CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

domingo, 15 de agosto de 2021

5 522 - O dia 15 de Agosto, dia de anos de muitos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423!


Grupo de furriéis milicianos da 1ª. CCAV. 8423. Atrás, Américo
Rodrigues (já falecido), Mota Viana, Eusébio Martins (já fale-
cido) e Manuel Pinto - que hoje festeja 69 anos, em Paredes.
Em baixo, Jorge Barreto, Plácido Queirós e João Dias 
Manuel Pinto
a 08/08/2020

O dia 15 de Agosto é dia natal de vários Cavaleiros do Norte. Pelo menos, os dos furriéis milicianos Manuel Pinto e Eusébio Martins (entretanto falecido), 1º. cabo João Pinto e Adelino Couto - todos nascidos em 1952. Também do condutor Nogueira da Costa, do Liberato, mas nascido em 1951.
1 - PINTO. Manuel Moreira Pinto foi furriel da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, e especialista de Operações Especiais, os Rangers, do mesmo curso, no CIOE/Lamego, de outros Cavaleiros do Norte, todos milicianos: os alferes António Garcia (CCS), Mário Sousa (1ª. CCAV.), João Machado (2ª. CCAV.) e Augusto Rodrigues (3ª. CCAV.). E dos furriéis Monteiro, Viegas e Neto (da CCS) e Carlos Letras (2ª. CCAV.).
Integrou o Grupo de Combate comandado pelo alferes Pedro Rosa, com os furriéis João Aldeagas e Victor Velez, e regressou a Portugal no dia 9 de Setembro de 1975, a Penafiel, onde residia, e é agora empresário do ramo 
Eusébio Martins
em 1974/1975
automóvel em Paredes.
2 - EUSÉBIO. Eusébio Manuel Martins foi atirador de Cavalaria da 1ª. CCAV. 8423, especializado na Escola Prática de Cavalaria, em Santarém, e integrou o Grupo de Combate do pelo alferes João Carlos Sampaio e com os furriéis Mota Viana (substituído por João Rito) e Plácido Queirós. Regressou a Portugal no dia 9 de Setembro, à sua natal terra de Caria, freguesia do concelho de Belmonte. Fez carreira profissional como funcionário público e, já aposentado, foi vítima de grave doença, que começou por obrigar
João Pinto
em 1975/1975
a amputação de uma perna e se desenvolveu até que faleceu a 16 de Abril de 2004. Há 6 anos !RIP!!!
3 - PINTO. João Augusto Rei Pinto, 1º. cabo atirador de Cavalaria do PELREC da CCS, comandado pelo alferes miliciano António Garcia, no Quitexe. Em Setembro de 1974 e por motivos disciplinares e despromovido a soldado, foi transferido para a 1ª. CCAV. 8423, a da Fazenda de Zalala.  Regressou a Portugal no dia 9 de Setembro de 1975 e fixou-se no Alto do Moinho, freguesia de Amora, no concelho do Seixal, no outro lado do Tejo.
Adelino Couto
em 2018
Mora agora no Alto do Moinho, em Corroios.
4 - COUTO. Adelino Augusto Ferreira do Couto, soldado apontador de morteiros médios da 2ª. CCAV. 8423, a dos Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa, comandada pelo capitão miliciano José Manuel Cruz. Regressou a Portugal, no final da sua comissão militar em Angola (que também passou pela cidade de Carmona) no dia 10 de Setembro e à sua residência de Lousada, freguesia do concelho de Vila Nova de Famalicão. Ainda lá mora, agora no Alto dos Seixos.

O furriel Viegas e o condutor Nogueira, do
Liberato, em Luanda, Outubro de 2019
Nogueira da Costa, do Liberato,
69 anos em Almada e Tomar

5 - NOGUEIRA. José Luís Nogueira da Costa, soldado condutor da CCAÇ. 209/RI 21, a da Fazenda do Liberato. 
Natural de Tomar, foi ainda criança para Angola, onde já estava seu pai, e residia no Lobito aquando do seu serviço militar, mobilizado pelo Regimento de Infantaria 21, de Nova Lisboa, actual Huambo), e que cumpriu no Uíge, naquela subunidade do BCAV. 8423. 
Regressou a Portugal, já civil e por altura da descolonização, fazendo vida profissional como condutor da Carris. Já aposentado, divide-se entre Tomar e a zona da Almada Foi nosso companheiro na viagem a Angola, em Setembro de Outubro de 2019.
Parabéns para todos!!!

sábado, 14 de agosto de 2021

5 521 - Não bater áreas dos «quartéis» IN, há 47 anos! Grandes incertezas na capital, há 46!

O que, a 24 de Setembro de 2019, restava do edifício do Comando do BCAV. 8423,
 quando lá esteve o furriel Viegas da CCS (na imagem). Ao fundo, a Igreja de
Santa Maria de Deus do Quitexe

O padre Albino Capela, também Cavaleiro do Norte,
foi ordenado sacerdote há exactamente 55 anos. Aqui,
num baptizado da Família Rei, no Quitexe
O comandante Almeida e Brito esteve no Comando do Sector do Uíge (CSU) a 14 de Agosto de 1974, há 47 anos, para «contactos operacionais», a que não eram alheias as alterações introduzidas no que respeita, por exemplo, a «acções ofensivas».
As ordens, no geral, eram «não bater as áreas dos «quartéis» IN e passar a apertar a malha dos patrulhamentos ao longo de toda a ZA». Por outro lado, realizando «inúmeras visitas de apoio a povos e fazendas».
A esse 14 de Agosto de há 46 anos, e em função da diminuição da actividade operacional propriamente dita, e até ao dia 16, «fizeram-se remodelações temporárias do dispositivo militar, com vista a garantir a eficiência das actuais missões prioritárias das NT». Ou seja, segundo o livro «História da Unidade», «a segurança dos centros urbanos e a liberdade dos itinerários». 
Um ano depois, e com os Cavaleiros do Norte no Campo Militar do Grafanil, re-
portava o Diário de Lisboa que «apesar da calma que continua a pairar sobre Luanda, reinam grandes incertezas na capital devido à escassez de ali-
mentos», o que provocava «intermináveis bichas às portas dos restaurantes»
Os quadros do BCAV. 8423 bem sentiram isso, pois tinham de se alimentar fora do quartel e nem sempre havia onde. Também havia falta de gasolina e a UNITA apenas tinha um homem em Luanda, Dois, a FNLA: Samuel Abrigada e Graça Tavar

Albino Capela e esposa
Ordenação do Padre
Capela foi há 55 anos !

A ordenação sacerdotal do padre António Albino Vieira Martins Capela foi a 14 de Agosto de 1966, há 55 anos. 
Contemporâneo dos Cavaleiros do Norte no Quitexe, é natural de Carvalheira, em Terras de Bouro, e, aos 10 anos foi para o Seminário dos Padres Capuchinhos, em Vila Nova de Poiares, onde fez os estudos preparatórios até ao antigo 5º. ano.
Ingressou no Noviciado, em Barcelos, e com 17 anos, foi cursar Filosofia para Salamanca. Em 3 anos, completou o curso e foi para França, onde frequentou Teologia no Instituto Católico de Toulouse.
Terminou Teologia no Porto e ali foi ordenado sacerdote a 14 de Agosto de 1966. Leccionou dois anos no Seminário dos Padres Capuchinhos, em Barcelos, e partiu para Angola no navio «Uíge», lá chegando a 28 de Setembro de 1968. Leccionou Religião e Moral no Liceu Nacional Salvador Correia e foi para Carmona em 1969, ficando com a área missionária do Quitexe, Aldeia Viçosa, Vista Alegre e Cambamba.
Regressado a Portugal, Albino Capela abandonou a Ordem dos Frades Menores Capuchinhos «com muita pena», como nos disse, e frequentou o Curso de Humanidades da Universidade Católica, o correspondente ao antigo Clássicas (Português, Latim e Grego) da Universidade Católica e não esquece Angola. Professorou, constituiu família, é pai e avô babado, já aposentado, vive em Barcelos e é companheiro habitual dos encontros da CCS -infelizmente interrompidos pela pandemia COVID 19.
Adelaide Almeida,
 a Lai-Lai de 
Luísa Maria
Eduardo, Adelaide (Lai-Lai)
e Rosa Maria de Luísa Maria

Lai-Lai de Luísa Maria
faz anos em Condeixa !

A Lai-Lai da Fazenda Luísa Maria, nos arredores do Quitexe e onde o BCAV. 8423 tinha um destacamento, está hoje em festa: faz anos em Condeixa-a-Nova.
Adelaide Fernandes Almeida era filha de Eduardo Silva, que foi gerente da fazenda e contemporâneo e sempre excelente anfitrião dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423. Irmã de Rosa Maria e Eduardo Cocenas da Silva - trio de irmãos que se podem rever na foto de época. Agora, dá-se pelo nome de Adelaide Almeida (apelido de casamento) e mora em Condeixa, para onde vai o nosso abraço de parabéns! São 60 e alguns que comemora, toda juvenil, mas, como manda a boa regra e etiqueta social, de uma senhora não se diz a idade. Parabéns!

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

5 520 - MPLA a controlar Luanda, FNLA a cercar a cidade e UNITA já fora da capital!

Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel, todos furriéis milicianos:
 José Querido, Victor Guedes (que faleceu a 16/04/1998, de doença e em Lisboa),
 António Fernandes, Agostinho Belo (de óculos) e Ângelo Rabiço, que hoje
festeja 71 anos em Guimarães!

O edifício do Comando do BCAV. 8423, no Quitexe e
a 24 de Setembro de 2019, quando por lá passou
o furriel Viegas da CCS


A 13 de Agosto de 1975, um quarta-feira de há 46 anos, o 
 Cavaleiros do Norte do BCAV. 8523 continuavam aquartelados no Batalhão de Intendência de Angola (BIA), no Campo Militar Grafanil e cada vez mais expectantes e ansiosos quanto ao seu regresso a Portugal.
Iam já no 15º. mês de comissão por terras angolanas, já calejados pelos dramáticos dias do Uíge e pelas experiências do Bairro do Saneamento - a que tiveram de acorrer, enquanto «unidade de reserva do Região Militar de Angola».
Ao tempo desse distante dia, fontes militares portuguesas, em Luanda, adiantavam que «o MPLA mantém o controlo total da cidade» e que Agostinho Neto, o seu presidente, estava «agora numa posição que lhe permite assumir o poder total do Governo Central e declarar unilateralmente a independência».
As forças da FNLA, segundo o Diário de Lisboa, «dispuseram-se em torno da capital, a fim e pressionar o movimento rival a fazer cedências políticas». No entanto, «círculos militares indicaram que ainda não é previsível o contra-ataque deste movimento».
A UNITA já tinham abandonado a cidade, pelo que, ainda segundo o Diário de Lisboa, a retirada da FNLA «marcou o colapso do Governo de Angola, tripartido, que deveria conduzir os destinos do país até 11 de Novembro» - o dia da independência.
O alferes Fernando Ramos foi
Cavaleiro do Norte e elemento
das Forças Militares Mistas


Alferes Ramos, 71 anos
em Vila Nova de Foz Coa !

O alferes miliciano Ramos, da 2ª. CCAV. 8423, festeja 71 anos da 14 de Agosto de 2021.
Oficial miliciano de infantaria, Fernando António morgado Ramos apenas em Maio de 1975 se juntou aos Cavaleiros do Norte, já em Carmona, onde fez o espólio da guarnição. E por lá pouco tempo esteve. Ido de férias para Luanda, lá ficou e integrou as Forças Militares Mistas. Regressou a Portugal no dia 22 de Outubro e concluiu a sua vida militar como oficial de justiça em Sete Rios (Lisboa) - função que, de resto, também já tinha assumido em Angola.
Concluiu depois a licenciatura em Direito, depois da sua formação académica inicial em seminário, e, profissionalmente, exerce a advogacia em Vila Nova de Foz Coa, de onde é natural, de Horta do Douro, onde reside e é cidadão ligado ao movimento associativo, nomeadamente aos Bombeiros Voluntários. É amanhã que comemora a bonita idade dos 71 anos. Parabéns!
Ângelo Rabiço

Rabiço, furriel de Santa Isabel,
faz 71anos em Guimarães !

O furriel miliciano Ângelo Tuna Rabiço, da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel, festeja 71 anos a 13 de Agosto de 2021
Professor do ensino primário de profissão, era enfermeiro de formação militar e regressou a Portugal no dia 11 de Setembro de 1975, no final da sua jornada africana do Uíge - que também passou pela vila do Quitexe e pela cidade de Carmona.
Aposentado, reside na cidade de Guimarães, para onde, e para ele, vai o nosso abraço de parabéns pela bonita e excelente idade que comemora. Parabéns!

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

5 519 - Calma na cidade de Luanda, ha 46 anos, mas... três exércitos e o fogo das armas !

 

Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa: alferes milicianos
João Machado e Domingos Carvalho de Sousa (que hoje faz 69 anos), 1º. sar-
gento Fernando Mendes Pereira Norte (já falecido) e furriel miliciano Jesuíno
Fernandes Pinto (falecido a 3 de Maio de 2017, de doença e em Vila Verde)

Os alferes milicianos Mário Jorge de Sousa (Operações
Especiais, os Rangers, da 1ª. CCAV. 8423) e António
Albano Cruz, da CCS (mecânico-auto)

A 12 de Agosto de 1975, uma terça-feira e sobre a situação militar em Angola, relatava a imprensa portuguesa que «reina a calma na cidade de Luanda, onde os últimos efectivos da FNLA que se encontravam acoitados em S. Pedro da Barra, foram já retirados» e o MPLA «mantém firmemente as suas posições na capital angolana»Há precisamente 46 anos!
Cavaleiros do Norte, 3 furriéis milicianos:
P. Queirós, José Lino e JA Nascimento
O Gabinete do Alto Comissário divulgou um comunicado, dando conta que as Forças Armadas Portuguesas, a pedido da FNLA, tinham evacuado o pessoal do ELNA que estava na cidade: 450 de S. Pedro da Barra (que logo foi ocupado pelas forças portuguesas) e 500 do Bairro do Saneamento (que, no dia 9 de Agosto, saíram por via marítima). Para 12 de Setembro, ficou marcada a saída dos ELNA´s que estavam no Grafanil e integravam as Forças Militares Mistas.
A UNITA «também já retirou» e na véspera «ape-
nas um funcionário se mantinha», mas também ele «preste a retirar para Nova Lisboa».
Luanda, «apesar de ter voltado a calma» contava aos milhares «os candidatos à transferência para outras zonas», onde, reportava  Diário de Lisboa, «a fome espreita»Na capital angolana e contrariamente ao seu se admitia na véspera (em que se sublinha-
va o espectro da fome), «começava a faltar o café, a gasolina e o tabaco», mas, frisava o jornal, «a vida continua a decorrer normalmente, ao passo que, no sul, água se torna rara, a carne é difícil de encontrar e o pão é inexistente».
Mas «ainda não se atingiu o alarme no capítulo do abastecimento alimentar», como sublinhava o Diário de Lisboa. Porém, como nós mesmos testemunhá-
mos, sem quaisquer dúvidas, restaurantes havia que nem sequer abriam portas, por falta, justamente, de... géneros alimentícios.

Três exércitos, o
fogo das armas 

Angola, foram de Luanda, continuava a ferro e fogo, com três exércitos em armas: o ELNA (da FNLA), as FAPLA (do MPLA) e as FALA (da UNITA). 
«Quase todas as regiões do país estão em fogo de armas», reportava o Diário de Lisboa de 12 de Agosto de 1975. E apontava o Caxito (a norte de Luanda), em Moçâmedes (no extremo sul) e em Nova Lisboa (no sueste, centro do país). E «aumento de tensão» em Sá da Bandeira.
Os três movimentos de libertação «travam combates sobre combates, procurando alargar a sua zona de influência»: o MPLA a predominar no centro, leste e costa ocidental, a UNITA predominantemente no sul (e cada vez mais próxima da FNLA), a FNLA «bem instalada no norte».
O norte angolano, que era a terra onde os Cavaleiros do Norte tinham jornadeado até uma semana antes e de onde não chegavam notícias.
Alferes Domingos
Carvalho de Sousa

Alferes Carvalho, 69 anos
em Marrazes de Leiria

O alferes miliciano Domingos Carvalho de Sousa está em festa, neste dia 12 de Agosto de 2021: comemora 69 anos.
Atirador de Cavalaria dos Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, regressou a Portugal a 10 de Setembro de 1975. Ao lugar de Marinheiros, freguesia de Marrazes, em Leiria, de onde é natural e onde residia. Ainda hoje lá vive - agora na Travessa do Outeiro do Pomar -, reformado depois de uma vida de trabalho técnico e finalmente na área das vendas, como técnico comercial durante 20 anos.
Grande e forte abraço para ele, neste dia 12 de Agosto de 2021, em que passa mais um belo dia sua grande sénior da vida. Parabéns!
O Picote e o furriel
Viegas no verão de 2012

Picote, condutor da CCS,
faleceu há 3 anos !

O soldado António Rosário Picote, condutor auto-rodas da CCS do BCAV. 8423, faleceu há 3 anos, em Á-dos-Negros, concelho de Óbidos.
Nasceu a 10 de Novembro d 1952 e regressou a Portugal no dia 8 de Setembro de 1975 e, solteiro, teve as setas do amor a assaltar-lhe o coração em 2014, então casando com Celeste Utom, guineense e mãe de dois filhos e de quem, de resto, até adoptou o apelido. A família próxima é que esteve em desacordo com o casamento, mas ele «juntou os trapos» e fez uma grande festa. Tinha 62 anos!
«Os seus últimos tempos, excetuando as complicações de saúde, do foro hepático, foram de enorme felicidade», contou-nos António Capinha, autarca local de 44 anos e que, assim nos disse, «sempre fui um grande amigo do António, uma vez que o meu pai é da idade dele e cresceram juntos».
«Tiveram muitas brincadeiras, aventuras e noitadas juntos e sempre privaram bastante, tendo o meu pai acompanhado o António nos seus últimos dias», precisou António Capinha.
A saúde é que o foi fragilizando, decorrente de imensas complicações hepáticas. «A bebida sempre foi a sua «perdição»..., mas via-se que estava muito feliz. Por se ter reformado, mas acima de tudo por ter, em termos pessoais, concretizado algo que quase ninguém imaginava ainda possível», disse-nos Paulo Capinha.
Hoje o recordamos com saudade. RIP!!!

quarta-feira, 11 de agosto de 2021

5 518 - Governo de Transição sem... governantes. O espectro da fome na Luanda de 1975!

Os furriéis milicianos Farinhas (que hoje faria 69 anos mas faleceu a 14 de
Julho de 2005, de doença e em Amarante). Neto e Viegas na sanzala Talambanza,
com o inesquecível Agostinho Papelino a «fazer» de engraxador

Furriéis milicianos Aldeagas, Cruz,
 Graciano  e Nelson Rocha. À frente,
de perfil,José Pires (TRMS). À frente da
Casa dos Furriéis, no Quitexe


O dia 11 de Agosto de 1975, uma segunda-feira e em Lisboa, reuniu a Comissão Nacional de Descolonização para apreciar a situação em Angola - numa altura em que o MPLA sugeria ir declarar unilateralmente a independência.
As violentas confrontação de dois dias antes (9 de Agosto, sábado) levaram a que fossem evacuados os militares e ministros da FNLA, feita por «tropas portuguesas»
Vasco Vieira de Almeida, ministro da Economia - em representação de Portugal - comentou «não saber» se a evacuação dos ministros «significaria a queda do Governo de Transição».
«Há semanas que não vejo alguns dos meus colegas de Gabinete», disse Vasco Vieira de Almeida, acrescentando que «o meu próprio Ministério, onde tenho Scretários de Estado dos três movimentos, não está a funcionar».

Espectro da fome
em Luanda

A imprensa portuguesa de 11 de Agosto de 1975, h´+a 46 anos, dava conta que «paira sobre Luanda o espectro da fome».
«Começam a rarear os combustíveis e a comida e não tem chegado reabastecimentos», noticiava o Diário de Lisboa, vespertino da capital portuguesa.
Os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, ao tempo aquartelados no extinto Batalhão de Intendência de Angola (BIA) do Campo Militar do Grafanil, bem sentiram esse problema - nomeadamente as classes de sargentos e oficiais. Na verdade e inacreditavemente sem direito a comer na cantina geral, procuravam alimentação nos restaurantes de Luanda e arredores - muitas vezes sem a encontrar. Ou encontrá-la em quantidades muito escassas. E de origem e qualidade duvidosas.

Furriel Joaquim Fari-
nhas, sapador da CCS
do BCAV. 8423

Furriel Farinhas
faria 69 anos !

O furriel miliciano Farinhas faria hoje 69 anos. Infelizmente, faleceu a 14 de Julho de 2005, de doença e em Amarante.
Joaquim Augusto Loio Farinhas, de seu nome completo, foi sapador da CCS e deixou o BCAV. 8423 em Março de 1975, por razões de natureza disciplinar. 
Regressou a Portugal em data desconhecida e esteve emigrado nos Estados Unidos. Regressado a Portugal, trabalhou como guarda florestal na sua área natal. É o que dele sabemos, por ele mesmo narrado em 2009, quando o contactámos para o encontro desse ano. Nada queria recordar da tropa.
Foi um bom companheiro da nossa jornada africana do Uíge angolano e hoje, quando faria 69 anos, o recordamos com saudade! RIP!!!

Ângelo Teixeira, TRMS
da 3ª. CCAV. 8423

Teixeira, TRMS, 69 anos
em Vila Franca de Xira !

O soldado Ângelo Simões Teixeira foi Cavaleiro do Norte da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel. Está hoje em festa: comemora 69 anos!
Especialista de transmissões, també, se aquartelou na vila do Quitexe e na cidade de Carmona - sempre acompanhando a sua subunidade, comandada pelo capiyao miliciano José Paulo Fernandes.
Natural de Amoreira Cimeira, na freguesia de Portela do Fogo, no concelho de Pampilhosa da Serra, lá regressou a 11 de Setembro de 1975. Fixou-se, entretanto, em Vila Franca de Xira, onde é empresário comercial do sector do calçado. Para lá vai, e para ele, vai o nosso abraço de parabéns!
A Irmã Maria Augusta
Capela com Ricardo, o
filho do alferes Cruz

Irmã Maria Augusta
faria 88 anos !

A Irmã Maria Augusta Martins Capela faria hoje 88 anos, dia 11 de Agosto de 2021. Faleceu a 21 de Junho de 2006, de doença e em Lisboa.
Pertencia à Congregação da Obra da Imaculada Conceição e Santo António e missionou no Quitexe, no tempo dos Cavaleiros do Norte da CCS do BCAV. 8423,  e com seu irmão, o padre António Albino Capela - da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos. 
A Irmã Maria Augsta continuou em Angola depois da independência e até pouco tempo antes da sua morte. Quando, já muito doente, foi evacuada para Lisboa. RIP!!!

terça-feira, 10 de agosto de 2021

5 517 - Cavaleiros do Norte no Bairro do Saneamento! Situação dramática e muito perigosa!


Notícia do Diário de Luanda sobre os confrontos do Bairro do Saneamento.
Os dois militares portugueses parecem ser o 1º. cabo Ezequiel Silvestre e
o alferes miliciano António Garcia, Cavaleiros dos Norte do PELREC
do BCAV. 8423. Recorte cedido pelo (1º. cabo) Rodolfo Tomás

O alferes Garcia e o furriel Viegas no Quitexe,
momentos antes da saída para uma operação
militar pelas picadas e matas do Uíge

A cidade de Luanda acordou a noite de 8 para 9 de Agosto de 1975, há 46 anos, com o som estridente dos violentos combates do bairro do Saneamento - de onde o MPLA queria expulsar a FNLA.
Um grupo de Cavaleiros do Norte, ao tempo aquartelados no Campo Militar do Grafanil, foi chamado ao local, logo ao abrir da manhã.
«Violento tiroteio de armas ligeiras e pesadas fazia-se ouvir hoje de manhã, em Luanda, à medida que se generalizava uma ofensiva desencadeada pelo MPLA, esta madrugada, com a intenção de expulsar os últimos militares e políticos da FNLA que se encontrava instalados no luxuoso Bairro do Saneamento, por detrás do Palácio do Governador», relatava o Diário de Lisboa dessa tarde.
O MPLA exigia a saída da FNLA do Governo de Transição, alegando que «perdeu o direito de participar, por via do Acordo do Alvor». Governo de Transição que, de resto, mal funcionava: já não participavam os ministros e secretários de Estado da FNLA e os da UNITA preparavam-se para abandonar Luanda.
A situação era dramática, muito perigosa (perigosíssima...), a maioria das representações diplomáticas fechou os seus escritórios de Luanda e o Consulado Americano aconselhava os seus compatriotas (uns 120) a «abandonarem Angola o mais rapidamente possível». E já se tinham retirado 50 franceses e 30 ingleses. No dia seguinte e via porto do Lobito, a República Federal da Alemanha ia evacuar uma centena dos seus cerca de 800 cidadãos instalados em Angola.
Cavaleiros do Norte do PELREC:
1º. cabo Ezequiel Silvestre e
 alferes Garcia. Serão eles?

Cavaleiros do Norte no
Bairro do Saneamento

O BCAV. 8423 foi chamado a intervir e, nesse sábado,  foi muito apressadamente formado um grupo de combate, comandado pelo alferes Garcia, à base de militares que estava no extinto Batalhão de Intendência - desde a rotação de Carmona, ali chegados (os da coluna terrestre) às 12,45 horas de 6 de Agosto de 1975.
O Diário de Luanda, jornal da tarde desse mesmo dia - que o Rodolfo Tomás me fez chegar às mãos (ver o recorte, na imagem) - publicou uma fotografia onde se parecem reconhecer o alferes miliciano António Garcia e o 1º. cabo Ezequiel Silvestre, ambos do PELREC. Poderão ser.
A legenda da foto é esta: «Tropas do Exército Português controlam a operação de retirada dos elementos do FNLA do Bairro do Saneamento, onde, sexta à noite e sábado de manhã, se registaram confrontos armados. os elementos do ELNA foram transferidos para fora da capital».
Infelizmente, o alferes António Garcia não pode dar-nos o seu testemunho. Faleceu a 2 de Novembro de 1979. O 1º. cabo Ezequiel Silvestre lembra-se de ter ido, mas não fixou pormenores.
Ainda relativamente a Luanda e nesta data, confirmou-se a retirada das forças da UNITA - para Nova Lisboa e Lobito. Em Luanda, apenas ficaram os seus dirigentes políticos. A cidade ficou «por conta» do MPLA. Apenas lhe faltava expulsar os FNLA´s que se acantonavam no Forte de S. Pedro da Barra.

Jonas Savimbi, presidente
da UNITA

Ataque à UNITA na
Av. dos Combatentes

O dia foi também de confrontos na Avenida dos Combatentes, onde foi atacada a sede da UNITA, por homens armados e desconhecidos.
«Não identificados», relatava a imprensa luandina do dia, referindo que o tiroteio provocou pelo menos 3 feridos, entre os defensores do espaço do movimento de Jonas Savimbi.
O local foi de grande concentração e movimento de carros pesados, como que confirmando a saída da UNITA para o sul - onde procuraria «concentrar forças». O objectivo seria «assumir uma posição de força», a pretexto de um pretenso atentado ao avião pessoal de Jonas Savimbi - que estaria a ser preparado em Silva Porto, cidade que era controlada pela UNITA, depois de um acordo com o MPLA, que aceitou retirar, lá deixando apenas uma delegação política.

O furriel Aldeagas à
civil e em 1975

Furriel Aldeagas, 69
anos em Estremoz

O furriel miliciano João Matias Mota Aldeagas, Cavaleiro do Norte da 1ª. CCAV. 8423, a da mítica Fazenda de Zalala, faz 69 anos a 11 de Agosto de 2021.
Atirador de Cavalaria de especialidade militar, também jornadeou por Vista Alegre/Ponte do Dange, Songo e Carmona e regressou a Portugal no dia 9 de Setembro de 1975. Ao Monte da Raspadinha, na freguesia de Santa Vitória do Ameixial, concelho de Estremoz.
Alentejano dos bons, dos chãos e companheiro de sempre, fez vida profissional pelas suas bandas e é empresário agrícola bem sucedido. Mora na Estrada do Giz e para lá, e para ele, vai o nosso abraço de parabéns.

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

5 516 - Cavaleiros sem operações no mato! MPLA a declarar independência unilateral!

Cavaleiros do Norte na aldeia do Cazenza, à saída do Quitexe, para Cama-
 batela: capitão António Oliveira, alferes António Cruz, Jaime Ribeiro e António
Garcia, furriel Viegas e alferes Simões. Ao fundo, vê-se a Igreja do Quitexe

Cavaleiros de Zalala: Almiro Maciel, furriel João Dias, alferes
José Lains, furriel Évora Soares, Carlos Coelho e Famalicão
(que amanhã faz 69 anos) de pé, Costa e Fernando Silva



A 9 de Agosto de 1974, já lá vão 47 anos, a Comissão Local de Contra-Subversão (CLCS) reuniu no Quitexe para analisar a situação, continuando «o programa traçado» pelas autoridades militares.
O mesmo acontecera já no anterior dia 1 e repetiu-se a 9, 14, 21 e 29 desse mesmo mês ,  durante o qual e «de acordo com as directivas superiores, que impõem a não realização de acções ofensivas, foi completamente modificada a actividade operacional».
Por isso mesmo, como se pode ler no livro «História da Unidade», «deixou de se bater as áreas dos «quartéis» IN e passando-se a apertar a malha dos patrulhamentos ao longo de toda a ZA, com inúmeras visitas a povos e fazendas, em apoio às vidas de todos estes».
Ao tempo, e por Agosto de 1974 fora, «passou-se o mês sem incidentes, garantindo-se desse modo, além da missão que nos fôra imposta,  a restante responsabilidade da manutenção da ordem, com vista às actividades económicas do concelho» do Quitexe. Assim descreve o Livro da Unidade.
Mapa de Angola. A lo-
calização do Quitexe

Declaração unilateral da
independência pelo MPLA

Um ano depois, em 1975 e já com os Cavaleiros do Norte no Grafanil, a situação política e militar agravava-se e Agostinho Neto, presidente do MPLA, admitia declarar unilateralmente a independência de Angola.
«Nunca se sabe, é uma hipótese», declarou o presidente do MPLA, acrescentando que «tudo depende do comportamento das forças em presença» e, por outro lado, «ser muito cedo para se falar em paz em Angola», embora se declarasse «optimista quanto à solução militar».
«Sempre fomos optimistas, mesmo quando nos julgavam desfeitos», sublinhou Agostinho Neto, acrescentando ainda que «há alguns recontros em Angola, mas, para o MPLA, tudo está a correr bem».
Famalicão, CAR de Zalala,
em 2015. Póvoa do Lanhoso

Agra, o Famalicão, 69
anos em Vila do Conde!

O soldado condutor Agra, ou o Famalicão, Cavaleiro do Norte da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, faz 69 anos a 10 de Agosto de 2021.
António Martins Lopes era (e é) o seu nome de baptismo e voltou a Portugal no dia 9 de Setembro de 1975. Direitinho a Vila Nova de Famalicão, onde residia. A vida levou-o para Vila do Conde, onde exerce(u) actividade profissiional como técnico de elevadores, e é presença infaltável nos encontros dos Cavaleiros do Norte de Zalala.
É para lá que vai o nosso abraço de parabéns, pela bonita idade que vai festejar.