CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

sábado, 7 de março de 2015

3 052 - Visitas protocolares dos Cavaleiros e 12 jornalistas detidos

Almeida e Brito, o segundo, da esquerda, ladeado pelo furriel Reino e, à
 direita, por Armando Mendes (3ª. CCAV.) e capitão José Paulo Falcão, na noite de 
consoada de 1974. Em baixo, uma capa da revista «Notícia», suspensa há 40 
anos, pela Comissão Nacional de Descolonização, com a detenção de 12 jornalistas



O comandante Almeida e Brito, com alguns oficiais do BCAV. 8423, fez visitas protocolares ao Governador do Distrito, ao Bispo da Diocese e ao Juízes do Tribunal do Uíge. Foi a 5 de Março de 1975 e o objectivo, muito natural, era criar empatias com as forças vivas da cidade capital do distrito.
As novas NEP´s foram promulgadas, face à já aqui citada «necessidade de execução de um serviço de PM nas ruas da cidade». Sobretudo, como também já aqui foi lembrado, para «prever a resolução das muitas quezílias existentes, entre a população civil e as NT, devido à animosidade que aquela tem a estas». mas também, sublinhe-se, para «garantir a melhor apresentação do pessoal militar».
A detenção de João Fernandes (aqui ontem falada), foi confirmada a 7 de Março de 1975 e o jornalista foi enviado para Lisboa, por ordem da Comissão Nacional de Descolonização. A revista «Notícia», que dirigia, foi suspensa por tempo indeterminada e com ele, para a Europa, veio também Sousa Oliveira, autor de vários artigos «contrários ao espírito do Acordo da Penina», o do Alvor, e «tendentes a provocar a discórdia no seio das Forças Armadas Portuguesas e entre estas e os movimentos de libertação e o povo angolano».
A mesma data foi a do conhecimento da detenção de mais 10 jornalistas. todos da revista «Vida Portuguesa», que se publicava na África do Sul e Rodésia, mas «impressa em Angola», e, por outro lado, «sustentada pro firmas portuguesas naqueles dois países»
A CND considerou-os «indesejáveis em Angola, devido à sua «responsabilidade e cooperação na  voz dos portugueses» naqueles dois países. Foram eles Carlos Moutinho (o director), Carlos Bártolo, Bela Jardim, Penteado dos Reis, Domingos de Azevedo, Hamilton Moreira, Reinaldo Silva, Júlio Martins, Jiil Young e Júlio Marques.
Iam assim, os dias da descolonização de Angola, com os Cavaleiros do Norte na capital do Uíge.

sexta-feira, 6 de março de 2015

3 051 - Adaptação a Carmona e desaparecimento de jornalista

 O BC12 fica(va) na saída de Carmona para o Songo. Em baixo, uma capa da revista «Notícia»




Os Cavaleiros do Norte lá se foram adaptando à realidade urbana que era a cidade de Carmona, aonde a CCS e um pelotão da 2ª. CCAV. 8423 chegaram a 2 de Março de 1975 - aquartelando-se no BC12 (foto), que ficava na saída para o Songo.
Os tempos eram calmos, apesar da visível animosidade de boa parte da comunidade civil europeia (os brancos), e os militares, aos poucos, iam conhecendo alguns locais de culto da cidade: os Cinemas Moreno e do Recreativo do Uíge, restaurantes e bares (o Escape, o Gomes, o Eugénio, o Chave de Ouro, o Xenú, o Pinguim e outros...) e clubes nocturnos (o Doiamante Nergro...), por onde foram vadiando as noites de lar e de cio que por lá se viviam.
O director do semanário «Notícia», que se publicava em Luanda, desapareceu a 6 de Março de 1975 e o Sindicato dos Jornalistas admitia que «tenha sido raptado ou preso em segredo». Falamos de João Fernandes.
O jornalista tinha sido visto pela última vez, na manhã da véspera. Dois homens tinham ido buscá-lo a casa, num carro. O mesmo informador do DL admitia que «tenha sido levado para Lisboa, por ordem das autoridades portuguesas, devido à publicação de editoriais contra o MFA» e também de «uma carta aberta do jornalista brasileiro Carlos Lacerda, dirigida ao presidente Costa Gomes, em que se critica a actual situação política portuguesa».
Ao mesmo tempo, em Lisboa, o Governo aprovou um decreto lei que dava competência ao Governo de Transição para, e cito, «ordenar a mobilização militar de quaiquer instituições, serviços e empresas de natureza pública ou privada, por períodos prorrogáveis de três meses» e subordinadas ao comando da Comissão Nacional de Defesa, por intermédo do Estado Maior do Comando Unificado.

quinta-feira, 5 de março de 2015

3 050 - Os Cavaleiros do Norte e o Miranda vencedor da Volta

O PELREC, alguns dos garbosos Cavaleiros do Norte atiradores de Cavalaria, com 
especialistas. De pé, 1º. cabo Almeida, Messejana, Neves, 1º. cabo Soares, Florêncio, 1º. cabo 
Ezequiel (?), Marcos, Dionísio, Caixarias e Florindo (enfermeiro). Em baixo, 
1º. cabo Vicente, furriel miliciano Viegas, Francisco, Leal, 1º. cabo Oliveira (transmissões), 
1º. cabo Hipólito, Aurélio (barbeiro), Madaleno e furriel miliciano Neto (foto 
em Angola, em 1974). Em baixo, Francisco Miranda


A chegada, a Santa Margarida, dos vários especialistas do Batalhão de Cavalaria 8423, nos primeiros dias de Março de 1974, foi enriquecendo e enobrecendo a família dos futuros Cavaleiros do Norte - que se sabia ir ter baptismo angolano e profissão de fé patriótica.
A esta altura, e de minha parte (e dos futuros furriéis milicianos Neto e do Monteiro e do futuro alferes Garcia), já sabíamos quem eram os companheiros do futuro PELREC, a quem, nas redondezas do Destacamento do RC4, era dada instrução puxada, à Lamego, à Ranger´s!!! E gostavam, estes nossos companheiros e amigos da jornada uíjana de Angola e de África!
Alguns deles logo sobressaíram, por razões de irreverência: o Soares (futuro 1º. cabo), o Aurélio (que viria a ser barbeiro), o Hipólito (um ruivo transmontano, de sardas, há muitos anos emigrado em França), talvez outros! Outro que se viria a notabilizar, mas por razões desportivas, foi Francisco Miranda, que já não seguiu connosco para Angola e viria a ser o vencedor da Volta da Portugal em Bicicleta de 1989 - depois de, no ao anterior, ter ganhou o Grande Prémio Jornal de Notícias, entre outras vitórias. Por exemplo, ganhou três etapas de Voltas a Portugal.
Mobilizados para Angola, de Angola nos interessava saber notícias. Pois bem, a 5 de Março de 1974, há 41 anos, sabia-se que o Estado Português tinha atribuído novas concessões de petróleo, com direito a ficar com metade da exploração. Uma destas, era na área de Santo António do Zaire - em águas profundas e em cerca de 20 000 km2. (a atribuir à ESSO). Outra, em terra e águas a menos de 600 metros, entre Benguela e Novo Redondo (ao Grupo Sun Oil/Amerada Hess/Cities Hess International).
Um ds clausulados era interessante: em caso de guerra ou de emergência grave, toda a produção ficaria à disposição do Governo, para tal se dispensando quaisquer formalidades. Outros tempos!!!

quarta-feira, 4 de março de 2015

3 049 - Os Cavaleiros especialistas e o Vieira Sacristão

Porta d´armas do Regimento de Cavalaria 4, em Santa Margarida. A entrada 
do Campo Militar, com o carro de combate do RC4 (em baixo). O Vieira (sacristão)




Aos 4 dias do mês de Março de 1974, há precisamente 41 anos, «começaram a efectuar a sua apresentação os especialistas que haviam de completar os efectivos do Batalhão». O Batalhão de Cavalaria 8423, bem entendido. As apresentações «continuaram a processar-se nos dias seguintes, ao mesmo tempo que se efectuou a mudança para o novo aquartelamento» - o Destacamento do RC4 - que ficava por trás do cinema e este frente ao RC4.
Por especialistas, entendam-se enfermeiros, mecânicos (incluindo os de armas), bate-chapas, administrativos e escriturários, condutores, sapadores, vagomestres, padeiros e cozinheiros, carpinteiros e quarteleiros, pessoal das transmissões, operadores cripto e clarins, estofadores e pintores (de automóveis e de construção civil), até um sacristão. Tudo o que não fossem... atiradores - de cavalaria, no caso. E estes, valha a verdade, reforçados com apontadores de morteiros e especialidades afins.  
O sacristão era alentejano da Vidigueira, o Victor Manuel da Cunha Vieira (foto ao lado), militarmente denominado como Auxiliar de Serviços Religiosos - mas, naturalmente baptizado de Sacristão - e assim popularizado. É vidigueirense e lá geriu um bar, estando agora reformado. 
O capitão Oliveira, em louvor publicado na Ordem de Serviço nº. 168, assegura que desempenhou a função de quarteleiro com «a maior boa vontade, dedicação e honestidade». Chama-lhe «voluntarioso» e dele escreveu que «soube simultâneamente ser um bom camarada, apresentando ao seu comandante de Companhia tudo o que lhe pareceu merecer correcção (...) destacando-se o auxílio prestado ao comando que serviu na sua comissão militar».


terça-feira, 3 de março de 2015

3 048 - Os dias 3 de Março de 1974 e de 1975 na vida do BCAV. 8423

Furriéis José Monteiro e Domingos Peixoto na messe de sargentos de 
Carmona, no Bairro Montanha Pinto. Em baixo, o bar da mesma messe


A 3 de Março de 1975, os Cavaleiros do Norte da CCS já tinham uma noite dormida em Carmona e davam-se por muito satisfeitos com a qualidade das instalações. O ambiente urbano era novo para a  maioria de nós, mas nada que nos atrapalhasse ou constrangisse. Rapidamente nos adaptámos.
A generalidade dos homens da guarnição era originário da província e, ao tempo, por muito que isso hoje isso espante, ver um prédio de três ou quatro andares era... invulgar. Carmona  tinha isso e muito mais. Por exemplo, vida nocturna!!! Poucos Cavaleiros do Norte não se lembrarão do Diamante Negro, dos bons restaurantes e bares e dos cinemas da capital do Uíge. E de um célebre espaço de «mudanças de óleo», numa rua com nome (se bem me lembro) de oficial do exército!
Lá nos adaptámos, há 40 anos!
Um ano antes, um domingo (3 de Março de 1974), era dia de fim de pequenas férias dos militares do BCAV. 8423 que tinham feito a Escola de Recrutas no Destacamento do RC4, no Campo Militar de Santa Margarida.  Os futuros atiradores de cavalaria.
A instrução final, recordemos, tinha decorrido na Mata do Soares, entre os dias 18 e 22 de Fevereiro. E começara a recruta a 8 de Janeiro, depois das formais apresentações da véspera.
Mobilizados para Angola, era expectável da nossa curiosidade o que por lá se passava. O Diário de Lisboa desse dia 3 de Março de 1974 dava conta que o ano (de 1974) era «o pior do século para a actividade agrária do planalto central», na região de Nova Lisboa.
As colheitas eram dadas como «praticamente perdidas, gerando perspectivas de fome». O problema , de resto, segundo o jornal "A Província de Angola», assumia «aspectos mais delicados, pois o planalto central é o principal centro de dispersão de águas de Angola». E os rios, cito, «iam com num caudal mínimo e as nascentes desaparecem».
Novidade, das boas: a Junta Autónoma de Estradas de Angola (JAEA) ia investir 740 000 contos em obras da rede estradal. O orçamento, refere o Diário de Lisboa desse dia 3 de Março de 1974, «é o maior de sempre». 
Era para essa Angola que nos preparávamos em Santa Margarida!

segunda-feira, 2 de março de 2015

3 047 - O dia do adeus ao Quitexe, para o BC12

Cavaleiros do Norte da CCS em Penafiel, em 1997. O comandante Almeida e 
Brito no mesmo dia 27 de Setembro de 1997, com os furriéis Viegas (à esquerda, de perfil) 
e Monteiro (à direita). Atrás, entre Viegas e Almeida e Brito, o capitão médico Manuel Leal



Aos dois dias de Março de 1975, a CCS dos Cavaleiros do Norte deixou o Quitexe e partiu para Carmona, para o BC12, «Conforme fôra previsto, face à retracção do dispositivo militar da RMA, rodou o BCAV. para a cidade de Carmona, situação esta que caracterizou a sua vida no corrente mês», historia o Livro da Unidade.
O dia era dos 23 anos do Florêncio, soldado atirador do PELREC - que, por essa razão, passaram despercebidos e, só dias depois, numa luarenta noite de serviço no BC12, foram recordados e regados a vinho tinto (uma raridade, por aquelas bandas...), com pão quente da padaria (onde bem espadeirou o 1º. cabo Almeida) e manteiga a derreter-se. Um luxo!!!
O comandante Almeida e Brito (que vemos numa imagem de 1997, em Penafiel) alertou-nos para a delicadeza da nossa nova vida, agora aquartelados numa cidade. A situação, de resto, levou a que fossem promulgadas novas NEP´s e a um serviço de PM - que alguns amargos de boca nos traria, devido, e cito o Livro da Unidade, à «animosidade que a população civil tem às NT».
Havia, leio no LU, «muitas quezílias» entre as duas comunidades. Pessoalmente, ainda hoje, 40 anos depois, não entendo semelhante animosidade. 
O BC12 tinha condições de alojamento excelentes, nada comparáveis às do Quitexe (para bem melhor). As classes de oficiais e de sargentos foram instaladas em messes próprias, na cidade. A de sargentos numa antiga messe de oficiais, no bairro Montanha Pinto.

domingo, 1 de março de 2015

3 046 - A véspera da saída da CCS da vila-mártir do Quitexe

Almeida, o primeiro, à esquerda, de pé. O 1º. cabo atirador do PELREC faleceu há 6 anos, 
vítima de doença. Há 40 anos, fazíamos véspera do adeus ao Quitexe, ao outro dia dos 23 anos 
do Neto - em baixo, à esquerda, com o Viegas, com a aldeia do Canzenza ao fundo

O dia 1 de Março de 1975 foi sábado e véspera da saído do Quitexe, dos Cavaleiros do Norte da CCS - comandada pelo capitão António Martins Oliveira. Por lá ficou a 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel.
Os «ccs´s» tinha chegado 9 meses antes, à vila-mártir de 1961 - a 6 de Junho de 1974, depois de uns dias de «folga» na capital Luanda, instalados no Campo Militar do Grafanil. Foi já em Luanda que «o BCAV. teve conhecimento do szeu local de destino, o Quitexe», que o Livro da Unidade cita como «terra promissora de Angola, capital do café». 
Os Cavaleiros do Norte substituíram o BCAÇ. 4211, mas apenas a 14 de Junho assumiram «a responsabilidade da ZA», data em que, na verdade, «começou a sua verdadeira vida operacional na RMA». O sábado de há 40 anos foi tempo de um «procissão» pelas capelas gastronómicas da vila - eu e o Neto (foto) e outros companheiros da jornada quitexana, a despedirem-se do Pacheco, do Topete, do Rocha, que tinham sido nossos «santuários» de bons comes e melhores bebes. Por mim, ainda passei, já noite adentro, pela Igreja da Senhora Mãe de Deus - que ficava mesmo ao lado da zona militar aquartelada e da missão sacerdotada pelo padre Albino Capela.
Não sabíamos, ao tempo, mas um dos nossos companheiros do PELREC viria a falecer a 28 de Fevereiro de 2009, 29 anos depois, vítima de doença cancerosa, na sua terra de Penamacor - o 1º. cabo Almeida!
 

sábado, 28 de fevereiro de 2015

3 045 - Anos do Neto e «mimos» do MPLA e UNITA


Vista aérea do Quitexe, via Google Earth. As setas a vermelho indicam a Estrada do Café, de Luanda a Carmona (neste  sentido). A igreja e missão estão sublinhadas a vermelho, do lado direito. O quartel do BCAV. 8423 era na área destacada a azul. Os edifícios dentro do rectângulo branco eram a secretaria da CCS, a Casa dos Furriéis e Messe de Oficiais (cobertura branca). A amarelo, a messe de sargentos e padaria. A verde, a enfermaria. Em baixo, Viegas e Neto no jardim do Quitexe, em 1974




A 28 de Fevereiro de 1975, uma sexta-feira, o (furriel miliciano) Neto fez 23 anos e o dia foi assinalado, ao final da tarde, com camarão e umas boas cervejolas, bife com batatas e fritas e ovo a cavalo - especialidade de Maria Lázara, a cozinheira do bar e restaurante Pacheco - por isso mesmo, uma cabo-verdiana popularmente conhecida por Maria do Pacheco!
O Pacheco ficava mesmo em frente à casa dos furriéis e secretaria da CCS, era só atravessar a avenida (ou Rua de Baixo) e já lá estávamos. Terá começado o comensal com uma bazucas a regar os camarões e fomos por aí adiante, a aconchegar os estômagos e as almas. Umas cucas, ou umas ekas, umas nocais, ou mesmo umas n´golas - as boas cervejas angolanas!!!... - não devem ter faltado ma mesa.
Maria Lázara era mulher de fartas carnes e mãos de ouro para uns cozinhados de luxo, bem condimentados, a matar-nos fomes e prazeres de boca. Fazia vida marital com Pacheco, mas o que nos importava, dela, eram os fabulosos pitéus com que nos regalavam as mesas do bar-restaurante. Assim se festejaram, os 23 anos do Francisco Neto - que, precisamente um ano depois, levou ao altar da capela do Beco (na Macinhata de Águeda) a sua namorada Ni, sua companheira de sempre.

Ao tempo, o Brasil, na véspera, estabelecera relações diplomáticas com o Governo de Transição e, em Luanda, o MPLA acusava a UNITA de manobras de fomento da greve dos trabalhadores de Porto do Lobito. O movimento de Agostinho Neto chegou a colocar tropas na área envolvente do porto, procurando convencer os trabalhadores - bailundos, na sua maioria, e sobre os quais tinha pouca influência), mas a UNITA, a pedido deles, fez deslocar um seu contingente militar para o cais. O MPLA, por isso, fez retirar os seus homens.
Jorge Valentim, chefe da delegação da UNITA no Lobito, desmentiu o MPLA, negando «estar a sabotar o Governo de Transição». Queixou.se que o MPLA «está a atacar, violenta e injustamente» o seu «movimento. Foi isto há precisamente 40 anos!!!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

3 044 - Rotação dos Cavaleiros e alferes Meneses Alves

Aldeia Viçosa, em Dezembro de 20123 (fotos de Carlos Ferreira). Parte do 
que resta do antigo quartel da 2ª. CCAV. 8423. Em baixo, o alferes Meneses Alves




A 27 de Fevereiro de 1975, sabia-se que os Cavaleiros do Norte da CCS iriam para Carmona, assim como um grupo de combate da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, comandada pelo capitão miliciano José Manuel Cruz. Só a 11, iria o resto da companhia.
A 3ª. CCAV., a de Santa Isabel (do capitão José Paulo Fernandes), continuaria no Quitexe e, por Vista Alegre e Ponte do Dange, aquartelada continuaria a 3ª. CCAV. a de Zalala (do capitão Davide Castro Dias) - a aguardar rotação para o Songo.
A Aldeia Viçosa, vindo de Cabinda, chegou neste mês de Fevereito de há 40 anos o alferes miliciano Manuel Meneses Alves - que, já em Carmona, se viria a notabilizar por corajosa intervenção em incidentes que opuseram homens armados da FNLA e do MPLA, no decorrer de uma manifestação não autorizada, a 13 de Abril de 1975. Foi louvado, porque «actuou de forma rápida, decidida e enérgica, não deixando dúvida quanto à deterrminação do pequeno núcleo de tropas que comandava». Deteve dois dos elementos em confronto e, como se lê no louvor publicado na ordem de serviço nº. 90, «de imediato ter feito abortar a referida manifestação».
Faleceu a 15 de Maio de 2013, no Hospital de Leiria, vítima de doença. Tempos antes, e sabendo do mal de que sofria, organizou um jantar de despedida dos amigos. O que repetiu tempos depois, quando as condições de saúde se complicaram. RIP!!!

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

3 043 - A decisão de o BCAV. 8423 ir para Carmona


Avenida do Quitexe, com a secretaria da CCS (seta preta), casa dos furriéis (a verde) 
e messe de oficiais (cor de laranja). O jardim da vila (em baixo), na Estrada do Café



A 26 de Fevereiro de 1975, finalmente, a reunião da ZMN definiu que os Cavaleiros do Norte iam para Carmona e para o (em extinção) BC12. Agora, então, sublinha o Livro da Unidade, «com a pressa  de uma rápida e imediata mudança» - o que se viria a concretizar a 2 de Março seguinte.
A mudança, ainda segundo o Livro da Unidade, foi do «agrado geral para a maioria dos militares», mas, contudo, frisava, «traz ao BCAV. a responsabilidade de uma zona de intensa politização dos movimentos emancipalistas, o que, forçosamente, virá a trazer-nos responsabilidades, honrosas por um lado, mas extremamente difíceis e complexas, por outro».
Mal nós imaginávamos, ao tempo, o que nos esperava - nomeadamente nos trágicos primeiros seis dias de Junho desse mesmo ano.
Carmona, já nós conhecíamos muito bem - das muitas vezes que para lá tínhamos viajado, a troco das mais vulgares razões e atraídos pelo desejo dos prazeres da vida, do desejo e da idade. Carmona era, para a maioria generalizada de todos nós, a primeira cidade que melhor conhecíamos. Quase todos, éramos gente da província do Portugal de 1973 e 1974.
A notícia da rodagem para a capital do Uíge, já mais ou menos esperada, foi recebida com tranquilidade - embora também com expectativa -, e os poucos dias que nos separavam da partida (2 de Março) foram vividos a preparar a saída, embrulhando malas e fazendo despedidas.
Pelo Quitexe, ia ficar a 3ª. CCAV. 8423, a de Aanta Isabel, comandada pelo capitão miliciano José Paulo Fernandes. Lá chegara, a 10 de Dezembro de 1974, deixando de vez a mítica fazenda uíjana, militarmente ocupada desde 1961.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

3 042 - Mortos em Salazar e dias de espera no Quitexe


Capitão Oliveira, alferes António Cruz, Jaime Ribeiro e António Garcia, furriel 
Viegas e alferes Barros Simões, num dos dias do Quitexe (1974/75). Foto na 
aldeia da Canzenza, à saída da vila, vendo-se, em destaque, a capela de Santa Maria de 
Deus. Em baixo, Viegas em Nova Lisboa, com a madrinha Isolina e as netas 
Fátima e Idalina, em Abril de 1975



As notícias, há 40 anos, não circulavam com a rapidez de hoje e foi dias depois que, no Quitexe, onde continuávamos a procurar saber do nosso destino próximo, soubemos, a 25 de Fevereiro de 1975, de incidentes em Salazar (ou Dalatando), com mortos e feridos. Forças do MPLA cercaram a Delegação da FNLA, aos gritos «abaixo a FNLA imperialista», a disparar, morrendo dois civis (um negro e um branco) e ficando feridos outros dois.
Salazar não era tão longe do Quitexe quanto isso - e as distâncias, em África, tem um dimensão muito inferior às de aqui - e aos nossos sentidos e emoções chegava cada vez  mais evidente a verdade axiomática do comandante Almeida e Brito: «Há incidentes em todas as capitais, um dia vão chegar aqui».
Almeida e Brito que, nesse 25 de Fevereiro de 1975, voltou a reunir na ZMN para «ultimar os aspectos da rendição do BC12», depois dos dias 19 e 20, a que se seguiram 26, 27 e 28, nalgumas delas «acompanhado do oficial adjunto» - que era, recordemos, o capitão José Paulo Falcão.
A Facção Chipenda e o MPLA, em Nova Lisboa, puseram-se aos tiros e morreu uma pessoa. Ao tempo, contactando telefonicamente familiares lá residentes, fui informado que por lá nada se passava. De nada sabiam! Mais tarde, já em Abril, a capital do Huambo (quando por lá estive, em férias), continuava a ser um paraíso. A guerra era lá para o norte e leste e Luanda e Cabinda. Era a sua (errada) convicção!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

3 041 - Expectativa no Quitexe e Facção Chipenda na FNLA


 Quitexe, em foto de 2013 (net). Tirada da Estrada do café (ou Rua de Cima), mostra, ao 
fundo, o edifício que foi a secretaria da CCS do BCAV. 8423. Em baixo, notícia do Diário 
de Lisboa, sobre a integração da Facção Chipenda na FNLA


 A expectativa dos Cavaleiros do Norte aumentou, nos últimos dias de Fevereiro de 1975, quanto ao seu futuro próximo. Para Carmona (e o BC12) ou para Luanda? A primeira hipótese era a cada vez mais provável e, pelo Quitexe - onde, desde 10 de Dezembro de 1974, tambám se aquartelava a 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel - seguia a rotina de serviços e a apresentação de vários elementos dos movimentos, nomeadamente da FNLA.  
Foi na FNLA que, a 22 de Fevereiro de 1975, se integrou a Facção Chipenda, também identificada por Revolta do Leste. «A partir de hoje, colocamos as nossas tropas sob o alto comando do Estado Maior General da FNLA, com a condição de os nossos oficiais continuarem a comandar as nossas unidades», disse Daniel Chipenda, numa conferência de imprensa em Kinshasa, capital do Zaire.
A Facção era dissidente do MPLA e, em Luanda, estimava-se tivesse pelo menos 3000 homens armados, comandados por Chipenda, que tinha sido «oficialmente expulso» do movimento presidido por Agostinho Neto. Chipenda, e cito o Diário de Lisboa, «passa a ser representante no Governo de Transição pelo movimento de Holden Roberto» - a FNLA.
O MPLA reagiu em comunicado do seu Estado Maior General, anunciando que «renderam-se na Frente Leste, no passado dia 16, os comandantes Luhele, Katchukuchuku, Ácido e Muhongo Nabanka, que, até esta data estavam integrados nas forças imperialistas de Daniel Chipenda».
O comunicado acrescentava que «renderam-se na área do Cazombo e estão em processo de reintegração nas FAPLA», seguindo-se (a rendição) às dos comandantes Mafuta, Cow-Boy, Pela Virianga e Bala Direita, que «com as suas tropas, se tinham rendido em Janeiro» desse mesmo ano de 1975.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

3 040 - Escola de Recrutas dos futuros Cavaleiros do Norte

Monteiro, Neto e Viegas na messe de sargentos do RC4, em Santa Margarida, há 
41 anos. Em baixo, cópia da ordem de mobilização para a Região Militar de Angola



Aos 23 dias de Fevereiro de 1974, já lá vão 41 anos (fizeram-se ontem), terminou a Escola de Recrutas dos futuros Cavaleiros do Norte, que se formavam em família do Batalhão de Cavalaria 8423. Ministrada a partir do Destacamento do RC4, em Santa Margarida, «espalhou-se» pela Mata do Soares e culminou o período mais especial da formação dos atiradores de cavalaria.
Já todos sabíamos da mobilização para Angola. Os quadros (futuros furriéis e futuros alferes milicianos) desde Dezembro de 1973 (em datas diferentes) e souberam os praças, a partir da sua apresentação no RC4, a 7 de Janeiro de 1974.
«Pode dizer-se que o Batalhão de Cavalaria 8423 começou a existir cerca de Outubro/Novembro de 1973, com a mobilização da maioria dos seus quadros e tendo como unidade mobilizadora o RC4, sendo mobilizado com destino a Angola», refere o Livro da Unidade.
Os quadros, todavia, só mas tarde souberam da mobilização. Colocados no CIOE, em Lamego, os futuros furriéis milicianos Monteiro, Viegas e Neto (na imagem) dela souberam a 7 de Dezembro, pela Ordem de Serviço nº. 286, dessa data e unidade lamecense. Está reproduzida na imagem.
A nota mobilizadora, da RSP/DSP/ME, era obviamente anterior e tinha o nº. 47000-Pº. 33.007, reproduzida na tal Ordem de Serviço nº. 286, de 7 de Dezembro de 1973, do CIOE. Foi quando dela tivemos conhecimento oficial.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

3 039 - O alferes Hermida, Cavaleiro na Figueira da Foz!

Alferes Hermida (à direita), com a esposa (dra. Graciete) e (o furriel) Viegas, a 21 de 
Fevereiro de 2015, 40 anos depois de ter saído do Quitexe. Em baixo, o casal Hermida 
na noite de Natal de 1974, consoando no refeitório do Quitexe


Aos 21 dias de Fevereiro de 2015, reencontraram-se dois Cavaleiros do Norte, depois do adeus do Quitexe: o alferes Hermida e o furriel Viegas. Aí estão eles, na imagem, com a «mais-que-tudo» do nosso antigo oficial de transmissões. Há 40 anos que se não viam e selaram o reencontro com fartos abraços e muita conversa das memórias quitexanas! 
O alferes Hermida foi um dos jovens oficiais milicianos que, na nossa jornada africana do Uíge angolano, se acompanharam das suas jovens esposas. No caso, a professora Graciete, que deu aulas na escola primária da vila.
Ao Fevereiro de 1975, o alferes Hermida deixou o Quitexe, passou pelo Songo, foi parar a Luanda e seguiu para Nova Lisboa, capital do Huambo, onde conheceu (e sentiu) os perigos da metralha que lá tragicamente opôs irmãos angolanos. De lá, de onde Graciete Hermida saiu num avião, à pressa, com família de outros oficiais, viajou o jovem alferes miliciano para sítio bem pior: o Luso!
Os dias do leste angolano não foram nada fáceis para a guarnição portuguesa, lá «entalada» entre fogos de irmãos que se fizeram inimigos,  na luta pelo poder do país que nascia.

«Foram tempos muito maus, mas inesquecíveis, com coisas e coragens que só a idade permite», disse ontem, na sua casa da Figueira da Foz, embrulhando a saudade desses tempos com o gosto e a alegria do prazeroso momento do reencontro. 
Ver AQUI
- HERMIDA. José Leonel Pinto de Aragão Hermida, alferes 
miliciano de transmissões e acção psicológica. Originário de Castro 
Daire, nasceu em Coimbra e, já aposentado, vive na Figueira da Foz. 
Com formação em engenharia electrónica, foi professor de matemática e física.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

3 038 - O cavaleiro Cardoso, furriel de Santa Isabel!!!

Viegas e Cardoso, dois Cavaleiros do Norte em Buarcos, na Figueira da Foz, 
40 anos depois da «despedida» do Quitexe (em cima). O Cardoso, na 
noite de passagem de ano de 1974 para 1975 (em baixo)



O dia de hoje foi de «altas cavalarias», com um salto à Figueira da Foz, onde, no fim da auto-estrada, ido eu de Coimbra, e para começar, me esperava o João Augusto Martins Cardoso. O Cardoso de Santa Isabel, da 3ª. CCAV. 8423, furriel miliciano de transmissões. E lá estava ele!!! Sem falhar!!!
A hora do almoço já ia bem atrasada (por causa de um compromisso que me atrasou no ISCAA de Coimbra), mas valeu pelas horas de muitas saudades que se mataram a refeiçoar e a evocar tempos da nossa jornada africana do norte de Angola, no Uíge! Foram horas de emoção!!! E de alegria!!! E de prazer!!!
Quis o João Cardoso presentear-nos, depois, com uma visita à sua casa de praia, em Buarcos, onde nos esperava Marília - sua conterrânea de Arganil, com quem argamassou paixão, ainda em Luanda, que os levou a um casamento que vai em 37 anos. Que deu frutos: as manas Maria João e Inês. Ambas licenciadas e que lhes deram os netos que são, nos dias de hoje, o encanto dos seus olhos e do seu amor de avôs.
Está bem de vida, o Cardoso! Aposentado do Estado, divide-se entre a sua residência habitual, em Coimbra (próximo do estádio), os prazeres da praia de Buarcos (por onde hoje «vadiámos») e a sua Arganil natal - onde mantém a casa de família.
A nossa jornada africana de Angola foi tema, óbvio, do alargado almoço e não escapou a memória dos nossos últimos dias de Fevereiro de 1975, há 40 anos!!!, quando, no Quitexe, dividimos espaço e conversas sobre o nosso futuro. E o de Angola!!!

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

3 037 - Rotação para Carmona e Escola em Santa Margarida

Santa Margarida, onde, no RC4, os Cavaleiros do Norte tiveram a sua instrução 
militar (em cima), Comandante Almeida e Brito e capitão José Paulo Falcão, em Águeda (1995)


O comandante Almeida e Brito, acompanhado do capitão José Paulo Falcão (oficial adjunto), voltou a Carmona a 20 de Fevereiro de 1975, no âmbito das «reuniões de trabalho na ZMN». Lá estivera na véspera e lá voltou a 25, a 26, a 27 e a 28 do mesmo mês.
O murmúrio sobre a nossa rotação para a capital do Uíge era cada vez maior, mas só a 26 se tornou oficial. O comandante, em Carmona, analisava, com as chefias da ZMN, a provável rodagem para o BC12, que estava em processo de extinção e viria a ser, meio ano depois (Agosto), a última guarnição portuguesa  no norte angolano.
Um ano antes, na Mata do Soares, arredores do Campo Militar de Santa Margarida, os futuros Cavaleiros do Norte faziam os exercícios finais da Escola de Recrutas, com os futuros atiradores de cavalaria. Tinha começado a 18 (uma segunda-feira) e terminariam a 22 de Fevereiro (sexta). 
«Completou deste modo, o Batalhão de Cavalaria, a primeira parte da sua instrução, a chamada instrução especial», relata o Livro da Unidade. 
Os especialistas só começaram a chegar a 4 de Março, completando os efectivos do Batalhão». Por especialistas, entendam-se escriturários, enfermeiros, sapadores, mecânicos (de viaturas e de armas), rádio-telegrafistas, condutores, cozinheiros e outros.
Formava-se a família dos futuros Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

3 036 - Cavaleiros do Norte sem saber para onde rodar



 Lúcio Lara e Daniel Chipenda, quando ambos estavam no MPLA (1962). 
Notícias de Luanda, do dia 18 de Fevereiro de 1975 (no Diário de Lisboa)



A 19 de Fevereiro de 1975, o comandante Almeida e Brito reuniu em Carmona, na ZMN, para «ultimar os aspectos de rendição do BC12». Já se admitia, ao tempo, que os Cavaleiros do Norte iram rodar para Carmona e para o extinto BC12 - que viria a ser a nossa última casa no território uíjano. A outra hipótese era seguir para a capital, onde o BCAV. 8534 era «pretendido pela RMA», para, segundo o Livro da Unidade, «vir a ter responsabilidades de actuação em Luanda».
O diabo que escolhesse.
Luanda onde a FNLA tinha aberto a sede  da Estrada de Catete e exigia, pela voz de Ngola Kabangu (que era ministro do Interior do Governo de Transição), «a dissolução das comissões de bairro do MPLA». O ministro falava numa conferência de imprensa, rodeado de Samuel Abrigada  (ministro da Saúde) Hendrik Vaal Neto (Secretário de Estado da Informação) - todos eles membros do Comité Central do movimento de Holden Roberto.
Ao mesmo tempo, em Luanda, Lúcio Lara, chefe da Delegação do MPLA, acusava Daniel Chipenda de se «vender aos interesses estrangeiros e lançar a instabilidade no nosso país».  Os combatentes da Facção Chipenda, segundo Lara, eram «veteranos da guerra contra o colonialismo português» e exortou-os a «lutar patrioticamente por uma Angola melhor, mas sem armas, ou pelo menos sem armas que ameacem o nosso povo».
Os partidários de Daniel Chipenda, recordemos, tinham sido expulsos de Luanda, a 14 de Fevereiro, depois dos incidentes com o MPLA, nos quais se registaram 20 mortos (pelo menos) e muitos feridos.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

3 035 - Cavaleiros exepectantes e dissidências no MPLA

Quitexe, entrada do lado de Luanda, em 2006. A casa com rodapé acastanhado 
é o Restaurante Rocha. Em baixo, notícia do Diário de Lisboa, há 40 anos!



Há 40 anos, continuavam os Cavaleiros do Norte na expectativa de saberem o seu destino próximo: se para Luanda, se para Carmona - cidade capital do Uíge, onde ia ser extinto o BC12. A hora de voltar a casa, às nossas casas, chãos e cheiros é que não havia mais de chegar. 
O problema da Facção Chipenda, lá por Luanda, continuava por resolver, mas a UNITA, pela voz do secretário geral Miguel Nzau Puma, não punha objecções a que aderisse ao seu movimento, ou mesmo à FNLA de Holden Roberto.
Holden Roberto que, em Abidjan, capital da Costa do Marfim, afirmara na véspera que «tem sido bom o clima político que se respira em Angola». «Esperamos - acrescentou o presidente da FNLA  - que o espírito que prevaleceu durante as conversações com os portugueses subsista, para que possamos chegar à independência sem demasiados conflitos e dificuldades».
Sobre as dissidências no MPLA, o líder da FNLA comentou que «deixaram de ser um problema de ordem interna para se transformarem num problema nacional».
«Nestas condições - disse Holden Roberto - tal problema deve ser resolvido de forma fraterna, portanto através do diálogo».
Sabemos hoje que as coisas não seriam, não foram bem assim! O tempo, ao tempo, era de esperança e confiança!

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

3 034 - Cavaleiros do Quitexe reúnem a 30 de Maio

Viegas, Afonso, Ni Neto, Edite Sousa e Hermínia Viegas, com Mortágua ao fundo (em, 
cima). Afonso, Neto e Viegas fizeram as provas da ementa de 30 de Maio de 2015



Os Cavaleiros do Norte do Quitexe (os da CCS) vão encontrar-se a 30 de Maio de 2015, dia em que se farão 41 anos do desembarque em Luanda. Em Mortágua e com o sapador Afonso Henriques como mordomo. Hoje mesmo, idos de Águeda, o Neto e o Viegas foram fazer as provas da ementa. Aprovadíssima!!!
Dia de entrudo não foi impedimento algum para, a meio da manhã, com tudo bem combinadinho, o Neto e o Viegas - mai-las suas amazonas!!!... - se porem a galgar a verdejante serra caramulana, até Mortágua, com encontro marcado para a praça da Câmara Municipal.
De Águeda até lá, foram uns 30 quilómetros, serra acima, em viagem com conversa de saudade dos tempos do Quitexe, de Carmona e de Luanda, da jornada africana de Angola. Lá estavam o Cavaleiro Afonso Henriques de Sousa, com a sua amada Edite, «atraindo-nos» para o restaurante, onde provámos uma soberba chanfana - bem assada, bem temperada e bem regada. Por nós, Neto e Viegas, está aprovada e com distinção! Assim como a doçaria das sobremesas!!!
Chegar a Mortágua é facílimo, com boas estradas, seguras e rápidas.
Quem quiser ir adiantando marcação, pode fazê-lo para os dois números telefónicos do Afonso Henriques: 231921796 (fixo) e 935170314.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

3 033 - A Companhia que era para acompanhar os Cavaleiros do Norte

O alferes Mourato, em Luanda (foto de cima) e 
como cadete do CIOE, os Rangers, em Lamego (1974) 


O (ex)alferes António Mourato, alentejano de Évora, foi combatente da 1ª. Companhia do BCAÇ. 5010/74 e dá-se o caso de, em 1973, ter sido instruendo do curso do CIOE (Rangers) de que fui instrutor, com o Neto (e outros). 

Nada disso seria relevante para este blogue, que narra a jornada angolana dos Cavaleiros do Norte, não fosse o caso de ele nos contar que o seu batalhão dele esteve para, em 1975, ser um dos que apoiaria a saída dos Cavaleiros do Norte, na epopeica evacuação para Luanda.
António Mourato 
conta-nos a sua história:
«Fui de Mafra para Lamego em Outubro de 1973. Não sei se lá nos juntámos - na altura estavam os capitães Gomes Pereira e Valente (já falecido) e recordo-me bem do maluco do alferes Baltasar. Chumbei o primeiro curso pois, ao subir uma árvore, espetei um pinheiro num braço e fui parar à enfermaria, onde estive até final do ano. 

Em Janeiro de 1974, voltei novamente e acabei o curso em Março. Estive em Elvas, a dar uma recruta, e depois fui para Chaves, dar uma especialidade. Lá foi constituído batalhão e segui a comandar a 1ª. Companhia, para Viana do Castelo. Depois, embarquei para Angola e fui para a zona de Maquela do Zombo.
Em Fevereiro, o batalhão abandonou a zona de Béu, Maquela e Damba e foi para Luanda, para a intervenção. Inicialmente, com combatentes dos 3 movimentos.
Quando se soube em Luanda que a FNLA não queria deixar partir os civis na vossa coluna, e só arranjavam problemas, tivemos conhecimento que o Comando Militar em Luanda ia fazer deslocar o nosso Batalhão para vos acompanhar.
Sucede que na mesma altura dão-se o problemas em Timor e apareceu no nosso aquartelamento uma Companhia de Comandos (que teria tido inicialmente a missão de ir para Timor). Acabou por ser essa Companhia a ir a Carmona ter convosco. Mais pormenores não sei».

domingo, 15 de fevereiro de 2015

3 032 - Escola de Recrutas no RC4, os futuros Cavaleiros do Norte

Soldado de transmissões, aspirantes Lains dos Santos e 1º.s cabos milicianos Queirós 
e Rodrigues. em Santa Margarida, há 40 anos. Ao tempo da Escola de Recrutas dos Cavaleiros 
do Norte. Daniel Chipenda e Agostinho Neto (MPLA), com o jornalista argelino Boubakar Adjali Kapiaça (em baixo)



A 15 de Fevereiro de 1975, Agostinho Neto voou de Luanda para Cabinda, onde foi presidir a um comício do MPLA. Na capital, Luanda, «a calma regressa(va) progressivamente, após os recontros registados entre a Facção Chipenda e o MPLA».
«Forças Militares Mistas, compostas pelo Exército Português e forças do MPLA, da FNLA e da UNITA, continuam a ocupar as instalações do Grupo Chipenda», relatavam a ANI, a France Press e a Reuters.
Os recontros tinham registado 20 mortos e muitos feridos e estes estavam internados no Hospital de S. Paulo, guardado por forças da FNLA e da UNITA. Entre esses feridos, estavam 7 da Facção Chipenda - de quem (Daniel Chipenda) não se sabia o paradeiro. Um mês antes, tinha entrado pela Frente Leste, com 3000 homens armados - alguns dos que estavam em Luanda.
Não se confirmava, entretanto, que um grupo desses homens tivessem atacado um hospital do MPLA, no Luso.
Os Cavaleiros do Norte - lá pelo Quitexe. por Aldeia Viçosa e Vista Alegre/Ponte do Dange, continuavam, expectantes sobre o seu futuro - do qual não havia novidades, embora cada vez mais se murmurasse uma rotação para Carmona e para o BC12.
Um ano antes, uma sexta-feira, deixámos o RC4 e Santa Margarida, para mais um fim de semana e para as vésperas (dia 18) dos exercícios finais da Escola de Recrutas. A formação dos futuros atiradores (soldados e 1ºs. cabos) dos Cavaleiros do Norte! O Batalhão de Cavalaria 8423!!!

sábado, 14 de fevereiro de 2015

3 031 - Incidentes em Luanda, com 20 mortos!!!

Jardim do Quitexe, em imagem de 2014 (da net). A casa da esquerda 
era a dos Correios. Em baixo,  notícia de há 40 anos: 20 mortos em Luanda


O dia 14 de Fevereiro de 1975, há 40 anos, foi sexta-feira e, ao Quitexe e da véspera, chegaram más notícias: 20 mortos em Luanda, na sequência de combates entre elementos do MPLA e da Facção Chipenda. 
Os incidentes, segundo do Diário de Lisboa, «tiveram início (...) quando forças do MPLA cercaram a delegação do grupo de Chipenda». Ao MPLA chegaram notícias de que a Facção Chipenda estaria a «receber reforços de pessoal e de material, originário de um país vizinho». O MPLA fez saber que não era sua intenção atacar, mas apenas forçar o Governo de Transição a «tomar medidas adequadas para neutralizar ou dissolver a Facção Chipenda». Os homens desta, ainda segundo o DL, «abriram fogo contra os militares da FALA, estabelecendo tiroteio que se arrastou até ao princípio da madrugada de ontem».
Além dos 20 mortos, muitas mais (pessoas) ficaram feridas e as NT, após isso, «tomaram conta das instalações semi-destruídas do Grupo de Daniel Chipenda». O incidente começou por volta das 3 horas da manhã do dia 13 (6ª.-feira) e o Governo de Transição anunciou a abertura de um inquérito.
O Grupo de Daniel Chipenda, no mesmo dia e ainda citando o DL, teria atacado um  hospital do MPLA, no Luso, e «matou 5 enfermeiros».

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

3 030 - Extinção do CSU e Cavaleiros do Norte na Zona Militar Norte

Edifício da Zona Militar Norte e Comando do Sector do Uíge, em Carmona. 
Rui Correia de Freitas, director do jornal A Província de Angola (foto em baixo)




A 13 de Fevereiro de 1975, foi extinto o Comando do Sector do Uíge (CSU), o que, segundo o Livro da Unidade, levou a que o BCAV. 8423 (os Cavaleiros do Norte) passassem à «dependência directa da Zona Militar Norte» - a ZMN. Estou certo (não me enganarei, seguramente) que o CSU e a ZMN funcionavam no mesmo edifício da principal praça de Carmona, o da imagem.
Ao mesmo tempo, em Luanda, Agostinho Neto  declarava «estar a trabalhar na reintegração do elementos da Revolta Activa», mas, segundo o Diário de Lisboa, «atacou frontalmente a existência no país da Facção Chipenda que, dispondo de uma força armada, poderia ser, na sua opinião, «uma fonte de conflitos armados». E disse esperar que «o Governo de Transição encontre rapidamente um solução» para, e cito Agostinho Neto, «o problema que está a inquietar todos os angolanos amantes da paz e da concórdia».
A mesmo tempo (dia) regressou a Angola o jornalista Rui Correia de Freitas, director do jornal A Província de Angola, que em Outubro de 1973, fugira para a África do Sul, «ao ser avisado que estava iminente a sua prisão, por ordem do  anterior presidente da Junta Governativa, o almirante Rosa Coutinho».
 Assim iam, há 40 anos, os dias da Angola.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

3 029 - Futebol no Quitexe e dissidentes do MPLA

FUTEBOL mo Quitexe, equipa do Parque-Auto. De pé, Teixeira (o estofador), Malheiro, Cuba, Marques (Carpinteiro), Pereira (condutor), Gaiteiro e Teixeira (o pintor). À frente, Monteiro (Gasolinas), Pereira (mecânico), Celestino Silva, Gomes (condutor), Carlos Mendes (bate-chapas) e Miguel (condutor). Notícia de há 40 anos! (em baixo)


Os meados de Fevereiro de 1975 lá continuavam, pelo Quitexe, por Aldeia Viçosa e Vista Alegre (e Ponte do Dange), com os Cavaleiros do Norte a fazerem contas dos dias que faltavam para a partida para Carmona e para o BC12. Já se sabia que seriam a CCS e a 2ª. CCAV. 8423 a rodar, só não se sabia o dia da partida!
Os serviços de ordem lá continuavam, assim como os jogos de futebol.
O campo ficava à saída do Quitexe (para Carmona) e foi palco de memoráveis partidas, entre pelotões (como o da foto, do Parque-Auto), unidades e até com civis.
O dia 12 de Março foi o primeiro da Quaresma de 1975 e, em Luanda,  murmurava-se sobre a eventual integração de dissidentes nos quadros do MPLA - nomeadamnte a de Daniel Chipenda, que liderava a Revolta do Leste. Chipenda estava acontonada em Ninda (no sudoeste angolano) e contestava a liderança de Agostinho Neto (do MPLA) e, por isso, foi expulso do partido. Também dissidentes do MPLA, mas da Revolta Activa, já estavam em Luanda Mário Andrade, Joaquim Pinto de Andrade e Gentil Viana.