CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

terça-feira, 17 de janeiro de 2023

7 049 - O incêndio da arrecadação de material de guerra da CCS do BCAV. 8423 na vila do Quitexe!


O incêndio na arrecadação de material do BCAV. 8423, na vila do Quitexe, foi há precisamente 48 anos. A imagem
 mostra as labaredas por cima do telhado do edifício - que ficava na Estrada do Café, entre Carmona e Luanda, no centro da vila
Os bens dos militares foram retirados do edifício e colocados na berma da
Estrada do café. À direita, vê-se o capitão  Oliveira, comandante da CCS
O incêndio do Quitexe de há 48 anos. Repare-se no carro dos bombeiros
e no tamanho dos tanques de água, com bomba manual accionada por
 um militar do BCAV. 8423(quem será, alguém o reconhece?). E no
 olhar sorridente do alferes António Garcia. O perigo já tinha passado!


O Quitexe dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 foi, há precisamente 48 anos, alarmado por um incêndio na arrecadação de material de guerra.
Que poderia ter sido dramático!
Um dia 17 de Janeiro de 1975 que, tragicamente, poderia ficar para a historia e memórias desta unidade militar comandada pelo tenente-coronel Carlos Almeida e Brito.
Não foi, fora o susto!
A comunidade militar continuava expectante quanto a tudo o que se soubesse da Cimeira do Alvor e, principalmente, quanto à data de independência - que estaria intimamente ligada ao regresso a Portugal.
O dia 17 de Janeiro de 1975, uma sexta-feira, foi marcado no Quitexe pelo incêndio na arrecadação de material de guerra da CCS - no mesmo edifício da Estrada do Café onde se hospedavam alguns oficiais milicianos. Foi um deles, o alferes miliciano António Garcia, quem deu o alarme nesse princípio de note africana e rapidamente se combateram as chamas - o que não evitou elevados prejuízos materiais.
O incêndio terá tido origem num curto-circuito e pregou um enorme susto à guarnição militar, até porque nos primeiros momentos do incêndio toda a boa gente dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 admitiu como muito provável que se tratasse de um acto de sabotagem. Sabotagem de algum movimento independentista. De algum tresloucado inconsciente. De algum civil europeu enraivecido e a «vingar-se» da evolução dos caminhos políticos que iriam levar à independência de Angola. 
Quem sabia? Ninguém sabia!
Não era nada disso, felizmente para todos, e a pronta intervenção da tropa aquartelada na vila quitexana evitou males bem piores, assim como a salvação dos pertences dos militares ali hospedados - atirados para a rua, como se pode ver na foto do dia.
Os três bombeiros que acudiram o incêndio
do Quitexe, há 45 anos e com uma bomba
manual de muito pouca água
 

Ardeu a casa de oficiais
e arrecadação de material


O estouro de algumas munições, devido ao calor das chamas que medravam no edifício, e o medo de que granadas e outros materiais de guerra (mais poderosos) rebentassem provocou algum pânico e as aflições foram muitas. 
Chegou a supor-se o pior. 
«Ardeu completamente uma das casas onde o BCAV. tinha a arrecadação de material de aquartelamento da CCS e os quartos dos oficiais», relata o livro «História da Unidade», citando «avultados prejuízos materiais».
A guarnição dos cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, ali aquartelada, sublinha o mesmo HdU, «teve a maior dedicação (...) mas não houve possibilidade de evitar a destruição total do imóvel, por falta de meios adequados para apagar o incêndio, inclusive a própria água».
Foram  chamados os bombeiros, que compareceram (eram três!!!...) com uma bomba manual e de pouca água, o que suscitou até alguma chacota da comunidade militar, que se sorriu da «aparatosa» intervenção. 
Os bombeiros apresentaram-se, imagine-se, até de gravata, como se vê na imagem.Ver AQUI
Furriel Nelson
Rocha e Luciana

O amor de 44 anos 
do furriel Rocha !


O furriel miliciano Nelson dos Remédios da Silva Rocha, da CCS do BCAV. 8423, festeja hoje os 44 anos de casamento com Luciana, seu amor de sempre - «ganho» em fervores de paixão, já depois da jornada africana do Uíge angolano!
É obra!!! 44 anos?!!!
O sempre discreto e eficiente furriel Rocha, Cavaleiro do Norte foi especialista de transmissões, jornadeou pelo Quitexe e Carmona e regressou a Portugal a 8 de Setembro de 1975. Como todos os Cavaleiros do Norte da CCC!
A vida e afinidade de familiares próximos, levou a que (porque desejou e quis) a cair-se de amores que, há precisamente 44 anos o levaram ao altar, dando o braço  a Luciana e fazendo juras de eterno amor - que sabemos sempre viçoso, multiplicado e são. Até aos dias de hoje, o que já não é para todos.
Parabéns, ó Rocha! E que a tua boa amazona Luciana 
cuide bem do vosso gaiense jardim d´amor!
O 1º. cabo Coelho, o
Buraquinho, com a
então namorada

Coelho, o 1º. cabo Buraquinho,
festeja 71 anos em Custóias !


O 1º. cabo Coelho, depurador de águas da CCS do BCAV. 8423, festeja 71 anos a 17 de Janeiro de 2023. Hoje mesmo!
Alfredo Rodrigo Ferreira Coelho, é este o seu nome completo, imortalizou-se na sua (e nossa) jornada africana do Uíge angolano com o epíteto de Buraquinho - poucos conhecerão o seu nome de baptismo - e regressou a Portugal de braço dado com a sua então «mais-que-tudo, namorada e futura e actual esposa, mãe do seu casal de filhos.
Trabalhou em várias áreas profissionais, também na restauração, e, agora já aposentado, mora na sua Custóias natal. Presentemente, exerce funções de sacristão numa Igreja da cidade do Porto - seguindo o exemplo, aliás, de se pai, que por muitos aos foi sacristão na Paróquia de Custóias.
É para lá, e para ele, que vai o nosso abraço de parabéns!
Fazenda Santa Isabel

Ferreira, 1º. cabo de Santa 
Isabel, 71 anos em Guimarães!

O 1º. cabo José Agostinho da Silva Ferreira, Cavaleiro do Norte da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel, festeja 71 anos a 17 de Janeiro de 2023. Hoje!
Apontador de morteiros médios de especialidade militar, já festejou os seus jovens 23 anos no Quitexe (depois de a 10 de Dezembro de 1974 para l ter rodado com a sua subunidade) e na sua jornada angolana do Uíge ainda passou por Carmona, antes de regressar a Portugal, o que aconteceu no dia 11 de Setembro de 1975. 
Sabemos que voltou à sua residência do lugar de Vila Chã, na freguesia de Santo Estevão de Briteiros, em Guimarães, e supomos que ainda lá continuará a viver.
Para lá, ou para onde quer que esteja, vai o nosso abraço de parabéns!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

7 048 - A morte, hoje, do alferes miliciano José Leonel Hermida!

Alferes milicianos dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, no Quitexe: Pedrosa de Oliveira,
Jaime Ribeiro, António Albano Cruz, António Manuel Garcia (falecido a 2 de Novembro de
1979) e José Leonel Hermida - que hoje faleceu nos Hospitais da Universidade de Coimbra

Equipa de Transmissões do Quitexe: Costa, furriel Pires,
Alferes Hermida, os 1ºs. cabos Oliveira e Mendes (de pé),
Zambujo, Couto e 1ºs. cabos Salgueiro e Felicíssimo


O alferes miliciano José Leonel Hermida, Cavaleiro do Norte da CCS do BCAV. 8423,  faleceu hoje, vitima de doença e nos Hospitais da Universidade de Coimbra. 
Aos 76 anos!
O funeral está marcado para as 14 horas de 4ª.-feira, 18 de Janeiro de 2023, no Centro Funerário Oliveira, na Figueira da Foz.
«Foi tudo muito rápido, em dois meses, começou com uma dor nas costas em Outubro, cuidou-se no Hospital da Figueira da Foz, passou o Natal e ano novo connosco, passou para Coimbra», disse-nos a dra. Graciete Hermida, que o acompanhou na nossa jornada africana do Uíge angolano e, ao princípio da 
O alferes José L. Hermida
e a professora Graciete,
no Quitexe e em 1974
tarde de hoje, foi informada do seu passamento, no Hospital da Universidade de Coimbra.

Engenheiro e professor, oficial de
transmissões e de acção psicológica 

José Leonel Pinto de Aragão Hermida foi alferes miliciano de transmissões e oficial de acção psicológica dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423. 
Natural de Coimbra, lá nasceu a 28 de Novembro de 1946, de família materna originária de Castro Daire - os Aragão.
Licenciou-se em engenharia electrónica e foi professor de matemática e física, radicando-se na Figueira da Foz - onde vivia com a esposa, a dra. Graciete Marques, também professora e pais da doutora Margarida Dulce Hermida, investigadora de biologia na Universidade de Universidade de Brighton, no Reino Unido.
«Ainda ontem se despediu do pai, antes de voltar para a Universidade, falou com ele, como que se despediram...», disse-nos a dra. Graciete Marques, em dor de luto pelo passamento do homem e amor grande da sua vida: «Nunca teve uma dor, queixou-se das costas em Outubro, foi-lhe diagnosticada uma hérnia e umas sombras, deixa-nos 2 meses depois».
Internado nos Hospitais da Universidade de Coimbra, esteve em tratamento de diálise e teve uma paragem cárdio-respiratórtia do final da manhã de hoje.
O casal Hermida com o furriel Viegas,
na Figueira da Foz, Fevereiro de 2015

Um (re)encontro na
Figueira da Foz !

Aos 21 dias de Fevereiro de 2015, dois Cavaleiros do Norte reencontraram-se, depois do adeus do Quitexe, no de 1975: o alferes Hermida e o furriel Viegas. Aí estão eles, na imagem, com a «mais-que-tudo» do nosso antigo oficial de transmissões. Há 40 anos que se não viam e selaram o reencontro com fartos abraços e muita conversa das memórias quitexanas!
O alferes Hermida foi um dos jovens oficiais milicianos que, na nossa jornada africana do Uíge angolano, se acompanharam das suas jovens esposas. No caso, a professora Graciete, que deu aulas na escola primária da vila.
Ao Fevereiro de 1975, o alferes Hermida deixou o Quitexe, passou pelo Songo, foi parar a Luanda e seguiu para Nova Lisboa, capital do Huambo, onde conheceu (e sentiu) os perigos da metralha que lá tragicamente opôs irmãos angolanos. De lá, de onde Graciete Hermida saiu num avião, à pressa, com família de outros oficiais, viajou o jovem alferes miliciano para sítio bem pior: o Luso!
Os dias do leste angolano não foram nada fáceis para a guarnição portuguesa, lá «entalada» entre fogos de irmãos que se fizeram inimigos, na luta pelo poder do país que nascia.
«Foram tempos muito maus, mas inesquecíveis, com coisas e coragens que só a idade permite», disse ontem, na sua casa da Figueira da Foz, embrulhando a saudade desses tempos com o gosto e a alegria do prazeroso momento do reencontro.
José Leonel Hermida


Velório e funeral
na quarta-feira!


O funeral do alferes miliciano José Leonel Pinto de Aragão Hermida está marcado para as 14 horas de 4ª.-feira, dia 18 de Janeiro de 2023.
O corpo estará em câmara ardente no Centro Funerário Oliveira, na Rua Manuel Fernandes Tomás, nº. 16, a partir das 10 horas e na Figueira da Foz. 
O cortejo fúnebre sairá pelas 14 horas, para o cemitério Oriental, onde será sepultado.
Os Cavaleiros do Norte, que do alferes Hermida tem as melhores memórias, solidariza-se com a família, partilhando a dor de, luto da professora Graciete Marques (viúva) e doutora Margarida Dulce Hermida (a filha).
Ate um destes dias, caríssimo Alferes Hermida!
 Voltaremos a falar da nossa jornada africana do Uíge angolano! 
Não o esqueceremos!!!
RIP!!!
- NOTA: O alferes miliciano José
Leonel Hermida, ver AQUI

domingo, 15 de janeiro de 2023

7 047 - Comandante no Sector do Uíge no Quitexe e a Cimeira do Alvor de 1975!

A vila do Quitexe, a avenida ou Rua de Baixo. À esquerda, a casa de Madame Van der Schaff (a roxo)
e o restaurante Pacheco, que ficavam mesmo em frente à Secretaria e Casa dos Furriéis da CCS dos
Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423. Imagem de 24 de Setembro de 2019, quando por lá passaram
o furriel Viegas (d CCS) e o condutor Nogueira (da CCAÇ. 209/RI 21, a do Liberato)
Os 1ºs. cabos João Monteiro (Gasolinas)
e Manuel Marques (Carpinteiro), que hoje
faria 71 anos e faleceu a 01/11/2011


O coronel tirocinado Carlos Bastos Carreiras, comandante do Comando do Sector do Uíge (CSU), instalado em Carmona, visitou o Quitexe no dia 15 de Janeiro de 1975, há precisamente 48 anos.
O oficial superior uíjano também era licenciado em engenharia civil e foi recebido pelo tenente-coronel Carlos Almeida e Brito, comandante do Batalhão de Cavalaria 8423. Fez-se acompanhar, nesta visita de trabalho, por oficiais do seu Estado Maior.
A reunião envolveu os comandantes de todas as unidades do CSU, naturalmente para analisar e decidir questões operacionais, numa altura em que, no Alvor português do Algarve, se fechava a cimeira do Governo Português com os três movimentos de libertação de Angola.
A assinatura do protocolo do acordo estava prevista para as 20 horas desse já distante mesmo dia 15 de Janeiro de 1975, uma terça-feira de há 48 anos.
O Governo de Angola, segundo o jornal «Diário de Lisboa», que citamos, seria «dirigido por um Conselho Presidencial, com três vice-primeiros ministros», um de cada movimento. E já se sugeriam três nomes: Jorge Valentim (pela UNITA), Johny Eduardo (da FNLA) e Lúcio Lara (MPLA).
O Alvor no «Diário de 
Lisboa» de 15/01/1975 


Governo de Transição
de Angola há 48 anos !

O (futuro) Presidente da República de Angola, ainda segundo o mesmo acordo, seria eleito pela Assembleia Constituinte e tomaria posse no dia da independência - 11 de Novembro.
As novas informações davam conta que o Governo de Transição de Angola, para além dos três vice-primeiros ministros, teria 12 ministros: três de Portugal e três de cada um dos três movimentos de libertação. 
Portugal assumiria as pastas da Economia, Obras Públicas e Transportes e Comunicações.
O Alto Comissário (que seria Silva Cardoso), entre outras tarefas, responsabilizar-se-ia pela Defesa e Segurança Pública. Os movimentos, entre outras, teriam as da Informação (MPLA), Administração Interna (FNLA) e Trabalho (UNITA). Cada um dos ministros dos movimentos teria dois Secretários de Estado - um da cada um dos outros dois movimentos.
Os Cavaleiros do Norte, lá pelas bandas do Uíge, continuavam expectantes e a cumprir, escrupulosamente, as tarefas que a jornada angolana lhes exigiam. E, em tempos livres, faziam do pelado do Quitexe o campo das suas futeboladas.

Manuel Marques
1º. cabo da CCS

Marques, 1º. cabo carpinteiro
da CCS, faria hoje 71 anos !


O 1º. cabo Marques, Cavaleiro do Norte da CCS do BCAV. 8423, faria 71 anos a 15 de Janeiro de 2023. Infelizmente, faleceu a 1 de Novembro de 2011. 
Carpinteiro de especialidade militar e por este nome popularizado por terras do chão angolano do nortenho Uíge, Manuel Augusto da Silva Marques (é este o seu nome completo) regressou a Portugal e a Esmoriz, em Ovar, a sua terra natal e no dia 8 de Setembro de 1975.
Por lá fez a sua vida familiar e profissional, falecendo de morte súbita quando, no dia 1 de Novembro de há 12 anos e depois d e participar nas cerimónias religiosas do dia, regressava a casa, com a esposa, e caiu fulminado, no momento em que procurava abrir a porta.
Hoje, e dele fazendo memória de um excelente companheiro e campanheiro d´armas, folgazão e sempre muito bem disposto, o recordamos com saudade. RIP!!!

sábado, 14 de janeiro de 2023

7 046 - O Governo de Transição e as Forças Armadas de Angola na Cimeira do Alvor!

 

Quitexe, a vila uíjana do norte de Angola que foi sede dos Cavaleiros do Norte da CCS do BCAV. 8423. E
 mais tarde, também da 3ª. CCAV. Imagem da estrada do Café, no centro da localidade, vendo-se a bomba
de gasolina. Imagem do dia 24 de Setembro de 2019, de quando por lá passaram o furriel Viegas, da 
CCS e o condutor Nogeoira, da CCAÇ. 29/RI 21, a da Fazenda do Liberato
Parada do Quitexe. De pé, 1º.s cabos Soares (falecido), Oliveira e Pais,
furriel Rocha, 1º. cabo Estrela (de braço no ombro e que amanhã faz 72 
anos),  Silva, alferes Hermida (de bigode), Zambujo (idem), furriel Pires
(braços cruzados),  Felicíssimo (1ª. CCAV.), 1º. cabo Mendes, Soares, 
1º. cabo Pires (Fecho-Eclair, de mão no queixo) e Wilson. Em baixo, 
 Jorge Silva (3ª. CCAV.),  Costa, 1º. cabo Salgueiro (?), furriel António
Cruz e 1º. cabo Tomás


Os dias de Janeiro de 1975 iam sendo riscados do calendário, um a um, e pelo Algarve português continuava a Cimeira do Alvor. 
A 14, uma terça-feira, hoje se fazem 48 anos, ficou a saber-se que o Governo de Transição de Angola seria formado até ao dia 31 desse Janeiro. E que o acordo entre Portugal e os três movimentos de libertação seria assinado no dia seguinte, às 20 horas.
Que boas notícias chegaram ao Quitexe, a Aldeia Viçosa e a Vista Alegre/Ponte do Dange, terras uíjanas do norte de Angola por onde  jornadeavam os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423!!! Mesmo muito boas!
«Pode dizer-se que o acordo está praticamente concluído, tendo voltado as quatro delegações a reunir esta manhã, para ultimarem a redacção dos últimos pontos do protocolo, os quais. segundo algumas fontes, se referem à atribuição das pastas ministeriais», reportava o Diário de Lisboa de 14 de Janeiro de 1975, que citamos.
Capa do Diário de Lisboa
de 14 de Janeiro de 1975

Governo de Transição
e Forças Armadas !


A constituição do Governo de Transição de Angola tinha avançado para uma formação diferente das até aí propostas e discutidas. 
«Compreenderá três vice-primeiros ministros, um por cada movimento, além do Alto-Comissário, de nomeação Portuguesa», reportava o Diário de Lisboa. E este já não seria Rosa Coutinho, o Almirante Vermelho, mas antes o brigadeiro Silva Cardoso. 
Admitia-se, há 48 anos, que os vice-1º.s ministros fossem Lúcio Lara (indicado pelo MPLA), Johny Eduardo (pela FNLA e sobrinho do presidente Holden Roberto) e António Vakulukuta (pela UNITA). 
Portugal teria (expectava-se) as pastas ministeriais da Economia e da Informação, enquanto cada um dos três movimentos teriam cinco ministérios. Não iria ser bem assim.
O futuro Exército de Angola teria 36 000 homens: 18 000 de Portugal e 6 000 de cada movimento. Os portugueses, porém, iriam gradualmente abandonando Angola até à data de independência: 11 de Novembro de 1975. 
O Alto-Comissário Português acumularia com o Comando-Chefe das Forças Armadas, «não sendo de excluir a formação de comissões militares mistas, a exemplo do que tinha acontecido em Moçambique».
Os 1º.s cabos Felicíssino
e João Estrela, que amanhã
festeja 69 anos


Estrela, 1º. cabo da CCS,
72 anos na Amadora !


O 1º. cabo João Francisco Lavadinho Estrela, da CCS do BCAV. 8423, festeja 72 anos a 15 de Janeiro de 1975. Amanhã e na Amadora.
Operador-cripto de especialidade militar e alentejano de Campo Maior, este Cavaleiro do Norte também passou por Carmona, antes de, no final da sua jornada africana do norte de Angoa, antes de regressar a Portugal no dia 8 de Setembro de 1975. Regressou a Lisboa e à Rua dos Amenos, em Benfica - a sua residência desse tempo. 
Actualmente, vive na Mina de Água, em S. Braz da Amadora, onde, profissionalmente, exerce(u) as funções de consultor imobiliário. 
É para lá, e para ele, que vai o nosso de parabéns

Zeca Silva em 1974
Zeca Silva em 2018
Zeca da Chandragoa
em festa de 68 anos !


Os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 tinham, no geral, coas relações com a comunidade civil do Quitexe - temperadas pelo respeito mútuo e até afectuosas e relativamente íntimas, nalguns casos mais particulares.
O Zeca Silva, da Fazenda Chandragoa, era um dos jovens contemporâneos desse nossos saudoso tempo (ele, a Carla Gaspar, as irmãs Morais, a Laide e o irmão Eduardo..., a Gena) e o pai (Manuel Silva) muitas vezes fornecia aos militares do Quitexe o famoso peixe tilápia, do qual eram produtores. Oriundo de Valpaços, faleceu (o pai) a 18 de Fevereiro de 2018, aos 93 anos.
O Zeca concluiu o 5º. ano do curso industrial em Carmona e ainda se aventurou no curso de regente agrícola no Tchivinguiro, mas atraiu-se para os negócios da família na fazenda de 2 850 hectares, que, por ano, produzia cerca de 700 toneladas de café. Em Carmona, tinha sapatarias na Rua do Comércio (frente à Ourivesaria Cunha), Avenida Portugal (frente ao Bar do Eugénio) e Rua da República (próximo do Tribunal).
Trabalhou na Galp Energia, em Sines, e este ano faz 68 anos! Com uma curiosidade muito particular pelo meio: nasceu a 9 de Janeiro de 1955, em Sintra, mas o bilhete de identidade aponta-lhe 15 como a data natal. Vá lá saber-se a razão.
«Festejo sempre no dia em que nasci», disse-nos agora, já aposentado e de velas assopradas e vida feliz, ainda que saudoso dos chãos de Angola. Parabéns!  

sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

7 045 - O dia da independência de Angola na Cimeira do Alvor! Debates políticos no Quitexe!


O Clube do Quitexe, na Estrada do Café e dentro
da vila que foi sede do BCAV. 8423. A 24
de Setembro de 2019

O Diário de Lisboa e a
 independência de Angola


O dia 13 de Janeiro de 1975 foi uma segunda-feira e tempo de se confirmar 11 de Novembro como o da independência de Angola.
O comunicado oficial da Cimeira do Alvor fora do final da noite anterior e sublinhava «os avanços substanciais» e admitia mesmo «uma solução mais rápida do que aquelas previstas ainda esta manhã», como noticiava o Diário de Lisboa.
Os furriéis milicianos Vegas, Mosteias
 (f. a 05/02/2013, de doença) e Neto
Os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, lá pelo Uíge angolano, continuavam muito expectantes mas de alguma maneira também distantes. Os mais esclarecidos, politicamente falando, digamos que seriam o Machado e o Mosteias (falecido a 5 de Fevereiro de 2013,de doença) - que coincidiam na área, mas não totalmente nas razões. Eram populares os bitaites do  Cândido e quer o Neto, quer eu (Viegas), gostávamos de apimentar os inquietos debates com «bocas» e sátiras, tornando quase  intermináveis as diárias discussões do bar e messe de sargentos.

Movimentos de Angola
a uma... só voz !


A Cimeira do Alvor continuava e era dada como certa a saída do almirante Rosa Coutinho (após a formação do Governo Provisório) e indicavam-se três nomes como possíveis futuros Alto-Comissários: o então brigadeiro Silva Cardoso, o tenente-coronel Gonçalves Ribeiro e o major Pezarat Correia.
Mário Soares, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, fez declarações sobre os três movimentos, referindo que falavam agora (então) «a uma só voz». mas foi desmentido por Paulo Jorge, do MPLA: «Isso é o que diz o Ministro do Negócios Estrangeiros de Portugal e não o que diz o MPLA. Essa é a opinião do dr. Soares».
Saidy Mingas, também do MPLA e sobre o processo de descolonização, comentou no Alvor que «uma descolonização reaccionária levaria ao neocolonialismo». Acrescentou que «o neocolonialismo em Angola significará a guerra». Assim ia o processo de independência de Angola,

Alferes Carlos
João Sampaio
Sampaio, alferes de Zalala,
71 anos na Costa da Caparica!


O alferes miliciano Carlos João da Costa Sampaio foi atirador de Cavalaria da 1ª. CCAV. 8423 e festeja 71 anos a 15 de Janeiro de 2023.
Cavaleiro do Norte da mítica Fazenda Maria João, a de Zalala - e depois de Vista Alegre/Ponte do Dange, Songo e Carmona -, foi comandante do 2º. Grupo de Combate e regressou a Portugal no dia 9 de Setembro de 1975, no final da jornada angolana do Uíge, fixando-se na Avenida 5 de Outubro, em Lisboa - onde já residia.
Sabemos que mora(rá), actualmente, na Costa da Caparica, em Almada, e para e para ele lá vai o nosso abraço de parabéns!

quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

7 044 - A cimeira da independência de Angola no Alvor, há 48 anos! O SPM do BCAV. 8423!


Pavilhões escolares na antiga parada do BCAV. 8423,
no Quitexe - onde ficavam os balneários. A sapata de
de cimento era onde ficava a caserna do PELREC


Notícia do Diário de Lisboa


O jornal «A Província de Angola», o actual «Jornal de Angola», editava-se em Luanda, era matutino e, na prática, o único diário que chegava ao Quitexe - onde há 48 anos se aquartelavam a CCS e a 3ª. CAV. 8423,
dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423. Também se publicavam o «Comércio» e o «Diário de Luanda», pelo menos. E, que nos lembre, a revista «Notícia»
Há 48 anos, o «A Província de Angola» foi o primeiro jornal a que tivemos acesso, no Quitexe e já a 12 de Janeiro de 1975, sobre o que se passava na Cimeira do Alvor, entre as Delegações de Portugal e dos três movimentos de libertação de Angola - o MPLA, a FNLA e a UNITA.
A Emissora Nacional (a actual RDP) só lá era captada em onda média e nem sempre com regularidade e boas condições técnicas. As comunicações não são como mos dias de hoje.
Cavaleiros do Norte do Quitexe: 1º. cabo Almeida
(cozinheiro), Lajes (do bar) e furriel Flora. Na

 segunda linha, furriéis Costa, Reino e Carvalho.
Na terceira, Bento e José Carlos Fonseca, o
 responsável pelo SPM


A Cimeira recordada
pelo «Jornal de Angola»


Há 48 anos, o «A Província de Angola» foi o primeiro jornal a que tivemos acesso, no Quitexe e já a 12 de Janeiro de 1975, sobre o que se passava no Alvor, entre as Delegações de Portugal e dos três movimentos de libertação de Angola - MPLA, FNLA e UNITA.
O «Jornal de Angola», que lhe sucedeu, dos acontecimentos deu conta na passagem dos 40 anos (há 5) dessa histórica data e é isso que hoje, com a devida vénia e situando-os a 11 de Janeiro de 1975, disso damos conta:
«A 200 metros do Hotel Penina não se pode circular. Cães ferozes, comandos, pára-quedistas, polícias, guardas-republicanos, exercem vigilância estreita, que tem derrotado todas as tentativas de perfuração dos elementos da imprensa. O almirante Rosa Coutinho esteve esta tarde no Hotel D. João II, onde funciona a sala de imprensa. A personalidade mais em evidência nas negociações, do lado português, é o major Melo Antunes, cuja forte personalidade parece dominar, realmente, (...), isto sem quebra de prestígio para Mário Soares e Almeida Santos.
Os pontos cruciais neste momento das negociações são a constituição do Governo Provisório e a forma de funcionamento do Conselho de Ministros. O funcionamento do dia a dia dos serviços é da competência do respectivo ministro, mas a decisão política das decisões é do Gabinete, funcionando como órgão colegial. Assim se evitam os atritos entre os Movimentos de Libertação, responsabilizando-se colectivamente todos e cada um.
O outro ponto básico que demora mais tempo a resolver é, sem dúvida, o da constituição e comando das Forças Armadas da nova Angola. Savimbi já disse que concorda com um comando unificado, mas salvaguarda a segurança dos seus companheiros de luta. A opinião dos outros dirigentes é igualmente significativa: Exército Unificado no comando, mas salvaguarda dos seus militantes, da sua individualidade de guerrilheiros e membros dos movimentos».

Os presidentes Jonas Savimbi (da UNITA), 
Agostinho Neto (MPLA) e Holden Roberto (FNLA)
 num momento certamente muito optimista em
 relação ao processo de independência de Angola

As delegações oficiais
da Cimeira do Alvor !


A lista oficial das Delegações participantes da Cimeira de Penina foi divulgada na tarde de 12 de Janeiro de 1975.
Há 48 anos e as seguintes:
- PORTUGAL: Ministros Melo Antunes (de Estado), Almeida Santos (Coordenação Inter-Territorial) e Mário Soares (Negócios Estrangeiros), brigadeiro Silva Cardoso, tenente-coronel Passos Ramos, majores Pezarat Correia, Gonçalves da Costa e José Pimentel, Fernando Reino, Sá Machado, António Cordeiro, Corucho de Almeida e Rui Machete.
- Alto Comissário: Rosa Coutinho, conselheiros Brito de Figueiredo, Amílcar Martins, António Castilho, Salvação Barreto, Edmundo Gonçalves, Sindicato, Américo Silva, José Nunes Pedro, Cardoso e Cunha e Morais Sarmento.
- MPLA: Agostinho Neto, Diógenes Boavida, Afonso Van Dúnem (Mbinda), Lúcio Lara, Paulo Jorge, Lopo do Nascimento, Carlos Rocha, Joaquim Kapango, Saydi Mingas, Pascoal Costa, Albertino Almeida, Maria do Carmo Medina, Mateus Van Dúnem, Maria Mambo Café, Rui Carvalho, Rui Moreira, Miguel Whekeni, Armando Ginapo, Jacob Caetano (Monstro Imortal), César Augusto Kiluanji e Filipe Costa.
- UNITA: Jonas Savimbi, Jorge Sangumba, Rony C. Fernandes, José N´Dele, Marques Karumba, Jorge Valentim, Eliseu Chimbili, Fernando Wilson, Rubon Chitacumbili, Fernando Wilson, Rubom Chitacumbi, O. Goundiam, Jean-Paul Jouzinho, Waldemar Chindondo, Samuel Lumumba, Francisco Bole-Pole, M. Doringui, Fernando Jambiri, António Vakulukuta e Lucas Tukongelgni».
O jornal, citando um despacho da ANI, não fazia referência à Delegação da FNLA, por razões que desconhecemos.

Alberto Ferreira e 1º. cabo Rodolfo Tomás, o homem
 do SPM, fotografados no bar dos praças Quitexe

Cavaleiros do Norte
com todas as calmas


A Cimeira do Alvor decorria no algarvio Hotel Penina e os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, na Angola uíjana, continuavam nas suas expectantes calmas.
A namorada e futura mulher do soldado António Cabrita trabalhava lá, ma área da limpeza e manutenção.
Os furriéis milicianos Francisco Bento, José Augusto Monteiro e o José Carlos Fonseca vieram de férias a Portugal e delas não voltou este - que por lá era amanuense, prestando serviço na secretaria do Comando do Batalhão, chefiada pelo tenente Acácio Luz. Em particular, era responsável pelo Serviço Postal Militar (SPM), com o 1º. cabo Rodolfo Tomaz a viajar quase diariamente (menos à segunda-feira) para Carmona, para levar e trazer correio do Portugal Europeu.
Quantos sonhos transportaram aquelas malas, que se enchiam de aerogramas (os bate-estradas), com apaixonados recados de amor, ou íntimos conselhos de familiares, ou o «diz-que-diz-que» dos amigos. Assim era, naquele tempo de ha 48 anos!!!

terça-feira, 10 de janeiro de 2023

7 043 - O segundo dia da Cimeira do Alvor, os Cavaleiros do Norte no Uíge angolano!


A avenida do Quitexe, ou Rua de Baixo, em imagem de 24 de Setembro de 2019. A segunda casa, 
do lado direito, era a do Comando e secretaria da CCS do BCAV. 8423 e Casa dos Furriéis. A
seguir, a Messe de Oficiais e, mais ao fundo, o bar e messe de sargentos

Grupo de Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa
Isabel, em momento de ócio. O 1º. cabo Fernando M. Simões
(falecido a 17/08/1998, por enforcamento, em Penacova) é o
 segundo, de pé. Quem ajuda a identificar os restantes?
Almeida Santos, Rosa Coutinho e Costa
Gomes na Cimeira do Alvor de há 48 anos


Há 48 anos, dia 11  de Janeiro de 1975, um sábado  e segundo dia da Cimeira do Alvor, os expectantes Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 continuavam no Uíge angolano e um comunicado oficial dava conta de «progressos substanciais».
A nota divulgada pelos jornais e por estes chegada ao Quitexe (onde se aquarelava a CCS e a 3ª. CCAV.), a Aldeia Viçosa (2ª. CCAV.) e Vista Alegre/Ponte do Dange (1ª. CCAV.), dava conta que, na Cimeira, se tinha «atingido acordo em relação a vários pontos fundamentais, nomeadamente no que se refere ao estabelecimento das estruturas governamentais de Angola».
O então general Francisco Costa Gomes, o Presidente da República Portuguesa, confirmou, em declarações à imprensa, que «a independência ocorrerá este ano» e indicou mesmo uma data possível, ainda que sem quaisquer certeza: 11 de Novembro de 1975. Data que se viria a confirmar.
O ministro António Almeida Santos, da Coordenação Inter-Territorial, por sua vez e a meio da tarde, falara em «três ou quatro pontos quentes» da Cimeira, nomeadamente os problemas da Constituição Angolana, chefia do Governo Provisório e organização das Forças Armadas, com combatentes dos três movimentos de libertação - que, do ponto de vista português, teriam colaboração e comando... português. 
Furriéis Rodrigues (falecido a 30/08/2018)
 e Pinto, dois Cavaleiros do Norte de
Zalala, em pose artística

Portugal e movimentos
com posições diferentes!


Um dos pontos que vinha a diferenciar as posições portuguesa e do MPLA, da FNLA e da UNITA era precisamente as permanência das forças armadas portuguesas em território angolano. 
Defendiam os movimentos angolanos que deveriam sair 4 meses antes da independência, contra a posição portuguesa: a de permanecerem até ao dia da independência.
Outro ponto que afastava as posições era «o da formação do governo»: pretendiam os movimentos 5 pastas ministeriais para cada um e duas para Portugal. Queria a delegação portuguesa que os movimentos se ficassem por quatro, cada um. 
As guarnições portuguesas dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, ao tempo, embora muito expectantes quanto ao desenrolar da Cimeira, continuavam o se dia-a-dia: serviços de ordem escoltas e patrulhamentos nas estradas de alcatrão. E muita expectativa sobre o desenvolvimento da cimeira. 
«O que é que irá dar?...», era a interrogação corrente, entre os combatentes que jornadeavam pelos chãos uíjanos de Angola.

Morais, cortador da CCS,
faria 71 anos em Chaves!


O soldado Morais, cortador de carnes da CCS do BCAV. 8423, a do Quitexe, faria 71 anos a 12 de Janeiro de 2019. Faleceu, em data desconhecida, mas há mais de 25 anos!
Carlos Alberto Morais da Silva, é este o nome completo, nasceu em Sanfins da Castanheira, freguesia do município de Chaves, e lá regressou a 8 de Setembro de 1975, no final da sua comissão militar em Angola. 
O pouco que dele conseguimos saber, via Junta de Freguesia de Sanfins da Castanheira, é que trabalhou na construção civil, teve 3 filhos (todos eles emigrados em França) e que faleceu na sequência de uma reação alérgica a um medicamento injectável - depois de ter bebido cerveja muito fria.
Hoje o recordamos com saudade! RIP!!!

7 042 - A Cimeira do Alvor, há 48 anos, para definir a independência de Angola!

A Cimeira do Alvor, iniciada a 10 de Janeiro de 1975, há 48 anos. Da esquerda para a direita, os ministros
Almeida Santos e Mário Soares, os presidentes Jonas Savimbi (da UNITA) e Holden Roberto (FNLA),
Costa Gomes (Presidente da República de Portugal), Agostinho Neto (presidente do MPLA) e Rosa
 Coutinho (Alto Comissão de Portugal em Angola)
A primeira página do jornal «A Província de Angola»,
actual «Jornal de Angola», de 11 de Janeiro de 1975 e
sobre a Cimeira do Alvor


A Cimeira do Alvor decorreu no algarvio Hotel Penina e começou há precisamente 48 anos, rodeada de segurança e expectativas, por cá e por lá, pelas uíjanas terras de Angola, por onde jornadeavam os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423.
«A Cimeira de Penina, que iria definir os termos da negociação de independência de Angola, polarizou todas as atenções, já que previamente, na de Mombaça, parecia, pela primeira vez, ter-se conseguido uma comunhão de interesses de todos os movimentos». É assim que o livro «História da Unidade» se refere à Cimeira do Alvor.
Luanda, a metropolitana capital de Angola, recebia mensagens do MPLA e da UNITA, ambas distribuídas sobre a cidade por um avião da Força Aérea Portuguesa (FAP).

O jardim do Quitexe, com a Administração
 ao fundo. Imagem de 24 de Setembro de 2019

Mensagens de MPLA,
da FNLA e da UNITA !


O Movimento de Agostinho Neto referia que «após dezenas de anos de luta heróica, todo o povo angolano, vive com  fervor o momento em que se desenha cada vez mais nítido o destino que é nosso, com alegria, a caminho de Portugal, a delegação do MPLA saúda tido o povo e reafirma sua confiança inabalável da vitória certa". A mensagem era assinada por Agostinho Neto.
A da UNITA: «A delegação da UNITA, dirigida pelo seu presidente dr. Jonas Savimbi, saúda todos os compatriotas e pede o o apoio maciço à sua missão histórica para a formação do Governo de Transição e a independência total de Angola. Neste momento, recomendamos uma vigilância total para que os objectivos fundamentais da nossa luta sejam plenamente atingidos». A mensagem  terminava com o grito «Wacha Angola. Unidos venceremos».
A FNLA, na mesma data, recebia apoio da Tunísia, em cuja capital o Presidente Holden Roberto foi recebido pelo Presidente Bourguiba, na passagem a caminho de Faro. Analisaram «a situação de Angola e as próximas negociações com Portugal», a formação de quadros (...) para dirigir o país como convém».
O Quitexe desse tempo de há 45 anos, muito expectante longe destas emoções, continuava a sua jornada, com fartas futeboladas pelo meio. Ora entre pelotões, ora entre companhias, ora com a população civil. Há 48 anos!!! 

Fernando Grácio e o furriel
Viegas, em 2013 (Amor)
F.  Grácio
em 1974/75

Grácio, 1º cabo sapador.
69 anos em Amor de Leiria!

O 1º. cabo Grácio, sapador de CCS do BCAV. 8423, festeja 69 anos a 11 de Janeiro de 2023.
Fernando Martinho Grácio - é este o seu nome completo - era o «caçula» dos Cavaleiros do Norte do Quitexe, então com mimosos 20 anos, e acumulou funções de sapador, a sua especialidade militar, no pelotão do alferes Jaime Ribeiro, com as de quarteleiro do depósito de géneros - no edifício da messe e bar de sargentos. E de guarda-redes de futebol da CCS.
Regressou a Portugal no dia 8 de Setembro de 1975 e fixou-se na sua natal terra de Amor, em Leiria, onde ainda vive, entre os seus trabalhos de construção civil e agricultura. Parabéns!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

7 041 - Movimentos angolanos de libertação em Lisboa para a Cimeira do Alvor! A comissão do MFA da CCS!

Os furriéis milicianos António José Cruz, Cândido Pires, João
Mosteias (já falecido), Francisco Neto, Nelson Rocha e José Pires

Administração do Quitexe no dia 24 de Setembro de 2019


O comandante Almeida e Brito, no dia 9 de Janeiro de 1975 de há precisamente 48 anos, reuniu, no Quitexe, com a comissão do MFA/BCAV. 8423, com o fim de «obter da sua actividade o melhor rendimento».
Comissão que, na CCS, integrava os milicianos alferes
Selo dos CTT da 
Angola Colonial
António Garcia (Rangers) e furriéis Cruz (rádio-montador) e Viegas (Rangers). 
Um ano depois (há 47!...), já na Angola independente, admitia-se que Portugal reconhecesse o Governo de Luanda, liderado (até hoje) pelo MPLA. Portugal, recordemos, não tinha reconhecido a independência de Angola - devido ao contencioso militar entre os três movimentos, que os  levou, de resto, a cada qual declarar a independência: o MPLA em Luanda (a República Popular de Angola, a designação que continuou até hoje), a FNLA no Ambriz ( a República Popular e Democrática de Angola), acordada com a UNITA em Nova Lisboa (também República Popular e  Democrática de Angola).
Os furriéis milicianos Luís
Capitão (que hoje faria 70
amps) e João Cardoso

Furriel Luís Capitão nasceu
há 71 e 
faleceu há 13 anos!

O saudoso furriel miliciano Luís Ribeiro Capitão, da 3ª. CCAV. 8423, nasceu a 9 de Janeiro de 1952 - há 71 anos, que hoje faria. Faleceu há 13, de doença, a 5 de Janeiro de 2010.
Combatente dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, foi atirador de Cavalaria de especialidade militar, primeiramente na Fazenda de Santa Isabel e depois na vila do Quitexe, antes de rodar para a cidade de Carmona. 
Regressou a Portugal no dia 11 de Setembro de 1975, fixando-se em Mata do Norte, lugar de Caxarias, freguesia de Urqueira, no município (Vila Nova de) Ourém - a que pertence a cidade e Santuário de Fátima.
Profissionalmente, trabalhou como maquinista da CP e hoje o recordamos com imensa saudade, fazendo memória de um bom e grande companheiro que a norte nos «roubo» muito cedo. RIP!!!