CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

quarta-feira, 21 de setembro de 2022

6 932 - O dia em que o Mosteias foi pai!!! Futebol entre subunidades e civis do Quitexe e Aldeia Viçosa!


Os furriéis Mosteias e Viegas à porta da secretaria 
da CCS do BCAV. 8423, no Quitexe (em 1974)
O furriel miliciano Mosteias
e o filho Luís João

O dia 21 de Setembro de 1974, já lá vão 48 anos, teve um registo muito especial no Quitexe militar: o furriel miliciano Mosteias foi pai. 
Pai de Luís João, como o pai, e hoje actor do Teatro Municipal de Sines. 
O saudoso Mosteias era o único furriel miliciano da CCS dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 já casado e o momento natalício foi vivamente assinalado na messe de sargentos do Quitexe. 
Infelizmente, o inesquecível Mosteias já faleceu, vítima de doença e a 5 de Fevereiro de 2013. 
Hoje o recordamos com  imensa e eterna saudade! 
A noite de há 48 anos e mo Quitexe, foi tempo de os Cavaleiros do Norte isabelianos terem direito a filme. Eu, de férias angolanas, laureava o queijo e chegava a Luanda, onde m´espreitavam os calores e os cios das noite de borga.
Por lá, a essa altura, ouvi falar de um MRA, clandestino, que a surdina popular dava como estando a preparar um corpo de mercenários dispostos a estragar a intenção de independenciar Angola. E ali chegava eu, galgados milhares de quilómetros do asfalto angolano, de Luanda à Gabela e a Nova Lisboa, pelo Lobito, Benguela e outras praças da terra africana que ia deixar de ser portuguesa.
Sentia-me forte e seguro para as novas (e mais épicas) aventuras!
1 - O Mosteias que era casado e foi pai, AQUI
2 - O Mosteias não leva desaforo para casa, AQUI
Uma equipa de futebol da CCS. De pé, NN, Afonso
Henriques, Sousa (?), 1ºs. cabos Grácio e Miguel
 e NN. Em baixo, Cabrita, NN, Calçada, NN e Coelho.
Quem identifica os NN´s?

Futebol entre subunidades e
civis do Quitexe e Aldeia Viçosa!


Ao tempo desse 21 de Setembro de 1974, o comandante Almeida e Brito deslocou-se ao Comando do Sector do Uíge (CSU), em Carmona para «tratar de assuntos operacionais», no âmbito dos «contactos necessários ao bom andamento dos trabalhos militares».
O comandante dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, então tenente-coronel, deslocou-se ao mesmo CSU também nos dias 23, 25 e 27 de Setembro de há 47 anos e «sempre acompanhado por oficiais da CCS do BCAV.».
O tempo, por esse tempo de jornada angolana do BCAV. 8423, foi também tempo para a realização de «vários jogos de futebol entre as subunidades e equipas do Quitexe e Aldeia Viçosa». O torneio era, na prática, «uma extensão das actividades psicológicas junto das populações» e foi intensamente vivido pelos jovens Cavaleiros do Norte qie jornadeavam pelo norte de Angola.
E que jogatanas por lá se fizeram, com entusiasmos por vezes excessivos,  no pelado duro e  avermelhado do campo do Quitexe!
Notícia sobre a reconquista, pela FNLA, da
cidade de Caxito, 53 kms. a norte de Luanda

FNLA reconquistou
a cidade do Caxito


Um ano depois, a 20 de Setembro de 1975 e com os Cavaleiros do Norte já em Portugal e nas suas casas, a FNLA reconquistou o Caxito - cidade que fica a escassos 53 quilómetros a norte de Luanda e, então, já desde há semanas estava ocupada pelo MPLA -, depois de violentos combates entre os exércitos dos dois movimentos.
O anúncio foi feita pelo major Martins da Silva, porta-voz do Exército Português e a cidade era um ponto estratégico no eixo rodoviário que liga com o porto de Ambriz e a cidade de Carmona - a «nossa» Carmona... -, que eram duas praças fortes do movimento de Holden Roberto.

terça-feira, 20 de setembro de 2022

6 931 - Trabalhadores do café aliciados para fugirem aos contratos... UNITA apreendeu avião português!

Furriéis Viegas e Pires (do Montijo) na sanzala do Talambanza, à saída (ao lado direito) do 
Quitexe, na Estrada do Café, que liga as cidades de Luanda e Carmona. Há exactamente 48 anos!
O 1º. cabo Rodolfo Tomás e a  pocilga do BC12 em 1975 



O mês de Setembro de 1974, já lá vão 48 anos das nossas vidas..., decorria tranquilo pelas bandas uíjanas do Quitexe e Zona de Acção (ZA) dos Cavaleiros do Norte: a Fazenda de Zalala, a vila de Aldeia Viçosa e Fazenda Santa Isabel, onde, respetivamente, se aquartelavam a 1ª. CCAV. 8423 (do capitão Davide Castro Dias), a 2ª. CCAV. 8423 (do capitão José Manuel Cruz) e a 3ª. CCAV. 8423, do BCAV. 8423 (do capitão José Paulo Fernandes). A que se juntavam, não esqueçamos, a CCAÇ. 209/RI 20 (a da Fazenda do Liberato e do capitão Victor Correia) e a CCAÇ. 4145 (a de Vista Alegre e Ponte do Dange e do capitão Raúl Corte Real).
Problema era o incremento «pelo IN e/ou por agitadores, propaganda aliciante dos trabalhadores das fazendas para fugirem ao contrato», como historia o livro «História da Unidade», acrescentando que tal «forçosamente trará reflexos no panorama económico do concelho».
A questão, que Almeida e Brito, no mesmo «HdU», considerava «meramente administrativo», não tinha «ainda o significado (nem paralelismo) do existente em concelhos limítrofes, no entanto começa a tomar volume que se pode considerar elevado e que trará forçosamente reflexos negativos no bom andamento do processo regressivo da presença das tropas e da descolonização». Bem avisado deveria andar o comandante dos Cavaleiros do Norte.
Notícia do jornal «Diário de Lisboa» de há 47
anos, o do dia 20 de Setembro de 1975!

UNITA a apreender 
avião português !

Um ano depois e já os Cavaleiros do Norte estavam em Portugal, o MPLA, a meia centena de dias da independência (11 de Novembro de 1975) anunciava «a consolidação das posições obtidas anteriormente, assim como uma tentativa de reorganização das forças invasoras, em consequência dos desaires sofridos ultimamente».
O comunicado do MPLA dava conta de «uma estabilização das linhas ocupadas, tanto pelas FAPLA´s como pelo exército invasor, sendo que a terra de ninguém se situava mais ou menos na zona do Tabi, entre os Libongos e Ambriz».
O MPLA dizia controlar Cabinda (onde «a situação é de calma absoluta»), a frente leste (com Malanje, Lunda e Moxico, «na sua quase totalidade sob controlo das FAPLA´s») e a frente Sul (províncias da Huíla, Cunene e Moçâmedes, que era «a que se tem mostrado mais calma, do ponto  e vista militar»). No entanto, havia «linhas de disputa em Malanje», com algumas acções militares a norte da zona de Marimba; Caconda (a norte) e Matala (a leste) eram «linhas de separação entre as FAPLA e as forças mistas do imperialismo». Mais a sul. não havia incidentes «embora continue a verificar-se a presença de forças sul-africanas na área da barragem de Ruacaná».

 
O dia 20 de Setembro de 1975 foi tempo, igualmente, para a notícia da apreensão, pela UNITA e em Nova Lisboa, de um avião da Força Aérea Portuguesa (que ali se deslocara para evacuar pessoa civil da Companhia Mineira do Lobito) e do convite de Idi Amin Dada (presidente do Uganda e da OUA) para uma reunião entre os três movimentos de libertação - «face à situação de guerra civil que se vive em Angola».
O monumento em Odivelas. Lá está o
nome de Joaquim Manuel D. Henriques


A morte, por doença,
do «Cruyff» de Zalala !

O soldado Joaquim Manuel Duarte Henriques, atirador de Cavalaria da mítica Zalala, faleceu a 21 de Setembro de 1974, vítima de doença e em Angola. 
Popularizado como Cruyff, devido às suas parecenças físicas e futebolísticas com o então famoso atleta holandês, era solteiro e filho de João Pedro Henriques e de Delfina da Conceição Duarte e natural de Odivelas, agora concelho mas ao tempo pertencente ao de Loures. Doente por Zalala, foi evacuado para o Quitexe e logo depois para Luanda, onde faleceu no Hospital Militar - a 21 de Setembro de 1974.
O Cruyff foi o primeiro militar europeu do BCAV. 8423 a falecer em Angola, nenhum em combate. Apenas que um movimento na cidade de Odivelas, dinamizado pelo antigo combatente José Marcelino Martins, criou um monumento de homenagem e evocação os militares daquele concelho que faleceram na guerra colonial. O nome do nosso companheiro de Zalala está lá inscrito, como se vê na imagem.
A sua morte foi a segunda do BCAV. 8423, depois da de Bernardo Oliveira, da 3ª. CCAV., a de Santa Isabel, em Julho anterior e da incorporação local, vítima de acidente de viação. O seu corpo está sepultado no cemitério de Odivelas, de onde é natural. RIP!!!

segunda-feira, 19 de setembro de 2022

6 930 - Cavaleiros do Norte em casa e Angola em guerra ! MPLA a 30 kms. de Carmona !


Comando da Zona Militar Norte (ZMN) e do Sector do Uíge (CSU), em Carmona 
(1975), notando-se a Bandeira de Portugal hasteada


Cavaleiros do Norte na cantina do Quitexe. Da esquerda
para a direita, Gaiteiro, Serra, 1º. cabo Malheiro,  Aurélio
(Barbeiro), Mendes (de óculos) e Miguel (condutor). Em
primeiro plano e de bigode, 1º. cabo João Monteiro 
(Gasolinas), Cabrita e Calçada


A 19 de Setembro de 1974, há 48 anos, o comandante Carlos José Saraiva de Lima Almeida e Brito deslocou-se a Aldeia Viçosa, onde se aquartelava a 2ª. CCAV. 8423, comandada pelo capitão miliciano José Manuel Romeira Pinto da Cruz.
A deslocação ocorreu no âmbito dos habituais «contactos operacionais» com todas as subunidades do BCAV. 8423 e o «nosso» tenente-coronel de Cavalaria viajou como sempre: «acompanhado por oficiais da CCS».
Um ano depois, no mesmo dia de 1975 e já com os Cavaleiros do Norte em Portugal, militares do Conselho da Revolução e os civis da nova nomenclatura política acertaram agulhas, em Lisboa, para a formação do VI Governo, que seria
liderado por Pinheiro de Azevedo.
O país todos os dias acordava com novas políticas e, por este dia, uma 6ª. feira, murmurava-se que o Pacto MFA/Partidos iria ser anulado. A posse do Governo estava prevista para as 18,30, mas foi adiada para as 21,30 horas. E o que disse Azevedo? Pois que «tal como o sr. Presidente da República, também eu rejeito a social-democracia como objectivo final da revolução», surpreendendo os observadores com este tom progressista. E inesperado. O Presidente da República era o general Costa Gomes.
Adiante!
Notícia do «Diário de Lisboa» de há 47 anos

Cavaleiros em casa e
Angola em guerra ! MPLA 
a 30 kms. de Carmona !

Os Cavaleiros do Norte refaziam as suas vidas, nas suas casas, com as famílias, as namoradas, mulheres, amigos e toda gente que por eles esperou que chegassem «sãos e salvos», como se dizia na altura, de quem ia para a guerra colonial.
E por Angola?
O MPLA controlava 12 das 16 províncias. 
A UNITA resistia pelos lados do sul, na área de Nova Lisboa, Serpa Pinto e Silva Porto. A norte, a FNLA dominava no Zaire e no «nosso» Uíge. Mas o exército do MPLA já estava 30 quilómetros da cidade de Carmona, uma das principais fortalezas do movimento de Holden Roberto.
O que se temia, ao tempo, era que a FNLA, controlando as províncias do Zaire e do Uíge, as declarasse independentes - ao mesmo tempo que, em Luanda, a 11 de Novembro, o MPLA declarasse a de Angola. Não viria a ser assim, nesse dia: o MPLA declarou a independência da República Popular de Angola, em Luanda; a FNLA e a UNITA declararam a da República Popular e Democrática de Angola, no Ambriz. E mais: em Nova Lisboa, a UNITA também declarou a independência de Angola. Confusão que, como se sabe, viria a resultar num guerra civil que durou até 2002.

Francisco Pisco

Pisco de Aldeia Viçosa, 70
anos em S. João da Talha!


O 1º. cabo Francisco de Jesus Pisco, combatente da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa está hoje em festa dos seus 70 anos. Hoje, que é dia 19 de Setembro de 2022.
Cavaleiro do Norte do BCAV. 8423 com a especialidade de atirador de Cavalaria, também passou por Carmona (pelo BC12) e voltou a Portugal no dia 10 de Setembro de 1975, fixando residência no lugar de Fonte da Dáspera, na freguesia de Alvito da Beira, em Proença-a-Nova - a sua terra natal.
A vida pessoal e profissional, entretanto, levou-o para o Vale de Figueira, em S. João da Talha, no concelho de Loures, onde actualmente reside. Para lá vai o nosso abraço de parabéns!

domingo, 18 de setembro de 2022

6 929 - «Café sem açúcar - Angola 1973/1974»: O estigma da guerra prevalecerá para sempre na memória de todos!

Capa do livro «Café sem
açúcar - Angola 1973/1974»

O nicho de Nossa Senhora
de Fátima em Zalala

O livro «Café sem Açúcar - Angola 1973/1974», de Joaquim Branco, que por Zalala foi furriel miliciano mecânico-auto, encheu o salão da Casa do Povo de Valongo do Vouga, em Águeda.
O livro poderia ser (e é) um roteiro dos Cavaleiros do Norte, em particular da 1º. CCAV. 8423 - que jornadeou por Zalala, «a mais dura escola de guerra», onde substitui a 2ª. CCAÇ-. 4211, a unidade do furriel Branco.
O encontro de 10 de Fevereiro de 2020, com o capitão Davide Castro Dias (o último comandante de Zalala, da 1ª. CCAV. 8423) e os furriéis Carlos Ribeiro (também da 4211 de Zalala) e Viegas (da CCS do BCAV. 8423), ontem aqui recordado, reforçou essa ideia. Escreveu o furriel Joaquim Branco, no seu livro, que «foi um almoço recheado de memórias e lembranças, divididas pelo amargo e o doce dessas recordações».
«O estigma dessa guerra prevalecerá para sempre na memória de todos os que dela fizeram parte», lê-se no ««Café sem Açúcar - Angola 1973/1974», de Joaquim Branco, que, na apresentação pública de ontem e muito emocionado, o considerou «o meu Prémio Nobel».
Parabéns, furriel Branco de Zalala!!! Pela coragem de, na forma impressa em livro e para memória futura, descreveres acontecimentos que, como nele escreves, «foram cuidadosamente tratados, de modo a que possa ser fiel a uma linguagem  mais cuidada», até por ser «uma narrativa de memórias». 
O livro pode ser pedido directamente à Casa do Povo de Valongo do Vouga, na Rua da Casa do Povo, nº. 2 | 3750-810 Arrancada do Vouga. Ou pelo email casapovovalongo@mail.telepac.pt e telefone 234630500.
O alferes Machado e os capitães
José Paulo Falcão e José Diogo
Themudo na varanda do BC12

Capitão/coronel Themudo,
festeja 81 anos em Lisboa!

O capitão José Diogo da Mota Silva Themudo, agora coronel aposentado, foi 2º. comandante dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 e amanhã comemora 81 anos!
Oficial de Cavalaria, chegou a Carmona em Março de 1975, convidado pelo comandante Almeida e Brito para exercer aquelas funções - vagas desde a partida para Angola, por «desvio» do major Ornelas Monteiro para a Guiné.
O capitão Themudo, ao tempo, já tinha feito 2 comissões (em Angola e Moçambique) e voltou a Angola mobilizado para uma companhia entretanto desactivada. Ficou por Luanda, até ser «achado» pelo comandante do BCAV. 8423.
A carreira militar continuou em Portugal e, como coronel, aposentou-se aos 57 anos, em 1998, depois de ter sido comandante da CCS de um dos Regimentos de Cavalaria da GNR - o esquadrão motorizado, esquadrões a cavalo e brigadas de trânsito. Também comandou a PSP de Santarém (5 anos) e foi 2º. comandante da Regimento de Cavalaria de Santa Margarida, o antigo RC4 - a unidade mobilizadora do BCAV. 8423.
Mora em Lisboa, dedica-se a actividades equestres e à família, e é para lá e para ele que vai o nosso abraço de parabéns!
Carlos Ferreira

Ferreira, cozinheiro da CCS,
70 anos em Achede de Santarém!

O soldado Carlos Manuel da Piedade Ferreira, Cavaleiro do Norte da CCS do BCAV. 8423, está amanhã em festa, dia 19 de Setembro de 2022: comemora 70 anos!
Cozinheiro de especialidade militar, é natural de Casais da Branca, em Santarém, e lá regressou a 8 de Setembro de 1975, no final da sua e nossa jornada angolana por terras do Uíge - pelo Quitexe e por Carmona.
Profissionalmente, fez carreira como condutor do Hospital Distrital de Santarém e, já aposentado, reside em Achede, neste mesmo concelho ribetejano. Foi o organizador do encontro da CCS dos Cavaleiros do Norte, em Junho de 2018. 
Parabéns pelo aniversário, pelos saudáveis 70 anos a que chega!

sábado, 17 de setembro de 2022

6 928 - Memórias de Zalala em livro do furriel Branco da CCAÇ. 4211 - que a 1ª. CCAV. 8423 substituiu!

 

Ribeiro e Branco, o autor. dois furriéis de Zalala e da CCAÇ. 4211, que a 1ª. CAV. 8423
substituiu a 7 de Junho de 1974. Aqui, com Viegas, furriel da CCS do BCAV. 8423. Esta
arde, na apresentação do livro «Café sem Açúcar - Angola 1974/1974»

Combatentes de Zalala: o capitão Castro Dias, de óculos
e o último comandante militar da mítica fazenda, com a
 última Bandeira Portuguesa. À esquerda, os furriéis
Ribeiro e Branco (da CCAÇ. 4211) e Viegas, à direita,
da CCS do BCAV. 8423



A mítica Fazenda Zalala, no norte angolano do Uíge, foi hoje evocada em livro. Livro escrito pelo furriel Joaquim Matos Branco, que por lá foi mecânico e combatente da 1ª. CCAÇ. 4211, a imediatamente antecessora da 1ª. CCAV . 8423.
O «Café sem açúçar - Angola 1974/1975».
A apresentação decorreu esta tarde, na Casa do Povo de Valongo do Vouga, em Águeda, de onde é natural o autor, e o «Cavaleiros do Norte» esteve lá, por ele convidado. Fomos companheiros de escola nos anos 70, quando se dava pelo epíteto Palhaço, que ainda hoje o faz sentir orgulhoso o seu trajecto de vida.
As últimas páginas do livro incluem um depoimento do capitão Davide de Oliveira Castro Dias, comandante da 1ª. CCAV. 8423 dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423.
A última guarnição de Zalala!
De lá saída a 25 de Novembro de 1974, rodando para Vista Alegre e Ponte do Dange. 
A 10 de Fevereiro de 2020 e depois de uma reportagem na SIC,  foi possível reunir, em Águeda, um quarteto de «actores» de Zalala: os furriéis milicianos: Branco, esse mesmo (o Palhaço), e Ribeiro, ambos da CCAÇ. 4211, e Viegas, da CCS do BCAV. 8423, com o capitão Castro Dias, que levou a última Bandeira de Portugal hasteada em Zalala. Arriada a 25 de Novembro de 1974.
Na altura, levou também um registo pessoal das suas emoções desse histórico dia, o do fecho do quartel de Zalala. São parte da obra literária de Joaquim Matos Branco e recordamo-las:
Imagem de Nossa Senhora de
Fátima e o furriel Branco,
em Zalala (1974)

Zalala, a mais rude 
escola de guerra ! 

«O tempo decorreu e, meses depois, chegou a altura de sair de Zalala, fechando o quartel. Tudo foi acertado com os civis e o comando e na altura da rotação levámos tudo. Caixotes e mais caixotes, documentos do comando, pertences pessoais, armamento, viaturas, móveis e todo o recheio do quartel.
Também recolhi uma imagem de Nossa Senhora de Fátima com cerca de 70 centímetros, com terços e algumas mensagens, que colocada num pedestal, pequeno altar, servia de local de culto, recolhimento, de colocação de ex-votos e pelo menos por uma vez, de missa com o padre do Quitexe.
Revi a imagem no nicho, há dias (Janeiro de 2020), numa reportagem que a SIC transmitiu sobre a correspondência enviada à Senhora de Fátima ao longo dos anos. Nessa reportagem, foi entrevistado um militar que tinha estado em Zalala, numa Companhia anterior, que eu fui render, e entre as várias fotos que mostrou, aparecia pintada, ao longo da parede dos terreiros de secagem do café, a célebre frase «Zalala, a mais rude escola de guerra». 
Numa outra foto que mostrou, por ele estava a imagem da Senhora de Fátima no seu pequeno altar de Zalala.
A imagem foi entregue, em 1975, no Arciprestado de uma cidade da Beira Alta onde o clérigo responsável era familiar da minha futura esposa. Presumo que ainda se mantém com as referências que cuidadosamente anexei à imagem.
Trouxe também a Bandeira Portuguesa que todos os dias era hasteada e retirada com respeito e ritual militar.
Os furriéis Ribeiro e Branco e o capitão Castro Dias
a desfiarem memórias de Zalala num álbum de 
Angola, a 10 de Fevereiro de 2020

O orgulho do fecho
de 500 anos de colonialismo !

A Bandeira Portuguesa de Zalala, que significava a nossa ocupação de centenas de anos, a colonização. Foi, simbolicamente, a retirada de Portugal desta parcela do norte de Angola - a mais rude escola de guerra. Ainda hoje, quando relembro esse momento, sinto um friozinho nas costas.
Eu, o último capitão em Zalala, arriou-a do mastro com sentimentos miscigenados. 
Ainda a mantenho.
Senti, nesse momento, por um lado, o orgulho do fecho de 500 anos de colonialismo e a entrega do território aos seus legítimos proprietários e, por outro lado, o saudosismo e a tristeza inerente à entrega de terras que só com esforço, dedicação e sacrifício de muitos portugueses, produziram riqueza e a valorização dessas paragens.
Obviamente, riqueza extrema para uns poucos, intermédia para uns quantos, normalmente os pequenos fazendeiros, os seus encarregados e os comerciantes, os «brancos». Para todos os outros, a quase totalidade, que se deixavam seduzir por algum ilusório e passageiro bem-estar, ficava o pouco dinheiro ganho, a fuba e o peixe seco do contrato quase escravo. O rádio, a pilhas, os óculos escuros e por vezes a bicicleta, completavam a miragem.
DAVIDE CASTRO DIAS
(voltaremos ao assunto)

sexta-feira, 16 de setembro de 2022

6 927 - Cavaleiros do Norte em Lisboa a fazer memórias do Uíge angolano de 1974/75!

Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 em Lisboa, a 13 de Setembro de 2022, fazendo memórias
da jornada angolana do Uíge: soldado José Rebelo e furriéis Flora, Viegas, Querido e Grenha
Lopes, «ressuscitado» 47 anos depois! A 13 de Setembro de 2022!

 
Furriéis no Quitexe, na noite de passagem de ano de 1974/75:
Bento, Rocha, Viegas, Flora, Lopes (enfermeiro), Capitão e
 Ribeiro. Á frente, Carvalho, Belo, Grenha Lopes e Reino

Um quinteto de Cavaleiros do Norte do BCAV. 842 encontrou-se esta semana em Lisboa, a capital do antigo império colonial, fazendo memórias das terras uíjanas do Quitexe, Fazenda Santa Isabel e Carmona.
A grande «novidade» foi a (re)aparecimento do furriel Grenha Lopes, combatente da 3ª. CCAV. 8423, que não era visto (por nós) há... 47 anos. Trabalha em Lisboa, gerindo as clínicas que fundou e de que é proprietário e, nem de propósito, está de excelente saúde e melhor disposição.
O grupo era pequeno, um quinteto..., mas bom: além do Grenha Lopes, os também furriéis milicianos António Flora e José Querido, ambos da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel (como o Lopes), e, da CCS e do Quitexe, o furriel miliciano Viegas e o soldado José Rebelo, que trabalhou na messe e bar de sargentos.
Tudo gente bem disposta e que, com emoção, se partilhou numa mesa de saudades, bem comida e melhor bebida.
Os furriéis milicianos José Querido, Victor Guedes (já
falecido) e António Fernandes, em Santa Isabel (1974)

Comunhão de emoções
e memória dos que
já partiram !

O  momento de comunhão de saudades fez-nos relembrar, com saudade, muitos nomes de companheiros dessa nossa memorável jornada africana do Uíge.
Principalmente os daqueles que já partiram, nomeadamente os furriéis milicianos Luís Ribeiro Capitão, de Ourém (a 5 de Janeiro de 2010), e Victor Mateus Ribeiro Guedes, de Lisboa (a 16 de Abril de 1998), ambos de nós roubados por doenças que a medicina não foi capaz de combater. Também o 1º. cabo Manuel  Quaresma, de Cacia, em Aveiro (a 6 de Abril de 2004). 
Outos e certamente esquecendo alguns, foram:
- Joel Carlos Gonçalves Catarino, 1º. cabo atirador de Cavalaria. Morava em Paivas, no Seixal. Faleceu a 1 de Janeiro de 1983.
- Ricardo da Conceição Botelho, soldado de transmissões, que morava no Montijo. Faleceu a 1 de Agosto de 1993.
O António Francisco Tomás (a 1 de Janeiro de 1983), o Fernando Martins Simões (suicídio a 17 de Agosto de 1998), o João Lino (10/03/1983), o António Chambelo (corpo exumado a 6 de Abril de 2020, no cemitério de Sintra). E outros, de quem não sabemos mas evocamos.
Falecidos em Angola e companheiros de Santa Isabel foram:
- O soldado Manuel Barreiros, em Agosto de 1975, vítima de doença. O 
corpo veio para Lisboa no mesmo avião de regresso da 3ª. CCAV. 8423.
-
 Jorge Custódio Grácio, soldado atirado de Cavalaria e vítima de acidente em viatura civil, a 2 de Julho de 1975 e já em Carmona. O Spínola, como era conhecido, natural do Casal das Raposas, em Vieira de Leiria Marinha Grande). 
Hoje, como na passada terça-feira, e sempre, os lembramos com saudade. RIP!!!


João Leirinhas

Leirinhas de Zalala, 70
anos em Vila Nova de Gaia!

O soldado João Ramos Leirinhas, combatente dos Cavaleiros do Norte da mítica Fazenda de Zalala, festeja 70 anos a 18 de Setembro de 2022.
O Leirinhas foi atirador de Cavalaria da 1ª. CCAV. 8423, integrando o 1º. Grupo de Combate, comandado pelo alferes miliciano Mário Jorge de Sousa. Regressou a Portugal e a Canidelo, em Vila Nova de Gaia, no dia 9 de Setembro de 1975 e lá reside, sendo habitual participante dos encontros anuais dos Cavaleiros do Norte de Zalala - que a 25 de Setembro deverã
o reunir em Fátima, retomando os convívios intervalados pela COVID 19.
Parabéns!

quinta-feira, 15 de setembro de 2022

6 926 - Os Cavaleiros do Norte da CCS do BCAV. 8423 que desta vida já partiram...

Concentração e emoção máximas na evocação dos Cavaleiros do Norte da
CCS do BCAV. 8423 que já faleceram. RIP!!!


O comandante Almeida e Brito e o
capitão José Paulo Falcão em 1995
Capitão Manuel
Leal (médico)


O encontro da CCS dosBCAV. 8423, em Braga, teve o sempre emotivo, cada vez mais  emotivo, momento de evocação dos companheiros que já partiram para outra vida.

A relação já é extensa, infelizmente, e outros Cavaleiros do Norte já terão falecido, sem que de tal saibamos. Os evocamos, também e com sentimento de saudade.
Os falecidos, que sabemos: 

Classe de Oficiais

- ALMEIDA DA E BRITO: Carlos José Saraiva de Lima Almeida e Brito. 
Tenente João
Eloy Mora
Alferes A. Garcia
Tenente-coronel e comandante do Batalhão. Faleceu a 20 de Junho de 2003,  com patente de general, aos 76 anos e durante passeio em Espanha. A esposa, D. Isabel Almeida e Brito, que sempre participou nos nossos encontros, faleceu em Maio de 2015.
- ORNELAS: José Luís Jordão Ornelas Monteiro.
Major e 2º. comandante, mas não seguiu para Angola. Foi para a Guiné, convocado pelo MFA. Faleceu a 16 de Julho de 2011, em Lisboa, aos 80 anos.
- OLIVEIRA: António Martins de Oliveira.
Capitão SGE e comandante da CCS. Faleceu em data e razão desconhecidas.
- FALCÃO: José Paulo Montenegro Mendonça Falcão.
Alferes José
Almeida (Capelão)
Capitão SGE e oficial de operações. Morava em Coimbra.
Faleceu de doença prolongada a 9 de Dezembro de 2019, aos 77 anos e com a patente de tenente-coronel.
- LEAL: Manuel Soares Cipriano Leal.
Capitão miliciano médico. Morava na Póvoa do Varzim.
Faleceu de doença a 10 de Abril de 2020, aos 92 anos.
- MORA: João Eloy Borges da Cunha Mora.
Tenente e Adjunto do Comandante da CCS
Faleceu a 21/4/1993, com 67 anos. Em Lisboa. Era do Pombal.
- GARCIA: António Manuel Garcia.
Alferes miliciano de Operações Especiais. Faleceu a 2 de Novembro de 1979, de acidente. Era de Carrazeda de Ansiães e morava em Vila Nova de Gaia. Morreu aos 27 anos.
Furriel L. Mosteias
Furriel J. Farinhas
- ALMEIDA: Alferes José Ferreira de Almeida.
Padre capelão e de doença, em Viseu. A 2 de Março de 1995, os 51 anos.

Classe de Sargentos

- MACHADO: Luís Ferreira Leite Machado.
Sargento-Ajudante. Faleceu a 12 de Julho de 2000, em Évora. Tinha 80 anos..
- LUZIA: José Claudino Fernandes Luzia.
1º. Sargento e chefe da secretaria da CCS. Faleceu de doença a 2 de Abril de 2017, aos 84 anos. Atingiu a patente de sargento-mor e vivia na Amadora.
- FARINHAS: Joaquim Augusto Loio Farinhas.
Furriel miliciano sapador. Faleceu a 14 de Julho de 2005, de doença do foro oncológico, em Amarante e aos 53 anos.
- MOSTEIAS: Luís João Ramalho Mosteias
Furriel miliciano sapador. A 5 de Fevereiro de 2013, aos 61 anos. De doença oncológica. Vivia em Vila Nova de Santo André.

1ºs. cabos Almeida e Vicente

Classe de Praças

- ALMEIDA: Joaquim Figueiredo de Almeida.
1º. cabo atirador de Cavalaria. Faleceu a 28 de Fevereiro de 2009, aos 59 anos, de doença do foro oncológico. Era de Pedrogão, em Penamacor.
- MEDEIROS: António Carlos Fernandes de Medeiros.
1º. cabo operador cripto / Faleceu a 10 de Abril de 2003, de doença. No Porto e aos 51 anos.
- VICENTE: Jorge Luís Domingos Vicente.
1º. cabo atirador de Cavalaria. Faleceu a 21/01/1997, por doença, aos 45 anos. Em Vila Moreira (Alcanena).
- MENDES: Carlos Alberto de Jesus Mendes.
1º. cabo mecânico electricista. Faleceu a 21 de Abril de 2010, aos 58 anos. Morava em Lisboa, nos Prazeres.
- PINHO: Jorge Manuel de Sousa Pinho.
1º. cabo escriturário. Faleceu de doença a 19 de Abril de 2003, no Porto. Aos 51 anos.
- LOURO: José Adriano Nunes Louro.
1º. cabo sapador. Faleceu (de suicídio) a 23 de Julho de 2008, aos 56 anos. Era de Tomar.

1º. cabo Viana

1º. cabo Louro
- VIANA: Damião Augusto das Neves Viana.- 1º. cabo escriturário. Morava em Fânzeres, Gondomar. Faleceu a 21 de Fevereiro de 2021, vitima de doença cancerosa.
- SOARES: Fernando Manuel Soares.
- 1º. cabo de operações/ atirador de Cavalaria Faleceu de doença Março/Abril de 2018.
- ALBINO: Albino dos Anjos Ferreira.
1º. cabo atirador de Cavalaria. Era de Ferreira do Zêzere e morreu em Almargem do Bispo, em Sintra. De doença e a 23 de Fevereiro de 2017.
- MARQUES: Manuel Augusto da Silva Marques.
1º. cabo Carpinteiro. De Esmoriz (Ovar). Faleceu a 1 de Novembro de 2012. Morte súbita, aos 60 anos.
- PEREIRA: António Clara Pereira.
Soldado mecânico, do Sardoal. Faleceu de doença cancerosa, a 21 de Fevereiro de 2018, aos 65 anos.
- PICOTE: António do Rosário Picote.
Soldado condutor, de Óbidos. Faleceu de doença, a 12 de Agosto de 2018. aos 67 anos. Casou aos 50 e tal anos com uma guineense.
- COELHO: José Gomes Coelho.
Soldado sapador. Faleceu em Maio de 2007, com 55 anos. Morava em Oldrões da Calçada, em Penafiel.
- MORAIS: Carlos Alberto Morais da Silva.
Cortador de carnes, da cozinha. Faleceu em data indeterminada. Há mais de 20 anos e de doença. Em Sanfins de Castanheira, concelho de Chaves.
- GOMES: Armindo Domingues Gomes.
Soldado atirador de Cavalaria. Morreu a 3 de Setembro de 1989, aos 47 anos, em Á-dos-Cunhados (Torres Vedras).
- LEAL: Manuel Leal da Silva.
Soldado atirador de Cavalaria Faleceu a 18 de Junho de 2007. De doença súbita, em Pombal, aos 54 anos.
- ALCINO: Alcino Fernandes Pereira.
Soldado cozinheiro. Morreu a 25 de Junho de 1994, aos 52 anos, em Idanha (Sintra).
- NUNES: Manuel Augusto Nunes, o Amarante.
Soldado sapador. Morreu a 24 de Maio de 2000, de doença e em Telões - Amarante. Tinha 53 anos.
- MESSEJANA: João Manuel Pires Messejana.
Soldado atirador. Faleceu a 27 de Novembro de 2009, em Lisboa, de doença, aos 57 anos.
- GRACIANO: Graciano do Purificação Queijo.
Natural de Vinhais, morava em Samora Correia. Soldado clarim, faleceu a 30 de Outubro de 2013.

Carlos Carvalho

Carvalho de Santa Isabel,
70 anos na Mealhada !

O soldado Carlos Alberto Baaptista de Carvalho, atirador de Cavalaria da 3ª. CCAV. 8423, está hoje em festa, dia 15 de Setembro de 2022, hoje, dia 15 de Setembro de 2022 e quando comemora 70 anos!
Natural e reside no Barcouço, na Mealhada, lá voltou a 11 de Setembro de 1975, no final da sua (e nossa) comissão em Angola - que o levou por Santa Isabel, Quitexe e Carmona. 
Foi o organizador do encontro dos Cavaleiros do Norte da Fazenda Santa Isabel de 2 de Junho de 2018, na Mealhada e em dia de muitas emoções e festa. Ver AQUI 
Hoje, no 2022 que decorre (ainda) em maré de cuidados covídicos e em dia festivo dos seus 70 anos, para ele vai o nosso abraço de parabéns! E desejo de mais e bons anos de vida!


quarta-feira, 14 de setembro de 2022

6 925 - CCS do BCAV. 8423 em Braga - 5: Temos de nos encontrar sempre, mas mesmo sempre!

 

A última intervenção do alferes Cruz: «Temos de nos encontrar sempre, mas mesmo sempre»!
Ladeado, à esquerda, por Gabriel Mendes (e esposa), furriel Machado, 1º. cabo Coelho (o
 Buraquinho), Henrique Esgueira e Joaquim Moreira. À esquerda e na mesa, as 6 páginas (fotocopiadas)
da reportagem do jornal «Sol» sobre a viagem do furriel Viegas a Angola, em 2019

Porfírio Malheiro e os furriéis milicianos José
Gomes (da 2ª. CCAV. 8423), Viegas e Neto




O alferes António Albano Cruz fez a oração final do convívio da CCS em Braga: «Temos de nos encontrar sempre, mas mesmo sempre»!, disso o agora juvenil setentão de barbas brancas e então jovem oficial miliciano da nossa missão militar por terras do norte de Angola.
Comandante do parque-auto, foi a sua equipa de Cavaleiros do Norte louvada pelo comando BCAV. 8423, pelo seu «espírito de entreajuda e sacrifício (...)», pois «torneando dificuldades inerentes ao muito uso das viaturas e à falta de sobressalentes, conseguiu que obtivessem condições de utilização em tempo oportuno e muito aceitáveis».
Não foi disso que falou, também para além do drama pessoal que foi a epopeia de ir buscar a família (instalada na cidade e evacuada para quartel). Falou dos valores da solidariedade, do companheirismo, da camaradagem «que só a tropa ensina» e da missão «difícil e perigosa que tivemos, todos, de enfrentar» nos amargos dias da guerra urbana da cidade de Carmona.
Quando nenhum dos Cavaleiros do Norte «foi mais que quaisquer outros», mas todos foram iguais em coragem e disponibilidade para, sem medos, assumir o seu papel de garante da segurança de pessoas e bens da sua zona de acção.
«Até para o ano, amigos... nada de faltar!», disse o alferes Cruz, a deixar-se embargar de voz, pela emoção do momento. Com palmas do... adeus até 2023 e à Covilhã.
O furriel Neto, filho e nora do furriel Machado
e a esposa de Aurélio Júnior - o Barbeiro

Encontro inesperado
com o furriel Gomes de Aldeia Viçosa!

O encontro da CCS, o de Braga, teve visita inesperada: a do furriel miliciano José da Silva Gomes, que foi Cavaleiro do Norte da 2ª. CCAV. 8423.
«Eh pá... não me estás a conhecer?», perguntou ele, caminhando em direção do furriel Viegas, eu mesmo.
Na verdade, não estava.
«Devo conhecer?...», perguntei eu, surpreendido e procurando mentalmente desfazer o «enigma».
«Sou o Gomes, pá... O Gomes da 2ª. CCAV., a de Aldeia Viçosa!!!», respondeu ele, de largo sorriso a rasgar-lhe o rosto.
Pois, tal e qual..., nem mais nem menos: o Gomes de Aldeia Viçosa, que há muitos anos (finais dos anos 80...) encontrei ocasionalmente pelas bandas de Vila Verde, onde ele trabalhava para a PT - de que se aposentou há 21 anos! 
A tropa e os companheiros do batalhão foram tema de todo o convívio e até tempo para a conversa do convívio e tempo ainda para telefonar a alguns amigos comuns! E de descobrirmos que no seu Prado de Vila Verde vive um amigo comum, que já lá fi presidente da Junta de Freguesia. Como o mundo é pequeno!
Grande e agradável surpresa, ó Gomes! - Continua
Artur Gameiro
clarim da 2ª. CCAV.


Gameiro de A. Viçosa, 70
anos em Cercal de Ourém!


O soldado Artur Mendes Gameiro, da 2ª. CCAV. 8423, festeja 70 anos a 14 de Setembro de 2022.
Cavaleiro do Norte da subunidade de
 Aldeia Viçosa, foi clarim de especialidade militar e é natural do lugar do Cercal, da freguesia de Espite, no concelho de (Vila Nova de) Ourém.
Lá voltou a 10 de Setembro de 1975, no final da sua jornada angolana do Uíge africano do norte de Angola - ao fim de 15 longos e vividos meses, que também passaram pela cidade de Carmona e o Campo Militar do Grafanil.
Ainda lá vive, tanto quanto sabemos, e para ele vão as nossas felicitações pela bonita idade que hoje festeja, certamente com familiares e amigos!
Joaquim Duarte,
cozinheiro CCS

Duarte, cozinheiro da CCS, 
70  anos em Castelo Branco!


O soldado Joaquim da Ressurreição Duarte, cozinheiro da CCS do BCAV. 8423, na vila uíjana do Quitexe, festeja 70 anos a 14 de Setembro de 2022, em Castelo Branco.
Cavaleiro do Norte natural de Almaceda, em Castelo Branco, lá voltou a 8 de Setembro de 1975, já lá vão 46 anos. Vive(rá) agora no Lote 19 da Rua do Proença, na mesma cidade albicastrense. Para lá, e para ele, vai o nosso amigo e grande abraço de parabéns!