidade, foi companheiro de escola do editor deste blogue e amigos continuam, mais de 50 anos depois.
Olímpio Carvalho foi 1º. cabo de transmissões do Liberato e ajudou-nos, em tempos, a recompor parte do quadro da CCAÇ. 201/RI 21). Graças a ele, pode-
mos acrescentar mais dados.
- VICTOR. Victor Corrêa de Almeida, capitão miliciano, comandante da  Com-
panhia. Substituiu o capitão Parracho, que era do Quadro Permanente (QP) e estava colocado no RI 21, de Nova Lisboa.
- PEIXINHO. José Carlos Peixinho, alferes miliciano e engenheiro mecânico, ao tempo morador no Lobito.
- SERENO. José Adalberto Sereno de Castro e Melo, alferes miliciano. De família de Águeda, licenciou-se em engenharia química e morava em Nova Lisboa. Agora, na zona de Viseu.
- PEREIRA. Nelson Pereira, alferes miliciano, era de Sá da Bandeira.
- SPOSSEL. Carlos Manuel Morbey de Oliveira Spossel, de Luanda. A mãe era americana e o pai quadro superior dos Caminhos de Ferro de Benguela. 
Olímpio Carvalho, o nosso correspondente, foi 1º. cabo de transmissões e é bancário aposentado. Europeu, foi para Angola aos 4 anos e por lá ficou até 1979, já como empregado bancário, no Banco Totta. Mora em Mirandela.
Samuel Oliveira



Samuel de Aldeia Viçosa, 67
anos Vermoim da Maia !

O soldado condutor Samuel, da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, festeja 67 anos a 3 de Setembro de 2019.
Samuel Pereira de Oliveira é natural de Gueifães, no concelho da Maia, e lá regressou a 10 de Setembro de 1975, no final da sua jornada africana do Uíge angolano. Mora agora na Urbanização do Sobreiro, em Vermoim, também na Maia, para onde vai o nosso abraço de parabéns!
O alferes Garcia e o
soldado A. Gomes

Gomes, do Quitexe,
faria 67 anos !

O soldado Armando Domingues Gomes, do PELREC da CCS do BCAV. 8423, faleceu a 3 de Setembro de 1989. Há 30 anos!
Atirador de Cavalaria, foi louvado «pela maneira eficiente e dedicada como voluntariamente exerceu as funções de padeiro da sua subunidade, sem que para tal tivesse conhecimentos profissionais, nunca olhando a esforços, embora por vezes lhe fosse pedido trabalho que se pode considerar extenuante».
O louvor foi publicado na OS 165, que o sublinha como «militar correcto no trato, disciplinado e bom camarada». Hoje o recordamos com saudade. RIP!!!  

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

4 800 - UNITA e FNLA sem acordo, tanques russos em Luanda!

Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa e todos furriéis milicianos: António Rebelo
(especialista de trasmissões), Amorim Martins (mecânico-auto), Abel Mourato (vagomestre) e
Mário Matos (atirador de Cavalaria e colaborador da secretaria)
Furriéis milicianos da CCS do BCAV. 8423, à civil e
na rampa da messe de sargentos (ex-oficiais) do Bairro
Montanha Pinto, em Carmona

A segunda-feira de 2 de Setembro de 1975, há 44 anos e quando os Cavaleiros do Norte levedavam a sua expectativa quando ao regresso a Portugal, já marcado para o dia 8, daí a meia dúzia de dias, sabiam-se as «dúvidas sobre as conversações entre a FNLA e a UNITA».
Os dirigentes dos dois movimentos estiveram reunidos em Lisboa e, quanto a um possível cessar-fogo, não parecia muito fácil, «pelo menos a curto prazo», como noticiava o Diário de Lisboa.
O jornal A Província de Angola, diário que se 
Notícia do Diário de Lisboa
de 2 de Setembro de 1975
publicava em Luanda e, na altura, reflectiria os pontos de vista do MPLA, por sua vez comentava que «a luta de libertação de Angola se transformou num conflito entre o povo angolano e a UNITA, aliada à FNLA».
Outro círculos próximos do MPLA davam conta de «são escassas as possibilidades de, mesmo que das direcções dos dois movimentos acordem o fim das hostilidades, se conseguir reparar as respectivas forças n as áreas onde a FNLA e a UNITA combatem em conjunto».
Rumores da véspera, entretanto, faziam crer quer que «teriam chegado a Luanda, por avio,  12 tanques russos». O Diário de Lisboa noticiava, sob interrogação, que «estes tanques teriam mesmo atravessado a cidade, de madrugada, para alcançarem um objectivo desconhecido».
O Uíge, onde a FNLA era «dona e senhora», é que continuava fora do círculos noticiosos. De lá tinham saído os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, menos de um mês antes - a 4 de Agosto de 1975.
Fernando M. Simões
1º. cabo de Santa Isabel

Martins de Santa Isabel
faria 67 anos !

O 1º. cabo Fernando Martins Simões, da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel, faria 67 anos a 2 de Setembro de 2019. Faleceu a 17 de Agosto de 1998.
Cavaleiro do Norte com a especialidade de apontador de metralhadoras, regressou a Portugal a 11 de Setembro de 1975, fixando-se no Lourinhal, em Penacova. Fez vida profissional como motorista e uma grave doença do foro psíquico levou-o, infelizmente, ao suicídio, por enforcamento - deixando viúva e uma filha.
Hoje o recordamos com saudade! RIP!!!
A Fazenda de Zalala

Cruz de Zalala, 67 
anos em Barcelos !

O 1º. cabo Cruz, dos Cavaleiros do Norte da 1ª. CCAV. 8423, a da mítica Fazenda de Zalala, festeja 67 anos a 2 de Setembro de 2019.
Apontador de morteiros de especialidade militar, Manuel Vieira da Cruz (é este o seu nome completo) regressou a Portugal no dia 9 de Setembro de 1975 e fixou-se na aldeia da Boa Vista, freguesia de Aldeia, do concelho de Barcelos. Mora agora no Fragoso, também em Barcelos, para onde vai o nosso abraço de parabéns!

domingo, 1 de setembro de 2019

4 799 - Os dias antes do regresso a Portugal dos Cavaleiros do Norte

O capitão António Martins de Oliveira, comandante da
 CCS do BCAV. 8423, cm os alferes milicianos António Al-
 bano Cruz, Jaime Ribeiro e António Garcia. Ao fundo,
 vê-se a Igreja de Santa Maria de Deus do Quitexe
BCAV. 8423


A 1 de Setembro de 1975, uma 2ª.-feira, já todos os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 sabiam do dia mais de-
sejado: o do regresso a Portugal. A CCS seria a primeira: a 8 desse mês de há 44 anos!
Os compromissos assumidos pelo Go-
verno de Portugal com os movimentos de libertação, quanto aos efectivos militares a estacionar em Angola, «reduziram as comissões militares para 15 meses». Habitualmente, passava dos 24, às vezes chegavam aos 30, até mais.
«Dentro desse contexto, atingimos o final da nossa comissão e, por tal facto, em previsão, regressaremos a Portugal no dia 8 de Setembro de 1975», reporta o livro «História da Unidade», o BCAV. 8423, indicando o navio «Niassa» como o meio de transporte.
Não seria assim, pois, já dois/três dias antes do embarque e já com lugares marcados para todos os praças, no navio, afinal foi decidido que o regresso fosse de avião. E assim foi. Felizmente para todos os Cavaleiros do Norte.
A CCS, do Quitexe, do capitão António Martins de Oliveira regressou a 8 de Setembro, voando de Luanda para Lisboa, mas por lá continuou o oficial, em gozo de licença de férias. Seguidamente, regressaram a 1ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Zalala e do capitão miliciano Davide Castro Dias (no dia 9), a 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa e do capitão miliciano José Manuel Cruz (dia 10) e a 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel e do capitão miliciano José Paulo Cruz (a 11 de Setembro de 1975).
H. Zambujo
em 1974/75
Humberto Zambujo e
esposa em 2019

Zambujo da CCS, 
67 anos em Sines !

O rádio-telegrafista Humberto Mora Zambujo, da CCS, a companhia do Quitexe, festeja 67 anos a 1 de Setembro de 2019.
A especialidade exerceu-a com competência e rigor, mas a sua jornada africana do Quitexe e de Carmona, foi também marcada pela colaboração emprestada ao jornal do BCAV. 8423 que assinalou o pri-
meiro aniversário da chegada a Angola. O Humberto Zambujo foi responsável pela ilustração e também colaborou em escrita.
Regressou a Portugal no dia 8 de Setembro de 1975, a Sines, onde ainda mora e onde é empresário do sector dos recursos humanos. Parabéns!
Victor Cunha
1º. cabo de Zalala

Victor Cunha de Zalala, 
67 anos em Coimbra !

O 1º. cabo Victor Manuel Dinis Cunha, da 1ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Zalala, festeja 67 anos a 2 de Setembro de 2019.
Cavaleiro do Norte e auxiliar de enfermagem, integrou o grupo de combate comandado pelo alferes miliciano Carlos João Sampaio e regressou a Portugal no dia 9 de Setembro de 1975, fixando-se na natal  S. João do Campo, freguesia do concelho de Coimbra.
Agora e já aposentado do sector pecuário, por lá continua a viver e para ele vai o nosso abraço de parabéns!