CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

segunda-feira, 17 de outubro de 2022

6 958 - - Os meados de Outubro de 1974 na área de Zalala... O êxodo dos trabalhadores rurais!!!

Os milicianos furriel Nascimento, alferes Sousa (falecido a 26 de Janeiro de 2021, 
de doença e no Porto) e João Gonçalves (mecânico), junto a uma das cruzes de Zalala
Cavaleiros do Norte de Zalala, todos milicianos: o
 alferes Lains dos Santos, ao centro, ladeado pelos
 já falecidos furriéis Jorge Barata (a 10/10/1997), à
esquerda, e Américo Rodrigues (a 30/08/2018)
 

Aos meados de Outubro de 1974, o êxodo dos trabalhadores rurais (principalmente oriundos da zona do Huambo, Nova Lisboa) teve forte impacto no Uíge e algumas fazendas fecharam portas, nomeadamente as dos arredores de Zalala, Canzundo e Vista Alegre.
A fuga - e de fuga se tratava, pois eram ameaçados de morte - era imposta pelos dirigentes e militares da FNLA, meio à socapa, outras vezes nem tanto assim. 
O livro «História da Unidade», sem quaisquer dúvidas, refere também «a fuga do pessoal dirigente das fazendas, por julgar que a sua presença não tem justificação e até que não será aceite no futuro, uma vez que se tem provas absolutas de que é a FNLA que impõe a saída dos trabalhadores rurais, sob coação de morte, se tal não fizerem».
Por Zalala, preparava-se a rotação para Vista Alegre e Ponte do Dange. 
O comando do batalhão fazia, por esta altura, visitas às diversas companhias, mas já nem foi a Zalala, justamente porque se estava já a operar a retracção do dispositivo militar, face ao cessar fogo - entretanto, e depois da FNLA, também anunciado pelos outros dois partidos emancipalistas: o MPLA e a UNITA.
A Zalala chegava, entretanto, um outro furriel miliciano atirador de cavalaria: o José Carlos Évora Soares - que faleceu a 21 de Agosto de 2008 em Pinheiro de Loures
. De partida, estava o Mota Viana, que agora faz vida por Braga, já aposentado e depois de profissionalmente ter trabalhado na área das artes gráficas. 
O casal Bento em 2021

Furriel Bento, 70 anos
entre a França e Portugal!


O furriel miliciano Francisco Manuel Gonçalves Bento, especialista em Reconhecimento, Informações e Operações do BCAV. 8423, festeja 70 anos a 18 de Outubro de 2022. Amanhã!
Cavaleiro do Norte da CCS, trabalhou no Gabinete de Operações, no edifício do Comando do Quitexe e depois no BC12, em Carmona, e regressou a Portugal a 8 de Setembro de 1975, no final da sua e nossa jornada africana do norte uíjano de Angola. 
Fixou-se em Santo André, no Barreiro, por Portugal foi fazendo a sua vida profissional, até que emigrou para França - agora se dividindo pelos dois países.
Há 3 anos, em Penafiel e ao fim de 44 anos de ausência, surpreendeu os Cavaleiros do Norte no encontro de Rans, apresentando em grande forma forma física e naturalmente saudoso de quem, como ele, por Angola, jornadeou em campanha militar por terras africanas de Angola.
Para lá e para ele vai o nosso abraço de parabéns!
O casal Carvalho

Carvalho de Santa Isabel,
faz 70 anos no Reino Unido !


O soldado Armando Moreira de Carvalho Cavaleiro do Norte da 3ª. CCAV . 8423, a da Fazenda Santa Isabel, festeja 70 anos 18 de Outubro de 2022. No Reino Unido!
Atirador de Cavalaria de especialidade militar, integrou o grupo de combate comandado pelo alferes miliciano Pedrosa de Oliveira e é natural de Teixogueira, lugar da freguesia de Milagres, no município de Leiria. Lá regressou a 11 de Setembro de 1975 e por lá fez vida  profissional e familiar - mais tarde morando na Bidoeira de Cima, mesmo ao lado.
A emigração levou-o, precisamente aos 50 anos (em 2002) para o Reino Unido, onde continuou a sua vida profissional e onde continua a morar, agora já aposentado - desde 2017. Para lá, e para ele, vai o nosso abraço de parabéns
!


domingo, 16 de outubro de 2022

6 957 - Cavaleiros do Norte de Santa Isabel a preparar as malas para o Quitexe...

Os alferes Carlos Silva e Jaime Ribeiro, o capitão José Paulo Fernandes, o
comandante Carlos Almeida e Brito, dois civis e o alferes Rodrigues, em 
Santa Isabel, fazenda onde se aquartelava a 3ª. CCAV. 8423)
A Fazenda Santa Isabel

A 17 de Outubro de 1974 - já lá vão 48 anos!!! - o PELREC da CCS do BCAV. 8423 foi de escolta à Fazenda  Santa Isabel, onde a 3ª. CCAV. 8423 contava dias para o seu adeus final, que viria a acontecer a 4 de Dezembro.
O PELREC foi comandado pelo alferes miliciano António Garcia e escoltava uma delegação militar liderada pelo tenente-coronel Carlos Almeida e Brito, comandante do BCAV. 8423, e que integrava o capitão José Paulo Falcão (o adjunto do comando e oficial de operações). Preparava-se a rotação destes Cavaleiros do Norte para o Quitexe.
O ciclo de visitas de Almeida e Brito passara já pelo Destacamento de Luísa Maria, onde estava um pelotão da 2ª. CCAV. (no dia 13) e iria a Aldeia Viçosa (a 24), não se efectuando a Zalala (que fazia malas para Vista Alegre e Ponte do Dange), Fazenda Liberato (onde ainda estava a CCAÇ. 209/RI21, que se ia desmobilizar e, em Nova Lisboa, passar à disponibilidade) e Vista Alegre (onde se aquartelava a CCAÇ. 4145, que ia para Luanda) - justamente por esta razão.
Furriéis milicianos de Santa Isabel: Fernandes,
Guedes
 (falecido a 17/05/1998, de doença e em
Lisboa), Rabiço, Querido e Belo


Guarnição reduzida
e Quitexe à... vista!

A guarnição da Fazenda Santa Isabel, por este
 tempo, estava reduzida, com um pelotão cedido ao BC12 e que passou por Quipedro e Além Lucunga. 
Regressou ao chão do aquartelamento da 3ª. CCAV. 8423 a 8 de Novembro seguinte.
A rotação dos Cavaleiros do Norte de Santa Isabel só viria a confirmar-se a 10 de Dezembro deste ano (o de 1974), quando de lá saíram os últimos homens, juntando-se aos que já se tinham aquartelado na vila do Quitexe, juntos à CCS.
A companhia comandada pelo capitão miliciano José Paulo de Oliveira Fernandes tinha rendido a 3ª. CCAÇ. 4211 a 11 de Junho de 1974, assumindo a responsabilidade operacional da sua área de intervenção três dias depois (a 14).
- Os últimos dias de Santa Isabel, AQUI
- Caçada de pacaça em Santa Isabel,  AQUI

O 1º. sargento Fialho Panasco e esposa, no
encontro dos Cavaleiros do Norte em Águeda,
 em 1995. Faleceu 10 anos depois, de
doença cancerosa. RIP!


1º. sargento Fialho Panasco, 
de Zalala, faria hoje 86 anos!


O 1º. sargento Fialho Panasco, da 1ª. CCAV . 8423, a da Fazenda de Zalala e do capitão Davide Castro Dias, faria hoje 87 anos. Faleceu há 17, a 22 de Junho de 2005.
Alexandre Joaquim Fialho Panasco, de seu nome completo, foi responsável pela secretaria da subunidade comandada pelo capitão miliciano Castro Dias e foi louvado pelo comandante Almeida e Brito, por ter sido «excelente auxiliar da administração da Companhia, superando todas as dificuldades», nomeadamente aquando das «diversas rotações da Unidade». De Zalala para Vista Alegre, daqui para o Songo e depois para Carmona, antes de Luanda.
«Disciplinado, de trato correcto, de elevado sentido de colaboração, vincada lealdade para o comando que serviu, deve considerar-se ser este militar digo do conceito em que do antecedente era tido e que agora novamente confirmou», sublinha o louvor,  acrescentando que «se cotou como precioso auxiliar e conselheiro do seu comandante de Companhia». Motivos que, considerou o Comandante Almeida e Brito, «levam a garantir a sua eficiência em qualquer outra situação militar que viva e que o torna merecedor do presente louvor».
Faleceu, vítima de doença cancerosa, a 22 de Junho de 2005, aos 70 anos e em Carnaxide, onde residia. 
Hoje o recordamos com saudade. RIP!!!

sábado, 15 de outubro de 2022

6 956 - - O cessar fogo oficial de MPLA, FNLA e UNITA... A independência do MPLA, aconteça o que acontecer!


Cavaleiros do Norte do PELREC, da CCS do BCAV. 8423: 1º. cabo Augusto Hipólito, José Augusto Monteiro (furriel),
 Joaquim Almeida (1º. cabo, falecido a 28/02/2009)  e Jorge Vicente (1º. cabo, falecido a 29/01/1977). Em baixo,
António Garcia (alferes, falecido a 2 de Novembro de 1979), Manuel Leal (falecido a 18/06/2007), Francisco Neto 
(furriel) e Aurélio Júnior (Barbeiro) 

os furriéis António Carlos Letras de António
Chitas, da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa,
no dia de um passeio às Quedas do
Duque de Bragança

O dia 15 de Outubro de 1974 foi assinalado como o dia do cessar fogo oficial, anunciado pela FNLA. 
Os Cavaleiros do Norte do Quitexe, de Zalala, de Aldeia Viçosa e de Santa Isabel - onde se aquartelavam as quatro companhias do Batalhão de Cavalaria 8423 - receberam a notícia com satisfação. Pudera!!! 
Não imaginavam, todavia, o que estava pela frente! Não podiam imaginar!!!!
O MPLA não participara nas negociações de Kinshasa e rejeitava o acordo lá feito com Daniel Chipenda. Tais conversações, segundo o MPLA «só poderão ser consideradas como troca de impressões, uma vez que Chipenda não estava mandatado para estabelecer quaisquer negociações», disse um dirigente do MPLA. Considerava que o negociado por Chipenda «não obriga(va) o MPLA».
A UNITA, no mesmo dia 15 de Outubro de 1974, abriu delegação em Luanda, com quadros políticos chegados da Suíça, onde tinham frequentado cursos superiores. Estiveram no Palácio do Governo e avistaram-se com Rosa Coutinho, presidente da Junta Governativa, trocando «impressões sobre a política actual em Angola».
A UNITA, ao tempo, era acusada pelo MPLA de, e citamos o Diário de Lisboa, «colaboracionista com as autoridades colonialistas e fascistas do Governo de Caetano». Por isso não concordava que, tal qual a Frente de Unidade Angolana (FUA) «fosse(m) privilegiada(s)» nos contactos com o Governo de Portugal, no processo de descolonização.
O MPLA garantia, há 47 anos, que
proclamaria a independência, «aconteça o
que acontecer», como noticiava o
Diário de Lisboa de 15 de Outubro de 1975

A independência do MPLA,
aconteça o que acontecer !

Um ano depois, a 15 de Outubro de 1975 - e a 
menos de um mês do dia anunciado para a declaração de independência (11 de Novembro) - fontes das Forças Armadas Portuguesas anunciaram em Luanda que «as forças da FNLA estão a prosseguir o seu avanço para a capital, encontrando-se agora a 25 quilómetros». Na véspera «mantinham-se ainda na frente do Caxito e da Barra do Dande, a mais de 50 quilómetros de Luanda».
Noutros pontos do território, «registaram-se importantes combates entre o MPLA e a FNLA, a nordeste de Luanda, próximo do nó rodoviário de Samba Caju», como noticiava o Diário de Lisboa, acrescentando que «na frente Leste, registaram combates entre o MPLA e a UNITA, nas imediações da cidade do Luso». Em Benguela, «retiraram-se todas as forças de Portugal, de acordo com o plano de evacuação militar que deverá estar concluído até 10 de Novembro».
Do Uíge, é que não havia notícias. Apenas uma breve linha, no noticiário: a Comissão de Reconciliação da ONU iria visitar Carmona no dia seguinte. Mas, em Luanda, Agostinho Neto não só afirmava que o MPLA proclamaria a independência a 11 de Novembro «aconteça o que acontecer», como referia que era «impossível a conciliação com a FNLA e a UNITA».
«São movimentos fantoches, alimentados e manipulados fora do país e totalmente estranhos ao nosso povo», disse Agostinho Neto.

Fernando Lopes,
cozinheiro de Zalala

A morte do cozinheiro Lopes
dos Cavaleiros de Zalala !


O soldado cozinheiro 
Fernando Manuel da Conceição Lopes, da 1ª. CCAV. 8423, a da Fazenda de Zalala, nasceu a 17 de Outubro de 1952 e  hoje faria 70 anos. Faleceu a 12 de Julho de 1983, há 39 anos.
Cavaleiro do Norte do BCAV. 8423 jornadeou 15 meses, no âmbito a sua comissão africana do norte uíjano de Angola. Também passou por Vista Alegre/Ponte do Dange, Songo e cidade de Carmona - de onde saiu a 3 de Agosto de 1975, para o Campo Militar do Grafanil, em Luanda, e depois para Lisboa - a 9 de Setembro do mesmo ano,
Era natural da Póvoa do Forno, da freguesia do Troviscal, no concelho de Oliveira do Bairro, em pleno coração da Bairrada - onde nasceu a 17 de Outubro de 1953.
Lá voltou no final da sua missão angolana e trabalhava na Cooperativa Agrícola de Oliveira do Bairro quando faleceu, vítima de acidente, quando seguia numa motorizada e embateu com uma carrinha.
Hoje o recordamos com saudade, dele fazendo memória! RIP!!!

sexta-feira, 14 de outubro de 2022

6 955 - Uma emboscada nas picadas do Uíge e a morte de dois civis europeus!



Os furriéis milicianos Viegas e Miguel Peres dos Santos
(paraquedista), na Estrada do Café, no Quitexe, depois de
«verem» os cadáveres dos dois civis europeus mortos
numa emboscada em picada do chão do Uíge

Os dias uíjanos do norte de Angola de há 48 anos, a 14 de Outubro de 1974, foram alarmados com a notícia da morte de dois civis europeus, no limite nordeste da zona de acção (o subsector) dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, entre as fazendas Alegria II e Ana Maria.
«Um grupo IN realizou uma emboscada a uma viatura civil, com êxito de sua parte, pois que houve dois mortos», lê-se no livro «História da Unidade».
 A foto que publicamos indica, 
Um dos dois civis mortos na emboscada
 no seu verso e escrito por mim mesmo, que se trata de «uma das vítimas da Baixa do Mungage, perto do Quitexe, em zona operacional do Batalhão». Ora a Baixa do Mungage ficava, preisamente, para os lados da picada de Zalala.
Será, de certo, esta uma das vítimas da emboscada.
O livro «História da Unidade» dá conta que, sobre este caso - o de 14 de Outubro de há 48 anos -, que «terá sido uma acção esporádica, poderá mesmo ser um ajuste de contas». Mas o facto, acrescentava, «é que foi mais uma acção que veio por de sobreaviso para a possibilidade de desrespeito a ordem recebida». Por outras palavras, mais valia prevenir que remediar.
Quitexe: o que sobra do edifício do
Comando do BCAV. 8423
Foto de 24/09/2019

Campanha pacífica
no norte uíjano !

O mesmo dia mas em Luanda, foi tempo de um comunicado do Comando Militar Português,  informando que «em Setembro, não se registaram incidentes atribuíveis à UNITA ou ao MPLA». 
O mesmo documento, sobre a FNLA, referia que «a partir de meados daquele mês, tem vindo a promover uma campanha pacífica no norte, estabelecendo contactos com as populações locais, segundo informações recebidas do distrito do Uíge e de Carmona»
Uíge era onde se localiza(va) a vila do Quitexe, onde se aquartelava a CCS do BCAV. 8423. E a 1ª. CCAV. em Zalala, a 2ª. CCAV. em Aldeia Viçosa e a 3ª. CCAV. em Santa Isabel. Mais as companhias independentes do Liberato (a CCAÇ. 209/RI 21, de Nova Lisboa) e a CCAÇ. 4145, em Vista Alegre.
Carmona, a capital do Uíge fica(va) a 40 quilómetros do Quitexe.
Assim ia a vida dos Cavaleiros do Norte, há 48 anos! Expectante mas sem quasiquer medos, sempre activa e generosa!
Joaquim Silva, o ciclista
que foi Cavaleiro do
Norte de Zalala
Joaquim Silva

Silva, o ciclista de Zalala,
70 anos em Gondomar !

O soldado Silva, condutor auto-rodas da 1ª. CCAV. 8423, a da mítica Fazenda Maria João, a de Zalala, festeja 70 anos a 14 de Outubro de 2022. Hoje mesmo! 
Joaquim Carlos da Costa Silva foi Cavaleiro do Norte que também passou por Vista Alegre/Ponte do Dange, Songo e Carmona, e regressou a Portugal no dia 9 de Setembro de 1975, a S. Cosme, em Gondomar - a sua terra natal e de residência. 
Foi ciclista profissional e correu 4 Voltas a Portugal, representando o Coimbrões/Fagor (em 1978), a Manufacturas Olimpo (1979) e o Coimbrões (1980 e 1981, neste caso ficando em 24º. lugar e sendo, com Benedito Ferreira, os dois únicos da equipa a terminar a Volta.
Profissionalmente, trabalhou no sector da ourivesaria e, já reformado, mora na mesma S. Cosme de Gondomar, para onde «corre», em contra-relógio, o nosso abraço de parabéns!

quinta-feira, 13 de outubro de 2022

6 954 - Comandante do BCAV. 8423 no Destacamento da Fazenda Luísa Maria !

Cavaleiros do Norte do PELREC da CCS do BCAV. 8423 na Fazenda Luisa
 Maria. Atrás, 1º. cabo Hipólito e furriel Viegas. À frente, Caixarias, 1º. cabo Silvestre e Marcos
 

Um grupo de Cavaleiros do Norte da CCS do BCAV. 8423, todos
1º.s cabos e na baixa de Luanda, em 1974: os operadores-cripto
 João Estrela e António Carlos Medeiros (falecido a 10/04/2003, de
doença e no Porto) e os escriturários Miguel Teixeira, Damião
 Viana (f. a 21/02/2022, de doença e em VN de Gaia) e Vasco
Vieira, o Vasquinho, que hoje faz 70 anos em Matosinhos


Há 48 anos, no Dia de Fátima de 13 de Outubro de 1974, o comandante Carlos Almeida e Brito deslocou-se ao Destacamento da Fazenda Luísa Maria - a uns 40/50 quilómetros do Quitexe e onde estava aquartelado um Grupo de Combate dos Cavaleiros do Norte, provavelmente o do alferes miliciano Jorge Capela, da 2ª. CCAV. 8423.
A visita era de carácter oficial, enquadrava-se no plano de «contactos operacionais» e o tenente-coronel de Cavalaria e comandante dos Cavaleiros do Norte do BCV. 8423, fez-se acompanhar de vários oficiais da CCS.
A escolta desse domingo de há 48 anos foi do PELREC, o pelotão operacional da Companhia de Comando e Serviços da Unidade e lá fomos, galgando a estrada/picada que dava para Camabatela e, logo adiante do cemitério do Quitexe, cortando à direita e por lá indo fora e a «engolir» o pó vermelho do chão uíjano - de olhos bem abertos, armas aperradas e dilagrama pronto a disparar, se fosse o caso. 
Não foi! 
Mas mais valia prevenir!
A fazenda era do empresário José  Patrocínio e gerida por Eduardo Bento da Silva, que faleceu a 11 de Setembro de 2011, com quase 81 anos (que faria a 10 de Outubro seguinte), em Condeixa-a-Nova. Colaborador da gerência, era José Dias Craveiro, de Maçãs de D. Maria, em Alvaiázere. Tudo gente do alto!
Almoçámos por lá, fizemos horas e voltámos ao Quitexe, ansiosos e pelas 5 e tal da tarde, hora do correio e das notícias que chegavam ao Quitexe.

Vasco Vieira
em 2021

Vasco Vieira, 1º.
cabo, em 1974/75

Vasco, 1º. cabo da CCS,
70 anos em Matosinhos!

O 1º. cabo Vasco Araújo Soares Vieira, escriturário da CCS do BCAV. 8423, comemora 70 anos a 13 de Outubro de 2022.
O Vasquinho, como era popularmente conhecido na guarnição quitexana dos Cavaleiro do Norte do BCAV. 8423, é natural da cidade do Porto (da Rua Soares de Passos, em Massarelos) e lá voltou a 8 de Setembro de 1975, quando terminou a sua jornada militar por terras do Uíge angolano. E, depois do Quitexe, também  tendo passado por Carmona. Fixado no Porto, lá viveu e lá trabalhou (na área comercial), também passando pela Rua do Lidador. 
Agora já aposentado, reside na Travessa do Areal, em Lavra, freguesia de  Matosinhos. É para lá e para ele que vai o nosso forte  abraço de parabéns pelos 69 anos que vai festejar! 
José A. da Liça


José da Liça de Zalala, 70
anos em Viana do Castelo!

O soldado atirador José Afonso da Liça jornadeou pela Fazenda Maria João, a de Zalala, e depois pela vila do Quitexe e cidade de Carmona.
Festeja 70 anos a 13 de Outubro de 2022. Hoje mesmo!
Cavaleiro do Norte da 1ª. CCAV. 8423, também passou por Vista Alegre/Destacamento de Ponte do Dange, pelo Songo e por Carmona. Terá regressado a Portugal no dia 9 de Setembro de 1975, mas o seu nome não consta da lista de embarque desta subunidade do BCAV. 8423. 
Sabemos, porém, que mora em Viana do Castelo, onde (ainda) trabalhará na área retalhista de congelados, como empresário e com estabelecimento no nº. 19 da Rua do Mercado, como há dois anos confirmámos. 
Para ele vai o nosso abraço de parabéns!

Cavaleiros do Norte da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala:
Moura, Silva (Montalagre e/ou Mamarracho) e Pereira.
 À frente, 1º. cabo Dorindo e furriel M. Dias


Silva, o Montalegre, e/ou o 
Mamarracho, faleceu há 27 anos!


O soldado condutor-auto Fernando Alves da Silva, da 1ª. CCAV . 8423, a da Fazenda Maria João, na mítica Zalala, faria hoje 70 anos. Hoje, dia 13 de Outubro de 2022. 

Infelizmente, faleceu há 26 anos, a 27 de Julho de 1995, de doença - julgamos saber.
Natural de Vilar de Perdizes, do concelho de Montalegre e por este nome conhecido (e também por Mamarracho) duranta a sua (e nossa) jornada africana do norte de Angola, lá voltou a 9 de Setembro de 1975, fixando-se na sua natal terra daquele município transmontano. 

Nada mais sabemos dele, a não ser, por informação do furriel miliciano João Custódio Dias (TRMS), também de Zalala, que já faleceu, naquela data. Hoje o recordamos com saudade! RIP!!!

quarta-feira, 12 de outubro de 2022

6 953 - O desarmamento dos milícias angolanos e os patrulhamentos inopinados no Uíge!

Cavaleiros do Norte das Transmissões da CCS do BCAV. 8423. De pé, José Costa, furriel José Pires,
alferes José Leonel Hermida e 1ºs. cabos Luís Oliveira e José Mendes. Em baixo, Humberto
 Zambujo, Couto Soares e 1ºs. cabos Jorge Salgueiro e Jorge Silva, este da 1ª. CCAV. 8423

Notícia do «Diário de Lisboa»
de 12 de Outubro de 1974


Aos 12 dias de Outubro de 1974, há precisamente 48 anos, souberam os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 que, em Kinshasa, uma delegação portuguesa liderada pelo general Fontes Pereira de Melo, negociara com dirigentes da  Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), um dos movimentos angolanos de libertação, os «caminhos para a paz e a fraternidade em Angola».
A descolonização angolana, por outras palavras. Até porque já estavam  agendados encontros com outros, e até uma cimeira em Lisboa.
O mediador foi o general Mobutu Sese Seko, presidente do então Zaire - agora República Democrática do Congo e então o antigo Congo Belga. Que recebeu as delegações no seu navio presidencial.
O mesmo dia 12 de Outubro de 1974, que foi um sábado de há precisamente 48 anos, foi tempo de os combatentes do BCAV. 8423, cada qual na sua subunidade, continuarem a sua jornada africana pelas saudosas terras do Uíge angolano e prepararem o desarmamento das milícias populares.

Milícias com poucas
acções de vulto!...

As dúvidas eram muitas, a pairar no horizonte político, e expectava-se que o plano não fosse muito bem aceite pelos povos - que neles tinham, de alguma maneira, o seu braço armado. E ninguém estava muito confiante nos tempos próximos.
Quem poderia «adivinhar» o que ia acontecer no dia seguinte, numa altura em que a independência de Angola era inevitável? Repetidamente anunciada pelas autoridades portuguesas e movimentos de libertação!
As milícias, valha a verdade e de acordo com o livro «História da Unidade» (do BCAV. 8423), até «poucas vezes tiveram actuações de vulto em defesa dos aldeamentos», mas sempre eram homens armados que, á sua maneira, serviam o Exército Português e poderiam confrontar-se, o que seria muito provável, com os próximos donos do poder angolano - os movimentos de libertação.
Foram tempos de muita insegurança, de muitas hiper-sensibilidades e grávidos de dúvidas e cheios de incertezas.


António Ferreira

Ferreira, 1º. cabo de Aldeia
Viçosa, 70 anos em Anadia !


O 1º. cabo António Ferreira, Cavaleiro do Norte da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, festeja 70 anos a 12 de Outubro de 2022.
Enfermeiro de especialidade militar e natural de Contenças, lugar da freguesia de Sazes, no concelho de Penacova, distrito de Coimbra, também passou pela cidade de Carmona e pelo BC 12, ao tempo da sua jornada africana do norte de Angola.
Regressou a Portugal no dia 10 de Setembro de 1975 e a vida profissional levou-o para a bairradina Anadia, em terras do bom leitão e do melhor espumante, fixando na freguesia de Óis do Bairro.
Profissionalmente, trabalhou na Pavigrés, empresa de pavimento e revestimento cerâmicos. Agora já reformado, ainda por lá passa para fazer uns «biscatos» que requerem a sua competência profissional e o ajudam para «compor» o orçamento doméstico.
É participante habitual dos encontros dos Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa e para lá (para Óis do Bairro de Anadia) vai o nosso abraço de parabéns pela bonita idade que hoje hoje festeja.
Fazenda Santa Isabel


Constantino de Santa Isabel
festeja 70 anos no Porto !


O soldado Constantino de Oliveira Santos, Cavaleiro do Norte da 3ª. CCAV. 8423, festeja 70 anos no dia 12 de Outubro de 2021, em Paranhos, na cidade do Porto.
Atirador de Cavalaria de especialidade militar e combatente da subunidade da Fazenda de Santa Isabel e do capitão miliciano José Paulo Fernandes, também passou pela vila do Quitexe e por Carmona, antes do regresso a Portugal - que ocorreu no dia 11 de Setembro de 1975.
Morava nas Escadas do Cadocal, freguesia da Sé, no Porto. Nada mais sabemos dele, a não ser que mora(rá) actualmente no bairro do Regado (em Paranhos, também na cidade do Porto). Será? Alguém nos pode ajudar?
Para lá, onde quer que esteja, e para ele vai o nosso abraço de parabéns!

terça-feira, 11 de outubro de 2022

6 952 - As mortes dos furriéis milicianos Farinhas do Quitexe e Barata de Zalala!


Cavaleiros do Norte de Zalala, todos furriéis milicianos: Eusébio Martins (falecido a 16/04/2014,
de doença e em Belmonte), Queirós e Victor Costa (de pé), Rodrigues, Louro, Jorge António Eanes Barata (falecido
 a 10/10/1997, de doença e em Alcains) e Manuel Dinis Dias (falecido a 20/10/2011, de doença e em Lisboa)
Cavaleiros do Norte da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, todos
milicianos: alferes Lains dos Santos e Mário Jorge Sousa
(falecido a 26/01/2021, de doença e no Porto) e furriéis Jorge
Barreto (f. a 02/12/2020, de doença e em Gondomar), Jorge
Barata (f. a 17/19/1997, de doença e em Alcains), Américo
Rodrigues (f. a 30/08/2018, de doença e em VN de
Famalicão) e José Louro






O furriel miliciano Jorge António Eanes Barata, da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, faleceu há precisamente 25 anos, a 11 de Outubro de 1997, vítima de doença e em Alcains.
Atirador de Cavalaria de especialidade militar, obtida na Escola Prática de Cavalaria, em Santarém, integrou a 1ª. CCAV. 8423, a da mítica Zalala - e jornadeou depois também por Vista Alegre/Ponte do Dange, pelo Songo e por Carmona. 
Regressou a Portugal e a Alcains no dia 9 de Setembro de 1975, depois da sua (e nossa) jornada africana do Uíge angolano. Por lá continuou, trabalhou na área da contabilidade e jogou futebol no Desportivo de Castelo Branco e no Alcains.
A 10 de Outubro de 1997, passou normalmente o dia, mas foi vítima de um enfarte do miocárdio. Na véspera, ainda treinara futebol e jantara tranquilamente com a família. Depois, sentiu-se mal e foi levado ao hospital mas faleceu no dia seguinte, às 7 horas da manhã.
Deixou viúva, um filho e uma filha, a quem saudamos e (re) enviamos o nosso abraço solidário e amigo.
Até um destes dias, grande Barata!!! Aqui te recordamos com saudade! Assim como o Sousa, o Eusébo, o Barreto e o Rodrigues, que desta vida também já se foram e que aqui também evocados nas fotos de de grupo acima editada.

Os furriéis milicianos Luís Costa, do Pelotão de
Morteiros 4281, e Joaquim Farinhas, do Pelotão
de Sapadores da CCS do BCAV. 8423

Furriel Farinhas faria 70
anos. Faleceu em 2005!

O furriel miliciano Joaquim Augusto Loio Farinhas faria 70 anos a 11 de Outubro de 2022, mas faleceu a 14 de Julho de 2005, em Amarante, a sua terra natal. 
Vítima de doença cancerosa, o inesquecível Farinhas não era homem de muitas falas, era até algo circunspecto, sorumbático, mas de ideias firmes sobre os seus princípios políticos e seguramente um excelente camarada. Um problema disciplinar afastou-o do nosso convívio em Março de 1975. 
Ao tempo dos últimos tempo do Quitexe, dele recordo uma noite algo constrangida para ambos, estava eu de sargento de dia, matando horas pela madrugada fora. O Farinhas falou da vida dele, muito nervoso e revoltado, fumando, fumando, fumando... e parecia não querer sair de si e do seu constrangimento, fechando os ouvidos ao que lhe dizia, querendo ajudar.
A última vez que falei com ele, ao telefone, foi em 1996, creio eu..., para que participasse no encontro do batalhão. Trabalhava nos Serviços Florestais e, salvo erro, tinha então recentemente voltado dos Estados Unidos. Não participou no encontro. Não quis, dizendo-me que a tropa não lhe dizia nada. 
«Desculpa lá, ó Viegas..., desculpa, pá... és um gajo porreiro!!!...».
Eu desculpei. Obviamente!
Hoje, quando faria 70 anos, o recordamos com saudade. Até um dia, caro Farinhas! RIP!!!


Abílio Duarte
Condutor Abílio Duarte, 69
anos em Baguim de Monte !


O soldado condutor-auto Abílio Alberto de Sousa Duarte, Cavaleiro do Norte da CCS do BCAV. 8423, festeja 69 anos a 11 de Outubro de 2022.
Militar  da incorporação de 1974 (nós, os BCAV´s 8423, fomos da de 1973), passou a integrar a CCS já em Carmona e no BC12, em rendição individual - em data imprecisa mas seguramente posterior a 2 de Março de 1975. Por isso mesmo, não regressou a Portugal com os Cavaleiros do Norte, mas é conviva habitual dos encontros da CCS, sempre bem disposto e feliz pelo prazer de partilhar estes encontros de saudade e memória das terras angolanas.
Natural e residente em Baguim do Monte, freguesia do concelho de Gondomar, e agora já reformado, para lá e para ele vai o nosso abraço de parabéns.


segunda-feira, 10 de outubro de 2022

6 951 - Comandante no Comando do Sector do Uíge (CSU) em Carmona! Filmes da acção psicológica no Quitexe!


O Clube do Quitexe,  à esquerda, nos anos 74/75 do Século XX, ainda durante a administração
portuguesa. Era o sítio cultural e social da vila uíjana e fica(va) na Estrada do Café, a principal
 a vila e que ainda liga  capital, Luanda, à cidade de Carmona -  actual Uíge!
Borges de Zalala com crianças 
quitexanas. Atrás, vê-se o Clube 
do Quitexe

R. Tomás, o 1º. cabo
que projetava filmes
no Quitexe

A 10 de Outubro de 1974, há 48 anos...,  o comandante Almeida e Brito deslocou-se uma vez mais ao Comando do Sector do Uíge (CSU), em Carmona, para «contactos operacionais» com outos comandos e, naturalmente com o mais altos responsáveis da Zona Militar Norte (ZMN).
O dia, pelas bandas do Quitexe, onde se aquartelava a CCS do BCAV. 8423, foi o do início de um ciclo de exibições de cinema, no âmbito da programação de «acção psicológica sobre as NT».
Não é certo que tenha sido desta vez, mas em uma altura (esta ou outra) foi exibido o filme «Eusébio, a Pantera Negra», produzido nesse ano de 1974 e projectado no salão do Clube do Quitexe.
O alferes José Leonel Hermida era o oficial de acção psicológica do BCAV. 8423 (e de transmissões) e os cuidados técnicos foram do 1º. cabo Rodolfo Tomás, rádio-montador da CCS dos Cavaleiros do Norte e expert na matéria. Historiava a vida do futebolista Eusébio da Silva Ferreira, desde a infância de Mafalala, em Moçambique, até à festa de homenagem, passando pela sua extraordinária carreira de futebolista, de classe mundial. 
O filme «rodou em toda a ZA, no período compreendido entre 10 e 23 de Outu-
bro», de acordo com o Livro da Unidade, que também refere que essa rotação (militar) do filme «foi complementada em actividade orientada para as populações, com a sua projeção no Quitexe, no dia 29 de Outubro».
Os 1º.s cabos Jorge,
Lourenço e Hélio,
TRMS´s  de Zalala

Hélio, 1º. cabo de Zalala, 
70 anos em Castro Daire!

O 1º. cabo Hélio, Cavaleiro do Norte da 1ª. CCAV. 8423, a da mítica Fazenda Maria João, a de Zalala, festeja 70 anos a 10 de Outubro de 2022. Exactamente hoje!
Rádio-telegrafista de especialidade militar, Hélio Rocha da Cunha também jornadeou por Vista Alegre/Ponte do Dange, Songo e Carmona - terras uíjanas do Norte do Angola e durante a sua comissão militar de 15 meses . Regressou a Portugal no dia 9 de Setembro de 1975, fixando-se em Mamouros, freguesia de Castro Daire, município do distrito de Viseu onde ainda mora, já aposentado. Para lá e para ele, vai o nosso abraço de parabéns!